{"id":256,"date":"2010-11-07T16:59:43","date_gmt":"2010-11-07T18:59:43","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/256"},"modified":"2013-01-19T18:46:14","modified_gmt":"2013-01-19T20:46:14","slug":"mulher-de-mae-terra-a-servidao-capitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/11\/mulher-de-mae-terra-a-servidao-capitalista\/","title":{"rendered":"Mulher: De M\u00e3e Terra \u00e0 Servid\u00e3o Capitalista"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">\n\t<strong>Mulher: De M&atilde;e Terra &agrave; Servid&atilde;o Capitalista<\/strong><\/p>\n<p>\n\t<strong>Como essa hist&oacute;ria come&ccedil;ou&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\n\tO planeta Terra tem, pelo menos, quatro bilh&otilde;es de anos. H&aacute; vest&iacute;gios de mam&iacute;feros de mais ou menos oitenta milh&otilde;es de anos. H&aacute; tr&ecirc;s milh&otilde;es de anos, a esp&eacute;cie humana, nossos antepassados, se espalhavam da &Aacute;frica para as outras partes do mundo.<\/p>\n<p>\n\tNessa &eacute;poca, o centro dos grupos era a dupla m&atilde;e e crian&ccedil;a. A m&atilde;e era, ent&atilde;o, o centro, e onde a m&atilde;e estava, todos se agrupavam. N&atilde;o existia uma rela&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria que determinava o comportamento e o modo de pensar do restante do grupo. Existia a poliandria (a mulher relacionava-se com mais de um homem) e a paternidade era desconhecida. Todos eram irm&atilde;os.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA rela&ccedil;&atilde;o macho e f&ecirc;mea n&atilde;o era escravizadora de uma das partes. Na rela&ccedil;&atilde;o pais e filhos a crian&ccedil;a n&atilde;o era educada para executar tarefas importantes para os adultos, mas para se tornar criativa, autoconfiante e independente o quanto antes. N&atilde;o existia a competi&ccedil;&atilde;o, que causa lutas pelo poder para que o mais forte domine: as rela&ccedil;&otilde;es eram de coopera&ccedil;&atilde;o e de ajuda m&uacute;tua. Para a sobreviv&ecirc;ncia da nossa esp&eacute;cie, todas as f&ecirc;meas aprendiam a cuidar das crian&ccedil;as e ambos os sexos aprendiam a repartir os frutos ou a ca&ccedil;a. A mulher n&atilde;o dependia economicamente do homem e podia optar por machos cooperadores e n&atilde;o violentos que compartilhassem o alimento.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tProvavelmente, foi da necessidade de comunica&ccedil;&atilde;o entre a m&atilde;e e a crian&ccedil;a que surgiu a fala, aprendida no primeiro ano de vida; foram as mulheres, como respons&aacute;veis pela coleta e distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos, que desenvolveram a tecnologia da pedra lascada para descascar e despeda&ccedil;ar os frutos; depois inventaram a fabrica&ccedil;&atilde;o de cestos para carreg&aacute;-los. Alguns estudiosos afirmam que foram as mulheres que deduziram, pela primeira vez, as altera&ccedil;&otilde;es nos astros devido aos intervalos dos dias entre as menstrua&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAfirma-se que, durante um longo per&iacute;odo, n&atilde;o havia chefes, os grupos se governam entre si. A mulher, embora com a fun&ccedil;&atilde;o definida, que era a de perpetuar a esp&eacute;cie com a maternidade e os cuidados com a sobreviv&ecirc;ncia e alimenta&ccedil;&atilde;o dos beb&ecirc;s, n&atilde;o exercia a domina&ccedil;&atilde;o e agia de forma igualit&aacute;ria. As crian&ccedil;as eram educadas para serem independentes, cooperadoras e generosas e a rela&ccedil;&atilde;o com os pais n&atilde;o era autorit&aacute;ria nem repressiva.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tPouco antes da descoberta do fogo, devido ao frio intenso, as mulheres perceberam que da pele curtida dos animais era poss&iacute;vel fazer roupas. Com a descoberta do fogo, o homem passou a buscar uma fun&ccedil;&atilde;o definida, ou uma identidade, tamb&eacute;m para si. &Eacute; prov&aacute;vel que, nessa &eacute;poca, tenha surgido a divis&atilde;o sexual do trabalho, isto &eacute;, as mulheres cuidavam de hortas (horticultura simples) e faziam cer&acirc;micas (arte), enquanto os homens ca&ccedil;avam.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tPodemos notar que, nessas sociedades, a mulher j&aacute; passou a trabalhar mais do que o homem, ou seja, a mulher passou a ter menos tempo livre do que o homem. J&aacute; se vislumbra o surgimento da dupla jornada para a mulher, pois, al&eacute;m de se preocupar com procria&ccedil;&atilde;o e a alimenta&ccedil;&atilde;o, tinha que se preocupar tamb&eacute;m com as cer&acirc;micas. Em muitos lugares, a mulher, al&eacute;m de dominar o processo do plantio comercializava o produto de seu trabalho exercendo seu poder de decis&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tCom o crescimento dos grupos h&aacute; a necessidade de se dividir. Alguns acreditam que foi da disputa entre grupos que as rela&ccedil;&otilde;es de competi&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia come&ccedil;am a aparecer.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tCom o desenvolvimento das atividades pastoris, que ganharam espa&ccedil;o na vida do homem, criou-se a necessidade de possuir grandes rebanhos e a preocupa&ccedil;&atilde;o com a transfer&ecirc;ncia da fortuna, ou seja, a&nbsp; heran&ccedil;a. Essa preocupa&ccedil;&atilde;o trouxe outras duas: a de reconhecimento da paternidade da crian&ccedil;a para transmiss&atilde;o dessa heran&ccedil;a e a de estabelecimento da monogamia (a mulher deveria relacionar-se com apenas um homem) para se ter a certeza dessapaternidade.&nbsp; Nessa &eacute;poca as mulheres tornaram-se ainda respons&aacute;veis pela ordenha dos animais, o que possibilitou o desenvolvimento da produ&ccedil;&atilde;o de latic&iacute;nios.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNa antiguidade houve um grande aumento da popula&ccedil;&atilde;o que precisava ser alimentada e com novas t&eacute;cnicas surgiu a agricultura.Esse trabalho pesado, dif&iacute;cil e que ningu&eacute;m queria fazer, exigia arado, m&aacute;quinas e&#8230; escravos. O homem passou a escravizar o pr&oacute;prio homem. Deixou-se de produzir para a sobreviv&ecirc;ncia e passou-se a produzir tamb&eacute;m para acumular, para ter excedentes, lucrar.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tOs grupos maiores tomavam as terras dos menores e viviam em constantes disputas e guerras. Os que perdiam as terras viravam escravos, mendigos, ladr&otilde;es, etc. Quando muita terra era acumulada por um grupo formavam-se as aldeias. Depois formavam as cidades.<\/p>\n<p>\n\tAs sociedades que j&aacute; se apresentavam divididas entre ricos, pobres e escravos dividiam-se tamb&eacute;m entre a cidade e o campo. Com a necessidade da autoridade para manter essas divis&otilde;es&nbsp; e aumentar seus dom&iacute;nios os governantes iniciaram a forma&ccedil;&atilde;o de ex&eacute;rcitos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tCom o aprimoramento das t&eacute;cnicas a natureza reagiu com secas e inunda&ccedil;&otilde;es e o homem, diante do medo, passou a precisar de algo al&eacute;m da esfera humana, que tivesse poder sobre a natureza e que controlasse todos os passos da mulher, um deus (masculino) todo-poderoso. A religi&atilde;o incentivou a mulher a dedicar-se inteiramente ao amor e ao casamento com lealdade. A partir desse momento a mulher passou a ser propriedade sexual do homem e era punida com morte se perdesse a virgindade antes do casamento ou se cometesse o adult&eacute;rio depois.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tCom a forma&ccedil;&atilde;o dos estados a mulher era obrigada a ter e a educar o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de filhos, que iriam cuidar da terra e defender o Estado. As crian&ccedil;as passaram a ser educadas e controladas para obedecer. Para as meninas ensinavam a &ldquo;arte dom&eacute;stica&rdquo; e para os meninos as profiss&otilde;es dos pais, que exigiam iniciativa e coragem.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tDurante o pastoreio combinado a horticultura existiu a poliginia (homem possu&iacute;a mais de uma mulher) porque a mulher poderia ser tamb&eacute;m m&atilde;o de obra, ou seja, trabalhar tamb&eacute;m no campo.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tQuando o pastoreio passou a ser combinado com a agricultura existiu a monogamia (homem possu&iacute;a somente uma mulher) pois o trabalho do campo passou a ser feito, na maior parte, pelo homem.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tOs casamentos eram feitos por interesse de alian&ccedil;as entre as fam&iacute;lias, de modo que a sexualidade da mulher passou a ser controlada e a ter duas fun&ccedil;&otilde;es definidas: a de esposa (fr&iacute;gida, em que o sexo &eacute; pecado) e a de prostituta (especialista em sexo, geralmente de classes mais pobres). Em alguns lugares as mulheres ricas eram participativas, pois todo o trabalho era exercido pelas mulheres escravas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tO homem rico (que algu&eacute;m trabalhava por ele) com tempo livre desenvolvia armas, cultuava-se e passava o dia todo se dedicando &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, filosofia, escultura, teatro, esporte, curtindo a vida e explorando com v&aacute;rios impostos o homem pobre e com o trabalho n&atilde;o pago, o escravo.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs rela&ccedil;&otilde;es de poder se consolidaram junto com os tabus que introjetaram na mulher o sentimento de inferioridade: a menstrua&ccedil;&atilde;o que significava fecundidade passou a ser motivo para puni&ccedil;&atilde;o (podia contaminar o homem com doen&ccedil;as respirat&oacute;rias e com a morte!); a rela&ccedil;&atilde;o sexual, com mulher, que n&atilde;o era para procriar dizia-se que podia levar o homem &agrave; derrota e a morte; ao casar deveria seguir o marido, quando arrancada de sua fam&iacute;lia deveria obedecer &agrave;s ordens das sogras e cunhadas. Com a domina&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e da fam&iacute;lia a depend&ecirc;ncia psicol&oacute;gica da mulher tamb&eacute;m se estabeleceu, &agrave;s vezes, recompensada com a forte rela&ccedil;&atilde;o afetiva com os filhos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tTornou-se necess&aacute;rio tamb&eacute;m para a sociedade patriarcal a divis&atilde;o entre as mulheres, para facilitar a domina&ccedil;&atilde;o masculina e a competi&ccedil;&atilde;o por casamentos mais ricos.Essa divis&atilde;o foi incentivada com a cria&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de beleza femininos e com a ideologia de que as mulheres s&atilde;o traidoras, perigosas e amea&ccedil;adoras da unidade entre os homens. Os homens permaneceram convivendo em grupos, fazendo alian&ccedil;as, se especializando para manter o poder ou para buscar determinados privil&eacute;gios (soldados, sacerdotes, rei).<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tMesmo com tudo isso tivemos na hist&oacute;ria grandes transgressoras!<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNessas sociedades agr&aacute;rias teve origem a sociedade dividida em classes sociais em que vivemos hoje, que tem como base de sustenta&ccedil;&atilde;o a explora&ccedil;&atilde;o de uns poucos sobre muitos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>Como essa opress&atilde;o se desenvolveu&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNa Idade M&eacute;dia, o infantic&iacute;dio de meninas (assassinato ainda beb&ecirc;s) era comum e a mulher, considerada um objeto, passava a ter um alto pre&ccedil;o. As virgens eram ainda mais valorizadas. Era permitido, aos maridos, bater na mulher e os raptos e estupros eram freq&uuml;entes. A mulher rica adquiria algum poder quando o marido sa&iacute;a para guerrear. A que era pobre, era obrigada a trabalhar na lavoura pesada. Dessa maneira faziam parte da for&ccedil;a de reservas. Assim apossavam-se tamb&eacute;m da cultura e, uma parte delas, da religi&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres celibat&aacute;rias (solteiras que se dedicavam &agrave; igreja) ficavam livres dos trabalhos dom&eacute;sticos, da reprodu&ccedil;&atilde;o e do dom&iacute;nio masculino. Em contrapartida eram proibidas de ajudar nas missas e de educar meninos. Mesmo assim o &uacute;nico escritor da Europa, por cinco s&eacute;culos, foi&#8230; uma monja (Hroswitha de Gandersheim). O culto &agrave; Virgem Maria definia o tipo ideal de mulher e as que n&atilde;o se enquadravam, eram consideradas bruxas. Novas persegui&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram.<\/p>\n<p>\n\tEm alguns lugares as mulheres foram proibidas de freq&uuml;entar a universidade e de ensinar. Onde lhes permitiam, fundaram universidades de Medicina, formaram-se em F&iacute;sicas, Advogadas, Astr&ocirc;nomas, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;Milh&otilde;es de mulheres ligadas &agrave;s &aacute;reas da medicina (cirurgi&atilde;s, curandeiras, m&eacute;dicas, etc) foram acusadas de bruxaria e queimadas vivas, num dos maiores genoc&iacute;dios (destrui&ccedil;&atilde;o) da hist&oacute;ria com at&eacute; 400 execu&ccedil;&otilde;es por dia. Dessas mais de 80% eram mulheres pobres.<\/p>\n<p>\n\tNa sexualidade a regra passou a ser a da mulher frigida (que n&atilde;o sente prazer). A mulher que sentia prazer (que atingia o orgasmo) era considerada prostituta e tinha parte com o dem&ocirc;nio.<\/p>\n<p>\n\tDessa forma, podemos perceber que do in&iacute;cio ao final do feudalismo (s&eacute;culo V ao XV) o regime patriarcal (em que autoridade m&aacute;xima &eacute; a do pai\/homem) os homens das classes possuidoras, com a complac&ecirc;ncia dos homens das classes despossu&iacute;das, apoiados em um modo de acumular e possuir riqueza e pela religi&atilde;o&nbsp; transformaram o medo em uma arma destruidora de mulheres.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tO sistema capitalista, que tamb&eacute;m &eacute; fruto dessa destrui&ccedil;&atilde;o, inicia seu caminho. Com o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia e da tecnologia um outro modo de produzir come&ccedil;ou a funcionar. O que era feito &agrave; m&atilde;o passou a ser feito pelas m&aacute;quinas. Depois, v&aacute;rias m&aacute;quinas foram colocadas juntas para produzirem em grandes quantidades, ou v&aacute;rios trabalhadores passaram a trabalhar para um s&oacute; patr&atilde;o lucrar.&nbsp; Assim foram inauguradas as f&aacute;bricas de roupas e cal&ccedil;ados.&nbsp; O poder passou a ser de quem era propriet&aacute;rio dos meios que produziam (m&aacute;quinas, ferramentas, f&aacute;bricas, terra, etc) e n&atilde;o de quem realmente produzia a riqueza.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNeste per&iacute;odo a mulher continuou sendo considerada jur&iacute;dica e politicamente inferior sem poder exercer o direito de gerir propriedade. Como refor&ccedil;o, para as mulheres das classes propriet&aacute;rias (burguesas) se constru&iacute;ram ideais de feminilidade e amor rom&acirc;ntico na tentativa de torn&aacute;-las mais fr&aacute;geis e sem preparo para exercer atividades p&uacute;blicas. Aquelas precisavam do trabalho e que conseguiram sobreviver &agrave; ca&ccedil;a &agrave;s bruxas, encaravam a contradi&ccedil;&atilde;o entre a fragilidade e a for&ccedil;a. Ainda mais amedrontadas, submissas, reprimidas em sua sexualidade e em seu saber, estavam prontas para dar &agrave; luz aos filhos e filhas que educariam de acordo com todas as regras de submiss&atilde;o que o capitalismo necessitava para a classe oper&aacute;ria. Somente com a submiss&atilde;o dos trabalhadores os patr&otilde;es poderiam transform&aacute;-los em mercadorias, comprando uma pequena parte de suas energias f&iacute;sica e mental (for&ccedil;a de trabalho) e roubando a maior parte.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres chegaram &agrave;s f&aacute;bricas e &agrave;s minas de carv&atilde;o ganhando menos que os homens e trabalhando mais. A tecnologia, que deveria servir para deixar as trabalhadoras com mais tempo livre, &eacute; utilizada visando somente o ganho do patr&atilde;o. A morte por estafa e tuberculose fez a popula&ccedil;&atilde;o feminina diminuir nas regi&otilde;es industrializadas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres trabalhadoras sempre foram questionadoras e, muitas vezes, revolucion&aacute;rias. Questionavam atrav&eacute;s da sexualidade, do saber, tomaram parte nos levantes e revoltas. Na Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa a mis&eacute;ria fez com que avan&ccedil;assem contra a Monarquia por p&atilde;o para os filhos. Muitas foram decapitadas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNo ano que o&nbsp; <em>Manifesto Comunista<\/em> foi escrito houve o primeiro encontro de feministas, em que reivindicavam o fim da sociedade de domina&ccedil;&atilde;o patriarcal. Exigiam o direito de votar, de estudar e, at&eacute;, o fim da escravid&atilde;o. Essas mulheres, geralmente da classe m&eacute;dia que n&atilde;o trabalhava, n&atilde;o sofriam as mesmas press&otilde;es das oper&aacute;rias. As oper&aacute;rias trabalhavam em lugares insalubres, tinham jornada de trabalho de at&eacute; doze horas, n&atilde;o tinham intervalo para comer, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tEnquanto os oper&aacute;rios de todo o mundo uniam-se em sindicatos, contra os patr&otilde;es que ficavam com todo o fruto de seu trabalho, as mulheres tamb&eacute;m lutavam pela semana de seis dias, depois de cinco dias, contra o trabalho infantil, pela jornada de dez horas, depois oito horas de trabalho di&aacute;rio. Foram nessas condi&ccedil;&otilde;es que surgiram v&aacute;rias greves e aquela, em que cento e cinq&uuml;enta mulheres foram queimadas vivas por reivindicarem melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, que lembrada ainda hoje com o 8 de mar&ccedil;o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNo per&iacute;odo da I Guerra Mundial as mulheres j&aacute; votavam, mas a sociedade insistia em valorizar as que ficavam dentro de casa e que serviam ao homem, ou seja, buscava um voto alienado na medida em que n&atilde;o era bem vista a participa&ccedil;&atilde;o feminina na vida pol&iacute;tica, o que de fato acontecia. A qualquer sinal de liberta&ccedil;&atilde;o feminina, as teorias a servi&ccedil;o do sistema nunca deixavam por menos: o padr&atilde;o de sexualidade feminina passou do orgasmo clitoriano para o orgasmo vaginal.J&aacute; imaginam o porqu&ecirc;!<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNa Revolu&ccedil;&atilde;o Russa foram as mulheres que convocaram a primeira greve geral que serviu de estopim contra a Monarquia. Assumiram a consci&ecirc;ncia socialista e foram intransigentes em todas as frentes contra a opress&atilde;o e a servid&atilde;o dom&eacute;stica e por uma R&uacute;ssia livre. Conquistaram o direito de decidirem sobre seus corpos, o direito ao div&oacute;rcio, o direito de exigir judicialmente do pai o sustento para os filhos. Reivindicaram e organizaram restaurantes, lavanderias e creches p&uacute;blicas para terem mais tempo livre do trabalho dom&eacute;stico. Sa&iacute;ram do espa&ccedil;o privado (dentro de casa) para realizar encontros, confer&ecirc;ncias e congressos internacionais que as unificassem em suas reivindica&ccedil;&otilde;es e as colocassem em condi&ccedil;&atilde;o de atuarem com os demais trabalhadores. Mas, com a guerra civil e, posteriormente, com a chegada de St&aacute;lin ao poder, as mulheres mais combativas foram expurgadas. Houve um grande retrocesso em suas conquistas: volta da fam&iacute;lia tradicional, desemprego, ilegalidade do aborto, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNa Alemanha derrotada pela guerra os valores da fam&iacute;lia e da propriedade eram pregados contra as mulheres com o lema &ldquo;crian&ccedil;a, igreja e cozinha&rdquo;. Para os casais em que as mulheres n&atilde;o trabalhassem fora de casa, o estado concedia empr&eacute;stimos e havia abatimento no valor se o casal tivesse mais filhos. O aborto, obviamente, era crime. As mulheres deficientes ou prostitutas eram esterilizadas. As judias, mortas. Quando a possibilidade de uma segunda Guerra come&ccedil;ou a aparecer, as mulheres foram incentivadas a trabalhar nas f&aacute;bricas para substituir a m&atilde;o-de-obra masculina que iria combater, mas deveriam continuar a ter filhos, inclusive as solteiras.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tOs grandes pa&iacute;ses capitalistas sempre lucraram com as guerras &#8211; s&atilde;o dependentes delas. E as mulheres, principalmente as trabalhadoras, sempre sofreram das mais diferentes formas, com o aumento da explora&ccedil;&atilde;o, priva&ccedil;&atilde;o, aus&ecirc;ncia dos companheiros e filhos, estupros, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNa d&eacute;cada de 70, com mais avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, menos trabalhadores produzem cada vez mais e os produtos ficam mais baratos. Os patr&otilde;es, que querem continuar lucrando alto, pagam menos para os trabalhadores e mandam muitos embora. Os trabalhadores ganhando pouco ou sem emprego n&atilde;o conseguem comprar todas as mercadorias que os patr&otilde;es precisariam vender para manter seus lucros.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tTudo isso acirra a competi&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses. Os mais ricos, al&eacute;m de lucrar com a explora&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora, encontram uma forma de lucrar f&aacute;cil e r&aacute;pido. Passam a emprestar cada vez mais dinheiro para os pa&iacute;ses pobres, com juros muito altos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>A que ponto chegamos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\n\tNesse panorama, em que existe a divis&atilde;o entre pa&iacute;ses dominantes e dominados, a situa&ccedil;&atilde;o da mulher no mundo apresenta-se ainda mais fragmentada.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres da classe trabalhadora s&atilde;o requisitadas, cada vez mais, para ocupar os postos de trabalho, antes ocupados pelos homens, para receber sal&aacute;rios mais baixos nas ind&uacute;strias e contribuir com as despesas da casa. Mant&ecirc;m a jornada de oito horas di&aacute;rias no trabalho e, em m&eacute;dia, outras quatro horas em casa. O grau de viol&ecirc;ncia continua elevado: ganham menos que os homens em fun&ccedil;&otilde;es iguais na f&aacute;brica e continuam sem tempo livre do trabalho dom&eacute;stico. No caso da trabalhadora camponesa a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda pior em raz&atilde;o do desgaste f&iacute;sico e da viola&ccedil;&atilde;o aos direitos trabalhistas. A mulher negra, quando consegue entrar no mercado de trabalho formal, &eacute; obrigada a aceitar um valor ainda mais baixo pela venda da sua for&ccedil;a de trabalho e acumula uma viol&ecirc;ncia sobre a outra.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA estrutura de fam&iacute;lia imposta pela burguesia tornou-se fortemente questionada com a situa&ccedil;&atilde;o da mulher trabalhadora. A mulher j&aacute; n&atilde;o tem tempo para ter v&aacute;rios filhos e educ&aacute;-los, cuidar do marido, trabalhar oito horas fora e quatro em casa, sentir prazer, descansar e ter lazer.&nbsp; Manter a mulher dentro de casa s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com uma certa renda e, mesmo assim, a classe que defende esta estrutura &eacute; altamente hip&oacute;crita. Prega, baseada no catolicismo uma fam&iacute;lia leal, o direito &agrave; vida e a justi&ccedil;a, mas tem todo o tempo e condi&ccedil;&atilde;o financeira para realizar o adult&eacute;rio e a poligamia, o aborto em cl&iacute;nicas especializadas e manter a apropria&ccedil;&atilde;o do trabalho alheio.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA mulher burguesa apresenta-se submissa ao marido e a fam&iacute;lia a fim de manter a riqueza e o poder. As de classe m&eacute;dia que n&atilde;o trabalham assumem parcialmente os afazeres da casa e o cuidado com os filhos. Outras se dedicam aos estudos, &agrave;s artes e tornam-se profissionais liberais.<\/p>\n<p>\n\tNa jun&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista com o religioso quase sempre, em v&aacute;rias partes do mundo, a mulher e sua sexualidade tornaram-se objetos de ataques: Em alguns lugares, ainda hoje, &eacute; proibida de participar de ritos religiosos; meninas s&atilde;o obrigadas a casar ainda com o corpo em forma&ccedil;&atilde;o; meninas s&atilde;o circuncidadas (retirada do clit&oacute;ris) mulheres s&atilde;o infibuladas (costura-se os grandes l&aacute;bios da vulva deixando-se s&oacute; um pequeno orif&iacute;cio)&nbsp; para n&atilde;o sentirem prazer.<\/p>\n<p>\n\tH&aacute; alguns anos atr&aacute;s, o movimento feminista, novamente organizado, voltou a cena para questionar a discrimina&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, reivindicar participa&ccedil;&atilde;o nos &oacute;rg&atilde;os de decis&atilde;o das empresas, dos sindicatos e da pol&iacute;tica e principalmente o direito ao orgasmo. Houve algumas conquistas, que no capitalismo s&atilde;o tidas como concess&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNo entanto hoje o retrocesso se imp&otilde;e: muitas mulheres j&aacute; est&atilde;o desempregadas, as profiss&otilde;es em que a maioria &eacute; mulher s&atilde;o as que encontramos sal&aacute;rios mais baixos, o vaticano pro&iacute;be o uso de preservativo em meio aos altos &iacute;ndices de soros positivos, a castidade volta a ser discutida entre as jovens, o n&uacute;mero de mortes por abortos clandestinos aumenta a cada dia, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres no I Congresso das Oper&aacute;rias Metal&uacute;rgicas em S&atilde;o Bernardo, no ABC paulista, na d&eacute;cada de 70, j&aacute; constatavam as m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de vida, a falta de creches nos locais de trabalho, a viol&ecirc;ncia dos chefes e a discrimina&ccedil;&atilde;o sexual presentes ainda hoje em nossos meios.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA conquista de alguns direitos na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, como igualdade de direitos trabalhistas, previdenci&aacute;rios e sociais, o fim da proibi&ccedil;&atilde;o da maternidade e o direito a terra, foram conquistas das lutas das trabalhadoras, em sua tripla jornada, que a partir dos sindicatos, se juntaram aos demais trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tDesde essa &eacute;poca at&eacute; hoje, a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na CUT (Central &Uacute;nica dos Trabalhadores) foi diminuindo em contraste com o aumento do trabalho feminino. A cota de 30% de mulheres nos &oacute;rg&atilde;os de decis&atilde;o nunca refletiu a quantidade de mulheres no mercado de trabalho e, mesmo, se mant&eacute;m.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA tal <em>Secretaria de Mulheres<\/em>, que no in&iacute;cio era coordenada por homens, est&aacute; totalmente submetida e trabalhando para implementar as pol&iacute;ticas do governo Lula para as mulheres, ou seja, p&ocirc;r fim &agrave; licen&ccedil;a maternidade e aos direitos trabalhistas com a pr&oacute;xima contra-reforma trabalhista.<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres que a coordenam calaram-se diante da Reforma da Previd&ecirc;ncia (que atingiu diretamente a classe que vende a for&ccedil;a de trabalho, aumentando o tempo de contribui&ccedil;&atilde;o e extinguindo a aposentadoria por idade) e da investida do governo contra as dom&eacute;sticas, h&aacute; pouco tempo. Est&atilde;o h&aacute; muitos anos fora das f&aacute;bricas, j&aacute; fazem parte da burocracia sindical e n&atilde;o conseguem galgar os espa&ccedil;os parlamentares da mesma forma que os homens desse meio. Com o passar dos anos, foram implementando a l&oacute;gica que distancia cada vez mais as mulheres da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e sindical.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tHoje ao se sentirem amea&ccedil;adas com a Reforma Sindical, buscam rever seu espa&ccedil;o entre as trabalhadoras promovendo as <em>Semanas da Beleza<\/em>, em que alguns servi&ccedil;os s&atilde;o oferecidos sem custo em troca da promo&ccedil;&atilde;o de marcas de cosm&eacute;tico, contribuindo para o estelionato dermatol&oacute;gico (est&iacute;mulo ao consumo de produtos e cirurgias para elevar a auto-estima). Enquanto isso, cruzam os bra&ccedil;os para os verdadeiros ataques &agrave; auto-estima da mulher trabalhadora, ou seja, a opress&atilde;o, a carga elevada de trabalho, os baixos sal&aacute;rios, a dupla jornada, a cobran&ccedil;a pelo trabalho dom&eacute;stico, e o pouco tempo dedicado ao prazer. Os sindicatos, em sua maioria, n&atilde;o deixam por menos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tSomente agora, no in&iacute;cio do novo mil&ecirc;nio, surgiu uma nova coordena&ccedil;&atilde;o de lutas (Conlutas) entre os trabalhadores e as trabalhadoras iniciam uma t&iacute;mida organiza&ccedil;&atilde;o, que ainda n&atilde;o incorpora as desempregadas ou subempregadas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA maioria das organiza&ccedil;&otilde;es que era de esquerda no per&iacute;odo da Ditadura Militar sucumbiu. Hoje quase todas est&atilde;o no poder sob fajutas denomina&ccedil;&otilde;es de socialistas, de comunistas, de verde, de trabalhadores. Aproveitaram-se da queda da burocracia stalinista do Leste Europeu para confundir a classe trabalhadora contra o socialismo, &uacute;nico sistema capaz de colocar a mulher, e conseq&uuml;entemente a humanidade, em uma situa&ccedil;&atilde;o superior.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs nossas jovens trabalhadoras estudantes, que ingressam agora no mercado de trabalho, novamente enfrentam os problemas das m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, baixos sal&aacute;rios, jornadas de trabalho irregulares, falta de direitos trabalhistas com pomposos nomes como: estagi&aacute;rias, operadoras de telemarketing, teleoperadoras, etc. Est&atilde;o complemente desamparadas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA situa&ccedil;&atilde;o se complica se observarmos o papel que a m&iacute;dia burguesa cumpre contra a mulher e a favor do sistema de explora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tTem sido cada vez mais constante atrelar o corpo da mulher, com seus atuais padr&otilde;es de beleza, a propagandas pouco inteligentes, racistas e que fazem apologia &agrave;s drogas. Vide <em>net.com<\/em>, <em>Ant&aacute;rtica, Coca-Cola<\/em>., etc. As novelas e os programas televisivos buscam, cada vezmais, imprimir na consci&ecirc;ncia das trabalhadoras o modo burgu&ecirc;s de viver com amensagem &ldquo;se voc&ecirc; trabalhar, voc&ecirc; consegue!&rdquo;,&nbsp; ao mesmo tempo em que n&atilde;o existe trabalho para todas.<\/p>\n<p>\n\tA tentativa de humilhar as mulheres de nossa classe &eacute; constante e necess&aacute;ria para o sistema que vive do lucro. Ao mesmo tempo em que ressaltam o padr&atilde;o de beleza da mulher brasileira imp&otilde;em o padr&atilde;o de beleza americano. Introjetam em cada uma que &ldquo;est&aacute; feia&rdquo;, &ldquo;gorda&rdquo;, &ldquo;fora de moda&rdquo;, &ldquo;que cabelo n&atilde;o pode ser assim&rdquo;, etc para consumirem os caros produtos de beleza. Mas muitas n&atilde;o t&ecirc;m como consumir.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tIsto tudo mostra a que ponto chegamos!<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>As pesquisas n&atilde;o conseguem esconder&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\n\tAt&eacute; os &oacute;rg&atilde;os de imprensa da burguesia revelam:<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7O n&uacute;mero de domic&iacute;lios chefiados pelas mulheres cresceu 37%, passando de 18,1% para 24,9%. Apesar do aumento na taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o, as mulheres se empregam prioritariamente em ocupa&ccedil;&otilde;es chamadas &quot;extens&otilde;es da vida dom&eacute;stica&quot;, como trabalhadoras dom&eacute;sticas ou sem remunera&ccedil;&atilde;o (27,4%). Elas ganham em m&eacute;dia 30% a menos do que os homens. (<em>Folha de S&atilde;o Paulo<\/em>, 23 de maio de 2006)<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7Pela primeira vez o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica) captou em estat&iacute;sticas que as mulheres que trabalham fora t&ecirc;m uma jornada extra com afazeres dom&eacute;sticos muito maior do que a dos homens. Segundo o instituto, a jornada complementar m&eacute;dia das mulheres trabalhadoras chega a ser o dobro da dos homens no lar, estejam eles trabalhando fora ou n&atilde;o. Em m&eacute;dia, as mulheres gastam 22,1 horas por semana em tarefas dom&eacute;sticas, como arrumar ou limpar a casa, cozinhar ou preparar alimentos, passar roupa, lavar roupa ou lou&ccedil;a. Orientar ou dirigir ordens a empregadas dom&eacute;sticas, cuidar de filhos, limpar o quintal tamb&eacute;m s&atilde;o consideradas tarefas dom&eacute;sticas. Enquanto isso, os homens disseram dedicar 9,9 horas semanais para cuidar da casa. Em outras palavras, as mulheres trabalham em casa mais de quatro horas di&aacute;rias. J&aacute; para os homens essa m&eacute;dia di&aacute;ria cai para duas. (<em>Folha On-line<\/em>, Rio 12 de abril de 2006).<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7A taxa de mortalidade de negros &eacute; superior &agrave; de brancos no Estado de S&atilde;o Paulo. A AIDS, por exemplo, mata duas vezes mais negros que brancos, segundo constatou pesquisa da Secretaria Estadual da Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo. O levantamento analisou as causas dos 236.025 &oacute;bitos que ocorreram no Estado no ano de 1999. A pesquisa foi concentrada nesse ano porque os atestados de &oacute;bito forneciam informa&ccedil;&otilde;es mais completas, de cor e ra&ccedil;a, do que em outros anos. O estudo aponta ainda que a taxa de mortalidade materna das gestantes negras representa mais de seis vezes a de gr&aacute;vidas de cor branca. (<em>Folha de S&atilde;o Paulo<\/em>, 03 de agosto de 2006.)<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7no ano de 2004, 7,1% dos homens estavam desempregados, enquanto 12,1% das mulheres n&atilde;o tinham ocupa&ccedil;&atilde;o formal. A taxa de desemprego entre brancos e negros mostra que 10,5% dos negros estavam sem emprego, em 2004, e 8,2% dos brancos desempregados. A taxa de mulheres negras desempregadas ou sua faixa salarial n&atilde;o constam no estudo.(<em>Cidade Rep&oacute;rter<\/em>, 17 de setembro de 2006)<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7O n&uacute;mero de v&iacute;timas de maus-tratos aumenta de forma assustadora e, hoje, o problema &eacute; t&atilde;o grave que virou tamb&eacute;m quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica. Pais, filhos, ex e atuais maridos s&atilde;o, em geral, os principais agressores &mdash; e n&atilde;o pessoas estranhas, como poderia se supor&mdash;. Mulheres que sofrem viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica podem apresentar quadros de ansiedade, fobias e depress&atilde;o. No mundo, um em cada cinco dias de falta no trabalho feminino &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. Conforme artigo publicado na Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica, ed. fev. 2005, &ldquo;O Brasil &eacute; o pa&iacute;s que mais sofre com a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, perdendo 10,5% do seu PIB. A cada quatro minutos, uma mulher &eacute; agredida no pa&iacute;s. Em 85,5% dos casos de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica contra mulheres, os pr&oacute;prios parceiros s&atilde;o os agressores.&rdquo;<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/img\/px.gif\" \/>O perfil da mulher, v&iacute;tima de viol&ecirc;ncia pelo pr&oacute;prio parceiro, aponta para jovens casadas, cat&oacute;licas, com filhos, pouco tempo de estudo e baixa renda familiar. Em 72% dos casos foi observado quadro sugestivo de depress&atilde;o cl&iacute;nica e 78% das entrevistadas apresentaram sintomas de ansiedade e ins&ocirc;nia: Em termos globais, as conseq&uuml;&ecirc;ncias do estupro e da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica para a sa&uacute;de das mulheres s&atilde;o pr&oacute;ximas aos efeitos das doen&ccedil;as cardiovasculares e mais expressivas que as encontradas para todos os tipos de c&acirc;ncer. O alcoolismo &eacute; um dos principais fatores associado a atos de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. Entre os casos estudados, 70% dos parceiros costumam ingerir bebidas alco&oacute;licas e 11% s&atilde;o usu&aacute;rios de drogas il&iacute;citas.(<em>Ag&ecirc;ncia Notisa<\/em>, 04 mar&ccedil;o de 2005).<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7Desde que a pessoa tenha dinheiro para pagar, o aborto &eacute; permitido no Brasil. Se a mulher for pobre por&eacute;m, precisa provar que foi estuprada ou estar &agrave; beira da morte para ter acesso a ele. Como conseq&uuml;&ecirc;ncia, milh&otilde;es de adolescentes e m&atilde;es de fam&iacute;lia que engravidaram sem querer recorrerem ao abortamento clandestino, anualmente. A septicemia, resultante da presen&ccedil;a de restos infectados na cavidade uterina, &eacute; causa de morte freq&uuml;ente entre as mulheres brasileiras em idade f&eacute;rtil. A simples men&ccedil;&atilde;o ao assunto provoca rea&ccedil;&otilde;es t&atilde;o emocionais quanto imobilizantes. Ent&atilde;o, alheios &agrave; trag&eacute;dia das mulheres que morrem no campo e nas periferias das cidades brasileiras, optamos por deixar tudo como est&aacute;. E n&atilde;o se fala mais no assunto.(<em>Folha de S&atilde;o Paulo<\/em>, 26 de agosto de 2000<em>).<\/em> Estimativas recentes mostram:Os n&uacute;meros variam de 750 mil a 1.4 milh&atilde;o de abortos por ano no Brasil. (<em>Folha de S&atilde;o Paulo<\/em>, 22 de setembro de 2006)<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>A igualdade para al&eacute;m do capital<\/strong><\/p>\n<p>\n\tTudo o que observamos e vivemos at&eacute; aqui mostra que esse sistema, que sobrevive com a explora&ccedil;&atilde;o de uns poucos sobre muitas, jamais vai conceder a verdadeira igualdade entre os seres humanos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tN&oacute;s, mulheres, sa&iacute;mos da situa&ccedil;&atilde;o de m&atilde;e da Terra para a servid&atilde;o na Terra. No entanto, o sangue derramado de tantas lutadoras pela sobreviv&ecirc;ncia da esp&eacute;cie humana com a verdadeira justi&ccedil;a n&atilde;o pode ter sido em v&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tUma parte das mulheres saiu de dentro de casa e atingiu postos de trabalho antes inimagin&aacute;veis. Outras sequer conseguiram sair da escravid&atilde;o dom&eacute;stica. No entanto, em ambos os casos o esfor&ccedil;o de nosso trabalho serve, principalmente, aos interesses de reprodu&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho, ou seja, gerar filhos para m&atilde;o-de-obra.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tDiante disso os nossos modos de vida, nossos sentimentos, nosso saber, tudo que nos envolve &eacute; moldado como produto de consumo. Quando precisam de mais filhos, mulheres devem ficar em casa. Quando fazem filhos demais, legalizam o aborto. Quanto de menos, criminalizam. Quando precisam reduzir sal&aacute;rios, mulheres v&atilde;o para o mercado de trabalho. E quando a criminalidade se instala entre a juventude, a m&atilde;e n&atilde;o &eacute; presente.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAssim percebemos que a t&atilde;o disseminada igualdade &eacute; verdadeiramente uma farsa. Todas as conquistas, conseguidas com muita luta, fizeram com que a esp&eacute;cie humana chegasse ao s&eacute;culo XXI. Mas o pr&oacute;ximo s&eacute;culo estar&aacute; questionado se n&atilde;o arrancarmos com unhas, dentes, foices e martelos a verdadeira igualdade.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>O que n&atilde;o podemos deixar para amanh&atilde;<\/strong><\/p>\n<p>\n\tA luta que nossos antepassados iniciou n&atilde;o pode parar! A unidade de todos os explorados &eacute; uma necessidade. A competi&ccedil;&atilde;o e o medo n&atilde;o podem mais submeter a mulher da classe trabalhadora! A nossa organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; caso de vida ou&#8230; morte!<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Tempo livre do trabalho dom&eacute;stico:<\/em><\/p>\n<p>\n\tO planeta est&aacute; entrando em colapso pela for&ccedil;a de destrui&ccedil;&atilde;o do homem capitalista. Somente n&oacute;s, classe trabalhadora, podemos barrar essa situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA mulher n&atilde;o pode mais passar tanto tempo de sua vida cuidando dos afazeres dom&eacute;sticos. Juntos homens, mulheres e jovens precisam assumir as tarefas dom&eacute;sticas para que juntos decidamos sobre as formas de produzir (quantidade, distribui&ccedil;&atilde;o, tipo) e sobre a sobreviv&ecirc;ncia da humanidade.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tO direito ao trabalho fora de casa n&atilde;o pode representar, para a mulher, dupla puni&ccedil;&atilde;o. A organiza&ccedil;&atilde;o das mulheres em organiza&ccedil;&otilde;es e sindicatos n&atilde;o pode representar a tripla puni&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Viol&ecirc;ncia contra a mulher:<\/em><\/p>\n<p>\n\tPelo que observamos a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e, principalmente, a psico-social contra a mulher &eacute; inerente ao sistema capitalista. Mas o pior &eacute; observar que a nossa classe, que sofre todo o tipo de explora&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m se vale da viol&ecirc;ncia para reprimir, amedrontar, para n&atilde;o aceitar sua decis&atilde;o e escravizar a mulher. Entendemos a viol&ecirc;ncia contra a mulher sob tr&ecirc;s aspectos:<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t1) Psicossocial: Os poderes do homem e da religi&atilde;o obrigam a mulher a dedicar a maior parte de seu dia ao trabalho dom&eacute;stico. Introjetam na mulher o sentimento de culpa. As cobran&ccedil;as diretas ou indiretas desses afazeres agridem a mulher no seu mais profundo &iacute;ntimo. &Eacute; constante encontrarmos mulheres cansadas, desanimadas, com dificuldades de sentir prazer, deprimidas ou doentes psicologicamente por n&atilde;o terem tempo ou condi&ccedil;&atilde;o financeira para dan&ccedil;ar, praticar esporte, voltar a estudar, militar, etc. Muitas s&atilde;o humilhadas, xingadas ou simplesmente ignoradas por estarem nessa situa&ccedil;&atilde;o. Comportamentos autorit&aacute;rios, impositivos, amea&ccedil;as t&ecirc;m sido regra no ambiente familiar e fora dele.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t2) Sexual: O estupro, nesses &uacute;ltimos anos, tem passado de doen&ccedil;a psicol&oacute;gica do homem perturbado pelo sistema a absurdos argumentos para justific&aacute;-lo. A mulher tem sido constantemente violentada quando decide sobre o seu corpo. Muitas s&atilde;o for&ccedil;adas em casa, outras ainda crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t3) F&iacute;sica: Essa varia de pequenas agress&otilde;es at&eacute; aquelas que p&otilde;em fim &agrave; vida.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, de consci&ecirc;ncia de classe e socialista:<\/em><\/p>\n<p>\n\tConclu&iacute;mos que na sociedade capitalista jamais conseguiremos uma verdadeira igualdade. Por que devemos lutar pela sobreviv&ecirc;ncia desse sistema?<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA sociedade socialista &ndash; que &eacute; a ponte entre esse mundo de necessidades para o de liberdades, que n&atilde;o permitir&aacute; o uso da tecnologia contra o ser humano e que possibilitar&aacute; a mulher um outro tipo de vida &ndash; dever&aacute; ser objeto de nossa compreens&atilde;o e dedica&ccedil;&atilde;o para a luta.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tTodas as mulheres da classe trabalhadora precisam ter forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para aprender a avaliar e lutar contra esse sistema opressivo, com todas as armas. Sabemos que n&atilde;o podemos contar com a m&iacute;dia burguesa, com a religi&atilde;o e, muito menos com o homem ou a mulher da burguesia. Essa forma&ccedil;&atilde;o precisa ser pensada e impulsionada por todas as pessoas que n&atilde;o abandonaram a luta pelo socialismo. A nossa classe precisa ser despertada e as mulheres precisam de tempo livre do trabalho dom&eacute;stico para se formarem em todos os sentidos que a atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica exige.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>O que devemos defender para minimizar o sofrimento da mulher trabalhadora<\/strong><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Jornada de trabalho:Por mais tempo livre dos trabalhos dom&eacute;sticos!<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>\n\t\tRedu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho, sem redu&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio, sem a dupla jornada e com cotas proporcionais para as mulheres negras;<\/li>\n<li>\n\t\tDivis&atilde;o das tarefas dom&eacute;sticas entre todos os membros da casa;<\/li>\n<li>\n\t\tCreches p&uacute;blicas, gratuitas e com alta qualidade de ensino com funcionamento 24 horas, nos fins-de-semana e inclusive nos locais de trabalho e estudo. Enquanto as creches n&atilde;o estiverem prontas devemos exigir o <em>Aux&iacute;lio Bab&aacute;<\/em>, em que a pessoa respons&aacute;vel pela crian&ccedil;a de at&eacute; 12 anos, recebe um sal&aacute;rio m&eacute;dio para contratar uma pessoa de confian&ccedil;a que cuidar&aacute; de seu agregado;<\/li>\n<li>\n\t\tAs organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sindicatos&nbsp; devem criar condi&ccedil;&otilde;es (contratar bab&aacute; ou creche), durante as atividades militantes, para a participa&ccedil;&atilde;o de m&atilde;es trabalhadoras e pais com a guarda dos filhos;<\/li>\n<li>\n\t\tLavanderias p&uacute;blicas, gratuitas e com qualidade em todos os bairros.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-left: 18pt\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Viol&ecirc;ncia contra a mulher: Por uma vida digna e justa para a nossa classe!<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>\n\t\tFim da escravid&atilde;o dom&eacute;stica;<\/li>\n<li>\n\t\tInvestimento, do Estado, em uma campanha massiva de orienta&ccedil;&atilde;o sexual, preven&ccedil;&atilde;o contraceptiva e preven&ccedil;&atilde;o &agrave; AIDS e outras DST&acute;s nas escolas, bairros, postos de sa&uacute;de, sindicatos, televis&atilde;o, r&aacute;dio, etc;<\/li>\n<li>\n\t\tDistribui&ccedil;&atilde;o gratuita e sistem&aacute;tica de preservativos masculinos e femininos, p&iacute;lulas e inje&ccedil;&otilde;es anticoncepcionais e do dia seguinte nos postos dos SUS e nos planos de sa&uacute;de;<\/li>\n<li>\n\t\tPela descriminaliza&ccedil;&atilde;o e legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. Pela obrigatoriedade do atendimento pelo SUS e planos de sa&uacute;de. N&atilde;o podemos entender o aborto como um m&eacute;todo contraceptivo. Mas ele &eacute; um fato. Ao contr&aacute;rio do que dizem o aborto, bem assistido, &eacute; uma defesa da vida da mulher e<strong>n&atilde;o<\/strong> faz mais mal para o corpo da mulher do que o parto. O atendimento p&uacute;blico, com qualidade, &eacute; necess&aacute;rio para as mulheres da classe trabalhadora que n&atilde;o conseguem pagar uma cl&iacute;nica. A lei existente hoje prev&ecirc; pris&atilde;o de 01 a 03 anos para a mulher e para quem o realiza. O suposto pai sequer &eacute; mencionado. Para deixar de ser crime um dos projetos de lei em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional (majoritariamente composto por homens da direita) poder&aacute; ser aprovado. Ele prop&otilde;e a permiss&atilde;o da interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez de at&eacute; 12 semanas em qualquer circunst&acirc;ncia, de at&eacute; 20 semanas em caso de estupro e em qualquer tempo nos casos de m&aacute;-forma&ccedil;&atilde;o do feto ou risco &agrave; sa&uacute;de da mulher. Prev&ecirc; a utiliza&ccedil;&atilde;o dos SUS e dos planos de sa&uacute;de para tais pr&aacute;ticas.<\/li>\n<li>\n\t\tA mulher deve decidir sobre o seu pr&oacute;prio corpo, em todos os sentidos;<\/li>\n<li>\n\t\tAs rela&ccedil;&otilde;es de companheirismo e fraternidade devem prevalecer entre as mulheres para resistirem e trazerem todos os camaradas em seus locais de trabalho, estudo e milit&acirc;ncia contra os Ass&eacute;dios moral e sexual;<\/li>\n<li>\n\t\tApoio psicol&oacute;gico e pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o ou recoloca&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho para as mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, al&eacute;m das medidas de assist&ecirc;ncia&nbsp; social. A nova legisla&ccedil;&atilde;o (Lei Maria da Penha 11.340\/06) avan&ccedil;a quando trata da viol&ecirc;ncia contra a mulher e por trazer a possibilidade de que todo boletim de ocorr&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica se transforme em inqu&eacute;rito policial. Al&eacute;m de uma condena&ccedil;&atilde;o penal de at&eacute; tr&ecirc;s anos de pris&atilde;o, o agressor ainda pode ter decretada a separa&ccedil;&atilde;o, condena&ccedil;&atilde;o em alimentos, perda da guarda dos filhos al&eacute;m de outras medidas como afastamento do lar, perda do porte de armas, determina&ccedil;&atilde;o de que se mantenha distanciado da v&iacute;tima e at&eacute; o direito de a mulher reaver seus bens e cancelar procura&ccedil;&otilde;es em nome do agressor. Noentanto n&atilde;o aponta nada quanto &agrave;situa&ccedil;&atilde;o, existente em muitos casos, da depend&ecirc;ncia financeira da mulher e quanto a um dos principais fatores associado a atos de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, que &eacute; o alcoolismo;<\/li>\n<li>\n\t\tQue o Estado reconhe&ccedil;a o alcoolismo e a depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica como problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica e garanta para a nossa classe o tratamento pelo SUS e planos de sa&uacute;de;<\/li>\n<li>\n\t\tCombate &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes atacando as verdadeiras ra&iacute;zes &ndash; a&nbsp; pobreza, a viol&ecirc;ncia e o tr&aacute;fico de drogas &ndash; que levam crian&ccedil;as e adolescentes &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o sexual-comercial. Com a redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho com emprego para todos, a qualidade de ensino nas escolas p&uacute;blicas, o lazer, o esporte, etc;<\/li>\n<li>\n\t\tCombate ao tr&aacute;fico de seres humanos. O Brasil, de acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para Migra&ccedil;&otilde;es, OIM, &eacute; o pa&iacute;s sul-americano com o maior n&uacute;mero de casos de tr&aacute;fico humano. O tr&aacute;fico internacional de mulheres, crian&ccedil;as e adolescentes movimenta anualmente entre US$ 7 e US$ 9 bilh&otilde;es, tornando-se uma das atividades mais lucrativas do crime organizado transnacional. Estima-se que o lucro das redes com cada ser humano transportado ilegalmente de um pa&iacute;s para outro chegue a US$ 30mil. Apesar de ser poss&iacute;vel constatar aumento dos casos, poucos traficantes de fato s&atilde;o presos. N&atilde;o podemos fechar os olhos para essa situa&ccedil;&atilde;o. A mulher, que desesperadamente quer sobreviver, n&atilde;o pode continuar sendo mercadoria do tr&aacute;fico internacional de seres humanos para prostitui&ccedil;&atilde;o e trabalho escravo;<\/li>\n<li>\n\t\tN&atilde;o aceitamos que a teoria do criacionismo (que coloca a mulher em posi&ccedil;&atilde;o de submiss&atilde;o e humilha&ccedil;&atilde;o) seja parte dos conte&uacute;dos ensinados nas escolas;<\/li>\n<li>\n\t\tPela aboli&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o est&eacute;tico bul&iacute;mico e anor&eacute;xico, que busca valorizar a mulher trabalhadora atribuindo-lhe a auto-estima da mulher burguesa, o que tem contribu&iacute;do, entre outras coisas, na supress&atilde;o de mulheres gordas ou negras do acirrado mercado de trabalho, por exemplo, em shopping centers; Devemos estar atentas a todo o malabarismo feito pela imprensa burguesa e j&aacute; assumido por alguns sindicatos de impor o estelionato dermatol&oacute;gico.<\/li>\n<li>\n\t\tQue sejam abolidas as formas subjetivas de contrata&ccedil;&atilde;o em processos seletivos ou concursos p&uacute;blicos com tais como: foto, din&acirc;mica de grupo, etc;<\/li>\n<li>\n\t\tContra todo tipo de preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o. Estudos da esquerda sobre homossexualismo pouco contribuem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher homossexual. A luta contra o preconceito e a discrimina&ccedil;&atilde;o deve considerar, inclusive, a dificuldade, da mulher homossexual, de manter sexo seguro;<\/li>\n<li>\n\t\tReconhecemos a uni&atilde;o civil homossexual, inclusive com direitos &agrave; ado&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<li>\n\t\tPor uma sexualidade livre dos preconceitos religiosos, de ra&ccedil;a, de orienta&ccedil;&atilde;o sexual e n&atilde;o submetida &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es do capital.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"margin-left: 18pt\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Emprego: Pela n&atilde;o depend&ecirc;ncia financeira que humilha e maltrata!<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>\n\t\tRedu&ccedil;&atilde;o da Jornada de trabalho com sal&aacute;rio m&iacute;nimo do Dieese para todas as m&atilde;es do campo e da cidade que trabalham fora com cotas proporcionais para as mulheres negras;<\/li>\n<li>\n\t\tCarteira assinada e com todos os direitos trabalhistas a todas mulheres que trabalham em situa&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias e terceirizadas. Exemplo: estagi&aacute;rias, operadoras de telemarketing, empregadas dom&eacute;sticas, trabalhadoras do campo, etc;<\/li>\n<li>\n\t\tContra a revista &iacute;ntima no emprego;<\/li>\n<li>\n\t\tN&atilde;o a discrimina&ccedil;&atilde;o da mulher negra. Nesse mercado de trabalho injusto e racista &eacute; o que vemos o tempo todo. N&atilde;o podemos aceitar que se torne natural a qualifica&ccedil;&atilde;o da mulher negra apenas para atividades dom&eacute;sticas, cujas origens adv&ecirc;m da nossa heran&ccedil;a escravista patriarcal;<\/li>\n<li>\n\t\tPela diminui&ccedil;&atilde;o da idade de aposentaria para a mulher que trabalha fora ou dentro de casa. A mulher da nossa classe trabalha a vida inteira. O tempo de contribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser um impedimento para a sua aposentadoria. Se a mulher est&aacute; vivendo mais, certamente est&aacute; trabalhando mais;<\/li>\n<li>\n\t\tLicen&ccedil;a Gestante de 6 meses, tempo ideal para a amamenta&ccedil;&atilde;o exclusiva, com redu&ccedil;&atilde;o da jornada ap&oacute;s a volta ao trabalho (entrar uma hora mais tarde e sair uma hora mais cedo) para complementarcom o leite materno a alimenta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a at&eacute; completar dois anos e meio.A mulher trabalhadora tem direito de amamentar! Pesquisas cient&iacute;ficas comprovam a necessidade da amamenta&ccedil;&atilde;o. Doen&ccedil;as al&eacute;rgicas, algumas do sistema imunol&oacute;gico, alguns tipos de c&acirc;nceres, obesidade, diabete e doen&ccedil;as cardiovasculares podem ser associadas &agrave; falta de amamenta&ccedil;&atilde;o ou &agrave; amamenta&ccedil;&atilde;o irregular. O sistema capitalista exige filhos, mas n&atilde;o quer permitir &agrave; mulher trabalhadora a possibilidade de t&ecirc;-los sem grande sofrimento.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Sa&uacute;de: Por qualidade de vida e por vida!<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>\n\t\tA nossa luta deve ser, cada vez mais, por hospitais p&uacute;blicos e com qualidade. Existe tecnologia para isso. A quantidade de valor que &eacute; retirado dos trabalhadores tamb&eacute;m possibilita isso. A nossa classe, que trabalha muito, merece ser bem tratada.<\/li>\n<li>\n\t\tN&atilde;o aceitamos a ditadura do parto normal e at&eacute; do f&oacute;rceps na rede p&uacute;blica e do parto cesariana nos hospitais particulares. A mulher deve ser bem instru&iacute;da para decidir com seguran&ccedil;a sobre o tipo de parto e ter boa assist&ecirc;ncia;<\/li>\n<li>\n\t\tOrienta&ccedil;&atilde;o e diagn&oacute;sticos precisos para que a mulher decida se realiza ou n&atilde;o a cirurgia para retirada do &uacute;tero, que tem servido, para muitos m&eacute;dicos, como instrumento de esteriliza&ccedil;&atilde;o das mulheres trabalhadoras;<\/li>\n<li>\n\t\tA nossa classe deve se mobilizar contra o descaso aos portadores de c&acirc;ncer. A falta de medicamentos e tratamentos adequados est&aacute; reduzindo o tempo de vida dos trabalhadores portadores de doen&ccedil;as causadas pelo tipo de vida imposta pelo capitalismo;<\/li>\n<li>\n\t\tPor um programa espec&iacute;fico para a sa&uacute;de da mulher negra, incluindo no SUS diagn&oacute;sticos r&aacute;pidos e tratamento de doen&ccedil;as espec&iacute;ficas da popula&ccedil;&atilde;o negra, como a anemia falciforme e outras.<\/li>\n<li>\n\t\tInclus&atilde;o da disciplina de orienta&ccedil;&atilde;o sexual no curr&iacute;culo das escolas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\n\t<strong><em>Forma&ccedil;&atilde;o: Para a transforma&ccedil;&atilde;o e pela transforma&ccedil;&atilde;o<\/em><\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>\n\t\tDevemos estar atentas e buscar impulsionar, com os demais trabalhadores, uma pol&iacute;tica de forma&ccedil;&atilde;o que busque a participa&ccedil;&atilde;o ativa e efetiva da mulher na transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade, respeitando suas caracter&iacute;sticas;<\/li>\n<li>\n\t\tAs mulheres da classe trabalhadora podem aprender a observar os elementos contradit&oacute;rios que apresenta o sistema do capital e obter uma forma&ccedil;&atilde;o marxista-socialista;<\/li>\n<li>\n\t\tDevem ter amplo acesso a materiais e cursos tamb&eacute;m da hist&oacute;ria do movimento oper&aacute;rio, das lutas ou revolu&ccedil;&otilde;es, que abordem e destaque as lutadoras;<\/li>\n<li>\n\t\tDa mesma forma, devem poder conhecer o movimento sindical e estudantil at&eacute; o seu significado hoje, com enfoque na mulher militante na organiza&ccedil;&atilde;o da classe;<\/li>\n<li>\n\t\tRealizar estudos sobre as pr&oacute;prias categorias onde est&atilde;o inseridas;<\/li>\n<li>\n\t\tConhecer legisla&ccedil;&atilde;o, estatuto ou regimento das organiza&ccedil;&otilde;es em que atuam;<\/li>\n<li>\n\t\tIncentivo a falar em p&uacute;blico, escrever e assumir tarefas;<\/li>\n<li>\n\t\tPrepara&ccedil;&atilde;o para assumir tarefas de dire&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<li>\n\t\tCotas proporcionais, ao n&uacute;mero de mulheres nas categorias ou organiza&ccedil;&otilde;es, nos &oacute;rg&atilde;os de dire&ccedil;&atilde;o com cuidados (tempo, situa&ccedil;&atilde;o financeira) que facilitem a participa&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<li>\n\t\t&nbsp;Pelo fim da discrimina&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher nos livros did&aacute;ticos.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"center\">\n\t<strong>Mulher: De M&atilde;e Terra &agrave; Servid&atilde;o Capitalista<\/strong><\/p>\n<p>\n\t<strong>Como essa hist&oacute;ria come&ccedil;ou&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\n\tO planeta Terra tem, pelo menos, quatro bilh&otilde;es de anos. H&aacute; vest&iacute;gios de mam&iacute;feros de mais ou menos oitenta milh&otilde;es de anos. H&aacute; tr&ecirc;s milh&otilde;es de anos, a esp&eacute;cie humana, nossos antepassados, se espalhavam da &Aacute;frica para as outras partes do mundo.<\/p>\n<p>\n\tNessa &eacute;poca, o centro dos grupos era a dupla m&atilde;e e crian&ccedil;a. A m&atilde;e era, ent&atilde;o, o centro, e onde a m&atilde;e estava, todos se agrupavam. N&atilde;o existia uma rela&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria que determinava o comportamento e o modo de pensar do restante do grupo. Existia a poliandria (a mulher relacionava-se com mais de um homem) e a paternidade era desconhecida. Todos eram irm&atilde;os.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA rela&ccedil;&atilde;o macho e f&ecirc;mea n&atilde;o era escravizadora de uma das partes. Na rela&ccedil;&atilde;o pais e filhos a crian&ccedil;a n&atilde;o era educada para executar tarefas importantes para os adultos, mas para se tornar criativa, autoconfiante e independente o quanto antes. N&atilde;o existia a competi&ccedil;&atilde;o, que causa lutas pelo poder para que o mais forte domine: as rela&ccedil;&otilde;es eram de coopera&ccedil;&atilde;o e de ajuda m&uacute;tua. Para a sobreviv&ecirc;ncia da nossa esp&eacute;cie, todas as f&ecirc;meas aprendiam a cuidar das crian&ccedil;as e ambos os sexos aprendiam a repartir os frutos ou a ca&ccedil;a. A mulher n&atilde;o dependia economicamente do homem e podia optar por machos cooperadores e n&atilde;o violentos que compartilhassem o alimento.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tProvavelmente, foi da necessidade de comunica&ccedil;&atilde;o entre a m&atilde;e e a crian&ccedil;a que surgiu a fala, aprendida no primeiro ano de vida; foram as mulheres, como respons&aacute;veis pela coleta e distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos, que desenvolveram a tecnologia da pedra lascada para descascar e despeda&ccedil;ar os frutos; depois inventaram a fabrica&ccedil;&atilde;o de cestos para carreg&aacute;-los. Alguns estudiosos afirmam que foram as mulheres que deduziram, pela primeira vez, as altera&ccedil;&otilde;es nos astros devido aos intervalos dos dias entre as menstrua&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAfirma-se que, durante um longo per&iacute;odo, n&atilde;o havia chefes, os grupos se governam entre si. A mulher, embora com a fun&ccedil;&atilde;o definida, que era a de perpetuar a esp&eacute;cie com a maternidade e os cuidados com a sobreviv&ecirc;ncia e alimenta&ccedil;&atilde;o dos beb&ecirc;s, n&atilde;o exercia a domina&ccedil;&atilde;o e agia de forma igualit&aacute;ria. As crian&ccedil;as eram educadas para serem independentes, cooperadoras e generosas e a rela&ccedil;&atilde;o com os pais n&atilde;o era autorit&aacute;ria nem repressiva.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tPouco antes da descoberta do fogo, devido ao frio intenso, as mulheres perceberam que da pele curtida dos animais era poss&iacute;vel fazer roupas. Com a descoberta do fogo, o homem passou a buscar uma fun&ccedil;&atilde;o definida, ou uma identidade, tamb&eacute;m para si. &Eacute; prov&aacute;vel que, nessa &eacute;poca, tenha surgido a divis&atilde;o sexual do trabalho, isto &eacute;, as mulheres cuidavam de hortas (horticultura simples) e faziam cer&acirc;micas (arte), enquanto os homens ca&ccedil;avam.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tPodemos notar que, nessas sociedades, a mulher j&aacute; passou a trabalhar mais do que o homem, ou seja, a mulher passou a ter menos tempo livre do que o homem. J&aacute; se vislumbra o surgimento da dupla jornada para a mulher, pois, al&eacute;m de se preocupar com procria&ccedil;&atilde;o e a alimenta&ccedil;&atilde;o, tinha que se preocupar tamb&eacute;m com as cer&acirc;micas. Em muitos lugares, a mulher, al&eacute;m de dominar o processo do plantio comercializava o produto de seu trabalho exercendo seu poder de decis&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tCom o crescimento dos grupos h&aacute; a necessidade de se dividir. Alguns acreditam que foi da disputa entre grupos que as rela&ccedil;&otilde;es de competi&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia come&ccedil;am a aparecer.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tCom o desenvolvimento das atividades pastoris, que ganharam espa&ccedil;o na vida do homem, criou-se a necessidade de possuir grandes rebanhos e a preocupa&ccedil;&atilde;o com a transfer&ecirc;ncia da fortuna, ou seja, a&nbsp; heran&ccedil;a. Essa preocupa&ccedil;&atilde;o trouxe outras duas: a de reconhecimento da paternidade da crian&ccedil;a para transmiss&atilde;o dessa heran&ccedil;a e a de estabelecimento da monogamia (a mulher deveria relacionar-se com apenas um homem) para se ter a certeza dessapaternidade.&nbsp; Nessa &eacute;poca as mulheres tornaram-se ainda respons&aacute;veis pela ordenha dos animais, o que possibilitou o desenvolvimento da produ&ccedil;&atilde;o de latic&iacute;nios.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNa antiguidade houve um grande aumento da popula&ccedil;&atilde;o que precisava ser alimentada e com novas t&eacute;cnicas surgiu a agricultura.Esse trabalho pesado, dif&iacute;cil e que ningu&eacute;m queria fazer, exigia arado, m&aacute;quinas e&#8230; escravos. O homem passou a escravizar o pr&oacute;prio homem. Deixou-se de produzir para a sobreviv&ecirc;ncia e passou-se a produzir tamb&eacute;m para acumular, para ter excedentes, lucrar.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tOs grupos maiores tomavam as terras dos menores e viviam em constantes disputas e guerras. Os que perdiam as terras viravam escravos, mendigos, ladr&otilde;es, etc. Quando muita terra era acumulada por um grupo formavam-se as aldeias. Depois formavam as cidades.<\/p>\n<p>\n\tAs sociedades que j&aacute; se apresentavam divididas entre ricos, pobres e escravos dividiam-se tamb&eacute;m entre a cidade e o campo. Com a necessidade da autoridade para manter essas divis&otilde;es&nbsp; e aumentar seus dom&iacute;nios os governantes iniciaram a forma&ccedil;&atilde;o de ex&eacute;rcitos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tCom o aprimoramento das t&eacute;cnicas a natureza reagiu com secas e inunda&ccedil;&otilde;es e o homem, diante do medo, passou a precisar de algo al&eacute;m da esfera humana, que tivesse poder sobre a natureza e que controlasse todos os passos da mulher, um deus (masculino) todo-poderoso. A religi&atilde;o incentivou a mulher a dedicar-se inteiramente ao amor e ao casamento com lealdade. A partir desse momento a mulher passou a ser propriedade sexual do homem e era punida com morte se perdesse a virgindade antes do casamento ou se cometesse o adult&eacute;rio depois.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tCom a forma&ccedil;&atilde;o dos estados a mulher era obrigada a ter e a educar o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de filhos, que iriam cuidar da terra e defender o Estado. As crian&ccedil;as passaram a ser educadas e controladas para obedecer. Para as meninas ensinavam a &ldquo;arte dom&eacute;stica&rdquo; e para os meninos as profiss&otilde;es dos pais, que exigiam iniciativa e coragem.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tDurante o pastoreio combinado a horticultura existiu a poliginia (homem possu&iacute;a mais de uma mulher) porque a mulher poderia ser tamb&eacute;m m&atilde;o de obra, ou seja, trabalhar tamb&eacute;m no campo.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tQuando o pastoreio passou a ser combinado com a agricultura existiu a monogamia (homem possu&iacute;a somente uma mulher) pois o trabalho do campo passou a ser feito, na maior parte, pelo homem.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tOs casamentos eram feitos por interesse de alian&ccedil;as entre as fam&iacute;lias, de modo que a sexualidade da mulher passou a ser controlada e a ter duas fun&ccedil;&otilde;es definidas: a de esposa (fr&iacute;gida, em que o sexo &eacute; pecado) e a de prostituta (especialista em sexo, geralmente de classes mais pobres). Em alguns lugares as mulheres ricas eram participativas, pois todo o trabalho era exercido pelas mulheres escravas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tO homem rico (que algu&eacute;m trabalhava por ele) com tempo livre desenvolvia armas, cultuava-se e passava o dia todo se dedicando &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, filosofia, escultura, teatro, esporte, curtindo a vida e explorando com v&aacute;rios impostos o homem pobre e com o trabalho n&atilde;o pago, o escravo.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs rela&ccedil;&otilde;es de poder se consolidaram junto com os tabus que introjetaram na mulher o sentimento de inferioridade: a menstrua&ccedil;&atilde;o que significava fecundidade passou a ser motivo para puni&ccedil;&atilde;o (podia contaminar o homem com doen&ccedil;as respirat&oacute;rias e com a morte!); a rela&ccedil;&atilde;o sexual, com mulher, que n&atilde;o era para procriar dizia-se que podia levar o homem &agrave; derrota e a morte; ao casar deveria seguir o marido, quando arrancada de sua fam&iacute;lia deveria obedecer &agrave;s ordens das sogras e cunhadas. Com a domina&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e da fam&iacute;lia a depend&ecirc;ncia psicol&oacute;gica da mulher tamb&eacute;m se estabeleceu, &agrave;s vezes, recompensada com a forte rela&ccedil;&atilde;o afetiva com os filhos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tTornou-se necess&aacute;rio tamb&eacute;m para a sociedade patriarcal a divis&atilde;o entre as mulheres, para facilitar a domina&ccedil;&atilde;o masculina e a competi&ccedil;&atilde;o por casamentos mais ricos.Essa divis&atilde;o foi incentivada com a cria&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de beleza femininos e com a ideologia de que as mulheres s&atilde;o traidoras, perigosas e amea&ccedil;adoras da unidade entre os homens. Os homens permaneceram convivendo em grupos, fazendo alian&ccedil;as, se especializando para manter o poder ou para buscar determinados privil&eacute;gios (soldados, sacerdotes, rei).<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tMesmo com tudo isso tivemos na hist&oacute;ria grandes transgressoras!<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNessas sociedades agr&aacute;rias teve origem a sociedade dividida em classes sociais em que vivemos hoje, que tem como base de sustenta&ccedil;&atilde;o a explora&ccedil;&atilde;o de uns poucos sobre muitos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>Como essa opress&atilde;o se desenvolveu&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNa Idade M&eacute;dia, o infantic&iacute;dio de meninas (assassinato ainda beb&ecirc;s) era comum e a mulher, considerada um objeto, passava a ter um alto pre&ccedil;o. As virgens eram ainda mais valorizadas. Era permitido, aos maridos, bater na mulher e os raptos e estupros eram freq&uuml;entes. A mulher rica adquiria algum poder quando o marido sa&iacute;a para guerrear. A que era pobre, era obrigada a trabalhar na lavoura pesada. Dessa maneira faziam parte da for&ccedil;a de reservas. Assim apossavam-se tamb&eacute;m da cultura e, uma parte delas, da religi&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres celibat&aacute;rias (solteiras que se dedicavam &agrave; igreja) ficavam livres dos trabalhos dom&eacute;sticos, da reprodu&ccedil;&atilde;o e do dom&iacute;nio masculino. Em contrapartida eram proibidas de ajudar nas missas e de educar meninos. Mesmo assim o &uacute;nico escritor da Europa, por cinco s&eacute;culos, foi&#8230; uma monja (Hroswitha de Gandersheim). O culto &agrave; Virgem Maria definia o tipo ideal de mulher e as que n&atilde;o se enquadravam, eram consideradas bruxas. Novas persegui&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram.<\/p>\n<p>\n\tEm alguns lugares as mulheres foram proibidas de freq&uuml;entar a universidade e de ensinar. Onde lhes permitiam, fundaram universidades de Medicina, formaram-se em F&iacute;sicas, Advogadas, Astr&ocirc;nomas, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;Milh&otilde;es de mulheres ligadas &agrave;s &aacute;reas da medicina (cirurgi&atilde;s, curandeiras, m&eacute;dicas, etc) foram acusadas de bruxaria e queimadas vivas, num dos maiores genoc&iacute;dios (destrui&ccedil;&atilde;o) da hist&oacute;ria com at&eacute; 400 execu&ccedil;&otilde;es por dia. Dessas mais de 80% eram mulheres pobres.<\/p>\n<p>\n\tNa sexualidade a regra passou a ser a da mulher frigida (que n&atilde;o sente prazer). A mulher que sentia prazer (que atingia o orgasmo) era considerada prostituta e tinha parte com o dem&ocirc;nio.<\/p>\n<p>\n\tDessa forma, podemos perceber que do in&iacute;cio ao final do feudalismo (s&eacute;culo V ao XV) o regime patriarcal (em que autoridade m&aacute;xima &eacute; a do pai\/homem) os homens das classes possuidoras, com a complac&ecirc;ncia dos homens das classes despossu&iacute;das, apoiados em um modo de acumular e possuir riqueza e pela religi&atilde;o&nbsp; transformaram o medo em uma arma destruidora de mulheres.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tO sistema capitalista, que tamb&eacute;m &eacute; fruto dessa destrui&ccedil;&atilde;o, inicia seu caminho. Com o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia e da tecnologia um outro modo de produzir come&ccedil;ou a funcionar. O que era feito &agrave; m&atilde;o passou a ser feito pelas m&aacute;quinas. Depois, v&aacute;rias m&aacute;quinas foram colocadas juntas para produzirem em grandes quantidades, ou v&aacute;rios trabalhadores passaram a trabalhar para um s&oacute; patr&atilde;o lucrar.&nbsp; Assim foram inauguradas as f&aacute;bricas de roupas e cal&ccedil;ados.&nbsp; O poder passou a ser de quem era propriet&aacute;rio dos meios que produziam (m&aacute;quinas, ferramentas, f&aacute;bricas, terra, etc) e n&atilde;o de quem realmente produzia a riqueza.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNeste per&iacute;odo a mulher continuou sendo considerada jur&iacute;dica e politicamente inferior sem poder exercer o direito de gerir propriedade. Como refor&ccedil;o, para as mulheres das classes propriet&aacute;rias (burguesas) se constru&iacute;ram ideais de feminilidade e amor rom&acirc;ntico na tentativa de torn&aacute;-las mais fr&aacute;geis e sem preparo para exercer atividades p&uacute;blicas. Aquelas precisavam do trabalho e que conseguiram sobreviver &agrave; ca&ccedil;a &agrave;s bruxas, encaravam a contradi&ccedil;&atilde;o entre a fragilidade e a for&ccedil;a. Ainda mais amedrontadas, submissas, reprimidas em sua sexualidade e em seu saber, estavam prontas para dar &agrave; luz aos filhos e filhas que educariam de acordo com todas as regras de submiss&atilde;o que o capitalismo necessitava para a classe oper&aacute;ria. Somente com a submiss&atilde;o dos trabalhadores os patr&otilde;es poderiam transform&aacute;-los em mercadorias, comprando uma pequena parte de suas energias f&iacute;sica e mental (for&ccedil;a de trabalho) e roubando a maior parte.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres chegaram &agrave;s f&aacute;bricas e &agrave;s minas de carv&atilde;o ganhando menos que os homens e trabalhando mais. A tecnologia, que deveria servir para deixar as trabalhadoras com mais tempo livre, &eacute; utilizada visando somente o ganho do patr&atilde;o. A morte por estafa e tuberculose fez a popula&ccedil;&atilde;o feminina diminuir nas regi&otilde;es industrializadas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres trabalhadoras sempre foram questionadoras e, muitas vezes, revolucion&aacute;rias. Questionavam atrav&eacute;s da sexualidade, do saber, tomaram parte nos levantes e revoltas. Na Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa a mis&eacute;ria fez com que avan&ccedil;assem contra a Monarquia por p&atilde;o para os filhos. Muitas foram decapitadas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNo ano que o&nbsp; <em>Manifesto Comunista<\/em> foi escrito houve o primeiro encontro de feministas, em que reivindicavam o fim da sociedade de domina&ccedil;&atilde;o patriarcal. Exigiam o direito de votar, de estudar e, at&eacute;, o fim da escravid&atilde;o. Essas mulheres, geralmente da classe m&eacute;dia que n&atilde;o trabalhava, n&atilde;o sofriam as mesmas press&otilde;es das oper&aacute;rias. As oper&aacute;rias trabalhavam em lugares insalubres, tinham jornada de trabalho de at&eacute; doze horas, n&atilde;o tinham intervalo para comer, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tEnquanto os oper&aacute;rios de todo o mundo uniam-se em sindicatos, contra os patr&otilde;es que ficavam com todo o fruto de seu trabalho, as mulheres tamb&eacute;m lutavam pela semana de seis dias, depois de cinco dias, contra o trabalho infantil, pela jornada de dez horas, depois oito horas de trabalho di&aacute;rio. Foram nessas condi&ccedil;&otilde;es que surgiram v&aacute;rias greves e aquela, em que cento e cinq&uuml;enta mulheres foram queimadas vivas por reivindicarem melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, que lembrada ainda hoje com o 8 de mar&ccedil;o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNo per&iacute;odo da I Guerra Mundial as mulheres j&aacute; votavam, mas a sociedade insistia em valorizar as que ficavam dentro de casa e que serviam ao homem, ou seja, buscava um voto alienado na medida em que n&atilde;o era bem vista a participa&ccedil;&atilde;o feminina na vida pol&iacute;tica, o que de fato acontecia. A qualquer sinal de liberta&ccedil;&atilde;o feminina, as teorias a servi&ccedil;o do sistema nunca deixavam por menos: o padr&atilde;o de sexualidade feminina passou do orgasmo clitoriano para o orgasmo vaginal.J&aacute; imaginam o porqu&ecirc;!<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNa Revolu&ccedil;&atilde;o Russa foram as mulheres que convocaram a primeira greve geral que serviu de estopim contra a Monarquia. Assumiram a consci&ecirc;ncia socialista e foram intransigentes em todas as frentes contra a opress&atilde;o e a servid&atilde;o dom&eacute;stica e por uma R&uacute;ssia livre. Conquistaram o direito de decidirem sobre seus corpos, o direito ao div&oacute;rcio, o direito de exigir judicialmente do pai o sustento para os filhos. Reivindicaram e organizaram restaurantes, lavanderias e creches p&uacute;blicas para terem mais tempo livre do trabalho dom&eacute;stico. Sa&iacute;ram do espa&ccedil;o privado (dentro de casa) para realizar encontros, confer&ecirc;ncias e congressos internacionais que as unificassem em suas reivindica&ccedil;&otilde;es e as colocassem em condi&ccedil;&atilde;o de atuarem com os demais trabalhadores. Mas, com a guerra civil e, posteriormente, com a chegada de St&aacute;lin ao poder, as mulheres mais combativas foram expurgadas. Houve um grande retrocesso em suas conquistas: volta da fam&iacute;lia tradicional, desemprego, ilegalidade do aborto, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNa Alemanha derrotada pela guerra os valores da fam&iacute;lia e da propriedade eram pregados contra as mulheres com o lema &ldquo;crian&ccedil;a, igreja e cozinha&rdquo;. Para os casais em que as mulheres n&atilde;o trabalhassem fora de casa, o estado concedia empr&eacute;stimos e havia abatimento no valor se o casal tivesse mais filhos. O aborto, obviamente, era crime. As mulheres deficientes ou prostitutas eram esterilizadas. As judias, mortas. Quando a possibilidade de uma segunda Guerra come&ccedil;ou a aparecer, as mulheres foram incentivadas a trabalhar nas f&aacute;bricas para substituir a m&atilde;o-de-obra masculina que iria combater, mas deveriam continuar a ter filhos, inclusive as solteiras.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tOs grandes pa&iacute;ses capitalistas sempre lucraram com as guerras &#8211; s&atilde;o dependentes delas. E as mulheres, principalmente as trabalhadoras, sempre sofreram das mais diferentes formas, com o aumento da explora&ccedil;&atilde;o, priva&ccedil;&atilde;o, aus&ecirc;ncia dos companheiros e filhos, estupros, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNa d&eacute;cada de 70, com mais avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, menos trabalhadores produzem cada vez mais e os produtos ficam mais baratos. Os patr&otilde;es, que querem continuar lucrando alto, pagam menos para os trabalhadores e mandam muitos embora. Os trabalhadores ganhando pouco ou sem emprego n&atilde;o conseguem comprar todas as mercadorias que os patr&otilde;es precisariam vender para manter seus lucros.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tTudo isso acirra a competi&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses. Os mais ricos, al&eacute;m de lucrar com a explora&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora, encontram uma forma de lucrar f&aacute;cil e r&aacute;pido. Passam a emprestar cada vez mais dinheiro para os pa&iacute;ses pobres, com juros muito altos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>A que ponto chegamos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\n\tNesse panorama, em que existe a divis&atilde;o entre pa&iacute;ses dominantes e dominados, a situa&ccedil;&atilde;o da mulher no mundo apresenta-se ainda mais fragmentada.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres da classe trabalhadora s&atilde;o requisitadas, cada vez mais, para ocupar os postos de trabalho, antes ocupados pelos homens, para receber sal&aacute;rios mais baixos nas ind&uacute;strias e contribuir com as despesas da casa. Mant&ecirc;m a jornada de oito horas di&aacute;rias no trabalho e, em m&eacute;dia, outras quatro horas em casa. O grau de viol&ecirc;ncia continua elevado: ganham menos que os homens em fun&ccedil;&otilde;es iguais na f&aacute;brica e continuam sem tempo livre do trabalho dom&eacute;stico. No caso da trabalhadora camponesa a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda pior em raz&atilde;o do desgaste f&iacute;sico e da viola&ccedil;&atilde;o aos direitos trabalhistas. A mulher negra, quando consegue entrar no mercado de trabalho formal, &eacute; obrigada a aceitar um valor ainda mais baixo pela venda da sua for&ccedil;a de trabalho e acumula uma viol&ecirc;ncia sobre a outra.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA estrutura de fam&iacute;lia imposta pela burguesia tornou-se fortemente questionada com a situa&ccedil;&atilde;o da mulher trabalhadora. A mulher j&aacute; n&atilde;o tem tempo para ter v&aacute;rios filhos e educ&aacute;-los, cuidar do marido, trabalhar oito horas fora e quatro em casa, sentir prazer, descansar e ter lazer.&nbsp; Manter a mulher dentro de casa s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com uma certa renda e, mesmo assim, a classe que defende esta estrutura &eacute; altamente hip&oacute;crita. Prega, baseada no catolicismo uma fam&iacute;lia leal, o direito &agrave; vida e a justi&ccedil;a, mas tem todo o tempo e condi&ccedil;&atilde;o financeira para realizar o adult&eacute;rio e a poligamia, o aborto em cl&iacute;nicas especializadas e manter a apropria&ccedil;&atilde;o do trabalho alheio.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA mulher burguesa apresenta-se submissa ao marido e a fam&iacute;lia a fim de manter a riqueza e o poder. As de classe m&eacute;dia que n&atilde;o trabalham assumem parcialmente os afazeres da casa e o cuidado com os filhos. Outras se dedicam aos estudos, &agrave;s artes e tornam-se profissionais liberais.<\/p>\n<p>\n\tNa jun&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista com o religioso quase sempre, em v&aacute;rias partes do mundo, a mulher e sua sexualidade tornaram-se objetos de ataques: Em alguns lugares, ainda hoje, &eacute; proibida de participar de ritos religiosos; meninas s&atilde;o obrigadas a casar ainda com o corpo em forma&ccedil;&atilde;o; meninas s&atilde;o circuncidadas (retirada do clit&oacute;ris) mulheres s&atilde;o infibuladas (costura-se os grandes l&aacute;bios da vulva deixando-se s&oacute; um pequeno orif&iacute;cio)&nbsp; para n&atilde;o sentirem prazer.<\/p>\n<p>\n\tH&aacute; alguns anos atr&aacute;s, o movimento feminista, novamente organizado, voltou a cena para questionar a discrimina&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, reivindicar participa&ccedil;&atilde;o nos &oacute;rg&atilde;os de decis&atilde;o das empresas, dos sindicatos e da pol&iacute;tica e principalmente o direito ao orgasmo. Houve algumas conquistas, que no capitalismo s&atilde;o tidas como concess&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tNo entanto hoje o retrocesso se imp&otilde;e: muitas mulheres j&aacute; est&atilde;o desempregadas, as profiss&otilde;es em que a maioria &eacute; mulher s&atilde;o as que encontramos sal&aacute;rios mais baixos, o vaticano pro&iacute;be o uso de preservativo em meio aos altos &iacute;ndices de soros positivos, a castidade volta a ser discutida entre as jovens, o n&uacute;mero de mortes por abortos clandestinos aumenta a cada dia, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres no I Congresso das Oper&aacute;rias Metal&uacute;rgicas em S&atilde;o Bernardo, no ABC paulista, na d&eacute;cada de 70, j&aacute; constatavam as m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de vida, a falta de creches nos locais de trabalho, a viol&ecirc;ncia dos chefes e a discrimina&ccedil;&atilde;o sexual presentes ainda hoje em nossos meios.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA conquista de alguns direitos na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, como igualdade de direitos trabalhistas, previdenci&aacute;rios e sociais, o fim da proibi&ccedil;&atilde;o da maternidade e o direito a terra, foram conquistas das lutas das trabalhadoras, em sua tripla jornada, que a partir dos sindicatos, se juntaram aos demais trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tDesde essa &eacute;poca at&eacute; hoje, a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na CUT (Central &Uacute;nica dos Trabalhadores) foi diminuindo em contraste com o aumento do trabalho feminino. A cota de 30% de mulheres nos &oacute;rg&atilde;os de decis&atilde;o nunca refletiu a quantidade de mulheres no mercado de trabalho e, mesmo, se mant&eacute;m.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA tal <em>Secretaria de Mulheres<\/em>, que no in&iacute;cio era coordenada por homens, est&aacute; totalmente submetida e trabalhando para implementar as pol&iacute;ticas do governo Lula para as mulheres, ou seja, p&ocirc;r fim &agrave; licen&ccedil;a maternidade e aos direitos trabalhistas com a pr&oacute;xima contra-reforma trabalhista.<\/p>\n<p>\n\tAs mulheres que a coordenam calaram-se diante da Reforma da Previd&ecirc;ncia (que atingiu diretamente a classe que vende a for&ccedil;a de trabalho, aumentando o tempo de contribui&ccedil;&atilde;o e extinguindo a aposentadoria por idade) e da investida do governo contra as dom&eacute;sticas, h&aacute; pouco tempo. Est&atilde;o h&aacute; muitos anos fora das f&aacute;bricas, j&aacute; fazem parte da burocracia sindical e n&atilde;o conseguem galgar os espa&ccedil;os parlamentares da mesma forma que os homens desse meio. Com o passar dos anos, foram implementando a l&oacute;gica que distancia cada vez mais as mulheres da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e sindical.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tHoje ao se sentirem amea&ccedil;adas com a Reforma Sindical, buscam rever seu espa&ccedil;o entre as trabalhadoras promovendo as <em>Semanas da Beleza<\/em>, em que alguns servi&ccedil;os s&atilde;o oferecidos sem custo em troca da promo&ccedil;&atilde;o de marcas de cosm&eacute;tico, contribuindo para o estelionato dermatol&oacute;gico (est&iacute;mulo ao consumo de produtos e cirurgias para elevar a auto-estima). Enquanto isso, cruzam os bra&ccedil;os para os verdadeiros ataques &agrave; auto-estima da mulher trabalhadora, ou seja, a opress&atilde;o, a carga elevada de trabalho, os baixos sal&aacute;rios, a dupla jornada, a cobran&ccedil;a pelo trabalho dom&eacute;stico, e o pouco tempo dedicado ao prazer. Os sindicatos, em sua maioria, n&atilde;o deixam por menos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tSomente agora, no in&iacute;cio do novo mil&ecirc;nio, surgiu uma nova coordena&ccedil;&atilde;o de lutas (Conlutas) entre os trabalhadores e as trabalhadoras iniciam uma t&iacute;mida organiza&ccedil;&atilde;o, que ainda n&atilde;o incorpora as desempregadas ou subempregadas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA maioria das organiza&ccedil;&otilde;es que era de esquerda no per&iacute;odo da Ditadura Militar sucumbiu. Hoje quase todas est&atilde;o no poder sob fajutas denomina&ccedil;&otilde;es de socialistas, de comunistas, de verde, de trabalhadores. Aproveitaram-se da queda da burocracia stalinista do Leste Europeu para confundir a classe trabalhadora contra o socialismo, &uacute;nico sistema capaz de colocar a mulher, e conseq&uuml;entemente a humanidade, em uma situa&ccedil;&atilde;o superior.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs nossas jovens trabalhadoras estudantes, que ingressam agora no mercado de trabalho, novamente enfrentam os problemas das m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, baixos sal&aacute;rios, jornadas de trabalho irregulares, falta de direitos trabalhistas com pomposos nomes como: estagi&aacute;rias, operadoras de telemarketing, teleoperadoras, etc. Est&atilde;o complemente desamparadas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA situa&ccedil;&atilde;o se complica se observarmos o papel que a m&iacute;dia burguesa cumpre contra a mulher e a favor do sistema de explora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tTem sido cada vez mais constante atrelar o corpo da mulher, com seus atuais padr&otilde;es de beleza, a propagandas pouco inteligentes, racistas e que fazem apologia &agrave;s drogas. Vide <em>net.com<\/em>, <em>Ant&aacute;rtica, Coca-Cola<\/em>., etc. As novelas e os programas televisivos buscam, cada vezmais, imprimir na consci&ecirc;ncia das trabalhadoras o modo burgu&ecirc;s de viver com amensagem &ldquo;se voc&ecirc; trabalhar, voc&ecirc; consegue!&rdquo;,&nbsp; ao mesmo tempo em que n&atilde;o existe trabalho para todas.<\/p>\n<p>\n\tA tentativa de humilhar as mulheres de nossa classe &eacute; constante e necess&aacute;ria para o sistema que vive do lucro. Ao mesmo tempo em que ressaltam o padr&atilde;o de beleza da mulher brasileira imp&otilde;em o padr&atilde;o de beleza americano. Introjetam em cada uma que &ldquo;est&aacute; feia&rdquo;, &ldquo;gorda&rdquo;, &ldquo;fora de moda&rdquo;, &ldquo;que cabelo n&atilde;o pode ser assim&rdquo;, etc para consumirem os caros produtos de beleza. Mas muitas n&atilde;o t&ecirc;m como consumir.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tIsto tudo mostra a que ponto chegamos!<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>As pesquisas n&atilde;o conseguem esconder&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\n\tAt&eacute; os &oacute;rg&atilde;os de imprensa da burguesia revelam:<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7O n&uacute;mero de domic&iacute;lios chefiados pelas mulheres cresceu 37%, passando de 18,1% para 24,9%. Apesar do aumento na taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o, as mulheres se empregam prioritariamente em ocupa&ccedil;&otilde;es chamadas &quot;extens&otilde;es da vida dom&eacute;stica&quot;, como trabalhadoras dom&eacute;sticas ou sem remunera&ccedil;&atilde;o (27,4%). Elas ganham em m&eacute;dia 30% a menos do que os homens. (<em>Folha de S&atilde;o Paulo<\/em>, 23 de maio de 2006)<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7Pela primeira vez o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica) captou em estat&iacute;sticas que as mulheres que trabalham fora t&ecirc;m uma jornada extra com afazeres dom&eacute;sticos muito maior do que a dos homens. Segundo o instituto, a jornada complementar m&eacute;dia das mulheres trabalhadoras chega a ser o dobro da dos homens no lar, estejam eles trabalhando fora ou n&atilde;o. Em m&eacute;dia, as mulheres gastam 22,1 horas por semana em tarefas dom&eacute;sticas, como arrumar ou limpar a casa, cozinhar ou preparar alimentos, passar roupa, lavar roupa ou lou&ccedil;a. Orientar ou dirigir ordens a empregadas dom&eacute;sticas, cuidar de filhos, limpar o quintal tamb&eacute;m s&atilde;o consideradas tarefas dom&eacute;sticas. Enquanto isso, os homens disseram dedicar 9,9 horas semanais para cuidar da casa. Em outras palavras, as mulheres trabalham em casa mais de quatro horas di&aacute;rias. J&aacute; para os homens essa m&eacute;dia di&aacute;ria cai para duas. (<em>Folha On-line<\/em>, Rio 12 de abril de 2006).<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7A taxa de mortalidade de negros &eacute; superior &agrave; de brancos no Estado de S&atilde;o Paulo. A AIDS, por exemplo, mata duas vezes mais negros que brancos, segundo constatou pesquisa da Secretaria Estadual da Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo. O levantamento analisou as causas dos 236.025 &oacute;bitos que ocorreram no Estado no ano de 1999. A pesquisa foi concentrada nesse ano porque os atestados de &oacute;bito forneciam informa&ccedil;&otilde;es mais completas, de cor e ra&ccedil;a, do que em outros anos. O estudo aponta ainda que a taxa de mortalidade materna das gestantes negras representa mais de seis vezes a de gr&aacute;vidas de cor branca. (<em>Folha de S&atilde;o Paulo<\/em>, 03 de agosto de 2006.)<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7no ano de 2004, 7,1% dos homens estavam desempregados, enquanto 12,1% das mulheres n&atilde;o tinham ocupa&ccedil;&atilde;o formal. A taxa de desemprego entre brancos e negros mostra que 10,5% dos negros estavam sem emprego, em 2004, e 8,2% dos brancos desempregados. A taxa de mulheres negras desempregadas ou sua faixa salarial n&atilde;o constam no estudo.(<em>Cidade Rep&oacute;rter<\/em>, 17 de setembro de 2006)<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7O n&uacute;mero de v&iacute;timas de maus-tratos aumenta de forma assustadora e, hoje, o problema &eacute; t&atilde;o grave que virou tamb&eacute;m quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica. Pais, filhos, ex e atuais maridos s&atilde;o, em geral, os principais agressores &mdash; e n&atilde;o pessoas estranhas, como poderia se supor&mdash;. Mulheres que sofrem viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica podem apresentar quadros de ansiedade, fobias e depress&atilde;o. No mundo, um em cada cinco dias de falta no trabalho feminino &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. Conforme artigo publicado na Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica, ed. fev. 2005, &ldquo;O Brasil &eacute; o pa&iacute;s que mais sofre com a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, perdendo 10,5% do seu PIB. A cada quatro minutos, uma mulher &eacute; agredida no pa&iacute;s. Em 85,5% dos casos de viol&ecirc;ncia f&iacute;sica contra mulheres, os pr&oacute;prios parceiros s&atilde;o os agressores.&rdquo;<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/img\/px.gif\" \/>O perfil da mulher, v&iacute;tima de viol&ecirc;ncia pelo pr&oacute;prio parceiro, aponta para jovens casadas, cat&oacute;licas, com filhos, pouco tempo de estudo e baixa renda familiar. Em 72% dos casos foi observado quadro sugestivo de depress&atilde;o cl&iacute;nica e 78% das entrevistadas apresentaram sintomas de ansiedade e ins&ocirc;nia: Em termos globais, as conseq&uuml;&ecirc;ncias do estupro e da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica para a sa&uacute;de das mulheres s&atilde;o pr&oacute;ximas aos efeitos das doen&ccedil;as cardiovasculares e mais expressivas que as encontradas para todos os tipos de c&acirc;ncer. O alcoolismo &eacute; um dos principais fatores associado a atos de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. Entre os casos estudados, 70% dos parceiros costumam ingerir bebidas alco&oacute;licas e 11% s&atilde;o usu&aacute;rios de drogas il&iacute;citas.(<em>Ag&ecirc;ncia Notisa<\/em>, 04 mar&ccedil;o de 2005).<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t\uf0b7Desde que a pessoa tenha dinheiro para pagar, o aborto &eacute; permitido no Brasil. Se a mulher for pobre por&eacute;m, precisa provar que foi estuprada ou estar &agrave; beira da morte para ter acesso a ele. Como conseq&uuml;&ecirc;ncia, milh&otilde;es de adolescentes e m&atilde;es de fam&iacute;lia que engravidaram sem querer recorrerem ao abortamento clandestino, anualmente. A septicemia, resultante da presen&ccedil;a de restos infectados na cavidade uterina, &eacute; causa de morte freq&uuml;ente entre as mulheres brasileiras em idade f&eacute;rtil. A simples men&ccedil;&atilde;o ao assunto provoca rea&ccedil;&otilde;es t&atilde;o emocionais quanto imobilizantes. Ent&atilde;o, alheios &agrave; trag&eacute;dia das mulheres que morrem no campo e nas periferias das cidades brasileiras, optamos por deixar tudo como est&aacute;. E n&atilde;o se fala mais no assunto.(<em>Folha de S&atilde;o Paulo<\/em>, 26 de agosto de 2000<em>).<\/em> Estimativas recentes mostram:Os n&uacute;meros variam de 750 mil a 1.4 milh&atilde;o de abortos por ano no Brasil. (<em>Folha de S&atilde;o Paulo<\/em>, 22 de setembro de 2006)<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>A igualdade para al&eacute;m do capital<\/strong><\/p>\n<p>\n\tTudo o que observamos e vivemos at&eacute; aqui mostra que esse sistema, que sobrevive com a explora&ccedil;&atilde;o de uns poucos sobre muitas, jamais vai conceder a verdadeira igualdade entre os seres humanos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tN&oacute;s, mulheres, sa&iacute;mos da situa&ccedil;&atilde;o de m&atilde;e da Terra para a servid&atilde;o na Terra. No entanto, o sangue derramado de tantas lutadoras pela sobreviv&ecirc;ncia da esp&eacute;cie humana com a verdadeira justi&ccedil;a n&atilde;o pode ter sido em v&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tUma parte das mulheres saiu de dentro de casa e atingiu postos de trabalho antes inimagin&aacute;veis. Outras sequer conseguiram sair da escravid&atilde;o dom&eacute;stica. No entanto, em ambos os casos o esfor&ccedil;o de nosso trabalho serve, principalmente, aos interesses de reprodu&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho, ou seja, gerar filhos para m&atilde;o-de-obra.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tDiante disso os nossos modos de vida, nossos sentimentos, nosso saber, tudo que nos envolve &eacute; moldado como produto de consumo. Quando precisam de mais filhos, mulheres devem ficar em casa. Quando fazem filhos demais, legalizam o aborto. Quanto de menos, criminalizam. Quando precisam reduzir sal&aacute;rios, mulheres v&atilde;o para o mercado de trabalho. E quando a criminalidade se instala entre a juventude, a m&atilde;e n&atilde;o &eacute; presente.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAssim percebemos que a t&atilde;o disseminada igualdade &eacute; verdadeiramente uma farsa. Todas as conquistas, conseguidas com muita luta, fizeram com que a esp&eacute;cie humana chegasse ao s&eacute;culo XXI. Mas o pr&oacute;ximo s&eacute;culo estar&aacute; questionado se n&atilde;o arrancarmos com unhas, dentes, foices e martelos a verdadeira igualdade.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>O que n&atilde;o podemos deixar para amanh&atilde;<\/strong><\/p>\n<p>\n\tA luta que nossos antepassados iniciou n&atilde;o pode parar! A unidade de todos os explorados &eacute; uma necessidade. A competi&ccedil;&atilde;o e o medo n&atilde;o podem mais submeter a mulher da classe trabalhadora! A nossa organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; caso de vida ou&#8230; morte!<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Tempo livre do trabalho dom&eacute;stico:<\/em><\/p>\n<p>\n\tO planeta est&aacute; entrando em colapso pela for&ccedil;a de destrui&ccedil;&atilde;o do homem capitalista. Somente n&oacute;s, classe trabalhadora, podemos barrar essa situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA mulher n&atilde;o pode mais passar tanto tempo de sua vida cuidando dos afazeres dom&eacute;sticos. Juntos homens, mulheres e jovens precisam assumir as tarefas dom&eacute;sticas para que juntos decidamos sobre as formas de produzir (quantidade, distribui&ccedil;&atilde;o, tipo) e sobre a sobreviv&ecirc;ncia da humanidade.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tO direito ao trabalho fora de casa n&atilde;o pode representar, para a mulher, dupla puni&ccedil;&atilde;o. A organiza&ccedil;&atilde;o das mulheres em organiza&ccedil;&otilde;es e sindicatos n&atilde;o pode representar a tripla puni&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Viol&ecirc;ncia contra a mulher:<\/em><\/p>\n<p>\n\tPelo que observamos a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e, principalmente, a psico-social contra a mulher &eacute; inerente ao sistema capitalista. Mas o pior &eacute; observar que a nossa classe, que sofre todo o tipo de explora&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m se vale da viol&ecirc;ncia para reprimir, amedrontar, para n&atilde;o aceitar sua decis&atilde;o e escravizar a mulher. Entendemos a viol&ecirc;ncia contra a mulher sob tr&ecirc;s aspectos:<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t1) Psicossocial: Os poderes do homem e da religi&atilde;o obrigam a mulher a dedicar a maior parte de seu dia ao trabalho dom&eacute;stico. Introjetam na mulher o sentimento de culpa. As cobran&ccedil;as diretas ou indiretas desses afazeres agridem a mulher no seu mais profundo &iacute;ntimo. &Eacute; constante encontrarmos mulheres cansadas, desanimadas, com dificuldades de sentir prazer, deprimidas ou doentes psicologicamente por n&atilde;o terem tempo ou condi&ccedil;&atilde;o financeira para dan&ccedil;ar, praticar esporte, voltar a estudar, militar, etc. Muitas s&atilde;o humilhadas, xingadas ou simplesmente ignoradas por estarem nessa situa&ccedil;&atilde;o. Comportamentos autorit&aacute;rios, impositivos, amea&ccedil;as t&ecirc;m sido regra no ambiente familiar e fora dele.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t2) Sexual: O estupro, nesses &uacute;ltimos anos, tem passado de doen&ccedil;a psicol&oacute;gica do homem perturbado pelo sistema a absurdos argumentos para justific&aacute;-lo. A mulher tem sido constantemente violentada quando decide sobre o seu corpo. Muitas s&atilde;o for&ccedil;adas em casa, outras ainda crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t3) F&iacute;sica: Essa varia de pequenas agress&otilde;es at&eacute; aquelas que p&otilde;em fim &agrave; vida.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, de consci&ecirc;ncia de classe e socialista:<\/em><\/p>\n<p>\n\tConclu&iacute;mos que na sociedade capitalista jamais conseguiremos uma verdadeira igualdade. Por que devemos lutar pela sobreviv&ecirc;ncia desse sistema?<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tA sociedade socialista &ndash; que &eacute; a ponte entre esse mundo de necessidades para o de liberdades, que n&atilde;o permitir&aacute; o uso da tecnologia contra o ser humano e que possibilitar&aacute; a mulher um outro tipo de vida &ndash; dever&aacute; ser objeto de nossa compreens&atilde;o e dedica&ccedil;&atilde;o para a luta.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tTodas as mulheres da classe trabalhadora precisam ter forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para aprender a avaliar e lutar contra esse sistema opressivo, com todas as armas. Sabemos que n&atilde;o podemos contar com a m&iacute;dia burguesa, com a religi&atilde;o e, muito menos com o homem ou a mulher da burguesia. Essa forma&ccedil;&atilde;o precisa ser pensada e impulsionada por todas as pessoas que n&atilde;o abandonaram a luta pelo socialismo. A nossa classe precisa ser despertada e as mulheres precisam de tempo livre do trabalho dom&eacute;stico para se formarem em todos os sentidos que a atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica exige.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<strong>O que devemos defender para minimizar o sofrimento da mulher trabalhadora<\/strong><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Jornada de trabalho:Por mais tempo livre dos trabalhos dom&eacute;sticos!<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>\n\t\tRedu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho, sem redu&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio, sem a dupla jornada e com cotas proporcionais para as mulheres negras;<\/li>\n<li>\n\t\tDivis&atilde;o das tarefas dom&eacute;sticas entre todos os membros da casa;<\/li>\n<li>\n\t\tCreches p&uacute;blicas, gratuitas e com alta qualidade de ensino com funcionamento 24 horas, nos fins-de-semana e inclusive nos locais de trabalho e estudo. Enquanto as creches n&atilde;o estiverem prontas devemos exigir o <em>Aux&iacute;lio Bab&aacute;<\/em>, em que a pessoa respons&aacute;vel pela crian&ccedil;a de at&eacute; 12 anos, recebe um sal&aacute;rio m&eacute;dio para contratar uma pessoa de confian&ccedil;a que cuidar&aacute; de seu agregado;<\/li>\n<li>\n\t\tAs organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sindicatos&nbsp; devem criar condi&ccedil;&otilde;es (contratar bab&aacute; ou creche), durante as atividades militantes, para a participa&ccedil;&atilde;o de m&atilde;es trabalhadoras e pais com a guarda dos filhos;<\/li>\n<li>\n\t\tLavanderias p&uacute;blicas, gratuitas e com qualidade em todos os bairros.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-left: 18pt\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Viol&ecirc;ncia contra a mulher: Por uma vida digna e justa para a nossa classe!<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>\n\t\tFim da escravid&atilde;o dom&eacute;stica;<\/li>\n<li>\n\t\tInvestimento, do Estado, em uma campanha massiva de orienta&ccedil;&atilde;o sexual, preven&ccedil;&atilde;o contraceptiva e preven&ccedil;&atilde;o &agrave; AIDS e outras DST&acute;s nas escolas, bairros, postos de sa&uacute;de, sindicatos, televis&atilde;o, r&aacute;dio, etc;<\/li>\n<li>\n\t\tDistribui&ccedil;&atilde;o gratuita e sistem&aacute;tica de preservativos masculinos e femininos, p&iacute;lulas e inje&ccedil;&otilde;es anticoncepcionais e do dia seguinte nos postos dos SUS e nos planos de sa&uacute;de;<\/li>\n<li>\n\t\tPela descriminaliza&ccedil;&atilde;o e legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. Pela obrigatoriedade do atendimento pelo SUS e planos de sa&uacute;de. N&atilde;o podemos entender o aborto como um m&eacute;todo contraceptivo. Mas ele &eacute; um fato. Ao contr&aacute;rio do que dizem o aborto, bem assistido, &eacute; uma defesa da vida da mulher e<strong>n&atilde;o<\/strong> faz mais mal para o corpo da mulher do que o parto. O atendimento p&uacute;blico, com qualidade, &eacute; necess&aacute;rio para as mulheres da classe trabalhadora que n&atilde;o conseguem pagar uma cl&iacute;nica. A lei existente hoje prev&ecirc; pris&atilde;o de 01 a 03 anos para a mulher e para quem o realiza. O suposto pai sequer &eacute; mencionado. Para deixar de ser crime um dos projetos de lei em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional (majoritariamente composto por homens da direita) poder&aacute; ser aprovado. Ele prop&otilde;e a permiss&atilde;o da interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez de at&eacute; 12 semanas em qualquer circunst&acirc;ncia, de at&eacute; 20 semanas em caso de estupro e em qualquer tempo nos casos de m&aacute;-forma&ccedil;&atilde;o do feto ou risco &agrave; sa&uacute;de da mulher. Prev&ecirc; a utiliza&ccedil;&atilde;o dos SUS e dos planos de sa&uacute;de para tais pr&aacute;ticas.<\/li>\n<li>\n\t\tA mulher deve decidir sobre o seu pr&oacute;prio corpo, em todos os sentidos;<\/li>\n<li>\n\t\tAs rela&ccedil;&otilde;es de companheirismo e fraternidade devem prevalecer entre as mulheres para resistirem e trazerem todos os camaradas em seus locais de trabalho, estudo e milit&acirc;ncia contra os Ass&eacute;dios moral e sexual;<\/li>\n<li>\n\t\tApoio psicol&oacute;gico e pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o ou recoloca&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho para as mulheres v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, al&eacute;m das medidas de assist&ecirc;ncia&nbsp; social. A nova legisla&ccedil;&atilde;o (Lei Maria da Penha 11.340\/06) avan&ccedil;a quando trata da viol&ecirc;ncia contra a mulher e por trazer a possibilidade de que todo boletim de ocorr&ecirc;ncia de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica se transforme em inqu&eacute;rito policial. Al&eacute;m de uma condena&ccedil;&atilde;o penal de at&eacute; tr&ecirc;s anos de pris&atilde;o, o agressor ainda pode ter decretada a separa&ccedil;&atilde;o, condena&ccedil;&atilde;o em alimentos, perda da guarda dos filhos al&eacute;m de outras medidas como afastamento do lar, perda do porte de armas, determina&ccedil;&atilde;o de que se mantenha distanciado da v&iacute;tima e at&eacute; o direito de a mulher reaver seus bens e cancelar procura&ccedil;&otilde;es em nome do agressor. Noentanto n&atilde;o aponta nada quanto &agrave;situa&ccedil;&atilde;o, existente em muitos casos, da depend&ecirc;ncia financeira da mulher e quanto a um dos principais fatores associado a atos de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, que &eacute; o alcoolismo;<\/li>\n<li>\n\t\tQue o Estado reconhe&ccedil;a o alcoolismo e a depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica como problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica e garanta para a nossa classe o tratamento pelo SUS e planos de sa&uacute;de;<\/li>\n<li>\n\t\tCombate &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes atacando as verdadeiras ra&iacute;zes &ndash; a&nbsp; pobreza, a viol&ecirc;ncia e o tr&aacute;fico de drogas &ndash; que levam crian&ccedil;as e adolescentes &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o sexual-comercial. Com a redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho com emprego para todos, a qualidade de ensino nas escolas p&uacute;blicas, o lazer, o esporte, etc;<\/li>\n<li>\n\t\tCombate ao tr&aacute;fico de seres humanos. O Brasil, de acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para Migra&ccedil;&otilde;es, OIM, &eacute; o pa&iacute;s sul-americano com o maior n&uacute;mero de casos de tr&aacute;fico humano. O tr&aacute;fico internacional de mulheres, crian&ccedil;as e adolescentes movimenta anualmente entre US$ 7 e US$ 9 bilh&otilde;es, tornando-se uma das atividades mais lucrativas do crime organizado transnacional. Estima-se que o lucro das redes com cada ser humano transportado ilegalmente de um pa&iacute;s para outro chegue a US$ 30mil. Apesar de ser poss&iacute;vel constatar aumento dos casos, poucos traficantes de fato s&atilde;o presos. N&atilde;o podemos fechar os olhos para essa situa&ccedil;&atilde;o. A mulher, que desesperadamente quer sobreviver, n&atilde;o pode continuar sendo mercadoria do tr&aacute;fico internacional de seres humanos para prostitui&ccedil;&atilde;o e trabalho escravo;<\/li>\n<li>\n\t\tN&atilde;o aceitamos que a teoria do criacionismo (que coloca a mulher em posi&ccedil;&atilde;o de submiss&atilde;o e humilha&ccedil;&atilde;o) seja parte dos conte&uacute;dos ensinados nas escolas;<\/li>\n<li>\n\t\tPela aboli&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o est&eacute;tico bul&iacute;mico e anor&eacute;xico, que busca valorizar a mulher trabalhadora atribuindo-lhe a auto-estima da mulher burguesa, o que tem contribu&iacute;do, entre outras coisas, na supress&atilde;o de mulheres gordas ou negras do acirrado mercado de trabalho, por exemplo, em shopping centers; Devemos estar atentas a todo o malabarismo feito pela imprensa burguesa e j&aacute; assumido por alguns sindicatos de impor o estelionato dermatol&oacute;gico.<\/li>\n<li>\n\t\tQue sejam abolidas as formas subjetivas de contrata&ccedil;&atilde;o em processos seletivos ou concursos p&uacute;blicos com tais como: foto, din&acirc;mica de grupo, etc;<\/li>\n<li>\n\t\tContra todo tipo de preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o. Estudos da esquerda sobre homossexualismo pouco contribuem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher homossexual. A luta contra o preconceito e a discrimina&ccedil;&atilde;o deve considerar, inclusive, a dificuldade, da mulher homossexual, de manter sexo seguro;<\/li>\n<li>\n\t\tReconhecemos a uni&atilde;o civil homossexual, inclusive com direitos &agrave; ado&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<li>\n\t\tPor uma sexualidade livre dos preconceitos religiosos, de ra&ccedil;a, de orienta&ccedil;&atilde;o sexual e n&atilde;o submetida &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es do capital.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"margin-left: 18pt\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Emprego: Pela n&atilde;o depend&ecirc;ncia financeira que humilha e maltrata!<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>\n\t\tRedu&ccedil;&atilde;o da Jornada de trabalho com sal&aacute;rio m&iacute;nimo do Dieese para todas as m&atilde;es do campo e da cidade que trabalham fora com cotas proporcionais para as mulheres negras;<\/li>\n<li>\n\t\tCarteira assinada e com todos os direitos trabalhistas a todas mulheres que trabalham em situa&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias e terceirizadas. Exemplo: estagi&aacute;rias, operadoras de telemarketing, empregadas dom&eacute;sticas, trabalhadoras do campo, etc;<\/li>\n<li>\n\t\tContra a revista &iacute;ntima no emprego;<\/li>\n<li>\n\t\tN&atilde;o a discrimina&ccedil;&atilde;o da mulher negra. Nesse mercado de trabalho injusto e racista &eacute; o que vemos o tempo todo. N&atilde;o podemos aceitar que se torne natural a qualifica&ccedil;&atilde;o da mulher negra apenas para atividades dom&eacute;sticas, cujas origens adv&ecirc;m da nossa heran&ccedil;a escravista patriarcal;<\/li>\n<li>\n\t\tPela diminui&ccedil;&atilde;o da idade de aposentaria para a mulher que trabalha fora ou dentro de casa. A mulher da nossa classe trabalha a vida inteira. O tempo de contribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser um impedimento para a sua aposentadoria. Se a mulher est&aacute; vivendo mais, certamente est&aacute; trabalhando mais;<\/li>\n<li>\n\t\tLicen&ccedil;a Gestante de 6 meses, tempo ideal para a amamenta&ccedil;&atilde;o exclusiva, com redu&ccedil;&atilde;o da jornada ap&oacute;s a volta ao trabalho (entrar uma hora mais tarde e sair uma hora mais cedo) para complementarcom o leite materno a alimenta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a at&eacute; completar dois anos e meio.A mulher trabalhadora tem direito de amamentar! Pesquisas cient&iacute;ficas comprovam a necessidade da amamenta&ccedil;&atilde;o. Doen&ccedil;as al&eacute;rgicas, algumas do sistema imunol&oacute;gico, alguns tipos de c&acirc;nceres, obesidade, diabete e doen&ccedil;as cardiovasculares podem ser associadas &agrave; falta de amamenta&ccedil;&atilde;o ou &agrave; amamenta&ccedil;&atilde;o irregular. O sistema capitalista exige filhos, mas n&atilde;o quer permitir &agrave; mulher trabalhadora a possibilidade de t&ecirc;-los sem grande sofrimento.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<em>Sa&uacute;de: Por qualidade de vida e por vida!<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>\n\t\tA nossa luta deve ser, cada vez mais, por hospitais p&uacute;blicos e com qualidade. Existe tecnologia para isso. A quantidade de valor que &eacute; retirado dos trabalhadores tamb&eacute;m possibilita isso. A nossa classe, que trabalha muito, merece ser bem tratada.<\/li>\n<li>\n\t\tN&atilde;o aceitamos a ditadura do parto normal e at&eacute; do f&oacute;rceps na rede p&uacute;blica e do parto cesariana nos hospitais particulares. A mulher deve ser bem instru&iacute;da para decidir com seguran&ccedil;a sobre o tipo de parto e ter boa assist&ecirc;ncia;<\/li>\n<li>\n\t\tOrienta&ccedil;&atilde;o e diagn&oacute;sticos precisos para que a mulher decida se realiza ou n&atilde;o a cirurgia para retirada do &uacute;tero, que tem servido, para muitos m&eacute;dicos, como instrumento de esteriliza&ccedil;&atilde;o das mulheres trabalhadoras;<\/li>\n<li>\n\t\tA nossa classe deve se mobilizar contra o descaso aos portadores de c&acirc;ncer. A falta de medicamentos e tratamentos adequados est&aacute; reduzindo o tempo de vida dos trabalhadores portadores de doen&ccedil;as causadas pelo tipo de vida imposta pelo capitalismo;<\/li>\n<li>\n\t\tPor um programa espec&iacute;fico para a sa&uacute;de da mulher negra, incluindo no SUS diagn&oacute;sticos r&aacute;pidos e tratamento de doen&ccedil;as espec&iacute;ficas da popula&ccedil;&atilde;o negra, como a anemia falciforme e outras.<\/li>\n<li>\n\t\tInclus&atilde;o da disciplina de orienta&ccedil;&atilde;o sexual no curr&iacute;culo das escolas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\n\t<strong><em>Forma&ccedil;&atilde;o: Para a transforma&ccedil;&atilde;o e pela transforma&ccedil;&atilde;o<\/em><\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>\n\t\tDevemos estar atentas e buscar impulsionar, com os demais trabalhadores, uma pol&iacute;tica de forma&ccedil;&atilde;o que busque a participa&ccedil;&atilde;o ativa e efetiva da mulher na transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade, respeitando suas caracter&iacute;sticas;<\/li>\n<li>\n\t\tAs mulheres da classe trabalhadora podem aprender a observar os elementos contradit&oacute;rios que apresenta o sistema do capital e obter uma forma&ccedil;&atilde;o marxista-socialista;<\/li>\n<li>\n\t\tDevem ter amplo acesso a materiais e cursos tamb&eacute;m da hist&oacute;ria do movimento oper&aacute;rio, das lutas ou revolu&ccedil;&otilde;es, que abordem e destaque as lutadoras;<\/li>\n<li>\n\t\tDa mesma forma, devem poder conhecer o movimento sindical e estudantil at&eacute; o seu significado hoje, com enfoque na mulher militante na organiza&ccedil;&atilde;o da classe;<\/li>\n<li>\n\t\tRealizar estudos sobre as pr&oacute;prias categorias onde est&atilde;o inseridas;<\/li>\n<li>\n\t\tConhecer legisla&ccedil;&atilde;o, estatuto ou regimento das organiza&ccedil;&otilde;es em que atuam;<\/li>\n<li>\n\t\tIncentivo a falar em p&uacute;blico, escrever e assumir tarefas;<\/li>\n<li>\n\t\tPrepara&ccedil;&atilde;o para assumir tarefas de dire&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<li>\n\t\tCotas proporcionais, ao n&uacute;mero de mulheres nas categorias ou organiza&ccedil;&otilde;es, nos &oacute;rg&atilde;os de dire&ccedil;&atilde;o com cuidados (tempo, situa&ccedil;&atilde;o financeira) que facilitem a participa&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<li>\n\t\t&nbsp;Pelo fim da discrimina&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher nos livros did&aacute;ticos.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=256"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":807,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256\/revisions\/807"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}