{"id":275,"date":"2011-04-24T17:38:47","date_gmt":"2011-04-24T20:38:47","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/275"},"modified":"2018-06-01T15:58:26","modified_gmt":"2018-06-01T18:58:26","slug":"jornal-42-abril-de-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2011\/04\/jornal-42-abril-de-2011\/","title":{"rendered":"Jornal 42: Abril de 2011"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1521\" aria-describedby=\"caption-attachment-1521\" style=\"width: 209px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_42.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1521 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_42-209x300.jpg\" alt=\"Baixar em PDF\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_42-209x300.jpg 209w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_42.jpg 513w\" sizes=\"(max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1521\" class=\"wp-caption-text\">Baixar em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"#titulo1\">Crescimento econ\u00f4mico: para quem e \u00e0s custas de quem?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo2\">Usina de Jirau: quando os explorados se rebelam<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo3\">Democracia para quem, cara p\u00e1lida?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo4\">As pol\u00edticas educacionais a servi\u00e7o da destrui\u00e7\u00e3o do pensamento e contra a a\u00e7\u00e3o coletiva dos professores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo5\">Aumento das passagens de \u00f4nibus: os trabalhadores devem dar o troco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo6\">Desastres naturais e a barb\u00e1rie do capital<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo7\">Norte da \u00c1frica e &#8221; o caso L\u00edbia&#8221;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo8\">Poesia: \u00c0s flores<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h2>Crescimento econ\u00f4mico: para quem e \u00e0s custas de quem?<\/h2>\n<p>De 2009 \u2013 momento de express\u00e3o da crise no Brasil \u2013 em diante, aprofundou- se no pa\u00eds um modelo de acumula\u00e7\u00e3o de capital em que, junto \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de commodities (mat\u00e9rias-primas e alimentos) para Europa, EUA e China, vemos a inje\u00e7\u00e3o agressiva de cr\u00e9dito na economia para incentivar o consumo e garantir as taxas de lucro exigidas pelo capital. Junta-se a isso um terceiro fator, que \u00e9 a entrada de investimentos externos vindos de pa\u00edses centrais em busca de maior seguran\u00e7a e lucratividade.<\/p>\n<h3>O CR\u00c9DITO NO BRASIL<\/h3>\n<p>O papel do cr\u00e9dito para a retomada da economia brasileira \u00e9 central. O volume de cr\u00e9dito concedido a consumidores e empresas no Brasil em 2010 cresceu 20,5% em compara\u00e7\u00e3o com 2009 e terminou o ano em R$ 1,703 trilh\u00e3o, n\u00edvel recorde, equivalente a 46,6% do PIB (Produto Interno Bruto) do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em 2011, dever\u00e1 atingir novo recorde equivalente a 50% do PIB. J\u00e1 os empr\u00e9stimos anuais concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) aos empres\u00e1rios subiram de R$ 47,1 bilh\u00f5es em 2005 para R$ 137,4 bilh\u00f5es em 2009 e R$ 168,4 bilh\u00f5es em 2010!<\/p>\n<p>Para 2011, a estimativa do governo \u00e9 que o BNDES empreste outros R$ 145bilh\u00f5es. O BNDES tamb\u00e9m participar\u00e1 em investimentos feitos por institui\u00e7\u00f5es privadas que dever\u00e3o chegar a R$ 1,6 trilh\u00e3o daqui at\u00e9 2014. (<a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\">http:\/\/economia.ig.com.br<\/a>)<\/p>\n<p>Por\u00e9m, enquanto os juros m\u00e9dios no sistema financeiro s\u00e3o de 13% ao ano, o BNDES empresta aos empres\u00e1rios a 6%, a chamada Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de 7% indica que h\u00e1 uma n\u00edtida apropria\u00e7\u00e3o pelos empres\u00e1rios de recursos \u00a0p\u00fablicos via BNDES, pois o Tesouro tem que arcar com esse custo. O recurso ao cr\u00e9dito exacerbado \u00e9 uma express\u00e3o da pr\u00f3pria incapacidade do sistema capitalista de seguir sustentando e ampliando suficientemente o mercado de massas que possa absorver as mercadorias produzidas,\u00a0 com taxas de lucro estimulantes para a burguesia. Surge ent\u00e3o a necessidade da amplia\u00e7\u00e3o artificial de mercados, pela via do endividamento, que pode at\u00e9 ter efic\u00e1cia por um per\u00edodo, mas que certamente trar\u00e1 consequ\u00eancias extremamente destrutivas para o futuro, a exemplo do que ocorreu nos EUA e nos pa\u00edses da Europa.<\/p>\n<h4>AS GARANTIAS DO ESTADO PARA O CAPITAL&#8230;<\/h4>\n<p>Junto ao cr\u00e9dito, houve e continua se ampliando uma s\u00e9rie de isen\u00e7\u00f5es de impostos e gastos diretos do estado em prol dos empres\u00e1rios, tais como obras de infraestrutura (rodovias, melhorias dos portos e aeroportos, etc.). Isso tudo, aliado a outras circunst\u00e2ncias favor\u00e1veis como a explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal, a procura mundial por alimentos e demais commodities, a prepara\u00e7\u00e3o para a Copa, para as Olimp\u00edadas, etc., t\u00eam feito do Brasil uma economia muito atraente para o capital.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos aspectos econ\u00f4micos e pol\u00edticos, outro fator fundamental tem sido o controle do movimento dos trabalhadores atrav\u00e9s do PT, da CUT, da For\u00e7a Sindical e demais centrais sindicais e estudantis governistas. Seu total atrelamento aos interesses empresariais e do governo, fazendo de tudo para impedir qualquer luta dos trabalhadores, tem facilitado \u00e0 burguesia avan\u00e7ar em um processo cont\u00ednuo de aumento da superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores no interior das empresas.<\/p>\n<p>Essa atratividade do Brasil para o capital transnacional s\u00f3 pode ser compreendida \u00e0 luz de uma profunda crise estrutural do capitalismo, que tem levado a que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas e a partir da crise de 2008, as empresas dos pa\u00edses centrais desloquem partes da produ\u00e7\u00e3o \u2013 que antes estavam localizadas nos pa\u00edses centrais \u2013 para os pa\u00edses m\u00e9dios, os chamados BRICS e todo um conjunto de pa\u00edses ditos \u201cemergentes\u201d.<\/p>\n<p>Nesses pa\u00edses, \u00e9 poss\u00edvel produzir grande parte das mercadorias que eram produzidas nos pa\u00edses centrais, por\u00e9m com custos muito menores devido precisamente a taxas de explora\u00e7\u00e3o muito maiores sobre os trabalhadores. Tudo isso com a garantia de que poder\u00e3o remeter os lucros obtidos aqui para os pa\u00edses centrais onde ficam as matrizes das companhias.<\/p>\n<p>A partir de 2009, as taxas de juros praticamente a zero nos pa\u00edses centrais e a gigantesca emiss\u00e3o de moeda pelos EUA possibilitaram que uma enorme massa de d\u00f3lares fosse se deslocando para o Brasil, em busca de aproveitar as oportunidades abertas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em 2010, os chamados Investimentos Externos Diretos foram de US$ 55 bilh\u00f5es, ao mesmo tempo em que a Remessa de Lucros foi de US$ 34bilh\u00f5es (<a href=\"http:\/\/www.istoedinheiro.com.br\">http:\/\/www.istoedinheiro.com.br<\/a>)<\/p>\n<p>Apenas nesses\u00a0 primeiros meses de 2011, o saldo entre entradas e sa\u00eddas de d\u00f3lares j\u00e1 soma US$ 34,660 bilh\u00f5es, valor muito maior que toda a entrada l\u00edquida de 2010, que foi de US$ 24,354 bilh\u00f5es.(<a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\">http:\/\/economia.ig.com.br<\/a>).<\/p>\n<p>O aumento do consumo sustentado principalmente pelo cr\u00e9dito, combinado com os investimentos\u00a0 externos v\u00eam puxando a recomposi\u00e7\u00e3o dos empregos e dos sal\u00e1rios. Por sua vez, a recomposi\u00e7\u00e3o dos empregos e dos sal\u00e1rios vem possibilitando o aumento do consumo e dos lucros. As possibilidades de lucro atraem mais investimentos externos, que ajudam a potencializar o crescimento econ\u00f4mico e assim por diante. Assim, ocorre a intera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca entre os v\u00e1rios fatores.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, prevalece o fato de que os elementos fundamentais que est\u00e3o na base desse crescimento s\u00e3o, por um lado, a enorme depend\u00eancia do cr\u00e9dito governamental e externo e, por outro, a super-explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores a partir do aumento da produtividade e da carga de trabalho no interior das empresas.<\/p>\n<p>O motor do crescimento econ\u00f4mico brasileiro n\u00e3o \u00e9 o aumento estrutural\/sustent\u00e1vel do poder de compra dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia, por mais que essa seja a apar\u00eancia. Isso significa que a tend\u00eancia mais prov\u00e1vel para o pr\u00f3ximo per\u00edodo \u00e9 de endurecimento do capital e dos governos sobre os trabalhadores, pois o crescimento est\u00e1 sendo bancado justamente por esse padr\u00e3o de endurecimento do capital emsua rela\u00e7\u00e3o com os trabalhadores.<\/p>\n<p>Ao nosso ver, embora haja ramos espec\u00edficos que expressem tend\u00eancias at\u00e9 de alguma melhoria para os trabalhadores e suas condi\u00e7\u00f5es de vida, como j\u00e1 dito acima, a tend\u00eancia mais geral \u00e9 de endurecimento, e para ela temos que preparar as lutas e enfrentamentos que j\u00e1 est\u00e3o se desenhando neste ano.<\/p>\n<h4>&#8230;E A SUPER-EXPLORA\u00c7\u00c3O DOS TRABALHADORES<\/h4>\n<p>Apesar dos reajustes salariais para alguns setores como montadoras e autope\u00e7as, petr\u00f3leo, constru\u00e7\u00e3o civil, e \u00a0outros, o fato \u00e9 que os sal\u00e1rios da maioria dos trabalhadores n\u00e3o t\u00eam tido o crescimento do poder de compra apregoado pelo governo e pela grande m\u00eddia. Isso porque, mesmo quando t\u00eam reajustes, acabam ficando de fato abaixo da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os \u00edndices oficiais de infla\u00e7\u00e3o v\u00eam sendo fraudados descaradamente a cada m\u00eas. A infla\u00e7\u00e3o real \u00e9 muito maior do que a anunciada. A metodologia de c\u00e1lculo da infla\u00e7\u00e3o toma uma m\u00e9dia \u00a0de v\u00e1rios itens e dilui os aumentos, quando na verdade a infla\u00e7\u00e3o dos itens mais consumidos pelos trabalhadores \u00e9 muito maior. Basta vermos o quanto subiu o pre\u00e7o dos alimentos, do vestu\u00e1rio, dos rem\u00e9dios, dos combust\u00edveis, dos transportes, etc. Foi muito acima da infla\u00e7\u00e3o anunciada!<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios falam que \u00e9 preciso controlar a infla\u00e7\u00e3o, mas s\u00e3o os primeiros a aumentar os pre\u00e7os. O pr\u00f3prio governo vem aumentando as contas de \u00e1gua, luz, telefone, impostos, etc.<\/p>\n<p>Outro elemento \u00e9 que, mesmo quando h\u00e1 reajustes salariais, geralmente se d\u00e3o sob a base de sal\u00e1rios que acumulam perdas hist\u00f3ricas. \u00c9 o caso do sal\u00e1rio m\u00ednimo e dos pisos das v\u00e1rias categorias. Na pr\u00e1tica, n\u00e3o h\u00e1 aumento real de fato, no m\u00e1ximo reposi\u00e7\u00e3o de uma parte das perdas acumuladas.<\/p>\n<p>Outro elemento not\u00e1vel \u00e9 que, de forma geral, aumentou a carga e os ritmos de trabalho. E \u00a0isso \u00e9 detect\u00e1vel no interior das empresas, com o aumento tamb\u00e9m do autoritarismo e do ass\u00e9dio moral sobre os trabalhadores.<\/p>\n<p>No servi\u00e7os p\u00fablicos, como educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, a realidade \u00e9 ainda mais cruel, tanto do ponto de vista da qualidade dos servi\u00e7os, como dos sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que os setores governistas diziam \u2013 que com o crescimento da economia haveria melhores condi\u00e7\u00f5es para que os funcion\u00e1rios p\u00fablicos pleiteassem reajustes salariais e melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u2013, o que temos confrontado \u00e9 a intransig\u00eancia dos governos tanto do PSDB como do PT.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 para menos, pois para que o estado possa investir quantias astron\u00f4micas em prol dos empres\u00e1rios, os governos aplicam uma pol\u00edtica de cortes brutais nos investimentos dos servi\u00e7os que atendem os trabalhadores e seus filhos.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>GOVERNO DILMA: UM GOVERNO MAIS \u00c0 DIREITA, COM MAIS ATAQUES AOS TRABALHADORES<\/h3>\n<p>Em 2010, foram pagos R$ 101,7 bilh\u00f5es de juros da D\u00edvida P\u00fablica (d\u00edvidas externa e interna). Mesmo assim, pelo fato\u00a0 de ter sido um ano eleitoral e do governo ter aumentado seus gastos, os agiotas n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos, pois esse valor ficou em 2,67% do PIB, abaixo da meta que era de 3,1% do PIB.<\/p>\n<p>O aumento dos gastos do governo com a inje\u00e7\u00e3o de dinheiro para o empresariado tem levado ao crescimento dessa D\u00edvida P\u00fablica, que atingiu o valor recorde de RS 1,67 trilh\u00e3o(!). (http:\/\/bandnewstv.band.com.br)<\/p>\n<p>A burguesia cobra do governo\u00a0 maiores cortes nos servi\u00e7os p\u00fablicos, como garantia de que continuar\u00e1 se apropriando de parte importante da riqueza do pa\u00eds atrav\u00e9s de juros de uma d\u00edvida que na pr\u00e1tica j\u00e1 foi paga.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 mais um elemento que explica o endurecimento do governo Dilma\/PT e dos governos estaduais, com destaque para o PSDB. Embora com algumas diferen\u00e7as, s\u00e3o governos burgueses que n\u00e3o v\u00e3o hesitar em atacar os trabalhadores para garantir o lucro das empresas.<\/p>\n<p>Esse endurecimento j\u00e1 foi percebido nas negocia\u00e7\u00f5es relativas ao sal\u00e1rio m\u00ednimo, em que o governo fixou o limite de R$ 545,00 e n\u00e3o arredou p\u00e9.\u00a0 Da mesma forma foi a corre\u00e7\u00e3o da tabela do Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica, que ficou em 4,5% e mais nada. Junto a isso, houve o corte de R$ 50 bilh\u00f5es nos gastos de custeio (leia-se reajustes e condi\u00e7\u00f5es de trabalho do funcionalismo p\u00fablico).<\/p>\n<h4>O PAPEL DA BUROCRACIA: PT, CUT, FOR\u00c7A SINDICAL&#8230;<\/h4>\n<p>A coniv\u00eancia\/parceria da CUT e das demais centrais sindicais com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas governamentais expressam sua adequa\u00e7\u00e3o ao projeto do capital, o que implica que as necessidades dos trabalhadores devem ser totalmente subordinadas aos interesses de lucratividade das empresas.<\/p>\n<p>Mas como qualquer casta de burocratas, n\u00e3o esquecem de preservar tamb\u00e9m seus pr\u00f3prios interesses e\u00a0 privil\u00e9gios. N\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia que, logo ap\u00f3s as negocia\u00e7\u00f5es sobre o sal\u00e1rio m\u00ednimo e a corre\u00e7\u00e3o da tabela do imposto de renda, o governo Dilma tenha concedido para as centrais (CUT, For\u00e7a Sindical, CTB, UGT, etc.) o direito de indicarem pelo menos 59 cargos bem pagos nos Conselhos das estatais. (http:\/\/pjveras.blogspot.com)<\/p>\n<p>Para n\u00e3o restar d\u00favida de seu papel de agentes e parceiros dos patr\u00f5es e do governo, a CUT e a dire\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC est\u00e3o reintroduzindo na agenda pol\u00edtica do pa\u00eds a proposta de\u00a0 flexibiliza\u00e7\u00e3o da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT).<\/p>\n<p>Essa reforma tem como principal ponto a mudan\u00e7a de uma frase que faz toda a diferen\u00e7a. Atualmente, nas discuss\u00f5es entre patr\u00f5es e trabalhadores por ocasi\u00e3o de negocia\u00e7\u00f5es de acordos\u00a0 sindicais prevalece que o\u00a0 negociado s\u00f3 pode se sobrepor ao legislado se for para melhorar a condi\u00e7\u00e3o do trabalhador. J\u00e1 na proposta da reforma trabalhista, o\u00a0 negociado prevalecer\u00e1 sobre o legislado, independente de que seja para melhor ou para pior. Na pr\u00e1tica, sabemos que, a n\u00e3o ser em poucos ramos da economia mais concentrados e\u00a0 com sindicatos mais fortes, a tend\u00eancia das \u201clivre negocia\u00e7\u00f5es\u201d \u00e9 que os patr\u00f5es acabem impondo o rebaixamento dos direitos e sal\u00e1rios. Esse tem que ser denunciado como um dos maiores crimes que est\u00e3o sendo tramados contra os trabalhadores<\/p>\n<h4>IMPULSIONAR AS LUTAS, A ORGANIZA\u00c7\u00c3O DE BASE E A DISCUSS\u00c3O POL\u00cdTICA E\u00a0 IDEOL\u00d3GICA<\/h4>\n<p>Se os trabalhadores ficarem preso ao imediatismo, ser\u00e1 muito dif\u00edcil resistir aos ataques do pr\u00f3ximo per\u00edodo, pois o capital joga com as ilus\u00f5es e com a diferen\u00e7as moment\u00e2neas de interesses a fim de dividir os trabalhadores, impedindo que lutem, se organizem e se reconhe\u00e7am como classe oposta \u00e0 burguesia.<\/p>\n<p>No decorrer do tempo, se ver\u00e1 que na verdade o crescimento econ\u00f4mico dento dos moldes capitalistas n\u00e3o tem como propiciar uma vida realmente melhor para os trabalhadores, quando muito melhorias m\u00ednimas e passageiras at\u00e9 que sobrevenha uma crise mais grave do que a que foi contida e jogada para frente. Mas \u00e9\u00a0 dever de todo trabalhado avan\u00e7ado ajudar a desenvolver a experi\u00eancias e a consci\u00eancia dos demais trabalhadores.<\/p>\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia de que a CSP-CONLUTAS e a INTERSINDICAL, que se colocam como oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica governista das centrais oficiais, deixem de priorizar a atua\u00e7\u00e3o na superestrutura e partam de fato para uma grande campanha pol\u00edtica de agita\u00e7\u00e3o e propaganda junto aos trabalhadores, com panfletagens, carros de som na base das categorias, esta\u00e7\u00f5es de trem, universidades, escolas e bairros, no sentido de uma maior inser\u00e7\u00e3o e disputa pol\u00edtica da consci\u00eancia dos trabalhadores, combatendo a\u00a0 propaganda do governo Dilma e da burguesia.<\/p>\n<p>Contra o projeto de submiss\u00e3o \u00e0s migalhas do capital, precisamos discutir e impulsionar junto aos trabalhadores e movimentos uma sa\u00edda anticapitalista e socialista para o pa\u00eds e para a sociedade.<\/p>\n<h4>ALGUMAS PROPOSTAS DE PROGRAMA:<\/h4>\n<p>Com o aumento da explora\u00e7\u00e3o acontecendo em todas as empresas, defendemos:<\/p>\n<ul>\n<li>Reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais e aumento real dos sal\u00e1rios; defesa e aumento dos direitos e melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho!<\/li>\n<li>Carteira assinada e direitos trabalhistas para todos, fim da terceiriza\u00e7\u00e3o, da informalidade e da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho!<\/li>\n<li>Sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE como piso para todas as categorias!<\/li>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios!<\/li>\n<li>Estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores e sem indeniza\u00e7\u00e3o de todas as empresas que demitirem, se transferirem ou amea\u00e7arem fechar!<\/li>\n<li>Cotas proporcionais para negros e negras em todos os empregos gerados e em todos os setores da sociedade!<\/li>\n<li>O PAC e outros planos de obras p\u00fablicas governistas e em prol dos interesses do capital n\u00e3o resolvem as necessidades dos trabalhadores como moradia, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, transporte, cultura, lazer, etc. Como alternativa, apresentamos a proposta de um Plano de Obras P\u00fablicas decidido e sob controle trabalhadores. Para financiar esse plano,\u00a0 defendemos o n\u00e3o pagamento das d\u00edvidas interna e externa e o corte dos privil\u00e9gios de pol\u00edticos, juizes, etc.<\/li>\n<li>Por um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta!<\/li>\n<li>Por uma sociedade socialista!<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo2\"><\/a>Usina de Jirau: quando os explorados se rebelam<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil que est\u00e3o trabalhando nas obras da hidrel\u00e9trica de Jirau em Rond\u00f4nia se rebelaram e protagonizaram a a\u00e7\u00e3o mais radical de trabalhadores dos \u00faltimos anos. Foram incendiados v\u00e1rios \u00f4nibus, caminh\u00f5es e os alojamentos. A imprensa burguesa, fazendo eco \u00e0s palavras da empreiteira Camargo Corr\u00eaa, se apressou em classificar esses atos como vandalismo e que nada tinham que ver com luta por direitos trabalhistas. Esse tamb\u00e9m foi o discurso dos governos estadual e federal, que usam desse artif\u00edcio por duas quest\u00f5es: primeiro porque o caso escancara que nas obras do PAC h\u00e1 uma brutal explora\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios, ou seja, as empresas obt\u00e9m o lucro \u00e0s custas do sangue dos oper\u00e1rios; segundo para criminalizar a luta, tentando identific\u00e1-la como um ato criminoso e n\u00e3o uma justa revolta daqueles que constroem a riqueza do pa\u00eds, como se os trabalhadores fossem bandidos e assim \u201cjustificar\u201d a entrada das for\u00e7as policiais do Estado e da seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa luta est\u00e1 no marco de um processo mais geral de greves que envolve outras obras do PAC. Nesse momento estima-se que os 80 mil trabalhadores das maiores obras est\u00e3o em luta por aumento salarial e outras reivindica\u00e7\u00f5es. A maior delas \u2013 em Suape &#8211; envolve 34000 oper\u00e1rios, sendo sem d\u00favida uma das maiores greves dos \u00faltimos anos, que envolve tantos oper\u00e1rios de uma s\u00f3 categoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nota da Camargo Corr\u00eaa tratou a luta como dist\u00farbio civil provocado pela &#8220;a\u00e7\u00e3o criminosa e isolada de um grupo de v\u00e2ndalos&#8221;. Mais do que uma desculpa, a empresa fez uma demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de como trata os trabalhadores no canteiro de obras: com muita viol\u00eancia e descaso. Esse \u00e9 o tratamento dispensado \u00e0queles que a enfrentam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar do tempo a imprensa foi obrigada a revelar as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho a que os oper\u00e1rios est\u00e3o submetidos: sobrecarga de trabalho, ass\u00e9dio moral, descumprimento de acordo sobre PLR, maus tratos e agress\u00f5es constantes de seguran\u00e7as da empresa contra os oper\u00e1rios, desvios de fun\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pagamento de horas extra, diferen\u00e7a salarial e de benef\u00edcios entre empresas que tocam a obra (Vale alimenta\u00e7\u00e3o na Camargo Corr\u00eaa \u00e9 de R$ 110,00 enquanto nas outras \u00e9 de R$ 310,00) e outros problemas. As imposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o tantas e t\u00e3o degradantes que os oper\u00e1rios nem podem visitar seus familiares, pois a empresa s\u00f3 disponibiliza transporte de volta ap\u00f3s 80 dias.Para se ter id\u00e9ia dos absurdos que s\u00e3o praticados no canteiro, os produtos vendidos nos alojamentos t\u00eam um pre\u00e7o muito maior do que o do mercado, o que faz com que o trabalhador tenha o seu sal\u00e1rio ainda mais rebaixado. \u00c9 uma t\u00e9cnica muito parecida com a que \u00e9 utilizada nas fazendas que praticam trabalho escravo, criando uma esp\u00e9cie de escravid\u00e3o por d\u00edvida. Francisco de Assis gastou em rem\u00e9dio R$ 149,00 para tratar de uma febre (Estad\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como n\u00e3o h\u00e1 servi\u00e7o de sa\u00fade decente e condi\u00e7\u00f5es de se comprar os produtos em outro lugar, os oper\u00e1rios praticamente s\u00e3o obrigados a se submeterem a esses pre\u00e7os e condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A precariza\u00e7\u00e3o do trabalho inicia logo na forma que a empresa utiliza para a contrata\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios que \u00e9 a mesma utilizada nas \u201cd\u00e9cadas de crescimento\u201d da ditadura, onde os famosos \u201cgatos\u201d recrutam os oper\u00e1rios com v\u00e1rias promessas que depois n\u00e3o s\u00e3o cumpridas. Outra den\u00fancia dos oper\u00e1rios contra os \u201cgatos\u201d \u00e9 que eles fazem os trabalhadores assinarem um contrato de comprometimento em que ele deve abrir m\u00e3o de qualquer direito se desistir do trabalho antes dos 90 dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses problemas n\u00e3o s\u00e3o novos e todo o governo j\u00e1 tem conhecimento da viola\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios direitos humanos na obra, inclusive o pr\u00f3prio governo federal aprovou relat\u00f3rio que denuncia essa pr\u00e1tica h\u00e1 muito tempo. O MAB (Movimento dos Atingidos pelas Barragens), desde junho de 2010, \u00a0j\u00e1 vinha denunciando esses ataques a direitos b\u00e1sicos dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o. Outra informa\u00e7\u00e3o do MAB \u00e9 que essas empresas t\u00eam as mesmas pr\u00e1ticas em outras obras, como a de Cana Brava em Goi\u00e1s (controlada pela Suez) e a do Foz do Chapec\u00f3 em Santa Catarina (que \u00e9 controlada pela Camargo Correa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 a justi\u00e7a burguesa (TRT de Rond\u00f4nia) determinou que o cons\u00f3rcio respons\u00e1vel cumprisse as obriga\u00e7\u00f5es legais, como v\u00ednculo trabalhista, pagamento dos dias parados e transporte para os trabalhadores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>PAC: programa de acelera\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PAC \u00e9 um programa que interessa diretamente \u00e0s empreiteiras, uma vez que se tornou uma apetitosa fonte de recursos com bilh\u00f5es de reais e com possibilidade de contratar uma farta for\u00e7a de trabalho nas regi\u00f5es mais pobres do pa\u00eds com sal\u00e1rios rebaixados. Dentre as v\u00e1rias obras em andamento as maiores (Refinaria Abreu e Lima, Petroqu\u00edmica de Suape, as Usinas de Monte Belo, Jirau e santo Antonio) re\u00fanem por volta de 80 mil trabalhadores na mesma condi\u00e7\u00e3o de terem direitos legais b\u00e1sicos n\u00e3o cumpridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PAC \u00e9 sim, portanto, uma grande generosidade do Estado brasileiro, mas \u00e0 burguesia e n\u00e3o aos trabalhadores, uma vez que s\u00e3o garantidos fortunas em empr\u00e9stimos com juros baixos e as empresas que est\u00e3o construindo-as com dinheiro p\u00fablico ainda v\u00e3o poder explor\u00e1-las como forma de concess\u00e3o por anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra quest\u00e3o que deve ser analisada \u00e9 o processo de desregulamenta\u00e7\u00e3o por que passaram alguns \u00f3rg\u00e3os que deveriam fiscalizar (e impedir) a constru\u00e7\u00e3o das usinas, uma vez que os danos ambientais, culturais e sociais s\u00e3o imensos e irrevers\u00edveis, pois alteram as condi\u00e7\u00f5es de vida e de reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios animas, da flora e da popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. As popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas e ind\u00edgenas que est\u00e3o h\u00e1 pelo menos centenas de anos na regi\u00e3o ser\u00e3o retiradas e deslocadas para outras regi\u00f5es sem qualquer infra-estrutura. \u00d3rg\u00e3os como o IBAMA (que entre v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es que sofreu teve retirado o seu direito de vetar projetos), a ANA (Ag\u00eancia nacional de \u00e1gua), tiveram seus poderes retirados ou restringidos pelo governo, pois era a \u00fanica forma de \u201clegalizar\u201d tanta destrui\u00e7\u00e3o. Assim, governo, \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores e empresas formam um grande cons\u00f3rcio para a destrui\u00e7\u00e3o. Essa destrui\u00e7\u00e3o serviu de motivo para que, segundo o blog\u00a0 Revista Ambiente Global, o grupo Suez fosse eleito uma das seis empresas e organiza\u00e7\u00f5es mais irrespons\u00e1veis do mundo em 2010, segundo premia\u00e7\u00e3o internacional da Public Eye Awards (Olho do P\u00fablico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se n\u00e3o bastassem tantos desmandos, o futuro parece ainda mais promissor para o capital na regi\u00e3o, pois o projeto mais geral do Estado \u00e9, a partir dessa usinas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, criar uma esp\u00e9cie de corredor para escoamento de mat\u00e9rias primas, madeiras, minerais, a biodiversidade que tanto interessa a grandes grupos internacionais e \u00e9 claro a energia el\u00e9trica servindo de suporte para esses setores. Dessa forma, a constru\u00e7\u00e3o dessas hidrel\u00e9tricas visa n\u00e3o s\u00f3 atacar o d\u00e9ficit de energia el\u00e9trica, mas tamb\u00e9m abrir uma nova fronteira para a explora\u00e7\u00e3o do capital nessa regi\u00e3o e que no caso amaz\u00f4nico significa ter o controle de um territ\u00f3rio muito desejado para o capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses elementos s\u00f3 podem nos levar \u00e0 conclus\u00e3o que o governo Dilma (assim como o de Lula) tem responsabilidade direta pela situa\u00e7\u00e3o em que se encontram os trabalhadores das obras do PAC. A postura do governo Dilma \u00e9 de coniv\u00eancia com os desmandos das empreiteiras, pois foi da\u00ed que saiu boa parte do financiamento da campanha eleitoral, uma vez que as empreiteiras est\u00e3o entre os maiores doadores para a campanha eleitoral do ano passado (na verdade em todos os anos). S\u00f3 para a campanha da petista foram doados 28, 4 milh\u00f5es de reais (s\u00f3 a Camargo Correa doou 8 milh\u00f5es de reais), ou seja, boa parte da campanha foi financiada por esse dinheiro. Essa \u00e9 a raz\u00e3o do governo federal n\u00e3o condenar a empresa, o que significa fazer coro com os argumentos da empreiteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dilma tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela interven\u00e7\u00e3o militar e pela repress\u00e3o que se seguiu ap\u00f3s a revolta dos oper\u00e1rios, principalmente pelo fato de que enviou para Rond\u00f4nia cerca de 600 homens fortemente armados da For\u00e7a de Seguran\u00e7a Nacional que v\u00e3o garantir que a Camargo Correa continue explorando os trabalhadores e desrespeitando direitos trabalhistas. Enquanto a for\u00e7a policial amea\u00e7a os oper\u00e1rios, os executivos das empreiteiras que cometem ilegalidade t\u00eam tr\u00e2nsito livre. A presen\u00e7a dessas tropas \u00e9 uma bela demonstra\u00e7\u00e3o de que lado est\u00e1 o governo Dilma.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>A dire\u00e7\u00e3o sindical: aliada da empresa<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de uma situa\u00e7\u00e3o dessas o que se espera de uma dire\u00e7\u00e3o sindical \u00e9 que se coloque ao lado dos trabalhadores, mas o que aconteceu foi exatamente o contr\u00e1rio, pois no dia da rebeli\u00e3o, e revelando a boa rela\u00e7\u00e3o que tem com a empresa, a dire\u00e7\u00e3o sindical n\u00e3o hesitou em\u00a0 apoiar a empresa, declarando, em nota p\u00fablica e contra todas as evid\u00eancias, que n\u00e3o h\u00e1 problemas trabalhistas na obra e que os dist\u00farbios eram por conta de quest\u00f5es pessoais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a verdade logo veio \u00e0 tona. O site Nahoraonline divulgou algumas fotos com o presidente (vulgo Toco) e mais alguns diretores do sindicato curtindo uma piscina em um dos mais caros hot\u00e9is de Rond\u00f4nia. A pergunta que fica \u00e9 como consegue esse dinheiro, uma vez que um trabalhador do canteiro de obras trabalhando das 7 horas da manh\u00e3 at\u00e9 as 22 horas recebe no m\u00e1ximo R$1100,00 por m\u00eas. J\u00e1 o sindicato tem uma arrecada\u00e7\u00e3o de R$ 1 milh\u00e3o por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em Rond\u00f4nia que os pelegos se est\u00e3o agindo. Como ainda n\u00e3o conseguiu controlar essas greves, Dilma j\u00e1 convocou as maiores centrais governistas (CUT e For\u00e7a Sindical) para montar a opera\u00e7\u00e3o \u201cdesmonta greve\u201d, tentando um \u201cacordo\u201d com as empresas para assegurar aquilo que j\u00e1 \u00e9 direito dos trabalhadores e assim \u201cpacificar o PAC\u201d. O governo est\u00e1 cobrando o pre\u00e7o pela cria\u00e7\u00e3o de cargos nas estatais para os dirigentes sindicais e pelo rio de dinheiro da manuten\u00e7\u00e3o do famigerado imposto sindical.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong><a name=\"titulo3\"><\/a>DEMOCRACIA PARA QUEM, CARA P\u00c1LIDA?<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2010, os dois principais candidatos burgueses, Serra e Dilma, acusaram um ao outro de ser uma amea\u00e7a \u00e0 democracia. Segundo Dilma, o candidato do PSDB colocaria em pr\u00e1tica no governo uma gest\u00e3o tecnocr\u00e1tica, voltada para os interesses do mercado e do capital internacional, imperme\u00e1vel ao di\u00e1logo com o povo, autorit\u00e1rio e repressivo no combate aos movimentos sociais. Segundo Serra, a candidata do PT lotearia os cargos do Estado aos partidos de sua base de sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, distribuindo nomea\u00e7\u00f5es como forma de aprovar projetos e aparelhando as institui\u00e7\u00f5es em favor de grupos pol\u00edticos notoriamente corruptos e oportunistas, em preju\u00edzo da \u201cgest\u00e3o t\u00e9cnica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ora, acontece que os dois t\u00eam raz\u00e3o. Tanto PT quanto PSDB s\u00e3o uma amea\u00e7a \u00e0 democracia. Qualquer dos dois que vencesse constituiria um governo tecnocr\u00e1tico, autorit\u00e1rio e corrupto. Tal perfil de governo decorre de uma necessidade da burguesia de impor o seu projeto mediante uma gigantesca opera\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de constru\u00e7\u00e3o do consenso, quando for poss\u00edvel, e mediante o uso da for\u00e7a, quando necess\u00e1rio. A democracia burguesa, nos seus aspectos de liberdades formais, direito \u00e0 contesta\u00e7\u00e3o, ao debate e \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o, est\u00e1 sendo paulatinamente revogada na pr\u00e1tica pelos sucessivos governos burgueses, a ponto de imprimir ao Estado um perfil cada vez mais autorit\u00e1rio. A burguesia n\u00e3o pode admitir nenhum questionamento aos elementos centrais do seu projeto, que envolve a garantia do pagamento da d\u00edvida aos especuladores, as contra-reformas fiscal, previdenci\u00e1ria e trabalhista, a reestrutura\u00e7\u00e3o do Estado, o arrocho sobre os funcion\u00e1rios p\u00fablicos, o favorecimento ao mercado financeiro, o agroneg\u00f3cio, a constru\u00e7\u00e3o civil, as montadoras e ind\u00fastrias de bens de consumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Est\u00e1 em jogo uma grande opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical no sentido de construir-se a imagem de um pa\u00eds que caminha em dire\u00e7\u00e3o ao futuro pr\u00f3spero e que para tanto \u00e9 preciso apostar no desenvolvimentismo e na democracia burguesa. Esse projeto est\u00e1 sendo apresentado pelo PT a partir da perspectiva da explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal, do crescimento econ\u00f4mico conjuntural, do peso maior que o Brasil tem assumido no plano internacional. Por\u00e9m tudo isso \u00e9 apresentado condicionado ao interesse do capital. Ou seja, para que o pa\u00eds cres\u00e7a, o capital tem que crescer. Como contrapartida, todos aqueles que se colocarem contra esse projeto, em qualquer de seus aspectos, enfrentar\u00e3o a mais brutal repress\u00e3o, a censura, campanhas midi\u00e1ticas de difama\u00e7\u00e3o e descr\u00e9dito, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os primeiros meses do governo Dilma vieram a comprovar exatamente isso. O cart\u00e3o de visita foi a discuss\u00e3o sobre o reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo. O governo federal n\u00e3o recuou um mil\u00edmetro sequer da sua proposta inicial de R$ 545 reais, a qual acabou se impondo, em nome da necessidade de preservar as finan\u00e7as p\u00fablicas (ou seja, o pagamento da d\u00edvida aos especuladores). De sua parte, as centrais sindicais que negociaram o valor do reajuste \u201cem nome dos trabalhadores\u201d e a quem caberia em tese encabe\u00e7ar um processo de luta e mobiliza\u00e7\u00e3o, aceitaram o reajuste em troca de cargos nas diretorias das estatais, rifando os interesses dos trabalhadores em nome dos seus interesses burocr\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa opera\u00e7\u00e3o de mistifica\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para legitimar um suposto \u201cprocesso de negocia\u00e7\u00e3o\u201d puramente formal, quando na verdade tudo j\u00e1 estava decidido, e n\u00e3o havia qualquer possibilidade nem do governo alterar a proposta, nem das centrais encaminharem um processo de luta. Ao legitimar o processo de negocia\u00e7\u00e3o, o Estado deslegitima a contesta\u00e7\u00e3o. Os setores que se colocam contra os projetos do governo e ousam encabe\u00e7ar qualquer processo de luta se deparam com a aus\u00eancia de qualquer disposi\u00e7\u00e3o real de di\u00e1logo e com a mais dura repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m disso, tem havido uma divis\u00e3o de tarefas entre as institui\u00e7\u00f5es do regime, com os diferentes poderes se revezando e assumindo o papel de garantir a aplica\u00e7\u00e3o das medidas. Essa din\u00e2mica tem se expressado em v\u00e1rios assuntos estrat\u00e9gicos da pol\u00edtica nacional, em que o judici\u00e1rio tem chamado para si legislar sobre assuntos em que, por diversas raz\u00f5es, n\u00e3o se consegue avan\u00e7ar no \u00e2mbito do parlamento. \u00c9 o caso do direito de greve para o funcionalismo, a reforma pol\u00edtica relativa ao processo eleitoral e medidas tribut\u00e1rias. Al\u00e9m de substituir o legislativo, o judici\u00e1rio tem buscado at\u00e9 mesmo se sobrepor ao executivo, como no caso em que invocou para si o direito de decidir sobre a extradi\u00e7\u00e3o do militante italiano Cesare Batistti, que j\u00e1 havia sido decidida pelo presidente da rep\u00fablica (conforme suas atribui\u00e7\u00f5es legais), mas cuja decis\u00e3o desagradou os representantes da linha mais \u00e0 direita que predominam na suprema corte. Para alguns esse papel do judici\u00e1rio de substituir o legislativo representa uma crise do regime, mas na verdade se trata de uma capacidade do regime de conjunto em distribuir tarefas e garantir a aprova\u00e7\u00e3o das medidas necess\u00e1rias ao capital e o ataque aos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O judici\u00e1rio tem tido tamb\u00e9m um papel especial na criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. Os processos de luta dos sem terra, sem teto, atingidos por barragens, ind\u00edgenas, quilombolas, passe livre, greves, etc., tem sido tratados como caso de pol\u00edcia, com a pris\u00e3o de militantes, multas aos sindicatos, demiss\u00f5es e processos administrativos contra os ativistas, entre outras medidas repressivas. As opera\u00e7\u00f5es de \u201cpacifica\u00e7\u00e3o\u201d dos morros do Rio pelas UPPs (abrindo caminho para sua ocupa\u00e7\u00e3o por mil\u00edcias), a pris\u00e3o de Geg\u00ea, l\u00edder dos sem-terra em S\u00e3o Paulo, a violenta repress\u00e3o policial contra o movimento do passe livre tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo, em fevereiro, a pris\u00e3o dos 13 manifestantes contra Obama no Rio (n\u00e3o se trata do tradicional \u201cch\u00e1 de cadeia\u201d na delegacia, mas de enviar os manifestantes para uma penitenci\u00e1ria), o envio da For\u00e7a de Seguran\u00e7a Nacional contra os grevistas da constru\u00e7\u00e3o civil em Jirau \u2013 RO; s\u00e3o m\u00faltiplos exemplos do operativo de repress\u00e3o contra as lutas acionado pelo Estado burgu\u00eas para garantir, dentro de mecanismos \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d, a aplica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A classe trabalhadora precisa fortalecer seus instrumentos de luta, construir a\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias e avan\u00e7ar no processo de organiza\u00e7\u00e3o, para fazer frente a essa ofensiva anti-democr\u00e1tica, garantir os seus sal\u00e1rios, direitos e condi\u00e7\u00f5es de vida sob ataque e reconstruir a perspectiva da luta pela supera\u00e7\u00e3o dessa sociedade e por uma verdadeira democracia, poss\u00edvel apenas sob o socialismo.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong><a name=\"titulo4\"><\/a>AS POL\u00cdTICAS EDUCACIONAIS A SERVI\u00c7O DA DESTRUI\u00c7\u00c3O DO PENSAMENTO E CONTRA A\u00c7\u00c3O COLETIVA DOS PROFESSORES<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O envolvimento de empres\u00e1rios, banqueiros e governos \u2013 tanto do PT como do PMDB, PSDB, DEM, PV, PSD e outros \u2013 na discuss\u00e3o das pol\u00edticas educacionais revela o intenso empenho da burguesia nacional para mudar o perfil da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica brasileira, adequando-a \u00e0s necessidades do momento atual. Por\u00e9m, o que est\u00e1 por traz desse imenso esfor\u00e7o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os mesmos empres\u00e1rios e banqueiros que agora se interessam pelo tema da Educa\u00e7\u00e3o sempre cobram e recebem dos governos isen\u00e7\u00e3o fiscal, redu\u00e7\u00e3o de impostos, perd\u00e3o das d\u00edvidas, incentivos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e, ainda, criticam os gastos p\u00fablicos. Prop\u00f5em o enxugamento dos gastos dos governos e a redu\u00e7\u00e3o do tamanho do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, de imediato uma contradi\u00e7\u00e3o se apresenta: Como podemos ter qualidade de ensino sem o aumento dos investimentos p\u00fablicos na Educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a dos empres\u00e1rios e banqueiros na discuss\u00e3o sobre um novo perfil para a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica brasileira demonstra claramente que exigem um aprofundamento no ordenamento ideol\u00f3gico, pol\u00edtico e social do pensamento. Esse ordenamento n\u00e3o \u00e9 algo novo, j\u00e1 que a Educa\u00e7\u00e3o cumpriu ao longo da hist\u00f3ria esse papel. No entanto, recuou em muitos aspectos durante a \u00e1rdua luta pela democratiza\u00e7\u00e3o do ensino empreendida pelos movimentos sociais. Agora, querem retomar.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo ordenamento ideol\u00f3gico, pol\u00edtico e social para a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de procurar se consolidar e se ampliar enquanto classe dominante, a burguesia procura destruir os vest\u00edgios de qualquer tradi\u00e7\u00e3o inimiga e se prevenir de rebeli\u00f5es provocadas por uma massa de subempregados e desempregados que vai desde o emprego tempor\u00e1rio, o dram\u00e1tico (bicos, catadores de papel\u00e3o etc.) at\u00e9 o desemprego permanente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, embora esse reordenamento conservador ocorra em escala nacional, aqui em S\u00e3o Paulo est\u00e1 mais aprofundado, com a Educa\u00e7\u00e3o cumprindo um papel reacion\u00e1rio no sentido de apagar da mem\u00f3ria coletiva \u201c&#8230; no\u00e7\u00f5es como&#8230; bem comum, solidariedade, igualdade, direitos sociais. Isto porque os conte\u00fados e valores associados a elas constitu\u00edram ancoragens simb\u00f3licas eficazes para a conforma\u00e7\u00e3o material de atores sociais com for\u00e7a de negocia\u00e7\u00e3o (partidos pol\u00edticos, sindicatos, movimentos c\u00edvicos) e capacitados para produzir de maneira aut\u00f4noma categorias e conceitos\u201d como pensar, nomear, julgar e atuar na sociedade e no mundo. (Su\u00e1rez. In: <em>Pedagogia da Exclus\u00e3o: cr\u00edtica ao neoliberalismo na educa\u00e7\u00e3o<\/em>, p. 256)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntam-se a isso novos valores vinculados a \u00e9tica da economia de mercado, tais como: efic\u00e1cia, efici\u00eancia, compet\u00eancia, m\u00e9rito pessoal, o privado (individual) em detrimento ao p\u00fablico, equidade em detrimento a igualdade, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como parte desse processo ocorre a fragmenta\u00e7\u00e3o e estratifica\u00e7\u00e3o da categoria de professores em efetivos, est\u00e1veis, OFA\u2019s com v\u00e1rias letras (F, L, O, I, S, V, etc.), oficinas, projetos, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo ocorre com os \u00f3rg\u00e3os colegiados no interior das escolas (Conselho de Escola, APM e Gr\u00eamio Estudantil), h\u00e1 uma ofensiva dos agentes de governo no sentido de inviabilizar o funcionamento democr\u00e1tico dessas inst\u00e2ncias. Tudo o que envolve o coletivo, atualmente \u00e9 questionado na tentativa de torn\u00e1-los desacreditados: sindicatos, discuss\u00f5es sobre as sa\u00eddas para solucionar os problemas do dia a dia nas escolas, os intervalos de per\u00edodos s\u00e3o divididos para separar professores, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 por menos, s\u00e3o instrumentos que podem desafiar o poder e a possibilidade de pensar alternativas pol\u00edticas vi\u00e1veis, ou seja, que podem criar um cen\u00e1rio para a forma\u00e7\u00e3o de identidades e coletivos sociais que em algum momento poder\u00e3o questionar o sistema de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e as pr\u00f3prias mudan\u00e7as estruturais na Educa\u00e7\u00e3o,Reforma da Previd\u00eancia, retirada de direitos trabalhistas, falta de investimento nos servi\u00e7os sociais, dentre outras.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>A estratifica\u00e7\u00e3o das escolas estaduais no estado de s\u00e3o paulo<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para justificar e tentar mostrar que tudo est\u00e1 dando certo, legitimar a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica educacional e propagandear a favor da mesma, no estado de S\u00e3o Paulo, as escolas p\u00fablicas estaduais est\u00e3o sendo estratificadas. H\u00e1 as escolas t\u00e9cnicas, que s\u00e3o o \u201ctop\u201d; as escolas que recebem mais aten\u00e7\u00e3o em termos de verbas, cursos de idiomas e equipamentos, situadas em bairros mais centralizados; as escolas localizadas em bairros que n\u00e3o s\u00e3o periferia mas, t\u00eam um cotidiano tenso e, por \u00faltimo, as escolas na periferia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas \u00faltimas apresentam uma s\u00e9rie de problemas, sobretudo, por lidarem em maior intensidade com as contradi\u00e7\u00f5es e problemas gerados pela sociedade capitalista. Cumprem um papel de conten\u00e7\u00e3o social, j\u00e1 que a sociedade permite a liberdade para o consumo, mas, nesse caso, nem tanto assim e a rela\u00e7\u00e3o consumista exerce forte press\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estratifica\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas tamb\u00e9m interfere no relacionamento coletivo dos professores, principalmente em momentos de luta e mobiliza\u00e7\u00e3o por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rios. Muitas vezes cria-se at\u00e9 uma rivalidade entre as escolas. Portanto, n\u00e3o \u00e9 algo natural. \u00c9 pensado, pois visa a fragmenta\u00e7\u00e3o dos professores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa estratifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afeta os sal\u00e1rios dos professores. O B\u00f4nus M\u00e9rito e a Prova de M\u00e9rito est\u00e3o a servi\u00e7o dessa l\u00f3gica, pois um pequeno setor da categoria (at\u00e9 20%) obt\u00e9m algum ganho enquanto a maioria \u00e9 penalizada. Ao mesmo tempo permite ao Estado a redu\u00e7\u00e3o dos investimentos na Educa\u00e7\u00e3o. Assim, uma pol\u00edtica maior de n\u00e3o concess\u00e3o de reajuste \u00e9 transformada artificialmente em um problema individual de cada escola e de cada professor (acusa-se de falta de capacidade ou de dedica\u00e7\u00e3o), julgadas <em>aparentemente<\/em> de forma objetiva, em avalia\u00e7\u00f5es externas de rendimento padronizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pol\u00edtica visa apagar do horizonte as causas da crise educacional como os profundos problemas sociais existentes nas comunidades no entorno das escolas e a precariza\u00e7\u00e3o completa das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de ensino existentes nas escolas. Isso para justificar o n\u00e3o enfrentamento real aos problemas, pois isso levaria a questionar n\u00e3o apenas a pol\u00edtica dos governos estadual e federal, mas o pr\u00f3prio capitalismo que produz e reproduz essa realidade.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>A educa\u00e7\u00e3o enquanto espa\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o da coletividade dos trabalhadores de conjunto<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reiteramos que as sa\u00eddas para os nossos problemas devem ser pensadas, discutidas e aprovadas de modo coletivo, pois n\u00e3o envolve um ou outro professor, mas o conjunto dos professores e deve transcender os limites do corporativismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, a discuss\u00e3o sobre a qualidade do Ensino P\u00fablico, deve ir al\u00e9m da esfera de atua\u00e7\u00e3o dos professores. Os trabalhadores de um modo geral devem participar ativamente nessa luta. O nosso ensino deve tratar e defender exclusivamente os interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso construir e fortalecer os v\u00ednculos coletivos no interior das escolas a partir das demandas concretas e da busca de reuni\u00f5es, discuss\u00f5es, atividades sociais, etc. A organzia\u00e7\u00e3o de grupos que se re\u00fanam e discutam no intrior das escolas no sentido de buscar formas de resist\u00eancia e de rela\u00e7\u00e3o construtiva com os alunos e pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio participarmos e defendermos os espa\u00e7os coletivos dentro das escolas(Conselho de Escola, APM e Gr\u00eamio Estudantil).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sindicatos de um modo geral devem empenhar-se ativamente na discuss\u00e3o sobre a Educa\u00e7\u00e3o elaborando \u201coutdoors\u201d, mensagens na m\u00eddia, cartas abertas, faixas e fazer o uso de carro de som, al\u00e9m da utiliza\u00e7\u00e3o das novas ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o como as redes sociais, de modo que denuncie e reivindique um ensino p\u00fablico de qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso que os sindicatos e as subsedes sejam espa\u00e7os coletivos, em que haja uma gest\u00e3o realmente democr\u00e1tica e aberta \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos professores e demais trabalhadores, onde possamos reconstruir e fortalecer o senso de coletividade n\u00e3o apenas nos aspectos diretamente pol\u00edticos e sindicais mas tamb\u00e9m em atividades de forma\u00e7\u00e3o, atividades culturais e sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a nossa luta assuma um car\u00e1ter emancipat\u00f3rio, que vislumbre uma sociedade sem classes, fraternal entre os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo desenvolvimento cont\u00ednuo da consci\u00eancia socialista!<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong><a name=\"titulo5\"><\/a>Aumento das passagens de \u00f4nibus: os trabalhadores devem dar o troco!<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea acorda cedo, t\u00e3o cedo que o sol ainda nem se mostrou ao mundo.\u00a0 Se arruma ap\u00f3s um banho, toma caf\u00e9 apressado, despede-se da companheir@ e caminha ao ponto de \u00f4nibus rumo a mais um dia \u00e1rduo de trabalho. Parece mais um dia comum, mas ao entrar no \u00f4nibus velho, apertado e sujo, repara que o troco foi menor, ent\u00e3o percebe o pior: seu sal\u00e1rio tem diminu\u00eddo constantemente. Fica chateado pensando nas contas que s\u00f3 aumentam e no sal\u00e1rio m\u00ednimo que mal d\u00e1 pra sobreviver. Enquanto isso parlamentares e a pr\u00f3pria presidenta aumentam seus pr\u00f3prios sal\u00e1rios, para deputados R$ 16, 500 e para a presidenta R$ 26, 700. Quanta despropor\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s os \u00faltimos aumentos nas tarifas de \u00f4nibus, os sal\u00e1rios de trabalhadores e trabalhadoras de v\u00e1rias cidades brasileiras t\u00eam reduzido drasticamente com o transporte di\u00e1rio e desconfort\u00e1vel ao seu trabalho. Muitos destes, ao lado de estudantes est\u00e3o indo \u00e0s ruas das principais capitais do pa\u00eds reclamar o passe livre para estudantes e trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m a quest\u00e3o do transporte coletivo tr\u00e1z a necessidade de esclarecer o porqu\u00ea destes aumentos absurdos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo desordenado e desenfreado de urbaniza\u00e7\u00e3o ou \u201cfaveliza\u00e7\u00e3o\u201d (Davis) da maior parte do globo terrestre movido pelas necessidades imperativas do sistema capitalista a que hoje estamos submetidos, tem trazido conseq\u00fc\u00eancias de grande magnitude e nefastas aos trabalhadores, sobretudo dos chamados pa\u00edses \u201cemergentes\u201d, como Brasil, China, \u00cdndia etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este processo aplicado por meio das pol\u00edticas neoliberais ditadas pelos organismos imperialistas internacionais como FMI, OMC, BIRD, entre outros, for\u00e7ou o que os te\u00f3ricos chamam de desregulamenta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ou \u201cdescampesina\u00e7\u00e3o\u201d, que for\u00e7ou o desenfreado processo de migra\u00e7\u00e3o social para \u00e1reas urbanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, sem nenhum planejamento, o crescimento urbano \u2013 na maioria dos casos n\u00e3o acompanhado por um desenvolvimento industrial (China) ou econ\u00f4mico na mesma medida \u2013 tornou a realidade social dos pa\u00edses do terceiro mundo ainda mais complicada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quest\u00f5es como desemprego, subemprego, aumento da viol\u00eancia, crescimento de favelas, falta de saneamento b\u00e1sico, e como vemos hoje claramente, o agravamento dos problemas referentes ao transporte coletivo, dizem respeito diretamente \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es do capital, que busca superar sua sede de lucro por meio dos baixos sal\u00e1rios e da transforma\u00e7\u00e3o em mercadoria de todos os aspectos da vida social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso brasileiro, mais especificamente nas grandes metr\u00f3poles, os trabalhadores est\u00e3o submetidos todos os dias a transportes desumanos, lotados, sujos e antigos. Entra ano e sai ano e os pol\u00edticos burgueses falam sobre o problema do tr\u00e2nsito como se fosse apenas um problema conjuntural, por\u00e9m nada ou muito pouco se faz para atacar de fato a raiz do problema: a falta de um transporte p\u00fablico de verdade, que realmente esteja sob controle e a servi\u00e7o dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O descaso com que \u00e9 tratado o transporte coletivo no pa\u00eds \u00e9 antes de qualquer coisa um ataque aos trabalhadores, visto que s\u00e3o estes que dependem do transporte coletivo para se locomover. Os grandes monop\u00f3lios que dominam o transporte coletivo no pa\u00eds reduzem frotas para aumentar seus lucros, n\u00e3o renovam ve\u00edculos (basta olhar as linhas que servem principalmente os moradores da periferia), atrasam constantemente, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje na maior parte dos grandes per\u00edmetros urbanos o servi\u00e7o de transporte coletivo encontra-se dominado por corpora\u00e7\u00f5es privadas, verdadeiras m\u00e1fias que det\u00e9m o monop\u00f3lio do transporte coletivo e imp\u00f5em \u00e0 popula\u00e7\u00e3o servi\u00e7os de p\u00e9ssima qualidade, fazendo lobby junto aos governos para garantirem ano a ano o aumento de seus lucros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sabido que estas m\u00e1fias financiaram grande parte das campanhas eleitorais do \u00faltimo per\u00edodo em todos os estados brasileiros. N\u00e3o \u00e9 de se estranhar que agora os governos recompensem estas empresas privadas\/m\u00e1fias com o aumento das tarifas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o se agrava quando observamos a despropor\u00e7\u00e3o entre o sal\u00e1rio dos trabalhadores e o peso das tarifas. Atualmente o sal\u00e1rio m\u00ednimo no Brasil \u00e9 de vergonhosos R$ 540,00, desta forma um trabalhador de S\u00e3o Paulo (tarifa mais cara do Brasil) com o sal\u00e1rio m\u00ednimo atual\u00a0 e utilizando duas condu\u00e7\u00f5es por dia, gastar\u00e1\u00a0 R$120 por m\u00eas, ou seja, mais ou menos um quarto de seu sal\u00e1rio ser\u00e1 para se locomover, um ataque brutal aos trabalhadores e ao direito de ir e vir, tudo para a satisfa\u00e7\u00e3o das empresas\/m\u00e1fias do transporte. Isso sem falar nas limita\u00e7\u00f5es horrendas a que est\u00e3o submetidos desempregados e estudantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A falta de um transporte p\u00fablico de fato, sob controle dos trabalhadores, \u00e9 respons\u00e1vel diretamente pelo tr\u00e2nsito intenso nas grandes metr\u00f3poles, pelo aumento da polui\u00e7\u00e3o do ar, mas principalmente, pela redu\u00e7\u00e3o intensiva da qualidade de vida de trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 conseguiremos de fato vencer a privatiza\u00e7\u00e3o dos transportes coletivos por meio da unidade de entre estudantes e trabalhadores, j\u00e1 que estes tem sofrido anualmente com as ambi\u00e7\u00f5es capitalistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Passe livre para estudantes e desempregados j\u00e1!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pela estatiza\u00e7\u00e3o das empresas de transporte coletivo sob o controle dos trabalhadores (\u00d4nibus, metr\u00f4s, trens, etc.)!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pela extens\u00e3o imediata do transporte coletivo!<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong><a name=\"titulo6\"><\/a>DESASTRES NATURAIS E A BARB\u00c1RIE NUCLEAR DO CAPITAL<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em janeiro de 2010 um terremoto de 7 graus de magnitude arrasou o Haiti, deixando 222 mil mortos, 310 mil feridos, 1,5 milh\u00e3o de desabrigados e mais 766 mil pessoas que se deslocaram para outras regi\u00f5es do pa\u00eds (globo.com, 17\/03\/2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em mar\u00e7o de 2011, um terremoto de 8,9 graus atingiu o litoral do Jap\u00e3o, desencadeando um tsunami em seguida, cujas ondas destru\u00edram tudo o que existia numa \u00e1rea de dezenas de quil\u00f4metros no leste do pa\u00eds. A contagem de mortos est\u00e1 em pouco mais de 10 mil v\u00edtimas, com cerca de 15 mil ainda desaparecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Considerando que cada ponto na escala de magnitude significa uma libera\u00e7\u00e3o de energia 32 vezes maior que o grau anterior, o terremoto no Jap\u00e3o foi quase 900 vezes mais forte que o do Haiti (bbc Brasil, 11\/03\/2011); e mesmo supondo que todos os habitantes da regi\u00e3o atingida no litoral japon\u00eas que est\u00e3o atualmente desaparecidos sejam ao final dados como mortos, ainda assim o n\u00famero de v\u00edtimas no pa\u00eds asi\u00e1tico ser\u00e1\u00a0 cerca de 10 vezes menor que no do Caribe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por que uma cat\u00e1strofe natural tantas vezes mais forte provoca um n\u00famero tantas vezes menor de v\u00edtimas de um pa\u00eds para o outro? A resposta \u00e9 \u00f3bvia, o Jap\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds rico, com PIB de US$ 5,39 trilh\u00f5es, o 3\u00ba maior do mundo, enquanto que o Haiti \u00e9 o 145\u00ba, um dos mais pobres, com PIB de US$ 6,49 bilh\u00f5es (valores nominais de 2010, segundo dados compilados do FMI, Banco Mundial e CIA World Factbook, dispon\u00edveis na Wikip\u00e9dia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entretanto, essa resposta bastante \u00f3bvia nunca \u00e9 desenvolvida at\u00e9 a sua conclus\u00e3o l\u00f3gica, ou seja, as cat\u00e1strofes naturais se tornam mais mort\u00edferas ou n\u00e3o de acordo com as condi\u00e7\u00f5es sociais de cada pa\u00eds atingido. Os eventos naturais s\u00e3o at\u00e9 certo ponto aleat\u00f3rios, pois, por exemplo, conhecem-se as regi\u00f5es do planeta mais sujeitas a terremotos, por\u00e9m nunca se sabe ao certo quando acontecer\u00e1 o pr\u00f3ximo e qu\u00e3o forte ser\u00e1. Mas as conseq\u00fc\u00eancias sociais de cada evento se distribuem de acordo com uma l\u00f3gica bastante precisa e previs\u00edvel, que tem a ver com o papel que cada sociedade ocupa na hierarquia mundial. O Jap\u00e3o \u00e9 uma das principais pot\u00eancias imperialistas mundiais, com recursos suficientes para fazer frente ao desastre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Evidentemente, isso n\u00e3o significa que as v\u00edtimas e desabrigados no Jap\u00e3o, por serem em menor n\u00famero, s\u00e3o menos importantes, e que n\u00e3o tenham enfrentado um sofrimento bastante real e terr\u00edvel. O terremoto seguido de tsunami, al\u00e9m das v\u00edtimas fatais, deixou mais de 200 mil desabrigados, cortou o fornecimento de energia el\u00e9trica em diversas regi\u00f5es, inclusive a capital T\u00f3quio, paralisou o transporte ferrovi\u00e1rio e portu\u00e1rio, al\u00e9m de danificar f\u00e1bricas e for\u00e7ar uma paralisa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o em diversos setores. Para complicar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, uma nevasca dificultou nos primeiros dias imediatamente seguintes os trabalhos de remo\u00e7\u00e3o dos escombros e o alojamento dos desabrigados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As conseq\u00fc\u00eancias do evento se far\u00e3o sentir ainda por muito tempo. O Jap\u00e3o \u00e9 o maior fornecedor mundial de componentes para produtos eletr\u00f4nicos e de alta tecnologia, como chips e processadores que s\u00e3o usados em computadores, celulares, c\u00e2meras, aparelhos de TV, etc., montados em outros pa\u00edses como a China e o sudeste asi\u00e1tico e exportados para o mundo inteiro. Cerca de 30% das empresas tiveram suas atividades momentaneamente paralisadas. As estimativas de preju\u00edzos com a queda da atividade econ\u00f4mica, pagamento de seguros, reconstru\u00e7\u00e3o das \u00e1reas atingidas, etc., est\u00e3o em torno de US$ 310 bilh\u00f5es (not\u00edcias uol, 22\/03\/2011), gigantesca mesmo para a 3\u00aa maior economia do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O fato de se tratar de um pa\u00eds rico n\u00e3o significa que esteja imune \u00e0s conseq\u00fc\u00eancias sociais dos eventos naturais, pois como dissemos acima, a popula\u00e7\u00e3o japonesa est\u00e1 enfrentando uma s\u00e9rie de pesados sofrimentos. Ainda por cima, surgiu logo em seguida a amea\u00e7a de contamina\u00e7\u00e3o por radia\u00e7\u00e3o a partir da usina nuclear de Fukushima, seriamente avariada pelo terremoto e tsunami. A riqueza do Jap\u00e3o, que pode ter evitado um desastre ainda maior, cont\u00e9m em si um aspecto contradit\u00f3rio, que \u00e9 o fato de ser produto das rela\u00e7\u00f5es capitalistas de produ\u00e7\u00e3o. A riqueza e a prosperidade do Jap\u00e3o est\u00e3o assentadas sobre uma base social t\u00e3o inst\u00e1vel quanto as placas tect\u00f4nicas cujo movimento provocou o terremoto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A economia japonesa precisa importar quase toda a energia que consome. Entre 70 e 75% da energia japonesa prov\u00e9m de petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s natural, dos quais praticamente 100% s\u00e3o importados. \u00bc do petr\u00f3leo consumido no pa\u00eds \u00e9 processado em refinarias localizadas nas regi\u00f5es atingidas pelo terremoto e tsunami, as quais est\u00e3o paralisadas, seja por danos nas instala\u00e7\u00f5es ou por precau\u00e7\u00e3o (estadao.com.br, 14\/03\/2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para tentar compensar essa depend\u00eancia cr\u00f4nica de petr\u00f3leo, o pa\u00eds optou pelo uso de energia nuclear, que responde pelos quase 30% restantes do consumo de energia, a partir de 55 usinas. Isso representa no m\u00ednimo uma ironia cruel, pois o Jap\u00e3o \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds at\u00e9 hoje atingido por armas nucleares. Para encerrar a disputa interimperialista da II Guerra Mundial, os Estados Unidos bombardearam as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945 com bombas que mataram mais de 200 mil pessoas, al\u00e9m de deixar outros milhares de feridos e pessoas doentes por conta da radia\u00e7\u00e3o, cujos efeitos, como c\u00e2ncer, m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o de fetos, etc., se prolongaram por d\u00e9cadas e afetaram v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Esse legado terr\u00edvel deveria ser o suficiente para dissuadir os dirigentes japoneses do uso da energia nuclear, mas a necessidade de diminuir a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao petr\u00f3leo falou mais alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, o terremoto de 11 de mar\u00e7o de 2011 transformou as usinas da regi\u00e3o atingida em novas bombas at\u00f4micas em potencial. As usinas nucleares produzem eletricidade a partir do calor gerado por materiais radioativos, cuja conten\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial, pois a radioatividade \u00e9 mortal para o homem. O terremoto abalou as estruturas de conten\u00e7\u00e3o e resfriamento das usinas da regi\u00e3o de Fukushima, que tiveram que ser desativadas. Para evitar o superaquecimento e a explos\u00e3o, parte do vapor da usina, com carga radioativa, teve que ser liberado na atmosfera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A nuvem radioativa criou uma nova onda de medo ap\u00f3s o terremoto e o tsunami. Mais de 100 mil habitantes num raio de 30 quil\u00f4metros da regi\u00e3o tiveram que ser evacuados por precau\u00e7\u00e3o. Milhares de estrangeiros est\u00e3o deixando o Jap\u00e3o por medo de uma cat\u00e1strofe nuclear. Diversos pa\u00edses anunciaram a suspens\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de alimentos vindos do Jap\u00e3o. O n\u00edvel de radioatividade est\u00e1 muito maior do que seria o aceit\u00e1vel, principalmente na \u00e1gua. O terror nuclear toma conta da popula\u00e7\u00e3o a cada nova not\u00edcia sobre a condi\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es de Fukushima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O governo japon\u00eas demorou a tomar provid\u00eancias e divulgar a gravidade da situa\u00e7\u00e3o, amea\u00e7ando a vida da popula\u00e7\u00e3o para n\u00e3o p\u00f4r em risco a imagem da ind\u00fastria nuclear do pa\u00eds. &#8220;Os reatores fechados devido ao terremoto s\u00e3o respons\u00e1veis por 18% da capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia nuclear do Jap\u00e3o&#8221; (http:\/\/www.agora.uol.com.br\/mundo\/ult10109u887723.shtml). Como sempre, os interesses econ\u00f4micos falaram mais alto do que a vida das pessoas. A empresa Tepco, respons\u00e1vel pelos reatores, j\u00e1 produziu mais de duzentos incidentes desde 1978 (Boletim Cr\u00edtica Semanal, n\u00ba 1056, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O fato de que o Jap\u00e3o se localize sobre uma falha tect\u00f4nica sujeita a terremotos \u00e9 um dado da natureza que n\u00e3o se pode alterar. Mas a op\u00e7\u00e3o pela energia nuclear e seus riscos \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o puramente humana. Sem falar no perigo dos casos extremos de acidentes e explos\u00f5es, a contamina\u00e7\u00e3o por vazamentos \u00e9 um risco constante desde a produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel nuclear, seu transporte e utiliza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o descarte final do material consumido, na forma de lixo nuclear, que conserva o poder radioativo por milhares de anos. Essa op\u00e7\u00e3o humana, irracional do ponto de vista das necessidades da esp\u00e9cie, somente se torna racional do ponto de vista do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, um sistema cuja irracionalidade o converte cada vez mais em uma amea\u00e7a para a simples sobreviv\u00eancia da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O caso japon\u00eas demonstra mais uma vez o quanto o capitalismo \u00e9 pernicioso e mortal. A energia nuclear sob controle de empresas capitalistas mais preocupadas com o lucro do que com a seguran\u00e7a, num pa\u00eds sujeito a terremotos, serve como exemplo de que n\u00e3o se pode deixar o conhecimento cient\u00edfico sob controle da propriedade privada. Para completar, precisamos retomar a quest\u00e3o de que a op\u00e7\u00e3o por energia nuclear \u00e9 uma forma de minimizar a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos combust\u00edveis f\u00f3sseis, como petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s natural. Mas se a energia nuclear tem o problema do risco de vazamento de radia\u00e7\u00e3o, os combust\u00edveis f\u00f3sseis tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o a op\u00e7\u00e3o mais adequada, pois at\u00e9 a ONU j\u00e1 reconheceu a rela\u00e7\u00e3o entre os gases derivados da sua queima e o efeito estufa, fonte de uma s\u00e9rie de outros desastres \u201cnaturais\u201d. Basta lembrar das enchentes deste ano, no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O mundo precisa de uma nova matriz energ\u00e9tica, renov\u00e1vel, limpa e sustent\u00e1vel. Mas a troca dos combust\u00edveis f\u00f3sseis (e da energia nuclear) por essas fontes alternativas n\u00e3o ser\u00e1 feita pelo capitalismo, enquanto houver possibilidade de lucrar com as atuais fontes. Por mais mort\u00edferas que tenham se provado. Somente uma sociedade socialista, que aproveite os recursos naturais e tecnol\u00f3gicos de acordo com as necessidades humanas e de uma forma racional e renov\u00e1vel, pode por fim \u00e0s cat\u00e1strofes e ao espectro da barb\u00e1rie.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong><a name=\"titulo7\"><\/a>NORTE DA \u00c1FRICA E \u201cO CASO L\u00cdBIA\u201d<\/strong><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Panorama geral das rebeli\u00f5es \u00e1rabes<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise pol\u00edtica aberta recentemente pelas rebeli\u00f5es \u00e1rabes indica, como tend\u00eancia, uma sa\u00edda bem diferente da outra grande \u201conda\u201d de manifesta\u00e7\u00f5es \u00e1rabes ocorrida no s\u00e9culo XX. Esta se declarava anti-imperialista e apresentava o objetivo principal de \u201clibertar\u201d os povos dominados por imp\u00e9rios europeus (brit\u00e2nico, franc\u00eas e italiano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente do que ocorreu no mundo \u00e1rabe durante o per\u00edodo de liberta\u00e7\u00e3o do imperialismo colonial no s\u00e9culo XX, este levante parece n\u00e3o trilhar o caminho do anterior em termos ideol\u00f3gicos. Pelo que se passa, n\u00e3o identificamos um movimento anti-imperialista, nem a id\u00e9ia do \u201cpan-arabismo\u201d, que teve seu \u00e1pice no s\u00e9culo XX atrav\u00e9s da figura de Gamal Nasser. Esta caracteriza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos indica que o car\u00e1ter de luta hoje mais se aproxima \u00e0 no\u00e7\u00e3o de Estado-Na\u00e7\u00e3o do que \u00e0 no\u00e7\u00e3o de um pertencimento maior, o \u201cpan-arabismo\u201d (que talvez nunca tenha existido).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que a refer\u00eancia m\u00fatua entre os movimentos populares hoje t\u00eam se dado atrav\u00e9s de lutas por \u201cmelhores condi\u00e7\u00f5es materiais de vida\u201d e por liberdade pol\u00edtica (ainda que meramente formal).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os atuais levantes \u00e1rabes, processos em geral democr\u00e1ticos e ainda em curso, n\u00e3o expressam o car\u00e1ter anti-imperialista nas manifesta\u00e7\u00f5es, em que pese serem os efeitos da administra\u00e7\u00e3o burguesa da \u00faltima crise econ\u00f4mica mundial de 2008 o estopim para o desencadeamento das contradi\u00e7\u00f5es j\u00e1 presentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A natureza das manifesta\u00e7\u00f5es iniciais na L\u00edbia parece tamb\u00e9m se assemelhar aos v\u00e1rios levantes j\u00e1 ocorridos, como os da Tun\u00edsia e do Egito.\u00a0 A semelhan\u00e7a continua quando se considera a import\u00e2ncia dos levantes \u00e1rabes para a demonstra\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo atual, para a reconfigura\u00e7\u00e3o das for\u00e7as pol\u00edticas mundiais envolvidas e para a necessidade de organiza\u00e7\u00e3o popular com o fim de dar prosseguimento \u00e0s lutas de interesses tamb\u00e9m populares.\u00a0 Entretanto, a L\u00edbia apresenta caracter\u00edsticas que tornam mais complexa a an\u00e1lise de sua situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pa\u00eds comp\u00f5e-se de aproximadamente 140 grupos \u00e9tnicos, unidades s\u00f3cio-pol\u00edticas sobre as quais qualquer governo da L\u00edbia tem de se apoiar. Assim, essa divis\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o levanta tamb\u00e9m a pr\u00f3pria quest\u00e3o de at\u00e9 que ponto as manifesta\u00e7\u00f5es atuais da L\u00edbia possuem um car\u00e1ter nacional t\u00edpico, uma vez que se sabe que a delimita\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nacional da L\u00edbia, e de outros pa\u00edses \u00e1rabes em geral, n\u00e3o \u00e9 ajustada com a hist\u00f3ria desses povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, o pa\u00eds tem um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o com menos de 15 anos de idade e a maioria de seus habitantes reside em \u00e1reas urbanas. A economia \u00e9 fundamentalmente baseada na extra\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, setor respons\u00e1vel por mais da metade do Produto Interno Bruto. O pa\u00eds \u00e9 pobre em recursos agr\u00edcolas e a produ\u00e7\u00e3o do setor n\u00e3o chega a 3% da riqueza total produzida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dessa configura\u00e7\u00e3o, a L\u00edbia avan\u00e7ou em certos aspectos de uma moderniza\u00e7\u00e3o e Qadhafi desempenhou, no passado, papel de combate ao Imperialismo na regi\u00e3o. No entanto, isso n\u00e3o quer dizer que o regime (Jamahiria &#8211; Estado das massas, regido pela popula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de Conselhos locais) esteja mantido e seja hoje algo facilmente defens\u00e1vel como faz Hugo Ch\u00e1vez e Fidel Castro, haja vista a repress\u00e3o pol\u00edtica e a colabora\u00e7\u00e3o com o Imperialismo desenvolvidas nessas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>A interven\u00e7\u00e3o militar na l\u00edbia e os interesses imperialistas: a farsa da zona de exclus\u00e3o a\u00e9rea<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos dias, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU decidiu autorizar o bombardeio militar na L\u00edbia, sob pretextos de impedir um massacre de Qadhafi aos civis, de agir em situa\u00e7\u00e3o de \u201ccrise humanit\u00e1ria\u201d e de evitar maior ataque aos Direitos Humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para reavivarmos a mem\u00f3ria, registre-se, antes de tudo, que, com o \u00faltimo dia 20 de mar\u00e7o, passaram-se j\u00e1 oito anos em que EUA e \u201cparceiros\u201d invadiram o Iraque sob o pretexto de &#8220;estabelecer a democracia\u201d. Mas, o que l\u00e1 se passa est\u00e1 longe do que possa ser considerado como democr\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00edmbolo dessa realidade foi a a\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito estrangeiro, em fevereiro deste ano, de reprimir covardemente milhares de iraquianos que foram \u00e0s ruas reivindicar trabalho, p\u00e3o, eletricidade e \u00e1gua pot\u00e1vel. Contudo, nenhuma pot\u00eancia mundial clamou em favor dos direitos humanos e nem sugeriu que as autoridades, ditas democr\u00e1ticas, respondam perante os tribunais internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fa\u00e7a-se lembrar, por fim, que a morte de Saddam Hussein demonstra bem a \u201cdemocracia\u201d oportunista do imperialismo capitaneado pelos EUA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parafraseando Tom Z\u00e9, ora inventa-se o pesco\u00e7o, ora inventa-se a corda! \u00c9 esta a pol\u00edtica do imperialismo capitaneado pelos EUA: Qadhafi agora n\u00e3o pode mais ser um bom s\u00f3cio do imperialismo, uma vez que n\u00e3o seria nada favor\u00e1vel a reconstru\u00e7\u00e3o da imagem \u201cestadunidense\u201d e de seus aliados. Logo, corda para o pesco\u00e7o de Qadhafi! Veja-se: Ora o imperialismo mant\u00e9m excelentes rela\u00e7\u00f5es com regimes tir\u00e2nicos (como \u00e9 o caso da Ar\u00e1bia Saudita), ora defende a Democracia, defesa esta que demonstra a tend\u00eancia da pol\u00edtica imperialista atual para a regi\u00e3o. Longe de se configurar como uma contradi\u00e7\u00e3o, tais fatos s\u00f3 demonstram a coer\u00eancia com o princ\u00edpio do oportunismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s do desenrolar das lutas \u00e1rabes atuais, logo se mostram os interesses imperialistas envolvidos em cada conflito. Com a \u201cguerra\u201d destacam-se alguns dos interesses gerais dos imperialistas na L\u00edbia: al\u00e9m do interesse j\u00e1 tradicional no petr\u00f3leo e no g\u00e1s natural tamb\u00e9m se mostram os interesses de fazer da Guerra uma vitrine para a venda de armamentos militares (EUA e Fran\u00e7a s\u00e3o 2 dos 5 pa\u00edses que mais vendem armamentos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante atentarmos para as conseq\u00fc\u00eancias das agress\u00f5es militares como as que v\u00eam ocorrendo na L\u00edbia, dentre outras: essa invas\u00e3o tende a aumentar a crise pol\u00edtico-social em curso, uma vez que podemos analis\u00e1-la como uma atitude de \u201cterrorismo\u201d, em que nunca se sabe ao certo qual ser\u00e1 o pr\u00f3ximo grupo civil n\u00e3o envolvido diretamente com a \u201cguerra\u201d a ser atingido. Lembramos que esse discurso da \u201cdemocracia\u201d estadunidense nunca impediu a sua pr\u00e1tica terrorista: as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki, em que morreram 170 mil civis, demonstram isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso da L\u00edbia, al\u00e9m de esclarecer o jogo atual dos interesses imperialistas, traz \u00e0 tona a n\u00e3o efic\u00e1cia da ONU diante de enfrentamentos a interesses imperialistas. A aprova\u00e7\u00e3o da Zona de Exclus\u00e3o A\u00e9rea significa carta branca para a a\u00e7\u00e3o militar imperialista em tal grau que o Secret\u00e1rio de Defesa Brit\u00e2nico declarou que Qadhafi tamb\u00e9m \u00e9 um \u201calvo leg\u00edtimo\u201d.\u00a0 E logo nas primeiras atua\u00e7\u00f5es pudemos identificar que a m\u00e1scara de que a a\u00e7\u00e3o seria em defesa de civis caiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que os interesses imperialistas espec\u00edficos neste caso s\u00e3o: 1) a conten\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o popular em curso (uma vez que podem fortalecer as mobiliza\u00e7\u00f5es em pa\u00edses aliados do imperialismo como Ar\u00e1bia Saudita e I\u00eamen) e 2) uma sa\u00edda favor\u00e1vel aos interesses imperialistas em rela\u00e7\u00e3o ao petr\u00f3leo e ao g\u00e1s natural l\u00edbios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vota\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU contou com 5 absten\u00e7\u00f5es: China, R\u00fassia (ambas com poder de veto), \u00cdndia, Brasil e Alemanha. A favor da \u201czona de exclus\u00e3o a\u00e9rea\u201d votaram Reino Unido, Estado Unidos, Fran\u00e7a, \u00c1frica do Sul, Col\u00f4mbia, Portugal, B\u00f3snia e Herzegovina, Gab\u00e3o, L\u00edbano e Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As absten\u00e7\u00f5es \u201ctransformaram-se\u201d em manifesta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias a interven\u00e7\u00e3o militar logo nos dias seguintes. O Estado brasileiro, por exemplo, divulgou nota pedindo o \u201ccessar fogo\u201d na L\u00edbia. J\u00e1 o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou ser a decis\u00e3o da ONU um \u201capelo \u00e0s cruzadas medievais\u201d, uma esp\u00e9cie de cruzadas do s\u00e9culo XXI.\u00a0 A China lamentou a utiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a por parte dos aliados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que aparentemente vai se configurando \u00e9 o quadro mundial em que a hegemonia americana perde for\u00e7a e os chamados \u201cBRIC\u00b4s\u201d agem, cada qual, buscando expandir seus interesses, tamb\u00e9m de tend\u00eancias imperialistas. J\u00e1 os governos que reconhecidamente se contrap\u00f5em a hegemonia estadunidense sa\u00edram em defesa do \u201camigo\u201d Qadhafi, como o fizeram Hugo Ch\u00e1vez e Fidel Castro, supostamente por ter o ditador l\u00edbio o apoio do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso espec\u00edfico da L\u00edbia, h\u00e1 um impasse pol\u00edtico para aqueles que se colocam \u00e0 esquerda na luta por um mundo justo, socialista. Apoiar a pol\u00edtica imperialista estadunidense est\u00e1 fora de cogita\u00e7\u00e3o, uma vez que isto significaria o apoio a uma guerra civil sangrenta e ainda mais prolongada, a espolia\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo l\u00edbio e a nega\u00e7\u00e3o do direito do povo de se autodeterminar. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apoiar a ditadura de Qadhafi uma vez que \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de um regime que tolhe a possibilidade de uma organiza\u00e7\u00e3o popular na L\u00edbia, bem como qualquer possibilidade de uma organiza\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda. Resta-nos apoiar a mobiliza\u00e7\u00e3o popular contra Qadhafi e contra os interesses imperialistas, o que n\u00e3o parece ter for\u00e7a capaz de conduzir o atual processo de reconfigura\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social da L\u00edbia. Parodiando Drummond, temos o tempo e as a\u00e7\u00f5es pobres fundidas num mesmo impasse.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Sa\u00edda? s\u00f3 se a classe trabalhadora se colocar a frente <\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que as manifesta\u00e7\u00f5es iniciais possam ter apresentado um car\u00e1ter \u201cespont\u00e2neo\u201d contra o regime ditatorial h\u00e1 muito desgastado, rapidamente a \u201cguerra\u201d na L\u00edbia transformou-se em um campo de batalha dos interesses imperialistatendo, talvez, um papel destacado para a influ\u00eancia dos BRIC\u00b4s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dada a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as dos interesses imperialistas, a quantidade imensa de informa\u00e7\u00f5es distorcidas, as especificidades pr\u00f3prias da L\u00edbia e o fato de que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel (no est\u00e1gio atual do capitalismo, ou pelo menos n\u00e3o \u00e9 essa a tend\u00eancia) consolidar democracias aos moldes \u201ccl\u00e1ssicos\u201d (com liberdades civis e democr\u00e1ticas consolidadas, com parlamento forte e etc.) torna-se extremamente complexa a caracteriza\u00e7\u00e3o de quais contornos do regime democr\u00e1tico s\u00e3o poss\u00edveis para um pa\u00eds como a L\u00edbia. No entanto, sabemos que a luta por direitos e liberdades democr\u00e1ticas, como o direito a livre associa\u00e7\u00e3o, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para a luta revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fortalecimento da luta e por conquistas revolucion\u00e1rias a unidade dos trabalhadores \u00e9 essencial e determinante. Somente esta unidade poder\u00e1 transformar as cidades libertadas do jugo ditatorial em espa\u00e7os de controle da riqueza produzida e em espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as rebeladas e armadas a fim de construir um regime que garanta os direitos e as liberdades democr\u00e1ticas sem a interfer\u00eancia do Imperialismo e sem a lideran\u00e7a do regime Qadhafista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo fim da espolia\u00e7\u00e3o aplicada pelo imperialismo e pela burguesia ao povo l\u00edbio! Pelo fim do regime Qadhafista! Todo poder \u00e0 classe trabalhadora l\u00edbia!<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo8\"><\/a>\u00c0s Flores<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o negras, brancas, amarelas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e vermelhas em suas\u00a0p\u00e9talas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">mesti\u00e7as em suas ra\u00edzes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">por natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o sereno desabrochar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que trazem na face, iluminam<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a vida para al\u00e9m do dia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e da noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o s\u00e3o l\u00e1 rosas, tulipas, jasmins<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">encantadas ou amaldi\u00e7oadas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que n\u00e3o podem tocar ou<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">serem tocadas. N\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que as abelhas e<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">os colibris\u00a0ou\u00e7am com perplexidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">suas vozes\u00a0dizendo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Venceremos!&#8221;&#8230; &#8220;Sempre, sempre, sempre!&#8221;,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ainda assim, s\u00e3o Flores&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amam e se entristecem,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">riem e choram,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">t\u00eam coragem e lutam,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e ainda assim, s\u00e3o Flores&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o esque\u00e7amos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Flores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m s\u00e3o\u00a0carn\u00edvoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de sinceras e belas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<h2>\n\t<a name=\"titulo2\"><\/a>Usina de Jirau: quando os explorados se rebelam<\/h2>\n<p>\n\tOs oper&aacute;rios da constru&ccedil;&atilde;o civil que est&atilde;o trabalhando nas obras da hidrel&eacute;trica de Jirau em Rond&ocirc;nia se rebelaram e protagonizaram a a&ccedil;&atilde;o mais radical de trabalhadores dos &uacute;ltimos anos. Foram incendiados v&aacute;rios &ocirc;nibus, caminh&otilde;es e os alojamentos. A imprensa burguesa, fazendo eco &agrave;s palavras da empreiteira Camargo Corr&ecirc;a, se apressou em classificar esses atos como vandalismo e que nada tinham que ver com luta por direitos trabalhistas. Esse tamb&eacute;m foi o discurso dos governos estadual e federal, que usam desse artif&iacute;cio por duas quest&otilde;es: primeiro porque o caso escancara que nas obras do PAC h&aacute; uma brutal explora&ccedil;&atilde;o dos oper&aacute;rios, ou seja, as empresas obt&eacute;m o lucro &agrave;s custas do sangue dos oper&aacute;rios; segundo para criminalizar a luta, tentando identific&aacute;-la como um ato criminoso e n&atilde;o uma justa revolta daqueles que constroem a riqueza do pa&iacute;s, como se os trabalhadores fossem bandidos e assim &ldquo;justificar&rdquo; a entrada das for&ccedil;as policiais do Estado e da seguran&ccedil;a nacional.<\/p>\n<p>\n\tEssa luta est&aacute; no marco de um processo mais geral de greves que envolve outras obras do PAC. Nesse momento estima-se que os 80 mil trabalhadores das maiores obras est&atilde;o em luta por aumento salarial e outras reivindica&ccedil;&otilde;es. A maior delas &ndash; em Suape &#8211; envolve 34000 oper&aacute;rios, sendo sem d&uacute;vida uma das maiores greves dos &uacute;ltimos anos, que envolve tantos oper&aacute;rios de uma s&oacute; categoria.<\/p>\n<p>\n\tA nota da Camargo Corr&ecirc;a tratou a luta como dist&uacute;rbio civil provocado pela &quot;a&ccedil;&atilde;o criminosa e isolada de um grupo de v&acirc;ndalos&quot;. Mais do que uma desculpa, a empresa fez uma demonstra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de como trata os trabalhadores no canteiro de obras: com muita viol&ecirc;ncia e descaso. Esse &eacute; o tratamento dispensado &agrave;queles que a enfrentam.<\/p>\n<p>\n\tCom o passar do tempo a imprensa foi obrigada a revelar as p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho a que os oper&aacute;rios est&atilde;o submetidos: sobrecarga de trabalho, ass&eacute;dio moral, descumprimento de acordo sobre PLR, maus tratos e agress&otilde;es constantes de seguran&ccedil;as da empresa contra os oper&aacute;rios, desvios de fun&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o pagamento de horas extra, diferen&ccedil;a salarial e de benef&iacute;cios entre empresas que tocam a obra (Vale alimenta&ccedil;&atilde;o na Camargo Corr&ecirc;a &eacute; de R$ 110,00 enquanto nas outras &eacute; de R$ 310,00) e outros problemas. As imposi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o tantas e t&atilde;o degradantes que os oper&aacute;rios nem podem visitar seus familiares, pois a empresa s&oacute; disponibiliza transporte de volta ap&oacute;s 80 dias.Para se ter id&eacute;ia dos absurdos que s&atilde;o praticados no canteiro, os produtos vendidos nos alojamentos t&ecirc;m um pre&ccedil;o muito maior do que o do mercado, o que faz com que o trabalhador tenha o seu sal&aacute;rio ainda mais rebaixado. &Eacute; uma t&eacute;cnica muito parecida com a que &eacute; utilizada nas fazendas que praticam trabalho escravo, criando uma esp&eacute;cie de escravid&atilde;o por d&iacute;vida. Francisco de Assis gastou em rem&eacute;dio R$ 149,00 para tratar de uma febre (Estad&atilde;o).<\/p>\n<p>\n\tComo n&atilde;o h&aacute; servi&ccedil;o de sa&uacute;de decente e condi&ccedil;&otilde;es de se comprar os produtos em outro lugar, os oper&aacute;rios praticamente s&atilde;o obrigados a se submeterem a esses pre&ccedil;os e condi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\tA precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho inicia logo na forma que a empresa utiliza para a contrata&ccedil;&atilde;o dos oper&aacute;rios que &eacute; a mesma utilizada nas &ldquo;d&eacute;cadas de crescimento&rdquo; da ditadura, onde os famosos &ldquo;gatos&rdquo; recrutam os oper&aacute;rios com v&aacute;rias promessas que depois n&atilde;o s&atilde;o cumpridas. Outra den&uacute;ncia dos oper&aacute;rios contra os &ldquo;gatos&rdquo; &eacute; que eles fazem os trabalhadores assinarem um contrato de comprometimento em que ele deve abrir m&atilde;o de qualquer direito se desistir do trabalho antes dos 90 dias.<\/p>\n<p>\n\tEsses problemas n&atilde;o s&atilde;o novos e todo o governo j&aacute; tem conhecimento da viola&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios direitos humanos na obra, inclusive o pr&oacute;prio governo federal aprovou relat&oacute;rio que denuncia essa pr&aacute;tica h&aacute; muito tempo. O MAB (Movimento dos Atingidos pelas Barragens), desde junho de 2010, &nbsp;j&aacute; vinha denunciando esses ataques a direitos b&aacute;sicos dos trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o. Outra informa&ccedil;&atilde;o do MAB &eacute; que essas empresas t&ecirc;m as mesmas pr&aacute;ticas em outras obras, como a de Cana Brava em Goi&aacute;s (controlada pela Suez) e a do Foz do Chapec&oacute; em Santa Catarina (que &eacute; controlada pela Camargo Correa).<\/p>\n<p>\n\tAt&eacute; a justi&ccedil;a burguesa (TRT de Rond&ocirc;nia) determinou que o cons&oacute;rcio respons&aacute;vel cumprisse as obriga&ccedil;&otilde;es legais, como v&iacute;nculo trabalhista, pagamento dos dias parados e transporte para os trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t<strong>PAC: programa de acelera&ccedil;&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/h3>\n<p>\n\tO PAC &eacute; um programa que interessa diretamente &agrave;s empreiteiras, uma vez que se tornou uma apetitosa fonte de recursos com bilh&otilde;es de reais e com possibilidade de contratar uma farta for&ccedil;a de trabalho nas regi&otilde;es mais pobres do pa&iacute;s com sal&aacute;rios rebaixados. Dentre as v&aacute;rias obras em andamento as maiores (Refinaria Abreu e Lima, Petroqu&iacute;mica de Suape, as Usinas de Monte Belo, Jirau e santo Antonio) re&uacute;nem por volta de 80 mil trabalhadores na mesma condi&ccedil;&atilde;o de terem direitos legais b&aacute;sicos n&atilde;o cumpridos.<\/p>\n<p>\n\tO PAC &eacute; sim, portanto, uma grande generosidade do Estado brasileiro, mas &agrave; burguesia e n&atilde;o aos trabalhadores, uma vez que s&atilde;o garantidos fortunas em empr&eacute;stimos com juros baixos e as empresas que est&atilde;o construindo-as com dinheiro p&uacute;blico ainda v&atilde;o poder explor&aacute;-las como forma de concess&atilde;o por anos.<\/p>\n<p>\n\tOutra quest&atilde;o que deve ser analisada &eacute; o processo de desregulamenta&ccedil;&atilde;o por que passaram alguns &oacute;rg&atilde;os que deveriam fiscalizar (e impedir) a constru&ccedil;&atilde;o das usinas, uma vez que os danos ambientais, culturais e sociais s&atilde;o imensos e irrevers&iacute;veis, pois alteram as condi&ccedil;&otilde;es de vida e de reprodu&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios animas, da flora e da popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o. As popula&ccedil;&otilde;es ribeirinhas e ind&iacute;genas que est&atilde;o h&aacute; pelo menos centenas de anos na regi&atilde;o ser&atilde;o retiradas e deslocadas para outras regi&otilde;es sem qualquer infra-estrutura. &Oacute;rg&atilde;os como o IBAMA (que entre v&aacute;rias interven&ccedil;&otilde;es que sofreu teve retirado o seu direito de vetar projetos), a ANA (Ag&ecirc;ncia nacional de &aacute;gua), tiveram seus poderes retirados ou restringidos pelo governo, pois era a &uacute;nica forma de &ldquo;legalizar&rdquo; tanta destrui&ccedil;&atilde;o. Assim, governo, &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores e empresas formam um grande cons&oacute;rcio para a destrui&ccedil;&atilde;o. Essa destrui&ccedil;&atilde;o serviu de motivo para que, segundo o blog&nbsp; Revista Ambiente Global, o grupo Suez fosse eleito uma das seis empresas e organiza&ccedil;&otilde;es mais irrespons&aacute;veis do mundo em 2010, segundo premia&ccedil;&atilde;o internacional da Public Eye Awards (Olho do P&uacute;blico).<\/p>\n<p>\n\tComo se n&atilde;o bastassem tantos desmandos, o futuro parece ainda mais promissor para o capital na regi&atilde;o, pois o projeto mais geral do Estado &eacute;, a partir dessa usinas na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, criar uma esp&eacute;cie de corredor para escoamento de mat&eacute;rias primas, madeiras, minerais, a biodiversidade que tanto interessa a grandes grupos internacionais e &eacute; claro a energia el&eacute;trica servindo de suporte para esses setores. Dessa forma, a constru&ccedil;&atilde;o dessas hidrel&eacute;tricas visa n&atilde;o s&oacute; atacar o d&eacute;ficit de energia el&eacute;trica, mas tamb&eacute;m abrir uma nova fronteira para a explora&ccedil;&atilde;o do capital nessa regi&atilde;o e que no caso amaz&ocirc;nico significa ter o controle de um territ&oacute;rio muito desejado para o capital.<\/p>\n<p>\n\tEsses elementos s&oacute; podem nos levar &agrave; conclus&atilde;o que o governo Dilma (assim como o de Lula) tem responsabilidade direta pela situa&ccedil;&atilde;o em que se encontram os trabalhadores das obras do PAC. A postura do governo Dilma &eacute; de coniv&ecirc;ncia com os desmandos das empreiteiras, pois foi da&iacute; que saiu boa parte do financiamento da campanha eleitoral, uma vez que as empreiteiras est&atilde;o entre os maiores doadores para a campanha eleitoral do ano passado (na verdade em todos os anos). S&oacute; para a campanha da petista foram doados 28, 4 milh&otilde;es de reais (s&oacute; a Camargo Correa doou 8 milh&otilde;es de reais), ou seja, boa parte da campanha foi financiada por esse dinheiro. Essa &eacute; a raz&atilde;o do governo federal n&atilde;o condenar a empresa, o que significa fazer coro com os argumentos da empreiteira.<\/p>\n<p>\n\tDilma tamb&eacute;m &eacute; respons&aacute;vel pela interven&ccedil;&atilde;o militar e pela repress&atilde;o que se seguiu ap&oacute;s a revolta dos oper&aacute;rios, principalmente pelo fato de que enviou para Rond&ocirc;nia cerca de 600 homens fortemente armados da For&ccedil;a de Seguran&ccedil;a Nacional que v&atilde;o garantir que a Camargo Correa continue explorando os trabalhadores e desrespeitando direitos trabalhistas. Enquanto a for&ccedil;a policial amea&ccedil;a os oper&aacute;rios, os executivos das empreiteiras que cometem ilegalidade t&ecirc;m tr&acirc;nsito livre. A presen&ccedil;a dessas tropas &eacute; uma bela demonstra&ccedil;&atilde;o de que lado est&aacute; o governo Dilma.<\/p>\n<h3>\n\t<strong>A dire&ccedil;&atilde;o sindical: aliada da empresa<\/strong><\/h3>\n<p>\n\tDiante de uma situa&ccedil;&atilde;o dessas o que se espera de uma dire&ccedil;&atilde;o sindical &eacute; que se coloque ao lado dos trabalhadores, mas o que aconteceu foi exatamente o contr&aacute;rio, pois no dia da rebeli&atilde;o, e revelando a boa rela&ccedil;&atilde;o que tem com a empresa, a dire&ccedil;&atilde;o sindical n&atilde;o hesitou em&nbsp; apoiar a empresa, declarando, em nota p&uacute;blica e contra todas as evid&ecirc;ncias, que n&atilde;o h&aacute; problemas trabalhistas na obra e que os dist&uacute;rbios eram por conta de quest&otilde;es pessoais.<\/p>\n<p>\n\tMas a verdade logo veio &agrave; tona. O site Nahoraonline divulgou algumas fotos com o presidente (vulgo Toco) e mais alguns diretores do sindicato curtindo uma piscina em um dos mais caros hot&eacute;is de Rond&ocirc;nia. A pergunta que fica &eacute; como consegue esse dinheiro, uma vez que um trabalhador do canteiro de obras trabalhando das 7 horas da manh&atilde; at&eacute; as 22 horas recebe no m&aacute;ximo R$1100,00 por m&ecirc;s. J&aacute; o sindicato tem uma arrecada&ccedil;&atilde;o de R$ 1 milh&atilde;o por ano.<\/p>\n<p>\n\tMas n&atilde;o &eacute; s&oacute; em Rond&ocirc;nia que os pelegos se est&atilde;o agindo. Como ainda n&atilde;o conseguiu controlar essas greves, Dilma j&aacute; convocou as maiores centrais governistas (CUT e For&ccedil;a Sindical) para montar a opera&ccedil;&atilde;o &ldquo;desmonta greve&rdquo;, tentando um &ldquo;acordo&rdquo; com as empresas para assegurar aquilo que j&aacute; &eacute; direito dos trabalhadores e assim &ldquo;pacificar o PAC&rdquo;. O governo est&aacute; cobrando o pre&ccedil;o pela cria&ccedil;&atilde;o de cargos nas estatais para os dirigentes sindicais e pelo rio de dinheiro da manuten&ccedil;&atilde;o do famigerado imposto sindical.<\/p>\n<h2>\n\t<strong><a name=\"titulo3\"><\/a>DEMOCRACIA PARA QUEM, CARA P&Aacute;LIDA?<\/strong><\/h2>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2010, os dois principais candidatos burgueses, Serra e Dilma, acusaram um ao outro de ser uma amea&ccedil;a &agrave; democracia. Segundo Dilma, o candidato do PSDB colocaria em pr&aacute;tica no governo uma gest&atilde;o tecnocr&aacute;tica, voltada para os interesses do mercado e do capital internacional, imperme&aacute;vel ao di&aacute;logo com o povo, autorit&aacute;rio e repressivo no combate aos movimentos sociais. Segundo Serra, a candidata do PT lotearia os cargos do Estado aos partidos de sua base de sustenta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, distribuindo nomea&ccedil;&otilde;es como forma de aprovar projetos e aparelhando as institui&ccedil;&otilde;es em favor de grupos pol&iacute;ticos notoriamente corruptos e oportunistas, em preju&iacute;zo da &ldquo;gest&atilde;o t&eacute;cnica&rdquo;.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora, acontece que os dois t&ecirc;m raz&atilde;o. Tanto PT quanto PSDB s&atilde;o uma amea&ccedil;a &agrave; democracia. Qualquer dos dois que vencesse constituiria um governo tecnocr&aacute;tico, autorit&aacute;rio e corrupto. Tal perfil de governo decorre de uma necessidade da burguesia de impor o seu projeto mediante uma gigantesca opera&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica de constru&ccedil;&atilde;o do consenso, quando for poss&iacute;vel, e mediante o uso da for&ccedil;a, quando necess&aacute;rio. A democracia burguesa, nos seus aspectos de liberdades formais, direito &agrave; contesta&ccedil;&atilde;o, ao debate e &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o, est&aacute; sendo paulatinamente revogada na pr&aacute;tica pelos sucessivos governos burgueses, a ponto de imprimir ao Estado um perfil cada vez mais autorit&aacute;rio. A burguesia n&atilde;o pode admitir nenhum questionamento aos elementos centrais do seu projeto, que envolve a garantia do pagamento da d&iacute;vida aos especuladores, as contra-reformas fiscal, previdenci&aacute;ria e trabalhista, a reestrutura&ccedil;&atilde;o do Estado, o arrocho sobre os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, o favorecimento ao mercado financeiro, o agroneg&oacute;cio, a constru&ccedil;&atilde;o civil, as montadoras e ind&uacute;strias de bens de consumo.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Est&aacute; em jogo uma grande opera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e sindical no sentido de construir-se a imagem de um pa&iacute;s que caminha em dire&ccedil;&atilde;o ao futuro pr&oacute;spero e que para tanto &eacute; preciso apostar no desenvolvimentismo e na democracia burguesa. Esse projeto est&aacute; sendo apresentado pelo PT a partir da perspectiva da explora&ccedil;&atilde;o do Pr&eacute;-Sal, do crescimento econ&ocirc;mico conjuntural, do peso maior que o Brasil tem assumido no plano internacional. Por&eacute;m tudo isso &eacute; apresentado condicionado ao interesse do capital. Ou seja, para que o pa&iacute;s cres&ccedil;a, o capital tem que crescer. Como contrapartida, todos aqueles que se colocarem contra esse projeto, em qualquer de seus aspectos, enfrentar&atilde;o a mais brutal repress&atilde;o, a censura, campanhas midi&aacute;ticas de difama&ccedil;&atilde;o e descr&eacute;dito, etc.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os primeiros meses do governo Dilma vieram a comprovar exatamente isso. O cart&atilde;o de visita foi a discuss&atilde;o sobre o reajuste do sal&aacute;rio m&iacute;nimo. O governo federal n&atilde;o recuou um mil&iacute;metro sequer da sua proposta inicial de R$ 545 reais, a qual acabou se impondo, em nome da necessidade de preservar as finan&ccedil;as p&uacute;blicas (ou seja, o pagamento da d&iacute;vida aos especuladores). De sua parte, as centrais sindicais que negociaram o valor do reajuste &ldquo;em nome dos trabalhadores&rdquo; e a quem caberia em tese encabe&ccedil;ar um processo de luta e mobiliza&ccedil;&atilde;o, aceitaram o reajuste em troca de cargos nas diretorias das estatais, rifando os interesses dos trabalhadores em nome dos seus interesses burocr&aacute;ticos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa opera&ccedil;&atilde;o de mistifica&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria para legitimar um suposto &ldquo;processo de negocia&ccedil;&atilde;o&rdquo; puramente formal, quando na verdade tudo j&aacute; estava decidido, e n&atilde;o havia qualquer possibilidade nem do governo alterar a proposta, nem das centrais encaminharem um processo de luta. Ao legitimar o processo de negocia&ccedil;&atilde;o, o Estado deslegitima a contesta&ccedil;&atilde;o. Os setores que se colocam contra os projetos do governo e ousam encabe&ccedil;ar qualquer processo de luta se deparam com a aus&ecirc;ncia de qualquer disposi&ccedil;&atilde;o real de di&aacute;logo e com a mais dura repress&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al&eacute;m disso, tem havido uma divis&atilde;o de tarefas entre as institui&ccedil;&otilde;es do regime, com os diferentes poderes se revezando e assumindo o papel de garantir a aplica&ccedil;&atilde;o das medidas. Essa din&acirc;mica tem se expressado em v&aacute;rios assuntos estrat&eacute;gicos da pol&iacute;tica nacional, em que o judici&aacute;rio tem chamado para si legislar sobre assuntos em que, por diversas raz&otilde;es, n&atilde;o se consegue avan&ccedil;ar no &acirc;mbito do parlamento. &Eacute; o caso do direito de greve para o funcionalismo, a reforma pol&iacute;tica relativa ao processo eleitoral e medidas tribut&aacute;rias. Al&eacute;m de substituir o legislativo, o judici&aacute;rio tem buscado at&eacute; mesmo se sobrepor ao executivo, como no caso em que invocou para si o direito de decidir sobre a extradi&ccedil;&atilde;o do militante italiano Cesare Batistti, que j&aacute; havia sido decidida pelo presidente da rep&uacute;blica (conforme suas atribui&ccedil;&otilde;es legais), mas cuja decis&atilde;o desagradou os representantes da linha mais &agrave; direita que predominam na suprema corte. Para alguns esse papel do judici&aacute;rio de substituir o legislativo representa uma crise do regime, mas na verdade se trata de uma capacidade do regime de conjunto em distribuir tarefas e garantir a aprova&ccedil;&atilde;o das medidas necess&aacute;rias ao capital e o ataque aos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O judici&aacute;rio tem tido tamb&eacute;m um papel especial na criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais. Os processos de luta dos sem terra, sem teto, atingidos por barragens, ind&iacute;genas, quilombolas, passe livre, greves, etc., tem sido tratados como caso de pol&iacute;cia, com a pris&atilde;o de militantes, multas aos sindicatos, demiss&otilde;es e processos administrativos contra os ativistas, entre outras medidas repressivas. As opera&ccedil;&otilde;es de &ldquo;pacifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos morros do Rio pelas UPPs (abrindo caminho para sua ocupa&ccedil;&atilde;o por mil&iacute;cias), a pris&atilde;o de Geg&ecirc;, l&iacute;der dos sem-terra em S&atilde;o Paulo, a violenta repress&atilde;o policial contra o movimento do passe livre tamb&eacute;m em S&atilde;o Paulo, em fevereiro, a pris&atilde;o dos 13 manifestantes contra Obama no Rio (n&atilde;o se trata do tradicional &ldquo;ch&aacute; de cadeia&rdquo; na delegacia, mas de enviar os manifestantes para uma penitenci&aacute;ria), o envio da For&ccedil;a de Seguran&ccedil;a Nacional contra os grevistas da constru&ccedil;&atilde;o civil em Jirau &ndash; RO; s&atilde;o m&uacute;ltiplos exemplos do operativo de repress&atilde;o contra as lutas acionado pelo Estado burgu&ecirc;s para garantir, dentro de mecanismos &ldquo;democr&aacute;ticos&rdquo;, a aplica&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica do capital.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A classe trabalhadora precisa fortalecer seus instrumentos de luta, construir a&ccedil;&otilde;es unit&aacute;rias e avan&ccedil;ar no processo de organiza&ccedil;&atilde;o, para fazer frente a essa ofensiva anti-democr&aacute;tica, garantir os seus sal&aacute;rios, direitos e condi&ccedil;&otilde;es de vida sob ataque e reconstruir a perspectiva da luta pela supera&ccedil;&atilde;o dessa sociedade e por uma verdadeira democracia, poss&iacute;vel apenas sob o socialismo.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<h2>\n\t<strong><span face=\"\"><a name=\"titulo4\"><\/a>AS POL&Iacute;TICAS EDUCACIONAIS A SERVI&Ccedil;O DA DESTRUI&Ccedil;&Atilde;O DO PENSAMENTO E CONTRA A&Ccedil;&Atilde;O COLETIVA DOS PROFESSORES<\/span><\/strong><\/h2>\n<p>\n\t<span face=\"\">O envolvimento de empres&aacute;rios, banqueiros e governos &ndash; tanto do PT como do PMDB, PSDB, DEM, PV, PSD e outros &ndash; na discuss&atilde;o das pol&iacute;ticas educacionais revela o intenso empenho da burguesia nacional para mudar o perfil da Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica brasileira, adequando-a &agrave;s necessidades do momento atual. Por&eacute;m, o que est&aacute; por traz desse imenso esfor&ccedil;o?<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Os mesmos empres&aacute;rios e banqueiros que agora se interessam pelo tema da Educa&ccedil;&atilde;o sempre cobram e recebem dos governos isen&ccedil;&atilde;o fiscal, redu&ccedil;&atilde;o de impostos, perd&atilde;o das d&iacute;vidas, incentivos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e, ainda, criticam os gastos p&uacute;blicos. Prop&otilde;em o enxugamento dos gastos dos governos e a redu&ccedil;&atilde;o do tamanho do Estado.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Com isso, de imediato uma contradi&ccedil;&atilde;o se apresenta: Como podemos ter qualidade de ensino sem o aumento dos investimentos p&uacute;blicos na Educa&ccedil;&atilde;o?<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">A presen&ccedil;a dos empres&aacute;rios e banqueiros na discuss&atilde;o sobre um novo perfil para a Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica brasileira demonstra claramente que exigem um aprofundamento no ordenamento ideol&oacute;gico, pol&iacute;tico e social do pensamento. Esse ordenamento n&atilde;o &eacute; algo novo, j&aacute; que a Educa&ccedil;&atilde;o cumpriu ao longo da hist&oacute;ria esse papel. No entanto, recuou em muitos aspectos durante a &aacute;rdua luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino empreendida pelos movimentos sociais. Agora, querem retomar.<\/span><\/p>\n<h3>\n\t<strong><span face=\"\">O novo ordenamento ideol&oacute;gico, pol&iacute;tico e social para a educa&ccedil;&atilde;o<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>\n\t<span face=\"\">Al&eacute;m de procurar se consolidar e se ampliar enquanto classe dominante, a burguesia procura destruir os vest&iacute;gios de qualquer tradi&ccedil;&atilde;o inimiga e se prevenir de rebeli&otilde;es provocadas por uma massa de subempregados e desempregados que vai desde o emprego tempor&aacute;rio, o dram&aacute;tico (bicos, catadores de papel&atilde;o etc.) at&eacute; o desemprego permanente.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Nesse sentido, embora esse reordenamento conservador ocorra em escala nacional, aqui em S&atilde;o Paulo est&aacute; mais aprofundado, com a Educa&ccedil;&atilde;o cumprindo um papel reacion&aacute;rio no sentido de apagar da mem&oacute;ria coletiva &ldquo;&#8230; no&ccedil;&otilde;es como&#8230; bem comum, solidariedade, igualdade, direitos sociais. Isto porque os conte&uacute;dos e valores associados a elas constitu&iacute;ram ancoragens simb&oacute;licas eficazes para a conforma&ccedil;&atilde;o material de atores sociais com for&ccedil;a de negocia&ccedil;&atilde;o (partidos pol&iacute;ticos, sindicatos, movimentos c&iacute;vicos) e capacitados para produzir de maneira aut&ocirc;noma categorias e conceitos&rdquo; como pensar, nomear, julgar e atuar na sociedade e no mundo. (Su&aacute;rez. In: <em>Pedagogia da Exclus&atilde;o: cr&iacute;tica ao neoliberalismo na educa&ccedil;&atilde;o<\/em>, p. 256)<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Juntam-se a isso novos valores vinculados a &eacute;tica da economia de mercado, tais como: efic&aacute;cia, efici&ecirc;ncia, compet&ecirc;ncia, m&eacute;rito pessoal, o privado (individual) em detrimento ao p&uacute;blico, equidade em detrimento a igualdade, etc.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Como parte desse processo ocorre a fragmenta&ccedil;&atilde;o e estratifica&ccedil;&atilde;o da categoria de professores em efetivos, est&aacute;veis, OFA&rsquo;s com v&aacute;rias letras (F, L, O, I, S, V, etc.), oficinas, projetos, etc.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">O mesmo ocorre com os &oacute;rg&atilde;os colegiados no interior das escolas (Conselho de Escola, APM e Gr&ecirc;mio Estudantil), h&aacute; uma ofensiva dos agentes de governo no sentido de inviabilizar o funcionamento democr&aacute;tico dessas inst&acirc;ncias. Tudo o que envolve o coletivo, atualmente &eacute; questionado na tentativa de torn&aacute;-los desacreditados: sindicatos, discuss&otilde;es sobre as sa&iacute;das para solucionar os problemas do dia a dia nas escolas, os intervalos de per&iacute;odos s&atilde;o divididos para separar professores, etc.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">N&atilde;o &eacute; por menos, s&atilde;o instrumentos que podem desafiar o poder e a possibilidade de pensar alternativas pol&iacute;ticas vi&aacute;veis, ou seja, que podem criar um cen&aacute;rio para a forma&ccedil;&atilde;o de identidades e coletivos sociais que em algum momento poder&atilde;o questionar o sistema de domina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e as pr&oacute;prias mudan&ccedil;as estruturais na Educa&ccedil;&atilde;o,Reforma da Previd&ecirc;ncia, retirada de direitos trabalhistas, falta de investimento nos servi&ccedil;os sociais, dentre outras.<\/span><\/p>\n<h3>\n\t<strong><span face=\"\">A estratifica&ccedil;&atilde;o das escolas estaduais no estado de s&atilde;o paulo<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>\n\t<span face=\"\">Para justificar e tentar mostrar que tudo est&aacute; dando certo, legitimar a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica educacional e propagandear a favor da mesma, no estado de S&atilde;o Paulo, as escolas p&uacute;blicas estaduais est&atilde;o sendo estratificadas. H&aacute; as escolas t&eacute;cnicas, que s&atilde;o o &ldquo;top&rdquo;; as escolas que recebem mais aten&ccedil;&atilde;o em termos de verbas, cursos de idiomas e equipamentos, situadas em bairros mais centralizados; as escolas localizadas em bairros que n&atilde;o s&atilde;o periferia mas, t&ecirc;m um cotidiano tenso e, por &uacute;ltimo, as escolas na periferia.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Estas &uacute;ltimas apresentam uma s&eacute;rie de problemas, sobretudo, por lidarem em maior intensidade com as contradi&ccedil;&otilde;es e problemas gerados pela sociedade capitalista. Cumprem um papel de conten&ccedil;&atilde;o social, j&aacute; que a sociedade permite a liberdade para o consumo, mas, nesse caso, nem tanto assim e a rela&ccedil;&atilde;o consumista exerce forte press&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">A estratifica&ccedil;&atilde;o das escolas p&uacute;blicas tamb&eacute;m interfere no relacionamento coletivo dos professores, principalmente em momentos de luta e mobiliza&ccedil;&atilde;o por melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e sal&aacute;rios. Muitas vezes cria-se at&eacute; uma rivalidade entre as escolas. Portanto, n&atilde;o &eacute; algo natural. &Eacute; pensado, pois visa a fragmenta&ccedil;&atilde;o dos professores. <\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Essa estratifica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m afeta os sal&aacute;rios dos professores. O B&ocirc;nus M&eacute;rito e a Prova de M&eacute;rito est&atilde;o a servi&ccedil;o dessa l&oacute;gica, pois um pequeno setor da categoria (at&eacute; 20%) obt&eacute;m algum ganho enquanto a maioria &eacute; penalizada. Ao mesmo tempo permite ao Estado a redu&ccedil;&atilde;o dos investimentos na Educa&ccedil;&atilde;o. Assim, uma pol&iacute;tica maior de n&atilde;o concess&atilde;o de reajuste &eacute; transformada artificialmente em um problema individual de cada escola e de cada professor (acusa-se de falta de capacidade ou de dedica&ccedil;&atilde;o), julgadas <em>aparentemente<\/em> de forma objetiva, em avalia&ccedil;&otilde;es externas de rendimento padronizadas. <\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Essa pol&iacute;tica visa apagar do horizonte as causas da crise educacional como os profundos problemas sociais existentes nas comunidades no entorno das escolas e a precariza&ccedil;&atilde;o completa das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e de ensino existentes nas escolas. Isso para justificar o n&atilde;o enfrentamento real aos problemas, pois isso levaria a questionar n&atilde;o apenas a pol&iacute;tica dos governos estadual e federal, mas o pr&oacute;prio capitalismo que produz e reproduz essa realidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><\/p>\n<h3>\n\t<strong><span face=\"\">A educa&ccedil;&atilde;o enquanto espa&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o da coletividade dos trabalhadores de conjunto<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>\n\t<span face=\"\">Reiteramos que as sa&iacute;das para os nossos problemas devem ser pensadas, discutidas e aprovadas de modo coletivo, pois n&atilde;o envolve um ou outro professor, mas o conjunto dos professores e deve transcender os limites do corporativismo.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Dessa forma, a discuss&atilde;o sobre a qualidade do Ensino P&uacute;blico, deve ir al&eacute;m da esfera de atua&ccedil;&atilde;o dos professores. Os trabalhadores de um modo geral devem participar ativamente nessa luta. O nosso ensino deve tratar e defender exclusivamente os interesses da classe trabalhadora.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">&Eacute; preciso construir e fortalecer os v&iacute;nculos coletivos no interior das escolas a partir das demandas concretas e da busca de reuni&otilde;es, discuss&otilde;es, atividades sociais, etc. A organzia&ccedil;&atilde;o de grupos que se re&uacute;nam e discutam no intrior das escolas no sentido de buscar formas de resist&ecirc;ncia e de rela&ccedil;&atilde;o construtiva com os alunos e pais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio participarmos e defendermos os espa&ccedil;os coletivos dentro das escolas<\/span>(Conselho de Escola, APM e Gr&ecirc;mio Estudantil).<\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Os sindicatos de um modo geral devem empenhar-se ativamente na discuss&atilde;o sobre a Educa&ccedil;&atilde;o elaborando &ldquo;outdoors&rdquo;, mensagens na m&iacute;dia, cartas abertas, faixas e fazer o uso de carro de som, al&eacute;m da utiliza&ccedil;&atilde;o das novas ferramentas de comunica&ccedil;&atilde;o como as redes sociais, de modo que denuncie e reivindique um ensino p&uacute;blico de qualidade. <\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Al&eacute;m disso, &eacute; preciso que os sindicatos e as subsedes sejam espa&ccedil;os coletivos, em que haja uma gest&atilde;o realmente democr&aacute;tica e aberta &agrave; participa&ccedil;&atilde;o dos professores e demais trabalhadores, onde possamos reconstruir e fortalecer o senso de coletividade n&atilde;o apenas nos aspectos diretamente pol&iacute;ticos e sindicais mas tamb&eacute;m em atividades de forma&ccedil;&atilde;o, atividades culturais e sociais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Que a nossa luta assuma um car&aacute;ter emancipat&oacute;rio, que vislumbre uma sociedade sem classes, fraternal entre os trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<span face=\"\">Pelo desenvolvimento cont&iacute;nuo da consci&ecirc;ncia socialista!&nbsp; <\/span><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<h2>\n\t<strong><a name=\"titulo5\"><\/a>Aumento das passagens de &ocirc;nibus: os trabalhadores devem dar o troco!<\/strong><\/h2>\n<p>\n\tVoc&ecirc; acorda cedo, t&atilde;o cedo que o sol ainda nem se mostrou ao mundo.&nbsp; Se arruma ap&oacute;s um banho, toma caf&eacute; apressado, despede-se da companheir@ e caminha ao ponto de &ocirc;nibus rumo a mais um dia &aacute;rduo de trabalho. Parece mais um dia comum, mas ao entrar no &ocirc;nibus velho, apertado e sujo, repara que o troco foi menor, ent&atilde;o percebe o pior: seu sal&aacute;rio tem diminu&iacute;do constantemente. Fica chateado pensando nas contas que s&oacute; aumentam e no sal&aacute;rio m&iacute;nimo que mal d&aacute; pra sobreviver. Enquanto isso parlamentares e a pr&oacute;pria presidenta aumentam seus pr&oacute;prios sal&aacute;rios, para deputados R$ 16, 500 e para a presidenta R$ 26, 700. Quanta despropor&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p>\n\tAp&oacute;s os &uacute;ltimos aumentos nas tarifas de &ocirc;nibus, os sal&aacute;rios de trabalhadores e trabalhadoras de v&aacute;rias cidades brasileiras t&ecirc;m reduzido drasticamente com o transporte di&aacute;rio e desconfort&aacute;vel ao seu trabalho. Muitos destes, ao lado de estudantes est&atilde;o indo &agrave;s ruas das principais capitais do pa&iacute;s reclamar o passe livre para estudantes e trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\tPor&eacute;m a quest&atilde;o do transporte coletivo tr&aacute;z a necessidade de esclarecer o porqu&ecirc; destes aumentos absurdos.<\/p>\n<p>\n\tO processo desordenado e desenfreado de urbaniza&ccedil;&atilde;o ou &ldquo;faveliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Davis) da maior parte do globo terrestre movido pelas necessidades imperativas do sistema capitalista a que hoje estamos submetidos, tem trazido conseq&uuml;&ecirc;ncias de grande magnitude e nefastas aos trabalhadores, sobretudo dos chamados pa&iacute;ses &ldquo;emergentes&rdquo;, como Brasil, China, &Iacute;ndia etc.<\/p>\n<p>\n\tEste processo aplicado por meio das pol&iacute;ticas neoliberais ditadas pelos organismos imperialistas internacionais como FMI, OMC, BIRD, entre outros, for&ccedil;ou o que os te&oacute;ricos chamam de desregulamenta&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola ou &ldquo;descampesina&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que for&ccedil;ou o desenfreado processo de migra&ccedil;&atilde;o social para &aacute;reas urbanas.<\/p>\n<p>\n\tAssim, sem nenhum planejamento, o crescimento urbano &ndash; na maioria dos casos n&atilde;o acompanhado por um desenvolvimento industrial (China) ou econ&ocirc;mico na mesma medida &ndash; tornou a realidade social dos pa&iacute;ses do terceiro mundo ainda mais complicada.<\/p>\n<p>\n\tQuest&otilde;es como desemprego, subemprego, aumento da viol&ecirc;ncia, crescimento de favelas, falta de saneamento b&aacute;sico, e como vemos hoje claramente, o agravamento dos problemas referentes ao transporte coletivo, dizem respeito diretamente &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es do capital, que busca superar sua sede de lucro por meio dos baixos sal&aacute;rios e da transforma&ccedil;&atilde;o em mercadoria de todos os aspectos da vida social.<\/p>\n<p>\n\tNo caso brasileiro, mais especificamente nas grandes metr&oacute;poles, os trabalhadores est&atilde;o submetidos todos os dias a transportes desumanos, lotados, sujos e antigos. Entra ano e sai ano e os pol&iacute;ticos burgueses falam sobre o problema do tr&acirc;nsito como se fosse apenas um problema conjuntural, por&eacute;m nada ou muito pouco se faz para atacar de fato a raiz do problema: a falta de um transporte p&uacute;blico de verdade, que realmente esteja sob controle e a servi&ccedil;o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\tO descaso com que &eacute; tratado o transporte coletivo no pa&iacute;s &eacute; antes de qualquer coisa um ataque aos trabalhadores, visto que s&atilde;o estes que dependem do transporte coletivo para se locomover. Os grandes monop&oacute;lios que dominam o transporte coletivo no pa&iacute;s reduzem frotas para aumentar seus lucros, n&atilde;o renovam ve&iacute;culos (basta olhar as linhas que servem principalmente os moradores da periferia), atrasam constantemente, etc.<\/p>\n<p>\n\tHoje na maior parte dos grandes per&iacute;metros urbanos o servi&ccedil;o de transporte coletivo encontra-se dominado por corpora&ccedil;&otilde;es privadas, verdadeiras m&aacute;fias que det&eacute;m o monop&oacute;lio do transporte coletivo e imp&otilde;em &agrave; popula&ccedil;&atilde;o servi&ccedil;os de p&eacute;ssima qualidade, fazendo lobby junto aos governos para garantirem ano a ano o aumento de seus lucros.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; sabido que estas m&aacute;fias financiaram grande parte das campanhas eleitorais do &uacute;ltimo per&iacute;odo em todos os estados brasileiros. N&atilde;o &eacute; de se estranhar que agora os governos recompensem estas empresas privadas\/m&aacute;fias com o aumento das tarifas.<\/p>\n<p>\n\tA situa&ccedil;&atilde;o se agrava quando observamos a despropor&ccedil;&atilde;o entre o sal&aacute;rio dos trabalhadores e o peso das tarifas. Atualmente o sal&aacute;rio m&iacute;nimo no Brasil &eacute; de vergonhosos R$ 540,00, desta forma um trabalhador de S&atilde;o Paulo (tarifa mais cara do Brasil) com o sal&aacute;rio m&iacute;nimo atual&nbsp; e utilizando duas condu&ccedil;&otilde;es por dia, gastar&aacute;&nbsp; R$120 por m&ecirc;s, ou seja, mais ou menos um quarto de seu sal&aacute;rio ser&aacute; para se locomover, um ataque brutal aos trabalhadores e ao direito de ir e vir, tudo para a satisfa&ccedil;&atilde;o das empresas\/m&aacute;fias do transporte. Isso sem falar nas limita&ccedil;&otilde;es horrendas a que est&atilde;o submetidos desempregados e estudantes.<\/p>\n<p>\n\tA falta de um transporte p&uacute;blico de fato, sob controle dos trabalhadores, &eacute; respons&aacute;vel diretamente pelo tr&acirc;nsito intenso nas grandes metr&oacute;poles, pelo aumento da polui&ccedil;&atilde;o do ar, mas principalmente, pela redu&ccedil;&atilde;o intensiva da qualidade de vida de trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n<p>\n\tS&oacute; conseguiremos de fato vencer a privatiza&ccedil;&atilde;o dos transportes coletivos por meio da unidade de entre estudantes e trabalhadores, j&aacute; que estes tem sofrido anualmente com as ambi&ccedil;&otilde;es capitalistas.<\/p>\n<p>\n\t&#8211; Passe livre para estudantes e desempregados j&aacute;!<\/p>\n<p>\n\t&#8211; Pela estatiza&ccedil;&atilde;o das empresas de transporte coletivo sob o controle dos trabalhadores (&Ocirc;nibus, metr&ocirc;s, trens, etc.)!<\/p>\n<p>\n\t&#8211; Pela extens&atilde;o imediata do transporte coletivo!<\/p>\n<h2>\n\t<strong><a name=\"titulo6\"><\/a>DESASTRES NATURAIS E A BARB&Aacute;RIE NUCLEAR DO CAPITAL<\/strong><\/h2>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em janeiro de 2010 um terremoto de 7 graus de magnitude arrasou o Haiti, deixando 222 mil mortos, 310 mil feridos, 1,5 milh&atilde;o de desabrigados e mais 766 mil pessoas que se deslocaram para outras regi&otilde;es do pa&iacute;s (globo.com, 17\/03\/2010).<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em mar&ccedil;o de 2011, um terremoto de 8,9 graus atingiu o litoral do Jap&atilde;o, desencadeando um tsunami em seguida, cujas ondas destru&iacute;ram tudo o que existia numa &aacute;rea de dezenas de quil&ocirc;metros no leste do pa&iacute;s. A contagem de mortos est&aacute; em pouco mais de 10 mil v&iacute;timas, com cerca de 15 mil ainda desaparecidos.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando que cada ponto na escala de magnitude significa uma libera&ccedil;&atilde;o de energia 32 vezes maior que o grau anterior, o terremoto no Jap&atilde;o foi quase 900 vezes mais forte que o do Haiti (bbc Brasil, 11\/03\/2011); e mesmo supondo que todos os habitantes da regi&atilde;o atingida no litoral japon&ecirc;s que est&atilde;o atualmente desaparecidos sejam ao final dados como mortos, ainda assim o n&uacute;mero de v&iacute;timas no pa&iacute;s asi&aacute;tico ser&aacute;&nbsp; cerca de 10 vezes menor que no do Caribe.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por que uma cat&aacute;strofe natural tantas vezes mais forte provoca um n&uacute;mero tantas vezes menor de v&iacute;timas de um pa&iacute;s para o outro? A resposta &eacute; &oacute;bvia, o Jap&atilde;o &eacute; um pa&iacute;s rico, com PIB de US$ 5,39 trilh&otilde;es, o 3&ordm; maior do mundo, enquanto que o Haiti &eacute; o 145&ordm;, um dos mais pobres, com PIB de US$ 6,49 bilh&otilde;es (valores nominais de 2010, segundo dados compilados do FMI, Banco Mundial e CIA World Factbook, dispon&iacute;veis na Wikip&eacute;dia).<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, essa resposta bastante &oacute;bvia nunca &eacute; desenvolvida at&eacute; a sua conclus&atilde;o l&oacute;gica, ou seja, as cat&aacute;strofes naturais se tornam mais mort&iacute;feras ou n&atilde;o de acordo com as condi&ccedil;&otilde;es sociais de cada pa&iacute;s atingido. Os eventos naturais s&atilde;o at&eacute; certo ponto aleat&oacute;rios, pois, por exemplo, conhecem-se as regi&otilde;es do planeta mais sujeitas a terremotos, por&eacute;m nunca se sabe ao certo quando acontecer&aacute; o pr&oacute;ximo e qu&atilde;o forte ser&aacute;. Mas as conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais de cada evento se distribuem de acordo com uma l&oacute;gica bastante precisa e previs&iacute;vel, que tem a ver com o papel que cada sociedade ocupa na hierarquia mundial. O Jap&atilde;o &eacute; uma das principais pot&ecirc;ncias imperialistas mundiais, com recursos suficientes para fazer frente ao desastre.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Evidentemente, isso n&atilde;o significa que as v&iacute;timas e desabrigados no Jap&atilde;o, por serem em menor n&uacute;mero, s&atilde;o menos importantes, e que n&atilde;o tenham enfrentado um sofrimento bastante real e terr&iacute;vel. O terremoto seguido de tsunami, al&eacute;m das v&iacute;timas fatais, deixou mais de 200 mil desabrigados, cortou o fornecimento de energia el&eacute;trica em diversas regi&otilde;es, inclusive a capital T&oacute;quio, paralisou o transporte ferrovi&aacute;rio e portu&aacute;rio, al&eacute;m de danificar f&aacute;bricas e for&ccedil;ar uma paralisa&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o em diversos setores. Para complicar ainda mais a situa&ccedil;&atilde;o, uma nevasca dificultou nos primeiros dias imediatamente seguintes os trabalhos de remo&ccedil;&atilde;o dos escombros e o alojamento dos desabrigados.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As conseq&uuml;&ecirc;ncias do evento se far&atilde;o sentir ainda por muito tempo. O Jap&atilde;o &eacute; o maior fornecedor mundial de componentes para produtos eletr&ocirc;nicos e de alta tecnologia, como chips e processadores que s&atilde;o usados em computadores, celulares, c&acirc;meras, aparelhos de TV, etc., montados em outros pa&iacute;ses como a China e o sudeste asi&aacute;tico e exportados para o mundo inteiro. Cerca de 30% das empresas tiveram suas atividades momentaneamente paralisadas. As estimativas de preju&iacute;zos com a queda da atividade econ&ocirc;mica, pagamento de seguros, reconstru&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas atingidas, etc., est&atilde;o em torno de US$ 310 bilh&otilde;es (not&iacute;cias uol, 22\/03\/2011), gigantesca mesmo para a 3&ordf; maior economia do mundo.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fato de se tratar de um pa&iacute;s rico n&atilde;o significa que esteja imune &agrave;s conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais dos eventos naturais, pois como dissemos acima, a popula&ccedil;&atilde;o japonesa est&aacute; enfrentando uma s&eacute;rie de pesados sofrimentos. Ainda por cima, surgiu logo em seguida a amea&ccedil;a de contamina&ccedil;&atilde;o por radia&ccedil;&atilde;o a partir da usina nuclear de Fukushima, seriamente avariada pelo terremoto e tsunami. A riqueza do Jap&atilde;o, que pode ter evitado um desastre ainda maior, cont&eacute;m em si um aspecto contradit&oacute;rio, que &eacute; o fato de ser produto das rela&ccedil;&otilde;es capitalistas de produ&ccedil;&atilde;o. A riqueza e a prosperidade do Jap&atilde;o est&atilde;o assentadas sobre uma base social t&atilde;o inst&aacute;vel quanto as placas tect&ocirc;nicas cujo movimento provocou o terremoto.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A economia japonesa precisa importar quase toda a energia que consome. Entre 70 e 75% da energia japonesa prov&eacute;m de petr&oacute;leo, carv&atilde;o e g&aacute;s natural, dos quais praticamente 100% s&atilde;o importados. &frac14; do petr&oacute;leo consumido no pa&iacute;s &eacute; processado em refinarias localizadas nas regi&otilde;es atingidas pelo terremoto e tsunami, as quais est&atilde;o paralisadas, seja por danos nas instala&ccedil;&otilde;es ou por precau&ccedil;&atilde;o (estadao.com.br, 14\/03\/2011).<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para tentar compensar essa depend&ecirc;ncia cr&ocirc;nica de petr&oacute;leo, o pa&iacute;s optou pelo uso de energia nuclear, que responde pelos quase 30% restantes do consumo de energia, a partir de 55 usinas. Isso representa no m&iacute;nimo uma ironia cruel, pois o Jap&atilde;o &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s at&eacute; hoje atingido por armas nucleares. Para encerrar a disputa interimperialista da II Guerra Mundial, os Estados Unidos bombardearam as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945 com bombas que mataram mais de 200 mil pessoas, al&eacute;m de deixar outros milhares de feridos e pessoas doentes por conta da radia&ccedil;&atilde;o, cujos efeitos, como c&acirc;ncer, m&aacute; forma&ccedil;&atilde;o de fetos, etc., se prolongaram por d&eacute;cadas e afetaram v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es. Esse legado terr&iacute;vel deveria ser o suficiente para dissuadir os dirigentes japoneses do uso da energia nuclear, mas a necessidade de diminuir a depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao petr&oacute;leo falou mais alto.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o terremoto de 11 de mar&ccedil;o de 2011 transformou as usinas da regi&atilde;o atingida em novas bombas at&ocirc;micas em potencial. As usinas nucleares produzem eletricidade a partir do calor gerado por materiais radioativos, cuja conten&ccedil;&atilde;o &eacute; crucial, pois a radioatividade &eacute; mortal para o homem. O terremoto abalou as estruturas de conten&ccedil;&atilde;o e resfriamento das usinas da regi&atilde;o de Fukushima, que tiveram que ser desativadas. Para evitar o superaquecimento e a explos&atilde;o, parte do vapor da usina, com carga radioativa, teve que ser liberado na atmosfera.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A nuvem radioativa criou uma nova onda de medo ap&oacute;s o terremoto e o tsunami. Mais de 100 mil habitantes num raio de 30 quil&ocirc;metros da regi&atilde;o tiveram que ser evacuados por precau&ccedil;&atilde;o. Milhares de estrangeiros est&atilde;o deixando o Jap&atilde;o por medo de uma cat&aacute;strofe nuclear. Diversos pa&iacute;ses anunciaram a suspens&atilde;o da importa&ccedil;&atilde;o de alimentos vindos do Jap&atilde;o. O n&iacute;vel de radioatividade est&aacute; muito maior do que seria o aceit&aacute;vel, principalmente na &aacute;gua. O terror nuclear toma conta da popula&ccedil;&atilde;o a cada nova not&iacute;cia sobre a condi&ccedil;&atilde;o das instala&ccedil;&otilde;es de Fukushima.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O governo japon&ecirc;s demorou a tomar provid&ecirc;ncias e divulgar a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o, amea&ccedil;ando a vida da popula&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o p&ocirc;r em risco a imagem da ind&uacute;stria nuclear do pa&iacute;s. &quot;Os reatores fechados devido ao terremoto s&atilde;o respons&aacute;veis por 18% da capacidade de gera&ccedil;&atilde;o de energia nuclear do Jap&atilde;o&quot; (http:\/\/www.agora.uol.com.br\/mundo\/ult10109u887723.shtml). Como sempre, os interesses econ&ocirc;micos falaram mais alto do que a vida das pessoas. A empresa Tepco, respons&aacute;vel pelos reatores, j&aacute; produziu mais de duzentos incidentes desde 1978 (Boletim Cr&iacute;tica Semanal, n&ordm; 1056, 2011).<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fato de que o Jap&atilde;o se localize sobre uma falha tect&ocirc;nica sujeita a terremotos &eacute; um dado da natureza que n&atilde;o se pode alterar. Mas a op&ccedil;&atilde;o pela energia nuclear e seus riscos &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o puramente humana. Sem falar no perigo dos casos extremos de acidentes e explos&otilde;es, a contamina&ccedil;&atilde;o por vazamentos &eacute; um risco constante desde a produ&ccedil;&atilde;o do combust&iacute;vel nuclear, seu transporte e utiliza&ccedil;&atilde;o, at&eacute; o descarte final do material consumido, na forma de lixo nuclear, que conserva o poder radioativo por milhares de anos. Essa op&ccedil;&atilde;o humana, irracional do ponto de vista das necessidades da esp&eacute;cie, somente se torna racional do ponto de vista do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, um sistema cuja irracionalidade o converte cada vez mais em uma amea&ccedil;a para a simples sobreviv&ecirc;ncia da humanidade.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O caso japon&ecirc;s demonstra mais uma vez o quanto o capitalismo &eacute; pernicioso e mortal. A energia nuclear sob controle de empresas capitalistas mais preocupadas com o lucro do que com a seguran&ccedil;a, num pa&iacute;s sujeito a terremotos, serve como exemplo de que n&atilde;o se pode deixar o conhecimento cient&iacute;fico sob controle da propriedade privada. Para completar, precisamos retomar a quest&atilde;o de que a op&ccedil;&atilde;o por energia nuclear &eacute; uma forma de minimizar a depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos combust&iacute;veis f&oacute;sseis, como petr&oacute;leo, carv&atilde;o e g&aacute;s natural. Mas se a energia nuclear tem o problema do risco de vazamento de radia&ccedil;&atilde;o, os combust&iacute;veis f&oacute;sseis tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o a op&ccedil;&atilde;o mais adequada, pois at&eacute; a ONU j&aacute; reconheceu a rela&ccedil;&atilde;o entre os gases derivados da sua queima e o efeito estufa, fonte de uma s&eacute;rie de outros desastres &ldquo;naturais&rdquo;. Basta lembrar das enchentes deste ano, no Brasil.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O mundo precisa de uma nova matriz energ&eacute;tica, renov&aacute;vel, limpa e sustent&aacute;vel. Mas a troca dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis (e da energia nuclear) por essas fontes alternativas n&atilde;o ser&aacute; feita pelo capitalismo, enquanto houver possibilidade de lucrar com as atuais fontes. Por mais mort&iacute;feras que tenham se provado. Somente uma sociedade socialista, que aproveite os recursos naturais e tecnol&oacute;gicos de acordo com as necessidades humanas e de uma forma racional e renov&aacute;vel, pode por fim &agrave;s cat&aacute;strofes e ao espectro da barb&aacute;rie.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<h2>\n\t<strong><a name=\"titulo7\"><\/a>NORTE DA &Aacute;FRICA E &ldquo;O CASO L&Iacute;BIA&rdquo;<\/strong><br \/>\n\t&nbsp;<\/h2>\n<h3>\n\t<strong>Panorama geral das rebeli&otilde;es &aacute;rabes<\/strong><\/h3>\n<p>\n\tA crise pol&iacute;tica aberta recentemente pelas rebeli&otilde;es &aacute;rabes indica, como tend&ecirc;ncia, uma sa&iacute;da bem diferente da outra grande &ldquo;onda&rdquo; de manifesta&ccedil;&otilde;es &aacute;rabes ocorrida no s&eacute;culo XX. Esta se declarava anti-imperialista e apresentava o objetivo principal de &ldquo;libertar&rdquo; os povos dominados por imp&eacute;rios europeus (brit&acirc;nico, franc&ecirc;s e italiano).<\/p>\n<p>\n\tDiferentemente do que ocorreu no mundo &aacute;rabe durante o per&iacute;odo de liberta&ccedil;&atilde;o do imperialismo colonial no s&eacute;culo XX, este levante parece n&atilde;o trilhar o caminho do anterior em termos ideol&oacute;gicos. Pelo que se passa, n&atilde;o identificamos um movimento anti-imperialista, nem a id&eacute;ia do &ldquo;pan-arabismo&rdquo;, que teve seu &aacute;pice no s&eacute;culo XX atrav&eacute;s da figura de Gamal Nasser. Esta caracteriza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m nos indica que o car&aacute;ter de luta hoje mais se aproxima &agrave; no&ccedil;&atilde;o de Estado-Na&ccedil;&atilde;o do que &agrave; no&ccedil;&atilde;o de um pertencimento maior, o &ldquo;pan-arabismo&rdquo; (que talvez nunca tenha existido).<\/p>\n<p>\n\tO fato &eacute; que a refer&ecirc;ncia m&uacute;tua entre os movimentos populares hoje t&ecirc;m se dado atrav&eacute;s de lutas por &ldquo;melhores condi&ccedil;&otilde;es materiais de vida&rdquo; e por liberdade pol&iacute;tica (ainda que meramente formal).<\/p>\n<p>\n\tOs atuais levantes &aacute;rabes, processos em geral democr&aacute;ticos e ainda em curso, n&atilde;o expressam o car&aacute;ter anti-imperialista nas manifesta&ccedil;&otilde;es, em que pese serem os efeitos da administra&ccedil;&atilde;o burguesa da &uacute;ltima crise econ&ocirc;mica mundial de 2008 o estopim para o desencadeamento das contradi&ccedil;&otilde;es j&aacute; presentes.<\/p>\n<p>\n\tA natureza das manifesta&ccedil;&otilde;es iniciais na L&iacute;bia parece tamb&eacute;m se assemelhar aos v&aacute;rios levantes j&aacute; ocorridos, como os da Tun&iacute;sia e do Egito.&nbsp; A semelhan&ccedil;a continua quando se considera a import&acirc;ncia dos levantes &aacute;rabes para a demonstra&ccedil;&atilde;o das contradi&ccedil;&otilde;es do capitalismo atual, para a reconfigura&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as pol&iacute;ticas mundiais envolvidas e para a necessidade de organiza&ccedil;&atilde;o popular com o fim de dar prosseguimento &agrave;s lutas de interesses tamb&eacute;m populares.&nbsp; Entretanto, a L&iacute;bia apresenta caracter&iacute;sticas que tornam mais complexa a an&aacute;lise de sua situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\tO pa&iacute;s comp&otilde;e-se de aproximadamente 140 grupos &eacute;tnicos, unidades s&oacute;cio-pol&iacute;ticas sobre as quais qualquer governo da L&iacute;bia tem de se apoiar. Assim, essa divis&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o levanta tamb&eacute;m a pr&oacute;pria quest&atilde;o de at&eacute; que ponto as manifesta&ccedil;&otilde;es atuais da L&iacute;bia possuem um car&aacute;ter nacional t&iacute;pico, uma vez que se sabe que a delimita&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio nacional da L&iacute;bia, e de outros pa&iacute;ses &aacute;rabes em geral, n&atilde;o &eacute; ajustada com a hist&oacute;ria desses povos.<\/p>\n<p>\n\tHoje, o pa&iacute;s tem um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o com menos de 15 anos de idade e a maioria de seus habitantes reside em &aacute;reas urbanas. A economia &eacute; fundamentalmente baseada na extra&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural, setor respons&aacute;vel por mais da metade do Produto Interno Bruto. O pa&iacute;s &eacute; pobre em recursos agr&iacute;colas e a produ&ccedil;&atilde;o do setor n&atilde;o chega a 3% da riqueza total produzida.<\/p>\n<p>\n\tApesar dessa configura&ccedil;&atilde;o, a L&iacute;bia avan&ccedil;ou em certos aspectos de uma moderniza&ccedil;&atilde;o e Qadhafi desempenhou, no passado, papel de combate ao Imperialismo na regi&atilde;o. No entanto, isso n&atilde;o quer dizer que o regime (Jamahiria &#8211; Estado das massas, regido pela popula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de Conselhos locais) esteja mantido e seja hoje algo facilmente defens&aacute;vel como faz Hugo Ch&aacute;vez e Fidel Castro, haja vista a repress&atilde;o pol&iacute;tica e a colabora&ccedil;&atilde;o com o Imperialismo desenvolvidas nessas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t<strong>A interven&ccedil;&atilde;o militar na l&iacute;bia e os interesses imperialistas: a farsa da zona de exclus&atilde;o a&eacute;rea<\/strong><\/h3>\n<p>\n\tNos &uacute;ltimos dias, o Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU decidiu autorizar o bombardeio militar na L&iacute;bia, sob pretextos de impedir um massacre de Qadhafi aos civis, de agir em situa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;crise humanit&aacute;ria&rdquo; e de evitar maior ataque aos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>\n\tPara reavivarmos a mem&oacute;ria, registre-se, antes de tudo, que, com o &uacute;ltimo dia 20 de mar&ccedil;o, passaram-se j&aacute; oito anos em que EUA e &ldquo;parceiros&rdquo; invadiram o Iraque sob o pretexto de &quot;estabelecer a democracia&rdquo;. Mas, o que l&aacute; se passa est&aacute; longe do que possa ser considerado como democr&aacute;tico.<\/p>\n<p>\n\tS&iacute;mbolo dessa realidade foi a a&ccedil;&atilde;o do ex&eacute;rcito estrangeiro, em fevereiro deste ano, de reprimir covardemente milhares de iraquianos que foram &agrave;s ruas reivindicar trabalho, p&atilde;o, eletricidade e &aacute;gua pot&aacute;vel. Contudo, nenhuma pot&ecirc;ncia mundial clamou em favor dos direitos humanos e nem sugeriu que as autoridades, ditas democr&aacute;ticas, respondam perante os tribunais internacionais.<\/p>\n<p>\n\tFa&ccedil;a-se lembrar, por fim, que a morte de Saddam Hussein demonstra bem a &ldquo;democracia&rdquo; oportunista do imperialismo capitaneado pelos EUA.<\/p>\n<p>\n\tParafraseando Tom Z&eacute;, ora inventa-se o pesco&ccedil;o, ora inventa-se a corda! &Eacute; esta a pol&iacute;tica do imperialismo capitaneado pelos EUA: Qadhafi agora n&atilde;o pode mais ser um bom s&oacute;cio do imperialismo, uma vez que n&atilde;o seria nada favor&aacute;vel a reconstru&ccedil;&atilde;o da imagem &ldquo;estadunidense&rdquo; e de seus aliados. Logo, corda para o pesco&ccedil;o de Qadhafi! Veja-se: Ora o imperialismo mant&eacute;m excelentes rela&ccedil;&otilde;es com regimes tir&acirc;nicos (como &eacute; o caso da Ar&aacute;bia Saudita), ora defende a Democracia, defesa esta que demonstra a tend&ecirc;ncia da pol&iacute;tica imperialista atual para a regi&atilde;o. Longe de se configurar como uma contradi&ccedil;&atilde;o, tais fatos s&oacute; demonstram a coer&ecirc;ncia com o princ&iacute;pio do oportunismo.<\/p>\n<p>\n\tAtrav&eacute;s do desenrolar das lutas &aacute;rabes atuais, logo se mostram os interesses imperialistas envolvidos em cada conflito. Com a &ldquo;guerra&rdquo; destacam-se alguns dos interesses gerais dos imperialistas na L&iacute;bia: al&eacute;m do interesse j&aacute; tradicional no petr&oacute;leo e no g&aacute;s natural tamb&eacute;m se mostram os interesses de fazer da Guerra uma vitrine para a venda de armamentos militares (EUA e Fran&ccedil;a s&atilde;o 2 dos 5 pa&iacute;ses que mais vendem armamentos).<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; importante atentarmos para as conseq&uuml;&ecirc;ncias das agress&otilde;es militares como as que v&ecirc;m ocorrendo na L&iacute;bia, dentre outras: essa invas&atilde;o tende a aumentar a crise pol&iacute;tico-social em curso, uma vez que podemos analis&aacute;-la como uma atitude de &ldquo;terrorismo&rdquo;, em que nunca se sabe ao certo qual ser&aacute; o pr&oacute;ximo grupo civil n&atilde;o envolvido diretamente com a &ldquo;guerra&rdquo; a ser atingido. Lembramos que esse discurso da &ldquo;democracia&rdquo; estadunidense nunca impediu a sua pr&aacute;tica terrorista: as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki, em que morreram 170 mil civis, demonstram isso.<\/p>\n<p>\n\tO caso da L&iacute;bia, al&eacute;m de esclarecer o jogo atual dos interesses imperialistas, traz &agrave; tona a n&atilde;o efic&aacute;cia da ONU diante de enfrentamentos a interesses imperialistas. A aprova&ccedil;&atilde;o da Zona de Exclus&atilde;o A&eacute;rea significa carta branca para a a&ccedil;&atilde;o militar imperialista em tal grau que o Secret&aacute;rio de Defesa Brit&acirc;nico declarou que Qadhafi tamb&eacute;m &eacute; um &ldquo;alvo leg&iacute;timo&rdquo;.&nbsp; E logo nas primeiras atua&ccedil;&otilde;es pudemos identificar que a m&aacute;scara de que a a&ccedil;&atilde;o seria em defesa de civis caiu.&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tEntendemos que os interesses imperialistas espec&iacute;ficos neste caso s&atilde;o: 1) a conten&ccedil;&atilde;o da mobiliza&ccedil;&atilde;o popular em curso (uma vez que podem fortalecer as mobiliza&ccedil;&otilde;es em pa&iacute;ses aliados do imperialismo como Ar&aacute;bia Saudita e I&ecirc;men) e 2) uma sa&iacute;da favor&aacute;vel aos interesses imperialistas em rela&ccedil;&atilde;o ao petr&oacute;leo e ao g&aacute;s natural l&iacute;bios.<\/p>\n<p>\n\tA vota&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU contou com 5 absten&ccedil;&otilde;es: China, R&uacute;ssia (ambas com poder de veto), &Iacute;ndia, Brasil e Alemanha. A favor da &ldquo;zona de exclus&atilde;o a&eacute;rea&rdquo; votaram Reino Unido, Estado Unidos, Fran&ccedil;a, &Aacute;frica do Sul, Col&ocirc;mbia, Portugal, B&oacute;snia e Herzegovina, Gab&atilde;o, L&iacute;bano e Nig&eacute;ria.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\n\tAs absten&ccedil;&otilde;es &ldquo;transformaram-se&rdquo; em manifesta&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias a interven&ccedil;&atilde;o militar logo nos dias seguintes. O Estado brasileiro, por exemplo, divulgou nota pedindo o &ldquo;cessar fogo&rdquo; na L&iacute;bia. J&aacute; o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou ser a decis&atilde;o da ONU um &ldquo;apelo &agrave;s cruzadas medievais&rdquo;, uma esp&eacute;cie de cruzadas do s&eacute;culo XXI.&nbsp; A China lamentou a utiliza&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a por parte dos aliados.<\/p>\n<p>\n\tO que aparentemente vai se configurando &eacute; o quadro mundial em que a hegemonia americana perde for&ccedil;a e os chamados &ldquo;BRIC&acute;s&rdquo; agem, cada qual, buscando expandir seus interesses, tamb&eacute;m de tend&ecirc;ncias imperialistas. J&aacute; os governos que reconhecidamente se contrap&otilde;em a hegemonia estadunidense sa&iacute;ram em defesa do &ldquo;amigo&rdquo; Qadhafi, como o fizeram Hugo Ch&aacute;vez e Fidel Castro, supostamente por ter o ditador l&iacute;bio o apoio do povo.<\/p>\n<p>\n\tNo caso espec&iacute;fico da L&iacute;bia, h&aacute; um impasse pol&iacute;tico para aqueles que se colocam &agrave; esquerda na luta por um mundo justo, socialista. Apoiar a pol&iacute;tica imperialista estadunidense est&aacute; fora de cogita&ccedil;&atilde;o, uma vez que isto significaria o apoio a uma guerra civil sangrenta e ainda mais prolongada, a espolia&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo l&iacute;bio e a nega&ccedil;&atilde;o do direito do povo de se autodeterminar. Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel apoiar a ditadura de Qadhafi uma vez que &eacute; a representa&ccedil;&atilde;o de um regime que tolhe a possibilidade de uma organiza&ccedil;&atilde;o popular na L&iacute;bia, bem como qualquer possibilidade de uma organiza&ccedil;&atilde;o &agrave; esquerda. Resta-nos apoiar a mobiliza&ccedil;&atilde;o popular contra Qadhafi e contra os interesses imperialistas, o que n&atilde;o parece ter for&ccedil;a capaz de conduzir o atual processo de reconfigura&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-social da L&iacute;bia. Parodiando Drummond, temos o tempo e as a&ccedil;&otilde;es pobres fundidas num mesmo impasse.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t<strong>Sa&iacute;da? s&oacute; se a classe trabalhadora se colocar a frente <\/strong><\/h3>\n<p>\n\tAinda que as manifesta&ccedil;&otilde;es iniciais possam ter apresentado um car&aacute;ter &ldquo;espont&acirc;neo&rdquo; contra o regime ditatorial h&aacute; muito desgastado, rapidamente a &ldquo;guerra&rdquo; na L&iacute;bia transformou-se em um campo de batalha dos interesses imperialistatendo, talvez, um papel destacado para a influ&ecirc;ncia dos BRIC&acute;s.<\/p>\n<p>\n\tDada a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as dos interesses imperialistas, a quantidade imensa de informa&ccedil;&otilde;es distorcidas, as especificidades pr&oacute;prias da L&iacute;bia e o fato de que n&atilde;o &eacute; mais poss&iacute;vel (no est&aacute;gio atual do capitalismo, ou pelo menos n&atilde;o &eacute; essa a tend&ecirc;ncia) consolidar democracias aos moldes &ldquo;cl&aacute;ssicos&rdquo; (com liberdades civis e democr&aacute;ticas consolidadas, com parlamento forte e etc.) torna-se extremamente complexa a caracteriza&ccedil;&atilde;o de quais contornos do regime democr&aacute;tico s&atilde;o poss&iacute;veis para um pa&iacute;s como a L&iacute;bia. No entanto, sabemos que a luta por direitos e liberdades democr&aacute;ticas, como o direito a livre associa&ccedil;&atilde;o, &eacute; de fundamental import&acirc;ncia para a luta revolucion&aacute;ria.<\/p>\n<p>\n\tPara fortalecimento da luta e por conquistas revolucion&aacute;rias a unidade dos trabalhadores &eacute; essencial e determinante. Somente esta unidade poder&aacute; transformar as cidades libertadas do jugo ditatorial em espa&ccedil;os de controle da riqueza produzida e em espa&ccedil;os de organiza&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as rebeladas e armadas a fim de construir um regime que garanta os direitos e as liberdades democr<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=275"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6464,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275\/revisions\/6464"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}