{"id":26,"date":"2008-12-13T15:54:05","date_gmt":"2008-12-13T15:54:05","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/26"},"modified":"2018-05-04T21:50:56","modified_gmt":"2018-05-05T00:50:56","slug":"o-filme-gibi-do-hulk-o-incrivel-ang-lee-e-a-teoria-dos-monstros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/o-filme-gibi-do-hulk-o-incrivel-ang-lee-e-a-teoria-dos-monstros\/","title":{"rendered":"O filme-gibi do Hulk, o incr\u00edvel Ang Lee e a teoria dos monstros"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">\n<h1>O FILME-GIBI DO HULK, O INCR\u00cdVEL ANG LEE<\/h1>\n<h1>E A TEORIA DOS MONSTROS<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cHulk\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nome original: The Hulk<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2003<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas, Espanhol<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Diretor: Ang Lee<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Stan Lee, Jack Kirby<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Eric Bana, Jennifer Conelly, Sam Elliot, Josh Lucas, Nick Nolte, Paul Kersey, Cara Buono, Todd Tesen, Kevin Rankin, Mike Erwin, Celia Weston, Lou Ferrigno, Stan Lee, Regi Davis, Craig Damons<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: a\u00e7\u00e3o, drama, fantasia, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, thriller<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como bom corintiano, n\u00e3o tenho a menor simpatia por qualquer coisa que seja verde. Entretanto, como cin\u00e9filo e ex-leitor de gibis, n\u00e3o poderia deixar de apreciar um bom filme sobre o incr\u00edvel Hulk. A obra do diretor Ang Lee (o mesmo de \u201cO Tigre e o Drag\u00e3o) une com perfei\u00e7\u00e3o a s\u00e9tima e a nona artes, o cinema e os quadrinhos. Trata-se de um novo passo na transposi\u00e7\u00e3o do universo dos quadrinhos para o cinema, transposi\u00e7\u00e3o que tenho tentado analisar (vide \u201cSomos todos mutantes\u201d, meu texto anterior sobre os \u201cX-Men\u201d 1 e 2) e descrever em termos de uma tend\u00eancia significativa da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica atual.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Uma tend\u00eancia de rejuvenescimento da linguagem e do conte\u00fado. No contexto dessa tend\u00eancia, o \u201cHulk\u201d representa uma boa surpresa. A solu\u00e7\u00e3o de edi\u00e7\u00e3o elaborada por Ang Lee, dividindo a tela do cinema em quadros e \u201cvirando as p\u00e1ginas\u201d conforme as cenas avan\u00e7am, procura transmitir exatamente a mesma sensa\u00e7\u00e3o de se ler um gibi. Essa solu\u00e7\u00e3o lan\u00e7a um desafio para qualquer novo filme sobre quadrinhos que se venha a fazer posteriormente, pois n\u00e3o h\u00e1 como escapar dela e ao mesmo tempo n\u00e3o h\u00e1 como imit\u00e1-la sem incorrer num pl\u00e1gio descarado. Trata-se de uma inven\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, pois algu\u00e9m teria que ter essa id\u00e9ia algum dia. Depois que a vemos na tela, torna-se uma id\u00e9ia \u00f3bvia. E depois que Ang Lee a teve, percebe-se que todo mundo deveria ter pensado nisso antes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa originalidade d\u00e1 uma amostra da genialidade de Ang Lee e de sua ousadia art\u00edstica. Ousadia como aquela que demonstrou ao fazer os lutadores de \u201cO Tigre e o Drag\u00e3o\u201d flutuarem no ar, transformando aquilo que seria um simples filme de kung fu em um po\u00e9tico bal\u00e9 marcial. Se essa realiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi por si s\u00f3 chocante em face das obras anteriores do diretor (como \u201cRaz\u00e3o e Sensibilidade\u201d e \u201cTempestade de gelo\u201d), que dizer ent\u00e3o deste \u201cHulk\u201d? Como um diretor de filmes de arte e dramas familiares complexos e cheios de sutileza se transforma subitamente num diretor de filmes-gibi?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A resposta \u00e9 que os filmes-gibi de Ang Lee s\u00e3o tamb\u00e9m cheios de sutileza e complexidade. \u201cHulk\u201d \u00e9 um drama psicol\u00f3gico, mais do que um filme de a\u00e7\u00e3o. O drama do monstro verde \u00e9 uma met\u00e1fora sobre emo\u00e7\u00f5es reprimidas e os perigos que acarretam quando descontroladas. Mais um produto da mente vers\u00e1til de Stan Lee (sobre a qual j\u00e1 aludimos em \u201cSomos todos mutantes\u201d), o criador dos gibis do monstro. \u201cHulk\u201d, o filme, explorando toda a prolixidade dos quadrinhos, foi constru\u00eddo por Ang Lee como uma met\u00e1fora para freudiano nenhum botar defeito.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O confronto entre o dr. Bruce Banner e seu pai, o tamb\u00e9m cientista David Banner, est\u00e1 estruturado \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o como uma amostra do complexo de \u00c9dipo. A rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e era a fonte de estabilidade emocional para o pequeno Bruce. Mas o trauma posterior (n\u00e3o contaremos para n\u00e3o entregar a hist\u00f3ria) o privou dessa estabilidade. A solu\u00e7\u00e3o encontrada foi reprimir as lembran\u00e7as do incidente. Incidente que, como em todo \u00c9dipo, foi culpa do pai. Por culpa do dr. Banner, a bomba rel\u00f3gio emocional ficou estocada para o momento oportuno (ou seria inoportuno?).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A bomba estava plantada pelo pai tamb\u00e9m no D.N.A., mas isso \u00e9 assunto para mais adiante. O que importa \u00e9 que o dr. Banner passou sua vida ocultando suas emo\u00e7\u00f5es. O que tornou dif\u00edcil seu relacionamento com a tamb\u00e9m cientista Betty Ross. A qual busca relacionamentos com homens distantes para entender porque foi momentaneamente \u201cabandonada\u201d pelo pai quando crian\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Pai que por sua vez, na figura do general Ross, representa o arqu\u00e9tipo da repress\u00e3o e da autoridade. Desde o come\u00e7o, o general n\u00e3o vai com a cara do dr. Banner. Como qualquer pai com ci\u00fames da filha, o general n\u00e3o quer saber de nenhum esquisito verde rondando sua filhinha. A repress\u00e3o pela autoridade do pai na esfera familiar diz respeito \u00e0 interdi\u00e7\u00e3o das atividades sexuais da filha. A repress\u00e3o sexual fica enfaticamente explicitada pela figura do militar. O militar \u00e9 o s\u00edmbolo do homem repressivo e reprimido, sexualmente, emocionalmente, socialmente e politicamente castrado. E assim passamos de Freud para Foucault. Logo chegaremos em Marx (como n\u00e3o poderia deixar de ser em uma resenha de minha autoria&#8230;).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A antipatia ideol\u00f3gica de Banner contra seu rival, um certo Glenn Talbot com jeit\u00e3o\u00a0 de canastr\u00e3o, mistura-se ao ci\u00fame das investidas deste sobre a dra. Ross, para atuar como um catalisador da transforma\u00e7\u00e3o do cientista em monstro. O Hulk continua sendo o garoto inocente que quer preservar seus ideais rom\u00e2nticos de cientista que trabalha para ajudar a humanidade. Quando algu\u00e9m se atreve a insultar esses ideais e ainda por cima vir com ares de playboy cantar a sua musa, n\u00e3o h\u00e1 quem resista. A transforma\u00e7\u00e3o do garoto desamparado em monstro destruidor \u00e9 tamb\u00e9m uma face da transforma\u00e7\u00e3o do nerd em her\u00f3i, transforma\u00e7\u00e3o que tanto agrada a Stan Lee. O Hulk \u00e9 tamb\u00e9m a vingan\u00e7a dos humilhados e ofendidos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O que h\u00e1 de mais interessante na personalidade do Hulk \u00e9 que sua s\u00edntese permanece inconclusa. O monstro \u00e9 pura for\u00e7a bruta, livre de qualquer constrangimento. Ele n\u00e3o hesita em se atirar sobre qualquer advers\u00e1rio, seja homem ou m\u00e1quina, com a intelig\u00eancia instintiva de uma criatura que n\u00e3o admite qualquer amea\u00e7a \u00e0 sua exist\u00eancia. Ele n\u00e3o \u00e9 nem her\u00f3i nem vil\u00e3o, como os t\u00edpicos personagens Marvel em sua concep\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica. Cabe a n\u00f3s enquanto sociedade sabermos controlar nossa f\u00faria, o Hulk interior que cada um carrega. Isso pode ser feito pelo carinho, como tenta Betty Ross (e h\u00e1 Hulk que resista a uma Jennifer Connely?), ou pela for\u00e7a, como gostaria o general Ross.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Chegamos assim a um esbo\u00e7o de uma teoria dos monstros. O Hulk de Stan Lee inscreve-se na linhagem tradicional dos monstros da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Mr. Hide, o monstro criado pelo dr. Jekill; o monstro criado pelo dr. Frankenstein (monstro que o p\u00fablico insiste em chamar de Frankenstein); e os monstros da ilha do dr. Moureau s\u00e3o os antecessores liter\u00e1rios cl\u00e1ssicos do gigante verde. Em comum todos eles tem o projeto de seu criador de realizar melhoramentos na esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O cientista t\u00edpico retratado em todas essas hist\u00f3rias de monstro, como bom positivista, quer melhorar a esp\u00e9cie humana melhorando diretamente o corpo f\u00edsico do homem. A solu\u00e7\u00e3o tem que estar no indiv\u00edduo, o qual \u00e9 resultado direto de seu D.N.A., que pode e deve ser manipulado no interesse da ci\u00eancia. O cientista louco que cria monstros \u00e9 um obstinado para o qual os fins justificam os meios. O positivista divide a realidade em compartimentos e n\u00e3o enxerga a totalidade. A solu\u00e7\u00e3o individual pela qual o cientista louco quer curar o Homem de sua imperfei\u00e7\u00e3o (usualmente, tendo ele pr\u00f3prio como cobaia, a exemplo de David Banner), origina os monstros que acabam se tornando um exemplo perfeito da doen\u00e7a da sociedade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">As utopias da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica fracassam exemplarmente porque os cientistas que as engendram tem em vista o homem como unidade biol\u00f3gica e n\u00e3o o conjunto da humanidade. Querem transformar o indiv\u00edduo sem transformar sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade, o que significa transformar tamb\u00e9m a pr\u00f3pria sociedade. N\u00e3o basta libertar as emo\u00e7\u00f5es e os poderes de um simples indiv\u00edduo, pois \u00e9 preciso modificar todo o contexto social em que esses poderes se manifestam.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">No caso do dr. Banner, como vimos, s\u00e3o suas emo\u00e7\u00f5es que desencadeiam a apari\u00e7\u00e3o do monstro. O Hulk pode ser explicado tamb\u00e9m no contexto de uma teoria da dupla personalidade. \u00c9 uma teoria bastante usual na dramaturgia do cinema estadunidense para explicar personagens que fogem ao controle. O p\u00fablico estadunidense ainda n\u00e3o assimilou Freud e sua teoria do inconsciente. Ela parece por demais chocante para seus preconceitos puritanos. A explica\u00e7\u00e3o para os atos violentos, os momentos de f\u00faria, tem que recorrer a uma m\u00edstica e fant\u00e1stica \u201csegunda personalidade\u201d. Um outro eu maligno ou incontrol\u00e1vel que convive dentro do eu moral e racional. Uma esp\u00e9cie de possess\u00e3o demon\u00edaca secularizada. Banner diz que faz o que faz por que o Hulk tomou conta de sua personalidade. Ele se refere ao Hulk como \u201cele\u201d, em terceira pessoa. E confessa que, quando desiste de tentar se reprimir, quando \u201cele\u201d (que n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o pr\u00f3prio Banner) toma conta, ele gosta.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Mas a met\u00e1fora de Ang Lee vai al\u00e9m do drama psicol\u00f3gico. Alcan\u00e7a tamb\u00e9m o pol\u00edtico. O primeiro advers\u00e1rio de Banner\/Hulk \u00e9 um certo Glenn Talbot, que quer privatizar a pesquisa que o casal Banner\/Ross desenvolvem na universidade para vend\u00ea-la para os militares. A empresa de Talbot, a Atheon, \u00e9 o prot\u00f3tipo do tipo de institui\u00e7\u00e3o que prolifera no complexo-industrial militar estadunidense neste in\u00edcio de s\u00e9culo, germinando como ervas daninhas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Como explica o pr\u00f3prio Talbot, os militares terceirizaram as atividades mais \u201cinteressantes\u201d do neg\u00f3cio da seguran\u00e7a nacional. Transformaram-no numa oportunidade para cientistas inescrupulosos fazerem experi\u00eancias em segredo e faturarem em cima das patentes criadas. A Atheon quer patentear a for\u00e7a do Hulk. A salva\u00e7\u00e3o da lavoura para a combalida economia estadunidense: a alian\u00e7a entre a ind\u00fastria farmac\u00eautica e o complexo industrial-militar. Drogas e altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas para produzir supersoldados, o novo e vision\u00e1rio ciclo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A reboque dos interesses dos cientistas\/investidores, que querem engarrafar o mundo em tubos de ensaio e coloc\u00e1-lo em prateleiras de supermercado, v\u00eam os militares. Quando a perspectiva das oportunidades financeiras geradas pelo fen\u00f4meno Hulk alcan\u00e7a os escal\u00f5es mais altos, vem a ordem ao general Ross para transferir sua jurisdi\u00e7\u00e3o sobre a criatura diretamente para a Atheon. A contragosto, o general obedece, como bom militar que \u00e9.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O militar representa aqui a boa consci\u00eancia do sistema e o inocente \u00fatil da hist\u00f3ria. O soldado quer desempenhar uma fun\u00e7\u00e3o her\u00f3ica de proteger a sociedade de amea\u00e7as pol\u00edtico-sexuais, papel desempenhado nesse caso pelo Hulk. O general Ross \u00e9 o prot\u00f3tipo do militar \u00e0 moda antiga, que compreende o seu of\u00edcio como uma fun\u00e7\u00e3o artesanal e um bem p\u00fablico para a comunidade. A cess\u00e3o do Hulk \u00e0 Atheon rebaixa a patente do bem p\u00fablico na escala de valores. O Estado neoliberal quer privatizar o ex\u00e9rcito. O soldado que v\u00ea a si mesmo como um servidor p\u00fablico, como o general Ross, est\u00e1 ultrapassado, fora de moda.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Mesmo assim, ele \u00e9 fiel \u00e0 sua filosofia ultrapassada e \u00e0s suas ordens. Ele ca\u00e7a o Hulk com obstina\u00e7\u00e3o e tenta de todas as maneiras destru\u00ed-lo. Assim como os soldados estadunidenses, obedientes aos ditames do capital imperialista, ca\u00e7ar\u00e3o amea\u00e7as terroristas ao redor do mundo. Por falar em mundo, n\u00e3o por coincid\u00eancia, o dr. Banner termina o filme buscando o anonimato nas selvas da&#8230; Amaz\u00f4nia!<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Um sinal inequ\u00edvoco de que os olhos do capital estadunidense est\u00e3o voltados para esse estrat\u00e9gico banco gen\u00e9tico de biodiversidade. Que ainda por cima \u00e9 verde e est\u00e1 infestado de amea\u00e7as (\u201cterroristas\u201d das FARC, narcotraficantes, madeireiras piratas, etc&#8230;). A met\u00e1fora n\u00e3o poderia ser mais clara. Se preciso for, na continua\u00e7\u00e3o do filme, em \u201cHulk 2\u201d e na nossa vida real, os marines vir\u00e3o ca\u00e7ar as amea\u00e7as aqui nos tr\u00f3picos. Obedientes como somente bons soldados sexualmente reprimidos e puritanos podem ser. Inventar monstros no exterior \u00e9 a maneira estadunidense de n\u00e3o ter que lidar com seus monstros interiores. Os estadunidenses inventam as fantasias que eles mesmos devem perseguir para apaziguar sua consci\u00eancia. Devemos nos preparar para mais monstros verdes saltando pelas redondezas nos pr\u00f3ximos anos&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">27\/06\/2003<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>O FILME-GIBI DO HULK, O INCR&Iacute;VEL ANG LEE<\/h1>\n<h1>E A TEORIA DOS MONSTROS<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;Hulk&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6157,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26\/revisions\/6157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}