{"id":2762,"date":"2014-01-24T10:09:14","date_gmt":"2014-01-24T12:09:14","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2762"},"modified":"2018-05-04T21:38:52","modified_gmt":"2018-05-05T00:38:52","slug":"panico-nas-catedrais-do-consumo-rolezinhos-racismo-e-perspectivas-da-juventude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/01\/panico-nas-catedrais-do-consumo-rolezinhos-racismo-e-perspectivas-da-juventude\/","title":{"rendered":"P\u00e2nico nas catedrais do consumo: rolezinhos, racismo e perspectivas da juventude"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: justify;\"><b><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/2014\/01\/panico-nas-catedrais-do-consumo-rolezinhos-racismo-e-perspectivas-da-juventude\/f_227097-2\/\" rel=\"attachment wp-att-2764\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2764 alignleft\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/f_2270971.jpg\" alt=\"f_227097\" width=\"513\" height=\"342\" \/><\/a>Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/b><\/h4>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Daniel Delfino<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde fins de 2013, um fantasma assombra os shopping centers, o fantasma dos rolezinhos. Al\u00e9m de mais um epis\u00f3dio de<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">discrimina\u00e7\u00e3o contra os negros e pobres, esse fen\u00f4meno exp\u00f5e v\u00e1rias nuances da estrutura ideol\u00f3gica da sociedade brasileira.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Negros e pobres \u201cfora do seu lugar\u201d<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada fim de semana, em v\u00e1rias cidades do pa\u00eds (depois da onda inicial em S\u00e3o Paulo), milhares de jovens moradores da periferia, na maioria negros, a partir de convoca\u00e7\u00f5es publicadas em redes sociais da internet, se re\u00fanem em grande n\u00famero para \u201czoar\u201d, ou seja, brincar, correr, gritar, namorar, dan\u00e7ar e ouvir funk de ostenta\u00e7\u00e3o. O p\u00fablico frequentador \u201cnormal\u201d dos shopping centers protesta indignado contra a \u201cinvas\u00e3o\u201d dos visitantes \u00a0indesejados\u201d e exige provid\u00eancias. A m\u00eddia chama os rolezinhos de \u201carrast\u00f5es\u201d, reproduzindo automaticamente o estere\u00f3tipo de que todo jovem pobre e negro \u00e9 criminoso. O debate se espalha pelas redes sociais entre defensores e detratores dos rolezinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta inicial dos shoppings foi a repress\u00e3o, ou seja, chamar a pol\u00edcia para disparar balas de borracha, bombas de g\u00e1s, bater e prender os \u201crolezeiros\u201d pelo crime de&#8230; Qual crime mesmo? Pelo crime de estarem l\u00e1, no \u201clugar errado\u201d, onde n\u00e3o deveriam estar. Outros shoppings tentaram adotar o m\u00e9todo de triagem do p\u00fablico na entrada, exigindo documentos. Ou, para evitar confus\u00e3o, simplesmente fecham as portas, como o Shopping Rio Design, no bairro do Leblon, reduto da alta classe m\u00e9dia carioca, que n\u00e3o abriu no domingo 19\/01. Ou ainda, conseguem liminares na justi\u00e7a proibindo a realiza\u00e7\u00e3o dos rolezinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa primeira onda de rolezinhos e a resposta dos centros comerciais, das autoridades e da m\u00eddia a seu servi\u00e7o serviu para expor de maneira escancarada a estrutura segregacionista da sociedade brasileira. Os jovens negros e pobres foram perseguidos pelo simples \u201ccrime\u201d de estarem \u201cfora do seu lugar\u201d, ou seja, fora da favela, fora da sua condi\u00e7\u00e3o de pobres, exclu\u00eddos e conformados. Como se atrevem a querer desfrutar do que os \u201cricos\u201d desfrutam e se expressar na sua pr\u00f3pria linguagem? O shopping n\u00e3o \u00e9 o lugar deles, \u00e9 dos brancos e da classe m\u00e9dia (que n\u00e3o precisam apresentar documentos nem passar\u00a0 por triagem para entrar). Os jovens brancos podem marcar encontros dentro e fora dos shoppings, como \u201craves\u201d e \u201cflash mobs\u201d, mas quando os jovens negros e pobres o fazem, s\u00e3o criminosos. Isso confirma mais uma vez o quanto a classe m\u00e9dia, a pol\u00edcia e a m\u00eddia sao racistas e preconceituosos contra os pobres. O fen\u00f4meno exp\u00f5e o quanto essa democracia \u00e9 uma farsa, que n\u00e3o permite que se ultrapasse at\u00e9 fisicamente o limite que separa exploradores e explorados. Querer impedir pela for\u00e7a os jovens negros e pobres de fazer seus rolezinhos \u00e9 uma viol\u00eancia inaceit\u00e1vel, esse \u00e9 o primeiro ponto a ser estabelecido.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A promessa de felicidade pelo consumo.<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve muitas vozes a defender o direito dos shoppings de barrar a entrada dos rolezeiros, j\u00e1 que os estabelecimentos comerciais s\u00e3o propriedades privadas. A coisa se complica na hora de estabelecer os crit\u00e9rios para definir quem vai ser barrado, j\u00e1 que os shoppings teriam que assumir o racismo contra os negros e o preconceito contra os pobres. A complica\u00e7\u00e3o \u00e9 tamanha que o assunto dos rolezinhos foi parar na pauta da presidente Dilma. O governo do PT, escaldado pelas manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013, quer evitar que uma nova explos\u00e3o social exponha a insatisfa\u00e7\u00e3o com seu governo, em ano de Copa do Mundo e elei\u00e7\u00f5es gerais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe um setor particularmente insatisfeito com o fen\u00f4meno, a assim chamada \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d produzida nos mais de 10 anos de governo do PT, que n\u00e3o aceita os rolezinhos. N\u00e3o \u00e9 apenas a alta burguesia do bairro de Higien\u00f3polis (que n\u00e3o queria uma esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 na regi\u00e3o porque ela traria \u201cgente diferenciada\u201d, ou seja, pobre, para a vizinhan\u00e7a) que repudia os rolezinhos, \u00e9 a pr\u00f3pria classe trabalhadora que obteve acesso ao consumo via cr\u00e9dito f\u00e1cil e se imagina socialmente superior, que n\u00e3o quer os pobres no \u201cseu\u201d shopping center.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa classe trabalhadora constitui a chamada \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d e n\u00e3o tolera os rolezinhos porque eles desmentem a ilus\u00e3o da prosperidade a que ela pr\u00f3pria imaginava ter chegado. Essa \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d embalada pela ideologia meritocr\u00e1tica e pela teologia da prosperidade das igrejas neopentecostais acredita que chegou ao \u201csucesso\u201d pelos seus pr\u00f3prios esfor\u00e7os, por isso somente ela tem o \u201cdireito leg\u00edtimo\u201d de desfrutar dos shopping centers. Por isso, ela n\u00e3o pode aceitar que os \u201cvagabundos\u201d que n\u00e3o se esfor\u00e7aram nem trabalharam duro \u201cestraguem\u201d os seus shoppings.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais grave \u00e9 que tanto essa classe trabalhadora quanto os jovens rolezeiros que est\u00e3o socialmente abaixo dela na hierarquia capitalista tenham como ideal de vida e de realiza\u00e7\u00e3o a ida aos shoppings e o consumo de mercadorias. O culto da mercadoria funciona como sublima\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o sexual, fornecendo o eixo organizador da vida, mesmo que s\u00f3 pela via da<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">contempla\u00e7\u00e3o dos objetos, sem o ato efetivo da compra. Trabalhadores pobres e jovens ainda mais pobres disputam acirradamente pelo miser\u00e1vel prazer de contemplar as mercadorias nas catedrais do consumo do \u201cpr\u00f3spero\u201d pa\u00eds de Lula e Dilma.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O medo de uma nova onda de manifesta\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Nesse sentido, os rolezinhos n\u00e3o s\u00e3o um movimento de contesta\u00e7\u00e3o da ordem capitalista, mas trazem no fundo da sua ideologia de culto do consumo uma reafirma\u00e7\u00e3o dessa mesma sociedade. \u00c9 por isso que ide\u00f3logos mais refinados da burguesia, como a revista Veja, na sua edi\u00e7\u00e3o de 2357, de 22\/01 trataram de retificar a abordagem inicial dos rolezinhos. Veja adotou<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">como prioridade negar que os rolezinhos sejam um movimento pol\u00edtico, tratando-os como uma simples express\u00e3o do desejo dos jovens da periferia de participar da festa do consumo. Afinal, o que mais algu\u00e9m pode querer? Existe outro objetivo poss\u00edvel na vida al\u00e9m de consumir? Quanto mais consumistas e alienados os jovens da periferia, melhor para a Veja e a burguesia. Trata-se de uma abordagem preventiva para evitar que os movimentos sociais se associem aos jovens da periferia e transformem os rolezinhos numa nova onda de manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De certa forma, a revista tem raz\u00e3o, pois como dissemos, os jovens rolezeiros de fato querem apenas participar da festa do consumo. N\u00e3o encaram o seu \u201cmovimento\u201d como um gesto pol\u00edtico, nem como continua\u00e7\u00e3o das jornadas de junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Definitivamente, os rolezeiros n\u00e3o estavam nas manifesta\u00e7\u00f5es. Mas, ao mesmo tempo, a Veja n\u00e3o tem raz\u00e3o. Pois se n\u00e3o fossem as jornadas de junho de 2013, n\u00e3o ter\u00edamos rolezinhos na virada do ano. Os jovens da periferia foram sim influenciados pelos jovens trabalhadores e de classe m\u00e9dia que foram para as ruas protestar a partir de junho de 2013. As jornadas de junho foram protagonizadas por jovens que j\u00e1 trabalham e estudam, uma faixa et\u00e1ria e uma condi\u00e7\u00e3o social ligeiramente diferentes dos rolezeiros, ainda que uma boa parte more nos mesmos bairros. Mas os rolezeiros s\u00e3o os \u201cirm\u00e3os mais novos\u201d dos manifestantes e aprenderam com os exemplos dos mais velhos. Querem desafiar e desobedecer as proibi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que n\u00e3o tenham consci\u00eancia disso e que sua inten\u00e7\u00e3o expl\u00edcita seja festejar o consumo de mercadorias, os rolezeiros est\u00e3o sintonizados com os manifestantes, no sentido de que ambos protestam pelo direito de participar. Numa sociedade profundamente autorit\u00e1ria e antidemocr\u00e1tica, o direito de zoar no shopping center se transforma num gesto contestat\u00f3rio. Os rolezeiros querem consumir, mas a porta do consumo est\u00e1 fechada para eles. As promessas do capitalismo brasileiro sob gest\u00e3o petista n\u00e3o poder\u00e3o ser cumpridas. N\u00e3o haver\u00e1 lugar para todos na \u201cfesta do consumo\u201d. Cedo ou tarde, esses jovens se dar\u00e3o conta de que, assim como para seus irm\u00e3os mais velhos, tudo o que essa sociedade tem a oferecer s\u00e3o subempregos, precarizados, mal pagos, faculdades privadas sem qualidade, endividamento, servi\u00e7os p\u00fablicos que n\u00e3o funcionam, etc.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A crise de alternativa socialista e as perspectivas para os jovens<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conte\u00fado dos rolezinhos (culto das mercadorias) \u00e9 reacion\u00e1rio, mas a sua forma (movimento de massa autoorganizado) \u00e9 libert\u00e1ria. Est\u00e1 em aberto a luta para determinar o que prevalece, o conte\u00fado ou a forma. Veja e outros ve\u00edculos da imprensa burguesa j\u00e1 jogaram as suas cartas, procurando amenizar o tom, assimilar os rolezinhos, torn\u00e1-los aceit\u00e1veis, fazer de conta que n\u00e3o houve uma repress\u00e3o brutal de car\u00e1ter racista e preconceituoso, tudo isso para isolar os movimentos sociais organizados e evitar que estes tamb\u00e9m abracem os rolezinhos. A esquerda organizada, por sua vez, foi surpreendida e ultrapassada pelas jornadas de junho de 2013, e est\u00e1 at\u00e9 hoje tentando entender e acompanhar a nova disposi\u00e7\u00e3o de luta da juventude trabalhadora. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 juventude do rolezinhos, o abismo que separa os movimentos sociais \u00e9 ainda maior. Como as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda nunca tiveram e ainda n\u00e3o t\u00eam nada a dizer a esses jovens, eles ouvem o que a burguesia tem a dizer: ser rico \u00e9 bom, e querem realizar isso. Querem ser ricos ou no m\u00ednimo, parecer ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00eddolos dos rolezeiros n\u00e3o s\u00e3o os militantes de esquerda, s\u00e3o os MCs do funk. A nova onda desse g\u00eanero de m\u00fasica \u00e9 o chamado \u201cfunk de ostenta\u00e7\u00e3o\u201d, em que as letras celebram a posse de objetos de luxo, como carros esportivos, roupas de marca e mulheres (sim, as mulheres s\u00e3o aqui reduzidas a objetos sexuais). O sexo expl\u00edcito e a apologia do crime caracter\u00edsticos do estilo funk \u201cproibid\u00e3o\u201d ficam em segundo plano, mas ainda est\u00e3o l\u00e1. O funk de ostenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com o proibid\u00e3o, j\u00e1 que para ostentar os objetos de luxo, o crime tamb\u00e9m \u00e9 uma das vias poss\u00edveis. O estilo ostenta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais uma esp\u00e9cie de continua\u00e7\u00e3o do proibid\u00e3o, que j\u00e1 foi celebrado como\u201dfunk do bem\u201d, por ser menos expl\u00edcito na apologia do crime. A sua est\u00e9tica \u00e9 copiada do gangsta rap estadunidense, g\u00eanero que explodiu comercialmente na d\u00e9cada de 1990 e sucedeu o hip hop combativo e politizado da d\u00e9cada de 1980. O funk de ostenta\u00e7\u00e3o brasileiro \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cgangsta pop\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tratamento das mulheres como objetos nas letras do funk n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o secund\u00e1ria. O machismo e o sexismo das letras e das dan\u00e7as expressam a barb\u00e1rie social que grassa nas periferias. Esse estilo musical surge nos mesmos bairros em que imperam a viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica contra a mulher, os estupros, os abortos clandestinos com mortes e graves sequelas, a gravidez das adolescentes, a sexualiza\u00e7\u00e3o precoce das crian\u00e7as, etc. Al\u00e9m do culto do consumo, a ideologia do funk ostenta\u00e7\u00e3o celebra tamb\u00e9m a redu\u00e7\u00e3o da mulher a objeto de consumo, raz\u00e3o pela qual \u00e9 preciso ser muito cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o a esse fen\u00f4meno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a cr\u00edtica n\u00e3o pode ser a mesma dos centros comerciais, da pol\u00edcia, judici\u00e1rio, setores da m\u00eddia e da opini\u00e3o da pr\u00f3pria classe m\u00e9dia, que querem negar aos rolezeiros o direito elementar de ir e vir, em flagrante contradi\u00e7\u00e3o com as leis da democracia burguesa. A cr\u00edtica deve entender e apontar uma alternativa para o fen\u00f4meno contextualizando-o na totalidade em que est\u00e1 inserido. N\u00e3o cabe \u00e0 esquerda censurar os jovens rolezeiros por terem criminosos e funkeiros como refer\u00eancia, j\u00e1 que ela pr\u00f3pria n\u00e3o soube se apresentar como refer\u00eancia. Uma juventude que n\u00e3o teve apoio nenhum do Estado, n\u00e3o recebeu educa\u00e7\u00e3o de qualidade, nem cultura nem lazer, s\u00f3 poderia ter como refer\u00eancia o funk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a hora de mostrar a esses jovens que existe outra via de realiza\u00e7\u00e3o, a via da luta. \u00c9 a hora de construir um amplo movimento de apoio ao direito democr\u00e1tico de ir e vir e de se manifestar dos jovens. Esse movimento deve ter como ponto de partida denunciar o racismo da repress\u00e3o e da m\u00eddia, o car\u00e1ter farsesco da democracia burguesa que n\u00e3o \u00e9 capaz de conceder o direito de ir e vir, as ilus\u00f5es da prosperidade brasileira e porque a festa n\u00e3o ser\u00e1 para todos. A partir desse caminho, \u00e9 poss\u00edvel para abrir um canal de di\u00e1logo com essa juventude, para tentar recuperar algum terreno numa batalha ideol\u00f3gica que a burguesia est\u00e1 vencendo por larga margem. Seria ut\u00f3pico hoje dizer aos rolezeiros que o shopping n\u00e3o tem gra\u00e7a, o legal mesmo \u00e9 fazer um rolezinho nas livrarias, nos museus, nos teatros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 justamente isso que se diz hoje do socialismo, que \u00e9 \u201cut\u00f3pico\u201d. Quando a juventude perceber que o prazer intelectual \u00e9 muito superior ao prazer superficial da contempla\u00e7\u00e3o das mercadorias, a burguesia estar\u00e1 em apuros e o capitalismo estar\u00e1 com os dias contados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2769,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2762"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2762"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2762\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6082,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2762\/revisions\/6082"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}