{"id":2518,"date":"2013-10-15T12:34:54","date_gmt":"2013-10-15T15:34:54","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2518"},"modified":"2013-10-15T12:34:54","modified_gmt":"2013-10-15T15:34:54","slug":"as-mudancas-no-trabalho-diario-do-professor-da-escola-publica-e-as-consequencias-politicas-e-pedagogicas-setembro-outubro2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/10\/as-mudancas-no-trabalho-diario-do-professor-da-escola-publica-e-as-consequencias-politicas-e-pedagogicas-setembro-outubro2011\/","title":{"rendered":"As mudan\u00e7as no trabalho di\u00e1rio do professor da escola p\u00fablica e as consequ\u00eancias pol\u00edticas e pedag\u00f3gicas \u2013 Setembro-Outubro\/2011"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Este artigo foi publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 45 do Jornal do Espa\u00e7o Socialista \u2013 Setembro-Outubro\/2011<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA escola p\u00fablica apresenta em seu funcionamento di\u00e1rio e no papel que deve cumprir a necessidade objetiva de reprodu\u00e7\u00e3o do contexto social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico do qual est\u00e1 inserido e que vai al\u00e9m da realidade local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEssa realidade, nada animadora, do cotidiano escolar que submete a forma\u00e7\u00e3o dos alunos \u00e0 hierarquiza\u00e7\u00e3o injusta do mundo do trabalho conta ainda com a escassez de recursos financeiros e t\u00e9cnicos para um funcionamento di\u00e1rio descente, pois al\u00e9m de faltar ainda funcion\u00e1rios, professores, merenda e etc., o que favorece o caos e a viol\u00eancia, transforma professores e estudantes em meros reprodutores da ordem social vigente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observar a intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o entre a crise ideol\u00f3gica de nossos dias com o trabalho pr\u00e1tico di\u00e1rio do professor nas escolas estaduais do estado de S\u00e3o Paulo torna-se necess\u00e1rio.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nAs caracter\u00edsticas individuais e sociais do professor<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO professor, bem como os indiv\u00edduos de um modo geral, carrega consigo determinadas caracter\u00edsticas humanas, as quais Lefebvre dimensiona bem: \u201cO humano \u00e9 um fato: o pensamento, o conhecimento, a raz\u00e3o e tamb\u00e9m certos sentimentos, tais como a amizade, o amor, a coragem, o sentimento de responsabilidade, o sentimento de dignidade (\u2026)\u201d (Lefebvre, in: Marxismo, p. 38)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEssas caracter\u00edsticas interferem na consci\u00eancia cotidiana do professor, que ao longo da hist\u00f3ria foi responsabilizado pela inser\u00e7\u00e3o de valores morais e sociais na vida das pessoas, sendo ao mesmo tempo pressionado para ser o exemplo e o respons\u00e1vel pelo estabelecimento da harmonia social entre os indiv\u00edduos. Al\u00e9m disso, a rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre religi\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m refor\u00e7ou essa fun\u00e7\u00e3o dada ao professor ao longo dos tempos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><em id=\"__mceDel\"><br \/>\n<\/em>A import\u00e2ncia pol\u00edtica do professor<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em id=\"__mceDel\"><br \/>\n<\/em>O papel hist\u00f3rico cumprido pelo professor permitiu que adquirisse certo respeito perante a sociedade e, de algum modo, tivesse uma influ\u00eancia pol\u00edtica expressiva, sobretudo, nas comunidades perif\u00e9ricas.<br \/>\nIsso fez com que as reivindica\u00e7\u00f5es dos professores caminhassem lado a lado com a luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores (por direitos sociais: sa\u00fade, moradia, educa\u00e7\u00e3o, transporte coletivo de qualidade etc.), sobretudo, nos anos 1980.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><em id=\"__mceDel\"><br \/>\n<\/em>O uso das caracter\u00edsticas individuais das caracter\u00edsticas e sociais contra os professores<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO governo do estado de S\u00e3o Paulo, atrav\u00e9s das sucessivas gest\u00f5es do PSDB, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 diferente dos governos do PT, PMDB, DEM, PSD, PV etc., passou a utilizar-se das caracter\u00edsticas profissionais dos professores para intensificar o trabalho, principalmente durante esse per\u00edodo de crise econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso, com a descaracteriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e pedag\u00f3gica do papel exercido pelos professores no interior das escolas implementou um projeto pedag\u00f3gico alheio \u00e0 classe trabalhadora e totalmente adaptado \u00e0 realidade da desigualdade social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nSob o argumento de que as mudan\u00e7as aplicadas no sistema educacional implicam em mais horas de trabalho e maior qualidade, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, explora os esfor\u00e7os, a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, a bondade, a coragem, o amor, a amizade, o sentimento de responsabilidade e de dignidade do professor para impor \u201cpedagogias\u201d e projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nCom a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho do professor \u2013 (contratos tempor\u00e1rios, falta de direitos trabalhistas como f\u00e9rias ou f\u00e9rias parceladas, FGTS, 13\u00ba, direito de c\u00e1tedra, etc.); fragmenta\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de intervalos; cobran\u00e7a para que executem tarefas que t\u00eam peso pol\u00edtico-pedag\u00f3gico secund\u00e1rio (Di\u00e1rios de Classe com anota\u00e7\u00f5es que nada t\u00eam a ver com a rotina di\u00e1ria da sala de aula, mas enquadrado nas exig\u00eancias burocr\u00e1ticas das Diretorias de Ensino); imposi\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico (Caderno do Aluno); acompanhamento dos intervalos dos alunos; digita\u00e7\u00e3o de notas e frequ\u00eancia dos alunos sem computadores suficientes nas escolas, etc. \u2013 aumenta-se a explora\u00e7\u00e3o do trabalho docente a fim de reduzir gastos com a Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEssas medidas visam arrancar o professor de sua natureza real pol\u00edtico-social-hist\u00f3rico atrav\u00e9s do dom\u00ednio de sua vida pr\u00e1tica no dia a dia da escola. Isso tudo se completa ainda com a introdu\u00e7\u00e3o de ONGs, parcerias com empres\u00e1rios e banqueiros com o intuito de favorecer uma parcela da burguesia paulista.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nA naturaliza\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a e da press\u00e3o no interior das escolas<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo do estado de S\u00e3o Paulo, atrav\u00e9s de seu secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o, fala em di\u00e1logo com os professores e de respeito aos espa\u00e7os democr\u00e1ticos nas escolas. No entanto, quanto mais se diz isso menos encontramos democracia no interior das escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA press\u00e3o para que os professores executem todas as determina\u00e7\u00f5es sem nenhum questionamento \u00e9 muito intensa. Qualquer recusa e simples questionamento s\u00e3o tratados como falta de compromisso, falta de vontade, de responsabilidade e s\u00e3o tachados como aqueles que n\u00e3o sabem trabalhar. Busca-se com isso que o professor seja conformado e obediente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nTorna-se normal, no interior das escolas estaduais de S\u00e3o Paulo, a cobran\u00e7a e a press\u00e3o por parte de supervisores de ensino, diretores, coordenadores pedag\u00f3gicos e at\u00e9 mesmo de alguns colegas professores que passam a agir de modo individualizado em rela\u00e7\u00e3o aos problemas estruturais e a melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nDessa forma, a liberdade e o diferente s\u00e3o sufocados com a busca da submiss\u00e3o, da servid\u00e3o, do empobrecimento intelectual e dentro das regras oficiais, ou seja, tudo que \u00e9 alternativo n\u00e3o pode ser feito ou testado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPor outro lado, quanto mais o professor assume tarefas que fogem de seu papel pol\u00edtico-pedag\u00f3gico, mais se torna escravo, ref\u00e9m do atual sistema educacional, mais perde a sua liberdade de inovar, de tentar o diferente, de exercer a profiss\u00e3o, de pensar e agir intelectualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nCom tudo isso se procura desconfigurar a profiss\u00e3o (para desmobilizar e desmoralizar) na medida em que refor\u00e7a a pol\u00edtica de desvaloriza\u00e7\u00e3o e contribui para perda da identidade, algo t\u00e3o defendido em outras categorias de trabalhadores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nA luta dos professores \u00e9 tamb\u00e9m a luta dos trabalhadores e seus filhos!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPortanto, n\u00e3o podemos dizer que o professor \u00e9 culpado pela situa\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Diante da crise de alternativa ideol\u00f3gica e da press\u00e3o no interior das escolas, os professores est\u00e3o lan\u00e7ados \u00e0 pr\u00f3pria sorte, mas muitos resistem a tudo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNesse sentido, os sindicatos, n\u00e3o apenas dos profissionais da Educa\u00e7\u00e3o, mas de trabalhadores de um modo geral, devem pautar em seus materiais e em suas discuss\u00f5es internas, o tema da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, pois s\u00e3o os filhos dos trabalhadores que estudam na escola p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n\u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m desenvolver uma campanha de valoriza\u00e7\u00e3o da carreira e dos direitos sociais do professor, devendo envolver, sobretudo, as centrais sindicais de esquerda (Intersindical e CSP-Conlutas) e os sindicatos de suas bases.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO sindicato dos professores\/APEOESP e as subsedes regionais devem empenhar-se na elabora\u00e7\u00e3o de outdoors, mensagens na m\u00eddia, cartas abertas, faixas, uso de carro de som, utiliza\u00e7\u00e3o das novas ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o como as redes sociais a fim de denunciar os reais problemas da escola p\u00fablica (viol\u00eancia, falta de investimento, corte de direitos como parcelamento de f\u00e9rias) e reivindicar a aplica\u00e7\u00e3o de 10% do PIB na Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica; a aplica\u00e7\u00e3o de 1\/3 da jornada para prepara\u00e7\u00e3o de aulas e corre\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00f5es; sal\u00e1rio inicial base DIEESE, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPortanto, a discuss\u00e3o sobre a qualidade do ensino p\u00fablico deve ir al\u00e9m da esfera de atua\u00e7\u00e3o dos professores. Os trabalhadores de um modo geral precisam participar conosco nessa luta, pois o ensino p\u00fablico deve tratar e defender exclusivamente os interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPrecisamos construir e fortalecer os v\u00ednculos coletivos no interior das escolas a partir de demandas concretas, realizando reuni\u00f5es e atividades que discutam formas de resist\u00eancia e que busquem ao mesmo tempo uma rela\u00e7\u00e3o construtiva com pais e alunos.<br \/>\nEssa rela\u00e7\u00e3o com os pais e alunos deve fortalecer a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nos \u00f3rg\u00e3os colegiados dentro das escolas (Conselho de Escola, APM e Gr\u00eamio Estudantil).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPor fim, \u00e9 importante desenvolvermos continuamente entre n\u00f3s e a comunidade escolar a consci\u00eancia da possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de uma outra sociedade, fraterna e sem desigualdades sociais em que a Educa\u00e7\u00e3o sirva para desenvolver as potencialidades humanas e favorecer o que cada um tem de melhor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo foi publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 45 do Jornal do Espa\u00e7o Socialista \u2013 Setembro-Outubro\/2011 &nbsp; A escola p\u00fablica<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2518"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2518"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2518\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2520,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2518\/revisions\/2520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}