{"id":272,"date":"2011-04-24T00:19:22","date_gmt":"2011-04-24T03:19:22","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/272"},"modified":"2018-06-01T15:58:33","modified_gmt":"2018-06-01T18:58:33","slug":"jornal-35-fevereiro-marco-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2011\/04\/jornal-35-fevereiro-marco-de-2010\/","title":{"rendered":"Jornal 35: Fevereiro\/ Mar\u00e7o de 2010"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1223\" aria-describedby=\"caption-attachment-1223\" style=\"width: 207px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_35_mar\u00e7o_2010.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1223 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_35_mar\u00e7o_2010-207x300.jpg\" alt=\"Baixar edi\u00e7\u00e3o 35\" width=\"207\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_35_mar\u00e7o_2010-207x300.jpg 207w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_35_mar\u00e7o_2010.jpg 515w\" sizes=\"(max-width: 207px) 100vw, 207px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1223\" class=\"wp-caption-text\">Baixar edi\u00e7\u00e3o 35 em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p><a name=\"indice\"><\/a>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#titulo1\">2010 &#8211; Contra as sa\u00eddas burguesas, apresentar uma sa\u00edda dos trabalhadores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#titulo2\">Trabalho alienado e natureza<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#titulo3\">O capitalismo agrava os desastres da natureza<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#titulo4\">A c\u00fapula de Copenhagen: s\u00f3 encena\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#titulo5\">Tr\u00e2nsito: caos do modo de produ\u00e7\u00e3o burgu\u00eas<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#titulo6\">Acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel e educa\u00e7a flex\u00edvel<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#titulo7\">Honduras: mais uma prova de que n\u00e3o se deve cofiar em pol\u00edtico burgu\u00eas<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h1>Contra as sa\u00eddas burguesas, apresentar uma sa\u00edda dos trabalhadores!<\/h1>\n<p>Primeiramente, \u00e9 preciso desmistificar a id\u00e9ia de que a crise j\u00e1 tenha sido superada: embora haja uma recupera\u00e7\u00e3o nos setores de constru\u00e7\u00e3o civil, exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas e de servi\u00e7os, a produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira \u2013 dado fundamental em qualquer an\u00e1lise econ\u00f4mica \u2013 teve queda de 7,4% em 2009, comparado a 2008. Foi a maior queda anual desde 1990. (<a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/producao-industrial-tem-queda-de-7-4-em-2009,not_3375.htm\">http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/producao-industrial-tem-queda-de-7-4-em-2009,not_3375.htm<\/a>).<\/p>\n<div>\n<p>O f\u00f4lego da retomada atual depender\u00e1 muito da economia mundial, particularmente dos pa\u00edses centrais, cujas economias praticamente continuam estagnadas, bem abaixo dos n\u00edveis pr\u00e9-crise. As dificuldades crescentes dos pa\u00edses mais pobres da Europa em manter os pagamentos dos juros de suas d\u00edvidas demonstram que a situa\u00e7\u00e3o mundial ainda n\u00e3o est\u00e1 definida no sentido de uma recupera\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m desautoriza a festa que a burguesia brasileira e o governo e v\u00eam fazendo.<\/p>\n<p>Trata-se de uma retomada em grande medida artificial, pois as causas estruturais da crise n\u00e3o foram resolvidas. N\u00e3o h\u00e1 aumento real de poder de compra dos trabalhadores ou da classe m\u00e9dia que possa sinalizar um novo ciclo de crescimento sobre bases s\u00f3lidas.<\/p>\n<p>Toda a ajuda financeira dos governos ocorreu no sentido de fornecer incentivos fiscais, cr\u00e9dito barato e seguro \u00e0s empresas e \u00e0s fam\u00edlias para, com isso, incentivar o consumo e tentar recompor a taxa de lucro das empresas no curto prazo. Por\u00e9m, isso gera novas contradi\u00e7\u00f5es para um futuro n\u00e3o muito distante. Um exemplo \u00e9 o aumento da D\u00edvida P\u00fablica da Uni\u00e3o, que fechar\u00e1 2010 entre 1,60 trilh\u00e3o e 1,73 trilh\u00e3o de reais. (<span style=\"text-decoration: underline;\" data-mce-mark=\"1\"><a href=\"http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRSPE60P02I20100126\">http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRSPE60P02I20100126<\/a>).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma geral, houve uma explos\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito \u2013 leia-se de endividamento \u2013 que cresceram 14,9% no Brasil, s\u00f3 em 2009, atingindo a soma de R$ 1,410 trilh\u00e3o. Esse valor representa 45% do PIB, contra 39,7% em 2008 (<a href=\"http:\/\/www.diariosp.com.br\/Noticias\/Economia\/180\/Credito+cresce+14,9%25+no+Brasil+em+2009\">http:\/\/www.diariosp.com.br\/Noticias\/Economia\/180\/Credito+cresce+14,9%25+no+Brasil+em+2009<\/a>). Mas ao mesmo tempo, a burguesia vem implementado uma nova reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, atrav\u00e9s do aumento da sobrecarga de trabalho sobre os trabalhadores que permaneceram, da redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e direitos, da precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos de contrata\u00e7\u00e3o, etc. Outra sa\u00edda adotada \u00e9 a fus\u00e3o de empresas, cujos exemplos mais atuais s\u00e3o a compra das <em>Casas Bahia<\/em> pela Rede <em>P\u00e3o de A\u00e7\u00facar<\/em>, e a compra da <em>Nossa Caixa<\/em> pelo <em>Banco do Brasil<\/em>. Quantas lojas e ag\u00eancias poder\u00e3o ser fechadas?<\/p>\n<p>Assim, por mais que o estado intervenha para aquecer artificialmente a economia \u2013 e essa interven\u00e7\u00e3o tem um limite \u2013, as a\u00e7\u00f5es estruturais de cada empresa individualmente t\u00eam o efeito de corroer o <em>mercado real<\/em> de consumo de massas. Ao longo do tempo, essa tend\u00eancia estrutural de lento crescimento\/estagna\u00e7\u00e3o dos mercados voltar\u00e1 a se impor e teremos a irrup\u00e7\u00e3o muito mais severa da crise, agravada ainda pela crise financeira devido ao enorme endividamento que vem sendo incentivado no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">Os mecanismos do estado para manter e aumentar a explora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>No imediato, mesmo com a recupera\u00e7\u00e3o atual, sentimos o endurecimento do empresariado e do estado capitalista para com os trabalhadores em todos os aspectos. Os empregos gerados no \u00faltimo per\u00edodo registram sal\u00e1rios menores e v\u00ednculos prec\u00e1rios.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 produto da vontade individual deste ou daquele empres\u00e1rio, mas express\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o a que chegou o sistema capitalista. Devido \u00e0 tend\u00eancia de estagna\u00e7\u00e3o\/lento crescimento da demanda real apontada acima, a competi\u00e7\u00e3o entre as empresas acirra-se mais ainda, e tamb\u00e9m os ataques aos trabalhadores.<\/p>\n<p>O Estado tenta se equilibrar entre duas tend\u00eancias: de um lado, os gastos com a ajuda ao capital produtivo e, do outro, o pagamento dos juros da D\u00edvida P\u00fablica ao capital financeiro; esse equil\u00edbrio s\u00f3 pode se manter \u00e0 medida que o estado se desobrigue cada vez mais dos servi\u00e7os p\u00fablicos destinados \u00e0 imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o, aumente as taxas p\u00fablicas, mantenha congelado o sal\u00e1rio do funcionalismo p\u00fablico, fa\u00e7a reformas como a da Previd\u00eancia, ou seja, tamb\u00e9m ataque os trabalhadores.<\/p>\n<p>No plano pol\u00edtico, jur\u00eddico, ideol\u00f3gico e militar, cumpre ao Estado \u201corganizar e manter o consenso\u201d, ou seja, a id\u00e9ia de que n\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda a n\u00e3o ser propiciar as melhores condi\u00e7\u00f5es de lucratividade para as empresas como forma de impedir a quebra da economia e o desemprego. \u00c9 a ideologia do \u201cN\u00e3o h\u00e1 Alternativa\u201d.<\/p>\n<p>A democracia burguesa tem se mostrado uma pol\u00edtica bastante eficaz para ludibriar, cooptar e controlar os trabalhadores. Atrav\u00e9s dos ditos \u201cmecanismos participativos\u201d, e de institui\u00e7\u00f5es comprometidas at\u00e9 a alma com os interesses dos empres\u00e1rios: o capital busca a legitimidade para impor seus interesses, fazendo passar a id\u00e9ia de que os seus interesses s\u00e3o os interesses de todos ou da maioria. Na democracia burguesa n\u00e3o significa que n\u00e3o h\u00e1 repress\u00e3o aos movimentos sociais, mas sim que essa repress\u00e3o \u00e9 legalizada. H\u00e1 inclusive a possibilidade de uma combina\u00e7\u00e3o da democracia burguesa com a escalada militarista, como no caso de Honduras, em que os golpistas buscaram se legitimar a partir de institui\u00e7\u00f5es como o Congresso e a Suprema Corte e, ao final, para se consolidar, recorreram \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, em que seu candidato venceu.<\/p>\n<p>Outro mecanismo bastante utilizado tem sido o assistencialismo, com o objetivo de acomodar e desmoralizar o setor mais pauperizado, dotado de maior explosividade, opondo-o aos demais setores da classe trabalhadora, para os quais a pol\u00edtica \u00e9 de endurecimento, como no caso dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, dos correios, banc\u00e1rios, etc. Atrav\u00e9s das in\u00fameras formas de assistencialismo, tamb\u00e9m se coopta as dire\u00e7\u00f5es e ativistas mais din\u00e2micos que poderiam se constituir num problema para o governo e o sistema. Esse foi o caso das in\u00fameras \u201cBolsas\u201d, PROUNI, etc.<\/p>\n<p>J\u00e1 para os movimentos que alcan\u00e7am maior conflitividade, a pol\u00edtica \u00e9 de repress\u00e3o direta, como por exemplo a luta dos camel\u00f4s, dos movimentos dos atingidos pelas enchentes, das ocupa\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es do MST nas fazendas do agroneg\u00f3cio, entre outros. Nas favelas, a ordem \u00e9 a mesma: controle e repress\u00e3o sobre qualquer movimento que venha a amea\u00e7ar o funcionamento normal do consumo, do turismo, dos lucros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">CUT, FOR\u00c7A e CTB: Defendendo o capital, contra os trabalhadores<\/strong><\/h2>\n<p>\u00c9 preciso frisar que todas essas a\u00e7\u00f5es, tanto dos empres\u00e1rios como do estado, t\u00eam contado com a ajuda direta ou indireta das dire\u00e7\u00f5es do movimento, particularmente da CUT e da For\u00e7a Sindical. Sua postura tem sido a de defender as parcerias com os empres\u00e1rios, via acordos de flexibiliza\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e direitos, isen\u00e7\u00f5es de impostos para as empresas e o incentivo ao endividamento geral como se fossem pol\u00edticas positivas. Assim, as empresas demitem e\/ou precarizam os contratos, mostrando que esse tipo de acordo s\u00f3 interessa aos empres\u00e1rios. Essas dire\u00e7\u00f5es abriram m\u00e3o de qualquer perspectiva de ruptura e supera\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do capital e do lucro. Assumindo para si o horizonte do capitalismo como o \u00fanico poss\u00edvel, realmente h\u00e1 muito pouco a se fazer e cai-se, mais cedo ou mais tarde, no discurso de que os trabalhadores e os capitalistas s\u00e3o parceiros e que, quando um ganha, todos ganham, o que \u00e9 uma grande mentira.<\/p>\n<p>\u00c0 falta de uma perspectiva de luta e socialista da classe trabalhadora, a burguesia que opera no Brasil consegue descarregar parte do peso da crise econ\u00f4mica sobre esta, impedindo momentaneamente uma grande recess\u00e3o ou mesmo uma depress\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">Combate pol\u00edtico e ideol\u00f3gico \u00e0 l\u00f3gica do capital<\/strong><\/h2>\n<p>Portanto, o maior desafio que est\u00e1 colocado para o pr\u00f3ximo per\u00edodo \u00e9 o de ser parte e intervir na base dos v\u00e1rios movimentos e f\u00f3runs de luta e de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, no sentido da reconstru\u00e7\u00e3o de uma sa\u00edda de luta e socialista desde a vanguarda at\u00e9 setores de massa, apresentando uma cr\u00edtica profunda dos v\u00e1rios mecanismos de domina\u00e7\u00e3o dos trabalhadores aplicados pela burguesia e seu estado. N\u00e3o basta apenas ficar repetindo que o governo Lula \u00e9 traidor, como fazem a maioria das organiza\u00e7\u00f5es da esquerda. \u00c9 preciso demonstrar os fundamentos que o levam a agir assim, as contradi\u00e7\u00f5es desses fundamentos e, a partir da\u00ed, apresentar uma sa\u00edda cr\u00edtica-pr\u00e1tica, e n\u00e3o apenas um amontoado de palavras de ordem, sem rela\u00e7\u00e3o com a realidade dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o da esquerda neste ano ter\u00e1 alguns desafios importantes: em primeiro lugar, \u00e9 preciso denunciar a euforia enganosa de que agora tudo vai ficar bem e que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds do futuro. \u00c9 preciso lembrar que o espa\u00e7o reservado para o Brasil dentro da divis\u00e3o mundial do trabalho \u00e9 basicamente o de fornecedor de mat\u00e9rias-primas e de uma plataforma de exporta\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. Esse papel n\u00e3o \u00e9 nem de perto suficiente para al\u00e7ar o Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds de primeira grandeza no mundo. Al\u00e9m disso, mesmo que a economia brasileira venha a se desenvolver, isso n\u00e3o significa que haver\u00e1 melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para os trabalhadores. O padr\u00e3o capitalista de desenvolvimento que est\u00e1 sendo implantado \u00e9 extremamente explorador dos trabalhadores e destruidor do ambiente. A Copa em 2014 e as Olimp\u00edadas em 2016 s\u00e3o muito mais despesas para o Estado do que investimentos do capital. Os empregos gerados ser\u00e3o tempor\u00e1rios e mal remunerados. Um bom exemplo foi a realiza\u00e7\u00e3o do <em>Pan<\/em> no Rio de Janeiro, que de nada serviu para melhorar a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e, ao contr\u00e1rio, os problemas sociais se agravaram, aumentando o poder de a\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico e a repress\u00e3o da pol\u00edcia sobre os moradores das comunidades de periferia.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s campanhas salariais, o maior desafio \u00e9 impulsion\u00e1-las para al\u00e9m dos limites imediatistas e corporativistas, no sentido de que busquem uma ponte entre suas demandas e as dos demais trabalhadores, apontando sa\u00eddas mais gerais para aspectos estruturais da sociedade como a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, o emprego, a Previd\u00eancia, o ambiente, os transportes, a viol\u00eancia, o racismo, a opress\u00e3o da mulher, etc.<\/p>\n<p>Este ano, nos dias 5 e 6 de junho, haver\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o do CONCLAT \u2013 \u201cCongresso Nacional da Classe Trabalhadora\u201d \u2013 que poder\u00e1 fundar uma nova Central de Luta, como alternativa de luta \u00e0 CUT e demais centrais governistas. A tarefa central a\u00ed ser\u00e1, n\u00e3o apenas fundar uma nova central, mas acima de tudo uma nova concep\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o sindical que supere os limites atuais e esteja \u00e0 altura dos desafios colocados pelo capitalismo de hoje. \u00c9 preciso superar o sindicalismo imediatista, caracter\u00edstico da maioria das correntes de esquerda, sob pena de n\u00e3o se conseguir sequer defender as conquistas existentes. \u00c9 preciso debater com a classe trabalhadora a necessidade da ruptura com a l\u00f3gica do lucro e a constru\u00e7\u00e3o de uma outra sociedade, em base a um compromisso com as necessidades reais da maioria da popula\u00e7\u00e3o, definidas democraticamente. Outras lutas importantes s\u00e3o contra a burocratiza\u00e7\u00e3o \u2013 o que exige permanente a\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o para que os trabalhadores venham a ocupar os espa\u00e7os de decis\u00e3o nas entidades \u2013, bem como a ado\u00e7\u00e3o de medidas que dificultem o processo de burocratiza\u00e7\u00e3o, como rod\u00edzio, fim dos privil\u00e9gios, controle sobre os mandatos, etc. Enfim, \u00e9 preciso um novo sindicalismo, uma re-educa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria esquerda atual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">Construir um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores pela base!<\/strong><\/h2>\n<p>Outro fato importante, e que j\u00e1 est\u00e1 influenciando a realidade brasileira, s\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es de 2010. Por tr\u00e1s de toda a disputa presidencial entre PT e PSDB, esconde-se a unidade de ambos os setores em torno do mesmo projeto para o pa\u00eds: a manuten\u00e7\u00e3o da inser\u00e7\u00e3o subordinada do pa\u00eds \u00e0 l\u00f3gica do capitalismo globalizado. Ambos defendem a manuten\u00e7\u00e3o dos compromissos com o capital financeiro, as isen\u00e7\u00f5es de impostos para as empresas, o corte dos direitos sociais, a entrega dos recursos naturais ao capital privado, etc. A \u00fanica disputa \u00e9 se a burocracia pol\u00edtica, de estado e sindical representada pelo PT continuar\u00e1 abocanhando uma parte da renda do estado, ou se a burguesia propriamente dita ficar\u00e1 com tudo, ao administrar o pa\u00eds sem a intermedia\u00e7\u00e3o da burocracia.<\/p>\n<p>J\u00e1 a tarefa da esquerda, muito mais do que buscar qualquer viabilidade por dentro da l\u00f3gica eleitoral, \u00e9 a de uma cr\u00edtica profunda aos fundamentos do modelo de economia e de sociedade que est\u00e1 sendo implementado no Brasil e suas conseq\u00fc\u00eancias. Mais do que qualquer coisa, \u00e9 preciso disputar a consci\u00eancia de amplos setores para um programa de ruptura com a l\u00f3gica capitalista e a apresenta\u00e7\u00e3o de uma alternativa socialista para o pa\u00eds e a sociedade.<\/p>\n<p>Outro pilar de sustenta\u00e7\u00e3o dessa atua\u00e7\u00e3o tem que ser a unidade da esquerda de luta, que essa unidade ocorra pela base e esteja enraizada nos movimentos sociais. Nesse ponto, n\u00e3o podemos deixar de dizer que as duas principais correntes, tanto o PSOL quanto o PSTU come\u00e7aram mal.<\/p>\n<p>O PSOL insistiu at\u00e9 o \u00faltimo momento em uma Frente com o PV de Marina Silva, um partido que diz defender a natureza, mas incoerentemente tem em seu programa a defesa da \u201clivre iniciativa\u201d e da \u201ceconomia de mercado\u201d. Quando, por fim, o PV demonstrou que em seu arco de alian\u00e7as cabe at\u00e9 o PSDB, como no Rio de janeiro, o PSOL n\u00e3o teve mais como sustentar essa tentativa e a partir da\u00ed passou a defender uma candidatura pr\u00f3pria em coliga\u00e7\u00e3o com outros partidos da esquerda, candidatura essa que ser\u00e1 definida em mar\u00e7o, em sua confer\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 o PSTU, apesar de dizer que defende uma Frente Classista e Socialista dos Trabalhadores, assim que percebeu o movimento de aproxima\u00e7\u00e3o do PSOL com o PV, preferiu j\u00e1 lan\u00e7ar seu pr\u00e9-candidato \u2013 Z\u00e9 Maria. Ao nosso ver, isso caracteriza uma concep\u00e7\u00e3o equivocada, em que o partido decide tudo e os ativistas e demais trabalhadores s\u00f3 entram na hora de fazer campanha e\/ou votar&#8230;<\/p>\n<p>Ora, do que se trata \u00e9 justamente da constitui\u00e7\u00e3o de algo muito mais amplo, um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores, que tenha sua express\u00e3o eleitoral, mas que essa express\u00e3o seja definida a partir de debates e f\u00f3runs os mais amplos poss\u00edveis, por exemplo, plen\u00e1rias e debates abertos a todos que queiram construir essa alternativa unit\u00e1ria que seja a express\u00e3o pol\u00edtica das necessidades imediatas e hist\u00f3ricas dos trabalhadores, nas lutas e nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sem essa \u201calma\u201d que s\u00f3 pode ser a empolga\u00e7\u00e3o dos ativistas e trabalhadores como sujeitos de sua pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, essa pr\u00e9-candidatura tamb\u00e9m n\u00e3o tem ainda entusiasmado a vanguarda, o que confirma que o lan\u00e7amento ocorreu de forma precipitada e a partir de cima.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso superar a l\u00f3gica divisionista na esquerda, bem como fazer com que as decis\u00f5es da base sejam superiores que as das c\u00fapulas. \u00c9 preciso constituir urgentemente e a partir da base um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores, que apresente uma sa\u00edda socialista pra a sociedade nas lutas e tamb\u00e9m nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"file:\/\/\/C:\/Users\/CRANJOS\/AppData\/Local\/Temp\/msohtmlclip1\/01\/clip_image001.png\" alt=\"\" width=\"688\" height=\"4\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 preciso uma explica\u00e7\u00e3o marxista para as recentes manifesta\u00e7\u00f5es (violentas) da natureza. A id\u00e9ia que tem prevalecido \u00e9 a da burguesia, mas essa sempre esconde a verdade. Estamos nos propondo a iniciar esse debate no movimento e para isso apresentamos alguns textos \u00e0 reflex\u00e3o dos militantes e ativistas. Eles t\u00eam como centro a rela\u00e7\u00e3o do capitalismo com a natureza. Partimos do aspecto antropol\u00f3gico e filos\u00f3fico da rela\u00e7\u00e3o entre trabalho alienado e natureza. Passamos nos textos a seguir pela explica\u00e7\u00e3o das conseq\u00fc\u00eancias sociais dos desastres naturais, abordamos a incapacidade da burguesia resolver esses problemas (a confer\u00eancia de Copenhague) e analisamos tamb\u00e9m o problema do tr\u00e2nsito nas grandes metr\u00f3poles, uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais irracionais do uso capitalista dos recursos.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"file:\/\/\/C:\/Users\/CRANJOS\/AppData\/Local\/Temp\/msohtmlclip1\/01\/clip_image001.png\" alt=\"\" width=\"688\" height=\"4\" \/><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"titulo2\"><\/a><\/h2>\n<h1><strong>TRABALHO ALIENADO E NATUREZA<\/strong><\/h1>\n<\/div>\n<p>Nem mesmo a burguesia consegue ocultar a discuss\u00e3o sobre os problemas ambientais causados pelo capitalismo, pois os efeitos da destrui\u00e7\u00e3o da natureza j\u00e1 se apresentam de maneira dram\u00e1tica. Enchentes, secas, descontrole das temperaturas, degelo (e aumento do n\u00edvel dos oceanos e mares), desertifica\u00e7\u00e3o, perda da diversidade biol\u00f3gica, multiplica\u00e7\u00e3o de v\u00edrus e bact\u00e9rias mortais, polui\u00e7\u00e3o, escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel, ac\u00famulo de lixo, destrui\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio, etc.; n\u00e3o s\u00e3o fen\u00f4menos naturais como quer fazer crer a burguesia e seus meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<p>Todos esses fen\u00f4menos t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a explora\u00e7\u00e3o da natureza em fun\u00e7\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o de capital. O trabalho \u00e9 a forma especificamente humana, social e hist\u00f3rica, de metabolismo com a natureza. Cada ser humano est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com a natureza por meio de seu corpo f\u00edsico, cuja exist\u00eancia precisa ser mantida, mas essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 de forma imediata, pois \u00e9 social e historicamente mediada pelo trabalho. O uso de recursos naturais para produzir alimentos, vestimentas, moradias, utens\u00edlios, etc., n\u00e3o \u00e9 feito separadamente por cada indiv\u00edduo, mas coletivamente por meio da forma\u00e7\u00e3o social da qual este indiv\u00edduo faz parte. Ou seja, o homem somente se relaciona com a natureza indiretamente, por meio de sua rela\u00e7\u00e3o com os outros homens, com o meio social de onde recebe uma cultura e no qual desempenha algum tipo de papel produtivo.<\/p>\n<p>A humanidade do homem n\u00e3o est\u00e1 dada de modo imediato na realidade hist\u00f3rica, ou seja, cada homem n\u00e3o est\u00e1 imediatamente unificado com a sua humanidade, da forma como est\u00e3o os animais. Cada animal \u00e9 imediatamente id\u00eantico a sua esp\u00e9cie e capaz de fazer tudo que a esp\u00e9cie \u00e9 capaz. O homem, ao contr\u00e1rio, se encontra separado de sua esp\u00e9cie, da sua humanidade, seu ser gen\u00e9rico, por conta da condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da divis\u00e3o da sociedade em classes e do trabalho alienado.<\/p>\n<p>Assim que o trabalho se torna capaz de produzir um excedente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades sociais, surge uma classe social que se apropria desse excedente. Ao longo da hist\u00f3ria desenvolve-se uma luta entre as classes propriet\u00e1rias e as classes trabalhadoras pela posse desse excedente do trabalho social. O controle do excedente do trabalho pelas classes propriet\u00e1rias transforma o trabalho numa atividade alienada, ou seja, estranha para a maior parte dos seres humanos. O homem se separa de seu ser gen\u00e9rico, sua humanidade, ao n\u00e3o poder determinar o que fazer com seu tempo de trabalho e ser for\u00e7ado a trabalhar para outro. O homem se aliena da atividade do trabalho, dos produtos do trabalho, da sua rela\u00e7\u00e3o com os outros homens, que aparecem todos como elementos externos e opressivos sobre o indiv\u00edduo; e se aliena tamb\u00e9m da natureza.<\/p>\n<p>Se a rela\u00e7\u00e3o com a natureza se d\u00e1 primordialmente por meio da rela\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica de trabalho, o trabalho alienado leva a uma rela\u00e7\u00e3o alienada com a natureza. Na sociedade de classes, a natureza se apresenta ao homem como ambiente externo e objeto estranho, a ser controlado, dominado, usufru\u00eddo e descartado, conforme os interesses da classe dominante. A natureza deixa de ser o \u201ccorpo inorg\u00e2nico do homem\u201d, como a definiu Marx, e se torna propriedade privada. Na condi\u00e7\u00e3o de propriedade privada, a natureza pode ser usada e abusada de maneira irrespons\u00e1vel, pois a necessidade coletiva \u00e9 desconsiderada em detrimento dos interesses privados.<\/p>\n<p>Na sociedade capitalista, que \u00e9 a forma mais recente da sociedade de classes, a natureza mais do que nunca aparece como estranha ao homem, como puro objeto de manipula\u00e7\u00e3o, fonte supostamente inesgot\u00e1vel de mat\u00e9ria-prima e reposit\u00f3rio d\u00f3cil para os infinitos subprodutos da a\u00e7\u00e3o humana (lixo e polui\u00e7\u00e3o). O capitalismo simplesmente ignora que a natureza n\u00e3o \u00e9 inesgot\u00e1vel nem pode suportar indefinidamente os dejetos que lhe atiramos. A l\u00f3gica do capital considera apenas o curto prazo, o balan\u00e7o das empresas, a cota\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da bolsa de valores, e simplesmente despreza a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie. Como disse um autorizado representante da burguesia, o economista ingl\u00eas John M. Keynes, \u201ca longo prazo estaremos todos mortos\u201d.<\/p>\n<p>Para restaurar o equil\u00edbrio natural e reverter os graves danos j\u00e1 causados \u00e9 preciso ao mesmo tempo reverter a l\u00f3gica que dirige o emprego das for\u00e7as produtivas sociais, direcionando-as para o atendimento das necessidades humanas. \u00c9 preciso estabelecer racionalmente o que a humanidade precisa produzir e de que forma isso pode ser produzido sem afetar a capacidade do planeta de seguir fornecendo indefinidamente os recursos de que necessitamos. Ao inv\u00e9s de produzir armas nucleares e artigos de luxo (ou seja, coisas in\u00fateis), o trabalho humano passaria a produzir aquilo de que os seres humanos realmente precisam para viver. Isso por si s\u00f3 j\u00e1 teria grande impacto na revers\u00e3o dos danos ambientais.<\/p>\n<p>Mas isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com o fim do trabalho alienado, ou seja, com a conquista do controle dos trabalhadores sobre seu tempo e seus instrumentos de trabalho. Para isso \u00e9 preciso romper com a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o e com a divis\u00e3o da sociedade em classes. Somente uma humanidade sem classes pode se relacionar de forma racional com seu trabalho, direcionando seu tempo e recursos para produzir aquilo que realmente \u00e9 necess\u00e1rio e considerando o equil\u00edbrio da natureza e a continuidade da vida. Ao mudar a rela\u00e7\u00e3o do homem com o trabalho, muda-se tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o com a natureza.<\/p>\n<p>Para a natureza \u00e9 indiferente que o planeta seja habitado por seres inteligentes ou por bact\u00e9rias, pois o planeta seguir\u00e1 seu curso em torno do sol, quer sejam os homens os seus passageiros ou os microorganismos. Para o homem, entretanto, a preserva\u00e7\u00e3o de certas condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para a sua sobreviv\u00eancia, como ar respir\u00e1vel, \u00e1gua pot\u00e1vel, terras f\u00e9rteis, temperaturas suport\u00e1veis, etc., deve ser resultado de sua a\u00e7\u00e3o consciente e coletiva. Essa a\u00e7\u00e3o passa necessariamente pela revolu\u00e7\u00e3o social, pela supera\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do capital e pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo, \u00fanico regime capaz de devolver ao homem o controle sobre seu trabalho, sua humanidade e sua rela\u00e7\u00e3o racional e sustent\u00e1vel com a natureza.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<div>\n<h2><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1><strong>O CAPITALISMO AGRAVA OS DESASTRES DA NATUREZA<\/strong><\/h1>\n<\/div>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o da natureza n\u00e3o se explica pela a\u00e7\u00e3o do homem abstrato e gen\u00e9rico, deslocado do processo real de produ\u00e7\u00e3o. A burguesia, para se livrar da responsabilidade, tamb\u00e9m propaga a id\u00e9ia de que \u201co homem\u201d \u00e9 o destruidor da natureza, como se isso fizesse parte do seu pr\u00f3prio ser. Sem uma consci\u00eancia que se op\u00f5e ao modo de produ\u00e7\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o do homem no mundo reflete as id\u00e9ias da classe dominante, e \u00e9 esse homem feito \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a da burguesia que, no seu produzir, domina a natureza e a destr\u00f3i. O homem no mundo capitalista tem a caracter\u00edstica de ao mesmo tempo viver na e contra a natureza.<\/p>\n<div>\n<p>Claro que h\u00e1 um mundo natural em constante transforma\u00e7\u00e3o, em forma\u00e7\u00e3o e em movimento permanente, mas o que presenciamos atualmente n\u00e3o \u00e9 um \u201cmovimento natural\u201d e sim as conseq\u00fc\u00eancias destrutivas da forma capitalista de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 no processo de maximiza\u00e7\u00e3o da mais valia que a burguesia intensifica a explora\u00e7\u00e3o sem limites da natureza e leva a esse processo de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Alguns desastres s\u00e3o naturais, mas as consequ\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Como j\u00e1 foi dito, h\u00e1 na natureza movimentos naturais &#8211; como \u00e9 o caso do terremoto no Haiti, mas as conseq\u00fc\u00eancias que esses fen\u00f4menos provocam n\u00e3o s\u00e3o naturais. \u00c9 sabido que h\u00e1 tecnologia para minimizar ou mesmo evitar os impactos de desastres naturais (terremoto, tsunami), mas como essas tecnologias est\u00e3o sob o controle do capital, elas s\u00e3o utilizadas somente nos pa\u00edses ricos. Ou seja, a condi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no mercado mundial influi at\u00e9 mesmo na utiliza\u00e7\u00e3o de mecanismos de prote\u00e7\u00e3o e garantia de vida das pessoas.<\/p>\n<p>No caso do Haiti, o fator determinante para o alto grau de destrui\u00e7\u00e3o e o alto n\u00famero de mortes \u00e9 sua condi\u00e7\u00e3o de col\u00f4nia do imperialismo, pois decorre da\u00ed a sua pobreza. A grande concentra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pobre na periferia das cidades, as casas sem nenhuma estrutura, a inexist\u00eancia de um sistema p\u00fablico de sa\u00fade (hospitais, forma\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos, enfermeiros, etc) e at\u00e9 de defesa civil; s\u00e3o causas quantitativas e qualitativas da trag\u00e9dia humana que se seguiu ao terremoto. N\u00e3o \u00e9 por sorte que as mans\u00f5es de Porto Pr\u00edncipe n\u00e3o sofreram quase nenhum dano. Se um terremoto desse porte acontecesse em um pa\u00eds rico sem d\u00favida as conseq\u00fc\u00eancias seriam muito menores.<\/p>\n<p>Tanto l\u00e1 como c\u00e1 as causas e conseq\u00fc\u00eancias (como uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica e n\u00e3o mec\u00e2nica) t\u00eam a mesma explica\u00e7\u00e3o. As recentes trag\u00e9dias no Brasil, como as do Rio de Janeiro ou as Zonas Sul e Leste de S\u00e3o Paulo tem tudo a ver com a destrui\u00e7\u00e3o causada pela produ\u00e7\u00e3o capitalista. Em primeiro lugar, o aumento do volume das chuvas \u00e9 uma conseq\u00fc\u00eancia das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Em segundo, as v\u00edtimas s\u00e3o em sua maioria os moradores das \u00e1reas pobres, que por conta da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria s\u00e3o jogadas para as regi\u00f5es pantanosas e para os morros, \u00e1reas sabiamente mais fr\u00e1geis. Essa mesma especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria est\u00e1 na raiz de outros tantos problemas ecol\u00f3gicos, como \u00e9 o caso da contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de mananciais. Em terceiro lugar, n\u00e3o h\u00e1 por parte dos governos nenhum plano de habita\u00e7\u00e3o que permita e garanta que os trabalhadores saiam dessas \u00e1reas. Pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 uma pol\u00edtica de \u201cjogar\u201d ainda mais pessoas nessas regi\u00f5es para que outras \u00e1reas pr\u00f3prias para moradia possam se valorizar e garantir o lucro dos especuladores.<\/p>\n<p>Alguns tentam explicar o sofrimento das pessoas vitimadas pelas enchentes como se fosse por conta da escolha que fizeram de morar nessas \u00e1reas. Como se as pessoas morassem em \u00e1reas alag\u00e1veis e em favelas porque gostam e como se fosse uma quest\u00e3o de escolha. N\u00e3o v\u00eaem (ou n\u00e3o querem ver) que a urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada das grandes capitais, principalmente no sudeste, \u00e9 produto do \u00eaxodo rural dos anos 60 e 70, e que a \u201cescolha\u201d de morar em favelas \u00e9 a \u00fanica que restou a esses trabalhadores por conta do sal\u00e1rio miser\u00e1vel a que est\u00e3o submetidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Por uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria<\/strong><\/h3>\n<p>Nos \u00faltimos anos temos presenciado o surgimento de uma consci\u00eancia ecol\u00f3gica e de diversas organiza\u00e7\u00f5es que militam no \u201cmovimento ecol\u00f3gico\u201d. Algumas at\u00e9 tem um car\u00e1ter \u201cprogressista\u201d (como os ecosocialistas), mas o limite da maioria desse movimento est\u00e1 exatamente no fato de serem policlassistas e de n\u00e3o verem o necess\u00e1rio car\u00e1ter classista e revolucion\u00e1rio da luta ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Entre as maiores organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o o Greenpeace e o WWF. Esse \u00faltimo luta \u201cpara harmonizar o homem e a natureza\u201d, frase oca que na verdade esconde uma utopia reacion\u00e1ria, uma vez que tamb\u00e9m defendem que as \u201cParcerias com o setor privado s\u00e3o pe\u00e7as chave para o trabalho de conserva\u00e7\u00e3o da natureza e uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais desenvolvido pelo WWF-Brasil. Para n\u00f3s, os neg\u00f3cios s\u00e3o parte central do bem-estar da sociedade e do planeta\u201d (<a href=\"http:\/\/www.wwf.org.br\/empresas_meio_ambiente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.wwf.org.br\/empresas_meio_ambiente\/<\/a>). J\u00e1 o Greenpeace, mesmo declarando que n\u00e3o aceita ajuda de empresas, tamb\u00e9m se caracteriza por ser \u201cuma organiza\u00e7\u00e3o (&#8230;) que atua para defender o meio ambiente e promover a paz, inspirando as pessoas a mudarem atitudes e comportamentos (&#8230;) desafiamos os tomadores de decis\u00e3o a reverem suas posi\u00e7\u00f5es e mudarem seus conceitos. Tamb\u00e9m defendemos solu\u00e7\u00f5es economicamente vi\u00e1veis e socialmente justas\u201d (<a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/quemsomos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/quemsomos\/<\/a>).<\/p>\n<p>O que as une \u00e9 a cren\u00e7a e a ilus\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel salvar o planeta mesmo sob o capitalismo, apenas \u201cmudando a atitude das pessoas em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente\u201d. Por outro lado estamos em uma situa\u00e7\u00e3o em que o proletariado e suas organiza\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o conseguiram encontrar mecanismos que sejam capazes de enfrentar esse problema com propostas e pr\u00e1tica revolucion\u00e1rias. Trata-se de um problema novo para o qual devem ser dadas respostas tamb\u00e9m novas.<\/p>\n<p>Enfrentar a crise ambiental do ponto de vista do legado do marxismo (rela\u00e7\u00e3o homem-natureza) \u00e9 nesse momento pensar que a revolu\u00e7\u00e3o socialista deve necessariamente ser marcada pela supera\u00e7\u00e3o da totalidade das formas de aliena\u00e7\u00e3o, se apresentando para a solu\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m ambiental (e tamb\u00e9m cultural, sexual, etc). Um mundo equilibrado ambientalmente s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando, homens e mulheres, abolirem a propriedade privada e consigam avan\u00e7ar para o dom\u00ednio consciente da natureza. Mudar o mundo para salvar o planeta!<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h1><strong>A C\u00daPULA DE COPENHAGEN: S\u00d3 ENCENA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h1>\n<\/div>\n<p>Entre 7 e 18 de Dezembro de 2009 realizou-se em Copenhagen, capital da Dinamarca, a C\u00fapula das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, tamb\u00e9m chamada de COP15. O objetivo da c\u00fapula era discutir a implanta\u00e7\u00e3o da chamada \u201cConven\u00e7\u00e3o Marco de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica\u201d, chegando a um compromisso global capaz de obrigar todos os governos a estabelecer metas de redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa.<\/p>\n<div>\n<p>Essa discuss\u00e3o se imp\u00f4s na pauta dos dirigentes globais depois que o Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) publicado em 2007 exp\u00f4s a rela\u00e7\u00e3o entre a emiss\u00e3o de gases (principalmente o CO2 &#8211; di\u00f3xido de carbono &#8211; derivado da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis) e as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas pelas quais o planeta tem passado, em especial a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura m\u00e9dia global (com conseq\u00fc\u00eancias como o derretimento de geleiras e calotas polares, o aumento do n\u00edvel dos mares, a maior incid\u00eancia de tempestades, furac\u00f5es, etc.). Nem mesmo um \u00f3rg\u00e3o da burguesia como a ONU p\u00f4de esconder a discuss\u00e3o sobre esse aspecto dos desequil\u00edbrios ambientais, tal a gravidade da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda restam muitos problemas por discutir, como a falta de saneamento b\u00e1sico e a profus\u00e3o de doen\u00e7as que da\u00ed decorrem, o ac\u00famulo de lixo, a polui\u00e7\u00e3o, o desmatamento, a desertifica\u00e7\u00e3o, a extin\u00e7\u00e3o em massa de esp\u00e9cies vegetais e animais, etc., problemas ambientais que afetam popula\u00e7\u00f5es do mundo inteiro e n\u00e3o respeitam fronteiras nacionais. No capitalismo plenamente mundializado, o planeta inteiro se transformou em cen\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, da qual apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, a burguesia, se beneficia, ao passo que todo o restante sofre as conseq\u00fc\u00eancias desse modo de produ\u00e7\u00e3o (80% das emiss\u00f5es de gases s\u00e3o produzidas pelas ind\u00fastrias, usinas el\u00e9tricas, monocultura agr\u00edcola e pecu\u00e1ria intensiva dos pa\u00edses imperialistas, que concentram 20% da popula\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00fameros de ALAI, 16\/11\/2009). A mundializa\u00e7\u00e3o do capital mundializou tamb\u00e9m a contradi\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o coletiva e apropria\u00e7\u00e3o privada. Os efeitos delet\u00e9rios da degrada\u00e7\u00e3o ambiental atingem principalmente as popula\u00e7\u00f5es socialmente mais vulner\u00e1veis, ou seja, os setores mais pobres e mais explorados da classe trabalhadora mundial.<\/p>\n<p>O fato de que os dirigentes do Estado tenham colocado em pauta a discuss\u00e3o sobre metas de redu\u00e7\u00e3o de CO2 n\u00e3o significa que tenham condi\u00e7\u00f5es de encaminh\u00e1-la satisfatoriamente. O debate foi conduzido de forma anti-democr\u00e1tica, ao estilo das \u00faltimas grandes reuni\u00f5es de c\u00fapula globais, cercadas por pesado aparato de seguran\u00e7a para manter afastados os manifestantes e representantes de concep\u00e7\u00f5es alternativas. De qualquer forma, a press\u00e3o de ONGs e grupos ambientalistas \u00e9 pateticamente insuficiente para lidar com a escala dos problemas envolvidos, pois trata-se de limites do pr\u00f3prio capitalismo. Sem adotar uma perspectiva classista claramente socialista, os movimentos ambientalistas e partidos verdes se convertem em alas inofensivas da esquerda pequeno-burguesa.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da COP15 tornou-se clara a clivagem entre as principais pot\u00eancias imperialistas e os pa\u00edses perif\u00e9ricos e semicoloniais. Os dois grupos lutaram para empurrar um sobre o outro o custo das mudan\u00e7as necess\u00e1rias para reverter o atual estado de degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente planet\u00e1rio. Como conseq\u00fc\u00eancia desse desacordo, a COP15 terminou sem encontrar um substituto para o Protocolo de Kyoto (firmado em 1997 e jamais ratificado pelos Estados Unidos), que saiu de cena sem qualquer resultado palp\u00e1vel em redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. O mecanismo por meio do qual as grandes corpora\u00e7\u00f5es compravam o direito de poluir financiando projetos \u201cverdes\u201d foi apenas um disfarce para a manuten\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de consumo destrutivo dos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do IPCC apontava a necessidade de um corte nas emiss\u00f5es de 25 a 40% at\u00e9 2020 em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 1990 e de 50 a 80% at\u00e9 2050, o que foi desconsiderado. Os documentos finais da Confer\u00eancia n\u00e3o passaram de vagas declara\u00e7\u00f5es de inten\u00e7\u00f5es que n\u00e3o puderam esconder as profundas diverg\u00eancias entre os v\u00e1rios grupos de pa\u00edses. Nem as pot\u00eancias imperialistas puderam chegar a um acordo entre si por conta das suas rivalidades, nem apresentaram qualquer compensa\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses perif\u00e9ricos por conta do receio com o crescimento dos BRICs. A maior parte dos pa\u00edses, incluindo os maiores emissores per capita, os Estados Unidos, e em n\u00fameros absolutos, a China, assumiram metas de redu\u00e7\u00e3o muito mais modestas e referentes aos n\u00edveis de 2005, mas sem compromissos jur\u00eddicos e formas de verifica\u00e7\u00e3o do cumprimento das metas. Em termos de ajuda aos pa\u00edses mais pobres para sua transi\u00e7\u00e3o a tecnologias mais limpas, os resultados da COP15 foram igualmente p\u00edfios.<\/p>\n<p>A impossibilidade dos dirigentes pol\u00edticos do Estado burgu\u00eas de resolver os problemas ambientais e de chegar a um acordo s\u00f3lido sobre qualquer quest\u00e3o relevante decorre do fato de que cada governo representa os interesses da sua fra\u00e7\u00e3o nacional da burguesia, em luta contra as outras burguesias pelo controle do mercado mundial. Por isso cada governo luta para impor sobre os outros pa\u00edses os custos das mudan\u00e7as e esse esquivam de compromissos que possam prejudicar os neg\u00f3cios da burguesia nacional.<\/p>\n<p>Para manter os lucros das respectivas burguesias os governos despejaram quantias imensas de dinheiro no mercado financeiro por conta da crise econ\u00f4mica ao longo de 2008\/2009 (U$ 23 trilh\u00f5es segundo algumas estimativas), mas s\u00e3o incapazes de realizar os investimentos necess\u00e1rios para mudar a atual matriz energ\u00e9tica, que representam um volume de gastos muito menor, calculados em cerca de U$ 500 bilh\u00f5es anuais, ou ainda, para aliviar a situa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses insulares e costeiros em face da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos mares, com custos estimados em U$ 100 bilh\u00f5es (segundo o Banco Mundial). O controle do Estado pelo setor financeiro e petrol\u00edfero impede os governos capitalistas de adotar as medidas que a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e o meio ambiente planet\u00e1rio requerem com urg\u00eancia.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o do Estado pelo salvamento do mercado financeiro e sua recusa a dar sequer os passos iniciais para combater o aquecimento global n\u00e3o s\u00e3o meros equ\u00edvocos dos governantes de turno, mas evid\u00eancias do papel de classe do Estado como garantidor da ordem capitalista e suas iniq\u00fcidades. Num contexto de grave crise econ\u00f4mica, o car\u00e1ter de classe do Estado se acentua ainda mais, pois todas as suas medidas, n\u00e3o apenas no plano ambiental, v\u00e3o no sentido de recuperar os lucros da burguesia atrav\u00e9s do aumento da explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores. Inversamente, a solu\u00e7\u00e3o dos graves problemas ambientais atuais \u00e9 insepar\u00e1vel da luta pela supera\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista como um todo, em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo, no qual a coopera\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora internacional ser\u00e1 capaz de tomar as medidas necess\u00e1rias para direcionar a produ\u00e7\u00e3o para as necessidades humanas e reverter os danos causados pelo capitalismo, restaurando o equil\u00edbrio do ecossistema global.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h2><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<div>\n<h1><strong>TR\u00c2NSITO: CAOS DO MODO DE PRODU\u00c7\u00c3O BURGU\u00caS<\/strong><\/h1>\n<\/div>\n<p>O tr\u00e2nsito e a polui\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 um dos \u201ccalcanhares\u201d dos administradores burgueses. Adota-se todo tipo de medida (restri\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus e de carros, obriga\u00e7\u00e3o de vistoria, etc), mas os problemas continuam se agravando, uma vez que nenhuma delas mexe com o ponto central que \u00e9 adotar um sistema de transporte que n\u00e3o privilegie o lucro e sim as necessidades da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fazem porque teria que romper com a l\u00f3gica capitalista que ordena o modelo de transporte adotado e da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o da cidade na sociedade capitalista.<\/p>\n<div>\n<p>\u00c9 um debate importante porque a luta pelo socialismo compreende uma totalidade que envolve as transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, mas tamb\u00e9m a cultura, o sistema de sa\u00fade (que est\u00e1 relacionado com a qualidade de vida), a localiza\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas (e o que produzir), das escolas e dos hospitais e evidentemente a organiza\u00e7\u00e3o das cidades e do transporte, etc. No socialismo tudo ser\u00e1 organizado racionalmente de modo que o nosso tempo esteja voltado para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades da coletividade e n\u00e3o para os interesses do capital.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o capitalista se caracteriza pelo caos, completamente desorganizada e dispersa obrigando as pessoas se deslocarem por quil\u00f4metros para venderem sua for\u00e7a de trabalho com consequ\u00eancias para o sistema de transporte e para a pr\u00f3pria sa\u00fade. Mais duas quest\u00f5es (entre outras tantas que se poderia falar) que pode demonstrar\u00a0 o caos \u00e9 o que se produz e a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que repercutem no sistema de transporte e na pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o da cidade. O carro al\u00e9m de congestionar ainda polui e a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria joga os trabalhadores e explorados para as periferias, locais distantes do trabalho, da escola e dos hospitais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">Cidades e tr\u00e2nsito: o caos provocado pela burguesia<\/strong><\/h2>\n<p>O atual sistema de transporte no Brasil foi constru\u00eddo a partir da d\u00e9cada de 50, como parte do acordo com o imperialismo para a instala\u00e7\u00e3o das montadoras no pa\u00eds. Para garantir o lucro delas a malha ferrovi\u00e1ria (de carga e de passageiros) foi sucateada e o transporte p\u00fablico passou a funcionar em torno dos \u00f4nibus produzidos por elas.\u00a0 A base desse sistema s\u00e3o os ve\u00edculos automotores seguidos pelos \u00f4nibus e caminh\u00f5es e com o petr\u00f3leo como matriz energ\u00e9tica. Uma escolha para atrair e agradar as montadoras que desde ent\u00e3o lucraram &#8211; e remeteram para as matrizes- bilh\u00f5es e bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A insanidade do capital faz com que suas escolhas ocorram pelo lucro e isso causa v\u00e1rios problemas como a polui\u00e7\u00e3o, os congestionamentos, o deslocamento de bilh\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o e reforma da malha rodovi\u00e1ria (s\u00f3 trecho sul do Rodoanel em S\u00e3o Paulo tem um custo estimado em 4 bilh\u00f5es de reais e \u00e9 respons\u00e1vel por 25% do desmatamento na Grande SP no ano de 2008), a impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo e ideologicamente, em detrimento de um modelo coletivo, uma concep\u00e7\u00e3o individualista no transporte, pois a imensa maioria dos ve\u00edculos s\u00e3o ocupados por uma pessoa. Um modelo que s\u00f3 atende aos interesses da burguesia.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a polui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m que os carros est\u00e3o entre as principais fontes de polui\u00e7\u00e3o do Brasil e do mundo. A causa \u00e9 \u00f3bvia: o combust\u00edvel. Tanto faz a gasolina, o \u00e1lcool ou o diesel. Todas as medidas adotadas pelos governos de plant\u00e3o, ou n\u00e3o t\u00eam nenhum efeito ou ele \u00e9 desprez\u00edvel. J\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o ao meio de transporte a l\u00f3gica tamb\u00e9m \u00e9 perversa, pois com um transporte p\u00fablico de p\u00e9ssima qualidade muitos s\u00e3o empurradas para os carros o que agrava a polui\u00e7\u00e3o e os congestionamentos, mas garante o lucro das montadoras.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras tecnologias que poderiam ser aplicadas no desenvolvimento de transporte com fonte energ\u00e9tica muito menos poluidora, como s\u00e3o os trens e \u00f4nibus el\u00e9tricos. Esses transportes al\u00e9m de polu\u00edrem menos podem transportar muito mais pessoas em um espa\u00e7o muito menor. Mas adotar medidas que substitua os autom\u00f3veis por um sistema coletivo de transporte significaria mexer com os interesses de grandes capitalistas das montadoras, das empresas ligadas ao refino do petr\u00f3leo e da m\u00e1fia que controla as empresas de transporte coletivo nas grandes cidades. Isso nenhum governo burgu\u00eas est\u00e1 disposto a fazer.<\/p>\n<p>Quanto aos congestionamentos os trabalhadores s\u00e3o as maiores v\u00edtimas, uma vez que na atual configura\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o capitalista os trabalhadores s\u00e3o obrigados a irem trabalhar cada vez mais longe o que por si j\u00e1 representa o aumento na jornada de trabalho provocando maior desgaste f\u00edsico e mental. Essa combina\u00e7\u00e3o do tempo gasto para o trabalho e o tempo gasto nos congestionamentos representa a continuidade da apropria\u00e7\u00e3o pela burguesia do tempo do trabalhador e que n\u00e3o \u00e9 remunerado. Assim o trabalhador sequer consegue descansar para se recompor para o dia seguinte e sem falar na dificuldade de que o trabalhador possa participar de reuni\u00f5es sindicais ou pol\u00edticas. Ou seja, a burguesia utiliza o caos que o seu modo de produ\u00e7\u00e3o provoca para manter os trabalhadores sob controle. \u00c9 uma apropria\u00e7\u00e3o f\u00edsica e espiritual dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Em uma sociedade socialista, portanto racional, os trabalhadores al\u00e9m de terem uma jornada de trabalho muito menor trabalhar\u00e3o pr\u00f3ximo de suas resid\u00eancias ou ter\u00e3o computado na sua jornada o tempo de deslocamento, podendo aproveitar essas horas \u201ceconomizadas\u201d para atividades pol\u00edticas, culturais, de lazer e para descanso. S\u00f3 uma sociedade irracional como a capitalista desperdi\u00e7a tanto tempo.<\/p>\n<p>Outro efeito devastador para a natureza \u00e9 a impermeabiliza\u00e7\u00e3o das cidades. Para comportar a quantidade de carros que est\u00e3o sendo produzidos (em 2009 foram\u00a0 quase 3,2 milh\u00f5es) \u00e9 preciso construir uma extensa malha rodovi\u00e1ria, o que faz com que as cidades sejam permanentemente redesenhadas, representando uma destrui\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho e da natureza, uma vez que mais e mais \u00e1rvores precisam ser derrubadas, o solo \u00e9 impermeabilizado e o curso e as margens dos rios sofrem constantes mudan\u00e7as. As recentes enchentes (que Serra culpou a natureza, Kassab a Marta Suplicy e o povo) s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancia dessas altera\u00e7\u00f5es e n\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p>Parte importante do or\u00e7amento do pa\u00eds \u00e9 direcionado para a constru\u00e7\u00e3o e\/ou reforma de estrada (em alguns Estados representa 50% de tudo que \u00e9 aplicado pelo governo Federal), retirando dinheiro de outras \u00e1reas como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Essa grande quantidade de dinheiro em todos os or\u00e7amentos (federal e estaduais) fez com que se desenvolvesse no pa\u00eds grandes grupos econ\u00f4micos (Camargo Correa, Espasamco, etc) que s\u00e3o dependentes dessas obras e para mant\u00ea-las faz todo tipo de falcatrua, como licita\u00e7\u00e3o direcionada, caixa dois para a campanhas eleitorais (al\u00e9m de doa\u00e7\u00e3o p\u00fablica), etc. \u00c9 s\u00f3 mais um elo dessa corrente que se construiu a partir da ado\u00e7\u00e3o desse modelo de transporte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">Ideologia e autom\u00f3vel<\/strong><\/h2>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel como central no sistema de transporte tamb\u00e9m implica em que as pessoas precisam ser convencidas de compr\u00e1-lo e utiliz\u00e1-lo, precisa tornar-se necessidade. Para isso foi montado um imenso aparato ideol\u00f3gico que envolve ag\u00eancias de propagandas, televis\u00e3o, psicologia de massas, etc que tem o poder de \u201cembelezar\u201d homens e mulheres, de mascarar e mudar o meio em que vivemos (todas as propagandas apresentam ruas sem buraco e sem congestionamento) e de declarar o poder dos e das possuidoras de carros sobre o mundo.<\/p>\n<p>Por essa ideologia\u00a0 quem tem um carro \u00e9 diferente e n\u00e3o est\u00e1 submetido aos caos do transporte p\u00fablico, destinado aos de pouca sorte; quem te carro \u00e9 diferente, mais inteligente, faz a escolha certa e \u201cvenceu\u201d na vida. O autom\u00f3vel \u00e9 o s\u00edmbolo do capitalismo e para a pr\u00f3pria burguesia alocada no Brasil era importante essa escolha como demonstra\u00e7\u00e3o de que definitivamente o pa\u00eds se modernizava. Como vemos a partir do autom\u00f3vel se estrutura parte importante da vida em uma sociedade capitalista.<\/p>\n<p>Outro aspecto dessa ideologia \u00e9 colocar o indiv\u00edduo acima da coletividade. Ve\u00edculos altamente poluidores que transportam pouqu\u00edssimas pessoas (na maioria das vezes uma s\u00f3 pessoa) s\u00e3o a representa\u00e7\u00e3o de que o sistema de transporte tamb\u00e9m \u00e9 voltado para a propaga\u00e7\u00e3o do individualismo, fundamental para a ideologia dominante e para a pr\u00f3pria ind\u00fastria automobil\u00edstica. A degrada\u00e7\u00e3o do transporte coletivo \u00e9 parte dessa l\u00f3gica, pois a todo momento na mesma avenida congestionada podemos ver de um \u00f4nibus lotado -com as pessoas em p\u00e9 e amassadas- um ve\u00edculo com um indiv\u00edduo livre desse inferno que \u00e9 o \u00f4nibus. A constru\u00e7\u00e3o consciente dessas compara\u00e7\u00f5es \u00e9 uma t\u00e1tica muito bem pensada pela burguesia de modo que\u00a0 nesse cen\u00e1rio as pessoas possam pensar em sa\u00eddas individuais e ver o autom\u00f3vel como o meio de realiza\u00e7\u00e3o desse desejo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">Construir uma sa\u00edda pela esquerda<\/strong><\/h2>\n<p>A anarquia da produ\u00e7\u00e3o capitalista faz com que ela desloque imensas for\u00e7as de trabalho para a produ\u00e7\u00e3o de bens que significam a destrui\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de vida da humanidade, ou seja, em vez de produzir bens que contribuam para\u00a0 o bem estar das pessoas produz-se aquilo que interessa aos capitalistas. \u00c9 a l\u00f3gica da burguesia.\u00a0 Uma sociedade socialista organizaria a produ\u00e7\u00e3o de modo que se produziria aquilo que realmente atendesse as necessidades humanas e n\u00e3o do lucro.<\/p>\n<p>Precisamos, a partir de nossas frentes de atua\u00e7\u00e3o, abrir essa discuss\u00e3o no movimento, incorporando reivindica\u00e7\u00f5es que garantam transporte coletivo p\u00fablico, gratuito e de qualidade para os trabalhadores. Em uma perspectiva da revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 colocado a necessidade do desenvolvimento de energias que garantam a produ\u00e7\u00e3o das necessidades dos trabalhadores e que n\u00e3o poluam o meio ambiente. Em rela\u00e7\u00e3o ao transporte coletivo at\u00e9 mesmo \u201cespecialistas\u201d burgueses reconhecem que\u00a0 o transporte sobre trilho \u00e9 muito mais barato e menos poluente. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso redirecionar a produ\u00e7\u00e3o automobil\u00edstica do pa\u00eds para ve\u00edculos que garantam a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, como os tratores.<\/p>\n<p>S\u00f3 com essas mudan\u00e7as como essas (que s\u00e3o m\u00ednimas) quantas carretas poderiam deixar de circular\u00a0 e poluir com a ado\u00e7\u00e3o do transporte de cargas para os trens? E quantos \u00f4nibus deixariam de poluir e congestionar se adot\u00e1ssemos o transporte ferrovi\u00e1rio como priorit\u00e1rio? Quantas horas os trabalhadores poderiam se dedicar ao lazer, ao estudo e a pr\u00f3pria milit\u00e2ncia anti capitalista?<\/p>\n<p>Se temos consci\u00eancia de essas medidas s\u00e3o fundamentais tamb\u00e9m sabemos que o capitalismo \u2013pela sua pr\u00f3pria l\u00f3gica do lucro- n\u00e3o pode realizar essas tarefas. S\u00f3 a revolu\u00e7\u00e3o socialista poder\u00e1 levar a frente essas tarefas. Por isso, viremos \u00e0 esquerda.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<div>\n<h1>ACUMULA\u00c7\u00c3O FLEX\u00cdVEL E EDUCA\u00c7\u00c3O FLEX\u00cdVEL<\/h1>\n<\/div>\n<p>Objetivamos mostrar a intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o entre as transforma\u00e7\u00f5es no capitalismo e o papel atribu\u00eddo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Essa an\u00e1lise leva em considera\u00e7\u00e3o o \u201c<em>grau de controle que logrou deter a grande burguesia sobre as crises c\u00edclicas do capitalismo\u201d <\/em>(consci\u00eancia adquirida a partir de 1929) como tamb\u00e9m a substitui\u00e7\u00e3o dos sistemas de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho taylorista e fordista pelo toyotista. Partimos das mudan\u00e7as ocorridas na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho provocadas pelo avan\u00e7o tecnol\u00f3gico a partir dos anos 1970. O avan\u00e7o tecnol\u00f3gico alterou o padr\u00e3o produtivo e introduziu a acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel, substituindo o taylorismo e o fordismo pelo toyotismo.<\/p>\n<div>\n<p>A acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel, como resultado da taxa decrescente do lucro e, consequentemente, da dificuldade da realiza\u00e7\u00e3o do capital, aumentar\u00e1 exponencialmente a taxa de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, e ainda assim n\u00e3o inverter\u00e1 ou evitar\u00e1 a diminui\u00e7\u00e3o da taxa de lucro, pois se trata de uma crise no seio da estrutura de funcionamento do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Por isso, a diminui\u00e7\u00e3o do emprego, dos sal\u00e1rios e das condi\u00e7\u00f5es de trabalho n\u00e3o s\u00e3o <em>\u00a0fatos espor\u00e1dicos\u00a0no capitalismo<\/em>, e sim parte do movimento do capital.<\/p>\n<p>O\u00a0desemprego deixa de ser um fator de crise e converte-se <em>\u201c&#8230; agora em um dos elementos do processo de controle das crises que aciona o mecanismo de desaquecimento da economia como forma de mant\u00ea-la ajustada \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais vigentes, comandadas pelos interesses do sistema financeiro internacional.\u201d<\/em> (SAVIANI, Dermeval.<em>In: Capitalismo, Trabalho e Educa\u00e7\u00e3o, p.22)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">O papel atribu\u00eddo a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o passa a se submeter diretamente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de funcionamento da economia capitalista, pois o trabalho pedag\u00f3gico articula-se com o processo do trabalho capitalista, se constituindo no toyotismo \u201c<em>em forma de disciplinamento para a vida social e produtiva no capitalismo.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Esse disciplinamento <em>\u201cconfigura-se como uma transforma\u00e7\u00e3o intelectual, cultural, pol\u00edtica e \u00e9tica, uma vez que tem por objetivo o desenvolvimento de uma concep\u00e7\u00e3o de mundo t\u00e3o consensual quanto seja poss\u00edvel, tendo em vista as necessidades de valoriza\u00e7\u00e3o do capital.\u201d <\/em>(KUENZER, Ac\u00e1cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa\u00e7\u00e3o e Capitalismo, p.82)<\/em><\/p>\n<p>O que se pretende \u00e9 formar <em>\u201cum povo manso e resignado, respeitoso e discreto, um povo para quem os patr\u00f5es sempre tenham raz\u00e3o.\u201d<\/em> Ou seja, <em>\u201cum povo ideal para uma burguesia que s\u00f3 aspira resolver sua pr\u00f3pria crise.\u201d <\/em>(PONCE, \u00a0An\u00edbal<em>. In: Educa\u00e7\u00e3o e Luta de Classes, p.173<\/em>)<\/p>\n<p>O disciplinamento \u00e9 necess\u00e1rio uma vez que a educa\u00e7\u00e3o assume, de acordo com as necessidades do mercado, o princ\u00edpio da flexibilidade como condi\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o segundo a demanda. \u201c<em>Isso gera a necessidade n\u00e3o mais de produzir estoques de m\u00e3o-de-obra com determinadas compet\u00eancias para responder \u00e0s demandas de postos de trabalho \u2013 cujas tarefas s\u00e3o bem definidas -, mas para formar trabalhadores e pessoas com comportamentos\u00a0 flex\u00edveis, de modo que se adaptem, com rapidez e efici\u00eancia, a situa\u00e7\u00f5es novas, bem como criarem respostas para situa\u00e7\u00f5es imprevistas.\u201d (<\/em>KUENZER, Ac\u00e1cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa\u00e7\u00e3o e Capitalismo, p. 87)<\/em><\/p>\n<p>E n\u00e3o apenas isso, forma-se uma m\u00e3o-de-obra que ora pode ser utilizada, ora pode ser parcialmente descartada ou totalmente descartada, de acordo com as necessidades do mercado, ou seja, m\u00e3o-de-obra flex\u00edvel.<\/p>\n<p>Dessa forma, a escola dever\u00e1 formar alunos com um repert\u00f3rio, ou seja, com compet\u00eancias e habilidades que possibilitem-no fazer escolhas. Uma aprendizagem para a inser\u00e7\u00e3o no mundo produtivo e solid\u00e1rio, e que se adapte a essa l\u00f3gica flex\u00edvel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o disciplinamento procura eliminar a exist\u00eancia de classes sociais e da luta de classes.\u00a0Com a terminologia de parceiros sociais, a escola\u00a0esconde o que sempre pretendeu a burguesia: ocultar a\u00a0exist\u00eancia de classes sociais e da luta de classes para n\u00e3o ocorrer\u00a0uma rea\u00e7\u00e3o por parte dos trabalhadores contra a precariza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, e para aceitarem a \u201crealidade como ela \u00e9\u201d,\u00a0evitando qualquer possibilidade de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">Exclus\u00e3o incluente e inclus\u00e3o excludente<\/strong><\/h2>\n<p>O toyotismo na educa\u00e7\u00e3o e no trabalho tem como um dos objetivos o aprofundamento da separa\u00e7\u00e3o entre trabalhadores e dirigentes, e entre trabalho intelectual e trabalho instrumental. Tamb\u00e9m entra em cena um processo de \u201cexclus\u00e3o incluente\u201d, em que verificamos a exclus\u00e3o do trabalhador do mercado formal, com direitos assegurados e a inclus\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u00a0prec\u00e1rias. Dessa forma, os trabalhadores s\u00e3o desempregados e reempregados com sal\u00e1rios rebaixados, muitos contratados por empresas terceirizadas, desempenhando a mesma fun\u00e7\u00e3o e ganhando menos ou indo para a informalidade. Com isto, o setor reestruturado se alimenta e mant\u00e9m sua competitividade atrav\u00e9s do trabalho precarizado.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica, do ponto de vista da educa\u00e7\u00e3o, produz uma outra l\u00f3gica na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, a \u201cinclus\u00e3o excludente\u201d. Ou seja,<em>\u201cas estrat\u00e9gias de inclus\u00e3o nos diversos n\u00edveis e modalidades da educa\u00e7\u00e3o\u00a0 escolar aos quais n\u00e3o correspondem os necess\u00e1rios padr\u00f5es de qualidade que permitam a forma\u00e7\u00e3o de identidades aut\u00f4nomas intelectual e eticamente, capazes de responder e superar as demandas do capitalismo; ou, na linguagem toyotista, homens e mulheres flex\u00edveis, capazes de resolver problemas novos com rapidez e efici\u00eancia, acompanhando as mudan\u00e7a e educando-se permanentemente.\u201d (<\/em>KUENZER, Ac\u00e1cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa\u00e7\u00e3o e Capitalismo, p. 92)<\/em><\/p>\n<p>Atribui-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o de corrigir as distor\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es geradas pela l\u00f3gica de funcionamento do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, amenizando a precariza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, bem como conter socialmente, sobretudo nas periferias, os descartados pelo sistema para garantir liberdade de consumo.<\/p>\n<p>Com base nisso, \u00e9 necess\u00e1rio lutarmos por uma educa\u00e7\u00e3o que rompa com a l\u00f3gica de funcionamento do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Por isso, defendemos:<\/p>\n<p>&#8211; A luta por uma Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade sob o controle dos trabalhadores deve ser combinada com a luta pelo fim do capitalismo e por uma sociedade socialista!<\/p>\n<p>&#8211; A Educa\u00e7\u00e3o deve ser tratada em todos os n\u00edveis, como um bem coletivo, um dos instrumentos de transforma\u00e7\u00e3o social e como um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e desenvolvimento humano!<\/p>\n<p>&#8211; Ensino p\u00fablico laico e gratuito em todos os n\u00edveis!<\/p>\n<p>&#8211; Uma escola emancipadora de todo tipo opress\u00e3o e que desenvolva a consci\u00eancia socialista!<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<h2><a name=\"titulo7\"><\/a><\/h2>\n<h1><strong>HONDURAS: MAIS UMA PROVA DE QUE N\u00c3O SE DEVE CONFIAR EM POL\u00cdTICO BURGU\u00caS<\/strong><\/h1>\n<\/div>\n<p>No m\u00eas de junho do ano passado os setores mais reacion\u00e1rios e pr\u00f3ximos do imperialismo estadunidense organizaram um golpe e derrubaram Manuel Zelaya, presidente eleito de Honduras. A igreja cat\u00f3lica, o legislativo, o judici\u00e1rio e os principais grupos empresariais do pa\u00eds apoiaram abertamente o golpe.<\/p>\n<div>\n<p>A justificativa dos golpistas era de que defendiam a Constitui\u00e7\u00e3o, mas o que estava em quest\u00e3o era a proposta de uma consulta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, que poderia levar a uma Constituinte e abrir v\u00e1rias discuss\u00f5es como a da propriedade e posse da terra, da jornada de trabalho, do aumento salarial, etc., ou seja, poderia surgir um movimento massivo dos trabalhadores pelos seus direitos.<\/p>\n<p>Manuel Zelaya n\u00e3o \u00e9 socialista e muito menos revolucion\u00e1rio. Foi eleito pelo partido Liberal e se caracteriza por ser um governo capitalista. Mas, por conta da press\u00e3o da crise econ\u00f4mica e das manifesta\u00e7\u00f5es populares passou a defender algumas medidas que, al\u00e9m de afetarem minimamente as margens de lucro da burguesia reacion\u00e1ria de Honduras, tamb\u00e9m poderiam abrir caminho para processos de luta e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores que viessem a ultrapassar os limites desejados at\u00e9 mesmo pelo pr\u00f3prio Zelaya.<\/p>\n<p>Caracterizamos de car\u00e1ter preventivo o golpe contra o governo Zelaya a fim de evitar que as reformas \u2013 m\u00ednimas e insuficientes \u2013 que estavam sendo implementadas pudessem mexer no lucro da burguesia, numa demonstra\u00e7\u00e3o bem evidente de que n\u00e3o tem disposi\u00e7\u00e3o nenhuma de fazer ou aceitar qualquer reforma por menor que seja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">S\u00f3 os trabalhadores podem garantir mudan\u00e7as<\/strong><\/h2>\n<p>A burguesia \u00e9 incapaz de defender e levar adiante as reformas. \u00c9 assim com todo tipo de governo reformista (Ch\u00e1vez, Correa, Morales, etc.) que, diante de qualquer conflito com o setor mais reacion\u00e1rio, recua, sabota e at\u00e9 reprime as mobiliza\u00e7\u00f5es mais radicalizadas.<\/p>\n<p>Durante todo o processo de luta contra o golpe, Zelaya e seus seguidores apostaram na \u201cvia pac\u00edfica\u201d, de negocia\u00e7\u00e3o com os golpistas e o imperialismo com o \u00fanico objetivo de \u00a0retomar o seu cargo de presidente. Esse era o seu objetivo. Nada mais al\u00e9m.<\/p>\n<p>Podemos destacar algumas medidas pol\u00edticas apresentadas por Zelaya que foram contr\u00e1rias aos interesses, necessidades e at\u00e9 mesmo contra os objetivos dos trabalhadores o que demonstra sua limita\u00e7\u00e3o. Primeiro disseminando a ilus\u00e3o de que o governo dos Estados Unidos e as organiza\u00e7\u00f5es a servi\u00e7o do imperialismo (ONU, OEA, etc.) pudessem estar contra o golpe (afirmamos em Boletim do Espa\u00e7o Socialista que na verdade os Estados Unidos foram um dos organizadores do golpe). Segundo, que ao optar pelas negocia\u00e7\u00f5es, tratou de frear todo tipo de mobiliza\u00e7\u00e3o dos jovens e trabalhadores que pudesse desestabilizar o conjunto do regime e abrisse caminho para uma a\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores que fosse al\u00e9m das medidas que tinha adotado. Terceiro, terminou por legitimar o processo eleitoral organizado \u2013 e fraudado \u2013 pelos golpistas em que menos da metade dos eleitores compareceram. Pol\u00edtica que levou \u00e0 derrota o movimento contra o golpe e legitimimou-o.<\/p>\n<p>As bases dessa trai\u00e7\u00e3o s\u00e3o objetivas, pois Zelaya, como burgu\u00eas e propriet\u00e1rio de terras que \u00e9, <strong>n\u00e3o adotaria uma posi\u00e7\u00e3o contra a sua classe social. <\/strong>Um processo radicalizado que avan\u00e7asse contra a propriedade privada significava que a sua propriedade tamb\u00e9m estaria em risco. \u00a0Zelaya , com essa pol\u00edtica, buscava substituir a luta contra os interesses da burguesia em geral para uma luta movida unicamente pelos seus interesses, que \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o da luta pelo seu poder com a manuten\u00e7\u00e3o dos interesses da burguesia.<\/p>\n<p>O ensinamento mais importante para os trabalhadores e principalmente para os militantes e ativistas \u00e9 que <strong>n\u00e3o devemos confiar em nenhum burgu\u00eas e nem em seus agentes<\/strong>, pois ao primeiro sinal de que os seus interesses pol\u00edticos e materiais estejam em risco ir\u00e3o mostrar a sua cara e trair os trabalhadores e que tamb\u00e9m <strong>pela via de negocia\u00e7\u00f5es com o inimigo nada se consegue.<\/strong> \u00c9 uma li\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Desde as revolu\u00e7\u00f5es burguesas do s\u00e9culo XIX at\u00e9 as contempor\u00e2neas (Boliviana de 1952, Nicarag\u00fcense e Iraniana de 1979, etc.) tem-se em comum a trai\u00e7\u00e3o e a conseq\u00fcente derrota dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Quando s\u00e3o obrigados a irem al\u00e9m de suas pretens\u00f5es o fazem para n\u00e3o perderem o controle da situa\u00e7\u00e3o, mas no primeiro momento de descuido do movimento oper\u00e1rio voltam a trair. Exce\u00e7\u00e3o que confirma a regra.<\/p>\n<p>Somente os trabalhadores a partir de uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica independente da burguesia podem levar adiante as tarefas de enfrentar as ditaduras fascistas e ao mesmo tempo se emanciparem politicamente. Somente os trabalhadores, pela rela\u00e7\u00e3o de explorados que mant\u00eam com a propriedade privada, podem acabar com a propriedade privada. <strong>Nenhum burgu\u00eas vai lutar e garantir a democracia plena porque significaria o seu fim.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong style=\"font-size: 1.17em;\">As mobiliza\u00e7\u00f5es assustaram os golpistas e Zelaya<\/strong><\/h2>\n<p>Em todo processo de mobiliza\u00e7\u00e3o, principalmente quando provoca alguma instabilidade no regime pol\u00edtico, a quest\u00e3o do poder est\u00e1 colocada, seja como tarefa imediata (quando h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas) ou como propaganda. As mobiliza\u00e7\u00f5es e as greves levam os trabalhadores a refletirem sobre a sua condi\u00e7\u00e3o de vida, sua for\u00e7a na sociedade, a se organizarem, a vislumbrar a possibilidade de tomarem em suas m\u00e3os o seu pr\u00f3prio destino, ou seja, de que as coisas podem mudar. Por isso as mobiliza\u00e7\u00f5es, por menores que sejam, deixam a burguesia apavorada.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a ida de Zelaya para a embaixada brasileira o movimento deu um salto de qualidade, inclusive com a possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de uma greve geral. O enfrentamento direto era a \u00fanica forma de obrigar os golpistas a abandonarem o poder, mas Zelaya, como todo burgu\u00eas reformista, se assustou com a possibilidade de que a classe trabalhadora, radicalizada, se colocasse como sujeito social e fosse mais al\u00e9m de suas t\u00edmidas medidas reformistas.<\/p>\n<p>Tudo que Zelaya conseguiu pela via da negocia\u00e7\u00e3o foi ser enganado pelo representante do governo dos Estados Unidos, o direito de sair do pa\u00eds \u201cpelas portas da frente\u201d, mas na pr\u00e1tica foi obrigado a reconhecer o resultado da elei\u00e7\u00e3o de 29 de novembro, da qual saiu vencedor Pepe Lobo \u2013 que se n\u00e3o apoiou diretamente o golpe foi um dos c\u00famplices mais importante. Um acordo de cavalheiros em que tudo continuou como antes.<\/p>\n<p>Na base do movimento essa pol\u00edtica se expressava pela defesa, por parte dos zelaystas, de que o momento \u00e9 de reconcilia\u00e7\u00e3o nacional e as negocia\u00e7\u00f5es e acordos visam construir as condi\u00e7\u00f5es para que se d\u00ea tal reconcilia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o falam, entretanto que essa reconcilia\u00e7\u00e3o tem como pressuposto a aceita\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es impostas pelos golpistas: nenhuma reforma constitucional, nenhuma concess\u00e3o para os trabalhadores, que o poder fique nas m\u00e3os da burguesia e de seus lacaios (igreja, judici\u00e1rio e legislativo) e nenhuma puni\u00e7\u00e3o aos golpistas assassinos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhuma possibilidade de reconcilia\u00e7\u00e3o com a burguesia de Honduras e nem com nenhuma outra. Reconcilia\u00e7\u00e3o para a burguesia significa que as coisas ficam como est\u00e3o. Li\u00e7\u00e3o fundamental que os trabalhadores hondurenhos precisar\u00e3o compreender para as pr\u00f3ximas lutas, ou seja, construir as suas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e se colocarem como dire\u00e7\u00e3o e for\u00e7a pol\u00edtica do processo em oposi\u00e7\u00e3o a toda burguesia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=272#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n\t<span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: rgb(17, 17, 17); font-size: 28px; line-height: 42px; \"><strong>CONTRA AS SA&Iacute;DAS BURGUESAS, APRESENTAR UMA SA&Iacute;DA DOS TRABALHADORES!<\/strong><\/span><\/p>\n<div>\n<p>\n\t\tPrimeiramente, &eacute; preciso desmistificar a id&eacute;ia de que a crise j&aacute; tenha sido superada: embora haja uma recupera&ccedil;&atilde;o nos setores de constru&ccedil;&atilde;o civil, exporta&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias-primas e de servi&ccedil;os, a produ&ccedil;&atilde;o industrial brasileira &ndash; dado fundamental em qualquer an&aacute;lise econ&ocirc;mica &ndash; teve queda de 7,4% em 2009, comparado a 2008. Foi a maior queda anual desde 1990. (<a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/producao-industrial-tem-queda-de-7-4-em-2009,not_3375.htm\">http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/producao-industrial-tem-queda-de-7-4-em-2009,not_3375.htm<\/a>).<\/p>\n<p>\n\t\tO f&ocirc;lego da retomada atual depender&aacute; muito da economia mundial, particularmente dos pa&iacute;ses centrais, cujas economias praticamente continuam estagnadas, bem abaixo dos n&iacute;veis pr&eacute;-crise. As dificuldades crescentes dos pa&iacute;ses mais pobres da Europa em manter os pagamentos dos juros de suas d&iacute;vidas demonstram que a situa&ccedil;&atilde;o mundial ainda n&atilde;o est&aacute; definida no sentido de uma recupera&ccedil;&atilde;o, o que tamb&eacute;m desautoriza a festa que a burguesia brasileira e o governo e v&ecirc;m fazendo.<\/p>\n<p>\n\t\tTrata-se de uma retomada em grande medida artificial, pois as causas estruturais da crise n&atilde;o foram resolvidas. N&atilde;o h&aacute; aumento real de poder de compra dos trabalhadores ou da classe m&eacute;dia que possa sinalizar um novo ciclo de crescimento sobre bases s&oacute;lidas.<\/p>\n<p>\n\t\tToda a ajuda financeira dos governos ocorreu no sentido de fornecer incentivos fiscais, cr&eacute;dito barato e seguro &agrave;s empresas e &agrave;s fam&iacute;lias para, com isso, incentivar o consumo e tentar recompor a taxa de lucro das empresas no curto prazo. Por&eacute;m, isso gera novas contradi&ccedil;&otilde;es para um futuro n&atilde;o muito distante. Um exemplo &eacute; o aumento da D&iacute;vida P&uacute;blica da Uni&atilde;o, que fechar&aacute; 2010 entre 1,60 trilh&atilde;o e 1,73 trilh&atilde;o de reais. (<u><a href=\"http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRSPE60P02I20100126\">http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRSPE60P02I20100126<\/a>).<\/u><\/p>\n<p>\n\t\tDe forma geral, houve uma explos&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito &ndash; leia-se de endividamento &ndash; que cresceram 14,9% no Brasil, s&oacute; em 2009, atingindo a soma de R$ 1,410 trilh&atilde;o. Esse valor representa 45% do PIB, contra 39,7% em 2008.&nbsp; (<a href=\"http:\/\/www.diariosp.com.br\/Noticias\/Economia\/180\/Credito+cresce+14,9%25+no+Brasil+em+2009\">http:\/\/www.diariosp.com.br\/Noticias\/Economia\/180\/Credito+cresce+14,9%25+no+Brasil+em+2009<\/a>). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas ao mesmo tempo, a burguesia vem implementado uma nova reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, atrav&eacute;s do aumento da sobrecarga de trabalho sobre os trabalhadores que permaneceram, da redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios e direitos, da precariza&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos de contrata&ccedil;&atilde;o, etc. Outra sa&iacute;da adotada &eacute; a fus&atilde;o de empresas, cujos exemplos mais atuais s&atilde;o a compra das <em>Casas Bahia<\/em> pela Rede <em>P&atilde;o de A&ccedil;&uacute;car<\/em>, e a compra da <em>Nossa Caixa<\/em> pelo <em>Banco do Brasil<\/em>. Quantas lojas e ag&ecirc;ncias poder&atilde;o ser fechadas?<\/p>\n<p>\n\t\tAssim, por mais que o estado intervenha para aquecer artificialmente a economia &ndash; e essa interven&ccedil;&atilde;o tem um limite &ndash;, as a&ccedil;&otilde;es estruturais de cada empresa individualmente t&ecirc;m o efeito de corroer o <em>mercado real<\/em> de consumo de massas. Ao longo do tempo, essa tend&ecirc;ncia estrutural de lento crescimento\/estagna&ccedil;&atilde;o dos mercados voltar&aacute; a se impor e teremos a irrup&ccedil;&atilde;o muito mais severa da crise, agravada ainda pela crise financeira devido ao enorme endividamento que vem sendo incentivado no Brasil.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t<strong>Os mecanismos do estado para manter e aumentar a explora&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\tNo imediato, mesmo com a recupera&ccedil;&atilde;o atual, sentimos o endurecimento do empresariado e do estado capitalista para com os trabalhadores em todos os aspectos. Os empregos gerados no &uacute;ltimo per&iacute;odo registram sal&aacute;rios menores e v&iacute;nculos prec&aacute;rios.<\/p>\n<p>\n\t\tIsso n&atilde;o &eacute; produto da vontade individual deste ou daquele empres&aacute;rio, mas express&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o a que chegou o sistema capitalista. Devido &agrave; tend&ecirc;ncia de estagna&ccedil;&atilde;o\/lento crescimento da demanda real apontada acima, a competi&ccedil;&atilde;o entre as empresas acirra-se mais ainda, e tamb&eacute;m os ataques aos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tO Estado tenta se equilibrar entre duas tend&ecirc;ncias: de um lado, os gastos com a ajuda ao capital produtivo e, do outro, o pagamento dos juros da D&iacute;vida P&uacute;blica ao capital financeiro; esse equil&iacute;brio s&oacute; pode se manter &agrave; medida que o estado se desobrigue cada vez mais dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos destinados &agrave; imensa maioria da popula&ccedil;&atilde;o, aumente as taxas p&uacute;blicas, mantenha congelado o sal&aacute;rio do funcionalismo p&uacute;blico, fa&ccedil;a reformas como a da Previd&ecirc;ncia, ou seja, tamb&eacute;m ataque os trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tNo plano pol&iacute;tico, jur&iacute;dico, ideol&oacute;gico e militar, cumpre ao Estado &ldquo;organizar e manter o consenso&rdquo;, ou seja, a id&eacute;ia de que n&atilde;o h&aacute; outra sa&iacute;da a n&atilde;o ser propiciar as melhores condi&ccedil;&otilde;es de lucratividade para as empresas como forma de impedir a quebra da economia e o desemprego. &Eacute; a ideologia do &ldquo;N&atilde;o h&aacute; Alternativa&rdquo;.<\/p>\n<p>\n\t\tA democracia burguesa tem se mostrado uma pol&iacute;tica bastante eficaz para ludibriar, cooptar e controlar os trabalhadores. Atrav&eacute;s dos ditos &ldquo;mecanismos participativos&rdquo;, e de institui&ccedil;&otilde;es comprometidas at&eacute; a alma com os interesses dos empres&aacute;rios: o capital busca a legitimidade para impor seus interesses, fazendo passar a id&eacute;ia de que os seus interesses s&atilde;o os interesses de todos ou da maioria. Na democracia burguesa n&atilde;o significa que n&atilde;o h&aacute; repress&atilde;o aos movimentos sociais, mas sim que essa repress&atilde;o &eacute; legalizada. H&aacute; inclusive a possibilidade de uma combina&ccedil;&atilde;o da democracia burguesa com a escalada militarista, como no caso de Honduras, em que os golpistas buscaram se legitimar a partir de institui&ccedil;&otilde;es como o Congresso e a Suprema Corte e, ao final, para se consolidar, recorreram &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es, em que seu candidato venceu.<\/p>\n<p>\n\t\tOutro mecanismo bastante utilizado tem sido o assistencialismo, com o objetivo de acomodar e desmoralizar o setor mais pauperizado, dotado de maior explosividade, opondo-o aos demais setores da classe trabalhadora, para os quais a pol&iacute;tica &eacute; de endurecimento, como no caso dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, dos correios, banc&aacute;rios, etc. Atrav&eacute;s das in&uacute;meras formas de assistencialismo, tamb&eacute;m se coopta as dire&ccedil;&otilde;es e ativistas mais din&acirc;micos que poderiam se constituir num problema para o governo e o sistema. Esse foi o caso das in&uacute;meras &ldquo;Bolsas&rdquo;, PROUNI, etc.<\/p>\n<p>\n\t\tJ&aacute; para os movimentos que alcan&ccedil;am maior conflitividade, a pol&iacute;tica &eacute; de repress&atilde;o direta, como por exemplo a luta dos camel&ocirc;s, dos movimentos dos atingidos pelas enchentes, das ocupa&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es do MST nas fazendas do agroneg&oacute;cio, entre outros. Nas favelas, a ordem &eacute; a mesma: controle e repress&atilde;o sobre qualquer movimento que venha a amea&ccedil;ar o funcionamento normal do consumo, do turismo, dos lucros.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t<strong>CUT, FOR&Ccedil;A e CTB: Defendendo o capital, contra os trabalhadores<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\t&nbsp;&Eacute; preciso frisar que todas essas a&ccedil;&otilde;es, tanto dos empres&aacute;rios como do estado, t&ecirc;m contado com a ajuda direta ou indireta das dire&ccedil;&otilde;es do movimento, particularmente da CUT e da For&ccedil;a Sindical. Sua postura tem sido a de defender as parcerias com os empres&aacute;rios, via acordos de flexibiliza&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios e direitos, isen&ccedil;&otilde;es de impostos para as empresas e o incentivo ao endividamento geral como se fossem pol&iacute;ticas positivas. Assim, as empresas demitem e\/ou precarizam os contratos, mostrando que esse tipo de acordo s&oacute; interessa aos empres&aacute;rios. Essas dire&ccedil;&otilde;es abriram m&atilde;o de qualquer perspectiva de ruptura e supera&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica do capital e do lucro. Assumindo para si o horizonte do capitalismo como o &uacute;nico poss&iacute;vel, realmente h&aacute; muito pouco a se fazer e cai-se, mais cedo ou mais tarde, no discurso de que os trabalhadores e os capitalistas s&atilde;o parceiros e que, quando um ganha, todos ganham, o que &eacute; uma grande mentira.<\/p>\n<p>\n\t\t&Agrave; falta de uma perspectiva de luta e socialista da classe trabalhadora, a burguesia que opera no Brasil consegue descarregar parte do peso da crise econ&ocirc;mica sobre esta, impedindo momentaneamente uma grande recess&atilde;o ou mesmo uma depress&atilde;o.<\/p>\n<h3>\n\t\t&nbsp;<\/h3>\n<h3>\n\t\t<strong>Combate pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico &agrave; l&oacute;gica do capital<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\tPortanto, o maior desafio que est&aacute; colocado para o pr&oacute;ximo per&iacute;odo &eacute; o de ser parte e intervir na base dos v&aacute;rios movimentos e f&oacute;runs de luta e de reorganiza&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora, no sentido da reconstru&ccedil;&atilde;o de uma sa&iacute;da de luta e socialista desde a vanguarda at&eacute; setores de massa, apresentando uma cr&iacute;tica profunda dos v&aacute;rios mecanismos de domina&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores aplicados pela burguesia e seu estado. N&atilde;o basta apenas ficar repetindo que o governo Lula &eacute; traidor, como fazem a maioria das organiza&ccedil;&otilde;es da esquerda. &Eacute; preciso demonstrar os fundamentos que o levam a agir assim, as contradi&ccedil;&otilde;es desses fundamentos e, a partir da&iacute;, apresentar uma sa&iacute;da cr&iacute;tica-pr&aacute;tica, e n&atilde;o apenas um amontoado de palavras de ordem, sem rela&ccedil;&atilde;o com a realidade dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tA interven&ccedil;&atilde;o da esquerda neste ano ter&aacute; alguns desafios importantes: em primeiro lugar, &eacute; preciso denunciar a euforia enganosa de que agora tudo vai ficar bem e que o Brasil &eacute; o pa&iacute;s do futuro. &Eacute; preciso lembrar que o espa&ccedil;o reservado para o Brasil dentro da divis&atilde;o mundial do trabalho &eacute; basicamente o de fornecedor de mat&eacute;rias-primas e de uma plataforma de exporta&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina. Esse papel n&atilde;o &eacute; nem de perto suficiente para al&ccedil;ar o Brasil &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;s de primeira grandeza no mundo. Al&eacute;m disso, mesmo que a economia brasileira venha a se desenvolver, isso n&atilde;o significa que haver&aacute; melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida para os trabalhadores. O padr&atilde;o capitalista de desenvolvimento que est&aacute; sendo implantado &eacute; extremamente explorador dos trabalhadores e destruidor do ambiente. A Copa em 2014 e as Olimp&iacute;adas em 2016 s&atilde;o muito mais despesas para o Estado do que investimentos do capital. Os empregos gerados ser&atilde;o tempor&aacute;rios e mal remunerados. Um bom exemplo foi a realiza&ccedil;&atilde;o do <em>Pan<\/em> no Rio de Janeiro, que de nada serviu para melhorar a situa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e, ao contr&aacute;rio, os problemas sociais se agravaram, aumentando o poder de a&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico e a repress&atilde;o da pol&iacute;cia sobre os moradores das comunidades de periferia.<\/p>\n<p>\n\t\tCom rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s campanhas salariais, o maior desafio &eacute; impulsion&aacute;-las para al&eacute;m dos limites imediatistas e corporativistas, no sentido de que busquem uma ponte entre suas demandas e as dos demais trabalhadores, apontando sa&iacute;das mais gerais para aspectos estruturais da sociedade como a educa&ccedil;&atilde;o, a sa&uacute;de, o emprego, a Previd&ecirc;ncia, o ambiente, os transportes, a viol&ecirc;ncia, o racismo, a opress&atilde;o da mulher, etc.<\/p>\n<p>\n\t\tEste ano, nos dias 5 e 6 de junho, haver&aacute; a realiza&ccedil;&atilde;o do CONCLAT &ndash; &ldquo;Congresso Nacional da Classe Trabalhadora&rdquo; &ndash; que poder&aacute; fundar uma nova Central de Luta, como alternativa de luta &agrave; CUT e demais centrais governistas. A tarefa central a&iacute; ser&aacute;, n&atilde;o apenas fundar uma nova central, mas acima de tudo uma nova concep&ccedil;&atilde;o de atua&ccedil;&atilde;o sindical que supere os limites atuais e esteja &agrave; altura dos desafios colocados pelo capitalismo de hoje. &Eacute; preciso superar o sindicalismo imediatista, caracter&iacute;stico da maioria das correntes de esquerda, sob pena de n&atilde;o se conseguir sequer defender as conquistas existentes. &Eacute; preciso debater com a classe trabalhadora a necessidade da ruptura com a l&oacute;gica do lucro e a constru&ccedil;&atilde;o de uma outra sociedade, em base a um compromisso com as necessidades reais da maioria da popula&ccedil;&atilde;o, definidas democraticamente. Outras lutas importantes s&atilde;o contra a burocratiza&ccedil;&atilde;o &ndash; o que exige permanente a&ccedil;&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o para que os trabalhadores venham a ocupar os espa&ccedil;os de decis&atilde;o nas entidades &ndash;, bem como a ado&ccedil;&atilde;o de medidas que dificultem o processo de burocratiza&ccedil;&atilde;o, como rod&iacute;zio, fim dos privil&eacute;gios, controle sobre os mandatos, etc. Enfim, &eacute; preciso um novo sindicalismo, uma re-educa&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria esquerda atual.<\/p>\n<h3>\n\t\t&nbsp;<\/h3>\n<h3>\n\t\t<strong>Construir um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores pela base!<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\tOutro fato importante, e que j&aacute; est&aacute; influenciando a realidade brasileira, s&atilde;o as elei&ccedil;&otilde;es de 2010. Por tr&aacute;s de toda a disputa presidencial entre PT e PSDB, esconde-se a unidade de ambos os setores em torno do mesmo projeto para o pa&iacute;s: a manuten&ccedil;&atilde;o da inser&ccedil;&atilde;o subordinada do pa&iacute;s &agrave; l&oacute;gica do capitalismo globalizado. Ambos defendem a manuten&ccedil;&atilde;o dos compromissos com o capital financeiro, as isen&ccedil;&otilde;es de impostos para as empresas, o corte dos direitos sociais, a entrega dos recursos naturais ao capital privado, etc. A &uacute;nica disputa &eacute; se a burocracia pol&iacute;tica, de estado e sindical representada pelo PT continuar&aacute; abocanhando uma parte da renda do estado, ou se a burguesia propriamente dita ficar&aacute; com tudo, ao administrar o pa&iacute;s sem a intermedia&ccedil;&atilde;o da burocracia.<\/p>\n<p>\n\t\tJ&aacute; a tarefa da esquerda, muito mais do que buscar qualquer viabilidade por dentro da l&oacute;gica eleitoral, &eacute; a de uma cr&iacute;tica profunda aos fundamentos do modelo de economia e de sociedade que est&aacute; sendo implementado no Brasil e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias. Mais do que qualquer coisa, &eacute; preciso disputar a consci&ecirc;ncia de amplos setores para um programa de ruptura com a l&oacute;gica capitalista e a apresenta&ccedil;&atilde;o de uma alternativa socialista para o pa&iacute;s e a sociedade.<\/p>\n<p>\n\t\tOutro pilar de sustenta&ccedil;&atilde;o dessa atua&ccedil;&atilde;o tem que ser a unidade da esquerda de luta, que essa unidade ocorra pela base e esteja enraizada nos movimentos sociais. Nesse ponto, n&atilde;o podemos deixar de dizer que as duas principais correntes, tanto o PSOL quanto o PSTU come&ccedil;aram mal.<\/p>\n<p>\n\t\tO PSOL insistiu at&eacute; o &uacute;ltimo momento em uma Frente com o PV de Marina Silva, um partido que diz defender a natureza, mas incoerentemente tem em seu programa a defesa da &ldquo;livre iniciativa&rdquo; e da &ldquo;economia de mercado&rdquo;. Quando, por fim, o PV demonstrou que em seu arco de alian&ccedil;as cabe at&eacute; o PSDB, como no Rio de janeiro, o PSOL n&atilde;o teve mais como sustentar essa tentativa e a partir da&iacute; passou a defender uma candidatura pr&oacute;pria em coliga&ccedil;&atilde;o com outros partidos da esquerda, candidatura essa que ser&aacute; definida em mar&ccedil;o, em sua confer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>\n\t\tJ&aacute; o PSTU, apesar de dizer que defende uma Frente Classista e Socialista dos Trabalhadores, assim que percebeu o movimento de aproxima&ccedil;&atilde;o do PSOL com o PV, preferiu j&aacute; lan&ccedil;ar seu pr&eacute;-candidato &ndash; Z&eacute; Maria. Ao nosso ver, isso caracteriza uma concep&ccedil;&atilde;o equivocada, em que o partido decide tudo e os ativistas e demais trabalhadores s&oacute; entram na hora de fazer campanha e\/ou votar&#8230;<\/p>\n<p>\n\t\tOra, do que se trata &eacute; justamente da constitui&ccedil;&atilde;o de algo muito mais amplo, um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores, que tenha sua express&atilde;o eleitoral, mas que essa express&atilde;o seja definida a partir de debates e f&oacute;runs os mais amplos poss&iacute;veis, por exemplo, plen&aacute;rias e debates abertos a todos que queiram construir essa alternativa unit&aacute;ria que seja a express&atilde;o pol&iacute;tica das necessidades imediatas e hist&oacute;ricas dos trabalhadores, nas lutas e nas elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t\tSem essa &ldquo;alma&rdquo; que s&oacute; pode ser a empolga&ccedil;&atilde;o dos ativistas e trabalhadores como sujeitos de sua pr&oacute;pria representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, essa pr&eacute;-candidatura tamb&eacute;m n&atilde;o tem ainda entusiasmado a vanguarda, o que confirma que o lan&ccedil;amento ocorreu de forma precipitada e a partir de cima.<\/p>\n<p>\n\t\t&Eacute; preciso superar a l&oacute;gica divisionista na esquerda, bem como fazer com que as decis&otilde;es da base sejam superiores que as das c&uacute;pulas. &Eacute; preciso constituir urgentemente e a partir da base um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores, que apresente uma sa&iacute;da socialista pra a sociedade nas lutas e tamb&eacute;m nas elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<p>\n\t\t<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" height=\"4\" src=\"file:\/\/\/C:\/Users\/CRANJOS\/AppData\/Local\/Temp\/msohtmlclip1\/01\/clip_image001.png\" width=\"688\" \/><\/p>\n<p>\t<br clear=\"ALL\" \/><\/p>\n<p>\n\t\t&Eacute; preciso uma explica&ccedil;&atilde;o marxista para as recentes manifesta&ccedil;&otilde;es (violentas) da natureza. A id&eacute;ia que tem prevalecido &eacute; a da burguesia, mas essa sempre esconde a verdade. Estamos nos propondo a iniciar esse debate no movimento e para isso apresentamos alguns textos &agrave; reflex&atilde;o dos militantes e ativistas. Eles t&ecirc;m como centro a rela&ccedil;&atilde;o do capitalismo com a natureza. Partimos do aspecto antropol&oacute;gico e filos&oacute;fico da rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho alienado e natureza. Passamos nos textos a seguir pela explica&ccedil;&atilde;o das conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais dos desastres naturais, abordamos a incapacidade da burguesia resolver esses problemas (a confer&ecirc;ncia de Copenhague) e analisamos tamb&eacute;m o problema do tr&acirc;nsito nas grandes metr&oacute;poles, uma das manifesta&ccedil;&otilde;es mais irracionais do uso capitalista dos recursos.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" height=\"4\" src=\"file:\/\/\/C:\/Users\/CRANJOS\/AppData\/Local\/Temp\/msohtmlclip1\/01\/clip_image001.png\" width=\"688\" \/><\/p>\n<h2>\n\t\t&nbsp;<\/h2>\n<h2>\n\t\t<strong>TRABALHO ALIENADO E NATUREZA<\/strong><\/h2>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<p>\n\t\tNem mesmo a burguesia consegue ocultar a discuss&atilde;o sobre os problemas ambientais causados pelo capitalismo, pois os efeitos da destrui&ccedil;&atilde;o da natureza j&aacute; se apresentam de maneira dram&aacute;tica. Enchentes, secas, descontrole das temperaturas, degelo (e aumento do n&iacute;vel dos oceanos e mares), desertifica&ccedil;&atilde;o, perda da diversidade biol&oacute;gica, multiplica&ccedil;&atilde;o de v&iacute;rus e bact&eacute;rias mortais, polui&ccedil;&atilde;o, escassez de &aacute;gua pot&aacute;vel, ac&uacute;mulo de lixo, destrui&ccedil;&atilde;o da camada de oz&ocirc;nio, etc.; n&atilde;o s&atilde;o fen&ocirc;menos naturais como quer fazer crer a burguesia e seus meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t\tTodos esses fen&ocirc;menos t&ecirc;m rela&ccedil;&atilde;o com a explora&ccedil;&atilde;o da natureza em fun&ccedil;&atilde;o da acumula&ccedil;&atilde;o de capital. O trabalho &eacute; a forma especificamente humana, social e hist&oacute;rica, de metabolismo com a natureza. Cada ser humano est&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o com a natureza por meio de seu corpo f&iacute;sico, cuja exist&ecirc;ncia precisa ser mantida, mas essa rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se d&aacute; de forma imediata, pois &eacute; social e historicamente mediada pelo trabalho. O uso de recursos naturais para produzir alimentos, vestimentas, moradias, utens&iacute;lios, etc., n&atilde;o &eacute; feito separadamente por cada indiv&iacute;duo, mas coletivamente por meio da forma&ccedil;&atilde;o social da qual este indiv&iacute;duo faz parte. Ou seja, o homem somente se relaciona com a natureza indiretamente, por meio de sua rela&ccedil;&atilde;o com os outros homens, com o meio social de onde recebe uma cultura e no qual desempenha algum tipo de papel produtivo.<\/p>\n<p>\n\t\tA humanidade do homem n&atilde;o est&aacute; dada de modo imediato na realidade hist&oacute;rica, ou seja, cada homem n&atilde;o est&aacute; imediatamente unificado com a sua humanidade, da forma como est&atilde;o os animais. Cada animal &eacute; imediatamente id&ecirc;ntico a sua esp&eacute;cie e capaz de fazer tudo que a esp&eacute;cie &eacute; capaz. O homem, ao contr&aacute;rio, se encontra separado de sua esp&eacute;cie, da sua humanidade, seu ser gen&eacute;rico, por conta da condi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da divis&atilde;o da sociedade em classes e do trabalho alienado.<\/p>\n<p>\n\t\tAssim que o trabalho se torna capaz de produzir um excedente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s necessidades sociais, surge uma classe social que se apropria desse excedente. Ao longo da hist&oacute;ria desenvolve-se uma luta entre as classes propriet&aacute;rias e as classes trabalhadoras pela posse desse excedente do trabalho social. O controle do excedente do trabalho pelas classes propriet&aacute;rias transforma o trabalho numa atividade alienada, ou seja, estranha para a maior parte dos seres humanos. O homem se separa de seu ser gen&eacute;rico, sua humanidade, ao n&atilde;o poder determinar o que fazer com seu tempo de trabalho e ser for&ccedil;ado a trabalhar para outro. O homem se aliena da atividade do trabalho, dos produtos do trabalho, da sua rela&ccedil;&atilde;o com os outros homens, que aparecem todos como elementos externos e opressivos sobre o indiv&iacute;duo; e se aliena tamb&eacute;m da natureza.<\/p>\n<p>\n\t\tSe a rela&ccedil;&atilde;o com a natureza se d&aacute; primordialmente por meio da rela&ccedil;&atilde;o social e hist&oacute;rica de trabalho, o trabalho alienado leva a uma rela&ccedil;&atilde;o alienada com a natureza. Na sociedade de classes, a natureza se apresenta ao homem como ambiente externo e objeto estranho, a ser controlado, dominado, usufru&iacute;do e descartado, conforme os interesses da classe dominante. A natureza deixa de ser o &ldquo;corpo inorg&acirc;nico do homem&rdquo;, como a definiu Marx, e se torna propriedade privada. Na condi&ccedil;&atilde;o de propriedade privada, a natureza pode ser usada e abusada de maneira irrespons&aacute;vel, pois a necessidade coletiva &eacute; desconsiderada em detrimento dos interesses privados.<\/p>\n<p>\n\t\tNa sociedade capitalista, que &eacute; a forma mais recente da sociedade de classes, a natureza mais do que nunca aparece como estranha ao homem, como puro objeto de manipula&ccedil;&atilde;o, fonte supostamente inesgot&aacute;vel de mat&eacute;ria-prima e reposit&oacute;rio d&oacute;cil para os infinitos subprodutos da a&ccedil;&atilde;o humana (lixo e polui&ccedil;&atilde;o). O capitalismo simplesmente ignora que a natureza n&atilde;o &eacute; inesgot&aacute;vel nem pode suportar indefinidamente os dejetos que lhe atiramos. A l&oacute;gica do capital considera apenas o curto prazo, o balan&ccedil;o das empresas, a cota&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria da bolsa de valores, e simplesmente despreza a sobreviv&ecirc;ncia da esp&eacute;cie. Como disse um autorizado representante da burguesia, o economista ingl&ecirc;s John M. Keynes, &ldquo;a longo prazo estaremos todos mortos&rdquo;.<\/p>\n<p>\n\t\tPara restaurar o equil&iacute;brio natural e reverter os graves danos j&aacute; causados &eacute; preciso ao mesmo tempo reverter a l&oacute;gica que dirige o emprego das for&ccedil;as produtivas sociais, direcionando-as para o atendimento das necessidades humanas. &Eacute; preciso estabelecer racionalmente o que a humanidade precisa produzir e de que forma isso pode ser produzido sem afetar a capacidade do planeta de seguir fornecendo indefinidamente os recursos de que necessitamos. Ao inv&eacute;s de produzir armas nucleares e artigos de luxo (ou seja, coisas in&uacute;teis), o trabalho humano passaria a produzir aquilo de que os seres humanos realmente precisam para viver. Isso por si s&oacute; j&aacute; teria grande impacto na revers&atilde;o dos danos ambientais.<\/p>\n<p>\n\t\tMas isso s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com o fim do trabalho alienado, ou seja, com a conquista do controle dos trabalhadores sobre seu tempo e seus instrumentos de trabalho. Para isso &eacute; preciso romper com a propriedade privada dos meios de produ&ccedil;&atilde;o e com a divis&atilde;o da sociedade em classes. Somente uma humanidade sem classes pode se relacionar de forma racional com seu trabalho, direcionando seu tempo e recursos para produzir aquilo que realmente &eacute; necess&aacute;rio e considerando o equil&iacute;brio da natureza e a continuidade da vida. Ao mudar a rela&ccedil;&atilde;o do homem com o trabalho, muda-se tamb&eacute;m a rela&ccedil;&atilde;o com a natureza.<\/p>\n<p>\n\t\tPara a natureza &eacute; indiferente que o planeta seja habitado por seres inteligentes ou por bact&eacute;rias, pois o planeta seguir&aacute; seu curso em torno do sol, quer sejam os homens os seus passageiros ou os microorganismos. Para o homem, entretanto, a preserva&ccedil;&atilde;o de certas condi&ccedil;&otilde;es indispens&aacute;veis para a sua sobreviv&ecirc;ncia, como ar respir&aacute;vel, &aacute;gua pot&aacute;vel, terras f&eacute;rteis, temperaturas suport&aacute;veis, etc., deve ser resultado de sua a&ccedil;&atilde;o consciente e coletiva. Essa a&ccedil;&atilde;o passa necessariamente pela revolu&ccedil;&atilde;o social, pela supera&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica do capital e pela constru&ccedil;&atilde;o do socialismo, &uacute;nico regime capaz de devolver ao homem o controle sobre seu trabalho, sua humanidade e sua rela&ccedil;&atilde;o racional e sustent&aacute;vel com a natureza.<\/p>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<h2>\n\t\t&nbsp;<\/h2>\n<h2>\n\t\t<strong>O CAPITALISMO AGRAVA OS DESASTRES DA NATUREZA<\/strong><\/h2>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<p>\n\t\tA destrui&ccedil;&atilde;o da natureza n&atilde;o se explica pela a&ccedil;&atilde;o do homem abstrato e gen&eacute;rico, deslocado do processo real de produ&ccedil;&atilde;o. A burguesia, para se livrar da responsabilidade, tamb&eacute;m propaga a id&eacute;ia de que &ldquo;o homem&rdquo; &eacute; o destruidor da natureza, como se isso fizesse parte do seu pr&oacute;prio ser. Sem uma consci&ecirc;ncia que se op&otilde;e ao modo de produ&ccedil;&atilde;o, a a&ccedil;&atilde;o do homem no mundo reflete as id&eacute;ias da classe dominante, e &eacute; esse homem feito &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a da burguesia que, no seu produzir, domina a natureza e a destr&oacute;i. O homem no mundo capitalista tem a caracter&iacute;stica de ao mesmo tempo viver na e contra a natureza.<\/p>\n<p>\n\t\tClaro que h&aacute; um mundo natural em constante transforma&ccedil;&atilde;o, em forma&ccedil;&atilde;o e em movimento permanente, mas o que presenciamos atualmente n&atilde;o &eacute; um &ldquo;movimento natural&rdquo; e sim as conseq&uuml;&ecirc;ncias destrutivas da forma capitalista de produ&ccedil;&atilde;o. &Eacute; no processo de maximiza&ccedil;&atilde;o da mais valia que a burguesia intensifica a explora&ccedil;&atilde;o sem limites da natureza e leva a esse processo de destrui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t<strong>Alguns desastres s&atilde;o naturais, mas as consequ&ecirc;ncias n&atilde;o s&atilde;o<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\tComo j&aacute; foi dito, h&aacute; na natureza movimentos naturais &#8211; como &eacute; o caso do terremoto no Haiti, mas as conseq&uuml;&ecirc;ncias que esses fen&ocirc;menos provocam n&atilde;o s&atilde;o naturais. &Eacute; sabido que h&aacute; tecnologia para minimizar ou mesmo evitar os impactos de desastres naturais (terremoto, tsunami), mas como essas tecnologias est&atilde;o sob o controle do capital, elas s&atilde;o utilizadas somente nos pa&iacute;ses ricos. Ou seja, a condi&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s no mercado mundial influi at&eacute; mesmo na utiliza&ccedil;&atilde;o de mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o e garantia de vida das pessoas.<\/p>\n<p>\n\t\tNo caso do Haiti, o fator determinante para o alto grau de destrui&ccedil;&atilde;o e o alto n&uacute;mero de mortes &eacute; sua condi&ccedil;&atilde;o de col&ocirc;nia do imperialismo, pois decorre da&iacute; a sua pobreza. A grande concentra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o pobre na periferia das cidades, as casas sem nenhuma estrutura, a inexist&ecirc;ncia de um sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de (hospitais, forma&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos, enfermeiros, etc) e at&eacute; de defesa civil; s&atilde;o causas quantitativas e qualitativas da trag&eacute;dia humana que se seguiu ao terremoto. N&atilde;o &eacute; por sorte que as mans&otilde;es de Porto Pr&iacute;ncipe n&atilde;o sofreram quase nenhum dano. Se um terremoto desse porte acontecesse em um pa&iacute;s rico sem d&uacute;vida as conseq&uuml;&ecirc;ncias seriam muito menores.<\/p>\n<p>\n\t\tTanto l&aacute; como c&aacute; as causas e conseq&uuml;&ecirc;ncias (como uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica e n&atilde;o mec&acirc;nica) t&ecirc;m a mesma explica&ccedil;&atilde;o. As recentes trag&eacute;dias no Brasil, como as do Rio de Janeiro ou as Zonas Sul e Leste de S&atilde;o Paulo tem tudo a ver com a destrui&ccedil;&atilde;o causada pela produ&ccedil;&atilde;o capitalista. Em primeiro lugar, o aumento do volume das chuvas &eacute; uma conseq&uuml;&ecirc;ncia das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. Em segundo, as v&iacute;timas s&atilde;o em sua maioria os moradores das &aacute;reas pobres, que por conta da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria s&atilde;o jogadas para as regi&otilde;es pantanosas e para os morros, &aacute;reas sabiamente mais fr&aacute;geis. Essa mesma especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria est&aacute; na raiz de outros tantos problemas ecol&oacute;gicos, como &eacute; o caso da contamina&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de mananciais. Em terceiro lugar, n&atilde;o h&aacute; por parte dos governos nenhum plano de habita&ccedil;&atilde;o que permita e garanta que os trabalhadores saiam dessas &aacute;reas. Pelo contr&aacute;rio, h&aacute; uma pol&iacute;tica de &ldquo;jogar&rdquo; ainda mais pessoas nessas regi&otilde;es para que outras &aacute;reas pr&oacute;prias para moradia possam se valorizar e garantir o lucro dos especuladores.<\/p>\n<p>\n\t\tAlguns tentam explicar o sofrimento das pessoas vitimadas pelas enchentes como se fosse por conta da escolha que fizeram de morar nessas &aacute;reas. Como se as pessoas morassem em &aacute;reas alag&aacute;veis e em favelas porque gostam e como se fosse uma quest&atilde;o de escolha. N&atilde;o v&ecirc;em (ou n&atilde;o querem ver) que a urbaniza&ccedil;&atilde;o desordenada das grandes capitais, principalmente no sudeste, &eacute; produto do &ecirc;xodo rural dos anos 60 e 70, e que a &ldquo;escolha&rdquo; de morar em favelas &eacute; a &uacute;nica que restou a esses trabalhadores por conta do sal&aacute;rio miser&aacute;vel a que est&atilde;o submetidos.<\/p>\n<h3>\n\t\t<strong>Por uma pol&iacute;tica revolucion&aacute;ria<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\tNos &uacute;ltimos anos temos presenciado o surgimento de uma consci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica e de diversas organiza&ccedil;&otilde;es que militam no &ldquo;movimento ecol&oacute;gico&rdquo;. Algumas at&eacute; tem um car&aacute;ter &ldquo;progressista&rdquo; (como os ecosocialistas), mas o limite da maioria desse movimento est&aacute; exatamente no fato de serem policlassistas e de n&atilde;o verem o necess&aacute;rio car&aacute;ter classista e revolucion&aacute;rio da luta ecol&oacute;gica.<\/p>\n<p>\n\t\tEntre as maiores organiza&ccedil;&otilde;es est&atilde;o o Greenpeace e o WWF. Esse &uacute;ltimo luta &ldquo;para harmonizar o homem e a natureza&rdquo;, frase oca que na verdade esconde uma utopia reacion&aacute;ria, uma vez que tamb&eacute;m defendem que as &ldquo;Parcerias com o setor privado s&atilde;o pe&ccedil;as chave para o trabalho de conserva&ccedil;&atilde;o da natureza e uso sustent&aacute;vel dos recursos naturais desenvolvido pelo WWF-Brasil. Para n&oacute;s, os neg&oacute;cios s&atilde;o parte central do bem-estar da sociedade e do planeta&rdquo; (<a href=\"http:\/\/www.wwf.org.br\/empresas_meio_ambiente\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.wwf.org.br\/empresas_meio_ambiente\/<\/a>). J&aacute; o Greenpeace, mesmo declarando que n&atilde;o aceita ajuda de empresas, tamb&eacute;m se caracteriza por ser &ldquo;uma organiza&ccedil;&atilde;o (&#8230;) que atua para defender o meio ambiente e promover a paz, inspirando as pessoas a mudarem atitudes e comportamentos (&#8230;) desafiamos os tomadores de decis&atilde;o a reverem suas posi&ccedil;&otilde;es e mudarem seus conceitos. Tamb&eacute;m defendemos solu&ccedil;&otilde;es economicamente vi&aacute;veis e socialmente justas&rdquo; (<a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/quemsomos\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/quemsomos\/<\/a>).<\/p>\n<p>\n\t\tO que as une &eacute; a cren&ccedil;a e a ilus&atilde;o de que &eacute; poss&iacute;vel salvar o planeta mesmo sob o capitalismo, apenas &ldquo;mudando a atitude das pessoas em rela&ccedil;&atilde;o ao meio ambiente&rdquo;. Por outro lado estamos em uma situa&ccedil;&atilde;o em que o proletariado e suas organiza&ccedil;&otilde;es ainda n&atilde;o conseguiram encontrar mecanismos que sejam capazes de enfrentar esse problema com propostas e pr&aacute;tica revolucion&aacute;rias. Trata-se de um problema novo para o qual devem ser dadas respostas tamb&eacute;m novas.<\/p>\n<p>\n\t\tEnfrentar a crise ambiental do ponto de vista do legado do marxismo (rela&ccedil;&atilde;o homem-natureza) &eacute; nesse momento pensar que a revolu&ccedil;&atilde;o socialista deve necessariamente ser marcada pela supera&ccedil;&atilde;o da totalidade das formas de aliena&ccedil;&atilde;o, se apresentando para a solu&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica econ&ocirc;mica, mas tamb&eacute;m ambiental (e tamb&eacute;m cultural, sexual, etc). Um mundo equilibrado ambientalmente s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel quando, homens e mulheres, abolirem a propriedade privada e consigam avan&ccedil;ar para o dom&iacute;nio consciente da natureza. Mudar o mundo para salvar o planeta!<\/p>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<h2>\n\t\t&nbsp;<\/h2>\n<h2>\n\t\t<strong>A C&Uacute;PULA DE COPENHAGEN: S&Oacute; ENCENA&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/h2>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<p>\n\t\tEntre 7 e 18 de Dezembro de 2009 realizou-se em Copenhagen, capital da Dinamarca, a C&uacute;pula das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica, tamb&eacute;m chamada de COP15. O objetivo da c&uacute;pula era discutir a implanta&ccedil;&atilde;o da chamada &ldquo;Conven&ccedil;&atilde;o Marco de Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica&rdquo;, chegando a um compromisso global capaz de obrigar todos os governos a estabelecer metas de redu&ccedil;&atilde;o da emiss&atilde;o de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>\n\t\tEssa discuss&atilde;o se imp&ocirc;s na pauta dos dirigentes globais depois que o Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC) publicado em 2007 exp&ocirc;s a rela&ccedil;&atilde;o entre a emiss&atilde;o de gases (principalmente o CO2 &#8211; di&oacute;xido de carbono &#8211; derivado da queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis) e as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas pelas quais o planeta tem passado, em especial a eleva&ccedil;&atilde;o da temperatura m&eacute;dia global (com conseq&uuml;&ecirc;ncias como o derretimento de geleiras e calotas polares, o aumento do n&iacute;vel dos mares, a maior incid&ecirc;ncia de tempestades, furac&otilde;es, etc.). Nem mesmo um &oacute;rg&atilde;o da burguesia como a ONU p&ocirc;de esconder a discuss&atilde;o sobre esse aspecto dos desequil&iacute;brios ambientais, tal a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t\tAinda restam muitos problemas por discutir, como a falta de saneamento b&aacute;sico e a profus&atilde;o de doen&ccedil;as que da&iacute; decorrem, o ac&uacute;mulo de lixo, a polui&ccedil;&atilde;o, o desmatamento, a desertifica&ccedil;&atilde;o, a extin&ccedil;&atilde;o em massa de esp&eacute;cies vegetais e animais, etc., problemas ambientais que afetam popula&ccedil;&otilde;es do mundo inteiro e n&atilde;o respeitam fronteiras nacionais. No capitalismo plenamente mundializado, o planeta inteiro se transformou em cen&aacute;rio da produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias, da qual apenas uma pequena fra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, a burguesia, se beneficia, ao passo que todo o restante sofre as conseq&uuml;&ecirc;ncias desse modo de produ&ccedil;&atilde;o (80% das emiss&otilde;es de gases s&atilde;o produzidas pelas ind&uacute;strias, usinas el&eacute;tricas, monocultura agr&iacute;cola e pecu&aacute;ria intensiva dos pa&iacute;ses imperialistas, que concentram 20% da popula&ccedil;&atilde;o &ndash; n&uacute;meros de ALAI, 16\/11\/2009). A mundializa&ccedil;&atilde;o do capital mundializou tamb&eacute;m a contradi&ccedil;&atilde;o entre produ&ccedil;&atilde;o coletiva e apropria&ccedil;&atilde;o privada. Os efeitos delet&eacute;rios da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental atingem principalmente as popula&ccedil;&otilde;es socialmente mais vulner&aacute;veis, ou seja, os setores mais pobres e mais explorados da classe trabalhadora mundial.<\/p>\n<p>\n\t\tO fato de que os dirigentes do Estado tenham colocado em pauta a discuss&atilde;o sobre metas de redu&ccedil;&atilde;o de CO2 n&atilde;o significa que tenham condi&ccedil;&otilde;es de encaminh&aacute;-la satisfatoriamente. O debate foi conduzido de forma anti-democr&aacute;tica, ao estilo das &uacute;ltimas grandes reuni&otilde;es de c&uacute;pula globais, cercadas por pesado aparato de seguran&ccedil;a para manter afastados os manifestantes e representantes de concep&ccedil;&otilde;es alternativas. De qualquer forma, a press&atilde;o de ONGs e grupos ambientalistas &eacute; pateticamente insuficiente para lidar com a escala dos problemas envolvidos, pois trata-se de limites do pr&oacute;prio capitalismo. Sem adotar uma perspectiva classista claramente socialista, os movimentos ambientalistas e partidos verdes se convertem em alas inofensivas da esquerda pequeno-burguesa.<\/p>\n<p>\n\t\tDesde o in&iacute;cio da COP15 tornou-se clara a clivagem entre as principais pot&ecirc;ncias imperialistas e os pa&iacute;ses perif&eacute;ricos e semicoloniais. Os dois grupos lutaram para empurrar um sobre o outro o custo das mudan&ccedil;as necess&aacute;rias para reverter o atual estado de degrada&ccedil;&atilde;o do meio ambiente planet&aacute;rio. Como conseq&uuml;&ecirc;ncia desse desacordo, a COP15 terminou sem encontrar um substituto para o Protocolo de Kyoto (firmado em 1997 e jamais ratificado pelos Estados Unidos), que saiu de cena sem qualquer resultado palp&aacute;vel em redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es. O mecanismo por meio do qual as grandes corpora&ccedil;&otilde;es compravam o direito de poluir financiando projetos &ldquo;verdes&rdquo; foi apenas um disfarce para a manuten&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o de consumo destrutivo dos pa&iacute;ses imperialistas.<\/p>\n<p>\n\t\tO relat&oacute;rio do IPCC apontava a necessidade de um corte nas emiss&otilde;es de 25 a 40% at&eacute; 2020 em rela&ccedil;&atilde;o aos n&iacute;veis de 1990 e de 50 a 80% at&eacute; 2050, o que foi desconsiderado. Os documentos finais da Confer&ecirc;ncia n&atilde;o passaram de vagas declara&ccedil;&otilde;es de inten&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o puderam esconder as profundas diverg&ecirc;ncias entre os v&aacute;rios grupos de pa&iacute;ses. Nem as pot&ecirc;ncias imperialistas puderam chegar a um acordo entre si por conta das suas rivalidades, nem apresentaram qualquer compensa&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos por conta do receio com o crescimento dos BRICs. A maior parte dos pa&iacute;ses, incluindo os maiores emissores per capita, os Estados Unidos, e em n&uacute;meros absolutos, a China, assumiram metas de redu&ccedil;&atilde;o muito mais modestas e referentes aos n&iacute;veis de 2005, mas sem compromissos jur&iacute;dicos e formas de verifica&ccedil;&atilde;o do cumprimento das metas. Em termos de ajuda aos pa&iacute;ses mais pobres para sua transi&ccedil;&atilde;o a tecnologias mais limpas, os resultados da COP15 foram igualmente p&iacute;fios.<\/p>\n<p>\n\t\tA impossibilidade dos dirigentes pol&iacute;ticos do Estado burgu&ecirc;s de resolver os problemas ambientais e de chegar a um acordo s&oacute;lido sobre qualquer quest&atilde;o relevante decorre do fato de que cada governo representa os interesses da sua fra&ccedil;&atilde;o nacional da burguesia, em luta contra as outras burguesias pelo controle do mercado mundial. Por isso cada governo luta para impor sobre os outros pa&iacute;ses os custos das mudan&ccedil;as e esse esquivam de compromissos que possam prejudicar os neg&oacute;cios da burguesia nacional.<\/p>\n<p>\n\t\tPara manter os lucros das respectivas burguesias os governos despejaram quantias imensas de dinheiro no mercado financeiro por conta da crise econ&ocirc;mica ao longo de 2008\/2009 (U$ 23 trilh&otilde;es segundo algumas estimativas), mas s&atilde;o incapazes de realizar os investimentos necess&aacute;rios para mudar a atual matriz energ&eacute;tica, que representam um volume de gastos muito menor, calculados em cerca de U$ 500 bilh&otilde;es anuais, ou ainda, para aliviar a situa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses insulares e costeiros em face da eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel dos mares, com custos estimados em U$ 100 bilh&otilde;es (segundo o Banco Mundial). O controle do Estado pelo setor financeiro e petrol&iacute;fero impede os governos capitalistas de adotar as medidas que a popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora e o meio ambiente planet&aacute;rio requerem com urg&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>\n\t\tA op&ccedil;&atilde;o do Estado pelo salvamento do mercado financeiro e sua recusa a dar sequer os passos iniciais para combater o aquecimento global n&atilde;o s&atilde;o meros equ&iacute;vocos dos governantes de turno, mas evid&ecirc;ncias do papel de classe do Estado como garantidor da ordem capitalista e suas iniq&uuml;idades. Num contexto de grave crise econ&ocirc;mica, o car&aacute;ter de classe do Estado se acentua ainda mais, pois todas as suas medidas, n&atilde;o apenas no plano ambiental, v&atilde;o no sentido de recuperar os lucros da burguesia atrav&eacute;s do aumento da explora&ccedil;&atilde;o sobre os trabalhadores. Inversamente, a solu&ccedil;&atilde;o dos graves problemas ambientais atuais &eacute; insepar&aacute;vel da luta pela supera&ccedil;&atilde;o do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista como um todo, em dire&ccedil;&atilde;o ao socialismo, no qual a coopera&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora internacional ser&aacute; capaz de tomar as medidas necess&aacute;rias para direcionar a produ&ccedil;&atilde;o para as necessidades humanas e reverter os danos causados pelo capitalismo, restaurando o equil&iacute;brio do ecossistema global.<\/p>\n<\/div>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<h2>\n\t&nbsp;<\/h2>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<div>\n<h2>\n\t\t<strong>TR&Acirc;NSITO: CAOS DO MODO DE PRODU&Ccedil;&Atilde;O BURGU&Ecirc;S<\/strong><\/h2>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<p>\n\t\tO tr&acirc;nsito e a polui&ccedil;&atilde;o urbana &eacute; um dos &ldquo;calcanhares&rdquo; dos administradores burgueses. Adota-se todo tipo de medida (restri&ccedil;&atilde;o de circula&ccedil;&atilde;o de &ocirc;nibus e de carros, obriga&ccedil;&atilde;o de vistoria, etc), mas os problemas continuam se agravando, uma vez que nenhuma delas mexe com o ponto central que &eacute; adotar um sistema de transporte que n&atilde;o privilegie o lucro e sim as necessidades da popula&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o fazem porque teria que romper com a l&oacute;gica capitalista que ordena o modelo de transporte adotado e da pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o da cidade na sociedade capitalista.<\/p>\n<p>\n\t\t&Eacute; um debate importante porque a luta pelo socialismo compreende uma totalidade que envolve as transforma&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, mas tamb&eacute;m a cultura, o sistema de sa&uacute;de (que est&aacute; relacionado com a qualidade de vida), a localiza&ccedil;&atilde;o das f&aacute;bricas (e o que produzir), das escolas e dos hospitais e evidentemente a organiza&ccedil;&atilde;o das cidades e do transporte, etc. No socialismo tudo ser&aacute; organizado racionalmente de modo que o nosso tempo esteja voltado para a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades da coletividade e n&atilde;o para os interesses do capital.<\/p>\n<p>\n\t\tA produ&ccedil;&atilde;o capitalista se caracteriza pelo caos, completamente desorganizada e dispersa obrigando as pessoas se deslocarem por quil&ocirc;metros para venderem sua for&ccedil;a de trabalho com consequ&ecirc;ncias para o sistema de transporte e para a pr&oacute;pria sa&uacute;de. Mais duas quest&otilde;es (entre outras tantas que se poderia falar) que pode demonstrar&nbsp; o caos &eacute; o que se produz e a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria que repercutem no sistema de transporte e na pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o da cidade. O carro al&eacute;m de congestionar ainda polui e a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria joga os trabalhadores e explorados para as periferias, locais distantes do trabalho, da escola e dos hospitais.<\/p>\n<h3>\n\t\t&nbsp;<\/h3>\n<h3>\n\t\t<strong>Cidades e tr&acirc;nsito: o caos provocado pela burguesia<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\tO atual sistema de transporte no Brasil foi constru&iacute;do a partir da d&eacute;cada de 50, como parte do acordo com o imperialismo para a instala&ccedil;&atilde;o das montadoras no pa&iacute;s. Para garantir o lucro delas a malha ferrovi&aacute;ria (de carga e de passageiros) foi sucateada e o transporte p&uacute;blico passou a funcionar em torno dos &ocirc;nibus produzidos por elas.&nbsp; A base desse sistema s&atilde;o os ve&iacute;culos automotores seguidos pelos &ocirc;nibus e caminh&otilde;es e com o petr&oacute;leo como matriz energ&eacute;tica. Uma escolha para atrair e agradar as montadoras que desde ent&atilde;o lucraram &#8211; e remeteram para as matrizes- bilh&otilde;es e bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t\tA insanidade do capital faz com que suas escolhas ocorram pelo lucro e isso causa v&aacute;rios problemas como a polui&ccedil;&atilde;o, os congestionamentos, o deslocamento de bilh&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o e reforma da malha rodovi&aacute;ria (s&oacute; trecho sul do Rodoanel em S&atilde;o Paulo tem um custo estimado em 4 bilh&otilde;es de reais e &eacute; respons&aacute;vel por 25% do desmatamento na Grande SP no ano de 2008), a impermeabiliza&ccedil;&atilde;o do solo e ideologicamente, em detrimento de um modelo coletivo, uma concep&ccedil;&atilde;o individualista no transporte, pois a imensa maioria dos ve&iacute;culos s&atilde;o ocupados por uma pessoa. Um modelo que s&oacute; atende aos interesses da burguesia.<\/p>\n<p>\n\t\tEm rela&ccedil;&atilde;o a polui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; novidade para ningu&eacute;m que os carros est&atilde;o entre as principais fontes de polui&ccedil;&atilde;o do Brasil e do mundo. A causa &eacute; &oacute;bvia: o combust&iacute;vel. Tanto faz a gasolina, o &aacute;lcool ou o diesel. Todas as medidas adotadas pelos governos de plant&atilde;o, ou n&atilde;o t&ecirc;m nenhum efeito ou ele &eacute; desprez&iacute;vel. J&aacute; com rela&ccedil;&atilde;o ao meio de transporte a l&oacute;gica tamb&eacute;m &eacute; perversa, pois com um transporte p&uacute;blico de p&eacute;ssima qualidade muitos s&atilde;o empurradas para os carros o que agrava a polui&ccedil;&atilde;o e os congestionamentos, mas garante o lucro das montadoras.<\/p>\n<p>\n\t\tH&aacute; outras tecnologias que poderiam ser aplicadas no desenvolvimento de transporte com fonte energ&eacute;tica muito menos poluidora, como s&atilde;o os trens e &ocirc;nibus el&eacute;tricos. Esses transportes al&eacute;m de polu&iacute;rem menos podem transportar muito mais pessoas em um espa&ccedil;o muito menor. Mas adotar medidas que substitua os autom&oacute;veis por um sistema coletivo de transporte significaria mexer com os interesses de grandes capitalistas das montadoras, das empresas ligadas ao refino do petr&oacute;leo e da m&aacute;fia que controla as empresas de transporte coletivo nas grandes cidades. Isso nenhum governo burgu&ecirc;s est&aacute; disposto a fazer.<\/p>\n<p>\n\t\tQuanto aos congestionamentos os trabalhadores s&atilde;o as maiores v&iacute;timas, uma vez que na atual configura&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o capitalista os trabalhadores s&atilde;o obrigados a irem trabalhar cada vez mais longe o que por si j&aacute; representa o aumento na jornada de trabalho provocando maior desgaste f&iacute;sico e mental. Essa combina&ccedil;&atilde;o do tempo gasto para o trabalho e o tempo gasto nos congestionamentos representa a continuidade da apropria&ccedil;&atilde;o pela burguesia do tempo do trabalhador e que n&atilde;o &eacute; remunerado. Assim o trabalhador sequer consegue descansar para se recompor para o dia seguinte e sem falar na dificuldade de que o trabalhador possa participar de reuni&otilde;es sindicais ou pol&iacute;ticas. Ou seja, a burguesia utiliza o caos que o seu modo de produ&ccedil;&atilde;o provoca para manter os trabalhadores sob controle. &Eacute; uma apropria&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e espiritual dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tEm uma sociedade socialista, portanto racional, os trabalhadores al&eacute;m de terem uma jornada de trabalho muito menor trabalhar&atilde;o pr&oacute;ximo de suas resid&ecirc;ncias ou ter&atilde;o computado na sua jornada o tempo de deslocamento, podendo aproveitar essas horas &ldquo;economizadas&rdquo; para atividades pol&iacute;ticas, culturais, de lazer e para descanso. S&oacute; uma sociedade irracional como a capitalista desperdi&ccedil;a tanto tempo.<\/p>\n<p>\n\t\tOutro efeito devastador para a natureza &eacute; a impermeabiliza&ccedil;&atilde;o das cidades. Para comportar a quantidade de carros que est&atilde;o sendo produzidos (em 2009 foram&nbsp; quase 3,2 milh&otilde;es) &eacute; preciso construir uma extensa malha rodovi&aacute;ria, o que faz com que as cidades sejam permanentemente redesenhadas, representando uma destrui&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a de trabalho e da natureza, uma vez que mais e mais &aacute;rvores precisam ser derrubadas, o solo &eacute; impermeabilizado e o curso e as margens dos rios sofrem constantes mudan&ccedil;as. As recentes enchentes (que Serra culpou a natureza, Kassab a Marta Suplicy e o povo) s&atilde;o conseq&uuml;&ecirc;ncia dessas altera&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o das pessoas.<\/p>\n<p>\n\t\tParte importante do or&ccedil;amento do pa&iacute;s &eacute; direcionado para a constru&ccedil;&atilde;o e\/ou reforma de estrada (em alguns Estados representa 50% de tudo que &eacute; aplicado pelo governo Federal), retirando dinheiro de outras &aacute;reas como sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o. Essa grande quantidade de dinheiro em todos os or&ccedil;amentos (federal e estaduais) fez com que se desenvolvesse no pa&iacute;s grandes grupos econ&ocirc;micos (Camargo Correa, Espasamco, etc) que s&atilde;o dependentes dessas obras e para mant&ecirc;-las faz todo tipo de falcatrua, como licita&ccedil;&atilde;o direcionada, caixa dois para a campanhas eleitorais (al&eacute;m de doa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica), etc. &Eacute; s&oacute; mais um elo dessa corrente que se construiu a partir da ado&ccedil;&atilde;o desse modelo de transporte.<\/p>\n<h3>\n\t\t&nbsp;<\/h3>\n<h3>\n\t\t<strong>Ideologia e autom&oacute;vel<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\tA ado&ccedil;&atilde;o do autom&oacute;vel como central no sistema de transporte tamb&eacute;m implica em que as pessoas precisam ser convencidas de compr&aacute;-lo e utiliz&aacute;-lo, precisa tornar-se necessidade. Para isso foi montado um imenso aparato ideol&oacute;gico que envolve ag&ecirc;ncias de propagandas, televis&atilde;o, psicologia de massas, etc que tem o poder de &ldquo;embelezar&rdquo; homens e mulheres, de mascarar e mudar o meio em que vivemos (todas as propagandas apresentam ruas sem buraco e sem congestionamento) e de declarar o poder dos e das possuidoras de carros sobre o mundo.<\/p>\n<p>\n\t\tPor essa ideologia&nbsp; quem tem um carro &eacute; diferente e n&atilde;o est&aacute; submetido aos caos do transporte p&uacute;blico, destinado aos de pouca sorte; quem te carro &eacute; diferente, mais inteligente, faz a escolha certa e &ldquo;venceu&rdquo; na vida. O autom&oacute;vel &eacute; o s&iacute;mbolo do capitalismo e para a pr&oacute;pria burguesia alocada no Brasil era importante essa escolha como demonstra&ccedil;&atilde;o de que definitivamente o pa&iacute;s se modernizava. Como vemos a partir do autom&oacute;vel se estrutura parte importante da vida em uma sociedade capitalista.<\/p>\n<p>\n\t\tOutro aspecto dessa ideologia &eacute; colocar o indiv&iacute;duo acima da coletividade. Ve&iacute;culos altamente poluidores que transportam pouqu&iacute;ssimas pessoas (na maioria das vezes uma s&oacute; pessoa) s&atilde;o a representa&ccedil;&atilde;o de que o sistema de transporte tamb&eacute;m &eacute; voltado para a propaga&ccedil;&atilde;o do individualismo, fundamental para a ideologia dominante e para a pr&oacute;pria ind&uacute;stria automobil&iacute;stica. A degrada&ccedil;&atilde;o do transporte coletivo &eacute; parte dessa l&oacute;gica, pois a todo momento na mesma avenida congestionada podemos ver de um &ocirc;nibus lotado -com as pessoas em p&eacute; e amassadas- um ve&iacute;culo com um indiv&iacute;duo livre desse inferno que &eacute; o &ocirc;nibus. A constru&ccedil;&atilde;o consciente dessas compara&ccedil;&otilde;es &eacute; uma t&aacute;tica muito bem pensada pela burguesia de modo que&nbsp; nesse cen&aacute;rio as pessoas possam pensar em sa&iacute;das individuais e ver o autom&oacute;vel como o meio de realiza&ccedil;&atilde;o desse desejo.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t<strong>Construir uma sa&iacute;da pela esquerda<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\tA anarquia da produ&ccedil;&atilde;o capitalista faz com que ela desloque imensas for&ccedil;as de trabalho para a produ&ccedil;&atilde;o de bens que significam a destrui&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias condi&ccedil;&otilde;es de vida da humanidade, ou seja, em vez de produzir bens que contribuam para&nbsp; o bem estar das pessoas produz-se aquilo que interessa aos capitalistas. &Eacute; a l&oacute;gica da burguesia.&nbsp; Uma sociedade socialista organizaria a produ&ccedil;&atilde;o de modo que se produziria aquilo que realmente atendesse as necessidades humanas e n&atilde;o do lucro.<\/p>\n<p>\n\t\tPrecisamos, a partir de nossas frentes de atua&ccedil;&atilde;o, abrir essa discuss&atilde;o no movimento, incorporando reivindica&ccedil;&otilde;es que garantam transporte coletivo p&uacute;blico, gratuito e de qualidade para os trabalhadores. Em uma perspectiva da revolu&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m est&aacute; colocado a necessidade do desenvolvimento de energias que garantam a produ&ccedil;&atilde;o das necessidades dos trabalhadores e que n&atilde;o poluam o meio ambiente. Em rela&ccedil;&atilde;o ao transporte coletivo at&eacute; mesmo &ldquo;especialistas&rdquo; burgueses reconhecem que&nbsp; o transporte sobre trilho &eacute; muito mais barato e menos poluente. Tamb&eacute;m &eacute; preciso redirecionar a produ&ccedil;&atilde;o automobil&iacute;stica do pa&iacute;s para ve&iacute;culos que garantam a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, como os tratores.<\/p>\n<p>\n\t\tS&oacute; com essas mudan&ccedil;as como essas (que s&atilde;o m&iacute;nimas) quantas carretas poderiam deixar de circular&nbsp; e poluir com a ado&ccedil;&atilde;o do transporte de cargas para os trens? E quantos &ocirc;nibus deixariam de poluir e congestionar se adot&aacute;ssemos o transporte ferrovi&aacute;rio como priorit&aacute;rio? Quantas horas os trabalhadores poderiam se dedicar ao lazer, ao estudo e a pr&oacute;pria milit&acirc;ncia anti capitalista?<\/p>\n<p>\n\t\tSe temos consci&ecirc;ncia de essas medidas s&atilde;o fundamentais tamb&eacute;m sabemos que o capitalismo &ndash;pela sua pr&oacute;pria l&oacute;gica do lucro- n&atilde;o pode realizar essas tarefas. S&oacute; a revolu&ccedil;&atilde;o socialista poder&aacute; levar a frente essas tarefas. Por isso, viremos &agrave; esquerda.<\/p>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<p>\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<h3>\n\t\tACUMULA&Ccedil;&Atilde;O FLEX&Iacute;VEL E EDUCA&Ccedil;&Atilde;O FLEX&Iacute;VEL<\/h3>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<p>\n\t\tObjetivamos mostrar a intr&iacute;nseca rela&ccedil;&atilde;o entre as transforma&ccedil;&otilde;es no capitalismo e o papel atribu&iacute;do &agrave; educa&ccedil;&atilde;o. Essa an&aacute;lise leva em considera&ccedil;&atilde;o o &ldquo;<em>grau de controle que logrou deter a grande burguesia sobre as crises c&iacute;clicas do capitalismo&rdquo; <\/em>(consci&ecirc;ncia adquirida a partir de 1929) como tamb&eacute;m a substitui&ccedil;&atilde;o dos sistemas de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho taylorista e fordista pelo toyotista. Partimos das mudan&ccedil;as ocorridas na organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho provocadas pelo avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico a partir dos anos 1970. O avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico alterou o padr&atilde;o produtivo e introduziu a acumula&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel, substituindo o taylorismo e o fordismo pelo toyotismo.<\/p>\n<p>\n\t\tA acumula&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel, como resultado da taxa decrescente do lucro e, consequentemente, da dificuldade da realiza&ccedil;&atilde;o do capital, aumentar&aacute; exponencialmente a taxa de explora&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, e ainda assim n&atilde;o inverter&aacute; ou evitar&aacute; a diminui&ccedil;&atilde;o da taxa de lucro, pois se trata de uma crise no seio da estrutura de funcionamento do sistema capitalista.<\/p>\n<p>\n\t\tPor isso, a diminui&ccedil;&atilde;o do emprego, dos sal&aacute;rios e das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho n&atilde;o s&atilde;o <em>&nbsp;fatos espor&aacute;dicos&nbsp;no capitalismo<\/em>, e sim parte do movimento do capital.<\/p>\n<p>\n\t\tO&nbsp;desemprego deixa de ser um fator de crise e converte-se <em>&ldquo;&#8230; agora em um dos elementos do processo de controle das crises que aciona o mecanismo de desaquecimento da economia como forma de mant&ecirc;-la ajustada &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais vigentes, comandadas pelos interesses do sistema financeiro internacional.&rdquo;<\/em> (SAVIANI, Dermeval.<em>In: Capitalismo, Trabalho e Educa&ccedil;&atilde;o, p.22)<\/em><\/p>\n<p>\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t<strong>O papel atribu&iacute;do a educa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\tA educa&ccedil;&atilde;o passa a se submeter diretamente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento da economia capitalista, pois o trabalho pedag&oacute;gico articula-se com o processo do trabalho capitalista, se constituindo no toyotismo &ldquo;<em>em forma de disciplinamento para a vida social e produtiva no capitalismo.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>\n\t\tEsse disciplinamento <em>&ldquo;configura-se como uma transforma&ccedil;&atilde;o intelectual, cultural, pol&iacute;tica e &eacute;tica, uma vez que tem por objetivo o desenvolvimento de uma concep&ccedil;&atilde;o de mundo t&atilde;o consensual quanto seja poss&iacute;vel, tendo em vista as necessidades de valoriza&ccedil;&atilde;o do capital.&rdquo; <\/em>(KUENZER, Ac&aacute;cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa&ccedil;&atilde;o e Capitalismo, p.82)<\/em><\/p>\n<p>\n\t\tO que se pretende &eacute; formar <em>&ldquo;um povo manso e resignado, respeitoso e discreto, um povo para quem os patr&otilde;es sempre tenham raz&atilde;o.&rdquo;<\/em> Ou seja, <em>&ldquo;um povo ideal para uma burguesia que s&oacute; aspira resolver sua pr&oacute;pria crise.&rdquo; <\/em>(PONCE, &nbsp;An&iacute;bal<em>. In: Educa&ccedil;&atilde;o e Luta de Classes, p.173<\/em>)<\/p>\n<p>\n\t\tO disciplinamento &eacute; necess&aacute;rio uma vez que a educa&ccedil;&atilde;o assume, de acordo com as necessidades do mercado, o princ&iacute;pio da flexibilidade como condi&ccedil;&atilde;o para produ&ccedil;&atilde;o segundo a demanda. &ldquo;<em>Isso gera a necessidade n&atilde;o mais de produzir estoques de m&atilde;o-de-obra com determinadas compet&ecirc;ncias para responder &agrave;s demandas de postos de trabalho &ndash; cujas tarefas s&atilde;o bem definidas -, mas para formar trabalhadores e pessoas com comportamentos&nbsp; flex&iacute;veis, de modo que se adaptem, com rapidez e efici&ecirc;ncia, a situa&ccedil;&otilde;es novas, bem como criarem respostas para situa&ccedil;&otilde;es imprevistas.&rdquo; (<\/em>KUENZER, Ac&aacute;cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa&ccedil;&atilde;o e Capitalismo, p. 87)<\/em><\/p>\n<p>\n\t\tE n&atilde;o apenas isso, forma-se uma m&atilde;o-de-obra que ora pode ser utilizada, ora pode ser parcialmente descartada ou totalmente descartada, de acordo com as necessidades do mercado, ou seja, m&atilde;o-de-obra flex&iacute;vel.<\/p>\n<p>\n\t\tDessa forma, a escola dever&aacute; formar alunos com um repert&oacute;rio, ou seja, com compet&ecirc;ncias e habilidades que possibilitem-no fazer escolhas. Uma aprendizagem para a inser&ccedil;&atilde;o no mundo produtivo e solid&aacute;rio, e que se adapte a essa l&oacute;gica flex&iacute;vel.<\/p>\n<p>\n\t\tAl&eacute;m disso, o disciplinamento procura eliminar a exist&ecirc;ncia de classes sociais e da luta de classes.&nbsp;Com a terminologia de parceiros sociais, a escola&nbsp;esconde o que sempre pretendeu a burguesia: ocultar a&nbsp;exist&ecirc;ncia de classes sociais e da luta de classes para n&atilde;o ocorrer&nbsp;uma rea&ccedil;&atilde;o por parte dos trabalhadores contra a precariza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, e para aceitarem a &ldquo;realidade como ela &eacute;&rdquo;,&nbsp;evitando qualquer possibilidade de mudan&ccedil;a.<\/p>\n<h3>\n\t\t&nbsp;<\/h3>\n<h3>\n\t\t<strong>Exclus&atilde;o incluente e inclus&atilde;o excludente<\/strong><\/h3>\n<p>\n\t\tO toyotismo na educa&ccedil;&atilde;o e no trabalho tem como um dos objetivos o aprofundamento da separa&ccedil;&atilde;o entre trabalhadores e dirigentes, e entre trabalho intelectual e trabalho instrumental. Tamb&eacute;m entra em cena um processo de &ldquo;exclus&atilde;o incluente&rdquo;, em que verificamos a exclus&atilde;o do trabalhador do mercado formal, com direitos assegurados e a inclus&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es de trabalho&nbsp;prec&aacute;rias. Dessa forma, os trabalhadores s&atilde;o desempregados e reempregados com sal&aacute;rios rebaixados, muitos contratados por empresas terceirizadas, desempenhando a mesma fun&ccedil;&atilde;o e ganhando menos ou indo para a informalidade. Com isto, o setor reestruturado se alimenta e mant&eacute;m sua competitividade atrav&eacute;s do trabalho precarizado.<\/p>\n<p>\n\t\tEssa l&oacute;gica, do ponto de vista da educa&ccedil;&atilde;o, produz uma outra l&oacute;gica na dire&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria, a &ldquo;inclus&atilde;o excludente&rdquo;. Ou seja,<em>&#038;ldq<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=272"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6469,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272\/revisions\/6469"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}