{"id":2585,"date":"2013-10-30T20:11:26","date_gmt":"2013-10-30T22:11:26","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2585"},"modified":"2018-06-01T16:05:23","modified_gmt":"2018-06-01T19:05:23","slug":"jornal-63-outubronovembro-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/10\/jornal-63-outubronovembro-de-2013\/","title":{"rendered":"Jornal 63: Outubro\/Novembro de 2013"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2586\" aria-describedby=\"caption-attachment-2586\" style=\"width: 202px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?attachment_id=2587\" rel=\"attachment wp-att-2586\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2586\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/miniatura63.jpg\" alt=\"miniatura63\" width=\"202\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/miniatura63.jpg 283w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/miniatura63-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2586\" class=\"wp-caption-text\">Vers\u00e3o em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2585#titulo1\"><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Leil\u00e3o: Governo Dilma entrega as riquezas do pa\u00eds<\/span><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2585#titulo2\"><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Depois das greves, continuar com as lutas e a organiza\u00e7\u00e3o de base<\/span><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2585#titulo3\">Da ilus\u00e3o \u00e0 decep\u00e7\u00e3o: a juventude explorada frente ao governo do PT<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2585#titulo4\">A luta das mulheres \u00e0 sombra do patriarcado no nordeste<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2585#titulo5\">Professores: lutar por mais investimentos e controle dos recursos da educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2585#titulo6\">A crise or\u00e7ament\u00e1ria dos Estados Unidos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">GOVERNO DILMA <a name=\"titulo1\"><\/a>(PT) ENTREGA AS RIQUEZAS DO PA\u00cdS! ABAIXO O LEIL\u00c3O DO CAMPO DE LIBRA!<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Alexandre Ferraz e Massaru Uematu<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Campo de Libra \u00e9 o maior campo de petr\u00f3leo descoberto no mundo. Tem reservas entre 12 a15 bilh\u00f5es de barris (quantidade igual a todas as demais reservas brasileiras de petr\u00f3leo nos dias de hoje). Em 10 anos ser\u00e1 o maior campo produtor do Brasil. Tem valor estimado entre US$ 1,5 a 3 trilh\u00f5es de d\u00f3lares. Mas, est\u00e1 sendo entregue pelo valor irris\u00f3rio de, aproximadamente, US$ 15 bilh\u00f5es! (menos de 0,1% do valor do campo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, as empresas que o abocanharem, entregar\u00e3o ao Estado apenas 40% do lucro l\u00edquido, ficando com 60% do lucro, praticamente sem ter gastos, j\u00e1 que toda a pesquisa e tecnologia foi desenvolvida pela Petrobras. E para a explora\u00e7\u00e3o as empresas podem pegar dinheiro \u00e0 vontade junto ao BNDES com juros camaradas. O governo do PT \u00e9 realmente uma m\u00e3e para as transnacionais do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ao contr\u00e1rio do discurso, a quantidade vinculada aos chamados royalties \u00e9 irris\u00f3ria dentro de toda essa imensa riqueza entregue. N\u00e3o chega a 15% do valor do petr\u00f3leo e, ap\u00f3s v\u00e1rias divis\u00f5es, n\u00e3o ter\u00e1 impacto nem de 1% sobre o investimento do PIB em Educa\u00e7\u00e3o (ler artigo nesta edi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u201cPrivatizar o pr\u00e9-sal \u00e9 um crime, ele \u00e9 o nosso passaporte para o futuro&#8221;<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa frase acima foi dita durante a campanha, em 2010, por Dilma Rousseff e est\u00e1 gravada. No entanto, com o Leil\u00e3o do Campo de Libra vai caindo por terra toda e qualquer ilus\u00e3o de que o PT seja menos privatista ou um mal menor em rela\u00e7\u00e3o ao PSDB. S\u00f3 que agora a realidade est\u00e1 se mostrando mais abertamente. Nunca na hist\u00f3ria desse pa\u00eds houve uma entrega t\u00e3o grande das riquezas naturais para as grandes transnacionais. Nem mesmo nos anos de FHC em que foram entregues diretamente aos grandes capitalistas, empresas fundamentais para a economia como a Vale do Rio Doce, a Furnas, Bancos estaduais, etc. E nessa privatiza\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma l\u00f3gica cruel: os investimentos s\u00e3o bancados em grande medida pelo BNDES (Banco de fomento controlado pelo governo e que recebe seus recursos do Tesouro), mas os lucros v\u00e3o para o bolso das grandes empresas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente do PSDB que realizou as privatiza\u00e7\u00f5es diretamente, com o PT o processo tem sido mais encoberto, nem por isso menos grave, possibilitando o avan\u00e7o das privatiza\u00e7\u00f5es com menor questionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso porque geralmente o discurso petista vem revestido da ideia de que o Estado n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de realizar as obras e a explora\u00e7\u00e3o dos setores em quest\u00e3o (sejam os transportes, gera\u00e7\u00e3o de energia ou extra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo) tendo por isso que empreitar \u00e0 iniciativa privada \u2013 suposta detentora de tecnologia e de capitais &#8211; que operando sob a l\u00f3gica privada seria mais eficiente do que o Estado. Essa parceria p\u00fablico-privada possibilitaria a explora\u00e7\u00e3o mais eficaz e ao mesmo tempo o maior controle petista garantiria para a sociedade uma fatia maior da riqueza obtida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com esse racioc\u00ednio, as concess\u00f5es resultariam em investimentos diretos e indiretos que gerariam emprego e renda. As divisas obtidas com as concess\u00f5es, assim como as rendas ou royalties posteriores, seriam aplicados nas \u00e1reas sociais como Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, ao final do processo ter\u00edamos ainda a possibilidade do Estado rever as ditas concess\u00f5es. De acordo com esse racioc\u00ednio as concess\u00f5es petistas seriam o que h\u00e1 de mais moderno em mat\u00e9ria de coniv\u00eancia entre o Estado e a iniciativa privada. Um mal bem menor frente \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o tucana e a \u00fanica possibilidade frente \u00e0 fal\u00eancia das alternativas socialistas revolucion\u00e1rias tidas como ut\u00f3picas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos trabalhadores s\u00e3o ganhos para a ideia de que com o PT n\u00e3o temos privatiza\u00e7\u00e3o, mas concess\u00f5es controladas pelo Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tecnologia de pesquisa e explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na camada do pr\u00e9-sal \u00e9 da Petrobras, que inclusive opera em outros pa\u00edses. J\u00e1 foram realizados 11 leil\u00f5es e tudo o que \u00e9 apregoado n\u00e3o se efetiva na realidade. Como exemplo temos Campos dos Goytacazes, o munic\u00edpio que mais recebe royalties no Brasil, com um dos piores IDH, al\u00e9m de ser o recordista no estado do Rio em trabalho escravo. O Estado do Rio, que fica com mais de 80% dos royalties, tem os professores mais mal pagos e uma das piores escolas p\u00fablicas do Brasil e o dinheiro do royalties, at\u00e9 hoje s\u00f3 serviu para colocar chafarizes em pra\u00e7a p\u00fablica, porcelanato nas cal\u00e7adas, financiar shows e campanhas pol\u00edticas. Quanto ao leil\u00e3o, no caso de Libra, quem arrematar ter\u00e1 direito de explorar o campo por 40 anos. Em quatro d\u00e9cadas, a petrol\u00edfera estrangeira vai secar a reserva. Petr\u00f3leo n\u00e3o tem duas safras. S\u00e3o reservas que n\u00e3o se renovam e levam milh\u00f5es de anos para se formar.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O Governo Dilma n\u00e3o hesita at\u00e9 mesmo em chamar o ex\u00e9rcito para garantir os leil\u00f5es de privatiza\u00e7\u00e3o e entrega das nossas riquezas naturais<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa entrega dos recursos naturais em prol do lucro dos capitalistas tem in\u00fameras consequ\u00eancias na vida de todos n\u00f3s trabalhadores: Desde o aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis, das tarifas de \u00f4nibus (movidos a diesel), passando pela falta de verbas para a Educa\u00e7\u00e3o e a Sa\u00fade p\u00fablicas, pela precariza\u00e7\u00e3o e terceiriza\u00e7\u00e3o das empresas privadas que vierem a explorar o Pr\u00e9-Sal, at\u00e9 a perda de soberania nacional e a destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O processo de privatiza\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dos anos 90, apoiando-se no clima favor\u00e1vel \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es p\u00f3s queda dos Estados Burocr\u00e1ticos da URSS e do Leste Europeu, mas tamb\u00e9m na derrota da Greve dos Petroleiros (95) contra a qual o governo colocou o Ex\u00e9rcito para ocupar as Refinarias em greve, foram adotadas uma s\u00e9rie de pol\u00edticas de ataque ao car\u00e1ter estatal da Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A privatiza\u00e7\u00e3o completa da Petrobr\u00e1s n\u00e3o foi poss\u00edvel naquele momento pelo passado e pela resist\u00eancia que se formou, mas houve passos largos nesse sentido. Entre eles podemos citar a quebra do monop\u00f3lio da extra\u00e7\u00e3o e do com\u00e9rcio do petr\u00f3leo. A partir da\u00ed come\u00e7aram os leil\u00f5es das reservas de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abertura do capital acion\u00e1rio da Petrobr\u00e1s, permitiu que o capital privado fosse abocanhando uma parte cada vez maior das a\u00e7\u00f5es, tendo hoje a maioria, principalmente das a\u00e7\u00f5es chamadas preferenciais, que d\u00e3o maior lucro. 40% dessas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o hoje negociadas na Bolsa de Nova Yorque e todos os anos recebem a maior parte dos dividendos (lucros).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na divis\u00e3o do capital social total a Uni\u00e3o propriamente dita tem 28,7%, o BNDES (banco controlado pelo governo) tem 10,9% e o BNDES-Par (Fundo do BNDES) tem 6,9%. Assim o governo pode interferir direta ou indiretamente, pois controla o BNDES e o BNDES-Par sobre 46% do capital social total, enquanto que o setor privado de conjunto det\u00e9m 54%, a maioria. (fonte: site da Petrobr\u00e1s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa situa\u00e7\u00e3o tem levado ao questionamento se a Petrobr\u00e1s j\u00e1 n\u00e3o seria uma empresa privada, ainda que com participa\u00e7\u00e3o estatal. Esse \u00e9 um debate aberto no movimento e na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, o Estatuto Social da Petrobr\u00e1s garante ao governo a maioria (pelo menos 50% +1) das a\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias que s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es que d\u00e3o direito a voto. Isso permite ao governo definir a maioria do Conselho Diretor e do pessoal que gerencia a empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo poderia recobrar a maioria ou totalidade do capital social da Petrobr\u00e1s, mas para isso teria que enfrentar seu aliado (o capital financeiro), o que n\u00e3o pretende fazer, pois tamb\u00e9m defende e aplica a l\u00f3gica do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o governo Lula v\u00eam ocorrendo movimentos combinados: o PT buscou manter o controle pol\u00edtico da empresa, de modo a reorientar suas atividades, colocando-a a servi\u00e7o de sua pol\u00edtica de atra\u00e7\u00e3o de capital para o Brasil e, a partir de 2009, de sua pol\u00edtica antic\u00edclica de combate \u00e0 crise. O governo tamb\u00e9m aumentou as opera\u00e7\u00f5es da Petrobr\u00e1s em outros pa\u00edses. Por um per\u00edodo evitou reajustar os combust\u00edveis na mesma propor\u00e7\u00e3o do mercado mundial e injetou dinheiro do BNDES na empresa atrav\u00e9s de sua participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria. Por outro lado, isso ocorreu refor\u00e7ando os lucros e o setor privado rentista no capital social total que vem cada vez mais peso nas defini\u00e7\u00f5es dos rumos da empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, a Petrobras tamb\u00e9m entrou numa escalada de super endividamento. Hoje possui uma d\u00edvida l\u00edquida superior a quase 3 vezes o que gera de caixa num ano. Em dezembro de 2012, tinha uma d\u00edvida de R$ 196 bilh\u00f5es de reais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essa via ocorre o aprofundamento da l\u00f3gica capitalista do lucro na empresa \u00e0 medida que para conseguir pagar em dia os juros de sua d\u00edvida, a Petrobras tem que operar cada vez mais sob a l\u00f3gica do lucro m\u00e1ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo esse processo de privatiza\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias fases e por v\u00e1rios meios vem provocando uma intensa terceiriza\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, perda e direitos e arrocho salarial na empresa. O n\u00famero de terceirizados subiu de 120.000, no Governo FHC, para 300.000 no Governo Lula e 360 mil no governo Dilma. At\u00e9 maio de 2013, 81% da m\u00e3o de obra nas depend\u00eancias da Petrobras eram terceirizados. Apenas 19% s\u00e3o funcion\u00e1rios diretos da empresa. Isto inclui atividades-fim, o que \u00e9, inclusive, ilegal. Os sal\u00e1rios iniciais t\u00eam sofrido grande rebaixamento, bem como os ritmos de trabalho aumentado.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Por uma Petrobr\u00e1s 100% estatal, sob controle dos trabalhadores!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como dissemos acima, a Petrobr\u00e1s segue a l\u00f3gica do capital e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua privatiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 em uma encruzilhada se \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o a cruzou: ou os trabalhadores imp\u00f5em a completa estatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras em um processo que assumam seu controle ou os governos (seja do PT ou outro) juntamente com a burguesia completar\u00e3o o processo transformando-a em uma empresa privada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defendemos uma Petrobr\u00e1s 100% estatal sob controle dos Trabalhadores, com o cancelamento de todas suas a\u00e7\u00f5es sem indeniza\u00e7\u00e3o (salvo dos pequenos acionistas individuais) e sua sa\u00edda da Bolsa de Valores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O controle dos trabalhadores \u00e9 estrat\u00e9gico!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00f3s, o debate deve ir al\u00e9m da luta pela completa estatiza\u00e7\u00e3o ou reestatiza\u00e7\u00e3o da empresa. Deve-se apontar a servi\u00e7o de qual l\u00f3gica dede estar: a l\u00f3gica de atender aos interesses dos trabalhadores ou ao capital? Isso \u00e9 importante porque muitas empresas mesmo sendo estatais como a Caixa Econ\u00f4mica Federal, o Banco do Brasil ou os Correios funcionam hoje com uma l\u00f3gica bem parecida \u00e0 de uma empresa privada (com pouqu\u00edssimas e cada vez menores media\u00e7\u00f5es), com metas, sobrecarga de trabalho, arrocho salarial, servi\u00e7os privilegiando as empresas privadas, perseguindo e aumentando o ass\u00e9dio moral sobre os seus trabalhadores, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o desafio fundamental colocado para a Petrobras, assim como para as empresas estatais citadas acima \u00e9 que possam servir \u00e0s necessidades da classe trabalhadora, com suas receitas aplicadas nos servi\u00e7os p\u00fablicos e ao mesmo tempo em uma explora\u00e7\u00e3o racional dos recursos n\u00e3o-renov\u00e1veis e controle do ambiente; para que isso ocorra \u00e9 preciso revolucionar a Petrobras rompendo com a l\u00f3gica do lucro\/explora\u00e7\u00e3o e colocando-a sob uma outra l\u00f3gica, somente poss\u00edvel com o controle dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, diferente de outras organiza\u00e7\u00f5es como o PSTU e certas correntes do PSOL, para n\u00f3s o elemento do controle dos trabalhadores n\u00e3o \u00e9 t\u00e1tico: \u00e9 estrat\u00e9gico. Uma proposta genuinamente socialista \u00e9 necess\u00e1ria para reverter essa situa\u00e7\u00e3o e o controle dos trabalhadores \u00e9 imprescind\u00edvel, ainda mais tratando-se de empresas ligadas ao estado burgu\u00eas ora existente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio de correntes que defendem uma concep\u00e7\u00e3o de socialismo estatista, entendemos que o processo de estatiza\u00e7\u00e3o deve ter car\u00e1ter transit\u00f3rio e o elemento que pode apontar para al\u00e9m disso \u00e9 o controle direto dos trabalhadores sob formas concretas como a tomada de decis\u00f5es em Assembleias ou Conselho amplos compostos por representantes dos trabalhadores da empresa e das demais categorias, elei\u00e7\u00e3o e revogabilidade dos cargos de chefia, fim dos privil\u00e9gios do pessoal de comando com o pagamento de um sal\u00e1rio m\u00e9dio de um trabalhador especializado, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse programa implica uma luta implac\u00e1vel contra os interesses empresariais, a ordem burguesa e o governo que os defende. Apenas os trabalhadores com sua luta podem impor essas mudan\u00e7as. Essas mudan\u00e7as por sua vez s\u00f3 podem ocorrer no quadro de uma ofensiva geral da classe, come\u00e7ando hoje por lutar contra o leil\u00e3o do campo de Libra, o avan\u00e7o do processo de privatiza\u00e7\u00e3o que ocorre a passos largos na Petrobras como em todas as demais empresas estatais ou sob controle do governo, tendo como perspectiva um governo revolucion\u00e1rio dos trabalhadores e uma sociedade socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Abaixo o Leil\u00e3o do Campo de Libra!<br \/>\n&#8211; Todo apoio \u00e0s Greves e lutas contra aprofundamento da privatiza\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal e da Petrobr\u00e1s!<br \/>\n&#8211; N\u00e3o \u00e0 repress\u00e3o aos lutadores! N\u00e3o \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e da pobreza!<br \/>\n&#8211; Pela explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal 100 % estatal sob controle dos trabalhadores!<br \/>\n&#8211; Por uma Petrobr\u00e1s 100% Estatal sob controle dos trabalhadores!<br \/>\n&#8211; N\u00e3o pagamento da D\u00edvida P\u00fablica e investimento desse dinheiro em um Plano de obras que construa e melhore hospitais, escolas, universidades, transportes coletivos e demais servi\u00e7os p\u00fablicos!<br \/>\n&#8211; Por um governo revolucion\u00e1rio dos trabalhadores!<br \/>\n&#8211; Por Uma sociedade Socialista!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo2\"><\/a>As campanhas salariais, a continuidade das lutas e a necessidade da alternativa socialista<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">As categorias organizadas e a burocracia sindical<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os anos, entre os meses de setembro e outubro, acontecem as campanhas salariais de importantes categorias nacionais, como banc\u00e1rios, ecetistas (funcion\u00e1rios dos Correios), petroleiros e metal\u00fargicos. Isso coloca todos os anos a possibilidade da realiza\u00e7\u00e3o de greves unificadas, com as mesmas datas de paralisa\u00e7\u00e3o, unifica\u00e7\u00e3o de piquetes, atos e manifesta\u00e7\u00f5es, etc., que fortaleceriam as lutas dessas categorias e do conjunto da classe. Esse potencial \u00e9 dificultado ou n\u00e3o se efetiva pelo fato de que a representa\u00e7\u00e3o sindical dessas categorias est\u00e1 sob controle de burocracias como CUT, CTB, For\u00e7a Sindical, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas entidades n\u00e3o apenas est\u00e3o sob controle de partidos governistas, como PT e PCdoB, como est\u00e3o na verdade integradas ao Estado e \u00e0 gest\u00e3o do capitalismo no Brasil, por meio de m\u00faltiplos v\u00ednculos, como o imposto sindical, conv\u00eanios do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador, que administra verbas do FGTS) os f\u00f3runs tripartites (que re\u00fanem representantes do Estado, dos empres\u00e1rios e dos trabalhadores), os fundos de pens\u00e3o (por meio dos quais os burocratas sindicais se associam \u00e0 gest\u00e3o das empresas), etc. Ou seja, as centrais sindicais n\u00e3o apenas apoiam o governo de plant\u00e3o, no caso exercido pelo PT, mas apoiam e participam da gest\u00e3o do capital no Brasil.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A nova situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e os ingredientes das campanhas salariais<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este ano, havia a expectativa de que a mudan\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, provocada pelas manifesta\u00e7\u00f5es de junho, e a intensifica\u00e7\u00e3o das lutas sociais nos meses seguintes, levassem a campanhas muito mais fortes, capazes de desafiar a aplica\u00e7\u00e3o do projeto do governo e da classe empresarial. Depois do pico de mobiliza\u00e7\u00e3o que houve em junho, quando milh\u00f5es de pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas em centenas de cidades, estabeleceu-se uma \u201crotina\u201d em que as manifesta\u00e7\u00f5es, ainda que restritas a uma vanguarda, se tornaram constantes, praticamente di\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Justamente no per\u00edodo em que acontecem essas campanhas, outros importantes processos de luta se abriram. Na USP os estudantes voltaram a se mobilizar em defesa da democratiza\u00e7\u00e3o da estrutura da Universidade, que ainda carrega restos da ditadura, como o seu estatuto e a pr\u00f3pria figura do reitor Rodas. E no Rio de Janeiro, cidade que viveu um estado de mobiliza\u00e7\u00e3o praticamente ininterrupto desde junho, os professores da rede municipal entraram em greve depois de 19 anos, contra um plano de carreira que piora a sua remunera\u00e7\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para completar o cen\u00e1rio, o governo federal marcou para 21 de outubro o leil\u00e3o do campo de Libra do pr\u00e9-Sal, com uma reserva estimada entre 26 a 42 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo, com potencial para produzir mais de um milh\u00e3o de barris por dia, o que seria compar\u00e1vel a todo o petr\u00f3leo extra\u00eddo pela Petrobras em seus 60 anos de exist\u00eancia. Esse petr\u00f3leo se encontra em camadas ultra profundas, que exigir\u00e3o alto investimento em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para ser extra\u00eddo. O governo quer entregar essas reservas \u00e0s empresas privadas, a maioria estrangeiras, e financiar os investimentos na tecnologia necess\u00e1ria para explora\u00e7\u00e3o por meio dos bancos p\u00fablicos e do BNDES, dando uma riqueza inestim\u00e1vel e vital para o pa\u00eds de bandeja ao capital internacional. A luta contra o leil\u00e3o do campo de Libra deveria dar o tom da campanha dos petroleiros ou at\u00e9 mesmo mobilizar o conjunto dos movimentos sociais.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A falta de uma oposi\u00e7\u00e3o unificada, combativa e antigovernista<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, mesmo com todos esses ingredientes para que houvesse uma verdadeira mobiliza\u00e7\u00e3o nacional, em defesa das reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, da Educa\u00e7\u00e3o e do controle sobre as riquezas naturais do pa\u00eds, as campanhas salariais transcorreram de maneira extremamente fria, controlada e limitada. O controle das burocracias sindicais sobre os espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o das principais categorias, em cada sindicato de base, cada assembleia de cada categoria, continuou sendo determinante para que n\u00e3o houvesse uma verdadeira greve geral no pa\u00eds e um verdadeiro processo de mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como em junho fez falta um projeto unificado que desse um direcionamento \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es (por exemplo, uma luta global pelo controle do or\u00e7amento p\u00fablico, contra o pagamento da d\u00edvida e os incentivos \u00e0s empresas, para aumentar drasticamente os investimentos em sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, transporte, moradia, etc.), nas campanhas salariais faz falta uma central sindical ou f\u00f3rum unit\u00e1rio de mobiliza\u00e7\u00e3o, de oposi\u00e7\u00e3o ao governo e \u00e0s burocracias governistas, que conseguisse a unifica\u00e7\u00e3o das lutas das diversas categorias e movimentos. Faz-se sentir com todo peso a derrota do Conclat, em 2010, que impediu a forma\u00e7\u00e3o de uma central de oposi\u00e7\u00e3o a partir da unifica\u00e7\u00e3o entre Conlutas e Intersindical. Apesar das s\u00e9rias limita\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas e metodol\u00f3gicas dessas entidades, uma central unit\u00e1ria de oposi\u00e7\u00e3o seria um p\u00f3lo importante para a unifica\u00e7\u00e3o das lutas, tanto no campo sindical como no conjunto dos movimentos sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s disso, a pol\u00edtica de suas dire\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias (PSTU e PSOL, respectivamente), leva a que cada vez mais essas centrais percam o seu car\u00e1ter de oposi\u00e7\u00e3o, classista, combativa e antigovernista. Cada vez mais se aprofundam os v\u00ednculos com correntes governistas, como CUT Pode Mais, as chapas com setores burocr\u00e1ticos e oportunistas, os desvios metodol\u00f3gicos (como o caso do Sinsprev RJ de que tratamos na edi\u00e7\u00e3o passada), etc. Os mesmos interesses aparatistas que determinaram o fracasso da unifica\u00e7\u00e3o em 2010 somente aumentaram sua influ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na falta de um p\u00f3lo alternativo de unifica\u00e7\u00e3o das lutas, os processos de enfrentamento seguem atomizados e desprovidos de um projeto totalizante. Mesmo com essa debilidade, a repress\u00e3o \u00e0 greve dos professores do RJ despertou uma nova onda de manifesta\u00e7\u00f5es pelo pa\u00eds, o que demonstra que ainda h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o de luta pronta para ser mobilizada. Numa din\u00e2mica e linguagem semelhante aos protestos convocados inicialmente pelo MPL em junho, que se massificaram e impuseram a revoga\u00e7\u00e3o do aumento das passagens (al\u00e9m de trazer \u00e0 tona uma imensa insatisfa\u00e7\u00e3o represada e v\u00e1rias reivindica\u00e7\u00f5es), sucessivos protestos foram marcados em v\u00e1rias cidades do pa\u00eds, semana ap\u00f3s semana, a partir de sites da internet, grupos de facebook e outras redes sociais, com o t\u00edtulo de \u201c1milh\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, depois de haver absorvido a primeira onda de manifesta\u00e7\u00f5es, que marcaram a volta das massas \u00e0s ruas do pa\u00eds ap\u00f3s d\u00e9cadas, o governo esperou alguns meses para contra-atacar com o recrudescimento da repress\u00e3o, quando houvesse apenas um setor minorit\u00e1rio e mais combativo nas ruas. A pol\u00edcia de SP recebeu a autoriza\u00e7\u00e3o para voltar a usar balas de borracha contra manifestantes, e um delegado enquadrou jovens detidos em S\u00e3o Paulo que participavam de protesto em solidariedade aos professores do RJ na Lei de Seguran\u00e7a Nacional, a mesma da \u00e9poca da ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo sentido, a m\u00eddia continua o seu bombardeio permanente contra as manifesta\u00e7\u00f5es, destacando um \u00fanico aspecto, as ocorr\u00eancias de enfrentamento com a pol\u00edcia (a mesma pol\u00edcia que diariamente procede o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra nas periferias, sem que isso cause esc\u00e2ndalo), que levam a depreda\u00e7\u00f5es, como se isso fosse o \u00fanico elemento a ser levado em considera\u00e7\u00e3o. As pautas de reivindica\u00e7\u00e3o dos manifestantes, os problemas sociais que levam milhares de pessoas \u00e0s ruas, n\u00e3o s\u00e3o nada comparados a atos de viol\u00eancia, invariavelmente causados pela pol\u00edcia e seus agentes infiltrados nas manifesta\u00e7\u00f5es, como j\u00e1 demonstrado em v\u00e1rios flagrantes divulgados na internet. Isso \u00e9 feito com o objetivo de deslegitimar as manifesta\u00e7\u00f5es, da mesma forma como a cobertura das greves s\u00f3 fala dos transtornos causados ao restante da popula\u00e7\u00e3o, para colocar a opini\u00e3o p\u00fablica contra os grevistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defasagem entre a disposi\u00e7\u00e3o de luta de um setor da juventude e as formas de organiza\u00e7\u00e3o ausentes, movimentos, centrais e partidos, com conte\u00fado de ruptura radical do sistema, acaba sendo preenchida por grupos como Black Blocks e Anonymous, que fazem da a\u00e7\u00e3o direta a sua \u00fanica virtude, e mesmo n\u00e3o apresentando nenhum conte\u00fado pol\u00edtico, acabam se tornando refer\u00eancia. \u00c9 preciso construir uma outra refer\u00eancia para as manifesta\u00e7\u00f5es, tarefa que os movimentos, centrais e partidos de oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam cumprido. Precisamos construir um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores, que esteja enraizado na base da juventude e da classe trabalhadora, nos seus locais de trabalho, estudo e moradia, em ruptura com o governo e os governistas, que se coloque em luta pelas reivindica\u00e7\u00f5es mais sentidas da classe, chocando-se inevitavelmente com a continuidade do sistema capitalista no pa\u00eds e apresentando uma alternativa socialista.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo3\"><\/a>Da ilus\u00e3o \u00e0 decep\u00e7\u00e3o: a juventude explorada frente ao governo do PT<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Juventude Macei\u00f3<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um metal\u00fargico no cargo de maior poder e responsabilidade do Brasil foi o sonho de muita gente durante anos. Em sua trajet\u00f3ria, para uma parcela consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o, o PT representava o que havia de mais avan\u00e7ado quando o assunto era justi\u00e7a social, \u00e9tica, respeito aos direitos trabalhistas etc. Hoje podemos afirmar categoricamente que n\u00e3o, n\u00e3o foi isso o que aconteceu quando Lula ganhou as elei\u00e7\u00f5es em 2002. O Partido dos Trabalhadores traiu v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es que confiavam em seu projeto de desenvolvimento nacional. Aqui ressaltamos que desde os anos 80 uma parcela consider\u00e1vel da esquerda brasileira j\u00e1 denunciava o que o PT tinha se tornado: um partido social-democrata que havia abandonado de vez as demandas dos trabalhadores em detrimento de uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classe com a burguesia. Em seu discurso de posse do primeiro mandato Lula deixou isso bem claro: \u201ctransformemos o fim da fome em uma grande causa nacional&#8230; essa \u00e9 uma causa que pode e deve ser de todos, sem distin\u00e7\u00e3o de classe, partido, ideologia.\u201d Ou seja, desde o in\u00edcio n\u00e3o restavam d\u00favidas acerca de qual lado ele estava e a quem suas pol\u00edticas privilegiariam&#8230; os banqueiros que o digam! Um pacto social imposto entre exploradores e explorados \u2013 concretizado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social &#8211; foi o pontap\u00e9 inicial para o que viria: reformas arbitr\u00e1rias, privatiza\u00e7\u00f5es, sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos e um longo etc.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">SUCATEAR A EDUCA\u00c7\u00c3O P\u00daBLICA E FINANCIAR A INICIATIVA PRIVADA<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa breve an\u00e1lise das pol\u00edticas do PT para a educa\u00e7\u00e3o superior fica evidente o car\u00e1ter de continua\u00e7\u00e3o do projeto neoliberal de FHC (PSDB), onde, a entrada e a perman\u00eancia (com qualidade!) da juventude pobre dentro da universidade p\u00fablica se tornou um sonho cada dia mais distante. A l\u00f3gica \u00e9 invertida: por excel\u00eancia o ensino superior p\u00fablico deveria ser destinado para aqueles(as) que passaram suas vidas nas escolas p\u00fablicas e que encontrariam na universidade o caminho para a sua forma\u00e7\u00e3o profissional, mas o que vemos \u00e9 cada vez mais a juventude explorada tendo que \u201cse virar nos 30\u201d para garantir uma gradua\u00e7\u00e3o em faculdades particulares, mesmo que ela seja prec\u00e1ria e voltada apenas para a forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra barata para o mercado de trabalho. Visto essa situa\u00e7\u00e3o Lula planeja uma s\u00e9rie de reformas que serviriam para \u201cmelhorar\u201d esse quadro. Nessa hora, mais uma vez, recorre-se ao pacto social firmado desde o in\u00edcio do seu mandato com a burguesia, financiando pesadamente o ensino superior privado atrav\u00e9s de medidas como o ProUni (Lei n\u00ba 11.096), implantado em 2005. \u201cAntes de sua implanta\u00e7\u00e3o, o governo federal lan\u00e7ou uma s\u00e9rie de documentos que buscavam \u2018constatar\u2019 a situa\u00e7\u00e3o da juventude e seu acesso \u00e0s universidades. Os dados lan\u00e7ados registram que entre 1998 e 2002, o n\u00famero de estudantes no ensino m\u00e9dio subiu de 5,7 milh\u00f5es para 9,8 milh\u00f5es, sendo que apenas 9% dos jovens entre 18 e 24 anos estavam cursando o Ensino Superior. A solu\u00e7\u00e3o encontrada para o problema do acesso \u00e0s universidades, entretanto, n\u00e3o poderia ser pior: o governo Lula alimenta o setor privado como &#8216;provedor&#8217; de ensino, oferecendo para os estudantes pobres as vagas ociosas dessas universidades.\u201d ( Frente de Luta contra a Reforma Universit\u00e1ria). Nessa parceria entre governo e empresariado da educa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do financiamento das vagas, a empresa \u00e9 isenta do pagamento de muitos impostos, como o Imposto de Renda, a CSLL, Cofins e PIS. Disso tudo resulta uma d\u00favida: porque esse investimento n\u00e3o \u00e9 feito na universidade p\u00fablica, garantindo o acesso e a perman\u00eancia da juventude pobre?!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O estatuto da juventude \u00e9 um ataque direto \u00e0 juventude explorada<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2010 passamos a ter Dilma Roussef como presidenta \u2013 troca-se a marionete, mas o roteiro \u00e9 mantido. Uma das provas concretas dessa continua\u00e7\u00e3o \u00e9 o Estatuto da Juventude, sancionado no dia 05 de agosto de 2013, como uma tentativa de frear o avan\u00e7o da luta da juventude por um futuro melhor. O documento trata de maneira abstrata v\u00e1rios temas importantes, como o financiamento e direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, garantia do direito \u00e0 diversidade sexual, o compromisso do Estado com a juventude trabalhadora, a viol\u00eancia sofrida nas periferias etc. Essa \u201cmaneira abstrata\u201d se concretiza na realidade: milhares de jovens fora da universidade p\u00fablica, veto ao kit anti-homofobia nas escolas p\u00fablicas, precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, principalmente no campo, onde o trabalho escravo ainda faz parte do cotidiano em muitos lugares do Brasil, genoc\u00eddio e criminaliza\u00e7\u00e3o da juventude que vive nas periferias. Ao lado de pontos que foram vetados ou sequer mencionados no tal estatuto, outros foram aprovados de maneira absurda, retirando direitos existentes at\u00e9 ent\u00e3o. Parece que Dilma n\u00e3o estava aqui no Brasil no m\u00eas de junho quando as manifesta\u00e7\u00f5es pelo passe livre come\u00e7aram e se espalharam rapidamente por todo o pa\u00eds, pois essa reivindica\u00e7\u00e3o que tanto ecoou das bocas da juventude foi esquecida na formula\u00e7\u00e3o do estatuto; e o pior: o governo vetou um item que garantia a meia-passagem estudantil no transporte inter-estadual, ficando claro o ataque a poss\u00edveis avan\u00e7os. O acesso da juventude \u00e0 cultura tamb\u00e9m foi atacado diretamente, impondo que apenas 40% dos ingressos de qualquer evento seriam destinados \u00e0 meia-entrada \u2013 um retrocesso, onde antes bastava comprovar que era estudante que a meia-entrada estava garantida; atendendo aos apelos dos empres\u00e1rios da cultura, Dilma disfere esse golpe na juventude pobre. Acatando as imposi\u00e7\u00f5es do capital estrangeiro, determina que a meia-entrada n\u00e3o ter\u00e1 validade na Copa do Mundo e nem nas Olimp\u00edadas, um absurdo! A presidenta fez quest\u00e3o de deixar bem claro que a meia-entrada ser\u00e1 v\u00e1lida mediante a apresenta\u00e7\u00e3o da Carteira de Identifica\u00e7\u00e3o Estudantil (CIE) e que ela ser\u00e1 produzida pela UNE. Mais uma vez fica expl\u00edcito o qu\u00e3o necess\u00e1rio \u00e9 o combate a essa entidade vendida ao governo!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00c9 hora da juventude se organizar!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junho foi um m\u00eas hist\u00f3rico para a luta popular no Brasil, mesmo que de forma n\u00e3o organizada, milh\u00f5es de pessoas foram \u00e0s ruas botar para fora sua indigna\u00e7\u00e3o frente ao estado atual das condi\u00e7\u00f5es de vida nesse tipo de sociedade, e isso \u00e9 muito importante! Houveram pautas centrais que impulsionaram os atos, mas quando as massas tomavam conta o que se via era um grito un\u00edssono de revolta contra o que o capitalismo tem a oferecer. Depois de v\u00e1rios anos sem manifesta\u00e7\u00f5es populares t\u00e3o grandes seria um erro esperar por uma luta de massas com consci\u00eancia de classe e um projeto oposto ao do capital. A realidade mostrou que o descontentamento com o sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, a taxa de desemprego alarmante, a viol\u00eancia da PM nas periferias, o descr\u00e9dito nas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas etc. revelam uma insatisfa\u00e7\u00e3o com o conjunto da sociedade e n\u00e3o apenas com pontos espec\u00edficos: esse fato \u00e9 sintom\u00e1tico! O incr\u00edvel foi ver a juventude na linha de frente desse processo, convocando atos com milhares de pessoas em todo o pa\u00eds. Uma nova gera\u00e7\u00e3o de lutadores(as) nasceu e agora o momento \u00e9 de se organizar para a pr\u00f3xima jornada de lutas. O Espa\u00e7o Socialista conclama toda a juventude revoltada com a situa\u00e7\u00e3o de calamidade social para que voltemos \u00e0s ruas e s\u00f3 as deixemos quando nossas reivindica\u00e7\u00f5es forem atendidas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo passe livre para estudantes e desempregados(as) em todo o Brasil!<br \/>\nN\u00e3o ao genoc\u00eddio da juventude nas periferias! PM n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o!<br \/>\nPor Hospitais Universit\u00e1rios 100% SUS! N\u00e3o \u00e0 EBSERH!<br \/>\nPor 10% do PIB para a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade para a juventude pobre!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo4\"><\/a>A luta das mulheres \u00e0 &#8220;doce&#8221; sombra do patriarcado no nordeste<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Daniella Yezzi e Gelvane Andrade<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da cultura do coronelismo e do canga\u00e7o o nordeste brasileiro carrega, at\u00e9 os dias de hoje, uma particular bagagem de ferrenha viol\u00eancia e opress\u00e3o contra as mulheres que por vezes extrapolam os limites dos direitos humanos. O patriarcado, guiado pelo ascenso do cultivo avassalador da cana-de-a\u00e7\u00facar, presente em todos os \u00e2mbitos da vida da sociedade colonial, persiste nas rela\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas atuais. Tal processo de desenvolvimento da sociedade brasileira nos trouxe um saldo que remonta \u00e0 barb\u00e1rie em v\u00e1rias esferas de nossas vidas. E no cotidiano da mulher esse saldo tem-se mostrado muito mais caro. Para analisar a situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e estigmatizante das trabalhadoras nessa regi\u00e3o do pa\u00eds, em especial no estado de Alagoas, faz-se necess\u00e1rio a retomada de alguns fatores hist\u00f3ricos determinantes dessa dura realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do controle que a coroa portuguesa manteve sobre sua col\u00f4nia, o poder pol\u00edtico no Brasil, do s\u00e9culo XVI ao in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, foi exercido pelos senhores de engenho. A monocultura do a\u00e7\u00facar e o grande latif\u00fandio s\u00e3o as marcas desse per\u00edodo. O trabalho escravo sustentava a economia do Brasil nesse per\u00edodo, assegurando a concentra\u00e7\u00e3o de poder nas m\u00e3os de poucos, bem como o modelo familiar vigente. O senhor de engenho ocupava o topo da hierarquia social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cria\u00e7\u00e3o do grande latif\u00fandio e da monocultura fomentou o surgimento do patriarcado, na figura do senhor de engenho, caracterizado pelo dom\u00ednio de terras, escravos e da pr\u00f3pria fam\u00edlia. A domina\u00e7\u00e3o da mulher pelo homem e o aprisionamento desta \u00e0 vida dom\u00e9stica se concretizaram na \u201cnecessidade\u201d de uma paternidade inquestion\u00e1vel, de modo que a propriedade privada do senhor passasse para um herdeiro leg\u00edtimo assegurando a continuidade dos bens por parte daquela fam\u00edlia. A casa grande, morada luxuosa do grande patriarca, abrigava n\u00e3o s\u00f3 a sua fam\u00edlia como tamb\u00e9m agregados que lhes deviam lealdade, refletindo o modelo social existente. Ao homem da casa cabia administrar e proteger seus bens, certificar a lealdade e obedi\u00eancia de todos debaixo do seu teto e participar da vida p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papel que a mulher do dono das terras exercia &#8211; n\u00e3o por vontade pr\u00f3pria, mas que lhe era exigido, de cuidados dom\u00e9sticos e procria\u00e7\u00e3o (de prefer\u00eancia, filhos homens) com caracter\u00edsticas criadas e atribu\u00eddas historicamente de que \u00e9 ser inferior ao homem, fr\u00e1gil, submissa e que deve se esfor\u00e7ar para exercer sua \u201cfeminilidade\u201d &#8211; \u00e9 refor\u00e7ado pela Igreja e Estado para control\u00e1-la e mant\u00ea-la distante das atividades econ\u00f4micas, impedi-la de qualquer participa\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o nos lucros. Ou seja, coisifica sua exist\u00eancia, transformando-a em algo pr\u00f3ximo a um objeto de decora\u00e7\u00e3o da casa do patriarca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao passo que tinham suas vontades e necessidades podadas, ainda mais do que as mulheres dos senhores, as escravas dom\u00e9sticas tinham a responsabilidade de cria\u00e7\u00e3o e at\u00e9 amamenta\u00e7\u00e3o dos filhos do senhor e para isso era necess\u00e1rio que deixassem de alimentar seus pr\u00f3prios filhos, o que provocava o aumento na taxa de mortalidade infantil entre crian\u00e7as negras. Al\u00e9m disso, em muitos casos, serviam de brinquedo sexual do patr\u00e3o, tendo seus corpos estigmatizados como objetos-s\u00edmbolos de sensualidade e prazer descart\u00e1vel ainda hoje com resqu\u00edcios em nossa sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os vest\u00edgios dessa estrutura social se mant\u00eam fortemente presentes em Alagoas. Apesar do surgimento de grandes usinas e de ind\u00fastrias, a monocultura e a concentra\u00e7\u00e3o de terras na m\u00e3o de algumas fam\u00edlias ajudaram a perpetuar rela\u00e7\u00f5es de poder em muito semelhantes \u00e0s dos antigos senhores de engenho. O coronelismo e o patriarcado figuram uma dura realidade em boa parte do interior do estado. Se por um lado o fim da escravid\u00e3o p\u00f5e fim ao engenho, as usinas atribuem o poder econ\u00f4mico aos grandes propriet\u00e1rios que assumem tamb\u00e9m o poder pol\u00edtico atrav\u00e9s do poder do Estado e criam uma sociedade totalmente voltada para a monocultura do a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<h3>QUALQUER SEMELHAN\u00c7A N\u00c3O \u00c9 MERA COINCID\u00caNCIA<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda temos o pior \u00edndice de viol\u00eancia contra a mulher em que, apenas nos dois primeiros meses deste ano, 810 ocorr\u00eancias foram registradas em Alagoas. No Brasil, uma mulher \u00e9 agredida a cada 5 minutos. Outras s\u00e3o espancadas a cada 24 segundos. Cerca de 70% dos agressores s\u00e3o os pr\u00f3prios companheiros. As poucas delegacias existentes t\u00eam funcionamento prec\u00e1rio e n\u00e3o contemplam as necessidades das v\u00edtimas, o que agrava o sil\u00eancio por parte tanto das v\u00edtimas quanto das testemunhas &#8211; marca deixada pelo \u201ccabresto\u201d do coronelismo. O desemprego escancarado reflete a discrimina\u00e7\u00e3o contra a mulher e o discurso dominante d\u00e1 justificativas que v\u00e3o desde a incompet\u00eancia feminina at\u00e9 o \u201cinconveniente\u201d da maternidade, o que inferioriza ainda mais a m\u00e3o de obra, cujas \u00fanicas alternativas restantes s\u00e3o o corte da cana, o trabalho dom\u00e9stico, a depend\u00eancia financeira ou a prostitui\u00e7\u00e3o. A inexist\u00eancia de creches p\u00fablicas \u00e9 uma dificuldade crescente no cotidiano das trabalhadoras dom\u00e9sticas, pois deixam seus filhos e o lar \u00e0 pr\u00f3pria sorte para cuidarem da casa e dos filhos da patroa. Essa \u00e9 uma das causas do aumento do n\u00famero de acidentes, raptos e morte infantil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de expans\u00e3o do capital possibilitou a participa\u00e7\u00e3o da mulher no mundo do trabalho, por\u00e9m n\u00e3o foram dadas alternativas para substituir o vazio \u201cdeixado\u201d no lar com a sua inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. O resultado \u00e9 o aumento de seu n\u00edvel de responsabilidade e a explora\u00e7\u00e3o dupla de sua for\u00e7a de trabalho. A dupla jornada de trabalho, tendo sido naturalizada, \u00e9 mantida por tr\u00e1s da falsa ideia de emancipa\u00e7\u00e3o feminina, na figura da mulher moderna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito \u00e0 maternidade vemos a viola\u00e7\u00e3o de direitos b\u00e1sicos na hora do parto e a falta de estrutura e humanidade do servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso somado \u00e0s p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho sentidas, principalmente, na falta de seguran\u00e7a das trabalhadoras que s\u00e3o v\u00edtimas da cultura do estupro e da viol\u00eancia, banalizadas pelos diversos aparatos ideol\u00f3gicos, deixa clara a necessidade de mudan\u00e7a desse modelo de sociedade no qual estamos inseridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luta pela emancipa\u00e7\u00e3o feminina deve ser tamb\u00e9m uma luta pela emancipa\u00e7\u00e3o humana. Deve estar atrelada \u00e0 luta de classes, pois s\u00f3 poder\u00e1 ser alcan\u00e7ada com a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo. Precisamos compreender que o problema das mulheres n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um problema de g\u00eanero, mas tamb\u00e9m um problema de classe! Por isso a necessidade da participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nas lutas feministas. Unir for\u00e7as para conquistas, mesmo que pontuais, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia: Como a luta por igualdade salarial, constru\u00e7\u00e3o de creches p\u00fablicas, funcionamento 24 horas e cria\u00e7\u00e3o de mais delegacias da mulher com atendimento digno, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico de Sa\u00fade que respeite a autonomia da mulher sobre o seu corpo, contra o trabalho escravo remanescente nas grandes ind\u00fastrias e contra a dupla jornada de trabalho. Essas e tantas outras reivindica\u00e7\u00f5es s\u00f3 podem ser travadas com a unidade Trabalhadora e Trabalhador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a luta contra a r\u00edgida estrutura familiar que estigmatiza a figura da mulher \u00e9 tanto mais necess\u00e1ria, uma vez que os vest\u00edgios da ideologia senhorial ainda se mant\u00eam latentes tanto na fam\u00edlia burguesa quanto nas fam\u00edlias da classe trabalhadora, que quase sempre reproduz de forma incisiva as mesmas rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o. Que possamos nos libertar das algemas do patriarcado e da explora\u00e7\u00e3o por uma vida justa e igualit\u00e1ria para a classe trabalhadora!!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo5\"><\/a>Lutar por mais recursos e controle dos investimentos na educa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">N\u00facleos de Professores &#8211; Espa\u00e7o Socialista<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso constante do dinheiro p\u00fablico para atender aos interesses do empresariado \u00e9 algo corrente e recorrente. Nesse sentido, se faz necess\u00e1rio defendermos sempre mais investimentos nos servi\u00e7os sociais essenciais \u2013 Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Lazer, Transporte P\u00fablico, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, menos de 5% do PIB s\u00e3o investidos na Educa\u00e7\u00e3o, e se considerarmos apenas a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, o percentual \u00e9 ainda menor. Pa\u00edses que deram saltos na Educa\u00e7\u00e3o investiram por d\u00e9cadas entre 10% e 15% do PIB na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas al\u00e9m de lutarmos pelos 10% do PIB para a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica J\u00e1, \u00e9 preciso que o controle desse dinheiro esteja nas m\u00e3os dos verdadeiros interessados na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica: os professores, alunos, pais e demais trabalhadores. Isso \u00e9 muito importante pois, com a crise estrutural do capital, temos visto as empresas buscarem se apropriar do dinheiro p\u00fablico da Educa\u00e7\u00e3o de in\u00fameras formas, como parcerias, Projetos, ONG\u2019s, terceiriza\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, \u00e9 na aplica\u00e7\u00e3o em si do dinheiro que se define o projeto de educa\u00e7\u00e3o a ser implementado. Por exemplo, se o dinheiro ser\u00e1 aplicado em recursos e condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u2013 salas de inform\u00e1tica, laborat\u00f3rios, excurs\u00f5es educativas e culturais, projetos dos alunos, sal\u00e1rio e carreira dos professores \u2013, ou se ir\u00e1 para um projeto de educa\u00e7\u00e3o voltado apenas para conten\u00e7\u00e3o e controle social e para formar uma m\u00e3o de obra prec\u00e1ria \u2013 apostilas com conte\u00fados e atividades impostos de cima para baixo, cobran\u00e7as burocr\u00e1ticas aos professores, grades e c\u00e2meras em salas de aula, privil\u00e9gios para as dire\u00e7\u00f5es de escola e Diretorias de Ensino \u2013, ou ainda se ir\u00e1 para projetos educacionais elaborados por funda\u00e7\u00f5es, institutos e ONG\u00b4s de empresas e bancos \u2013 Instituto Ita\u00fa Social, Instituto Gerdal, Funda\u00e7\u00e3o Bradesco, dentre outros. \u2013 que adentram as escolas de modo crescente. Como vemos, o mesmo dinheiro pode servir a projetos pol\u00edtico-pedag\u00f3gicos e interesses de classe opostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, n\u00e3o se pode deixar o controle do dinheiro nas m\u00e3os dos governos, secretarias de Educa\u00e7\u00e3o ou gest\u00f5es escolares. \u00c9 preciso que o controle do dinheiro e das prioridades seja uma decis\u00e3o coletiva de professores, pais, alunos e demais trabalhadores, ou correremos o risco de a raposa tomar conta do galinheiro. Por isso, afirmamos que n\u00e3o queremos uma educa\u00e7\u00e3o sob a tutela do estado; uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade se faz com autonomia das escolas, dos professores e da comunidade escolar como um todo, que devem decidir sobre suas prioridades.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A fal\u00e1cia dos royalties e do &#8220;Fundo Social&#8221; para a educa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso entrarmos a fundo no debate sobre os royalties do Pr\u00e9-Sal para a Educa\u00e7\u00e3o, tarefa at\u00e9 agora desprezada pela esquerda, e que tem levado muitos trabalhadores a acreditarem que a partir de agora teremos de fato um aumento significativo, ou pelo menos razo\u00e1vel, de recursos para a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos movimentos de junho\/julho, a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica ressurgiu como uma das bandeiras centrais. O governo Dilma foi obrigado a vir a p\u00fablico e apresentar alguma proposta. O fez, por\u00e9m de modo ilus\u00f3rio, bem no estilo petista, apenas com paliativos m\u00ednimos, aproveitando ao mesmo tempo para dar legitimidade ao seu projeto maior de entrega do patrim\u00f4nio p\u00fablico \u2013 no caso o Pr\u00e9-Sal \u2013 para as transnacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 14 de agosto, o Congresso Nacional aprovou o projeto de lei que supostamente destina 75% dos royaties do petr\u00f3leo para a Educa\u00e7\u00e3o e 25% para a Sa\u00fade. Al\u00e9m disso, destina metade do valor do \u201cFundo Social\u201d a investimentos em Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de \u201croyalties\u201d implica a entrega do imenso patrim\u00f4nio natural para empresas que ent\u00e3o pagam uma esp\u00e9cie de compensa\u00e7\u00e3o m\u00ednima. Trata-se de um valor extremamente baixo, cerca de apenas 15% do valor obtido pela venda do petr\u00f3leo. Em outros pa\u00edses, grandes produtores de petr\u00f3leo, esse percentual chega a 70% ou mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do mais, destes 15%, nada menos que 78% ir\u00e3o para os estados e munic\u00edpios, sem nenhuma obrigatoriedade de aplica\u00e7\u00e3o na Educa\u00e7\u00e3o. Somente 22% destes 15% (ou seja, apenas 3,3% do valor da produ\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9 \u2013sal) ficar\u00e3o com a Uni\u00e3o e supostamente ser\u00e3o aplicados na Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, tal destina\u00e7\u00e3o somente ocorrer\u00e1 a partir dos novos contratos de explora\u00e7\u00e3o, referentes a po\u00e7os de petr\u00f3leo leiloados a partir de 3\/12\/2012. Esses po\u00e7os entrar\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o s\u00f3 a partir de 2020!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto importante \u00e9 sobre o chamado \u201cFundo Social\u201d, criado para receber os recursos do lucro do Pr\u00e9-Sal, pago pelas empresas exploradoras ao governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O valor do piso m\u00ednimo que as empresas devem entregar ao governo foi rebaixado. Antes, as empresas teriam que entregar pelo menos 60% dos lucros ao governo. Agora essa parcela caiu para 41,65%! As transnacionais ficaram muito satisfeitas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o projeto inicial do governo era de que apenas 50% dos rendimentos financeiros do Fundo Social fossem para a Educa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de seu capital total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, no calor dos movimentos de junho\/julho, o governo teve que aceitar que o total do capital depositado no fundo a cada ano, mais os rendimentos, seriam destinados para a Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas espertamente, o governo e sua bancada negociaram o envio de novo Projeto de lei, mais pra frente, no sentido de destinar apenas 50% dos rendimentos do Fundo, e n\u00e3o de seus dep\u00f3sitos totais. Essa manobra \u00e9 poss\u00edvel, pois at\u00e9 2020 h\u00e1 tempo de sobra&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com tudo isso considerado, haver\u00e1 um aumento de apenas 0,6% a 1% do PIB para Educa\u00e7\u00e3o a partir de 2022, e cifras ainda menores nos anos anteriores. Ou seja, em 2022, o pa\u00eds estar\u00e1 investindo 6% do PIB em Educa\u00e7\u00e3o, muito longe dos 10 % necess\u00e1rios!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fundo, essa discuss\u00e3o da destina\u00e7\u00e3o dos royalties do Pr\u00e9-Sal para a Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma grande cortina de fuma\u00e7a. Para que a Educa\u00e7\u00e3o receba uma m\u00ednima parte de dinheiro, o pa\u00eds deve entregar suas reservas de petr\u00f3leo praticamente de gra\u00e7a para as grandes corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Um exemplo desse entreguismo: o leil\u00e3o do Campo de Libra<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 60 anos de hist\u00f3ria, a Petrobr\u00e1s atingiu uma produ\u00e7\u00e3o de aproximadamente 15 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo. O Campo de Libra, descoberto sozinho pela companhia, tem no m\u00ednimo cerca de 12 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo. Mas, de acordo com o edital do governo, para a sua concess\u00e3o \u00e0s transnacionais, basta que apresentem o pagamento m\u00ednimo de 15 bilh\u00f5es o que significa aproximadamente 1 d\u00f3lar por barril! O pre\u00e7o de mercado atual \u00e9 de, no m\u00ednimo, 120 d\u00f3lares o barril! (fontes: http:\/\/noticias.terra.com.br\/; http:\/\/fnpetroleiros.org.br\/?p=3831; http:\/\/fnpetroleiros.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/boletim_fnp_especial_leiloes.pdf)<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 atrav\u00e9s da luta teremos investimento real na educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablicas!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso uma ampla campanha de todos os setores de luta e antigovernistas \u2013 com v\u00eddeos, cartas abertas, carros de som, etc. \u2013 esclarecendo a popula\u00e7\u00e3o e chamando \u00e0 luta contra o desvio do patrim\u00f4nio p\u00fablico para as empresas. A CSP-Conlutas e a Intersindical deveriam estar voltando toda sua estrutura (dirigem v\u00e1rios sindicatos importantes) para essa finalidade, encampando de fato essa luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, vemos apenas campanhas de propaganda para c\u00edrculos restritos, e a base da classe trabalhadora e setores populares nem imaginam o que est\u00e1 sendo feito com as riquezas naturais do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, precisamos apresentar os pontos de programa que possam resolver de fato o problema da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, de modo que se fa\u00e7a sentir na sala de aula. Defendemos ent\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica (na pr\u00e1tica j\u00e1 foi paga v\u00e1rias vezes), investindo o dinheiro p\u00fablico nos servi\u00e7os sociais essenciais, particularmente na Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade P\u00fablicas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal 100% estatal e sob controle dos trabalhadores, de modo que seja uma explora\u00e7\u00e3o em base \u00e0s necessidades dos trabalhadores, ambientalmente sustent\u00e1vel, e cujas receitas venham na sua totalidade para os servi\u00e7os p\u00fablicos, como Transporte, Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Controle p\u00fablico e democr\u00e1tico da utiliza\u00e7\u00e3o do dinheiro da Educa\u00e7\u00e3o, de modo que seja empregado realmente para as necessidades dos professores, alunos e pais;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, \u00e9 preciso incentivar, desde j\u00e1, tanto os movimentos maiores de rua e as greves, mobiliza\u00e7\u00f5es, acampamentos, como tamb\u00e9m a luta e a organiza\u00e7\u00e3o de base nas escolas, seja em reuni\u00f5es, assembleias de toda a comunidade, forma\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es conjuntas de professores, pais e alunos, gr\u00eamios, participa\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a de funcionamento dos Conselhos de Escola, APM, etc;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Da mesma forma, dado o papel que as gest\u00f5es de escola v\u00eam assumindo no sentido de aplicadores das pol\u00edticas governamentais, devemos lutar pela elei\u00e7\u00e3o direta para diretores de escola \u2013 como j\u00e1 ocorre em alguns estados e munic\u00edpios Brasil a fora \u2013, pois com isso podemos ter diretores mais comprometidos com os interesses da comunidade escolar.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo6\"><\/a>A disputa Democratas x republicanos na crise or\u00e7ament\u00e1ria dos EUA: quando o ch\u00e1 parece coca-cola<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Thiago Pierr\u00f4<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) iniciou em 01\u00ba de outubro uma paralisa\u00e7\u00e3o parcial do setor p\u00fablico, colocando cerca de 800 mil funcion\u00e1rios em licen\u00e7a n\u00e3o remunerada, fechando parques nacionais e suspendendo projetos de pesquisa m\u00e9dica. Tudo porque o Congresso estado-unidense n\u00e3o conseguiu entrar em acordo para aprovar o or\u00e7amento do ano fiscal de 2014. Uma vez que a aprova\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento n\u00e3o sa\u00eda, deveria o governo diminuir seus gastos num curto prazo para garantir o pagamento de certas d\u00edvidas que considera essenciais (como t\u00edtulos financeiros, por exemplo, pagos a certos bancos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao alardear a possibilidade de os EUA n\u00e3o fecharem o or\u00e7amento para 2014 e assim dar \u201ccalote\u201d no pagamento das d\u00edvidas e t\u00edtulos financeiros que sustentam boa parte da estrutura estatal estado-unidense, as aten\u00e7\u00f5es logo se voltaram para o impasse pol\u00edtico ocorrido entre democratas e republicanos. De um lado, os democratas, com maioria no senado e alinhados ao presidente Obama e, de outro, republicanos, pressionados por seu estrato mais reacion\u00e1rio, o Tea Party*. Com a mesma qualidade nutricional de um sandu\u00edche do Mc Donalds, mas com a demora de 16 dias, o acordo veio e aumentou o teto da d\u00edvida estado-unidense para 17,4 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, permitindo ao governo fechar o or\u00e7amento e realizar novos gastos somente at\u00e9 15 de janeiro de 2014. A oposi\u00e7\u00e3o dos republicanos girava basicamente em torno dos pedidos de diminui\u00e7\u00e3o dos gastos da estrutura estatal estado-unidense, incluindo aqui o sistema acess\u00edvel de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, o popularmente conhecido Obamacare.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem v\u00ea pela primeira vez este tipo de combate entre \u201cdemocratas\u201d e \u201crepublicanos\u201d pode at\u00e9 se perguntar se estamos diante de uma ala de esquerda frente a outra de direita. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 disso que se trata&#8230;o embate na verdade tem, de um lado, no m\u00e1ximo, aqueles que s\u00e3o de centro-direita (os democratas); do outro, aqueles que s\u00e3o de direita ou de extrema direita (os republicanos). Ok, ok&#8230;mas e por que, ent\u00e3o, se engalfinham feito inimigos mortais? N\u00e3o s\u00e3o eles mesmos representantes do modo capitalista tradicional de governar? N\u00e3o s\u00e3o eles representantes dos capitais dos EUA e de grande parte do mundo? Sim&#8230; \u00e9 isso mesmo! &#8230;s\u00f3 com esses dados, ficamos, ent\u00e3o, sem resposta clara sobre os porqu\u00eas desse germe de crise pol\u00edtica. As interroga\u00e7\u00f5es continuam pairando em nossas cabe\u00e7as. Como e onde, ent\u00e3o, buscar alguma luz na penumbra deste grande e indigesto fast food, se \u00e9 que h\u00e1 luz?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em verdade, o confronto das for\u00e7as republicanas no congresso estado-unidense \u00e9 t\u00e3o somente um embri\u00e3o do que pode vir a ser ainda mais recorrente. O embate pol\u00edtico em curso, em torno da disputa cada vez mais acirrada do or\u00e7amento, \u00e9 reflexo de um ciclo de crise econ\u00f4mica iniciado em 2008 e que vem aumentando a cada ano as dificuldades do governo em administrar suas contas. Entre outras, as consequ\u00eancias da crise desencadeada nos EUA a partir de 2008 s\u00e3o: maior austeridade (leia-se: ataque aos direitos sociais) e, ao mesmo tempo, maior inje\u00e7\u00e3o de dinheiro p\u00fablico nas empresas e bancos \u201cgrandes demais para falir\u201d. Essa pol\u00edtica est\u00e1 sendo implementada desde o in\u00edcio da crise e mesmo assim nem a super-vis\u00e3o do Super-Homem vislumbra uma luz salvadora e reconfortante no fim do t\u00fanel. Em geral, os Estados e as corpora\u00e7\u00f5es encontram-se cada vez mais endividados e os prazos para pagamento de suas d\u00edvidas s\u00e3o cada vez menores. D\u00e1-se, ent\u00e3o, a disputa ferrenha pelas fatias do or\u00e7amento do Estado, ocasionando diversas lutas e disputas&#8230; afinal, como se diz popularmente por aqui, \u201cfarinha pouca, meu pir\u00e3o primeiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse contexto, pois, que se pode compreender a atual disputa democratas x republicanos: de um lado, temos os democratas como a manuten\u00e7\u00e3o da ordem, a manuten\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas acima mencionadas; de outro, os republicanos como uma for\u00e7a pol\u00edtica disposta a aprofundar as medidas de austeridade contra a popula\u00e7\u00e3o estado-unidense. E \u00e9 nesse contexto que o \u201cnovo\u201d aparece, demonstra que a disputa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 or\u00e7ament\u00e1ria e que pode explicar um pouco essa aparentemente estranha situa\u00e7\u00e3o: \u00e9 o crescimento do Tea Party como for\u00e7a pol\u00edtica a chave da explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obviamente, o movimento Tea Party n\u00e3o come\u00e7ou agora. A ala de extrema-direita do partido republicano defende j\u00e1 h\u00e1 algum tempo um programa econ\u00f4mico radicalmente neoliberal (corte de impostos das empresas e grandes fortunas, corte de investimentos nos programas sociais, fim das regulamenta\u00e7\u00f5es no mercado financeiro, fim das restri\u00e7\u00f5es ambientais \u00e0s atividades das corpora\u00e7\u00f5es) e uma vis\u00e3o social fundamentalista crist\u00e3 (contra o casamento homossexual, contra o uso de contraceptivos, contra o aborto, contra a pesquisa com c\u00e9lulas-tronco e em defesa do ensino do criacionismo b\u00edblico). O que explica, ent\u00e3o, o ganho de for\u00e7a do Tea Party ?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por um lado, diante da situa\u00e7\u00e3o social permanentemente inst\u00e1vel e com a degrada\u00e7\u00e3o geral da vida, crescem as organiza\u00e7\u00f5es de extrema direita perante a parcela mais pauperizada da popula\u00e7\u00e3o, vez que prometem o retorno da velha prosperidade, dos empregos, sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de vida do velho Estado de bem-estar social. Por outro, diante da tend\u00eancia de queda do lucro das mais variadas empresas, as mesmas organiza\u00e7\u00f5es de extrema direita simbolizam a oportunidade de o Estado poder intervir para maximizar os lucros dos capitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jun\u00e7\u00e3o desses fatores com a instabilidade pol\u00edtica no cen\u00e1rio das for\u00e7as que comp\u00f5em o bloco no poder nos EUA nos permitem entender como o epis\u00f3dio do or\u00e7amento deste ano, longe de ser uma derrota, foi uma grande demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a do Tea Party. \u00c9 propriamente uma alternativa de extrema-direita que surge da disputa no interior da pr\u00f3pria burguesia e potencializa essa mesma disputa por caminhos mais e mais nefastos. Assim, podemos ver um deslocamento mais \u00e0 direita de certa fra\u00e7\u00e3o representante dos interesses dos capitais, ocasionando o atrito pol\u00edtico que acabamos de ver. Uma vez compreendido esse deslocamento, o confronto entre democratas e republicanos deixa de parecer enigm\u00e1tico. Passa-se a compreender que o Ch\u00e1 \u00e9 um forte representante e com crescente espa\u00e7o no fast food pol\u00edtico dos orgulhosos Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8212;<br \/>\nSobre o Tea Party \u2013 o nome foi tirado da \u201crevolta do ch\u00e1\u201d de Boston, em 1773, quando comerciantes americanos se revoltaram contra o monop\u00f3lio do ch\u00e1 estabelecido pela Inglaterra e se disfar\u00e7aram de \u00edndios para jogar carregamentos de ch\u00e1 no mar, no porto de Boston, e esse fato foi o estopim que detonou a forma\u00e7\u00e3o do movimento independentista, que proclamou a emancipa\u00e7\u00e3o das 13 col\u00f4nias em 1776.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Leil\u00e3o: Governo Dilma entrega as riquezas do pa\u00eds Depois das greves, continuar com as lutas e a organiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2586,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2585"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2585"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2585\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6505,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2585\/revisions\/6505"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}