{"id":2636,"date":"2013-11-17T18:36:03","date_gmt":"2013-11-17T20:36:03","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2636"},"modified":"2018-06-01T16:05:26","modified_gmt":"2018-06-01T19:05:26","slug":"jornal-64-novembronovembro-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/11\/jornal-64-novembronovembro-de-2013\/","title":{"rendered":"Jornal 64: Novembro\/Novembro de 2013"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2637\" aria-describedby=\"caption-attachment-2637\" style=\"width: 181px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?attachment_id=2716 \"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2637\" title=\"Vers\u00e3o em PDF\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/Capa_mini.jpg\" alt=\"Capa_mini\" width=\"181\" height=\"255\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2637\" class=\"wp-caption-text\">Vers\u00e3o em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><a title=\"Manifesta\u00e7\u00f5es, Black Blocs m\u00e9todo de luta dos trabalhadores\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2636#titulo1\"><span style=\"line-height: 13px;\">Manifesta\u00e7\u00f5es, Black Blocs e m\u00e9todo de luta dos trabalhadores<\/span><\/a><\/li>\n<li><a title=\"PT: antes era contra as privatiza\u00e7\u00f5es, agora privatiza o petr\u00f3leo\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2636#titulo2\">PT: \u00a0antes era contra as privatiza\u00e7\u00f5es, agora privatiza o petr\u00f3leo<\/a><\/li>\n<li><a title=\"A repress\u00e3o aos movimentos sociais enquanto pol\u00edtica de Estado\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2636#titulo3\">A repress\u00e3o aos movimentos sociais enquanto pol\u00edtica de Estado<\/a><\/li>\n<li><a title=\"Cultura: &quot;Elysium&quot;, uma alegoria da mundializa\u00e7\u00e3o.\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2636#titulo4\">Cultura: &#8220;Elysium&#8221;, uma alegoria da mundializa\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a title=\"Educa\u00e7\u00e3o e luta de classes\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2636#titulo5\">Educa\u00e7\u00e3o e luta de classes<\/a><\/li>\n<li><a title=\"Carta aberta do grupo Al\u00e9m do Mito: Para al\u00e9m da universidade, lutar pela revolu\u00e7\u00e3o\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2636#titulo6\">Carta \u00a0aberta do grupo Al\u00e9m do Mito: Para al\u00e9m da universidade, lutar pela revolu\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a title=\"Internacional: acerca da guerra na S\u00edria\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2636#titulo7\">Internacional: acerca da guerra na S\u00edria<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Encarte Especial 20 de Novembro<\/p>\n<h3>\u00a0Capitalismo e a necessidade do Racismo<\/h3>\n<figure id=\"attachment_2647\" aria-describedby=\"caption-attachment-2647\" style=\"width: 179px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a title=\"Vers\u00e3o em PDF\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?attachment_id=2649\" rel=\"attachment wp-att-2647\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2647\" title=\"Vers\u00e3o em PDF\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/Encarte_mini.png\" alt=\"Encarte_mini\" width=\"179\" height=\"254\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2647\" class=\"wp-caption-text\">Vers\u00e3o em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/2013\/11\/jornal-64-novembronovembro-de-2013\/1392061_514993261919429_1553384503_n\/\" rel=\"attachment wp-att-2658\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2658 alignleft\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/1392061_514993261919429_1553384503_n.jpg\" alt=\"1392061_514993261919429_1553384503_n\" width=\"414\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/1392061_514993261919429_1553384503_n.jpg 960w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/1392061_514993261919429_1553384503_n-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/1392061_514993261919429_1553384503_n-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 414px) 100vw, 414px\" \/><\/a><a name=\"titulo1\"><\/a>Manifesta\u00e7\u00f5es, Black Blocs e m\u00e9todo de luta dos trabalhadores<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde junho de 2013 o Brasil vive um novo momento da luta de classes. Um processo de manifesta\u00e7\u00f5es que come\u00e7ou com a luta contra o aumento das passagens nas capitais se alastrou para uma onda de protestos em centenas de cidades, envolvendo milh\u00f5es de pessoas em todo o pa\u00eds, trazendo \u00e0 tona uma profunda e generalizada insatisfa\u00e7\u00e3o com o modo de vida, al\u00e9m de reivindica\u00e7\u00f5es concretas de melhorias na Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, transporte, contra os gastos com a Copa, contra a corrup\u00e7\u00e3o, etc. O aumento foi revogado e foram feitas algumas pequenas concess\u00f5es, mas desde ent\u00e3o o pa\u00eds passa por manifesta\u00e7\u00f5es praticamente di\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas manifesta\u00e7\u00f5es nem naquele momento nem agora conseguiram constituir um movimento ou organiza\u00e7\u00e3o unit\u00e1rios, que tivesse um programa definido para al\u00e9m de uma reivindica\u00e7\u00e3o pontual como a de revoga\u00e7\u00e3o do aumento (um programa que levasse, por exemplo, a luta pelo controle do or\u00e7amento p\u00fablico, contra o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica e as concess\u00f5es \u00e0s empresas para emprego desse dinheiro na Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, transporte, etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, essa limita\u00e7\u00e3o n\u00e3o retira a import\u00e2ncia do processo que abriu essa nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, temos elementos importantes para refletirmos, como, por exemplo, quais t\u00e1ticas que devem ser utilizadas nas manifesta\u00e7\u00f5es. Destacamos, especialmente, a t\u00e1tica Black Block.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa t\u00e1tica, em que grupos de manifestantes se destacam dos protestos para a a\u00e7\u00e3o direta, bloqueiam ruas, reagem contra a viol\u00eancia policial e atacam s\u00edmbolos do sistema (bancos, corpora\u00e7\u00f5es, pr\u00e9dios p\u00fablicos, etc.) se transformou em um dos principais temas associado a esse processo de manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, o Estado e a imprensa burguesa passaram a fazer cr\u00edticas sistem\u00e1ticas e a associar as manifesta\u00e7\u00f5es \u00e0 viol\u00eancia, como uma forma de jogar a opini\u00e3o p\u00fablica contra as lutas sociais. E da \u201cconstata\u00e7\u00e3o\u201d de que as coisas \u201cpassaram dos limites\u201d foi desenvolvido o discurso da necessidade de \u201crestabelecer a ordem\u201d. Isso significa retomar a repress\u00e3o violenta contra qualquer contesta\u00e7\u00e3o ou mesmo abrir caminho para que grupos fascistas se enfrentem com os movimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De onde partimos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso debate sobre a t\u00e1tica Black Block considera o fato de que estamos entre lutadores, \u00e9 de que faz parte do movimento. E \u00e9 o movimento de conjunto e n\u00e3o n\u00f3s ou qualquer outra corrente que deve dizer \u201cchega de Black Block\u201d.<br \/>\nA m\u00eddia burguesa e os \u00f3rg\u00e3os estatais t\u00eam criticado as manifesta\u00e7\u00f5es mais radicalizadas por n\u00e3o estarem \u201cdentro da legalidade\u201d, porque n\u00e3o se limitam a protestar e atacam o patrim\u00f4nio. Criaram as manifesta\u00e7\u00f5es aceitas e as intoler\u00e1veis, com o objetivo de deslegitimar as a\u00e7\u00f5es mais radicalizadas. E o termo v\u00e2ndalo passou a ser utilizado com essa finalidade.<br \/>\nNesse contexto de contra-ofensiva da repress\u00e3o causou-nos forte mal estar a cr\u00edtica do PSTU ao Black Block, pois mesmo trazendo elementos te\u00f3ricos v\u00e1lidos fez unidade com a cr\u00edtica da imprensa burguesa. Essa cr\u00edtica fora de hora e desproporcional leva-nos novamente a apontar os crescentes sinais de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa, de distanciamento dos m\u00e9todos de luta radicalizados, de aproxima\u00e7\u00e3o com correntes governistas, burocr\u00e1ticas e pacifistas (CUT pode mais, etc.) que o PSTU vem aprofundando, mesmo com o discurso de defesa da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, reflete uma acomoda\u00e7\u00e3o aos limites impostos pela pol\u00edcia \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 percept\u00edvel quando em Nota sobre a repress\u00e3o no Rio de Janeiro atribuiu a viol\u00eancia \u00e0 a\u00e7\u00e3o Black Block sendo que, na verdade, em todas as manifesta\u00e7\u00f5es h\u00e1 viol\u00eancia policial seja f\u00edsica ou moral (atrav\u00e9s de seus cord\u00f5es para \u201cproteger\u201d a manifesta\u00e7\u00e3o ou com suas filmagens). A cr\u00edtica ao Black Block ficou em primeiro plano, num momento em que o fundamental era a unidade contra a repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aparato repressivo do Estado, PM, pol\u00edcia federal, servi\u00e7os de intelig\u00eancia, etc. j\u00e1 estavam \u00e0 ca\u00e7a do Black Block, com o apoio da m\u00eddia. Ao inv\u00e9s de fazer coro com a repress\u00e3o, o momento \u00e9 de unidade na luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A a\u00e7\u00e3o do Black Block deve ser defendida incondicionalmente, como parte do movimento. Os sindicatos, partidos e demais organiza\u00e7\u00f5es da classe devem defender esses ativistas jur\u00eddica e politicamente. Isso n\u00e3o significa abrir m\u00e3o das cr\u00edticas, mas devem ser feitas para apontar os seus limites para que o conjunto da classe avance pol\u00edtica e organizativamente.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Nem vanguardismo, nem capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 consci\u00eancia atrasada<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">De certa forma, essa t\u00e1tica Black Block lembra a fase do movimento ludista, entre fins do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do XIX, quando trabalhadores perdiam seus empregos e se reuniam em grupos para quebrar as m\u00e1quinas.\u00a0 N\u00e3o entendiam que deveriam lutar contra o sistema capitalista, o Estado e n\u00e3o se organizaram em partidos e sindicatos. O que visualizamos de comum entre o Black Block e os ludistas \u00e9 exatamente esse limite, n\u00e3o basta quebrar as coisas, s\u00edmbolos como bancos e pr\u00e9dios governamentais. Isso por si s\u00f3 n\u00e3o derruba o capitalismo.\u00a0Ainda assim, apresenta um desafio direto ao controle do Estado sobre as lutas sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No movimento sindical, por exemplo, o Estado reconhece o direito de greve, mas obriga as organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores notificarem a patronal com anteced\u00eancia e a negociarem atrav\u00e9s de sindicatos sob pena de a greve ser declarada ilegal. O direito de greve \u00e9 um avan\u00e7o, mas se a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores n\u00e3o conseguir ir al\u00e9m das institui\u00e7\u00f5es ir\u00e1 se tornar, cada vez mais, uma pris\u00e3o, por limitar a luta ao que est\u00e1 estabelecido na lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As a\u00e7\u00f5es radicalizadas s\u00e3o importantes porque tentam ir al\u00e9m desse limite, negam ao Estado a prerrogativa de dizer at\u00e9 onde a luta pode ir. Isso, de certa forma, representa a retomada de formas de luta independentes do controle do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na luta contra o capitalismo os defensores do sistema (pol\u00edcia, for\u00e7as armadas ou bandos fascistas) usam de viol\u00eancia contra os trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es. \u00c9 ilus\u00e3o achar que as classes dominantes aceitar\u00e3o a contesta\u00e7\u00e3o ao seu poder e entregar\u00e3o pacificamente o controle sobre a sociedade. Sempre usaram, continuam usando e usar\u00e3o de viol\u00eancia, desobedecendo as pr\u00f3prias leis do Estado burgu\u00eas. Portanto, o movimento dos trabalhadores precisa discutir o emprego de t\u00e1ticas e m\u00e9todos para defender a vida e a integridade f\u00edsica dos ativistas que se envolvem na luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa cr\u00edtica principal ao Black Block est\u00e1 no apego ao vanguardismo, isto \u00e9, na substitui\u00e7\u00e3o do papel de sujeito pol\u00edtico do proletariado por a\u00e7\u00f5es de poucos que n\u00e3o se preocupam em ganhar o conjunto da classe para tamb\u00e9m avan\u00e7ar na radicaliza\u00e7\u00e3o contra a burguesia e contra o Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos concentrar unicamente a nossa luta contra os s\u00edmbolos da explora\u00e7\u00e3o, como os bancos. Precisamos construir a luta contra o sistema de conjunto, tanto contra o que se apresenta como s\u00edmbolo quanto o que fica \u201cescondido\u201d, como a extra\u00e7\u00e3o de mais-valia e a exist\u00eancia de dois lados na sociedade \u2013 o dos dominadores e o nosso, dominados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a transforma\u00e7\u00e3o social necessitamos da a\u00e7\u00e3o vigorosa e da viol\u00eancia revolucion\u00e1ria da classe trabalhadora. Mas, n\u00e3o chegaremos a isso de forma espont\u00e2nea, cabe a todas as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias contribu\u00edrem para que a classe trabalhadora chegue nessa conclus\u00e3o. Tamb\u00e9m nesse aspecto a cr\u00edtica do PSTU n\u00e3o contribui para a classe chegue a esse n\u00edvel de consci\u00eancia. Nesse aspecto, podemos dizer que tanto a pol\u00edtica do PSTU quanto a t\u00e1tica Black Block s\u00e3o muito parecidas. Uma age sem se preocupar em ganhar os trabalhadores para esse tipo de a\u00e7\u00e3o e a outro se recusa a propor esse tipo de a\u00e7\u00e3o para a classe, alegando que os trabalhadores n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia para tal.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A necessidade de construir espa\u00e7os de decis\u00e3o coletiva<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Black Block tem ocupado o espa\u00e7o pol\u00edtico que deveria caber \u00e0 esquerda revolucion\u00e1ria. Na falta de um projeto pol\u00edtico, encabe\u00e7ado por partidos, centrais sindicais e movimentos sociais com um programa de ruptura radical com o capitalismo, apresenta-se como o que h\u00e1 de mais oposto ao sistema e atrai simpatia de um amplo setor de jovens trabalhadores insatisfeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de uma t\u00e1tica ter se tornado uma refer\u00eancia pol\u00edtica mostra a defasagem que h\u00e1 entre a insatisfa\u00e7\u00e3o social e as formas de organiza\u00e7\u00e3o. O movimento ainda n\u00e3o conseguiu construir espa\u00e7os unit\u00e1rios em que se definam coletivamente os objetivos e m\u00e9todos de luta dos trabalhadores. Numa assembleia de categoria, por exemplo, n\u00e3o cabe a nenhum grupo \u201cfalar em nome da categoria\u201d sobre as a\u00e7\u00f5es, decis\u00f5es ou rep\u00fadio a outro grupo. A categoria de conjunto que tem esse poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha de apenas uma \u00fanica t\u00e1tica como ponto de partida dificulta a constru\u00e7\u00e3o da unidade, pois a explora\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e repress\u00e3o atacam a todos. O conjunto dos trabalhadores \u00e9 que deve decidir. E todos os setores devem ser ouvidos, socialistas, anarquistas, independentes, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse fen\u00f4meno torna n\u00edtida a urg\u00eancia de se construir espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o da classe de conjunto, em que esta possa se colocar como sujeito hist\u00f3rico. F\u00f3runs, plen\u00e1rias, comit\u00eas unit\u00e1rios podem fortalecer a constru\u00e7\u00e3o de movimentos e manifesta\u00e7\u00f5es. Podem legitimar as decis\u00f5es e definir as t\u00e1ticas. Podem permitir que os ativistas e militantes se conhe\u00e7am e criem la\u00e7os de confian\u00e7a para dificultar a infiltra\u00e7\u00e3o de provocadores policiais e de l\u00fampens. S\u00e3o espa\u00e7os fundamentais para que a classe fa\u00e7a o seu aprendizado pol\u00edtico e organizativo para enfrentar o capitalismo e seus agentes. Necessitamos construir esses espa\u00e7os unit\u00e1rios de luta, sem a presen\u00e7a de setores governistas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Definir junto com o movimento as a\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos fazer da t\u00e1tica uma estrat\u00e9gia permanente. A atitude de colocar de antem\u00e3o uma determinada t\u00e1tica (a\u00e7\u00e3o direta ou outra) como ponto de partida dificulta o processo de decis\u00e3o coletiva. O Black Block n\u00e3o s\u00f3 expressa essa escolha t\u00e1tica a priori como, em alguns momentos, j\u00e1 se colocou contra outros setores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os que participam da constru\u00e7\u00e3o coletiva da luta devem ser aceitos, com suas ideias e bandeiras. Mesmo com todos os problemas, os partidos de esquerda s\u00e3o parte do movimento. Nenhum grupo de ativistas, partidos ou organiza\u00e7\u00f5es podem se colocar artificialmente como dire\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es, como se assim as dirigissem politicamente, ignorando a necessidade e os ritmos do processo de delibera\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca da ditadura militar, grupos optaram pela luta armada sem a a\u00e7\u00e3o dos demais movimentos dos trabalhadores e se isolaram. Foram alvos da repress\u00e3o brutal, que tamb\u00e9m atacou o conjunto da vanguarda e dizimou boa parte da milit\u00e2ncia. N\u00e3o podemos reproduzir a mesma din\u00e2mica para que um setor de vanguarda, movido pela vontade de lutar, n\u00e3o acabe se afastando do restante da classe, o que torna mais f\u00e1cil legitimar o ataque da repress\u00e3o. J\u00e1 t\u00eam setores da direita buscando aprovar leis antiterror, que v\u00e3o se abater sobre quem estiver na luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante que a classe participe das decis\u00f5es (do que e como fazer) sobre essa quest\u00e3o. Mas, da mesma maneira que o Black Block n\u00e3o pode ter atitudes por si, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que os partidos falem em nome dos trabalhadores sem sequer ter sido discutido nos f\u00f3runs de luta.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A necessidade da autodefesa<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso demonstra como as manifesta\u00e7\u00f5es de junho para c\u00e1 t\u00eam respondido \u00e0 viol\u00eancia policial e como a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o tem potencializado a necessidade de o movimento se preparar de todas as formas para a luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os empregos precarizados, terceirizados, superexplorados, baixos sal\u00e1rios, sem direitos, etc. Faculdades de baixa qualidade, servi\u00e7os p\u00fablicos que n\u00e3o funcionam, consumo s\u00f3 com endividamento, falta de acesso \u00e0 cultura, mas, quando se manifesta&#8230; dura repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As explos\u00f5es espont\u00e2neas nas periferias, bloqueios de ruas, \u00f4nibus incendiados, enfrentamento \u00e0 pol\u00edcia e o surgimento do Black Block expressam a imensa insatisfa\u00e7\u00e3o, especialmente da juventude trabalhadora que come\u00e7a a rejeitar na luta esse tipo de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atitude de partir para a luta e a a\u00e7\u00e3o direta \u00e9 um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 postura tipicamente p\u00f3s-moderna de ficar apenas diante do computador criticando o mundo via internet. Mas, n\u00e3o podemos seguir o caminho do m\u00e9todo individualista em que um grupo de pessoas \u201cfaz o que quiser\u201d, ao inv\u00e9s de buscar discutir e elaborar coletivamente a\u00e7\u00f5es para transformar a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O marxismo n\u00e3o \u00e9 defensor da viol\u00eancia. Mas, n\u00e3o \u00e9 pacifista. N\u00e3o acredita que a burguesia vai abrir m\u00e3o de seus privil\u00e9gios sem resistir militarmente e sem atacar os trabalhadores. Historicamente podemos verificar golpes militares, repress\u00e3o aos movimentos sociais, a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e o papel do Judici\u00e1rio para legitimar toda essa viol\u00eancia contra os trabalhadores, etc. A burguesia \u00e9, por ess\u00eancia, violenta. Ent\u00e3o, enquanto classe, n\u00e3o nos resta outra alternativa que n\u00e3o seja a utiliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia revolucion\u00e1ria para alcan\u00e7ar a transforma\u00e7\u00e3o social. Essa \u00e9 uma batalha ideol\u00f3gica necess\u00e1ria e \u00e9 fundamental ganharmos a classe trabalhadora para exercermos o direito \u00e0 viol\u00eancia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tudo isso \u00e9 importante reafirmar que o m\u00e9todo da a\u00e7\u00e3o direta precisa de objetivos definidos. \u00c9 mais do que uma t\u00e1tica. Precisamos de programa, conhecimento da realidade e elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica para construirmos coletivamente a nossa autodefesa. Precisamos destruir o capitalismo, seus s\u00edmbolos e suas institui\u00e7\u00f5es para construirmos a sociedade socialista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">PT: \u00a0antes era contra as privatiza\u00e7\u00f5es, agora privatiza o petr\u00f3leo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por R$ 15 bilh\u00f5es, j\u00e1 utilizado para pagar os agiotas da d\u00edvida, o governo Dilma entregou o Campo de Libra com uma imensid\u00e3o de petr\u00f3leo estimada em, no m\u00ednimo, 10 bilh\u00f5es de barris podendo chegar a 15 bilh\u00f5es. Esse valor \u00e9 referente ao \u201cb\u00f4nus\u201d, isto \u00e9, um passaporte para o cons\u00f3rcio de empresas retirar petr\u00f3leo da regi\u00e3o de Santos, SP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esse leil\u00e3o, a Petrobras ficou com 40%. \u00a0As estrangeiras Shell e Total ficaram com 20% cada uma. Os demais 20% foram divididos entre as chinesas CNPC e CNOOC. O contrato tem dura\u00e7\u00e3o de 40 anos, tempo aproximado para finalizar a extra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ter o direito de explorar o petr\u00f3leo, esse cons\u00f3rcio de empresas, pagar\u00e1 para a Uni\u00e3o uma taxa \u201cpr\u00f3xima de 41,65%\u201d do \u00f3leo\/lucro (\u00f3leo extra\u00eddo menos os custos de produ\u00e7\u00e3o e os royalties de 15%).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Um neg\u00f3cio da China<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o acima n\u00e3o \u00e9 por conta da participa\u00e7\u00e3o de empresas chinesas no leil\u00e3o, mas para expressar que o capital fez um grande neg\u00f3cio ao conseguir o \u201cdireito\u201d de extrair esse petr\u00f3leo, pois quase sem esfor\u00e7o vai abocanhar somas bilion\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os riscos s\u00e3o baix\u00edssimos. Primeiro, sequer v\u00e3o precisar fazer pesquisas, pois as reservas j\u00e1 est\u00e3o comprovadas. Segundo, se houver varia\u00e7\u00e3o brusca no volume da produ\u00e7\u00e3o e no pre\u00e7o no mercado mundial a taxa de 41,65% pode ser reduzida em 9,93% e com desconto proporcional poder\u00e1 chegar at\u00e9 31,72% (condi\u00e7\u00e3o extrema de produ\u00e7\u00e3o abaixo de 4000 barris\/dia e com pre\u00e7o inferir a US$ 60 o barril). No entanto, se acontecer o contr\u00e1rio, aumento da produ\u00e7\u00e3o e do pre\u00e7o, o percentual do \u00f3leo-lucro ter\u00e1 um acr\u00e9scimo de no m\u00e1ximo 3,91%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo os 41,65% s\u00f3 ser\u00e3o cobrados efetivamente a partir da opera\u00e7\u00e3o plena do campo, o que deve ocorrer em 2019. At\u00e9 l\u00e1, o cons\u00f3rcio de empresas vai pagando de forma proporcional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o aos royalties que ser\u00e3o pagos pelo cons\u00f3rcio o \u201cneg\u00f3cio da China\u201d \u00e9 ainda mais revelador, pois o que for pago em dinheiro para a Uni\u00e3o ser\u00e1 devolvido em petr\u00f3leo para o cons\u00f3rcio de empresas que, evidentemente, poder\u00e1 ser revendido e poder\u00e1 ser recuperado o que foi pago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucro certo e garantido para o cons\u00f3rcio de empresas, pois os riscos do neg\u00f3cio s\u00e3o absorvidos pelo poder p\u00fabico.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00c9 Privatiza\u00e7\u00e3o sim!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dilma alega que partilha \u00e9 diferente de privatiza\u00e7\u00e3o, pois a Petrobras ficar\u00e1 com 40% no leil\u00e3o. Faz essa afirma\u00e7\u00e3o escondendo o que consta no Edital do leil\u00e3o e no Contrato que ser\u00e1 assinado com o cons\u00f3rcio de empresas. Vejamos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Supondo que o pre\u00e7o do barril fique em US$ 100. Sendo o custo de produ\u00e7\u00e3o 40% mais 15% de royalties, o \u00f3leo\/lucro ser\u00e1 de 45% da produ\u00e7\u00e3o total (100-40-15). Em uma situa\u00e7\u00e3o ideal a Uni\u00e3o ter\u00e1 41,65% (que poder\u00e1 ser obtido s\u00f3 em 2019) sobre o \u00f3leo-lucro, isso representa 18,74% sobre o total de \u00f3leo produzido. \u00c9 isso que o governo esconde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o preju\u00edzo pode ser ainda maior, pois o percentual sobre o \u00f3leo-lucro \u00e9 vari\u00e1vel, isto \u00e9, depende da produ\u00e7\u00e3o e do pre\u00e7o do barril.\u00a0 Fernando Siqueira da AEPET (Associa\u00e7\u00e3o de Engenheiros da Petrobras) detalha as contas: \u201co que vai para a Uni\u00e3o variar\u00e1 de 9,93% a 45,56% do \u00f3leo\/lucro, que \u00e9 de 45%. Logo, a Uni\u00e3o receber\u00e1 de 4,45% (9,93%x45) a 20,5% (45,56%x45) do total do \u00f3leo produzido. Ent\u00e3o, o cons\u00f3rcio vencedor ficar\u00e1 com 95,55% a 79,5% do petr\u00f3leo de Libra; 40% disto ir\u00e3o para a Petrobr\u00e1s e 60% para empresas estrangeiras\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo esses 40% que pertencem a Petrobras n\u00e3o representam dinheiro para o governo, pois mais da metade vai para os \u201cinvestidores\u201d, ou seja, acionistas privados nacionais e estrangeiros que t\u00eam a maioria das a\u00e7\u00f5es do capital social da empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso esses dados ainda deixem d\u00favida quanto \u00e0 entrega da riqueza produzida no pa\u00eds basta lembrar que a parcela de lucro da Petrobras destinada ao governo dever\u00e1 ser utilizada integralmente para amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, conforme a lei 9530\/97. Esse breve estudo j\u00e1 possibilita-nos chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que a maior fatia desse bilion\u00e1rio neg\u00f3cio foi parar de empresas e especuladores privados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dito leil\u00e3o de uma proposta s\u00f3 representa a privatiza\u00e7\u00e3o de uma riqueza que se fosse apropriada pelos trabalhadores poderia ser deslocada para produzir aquilo que de fato precisamos. Mas, ao ficar sob controle do capital produzir\u00e1 mais mis\u00e9ria e desigualdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concess\u00e3o ou partilha s\u00e3o nomes diferentes para um mesmo significado: privatiza\u00e7\u00e3o.\u00a0 Primeiro Lula e agora Dilma, sob a ben\u00e7\u00e3o do petismo, continuam o processo de privatiza\u00e7\u00e3o iniciada por FHC. Essa entrega \u00e9 vergonhosa at\u00e9 do ponto de vista de gest\u00e3o do Estado capitalista. Se nos anos 70 a quase totalidade da produ\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo estava em m\u00e3os das grandes empresas do setor, atualmente 90% da produ\u00e7\u00e3o mundial est\u00e3o sob controle estatal, inclusive, em alguns casos, serve como sustenta\u00e7\u00e3o financeira de ditaduras como na Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de os governos do PT usarem \u201cconcess\u00e3o\u201d ou \u201cpartilha\u201d para esconder a privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 casual. \u00c9 uma escolha coerente com o m\u00e9todo petista de governar, que maquia a realidade para fazer de conta que est\u00e1 realizando um governo \u201cprogressista\u201d e \u201cpopular\u201d quando na ess\u00eancia est\u00e1 dando seguimento ao neoliberalismo tucano. \u00c9 um governo que favorece os bancos, o agroneg\u00f3cio, as transnacionais, etc., deixando migalhas para os trabalhadores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O aumento do pre\u00e7o da gasolina: os primeiros efeitos da privatiza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que passou o leil\u00e3o os acionistas come\u00e7aram a pressionar a Petrobras e o governo para aumentar o pre\u00e7o da gasolina, repassando a conta do leil\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o. Solu\u00e7\u00e3o mais simples, pelo vi\u00e9s burgu\u00eas. O governo j\u00e1 discute aprovar o \u201cgatilho\u201d para reajustar os pre\u00e7os de 2 a 3 vezes por ano. \u00a0E de novo o trabalhador fica no preju\u00edzo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o pa\u00eds n\u00e3o faz o refino de todo o combust\u00edvel consumido por aqui e n\u00e3o h\u00e1 mais o monop\u00f3lio da Petrobras pelo abastecimento interno, fruto do desmonte da empresa, exporta-se petr\u00f3leo e importa-se gasolina.\u00a0 Nessa opera\u00e7\u00e3o a empresa tem tido preju\u00edzos bilion\u00e1rios e o subs\u00eddio nunca chega ao bolso dos trabalhadores, pois fica direto com as distribuidoras j\u00e1 que paga-se R$ 1,72 e vende-se a R$ 1,42. Com o aumento do pre\u00e7o, al\u00e9m de manter a taxa de lucro das distribuidoras ainda conseguir\u00e1 dinheiro para pagar o \u201cb\u00f4nus\u201d da assinatura do leil\u00e3o. Mais uma vez perdemos com a privatiza\u00e7\u00e3o do Campo de Libra.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Colocar o petr\u00f3leo e a empresa sob controle dos trabalhadores<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como j\u00e1 dissemos, a porcentagem de 40% para a Petrobras nesse leil\u00e3o n\u00e3o muda o sentido da privatiza\u00e7\u00e3o, pois al\u00e9m de parte significativa desse valor ir para as m\u00e3os dos \u201cinvestidores\u201d privados, os outros 60% v\u00e3o direto para as empresas estrangeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, mesmo que 100% do petr\u00f3leo estivessem nas m\u00e3os do Estado (que em rela\u00e7\u00e3o a privatiza\u00e7\u00e3o seria uma medida progressista) se n\u00e3o estivesse sob controle dos trabalhadores n\u00e3o atenderia \u00e0s necessidades humanas, pois sabemos que a propriedade estatal, por si s\u00f3, n\u00e3o avan\u00e7a nessa dire\u00e7\u00e3o. As empresas estatais tamb\u00e9m foram submetidas \u00e0 l\u00f3gica do lucro e da lei do valor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa luta deve ser muito mais profunda, pois precisamos modificar toda a l\u00f3gica social, substituindo o interesse pelo lucro pelo interesse humano. Para isso precisamos ultrapassar a pr\u00f3pria estrutura do Estado em dire\u00e7\u00e3o a formas de controle social coletivas e racionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o temos ilus\u00e3o de que governos burgueses v\u00e3o adotar medidas de interesse dos trabalhadores. Administram um Estado que por ess\u00eancia serve aos interesses da burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso que a luta contra as privatiza\u00e7\u00f5es precisa avan\u00e7ar no sentido do controle social da riqueza. Pelo n\u00edvel de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas n\u00e3o precisamos da burguesia para nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O controle das fontes naturais de energia pelos trabalhadores \u00e9 fundamental porque \u00e9 a \u00fanica garantia de que possa haver uma produ\u00e7\u00e3o sem destrui\u00e7\u00e3o da natureza e que ainda permita garantir a todos os \u201cprodutores associados\u201d uma vida digna e decente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A repress\u00e3o aos movimentos sociais enquanto pol\u00edtica de Estado<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mobiliza\u00e7\u00f5es de junho trouxeram a tona v\u00e1rios debates que h\u00e1 muito vinham sendo negligenciados. Dentre esses assuntos a repress\u00e3o exercida pelo Estado atrav\u00e9s da pol\u00edcia nas manifesta\u00e7\u00f5es tem ganhado grande repercuss\u00e3o nas m\u00eddias e nos permite pensar a respeito da real fun\u00e7\u00e3o do Estado. A viol\u00eancia institucionalizada n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade. Trata-se de uma pr\u00e1tica hist\u00f3rica das sociedades divididas em classes sociais. Para entendermos melhor a viol\u00eancia exercida pelo Estado devemos buscar respostas que datam desde o in\u00edcio da sociedade de classes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma\u00e7\u00e3o social na qual estamos inseridos, j\u00e1 \u00e9 em si pautada pela coer\u00e7\u00e3o e pela viol\u00eancia. Desde as primeiras sociedades divididas em classes quando a detentora de propriedades obrigava que outra classe trabalhasse para ela, fazia a partir da coer\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Uma das primeiras medidas que as classes dominantes tomaram para garantir seu poder, foi a cria\u00e7\u00e3o do Estado. A partir dessa institui\u00e7\u00e3o, cria-se todo um complexo de leis e normas para garantir que os de cima possam dominar e os de baixo permane\u00e7am na condi\u00e7\u00e3o de explorados. Para que essa legisla\u00e7\u00e3o seja acatada por todos \u00e9 necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de um aparelho repressor, um bra\u00e7o armado que tenha duas finalidades essenciais: 1) fazer cumprir as leis criadas pela classe dominante e 2) fazer os \u201ctransgressores\u201d temerem a &#8216;desobedi\u00eancia&#8217;. Esse aparelho repressor se configura como a for\u00e7a militar, criada para manter a lei e a \u201cordem\u201d, para garantir que todos cumpram com suas \u201cobriga\u00e7\u00f5es de cidad\u00e3os\u201d e para que todas as classes se mantenham em seu devido lugar na din\u00e2mica da sociedade.<br \/>\nPor\u00e9m, a \u201cordem\u201d \u00e9 aquela que conv\u00e9m aos que dominam. As \u201cobriga\u00e7\u00f5es de cidad\u00e3os\u201d s\u00e3o aquelas atribu\u00eddas \u00e0s classes exploradas para que continuem vivendo em condi\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio, seu verdadeiro lugar na sociedade, segundo as classes dominantes. Foi assim no modo de produ\u00e7\u00e3o escravista, na sociedade feudal e tamb\u00e9m \u00e9 assim no capitalismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferente do que dizem os representantes da burguesia, o Estado n\u00e3o pode garantir os direitos de todos para que sejamos socialmente iguais. Os interesses das classes, dominante e explorada, s\u00e3o antag\u00f4nicos e inconcili\u00e1veis. Para a garantia plena de Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, igualdade e qualidade de vida para todos pressup\u00f5em que aqueles que est\u00e3o no poder, a elite, deixem de existir enquanto tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frente a isso, quando os explorados resolvem se rebelar contra a ordem , a burguesia mostra suas armas e dentre elas a mais b\u00e1rbara e expl\u00edcita \u00e9 o uso da viol\u00eancia f\u00edsica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mobiliza\u00e7\u00f5es de junho, em especial nos casos de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, demonstraram de maneira mais evidente o aspecto truculento do Estado de forma did\u00e1tica. A insatisfa\u00e7\u00e3o popular com as condi\u00e7\u00f5es de vida da grande maioria dos brasileiros se expressou nas manifesta\u00e7\u00f5es, nas marchas com dezenas de milhares de pessoas, nos ataques a s\u00edmbolos do capitalismo, etc. Dentre os manifestantes pode-se encontrar professores, estudantes, outros trabalhadores de diversas categorias, desempregados, moradores da periferia e demais setores da sociedade afetados pela, cada vez mais, avassaladora crise que destr\u00f3i a possibilidade termos um futuro digno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta do Estado foi r\u00e1pida e direta: a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. Lan\u00e7ando m\u00e3o do mais covarde poderio b\u00e9lico para conter os manifestantes, a pol\u00edcia, os paladinos das elites, reprimiram com sistem\u00e1tica viol\u00eancia. Para isso, os mais rasteiros meios de desmobiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o v\u00e1lidos, desde o uso de armamento como balas de borracha e bombas de g\u00e1s at\u00e9 a infiltra\u00e7\u00e3o de agentes no movimento no intuito de \u00a0intimidar as manifesta\u00e7\u00f5es. . Tudo \u00e9 v\u00e1lido para restabelecer a \u201csagrada lei e a ordem\u201d burguesas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00c0 repress\u00e3o somam-se as leis<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a repress\u00e3o do Estado n\u00e3o se resume \u00e0s a\u00e7\u00f5es da PM. Nos gabinetes e no parlamento toda sorte de leis com o intuito de inviabilizar as manifesta\u00e7\u00f5es e criminalizar os movimentos sociais s\u00e3o criadas. \u00a0A lei criada pela Assembl\u00e9ia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, que proibia o uso de m\u00e1scaras em manifesta\u00e7\u00f5es foi s\u00f3 mais um exemplo dos absurdos da repress\u00e3o. O Estado, dentro da teoria burguesa, seria o espa\u00e7o onde todos os setores da sociedade teriam seus interesses defendidos garantindo a manuten\u00e7\u00e3o da democracia. Por\u00e9m, na pr\u00e1tica, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o s\u00f3 da classe dominante e a prova disso est\u00e1 nas marcas de balas de borracha gravadas em pele pelos fac\u00ednoras da PM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto necess\u00e1rio de ser ressaltado \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o que a grande m\u00eddia exerce nesse complexo: Servindo como porta-vozes das elites tentam, a todo o momento, deslegitimar as a\u00e7\u00f5es dos manifestantes, encobrindo as agress\u00f5es exercidas pela PM e distorcendo fatos. A m\u00eddia burguesa historicamente cumpre um papel fundamental na manuten\u00e7\u00e3o da ordem vigente, pois est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o e controle ideol\u00f3gico de massas no sentido de sustentar esse modelo de sociedade desumano e autodestrutivo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Uma campanha contra a criminaliza\u00e7\u00e3o aos movimentos sociais<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos de efervesc\u00eancia como esses pelos quais passamos se torna demanda extremamente necess\u00e1ria a defesa dos direitos de express\u00e3o da classe trabalhadora. As organiza\u00e7\u00f5es, em especial as centrais sindicais de esquerda, como a CSP CONLUTAS e a INTERSINDICAL, que buscam uma transforma\u00e7\u00e3o da sociedade precisam criar campanhas permanentes contra a criminaliza\u00e7\u00e3o e a repress\u00e3o\u00a0 aos movimentos sociais, no sentido de oferecer uma maior resist\u00eancia aos ataques da burguesia e fortalecimento da luta dos trabalhadores rumo a supera\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m disso, a luta pela desmilitariza\u00e7\u00e3o da PM tamb\u00e9m se coloca na ordem do dia para a classe trabalhadora, uma vez que a for\u00e7a militar responde somente aos interesses das elites dominantes. Devemos ainda oferecer todo o apoio aos valorosos camaradas que se colocam na luta dos atos de rua, assim como combater os projetos de lei que visam aumentar a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. Todas essas medidas apontam um novo momento de duras batalhas e que come\u00e7am a apontar para a constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade que de fato leve em considera\u00e7\u00e3o nossas reais necessidades humanas e que ter\u00e1 como pressuposto a igualdade entre todos os trabalhadores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que se abriu com a jornada de junho faz eco na periferia de S\u00e3o Paulo. Ap\u00f3s o assassinato de dois jovens (Douglas e Jean) pela PM paulista, a Zona Norte da cidade foi palco de manifesta\u00e7\u00f5es por dois dias seguidos. Centenas de pessoas bloquearam duas das principais rodovias \u2013 Dutra e Fern\u00e3o Dias \u2013 e incendiaram \u00f4nibus, caminh\u00f5es e pneus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo estadual (claro que com a coniv\u00eancia de Dilma) reagiu como sempre: uma feroz repress\u00e3o com bombas, tiros, helic\u00f3ptero e at\u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o da fascista tropa de elite da PM, a ROTA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa quest\u00e3o \u00e9 importante porque, junto com a repress\u00e3o ao movimento social, os governos t\u00eam tido uma pol\u00edtica sistem\u00e1tica de controle das regi\u00f5es mais pobres. \u00c9 o caso das UPPs no Rio e em SP o policiamento ostensivo nas periferias. O aumento dos homic\u00eddios, sobretudo contra a juventude negra, praticado pela pol\u00edcia na periferia \u00e9 parte desse processo repressivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado sabe que as contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas (falta de perspectivas e de lazer para a juventude, desemprego, trabalho precarizado, escolas em crise, etc.) e que podem levar a uma explos\u00e3o incontrol\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os limites impostos aos governos pela crise estrutural do capital n\u00e3o permitem (dentro dos marcos do capital) solu\u00e7\u00f5es para esses problemas. Essa \u00e9 a raz\u00e3o de o Estado ter aumentado a repress\u00e3o contra os pobres.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Movimentos espionados<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00e3o deixar d\u00favida que a repress\u00e3o e o controle sobre o movimento social n\u00e3o s\u00e3o pol\u00edtica exclusiva de um ou outro governo, mas de Estado, Dilma, Alckmin e Cabral (santa alian\u00e7a!!!) est\u00e3o elaborando um plano de conten\u00e7\u00e3o do movimento. Isso envolve mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o (al\u00e9m de outras, h\u00e1 em tr\u00e2mite um projeto de lei que classifica como terroristas as a\u00e7\u00f5es do movimento social), atua\u00e7\u00e3o unificada das pol\u00edcias (Guarda Nacional e pol\u00edcias estaduais) na \u00e1rea de repress\u00e3o e de espionagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tend\u00eancia \u00e9 que aumentem as atividades dos servi\u00e7os reservados policiais. Medidas que colocam em perigo as organiza\u00e7\u00f5es e os militantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que j\u00e1 atuam juntos na espionagem aos movimentos sociais e agora est\u00e3o aperfei\u00e7oando essas pr\u00e1ticas.<br \/>\nEssas medidas imp\u00f5em \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e dos movimentos sociais cuidados necess\u00e1rios para preservarmos os militantes e as pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es. \u00a0A luta contra a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos \u00e9 fundamental!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&#8220;Elysium&#8221;, uma alegoria da mundializa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Daniel Menezes<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diretor sul-africano Neill Blomkamp iniciou sua carreira no Canad\u00e1 e Estados Unidos e depois de alguns trabalhos iniciais lan\u00e7ou em 2009 o excelente longa metragem \u201cDistrito 9\u201d, uma alegoria do regime do Apartheid que vigorou d\u00e9cadas atr\u00e1s em seu pa\u00eds natal. O filme foi mundialmente aclamado e mostrou como a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pode abordar quest\u00f5es sociais com altas doses de intelig\u00eancia e a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora em 2013, Blomkamp retorna com \u201cElysium\u201d, uma produ\u00e7\u00e3o estadunidense, mas de tem\u00e1tica tipicamente mundializada e um forte conte\u00fado de cr\u00edtica social, que n\u00e3o prejudica suas qualidades como entretenimento. O elenco conta com astros hollywoodianos consagrados como Matt Damon e Jodie Foster, os brasileiros Wagner Moura e Alice Braga, e Sharlto Copley, compatriota e parceiro do diretor em Distrito 9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo do filme \u00e9 o nome em ingl\u00eas dos Campos El\u00edsios, a morada das almas bem aventuradas da mitologia greco-romana. No filme, situado no ano 2159, Elysium \u00e9 o nome de uma esta\u00e7\u00e3o espacial em que os bilion\u00e1rios se exilaram, levando uma vida paradis\u00edaca na \u00f3rbita da Terra. Os 99,9999% de terr\u00e1queos restantes vivem numa gigantesca favela, \u00e0 merc\u00ea da viol\u00eancia, em meio ao lixo, a polui\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as, etc. Os habitantes da Terra trabalham em f\u00e1bricas insalubres, em ritmos dignos do s\u00e9culo XIX, para fabricar rob\u00f4s, que s\u00e3o os mesmos que fazem a fun\u00e7\u00e3o de pol\u00edcia, cometendo toda esp\u00e9cie de abusos e arbitrariedade para manter esse subproletariado sob um controle brutal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acesso a Elysium est\u00e1 bloqueado para os que n\u00e3o s\u00e3o cidad\u00e3os e as naves n\u00e3o autorizadas s\u00e3o ca\u00e7adas no espa\u00e7o pelo servi\u00e7o de seguran\u00e7a da esta\u00e7\u00e3o, chefiado por uma dirigente fascista. N\u00e3o obstante o risco de serem detidos pela defesa do Elysium, os habitantes da Terra insistem em realizar viagens \u00e0 esta\u00e7\u00e3o orbital. Seu maior objetivo \u00e9 ter acesso aos ultramodernos equipamentos m\u00e9dicos de uso exclusivo dos cidad\u00e3os, capazes de regenerar quase instantaneamente os estragos de qualquer doen\u00e7a ou les\u00e3o, tornando os seus possuidores virtualmente imortais. Contrabandistas vendem o acesso a esses v\u00f4os n\u00e3o autorizados, dos quais apenas uma min\u00fascula fra\u00e7\u00e3o consegue pousar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dirigente da seguran\u00e7a tem como projeto simplesmente explodir os transgressores, para dar uma li\u00e7\u00e3o nos contrabandistas e por fim a essas tentativas. O restante do governo do Elysium \u00e9 contra a detona\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria de viajantes ilegais, preferindo apenas deport\u00e1-los de volta para a Terra. Para por fim a essa hipocrisia, a seguran\u00e7a aplicar\u00e1 um golpe, contando com a assist\u00eancia de agentes atuando de forma ilegal na Terra. Enquanto isso, o protagonista do filme, associando-se aos contrabandistas, ser\u00e1 obrigado a tentar a viagem para o Elysium como \u00fanica forma de sobreviver a um acidente de trabalho que o exp\u00f4s \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essa trama, o filme exp\u00f5e algumas das situa\u00e7\u00f5es t\u00edpicas da mundializa\u00e7\u00e3o capitalista, o abismo entre as popula\u00e7\u00f5es de ricos e pobres, e a crescente viol\u00eancia contra imigrantes que tentam chegar \u00e0s regi\u00f5es onde esperam encontrar trabalho e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. O acesso \u00e0 sa\u00fade \u00e9 uma quest\u00e3o chave para bilh\u00f5es de pessoas, tanto assim que uma acirrada disputa pol\u00edtica foi travada nos Estados Unidos em torno do tamanho e do ritmo dos cortes no or\u00e7amento da assist\u00eancia destinada aos pobres. A mesma disputa est\u00e1 representada no filme, entre um setor de direita, que mant\u00e9m a separa\u00e7\u00e3o abissal entre os terr\u00e1queos e os habitantes do Elysium, mas com alguns pudores humanit\u00e1rios hip\u00f3critas; e um setor de ultra direita, que quer simplesmente explodir os trabalhadores que tentam chegar ao seu para\u00edso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, tivemos no intervalo de poucos meses duas trag\u00e9dias envolvendo a tentativa de imigrantes africanos de chegar na Europa que custaram centenas de vidas. Uma se deu por naufr\u00e1gio pr\u00f3ximo da It\u00e1lia e outra por falta d&#8217;\u00e1gua no deserto do Saara, depois que os caminh\u00f5es dos contrabandistas falharam no mar de dunas, antes ainda de chegar \u00e0s margens do Mediterr\u00e2neo. O lan\u00e7amento do filme se deu nesse mesmo intervalo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra cinematogr\u00e1fica n\u00e3o foi feita evidentemente para conscientizar as plateias das iniquidades do capitalismo. Ainda assim, as retrata com nitidez exemplar. Ao contr\u00e1rio, por\u00e9m, das solu\u00e7\u00f5es hollywoodianas, em que um punhado de her\u00f3is (mesmo que agora com rostos terceiromundistas) reverte as injusti\u00e7as por meio de uma reprograma\u00e7\u00e3o dos sistemas, ser\u00e1 preciso uma revolu\u00e7\u00e3o socialista para superar as mis\u00e9rias e barb\u00e1ries do capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a imensa riqueza em ci\u00eancia e tecnologia hoje dispon\u00edvel, que seria capaz de proporcionar um modo de vida confort\u00e1vel para toda a humanidade (sen\u00e3o no n\u00edvel do Elysium, mas muito pr\u00f3ximo disso) e com um m\u00ednimo de esfor\u00e7o para todos, precisa ser expropriada dos grilh\u00f5es da propriedade privada capitalista e submetida a uso coletivo e racional. Isso s\u00f3 pode ser feito por meio da a\u00e7\u00e3o coletiva, consciente e organizada dos trabalhadores, contra o Estado, seus agentes e suas mistifica\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h2>A educa\u00e7\u00e3o na luta de classes &#8211; Semin\u00e1rio do Espa\u00e7o Socialista<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">N\u00facleo de Professores \u2013 Espa\u00e7o Socialista<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo dia 02\/11, n\u00f3s do Espa\u00e7o Socialista realizamos nosso 1\u00ba Semin\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o, com a participa\u00e7\u00e3o de Militantes e Ativistas de Arapiraca-AL e Macei\u00f3-AL, ABCDMR e capital paulista. Fizemos uma experi\u00eancia inovadora, e que obteve sucesso, uma teleconfer\u00eancia via Skipe. O esp\u00edrito do Semin\u00e1rio \u00e9 elaborar um projeto de interven\u00e7\u00e3o educacional conforme os interesses e necessidades dos trabalhadores e seus filhos, num sentido revolucion\u00e1rio, ou seja, para al\u00e9m do capital.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Educa\u00e7\u00e3o, capitalismo e emancipa\u00e7\u00e3o humana<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o partiu das seguintes refer\u00eancias cr\u00edticas: \u201cA Educa\u00e7\u00e3o na Comunidade Primitiva\u201d de An\u00edbal Ponce; \u201cTrabalho, pr\u00e1xis social e Educa\u00e7\u00e3o: notas para uma teoria da atividade educativa\u201d, de Epit\u00e1cio Mac\u00e1rio e \u201cEducar para a cidadania ou para a liberdade?\u201d de Ivo Tonet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir destas refer\u00eancias, discutimos como se desenvolveu o processo educativo desde as comunidades primitivas, passando pelo surgimento das classes sociais e, posteriormente, do capitalismo, com indica\u00e7\u00f5es sobre o car\u00e1ter de uma Educa\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na comunidade primitiva, a Educa\u00e7\u00e3o identificava-se com a vida, ou seja, acontecia simult\u00e2nea ao processo de trabalho e de vida, no qual prevaleciam os interesses comuns, da tribo. Nestes prim\u00f3rdios, as mulheres e crian\u00e7as tinham fun\u00e7\u00f5es sociais de igual import\u00e2ncia e posi\u00e7\u00f5es iguais aos dos homens. Com o surgimento da sociedade de classes, um grupo social minorit\u00e1rio se apropria da riqueza coletiva e passa a dominar a maioria da sociedade, que \u00e9 ent\u00e3o subordinada e respons\u00e1vel pelo trabalho material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir disso, surge a Educa\u00e7\u00e3o institucional. O saber torna-se monop\u00f3lio e instrumento de poder das classes dominantes, com uma institui\u00e7\u00e3o Educacional voltada para a forma\u00e7\u00e3o plena (f\u00edsica, moral e espiritual) e para a domina\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, a Educa\u00e7\u00e3o das classes trabalhadoras (escravas e servis) voltava-se para o trabalho pr\u00e1tico e para a subordina\u00e7\u00e3o, ocorrendo simultaneamente ao processo de trabalho. Com o advento do capitalismo industrial, surge a necessidade de uma Educa\u00e7\u00e3o institucional tamb\u00e9m para as classes trabalhadoras, agora assalariadas, para formar uma m\u00e3o-de-obra tecnicamente capaz de realizar o processo produtivo, aliada a difus\u00e3o ideol\u00f3gica de valores adequados ao sistema. Assim, a Educa\u00e7\u00e3o institucional cumpre, predominantemente, o papel de reprodu\u00e7\u00e3o da sociedade de classes e, atualmente, do capitalismo, tanto no sentido de forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra quanto de difus\u00e3o ideol\u00f3gica adequada ao sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E. Mac\u00e1rio trata da especificidade do processo Educativo (n\u00e3o restrito \u00e0 institucionalidade), como momento da pr\u00e1xis social, no \u00e2mbito da forma\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia na conduta dos indiv\u00edduos, ligado ao processo de apropria\u00e7\u00e3o\/subjetiva\u00e7\u00e3o e objetiva\u00e7\u00e3o da realidade e, a partir dela, da atividade\/pr\u00e1xis social e ainda, mais especificamente, do trabalho humano. Por sua vez, I. Tonet trata dos limites da cidadania e da t\u00e3o proclamada &#8211; por educadores, acad\u00eamicos e setores da esquerda democr\u00e1tica &#8211; Educa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. Para I. Tonet &#8211; em conson\u00e2ncia com a abordagem Marxiana &#8211; a cidadania e, consequentemente, a Educa\u00e7\u00e3o para a cidadania, n\u00e3o corresponde \u00e0 plena emancipa\u00e7\u00e3o humana, mas a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, necessariamente limitada e instrumento da explora\u00e7\u00e3o, subordina\u00e7\u00e3o e desigualdade capitalistas. Assim, a cidadania e a Educa\u00e7\u00e3o voltada a ela, promove apenas uma liberdade parcial. O homem pleno e livre est\u00e1 necessariamente para al\u00e9m da cidadania e, sendo assim, uma educa\u00e7\u00e3o realmente emancipadora deve buscar a emancipa\u00e7\u00e3o humana, baseada na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade baseada no trabalho livre e associado.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Nossa realidade atual e perspectivas<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto atual, o sistema capitalista rebaixa o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o Educacional dos trabalhadores, formando-os apenas com compet\u00eancias e habilidades b\u00e1sicas, chegando ao c\u00famulo de professores do Ensino Infantil serem coagidos a n\u00e3o ensinar o alfabeto! Conten\u00e7\u00e3o social e repress\u00e3o s\u00e3o cada vez mais comuns nas escolas p\u00fablicas, ao passo que Educa\u00e7\u00e3o qualificada torna-se monop\u00f3lio de escolas\/empresas particulares, sendo vendida como mercadoria \u00e0 elite e aos filhos da burguesia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dos movimentos de junho-julho, a realidade social e nas escolas se modificou, despertando nos alunos um maior questionamento e cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 opress\u00e3o nas escolas e na sociedade, inclusive questionando professores, o curr\u00edculo, a crescente opress\u00e3o (c\u00e2meras, avalia\u00e7\u00f5es externas, pol\u00edcia) nas escolas e nos sistemas de ensino. Os professores, contratados e pressionados para cumprir o papel da opress\u00e3o dentro das escolas, encontram-se frente a um dilema: ou se adequam a cumprir e defender este papel que o sistema lhes incumbe (parte significativa da categoria tende a aderir a isso), ou o questiona, juntamente com o pr\u00f3prio sistema que o gera!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, defendemos uma Educa\u00e7\u00e3o ampla, para tod@s, voltada ao pleno desenvolvimento humano, para al\u00e9m das necessidades f\u00edsicas imediatas (trabalho assalariado, alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, habita\u00e7\u00e3o), envolvendo cultura, arte, lazer, etc, na qual a forma\u00e7\u00e3o e pr\u00f3prio trabalho correspondam \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o humana, e n\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, subordina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o. Al\u00e9m disso, ao contr\u00e1rio do que geralmente se difunde, a Educa\u00e7\u00e3o, sozinha, n\u00e3o pode transformar nem a si, nem a sociedade como um todo. A transforma\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria s\u00f3 pode obter sucesso se suceder-se, simultaneamente, em ambos os n\u00edveis. Para isso, aprovamos, inicialmente, algumas propostas, dentre as quais: materiais pol\u00edticos e atividades com alunos, para al\u00e9m da institucionalidade; elei\u00e7\u00f5es diretas para diretores de escola; assembleias unificadas entre alunos, pais e professores; reativa\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os colegiados (Conselhos de Escola, APM e Gr\u00eamios).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Pr\u00f3ximas atividades<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este foi um primeiro estudo que ter\u00e1 outros momentos. O pr\u00f3ximo ter\u00e1 como tema \u201cA Educa\u00e7\u00e3o e Mundo Social do Trabalho\u201d. Convidamos todos os trabalhadores e ativistas contr\u00e1rios \u00e0 ordem capitalista, sua explora\u00e7\u00e3o, subordina\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o, e que defendem a emancipa\u00e7\u00e3o e as necessidades sociais e humanas, a participarem destas atividades.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?attachment_id=2670\" rel=\"attachment wp-att-2670\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2670 alignleft\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/adm2-1.jpg\" alt=\"adm2 (1)\" width=\"389\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/adm2-1.jpg 648w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/adm2-1-300x149.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 389px) 100vw, 389px\" \/><\/a>Carta <a name=\"titulo6\"><\/a>\u00a0aberta do grupo Al\u00e9m do Mito: Para al\u00e9m da universidade, lutar pela revolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma resposta, n\u00e3o, uma campanha. Pedimos \u201cdesculpas\u201d antecipadas aos que esperam algum tipo de exibicionismo ou, simplesmente, aos que t\u00eam fetiche em saber sobre as entradas e sa\u00eddas de militantes em partidos, grupos, organiza\u00e7\u00f5es, etc. Pois, n\u00e3o trataremos aqui de \u201cuma carta de entrada\u201d ou \u201cuma carta de sa\u00edda\u201d p\u00fablicas, afinal, n\u00e3o \u00e9 uma mera rela\u00e7\u00e3o mecanicista que nos faz escrever esse documento. As rela\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio processo hist\u00f3rico s\u00e3o complexas no estudo da realidade e ao viv\u00ea-la. E precisam ser explicadas para al\u00e9m de momentos iniciais e finais, mas sim na completude do processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que pretendemos atrav\u00e9s dessa publica\u00e7\u00e3o \u00e9 explicar uma rela\u00e7\u00e3o (com efeitos complexos &#8211; de consequ\u00eancias, sejam elas positivas ou negativas) do Grupo Al\u00e9m do Mito no movimento estudantil e manifestar publicamente o qu\u00ea faz o grupo, hoje, se incorporar ao Espa\u00e7o Socialista, uma Organiza\u00e7\u00e3o Marxista Revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma grande responsabilidade e julgamos ser de suma import\u00e2ncia, sem desmerecer outras quest\u00f5es, dar uma resposta ao movimento estudantil. Uma resposta aos\/\u00e0s militantes que caminharam (gera\u00e7\u00f5es passadas) e, principalmente, aos\/\u00e0s que caminham ao nosso lado agora na luta cotidiana nas entidades de base no movimento estudantil (ME) da Universidade Federal de Alagoas (UFAl) e na Faculdade Integrada Tiradentes (FITs) ou nas executivas e federa\u00e7\u00f5es de curso, aos coletivos que se aproximam da nossa atua\u00e7\u00e3o no ME e aos independentes. Devemos uma resposta e tentaremos ser fieis (como o grupo sempre se esfor\u00e7ou em ser) ao caracterizar a realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 aproximadamente oito anos, um coletivo de estudantes dispostos para luta estudantil da UFAl decidiu formar uma chapa para disputar as elei\u00e7\u00f5es do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria dos estudantes dessa chapa era uma gera\u00e7\u00e3o mais nova da Comuna Estudantil existente na universidade. Esse coletivo para disputar a dire\u00e7\u00e3o do DCE foi chamado de Al\u00e9m do Mito. Era composto por militantes do PSTU, do CAZP, pr\u00f3ximos ao PSOL e por independentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a derrota nas elei\u00e7\u00f5es, o coletivo Al\u00e9m do Mito continuou se reunindo e organizado p\u00f3s-processo eleitoral para tocar poss\u00edveis atividades pol\u00edticas, segundo as demandas do movimento. Essas atividades come\u00e7aram a se chocar com as atividades da Comuna Estudantil, pois, em grande parte, as discuss\u00f5es travadas eram as mesmas. Logo, acabou que dois grupos estavam coexistindo. Com a possibilidade de extin\u00e7\u00e3o de um desses grupos surge, ent\u00e3o, o Al\u00e9m do Mito.<br \/>\nS\u00e3o not\u00f3rias as nossas limita\u00e7\u00f5es em contar essa hist\u00f3ria, al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 nossa proposta explicar detalhadamente tais fatores, mas segue uma limitada e breve exposi\u00e7\u00e3o dos relatos hist\u00f3ricos de nossa g\u00eanese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo passou por v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es de seus quadros \u2013 a renova\u00e7\u00e3o no ME ocorre de 4\/5 anos e a \u201cpressa de viver\u201d, como diz Belchior, \u00e9 frequente em grupos que atuam unicamente para o Movimento Estudantil. Em \u00e9pocas diferentes j\u00e1 fomos 20, 5, 10, 15, 4&#8230; e isso traz muitas discuss\u00f5es internas, questionamentos e preocupa\u00e7\u00f5es, algo comum devido as nossas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, as mudan\u00e7as que o grupo passou durante anos trouxeram avan\u00e7os qualitativos (exemplo \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o na FITs, uma faculdade privada que passou a ser tamb\u00e9m nosso l\u00f3cus de atua\u00e7\u00e3o). Aprendemos com nossos erros do passado para n\u00e3o repeti-los, encontramos solu\u00e7\u00f5es e demos contribui\u00e7\u00f5es. Longe de sermos prepotentes em nossas posturas, mas sim reconhecemos as falhas e os acertos que tivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa luta \u00e9 transparente: por uma universidade p\u00fablica, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada numa perspectiva radical classista. Temos clareza de que o Movimento Estudantil n\u00e3o \u00e9 revolucion\u00e1rio e de que o \u00fanico sujeito revolucion\u00e1rio \u00e9 a classe trabalhadora,\u00a0que est\u00e1 em confronto direto com o capital.\u00a0Mas, isso n\u00e3o significa que nossa luta ser\u00e1 \u201cmenor\u201d, muito pelo contr\u00e1rio, ela ser\u00e1 forte e maior se aliada \u00e0 classe trabalhadora! Lutamos por uma universidade que atenda aos anseios da classe oprimida, pois \u00e9 ela que constr\u00f3i as cadeiras que sentamos, os nossos blocos, nossos laborat\u00f3rios, nossos banheiros, nossas pra\u00e7as de socializa\u00e7\u00e3o. No entanto, notem a contradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 ela que est\u00e1 usufruindo o que ela mesma produz e muito menos, os filhos e as filhas dessa classe. Lutamos por uma universidade que n\u00e3o paute mais os interesses da burguesia e que n\u00e3o produza ci\u00eancia para usineiros, mas que possa produzir para o povo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, do Al\u00e9m do Mito, encontramos \u00e0 nossa frente formas de lutar dentro do ME. A que escolhemos foi de um Movimento constru\u00eddo de forma sincera pela base estudantil. Atuando com boa quantidade de militantes e tamb\u00e9m \u2013 de grande valor para n\u00e3o sermos apenas um n\u00famero \u2013 com qualidade! E l\u00f3gico, que nossa atua\u00e7\u00e3o no ME n\u00e3o podia ser pautada \u201cdo nada\u201d, n\u00e3o brotava de um p\u00e9 de laranjeira, tampouco caia do c\u00e9u. Nossas discuss\u00f5es, leituras, estudos geralmente eram travadas em viv\u00eancias, al\u00e9m das discuss\u00f5es em reuni\u00e3o, que eram mais deliberativas em momento espec\u00edfico. E eram em espa\u00e7os como esses que nos apropri\u00e1vamos da teoria marxista para lutarmos contra as pol\u00edticas privatistas (exemplo disso foi a luta contra a Reforma Universit\u00e1ria) numa perspectiva que n\u00e3o se findava ali. Nossa luta contra as pol\u00edticas neoliberais exigiu de n\u00f3s que conhec\u00eassemos em que pis\u00e1vamos para atuar e para n\u00e3o somente \u201cbotar a boca no trombone\u201d, mas para propor. Esses passos foram importantes na hist\u00f3ria do Al\u00e9m do Mito e do ME geral, visto a inutilidade da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje o Al\u00e9m do Mito enxerga a necessidade de darmos mais passos. Al\u00e9m de nossas contribui\u00e7\u00f5es, apontamentos e an\u00e1lises sobre a reorganiza\u00e7\u00e3o do Movimento (como os documentos \u201cPara onde foi a reorganiza\u00e7\u00e3o?\u201d e a tese \u201cUne ou Anel &#8211; Eis a quest\u00e3o?\u201d) at\u00e9 hoje utilizadas para forma\u00e7\u00e3o de novos militantes temos agora nossa incorpora\u00e7\u00e3o ao Espa\u00e7o Socialista como um dos passos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas afinal, quem disse que vivemos todo esse tempo somente de belas contribui\u00e7\u00f5es? Como o pr\u00f3prio texto diz, aprendemos com os erros. O Al\u00e9m do Mito, a partir do momento que se configurou como grupo, n\u00e3o atuou para al\u00e9m da universidade numa perspectiva macro de luta. Nossa forma de organiza\u00e7\u00e3o, apesar de ter durado oito anos e j\u00e1 estar nas linhas da hist\u00f3ria, era limitada. E essa limita\u00e7\u00e3o traria consequ\u00eancias. Parece algo tolo, mas n\u00e3o conseguir\u00edamos caminhar no movimento para al\u00e9m da universidade\u00a0sem termos, minimamente, perspectivas de luta para transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria na totalidade da realidade. N\u00e3o conseguir\u00edamos caminhar para al\u00e9m dos limites do ME, pois, apenas caminhar, n\u00f3s pod\u00edamos. Mas, somente isso seria falho. Enxergar o que fazer para al\u00e9m da universidade foi um processo dif\u00edcil, visto que n\u00e3o visualizamos em Macei\u00f3 (AL) nenhum partido de esquerda ou organiza\u00e7\u00e3o capaz de vencer o que j\u00e1 parece habitual: v\u00edcios aparatistas e burocr\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Espa\u00e7o Socialista se apresenta como uma organiza\u00e7\u00e3o classista, real, horizontal e disposta a contribuir para o avan\u00e7o da consci\u00eancia da classe trabalhadora! Passa longe de usar aparatos de luta para colocar de forma vertical pol\u00edticas de um partido e longe do politicismo. N\u00e3o, nossa incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para \u201csalvar o Al\u00e9m do Mito\u201d, essa maneira arrogante de analisar a realidade \u00e9 t\u00e3o pequena como um gr\u00e3o de areia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 total surpresa a nossa rela\u00e7\u00e3o com o Espa\u00e7o Socialista, visto que muitos de n\u00f3s j\u00e1 apreci\u00e1vamos, mesmo que de modo distante, a atua\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o apenas isso, o pr\u00f3prio Espa\u00e7o Socialista retribu\u00eda esse discurso de afinidade ideol\u00f3gica. Ent\u00e3o, em junho de 2012 recebemos uma carta dos companheiros do Espa\u00e7o Socialista para um poss\u00edvel in\u00edcio de rela\u00e7\u00e3o, principalmente devido \u00e0 experi\u00eancia acumulada do Al\u00e9m do Mito. Inicialmente deixamos essa rela\u00e7\u00e3o para os companheiros que estavam saindo do Al\u00e9m do Mito, pois ainda t\u00ednhamos muitos questionamentos que nos assolavam na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa rela\u00e7\u00e3o se intensificou e o Espa\u00e7o Socialista em Alagoas surgiu. A hist\u00f3ria nos aprontou mais uma e n\u00e3o demorou a acontecer: em 2013 o Al\u00e9m do Mito retomou a discuss\u00e3o de poss\u00edvel di\u00e1logo com a organiza\u00e7\u00e3o. Agora, estamos aqui!<br \/>\nVisualizamos essa incorpora\u00e7\u00e3o como qualitativa para o grupo e n\u00e3o menor ou maior. Tamb\u00e9m qualitativa para a organiza\u00e7\u00e3o. Viva a alian\u00e7a dos estudantes com a classe trabalhadora!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Internac<a name=\"titulo7\"><\/a>ional: acerca da guerra na S\u00edria<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Artur Bispo dos Santos Neto<br \/>\nProfessor da UFAL<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A guerra \u00e9 uma das atividades mais lucrativas, como dizia Carl Von Clausewitz. E a experi\u00eancia norte-americana no Iraque atesta isso. Quando os EUA invadiram aquele pa\u00eds, a previs\u00e3o inicial era que o governo de George W. Bush n\u00e3o gastaria mais do que 50 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, no entanto, o custo dessa guerra ultrapassou um trilh\u00e3o de d\u00f3lares em 2010. Indubitavelmente, a guerra foi um preju\u00edzo enorme para a classe trabalhadora que subsidia os gastos p\u00fablicos norte-americanos, mas o mesmo n\u00e3o pode ser dito para suas empresas petrol\u00edferas (Texaco, Shell, British Petroleum e Exxon Mobil) e para as grandes empresas do complexo industrial-militar, bem como as de avia\u00e7\u00e3o, as grandes construtoras e as empresas dos g\u00eaneros aliment\u00edcios (Custler Battles, Boeing, Lockheed, Halliburton, Kentucky Fried Chicken, Coca-Cola, Pepsi-Cola, Bechtel, CACI, Nestl\u00e9, Titan). A guerra imp\u00f5e tanto a destrui\u00e7\u00e3o quanto a necessidade da reconstru\u00e7\u00e3o, pois cidades destru\u00eddas precisam ser reconstru\u00eddas. Numa \u00e9poca de crise de expans\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o do capital, nada melhor do que criar novas cidades e apropriar-se das riquezas dos povos dominados e escravizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O prel\u00fadio da guerra civil na S\u00edria come\u00e7a com a onda de protestos bastante heterog\u00eaneos e diferenciados que varreram o mundo \u00e1rabe no final de 2010 e come\u00e7o de 2011, em pa\u00edses como Tun\u00edsia, Arg\u00e9lia, Iraque, Jord\u00e2nia, Om\u00e3, Kuwait, L\u00edbano, Maurit\u00e2nia, Marrocos, Ar\u00e1bia Saudita, Sud\u00e3o, L\u00edbia etc. Em alguns desses pa\u00edses os protestos eram espont\u00e2neos ou organizados por movimentos populares que ansiavam por mudan\u00e7as nas estruturas do aparato pol\u00edtico e econ\u00f4mico existente; em outros esses protestos serviram como de pr\u00f3logo para o aprofundamento duma interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as imperialistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como todo aparato estatal e pol\u00edtico constitu\u00eddo para defesa do capital contra o trabalho, o governo de Bashar al-Assad preferiu reprimir as manifesta\u00e7\u00f5es de 2011 como forma de impedir seu livre desenvolvimento, ao inv\u00e9s de negociar com seus opositores. No entanto, a repress\u00e3o do Estado, representante dos interesses do capital pela media\u00e7\u00e3o dos alauitas (preferem Ali Hadi a Maom\u00e9, n\u00e3o obedecem a votos de abstin\u00eancia ao \u00e1lcool, n\u00e3o praticam o jejum, nem exigem de suas mulheres a utiliza\u00e7\u00e3o do v\u00e9u), n\u00e3o conseguiu anular o desejo de mudan\u00e7a da maioria da popula\u00e7\u00e3o, constitu\u00edda por 75% de sunitas. O endurecimento do governo fez com que o conflito evolu\u00edsse e ganhasse os corol\u00e1rios de uma guerra civil \u2212 que nos seus prim\u00f3rdios ainda apresentava possibilidade de derrubada do poder constitu\u00eddo, na perspectiva de atender \u00e0s necessidades fundamentais das camadas mais exploradas da sociedade s\u00edria. No entanto, as suas potencialidades revolucion\u00e1rias ficaram num horizonte cada vez mais distante, \u00e0 medida que se ampliou a presen\u00e7a de grupos mercen\u00e1rios, de um lado, e de grupos fundamentalistas isl\u00e2micos salafistas e jihadistas, do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A oposi\u00e7\u00e3o ao governo alauita e capitalista de Bashar al-Assad se configura no Ex\u00e9rcito Livre S\u00edrio (formado de desertores do ex\u00e9rcito s\u00edrio), na Frente Isl\u00e2mica de Liberta\u00e7\u00e3o da S\u00edria (coaliz\u00e3o de brigadas isl\u00e2micas, de orienta\u00e7\u00e3o sunita, que advoga um poder autocr\u00e1tico nos termos no fundamentalismo isl\u00e2mico), no Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria, na Frente de Liberta\u00e7\u00e3o da S\u00edria (formada por mujahidins, que s\u00e3o combatentes dispostos ao sacrif\u00edcio da pr\u00f3pria vida em nome da religi\u00e3o), da Irmandade Mu\u00e7ulmana (organiza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica fundamentalista que coloca os ensinamentos do Cor\u00e3o acima de qualquer coisa e recusa radicalmente qualquer esp\u00e9cie de influ\u00eancia ocidental) e da Frente Al-Nusra (mil\u00edcia isl\u00e2mica de orienta\u00e7\u00e3o sunita e jihadista). As mil\u00edcias formadas pela Al-Nusra imp\u00f5em uma vis\u00e3o estrita da lei isl\u00e2mica nos territ\u00f3rios que ocupam militarmente e abusam de seu poder militar na rela\u00e7\u00e3o com grupos civis dotados de outros h\u00e1bitos culturais e op\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observa-se que esses ex\u00e9rcitos mercen\u00e1rios e fundamentalistas s\u00e3o financiados por agentes externos que servem aos prop\u00f3sitos do imperialismo na regi\u00e3o. Tanto Ar\u00e1bia Saudita e Katar quanto o L\u00edbano est\u00e3o profundamente envolvidos nesse conflito, al\u00e9m, evidentemente, da Turquia e de Israel. O L\u00edbano, por exemplo, possui partidos pol\u00edticos e religiosos que ap\u00f3iam os dois lados, tanto os rebeldes quanto o governo de Damasco. Nenhum apresenta a possibilidade duma cr\u00edtica consistente ao capitalismo ou a defesa do socialismo como alternativa para as classes exploradas e dominadas pelo capital. Os grupos que financiam essa guerra t\u00eam liga\u00e7\u00f5es com setores que v\u00e3o dos grandes empres\u00e1rios da ind\u00fastria petrol\u00edfera da Ar\u00e1bia Saudita e do Katar at\u00e9 os agrupamentos mafiosos existentes nos distintos pa\u00edses asi\u00e1ticos.<br \/>\nA oposi\u00e7\u00e3o entre grupos islamitas xiitas e sunitas perpassa todo o Oriente. O Hezbollah, por exemplo, est\u00e1 do lado das tropas do governo s\u00edrio, enquanto a seita salafista convoca os libaneses e palestinos refugiados para lutar ao lado dos rebeldes. Esse grupo radical sunita constitui o segundo maior partido do Egito, com influ\u00eancia cada vez maior na rebeli\u00e3o da S\u00edria e com presen\u00e7a na Arg\u00e9lia, Bahrein, Kuwait, L\u00edbia, I\u00eamen e territ\u00f3rios ocupados pelos palestinos. S\u00e3o avessos aos direitos das mulheres e das minorias. Os salafistas v\u00eam aprofundando as divis\u00f5es entre mu\u00e7ulmanos xiitas e sunitas, de um lado, enquanto os ex\u00e9rcitos de Bashar al-Assad destroem mesquitas e perseguem sunitas, do outro. A luta de classe se perde no interior de lutas \u00e9tnicas fratricidas, assumindo corol\u00e1rios religiosos distintos; a classe trabalhadora \u00e9 sacrificada de ambos os lados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o d\u00e1 para esconder que os principais aliados dos EUA nesse conflito s\u00e3o os grupos \u201cterroristas\u201d que combatiam nas guerras do Afeganist\u00e3o e do Iraque. \u00c9 interessante observar o retorno do recurso utilizado pelos EUA ao momento que marca a expuls\u00e3o das for\u00e7as sovi\u00e9ticas do Afeganist\u00e3o: num instante prestam ajuda b\u00e9lica aos radicais sunitas (talibans) para expulsar os ex\u00e9rcitos sovi\u00e9ticos em 1989, e no outro, est\u00e3o engalfinhados numa luta pelo controle do poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico na regi\u00e3o. Esse conflito encontrou seu coroamento em 11 de setembro de 2001, com os atentados \u00e0s torres g\u00eameas (World Trade Center) e a declara\u00e7\u00e3o de guerra ao Afeganist\u00e3o em 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preocupado em n\u00e3o quebrar o protocolo da guerra contra o terror, o governo norte-americano tenta minimizar a presen\u00e7a das mil\u00edcias da Al Qaeda e Al-Nusra no conflito. Argumenta que o chefe do Ex\u00e9rcito S\u00edrio Livre, general Salim Idriss, representa uma for\u00e7a moderada e em ascend\u00eancia interna. O fato \u00e9 que a Ar\u00e1bia Saudita e o Katar t\u00eam estreitado rela\u00e7\u00f5es com o L\u00edbano, visando garantir abastecimento, inclusive de armas qu\u00edmicas, aos l\u00edderes rebeldes ao governo de Damasco. Tem sido noticiada a utiliza\u00e7\u00e3o de armamentos qu\u00edmicos por esses rebeldes bem antes das den\u00fancias contra o governo de Bashar. Nota-se que o contexto n\u00e3o \u00e9 nada tranquilo para uma interven\u00e7\u00e3o norte-americana na S\u00edria, pois grande parte dos opositores ao regime de Bashar n\u00e3o merece a confian\u00e7a de Washington.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As experi\u00eancias acumuladas no Iraque, Afeganist\u00e3o e Egito ensinam que de nada adianta buscar uma mudan\u00e7a do regime dominante, o mais sensato \u00e9 preservar a ordem pol\u00edtica e administrativa existente. O ideal \u00e9 criar as condi\u00e7\u00f5es para que as for\u00e7as armadas s\u00edrias fa\u00e7am o mesmo percurso que fizeram os militares nas regi\u00f5es ocupadas, como Egito, L\u00edbia, Iraque, Afeganist\u00e3o etc., ou seja, o fundamental \u00e9 derrubar o governo existente e colocar um aliado. Gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do governo de Moscou, a interven\u00e7\u00e3o norte-americana foi adiada e a possibilidade do conflito assumir corol\u00e1rios catastr\u00f3ficos para a humanidade foi interceptado no momento. Desse modo, a interven\u00e7\u00e3o norte-americana foi obstru\u00edda pelo poderio nuclear da R\u00fassia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na perspectiva da classe trabalhadora, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel coadunar-se nem com o poderio b\u00e9lico das for\u00e7as imperialistas do Ocidente (EUA, Fran\u00e7a, Reino Unido etc.) nem com o poderio imperialista do Oriente (R\u00fassia e China). Essas grandes pot\u00eancias s\u00e3o variantes da mesma perspectiva colonizadora e intervencionista; todas elas visam t\u00e3o somente encontrar uma v\u00e1lvula de escape para a crise de expans\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o que envolve seus distintos capitais privados, que se escondem por tr\u00e1s de cada um dos governos nacionais. Por outro lado, os grupos pol\u00edticos e religiosos que exercem posi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica no conflito nessas regi\u00f5es do Oriente M\u00e9dio est\u00e3o muitos distantes de representar os efetivos interesses da classe respons\u00e1vel pela constitui\u00e7\u00e3o da riqueza material da sociedade, e consequentemente, de vislumbrar uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria. Assim, os interesses do governo de Bashar al-Assad (alauitas, crist\u00e3os e drusos) e os interesses dos grupos rebeldes (sunitas etc.) est\u00e3o em plena conson\u00e2ncia, j\u00e1 que todos eles lutam simplesmente pelo direito de apropria\u00e7\u00e3o da riqueza produzida pela classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem o governo s\u00edrio nem os rebeldes pretendem libertar os trabalhadores da domina\u00e7\u00e3o do capital; ambos est\u00e3o muito distantes de adotar qualquer perspectiva positiva para a classe trabalhadora. Por isso devem ser combatidos e rejeitados pelos oper\u00e1rios revolucion\u00e1rios e pelos intelectuais comprometidos com a classe revolucion\u00e1ria. A tarefa de liberta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora inexiste em ambos os lados desse conflito, assim como a inten\u00e7\u00e3o de conduzir a humanidade para a sua plena realiza\u00e7\u00e3o inexiste nos grupos internacionais majoritariamente envolvidos no conflito. Por isso o caminho da guerra deve ser execrado pelos trabalhadores de todo o mundo, porque ela n\u00e3o passa de uma v\u00e1lvula de escape para os problemas estruturais que afetam todo o sistema metab\u00f3lico constitu\u00eddo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Manifesta\u00e7\u00f5es, Black Blocs e m\u00e9todo de luta dos trabalhadores PT: \u00a0antes era contra as privatiza\u00e7\u00f5es, agora privatiza o petr\u00f3leo<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2637,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2636"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2636"}],"version-history":[{"count":31,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2636\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6507,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2636\/revisions\/6507"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2637"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}