{"id":258,"date":"2010-11-17T21:58:24","date_gmt":"2010-11-17T21:58:24","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/258"},"modified":"2018-05-05T17:24:46","modified_gmt":"2018-05-05T20:24:46","slug":"dilma-governara-para-quem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/11\/dilma-governara-para-quem\/","title":{"rendered":"Dilma governar\u00e1 para quem?"},"content":{"rendered":"<h2>Dilma Governar\u00e1 Para Quem?<\/h2>\n<p>O crescimento econ\u00f4mico da ordem de 7% em pleno ano de elei\u00e7\u00f5es, os programas sociais principalmente no Norte e Nordeste, as descobertas do Pr\u00e9- Sal e a promessa de desenvolvimento do pa\u00eds foram, sem d\u00favida, os fatores estruturais mais importantes para a vit\u00f3ria petista.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o desses fatores com uma imensa propaganda ideol\u00f3gica transmitiram a id\u00e9ia de um pa\u00eds que estaria no caminho certo para se tornar uma pot\u00eancia mundial e reduzir os grav\u00edssimos problemas sociais.<\/p>\n<p>Por outro lado, Serra e o PSDB\/DEM, desde o in\u00edcio tiveram dificuldade em emplacar um projeto pr\u00f3prio, alternativo ao do PT. Isso porque em seus oito anos de governo, o PT na verdade assumiu o programa do PSDB e, nos aspectos essenciais, deu continuidade ao governo FHC. As diferen\u00e7as foram na forma, nos ritmos e no peso um pouco maior ou menor do estado na economia.<\/p>\n<p>Por isso, tamb\u00e9m na campanha havia muito mais semelhan\u00e7as do que diferen\u00e7as entre os dois candidatos. Claro que essa identidade maior entre os dois blocos em disputa ajudava muito mais o PT\/PMDB, que j\u00e1 estava no governo, e ent\u00e3o o PSDB teve que buscar a diferencia\u00e7\u00e3o de alguma forma. Ao n\u00e3o poder se inclinar para a esquerda, sua sa\u00edda foi buscar apoio mais \u00e0 direita.<\/p>\n<p>Campanhas difamat\u00f3rias em torno da manuten\u00e7\u00e3o da criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, de menosprezo pela popula\u00e7\u00e3o pobre, de liga\u00e7\u00e3o de Dilma com a luta armada, etc, feitas pela Internet ou por panfletos, e a farsa montada no epis\u00f3dio da bolinha de papel tiveram o efeito de acirrar uma polariza\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores, que j\u00e1 viam Serra com enorme desconfian\u00e7a, reagiram inclinando-se definitivamente por Dilma. Sem um projeto alternativo, identificado com as privatiza\u00e7\u00f5es diretas, com os cortes sociais, com a trucul\u00eancia junto aos movimentos sociais e por \u00faltimo com os setores mais de direita, o PSDB foi derrotado.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que a press\u00e3o sobre o PT j\u00e1 a partir do final do 1\u00ba turno fez com que esse partido se comprometesse ainda mais com o programa da direita. Dilma n\u00e3o hesitou em dizer que manter\u00e1 a legisla\u00e7\u00e3o que criminaliza o aborto, ao inv\u00e9s de trat\u00e1-lo como um problema social e quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Mais do que manter a pol\u00edtica econ\u00f4mica geral herdada, Dilma tamb\u00e9m prometeu ir al\u00e9m realizando as Reformas e ajustes que o capital necessita para seguir operando no Brasil a taxas altas de lucro.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da campanha, um setor importante da burguesia j\u00e1 mostrava sua prefer\u00eancia por Dilma. Segundo os dados mais recentes de declara\u00e7\u00e3o das campanhas (06\/09\/2010), a campanha de Dilma havia arrecadado R$ 39,5 milh\u00f5es enquanto a de Serra, R$ 26 milh\u00f5es (http:\/\/eleicoes.uol.com.br).<\/p>\n<p>Ao obter mais compromissos do PT, a maior parte da burguesia amenizou o tom nos \u00faltimos dias, entendendo que a forma de governo do PT ainda \u00e9 muito proveitosa para o capital, apesar das cr\u00edticas aos gastos de estado e com a burocracia. O fato de o PT representar uma burocracia sindical e pol\u00edtica que gerencia fundos de pens\u00f5es e estatais d\u00e1 a esse partido a condi\u00e7\u00e3o de atuar como administrador dos interesses do capital de conjunto no Brasil, arbitrando entre as v\u00e1rias fra\u00e7\u00f5es da burguesia e entre a burguesia e a classe trabalhadora. Essa caracter\u00edstica pr\u00f3pria das burocracias \u00e9 fundamental, principalmente quando se trata de gerenciar crises e retiradas de direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Por isso, a burguesia ainda n\u00e3o teve a necessidade de descartar o PT como gestor do estado, mas deixou claro quem s\u00e3o os donos do capital e para quem o PT deve prestar contas. Como parte do Bloco PT\/PMDB, a elei\u00e7\u00e3o pelo PSB de 6 governadores, 35 deputados federais e 4 senadores demonstra que a burguesia trabalha outras possibilidades futuras para o caso de o governo Dilma n\u00e3o der conta de segurar o movimento social.<\/p>\n<h2>Contradi\u00e7\u00f5es na economia se acumulam&#8230;<\/h2>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de crescimento econ\u00f4mico no Brasil, em contraste com a manuten\u00e7\u00e3o da recess\u00e3o ou lento crescimento nos pa\u00edses centrais, passou a (falsa) id\u00e9ia de que o PT e Lula possuem caracter\u00edsticas quase m\u00e1gicas para administrar e combater a crise. Mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Na base desse crescimento atual combinam-se fatores problem\u00e1ticos como a precariza\u00e7\u00e3o e informaliza\u00e7\u00e3o do trabalho, a desonera\u00e7\u00e3o de impostos dos empres\u00e1rios, o aumento espantoso do endividamento das fam\u00edlias e do estado.<\/p>\n<p>Como express\u00e3o disso, o volume total de cr\u00e9dito deve atingir 48,5% do PIB ao final do ano &#8211; um crescimento de 20% em compara\u00e7\u00e3o a 2009. O volume total de cr\u00e9dito ultrapassou R$ 1,5 trilh\u00e3o no primeiro semestre.<\/p>\n<p>Dados da Abecip (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Entidades de Cr\u00e9dito Imobili\u00e1rio e Poupan\u00e7a) apontam que o montante das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio contratado no primeiro quadrimestre de 2010 foi 74% superior em rela\u00e7\u00e3o ao do mesmo per\u00edodo de 2009, e 90% maior comparado ao de 2008. (www.folha.com.br) No entanto, essa contradi\u00e7\u00e3o entre o consumo baseado no cr\u00e9dito, combinado com as taxas de juros mais altas do mundo, t\u00eam levado ao aumento da D\u00edvida P\u00fablica. A D\u00edvida P\u00fablica reconhecida oficialmente chegar\u00e1 a R$ 1,73 trilh\u00e3o em 2010. Por\u00e9m, alguns economistas afirmam que, se somarmos a parte da D\u00edvida encoberta por manobras cont\u00e1beis, o endividamento bruto do governo chega a R$ 2,05 trilh\u00f5es! Apenas em 2010, foram pagos R$ 160 bilh\u00f5es de juros dessa D\u00edvida: quase 14 vezes mais do que o consumido pelo Bolsa Fam\u00edlia, que atende a mais de 11 milh\u00f5es de fam\u00edlias. (www.correiobraziliense.com.br).<\/p>\n<p>Outro elemento a ser levado em considera\u00e7\u00e3o s\u00e3o os resultados cada vez piores da balan\u00e7a comercial &#8211; saldo entre exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es. Com a desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar frente \u00e0s v\u00e1rias moedas, inclusive ao real, devido \u00e0 gigantesca emiss\u00e3o de d\u00f3lares pelos EUA, desde que a crise se manifestou, os resultados das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras t\u00eam seguido uma curva descendente, ao contr\u00e1rio das importa\u00e7\u00f5es. A patronal cobra medidas protecionistas de curto prazo e ao mesmo tempo o corte dos direitos trabalhistas, de modo que as empresas se tornem mais competitivas no mercado mundial.<\/p>\n<h2>O Estado a Servi\u00e7o do Capital<\/h2>\n<p>A burguesia e o Agroneg\u00f3cio agora cobram seu quinh\u00e3o, atrav\u00e9s da isen\u00e7\u00e3o de impostos sobre insumos e mercadorias, assim como empr\u00e9stimos a juros baixos e prazos indefinidos. Al\u00e9m disso, exigem que o estado banque as chamadas obras de infraestrutura como rodovias, ferrovias e moderniza\u00e7\u00e3o dos portos, que t\u00eam como objetivo baratear a produ\u00e7\u00e3o e o movimento das mercadorias.<\/p>\n<p>Resumindo, o capital de conjunto quer que o estado assuma diretamente parte de seus custos de produ\u00e7\u00e3o, de modo a maximizar seus lucros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o capital exige a libera\u00e7\u00e3o para a explora\u00e7\u00e3o das grandes \u00e1reas florestais antes preservadas. Ao serem alvos da explora\u00e7\u00e3o pelas monoculturas, essas \u00e1reas ir\u00e3o simplesmente desaparecer ao som das motosserras, sem que haja qualquer compromisso de reflorestamento.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o de Dilma em seu discurso de que vai manter todos os contratos n\u00e3o tem outro sentido sen\u00e3o o respeito total ao pagamento dos Juros da D\u00edvida P\u00fablica aos agiotas internacionais.<\/p>\n<p>Ao defender acima de tudo os interesses do capital, que atravessa uma crise em n\u00edvel mundial e precisa da interven\u00e7\u00e3o direta do estado para sua sobreviv\u00eancia, o governo Dilma ser\u00e1 j\u00e1 em seu in\u00edcio um governo de ataques aos trabalhadores, um governo certamente mais duro do que o governo Lula em seus dois \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Por outro lado, por mais que o PSDB tenha sa\u00eddo derrotado da disputa nacional, ter\u00e1 o governo dos estados mais importantes do pa\u00eds, que produzem 53% do PIB. Assim, teremos provavelmente uma divis\u00e3o de tarefas entre esses dois blocos pol\u00edticos. Por mais que se acusem, estados e Uni\u00e3o aplicar\u00e3o em sintonia a mesma pol\u00edtica de uso da m\u00e1quina p\u00fablica em prol dos interesses do capital e contra os trabalhadores. A ordem geral ser\u00e1 cortar gastos dos servi\u00e7os p\u00fablicos e, em particular, aumentar a press\u00e3o e os ataques sobre os servidores p\u00fablicos. Ao mesmo tempo, haver\u00e1 a cobran\u00e7a de que os servi\u00e7os p\u00fablicos atendam mais e melhor devido \u00e0 necessidade de que essa esfera assuma responsabilidades e atribui\u00e7\u00f5es que as fam\u00edlias e outras institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o mais tendo condi\u00e7\u00f5es de assumir. Aumentar\u00e1 o ritmo de trabalho, bem como as cobran\u00e7as de resultados &#8211; batizadas pelo nome de meritocracia &#8211; no servi\u00e7o p\u00fablico, que foram compromissos firmados pela presidenta em seu discurso logo ap\u00f3s se saber eleita.<\/p>\n<p>Assim, por mais que os trabalhadores nesse momento sintam um certo al\u00edvio pela derrota de Serra e do PSDB, chamamos a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o governo de Dilma ser\u00e1 um governo burgu\u00eas cl\u00e1ssico, nem sequer um governo de frente popular do qual se possa esperar qualquer concess\u00e3o importante para os trabalhadores.<\/p>\n<h2>A Agenda das Contra-Reformas no Horizonte<\/h2>\n<p>Dentro desse quadro, os trabalhadores devem se preparar para enfrentar ao longo do mandato de Dilma um conjunto de reformas que n\u00e3o foram apresentadas nem discutidas durante a campanha presidencial &#8211; pois s\u00e3o extremamente antipopulares -, mas que fazem parte do projeto de ambas as candidaturas.<\/p>\n<p>A primeira medida do governo ainda neste ano deve ser aprovar o modelo de partilha da explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal, em que a Uni\u00e3o ficar\u00e1 com 30% das receitas e as empresas privadas com 70%. Ou seja, por mais que durante a campanha Dilma tenha falado em manter o controle sobre as reservas, na pr\u00e1tica o modelo de partilha do PT pretende entregar a riqueza do pa\u00eds \u00e0s transnacionais, que ir\u00e3o remeter os lucros para suas matrizes nos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n<p>Ao longo de seu mandato, o novo governo deve encaminhar as Reformas da Previd\u00eancia, Tribut\u00e1ria, Trabalhista e Pol\u00edtica. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que busque implement\u00e1-las aos poucos e de forma disfar\u00e7ada &#8211; na inten\u00e7\u00e3o de evitar confrontos com os movimentos. Assim a luta contras Reformas, seus disfarces e suas justificativas ideol\u00f3gicas ser\u00e1 uma tarefa fundamental para os trabalhadores e a vanguarda dos movimentos.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 Reforma da Previd\u00eancia, a Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda, comandada por Nelson Barbosa, j\u00e1 trabalha uma proposta a ser apresentada ao Congresso por Dilma Rousseff. (http:\/\/www.fenafisco.org.br). N\u00e3o precisamos dizer que seu objetivo \u00e9 dificultar a aposentadoria dos trabalhadores e diminuir os gastos do estado.<\/p>\n<p>Quando Dilma fala tamb\u00e9m em desonerar um conjunto de atividades do capital, e em particular o investimento e a folha de pagamento, trata-se da Reforma Tribut\u00e1ria j\u00e1 em curso. Qual o objetivo disso? Obviamente \u00e9 aumentar a lucratividade das empresas, ao mesmo tempo em que o estado abre m\u00e3o de arrecadar das empresas e portanto tem que aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>A flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista pretende instaurar a &#8220;livre negocia\u00e7\u00e3o&#8221; entre empresas e trabalhadores. Na pr\u00e1tica, isto levar\u00e1 \u00e0 perda de direitos na maioria dos ramos, pois com a amea\u00e7a do desemprego e a colabora\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es sindicais pelegas, os patr\u00f5es poder\u00e3o impor a perda dos direitos aos trabalhadores a seu bel-prazer.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Reforma Pol\u00edtica visa acabar com o espa\u00e7o j\u00e1 bastante minguado dos pequenos partidos de esquerda, pois pretende criar crit\u00e9rios imposs\u00edveis de serem cumpridos para o reconhecimento desses partidos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que se faz a apologia das elei\u00e7\u00f5es burguesas como sendo &#8220;a festa da democracia&#8221;, tamb\u00e9m se pretende reduzir cada vez mais o horizonte de op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de questionamento e organiza\u00e7\u00e3o por parte dos trabalhadores. Por tr\u00e1s do clima econ\u00f4mico imediato de festividade, prepararam-se o agravamento das condi\u00e7\u00f5es reais de vida dos trabalhadores e o conseq\u00fcente aumento da insatisfa\u00e7\u00e3o social \u00e0 qual o sistema pretende tratar cada vez mais com armas ideol\u00f3gicas e de conten\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de repress\u00e3o, atrav\u00e9s das escolas de tempo integral que muitas vezes viram semi-pres\u00eddios dos jovens, das ocupa\u00e7\u00f5es militares nas favelas, ou da pris\u00e3o de l\u00edderes e ativistas.<\/p>\n<p>Assim, aos trabalhadores cabe a prepara\u00e7\u00e3o para enfrentarmos e resistirmos a um processo de ataque \u00e0s nossas condi\u00e7\u00f5es de vida e maior instabilidade. Mesmo que ainda demore algum tempo, os mecanismos que hoje d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 economia brasileira e ao seu crescimento &#8211; hoje festejado pelo governo, pelo empresariado e meios de comunica\u00e7\u00e3o &#8211; fundam-se em grande medida sobre alicerces complicados e em \u00faltima inst\u00e2ncia explosivos como o endividamento desenfreado das fam\u00edlias e empresas, o aumento da D\u00edvida P\u00fablica e tamb\u00e9m a perda do m\u00ednimo de garantias do trabalhador, que passa a estar totalmente dependente das flutua\u00e7\u00f5es de mercado. Uma vez por\u00e9m que se esgote esse f\u00f4lego, os efeitos da crise se far\u00e3o novamente sentir, e com maior intensidade.<\/p>\n<h2>A crise de alternativas socialistas e a esquerda<\/h2>\n<p>O problema estrutural que os trabalhadores enfrentam \u00e9 a aus\u00eancia de uma alternativa socialista real que possa disputar a consci\u00eancia das massas no sentido de um outro projeto de sociedade, em ruptura com a l\u00f3gica do lucro. Essa \u00e9 tamb\u00e9m a maior defasagem da esquerda.<\/p>\n<p>As principais correntes &#8211; PSTU e PSOL &#8211; seguem presas a uma l\u00f3gica imediatista de atua\u00e7\u00e3o, sem realizar de fato um trabalho pol\u00edtico junto \u00e0s estruturas de base, e sem fazer uma cr\u00edtica profunda dos fundamentos que est\u00e3o por tr\u00e1s das pol\u00edticas do capital que agora s\u00e3o abertamente assumidas e implementadas pelo PT e pelas dire\u00e7\u00f5es das centrais como a CUT e For\u00e7a Sindical.<\/p>\n<p>N\u00e3o se faz um trabalho sistem\u00e1tico junto aos p\u00f3los fundamentais da classe trabalhadora que, dessa forma, fica ainda mais \u00e0 merc\u00ea da propaganda e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o burgueses.<\/p>\n<p>Os principais partidos e organiza\u00e7\u00f5es de esquerda sequer utilizam sua influ\u00eancia nos sindicatos para realizar esse trabalho de disputa pol\u00edtica e ideol\u00f3gica. O sindicalismo praticado pela esquerda \u00e9 marcado pelo imediatismo e pela falta de discuss\u00f5es mais profundas com os trabalhadores. N\u00e3o se faz um trabalho de ligar os aspectos imediatos aos estruturais e de demonstrar para os trabalhadores que o problema maior \u00e9 a l\u00f3gica capitalista como um todo, e n\u00e3o apenas alguns de seus aspectos, que \u00e9 essa l\u00f3gica que deve ser quebrada, se quisermos realmente encontrar uma sa\u00edda real e equilibrada para a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<h2>Por um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores<\/h2>\n<p>Outro fator de dificuldade na esquerda \u00e9 a sua divis\u00e3o, o fato de que as principais correntes &#8211; tanto o PSTU quanto o PSOL &#8211; colocam a disputa pela hegemonia no movimento acima das necessidades do pr\u00f3prio movimento. As pr\u00f3prias correntes acabam impedindo que se d\u00eaem os passos mais b\u00e1sicos no sentido da unidade, uma condi\u00e7\u00e3o m\u00ednima, mas muito necess\u00e1ria para o desenvolvimento dessa consci\u00eancia socialista entre as massas citadas acima.<\/p>\n<p>Imposs\u00edvel n\u00e3o citar o fato de cada um dos principais partidos &#8211; PCB, PSOL e PSTU &#8211; ter deixado ruir a possibilidade de uma Frente de Esquerda dos Trabalhadores nas elei\u00e7\u00f5es. O mesmo se deu no CONCLAT, com a ruptura do dif\u00edcil e tortuoso processo de unifica\u00e7\u00e3o sindical que vinha se formando para a constru\u00e7\u00e3o de uma \u00fanica central de luta que reuniria a CONLUTAS e a INTERSINDICAL.<\/p>\n<p>Ambos os processos foram interrompidos e inviabilizados, pois as dire\u00e7\u00f5es de cada corrente impuseram cada qual suas condi\u00e7\u00f5es, por fora da realidade e da vontade das bases e dos movimentos dos trabalhadores que queriam e precisavam mais do que tudo da unidade na luta para fazer frente \u00e0 ofensiva do capitalismo.<\/p>\n<p>Assim, mant\u00e9m-se mais atual do que nunca a necessidade defendida continuamente pelo Espa\u00e7o Socialista da constru\u00e7\u00e3o de um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores, a partir das discuss\u00f5es e organiza\u00e7\u00e3o na base dos movimentos, que seja uma forma de juntar os trabalhadores, organiza\u00e7\u00f5es e ativistas, com f\u00f3runs democr\u00e1ticos de discuss\u00e3o e delibera\u00e7\u00e3o, no sentido de come\u00e7ar a corrigir a grave defasagem da alternativa socialista entre os trabalhadores e os demais explorados e oprimidos.<\/p>\n<p>O governo de Dilma, no marco da crise mundial do capitalismo, ir\u00e1 colocar novos desafios para os trabalhadores, que s\u00f3 conseguir\u00e3o responder \u00e0 altura se desenvolverem uma alternativa pr\u00e1tica e ideol\u00f3gica ao capitalismo. Para isso, ser\u00e1 preciso n\u00e3o apenas novas lutas, mas tamb\u00e9m uma renova\u00e7\u00e3o no campo da esquerda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h2>\n\tDilma Governar&aacute; Para Quem?<\/h2>\n<p>\n\tO crescimento econ&ocirc;mico da ordem de 7% em pleno ano de elei&ccedil;&otilde;es, os programas sociais principalmente no Norte e Nordeste, as descobertas do Pr&eacute;- Sal e a promessa de desenvolvimento do pa&iacute;s foram, sem d&uacute;vida, os fatores estruturais mais importantes para a vit&oacute;ria petista.<\/p>\n<p>\n\tA combina&ccedil;&atilde;o desses fatores com uma imensa propaganda ideol&oacute;gica transmitiram a id&eacute;ia de um pa&iacute;s que estaria no caminho certo para se tornar uma pot&ecirc;ncia mundial e reduzir os grav&iacute;ssimos problemas sociais.<\/p>\n<p>\n\tPor outro lado, Serra e o PSDB\/DEM, desde o in&iacute;cio tiveram dificuldade em emplacar um projeto pr&oacute;prio, alternativo ao do PT. Isso porque em seus oito anos de governo, o PT na verdade assumiu o programa do PSDB e, nos aspectos essenciais, deu continuidade ao governo FHC. As diferen&ccedil;as foram na forma, nos ritmos e no peso um pouco maior ou menor do estado na economia.<\/p>\n<p>\n\tPor isso, tamb&eacute;m na campanha havia muito mais semelhan&ccedil;as do que diferen&ccedil;as entre os dois candidatos. Claro que essa identidade maior entre os dois blocos em disputa ajudava muito mais o PT\/PMDB, que j&aacute; estava no governo, e ent&atilde;o o PSDB teve que buscar a diferencia&ccedil;&atilde;o de alguma forma. Ao n&atilde;o poder se inclinar para a esquerda, sua sa&iacute;da foi buscar apoio mais &agrave; direita.<\/p>\n<p>\n\tCampanhas difamat&oacute;rias em torno da manuten&ccedil;&atilde;o da criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, de menosprezo pela popula&ccedil;&atilde;o pobre, de liga&ccedil;&atilde;o de Dilma com a luta armada, etc, feitas pela Internet ou por panfletos, e a farsa montada no epis&oacute;dio da bolinha de papel tiveram o efeito de acirrar uma polariza&ccedil;&atilde;o. Os trabalhadores, que j&aacute; viam Serra com enorme desconfian&ccedil;a, reagiram inclinando-se definitivamente por Dilma. Sem um projeto alternativo, identificado com as privatiza&ccedil;&otilde;es diretas, com os cortes sociais, com a trucul&ecirc;ncia junto aos movimentos sociais e por &uacute;ltimo com os setores mais de direita, o PSDB foi derrotado.<\/p>\n<p>\n\tTamb&eacute;m &eacute; verdade que a press&atilde;o sobre o PT j&aacute; a partir do final do 1&ordm; turno fez com que esse partido se comprometesse ainda mais com o programa da direita. Dilma n&atilde;o hesitou em dizer que manter&aacute; a legisla&ccedil;&atilde;o que criminaliza o aborto, ao inv&eacute;s de trat&aacute;-lo como um problema social e quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica.<\/p>\n<p>\n\tMais do que manter a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica geral herdada, Dilma tamb&eacute;m prometeu ir al&eacute;m realizando as Reformas e ajustes que o capital necessita para seguir operando no Brasil a taxas altas de lucro.<\/p>\n<p>\n\tDesde o in&iacute;cio da campanha, um setor importante da burguesia j&aacute; mostrava sua prefer&ecirc;ncia por Dilma. Segundo os dados mais recentes de declara&ccedil;&atilde;o das campanhas (06\/09\/2010), a campanha de Dilma havia arrecadado R$ 39,5 milh&otilde;es enquanto a de Serra, R$ 26 milh&otilde;es (http:\/\/eleicoes.uol.com.br).<\/p>\n<p>\n\tAo obter mais compromissos do PT, a maior parte da burguesia amenizou o tom nos &uacute;ltimos dias, entendendo que a forma de governo do PT ainda &eacute; muito proveitosa para o capital, apesar das cr&iacute;ticas aos gastos de estado e com a burocracia. O fato de o PT representar uma burocracia sindical e pol&iacute;tica que gerencia fundos de pens&otilde;es e estatais d&aacute; a esse partido a condi&ccedil;&atilde;o de atuar como administrador dos interesses do capital de conjunto no Brasil, arbitrando entre as v&aacute;rias fra&ccedil;&otilde;es da burguesia e entre a burguesia e a classe trabalhadora. Essa caracter&iacute;stica pr&oacute;pria das burocracias &eacute; fundamental, principalmente quando se trata de gerenciar crises e retiradas de direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\tPor isso, a burguesia ainda n&atilde;o teve a necessidade de descartar o PT como gestor do estado, mas deixou claro quem s&atilde;o os donos do capital e para quem o PT deve prestar contas. Como parte do Bloco PT\/PMDB, a elei&ccedil;&atilde;o pelo PSB de 6 governadores, 35 deputados federais e 4 senadores demonstra que a burguesia trabalha outras possibilidades futuras para o caso de o governo Dilma n&atilde;o der conta de segurar o movimento social.<\/p>\n<h2>\n\tContradi&ccedil;&otilde;es na economia se acumulam&#8230;<\/h2>\n<p>\n\tA situa&ccedil;&atilde;o de crescimento econ&ocirc;mico no Brasil, em contraste com a manuten&ccedil;&atilde;o da recess&atilde;o ou lento crescimento nos pa&iacute;ses centrais, passou a (falsa) id&eacute;ia de que o PT e Lula possuem caracter&iacute;sticas quase m&aacute;gicas para administrar e combater a crise. Mas isso n&atilde;o &eacute; verdade. Na base desse crescimento atual combinam-se fatores problem&aacute;ticos como a precariza&ccedil;&atilde;o e informaliza&ccedil;&atilde;o do trabalho, a desonera&ccedil;&atilde;o de impostos dos empres&aacute;rios, o aumento espantoso do endividamento das fam&iacute;lias e do estado.<\/p>\n<p>\n\tComo express&atilde;o disso, o volume total de cr&eacute;dito deve atingir 48,5% do PIB ao final do ano &#8211; um crescimento de 20% em compara&ccedil;&atilde;o a 2009. O volume total de cr&eacute;dito ultrapassou R$ 1,5 trilh&atilde;o no primeiro semestre.<\/p>\n<p>\n\tDados da Abecip (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Entidades de Cr&eacute;dito Imobili&aacute;rio e Poupan&ccedil;a) apontam que o montante das opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito imobili&aacute;rio contratado no primeiro quadrimestre de 2010 foi 74% superior em rela&ccedil;&atilde;o ao do mesmo per&iacute;odo de 2009, e 90% maior comparado ao de 2008. (www.folha.com.br) No entanto, essa contradi&ccedil;&atilde;o entre o consumo baseado no cr&eacute;dito, combinado com as taxas de juros mais altas do mundo, t&ecirc;m levado ao aumento da D&iacute;vida P&uacute;blica. A D&iacute;vida P&uacute;blica reconhecida oficialmente chegar&aacute; a R$ 1,73 trilh&atilde;o em 2010. Por&eacute;m, alguns economistas afirmam que, se somarmos a parte da D&iacute;vida encoberta por manobras cont&aacute;beis, o endividamento bruto do governo chega a R$ 2,05 trilh&otilde;es! Apenas em 2010, foram pagos R$ 160 bilh&otilde;es de juros dessa D&iacute;vida: quase 14 vezes mais do que o consumido pelo Bolsa Fam&iacute;lia, que atende a mais de 11 milh&otilde;es de fam&iacute;lias. (www.correiobraziliense.com.br).<\/p>\n<p>\n\tOutro elemento a ser levado em considera&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os resultados cada vez piores da balan&ccedil;a comercial &#8211; saldo entre exporta&ccedil;&otilde;es e importa&ccedil;&otilde;es. Com a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar frente &agrave;s v&aacute;rias moedas, inclusive ao real, devido &agrave; gigantesca emiss&atilde;o de d&oacute;lares pelos EUA, desde que a crise se manifestou, os resultados das exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras t&ecirc;m seguido uma curva descendente, ao contr&aacute;rio das importa&ccedil;&otilde;es. A patronal cobra medidas protecionistas de curto prazo e ao mesmo tempo o corte dos direitos trabalhistas, de modo que as empresas se tornem mais competitivas no mercado mundial.<\/p>\n<h2>\n\tO Estado a Servi&ccedil;o do Capital<\/h2>\n<p>\n\tA burguesia e o Agroneg&oacute;cio agora cobram seu quinh&atilde;o, atrav&eacute;s da isen&ccedil;&atilde;o de impostos sobre insumos e mercadorias, assim como empr&eacute;stimos a juros baixos e prazos indefinidos. Al&eacute;m disso, exigem que o estado banque as chamadas obras de infraestrutura como rodovias, ferrovias e moderniza&ccedil;&atilde;o dos portos, que t&ecirc;m como objetivo baratear a produ&ccedil;&atilde;o e o movimento das mercadorias.<\/p>\n<p>\n\tResumindo, o capital de conjunto quer que o estado assuma diretamente parte de seus custos de produ&ccedil;&atilde;o, de modo a maximizar seus lucros.<\/p>\n<p>\n\tAl&eacute;m disso, o capital exige a libera&ccedil;&atilde;o para a explora&ccedil;&atilde;o das grandes &aacute;reas florestais antes preservadas. Ao serem alvos da explora&ccedil;&atilde;o pelas monoculturas, essas &aacute;reas ir&atilde;o simplesmente desaparecer ao som das motosserras, sem que haja qualquer compromisso de reflorestamento.<\/p>\n<p>\n\tA declara&ccedil;&atilde;o de Dilma em seu discurso de que vai manter todos os contratos n&atilde;o tem outro sentido sen&atilde;o o respeito total ao pagamento dos Juros da D&iacute;vida P&uacute;blica aos agiotas internacionais.<\/p>\n<p>\n\tAo defender acima de tudo os interesses do capital, que atravessa uma crise em n&iacute;vel mundial e precisa da interven&ccedil;&atilde;o direta do estado para sua sobreviv&ecirc;ncia, o governo Dilma ser&aacute; j&aacute; em seu in&iacute;cio um governo de ataques aos trabalhadores, um governo certamente mais duro do que o governo Lula em seus dois &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p>\n\tPor outro lado, por mais que o PSDB tenha sa&iacute;do derrotado da disputa nacional, ter&aacute; o governo dos estados mais importantes do pa&iacute;s, que produzem 53% do PIB. Assim, teremos provavelmente uma divis&atilde;o de tarefas entre esses dois blocos pol&iacute;ticos. Por mais que se acusem, estados e Uni&atilde;o aplicar&atilde;o em sintonia a mesma pol&iacute;tica de uso da m&aacute;quina p&uacute;blica em prol dos interesses do capital e contra os trabalhadores. A ordem geral ser&aacute; cortar gastos dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos e, em particular, aumentar a press&atilde;o e os ataques sobre os servidores p&uacute;blicos. Ao mesmo tempo, haver&aacute; a cobran&ccedil;a de que os servi&ccedil;os p&uacute;blicos atendam mais e melhor devido &agrave; necessidade de que essa esfera assuma responsabilidades e atribui&ccedil;&otilde;es que as fam&iacute;lias e outras institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o est&atilde;o mais tendo condi&ccedil;&otilde;es de assumir. Aumentar&aacute; o ritmo de trabalho, bem como as cobran&ccedil;as de resultados &#8211; batizadas pelo nome de meritocracia &#8211; no servi&ccedil;o p&uacute;blico, que foram compromissos firmados pela presidenta em seu discurso logo ap&oacute;s se saber eleita.<\/p>\n<p>\n\tAssim, por mais que os trabalhadores nesse momento sintam um certo al&iacute;vio pela derrota de Serra e do PSDB, chamamos a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que o governo de Dilma ser&aacute; um governo burgu&ecirc;s cl&aacute;ssico, nem sequer um governo de frente popular do qual se possa esperar qualquer concess&atilde;o importante para os trabalhadores.<\/p>\n<h2>\n\tA Agenda das Contra-Reformas no Horizonte<\/h2>\n<p>\n\tDentro desse quadro, os trabalhadores devem se preparar para enfrentar ao longo do mandato de Dilma um conjunto de reformas que n&atilde;o foram apresentadas nem discutidas durante a campanha presidencial &#8211; pois s&atilde;o extremamente antipopulares -, mas que fazem parte do projeto de ambas as candidaturas.<\/p>\n<p>\n\tA primeira medida do governo ainda neste ano deve ser aprovar o modelo de partilha da explora&ccedil;&atilde;o do Pr&eacute;-Sal, em que a Uni&atilde;o ficar&aacute; com 30% das receitas e as empresas privadas com 70%. Ou seja, por mais que durante a campanha Dilma tenha falado em manter o controle sobre as reservas, na pr&aacute;tica o modelo de partilha do PT pretende entregar a riqueza do pa&iacute;s &agrave;s transnacionais, que ir&atilde;o remeter os lucros para suas matrizes nos pa&iacute;ses imperialistas.<\/p>\n<p>\n\tAo longo de seu mandato, o novo governo deve encaminhar as Reformas da Previd&ecirc;ncia, Tribut&aacute;ria, Trabalhista e Pol&iacute;tica. O mais prov&aacute;vel &eacute; que busque implement&aacute;-las aos poucos e de forma disfar&ccedil;ada &#8211; na inten&ccedil;&atilde;o de evitar confrontos com os movimentos. Assim a luta contras Reformas, seus disfarces e suas justificativas ideol&oacute;gicas ser&aacute; uma tarefa fundamental para os trabalhadores e a vanguarda dos movimentos.<\/p>\n<p>\n\tQuanto &agrave; Reforma da Previd&ecirc;ncia, a Secretaria de Pol&iacute;tica Econ&ocirc;mica do Minist&eacute;rio da Fazenda, comandada por Nelson Barbosa, j&aacute; trabalha uma proposta a ser apresentada ao Congresso por Dilma Rousseff. (http:\/\/www.fenafisco.org.br). N&atilde;o precisamos dizer que seu objetivo &eacute; dificultar a aposentadoria dos trabalhadores e diminuir os gastos do estado.<\/p>\n<p>\n\tQuando Dilma fala tamb&eacute;m em desonerar um conjunto de atividades do capital, e em particular o investimento e a folha de pagamento, trata-se da Reforma Tribut&aacute;ria j&aacute; em curso. Qual o objetivo disso? Obviamente &eacute; aumentar a lucratividade das empresas, ao mesmo tempo em que o estado abre m&atilde;o de arrecadar das empresas e portanto tem que aumentar a arrecada&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e da classe m&eacute;dia.<\/p>\n<p>\n\tA flexibiliza&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista pretende instaurar a &quot;livre negocia&ccedil;&atilde;o&quot; entre empresas e trabalhadores. Na pr&aacute;tica, isto levar&aacute; &agrave; perda de direitos na maioria dos ramos, pois com a amea&ccedil;a do desemprego e a colabora&ccedil;&atilde;o das dire&ccedil;&otilde;es sindicais pelegas, os patr&otilde;es poder&atilde;o impor a perda dos direitos aos trabalhadores a seu bel-prazer.<\/p>\n<p>\n\tJ&aacute; a Reforma Pol&iacute;tica visa acabar com o espa&ccedil;o j&aacute; bastante minguado dos pequenos partidos de esquerda, pois pretende criar crit&eacute;rios imposs&iacute;veis de serem cumpridos para o reconhecimento desses partidos.<\/p>\n<p>\n\tAo mesmo tempo em que se faz a apologia das elei&ccedil;&otilde;es burguesas como sendo &quot;a festa da democracia&quot;, tamb&eacute;m se pretende reduzir cada vez mais o horizonte de op&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de questionamento e organiza&ccedil;&atilde;o por parte dos trabalhadores. Por tr&aacute;s do clima econ&ocirc;mico imediato de festividade, prepararam-se o agravamento das condi&ccedil;&otilde;es reais de vida dos trabalhadores e o conseq&uuml;ente aumento da insatisfa&ccedil;&atilde;o social &agrave; qual o sistema pretende tratar cada vez mais com armas ideol&oacute;gicas e de conten&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m de repress&atilde;o, atrav&eacute;s das escolas de tempo integral que muitas vezes viram semi-pres&iacute;dios dos jovens, das ocupa&ccedil;&otilde;es militares nas favelas, ou da pris&atilde;o de l&iacute;deres e ativistas.<\/p>\n<p>\n\tAssim, aos trabalhadores cabe a prepara&ccedil;&atilde;o para enfrentarmos e resistirmos a um processo de ataque &agrave;s nossas condi&ccedil;&otilde;es de vida e maior instabilidade. Mesmo que ainda demore algum tempo, os mecanismos que hoje d&atilde;o sustenta&ccedil;&atilde;o &agrave; economia brasileira e ao seu crescimento &#8211; hoje festejado pelo governo, pelo empresariado e meios de comunica&ccedil;&atilde;o &#8211; fundam-se em grande medida sobre alicerces complicados e em &uacute;ltima inst&acirc;ncia explosivos como o endividamento desenfreado das fam&iacute;lias e empresas, o aumento da D&iacute;vida P&uacute;blica e tamb&eacute;m a perda do m&iacute;nimo de garantias do trabalhador, que passa a estar totalmente dependente das flutua&ccedil;&otilde;es de mercado. Uma vez por&eacute;m que se esgote esse f&ocirc;lego, os efeitos da crise se far&atilde;o novamente sentir, e com maior intensidade.<\/p>\n<h2>\n\tA crise de alternativas socialistas e a esquerda<\/h2>\n<p>\n\tO problema estrutural que os trabalhadores enfrentam &eacute; a aus&ecirc;ncia de uma alternativa socialista real que possa disputar a consci&ecirc;ncia das massas no sentido de um outro projeto de sociedade, em ruptura com a l&oacute;gica do lucro. Essa &eacute; tamb&eacute;m a maior defasagem da esquerda.<\/p>\n<p>\n\tAs principais correntes &#8211; PSTU e PSOL &#8211; seguem presas a uma l&oacute;gica imediatista de atua&ccedil;&atilde;o, sem realizar de fato um trabalho pol&iacute;tico junto &agrave;s estruturas de base, e sem fazer uma cr&iacute;tica profunda dos fundamentos que est&atilde;o por tr&aacute;s das pol&iacute;ticas do capital que agora s&atilde;o abertamente assumidas e implementadas pelo PT e pelas dire&ccedil;&otilde;es das centrais como a CUT e For&ccedil;a Sindical.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o se faz um trabalho sistem&aacute;tico junto aos p&oacute;los fundamentais da classe trabalhadora que, dessa forma, fica ainda mais &agrave; merc&ecirc; da propaganda e dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o burgueses.<\/p>\n<p>\n\tOs principais partidos e organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda sequer utilizam sua influ&ecirc;ncia nos sindicatos para realizar esse trabalho de disputa pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica. O sindicalismo praticado pela esquerda &eacute; marcado pelo imediatismo e pela falta de discuss&otilde;es mais profundas com os trabalhadores. N&atilde;o se faz um trabalho de ligar os aspectos imediatos aos estruturais e de demonstrar para os trabalhadores que o problema maior &eacute; a l&oacute;gica capitalista como um todo, e n&atilde;o apenas alguns de seus aspectos, que &eacute; essa l&oacute;gica que deve ser quebrada, se quisermos realmente encontrar uma sa&iacute;da real e equilibrada para a situa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores.<\/p>\n<h2>\n\tPor um Movimento Pol&iacute;tico dos Trabalhadores<\/h2>\n<p>\n\tOutro fator de dificuldade na esquerda &eacute; a sua divis&atilde;o, o fato de que as principais correntes &#8211; tanto o PSTU quanto o PSOL &#8211; colocam a disputa pela hegemonia no movimento acima das necessidades do pr&oacute;prio movimento. As pr&oacute;prias correntes acabam impedindo que se d&ecirc;em os passos mais b&aacute;sicos no sentido da unidade, uma condi&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima, mas muito necess&aacute;ria para o desenvolvimento dessa consci&ecirc;ncia socialista entre as massas citadas acima.<\/p>\n<p>\n\tImposs&iacute;vel n&atilde;o citar o fato de cada um dos principais partidos &#8211; PCB, PSOL e PSTU &#8211; ter deixado ruir a possibilidade de uma Frente de Esquerda dos Trabalhadores nas elei&ccedil;&otilde;es. O mesmo se deu no CONCLAT, com a ruptura do dif&iacute;cil e tortuoso processo de unifica&ccedil;&atilde;o sindical que vinha se formando para a constru&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica central de luta que reuniria a CONLUTAS e a INTERSINDICAL.<\/p>\n<p>\n\tAmbos os processos foram interrompidos e inviabilizados, pois as dire&ccedil;&otilde;es de cada corrente impuseram cada qual suas condi&ccedil;&otilde;es, por fora da realidade e da vontade das bases e dos movimentos dos trabalhadores que queriam e precisavam mais do que tudo da unidade na luta para fazer frente &agrave; ofensiva do capitalismo.<\/p>\n<p>\n\tAssim, mant&eacute;m-se mais atual do que nunca a necessidade defendida continuamente pelo Espa&ccedil;o Socialista da constru&ccedil;&atilde;o de um Movimento Pol&iacute;tico dos Trabalhadores, a partir das discuss&otilde;es e organiza&ccedil;&atilde;o na base dos movimentos, que seja uma forma de juntar os trabalhadores, organiza&ccedil;&otilde;es e ativistas, com f&oacute;runs democr&aacute;ticos de discuss&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o, no sentido de come&ccedil;ar a corrigir a grave defasagem da alternativa socialista entre os trabalhadores e os demais explorados e oprimidos.<\/p>\n<p>\n\tO governo de Dilma, no marco da crise mundial do capitalismo, ir&aacute; colocar novos desafios para os trabalhadores, que s&oacute; conseguir&atilde;o responder &agrave; altura se desenvolverem uma alternativa pr&aacute;tica e ideol&oacute;gica ao capitalismo. Para isso, ser&aacute; preciso n&atilde;o apenas novas lutas, mas tamb&eacute;m uma renova&ccedil;&atilde;o no campo da esquerda.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[63],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=258"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6185,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258\/revisions\/6185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}