{"id":252,"date":"2010-07-29T19:14:22","date_gmt":"2010-07-29T22:14:22","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/252"},"modified":"2013-01-19T18:42:13","modified_gmt":"2013-01-19T20:42:13","slug":"balanco-do-encontro-nacional-de-mulheres-em-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/07\/balanco-do-encontro-nacional-de-mulheres-em-luta\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o do Encontro Nacional de Mulheres em Luta"},"content":{"rendered":"<p>\n\tO II Encontro do Movimento Mulheres em Luta, da Conlutas, aconteceu no dia 03 de junho de 2010, em Santos &#8211; SP, com presen&ccedil;a de cerca de 900 mulheres. O encontro abriu a maratona de congressos cuja seq&uuml;&ecirc;ncia foi o Congresso da Conlutas, no dia 04\/06 e o CONCLAT, nos dias 05 e 06\/06.<\/p>\n<p>\n\tEm chamado para o Encontro de Mulheres em abril deste ano a Conlutas j&aacute; dava o indicativo de que &#8220;Nossa atividade se d&aacute; no marco do processo de reorganiza&ccedil;&atilde;o do movimento da classe trabalhadora no pa&iacute;s. O Encontro, portanto, tamb&eacute;m est&aacute; a servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o de uma nova ferramenta para as trabalhadoras, trabalhadores e a juventude, atrav&eacute;s da unifica&ccedil;&atilde;o entre Conlutas e Intersindical.&#39;&#39;<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o s&oacute; n&atilde;o ignoramos como refor&ccedil;amos a import&acirc;ncia da discuss&atilde;o de g&ecirc;nero ter sido situada no Encontro, acertadamente, dentro deste processo maior de tentativa de unifica&ccedil;&atilde;o de setores combativos da classe, visando reorganiz&aacute;-la com o objetivo de enfrentar os ataques da burguesia e construir a consci&ecirc;ncia de classe dos trabalhadores e trabalhadoras rumo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade socialista, com todas as dificuldades postas ap&oacute;s d&eacute;cadas de refluxo do movimento socialista. N&atilde;o ignoramos estes fatos e refor&ccedil;amos que a unifica&ccedil;&atilde;o dos setores combativos da classe, dos movimentos sociais e de setores oprimidos na nova central que se almejava formar seria atualmente a forma mais massiva e concretamente poss&iacute;vel de se galgar estes objetivos, portanto era e ainda &eacute; quest&atilde;o de suma import&acirc;ncia para os setores organizados e para a classe como um todo.<\/p>\n<p>\n\tDe fato, este aspecto do car&aacute;ter da central foi defendido &agrave; exaust&atilde;o pela coordena&ccedil;&atilde;o do encontro e n&atilde;o haveria nada de errado nisso, n&atilde;o fosse a transforma&ccedil;&atilde;o de prioridade em exclusividade que se sobrep&ocirc;s a toda a discuss&atilde;o que nos possibilitaria desdobrar uma reuni&atilde;o de quase um milhar de mulheres combativas juntas.<\/p>\n<p>\n\tA desorganiza&ccedil;&atilde;o do evento foi tamanha que n&atilde;o houve compromisso de hor&aacute;rio, desrespeitando quem chegou l&aacute; &agrave;s nove horas, um problema s&eacute;rio, pois desgasta o militante ou aquele que pretende militar, agravado pelo fato de que reun&iacute;amos lutadores de todo o pa&iacute;s, para quem o tempo era ainda mais precioso, devido &agrave; perda de tempo j&aacute; imposta pelas dist&acirc;ncias.<\/p>\n<p>\n\tA despeito da legitimidade das bandeiras defendidas, tais como a garantia de licen&ccedil;a maternidade de 6 meses para todas as trabalhadoras, sem isen&ccedil;&atilde;o fiscal para os capitalistas que exploram nossa m&atilde;o-de-obra, da luta por creches, pela legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto (bandeira que poderia tratar da grave quest&atilde;o da gravidez na adolesc&ecirc;ncia), al&eacute;m da luta hist&oacute;rica contra o machismo e a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, problemas que precisam obviamente da mobiliza&ccedil;&atilde;o de todas e todos, n&atilde;o podemos nos omitir de alertar para os problemas ocorridos no encontro e que, representam perigo de entrave na luta, pois nos furtam das discuss&otilde;es e n&atilde;o contribuem para a forma&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o das mulheres entorno de suas lutas.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; triste ter que gastar o tempo com cr&iacute;ticas, mas &eacute; preciso apontar o excessivo tempo dedicado &agrave;s desgastantes apresenta&ccedil;&otilde;es de delega&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais, al&eacute;m da divulga&ccedil;&atilde;o e aclama&ccedil;&atilde;o de candidaturas do partido majorit&aacute;rio no encontro, o PSTU, inclusive com o descuido da mesa (imposta e n&atilde;o votada), favorecendo a vice-candidata &agrave;presid&ecirc;ncia que falou bem mais que o tempo estipulado, tudo isso em detrimento do reduzido tempo reservado aos grupos de discuss&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\tO debate, que deveria ser prioridade, ficou inviabilizado pelo pouco tempo (apenas 1 hora) e tamb&eacute;m devido &agrave; falta de estrutura, j&aacute; que os grupos foram montados em pleno teatro, todos no mesmo espa&ccedil;o, nas arquibancadas e se uma mulher falasse um pouco mais alto fatalmente seria repreendida pelos grupos vizinhos, por atrapalhar as falas. Ficamos pouco mais de duas horas em hor&aacute;rio de almo&ccedil;o, estreitando o tempo, que j&aacute; era pequeno, de discuss&atilde;o. As propostas estavam pr&eacute;-estabelecidas pela corrente majorit&aacute;ria no Encontro, n&atilde;o sendo discutidas por conta de um teto que existia para o t&eacute;rmino do congresso. As mulheres n&atilde;o tiveram direito a voz e voto por conta do hor&aacute;rio tamb&eacute;m, ent&atilde;o quem encaminhava a reuni&atilde;o acabou por escolher quem iria falar. Em suma, n&atilde;o se planejou a estrutura que garantiria a parte mais importante do Encontro, a discuss&atilde;o pol&iacute;tica, e prevaleceram m&eacute;todos antidemocr&aacute;ticos aos quais os lutadores n&atilde;o devem se acostumar.<\/p>\n<p>\n\tA falta de tempo para debates &eacute; muito grave, pois pode levar &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o da superficialidade sobre bandeiras defendidas no movimento, &agrave; despolitiza&ccedil;&atilde;o da base presente pelo desperdicio da excelente oportunidade para avan&ccedil;ar na consci&ecirc;ncia sobre a luta contra a dura realidade que a l&oacute;gica capitalista imp&otilde;e &agrave;s trabalhadoras. A tradi&ccedil;&atilde;o da falta de debate expressa no Encontro se evidencia tamb&eacute;m pelo fato da organiza&ccedil;&atilde;o do evento ter permitido que o servi&ccedil;o de limpeza do espa&ccedil;o fosse feito por trabalhadoras tercerizadas, em vez de ter organizado um mutir&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\tDeve-se lamentar o fato de em vez de termos presenciado um Encontro que discutiria g&ecirc;nero situado na luta de classes com uma perspectiva socialista, termos visto se configurar pura e simplesmente um encontro das mulheres que estariam no CONCLAT.<\/p>\n<p>\n\tPara al&eacute;m das lamenta&ccedil;&otilde;es, chamamos as lutadoras e lutadores a combater este modelo de Encontro e lutar para termos de fato Encontros que discutam g&ecirc;nero, constru&iacute;dos pela base, pautando os principais debates que competem &agrave; classe e tamb&eacute;m os debates espec&iacute;ficos da mulher trabalhadora. Chamamos os lutadores e lutadoras a repensar o formato destas discuss&otilde;es e a estar consciente para combater a burocratiza&ccedil;&atilde;o das dire&ccedil;&otilde;es do movimento e construir de fato um movimento de mulheres emancipadas, rumo a uma sociedade socialista!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n\tO II Encontro do Movimento Mulheres em Luta, da Conlutas, aconteceu no dia 03 de junho de 2010, em Santos &#8211; SP, com presen&ccedil;a de cerca de 900 mulheres. O encontro abriu a maratona de congressos cuja seq&uuml;&ecirc;ncia foi o Congresso da Conlutas, no dia 04\/06 e o CONCLAT, nos dias 05 e 06\/06.<\/p>\n<p>\n\tEm chamado para o Encontro de Mulheres em abril deste ano a Conlutas j&aacute; dava o indicativo de que &#8220;Nossa atividade se d&aacute; no marco do processo de reorganiza&ccedil;&atilde;o do movimento da classe trabalhadora no pa&iacute;s. O Encontro, portanto, tamb&eacute;m est&aacute; a servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o de uma nova ferramenta para as trabalhadoras, trabalhadores e a juventude, atrav&eacute;s da unifica&ccedil;&atilde;o entre Conlutas e Intersindical.&#39;&#39;<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o s&oacute; n&atilde;o ignoramos como refor&ccedil;amos a import&acirc;ncia da discuss&atilde;o de g&ecirc;nero ter sido situada no Encontro, acertadamente, dentro deste processo maior de tentativa de unifica&ccedil;&atilde;o de setores combativos da classe, visando reorganiz&aacute;-la com o objetivo de enfrentar os ataques da burguesia e construir a consci&ecirc;ncia de classe dos trabalhadores e trabalhadoras rumo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade socialista, com todas as dificuldades postas ap&oacute;s d&eacute;cadas de refluxo do movimento socialista. N&atilde;o ignoramos estes fatos e refor&ccedil;amos que a unifica&ccedil;&atilde;o dos setores combativos da classe, dos movimentos sociais e de setores oprimidos na nova central que se almejava formar seria atualmente a forma mais massiva e concretamente poss&iacute;vel de se galgar estes objetivos, portanto era e ainda &eacute; quest&atilde;o de suma import&acirc;ncia para os setores organizados e para a classe como um todo.<\/p>\n<p>\n\tDe fato, este aspecto do car&aacute;ter da central foi defendido &agrave; exaust&atilde;o pela coordena&ccedil;&atilde;o do encontro e n&atilde;o haveria nada de errado nisso, n&atilde;o fosse a transforma&ccedil;&atilde;o de prioridade em exclusividade que se sobrep&ocirc;s a toda a discuss&atilde;o que nos possibilitaria desdobrar uma reuni&atilde;o de quase um milhar de mulheres combativas juntas.<\/p>\n<p>\n\tA desorganiza&ccedil;&atilde;o do evento foi tamanha que n&atilde;o houve compromisso de hor&aacute;rio, desrespeitando quem chegou l&aacute; &agrave;s nove horas, um problema s&eacute;rio, pois desgasta o militante ou aquele que pretende militar, agravado pelo fato de que reun&iacute;amos lutadores de todo o pa&iacute;s, para quem o tempo era ainda mais precioso, devido &agrave; perda de tempo j&aacute; imposta pelas dist&acirc;ncias.<\/p>\n<p>\n\tA despeito da legitimidade das bandeiras defendidas, tais como a garantia de licen&ccedil;a maternidade de 6 meses para todas as trabalhadoras, sem isen&ccedil;&atilde;o fiscal para os capitalistas que exploram nossa m&atilde;o-de-obra, da luta por creches, pela legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto (bandeira que poderia tratar da grave quest&atilde;o da gravidez na adolesc&ecirc;ncia), al&eacute;m da luta hist&oacute;rica contra o machismo e a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, problemas que precisam obviamente da mobiliza&ccedil;&atilde;o de todas e todos, n&atilde;o podemos nos omitir de alertar para os problemas ocorridos no encontro e que, representam perigo de entrave na luta, pois nos furtam das discuss&otilde;es e n&atilde;o contribuem para a forma&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o das mulheres entorno de suas lutas.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; triste ter que gastar o tempo com cr&iacute;ticas, mas &eacute; preciso apontar o excessivo tempo dedicado &agrave;s desgastantes apresenta&ccedil;&otilde;es de delega&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais, al&eacute;m da divulga&ccedil;&atilde;o e aclama&ccedil;&atilde;o de candidaturas do partido majorit&aacute;rio no encontro, o PSTU, inclusive com o descuido da mesa (imposta e n&atilde;o votada), favorecendo a vice-candidata &agrave;presid&ecirc;ncia que falou bem mais que o tempo estipulado, tudo isso em detrimento do reduzido tempo reservado aos grupos de discuss&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\tO debate, que deveria ser prioridade, ficou inviabilizado pelo pouco tempo (apenas 1 hora) e tamb&eacute;m devido &agrave; falta de estrutura, j&aacute; que os grupos foram montados em pleno teatro, todos no mesmo espa&ccedil;o, nas arquibancadas e se uma mulher falasse um pouco mais alto fatalmente seria repreendida pelos grupos vizinhos, por atrapalhar as falas. Ficamos pouco mais de duas horas em hor&aacute;rio de almo&ccedil;o, estreitando o tempo, que j&aacute; era pequeno, de discuss&atilde;o. As propostas estavam pr&eacute;-estabelecidas pela corrente majorit&aacute;ria no Encontro, n&atilde;o sendo discutidas por conta de um teto que existia para o t&eacute;rmino do congresso. As mulheres n&atilde;o tiveram direito a voz e voto por conta do hor&aacute;rio tamb&eacute;m, ent&atilde;o quem encaminhava a reuni&atilde;o acabou por escolher quem iria falar. Em suma, n&atilde;o se planejou a estrutura que garantiria a parte mais importante do Encontro, a discuss&atilde;o pol&iacute;tica, e prevaleceram m&eacute;todos antidemocr&aacute;ticos aos quais os lutadores n&atilde;o devem se acostumar.<\/p>\n<p>\n\tA falta de tempo para debates &eacute; muito grave, pois pode levar &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o da superficialidade sobre bandeiras defendidas no movimento, &agrave; despolitiza&ccedil;&atilde;o da base presente pelo desperdicio da excelente oportunidade para avan&ccedil;ar na consci&ecirc;ncia sobre a luta contra a dura realidade que a l&oacute;gica capitalista imp&otilde;e &agrave;s trabalhadoras. A tradi&ccedil;&atilde;o da falta de debate expressa no Encontro se evidencia tamb&eacute;m pelo fato da organiza&ccedil;&atilde;o do evento ter permitido que o servi&ccedil;o de limpeza do espa&ccedil;o fosse feito por trabalhadoras tercerizadas, em vez de ter organizado um mutir&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\tDeve-se lamentar o fato de em vez de termos presenciado um Encontro que discutiria g&ecirc;nero situado na luta de classes com uma perspectiva socialista, termos visto se configurar pura e simplesmente um encontro das mulheres que estariam no CONCLAT.<\/p>\n<p>\n\tPara al&eacute;m das lamenta&ccedil;&otilde;es, chamamos as lutadoras e lutadores a combater este modelo de Encontro e lutar para termos de fato Encontros que discutam g&ecirc;nero, constru&iacute;dos pela base, pautando os principais debates que competem &agrave; classe e tamb&eacute;m os debates espec&iacute;ficos da mulher trabalhadora. Chamamos os lutadores e lutadoras a repensar o formato destas discuss&otilde;es e a estar consciente para combater a burocratiza&ccedil;&atilde;o das dire&ccedil;&otilde;es do movimento e construir de fato um movimento de mulheres emancipadas, rumo a uma sociedade socialista!<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=252"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":796,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252\/revisions\/796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}