{"id":271,"date":"2011-04-24T17:17:38","date_gmt":"2011-04-24T20:17:38","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/271"},"modified":"2018-06-01T15:58:29","modified_gmt":"2018-06-01T18:58:29","slug":"jornal-38-agostosetembro-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2011\/04\/jornal-38-agostosetembro-de-2010\/","title":{"rendered":"Jornal 38: Agosto\/Setembro de 2010"},"content":{"rendered":"<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=271#titulo1\">As elei\u00e7\u00f5es e a alternativa socialista<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=271#titulo2\">Sobre as posi\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=271#titulo3\">Banc\u00e1rios: contra a crise e contra os interesses eleitorais<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=271#titulo4\">A privatiza\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico a partir da ado\u00e7\u00e3o de programas de educa\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=271#titulo5\">Saramago: quando o tempo carece de mais tempo<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h1>As elei\u00e7\u00f5es e a alternativa socialista<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>O car\u00e1ter da democracia burguesa\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o o momento por excel\u00eancia em que a burguesia tenta fazer com que os seus interesses de classe sejam vistos como interesses do \u201cconjunto da sociedade\u201d, mesmo que na verdade sejam contr\u00e1rios aos dos trabalhadores. Atrav\u00e9s da \u201cfesta da democracia\u201d, a burguesia consegue legitimar perante os trabalhadores o nome dos gerentes de plant\u00e3o que durante determinado mandato v\u00e3o aplicar o programa de interesse do capital. Se todos t\u00eam o mesmo direito de voto, ricos e pobres, todos devem respeitar a op\u00e7\u00e3o da maioria em favor de um candidato, que assim adquire a condi\u00e7\u00e3o de governar \u201cem nome de todos\u201d. Perpetuam-se as institui\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas, o executivo, o legislativo, o judici\u00e1rio, as for\u00e7as armadas, os aparelhos ideol\u00f3gicos (escola, igreja, m\u00eddia, etc.), etc., cuja fun\u00e7\u00e3o essencial \u00e9 defender a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, que torna os trabalhadores cada vez mais pobres e a burguesia cada vez mais rica.<\/p>\n<p>No interior mesmo da democracia burguesa, quando os trabalhadores tentam defender suas reivindica\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de seus pr\u00f3prios m\u00e9todos, como as greves, ocupa\u00e7\u00f5es de terras, manifesta\u00e7\u00f5es de rua, atos p\u00fablicos, assembl\u00e9ias, debates, atividades culturais, etc., a burguesia usa de recursos \u201clegais\u201d para perseguir aqueles que se mobilizam, prendendo, demitindo, punindo, censurando, etc.; e tamb\u00e9m de m\u00e9todos ilegais para reprimir as lutas dos trabalhadores, pois os seus servi\u00e7ais, dentro e fora do Estado, podem impunemente matar, torturar, agredir, assediar, difamar os que se mobilizam, contando com a complac\u00eancia da \u201cjusti\u00e7a\u201d. Ou seja, a democracia burguesa \u00e9 uma ditadura de classe, pois apenas os interesses da classe dominante podem se manifestar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>A pol\u00edtica da rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica<\/strong><\/h2>\n<p>Al\u00e9m disso, quando as mobiliza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores adquirem tamb\u00e9m express\u00e3o eleitoral, atrav\u00e9s de partidos que conquistam espa\u00e7o no parlamento e no Executivo, mesmo com programas limitados e reformistas, mas que ameacem minimamente a lucratividade do capital, a burguesia n\u00e3o hesita em derrubar esses governos via golpes de Estado e instalar uma ditadura sem disfarce para impor de forma nua e crua os seus interesses. A burguesia n\u00e3o tem o menor respeito pela democracia burguesa, ela apenas a utiliza para melhor iludir e reprimir os trabalhadores.<\/p>\n<p>Desde as \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, em vez dos golpes de Estado e das ditaduras sem disfarce, a classe dominante tem preferido governar atrav\u00e9s da democracia burguesa. A ditadura sem disfarce como forma de domina\u00e7\u00e3o pode funcionar num primeiro momento para esmagar a resist\u00eancia, mas tem o inconveniente de atrair contra si a oposi\u00e7\u00e3o geral, pois torna mais f\u00e1cil para os trabalhadores identificar o inimigo. A ditadura atrav\u00e9s da democracia burguesa, ao contr\u00e1rio, conta com o respaldo geral, pois mesmo os trabalhadores, na aus\u00eancia de uma alternativa classista e socialista constru\u00edda nas lutas, tendem a enxergar em pol\u00edticos oportunistas, burocr\u00e1ticos e reformistas o canal para suas reivindica\u00e7\u00f5es e para a melhoria de vida; e se tais elementos n\u00e3o s\u00e3o identificados como inimigos de classe, torna-se muito mais dif\u00edcil organizar a luta.<\/p>\n<p>Se a burguesia n\u00e3o tem princ\u00edpios ao romper com a suas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es quando lhe conv\u00e9m, os trabalhadores tamb\u00e9m n\u00e3o podem ter ilus\u00f5es de que as conquistas no interior da democracia burguesa possam se manter por si pr\u00f3prias. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o se deve defender e lutar para ampliar os direitos conquistados no interior do \u201cEstado democr\u00e1tico de direito\u201d, como o direito de voto, de associa\u00e7\u00e3o, de recorrer \u00e0 justi\u00e7a, liberdade de express\u00e3o, etc., mas que se deve ter consci\u00eancia de que esses direitos s\u00e3o sempre prec\u00e1rios, podem ser desrespeitados ou revogados pela burguesia a qualquer momento, e somente a auto-organiza\u00e7\u00e3o e a luta consciente da classe por um projeto socialista podem de fato estabelecer uma gest\u00e3o democr\u00e1tica da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>A crise estrutural e a alternativa socialista<\/strong><\/h2>\n<p>As \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX marcaram tamb\u00e9m a emerg\u00eancia da crise estrutural do capital. Trata-se de um per\u00edodo em que as formas hist\u00f3ricas usadas para conter a queda da taxa de lucro n\u00e3o mais funcionam. A burguesia precisa aprofundar cada vez mais os n\u00edveis de barb\u00e1rie social para manter a acumula\u00e7\u00e3o do capital. Isso se verifica no aumento explosivo do desemprego, da devasta\u00e7\u00e3o ambiental, das guerras, das pol\u00edticas anti-sociais de retirada de direitos dos trabalhadores e desmonte dos servi\u00e7os p\u00fablicos, do endividamento, da especula\u00e7\u00e3o, etc. Nesse per\u00edodo hist\u00f3rico em particular torna-se ainda mais importante a consci\u00eancia de que a manuten\u00e7\u00e3o das conquistas dos trabalhadores s\u00f3 poder\u00e1 ser bem-sucedida se a luta defensiva encontrar formas de se converter em uma ofensiva pela destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo e constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n<p>A vig\u00eancia da crise estrutural n\u00e3o aboliu o car\u00e1ter c\u00edclico do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, ou seja, o fato de que este modo de produ\u00e7\u00e3o alterna per\u00edodos de crescimento econ\u00f4mico e per\u00edodos de crise. Os per\u00edodos de crescimento s\u00e3o mais limitados, beneficiando setores mais restritos da burguesia e gerando uma quantidade menor de lucro, que se realiza sob formas mais artificiais e especulativas. E os per\u00edodos de crise s\u00e3o mais agudos, afetando um n\u00famero maior de pa\u00edses e popula\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m mais dif\u00edceis de administrar.<\/p>\n<p>A atual crise econ\u00f4mica, que se iniciou com a crise financeira de 2008, exp\u00f4s de forma ainda mais dram\u00e1tica os problemas do capitalismo, manifestando-se como uma verdadeira crise societal, pois al\u00e9m do seu impacto econ\u00f4mico, um dos mais graves j\u00e1 sofridos pelo sistema, trouxe consigo as evid\u00eancias da destrui\u00e7\u00e3o ambiental, do comprometimento da matriz energ\u00e9tica, da fome que afeta quase um bilh\u00e3o de pessoas, de crescentes dificuldades para os projetos militares e pol\u00edticos do imperialismo, de diversos n\u00edveis de barb\u00e1rie social e cultural, em escala global.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>O Brasil na crise e os planos da burguesia<\/strong><\/h2>\n<p>A crise econ\u00f4mica e societal global continua se desenvolvendo. Ao longo de 2009 os governantes burgueses usaram trilh\u00f5es de d\u00f3lares para salvar os investimentos dos capitalistas e evitar momentaneamente o colapso do sistema. S\u00e3o os mesmos trilh\u00f5es de d\u00f3lares que n\u00e3o existem quando se trata de aplacar a mis\u00e9ria de bilh\u00f5es de trabalhadores do mundo inteiro, que s\u00e3o condenados a viver no desemprego, no subemprego e na superexplora\u00e7\u00e3o, recebendo sal\u00e1rios de fome que n\u00e3o lhes permitem adquirir para si e suas fam\u00edlias alimento, moradia, vestu\u00e1rio, etc.<\/p>\n<p>Essa monstruosa hipocrisia ganhou um novo cap\u00edtulo em 2010, pois os governos que se endividaram para salvar a burguesia da crise agora precisam cortar gastos para evitar o colapso financeiro do Estado. Isso significa aumentar impostos e cortar investimentos em servi\u00e7os p\u00fablicos, rebaixando sal\u00e1rios dos servidores e precarizando os servi\u00e7os, o que por sua vez resulta em retirar do conjunto da classe condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de saneamento, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, lazer, cultura, etc.<\/p>\n<p>Apesar de os trabalhadores europeus estarem sendo mais atingidos neste momento, o Brasil n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o a esse cen\u00e1rio. Tamb\u00e9m no Brasil est\u00e1 se usando o Estado para\u00a0 salvar os neg\u00f3cios da burguesia, atrav\u00e9s de pacotes de ajuda de centenas de bilh\u00f5es de reais. Tamb\u00e9m no Brasil a burguesia est\u00e1 cortando sal\u00e1rios, retirando direitos e precarizando condi\u00e7\u00f5es de trabalho, com a colabora\u00e7\u00e3o do movimento sindical governista e burocratizado. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o arrocho sobre os servidores, o desmonte dos servi\u00e7os p\u00fablicos, a redu\u00e7\u00f5es das aposentadorias, medidas que jogam o custo da crise sobre o conjunto dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Um programa socialista dos trabalhadores para ser apresentado nas elei\u00e7\u00f5es, mas para ser realizado atrav\u00e9s da luta direta dos trabalhadores!<\/strong><\/h2>\n<p>&#8211; Reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais e defesa dos direitos e condi\u00e7\u00f5es de trabalho! Carteira assinada e direitos trabalhistas para todos! Fim da terceiriza\u00e7\u00e3o, da informalidade e da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho! Sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE como piso para todas as categorias! Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios! Estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores, e sem indeniza\u00e7\u00e3o, de todas as empresas que demitirem, se transferirem ou amea\u00e7arem fechar!<\/p>\n<p>&#8211; Cotas proporcionais para negros e negras em todos os empregos gerados e em todos os setores da sociedade!<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas, interna e externa, e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer!<\/p>\n<p>&#8211; Reestatiza\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>Vale<\/em>,\u00a0<em>Embraer<\/em>\u00a0e demais empresas privatizadas, sem indeniza\u00e7\u00e3o e sob controle dos trabalhadores! Que a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal seja feita por uma Petrobr\u00e1s 100% estatal e sob controle dos trabalhadores! Estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores! Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/p>\n<p>&#8211; Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores! Expropria\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio e do agro-neg\u00f3cio sob controle dos trabalhadores! Rumo ao fim da propriedade privada! Por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/p>\n<p>&#8211; Expropriar os im\u00f3veis usados para lucro da burguesia e coloc\u00e1-los \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores! Um grande plano de moradias populares! Fim do financiamento p\u00fablico para condom\u00ednios de luxo e utiliza\u00e7\u00e3o dessa verba em moradias populares! Indeniza\u00e7\u00e3o p\u00fablica, isen\u00e7\u00e3o de impostos e moradia para todas as v\u00edtimas de enchentes e deslizamentos! Por um plano de obras p\u00fablicas que priorize o saneamento e a despolui\u00e7\u00e3o de rios e lagos! Investimento em transporte p\u00fablico de qualidade que priorize o modelo de transporte coletivo!<\/p>\n<p>A luta pelo programa que expusemos e a constru\u00e7\u00e3o dos organismos prolet\u00e1rios adequados a essa tarefa necessariamente se chocam com a estrutura do Estado burgu\u00eas e exigem a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de poder pol\u00edtico e social da classe trabalhadora. A classe trabalhadora precisa criar seus pr\u00f3prios organismos de luta, que sejam os embri\u00f5es de novos mecanismos de administra\u00e7\u00e3o, capazes de reorganizar a produ\u00e7\u00e3o social em bases racionais, tendo em vista o atendimento das necessidades humanas e a cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais emancipadas. Esses organismos devem ter como princ\u00edpios a independ\u00eancia de classe, a democracia oper\u00e1ria, a participa\u00e7\u00e3o da base, a luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o e a disputa ideol\u00f3gica, e ter como tarefa impulsionar um processo de ruptura revolucion\u00e1ria com a sociedade capitalista, contra ela e pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n<p>Por um governo socialista dos trabalhadores, baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta! Por uma sociedade socialista!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Intervir nas elei\u00e7\u00f5es para desenvolver a luta e a consci\u00eancia socialista<\/h2>\n<p>Mesmo com todos os problemas da democracia burguesa existentes no Brasil, mesmo com o descr\u00e9dito, fruto da corrup\u00e7\u00e3o, das mentiras, das trai\u00e7\u00f5es feitas ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, os trabalhadores ir\u00e3o comparecer \u00e0s urnas. N\u00e3o o far\u00e3o por confian\u00e7a nos pol\u00edticos e sim porque neste momento n\u00e3o v\u00eaem outra alternativa de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social em condi\u00e7\u00f5es de substituir o regime existente.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto, n\u00e3o apenas da aliena\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e ideol\u00f3gica a que os trabalhadores est\u00e3o submetidos, mas tamb\u00e9m resultado de uma profunda crise de alternativa socialista e at\u00e9 mesmo crise da consci\u00eancia de classe, pois as bandeiras de transforma\u00e7\u00e3o social foram jogadas no ch\u00e3o e pisadas pelas organiza\u00e7\u00f5es que se adaptaram e se incorporam ao regime pol\u00edtico e \u00e0 l\u00f3gica capitalista, como o PT, o PC do B, a CUT, a UNE.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a realidade vai demonstrando cada vez mais que essa democracia \u00e9 extremamente limitada e que na maior parte dos casos serve aos patr\u00f5es, contra os trabalhadores, que visa manter a domina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o, apesar de sua apar\u00eancia e discurso de liberdade. A democracia burguesa continua sendo uma ditadura do capital e vai assumindo uma postura cada vez mais autorit\u00e1ria para com os movimentos sociais e os ativistas.<\/p>\n<p>Assim,\u00a0 \u00e9 tarefa importante para as organiza\u00e7\u00f5es socialistas e revolucion\u00e1rias intervir no debate eleitoral, mas com uma finalidade totalmente diferente da pol\u00edtica burguesa. Trata-se justamente de aproveitar esse momento para realizar uma cr\u00edtica radical dos v\u00e1rios mecanismos de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o presentes nessa pseudodemocracia do capitalismo, e defender que a \u00fanica possibilidade de resolu\u00e7\u00e3o dos problemas que atingem os trabalhadores e a sociedade \u00e9 o desenvolvimento das lutas diretas (greves, ocupa\u00e7\u00f5es, etc) em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ruptura com a l\u00f3gica do capital e sua ordem de domina\u00e7\u00e3o, no sentido da constru\u00e7\u00e3o de uma outra l\u00f3gica, a servi\u00e7o dos trabalhadores, da preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>Defendemos um regime pol\u00edtico dos trabalhadores!<\/strong><\/h2>\n<p>Defendemos um outro regime pol\u00edtico e econ\u00f4mico, uma democracia dos trabalhadores, em que os mandatos sejam revog\u00e1veis a qualquer momento caso os eleitos votem medidas que contrariem as promessas feitas ou os interesses dos trabalhadores. Nenhum ocupante de cargo p\u00fablico deve receber mais do que o sal\u00e1rio m\u00e9dio de um trabalhador especializado. Al\u00e9m disso, n\u00e3o devem receber nenhuma gratifica\u00e7\u00e3o al\u00e9m da ajuda de custo necess\u00e1ria para se deslocar e se alimentar. Defendemos a proibi\u00e7\u00e3o da reelei\u00e7\u00e3o para os cargos executivos, e a limita\u00e7\u00e3o a uma reelei\u00e7\u00e3o para os cargos legislativos. As doa\u00e7\u00f5es de empresas nas campanhas ou de empres\u00e1rios individuais devem ser proibidas, implantando-se o financiamento p\u00fablico de campanha com o mesmo valor e o mesmo tempo dos recursos de m\u00eddia para os candidatos. Os corruptos e corruptores devem ser presos e seus bens confiscados pelo estado, n\u00e3o podendo mais se candidatar.<\/p>\n<p>Enfim, defendemos uma democracia dos trabalhadores em que esse sistema pol\u00edtico seja sustentado e expresse o controle dos trabalhadores sobre todas as atividades econ\u00f4micas e sociais como as f\u00e1bricas, bancos e escolas, de modo a propiciar a produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da riqueza social de acordo com as necessidades dos trabalhadores e em sintonia com o meio-ambiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>Sem romper com a l\u00f3gica do lucro n\u00e3o haver\u00e1 futuro para os trabalhadores, os jovens e o ambiente!<\/strong><\/h2>\n<p>Durante e ap\u00f3s o primeiro pico da crise mundial que atingiu o Brasil \u2013 final de 2008 e in\u00edcio de 2009 \u2013, os patr\u00f5es se aproveitaram para aumentar violentamente a taxa de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, com demiss\u00f5es e a imposi\u00e7\u00e3o de maior carga de trabalho sobre os que permaneciam\u00a0 empregados. Ao mesmo tempo, o governo Lula e os governos estaduais reduziam os impostos de setores estrat\u00e9gicos e davam r\u00e9dea solta ao cr\u00e9dito, e o estado assegurou a estabilidade do setor financeiro, mantendo religiosamente o pagamento dos juros da D\u00edvida P\u00fablica Externa e Interna.<\/p>\n<p>Essa D\u00edvida est\u00e1 hoje em R$ 1,61 trilh\u00e3o, comprometendo cerca de 35%\u00a0 de todo o or\u00e7amento da Uni\u00e3o. S\u00f3 em 2009, o governo federal, estados e munic\u00edpios gastaram cerca de R$ 360 bilh\u00f5es no pagamento dos juros de suas D\u00edvidas, dinheiro extra\u00eddo dos trabalhadores e enviado para a burguesia.<\/p>\n<p>Junto a isso, houve a libera\u00e7\u00e3o quase total ao agroneg\u00f3cio para queimar, desmatar e ocupar \u00e1reas de reserva ambiental, sem falar nos preju\u00edzos causados pelas monoculturas de soja e cana ao solo e aos ecossistemas.<\/p>\n<p>O aumento brutal da explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores e o meio-ambiente, combinado com todos os mecanismos de incentivo ao consumo por parte do estado \u2013 principalmente o cr\u00e9dito \u2013 p\u00f4de conter a recess\u00e3o e fazer com que a economia voltasse a crescer.<\/p>\n<p>Mas embora os trabalhadores demitidos durante o primeiro impacto da crise tenham sido recontratados, isso ocorreu de forma precarizada e com sal\u00e1rios menores.<\/p>\n<p>\u00c9 isso tudo que est\u00e1 por tr\u00e1s do crescimento econ\u00f4mico capitalista. S\u00f3 os empres\u00e1rios ganham realmente. O aumento gigantesco do cr\u00e9dito encobriu a queda do poder de compra real dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as medidas tomadas pelos governos e pela burguesia preparam a eclos\u00e3o de uma crise muito pior em um prazo n\u00e3o muito distante. Isso \u00e9 o que acontecer\u00e1 quando a capacidade de endividamento dos trabalhadores brasileiros e das fam\u00edlias da classe m\u00e9dia \u2013 que est\u00e1 bem distante do padr\u00e3o estadunidense ou europeu \u2013 chegar ao limite como ocorreu naqueles\u00a0 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Nenhuma das tr\u00eas candidaturas chamadas \u201cvi\u00e1veis\u201d querem e podem dizer essas verdades aos trabalhadores, pois todas t\u00eam o acordo maior em manter o pa\u00eds submetido \u00e0 l\u00f3gica do capital, para a manuten\u00e7\u00e3o de seus privil\u00e9gios e da burguesia que representam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>Uma disputa para ver quem vai administrar o mesmo projeto a servi\u00e7o do capital<\/strong><\/h2>\n<p>O bloco PSDB\/DEM representa os interesses diretos dos bancos e do agroneg\u00f3cio. Em princ\u00edpio, seria o melhor dos mundos para a burguesia, pois \u00e9 um projeto de enfrentamento direto \u00e0 classe trabalhadora, com uma pol\u00edtica de estado voltada totalmente para os cortes na m\u00e1quina de estado (leia-se servi\u00e7os p\u00fablicos), altas taxas de juros e direcionamento da maior parte poss\u00edvel do dinheiro p\u00fablico para obras e programas de interesse do capital. O problema \u00e9 que muitas vezes uma pol\u00edtica de enfrentamentos diretos com os trabalhadores pode levar ao estouro de um ascenso, como ocorreu no in\u00edcio dessa d\u00e9cada em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, e isso a burguesia e o imperialismo n\u00e3o querem.<\/p>\n<p>J\u00e1 o PT, tamb\u00e9m visa atender ao grande capital de forma geral, arbitrando as v\u00e1rias fra\u00e7\u00f5es da burguesia e tentando contemplar o funcionamento do sistema como um todo, mas de modo a preservar uma parte dos ganhos para a burocracia de estado, sindical e pol\u00edtica. Da\u00ed seu interesse em um certo peso do estado na economia, e das negociatas com as dire\u00e7\u00f5es sindicais corrompidas para a aplica\u00e7\u00e3o de medidas contra os trabalhadores com a mesma ou maior efic\u00e1cia do que o bloco PSDB\/DEM.<\/p>\n<p>A candidatura de Marina Silva tenta se apegar ao mote da preserva\u00e7\u00e3o ambiental. No entanto, seu discurso cai no vazio pois participou em quase todo o governo Lula, onde houve a libera\u00e7\u00e3o dos transg\u00eanicos, o aumento vertiginoso da destrui\u00e7\u00e3o das florestas para a planta\u00e7\u00e3o de soja, cana e para a cria\u00e7\u00e3o de gado.<\/p>\n<p>Seu programa mant\u00e9m o respeito pela l\u00f3gica do capital e pela economia de mercado, o que elimina qualquer possibilidade de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, j\u00e1 que o capital, em sua l\u00f3gica de em tudo lucrar o m\u00e1ximo poss\u00edvel, exige a ocupa\u00e7\u00e3o de todos os espa\u00e7os e a explora\u00e7\u00e3o de tudo da forma mais insana e imediatista para suas finalidades.<\/p>\n<p>Tanto Serra, como Dilma e tamb\u00e9m Marina representam o aprofundamento da explora\u00e7\u00e3o sobre os\u00a0 trabalhadores e a entrega de todas as riquezas naturais como meio de valoriza\u00e7\u00e3o do capital. Todos eles, mesmo que com varia\u00e7\u00f5es, manter\u00e3o o mesmo rumo geral, sendo que as diferen\u00e7as girar\u00e3o em torno da forma, dos ritmos e principalmente de qual setor vai usufruir da m\u00e1quina de estado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>A divis\u00e3o da esquerda&#8230; Por qu\u00ea?<\/strong><\/h2>\n<p>O fato de a esquerda socialista atuar no processo eleitoral dividida em tr\u00eas candidaturas (PSOL, PSTU e PCB) \u00e9 realmente muito complicado. Isso dificulta ainda mais que os trabalhadores enxerguem uma alternativa \u00e0 falsa polariza\u00e7\u00e3o colocada nestas elei\u00e7\u00f5es entre Serra, Dilma e Marina.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a culpa \u00e9 sem d\u00favida desses mesmos partidos, que colocaram mais uma vez os interesses de sua constru\u00e7\u00e3o acima dos interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O PSOL insistiu at\u00e9 o \u00faltimo momento em uma frente com o PV, um partido que, a exemplo do PSB, \u00e9 base de sustenta\u00e7\u00e3o do governo Lula em Bras\u00edlia, e em S\u00e3o Paulo \u00e9 base de sustenta\u00e7\u00e3o do PSDB&#8230; Quando essa alian\u00e7a com o PV se tornou imposs\u00edvel, por iniciativa do pr\u00f3prio PV, a\u00ed o PSOL veio propor tardiamente a constitui\u00e7\u00e3o de uma Frente de Esquerda.<\/p>\n<p>O PCB declarou desde o in\u00edcio que teria candidatura pr\u00f3pria, culpando o PSOL pelo rebaixamento do programa nas elei\u00e7\u00f5es de 2006 e pela dispers\u00e3o da Frente de Esquerda de l\u00e1 at\u00e9 aqui. Por\u00e9m, n\u00e3o pensou em propor a Frente nem ao PSTU, nem \u00e0s demais organiza\u00e7\u00f5es da esquerda.<\/p>\n<p>O PSTU por sua vez, se aproveitou da pol\u00edtica do PSOL de se aproximar do PV e da antecipa\u00e7\u00e3o da candidatura pr\u00f3pria do PCB para lan\u00e7ar tamb\u00e9m seu \u201cpr\u00e9-candidato\u201d, Z\u00e9 Maria. Por \u00faltimo, no CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora) realizado em junho deste ano, o PSTU orientou sua milit\u00e2ncia a votar contra a forma\u00e7\u00e3o da Frente de Esquerda, sepultando de vez a possibilidade de candidaturas unit\u00e1rias dos trabalhadores nessas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, o Espa\u00e7o Socialista alertou para esses problemas. Propusemos a constru\u00e7\u00e3o de um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores em que tanto o programa como as candidaturas pudessem ser debatidos e definidos a partir de uma ampla participa\u00e7\u00e3o de base, e n\u00e3o pelas c\u00fapulas dos partidos. Essa unidade pela base e a defini\u00e7\u00e3o de um programa m\u00ednimo seriam fundamentais n\u00e3o apenas nas elei\u00e7\u00f5es mas tamb\u00e9m nas lutas que vir\u00e3o logo ap\u00f3s, quando ser\u00e3o descarregados em nossos ombros mais Reformas, como a da Previd\u00eancia e a Reforma Trabalhista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>O Voto dos trabalhadores deve expressar um car\u00e1ter de Luta e Socialista!<\/strong><\/h2>\n<p>Mesmo com a divis\u00e3o da esquerda nas elei\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso travar a disputa de projeto com a burguesia e seus candidatos, e no momento eleitoral, por mais que n\u00e3o gostemos, essa disputa ter\u00e1 como parte concreta a disputa do voto em alguma das candidaturas de esquerda.<\/p>\n<p>Embora tenhamos diverg\u00eancias de fundo com a concep\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o e o programa do PSTU, ao nosso ver \u00e9 a candidatura que melhor representa uma posi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores contra os patr\u00f5es nessas elei\u00e7\u00f5es. Por isso, o Espa\u00e7o Socialista chama o voto cr\u00edtico nos candidatos do PSTU.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, julgamos importante um debate a fundo dos limites existentes nas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, organizativas e na rela\u00e7\u00e3o que o PSTU estabelece com o movimento e suas entidades, e faremos esse debate nas p\u00e1ginas deste jornal e em outros materiais.<\/p>\n<p>Ao nosso entender, o chamado ao voto nulo neste momento em que h\u00e1 candidaturas socialistas dos trabalhadores s\u00f3 serviria para confundir e nos levaria ao isolamento, dificultando o di\u00e1logo com os trabalhadores e deixando o terreno totalmente livre para os v\u00e1rios candidatos representantes da burguesia atuarem. Nessas elei\u00e7\u00f5es, o voto nulo n\u00e3o aparece dotado de nenhum conte\u00fado de esquerda e muito menos classista, pois h\u00e1 diversos setores sociais e com interesses inclusive opostos que votam nulo. Al\u00e9m disso, com a polariza\u00e7\u00e3o colocada nessas elei\u00e7\u00f5es, o voto nulo tende a ter seu conte\u00fado ainda mais esvaziado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>Por que n\u00e3o o PSOL ou o PCB?<\/strong><\/h2>\n<p>O PSOL tem problemas estruturais em seu programa e concep\u00e7\u00e3o que o colocam em um rumo perigoso, no mesmo caminho do PT, pois al\u00e9m de ter rebaixado seu programa para se tornar mais palat\u00e1vel, nas elei\u00e7\u00f5es passadas o PSOL aceitou doa\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>Gerdau<\/em>\u00a0\u2013 uma grande empresa do ramo sider\u00fargico \u2013, o que expressa um limite fundamental que \u00e9 a perda da independ\u00eancia de classe. Nessas elei\u00e7\u00f5es, por exemplo, ao inv\u00e9s de defender o n\u00e3o pagamento da D\u00edvida P\u00fablica \u2013 bandeira hist\u00f3rica da esquerda\u00a0 \u2013, o PSOL defende apenas uma auditoria da D\u00edvida, permitindo a conclus\u00e3o de que parte dela deva ser paga.<\/p>\n<p>O PCB n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o fez qualquer esfor\u00e7o pela unidade, recusando-se at\u00e9 mesmo a participar do CONCLAT \u2013 que visava construir uma Central de Luta para a classe trabalhadora para fazer frente \u00e0 CUT e \u00e0 For\u00e7a Sindical \u2013, como tamb\u00e9m apresenta mais limita\u00e7\u00f5es em seu programa comparando-se ao PSTU.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=271#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><strong><a name=\"titulo2\"><\/a>Sobre as posi\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias<\/strong><\/h1>\n<p>A nossa concep\u00e7\u00e3o de centralismo democr\u00e1tico sup\u00f5e que o regime interno da organiza\u00e7\u00e3o seja o mais democr\u00e1tico tanto na discuss\u00e3o quanto na pr\u00f3pria continuidade dela uma vez que \u00e9 o pr\u00f3prio desenvolvimento da luta de classes que vai apontar os acertos e erros da pol\u00edtica votada. Tamb\u00e9m h\u00e1 o fato de que entendemos que os debates internos n\u00e3o pertencem s\u00f3 \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, mas ao movimento de conjunto pois refletem as pol\u00eamicas e debates que existem entre os militantes e ativistas.<\/p>\n<p>A nossa op\u00e7\u00e3o de voto cr\u00edtico nos candidatos do PSTU, a qual foi votada por maioria ap\u00f3s debate com toda a organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 a que vamos defender no movimento como posi\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e as demais \u2013minorit\u00e1rias- tem o objetivo de garantir aos companheiros e companheiras que as defenderam o direito de as apresentarem ao movimento possibilitando que o balan\u00e7o da pol\u00edtica votada tenha mais elementos para serem apreciados.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m partilhamos da posi\u00e7\u00e3o de que a publica\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias em nosso jornal \u00e9 uma forma de resgatar as tradi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas do movimento socialista, tais como eram praticadas, por exemplo, pelo partido bolchevique, que, antes do advento do stalinismo, expunha publicamente as diverg\u00eancias como forma de garantir sua express\u00e3o e contribuir para enriquecer o debate entre os trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Nosso voto \u00e9 pela luta<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Daniel Menezes<\/p>\n<p>Os partidos oper\u00e1rios habilitados a lan\u00e7ar candidatos e as organiza\u00e7\u00f5es socialistas revolucion\u00e1rias partem de um pressuposto equivocado quando consideram que as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o o momento mais apropriado para discutir pol\u00edtica com os trabalhadores (em geral se justificam com cita\u00e7\u00f5es do &#8220;Esquerdismo&#8230;&#8221; de L\u00eanin, reproduzindo o mais puro m\u00e9todo da escol\u00e1stica medieval), pois, por mais radical que seja o seu discurso (e h\u00e1 programas eleitorais que s\u00e3o bel\u00edssimas pe\u00e7as liter\u00e1rias de radicalismo socialista), caem exatamente na armadilha da burguesia, que consiste em limitar a pol\u00edtica ao ato de votar.<\/p>\n<p>Se os revolucion\u00e1rios n\u00e3o conseguem disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores para a necessidade de uma ruptura revolucion\u00e1ria com o capitalismo, n\u00e3o ser\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es que v\u00e3o conseguir. \u00c9 como acreditar que se vai conseguir, na \u00faltima rodada do campeonato, tirar uma diferen\u00e7a de vinte gols de saldo em favor da burguesia, no campo do advers\u00e1rio, com suas regras e o juiz pago por ele. Aceitando a falsa disputa desse jogo perdido, tentam encobrir a aus\u00eancia da verdadeira disputa de consci\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 feita durante todo o restante do tempo.<\/p>\n<p>Os revolucion\u00e1rios precisam parar de fazer pol\u00edtica pensando no pr\u00f3prio umbigo, ou seja, parar de disputar a consci\u00eancia dos militantes e ativistas que gravitam em torno das outras organiza\u00e7\u00f5es, no interior do estreito universo da vanguarda, e come\u00e7ar a disputar a consci\u00eancia da maioria da classe, que ali\u00e1s vai votar \u00e9 no PT. A obsess\u00e3o in\u00fatil por uma t\u00e1tica eleitoral \u201cmais correta\u201d, por uma op\u00e7\u00e3o de voto que permita fazer uma campanha de perfil \u201cmais revolucion\u00e1rio\u201d sobre uma diminuta vanguarda, acaba por desviar o foco da verdadeira tarefa fundamental, que \u00e9 a de organizar o conjunto da classe trabalhadora como for\u00e7a social portadora de um projeto socialista oposto ao da burguesia.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 trabalhadores dispostos a votar nulo, \u00e9 um desperd\u00edcio de esfor\u00e7o tentar convenc\u00ea-los a votar em algum partido oper\u00e1rio, e vice-versa, pois estes de alguma forma j\u00e1 percorreram metade do caminho. A partir de qualquer uma das duas posi\u00e7\u00f5es (ou mesmo de ambas, basta um m\u00ednimo de criatividade e coragem), \u00e9 poss\u00edvel dialogar com esses trabalhadores e, mais importante, com o conjunto da classe, para mostrar que, para al\u00e9m do voto, o que transforma a realidade \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o, a consci\u00eancia e a luta. Por isso, n\u00e3o assino o texto da maioria, que busca uma precis\u00e3o sup\u00e9rflua, artificial, d\u00e9bil e divisionista, mas tamb\u00e9m assino o texto dos companheiros que defendem o voto nos partidos oper\u00e1rios e o dos companheiros que defendem o voto nulo, pois concordo com os argumentos de ambos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<h2>Em defesa do voto nulo<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Karen, Tarc\u00edsio, M\u00e1rcio, Tuca<\/p>\n<p>A democracia burguesa j\u00e1 est\u00e1 em vigor no Brasil h\u00e1 mais de vinte anos. De dois em dois anos, acontecem elei\u00e7\u00f5es, seja para os cargos municipais, seja para os cargos estaduais e federais, nas quais todos os brasileiros de determinada idade s\u00e3o obrigados a votar. Os partidos possuem tempo de exposi\u00e7\u00e3o gratuito nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e contam com fortunas para fazer campanha.<\/p>\n<p>Gera\u00e7\u00f5es de brasileiros foram educadas a ver nas elei\u00e7\u00f5es a principal ou \u00fanica forma de melhorar sua vida, votando e fazendo campanha pelos melhores candidatos. Parcelas mais conscientes e mobilizadas da classe trabalhadora chegaram a acreditar que o PT seria capaz de fazer transforma\u00e7\u00f5es profundas na estrutura da sociedade, mesmo que n\u00e3o tivessem consci\u00eancia precisa do que seriam essas transforma\u00e7\u00f5es e de que melhorias verdadeiras s\u00f3 podem vir atrav\u00e9s de uma ruptura revolucion\u00e1ria em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo. Mesmo assim, votavam no PT, e acreditavam, e esperavam&#8230;<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria do PT acabou servindo para ensinar aos trabalhadores que os partidos e tamb\u00e9m os sindicatos servem de trampolim para disputar elei\u00e7\u00f5es, conseguir cargos, arranjar uma \u201cboquinha\u201d. Que o m\u00e1ximo que se pode conseguir \u00e9 uma bolsa-esmola para os pobres aqui, um aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo ali, e admite-se at\u00e9 mesmo que o PT tamb\u00e9m pode roubar desde que \u201cfa\u00e7a\u201d; e est\u00e1 pronto o discurso: nunca antes na hist\u00f3ria deste pa\u00eds a classe trabalhadora esteve t\u00e3o bem!<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o hoje vota no menos pior porque deixou de acreditar na pol\u00edtica, mas podemos construir um novo estado com o avan\u00e7o da consci\u00eancia dos trabalhadores. Se mais de 50% dos votos forem nulos, deixariam de serem eleitos os candidatos atuais e uma nova elei\u00e7\u00e3o precisaria ser chamada. Isso implicaria que os grandes partidos teriam que desmontar seu esquema eleitoral indicar novos candidatos as pressas sem um programa suplementar.<\/p>\n<p>O dever dos revolucion\u00e1rios \u00e9 construir outra narrativa, que desfa\u00e7a essas d\u00e9cadas de confus\u00e3o ideol\u00f3gica e ensine aos trabalhadores que s\u00f3 a luta muda a vida. N\u00e3o se trata de decretar no dia 3 de outubro de 2010 a greve geral insurrecional para derrubar o governo Lula, mas da constru\u00e7\u00e3o de um movimento pol\u00edtico da classe, totalmente independente em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, que realize uma disputa ideol\u00f3gica profunda pelo socialismo.<\/p>\n<p>Os partidos oper\u00e1rios viraram as costas para a tarefa de construir esse movimento, pois nem sequer a unifica\u00e7\u00e3o em uma central sindical ou numa frente eleitoral conseguiram realizar, priorizando a sua autoconstru\u00e7\u00e3o em detrimento da auto-organiza\u00e7\u00e3o e eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia da classe. Tais partidos se negam a romper com o eleitoralismo e construir outra forma de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, em que a classe se ponha como sujeito hist\u00f3rico. Recusam-se tamb\u00e9m a enxergar os cerca de 20 a 30 % de eleitores que a cada elei\u00e7\u00e3o votam branco, nulo ou se abst\u00e9m pelos mais diversos motivos, inclusive por n\u00e3o acreditar mais no sistema, deixando de incorpor\u00e1-los \u00e0 luta.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es na democracia burguesa \u00e9 uma farsa! Hoje os sal\u00e1rios dos pol\u00edticos s\u00e3o alt\u00edssimos e o gasto com a m\u00e1quina (fala burguesa) \u00e9 mais alto que o investimento em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Temos o dever de dizer a verdade aos trabalhadores: S\u00f3 a luta muda a vida! E nas elei\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas o voto classista e socialista s\u00f3 pode ser o voto nulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Por um voto classista<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Thais Menezes<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 2010 se realizar\u00e3o num cen\u00e1rio de quase completo controle pol\u00edtico da burguesia. Todo o debate est\u00e1 sendo feito em torno das principais candidaturas burguesas: Serra e Dilma. O PSDB vai usar a grande imprensa, jornais, revistas e TVs. O PT vai usar os sindicatos e outros movimentos sociais, ONGs, etc. Os partidos burgueses v\u00e3o usar todos os instrumentos \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para dar a essa disputa os contornos de um confronto \u00e9pico, como se diferen\u00e7as fundamentais estivessem em jogo, apresentando inclusive uma terceira alternativa, atrav\u00e9s de Marina, como forma de contemplar aqueles que est\u00e3o descontentes com o PT e o PSDB.<\/p>\n<p>Todas as formas de descontentamento social, como greves e mobiliza\u00e7\u00f5es, foram duramente atacadas, nenhum outro tipo de debate al\u00e9m do relativo \u00e0s candidaturas principais para a burguesia. O fundamental para a classe dominante \u00e9 que n\u00e3o se apresente nenhum outro projeto alternativo.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse momento que se faz necess\u00e1rio mais do que nunca construir um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores, que apresente uma alternativa classista e socialista para disputar a consci\u00eancia da classe, em torno de um projeto de ruptura com o capitalismo e pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo, que passa, al\u00e9m de outras coisas, pela unidade de a\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es e partidos oper\u00e1rios. As principais correntes, que s\u00e3o os partidos oper\u00e1rios, s\u00e3o os principais respons\u00e1veis por n\u00e3o termos a unidade at\u00e9 agora, tanto no CONCLAT quanto numa frente eleitoral.<\/p>\n<p>Apesar de todos os graves v\u00edcios de m\u00e9todo e das s\u00e9rias debilidades program\u00e1ticas destes partidos oper\u00e1rios, entendemos que n\u00e3o se pode deixar o terreno das elei\u00e7\u00f5es inteiramente livre para a burguesia. Durante este momento em que o trabalhador se arrisca a discutir um pouco sobre pol\u00edtica, a den\u00fancia da fal\u00e1cia que \u00e9 a democracia burguesa, o papel de propaganda, toda a luta ideol\u00f3gica contra o modelo burgu\u00eas de sociedade e em favor da constru\u00e7\u00e3o de um projeto prioritariamente classista aos olhos do trabalhador, se v\u00ea extremamente prejudicado pela aus\u00eancia de uma frente eleitoral. Por esta falta, a defesa de um voto nos candidatos dos partidos oper\u00e1rios cumpriria muito mais o papel de um voto claramente classista e unit\u00e1rio, que mostrasse ao trabalhador o fundamental da quest\u00e3o, a luta de classes. Para despertar a consci\u00eancia de classe no trabalhador, n\u00e3o facilita fazer distin\u00e7\u00f5es entre os pr\u00f3prios partidos oper\u00e1rios, PSOL, PSTU e PCB. Al\u00e9m do mais, as virtudes que um possa ter em determinado terreno n\u00e3o compensam os v\u00edcios que o outro possa manifestar em outros campos, de modo que seu conte\u00fado pol\u00edtico se equivale e n\u00e3o constr\u00f3i uma refer\u00eancia classista clara.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, permanece em aberto a tarefa de construir um movimento pol\u00edtico unit\u00e1rio, enraizado na base, atrav\u00e9s de um programa de luta que realize a disputa de consci\u00eancia e apresente o socialismo como alternativa de emancipa\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=271#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo3\"><\/a>Banc\u00e1rios: contra a crise e contra os interesses eleitorais<\/h1>\n<p>Os banc\u00e1rios ter\u00e3o pela frente a campanha salarial das mais duras dos \u00faltimos anos por dois grandes motivos: 1-por se tratar de um ano eleitoral ; 2-in\u00edcio da segunda fase da crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o eleitoral haver\u00e1 uma forte press\u00e3o para que os sindicatos filiados \u00e0 CUT deixem de lado os interesses gerais da categoria para fazer campanha eleitoral para a Dilma do PT. Vimos isso nos congressos dos funcion\u00e1rios da Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF) e\u00a0 do Banco do Brasil, e tudo indica que na Confer\u00eancia Estadual da Federa\u00e7\u00e3o Estadual dos Banc\u00e1rios (FETEC-SP) acontecer\u00e1 a mesma coisa.<\/p>\n<p>Tais congressos servem para organizar a campanha salarial dos banc\u00e1rios de um modo geral. Para os banc\u00e1rios do setor p\u00fablico, as maiores reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o aquelas compreendidas no pacote do \u201cfim da heran\u00e7a maldita\u201d, isto \u00e9 , fim de todo o esp\u00f3lio de ataques do per\u00edodo de FHC, todos mantidos e defendidos pelo governo Lula e seus aliados nas dire\u00e7\u00f5es dos sindicatos filiados \u00e0 CUT, como a reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais causadas pelo 8 anos de congelamento salarial; isonomia entre os funcion\u00e1rios p\u00f3s e pr\u00e9 1998; volta dos interst\u00edcios, etc. para os banc\u00e1rios do setor privado, a urgente discuss\u00e3o da estabilidade, respeito \u00e0 jornada de 6 horas, elei\u00e7\u00e3o de delegados sindicais nas ag\u00eancias,etc.<\/p>\n<p>Embora tais reivindica\u00e7\u00f5es sejam hist\u00f3ricas para os trabalhadores, o que se viu nestes eventos como a principal quest\u00e3o n\u00e3o foram os interesses gerais da categoria, mas a necessidade de se formalizar o que a CUT j\u00e1 faz de forma disfar\u00e7ada: Direcionar as estruturas dos sindicatos para a campanha eleitoral do PT. Todas as quest\u00f5es acima ficaram no segundo plano da discuss\u00e3o, isso quando os dirigentes da CUT n\u00e3o votavam contra os banc\u00e1rios, principalmente quando se tratava de organiza\u00e7\u00e3o do movimento. J\u00e1 para a organiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Estadual, testemunhamos nas assembl\u00e9ias de elei\u00e7\u00e3o dos delegados uma diversidade de materiais de mensagem subliminar de campanha eleitoral para a Dilma. Em S\u00e3o Paulo, o Sindicato confeccionou um grande painel com as\u00a0<em>\u201cmulheres do s\u00e9culo XX\u201d,<\/em>\u00a0em que Dilma aparece ao lado de Rosa Luxembugo, Pagu, dentre outras.<\/p>\n<p>Outro elemento que trar\u00e1 dificuldade para a categoria \u00e9 a conjuntura de uma crise econ\u00f4mica que se desdobra na fase do superendividamento dos Estados, que imp\u00f5e uma pol\u00edtica de \u201causteridade fiscal\u201d, isto \u00e9, pol\u00edtica para que sobre dinheiro para pagamento de juros da d\u00edvida interna e externa (super\u00e1vit prim\u00e1rio). O que significa que os banc\u00e1rios do setor p\u00fablico ter\u00e3o mais dificuldades neste ano para obter vit\u00f3rias. Apesar das elei\u00e7\u00f5es (h\u00e1 um entendimento, quase que pac\u00edfico, de que em ano eleitoral, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as \u00e9 mais favor\u00e1vel para o funcionalismo), pois o governo j\u00e1 deixou claro que far\u00e1 de tudo para \u201chonrar com os compromissos\u201d (com os patr\u00f5es, claro) neste ano de 2010, conforme deixou claro em reuni\u00e3o ministerial no in\u00edcio de maio. Nesta ocasi\u00e3o, Lula determinou que os ministros fossem mais duros com o funcionalismo, que n\u00e3o dessem reajuste salarial e que lan\u00e7assem m\u00e3o de todos os modos poss\u00edveis de repress\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, que v\u00e3o desde descontos dos dias parados, a\u00e7\u00f5es na justi\u00e7a, e at\u00e9 o uso da pol\u00edcia. Neste sentido, tanto os governos do PT quanto do PSDB j\u00e1 deram mostras de que n\u00e3o est\u00e3o blefando. Basta ver como terminou a greve dos professores da rede estadual de ensino de S\u00e3o Paulo e da greve dos serventu\u00e1rios da Justi\u00e7a Federal. Ambas duramente reprimidas e duramente derrotadas pelos seus respectivos patr\u00f5es PT\u00a0 e PSDB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>\u201cA emancipa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ser\u00e1 obra dos pr\u00f3prios trabalhadores\u201d<\/strong><\/h2>\n<p>Embora as dificuldades sejam muitas, elas n\u00e3o s\u00e3o intranspon\u00edveis. E uma vez que \u00e0s dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas da CUT e da CONTEC n\u00e3o interessa a organiza\u00e7\u00e3o da classe, cabe aos pr\u00f3prios banc\u00e1rios direcionar os rumos da campanha salarial para os interesses gerais da categoria. Sabemos que cada banc\u00e1rio tem a sua prefer\u00eancia eleitoral e n\u00e3o \u00e9 a nossa inten\u00e7\u00e3o questionar isso na data-base. Mas nenhum banc\u00e1rio quer ver a sua campanha salarial subordinada \u00e0 campanha eleitoral de qualquer candidato, inclusive, ao de sua prefer\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que a campanha seja unificada, mas que os banc\u00e1rios tenham a liberdade de discutir com o seu patr\u00e3o suas especificidades. O que h\u00e1 hoje \u00e9 o contr\u00e1rio disso, isto \u00e9, mesa unificada e campanhas separadas. Esta t\u00e1tica divide a categoria e impede que os banc\u00e1rios do setor p\u00fablico discutam sua pauta com o governo, pois para a burocracia petista da CUT, n\u00e3o se pode expor o governo com o seu funcionalismo, escondendo-o atr\u00e1s da mesa \u00fanica da FENABAN dos bancos privados, prejudicando a categoria como um todo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=271#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo4\"><\/a>A privatiza\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico a partir da ado\u00e7\u00e3o de programas de educa\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os programas de Educa\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria se iniciam com o sucateamento, de anos, da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica para atender, especialmente, os interesses do empresariado. Estes implicam redu\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos ou mesmo a diminui\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o financeira do Estado no fornecimento de servi\u00e7os sociais (Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Transporte p\u00fablico, Habita\u00e7\u00e3o popular, etc) para que o dinheiro p\u00fablico seja repassado de alguma forma para a iniciativa privada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>A justificativa para a ado\u00e7\u00e3o desses programas \u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>\u00c9 comum nos discursos de intelectuais e governantes a afirma\u00e7\u00e3o de que:<\/p>\n<p>\u201cCrian\u00e7as vindas de fam\u00edlias pobres s\u00e3o, em geral, as que t\u00eam menos \u00eaxito, se avaliadas atrav\u00e9s dos procedimentos convencionais de medida e as mais dif\u00edceis de serem ensinadas atrav\u00e9s de m\u00e9todos tradicionais \u00a0&#8230; mas s\u00e3o, por outro lado, as que mais dependem da escola para obter sua educa\u00e7\u00e3o\u201d. (Connell, 1995)<\/p>\n<p>Essa constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o evidencia as causas de tal situa\u00e7\u00e3o e, portanto, n\u00e3o questiona a l\u00f3gica do capital e seu impacto na vida dos trabalhadores. Muito pelo o contr\u00e1rio, encobre as mazelas geradas por esse sistema excludente.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed usa-se esse discurso para justificar a necessidade de implantar programas de Educa\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>A gradual privatiza\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico<\/strong><\/h2>\n<p>Aqui em S\u00e3o Paulo sofremos diretamente a influ\u00eancia da pol\u00edtica educacional adotada em Nova York.<\/p>\n<p>L\u00e1, atrav\u00e9s da abertura de escolas\u00a0<em>charter \u2013\u00a0<\/em>escolas p\u00fablicas com gest\u00e3o compartilhada com o setor privado \u2013 os programas de educa\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria est\u00e3o sendo implantados.\u00a0Segundo o secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o Joel Klein:<\/p>\n<p><em>\u00a0\u201cAs escolas charter na cidade de Nova York nos ensina o que fazer na Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Elas servem uma porcentagem maior de alunos pobres, negros e hisp\u00e2nicos que \u00e9 a m\u00e9dia das outras escolas de nossa rede\u201d.\u00a0\u00a0<\/em>(in<em>: A Reforma Educacional de Nova York: Possibilidades para o Brasil,\u00a0<\/em>p.98).<\/p>\n<p>Essas escolas possuem certa autonomia ao poder contratar professores n\u00e3o sindicalizados, desenhar seus pr\u00f3prios curr\u00edculos e oferecer uma carga hor\u00e1ria maior.<\/p>\n<p>Os professores nessas escolas assinam um contrato se dispondo a fazer \u201co que for necess\u00e1rio para que o alunoaprenda, o que significa estar dispon\u00edvel \u00e0 noite com o celular ligado para atender alunos e pais\u201d(p.102).<\/p>\n<p>Dessa forma, essa estranha autonomia, sobretudo, para contratar professores n\u00e3o sindicalizados, procura esconder a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente. Com isto, a press\u00e3o, ass\u00e9dio moral, coordenadores pedag\u00f3gicos observando as aulas, controle sobre o trabalho do professor, centraliza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo, passam a fazer parte da rotina.<\/p>\n<p>Os professores s\u00e3o achincalhados, t\u00eam a sua auto-estima atacada, a autonomia retirada, direitos cortados. Al\u00e9m disso, o direito de greve n\u00e3o \u00e9 reconhecido para que aceitem essa atua\u00e7\u00e3o profissional que procura esconder medidas e que refor\u00e7a processos desqualificadores e desprofissionalizantes.<\/p>\n<p>O professor deve se sujeitar a tudo para trabalhar dentro dos princ\u00edpios impostos pela Reforma Educacional de Nova York. O mesmo j\u00e1 estamos assistindo na rede estadual de ensino p\u00fablico do estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">A experi\u00eancia brasileira baseada na reforma educacional de nova york<\/h2>\n<p>No Brasil, o movimento \u201cTodos Pela Educa\u00e7\u00e3o\u201d, que tem a participa\u00e7\u00e3o de grupos empresariais e ONG\u00b4s (Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho, Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa Social, Instituto Airton Senna, Funda\u00e7\u00e3o Bradesco, Grupo Gerdau, etc.), tem rela\u00e7\u00e3o direta com essa proposta educacional.<\/p>\n<p>Juntamente com o empresariado, os governos do PT e do PSDB seguem essa mesma l\u00f3gica de privatiza\u00e7\u00e3o como receita para superar a crise na Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O PROUNI (Programa Universidade para Todos) do governo federal, que oferece vagas para jovens em faculdades ou universidades particulares, vem na esteira da privatiza\u00e7\u00e3o para compensar a falta de investimento no ensino p\u00fablico superior.<\/p>\n<p>O ensino prec\u00e1rio nestas universidades, que recebem os jovens estudantes brasileiros, prioriza uma forma\u00e7\u00e3o limitada pelas determina\u00e7\u00f5es do mercado, destitu\u00edda de cr\u00edtica, de reflex\u00e3o e desenvolve uma aprendizagem pragm\u00e1tica e superficial.<\/p>\n<p>Com a publica\u00e7\u00e3o dos resultados do ENEM, nos quais as escolas privadas se sobressaem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s p\u00fablicas, a candidata do PT \u00e0 Presid\u00eancia, Dilma Rousseff, prometeu criar o PROM\u00c9DIO, um programa para abrir vagas a alunos carentes em escolas privadas. N\u00e3o obstante, a candidata do PT afirmou que dar\u00e1 financiamentos de &#8220;prazos longos e baixos juros&#8221; para os alunos que desejem estudar em escolas privadas.<\/p>\n<p>A rede estadual de ensino do estado de S\u00e3o Paulo j\u00e1 vem se reestruturando, sobretudo, na gest\u00e3o Serra, com base nessa reforma<em>.<\/em>\u00a0No in\u00edcio do ano, o governo fez conv\u00eanio com escolas de idiomas privadas para matricular alunos da rede p\u00fablica estadual.\u00a0A iniciativa disponibiliza cursos gratuitos de ingl\u00eas, espanhol e franc\u00eas em 586 escolas particulares de idiomas conveniadas com o governo do Estado. O investimento \u00e9 de R$ 296 milh\u00f5es e s\u00e3o oferecidas 362.539 vagas.<\/p>\n<p>No entanto, esses governos \u2013 Serra\/Goldman e Lula\/Dilma \u2013 n\u00e3o investem na Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade. A maioria das escolas continua sucateada e sem condi\u00e7\u00f5es de ensino-aprendizagem, os professores s\u00e3o mal remunerados, a carga hor\u00e1ria de trabalho \u00e9 subumana, n\u00e3o temos laborat\u00f3rios de l\u00ednguas ou de inform\u00e1tica, faltam bibliotecas e a viol\u00eancia cresce a cada dia entre os pr\u00f3prios alunos.<\/p>\n<p>A escola p\u00fablica passa a ser, cada vez mais, um espa\u00e7o para cuidar de crian\u00e7as e adolescentes. Alguns poucos ir\u00e3o se destacar e para estes haver\u00e1 certo \u201cincentivo\u201d. Os demais poder\u00e3o seguir o caminho mais \u201cdisciplinados\u201d do que se estivem nas ruas sem estudar.<\/p>\n<p>Enquanto isso ocorre o dinheiro do estado \u00e9 reservado para ser investido em planos e obras de interesse dos empres\u00e1rios e n\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora.<\/p>\n<p>Da\u00ed a necessidade lutarmos para mudar n\u00e3o apenas a Educa\u00e7\u00e3o, mas a pr\u00f3pria sociedade que gera essa situa\u00e7\u00e3o. E essa luta dever\u00e1 ser travada com a participa\u00e7\u00e3o de pais, alunos e as demais categorias de trabalhadores que matriculam seus filhos na escola p\u00fablica. Quando conseguirmos isso nenhum governo nos derrotar\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que, n\u00f3s trabalhadores, tratemos a Educa\u00e7\u00e3o, em todos os n\u00edveis, como instrumento de luta contra a sociedade mercantil, a aliena\u00e7\u00e3o e a intoler\u00e2ncia. Uma Educa\u00e7\u00e3o que seja a alavanca essencial na luta pela emancipa\u00e7\u00e3o humana contra a barb\u00e1rie capitalista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=271#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo5\"><\/a>Saramago: quando o tempo carece de mais tempo<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Iraci Lacerda<\/p>\n<p>Neste primeiro semestre a Literatura deixou de contar com a presen\u00e7a de Jos\u00e9 Saramago, mas a sua escrita e a sua voz permanecer\u00e3o para sempre com os que lutam e vivem por uma sociedade comunista.<\/p>\n<p>Com hist\u00f3rico digno de reconhecimento e percept\u00edvel em suas obras &#8211; pois somente valoriza uma classe social quem realmente compreende a import\u00e2ncia de sua exist\u00eancia &#8211; Saramago foi um trabalhador, produtivo e improdutivo (serralheiro, mec\u00e2nico, desenhista industrial, funcion\u00e1rio p\u00fablico, jornalista escritor).<\/p>\n<p>Filiou-se ao Partido Comunista ainda sob a ditadura salazarista, vivenciou a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos e valeu-se prioritariamente do valor de uso de sua produ\u00e7\u00e3o escrita para dizer ao mundo o quando \u00e9 necess\u00e1rio desmoronar o sistema capitalista &#8220;como forma de destruir a divis\u00e3o entre ricos e pobres e o falso sistema democr\u00e1tico&#8221;.<\/p>\n<p>Ao reconhecer que a injusti\u00e7a \u00e9 global sob esse sistema, sentia a profunda necessidade de posicionar-se diante da realidade mundial:<\/p>\n<p>&#8211; Desmascarou a falsa democracia capitalista como nova forma de autoritarismo, que concentra o poder nas m\u00e3os das grandes empresas e multinacionais;<\/p>\n<p>&#8211; Observou o esp\u00edrito de Auschwitz ainda presente em Ramallah com as a\u00e7\u00f5es do imperialismo norte-americano e de Israel contra o povo palestino;<\/p>\n<p>&#8211; Revoltou-se com a crueldade cometida em Corumbiara e Eldorado dos Caraj\u00e1s pelos latifundi\u00e1rios e governos contra os trabalhadores rurais Sem Terra;<\/p>\n<p>&#8211; Criticou a &#8220;esquerda&#8221; por n\u00e3o pensar, n\u00e3o agir e n\u00e3o arriscar um passo quando arrebentou a crise das hipot\u00e9cas nos EUA;<\/p>\n<p>&#8211; Deixou de confiar em Cuba quando dissidentes foram presos e pessoas executadas em julgamento sum\u00e1rio, mas n\u00e3o de defender o povo cubano diante do bloqueio internacional e da pol\u00edtica estadunidense contra o pa\u00eds;<\/p>\n<p>&#8211; Decepcionou- se e perdeu a esperan\u00e7a no governo Lula ainda durante os esc\u00e2ndalos do mensal\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o aceitou o m\u00e9todo do sequestro utilizado pelas FARC;<\/p>\n<p>&#8211; Guiou-se na cr\u00edtica \u00e0 igreja pelas atrocidades cometidas ao longo da hist\u00f3ria e por fortalecer a ideologia que sustenta essa realidade injusta.<\/p>\n<p>Enfim, manifestou-se por toda essa globaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e da mis\u00e9ria humana que n\u00e3o suporta sequer os direitos humanos b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o foi somente cr\u00edtico. Entre as suas formas de milit\u00e2ncia participou com Sebasti\u00e3o Salgado e Chico Buarque da apresenta\u00e7\u00e3o, ao mundo, das lutas dos trabalhadores rurais brasileiros pela reforma agr\u00e1ria. E impulsionou campanha de solidariedade \u00a0aos haitianos depois do terremoto que desabrigou mais de um milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>De suas obras podemos destacar dois romances, que retratam de forma bastante intensa e humana a vida de personagens militantes e as consequ\u00eancias da opress\u00e3o em suas trajet\u00f3rias:<\/p>\n<p><em>Manual de Pintura e Caligrafia<\/em>, em que a personagem principal, ao ter seu primeiro contato com a\u00a0<em>Contribui\u00e7\u00e3o para a Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica<\/em>\u00a0de Marx, passa a negar a sua classe de origem e a reconhecer-se pr\u00f3xima dos trabalhadores.<\/p>\n<p>E\u00a0<em>Levantado do Ch\u00e3o<\/em>\u00a0em que tra\u00e7a a trajet\u00f3ria de poder do Latif\u00fandio, da Igreja e do Estado. Mas, fundamentalmente descreve o modo de vida, a tomada de consci\u00eancia e a luta do trabalhador campon\u00eas no caminho percorrido desde a acupa\u00e7\u00e3o da terra at\u00e9 os primeiros momentos ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa.<\/p>\n<p>Ambos demonstram a import\u00e2ncia da luta e da unidade de classe para as transforma\u00e7\u00f5es social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Ao percorrermos seus outros v\u00e1rios romances somos capazes de encontrar poesia, sensibilidade e uma perspectiva de vida que tem o ser humano como centro da exist\u00eancia ao inv\u00e9s do lucro e da mis\u00e9ria. Al\u00e9m disso,encontramos refer\u00eancias hist\u00f3ricas como Golpe de Estado, Revolu\u00e7\u00e3o Russa, I Guerra Mundial, Guerra Civil Espanhola, Insurrei\u00e7\u00e3o Camponesa, II Guerra Mundial,Frente Popular Francesa, Intentona Comunista, Guerras de Independ\u00eancia dos pa\u00edses africanos, lutas pela comemora\u00e7\u00e3o do Dia do Trabalhador e Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos.<\/p>\n<p>Em alguns deles podemos identificar diretamente sua vis\u00e3o de mundo mais geral, como na\u00a0<em>A Jangada de Pedra,<\/em>\u00a0em que prop\u00f5e a reaproxima\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria entre Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e ex-col\u00f4nias ou em \u00a0<em>A Caverna<\/em>, em que a cr\u00edtica recai sobre a globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ou ainda em \u00a0<em>Ensaio sobre Lucidez<\/em>, em que questiona o atual regime democr\u00e1tico burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel notarmos sua forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica quando nos deparamos com as mais variadas cita\u00e7\u00f5es ou men\u00e7\u00f5es de textos, livros, filmes e conceitos marxistas como de valor de uso, valor de troca e mercadoria.<\/p>\n<p>Saramago fez muito para descortinar a cegueira social. Sempre acreditou que muitos podem ver, mas que poucos conseguem enxergar. Sempre acreditou na responsabilidade dos que enxergam e buscou contribuir para aprofundar e expandir esse olhar.<\/p>\n<p>Mas todos n\u00f3s carec\u00edamos de mais tempo com Saramago para em um determinado momento chegarmos juntos ecoando a nossa voz na constru\u00e7\u00e3o da sociedade justa.<\/p>\n<p>&#8220;Ele foi embora, mas ficou entre n\u00f3s&#8221;, disse Eduardo Galeano, para em mem\u00f3ria levantar do ch\u00e3o como parte da trajet\u00f3ria tra\u00e7ada por nossas lutas.<\/p>\n<p align=\"center\"><em>Em cada esquina, um amigo<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><em>Em cada rosto, igualdade<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><em>Gr\u00e2ndola, vila morena<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><em>Terra da fraternidade<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><em>Terra da fraternidade<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><em>Gr\u00e2ndola, vila morena<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><em>Em cada rosto, igualdade<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><em>O povo \u00e9 quem mais ordena<\/em><\/p>\n<p>Uma homenagem! Trecho de\u00a0<em>Gr\u00e2ndola Vila Morena<\/em>\u00a0(m\u00fasica-senha escolhida pelo Movimento das For\u00e7as Armadas para ser tocada no 25 de abril e confirmar as a\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o. Refere-se \u00e0s pessoas de Gr\u00e2ndola, no Alentejo).<\/p>\n<p>Viva Camarada Saramago!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=271#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia as mat\u00e9rias online: As elei\u00e7\u00f5es e a alternativa socialista Sobre as posi\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias Banc\u00e1rios: contra a crise e contra<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/271"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=271"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/271\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6465,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/271\/revisions\/6465"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}