{"id":253,"date":"2010-08-18T20:32:45","date_gmt":"2010-08-18T23:32:45","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/253"},"modified":"2013-01-19T18:43:16","modified_gmt":"2013-01-19T20:43:16","slug":"posicao-do-espaco-socialista-nas-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/08\/posicao-do-espaco-socialista-nas-eleicoes\/","title":{"rendered":"Posi\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o Socialista nas elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h2>Intervir nas elei\u00e7\u00f5es para desenvolver a luta e a consci\u00eancia Socialista!!<\/h2>\n<p>Mesmo com todos os problemas da democracia burguesa existentes no Brasil, mesmo com o descr\u00e9dito, fruto da corrup\u00e7\u00e3o, das mentiras, das trai\u00e7\u00f5es feitas ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, os trabalhadores ir\u00e3o comparecer \u00e0s urnas. N\u00e3o o far\u00e3o por confian\u00e7a nos pol\u00edticos e sim porque neste momento n\u00e3o v\u00eaem outra alternativa de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social em condi\u00e7\u00f5es de substituir o regime existente.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto, n\u00e3o apenas da aliena\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e ideol\u00f3gica a que os trabalhadores est\u00e3o submetidos, mas tamb\u00e9m resultado de uma profunda crise de alternativa socialista e at\u00e9 mesmo crise da consci\u00eancia de classe, pois as bandeiras de transforma\u00e7\u00e3o social foram jogadas no ch\u00e3o e pisadas pelas organiza\u00e7\u00f5es que se adaptaram e se incorporam ao regime pol\u00edtico e \u00e0 l\u00f3gica capitalista, como o PT, o PC do B, a CUT, a UNE.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a realidade vai demonstrando cada vez mais que essa democracia \u00e9 extremamente limitada e que na maior parte dos casos serve aos patr\u00f5es, contra os trabalhadores, que visa manter a domina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o, apesar de sua apar\u00eancia e discurso de liberdade. A democracia burguesa continua sendo uma ditadura do capital e vai assumindo uma postura cada vez mais autorit\u00e1ria para com os movimentos sociais e os ativistas.<\/p>\n<p>Assim,  \u00e9 tarefa importante para as organiza\u00e7\u00f5es socialistas e revolucion\u00e1rias intervir no debate eleitoral, mas com uma finalidade totalmente diferente da pol\u00edtica burguesa. Trata-se justamente de aproveitar esse momento para realizar uma cr\u00edtica radical dos v\u00e1rios mecanismos de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o presentes nessa pseudodemocracia do capitalismo, e defender que a \u00fanica possibilidade de resolu\u00e7\u00e3o dos problemas que atingem os trabalhadores e a sociedade \u00e9 o desenvolvimento das lutas diretas (greves, ocupa\u00e7\u00f5es, etc) em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ruptura com a l\u00f3gica do capital e sua ordem de domina\u00e7\u00e3o, no sentido da constru\u00e7\u00e3o de uma outra l\u00f3gica, a servi\u00e7o dos trabalhadores, da preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, etc.<\/p>\n<h3>Defendemos um regime pol\u00edtico dos trabalhadores!<\/h3>\n<p>Defendemos um outro regime pol\u00edtico e econ\u00f4mico, uma democracia dos trabalhadores, em que os mandatos sejam revog\u00e1veis a qualquer momento caso os eleitos votem medidas que contrariem as promessas feitas ou os interesses dos trabalhadores. Nenhum ocupante de cargo p\u00fablico deve receber mais do que o sal\u00e1rio m\u00e9dio de um trabalhador especializado.  Al\u00e9m disso, n\u00e3o devem receber nenhuma gratifica\u00e7\u00e3o al\u00e9m da ajuda de custo necess\u00e1ria para se deslocar e se alimentar. Defendemos a proibi\u00e7\u00e3o da reelei\u00e7\u00e3o para os cargos executivos, e a limita\u00e7\u00e3o a uma reelei\u00e7\u00e3o para os cargos legislativos. As doa\u00e7\u00f5es de empresas nas campanhas ou de empres\u00e1rios individuais devem ser proibidas, implantando-se o financiamento p\u00fablico de campanha com o mesmo valor e o mesmo tempo dos recursos de m\u00eddia para os candidatos. Os corruptos e corruptores devem ser presos e seus bens confiscados pelo estado, n\u00e3o podendo mais se candidatar.<\/p>\n<p>Enfim, defendemos uma democracia dos trabalhadores em que esse sistema pol\u00edtico seja sustentado e expresse o controle dos trabalhadores sobre todas as atividades econ\u00f4micas e sociais como as f\u00e1bricas, bancos e escolas, de modo a propiciar a produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da riqueza social de acordo com as necessidades dos trabalhadores e em sintonia com o meio-ambiente.<\/p>\n<h3>Sem romper com a l\u00f3gica do lucro n\u00e3o haver\u00e1 futuro para os trabalhadores, os jovens e o ambiente!<\/h3>\n<p>Durante e ap\u00f3s o primeiro pico da crise mundial que atingiu o Brasil &#8211; final de 2008 e in\u00edcio de 2009 -, os patr\u00f5es se aproveitaram para aumentar violentamente a taxa de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, com demiss\u00f5es e a imposi\u00e7\u00e3o de maior carga de trabalho sobre os que permaneciam  empregados. Ao mesmo tempo, o governo Lula e os governos estaduais reduziam os impostos de setores estrat\u00e9gicos e davam r\u00e9dea solta ao cr\u00e9dito, e o estado assegurou a estabilidade do setor financeiro, mantendo religiosamente o pagamento dos juros da D\u00edvida P\u00fablica Externa e Interna.<\/p>\n<p>Essa D\u00edvida est\u00e1 hoje em R$ 1,61 trilh\u00e3o, comprometendo cerca de 35%  de todo o or\u00e7amento da Uni\u00e3o. S\u00f3 em 2009, o governo federal, estados e munic\u00edpios gastaram cerca de R$ 360 bilh\u00f5es no pagamento dos juros de suas D\u00edvidas, dinheiro extra\u00eddo dos trabalhadores e enviado para a burguesia.<\/p>\n<p>Junto a isso, houve a libera\u00e7\u00e3o quase total ao agroneg\u00f3cio para queimar, desmatar e ocupar \u00e1reas de reserva ambiental, sem falar nos preju\u00edzos causados pelas monoculturas de soja e cana ao solo e aos ecossistemas.<\/p>\n<p>O aumento brutal da explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores e o meio-ambiente, combinado com todos os mecanismos de incentivo ao consumo por parte do estado &#8211; principalmente o cr\u00e9dito &#8211; p\u00f4de conter a recess\u00e3o e fazer com que a economia voltasse a crescer.<\/p>\n<p>Mas embora os trabalhadores demitidos durante o primeiro impacto da crise tenham sido recontratados, isso ocorreu de forma precarizada e com sal\u00e1rios menores.<\/p>\n<p>\u00c9 isso tudo que est\u00e1 por tr\u00e1s do crescimento econ\u00f4mico capitalista. S\u00f3 os empres\u00e1rios ganham realmente. O aumento gigantesco do cr\u00e9dito encobriu a queda do poder de compra real dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as medidas tomadas pelos governos e pela burguesia preparam a eclos\u00e3o de uma crise muito pior em um prazo n\u00e3o muito distante. Isso \u00e9 o que acontecer\u00e1 quando a capacidade de endividamento dos trabalhadores brasileiros e das fam\u00edlias da classe m\u00e9dia &#8211; que est\u00e1 bem distante do padr\u00e3o estadunidense ou europeu &#8211; chegar ao limite como ocorreu naqueles pa\u00edses.<\/p>\n<p>Nenhuma das tr\u00eas candidaturas chamadas &#8220;vi\u00e1veis&#8221; querem e podem dizer essas verdades aos trabalhadores, pois todas t\u00eam o acordo maior em manter o pa\u00eds submetido \u00e0 l\u00f3gica do capital, para a manuten\u00e7\u00e3o de seus privil\u00e9gios e da burguesia que representam.<\/p>\n<h3>Uma disputa para ver quem vai administrar o mesmo projeto a servi\u00e7o do capital<\/h3>\n<p>O bloco PSDB\/DEM representa os interesses diretos dos bancos e do agroneg\u00f3cio. Em princ\u00edpio, seria o melhor dos mundos para a burguesia, pois \u00e9 um projeto de enfrentamento direto \u00e0 classe trabalhadora, com uma pol\u00edtica de estado voltada totalmente para os cortes na m\u00e1quina de estado (leia-se servi\u00e7os p\u00fablicos), altas taxas de juros e direcionamento da maior parte poss\u00edvel do dinheiro p\u00fablico para obras e programas de interesse do capital. O problema \u00e9 que muitas vezes uma pol\u00edtica de enfrentamentos diretos com os trabalhadores pode levar ao estouro de um ascenso, como ocorreu no in\u00edcio dessa d\u00e9cada em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, e isso a burguesia e o imperialismo n\u00e3o querem.<\/p>\n<p>J\u00e1 o PT, tamb\u00e9m visa atender ao grande capital de forma geral, arbitrando as v\u00e1rias fra\u00e7\u00f5es da burguesia e tentando contemplar o funcionamento do sistema como um todo, mas de modo a preservar uma parte dos ganhos para a burocracia de estado, sindical e pol\u00edtica. Da\u00ed seu interesse em um certo peso do estado na economia, e das negociatas com as dire\u00e7\u00f5es sindicais corrompidas para a aplica\u00e7\u00e3o de medidas contra os trabalhadores com a mesma ou maior efic\u00e1cia do que o bloco PSDB\/DEM.<\/p>\n<p>A candidatura de Marina Silva tenta se apegar ao mote da preserva\u00e7\u00e3o ambiental. No entanto, seu discurso cai no vazio pois participou em quase todo o governo Lula, onde houve a libera\u00e7\u00e3o dos transg\u00eanicos, o aumento vertiginoso da destrui\u00e7\u00e3o das florestas para a planta\u00e7\u00e3o de soja, cana e para a cria\u00e7\u00e3o de gado.<\/p>\n<p>Seu programa mant\u00e9m o respeito pela l\u00f3gica do capital e pela economia de mercado, o que elimina qualquer possibilidade de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, j\u00e1 que o capital, em sua l\u00f3gica de em tudo lucrar o m\u00e1ximo poss\u00edvel, exige a ocupa\u00e7\u00e3o de todos os espa\u00e7os e a explora\u00e7\u00e3o de tudo da forma mais insana e imediatista para suas finalidades.<\/p>\n<p>Tanto Serra, como Dilma e tamb\u00e9m Marina representam o aprofundamento da explora\u00e7\u00e3o sobre os  trabalhadores e a entrega de todas as riquezas naturais como meio de valoriza\u00e7\u00e3o do capital. Todos eles, mesmo que com varia\u00e7\u00f5es, manter\u00e3o o mesmo rumo geral, sendo que as diferen\u00e7as girar\u00e3o em torno da forma, dos ritmos e principalmente de qual setor vai usufruir da m\u00e1quina de estado.<\/p>\n<h3>A divis\u00e3o da esquerda&#8230; Por qu\u00ea?<\/h3>\n<p>O fato de a esquerda socialista atuar no processo eleitoral dividida em tr\u00eas candidaturas (PSOL, PSTU e PCB) \u00e9 realmente muito complicado. Isso dificulta ainda mais que os trabalhadores enxerguem uma alternativa \u00e0 falsa polariza\u00e7\u00e3o colocada nestas elei\u00e7\u00f5es entre Serra, Dilma e Marina.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a culpa \u00e9 sem d\u00favida desses mesmos partidos, que colocaram mais uma vez os interesses de sua constru\u00e7\u00e3o acima dos interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O PSOL insistiu at\u00e9 o \u00faltimo momento em uma frente com o PV, um partido que, a exemplo do PSB, \u00e9 base de sustenta\u00e7\u00e3o do governo Lula em Bras\u00edlia, e em S\u00e3o Paulo \u00e9 base de sustenta\u00e7\u00e3o do PSDB&#8230; Quando essa alian\u00e7a com o PV se tornou imposs\u00edvel, por iniciativa do pr\u00f3prio PV, a\u00ed o PSOL veio propor tardiamente a constitui\u00e7\u00e3o de uma Frente de Esquerda.<\/p>\n<p>O PCB declarou desde o in\u00edcio que teria candidatura pr\u00f3pria, culpando o PSOL pelo rebaixamento do programa nas elei\u00e7\u00f5es de 2006 e pela dispers\u00e3o da Frente de Esquerda de l\u00e1 at\u00e9 aqui. Por\u00e9m, n\u00e3o pensou em propor a Frente nem ao PSTU, nem \u00e0s demais organiza\u00e7\u00f5es da esquerda.<\/p>\n<p>O PSTU por sua vez, se aproveitou da pol\u00edtica do PSOL de se aproximar do PV e da antecipa\u00e7\u00e3o da candidatura pr\u00f3pria do PCB para lan\u00e7ar tamb\u00e9m seu &#8220;pr\u00e9-candidato&#8221;, Z\u00e9 Maria. Por \u00faltimo, no CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora) realizado em junho deste ano, o PSTU orientou sua milit ncia a votar contra a forma\u00e7\u00e3o da Frente de Esquerda, sepultando de vez a possibilidade de candidaturas unit\u00e1rias dos trabalhadores nessas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, o Espa\u00e7o Socialista alertou para esses problemas.  Propusemos a constru\u00e7\u00e3o de um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores em que tanto o programa como as candidaturas pudessem ser debatidos e definidos a partir de uma ampla participa\u00e7\u00e3o de base, e n\u00e3o pelas c\u00fapulas dos partidos. Essa unidade pela base e a defini\u00e7\u00e3o de um programa m\u00ednimo seriam fundamentais n\u00e3o apenas nas elei\u00e7\u00f5es mas tamb\u00e9m nas lutas que vir\u00e3o logo ap\u00f3s, quando ser\u00e3o descarregados em nossos ombros mais Reformas, como a da Previd\u00eancia e a Reforma Trabalhista.<\/p>\n<h3>O Voto dos trabalhadores deve expressar um car\u00e1ter de Luta e Socialista!<\/h3>\n<p>Mesmo com a divis\u00e3o da esquerda nas elei\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso travar a disputa de projeto com a burguesia e seus candidatos, e no momento eleitoral, por mais que n\u00e3o gostemos, essa disputa ter\u00e1 como parte concreta a disputa do voto em alguma das candidaturas de esquerda.<\/p>\n<p> Embora tenhamos diverg\u00eancias de fundo com a concep\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o e o programa do PSTU, ao nosso ver \u00e9 a candidatura que melhor representa uma posi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores contra os patr\u00f5es nessas elei\u00e7\u00f5es. Por isso, o Espa\u00e7o Socialista chama o voto cr\u00edtico nos candidatos do PSTU.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, julgamos importante um debate a fundo dos limites existentes nas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, organizativas e na rela\u00e7\u00e3o que o PSTU estabelece com o movimento e suas entidades, e faremos esse debate nas p ginas deste jornal e em outros materiais.<\/p>\n<p>Ao nosso entender, o chamado ao voto nulo neste momento em que h\u00e1 candidaturas socialistas dos trabalhadores s\u00f3 serviria para confundir e nos levaria ao isolamento, dificultando o di\u00e1logo com os trabalhadores e deixando o terreno totalmente livre para os v\u00e1rios candidatos representantes da burguesia atuarem. Nessas elei\u00e7\u00f5es, o voto nulo n\u00e3o aparece dotado de nenhum conte\u00fado de esquerda e muito menos classista, pois h\u00e1 diversos setores sociais e com interesses inclusive opostos que votam nulo. Al\u00e9m disso, com a polariza\u00e7\u00e3o colocada nessas elei\u00e7\u00f5es, o voto nulo tende a ter seu conte\u00fado ainda mais esvaziado.<\/p>\n<h3>Por que n\u00e3o o PSOL ou o PCB?<\/h3>\n<p>O PSOL tem problemas estruturais em seu programa e concep\u00e7\u00e3o que o colocam em um rumo perigoso, no mesmo caminho do PT, pois al\u00e9m de ter rebaixado seu programa para se tornar mais palat\u00e1vel, nas elei\u00e7\u00f5es passadas o PSOL aceitou doa\u00e7\u00e3o da Gerdau &#8211; uma grande empresa do ramo sider\u00fargico -, o que expressa um limite fundamental que \u00e9 a perda da independ\u00eancia de classe. Nessas elei\u00e7\u00f5es, por exemplo, ao inv\u00e9s de defender o n\u00e3o pagamento da D\u00edvida P\u00fablica &#8211; bandeira hist\u00f3rica da esquerda  -, o PSOL defende apenas uma auditoria da D\u00edvida, permitindo a conclus\u00e3o de que parte dela deva ser paga.<\/p>\n<p>O PCB n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o fez qualquer esfor\u00e7o pela unidade, recusando-se at\u00e9 mesmo a participar do CONCLAT &#8211; que visava construir uma Central de Luta para a classe trabalhadora para fazer frente \u00e0 CUT e \u00e0 For\u00e7a Sindical -, como tamb\u00e9m apresenta mais limita\u00e7\u00f5es em seu programa comparando-se ao PSTU.<\/p>\n<h2>Nossa concep\u00e7\u00e3o de centralismo democr\u00e1tico: as posi\u00e7\u00f5es das minorias<\/h2>\n<p>A nossa concep\u00e7\u00e3o de centralismo democr\u00e1tico sup\u00f5e que o regime interno da organiza\u00e7\u00e3o seja o mais democr\u00e1tico tanto na discuss\u00e3o quanto na pr\u00f3pria continuidade dela uma vez que \u00e9 o pr\u00f3prio desenvolvimento da luta de classes que vai apontar os acertos e erros da pol\u00edtica votada.  Tamb\u00e9m h\u00e1 o fato de que entendemos que os debates internos n\u00e3o pertencem s\u00f3 \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, mas ao movimento de conjunto pois refletem as pol\u00eamicas e debates que existem entre os militantes e ativistas.<\/p>\n<p>A nossa op\u00e7\u00e3o de voto cr\u00edtico nos candidatos do PSTU, a qual foi votada por maioria ap\u00f3s debate com toda a organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 a que vamos defender no movimento como posi\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e as demais -minorit\u00e1rias- tem o objetivo de garantir aos companheiros e companheiras que as defenderam o direito de as apresentarem ao movimento possibilitando que o balan\u00e7o da pol\u00edtica votada tenha mais elementos para serem apreciados.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m partilhamos da posi\u00e7\u00e3o de que a publica\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es minorit rias em nosso jornal \u00e9 uma forma de resgatar as tradi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas do movimento socialista, tais como eram praticadas, por exemplo, pelo partido bolchevique, que, antes do advento do stalinismo, expunha publicamente as diverg\u00eancias como forma de garantir sua express\u00e3o e contribuir para enriquecer o debate entre os trabalhadores.<\/p>\n<h3>Nosso voto \u00e9 pela luta<\/h3>\n<p>Daniel Menezes<\/p>\n<p> Os partidos oper\u00e1rios habilitados a lan\u00e7ar candidatos e as organiza\u00e7\u00f5es socialistas revolucion\u00e1rias partem de um pressuposto equivocado quando consideram que as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o o momento mais apropriado para discutir pol\u00edtica com os trabalhadores (em geral se justificam com cita\u00e7\u00f5es do &#8220;Esquerdismo&#8230;&#8221; de L\u00eanin, reproduzindo o mais puro m\u00e9todo da escol\u00e1stica medieval), pois, por mais radical que seja o seu discurso (e h\u00e1 programas eleitorais que s\u00e3o bel\u00edssimas pe\u00e7as liter\u00e1rias de radicalismo socialista), caem exatamente na armadilha da burguesia, que consiste em limitar a pol\u00edtica ao ato de votar.<\/p>\n<p> Se os revolucion\u00e1rios n\u00e3o conseguem disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores para a necessidade de uma ruptura revolucion\u00e1ria com o capitalismo, n\u00e3o ser\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es que v\u00e3o conseguir. \u00c9 como acreditar que se vai conseguir, na \u00faltima rodada do campeonato, tirar uma diferen\u00e7a de vinte gols de saldo em favor da burguesia, no campo do advers\u00e1rio, com suas regras e o juiz pago por ele. Aceitando a falsa disputa desse jogo perdido, tentam encobrir a aus\u00eancia da verdadeira disputa de consci\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 feita durante todo o restante do tempo.<\/p>\n<p> Os revolucion\u00e1rios precisam parar de fazer pol\u00edtica pensando no pr\u00f3prio umbigo, ou seja, parar de disputar a consci\u00eancia dos militantes e ativistas que gravitam em torno das outras organiza\u00e7\u00f5es, no interior do estreito universo da vanguarda, e come\u00e7ar a disputar a consci\u00eancia da maioria da classe, que ali\u00e1s vai votar \u00e9 no PT. A obsess o in\u00fatil por uma t\u00e1tica eleitoral &#8220;mais correta&#8221;, por uma op\u00e7\u00e3o de voto que permita fazer uma campanha de perfil &#8220;mais revolucion\u00e1rio&#8221; sobre uma diminuta vanguarda, acaba por desviar o foco da verdadeira tarefa fundamental, que \u00e9 a de organizar o conjunto da classe trabalhadora como for\u00e7a social portadora de um projeto socialista oposto ao da burguesia.<\/p>\n<p> Se h\u00e1 trabalhadores dispostos a votar nulo, \u00e9 um desperd\u00edcio de esfor\u00e7o tentar convenc\u00ea-los a votar em algum partido oper\u00e1rio, e vice-versa, pois estes de alguma forma j\u00e1 percorreram metade do caminho.  A partir de qualquer uma das duas posi\u00e7\u00f5es (ou mesmo de ambas, basta um m\u00ednimo de criatividade e coragem), \u00e9 poss\u00edvel dialogar com esses trabalhadores e, mais importante, com o conjunto da classe, para mostrar que, para al\u00e9m do voto, o que transforma a realidade \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o, a consci\u00eancia e a luta. Por isso, n\u00e3o assino o texto da maioria, que busca uma precis\u00e3o sup\u00e9rflua, artificial, d\u00e9bil e divisionista, mas tamb\u00e9m assino o texto dos companheiros que defendem o voto nos partidos oper rios e o dos companheiros que defendem o voto nulo, pois concordo com os argumentos de ambos.<\/p>\n<h3>Em defesa do voto nulo<\/h3>\n<p>Karem, Tarc\u00edsio, M\u00e1rcio, Tuca<\/p>\n<p> A democracia burguesa j\u00e1 est\u00e1 em vigor no Brasil h\u00e1 mais de vinte anos. De dois em dois anos, acontecem elei\u00e7\u00f5es, seja para os cargos municipais, seja para os cargos estaduais e federais, nas quais todos os brasileiros de determinada idade s\u00e3o obrigados a votar. Os partidos possuem tempo de exposi\u00e7\u00e3o gratuito nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e contam com fortunas para fazer campanha.<\/p>\n<p> Gera\u00e7\u00f5es de brasileiros foram educadas a ver nas elei\u00e7\u00f5es a principal ou \u00fanica forma de melhorar sua vida, votando e fazendo campanha pelos melhores candidatos. Parcelas mais conscientes e mobilizadas da classe trabalhadora chegaram a acreditar que o PT seria capaz de fazer transforma\u00e7\u00f5es profundas na estrutura da sociedade, mesmo que n\u00e3o tivessem consci\u00eancia precisa do que seriam essas transforma\u00e7\u00f5es e de que melhorias verdadeiras s\u00f3 podem vir atrav\u00e9s de uma ruptura revolucion\u00e1ria em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo. Mesmo assim, votavam no PT, e acreditavam, e esperavam&#8230;<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria do PT acabou servindo para ensinar aos trabalhadores que os partidos e tamb\u00e9m os sindicatos servem de trampolim para disputar elei\u00e7\u00f5es, conseguir cargos, arranjar uma &#8220;boquinha&#8221;. Que o m\u00e1ximo que se pode conseguir \u00e9 uma bolsa-esmola para os pobres aqui, um aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo ali, e admite-se at\u00e9 mesmo que o PT tamb\u00e9m pode roubar desde que &#8220;fa\u00e7a&#8221;; e est\u00e1 pronto o discurso: nunca antes na hist\u00f3ria deste pa\u00eds a classe trabalhadora esteve t\u00e3o bem!<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o hoje vota no menos pior porque deixou de acreditar na pol\u00edtica, mas podemos construir um novo estado com o avan\u00e7o da consci\u00eancia dos trabalhadores. Se mais de 50% dos votos forem nulos, deixariam de serem eleitos os candidatos atuais e uma nova elei\u00e7\u00e3o precisaria ser chamada. Isso implicaria que os grandes partidos teriam que desmontar seu esquema eleitoral indicar novos candidatos as pressas sem um programa suplementar.<\/p>\n<p> O dever dos revolucion\u00e1rios \u00e9 construir outra narrativa, que desfa\u00e7a essas d\u00e9cadas de confus\u00e3o ideol\u00f3gica e ensine aos trabalhadores que s\u00f3 a luta muda a vida. N\u00e3o se trata de decretar no dia 3 de outubro de 2010 a greve geral insurrecional para derrubar o governo Lula, mas da constru\u00e7\u00e3o de um movimento pol\u00edtico da classe, totalmente independente em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, que realize uma disputa ideol\u00f3gica profunda pelo socialismo.<\/p>\n<p> Os partidos oper\u00e1rios viraram as costas para a tarefa de construir esse movimento, pois nem sequer a unifica\u00e7\u00e3o em uma central sindical ou numa frente eleitoral conseguiram realizar, priorizando a sua autoconstru\u00e7\u00e3o em detrimento da auto-organiza\u00e7\u00e3o e eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia da classe. Tais partidos se negam a romper com o eleitoralismo e construir outra forma de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, em que a classe se ponha como sujeito hist\u00f3rico. Recusam-se tamb\u00e9m a enxergar os cerca de      20 a  30 % de eleitores que a cada elei\u00e7\u00e3o votam branco, nulo ou se abst\u00e9m pelos mais diversos motivos, inclusive por n\u00e3o acreditar mais no sistema, deixando de incorpor\u00e1-los \u00e0 luta.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es na democracia burguesa \u00e9 uma farsa! Hoje os sal\u00e1rios dos pol\u00edticos s\u00e3o alt\u00edssimos e o gasto com a m\u00e1quina (fala burguesa) \u00e9 mais alto que o investimento em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Temos o dever de dizer a verdade aos trabalhadores: S\u00f3 a luta muda a vida! E nas elei\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas o voto classista e socialista s\u00f3 pode ser o voto nulo.<\/p>\n<h3>Por um voto classista<\/h3>\n<p>Thais Menezes<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 2010 se realizar\u00e3o num cen\u00e1rio de quase completo controle pol\u00edtico da burguesia. Todo o debate est\u00e1 sendo feito em torno das principais candidaturas burguesas: Serra e Dilma. O PSDB vai usar a grande imprensa, jornais, revistas e TVs. O PT vai usar os sindicatos e outros movimentos sociais, ONGs, etc. Os partidos burgueses v\u00e3o usar todos os instrumentos \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para dar a essa disputa os contornos de um confronto \u00e9pico, como se diferen\u00e7as fundamentais estivessem em jogo, apresentando inclusive uma terceira alternativa, atrav\u00e9s de Marina, como forma de contemplar aqueles que est\u00e3o descontentes com o PT e o PSDB.<\/p>\n<p>Todas as formas de descontentamento social, como greves e mobiliza\u00e7\u00f5es, foram duramente atacadas, nenhum outro tipo de debate al\u00e9m do relativo s candidaturas principais para a burguesia. O fundamental para a classe dominante \u00e9 que n\u00e3o se apresente nenhum outro projeto alternativo.<\/p>\n<p> \u00c9 nesse momento que se faz necess\u00e1rio mais do que nunca construir um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores, que apresente uma alternativa classista e socialista para disputar a consci\u00eancia da classe, em torno de um projeto de ruptura com o capitalismo e pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo, que passa, al\u00e9m de outras coisas, pela unidade de a\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es e partidos oper\u00e1rios. As principais correntes, que s\u00e3o os partidos oper\u00e1rios, s\u00e3o os principais respons\u00e1veis por n\u00e3o termos a unidade at\u00e9 agora, tanto no CONCLAT quanto numa frente eleitoral.<\/p>\n<p> Apesar de todos os graves v\u00edcios de m\u00e9todo e das s\u00e9rias debilidades program\u00e1ticas destes partidos oper\u00e1rios, entendemos que n\u00e3o se pode deixar o terreno das elei\u00e7\u00f5es inteiramente livre para a burguesia. Durante este momento em que o trabalhador se arrisca a discutir um pouco sobre pol\u00edtica, a den\u00fancia da fal\u00e1cia que \u00e9 a democracia burguesa, o papel de propaganda, toda a luta ideol\u00f3gica contra o modelo burgu\u00eas de sociedade e em favor da constru\u00e7\u00e3o de um projeto prioritariamente classista aos olhos do trabalhador, se v\u00ea extremamente prejudicado pela aus\u00eancia de uma frente eleitoral. Por esta falta, a defesa de um voto nos candidatos dos partidos oper\u00e1rios cumpriria muito mais o papel de um voto claramente classista e unit\u00e1rio, que mostrasse ao trabalhador o fundamental da quest\u00e3o, a luta de classes. Para despertar a consci\u00eancia de classe no trabalhador, n\u00e3o facilita fazer distin\u00e7\u00f5es entre os pr\u00f3prios partidos oper\u00e1rios, PSOL, PSTU e PCB. Al\u00e9m do mais, as virtudes que um possa ter em determinado terreno n\u00e3o compensam os v\u00edcios que o outro possa manifestar em outros campos, de modo que seu conte\u00fado pol\u00edtico se equivale e n\u00e3o constr\u00f3i uma refer\u00eancia classista clara.<\/p>\n<p> Para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, permanece em aberto a tarefa de construir um movimento pol\u00edtico unit\u00e1rio, enraizado na base, atrav\u00e9s de um programa de luta que realize a disputa de consci\u00eancia e apresente o<br \/>\nsocialismo como alternativa de emancipa\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h2>Intervir nas elei\u00e7\u00f5es para desenvolver a luta e a consci\u00eancia Socialista!!<\/h2>\n<p>Mesmo com todos os problemas da democracia burguesa existentes no Brasil, mesmo com o descr\u00e9dito, fruto da corrup\u00e7\u00e3o, das mentiras, das trai\u00e7\u00f5es feitas ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, os trabalhadores ir\u00e3o comparecer \u00e0s urnas. N\u00e3o o far\u00e3o por confian\u00e7a nos pol\u00edticos e sim porque neste momento n\u00e3o v\u00eaem outra alternativa de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social em condi\u00e7\u00f5es de substituir o regime existente.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto, n\u00e3o apenas da aliena\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e ideol\u00f3gica a que os trabalhadores est\u00e3o submetidos, mas tamb\u00e9m resultado de uma profunda crise de alternativa socialista e at\u00e9 mesmo crise da consci\u00eancia de classe, pois as bandeiras de transforma\u00e7\u00e3o social foram jogadas no ch\u00e3o e pisadas pelas organiza\u00e7\u00f5es que se adaptaram e se incorporam ao regime pol\u00edtico e \u00e0 l\u00f3gica capitalista, como o PT, o PC do B, a CUT, a UNE.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a realidade vai demonstrando cada vez mais que essa democracia \u00e9 extremamente limitada e que na maior parte dos casos serve aos patr\u00f5es, contra os trabalhadores, que visa manter a domina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o, apesar de sua apar\u00eancia e discurso de liberdade. A democracia burguesa continua sendo uma ditadura do capital e vai assumindo uma postura cada vez mais autorit\u00e1ria para com os movimentos sociais e os ativistas.<\/p>\n<p>Assim,  \u00e9 tarefa importante para as organiza\u00e7\u00f5es socialistas e revolucion\u00e1rias intervir no debate eleitoral, mas com uma finalidade totalmente diferente da pol\u00edtica burguesa. Trata-se justamente de aproveitar esse momento para realizar uma cr\u00edtica radical dos v\u00e1rios mecanismos de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o presentes nessa pseudodemocracia do capitalismo, e defender que a \u00fanica possibilidade de resolu\u00e7\u00e3o dos problemas que atingem os trabalhadores e a sociedade \u00e9 o desenvolvimento das lutas diretas (greves, ocupa\u00e7\u00f5es, etc) em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ruptura com a l\u00f3gica do capital e sua ordem de domina\u00e7\u00e3o, no sentido da constru\u00e7\u00e3o de uma outra l\u00f3gica, a servi\u00e7o dos trabalhadores, da preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, etc.<\/p>\n<h3>Defendemos um regime pol\u00edtico dos trabalhadores!<\/h3>\n<p>Defendemos um outro regime pol\u00edtico e econ\u00f4mico, uma democracia dos trabalhadores, em que os mandatos sejam revog\u00e1veis a qualquer momento caso os eleitos votem medidas que contrariem as promessas feitas ou os interesses dos trabalhadores. Nenhum ocupante de cargo p\u00fablico deve receber mais do que o sal\u00e1rio m\u00e9dio de um trabalhador especializado.  Al\u00e9m disso, n\u00e3o devem receber nenhuma gratifica\u00e7\u00e3o al\u00e9m da ajuda de custo necess\u00e1ria para se deslocar e se alimentar. Defendemos a proibi\u00e7\u00e3o da reelei\u00e7\u00e3o para os cargos executivos, e a limita\u00e7\u00e3o a uma reelei\u00e7\u00e3o para os cargos legislativos. As doa\u00e7\u00f5es de empresas nas campanhas ou de empres\u00e1rios individuais devem ser proibidas, implantando-se o financiamento p\u00fablico de campanha com o mesmo valor e o mesmo tempo dos recursos de m\u00eddia para os candidatos. Os corruptos e corruptores devem ser presos e seus bens confiscados pelo estado, n\u00e3o podendo mais se candidatar.<\/p>\n<p>Enfim, defendemos uma democracia dos trabalhadores em que esse sistema pol\u00edtico seja sustentado e expresse o controle dos trabalhadores sobre todas as atividades econ\u00f4micas e sociais como as f\u00e1bricas, bancos e escolas, de modo a propiciar a produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da riqueza social de acordo com as necessidades dos trabalhadores e em sintonia com o meio-ambiente.<\/p>\n<h3>Sem romper com a l\u00f3gica do lucro n\u00e3o haver\u00e1 futuro para os trabalhadores, os jovens e o ambiente!<\/h3>\n<p>Durante e ap\u00f3s o primeiro pico da crise mundial que atingiu o Brasil &#8211; final de 2008 e in\u00edcio de 2009 -, os patr\u00f5es se aproveitaram para aumentar violentamente a taxa de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, com demiss\u00f5es e a imposi\u00e7\u00e3o de maior carga de trabalho sobre os que permaneciam  empregados. Ao mesmo tempo, o governo Lula e os governos estaduais reduziam os impostos de setores estrat\u00e9gicos e davam r\u00e9dea solta ao cr\u00e9dito, e o estado assegurou a estabilidade do setor financeiro, mantendo religiosamente o pagamento dos juros da D\u00edvida P\u00fablica Externa e Interna.<\/p>\n<p>Essa D\u00edvida est\u00e1 hoje em R$ 1,61 trilh\u00e3o, comprometendo cerca de 35%  de todo o or\u00e7amento da Uni\u00e3o. S\u00f3 em 2009, o governo federal, estados e munic\u00edpios gastaram cerca de R$ 360 bilh\u00f5es no pagamento dos juros de suas D\u00edvidas, dinheiro extra\u00eddo dos trabalhadores e enviado para a burguesia.<\/p>\n<p>Junto a isso, houve a libera\u00e7\u00e3o quase total ao agroneg\u00f3cio para queimar, desmatar e ocupar \u00e1reas de reserva ambiental, sem falar nos preju\u00edzos causados pelas monoculturas de soja e cana ao solo e aos ecossistemas.<\/p>\n<p>O aumento brutal da explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores e o meio-ambiente, combinado com todos os mecanismos de incentivo ao consumo por parte do estado &#8211; principalmente o cr\u00e9dito &#8211; p\u00f4de conter a recess\u00e3o e fazer com que a economia voltasse a crescer.<\/p>\n<p>Mas embora os trabalhadores demitidos durante o primeiro impacto da crise tenham sido recontratados, isso ocorreu de forma precarizada e com sal\u00e1rios menores.<\/p>\n<p>\u00c9 isso tudo que est\u00e1 por tr\u00e1s do crescimento econ\u00f4mico capitalista. S\u00f3 os empres\u00e1rios ganham realmente. O aumento gigantesco do cr\u00e9dito encobriu a queda do poder de compra real dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as medidas tomadas pelos governos e pela burguesia preparam a eclos\u00e3o de uma crise muito pior em um prazo n\u00e3o muito distante. Isso \u00e9 o que acontecer\u00e1 quando a capacidade de endividamento dos trabalhadores brasileiros e das fam\u00edlias da classe m\u00e9dia &#8211; que est\u00e1 bem distante do padr\u00e3o estadunidense ou europeu &#8211; chegar ao limite como ocorreu naqueles pa\u00edses.<\/p>\n<p>Nenhuma das tr\u00eas candidaturas chamadas &#8220;vi\u00e1veis&#8221; querem e podem dizer essas verdades aos trabalhadores, pois todas t\u00eam o acordo maior em manter o pa\u00eds submetido \u00e0 l\u00f3gica do capital, para a manuten\u00e7\u00e3o de seus privil\u00e9gios e da burguesia que representam.<\/p>\n<h3>Uma disputa para ver quem vai administrar o mesmo projeto a servi\u00e7o do capital<\/h3>\n<p>O bloco PSDB\/DEM representa os interesses diretos dos bancos e do agroneg\u00f3cio. Em princ\u00edpio, seria o melhor dos mundos para a burguesia, pois \u00e9 um projeto de enfrentamento direto \u00e0 classe trabalhadora, com uma pol\u00edtica de estado voltada totalmente para os cortes na m\u00e1quina de estado (leia-se servi\u00e7os p\u00fablicos), altas taxas de juros e direcionamento da maior parte poss\u00edvel do dinheiro p\u00fablico para obras e programas de interesse do capital. O problema \u00e9 que muitas vezes uma pol\u00edtica de enfrentamentos diretos com os trabalhadores pode levar ao estouro de um ascenso, como ocorreu no in\u00edcio dessa d\u00e9cada em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, e isso a burguesia e o imperialismo n\u00e3o querem.<\/p>\n<p>J\u00e1 o PT, tamb\u00e9m visa atender ao grande capital de forma geral, arbitrando as v\u00e1rias fra\u00e7\u00f5es da burguesia e tentando contemplar o funcionamento do sistema como um todo, mas de modo a preservar uma parte dos ganhos para a burocracia de estado, sindical e pol\u00edtica. Da\u00ed seu interesse em um certo peso do estado na economia, e das negociatas com as dire\u00e7\u00f5es sindicais corrompidas para a aplica\u00e7\u00e3o de medidas contra os trabalhadores com a mesma ou maior efic\u00e1cia do que o bloco PSDB\/DEM.<\/p>\n<p>A candidatura de Marina Silva tenta se apegar ao mote da preserva\u00e7\u00e3o ambiental. No entanto, seu discurso cai no vazio pois participou em quase todo o governo Lula, onde houve a libera\u00e7\u00e3o dos transg\u00eanicos, o aumento vertiginoso da destrui\u00e7\u00e3o das florestas para a planta\u00e7\u00e3o de soja, cana e para a cria\u00e7\u00e3o de gado.<\/p>\n<p>Seu programa mant\u00e9m o respeito pela l\u00f3gica do capital e pela economia de mercado, o que elimina qualquer possibilidade de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, j\u00e1 que o capital, em sua l\u00f3gica de em tudo lucrar o m\u00e1ximo poss\u00edvel, exige a ocupa\u00e7\u00e3o de todos os espa\u00e7os e a explora\u00e7\u00e3o de tudo da forma mais insana e imediatista para suas finalidades.<\/p>\n<p>Tanto Serra, como Dilma e tamb\u00e9m Marina representam o aprofundamento da explora\u00e7\u00e3o sobre os  trabalhadores e a entrega de todas as riquezas naturais como meio de valoriza\u00e7\u00e3o do capital. Todos eles, mesmo que com varia\u00e7\u00f5es, manter\u00e3o o mesmo rumo geral, sendo que as diferen\u00e7as girar\u00e3o em torno da forma, dos ritmos e principalmente de qual setor vai usufruir da m\u00e1quina de estado.<\/p>\n<h3>A divis\u00e3o da esquerda&#8230; Por qu\u00ea?<\/h3>\n<p>O fato de a esquerda socialista atuar no processo eleitoral dividida em tr\u00eas candidaturas (PSOL, PSTU e PCB) \u00e9 realmente muito complicado. Isso dificulta ainda mais que os trabalhadores enxerguem uma alternativa \u00e0 falsa polariza\u00e7\u00e3o colocada nestas elei\u00e7\u00f5es entre Serra, Dilma e Marina.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a culpa \u00e9 sem d\u00favida desses mesmos partidos, que colocaram mais uma vez os interesses de sua constru\u00e7\u00e3o acima dos interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O PSOL insistiu at\u00e9 o \u00faltimo momento em uma frente com o PV, um partido que, a exemplo do PSB, \u00e9 base de sustenta\u00e7\u00e3o do governo Lula em Bras\u00edlia, e em S\u00e3o Paulo \u00e9 base de sustenta\u00e7\u00e3o do PSDB&#8230; Quando essa alian\u00e7a com o PV se tornou imposs\u00edvel, por iniciativa do pr\u00f3prio PV, a\u00ed o PSOL veio propor tardiamente a constitui\u00e7\u00e3o de uma Frente de Esquerda.<\/p>\n<p>O PCB declarou desde o in\u00edcio que teria candidatura pr\u00f3pria, culpando o PSOL pelo rebaixamento do programa nas elei\u00e7\u00f5es de 2006 e pela dispers\u00e3o da Frente de Esquerda de l\u00e1 at\u00e9 aqui. Por\u00e9m, n\u00e3o pensou em propor a Frente nem ao PSTU, nem \u00e0s demais organiza\u00e7\u00f5es da esquerda.<\/p>\n<p>O PSTU por sua vez, se aproveitou da pol\u00edtica do PSOL de se aproximar do PV e da antecipa\u00e7\u00e3o da candidatura pr\u00f3pria do PCB para lan\u00e7ar tamb\u00e9m seu &#8220;pr\u00e9-candidato&#8221;, Z\u00e9 Maria. Por \u00faltimo, no CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora) realizado em junho deste ano, o PSTU orientou sua milit ncia a votar contra a forma\u00e7\u00e3o da Frente de Esquerda, sepultando de vez a possibilidade de candidaturas unit\u00e1rias dos trabalhadores nessas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, o Espa\u00e7o Socialista alertou para esses problemas.  Propusemos a constru\u00e7\u00e3o de um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores em que tanto o programa como as candidaturas pudessem ser debatidos e definidos a partir de uma ampla participa\u00e7\u00e3o de base, e n\u00e3o pelas c\u00fapulas dos partidos. Essa unidade pela base e a defini\u00e7\u00e3o de um programa m\u00ednimo seriam fundamentais n\u00e3o apenas nas elei\u00e7\u00f5es mas tamb\u00e9m nas lutas que vir\u00e3o logo ap\u00f3s, quando ser\u00e3o descarregados em nossos ombros mais Reformas, como a da Previd\u00eancia e a Reforma Trabalhista.<\/p>\n<h3>O Voto dos trabalhadores deve expressar um car\u00e1ter de Luta e Socialista!<\/h3>\n<p>Mesmo com a divis\u00e3o da esquerda nas elei\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso travar a disputa de projeto com a burguesia e seus candidatos, e no momento eleitoral, por mais que n\u00e3o gostemos, essa disputa ter\u00e1 como parte concreta a disputa do voto em alguma das candidaturas de esquerda.<\/p>\n<p> Embora tenhamos diverg\u00eancias de fundo com a concep\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o e o programa do PSTU, ao nosso ver \u00e9 a candidatura que melhor representa uma posi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores contra os patr\u00f5es nessas elei\u00e7\u00f5es. Por isso, o Espa\u00e7o Socialista chama o voto cr\u00edtico nos candidatos do PSTU.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, julgamos importante um debate a fundo dos limites existentes nas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, organizativas e na rela\u00e7\u00e3o que o PSTU estabelece com o movimento e suas entidades, e faremos esse debate nas p ginas deste jornal e em outros materiais.<\/p>\n<p>Ao nosso entender, o chamado ao voto nulo neste momento em que h\u00e1 candidaturas socialistas dos trabalhadores s\u00f3 serviria para confundir e nos levaria ao isolamento, dificultando o di\u00e1logo com os trabalhadores e deixando o terreno totalmente livre para os v\u00e1rios candidatos representantes da burguesia atuarem. Nessas elei\u00e7\u00f5es, o voto nulo n\u00e3o aparece dotado de nenhum conte\u00fado de esquerda e muito menos classista, pois h\u00e1 diversos setores sociais e com interesses inclusive opostos que votam nulo. Al\u00e9m disso, com a polariza\u00e7\u00e3o colocada nessas elei\u00e7\u00f5es, o voto nulo tende a ter seu conte\u00fado ainda mais esvaziado.<\/p>\n<h3>Por que n\u00e3o o PSOL ou o PCB?<\/h3>\n<p>O PSOL tem problemas estruturais em seu programa e concep\u00e7\u00e3o que o colocam em um rumo perigoso, no mesmo caminho do PT, pois al\u00e9m de ter rebaixado seu programa para se tornar mais palat\u00e1vel, nas elei\u00e7\u00f5es passadas o PSOL aceitou doa\u00e7\u00e3o da Gerdau &#8211; uma grande empresa do ramo sider\u00fargico -, o que expressa um limite fundamental que \u00e9 a perda da independ\u00eancia de classe. Nessas elei\u00e7\u00f5es, por exemplo, ao inv\u00e9s de defender o n\u00e3o pagamento da D\u00edvida P\u00fablica &#8211; bandeira hist\u00f3rica da esquerda  -, o PSOL defende apenas uma auditoria da D\u00edvida, permitindo a conclus\u00e3o de que parte dela deva ser paga.<\/p>\n<p>O PCB n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o fez qualquer esfor\u00e7o pela unidade, recusando-se at\u00e9 mesmo a participar do CONCLAT &#8211; que visava construir uma Central de Luta para a classe trabalhadora para fazer frente \u00e0 CUT e \u00e0 For\u00e7a Sindical -, como tamb\u00e9m apresenta mais limita\u00e7\u00f5es em seu programa comparando-se ao PSTU.<\/p>\n<h2>Nossa concep\u00e7\u00e3o de centralismo democr\u00e1tico: as posi\u00e7\u00f5es das minorias<\/h2>\n<p>A nossa concep\u00e7\u00e3o de centralismo democr\u00e1tico sup\u00f5e que o regime interno da organiza\u00e7\u00e3o seja o mais democr\u00e1tico tanto na discuss\u00e3o quanto na pr\u00f3pria continuidade dela uma vez que \u00e9 o pr\u00f3prio desenvolvimento da luta de classes que vai apontar os acertos e erros da pol\u00edtica votada.  Tamb\u00e9m h\u00e1 o fato de que entendemos que os debates internos n\u00e3o pertencem s\u00f3 \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, mas ao movimento de conjunto pois refletem as pol\u00eamicas e debates que existem entre os militantes e ativistas.<\/p>\n<p>A nossa op\u00e7\u00e3o de voto cr\u00edtico nos candidatos do PSTU, a qual foi votada por maioria ap\u00f3s debate com toda a organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 a que vamos defender no movimento como posi\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e as demais -minorit\u00e1rias- tem o objetivo de garantir aos companheiros e companheiras que as defenderam o direito de as apresentarem ao movimento possibilitando que o balan\u00e7o da pol\u00edtica votada tenha mais elementos para serem apreciados.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m partilhamos da posi\u00e7\u00e3o de que a publica\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es minorit rias em nosso jornal \u00e9 uma forma de resgatar as tradi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas do movimento socialista, tais como eram praticadas, por exemplo, pelo partido bolchevique, que, antes do advento do stalinismo, expunha publicamente as diverg\u00eancias como forma de garantir sua express\u00e3o e contribuir para enriquecer o debate entre os trabalhadores.<\/p>\n<h3>Nosso voto \u00e9 pela luta<\/h3>\n<p>Daniel Menezes<\/p>\n<p> Os partidos oper\u00e1rios habilitados a lan\u00e7ar candidatos e as organiza\u00e7\u00f5es socialistas revolucion\u00e1rias partem de um pressuposto equivocado quando consideram que as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o o momento mais apropriado para discutir pol\u00edtica com os trabalhadores (em geral se justificam com cita\u00e7\u00f5es do &#8220;Esquerdismo&#8230;&#8221; de L\u00eanin, reproduzindo o mais puro m\u00e9todo da escol\u00e1stica medieval), pois, por mais radical que seja o seu discurso (e h\u00e1 programas eleitorais que s\u00e3o bel\u00edssimas pe\u00e7as liter\u00e1rias de radicalismo socialista), caem exatamente na armadilha da burguesia, que consiste em limitar a pol\u00edtica ao ato de votar.<\/p>\n<p> Se os revolucion\u00e1rios n\u00e3o conseguem disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores para a necessidade de uma ruptura revolucion\u00e1ria com o capitalismo, n\u00e3o ser\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es que v\u00e3o conseguir. \u00c9 como acreditar que se vai conseguir, na \u00faltima rodada do campeonato, tirar uma diferen\u00e7a de vinte gols de saldo em favor da burguesia, no campo do advers\u00e1rio, com suas regras e o juiz pago por ele. Aceitando a falsa disputa desse jogo perdido, tentam encobrir a aus\u00eancia da verdadeira disputa de consci\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 feita durante todo o restante do tempo.<\/p>\n<p> Os revolucion\u00e1rios precisam parar de fazer pol\u00edtica pensando no pr\u00f3prio umbigo, ou seja, parar de disputar a consci\u00eancia dos militantes e ativistas que gravitam em torno das outras organiza\u00e7\u00f5es, no interior do estreito universo da vanguarda, e come\u00e7ar a disputar a consci\u00eancia da maioria da classe, que ali\u00e1s vai votar \u00e9 no PT. A obsess o in\u00fatil por uma t\u00e1tica eleitoral &#8220;mais correta&#8221;, por uma op\u00e7\u00e3o de voto que permita fazer uma campanha de perfil &#8220;mais revolucion\u00e1rio&#8221; sobre uma diminuta vanguarda, acaba por desviar o foco da verdadeira tarefa fundamental, que \u00e9 a de organizar o conjunto da classe trabalhadora como for\u00e7a social portadora de um projeto socialista oposto ao da burguesia.<\/p>\n<p> Se h\u00e1 trabalhadores dispostos a votar nulo, \u00e9 um desperd\u00edcio de esfor\u00e7o tentar convenc\u00ea-los a votar em algum partido oper\u00e1rio, e vice-versa, pois estes de alguma forma j\u00e1 percorreram metade do caminho.  A partir de qualquer uma das duas posi\u00e7\u00f5es (ou mesmo de ambas, basta um m\u00ednimo de criatividade e coragem), \u00e9 poss\u00edvel dialogar com esses trabalhadores e, mais importante, com o conjunto da classe, para mostrar que, para al\u00e9m do voto, o que transforma a realidade \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o, a consci\u00eancia e a luta. Por isso, n\u00e3o assino o texto da maioria, que busca uma precis\u00e3o sup\u00e9rflua, artificial, d\u00e9bil e divisionista, mas tamb\u00e9m assino o texto dos companheiros que defendem o voto nos partidos oper rios e o dos companheiros que defendem o voto nulo, pois concordo com os argumentos de ambos.<\/p>\n<h3>Em defesa do voto nulo<\/h3>\n<p>Karem, Tarc\u00edsio, M\u00e1rcio, Tuca<\/p>\n<p> A democracia burguesa j\u00e1 est\u00e1 em vigor no Brasil h\u00e1 mais de vinte anos. De dois em dois anos, acontecem elei\u00e7\u00f5es, seja para os cargos municipais, seja para os cargos estaduais e federais, nas quais todos os brasileiros de determinada idade s\u00e3o obrigados a votar. Os partidos possuem tempo de exposi\u00e7\u00e3o gratuito nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e contam com fortunas para fazer campanha.<\/p>\n<p> Gera\u00e7\u00f5es de brasileiros foram educadas a ver nas elei\u00e7\u00f5es a principal ou \u00fanica forma de melhorar sua vida, votando e fazendo campanha pelos melhores candidatos. Parcelas mais conscientes e mobilizadas da classe trabalhadora chegaram a acreditar que o PT seria capaz de fazer transforma\u00e7\u00f5es profundas na estrutura da sociedade, mesmo que n\u00e3o tivessem consci\u00eancia precisa do que seriam essas transforma\u00e7\u00f5es e de que melhorias verdadeiras s\u00f3 podem vir atrav\u00e9s de uma ruptura revolucion\u00e1ria em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo. Mesmo assim, votavam no PT, e acreditavam, e esperavam&#8230;<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria do PT acabou servindo para ensinar aos trabalhadores que os partidos e tamb\u00e9m os sindicatos servem de trampolim para disputar elei\u00e7\u00f5es, conseguir cargos, arranjar uma &#8220;boquinha&#8221;. Que o m\u00e1ximo que se pode conseguir \u00e9 uma bolsa-esmola para os pobres aqui, um aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo ali, e admite-se at\u00e9 mesmo que o PT tamb\u00e9m pode roubar desde que &#8220;fa\u00e7a&#8221;; e est\u00e1 pronto o discurso: nunca antes na hist\u00f3ria deste pa\u00eds a classe trabalhadora esteve t\u00e3o bem!<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o hoje vota no menos pior porque deixou de acreditar na pol\u00edtica, mas podemos construir um novo estado com o avan\u00e7o da consci\u00eancia dos trabalhadores. Se mais de 50% dos votos forem nulos, deixariam de serem eleitos os candidatos atuais e uma nova elei\u00e7\u00e3o precisaria ser chamada. Isso implicaria que os grandes partidos teriam que desmontar seu esquema eleitoral indicar novos candidatos as pressas sem um programa suplementar.<\/p>\n<p> O dever dos revolucion\u00e1rios \u00e9 construir outra narrativa, que desfa\u00e7a essas d\u00e9cadas de confus\u00e3o ideol\u00f3gica e ensine aos trabalhadores que s\u00f3 a luta muda a vida. N\u00e3o se trata de decretar no dia 3 de outubro de 2010 a greve geral insurrecional para derrubar o governo Lula, mas da constru\u00e7\u00e3o de um movimento pol\u00edtico da classe, totalmente independente em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, que realize uma disputa ideol\u00f3gica profunda pelo socialismo.<\/p>\n<p> Os partidos oper\u00e1rios viraram as costas para a tarefa de construir esse movimento, pois nem sequer a unifica\u00e7\u00e3o em uma central sindical ou numa frente eleitoral conseguiram realizar, priorizando a sua autoconstru\u00e7\u00e3o em detrimento da auto-organiza\u00e7\u00e3o e eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia da classe. Tais partidos se negam a romper com o eleitoralismo e construir outra forma de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, em que a classe se ponha como sujeito hist\u00f3rico. Recusam-se tamb\u00e9m a enxergar os cerca de      20 a  30 % de eleitores que a cada elei\u00e7\u00e3o votam branco, nulo ou se abst\u00e9m pelos mais diversos motivos, inclusive por n\u00e3o acreditar mais no sistema, deixando de incorpor\u00e1-los \u00e0 luta.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es na democracia burguesa \u00e9 uma farsa! Hoje os sal\u00e1rios dos pol\u00edticos s\u00e3o alt\u00edssimos e o gasto com a m\u00e1quina (fala burguesa) \u00e9 mais alto que o investimento em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Temos o dever de dizer a verdade aos trabalhadores: S\u00f3 a luta muda a vida! E nas elei\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas o voto classista e socialista s\u00f3 pode ser o voto nulo.<\/p>\n<h3>Por um voto classista<\/h3>\n<p>Thais Menezes<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 2010 se realizar\u00e3o num cen\u00e1rio de quase completo controle pol\u00edtico da burguesia. Todo o debate est\u00e1 sendo feito em torno das principais candidaturas burguesas: Serra e Dilma. O PSDB vai usar a grande imprensa, jornais, revistas e TVs. O PT vai usar os sindicatos e outros movimentos sociais, ONGs, etc. Os partidos burgueses v\u00e3o usar todos os instrumentos \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para dar a essa disputa os contornos de um confronto \u00e9pico, como se diferen\u00e7as fundamentais estivessem em jogo, apresentando inclusive uma terceira alternativa, atrav\u00e9s de Marina, como forma de contemplar aqueles que est\u00e3o descontentes com o PT e o PSDB.<\/p>\n<p>Todas as formas de descontentamento social, como greves e mobiliza\u00e7\u00f5es, foram duramente atacadas, nenhum outro tipo de debate al\u00e9m do relativo s candidaturas principais para a burguesia. O fundamental para a classe dominante \u00e9 que n\u00e3o se apresente nenhum outro projeto alternativo.<\/p>\n<p> \u00c9 nesse momento que se faz necess\u00e1rio mais do que nunca construir um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores, que apresente uma alternativa classista e socialista para disputar a consci\u00eancia da classe, em torno de um projeto de ruptura com o capitalismo e pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo, que passa, al\u00e9m de outras coisas, pela unidade de a\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es e partidos oper\u00e1rios. As principais correntes, que s\u00e3o os partidos oper\u00e1rios, s\u00e3o os principais respons\u00e1veis por n\u00e3o termos a unidade at\u00e9 agora, tanto no CONCLAT quanto numa frente eleitoral.<\/p>\n<p> Apesar de todos os graves v\u00edcios de m\u00e9todo e das s\u00e9rias debilidades program\u00e1ticas destes partidos oper\u00e1rios, entendemos que n\u00e3o se pode deixar o terreno das elei\u00e7\u00f5es inteiramente livre para a burguesia. Durante este momento em que o trabalhador se arrisca a discutir um pouco sobre pol\u00edtica, a den\u00fancia da fal\u00e1cia que \u00e9 a democracia burguesa, o papel de propaganda, toda a luta ideol\u00f3gica contra o modelo burgu\u00eas de sociedade e em favor da constru\u00e7\u00e3o de um projeto prioritariamente classista aos olhos do trabalhador, se v\u00ea extremamente prejudicado pela aus\u00eancia de uma frente eleitoral. Por esta falta, a defesa de um voto nos candidatos dos partidos oper\u00e1rios cumpriria muito mais o papel de um voto claramente classista e unit\u00e1rio, que mostrasse ao trabalhador o fundamental da quest\u00e3o, a luta de classes. Para despertar a consci\u00eancia de classe no trabalhador, n\u00e3o facilita fazer distin\u00e7\u00f5es entre os pr\u00f3prios partidos oper\u00e1rios, PSOL, PSTU e PCB. Al\u00e9m do mais, as virtudes que um possa ter em determinado terreno n\u00e3o compensam os v\u00edcios que o outro possa manifestar em outros campos, de modo que seu conte\u00fado pol\u00edtico se equivale e n\u00e3o constr\u00f3i uma refer\u00eancia classista clara.<\/p>\n<p> Para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, permanece em aberto a tarefa de construir um movimento pol\u00edtico unit\u00e1rio, enraizado na base, atrav\u00e9s de um programa de luta que realize a disputa de consci\u00eancia e apresente o<br \/>\nsocialismo como alternativa de emancipa\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=253"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":798,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253\/revisions\/798"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}