{"id":2535,"date":"2013-10-16T11:30:38","date_gmt":"2013-10-16T14:30:38","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2535"},"modified":"2018-04-20T11:22:25","modified_gmt":"2018-04-20T14:22:25","slug":"capitalismo-educacao-e-transformacao-social-limites-e-possibilidades-agosto2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/10\/capitalismo-educacao-e-transformacao-social-limites-e-possibilidades-agosto2012\/","title":{"rendered":"Capitalismo, educa\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social: limites e possibilidades &#8211; Agosto\/2012"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Este artigo foi publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 52 do Jornal do Espa\u00e7o Socialista \u2013 Agosto\/2012<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Bruno Monteforte<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 isolada da sociedade. A separa\u00e7\u00e3o \u00e9 estabelecida na sociedade de classes, que subordina classes produtoras\/n\u00e3o-propriet\u00e1rias \u00e0s classes dominantes\/propriet\u00e1rias e divide: para a classe dominante, preparo intelectual da gest\u00e3o social na esfera escolar; para a classe dominada, trabalho pr\u00e1tico e subordina\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Educa\u00e7\u00e3o formal generalizada vem do capitalismo com produ\u00e7\u00e3o industrial e trabalho assalariado, sob o capital, em busca de lucro. A ind\u00fastria\/tecnologia aplica ci\u00eancia \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e exige forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima a todos os trabalhadores para o trabalho industrial. Assim mant\u00e9m-se a divis\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o em: b\u00e1sica; t\u00e9cnica; elitizada para a domina\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Educa\u00e7\u00e3o formal serve duplamente ao capital, pois fornece for\u00e7a de trabalho \u00e0s empresas e ideologia segundo os valores adequados ao sistema. No s\u00e9culo XX, fase imperialista, isso se torna mais evidente. Na produ\u00e7\u00e3o, vigora o taylorismo\/fordismo: produ\u00e7\u00e3o\/consumo de massa, trabalho manual, repetitivo, parcelar, hierarquizado. Na Educa\u00e7\u00e3o h\u00e1 tend\u00eancias pedag\u00f3gicas an\u00e1logas: tradicional (autoritarismo, disciplina, mecaniza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, subordina\u00e7\u00e3o) e tecnicista, Educa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica ao mercado de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XXI, ap\u00f3s expans\u00e3o mundial, o capital chega \u00e0 crise estrutural e intensifica a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, sociedade e ambiente. Decorre a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, que substitui o taylorismo\/fordismo pela acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel\/toyotismo, combina inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas a novas formas de gest\u00e3o: produ\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 demanda, trabalho multifuncional, qualificado, intelectualizado, em equipe, flexibilizado, terceirizado, precarizado, informal, tempor\u00e1rio, intensificado gerando mis\u00e9ria e desemprego estrutural. Estados e suas pol\u00edticas neoliberais deslocam recursos para o capital. Na Educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 an\u00e1loga reestrutura\u00e7\u00e3o educativa, orienta\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os mundiais (FMI, Banco Mundial, UNESCO) aplicadas por governos\/pa\u00edses, subordinando a Educa\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201cnovas\u201d necessidades do capital. Concep\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas (aprender a aprender, compet\u00eancias) prop\u00f5em formar indiv\u00edduos adequados \u00e0 instabilidade, imprevisibilidade, precariedade: desde exercer v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es na empresa at\u00e9 viver em desemprego e mis\u00e9ria. Estimula-se a interfer\u00eancia privada na Educa\u00e7\u00e3o e a transforma de direito social em mercadoria. Ideologicamente estas tend\u00eancias expressam adapta\u00e7\u00e3o, subordina\u00e7\u00e3o, individualismo, competitividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos pa\u00edses perif\u00e9ricos o quadro \u00e9 ainda mais grave. Subordinados\/explorados por pa\u00edses centrais n\u00e3o tiveram capitalismo pleno e geram sociedades desiguais, cujos setores atrasados\/prec\u00e1rios s\u00e3o condi\u00e7\u00e3o aos avan\u00e7ados\/modernos. Mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o, direitos e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida n\u00e3o se universalizaram. Reestrutura\u00e7\u00e3o e neoliberalismo encontram condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, retiram direitos e conquistas, ampliam o lucro das empresas e mant\u00eam a precariedade. N\u00e3o h\u00e1 Educa\u00e7\u00e3o de qualidade a todos. Para a classe dominante conv\u00e9m cont\u00ea-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua universaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 quantitativa. A maior parte das escolas p\u00fablicas \u201cperif\u00e9ricas\u201d exerce a conten\u00e7\u00e3o de problemas sociais (mis\u00e9ria, viol\u00eancia, drogas) gerados pela crise e forma m\u00e3o de obra prec\u00e1ria. Algumas escolas e redes de ensino voltam-se \u00e0 forma\u00e7\u00e3o mais qualificada e de qualidade tornam-se monop\u00f3lio privado, acess\u00edveis \u00e0s elites e mant\u00eam reserva de postos de trabalho qualificados. Agrava-se assim a dualidade entre setores dominantes e classes trabalhadoras numa hierarquiza\u00e7\u00e3o e estratifica\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o, respaldadas pelo neoliberalismo, que individualiza problemas e solu\u00e7\u00f5es educacionais\/sociais, culpa professores, escolas, alunos, dirige recursos a alguns (m\u00e9rito, b\u00f4nus, projetos) sem investir em condi\u00e7\u00f5es estruturais, ignora o car\u00e1ter social destes problemas ligados \u00e0 crise. Intensifica o trabalho e a cobran\u00e7a sob os profissionais &#8211; investimento m\u00ednimo e cobran\u00e7a m\u00e1xima &#8211; desloca recursos, declara melhoras, mas mant\u00e9m a precariedade\/desigualdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Educa\u00e7\u00e3o que serve ao capital contrap\u00f5e-se ao bem-estar e a liberdade social\/humana. Ao servir o sistema e n\u00e3o ser o \u00fanico meio \u00e0 sua manuten\u00e7\u00e3o, a Educa\u00e7\u00e3o formal n\u00e3o pode apresentar, por si, perspectiva cr\u00edtica\/humanista\/emancipat\u00f3ria, sendo incapaz de reformas de interesse social, sobretudo no capital em crise. Tais perspectivas partem de indiv\u00edduos que, cientes da destrutividade do sistema, por v\u00e1rias influ\u00eancias, se rebelam, mas s\u00f3 podem as concretizar combinando Educa\u00e7\u00e3o com amplos processos de transforma\u00e7\u00e3o social. A Educa\u00e7\u00e3o deve ser tratada em sentido amplo, envolver todas as experi\u00eancias dos indiv\u00edduos, buscar contra-internaliza\u00e7\u00e3o em favor de uma sociedade livre\/autodeterminada, a servi\u00e7o de interesses sociais\/humanos. Seu papel \u00e9 crucial para buscar estrat\u00e9gias adequadas de transforma\u00e7\u00e3o social e tornar os indiv\u00edduos sujeitos autodeterminados, esse processo possibilitar\u00e1 reestabelecer a unidade Educa\u00e7\u00e3o e sociedade. O capital em crise necessita de sua supera\u00e7\u00e3o em favor do bem-estar e sobreviv\u00eancia humana. Essa concretiza\u00e7\u00e3o cabe a todos n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo foi publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 52 do Jornal do Espa\u00e7o Socialista \u2013 Agosto\/2012 &nbsp; Bruno Monteforte A<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29,69],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2535"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2535"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2535\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5853,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2535\/revisions\/5853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}