{"id":251,"date":"2010-07-29T19:10:46","date_gmt":"2010-07-29T22:10:46","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/251"},"modified":"2013-01-19T18:43:00","modified_gmt":"2013-01-19T20:43:00","slug":"balanco-do-conclat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/07\/balanco-do-conclat\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o do CONCLAT"},"content":{"rendered":"<p>\n\tO CONCLAT (Congresso da Classe trabalhadora), realizado nos dias 05 e 06 de junho em Santos poderia ter sido um passo importante no sentido da unidade dos setores combativos da classe trabalhadora, a partir da fus&atilde;o das duas principais correntes (CONLUTAS e Intersindical). Poder&iacute;amos estar comemorando a forma&ccedil;&atilde;o de uma central unit&aacute;ria de luta, que com todos os limites que tivesse, abriria uma nova situa&ccedil;&atilde;o na reorganiza&ccedil;&atilde;o do movimento dos trabalhadores e para a reconstru&ccedil;&atilde;o da perspectiva socialista no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\n\tNo entanto, o que era para ser uma grande vit&oacute;ria se transformou em uma derrota. O processo de unifica&ccedil;&atilde;o fracassou e certamente quem est&aacute; comemorando s&atilde;o os patr&otilde;es, o governo, a CUT, a For&ccedil;a Sindical, a CTB, pois os setores de esquerda n&atilde;o conseguiram avan&ccedil;ar no sentido da unidade, um pressuposto que &eacute; defendido por todos em seus discursos.<\/p>\n<p>\n\tSe o racha e a divis&atilde;o n&atilde;o forem revertidos, os trabalhadores estar&atilde;o desprovidos de um instrumento de luta para enfrentar os graves desafios hist&oacute;ricos, t&atilde;o logo a crise econ&ocirc;mica que prossegue grassando especialmente na Europa retorne ao Brasil.<\/p>\n<h2>\n\tPor que deu Errado?<\/h2>\n<p>\n\tDe 2007 a 2009, havia uma press&atilde;o objetiva pela unidade, com a emerg&ecirc;ncia da crise econ&ocirc;mica e a cobran&ccedil;a da vanguarda sobre as dire&ccedil;&otilde;es das correntes, afinal os setores que entraram em luta ao longo de todo o governo Lula estavam cansados de ver a esquerda dividida. Em 2010, com o crescimento &#8211; em grande medida artificial &#8211; da economia e a entrada em cena do debate eleitoral, a diminui&ccedil;&atilde;o das lutas fez com que essa press&atilde;o pela base diminu&iacute;sse. Com isso prevaleceram os interesses e a pr&aacute;tica das correntes majorit&aacute;rias de privilegiar a disputa pelo controle das entidades sindicais, em detrimento do atendimento &agrave;s necessidades b&aacute;sicas e hist&oacute;ricas da classe, entre elas a necessidade imperiosa da unidade.<\/p>\n<p>\n\tApoiando-se no fato de ter a maioria dos delegados e num Bloco com o MTL, o PSTU conseguiu fazer aprovar todas as resolu&ccedil;&otilde;es que lhe davam a vit&oacute;ria no Congresso e o controle da Central. Desde o in&iacute;cio se mostrou insens&iacute;vel para a necessidade da unidade, como quando votou contra e impediu a aprova&ccedil;&atilde;o pelo Congresso de um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores que pudesse se constituir em uma refer&ecirc;ncia unit&aacute;ria dos trabalhadores no processo eleitoral contra a falsa polariza&ccedil;&atilde;o entre Serra e Dilma. Optaram por manter uma pol&iacute;tica de divis&atilde;o na esquerda que dever&aacute; ter tr&ecirc;s candidaturas (PSOL, PSTU e PCB).<\/p>\n<p>\n\tO PSTU tamb&eacute;m conseguiu ver aprovada sua proposta de composi&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o, com uma coordena&ccedil;&atilde;o composta por membros eleitos nas entidades (mesmo modelo da Conlutas) e uma secretaria executiva eleita em Congresso.<\/p>\n<p>\n\tA segunda vota&ccedil;&atilde;o pol&ecirc;mica foi a do car&aacute;ter da Nova Central. O PSTU\/MTL conseguiram fazer passar o car&aacute;ter sindical, popular, estudantil e de luta contra as opress&otilde;es, contra a proposta da Intersindical que defendia que a central deveria se limitar ao movimento sindical e popular. Essa vit&oacute;ria aumentou o peso do PSTU na nova central, j&aacute; que esse partido tem maioria nos movimentos estudantil e de luta contra as opress&otilde;es. A Intersindical, por sua vez, ficava em condi&ccedil;&otilde;es piores nessa disputa, por ter menos peso nesses movimentos. Em uma disputa equilibrada esse percentual acentuava o controle do PSTU.<\/p>\n<p>\n\tDesde o in&iacute;cio desse debate n&oacute;s cham&aacute;vamos a aten&ccedil;&atilde;o de que a discuss&atilde;o do car&aacute;ter da nova central estava viciada pelos c&aacute;lculos de quem teria o controle da Nova Central.<\/p>\n<p>\n\tN&oacute;s do Espa&ccedil;o Socialista votamos a favor do car&aacute;ter mais amplo da entidade por entendermos que n&atilde;o comprometeria o perfil classista da entidade (o setor estudantil e de luta contra as opress&otilde;es teria apenas 5%) e seria uma forma concreta de arregimentar esses setores para a luta ao lado dos trabalhadores. No entanto, a partir dessa vota&ccedil;&atilde;o, a tens&atilde;o foi aumentando e as condi&ccedil;&otilde;es para a unidade foram se esgotando.<\/p>\n<p>\n\tA gota d&#39;&aacute;gua viria a seguir com a pol&ecirc;mica sobre a quest&atilde;o do nome. A proposta do PSTU era que o nome da Nova Central fosse CONLUTAS\/INTERSINDICAL que, para incorporar, o MTL acrescentou a esse nome CENTRAL SINDICAL e POPULAR! Essa proposta foi desde o in&iacute;cio recha&ccedil;ada pelos demais setores, pois percebiam a clara manobra do PSTU de ao inv&eacute;s de apostar na Nova Central de fato, continuar na pr&aacute;tica construindo a CONLUTAS. J&aacute; no dia anterior (s&aacute;bado) a Intersindical reafirmou sua posi&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o aceitaria em hip&oacute;tese alguma esse nome e que a Central tinha que ter um nome novo, posi&ccedil;&atilde;o que suas lideran&ccedil;as j&aacute; haviam manifestado desde as reuni&otilde;es da Comiss&atilde;o Pr&oacute;-Central, que organizou o Congresso.<\/p>\n<p>\n\tOs &acirc;nimos das duas bancadas ficaram t&atilde;o acirrados a ponto do PSTU estabelecer um cord&atilde;o de isolamento separando sua bancada do restante do plen&aacute;rio. Ap&oacute;s defesas conturbadas, venceu a proposta de &quot;Conlutas-Intersindical &#8211; Central Sindical e Popular&quot; defendida pelo PSTU e MTL.<\/p>\n<p>\n\tA Intersindical, MAS , TLS e Unidos para Lutar abandonaram o Congresso e deixaram no recinto os delegados da Conlutas, MTL e MTST . O PSTU buscou ent&atilde;o compor uma Secretaria executiva provis&oacute;ria, oferecendo cargos para todas as correntes no af&atilde; de dar legitimidade para um processo que j&aacute; tinha ido por &aacute;gua abaixo. De nossa parte, diferente de outras correntes que foram atra&iacute;das pela possibilidade de cargos, nos recusamos a compor a executiva de uma Nova Central que na pr&aacute;tica n&atilde;o existe. Em uma interven&ccedil;&atilde;o no Plen&aacute;rio, defendemos que o processo seja reaberto, com a necess&aacute;ria discuss&atilde;o pela base tanto sobre o nome quanto sobre o programa e plano de lutas e tamb&eacute;m sobre uma pol&iacute;tica que combata a burocratiza&ccedil;&atilde;o, lacunas graves deixadas neste CONCLAT.<\/p>\n<p>\n\tNo dia seguinte, a Conlutas divulgou nota tentando minimizar o fracasso anunciando a funda&ccedil;&atilde;o da nova central e criticando a Intersindical e demais setores que se retiraram.<\/p>\n<p>\n\tA Intersindical, por sua vez, se disse disposta a continuar o di&aacute;logo em torno da unidade, mas acusou o PSTU, que dirige a Conlutas, de querer impor todas as suas propostas e hegemonizar o processo a todo custo.<\/p>\n<p>\n\tA pergunta que vem &agrave; tona &eacute;: Porque uma quest&atilde;o aparentemente simples como o nome da nova central levou &agrave; ruptura no CONCLAT? O que leva uma corrente majorit&aacute;ria, o PSTU, no caso, que j&aacute; havia ganho todas as vota&ccedil;&otilde;es fundamentais para o seu projeto, que j&aacute; tinha o controle da nova entidade a n&atilde;o ter o m&iacute;nimo de sensibilidade para abrir m&atilde;o da quest&atilde;o do nome, uma quest&atilde;o extremamente secund&aacute;ria como forma de impedir a ruptura? Por outro lado como explicar a sa&iacute;da da Intersindical e de outros setores, porque sua proposta de nome n&atilde;o foi aprovada?<\/p>\n<h2>\n\tA disputa pelo aparato falou mais alto<\/h2>\n<p>\n\tFica claro que tanto o PSTU quanto a Intersindical colocaram mais uma vez seus interesses de hegemonia acima e contra os interesses maiores que s&atilde;o os do movimento e da classe trabalhadora e, com isso, colocaram a perder um processo muito importante que estava se construindo.<\/p>\n<p>\n\tO CONCLAT acabou reproduzindo, com a ruptura do processo de unidade na esfera sindical, o mesmo fen&ocirc;meno que se deu na esfera eleitoral, com os partidos que representam os trabalhadores, PSTU, PSOL e PCB, lan&ccedil;ando candidaturas separadas e com isso fragmentando a j&aacute; fragilizada influ&ecirc;ncia das id&eacute;ias socialistas na disputa pol&iacute;tica com a burguesia e a burocracia.<\/p>\n<p>\n\tA disputa pelo aparato &eacute; a explica&ccedil;&atilde;o do porque a quest&atilde;o do nome adquiriu tanta import&acirc;ncia. Com a manuten&ccedil;&atilde;o do nome CONLUTAS na nova central, o PSTU queria assegurar na pr&aacute;tica a estrutura e o nome j&aacute; conhecido da CONLUTAS. Na eventualidade de vir a perder a maioria na Nova Central, para a INTERSINDICAL, o PSTU poderia facilmente romper e manter-se no controle da CONLUTAS, sem grandes problemas. &Eacute; importante lembrar que um importante setor da INTERSINDICAL n&atilde;o quis participar do CONCLAT, mas futuramente poderia vir a ingressar na Nova Central, amea&ccedil;ando o controle do PSTU sobre a Nova Central a curto ou m&eacute;dio prazo.<\/p>\n<p>\n\tAo recusar-se a abrir m&atilde;o do nome CONLUTAS na nova central, o PSTU estava pensando n&atilde;o no presente, quando j&aacute; tinha o controle garantido, mas no futuro. A simples possibilidade de vir a ser minoria algum dia fez com que o PSTU se aferrasse em sua proposta de nome, tensionando o Congresso e fornecendo o pretexto para ruptura da Intersindical e de outras correntes.<\/p>\n<p>\n\tJ&aacute; para a Intersindical era importante um nome novo, tanto para apagar a marca CONLUTAS, como para tentar convencer outros setores que tinham ficado de fora a entrar na Nova Central e assim ultrapassar o PSTU no controle da entidade.<\/p>\n<p>\n\tConsideramos um absurdo tanto a intransig&ecirc;ncia do PSTU de n&atilde;o abrir m&atilde;o do nome quanto o fato de a INTERSINDICAL ter sa&iacute;do do congresso pelo motivo de terem perdido a vota&ccedil;&atilde;o. Outro elemento para essa crise &eacute; como explicar para os trabalhadores que uma central que vinha sendo constru&iacute;da h&aacute; tempos rompe por conta de um nome. Mais uma vez as correntes majorit&aacute;rias colocaram os seus interesses acima das necessidades da classe trabalhadora brasileira.<\/p>\n<h2>\n\tA democracia oper&aacute;ria &eacute; que sofre&#8230;<\/h2>\n<p>\n\tNesse sentido a defesa que o PSTU faz de seu endurecimento pol&iacute;tico em nome do que seria a democracia oper&aacute;ria, argumentando que quando se &eacute; maioria cabe simplesmente exercer sua for&ccedil;a enquanto &agrave;s for&ccedil;as menores cabe simplesmente se sujeitar, n&atilde;o procede.<\/p>\n<p>\n\tPrimeiro porque se &eacute; correto dizer que na democracia oper&aacute;ria em &uacute;ltima inst&acirc;ncia devem prevalecer as decis&otilde;es por maioria contra o m&eacute;todo do consenso paralisante, tamb&eacute;m &eacute; certo que a democracia oper&aacute;ria n&atilde;o se resume a uma f&oacute;rmula aritm&eacute;tica de maioria e minoria. Abrir m&atilde;o de um nome para garantir a unidade do processo mais importante da classe trabalhadora dos &uacute;ltimos anos expressa mais a democracia oper&aacute;ria do que garantir a imposi&ccedil;&atilde;o de uma posi&ccedil;&atilde;o sobre um tema que n&atilde;o seria decisivo para os trabalhadores. Democracia oper&aacute;ria &eacute; compreender as decis&otilde;es de modo justamente a garantir a for&ccedil;a da unidade e n&atilde;o provocar a divis&atilde;o. Nesse sentido a polariza&ccedil;&atilde;o e o endurecimento de posi&ccedil;&otilde;es se fazem necess&aacute;rios quando est&atilde;o em jogo quest&otilde;es fundamentais para o movimento, onde at&eacute; mesmo a ruptura &agrave;s vezes &eacute; necess&aacute;ria e se justifica, como as rupturas com a CUT. E esse n&atilde;o &eacute; o caso agora.<\/p>\n<p>\n\tDeixamos claro que n&atilde;o somos a favor da predomin&acirc;ncia do consenso, muito menos os consensos de c&uacute;pula. No entanto, a pol&ecirc;mica sobre o nome n&atilde;o era de modo algum uma quest&atilde;o fundamental para o futuro da Nova Central. Era poss&iacute;vel e necess&aacute;rio que o bloco majorit&aacute;rio cedesse de modo a impedir a ruptura, ou seja, tamb&eacute;m &eacute; preciso saber exercer a maioria de forma equilibrada e n&atilde;o como um trator, pois est&aacute; provado que esse m&eacute;todo n&atilde;o constr&oacute;i, s&oacute; leva &agrave; divis&atilde;o e ao enfraquecimento da classe.<\/p>\n<p>\n\tAl&eacute;m disso, a democracia oper&aacute;ria n&atilde;o se resume ao momento de se levantar os crach&aacute;s. &Eacute; preciso que o debate tenha sido feito amplamente e de forma o mais profunda poss&iacute;vel, o que realmente n&atilde;o aconteceu. A proposta de nome feita pelo PSTU n&atilde;o foi apresentada nas Plen&aacute;rias de tirada de delegados e foi tornada p&uacute;blica apenas nos &uacute;ltimos dias antes do Congresso, sem que houvesse as condi&ccedil;&otilde;es da base discutir e ponderar o que estava em jogo.<\/p>\n<h2>\n\tUm congresso despolitizado<\/h2>\n<p>\n\tDe fato, o Congresso em si tamb&eacute;m foi bastante despolitizado. A mesa de abertura consumiu horas com intermin&aacute;veis sauda&ccedil;&otilde;es das correntes principais, o que roubou precioso tempo de debate. Em fun&ccedil;&atilde;o do monumental atraso, os grupos de discuss&atilde;o se instalaram apenas para cumprir tabela, pois as propostas n&atilde;o foram encaminhadas para plen&aacute;ria. N&atilde;o houve discuss&atilde;o de programa e nem de plano de lutas, um problema grav&iacute;ssimo, pois s&atilde;o temas fundamentais para a luta de classes.<\/p>\n<p>\n\tA democracia oper&aacute;ria tem como pressuposto uma discuss&atilde;o pol&iacute;tica profunda, onde todos possam expressar as suas propostas e tamb&eacute;m conhecer outras propostas. Sem a discuss&atilde;o que permita compreender a realidade n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel exercer qualquer mecanismo de democracia oper&aacute;ria, sem discuss&atilde;o pol&iacute;tica n&atilde;o h&aacute; democracia oper&aacute;ria.<\/p>\n<p>\n\tA ruptura do processo de Reorganiza&ccedil;&atilde;o expressa os limites pol&iacute;ticos de uma concep&ccedil;&atilde;o de atua&ccedil;&atilde;o sindical superestrutural. Em nossos materiais e teses publicados como contribui&ccedil;&atilde;o para esse processo, expusemos a preocupa&ccedil;&atilde;o de que os debates estavam girando em torno de quest&otilde;es superestruturais, organizativas, negligenciando a participa&ccedil;&atilde;o efetiva da base e as quest&otilde;es pol&iacute;ticas de fundo. A necessidade da constru&ccedil;&atilde;o de um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores que se apresentasse como alternativa ideol&oacute;gica classista e socialista em face da burguesia e da burocracia n&atilde;o foi levada em conta pelas correntes majorit&aacute;rias da esquerda.<\/p>\n<h2>\n\tRetomar a unidade pela base<\/h2>\n<p>\n\tO Congresso deveria discutir maneiras de organizar os trabalhadores pela base, organizar as oposi&ccedil;&otilde;es sindicais para retomar os sindicatos para a luta, desenvolver a forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e pol&iacute;tica e elevar o n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia dos trabalhadores, combater a burocratiza&ccedil;&atilde;o e resgatar a democracia e o controle das bases, combater o corporativismo e a separa&ccedil;&atilde;o os trabalhadores em segmentos formais, informais, terceirizados, precarizados, etc.<\/p>\n<p>\n\tApenas encarando essas tarefas o movimento sindical poderia dar um salto de qualidade. Os processos de burocratiza&ccedil;&atilde;o e aparatiza&ccedil;&atilde;o da luta j&aacute; produziram grandes derrotas no passado e continuar&atilde;o produzindo enquanto n&atilde;o forem combatidos duramente. No entanto o que vemos &eacute; que essas discuss&otilde;es n&atilde;o interessam &agrave;s grandes correntes da esquerda, pois isso as obrigaria a enfrentar a cr&iacute;tica pelos v&iacute;cios que permanecem nos sindicatos sob seu controle, quais sejam: a burocratiza&ccedil;&atilde;o, a falta de transpar&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s finan&ccedil;as, o distanciamento da base. Al&eacute;m disso, essas correntes se omitem tamb&eacute;m de travar a disputa ideol&oacute;gica pelo socialismo na consci&ecirc;ncia da base nos sindicatos e no movimento, sob a justificativa de que essa &eacute; uma tarefa restrita aos partidos. Ao mesmo tempo, os partidos tem como obsess&atilde;o aparatizar os sindicatos.<\/p>\n<p>\n\tTorna-se cada vez mais urgente discutir as alternativas para o movimento. A resposta deve ser dada no movimento, na a&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica de construir as oposi&ccedil;&otilde;es, organizar pela base, disputar a consci&ecirc;ncia, combater a burocratiza&ccedil;&atilde;o, etc.<\/p>\n<p>\n\tO balan&ccedil;o bastante cr&iacute;tico que apresentamos do processo de Reorganiza&ccedil;&atilde;o e sua materializa&ccedil;&atilde;o na conclus&atilde;o do CONCLAT se prop&otilde;e a contribuir para a supera&ccedil;&atilde;o dos erros cometidos. Os ativistas e militantes honestos e combativos t&ecirc;m a tarefa de refletir sobre esses pontos e question&aacute;-los, pois a constru&ccedil;&atilde;o da unidade permanece sendo crucial para o enfrentamento dos desafios que vir&atilde;o. No entanto, apesar das diverg&ecirc;ncias, a busca pela unidade permanece como um dos desafios mais urgentes n&atilde;o apenas para a vanguarda, mas para a classe trabalhadora no sentido de se constituir em alternativa pr&aacute;tica e program&aacute;tica ao dom&iacute;nio do capital. E dificilmente isso acontecer&aacute; se o processo ficar restrito &agrave;s c&uacute;pulas, cujos interesses n&atilde;o se coadunam com as necessidades do movimento, como acabamos de ver. Defendemos que o processo seja reiniciado e cabe aos ativistas e militantes de base refor&ccedil;ar a cobran&ccedil;a no sentido de que as correntes voltem a se reunir e seja retomado o caminho da unidade, dessa vez em base a uma discuss&atilde;o ampla e pela base dos principais desafios a serem enfrentados, com a flexibilidade nas quest&otilde;es que n&atilde;o sejam de princ&iacute;pio e com os olhos voltados para o movimento de conjunto e n&atilde;o de um setor apenas, qualquer que seja ele.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o podemos depender da postura das correntes maiores, pois o que se tem privilegiado entre elas &eacute; a disputa pelo aparato e a despolitiza&ccedil;&atilde;o. Assim, fazemos um chamado a todos os ativistas e militantes para a constitui&ccedil;&atilde;o de um bloco que possa lutar pela recomposi&ccedil;&atilde;o desse movimento e que tamb&eacute;m possamos dar a batalha para garantir a discuss&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o de um programa socialista e de um plano de lutas e mecanismos reais de democracia oper&aacute;ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n\tO CONCLAT (Congresso da Classe trabalhadora), realizado nos dias 05 e 06 de junho em Santos poderia ter sido um passo importante no sentido da unidade dos setores combativos da classe trabalhadora, a partir da fus&atilde;o das duas principais correntes (CONLUTAS e Intersindical). Poder&iacute;amos estar comemorando a forma&ccedil;&atilde;o de uma central unit&aacute;ria de luta, que com todos os limites que tivesse, abriria uma nova situa&ccedil;&atilde;o na reorganiza&ccedil;&atilde;o do movimento dos trabalhadores e para a reconstru&ccedil;&atilde;o da perspectiva socialista no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\n\tNo entanto, o que era para ser uma grande vit&oacute;ria se transformou em uma derrota. O processo de unifica&ccedil;&atilde;o fracassou e certamente quem est&aacute; comemorando s&atilde;o os patr&otilde;es, o governo, a CUT, a For&ccedil;a Sindical, a CTB, pois os setores de esquerda n&atilde;o conseguiram avan&ccedil;ar no sentido da unidade, um pressuposto que &eacute; defendido por todos em seus discursos.<\/p>\n<p>\n\tSe o racha e a divis&atilde;o n&atilde;o forem revertidos, os trabalhadores estar&atilde;o desprovidos de um instrumento de luta para enfrentar os graves desafios hist&oacute;ricos, t&atilde;o logo a crise econ&ocirc;mica que prossegue grassando especialmente na Europa retorne ao Brasil.<\/p>\n<h2>\n\tPor que deu Errado?<\/h2>\n<p>\n\tDe 2007 a 2009, havia uma press&atilde;o objetiva pela unidade, com a emerg&ecirc;ncia da crise econ&ocirc;mica e a cobran&ccedil;a da vanguarda sobre as dire&ccedil;&otilde;es das correntes, afinal os setores que entraram em luta ao longo de todo o governo Lula estavam cansados de ver a esquerda dividida. Em 2010, com o crescimento &#8211; em grande medida artificial &#8211; da economia e a entrada em cena do debate eleitoral, a diminui&ccedil;&atilde;o das lutas fez com que essa press&atilde;o pela base diminu&iacute;sse. Com isso prevaleceram os interesses e a pr&aacute;tica das correntes majorit&aacute;rias de privilegiar a disputa pelo controle das entidades sindicais, em detrimento do atendimento &agrave;s necessidades b&aacute;sicas e hist&oacute;ricas da classe, entre elas a necessidade imperiosa da unidade.<\/p>\n<p>\n\tApoiando-se no fato de ter a maioria dos delegados e num Bloco com o MTL, o PSTU conseguiu fazer aprovar todas as resolu&ccedil;&otilde;es que lhe davam a vit&oacute;ria no Congresso e o controle da Central. Desde o in&iacute;cio se mostrou insens&iacute;vel para a necessidade da unidade, como quando votou contra e impediu a aprova&ccedil;&atilde;o pelo Congresso de um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores que pudesse se constituir em uma refer&ecirc;ncia unit&aacute;ria dos trabalhadores no processo eleitoral contra a falsa polariza&ccedil;&atilde;o entre Serra e Dilma. Optaram por manter uma pol&iacute;tica de divis&atilde;o na esquerda que dever&aacute; ter tr&ecirc;s candidaturas (PSOL, PSTU e PCB).<\/p>\n<p>\n\tO PSTU tamb&eacute;m conseguiu ver aprovada sua proposta de composi&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o, com uma coordena&ccedil;&atilde;o composta por membros eleitos nas entidades (mesmo modelo da Conlutas) e uma secretaria executiva eleita em Congresso.<\/p>\n<p>\n\tA segunda vota&ccedil;&atilde;o pol&ecirc;mica foi a do car&aacute;ter da Nova Central. O PSTU\/MTL conseguiram fazer passar o car&aacute;ter sindical, popular, estudantil e de luta contra as opress&otilde;es, contra a proposta da Intersindical que defendia que a central deveria se limitar ao movimento sindical e popular. Essa vit&oacute;ria aumentou o peso do PSTU na nova central, j&aacute; que esse partido tem maioria nos movimentos estudantil e de luta contra as opress&otilde;es. A Intersindical, por sua vez, ficava em condi&ccedil;&otilde;es piores nessa disputa, por ter menos peso nesses movimentos. Em uma disputa equilibrada esse percentual acentuava o controle do PSTU.<\/p>\n<p>\n\tDesde o in&iacute;cio desse debate n&oacute;s cham&aacute;vamos a aten&ccedil;&atilde;o de que a discuss&atilde;o do car&aacute;ter da nova central estava viciada pelos c&aacute;lculos de quem teria o controle da Nova Central.<\/p>\n<p>\n\tN&oacute;s do Espa&ccedil;o Socialista votamos a favor do car&aacute;ter mais amplo da entidade por entendermos que n&atilde;o comprometeria o perfil classista da entidade (o setor estudantil e de luta contra as opress&otilde;es teria apenas 5%) e seria uma forma concreta de arregimentar esses setores para a luta ao lado dos trabalhadores. No entanto, a partir dessa vota&ccedil;&atilde;o, a tens&atilde;o foi aumentando e as condi&ccedil;&otilde;es para a unidade foram se esgotando.<\/p>\n<p>\n\tA gota d&#39;&aacute;gua viria a seguir com a pol&ecirc;mica sobre a quest&atilde;o do nome. A proposta do PSTU era que o nome da Nova Central fosse CONLUTAS\/INTERSINDICAL que, para incorporar, o MTL acrescentou a esse nome CENTRAL SINDICAL e POPULAR! Essa proposta foi desde o in&iacute;cio recha&ccedil;ada pelos demais setores, pois percebiam a clara manobra do PSTU de ao inv&eacute;s de apostar na Nova Central de fato, continuar na pr&aacute;tica construindo a CONLUTAS. J&aacute; no dia anterior (s&aacute;bado) a Intersindical reafirmou sua posi&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o aceitaria em hip&oacute;tese alguma esse nome e que a Central tinha que ter um nome novo, posi&ccedil;&atilde;o que suas lideran&ccedil;as j&aacute; haviam manifestado desde as reuni&otilde;es da Comiss&atilde;o Pr&oacute;-Central, que organizou o Congresso.<\/p>\n<p>\n\tOs &acirc;nimos das duas bancadas ficaram t&atilde;o acirrados a ponto do PSTU estabelecer um cord&atilde;o de isolamento separando sua bancada do restante do plen&aacute;rio. Ap&oacute;s defesas conturbadas, venceu a proposta de &quot;Conlutas-Intersindical &#8211; Central Sindical e Popular&quot; defendida pelo PSTU e MTL.<\/p>\n<p>\n\tA Intersindical, MAS , TLS e Unidos para Lutar abandonaram o Congresso e deixaram no recinto os delegados da Conlutas, MTL e MTST . O PSTU buscou ent&atilde;o compor uma Secretaria executiva provis&oacute;ria, oferecendo cargos para todas as correntes no af&atilde; de dar legitimidade para um processo que j&aacute; tinha ido por &aacute;gua abaixo. De nossa parte, diferente de outras correntes que foram atra&iacute;das pela possibilidade de cargos, nos recusamos a compor a executiva de uma Nova Central que na pr&aacute;tica n&atilde;o existe. Em uma interven&ccedil;&atilde;o no Plen&aacute;rio, defendemos que o processo seja reaberto, com a necess&aacute;ria discuss&atilde;o pela base tanto sobre o nome quanto sobre o programa e plano de lutas e tamb&eacute;m sobre uma pol&iacute;tica que combata a burocratiza&ccedil;&atilde;o, lacunas graves deixadas neste CONCLAT.<\/p>\n<p>\n\tNo dia seguinte, a Conlutas divulgou nota tentando minimizar o fracasso anunciando a funda&ccedil;&atilde;o da nova central e criticando a Intersindical e demais setores que se retiraram.<\/p>\n<p>\n\tA Intersindical, por sua vez, se disse disposta a continuar o di&aacute;logo em torno da unidade, mas acusou o PSTU, que dirige a Conlutas, de querer impor todas as suas propostas e hegemonizar o processo a todo custo.<\/p>\n<p>\n\tA pergunta que vem &agrave; tona &eacute;: Porque uma quest&atilde;o aparentemente simples como o nome da nova central levou &agrave; ruptura no CONCLAT? O que leva uma corrente majorit&aacute;ria, o PSTU, no caso, que j&aacute; havia ganho todas as vota&ccedil;&otilde;es fundamentais para o seu projeto, que j&aacute; tinha o controle da nova entidade a n&atilde;o ter o m&iacute;nimo de sensibilidade para abrir m&atilde;o da quest&atilde;o do nome, uma quest&atilde;o extremamente secund&aacute;ria como forma de impedir a ruptura? Por outro lado como explicar a sa&iacute;da da Intersindical e de outros setores, porque sua proposta de nome n&atilde;o foi aprovada?<\/p>\n<h2>\n\tA disputa pelo aparato falou mais alto<\/h2>\n<p>\n\tFica claro que tanto o PSTU quanto a Intersindical colocaram mais uma vez seus interesses de hegemonia acima e contra os interesses maiores que s&atilde;o os do movimento e da classe trabalhadora e, com isso, colocaram a perder um processo muito importante que estava se construindo.<\/p>\n<p>\n\tO CONCLAT acabou reproduzindo, com a ruptura do processo de unidade na esfera sindical, o mesmo fen&ocirc;meno que se deu na esfera eleitoral, com os partidos que representam os trabalhadores, PSTU, PSOL e PCB, lan&ccedil;ando candidaturas separadas e com isso fragmentando a j&aacute; fragilizada influ&ecirc;ncia das id&eacute;ias socialistas na disputa pol&iacute;tica com a burguesia e a burocracia.<\/p>\n<p>\n\tA disputa pelo aparato &eacute; a explica&ccedil;&atilde;o do porque a quest&atilde;o do nome adquiriu tanta import&acirc;ncia. Com a manuten&ccedil;&atilde;o do nome CONLUTAS na nova central, o PSTU queria assegurar na pr&aacute;tica a estrutura e o nome j&aacute; conhecido da CONLUTAS. Na eventualidade de vir a perder a maioria na Nova Central, para a INTERSINDICAL, o PSTU poderia facilmente romper e manter-se no controle da CONLUTAS, sem grandes problemas. &Eacute; importante lembrar que um importante setor da INTERSINDICAL n&atilde;o quis participar do CONCLAT, mas futuramente poderia vir a ingressar na Nova Central, amea&ccedil;ando o controle do PSTU sobre a Nova Central a curto ou m&eacute;dio prazo.<\/p>\n<p>\n\tAo recusar-se a abrir m&atilde;o do nome CONLUTAS na nova central, o PSTU estava pensando n&atilde;o no presente, quando j&aacute; tinha o controle garantido, mas no futuro. A simples possibilidade de vir a ser minoria algum dia fez com que o PSTU se aferrasse em sua proposta de nome, tensionando o Congresso e fornecendo o pretexto para ruptura da Intersindical e de outras correntes.<\/p>\n<p>\n\tJ&aacute; para a Intersindical era importante um nome novo, tanto para apagar a marca CONLUTAS, como para tentar convencer outros setores que tinham ficado de fora a entrar na Nova Central e assim ultrapassar o PSTU no controle da entidade.<\/p>\n<p>\n\tConsideramos um absurdo tanto a intransig&ecirc;ncia do PSTU de n&atilde;o abrir m&atilde;o do nome quanto o fato de a INTERSINDICAL ter sa&iacute;do do congresso pelo motivo de terem perdido a vota&ccedil;&atilde;o. Outro elemento para essa crise &eacute; como explicar para os trabalhadores que uma central que vinha sendo constru&iacute;da h&aacute; tempos rompe por conta de um nome. Mais uma vez as correntes majorit&aacute;rias colocaram os seus interesses acima das necessidades da classe trabalhadora brasileira.<\/p>\n<h2>\n\tA democracia oper&aacute;ria &eacute; que sofre&#8230;<\/h2>\n<p>\n\tNesse sentido a defesa que o PSTU faz de seu endurecimento pol&iacute;tico em nome do que seria a democracia oper&aacute;ria, argumentando que quando se &eacute; maioria cabe simplesmente exercer sua for&ccedil;a enquanto &agrave;s for&ccedil;as menores cabe simplesmente se sujeitar, n&atilde;o procede.<\/p>\n<p>\n\tPrimeiro porque se &eacute; correto dizer que na democracia oper&aacute;ria em &uacute;ltima inst&acirc;ncia devem prevalecer as decis&otilde;es por maioria contra o m&eacute;todo do consenso paralisante, tamb&eacute;m &eacute; certo que a democracia oper&aacute;ria n&atilde;o se resume a uma f&oacute;rmula aritm&eacute;tica de maioria e minoria. Abrir m&atilde;o de um nome para garantir a unidade do processo mais importante da classe trabalhadora dos &uacute;ltimos anos expressa mais a democracia oper&aacute;ria do que garantir a imposi&ccedil;&atilde;o de uma posi&ccedil;&atilde;o sobre um tema que n&atilde;o seria decisivo para os trabalhadores. Democracia oper&aacute;ria &eacute; compreender as decis&otilde;es de modo justamente a garantir a for&ccedil;a da unidade e n&atilde;o provocar a divis&atilde;o. Nesse sentido a polariza&ccedil;&atilde;o e o endurecimento de posi&ccedil;&otilde;es se fazem necess&aacute;rios quando est&atilde;o em jogo quest&otilde;es fundamentais para o movimento, onde at&eacute; mesmo a ruptura &agrave;s vezes &eacute; necess&aacute;ria e se justifica, como as rupturas com a CUT. E esse n&atilde;o &eacute; o caso agora.<\/p>\n<p>\n\tDeixamos claro que n&atilde;o somos a favor da predomin&acirc;ncia do consenso, muito menos os consensos de c&uacute;pula. No entanto, a pol&ecirc;mica sobre o nome n&atilde;o era de modo algum uma quest&atilde;o fundamental para o futuro da Nova Central. Era poss&iacute;vel e necess&aacute;rio que o bloco majorit&aacute;rio cedesse de modo a impedir a ruptura, ou seja, tamb&eacute;m &eacute; preciso saber exercer a maioria de forma equilibrada e n&atilde;o como um trator, pois est&aacute; provado que esse m&eacute;todo n&atilde;o constr&oacute;i, s&oacute; leva &agrave; divis&atilde;o e ao enfraquecimento da classe.<\/p>\n<p>\n\tAl&eacute;m disso, a democracia oper&aacute;ria n&atilde;o se resume ao momento de se levantar os crach&aacute;s. &Eacute; preciso que o debate tenha sido feito amplamente e de forma o mais profunda poss&iacute;vel, o que realmente n&atilde;o aconteceu. A proposta de nome feita pelo PSTU n&atilde;o foi apresentada nas Plen&aacute;rias de tirada de delegados e foi tornada p&uacute;blica apenas nos &uacute;ltimos dias antes do Congresso, sem que houvesse as condi&ccedil;&otilde;es da base discutir e ponderar o que estava em jogo.<\/p>\n<h2>\n\tUm congresso despolitizado<\/h2>\n<p>\n\tDe fato, o Congresso em si tamb&eacute;m foi bastante despolitizado. A mesa de abertura consumiu horas com intermin&aacute;veis sauda&ccedil;&otilde;es das correntes principais, o que roubou precioso tempo de debate. Em fun&ccedil;&atilde;o do monumental atraso, os grupos de discuss&atilde;o se instalaram apenas para cumprir tabela, pois as propostas n&atilde;o foram encaminhadas para plen&aacute;ria. N&atilde;o houve discuss&atilde;o de programa e nem de plano de lutas, um problema grav&iacute;ssimo, pois s&atilde;o temas fundamentais para a luta de classes.<\/p>\n<p>\n\tA democracia oper&aacute;ria tem como pressuposto uma discuss&atilde;o pol&iacute;tica profunda, onde todos possam expressar as suas propostas e tamb&eacute;m conhecer outras propostas. Sem a discuss&atilde;o que permita compreender a realidade n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel exercer qualquer mecanismo de democracia oper&aacute;ria, sem discuss&atilde;o pol&iacute;tica n&atilde;o h&aacute; democracia oper&aacute;ria.<\/p>\n<p>\n\tA ruptura do processo de Reorganiza&ccedil;&atilde;o expressa os limites pol&iacute;ticos de uma concep&ccedil;&atilde;o de atua&ccedil;&atilde;o sindical superestrutural. Em nossos materiais e teses publicados como contribui&ccedil;&atilde;o para esse processo, expusemos a preocupa&ccedil;&atilde;o de que os debates estavam girando em torno de quest&otilde;es superestruturais, organizativas, negligenciando a participa&ccedil;&atilde;o efetiva da base e as quest&otilde;es pol&iacute;ticas de fundo. A necessidade da constru&ccedil;&atilde;o de um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores que se apresentasse como alternativa ideol&oacute;gica classista e socialista em face da burguesia e da burocracia n&atilde;o foi levada em conta pelas correntes majorit&aacute;rias da esquerda.<\/p>\n<h2>\n\tRetomar a unidade pela base<\/h2>\n<p>\n\tO Congresso deveria discutir maneiras de organizar os trabalhadores pela base, organizar as oposi&ccedil;&otilde;es sindicais para retomar os sindicatos para a luta, desenvolver a forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e pol&iacute;tica e elevar o n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia dos trabalhadores, combater a burocratiza&ccedil;&atilde;o e resgatar a democracia e o controle das bases, combater o corporativismo e a separa&ccedil;&atilde;o os trabalhadores em segmentos formais, informais, terceirizados, precarizados, etc.<\/p>\n<p>\n\tApenas encarando essas tarefas o movimento sindical poderia dar um salto de qualidade. Os processos de burocratiza&ccedil;&atilde;o e aparatiza&ccedil;&atilde;o da luta j&aacute; produziram grandes derrotas no passado e continuar&atilde;o produzindo enquanto n&atilde;o forem combatidos duramente. No entanto o que vemos &eacute; que essas discuss&otilde;es n&atilde;o interessam &agrave;s grandes correntes da esquerda, pois isso as obrigaria a enfrentar a cr&iacute;tica pelos v&iacute;cios que permanecem nos sindicatos sob seu controle, quais sejam: a burocratiza&ccedil;&atilde;o, a falta de transpar&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s finan&ccedil;as, o distanciamento da base. Al&eacute;m disso, essas correntes se omitem tamb&eacute;m de travar a disputa ideol&oacute;gica pelo socialismo na consci&ecirc;ncia da base nos sindicatos e no movimento, sob a justificativa de que essa &eacute; uma tarefa restrita aos partidos. Ao mesmo tempo, os partidos tem como obsess&atilde;o aparatizar os sindicatos.<\/p>\n<p>\n\tTorna-se cada vez mais urgente discutir as alternativas para o movimento. A resposta deve ser dada no movimento, na a&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica de construir as oposi&ccedil;&otilde;es, organizar pela base, disputar a consci&ecirc;ncia, combater a burocratiza&ccedil;&atilde;o, etc.<\/p>\n<p>\n\tO balan&ccedil;o bastante cr&iacute;tico que apresentamos do processo de Reorganiza&ccedil;&atilde;o e sua materializa&ccedil;&atilde;o na conclus&atilde;o do CONCLAT se prop&otilde;e a contribuir para a supera&ccedil;&atilde;o dos erros cometidos. Os ativistas e militantes honestos e combativos t&ecirc;m a tarefa de refletir sobre esses pontos e question&aacute;-los, pois a constru&ccedil;&atilde;o da unidade permanece sendo crucial para o enfrentamento dos desafios que vir&atilde;o. No entanto, apesar das diverg&ecirc;ncias, a busca pela unidade permanece como um dos desafios mais urgentes n&atilde;o apenas para a vanguarda, mas para a classe trabalhadora no sentido de se constituir em alternativa pr&aacute;tica e program&aacute;tica ao dom&iacute;nio do capital. E dificilmente isso acontecer&aacute; se o processo ficar restrito &agrave;s c&uacute;pulas, cujos interesses n&atilde;o se coadunam com as necessidades do movimento, como acabamos de ver. Defendemos que o processo seja reiniciado e cabe aos ativistas e militantes de base refor&ccedil;ar a cobran&ccedil;a no sentido de que as correntes voltem a se reunir e seja retomado o caminho da unidade, dessa vez em base a uma discuss&atilde;o ampla e pela base dos principais desafios a serem enfrentados, com a flexibilidade nas quest&otilde;es que n&atilde;o sejam de princ&iacute;pio e com os olhos voltados para o movimento de conjunto e n&atilde;o de um setor apenas, qualquer que seja ele.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o podemos depender da postura das correntes maiores, pois o que se tem privilegiado entre elas &eacute; a disputa pelo aparato e a despolitiza&ccedil;&atilde;o. Assim, fazemos um chamado a todos os ativistas e militantes para a constitui&ccedil;&atilde;o de um bloco que possa lutar pela recomposi&ccedil;&atilde;o desse movimento e que tamb&eacute;m possamos dar a batalha para garantir a discuss&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o de um programa socialista e de um plano de lutas e mecanismos reais de democracia oper&aacute;ria.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=251"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":795,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/251\/revisions\/795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}