{"id":25,"date":"2008-12-13T15:57:24","date_gmt":"2008-12-13T15:57:24","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/25"},"modified":"2018-05-04T21:50:46","modified_gmt":"2018-05-05T00:50:46","slug":"terminator-3-o-futuro-em-escombros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/terminator-3-o-futuro-em-escombros\/","title":{"rendered":"&#8220;Terminator 3&#8221;: O futuro em escombros"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">\n<h1>\u201cTERMINATOR 3\u201d: O FUTURO EM ESCOMBROS<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cO Exterminador do futuro 3\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Nome original: Terminator 3: Rise of the machines<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra (UK)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2003<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Jonathan Mostow<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Roteiro: James Cameron, Gal\u00e9 Anne Hurd<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Arnold Schwarzenegger, Nick Stahl, Claire Danes, Kristanna Loken, David Andrews, Mark Famiglietti<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: a\u00e7\u00e3o, aventura, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, thriller<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O \u201cExterminador do Futuro 3\u201d realiza mais uma vez a m\u00e1gica hollywoodiana de reativar uma franquia cinematogr\u00e1fica. A mesma hist\u00f3ria, a mesma trama, os mesmos personagens s\u00e3o trazidos de volta, buscando requentar no espectador as mesmas emo\u00e7\u00f5es, as mesmas sensa\u00e7\u00f5es de quando assistiu ao filme original pela primeira vez. Para faturar mais uma vez. O Exterminador 3 repete praticamente a mesma hist\u00f3ria do epis\u00f3dio 2. As m\u00e1quinas voltam do futuro para exterminar, no presente, os l\u00edderes da Resist\u00eancia humana, que combate a elas, m\u00e1quinas, no futuro em que dominam.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As m\u00e1quinas querem se antecipar ao homem. Querem destruir a resist\u00eancia que a elas se op\u00f5e, antes mesmo dessa resist\u00eancia nascer. A l\u00f3gica do capital anseia por controlar a hist\u00f3ria, controlando tamb\u00e9m o passado. As pretens\u00f5es niveladoras e totalit\u00e1rias do sistema em sua insanidade terminal alcan\u00e7am todas as dimens\u00f5es da hist\u00f3ria e do tempo. Passado, presente e futuro tem que se adequar. O mundo deve ser formatado. Os enganos do passado devem ser varridos do mapa. O sonho de Hitler era aniquilar da hist\u00f3ria a exist\u00eancia dos judeus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O totalitarismo guarda em sua ess\u00eancia essa pretens\u00e3o de reinventar a hist\u00f3ria. Varrer da hist\u00f3ria o indesej\u00e1vel, o inaceit\u00e1vel e o diferente. Desfechar uma guerra purificadora her\u00f3ica e definitiva. Uma santa cruzada. O sonho totalit\u00e1rio \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o de est\u00e9tica e tamb\u00e9m de engenharia. O sonho de um mundo perfeito e sem erros, com tra\u00e7ado retil\u00edneo, racional e cartesiano. Sem as imperfei\u00e7\u00f5es humanas. As m\u00e1quinas aprenderam a li\u00e7\u00e3o e querem poupar trabalho. Partir direto para um mundo sem seres humanos. M\u00e1quinas fabricando m\u00e1quinas. A suprema utopia do capital.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A id\u00e9ia foi apresentada com genialidade no primeiro \u201cExterminador\u201d, de 1984, um cl\u00e1ssico de fic\u00e7\u00e3o noir, ainda com um certo aspecto de \u201cfilme B\u201d, que mostrava ao mundo um rob\u00f4 exterminador com cara de ator austr\u00edaco de nome impronunci\u00e1vel; ou melhor, um fisiculturista austr\u00edaco que se fazia passar por rob\u00f4. Em 1991 as m\u00e1quinas voltam, com efeitos especiais revolucion\u00e1rios, que marcaram a hist\u00f3ria do cinema, embaladas por uma produ\u00e7\u00e3o escandalosamente milion\u00e1ria para os padr\u00f5es da \u00e9poca. Um or\u00e7amento que rapidamente se tornou banal, nesta d\u00e9cada de expans\u00f5es vertiginosas que foram os anos 90.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os dois primeiros Exterminadores apresentavam como mote a tentativa de salvar a humanidade do holocausto nuclear. Um medo ainda plaus\u00edvel na \u00faltima d\u00e9cada da Guerra Fria. A perspectiva sombria do bombardeio nuclear era apresentada com cores de holocausto b\u00edblico, sob o nome de \u201cjudgement day\u201d, o dia do ju\u00edzo final da mitologia crist\u00e3. Para desespero dos cr\u00e9dulos e assustadi\u00e7os estadunidenses, o filme ilustrava o pesadelo supremo, a vis\u00e3o de suas pr\u00f3speras comunidades suburbanas sendo consumidas por uma avalanche de labaredas radioativas. Felizmente, acreditavam todos, o dia do ju\u00edzo fora evitado no segundo filme. As m\u00e1quinas que destruiriam o mundo do futuro foram destru\u00eddas antes, pelos guerrilheiros do presente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 James Cameron, o criador da id\u00e9ia, achou que o recado estava dado e foi procurar seus navios afundados. Mas a d\u00e9cada de 1990 passou. Chegamos ao novo mil\u00eanio. Vieram os atentados de 11 de Setembro. E o mundo mergulhou de novo numa nova Guerra Fria. \u201cGuerra contra o terror\u201d. Guerra sem fim. E sem finalidade outra a n\u00e3o ser reafirmar o poderio estadunidense. Guerra sem fim, paran\u00f3ia sem fim. John Connor, o m\u00edtico salvador da humanidade dos dois primeiros filmes, vive sem endere\u00e7o fixo, sem identidade, sem conex\u00f5es com o mundo real, com medo de algum fantasma do futuro apocal\u00edptico seguir seus rastros. Uma vida desperdi\u00e7ada pelo medo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na nova Guerra Fria contra o terror, os her\u00f3is do passado s\u00e3o ressuscitados. Arnold Shwarzenegger \u00e9 convocado para ganhar as elei\u00e7\u00f5es na Calif\u00f3rnia em nome do Partido Republicano do comandante-em-chefe George W. Bush, que se imagina o John Connor do presente, o salvador do complexo industrial-militar estadunidense. Antes, ele precisa reativar sua carreira cinematogr\u00e1fica. Arnold veste o traje do Exterminador para a nova era. O personagem se assume como \u00edcone pop. O Exterminador perde a pose para ganhar votos. O rob\u00f4 do futuro retoma seu uniforme de motoqueiro ao som de Village People, saindo de um clube de mulheres. O fetiche do corpo perfeito e da cara de mau \u00e9 assumido descaradamente, em tom de galhofa. O Exterminador \u00e9 desconstru\u00eddo. \u201cBad to the bone\u201d \u00e9 substitu\u00eddo por \u201cMacho Man\u201d. O personagem se auto-satiriza para se imunizar contra a s\u00e1tira dos cr\u00edticos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Devidamente imunizado, ele trata de cumprir sua miss\u00e3o. O mundo tem que ser salvo. E tamb\u00e9m o Estado da Calif\u00f3rnia, depois de d\u00e9cadas governado por \u201cesquerdistas\u201d e homossexuais. N\u00e3o h\u00e1 trabalho sujo que o Exterminador rejeite. Ele \u00e9 uma m\u00e1quina, e far\u00e1 o que for preciso. O personagem \u00e9 perfeito. O Exterminador se comporta como m\u00e1quina, de forma convincente, impec\u00e1vel. Arnold Schwarzenegger est\u00e1 mais uma vez \u00e0 vontade no papel que o consagrou, o \u00fanico que sabe interpretar, aquele que valoriza seu anguloso sotaque germ\u00e2nico.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O momento \u00e9 mais do que perfeito para reintroduzir o personagem. A trilogia \u201cMatrix\u201d acaba de apresentar a vers\u00e3o definitiva do pesadelo do homem subjugado pelas m\u00e1quinas. Diante da distopia de \u201cMatrix\u201d, o mundo da Resist\u00eancia de James Cameron\/John Connor \u00e9 fichinha. \u201cMatrix\u201d completa o \u201cExterminador\u201d. As duas hist\u00f3rias formam uma mesma narrativa complementar. Em \u201cExterminador\u201d as m\u00e1quinas vencem a guerra contra os humanos. Em \u201cMatrix\u201d elas os escravizam e passam a viver de sua bioenergia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O oportunismo hollywoodiano continua atilado. Se \u201cMatrix Revolutions\u201d promete mostrar uma espetacular guerra dos homens contra as m\u00e1quinas, a s\u00e9rie do Exterminador promete por sua vez tirar sua casquinha dessa id\u00e9ia. O Exterminador 3 e 4 (sim, haver\u00e1 obviamente mais uma continua\u00e7\u00e3o) podem pegar carona na excita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e mostrar mais uma vez o mundo sendo salvo das m\u00e1quinas. Mostrar sua pr\u00f3pria vers\u00e3o, mais grosseira e diretamente patri\u00f3tica. John Connor liderar\u00e1 os humanos \u00e0 vit\u00f3ria com a bandeira dos Estados Unidos tremulando ao fundo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A hist\u00f3ria do \u201cExterminador 3\u201d \u00e9 a mesma dos anteriores, mas tem alguma originalidade. Tem a diferen\u00e7a de que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel salvar o mundo. Estamos mesmo condenados. O ju\u00edzo final acontecer\u00e1. Aquilo que James Cameron apenas insinuava, Schwarzenegger escancara. O mundo ser\u00e1 inevitavelmente destru\u00eddo. Perca suas esperan\u00e7as. Trate de se esconder e sobreviver. O cinema perde o pudor. N\u00e3o h\u00e1 mais constrangimento em mostrar seu pa\u00eds sendo destru\u00eddo. Depois de \u201cIndependence day\u201d, depois de \u201cMatrix\u201d, n\u00e3o h\u00e1 mais porque ter esse pudor.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Principalmente, depois de 11 de Setembro, n\u00e3o h\u00e1 mais porque ter esse constrangimento. Uma ferida narc\u00edsica indel\u00e9vel se abriu no ego estadunidense. O cinematogr\u00e1fico atentado de bin Laden calou fundo numa cultura calcada em imagens. A esse respeito, vide meu artigo \u201cA met\u00e1stase do \u00f3dio\u201d, sobre os tais atentados. De qualquer maneira, os Estados Unidos agora tentar\u00e3o encontrar uma maneira de metabolizar o ocorrido em sua fic\u00e7\u00e3o. Como j\u00e1 o fizeram os japoneses a respeito da bomba at\u00f4mica. Todo bom \u201canime\u201d japon\u00eas, de \u201cAkira\u201d a \u201cEvangelion\u201d, tem como marco da hist\u00f3ria uma mega-explos\u00e3o devastadora que destruir\u00e1 ou destruiu a civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas os japoneses tiveram mais sucesso nessa metaboliza\u00e7\u00e3o, visto que descendem de uma cultura fatalista e perfeitamente conciliada com a morte e a possibilidade da derrota. O fatalismo dos samurais sobrevive no seu inconsciente. Os Estados Unidos, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o podem aceitar a derrota. O dia do ju\u00edzo se abate sobre eles, mas n\u00e3o pode ser admitido como derrota. As bombas at\u00f4micas caem, em \u201cExterminador 3\u201d, ao som de violinos triunfais. Como em \u201cPearl Harbour\u201d, a mais acachapante derrota tem que ser mostrada como vit\u00f3ria. Devemos esperar pela continua\u00e7\u00e3o para saber como isso se dar\u00e1.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na continua\u00e7\u00e3o, os protagonistas estar\u00e3o ilhados em um abrigo anti-nuclear, com a \u00e1rdua tarefa de construir a resist\u00eancia. Tarefa que o destino lhes conferiu. De maneira ing\u00eanua, sup\u00f5e-se que apenas por ter o conhecimento pr\u00e9vio de como tudo aconteceu, John Connor ser\u00e1 aceito como autoridade pelos sobreviventes. Mais uma vers\u00e3o do mito de que a verdade prevalecer\u00e1 por si mesma e ser\u00e1 ouvida, mito que os Estados Unidos acalentam t\u00e3o credulamente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Como tamb\u00e9m o mito do destino determinando o envolvimento rom\u00e2ntico. John Connor tinha uma namorada, na noite anterior aos eventos de Exterminador 2. Ficamos sabendo disso agora. Uma namorada que \u00e9 filha do general que criou o sistema Skynet. Sistema que foi infectado pela exterminadora que veio do futuro. Sim, uma exterminadora. Logo falaremos dela. O casal adolescente est\u00e1 fadado a se reencontrar no futuro. \u00c9 o destino. O primeiro beijo, dado naquela noite, selou seu futuro. O namoro de inf\u00e2ncia \u00e9 o \u00fanico verdadeiro e duradouro. A namorada de Connor, j\u00e1 adulta, est\u00e1 insatisfeita com o noivo. Est\u00e1 em d\u00favida, talvez esperando que seu pr\u00edncipe encantado ressurja do passado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Assim como John est\u00e1 preso ao fantasma da m\u00e3e. Sua namorada, como boa filha de general que \u00e9, sabe se virar com uma arma. Sabe defender o casal. Num momento-\u00c9dipo para freudiano nenhum botar defeito, John se lembra de sua m\u00e3e ao ver sua namorada empunhar uma arma contra as m\u00e1quinas. Ele admira a imagem de uma mulher que lembra sua m\u00e3e. O ciclo do determinismo est\u00e1 fechado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de velhos clich\u00eas da cultura de massas que vive esse Exterminador. Os mitos tem que ser atualizados. O mercado \u00e9 implac\u00e1vel e exige novidades. No primeiro filme, a imagem do mal, como bem convinha, era um brutamontes mec\u00e2nico. No segundo, um fuinha franzino e dissimulado, que passa facilmente despercebido. Um ser de metal l\u00edquido que pode se passar por qualquer pessoa. O mal est\u00e1 em toda parte. O engano \u00e9 inevit\u00e1vel. O perigo \u00e9 difuso e onipresente, como em qualquer bom filme de paran\u00f3ia. No terceiro filme, o exterminador \u00e9 uma mulher. Uma bela loira fatal. Uma boneca de metal l\u00edquido que infla os seios para agradar os homens. Que elogia a arma do policial olhando para sua cintura. Duplo sentido e segundas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nada pode ser mais perigoso no nosso imagin\u00e1rio do que uma mulher assassina. Uma mulher que desarma a aten\u00e7\u00e3o pela imposi\u00e7\u00e3o de sua beleza, de seu porte, de sua imagem de poder, seu caminhar de modelo na passarela, sua determina\u00e7\u00e3o de executiva do mercado financeiro. A imagem da mulher que todo homem inseguro teme. O perigo sexual e social numa s\u00f3 figura. Uma imagem feminina intoler\u00e1vel para o puritanismo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O oposto da namorada de John Connor, que adia o casamento esperando inconscientemente pelo namorado de inf\u00e2ncia. Esperando pelo pr\u00edncipe encantado. Que quando surge, por\u00e9m, parece mais um sapo. Essa hero\u00edna por sua vez representa o oposto das personagens femininas fortes dos demais filmes do diretor James Cameron. Kate Brewster \u00e9 apenas uma garota comportada. Poderia ser mais do que isso. Nenhuma franquia cinematogr\u00e1fica perde impunemente seu criador. \u00c9 imposs\u00edvel deixar de sofrer a correspondente perda de qualidade. James Cameron pulou fora do barco, recusando-se a participar deste epis\u00f3dio, mas deu toda for\u00e7a a Schwarzenegger para ir em frente com o projeto.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ficamos assim com um filme que explora suas pr\u00f3prias refer\u00eancias. Como o hil\u00e1rio\u00a0 dr. Silberman, o psiquiatra que internou Sara Connor como louca e fez carreira com a hist\u00f3ria do exterminador por ela \u201cinventada\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 curioso o afeto de John Connor pelo exterminador que lhe serviu de figura paterna. Pateticamente, o exterminador, por sua vez, resiste ao v\u00edrus nanotecnol\u00f3gico que lhe foi implantado pela exterminadora, lutando para manter sua programa\u00e7\u00e3o original e defender Connor. O personagem d\u00e1 ao p\u00fablico o que ele espera, o gostinho de quase ver uma m\u00e1quina desenvolvendo emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">No final, mais uma concess\u00e3o aos preconceitos do p\u00fablico estadunidense. A exterminadora tem que perder sua imagem de beleza e revelar-se como m\u00e1quina horrenda, nos estertores finais. O mal tem que se revelar em toda sua fei\u00fara. A beleza de que se revestia tem que ser descartada e desmascarada. Nunca a beleza pode ser confundida com a maldade, a n\u00e3o ser que seja uma falsa beleza.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Mas n\u00e3o importa. Essas concess\u00f5es ao gosto m\u00e9dio n\u00e3o chegam a estragar o filme. O velho Schwarzenegger d\u00e1 conta do recado. O casal John Connor\/Kate Brewster faz direitinho seu papel. As cenas de a\u00e7\u00e3o s\u00e3o corretas. E a beleza da exterminadora d\u00e1 o toque extra de charme. Para quem esperava uma produ\u00e7\u00e3ozinha oportunista, trata-se de uma bela surpresa. Vale uma pipoca.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">24\/08\/2003<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"center\" class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>&ldquo;TERMINATOR 3&rdquo;: O FUTURO EM ESCOMBROS<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;O Exterminador do futuro <st1:metricconverter productid=\"3&rdquo;\" w:st=\"on\">3&rdquo;<\/st1:metricconverter>)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6154,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25\/revisions\/6154"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}