{"id":262,"date":"2010-11-17T22:07:33","date_gmt":"2010-11-18T00:07:33","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/262"},"modified":"2018-05-05T17:23:55","modified_gmt":"2018-05-05T20:23:55","slug":"o-que-produz-e-reproduz-a-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/11\/o-que-produz-e-reproduz-a-escola\/","title":{"rendered":"O que produz e reproduz a escola?"},"content":{"rendered":"<p>\n\tDesde o momento em que nos propusemos a falar\/escrever sobre a Educa&ccedil;&atilde;o e seus problemas, procuramos levar em considera&ccedil;&atilde;o o contexto no qual estamos inseridos, sobretudo, a partir das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, per&iacute;odo que nos evidencia a crise estrutural do capital, seus desdobramentos e a nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos preju&iacute;zos das empresas, bancos e seus agentes, bem como o &quot;custo&quot; para retomar o crescimento e &quot;sair da crise&quot;.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; diante desse cen&aacute;rio que devemos pensar a Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, pois a a&ccedil;&atilde;o dos governos para atender aos interesses do capital se d&aacute; tanto no sentido da obten&ccedil;&atilde;o de incentivos fiscais e financeiros como no papel que a Educa&ccedil;&atilde;o deve cumprir enquanto institui&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra, na atenua&ccedil;&atilde;o dos reflexos da crise, na conten&ccedil;&atilde;o social e na elimina&ccedil;&atilde;o de qualquer ideologia que questione o sistema e proponha um outro tipo de sociedade.<\/p>\n<p>\n\tAs interven&ccedil;&otilde;es de agentes econ&ocirc;micos &#8211; Banco Mundial, FMI &#8211; na Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica brasileira come&ccedil;aram a ocorrer nos anos 70\/80 atrav&eacute;s da implanta&ccedil;&atilde;o de planos de ajustes econ&ocirc;micos, de modo que se garantisse o pagamento dos empr&eacute;stimos tomados aos credores externos. N&atilde;o obstante, &eacute; quando o mundo passa a ser atingido pela crise estrutural do capitalismo.<\/p>\n<p>\n\tAs metas implementadas a partir da&iacute; e nas d&eacute;cadas seguintes sob alega&ccedil;&atilde;o de se buscar efici&ecirc;ncia na educa&ccedil;&atilde;o, visava esconder o direcionamento em grande quantidade do dinheiro p&uacute;blico para o pagamento da d&iacute;vida aos organismos financeiros internacionais.<\/p>\n<p>\n\tNos dias atuais, al&eacute;m do pagamento da d&iacute;vida, os governos concedem incentivos fiscais e financeiros aos banqueiros e empres&aacute;rios, reduzindo drasticamente os investimentos nos servi&ccedil;os sociais como sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, moradia, etc. Ao mesmo tempo, procuram esconder o n&atilde;o investimento nesses servi&ccedil;os responsabilizando os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos pela falta de qualidade, sobretudo, na educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de.<\/p>\n<p>\n\tDessa forma, os problemas da educa&ccedil;&atilde;o e o papel cumprido por ela s&oacute; podem ser entendidos a partir de uma an&aacute;lise s&oacute;cio-econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>\n\tPortanto, partimos do princ&iacute;pio de que &quot;(&#8230;) a escola, em cada momento hist&oacute;rico, constitui uma express&atilde;o e uma resposta &agrave; sociedade na qual est&aacute; inserida. Neste sentido, ela nunca &eacute; neutra, mas sempre ideol&oacute;gica e politicamente comprometida&quot;. (Gasparin. In Uma Did&aacute;tica para a Pedagogia Hist&oacute;rico-Cr&iacute;tica, p. 1 e 2).<\/p>\n<h3>\n\tPor que os empres&aacute;rios e banqueiros se interessam tanto pela educa&ccedil;&atilde;o atualmente?<\/h3>\n<p>\n\tO Movimento &quot;Todos Pela Educa&ccedil;&atilde;o&quot; expressa bem o interesse atual da burguesia em participar ativamente das discuss&otilde;es e implementa&ccedil;&atilde;o de medidas na Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica brasileira. Esse movimento conta com a participa&ccedil;&atilde;o de governos de diversas legendas partid&aacute;rias, ONG&#39;S e grupos empresariais &#8211; Funda&ccedil;&atilde;o Roberto Marinho, Funda&ccedil;&atilde;o Ita&uacute; Social, Instituto Airton Sena, Funda&ccedil;&atilde;o Bradesco, Grupo Gerdal, dentre outros.<\/p>\n<p>\n\tEssa preocupa&ccedil;&atilde;o se d&aacute; pelo fato de a classe dominante: primeiro, querer se consolidar e ampliar a sua pr&oacute;pria situa&ccedil;&atilde;o de classe dominante; segundo, prevenir-se de uma poss&iacute;vel rebeli&atilde;o das classes dominadas, ou seja, fazer com que os trabalhadores aceitem a desigualdade como algo natural e, portanto, a rebeli&atilde;o como uma loucura; terceiro, para que a escola forme uma m&atilde;o-de-obra que atenda suas necessidades enquanto detentora dos meios de produ&ccedil;&atilde;o e; por &uacute;ltimo, assegurar seus incentivos fiscais e financeiros com o sucateamento dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos.<\/p>\n<h3>\n\tQue tipo de m&atilde;o-de-obra o sistema quer?<\/h3>\n<p>\n\tDiante da crise estrutural na qual se encontra o sistema, marcada pela tend&ecirc;ncia decrescente (queda) da taxa de lucro, dificultando a realiza&ccedil;&atilde;o do ciclo reprodutivo do capital e produzindo momentos de crescimento, estagna&ccedil;&atilde;o ou at&eacute; mesmo de recess&atilde;o da economia, as empresas travam uma intensa competi&ccedil;&atilde;o que visa reduzir o tempo entre produ&ccedil;&atilde;o e consumo, o que culmina na gera&ccedil;&atilde;o do descart&aacute;vel e do sup&eacute;rfluo. O capital necessita cada vez menos do trabalho est&aacute;vel e cada vez mais de formas diversificadas de trabalho tais como o trabalho parcial, terceirizado, que configurem uma m&atilde;o- de-obra barata, de reposi&ccedil;&atilde;o &aacute;gil e flex&iacute;vel que passa a ser explorada em determinados momentos de interesse e de acordo com as determina&ccedil;&otilde;es do mercado. Dessa forma, a competitividade entre as empresas se d&aacute; com a ado&ccedil;&atilde;o do trabalho precarizado.<\/p>\n<p>\n\tProcura-se tamb&eacute;m com isso &quot;(&#8230;) aumentar a produtividade de modo a intensificar as formas de extra&ccedil;&atilde;o do sobre-trabalho em tempo cada vez mais reduzido&quot;. (Antunes. In: Capitalismo, Trabalho e Educa&ccedil;&atilde;o, p.40). Essa l&oacute;gica que &eacute; aplicada na produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os, tamb&eacute;m se aplica aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos e, no caso da educa&ccedil;&atilde;o do Estado de S&atilde;o Paulo, se expressa nos professores contratados que se encontram na categoria &quot;O&quot;. Estes ser&atilde;o contratados por um ano e ficar&atilde;o obrigatoriamente fora da rede de ensino por 200 dias, depois dos quais podem voltar &agrave; atividade e recome&ccedil;ar este mesmo esquema.<\/p>\n<h3>\n\t1 A escola diante desse contexto<\/h3>\n<p>\n\tDentro dos ditames mercadol&oacute;gicos, a educa&ccedil;&atilde;o deve se comprometer com uma incorpora&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas e procedimentos normatizados de aprendizagem r&aacute;pida e f&aacute;cil. A reestrutura&ccedil;&atilde;o curricular que ora assistimos visa atender a reestrutura&ccedil;&atilde;o da economia mundial em crise.<\/p>\n<p>\n\tDessa forma, procura-se ajustar a educa&ccedil;&atilde;o a l&oacute;gica de mercado e ao mesmo tempo impor uma forma&ccedil;&atilde;o sem cr&iacute;tica e reflex&atilde;o, pois &eacute; voltada para a adapta&ccedil;&atilde;o, para a aliena&ccedil;&atilde;o e para o conformismo, procurando dificultar &quot;(&#8230;) a compreens&atilde;o da profundidade e perversidade da crise econ&ocirc;mica- social, ideol&oacute;gica, &eacute;tico-pol&iacute;tica do capitalismo real nesse fim de s&eacute;culo&quot;. (Frigotto. In Pedagogia da Exclus&atilde;o: cr&iacute;tica ao neoliberalismo em educa&ccedil;&atilde;o, p.77) A imposi&ccedil;&atilde;o e a centraliza&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo produzem um t&eacute;dio constante, pois n&atilde;o abrem espa&ccedil;o para a criatividade e inten&ccedil;&otilde;es progressistas. Al&eacute;m disso, fazem aumentar os problemas disciplinares por n&atilde;o levarem em considera&ccedil;&atilde;o a realidade das escolas e, &quot;(&#8230;) a partir do momento em que elas se fazem cumprir, dividem os alunos entre uma minoria academicamente bem sucedida e uma maioria desacreditada&quot;. (Connell. In: In Pedagogia da Exclus&atilde;o: cr&iacute;tica ao neoliberalismo em educa&ccedil;&atilde;o, p.27)<\/p>\n<p>\n\tA indisciplina tamb&eacute;m resulta do fato de a educa&ccedil;&atilde;o cada vez mais ser utilizada como mecanismo de controle social, na medida em que os alunos s&atilde;o colocados dentro das escolas com a inten&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o exp&ocirc;-los a criminalidade, para que n&atilde;o pratiquem atos criminosos e permitam a liberdade consumo. Esse papel cumprido pela educa&ccedil;&atilde;o fica claro na medida em que os alunos s&atilde;o jogados nas escolas, sem nenhum atrativo, e cercados por grades que d&atilde;o um aspecto e um car&aacute;ter de pres&iacute;dio ao lugar.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; o que assistimos na rede estadual de ensino do Estado de S&atilde;o Paulo, onde o professor n&atilde;o tem autonomia e &eacute; pressionado a trabalhar o curr&iacute;culo oficial desencadeando em muitas situa&ccedil;&otilde;es de &quot;Ass&eacute;dio Moral&quot;.<\/p>\n<h3>\n\t2 E os professores?<\/h3>\n<p>\n\tOs professores, al&eacute;m de serem o tempo todo responsabilizados e culpados pelo fracasso escolar do aluno, sofrem com a intensifica&ccedil;&atilde;o do trabalho provocada pela reestrutura&ccedil;&atilde;o curricular, sendo expostos a situa&ccedil;&otilde;es vexat&oacute;rias na medida em que s&atilde;o obrigados a colocar em pr&aacute;tica um curr&iacute;culo, um programa que em nada tem a ver com a realidade de seu trabalho di&aacute;rio.<\/p>\n<p>\n\tS&atilde;o cobrados o tempo todo para se aperfei&ccedil;oarem. &quot;O mercado e seus porta- vozes governamentais querem um professor &aacute;gil, leve, flex&iacute;vel, que a partir de uma forma&ccedil;&atilde;o inicial ligeira e com baixo custo, aprimore sua qualifica&ccedil;&atilde;o no exerc&iacute;cio docente refletindo sobre sua pr&aacute;tica, apoiado eventualmente, por cursos r&aacute;pidos&quot;. As novas pedagogias apresentam &quot;(&#8230;) solu&ccedil;&otilde;es m&aacute;gicas do tipo reflex&atilde;o sobre a pr&aacute;tica, rela&ccedil;&otilde;es prazerosas, pedagogia do afeto, transversalidade dos conhecimentos e f&oacute;rmulas semelhantes que v&ecirc;m ganhando a cabe&ccedil;a do professor&quot;. (Saviani. In: Carta na Escola, p.66, maio\/2010)<\/p>\n<p>\n\tO professor, com isso, acha que o problema est&aacute; em sua forma&ccedil;&atilde;o, em sua pr&aacute;tica e se submete a essa pedagogia mercantil, se matando de estudar aos finais de semana, se auto-intensificando na medida em que &eacute; cobrado a exercer suas fun&ccedil;&otilde;es com o m&aacute;ximo de produtividade.<\/p>\n<p>\n\tNo entanto, quando entram na sala de aula, essa forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ir&aacute; surtir efeito algum, pois o problema n&atilde;o est&aacute; na forma&ccedil;&atilde;o do professor, e sim situa&ccedil;&atilde;o das escolas e no papel que a Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica cumpre atualmente.<\/p>\n<p>\n\tEssa situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; levando muitos professores a ficarem doentes, j&aacute; que estes n&atilde;o se sentem (&#8230;) bem, mas infelizes, n&atilde;o desenvolvem livremente as energias f&iacute;sicas e mentais, mas esgotam-se fisicamente e arru&iacute;nam o esp&iacute;rito&quot;. (Marx. In: Manuscritos Econ&ocirc;mico-Filos&oacute;ficos, p. 114)<\/p>\n<h3>\n\tO que devemos fazer?<\/h3>\n<p>\n\tAs sa&iacute;das para os nossos problemas devem ser tratadas de modo coletivo, pois n&atilde;o envolvem um ou outro professor, e sim o conjunto dos professores.<\/p>\n<p>\n\tA discuss&atilde;o sobre a qualidade do Ensino P&uacute;blico deve ir al&eacute;m da esfera de atua&ccedil;&atilde;o dos professores. Os trabalhadores de um modo geral devem participar ativamente nessa luta.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; necess&aacute;rio um processo educativo em sua plenitude, que tenha como um de seus princ&iacute;pios uma nova forma de sociabilidade, que transcenda a sociedade de classes, possibilitando que os trabalhadores e seus filhos usufruam da riqueza espiritual e material produzido pelo processo civilizat&oacute;rio. Uma Educa&ccedil;&atilde;o que vislumbre uma sociedade sem classes, fraternal, onde a escola em todos os n&iacute;veis n&atilde;o pode ser prec&aacute;ria, uma sociedade Socialista, em que o nosso ensino defender&aacute; exclusivamente os interesses dos trabalhadores!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n\tDesde o momento em que nos propusemos a falar\/escrever sobre a Educa&ccedil;&atilde;o e seus problemas, procuramos levar em considera&ccedil;&atilde;o o contexto no qual estamos inseridos, sobretudo, a partir das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, per&iacute;odo que nos evidencia a crise estrutural do capital, seus desdobramentos e a nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos preju&iacute;zos das empresas, bancos e seus agentes, bem como o &quot;custo&quot; para retomar o crescimento e &quot;sair da crise&quot;.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; diante desse cen&aacute;rio que devemos pensar a Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, pois a a&ccedil;&atilde;o dos governos para atender aos interesses do capital se d&aacute; tanto no sentido da obten&ccedil;&atilde;o de incentivos fiscais e financeiros como no papel que a Educa&ccedil;&atilde;o deve cumprir enquanto institui&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra, na atenua&ccedil;&atilde;o dos reflexos da crise, na conten&ccedil;&atilde;o social e na elimina&ccedil;&atilde;o de qualquer ideologia que questione o sistema e proponha um outro tipo de sociedade.<\/p>\n<p>\n\tAs interven&ccedil;&otilde;es de agentes econ&ocirc;micos &#8211; Banco Mundial, FMI &#8211; na Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica brasileira come&ccedil;aram a ocorrer nos anos 70\/80 atrav&eacute;s da implanta&ccedil;&atilde;o de planos de ajustes econ&ocirc;micos, de modo que se garantisse o pagamento dos empr&eacute;stimos tomados aos credores externos. N&atilde;o obstante, &eacute; quando o mundo passa a ser atingido pela crise estrutural do capitalismo.<\/p>\n<p>\n\tAs metas implementadas a partir da&iacute; e nas d&eacute;cadas seguintes sob alega&ccedil;&atilde;o de se buscar efici&ecirc;ncia na educa&ccedil;&atilde;o, visava esconder o direcionamento em grande quantidade do dinheiro p&uacute;blico para o pagamento da d&iacute;vida aos organismos financeiros internacionais.<\/p>\n<p>\n\tNos dias atuais, al&eacute;m do pagamento da d&iacute;vida, os governos concedem incentivos fiscais e financeiros aos banqueiros e empres&aacute;rios, reduzindo drasticamente os investimentos nos servi&ccedil;os sociais como sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, moradia, etc. Ao mesmo tempo, procuram esconder o n&atilde;o investimento nesses servi&ccedil;os responsabilizando os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos pela falta de qualidade, sobretudo, na educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de.<\/p>\n<p>\n\tDessa forma, os problemas da educa&ccedil;&atilde;o e o papel cumprido por ela s&oacute; podem ser entendidos a partir de uma an&aacute;lise s&oacute;cio-econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>\n\tPortanto, partimos do princ&iacute;pio de que &quot;(&#8230;) a escola, em cada momento hist&oacute;rico, constitui uma express&atilde;o e uma resposta &agrave; sociedade na qual est&aacute; inserida. Neste sentido, ela nunca &eacute; neutra, mas sempre ideol&oacute;gica e politicamente comprometida&quot;. (Gasparin. In Uma Did&aacute;tica para a Pedagogia Hist&oacute;rico-Cr&iacute;tica, p. 1 e 2).<\/p>\n<h3>\n\tPor que os empres&aacute;rios e banqueiros se interessam tanto pela educa&ccedil;&atilde;o atualmente?<\/h3>\n<p>\n\tO Movimento &quot;Todos Pela Educa&ccedil;&atilde;o&quot; expressa bem o interesse atual da burguesia em participar ativamente das discuss&otilde;es e implementa&ccedil;&atilde;o de medidas na Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica brasileira. 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O capital necessita cada vez menos do trabalho est&aacute;vel e cada vez mais de formas diversificadas de trabalho tais como o trabalho parcial, terceirizado, que configurem uma m&atilde;o- de-obra barata, de reposi&ccedil;&atilde;o &aacute;gil e flex&iacute;vel que passa a ser explorada em determinados momentos de interesse e de acordo com as determina&ccedil;&otilde;es do mercado. Dessa forma, a competitividade entre as empresas se d&aacute; com a ado&ccedil;&atilde;o do trabalho precarizado.<\/p>\n<p>\n\tProcura-se tamb&eacute;m com isso &quot;(&#8230;) aumentar a produtividade de modo a intensificar as formas de extra&ccedil;&atilde;o do sobre-trabalho em tempo cada vez mais reduzido&quot;. (Antunes. In: Capitalismo, Trabalho e Educa&ccedil;&atilde;o, p.40). Essa l&oacute;gica que &eacute; aplicada na produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os, tamb&eacute;m se aplica aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos e, no caso da educa&ccedil;&atilde;o do Estado de S&atilde;o Paulo, se expressa nos professores contratados que se encontram na categoria &quot;O&quot;. Estes ser&atilde;o contratados por um ano e ficar&atilde;o obrigatoriamente fora da rede de ensino por 200 dias, depois dos quais podem voltar &agrave; atividade e recome&ccedil;ar este mesmo esquema.<\/p>\n<h3>\n\t1 A escola diante desse contexto<\/h3>\n<p>\n\tDentro dos ditames mercadol&oacute;gicos, a educa&ccedil;&atilde;o deve se comprometer com uma incorpora&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas e procedimentos normatizados de aprendizagem r&aacute;pida e f&aacute;cil. 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Al&eacute;m disso, fazem aumentar os problemas disciplinares por n&atilde;o levarem em considera&ccedil;&atilde;o a realidade das escolas e, &quot;(&#8230;) a partir do momento em que elas se fazem cumprir, dividem os alunos entre uma minoria academicamente bem sucedida e uma maioria desacreditada&quot;. (Connell. In: In Pedagogia da Exclus&atilde;o: cr&iacute;tica ao neoliberalismo em educa&ccedil;&atilde;o, p.27)<\/p>\n<p>\n\tA indisciplina tamb&eacute;m resulta do fato de a educa&ccedil;&atilde;o cada vez mais ser utilizada como mecanismo de controle social, na medida em que os alunos s&atilde;o colocados dentro das escolas com a inten&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o exp&ocirc;-los a criminalidade, para que n&atilde;o pratiquem atos criminosos e permitam a liberdade consumo. Esse papel cumprido pela educa&ccedil;&atilde;o fica claro na medida em que os alunos s&atilde;o jogados nas escolas, sem nenhum atrativo, e cercados por grades que d&atilde;o um aspecto e um car&aacute;ter de pres&iacute;dio ao lugar.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; o que assistimos na rede estadual de ensino do Estado de S&atilde;o Paulo, onde o professor n&atilde;o tem autonomia e &eacute; pressionado a trabalhar o curr&iacute;culo oficial desencadeando em muitas situa&ccedil;&otilde;es de &quot;Ass&eacute;dio Moral&quot;.<\/p>\n<h3>\n\t2 E os professores?<\/h3>\n<p>\n\tOs professores, al&eacute;m de serem o tempo todo responsabilizados e culpados pelo fracasso escolar do aluno, sofrem com a intensifica&ccedil;&atilde;o do trabalho provocada pela reestrutura&ccedil;&atilde;o curricular, sendo expostos a situa&ccedil;&otilde;es vexat&oacute;rias na medida em que s&atilde;o obrigados a colocar em pr&aacute;tica um curr&iacute;culo, um programa que em nada tem a ver com a realidade de seu trabalho di&aacute;rio.<\/p>\n<p>\n\tS&atilde;o cobrados o tempo todo para se aperfei&ccedil;oarem. &quot;O mercado e seus porta- vozes governamentais querem um professor &aacute;gil, leve, flex&iacute;vel, que a partir de uma forma&ccedil;&atilde;o inicial ligeira e com baixo custo, aprimore sua qualifica&ccedil;&atilde;o no exerc&iacute;cio docente refletindo sobre sua pr&aacute;tica, apoiado eventualmente, por cursos r&aacute;pidos&quot;. As novas pedagogias apresentam &quot;(&#8230;) solu&ccedil;&otilde;es m&aacute;gicas do tipo reflex&atilde;o sobre a pr&aacute;tica, rela&ccedil;&otilde;es prazerosas, pedagogia do afeto, transversalidade dos conhecimentos e f&oacute;rmulas semelhantes que v&ecirc;m ganhando a cabe&ccedil;a do professor&quot;. (Saviani. In: Carta na Escola, p.66, maio\/2010)<\/p>\n<p>\n\tO professor, com isso, acha que o problema est&aacute; em sua forma&ccedil;&atilde;o, em sua pr&aacute;tica e se submete a essa pedagogia mercantil, se matando de estudar aos finais de semana, se auto-intensificando na medida em que &eacute; cobrado a exercer suas fun&ccedil;&otilde;es com o m&aacute;ximo de produtividade.<\/p>\n<p>\n\tNo entanto, quando entram na sala de aula, essa forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ir&aacute; surtir efeito algum, pois o problema n&atilde;o est&aacute; na forma&ccedil;&atilde;o do professor, e sim situa&ccedil;&atilde;o das escolas e no papel que a Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica cumpre atualmente.<\/p>\n<p>\n\tEssa situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; levando muitos professores a ficarem doentes, j&aacute; que estes n&atilde;o se sentem (&#8230;) bem, mas infelizes, n&atilde;o desenvolvem livremente as energias f&iacute;sicas e mentais, mas esgotam-se fisicamente e arru&iacute;nam o esp&iacute;rito&quot;. (Marx. In: Manuscritos Econ&ocirc;mico-Filos&oacute;ficos, p. 114)<\/p>\n<h3>\n\tO que devemos fazer?<\/h3>\n<p>\n\tAs sa&iacute;das para os nossos problemas devem ser tratadas de modo coletivo, pois n&atilde;o envolvem um ou outro professor, e sim o conjunto dos professores.<\/p>\n<p>\n\tA discuss&atilde;o sobre a qualidade do Ensino P&uacute;blico deve ir al&eacute;m da esfera de atua&ccedil;&atilde;o dos professores. Os trabalhadores de um modo geral devem participar ativamente nessa luta.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; necess&aacute;rio um processo educativo em sua plenitude, que tenha como um de seus princ&iacute;pios uma nova forma de sociabilidade, que transcenda a sociedade de classes, possibilitando que os trabalhadores e seus filhos usufruam da riqueza espiritual e material produzido pelo processo civilizat&oacute;rio. 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