{"id":2516,"date":"2013-10-15T12:27:47","date_gmt":"2013-10-15T15:27:47","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2516"},"modified":"2013-10-15T12:27:47","modified_gmt":"2013-10-15T15:27:47","slug":"renovar-pela-luta-resgate-e-inovacao-com-coerencia-julho-agosto2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/10\/renovar-pela-luta-resgate-e-inovacao-com-coerencia-julho-agosto2011\/","title":{"rendered":"Renovar Pela Luta: resgate e inova\u00e7\u00e3o com coer\u00eancia \u2013 Julho-Agosto\/2011"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Este artigo foi publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 44 do Jornal do Espa\u00e7o Socialista \u2013 Julho-Agosto\/2011<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p style=\"text-align: right;\">Alexandre Ferraz e Cl\u00e1udio Santana (integrantes do Renovar Pela Luta)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNo m\u00eas de junho ocorreram as elei\u00e7\u00f5es na APEOESP para a Diretoria Estadual e para as Executivas Regionais. No \u00e2mbito estadual, prevaleceu o continu\u00edsmo da Articula\u00e7\u00e3o Sindical , corrente que representa o PT nos sindicatos de um modo geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNo entanto, em Santo Andr\u00e9 algo novo surgiu: o grupo Renovar Pela Luta \u2013 Oposi\u00e7\u00e3o Chapa 2 obteve uma grande uma vit\u00f3ria, elegendo 21 dos 24 Conselheiros que compor\u00e3o a Executiva da Subsede. Al\u00e9m disso, devido \u00e0 representatividade atingida, o Renovar Pela Luta ter\u00e1 um membro na diretoria estadual da APEOESP, pela Chapa 2 \u2013 Oposi\u00e7\u00e3o Unificada na Luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEssa vit\u00f3ria \u00e9 resultado de um processo de atua\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o que se iniciou em 2005, ganhou consist\u00eancia nos anos seguintes e se expandiu durante e a partir da greve de 2010, quando passou a se denominar Renovar Pela Luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNa greve de 2010, o Renovar Pela Luta esteve \u00e0 frente do Comando de Greve nas visitas \u00e0s escolas e nas assembleias regionais. Em Santo Andr\u00e9, nossas assembleias regionais reuniam em m\u00e9dia 500 professores integrados com pais, alunos e fanfarras de escolas em greve, que sa\u00edam em passeata pelas ruas da cidade, sendo que, na \u00faltima conseguimos at\u00e9 intervir na C\u00e2mara de Vereadores, colocando nossas reivindica\u00e7\u00f5es e nos colocando contra a municipaliza\u00e7\u00e3o. Algo que s\u00f3 ocorreu nos anos 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPor fim, a atua\u00e7\u00e3o do grupo na greve foi no sentido de organizar os professores em unidade com alunos, pais e demais trabalhadores da regi\u00e3o, n\u00e3o para defendermos apenas os interesses do partido\/organiza\u00e7\u00e3o, como muitas vezes ocorre no movimento, onde as demandas dos trabalhadores s\u00e3o postas de lado priorizando-se os interesses partid\u00e1rios ou de uma corrente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO Renovar Pela Luta encontra-se em constru\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 surge representando algo distinto na cena sindical atual, na medida em que prop\u00f5e uma renova\u00e7\u00e3o nos objetivos e nos meios da atua\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nOs desafios atuais<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nOs desafios atuais na educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o maiores do que antes. Presenciamos a sociedade capitalista em uma crise estrutural \u2013 embora atenuada e encoberta \u2013 e, que, por isso mesmo, reproduz e agrava em escala global as desigualdades, car\u00eancias, inquieta\u00e7\u00f5es, tens\u00f5es e os antagonismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n\u00c9 dentro dessa realidade que a classe empresarial e os governos tentam a todo custo impor \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora o pior papel poss\u00edvel: forma\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3o-de-obra para um mercado de trabalho precarizado e amortecimento dos problemas sociais, que segundo essa vis\u00e3o deve ser tamb\u00e9m papel priorit\u00e1rio das escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA precariza\u00e7\u00e3o geral da educa\u00e7\u00e3o oferecida aos nossos jovens est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de sal\u00e1rio dos professores, afinal para se formar uma m\u00e3o-de-obra prec\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 preciso a valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o. Apenas um pequeno setor que esteja ligado a nichos de bairros e centros com melhores condi\u00e7\u00f5es de vida j\u00e1 dadas \u2013 e portanto maiores oportunidades e estrutura \u2013 \u00e9 que ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de atingir os \u00edndices e obter os b\u00f4nus, evolu\u00e7\u00f5es por m\u00e9rito, etc. Para a maioria dos professores est\u00e1 reservado o rebaixamento total das condi\u00e7\u00f5es trabalho, de vida, dificuldades de acesso aos bens culturais de aprimoramento da forma\u00e7\u00e3o did\u00e1tico-pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nComo decorr\u00eancia do rebaixamento dos sal\u00e1rios, ocorrido ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, temos a realidade de que uma grande parcela (50% ou mais dos professores) hoje acumulam dois cargos em duas redes ou outros empregos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA sobrecarga de trabalho, sem que ao mesmo tempo haja qualquer sentimento de realiza\u00e7\u00e3o com o tipo de atividade docente imposto de cima para baixo, acarreta n\u00e3o apenas os problemas de sa\u00fade cada vez em maior propor\u00e7\u00e3o, mas a perda mesmo do sentido da profiss\u00e3o docente e do pertencimento \u00e0 comunidade escolar, da rela\u00e7\u00e3o com os alunos e com os pr\u00f3prios colegas. A luta pela subsist\u00eancia imediata se contrap\u00f5e \u00e0 vida profissional e \u00e0 vida em si, j\u00e1 que ambas s\u00f3 podem se realizar coletiva e livremente. Assim, por todos os \u00e2ngulos que se olhe, identifica-se uma crise geral e profunda da educa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 ao mesmo tempo parte da crise da sociedade capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEssa situa\u00e7\u00e3o vem se agravando e se combinando com a falta de estrutura m\u00ednima nas escolas e com a falta de vontade de aprender dos nossos alunos, produzindo um quadro de caos e viol\u00eancia crescentes, gerando uma insatisfa\u00e7\u00e3o cada vez maior entre os professores e a sensa\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso fazer algo, se juntar para resistir de alguma forma, ao mesmo tempo em que se busca a retomada das discuss\u00f5es e encontros coletivos ainda de car\u00e1ter social, n\u00e3o diretamente pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEssas diversas formas de resist\u00eancia que come\u00e7am no interior das escolas \u2013 mas ganham contornos maiores em reuni\u00f5es e protestos de rua, em greves turbulentas, como a greve dos professores de S\u00e3o Paulo em mar\u00e7o do ano passado, ou nas greves em v\u00e1rios estados no primeiro semestre deste ano \u2013 s\u00e3o exemplos desse crescimento da revolta que, no entanto, bate nos diques de conten\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es sindicais e ainda n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a e consci\u00eancia suficientes para transpor esses obst\u00e1culos e inaugurarem um novo per\u00edodo nas lutas da educa\u00e7\u00e3o. Apesar disso, o aspecto contestador \u00e9 not\u00e1vel e crescente. O sentimento de que \u00e9 preciso um novo sindicalismo, capaz de impulsionar e dar coes\u00e3o a todas as iniciativas de protesto dos professores \u00e9, antes de tudo, o primeiro fator que explica o surgimento e crescimento do Renovar Pela Luta.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nCombatemos o sindicalismo viciado e governista<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAs nossas lutas t\u00eam enfrentado ultimamente n\u00e3o s\u00f3 governos do PSDB, mas tamb\u00e9m o governo federal (PT\/PMDB), pois ambos defendem \u2013 com uma ou outra diferen\u00e7a \u2013 a conten\u00e7\u00e3o dos investimentos na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, e uma mesma forma de pol\u00edtica educacional, que retira direitos dos professores, individualiza a quest\u00e3o salarial atrav\u00e9s da prova de m\u00e9rito e bonifica\u00e7\u00f5es por m\u00e9rito, n\u00e3o valoriza e n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o as realidades de trabalho dos professores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEsse enfrentamento repercute diretamente no funcionamento interno da APEOESP. Os espa\u00e7os democr\u00e1ticos s\u00e3o cada vez menores, as subsedes de oposi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o implementam a pol\u00edtica da diretoria majorit\u00e1ria s\u00e3o amea\u00e7adas e podem ser sancionadas, de modo que n\u00e3o questionem o sindicalismo governista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNesse sentido, as reivindica\u00e7\u00f5es dos professores avan\u00e7am e s\u00e3o retra\u00eddas pela Articula\u00e7\u00e3o Sindical, na medida em que come\u00e7am a questionar a pol\u00edtica educacional do governo federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nSomos frontalmente contra essa atua\u00e7\u00e3o sindical. Defendemos um sindicato independente dos governos e patr\u00f5es. Somos tamb\u00e9m favor\u00e1veis \u00e0 desfilia\u00e7\u00e3o da CUT governista. \u00c9 necess\u00e1rio parar de pagar R$ 1,5 milh\u00e3o a essa central. Plebiscito j\u00e1 para que os professores decidam!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nSuperar os limites da atua\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria oposi\u00e7\u00e3o!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO resultado das elei\u00e7\u00f5es e das \u00faltimas lutas mostram claramente que \u00e9 preciso questionarmos e superarmos os limites existentes no interior mesmo das correntes de oposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 um fato que o movimento de Oposi\u00e7\u00e3o de forma geral n\u00e3o tem conseguido apresentar um projeto de atua\u00e7\u00e3o sindical pr\u00f3prio e independente, que seja a marca da Oposi\u00e7\u00e3o e que seja de fato refer\u00eancia para amplos setores da nossa categoria. Via de regra, contenta-se em ser somente isso: oposi\u00e7\u00e3o, quando deveria tamb\u00e9m se constituir em uma alternativa vi\u00e1vel e com credibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAl\u00e9m disso, as maiores correntes pol\u00edticas da Oposi\u00e7\u00e3o seguem presas a um tipo de atua\u00e7\u00e3o limitada, que j\u00e1 se tornou um ritual, n\u00e3o tem muita vida, \u00e9 muito previs\u00edvel e muito pouco envolvente, n\u00e3o conseguindo agregar novas pessoas. Em uma realidade que est\u00e1 em movimento e onde o pr\u00f3prio governo inova a todo momento, na Oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 inova\u00e7\u00e3o em suas pr\u00e1ticas\u2026<br \/>\nOutra marca problem\u00e1tica tem sido a centraliza\u00e7\u00e3o excessiva das decis\u00f5es e das iniciativas nas m\u00e3os dos dirigentes. Como envolver as pessoas, se s\u00e3o sempre poucos que decidem de fato? Se mesmo quando h\u00e1 plen\u00e1rias, as decis\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o de alguma forma pr\u00e9-fabricadas e se na hora H n\u00e3o h\u00e1 acordo, ocorre o racha por quest\u00f5es n\u00e3o ligadas \u00e0 pr\u00f3pria luta, mas unicamente por disputas nas esferas de poder?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA estrutura muito verticalizada com certeza \u00e9 um dos fatores que dificultam o crescimento da Oposi\u00e7\u00e3o, e \u00e9 uma das coisas que tem que ser mudadas urgentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAs grandes correntes tamb\u00e9m t\u00eam se pautado por uma adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura sindical criada e (de)formada pela Articula\u00e7\u00e3o com total falta de controle, uma estrutura que a Articula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m usa para tentar controlar, corromper e cooptar a pr\u00f3pria Oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nCargos liberados em que tem ocorrido pouco ou nenhum revezamento, uso de uma estrutura que, em parte \u00e9 necess\u00e1ria, mas sobre a qual n\u00e3o h\u00e1 qualquer controle ou presta\u00e7\u00e3o de contas \u2013 como o uso dos carros do sindicato, dos celulares liberados, hospedagens sem controle,etc: isso tudo exerce ou n\u00e3o uma influ\u00eancia sobre os membros da Oposi\u00e7\u00e3o que ocupam postos de dire\u00e7\u00e3o na APEOESP e nas subsedes? E que contrapesos temos para impedir que a burocratiza\u00e7\u00e3o ocorra no interior das nossas pr\u00f3prias fileiras?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAssim, a pr\u00f3pria categoria percebe que muitos dirigentes \u2013 sejam da Oposi\u00e7\u00e3o, da diretoria estadual ou das subsedes \u2013 sofrem modifica\u00e7\u00f5es em sua conduta, se mostrando menos sens\u00edveis aos problemas que antes davam aten\u00e7\u00e3o. O tom de intransig\u00eancia frente \u00e0s discord\u00e2ncias e a imposi\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o fatores que afastam as pessoas ao inv\u00e9s de aproxim\u00e1-las, e justamente num momento t\u00e3o necess\u00e1rio e delicado\u2026 Isso tem ou n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o com o ponto anterior?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nCada vez mais h\u00e1 a press\u00e3o pelo aumento da quantidade de mandatos liberados, ao inv\u00e9s de se cumprir o rod\u00edzio como uma das formas de combater a acomoda\u00e7\u00e3o social e fazer com que n\u00e3o se perca o v\u00ednculo com a realidade da sala de aula. Quando se questiona esse fato, as rea\u00e7\u00f5es por parte das dire\u00e7\u00f5es das grandes correntes s\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, que n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m preparado, \u00e0 altura do cargo, mas ao mesmo tempo n\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o nesse sentido. Ou seja, torna-se c\u00f4modo manter essa situa\u00e7\u00e3o indefinidamente. Este \u00e9 um dos fatores principais da perda de reflexo que muitas vezes \u00e9 vis\u00edvel nas dire\u00e7\u00f5es do nosso movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n\u00c9 urgente combater as tend\u00eancias \u00e0 acomoda\u00e7\u00e3o e a estrutura verticalizada no interior da pr\u00f3pria Oposi\u00e7\u00e3o como forma de estarmos em condi\u00e7\u00f5es de cumprir um papel mais ousado na realidade da nossa categoria.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nConstruir um novo projeto de atua\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNa situa\u00e7\u00e3o atual e cada vez mais daqui por diante, \u00e9 preciso renovar as pr\u00e1ticas limitadas, expandindo o raio de atua\u00e7\u00e3o do sindicalismo. Precisamos ir al\u00e9m do corporativismo, buscando juntar em nosso movimento pais, alunos e demais trabalhadores em uma luta conjunta por uma Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica de qualidade para os trabalhadores e seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO trabalho deve ser realizado com todos que sejam sens\u00edveis \u00e0 realidade de caos que enfrenta a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e os professores. \u00c9 preciso uma atua\u00e7\u00e3o muito mais ousada e um enfoque que v\u00e1 al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o atual da maioria das correntes, que \u00e9 restrita \u00e0s demandas corporativas da categoria. As demandas dos professores devem ser consideradas e tratadas como parte das demandas gerais necess\u00e1rias para uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para os trabalhadores e seus filhos, a fim de provocarem a discuss\u00e3o e o envolvimento do conjunto da classe trabalhadora na luta pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nIsso \u00e9 mais necess\u00e1rio ainda \u00e0 medida em que nossa categoria n\u00e3o \u00e9 produtiva de forma direta, e portanto s\u00f3 pode ter impacto na sociedade se conseguir dotar nossa luta de um car\u00e1ter amplo e coletivo, transformando-se numa luta pol\u00edtica maior contra o projeto de precariza\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o aos interesses do mercado e do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nIndo al\u00e9m, nossa luta deve ser cada vez mais contra a pr\u00f3pria ordem do capital, condi\u00e7\u00e3o para que tenhamos de fato uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade livre e acess\u00edvel a todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nTemos que combater a inger\u00eancia dos empres\u00e1rios e banqueiros na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Estes criticam os investimentos p\u00fablicos na educa\u00e7\u00e3o, prop\u00f5em o enxugamento dos postos de trabalho e exigem a redu\u00e7\u00e3o do tamanho do Estado em seu aspecto de servi\u00e7os sociais, visando no entanto o estado m\u00e1ximo servi\u00e7o da reprodu\u00e7\u00e3o de seus lucros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPor outro lado, atrav\u00e9s das medidas induzidas pelos organismos internacionais \u2013 Banco Mundial, FMI, UNESCO \u2013 e pelo movimento Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o (com suas ONG\u00b4S, bancos, grupos empresariais e partidos governistas), visam domesticar os professores, os alunos e os pais e assim formar a m\u00e3o-de-obra que lhes interessa, ao menor custo poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO Renovar Pela Luta se prop\u00f5e a re-examinar de alto a baixo todas as quest\u00f5es apresentadas acima em uma rela\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo com as demais correntes, os ativistas independentes e os demais professores, no sentido de construirmos um novo projeto de atua\u00e7\u00e3o na Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPara organizarmos os professores numa extens\u00e3o cada vez maior, \u00e9 necess\u00e1rio fazer uso das novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o. Nos propomos a dinamizar esse trabalho atrav\u00e9s de listas de e-mail, site, v\u00eddeos no YouTube, Facebook etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAgora, o desafio colocado \u00e9 o de envolver o m\u00e1ximo de professores nesse projeto de um sindicato aberto, coerente e inovador, onde todos possam ser sujeitos, com respeito e poder de decis\u00e3o dentro do coletivo. Os desafios s\u00e3o enormes, pois sabemos que as escolas est\u00e3o um caos e, no capitalismo, por mais que lutemos, n\u00e3o conseguiremos resolver os problemas educacionais e sociais que est\u00e3o interligados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nMas n\u00f3s tamb\u00e9m podemos ousar sonhar em contribuir com a possibilidade de uma luta maior no sentido mesmo de uma mudan\u00e7a social, onde possamos renovar o sindicato, renovar a pol\u00edtica e renovar o mundo, e tudo isso pela luta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo foi publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 44 do Jornal do Espa\u00e7o Socialista \u2013 Julho-Agosto\/2011 Alexandre Ferraz e Cl\u00e1udio<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2516"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2516"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2517,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2516\/revisions\/2517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}