{"id":264,"date":"2010-11-17T22:08:58","date_gmt":"2010-11-18T00:08:58","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/264"},"modified":"2018-05-05T17:23:35","modified_gmt":"2018-05-05T20:23:35","slug":"a-luta-de-classes-na-franca-e-as-tarefas-colocadas-para-a-classe-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/11\/a-luta-de-classes-na-franca-e-as-tarefas-colocadas-para-a-classe-trabalhadora\/","title":{"rendered":"A luta de classes na Fran\u00e7a e as tarefas colocadas para a classe trabalhadora"},"content":{"rendered":"<p>\n\tAtualmente a Fran&ccedil;a assume novo protagonismo no cen&aacute;rio mundial, como pa&iacute;s onde novamente a classe oper&aacute;ria ressurge e luta contra os ataques capitalistas, dando exemplo de luta e das dimens&otilde;es das tarefas que os lutadores e lutadoras do mundo ter&atilde;o que cumprir.<\/p>\n<p>\n\tDesde o an&uacute;ncio de Sarkozy acerca do plano de austeridade &#8211; plano este que aumenta a idade m&iacute;nima para a aposentadoria de 60 para 62 anos; os anos de contribui&ccedil;&atilde;o para receber a aposentadoria integral sobem de 40,5 para 41 em 2012, e para 41,3 em 2013; e ainda a idade para receber aposentadoria integral passa de 65 para 67 anos -, trabalhadores e estudantes sa&iacute;ram &agrave;s ruas para barrar este ataque aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras da Fran&ccedil;a.<\/p>\n<p>\n\tEscolas, universidades, refinarias foram ocupadas por trabalhadores e estudantes nas &uacute;ltimas semanas. Carros e &ocirc;nibus foram queimados e as ruas de Paris, por vezes, apareceram para o mundo como verdadeiros campos de batalha &#8211; o que deixou estarrecida uma parte da burguesia que ainda n&atilde;o esqueceu os idos de 2005 e 2006, quando a juventude francesa lutou contra a repress&atilde;o racista e xenof&oacute;bica da pol&iacute;cia francesa e no ano seguinte contra o Contrato do Primeiro Emprego (Contrat Premi&egrave;re Embauche &#8211; CPE).<\/p>\n<p>\n\tO plano de austeridade &#8211; plano de conten&ccedil;&atilde;o de gastos dos Estados &#8211; anunciado e aprovado pelo senado franc&ecirc;s no dia 22\/10, n&atilde;o aparece no cen&aacute;rio europeu como especificidade francesa, mas antes como parte do processo de recupera&ccedil;&atilde;o de danos e reposi&ccedil;&atilde;o de recursos dos Estados europeus, recursos que no auge da crise econ&ocirc;mica iniciada em 2008 foram despendidos aos bilh&otilde;es para salvar bancos e empresas da fal&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>\n\tAgora os capitalistas, por meio dos Estados nacionais, mandam a conta da farra para os trabalhadores pagarem. A conten&ccedil;&atilde;o de gastos p&uacute;blicos por meio de reformas na previd&ecirc;ncia, redu&ccedil;&atilde;o de investimentos sociais, aumentos na carga tribut&aacute;ria, redu&ccedil;&atilde;o de postos de trabalho e sal&aacute;rio, entre outras, tem sido fato comum &agrave; maior parte dos Estados, que comp&otilde;em ou n&atilde;o a zona do euro, com impacto redobrado sobre os elos mais fr&aacute;geis da Europa Ocidental.<\/p>\n<p>\n\tNo in&iacute;cio de junho, a Alemanha anunciou o seu plano de austeridade, com cortes de investimentos sociais, direitos trabalhistas e aumento de impostos. Desde o an&uacute;ncio de Angela Merkel, v&aacute;rios pa&iacute;ses europeus tamb&eacute;m come&ccedil;aram a apresentar seus planos de austeridade para &quot;equilibrar&quot; as contas p&uacute;blicas. Depois da Alemanha, a Gr&eacute;cia anunciou seu pacote de maldades, que tamb&eacute;m teve uma enorme demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a por parte dos trabalhadores gregos, e a seguir, Portugal, Espanha, Gr&atilde;-Bretanha, entre outros, somam-se &agrave; lista de pa&iacute;ses que lan&ccedil;am o saldo da crise sobre os trabalhadores.<\/p>\n<h3>\n\tAs grandes revoltas na Europa e a necessidade da reconstru&ccedil;&atilde;o da alternativa socialista<\/h3>\n<p>\n\tCalcula-se que na Fran&ccedil;a, a cada protesto participavam cerca de 3,5 milh&otilde;es de trabalhadores e estudantes; 70% da popula&ccedil;&atilde;o estava contra o plano de austeridade e a favor dos protestos; e tudo isso intensificado pelo processo crescente de radicaliza&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos de luta de trabalhadores e estudantes, que paralisaram escolas, aeroportos, rodovias, refinarias, etc, deixando o pa&iacute;s quase sem gasolina, e enfrentaram com bravura nas ruas a repress&atilde;o de Sarkozy.<\/p>\n<p>\n\tApesar de o plano ter sido aprovado pelo senado Franc&ecirc;s, trabalhadores e estudantes deram o exemplo de como lutar contra os ataques que t&ecirc;m se espalhado pela Europa e que provavelmente atingir&atilde;o outros pa&iacute;ses como o Brasil &#8211; com a reforma da previd&ecirc;ncia anunciada na campanha de Dilma &#8211; e a maioria dos Estados que gastaram seus recursos no resgate de bancos e empresas durante a crise.<\/p>\n<p>\n\tFica claro que hoje emerge novamente a necessidade da reconstru&ccedil;&atilde;o da alternativa socialista em todo o mundo, pois mesmo com intensas lutas como as da Gr&eacute;cia e Fran&ccedil;a, n&atilde;o poderemos sair plenamente vitoriosos enquanto persistir a falta de uma resposta ofensiva e n&atilde;o apenas defensiva da classe trabalhadora, que recoloque no panorama atual o socialismo como &uacute;nico projeto de supera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas da crise econ&ocirc;mica, mas da crise societal contempor&acirc;nea. E para que isso ocorra, faz-se necess&aacute;rio a reconstru&ccedil;&atilde;o e o esfor&ccedil;o de unidade da esquerda revolucion&aacute;ria, e o rompimento com pol&iacute;ticas reformistas &#8211; como as da CGT na Fran&ccedil;a -, para dar novos rumos &agrave;s revoltas trabalhistas e fazer ressurgir como alternativa real e &uacute;nica vi&aacute;vel o socialismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n\tAtualmente a Fran&ccedil;a assume novo protagonismo no cen&aacute;rio mundial, como pa&iacute;s onde novamente a classe oper&aacute;ria ressurge e luta contra os ataques capitalistas, dando exemplo de luta e das dimens&otilde;es das tarefas que os lutadores e lutadoras do mundo ter&atilde;o que cumprir.<\/p>\n<p>\n\tDesde o an&uacute;ncio de Sarkozy acerca do plano de austeridade &#8211; plano este que aumenta a idade m&iacute;nima para a aposentadoria de 60 para 62 anos; os anos de contribui&ccedil;&atilde;o para receber a aposentadoria integral sobem de 40,5 para 41 em 2012, e para 41,3 em 2013; e ainda a idade para receber aposentadoria integral passa de 65 para 67 anos -, trabalhadores e estudantes sa&iacute;ram &agrave;s ruas para barrar este ataque aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras da Fran&ccedil;a.<\/p>\n<p>\n\tEscolas, universidades, refinarias foram ocupadas por trabalhadores e estudantes nas &uacute;ltimas semanas. Carros e &ocirc;nibus foram queimados e as ruas de Paris, por vezes, apareceram para o mundo como verdadeiros campos de batalha &#8211; o que deixou estarrecida uma parte da burguesia que ainda n&atilde;o esqueceu os idos de 2005 e 2006, quando a juventude francesa lutou contra a repress&atilde;o racista e xenof&oacute;bica da pol&iacute;cia francesa e no ano seguinte contra o Contrato do Primeiro Emprego (Contrat Premi&egrave;re Embauche &#8211; CPE).<\/p>\n<p>\n\tO plano de austeridade &#8211; plano de conten&ccedil;&atilde;o de gastos dos Estados &#8211; anunciado e aprovado pelo senado franc&ecirc;s no dia 22\/10, n&atilde;o aparece no cen&aacute;rio europeu como especificidade francesa, mas antes como parte do processo de recupera&ccedil;&atilde;o de danos e reposi&ccedil;&atilde;o de recursos dos Estados europeus, recursos que no auge da crise econ&ocirc;mica iniciada em 2008 foram despendidos aos bilh&otilde;es para salvar bancos e empresas da fal&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>\n\tAgora os capitalistas, por meio dos Estados nacionais, mandam a conta da farra para os trabalhadores pagarem. A conten&ccedil;&atilde;o de gastos p&uacute;blicos por meio de reformas na previd&ecirc;ncia, redu&ccedil;&atilde;o de investimentos sociais, aumentos na carga tribut&aacute;ria, redu&ccedil;&atilde;o de postos de trabalho e sal&aacute;rio, entre outras, tem sido fato comum &agrave; maior parte dos Estados, que comp&otilde;em ou n&atilde;o a zona do euro, com impacto redobrado sobre os elos mais fr&aacute;geis da Europa Ocidental.<\/p>\n<p>\n\tNo in&iacute;cio de junho, a Alemanha anunciou o seu plano de austeridade, com cortes de investimentos sociais, direitos trabalhistas e aumento de impostos. Desde o an&uacute;ncio de Angela Merkel, v&aacute;rios pa&iacute;ses europeus tamb&eacute;m come&ccedil;aram a apresentar seus planos de austeridade para &quot;equilibrar&quot; as contas p&uacute;blicas. Depois da Alemanha, a Gr&eacute;cia anunciou seu pacote de maldades, que tamb&eacute;m teve uma enorme demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a por parte dos trabalhadores gregos, e a seguir, Portugal, Espanha, Gr&atilde;-Bretanha, entre outros, somam-se &agrave; lista de pa&iacute;ses que lan&ccedil;am o saldo da crise sobre os trabalhadores.<\/p>\n<h3>\n\tAs grandes revoltas na Europa e a necessidade da reconstru&ccedil;&atilde;o da alternativa socialista<\/h3>\n<p>\n\tCalcula-se que na Fran&ccedil;a, a cada protesto participavam cerca de 3,5 milh&otilde;es de trabalhadores e estudantes; 70% da popula&ccedil;&atilde;o estava contra o plano de austeridade e a favor dos protestos; e tudo isso intensificado pelo processo crescente de radicaliza&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos de luta de trabalhadores e estudantes, que paralisaram escolas, aeroportos, rodovias, refinarias, etc, deixando o pa&iacute;s quase sem gasolina, e enfrentaram com bravura nas ruas a repress&atilde;o de Sarkozy.<\/p>\n<p>\n\tApesar de o plano ter sido aprovado pelo senado Franc&ecirc;s, trabalhadores e estudantes deram o exemplo de como lutar contra os ataques que t&ecirc;m se espalhado pela Europa e que provavelmente atingir&atilde;o outros pa&iacute;ses como o Brasil &#8211; com a reforma da previd&ecirc;ncia anunciada na campanha de Dilma &#8211; e a maioria dos Estados que gastaram seus recursos no resgate de bancos e empresas durante a crise.<\/p>\n<p>\n\tFica claro que hoje emerge novamente a necessidade da reconstru&ccedil;&atilde;o da alternativa socialista em todo o mundo, pois mesmo com intensas lutas como as da Gr&eacute;cia e Fran&ccedil;a, n&atilde;o poderemos sair plenamente vitoriosos enquanto persistir a falta de uma resposta ofensiva e n&atilde;o apenas defensiva da classe trabalhadora, que recoloque no panorama atual o socialismo como &uacute;nico projeto de supera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas da crise econ&ocirc;mica, mas da crise societal contempor&acirc;nea. E para que isso ocorra, faz-se necess&aacute;rio a reconstru&ccedil;&atilde;o e o esfor&ccedil;o de unidade da esquerda revolucion&aacute;ria, e o rompimento com pol&iacute;ticas reformistas &#8211; como as da CGT na Fran&ccedil;a -, para dar novos rumos &agrave;s revoltas trabalhistas e fazer ressurgir como alternativa real e &uacute;nica vi&aacute;vel o socialismo.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/264"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=264"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/264\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6181,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/264\/revisions\/6181"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}