{"id":2772,"date":"2014-02-06T20:19:10","date_gmt":"2014-02-06T22:19:10","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2772"},"modified":"2018-06-01T16:05:27","modified_gmt":"2018-06-01T19:05:27","slug":"jornal-65-janeirofevereiro-de-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/02\/jornal-65-janeirofevereiro-de-2014\/","title":{"rendered":"Jornal 65: Janeiro\/Fevereiro de 2014"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2791\" aria-describedby=\"caption-attachment-2791\" style=\"width: 224px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?attachment_id=2794\" rel=\"attachment wp-att-2791\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2791\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/j65-mini.png\" alt=\"Vers\u00e3o em PDF\" width=\"224\" height=\"319\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2791\" class=\"wp-caption-text\">Vers\u00e3o em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2772#titulo1\">2014: Muitas lutas no horizonte: que venham as conquistas!<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2772#titulo2\">Rolezinhos, o que expressam?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2772#titulo3\">O estado capitalista n\u00e3o tem como acabar com o crime<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2772#titulo4\">A Revolta popular de Atalaia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2772#titulo5\">Sindicalismo ostenta\u00e7\u00e3o o Congresso da CNTE<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2772#titulo6\">A luta pela constru\u00e7\u00e3o de uma nova concep\u00e7\u00e3o de movimento estudantil<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2772#titulo7\">Internacional: a nova constitui\u00e7\u00e3o no Egito consolida o golpe militar<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><span style=\"color: #800000;\">2014: MUITAS LUTAS NO HORIZONTE: QUE VENHAM AS CONQUISTAS!<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma lenda no Brasil de que o ano inicia depois do Carnaval. Nesse ano a lenda caiu. As lutas em 2014 come\u00e7aram muito antes.<br \/>\nAs mobiliza\u00e7\u00f5es do ano passado, com todos os seus problemas e limites, deram origem a uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds. Essa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 marcada pelo aumento da insatisfa\u00e7\u00e3o e pela maior disposi\u00e7\u00e3o de luta de muitos setores. Isso n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O or\u00e7amento p\u00fablico continua bastante comprometido com o pagamento da d\u00edvida, com os projetos de investimento em infraestrutura (para favorecer principalmente as empresas) e com uma enorme quantidade de dinheiro desviado pela corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para 2014 \u2013 42,42% de todo o or\u00e7amento (1,002 trilh\u00e3o de reais) j\u00e1 est\u00e3o reservados para garantir os servi\u00e7os da d\u00edvida p\u00fablica. Mas, para a Educa\u00e7\u00e3o temos apenas 3,44% e para a Sa\u00fade 3,91%. Para o transporte s\u00e3o 1,03%. Com esses \u00edndices podemos reafirmar que o governo n\u00e3o atende as principais reivindica\u00e7\u00f5es das jornadas de junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As privatiza\u00e7\u00f5es, que Dilma chama de concess\u00f5es, est\u00e3o em cena com a entrega de aeroportos, portos, rodovias e, a maior delas, o Campo de Libra com bilh\u00f5es de barris. E tamb\u00e9m busca financiar a d\u00edvida p\u00fablica com a entrega de empresas e bens estatais.<br \/>\nEssa situa\u00e7\u00e3o aliada ao aumento do custo de vida tem colocado a classe trabalhadora e seus filhos em movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano iniciou com a luta por moradia. J\u00e1 s\u00e3o v\u00e1rias ocupa\u00e7\u00f5es em \u00e1reas urbanas. Na cidade de S\u00e3o Paulo, Zona Sul, a ocupa\u00e7\u00e3o Nova Palestina, maior da Am\u00e9rica Latina, tem mais de 8 mil fam\u00edlias. Al\u00e9m de outras ocupa\u00e7\u00f5es importantes, como em Osasco (SP) e tamb\u00e9m em Belo Horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mobiliza\u00e7\u00f5es como a de Atalaia (AL) com ocupa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara e da Prefeitura tamb\u00e9m chamam \u00e0 aten\u00e7\u00e3o pelo seu car\u00e1ter radicalizado (ver artigo nesta edi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o v\u00e1rias as categorias do funcionalismo p\u00fablico que amargaram perdas salariais. O aumento do ass\u00e9dio moral e o descumprimento, por parte de v\u00e1rios governos estaduais, do piso nacional e jornada dos professores indicam a necessidade de uma ofensiva nas lutas que enfrentam diretamente o governo Dilma e os principais governadores. A campanha salarial unificada do funcionalismo federal em mar\u00e7o dever\u00e1 ser uma das principais lutas no primeiro semestre. O funcionalismo nos munic\u00edpios tamb\u00e9m se prepara para a luta contra a precariza\u00e7\u00e3o e retirada de direitos como resultado do corte de gastos com os servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desemprego chegou para mais de 600 trabalhadores da GM de S\u00e3o Jos\u00e9, que fechou um setor da produ\u00e7\u00e3o. O aumento das importa\u00e7\u00f5es, a diminui\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de empregos e o aumento da precariza\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o alguns dos indicativos de que as lutas salariais ser\u00e3o mais duras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante disso tudo o governo tem rearticulado o aparato repressivo do Estado com a cria\u00e7\u00e3o de for\u00e7as policiais de combate \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es, com a orienta\u00e7\u00e3o do governo Dilma para que as For\u00e7as Armadas atuem em conflitos internos e a normatiza\u00e7\u00e3o (padroniza\u00e7\u00e3o), pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, do uso de Tropa de Choque. O Judici\u00e1rio afina seu papel e endossa essas a\u00e7\u00f5es repressivas, com a concess\u00e3o de liminares como no caso dos Rolezinhos. Tudo isso indica que os movimentos de luta sofrer\u00e3o maior repress\u00e3o.<br \/>\nDe um lado tem a preocupa\u00e7\u00e3o da burguesia e dos governos em garantir a Copa e as Elei\u00e7\u00f5es e, de outro lado, est\u00e1 a classe trabalhadora tentando sobreviver e se preparando com os movimentos sociais para garantir direitos. Derrotar patr\u00e3o e governo \u00e9 a nossa batalha em 2014!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">CONSTRUIR UM P\u00d3LO ANTIGOVERNISTA E ANTICAPITALISTA \u00c0 ALTURA DO NOVO MOMENTO!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papel da CUT, das demais centrais sindicais governistas e da maioria dos sindicatos sob dire\u00e7\u00f5es que negociam para beneficiar empresas tem sido de impedir as lutas para que Dilma continue governando para a burguesia e aplique sem rasuras os projetos da Copa e da reelei\u00e7\u00e3o que retiram do trabalhador servi\u00e7os p\u00fablicos e direitos em troca de repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, tamb\u00e9m \u00e9 n\u00edtido o papel das dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o governistas (CSP Conlutas e Intersindical), pois n\u00e3o conseguem responder aos novos desafios. A dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da CSP CONLUTAS foi incapaz de realizar uma luta \u00e0 altura contra as demiss\u00f5es na GM S\u00e3o Jos\u00e9. Apostou nas negocia\u00e7\u00f5es com media\u00e7\u00e3o do TRT. Apregoou vit\u00f3ria quando o que estava em pauta era o ritmo das demiss\u00f5es e n\u00e3o o cancelamento. Isso refor\u00e7a que o problema de uma alternativa pol\u00edtica e de dire\u00e7\u00e3o para o movimento continua central nesse ano.<br \/>\nEsse mesmo problema tamb\u00e9m se coloca quando vemos todos os partidos de esquerda legalizados (PCB, PSOL, PSTU e PCO) entrar no debate eleitoral pela forma\u00e7\u00e3o de chapas e pr\u00e9-candidaturas e n\u00e3o centralmente pela constru\u00e7\u00e3o de um programa em conjunto com a classe trabalhadora, os movimentos sociais e ativistas das jornadas de junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que o desafio central dos lutadores \u00e9 impulsionar todos os tipos de luta e suas formas de organiza\u00e7\u00e3o de base como reuni\u00f5es preparat\u00f3rias, comit\u00eas, plen\u00e1rias, frentes de luta, encontros, etc. Outro desafio \u00e9 unificar os v\u00e1rios movimentos em calend\u00e1rio e a\u00e7\u00f5es em comum, com um programa de mudan\u00e7as que sirva para despertar todos os explorados para um ponto de vista de esquerda, contra a direita e anticapitalista. Para juntar e organizar esses v\u00e1rios movimentos e a\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental a realiza\u00e7\u00e3o de Plen\u00e1rias Nacionais de Movimentos e Entidades de Luta e Antigovernistas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Contra a Copa dos Ricos priorizar Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e transporte p\u00fablicos e gratuitos!<br \/>\n&#8211; N\u00e3o pagamento da D\u00edvida P\u00fablica e investimento num plano de servi\u00e7os p\u00fablicos e obras, decididos e controlados pelos trabalhadores!<br \/>\n&#8211; Estatiza\u00e7\u00e3o sem Indeniza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, sob controle dos trabalhadores! Fim da remessa de lucros!<br \/>\n&#8211; Expropria\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e utiliza\u00e7\u00e3o pelos movimentos de moradia para diminuir o d\u00e9ficit habitacional.<br \/>\n&#8211; Reforma Agr\u00e1ria com o fim do latif\u00fandio e expropria\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio, sob controle dos trabalhadores!<br \/>\n&#8211; Pelo fim da viol\u00eancia e o assassinato da popula\u00e7\u00e3o negra e da periferia!<br \/>\n&#8211; Cotas proporcionais para negros e \u00edndios nas universidades, nos concursos p\u00fablicos e demais empregos. Expans\u00e3o das Universidades e fim do vestibular!<br \/>\n&#8211; Por um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta!<a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">ROLEZINHOS: O QUE ELES EXPRESSAM?<\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os chamados rolezinhos acontecem j\u00e1 h\u00e1 algum tempo. Jovens, principalmente da periferia, se re\u00fanem para ir ao shopping. Em suas pr\u00f3prias palavras, v\u00e3o apenas para se divertir e namorar. Alguns at\u00e9 para gastarem quase todo o sal\u00e1rio (afinal a juventude em geral est\u00e1 em empregos extremamente precarizados) em roupas de grife e objetos que representam um certo estilo aliado ao \u201cfunk ostenta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a partir de janeiro os rolezinhos come\u00e7aram a se massificar. Com a rea\u00e7\u00e3o dos donos de shopping e a repress\u00e3o da pol\u00edcia militar, logo o fen\u00f4meno ganhou as p\u00e1ginas de jornal, revistas e televis\u00e3o. Esquerda e direita tentaram entender o fen\u00f4meno. E os governos (estaduais, municipais e o federal) demonstraram-se assustados com a possibilidade de que os ventos de junho voltem a soprar em ano de Copa do Mundo e elei\u00e7\u00f5es gerais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para a reflex\u00e3o sobre o significado desse processo, suas tend\u00eancias e suas contradi\u00e7\u00f5es e, principalmente, se podem se desenvolver para mobiliza\u00e7\u00f5es que expressem as necessidades reais das periferias brasileiras.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00c9 POL\u00cdTICO, MAS N\u00c3O \u00c9 (PELO MENOS POR ENQUANTO) UM MOVIMENTO POL\u00cdTICO<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chamaram a aten\u00e7\u00e3o os depoimentos de alguns dos jovens que convocam esses passeios. Um discurso contra os pol\u00edticos e a pol\u00edtica com a reivindica\u00e7\u00e3o do direito de se divertir. Dizem que n\u00e3o est\u00e3o protestando. Mas ser\u00e1?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revolta e o descontentamento com o modo de vida nem sempre aparecem de maneira expl\u00edcita. Na maioria das vezes aparecem de forma distorcida. Por mais que n\u00e3o se tenha consci\u00eancia, s\u00e3o a express\u00e3o de muitos problemas a que os jovens est\u00e3o submetidos na sociedade capitalista. Essa \u00e9 a fisionomia da sociedade capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa ida ao shopping, um espa\u00e7o constru\u00eddo para os que podem consumir determinados produtos (apenas uma parte da sociedade,) exp\u00f4s muitas contradi\u00e7\u00f5es: O preconceito e o racismo com que \u00e9 tratada a classe trabalhadora, a viol\u00eancia social e policial, a situa\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica dessa juventude , a ang\u00fastia provocada pela falta de perspectiva de vida, a falta de lazer na periferia (sem teatro, sem cinema, sem parques, etc.), nem mesmo os campinhos de futebol resistiram ao aumento da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema reservou para essa juventude, os lugares mais distantes, sem infraestrutura, sem escola e sem hospitais p\u00fablicos. S\u00f3 que para irem ao trabalho, em \u00f4nibus superlotados precisam atravessar a cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A periferia ficou pequena para as inquieta\u00e7\u00f5es da juventude. Ir ao shopping foi a forma encontrada de ocupar outros espa\u00e7os e de ampliar o conv\u00edvio social. Mas, a sociedade capitalista jogou na cara todas essas diferen\u00e7as. Barrou o acesso. A democracia burguesa, nesse simples ato ou direito de \u201cir e vir\u201d, diz: \u201caqui n\u00e3o \u00e9 seu lugar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com tudo isso, a burguesia sabe bem o perigo que \u00e9 a retomada dos movimentos de junho. Os governos rapidamente passaram a visualizar esses passeios como algo normal. Os editoriais dos grandes jornais (porta-vozes da grande burguesia) tamb\u00e9m passaram a trat\u00e1-los dentro da normalidade e a fazer a tradicional diferencia\u00e7\u00e3o entre os \u201crolezeiros\u201d e \u201cv\u00e2ndalos\u201d para evitar confrontos e n\u00e3o despertar uma revolta maior que se perdesse o controle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses passeios poder\u00e3o se transformar em um movimento pol\u00edtico quando a juventude descobrir que os problemas n\u00e3o se explicam por estar na periferia e por usar roupas marca, mas por vivermos numa sociedade excludente e exploradora, que precisa ter a sua disposi\u00e7\u00e3o m\u00e3o de obra abundante e desqualificada tecnicamente para explorar ainda mais.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">QUAL \u00c9 A ESS\u00caNCIA? O QUE EST\u00c1 POR TR\u00c1S DESSES ROLEZINHOS?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma coisa \u00e9 certa, os rolezinhos n\u00e3o s\u00e3o apenas passeios, expressam o desconforto da juventude com a sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e tamb\u00e9m social. Mas, tamb\u00e9m \u00e9 certo que esse elemento de revolta ainda n\u00e3o se desenvolveu a ponto de unir os jovens em um movimento para transformar essa realidade desigual. Ainda aparecem sob a forma de passeio, embora o conte\u00fado represente uma contesta\u00e7\u00e3o \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es desse sistema. Em uma linguagem dial\u00e9tica, forma e conte\u00fado ainda est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, trabalhadores, sabemos bem como \u00e9 o cotidiano na periferia. Muitas vezes a vida aparece sem sentido. Busca-se sentido em coisas, roupas, tr\u00e1fico ou igreja (h\u00e1 muitas delas na periferia). Pode ser em S\u00e3o Paulo ou qualquer outra cidade do pa\u00eds, os problemas s\u00e3o os mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A periferia tem sido transformada em gueto, que o desenvolvimento do capitalismo no Brasil reserva aos pobres. De um lado tem a press\u00e3o do Estado (pol\u00edcia) e de outro tem o tr\u00e1fico. Ambos alienam e imp\u00f5em as mesmas regras que todos os dias sobre os moradores.<br \/>\nAs igrejas prometem salva\u00e7\u00e3o e felicidade, mas retiram da juventude a cren\u00e7a na solu\u00e7\u00e3o dos problemas atrav\u00e9s da luta contra a desigualdade terrena, enquanto isso a c\u00fapula acumula grandes somas de capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil prever o desenvolvimento pol\u00edtico-social desses rolezinhos. Mas, uma coisa \u00e9 certa: a burguesia j\u00e1 percebeu a potencialidade contestat\u00f3ria da juventude com essas a\u00e7\u00f5es. Por isso, os governos est\u00e3o fazendo de tudo para neutraliz\u00e1-los e mant\u00ea-los apenas como lazer e divers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra coisa \u00e9 se v\u00e3o conseguir, pois os limites da atual pol\u00edtica econ\u00f4mica s\u00e3o muito grandes. Os gastos com a Copa, com a Olimp\u00edada, quase a metade do or\u00e7amento federal sugado para o pagamento da d\u00edvida (com um dos juros mais altos do planeta), as medidas de apoio \u00e0s grandes empresas e a corrup\u00e7\u00e3o impedem que possam adotar de fato medidas que atendam as necessidades da juventude.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O CAR\u00c1TER FASCISTA E REACION\u00c1RIO DA POL\u00cdCIA E DA JUSTI\u00c7A BURGUESA<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algo que se repetiu nesse processo foi a postura do poder judici\u00e1rio. Sim, do poder judici\u00e1rio e n\u00e3o de um ou outro juiz. A postura dos donos dos shoppings foi flagrantemente ilegal, preconceituosa e racista. Chamar a pol\u00edcia porque o espa\u00e7o foi \u201cinvadido\u201d por jovens da periferia (maioria negros) \u00e9, no m\u00ednimo, um desrespeito a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Federal (burguesa), que diz sobre o direito de \u201cir e vir\u201d.<br \/>\nSabemos que as leis visam mesmo \u00e9 controlar trabalhadores e pobres. A nossa liberdade na legalidade burguesa \u00e9 s\u00f3 para escolher por quem vamos ser explorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A burguesia e o judici\u00e1rio negaram o acesso e reprimiram a juventude porque eram da periferia. V\u00e1rios rolezinhos como esses j\u00e1 foram organizados por jovens da classe m\u00e9dia e n\u00e3o foram proibidos nem pelos shoppings, nem pela pol\u00edcia e, muito menos, pelo judici\u00e1rio.<br \/>\nMas, em um pa\u00eds onde, historicamente, a pobreza sempre foi tratada como caso de pol\u00edcia, ser pobre tem sido sin\u00f4nimo de pessoa perigosa. Ser pobre e ser preto, ent\u00e3o, tem sido sin\u00f4nimo pessoa criminosa. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a maioria dos mortos pela pol\u00edcia \u00e9 da periferia, onde concentra a maioria de negros e brancos pobres.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">MAIS UMA VEZ, A CRISE DE ALTERNATIVAS SOCIALISTAS<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o caracterizarmos ainda os rolezinhos como movimento pol\u00edtico n\u00e3o nos leva a sermos contra essas a\u00e7\u00f5es. O direito de ir e vir \u00e9 uma bandeira democr\u00e1tica fundamental. O Estado tentar impor limites e mostra o quanto a democracia burguesa \u00e9 falsa. H\u00e1 \u201cliberdade\u201d desde que n\u00e3o seja utilizada para questionar o sistema e seus s\u00edmbolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, consideramos que esse processo apresenta, mais uma vez, com toda a atualidade a necessidade de superarmos a crise da alternativa socialista que marca a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional e internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato dos trabalhadores em geral e a juventude em particular n\u00e3o acreditarem na possibilidade e n\u00e3o lutarem pela constru\u00e7\u00e3o de um mundo sem explora\u00e7\u00e3o e sem propriedade privada, que acabe com toda essa desigualdade, impossibilita a real transforma\u00e7\u00e3o e o livre desenvolvimento humano.<a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso \u00e9 fundamental que a juventude fa\u00e7a a experi\u00eancia com essas formas de sociabilidade que o capitalismo oferece \u2013 que t\u00eam em comum o fato de manter todos e todas na mesma mis\u00e9ria intelectual e material \u2013 e que se torne consciente da necessidade de outro tipo de sociedade.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">NO PA\u00cdS DA IMPUNIDADE, QUEM PUNE N\u00c3O \u00c9 PUNIDO<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cAqui estou, mais um dia.<br \/>\nSob o olhar sanguin\u00e1rio do vigia.<br \/>\nVoc\u00ea n\u00e3o sabe como \u00e9 caminhar com a cabe\u00e7a na mira de<br \/>\numa HK\u201d (Racionais)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o meia verdade, quanto \u00e9 meia mentira. A capacidade de o Estado brasileiro punir depende de quais crimes se pratica e de, principalmente, quem os pratica. Os recentes v\u00eddeos de detentos decapitados na penitenci\u00e1ria do Maranh\u00e3o expuseram mais uma ferida nacional e at\u00e9 mesmo a d\u00favida da capacidade da elite branca garantir a seguran\u00e7a de quem quer gastar durante a Copa da FIFA.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">ALGUNS POUCOS N\u00daMEROS PARA TERMOS IDEIA DA REALIDADE<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedrinhas no Maranh\u00e3o \u00e9 uma pequena amostra da situa\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios brasileiros. Superlota\u00e7\u00e3o, menores presos com criminosos de maior periculosidade, mulheres em cela com homens, quem j\u00e1 cumpriu pena e continua preso, insalubridade, propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o que a dignidade da pessoa humana deve ser tratada como princ\u00edpio. A teoria \u00e9 linda, mas a realidade \u00e9 cruel! Segundo o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a o sistema carcer\u00e1rio possui presos que superam em mais de 40% a sua capacidade. Em 2012 eram quase 550 mil, dos quais 7% s\u00e3o mulheres, 55% t\u00eam entre 18 e 29 anos; 5,6% analfabetos; 13% apenas alfabetizados e 46% t\u00eam o ensino fundamental incompleto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caos nas pris\u00f5es \u00e9 generalizado. Se olharmos de perto a no\u00e7\u00e3o do inferno aumenta. Se o Massacre do Carandiru chocou o mundo pela morte de 111 condenados, s\u00f3 em 2013 ocorreram 268 homic\u00eddios dentro das penitenci\u00e1rias. Entre 1990 e 2012, a quantidade de encarcerados cresceu 511% enquanto a popula\u00e7\u00e3o brasileira aumentou 31%. S\u00e3o 40% de presos provis\u00f3rios, n\u00e3o sentenciados e aguardando julgamentos. Muitos quando receberem a senten\u00e7a j\u00e1 deveriam estar soltos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Anistia Internacional j\u00e1 qualificou as pris\u00f5es brasileiras como &#8220;masmorra, com condi\u00e7\u00f5es de animais. S\u00e3o dep\u00f3sitos de seres humanos em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es. H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o generalizada de superlota\u00e7\u00e3o, de p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, de higiene&#8221;.<br \/>\nO tamanho do caos \u00e9 atestado at\u00e9 pelo pr\u00f3prio ministro da justi\u00e7a que declarou que as pris\u00f5es no pa\u00eds s\u00e3o medievais e que preferia morrer a cumprir pena de muitos anos nessas cadeias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 problema de um governo ou de um partido. Com PT, PSDB ou PMDB, os absurdos s\u00e3o os mesmos. Maranh\u00e3o \u00e9 do PMDB, mas no Par\u00e1, em 2007, quando uma adolescente foi presa na mesma cela com mais de 20 homens, estuprada e torturada v\u00e1rias vezes, o governo era Ana J\u00falia do PT. Nas pris\u00f5es paulistas, sob o governo do PSDB, s\u00e3o tantos outros casos de barb\u00e1rie no sistema prisional.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">CRIME E POBREZA<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sociedade capitalista o ter, a apar\u00eancia visual e o \u201csubir na vida\u201d s\u00e3o sin\u00f4nimos de vencer. Vencer na vida n\u00e3o importando como, mas essa \u00e9 a cobran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma sociedade em que, de um lado, poucas pessoas, vivem daquilo que apropriam do trabalho alheio, no \u00f3cio, esbanjando riqueza e criando padr\u00e3o de consumo. E de outro uma imensa maioria, vivendo da venda de sua for\u00e7a de trabalho que sequer tem o necess\u00e1rio para a sua sobreviv\u00eancia. Destes, apenas alguns, se endividando e alimentando a especula\u00e7\u00e3o financeira, conseguem mostrar que \u201cvenceram na vida\u201d, adquirindo bens que se assemelham aos dos burgueses. Mas s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros tantos crimes tamb\u00e9m podem ser explicados na ideologia burguesa. A educa\u00e7\u00e3o social a que todos s\u00e3o submetidos diz que \u00e9 \u201cnormal\u201d ter explora\u00e7\u00e3o; que a mulher \u00e9 inferior ao homem; que o branco \u00e9 superior ao preto; que pessoas do mesmo sexo n\u00e3o podem se amar, etc. Enfim, \u00e9 essa forma de pensar que leva a que muitos homens achem que podem violentar as mulheres, que acham normal ser racista e assim por diante. \u00c9 o sentido das palavras e como disse Marx: as ideias dominantes de uma \u00e9poca s\u00e3o as ideias da classe dominante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso que o crime contra o patrim\u00f4nio, de certa forma, \u00e9 uma resist\u00eancia \u00e0 explora\u00e7\u00e3o burguesa e aos que vivem \u00e0 custa do trabalho alheio. Mas, \u00e9 uma sa\u00edda individual e incapaz de enfrentar de fato o problema, pois o Estado tamb\u00e9m j\u00e1 desenvolveu toda uma t\u00e9cnica repressiva para coibir esse tipo de resist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa concep\u00e7\u00e3o de que o crime tem origem social n\u00e3o \u00e9 para legitim\u00e1-lo. H\u00e1 muito o marxismo j\u00e1 superou a ideia de que o crime possa ser uma forma eficaz de resist\u00eancia \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista. A sa\u00edda \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">CADEIA DE POBRE E CADEIA DE RICO<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a sociedade burguesa foi se complexificando o crime tamb\u00e9m foi. Hoje, grandes empresas e bancos fazem parte de esquemas bilion\u00e1rios de lavagem de dinheiro (oriundo do tr\u00e1fico de drogas e \u00f3rg\u00e3os humanos), desvio de verbas p\u00fablicas e tantas outras formas ilegais. Esses crimes n\u00e3o s\u00e3o combatidos porque \u00e9 um espa\u00e7o importante de reprodu\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os raros casos em que pol\u00edticos e burgueses precisam cumprir pena servem para ilustrar como ser pobre ou rico tamb\u00e9m faz diferen\u00e7a na cadeia. Os mesmos jornais que estamparam as cenas de barb\u00e1rie em Pedrinhas no Maranh\u00e3o, tamb\u00e9m estamparam os privil\u00e9gios dos presos do mensal\u00e3o. Banho de sol exclusivo, cela confort\u00e1vel, direito de trabalhar fora, visitas di\u00e1rias. Para se ver que a quest\u00e3o \u00e9 de classe basta comparar os valores envolvidos nos crimes. Os que vivem em piores condi\u00e7\u00f5es na cadeia est\u00e3o envolvidos em crimes com valores bem menores dos que praticados pelos mensaleiros.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">PAZ ENTRE N\u00d3S, GUERRA AOS SENHORES!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso cotidiano est\u00e1 repleto de pol\u00edticos e empres\u00e1rios acusados de corrup\u00e7\u00e3o (Metr\u00f4, fiscais do ISS, etc.) que nunca s\u00e3o presos. E as cadeias est\u00e3o cheias de gente pobre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o bastasse a viol\u00eancia do Estado, o ideal de consumo cada vez mais irrespons\u00e1vel e inalcan\u00e7\u00e1vel combinado com o trabalho precarizado e mal pago de milh\u00f5es de brasileiros empurram o povo pobre para guerra contra si mesmo. Em 2012, 50.108 pessoas foram assassinadas, colocando o pa\u00eds como o 7\u00ba mais violento do mundo. Muitos dos pobres encarcerados est\u00e3o envolvidos com crimes relacionados ao patrim\u00f4nio, sempre seduzidos pela ideologia burguesa, pelo sonho de consumo e ostenta\u00e7\u00e3o promovido pela elite branca do pa\u00eds.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">QUAL A SA\u00cdDA?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se v\u00ea quem est\u00e1 na cadeia s\u00e3o os pobres e em condi\u00e7\u00f5es degradantes. Maranh\u00e3o exp\u00f4s uma ferida que existe em centenas de outros pres\u00eddios brasileiros. \u00c9 fato, em uma sociedade incapaz de respeitar minimamente a dignidade humana provoca-se a doen\u00e7a, mas n\u00e3o tem cura para ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse sistema prisional n\u00e3o ressocializa ningu\u00e9m, o \u00fanico objetivo de ele existir \u00e9 preservar a propriedade privada. Serve como uma amea\u00e7a cotidiana aos que se levantam contra essa sociedade. N\u00e3o interessa a um Estado burgu\u00eas o fim do sistema penal e \u00e9 por isso que ele mesmo alimenta a criminalidade. Enquanto h\u00e1 criminalidade h\u00e1 como justificar a repress\u00e3o e o encarceramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tem como o direito burgu\u00eas e suas leis serem humanistas. Existe para levar ao mundo jur\u00eddico \u2013 em forma de leis \u2013 as rela\u00e7\u00f5es que garantem a ordem social burguesa e consequentemente a propriedade privada. Atrav\u00e9s do direito burgu\u00eas a apropria\u00e7\u00e3o do excedente do trabalho (mais valia) pela burguesia ganha forma jur\u00eddica.<a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente na luta pela constru\u00e7\u00e3o de outra sociedade poderemos construir tamb\u00e9m uma outra moral. Direitos sociais para todos e todas, uma nova forma de sociabilidade e uma vida cheia de sentidos produzir\u00e1 uma nova humanidade que poder\u00e1 p\u00f4r fim \u00e0 delinqu\u00eancia comum e iniciar\u00e1 com ela novas formas de conviv\u00eancia, implicando a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica na criminalidade.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">BALAN\u00c7O PROVIS\u00d3RIO DA REVOLTA POPULAR DE ATALAIA(AL)<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Escrito pelos: Palmarinos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dias 6 e 9 de janeiro de 2014 entraram para hist\u00f3ria de Atalaia como in\u00edcio da in\u00e9dita revolta popular. Diversas condi\u00e7\u00f5es possibilitaram essa revolta e aqui alguns elementos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">SITUA\u00c7\u00c3O ECON\u00d4MICA<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atalaia \u00e9 uma cidade do interior alagoano. Seguindo a tend\u00eancia no estado, n\u00e3o possui uma autonomia, enquanto munic\u00edpio frente \u00e0s verbas p\u00fablicas. Ou seja, sua din\u00e2mica econ\u00f4mica est\u00e1 determinada majoritariamente pela arrecada\u00e7\u00e3o das verbas federais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Majoritariamente, mas n\u00e3o \u00fanica, pois existem outros p\u00f3los que dinamizam a sua economia como a produ\u00e7\u00e3o da agricultura familiar ligada principalmente ao MST, as zonas de com\u00e9rcio existentes na cidade, as rendas das fam\u00edlias dos\/as trabalhadores\/as da Usina Uruba (Grupo Jo\u00e3o Lyra), etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, por diversos fatores que v\u00e3o desde a \u201cqueda progressiva do faturamento e das taxas de lucro\u201d, \u201cmarcada pela diminui\u00e7\u00e3o da quantidade de cana cortada, de \u00e1rea plantada e de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool,\u201d e a converg\u00eancia entre uma crise conjuntural e a crise internacional que agrava as exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar , o setor sucroalcooleiro instalado na cidade, que sempre apareceu como um dos p\u00f3los de grande for\u00e7a na economia de Atalaia passa por um processo de fal\u00eancia que vem se arrastando desde 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser uma cidade com sustenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na estrutura estatal e na ind\u00fastria sucroalcooleira, Atalaia revela um segredo conhecido por todos seus habitantes: se a Usina entra em crise, a cidade passa por crise; se a prefeitura est\u00e1 em \u201ccrise\u201d, a cidade entra em crise. Mas, quando a Usina n\u00e3o est\u00e1 em crise, mesmo assim os trabalhadores sempre saem perdendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O importante aqui \u00e9 observar que diante da grave crise vivida por um dos p\u00f3los de sustenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da cidade, o outro, a prefeitura, assume um papel predominante, tornando-se nos \u00faltimos anos o p\u00f3lo de maior import\u00e2ncia para a vida econ\u00f4mica da cidade.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">MANDOS E DESMANDOS DA CLASSE DOMINANTE<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2013 ser\u00e1 lembrado pela popula\u00e7\u00e3o de Atalaia, n\u00e3o por conquistas para o povo trabalhador e sua juventude, mas pelos mandos e desmandos dos distintos poderes que comp\u00f5em o Estado. Ficou mais evidente a forma como a classe dominante atalaiense se alimenta: utilizando em proveito pessoal as verbas p\u00fablicas destinadas aos diversos servi\u00e7os sociais. Numa cidade de 44 mil habitantes apenas uma ambul\u00e2ncia funciona no hospital. Os postos de sa\u00fade est\u00e3o sem m\u00e9dicos e rem\u00e9dios \u2013 quando n\u00e3o se encontram fechados e jogados aos ratos. A Educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ainda mais prec\u00e1ria. H\u00e1 dois anos os 200 dias letivos obrigat\u00f3rios n\u00e3o s\u00e3o respeitados, prejudicando a forma\u00e7\u00e3o de milhares de crian\u00e7as e adolescentes. Os povoados est\u00e3o abandonados e \u00e0s escuras. A viol\u00eancia explode em todos os cantos de Atalaia e o sentimento de inseguran\u00e7a e medo toma conta de todos. Os sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios (efetivos ou contratados) das diversas categorias (Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, administra\u00e7\u00e3o, etc.) est\u00e3o atrasados. H\u00e1 casos em que chegam a 6 meses de atraso. Aposentados passam fome e chegam a pedir esmolas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas quais s\u00e3o as respostas dadas, pela t\u00e3o aclamada Justi\u00e7a, para tantos problemas? Por um lado, a coniv\u00eancia e o sil\u00eancio para com as atitudes das autoridades municipais que comp\u00f5em a prefeitura e a c\u00e2mara de vereadores da cidade; por outro, a repress\u00e3o e a persegui\u00e7\u00e3o para com os que lutam.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">S\u00d3 A LUTA FAZ ACONTECER<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atalaia possui um passado que marca a pr\u00f3pria luta de classes de nosso pa\u00eds e da Am\u00e9rica. Ela \u00e9 fruto do confronto entre o assassino e espoliador Domingos Jorge Velho (bandeirante paulista) e os quilombolas de Palmares. Ap\u00f3s o massacre sobre os negros e negras livres do Quilombo, o bandeirante recebeu como pr\u00eamio, pela \u201cnobre a\u00e7\u00e3o\u201d, as terras que hoje conformam Atalaia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que sua bandeira traga a imagem da concilia\u00e7\u00e3o, como se sua edifica\u00e7\u00e3o tivesse ocorrido sobre um acordo entre os negros e os seus algozes \u2013 tentativa barata de negar um passado bem vivo \u2013 Atalaia guarda em sua mem\u00f3ria a hist\u00f3ria da resist\u00eancia e da luta por emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mem\u00f3ria que permanece viva na luta e nos atos dos trabalhadores rurais que sofrem com a viol\u00eancia da aristocracia agr\u00e1ria: em 1995 foi executado Chico do Sindicato (Sindicalista). Em 2000, Jos\u00e9 Elenilson. E em 2005, foi a vez de Jaelson Melqu\u00edades, da Dire\u00e7\u00e3o Estadual do MST, ser assassinado. Al\u00e9m das in\u00fameras tentativas de assassinatos contra lideran\u00e7as Sem Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Situamos a Revolta Popular de janeiro, como desdobramento da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da cidade. E essa luta n\u00e3o teve nada de espont\u00e2neo. Para sua efetiva\u00e7\u00e3o muito contribuiu a experi\u00eancia do MST \u2013 forjada por duas d\u00e9cadas de luta nesta cidade. Assim como a experi\u00eancia que o Sindicato dos Educadores de Atalaia (SEATA) veio construindo e adquirindo ao longo de 2013 com bloqueios de estradas, ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos, marcha na cidade com bandeiras e di\u00e1logo com a popula\u00e7\u00e3o por meio de carro-de-som, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frente aos mandos e desmandos das elites locais que est\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas na prefeitura \u2013 cuja pol\u00edtica de austeridade e de opress\u00e3o sobre o povo trabalhador aumentou draconianamente no ano de 2013 \u2013 \u00e9 que surge a possibilidade da conforma\u00e7\u00e3o de uma unidade entre o campo e a cidade. Uma unidade que vai al\u00e9m da luta reivindicativa de cada movimento ou categoria e que questiona o projeto pol\u00edtico-econ\u00f4mico da classe dominante de Atalaia. Uma unidade que tem como consigna que s\u00f3 a luta faz acontecer.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">UMA NOVA FOR\u00c7A: PARTICIPAR \u00c9 MAIS QUE VOTAR<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Atalaia as coisas seguem a regra do que acontece em Alagoas, que est\u00e1 entre os campe\u00f5es de viol\u00eancia, de pobreza, de pior Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, etc. Diante de um cen\u00e1rio ca\u00f3tico enfrentado cotidianamente pelo povo trabalhador e sua juventude, o poder p\u00fablico n\u00e3o aponta para nenhuma solu\u00e7\u00e3o e suas respostas sempre s\u00e3o em benef\u00edcios dos de cima, da classe dominante do estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, se a resposta do Estado \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o constante dos direitos do povo trabalhador, se suas a\u00e7\u00f5es evidenciam seu verdadeiro car\u00e1ter \u2013 de \u00f3rg\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o e de reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades \u2013 ent\u00e3o, n\u00e3o nos cabe esperar por milagres!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da unidade entre o MST e o SEATA e outros trabalhadores do funcionalismo p\u00fablico e da juventude atalaiense nasceu o Comit\u00ea Popular em Defesa de Atalaia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num cen\u00e1rio pol\u00edtico marcado pela disputa interna entre os pr\u00f3prios setores da classe dominante da cidade, o Comit\u00ea Popular surge como uma for\u00e7a que deixa claro: o povo trabalhador, unido e organizado, e com sua juventude, n\u00e3o deixar\u00e1 que as coisas continuem como vinham sendo realizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revolta popular, bloqueio de rua combinado com a ocupa\u00e7\u00e3o da prefeitura e da c\u00e2mara de vereadores tiveram grande apoio da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por meio de uma metodologia que inova em sua a\u00e7\u00e3o, o Comit\u00ea foi \u00e0s ruas, de casa em casa, de bairro em bairro, chamando a popula\u00e7\u00e3o a ir lutar por seus direitos e dizer \u201cbasta!\u201d \u00e0 pol\u00edtica (de opress\u00e3o e de explora\u00e7\u00e3o) imposta ao povo pobre e trabalhador. Convidando toda a popula\u00e7\u00e3o a pensar as solu\u00e7\u00f5es de forma conjunta e diferente dos dominantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso deixou claro que participar \u00e9 mais que votar. Foi realizada uma assembleia popular na c\u00e2mara municipal da cidade, ocupando e recriando um espa\u00e7o habitado por vereadores\/as que n\u00e3o servem aos interesses do povo trabalhador. O di\u00e1logo e a democracia direta foram as ferramentas que deram a t\u00f4nica na constru\u00e7\u00e3o dos passos de toda a luta travada.<a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ensinamentos s\u00e3o muitos e muito ainda temos que aprender. Mas algo fica claro para os homens e mulheres que participaram e constru\u00edram a revolta popular: a constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es para os problemas estruturais que perpassam nossa vida s\u00f3 poder\u00e3o ser obra dos pr\u00f3prios trabalhadores e de sua juventude criando e recriando, a partir de cada situa\u00e7\u00e3o concreta \u2013 numa articula\u00e7\u00e3o que atravesse o todo de nossa sociedade \u2013 uma alternativa de poder: popular e socialista.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">SINDICALISMO OSTENTA\u00c7\u00c3O, AUTORITARISMO E DEFESA DO GOVERNO FEDERAL NO CONGRESSO DA CNTE<\/span><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><strong>N\u00facleos de professores<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O 32\u00ba Congresso Nacional da CNTE foi marcado por uma atmosfera de espet\u00e1culo, acrescida de ampla apologia ao governo Federal e com a participa\u00e7\u00e3o de representantes do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na abertura, houve pol\u00eamica, pois os delegados do Sindicato do Amap\u00e1 (Oposi\u00e7\u00e3o) foram impedidos de se credenciar, devido a uma d\u00edvida de 47 meses com a CNTE. O presidente Roberto Le\u00e3o (Art-Sind) chegou a ordenar a retirada dos manifestantes pelos seguran\u00e7as, mas frente \u00e0s palavras de ordem e press\u00e3o, teve que encaminhar os recursos. Em que pese a exposi\u00e7\u00e3o de companheir@s (explicando que a d\u00edvida vinha de lutas e greves, que a dire\u00e7\u00e3o da CNTE n\u00e3o quis negoci\u00e1-la, e que a mesma se iniciou na gest\u00e3o da Art-Sind), o setor majorit\u00e1rio venceu a vota\u00e7\u00e3o, mantendo a n\u00e3o-participa\u00e7\u00e3o dos delegados do Amap\u00e1. Provavelmente este foi o melhor momento do Congresso em termos de luta e contraposi\u00e7\u00e3o ao setor governista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Congresso privilegiou pain\u00e9is tem\u00e1ticos em detrimento do debate, houve segrega\u00e7\u00e3o entre delegad@s, suplentes e convidados na Plen\u00e1ria, com cercos espec\u00edficos para cada um, controlados por seguran\u00e7as; pouco espa\u00e7o para setores minorit\u00e1rios e professores de base; esvaziamento dos Grupos de Trabalho n\u00e3o deliberativos, que eram apenas para discuss\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o predom\u00ednio do setor governista nos debates e vota\u00e7\u00f5es, prevaleceu a avalia\u00e7\u00e3o positiva das gest\u00f5es petistas, de que as coisas v\u00e3o bem no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quaisquer cr\u00edticas ao governo do PT feitas pela Oposi\u00e7\u00e3o, eram taxadas pelo setor governista como se fossem uma defesa da direita (PSDB&#8230;). Isso se expressou em todo Congresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe ressaltar o distanciamento deste f\u00f3rum nacional (CNTE), da realidade concreta dos professores, dos problemas da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica e do encaminhamento das lutas dos professores. Foi evidente a ostenta\u00e7\u00e3o presente na estrutura do Congresso (voos e di\u00e1rias desperdi\u00e7ados, hot\u00e9is e centro de confer\u00eancia de luxo), montada com dinheiro dos professores sindicalizados de todo pa\u00eds, e que serve de coopta\u00e7\u00e3o dos \u201cdelegados\u201d menos politizados e mais oportunistas, afeitos a favorecimentos de toda ordem, cargos e privil\u00e9gios burocr\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos de mobiliza\u00e7\u00e3o e luta, o setor governista se limitou a chamar um Ato Nacional pela aplica\u00e7\u00e3o da Lei do Piso, e a j\u00e1 recorrente Greve Nacional da CNTE (17, 18 e 19 de mar\u00e7o), demonstrando que no contexto de Copa e Elei\u00e7\u00f5es, far\u00e1 de tudo para conter e minar as lutas e movimentos que tendem a ocorrer este ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O setor antigovernista apareceu como contraposi\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria &#8211; como na fala do Z\u00e9 Maria (PSTU) no 1\u00ba Painel Tem\u00e1tico, nas falas e resolu\u00e7\u00f5es dos setores de Oposi\u00e7\u00e3o nos Grupos e Plen\u00e1rias -, que expuseram in\u00fameros problemas nestes anos de gest\u00e3o petista. No marco dos movimentos iniciados em junho passado, da Copa e das Elei\u00e7\u00f5es, com tend\u00eancia a novas mobiliza\u00e7\u00f5es, os setores de Oposi\u00e7\u00e3o defenderam Greve Nacional por Tempo Indeterminado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como dado positivo, vimos a participa\u00e7\u00e3o de um setor mais jovem e menos fechado com correntes e partidos, e v\u00e1rias palavras de ordem, durante todo Congresso, provenientes dos movimentos de Junho, como em contraposi\u00e7\u00e3o a Copa, por Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">ELEI\u00c7\u00d5ES: MAIS UMA VEZ, PROBLEMAS NA OPOSI\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em que pese a cr\u00edtica ao governismo apontada pelos setores de Oposi\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o ocorreu isento de problemas. Al\u00e9m da fragmenta\u00e7\u00e3o das Oposi\u00e7\u00f5es com resolu\u00e7\u00f5es distintas (PSOL\/PSTU, POR, PCO), a principal pol\u00edtica de interven\u00e7\u00e3o no Congresso, encabe\u00e7ada pelo PSTU, levando consigo setores do PSOL (Na Escola e Na Luta, TLS, FOS), foi uma resolu\u00e7\u00e3o conjunta (para a qual setores minorit\u00e1rios n\u00e3o foram consultados) assinada com o setor Cutista denominado CUT Pode Mais. N\u00e3o bastasse isso, o PSTU\/MTS prop\u00f4s que a CUT Pode Mais n\u00e3o apenas compusesse, mas que encabe\u00e7asse (!) a chapa para a dire\u00e7\u00e3o da CNTE, na figura da delegada Rejane (CEPERS-RS).<br \/>\nIsso gerou insatisfa\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios setores da CSP-Conlutas, como Conspira\u00e7\u00e3o Socialista, Constru\u00e7\u00e3o Socialista, CEDS, MEOB, Independentes, Renovar Pela Luta. N\u00f3s do Renovar Pela Luta (corrente formada por Espa\u00e7o Socialista e independentes) nos colocamos contra essa composi\u00e7\u00e3o. Setores da CSP-Conlutas, como MEOB e Constru\u00e7\u00e3o Socialista se colocaram contr\u00e1rios ao encabe\u00e7amento, mas a favor da composi\u00e7\u00e3o de chapa com a CUT Pode Mais. A Conspira\u00e7\u00e3o Socialista, Independentes de Luta e CEDS, tamb\u00e9m contr\u00e1rios ao encabe\u00e7amento, n\u00e3o \u00e0 composi\u00e7\u00e3o, se abstiveram das reuni\u00f5es de discuss\u00e3o de chapa. O Renovar Pela Luta declarou absten\u00e7\u00e3o e se retirou da Plen\u00e1ria da CSP, mas foi impedido pelo PSTU de expressar sua posi\u00e7\u00e3o em Plen\u00e1ria do Bloco de Oposi\u00e7\u00e3o, sob alega\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o iria compor chapa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa postura do PSTU, deixou bem claro de que a rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deste com a CUT Pode Mais vai muito al\u00e9m do que imagin\u00e1vamos, pois trata-se de uma unidade permanente a qualquer pre\u00e7o, que tem levado esse partido a rebaixar suas pr\u00e1ticas, sua pol\u00edtica, seu discurso e seu programa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No interior da CSP-Conlutas, j\u00e1 v\u00ednhamos percebendo essas significativas mudan\u00e7as do PSTU, o que nos levou a construir o Bloco Classista Anticapitalista e Base em oposi\u00e7\u00e3o ao setor majorit\u00e1rio encabe\u00e7ado pelo PSTU.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, na elei\u00e7\u00e3o para a Executiva Nacional da CNTE, tivemos duas chapas encabe\u00e7adas por setores Cutistas, ou seja, CUT versus CUT: 1) Majorit\u00e1ria (Art-Sind, CTB, O Trabalho&#8230;); 2) Oposi\u00e7\u00e3o, encabe\u00e7ada pela CUT Pode Mais, composta por setores da CSP-Conlutas e do PSOL.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, a CSP-Conlutas abriu m\u00e3o de se apresentar como alternativa independente da dire\u00e7\u00e3o da CNTE, da CUT e do governismo.<br \/>\nO pior \u00e9 que essa pol\u00edtica n\u00e3o atraiu votos da ArtSind\/CTB e ainda dividiu a Oposi\u00e7\u00e3o. 83% dos votos foram para a chapa majorit\u00e1ria, enquanto 17% ficaram distribu\u00eddos entre a Chapa da Oposi\u00e7\u00e3o, nulos e brancos. No crit\u00e9rio de proporcionalidade, o m\u00ednimo para fazer parte da composi\u00e7\u00e3o da Executiva Nacional s\u00e3o 20% dos votos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pol\u00edtica do PSTU, seguida pelo PSOL e MEOB beneficiou o setor Cutista (que saiu nas duas chapas e desmoralizou sua oposi\u00e7\u00e3o interna e externa) provocando maior fragmenta\u00e7\u00e3o na esquerda, sobretudo pelo m\u00e9todo autorit\u00e1rio do PSTU e outros, de privilegiar acordos por c\u00fapula e impor sua pol\u00edtica aos demais setores, de modo intransigente e sem discuss\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">NECESSIDADE DE UMA ALTERNATIVA EFETIVAMENTE SOCIALISTA DOS TRABALHADORES<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, do Espa\u00e7o Socialista, consideramos que o principal desafio da esquerda atual, no contexto da crise estrutural do capitalismo &#8211; que s\u00f3 se mant\u00e9m hoje \u00e0s custas do desvio do dinheiro p\u00fablico e precariza\u00e7\u00e3o da vida dos trabalhadores e da sociedade, respaldada pelos governos inclusive petistas \u2013, consiste em superar qualquer ilus\u00e3o no governismo e construir uma alternativa independente de governos e patr\u00f5es, num sentido efetivamente socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidente que a n\u00e3o-unidade da esquerda n\u00e3o nos agrada. Mas a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de fato se d\u00e1 prioritariamente na base, mas escolas, nas lutas, no movimento, nos quais estaremos sempre juntos. Portanto, defendemos a unidade da esquerda antigovernista e anticapitalista para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es e congressos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A composi\u00e7\u00e3o e encabe\u00e7amento de chapa com a CUT Pode Mais, implementada pelo PSTU e consentida por PSOL e outros setores, confunde os trabalhadores, promove ilus\u00f5es, capitula e se submete a um setor vinculado ao cutismo e portanto ao governismo. Se a CUT Pode Mais pretende se contrapor de fato ao governismo, que seja coerente e rompa com a CUT, integrando o campo antigovernista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Congresso evidencia a necessidade de fortalecermos o trabalho de base, nas escolas, nas lutas, no movimento, para construirmos, de modo concreto e vi\u00e1vel, uma alternativa real e respaldada pelos professores, trabalhadores, popula\u00e7\u00e3o, na contram\u00e3o da realidade desestimulante dos f\u00f3runs e organiza\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas atuais.<a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">A luta pela constru\u00e7\u00e3o de uma nova concep\u00e7\u00e3o de movimento estudantil<\/span><\/h2>\n<p>POR QUE NOS ORGANIZAMOS?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreender onde estamos, o que nos move\u00a0e para onde vamos s\u00e3o quest\u00f5es importantes para aclarar nossos passos. Precisamos pensar sobre as contradi\u00e7\u00f5es que se tornam frequentes no cotidiano da universidade e dificultam de diversas maneiras a perman\u00eancia qualificada do\/da estudante no seu local de estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lidamos com muitos problemas no ambiente universit\u00e1rio: espa\u00e7o que reproduz o pensamento e a ci\u00eancia burguesa, forma\u00e7\u00e3o quase que totalmente voltada para formar for\u00e7a de trabalho para ser explorada e n\u00e3o para o desenvolvimento humano, isto \u00e9, a produ\u00e7\u00e3o social do conhecimento aparece sob controle da burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em id=\"__mceDel\"><br \/>\nComo se n\u00e3o bastassem esses problemas, ainda temos que lidar com a precariedade laboratorial; a aus\u00eancia de salas, blocos e resid\u00eancias; restaurantes universit\u00e1rios insuficientes para comportar, que exemplificam alguns dos problemas na estrutura f\u00edsica.<br \/>\nPensar sobre tudo isso \u00e9 fundamental para buscarmos transformar essa realidade em base a dois elementos: a luta para colocar o conhecimento a servi\u00e7o da humanidade aliada \u00e0 luta pela resolu\u00e7\u00e3o dos problemas imediatos. Assim, as demandas concretas indicam a maneira como conduziremos nossas a\u00e7\u00f5es. E em movimento encontramos nossos limites, poderemos apontar nossas perspectivas de luta na resolu\u00e7\u00e3o das pautas imediatas e, o mais importante, teremos clareza da ess\u00eancia dos problemas, com uma perspectiva cr\u00edtica e radical (no sentido de ir \u00e0 raiz). <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em id=\"__mceDel\"><br \/>\nLogo, ter o entendimento de que a luta da juventude no Movimento Estudantil n\u00e3o pode se limitar \u00e0s quest\u00f5es individuais e imediatas nos orienta para a luta mais geral, pois a luta por uma Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e gratuita est\u00e1 imbricada aos interesses da luta da classe trabalhadora. \u00c9 tamb\u00e9m primordial para pensarmos a constru\u00e7\u00e3o de uma nova concep\u00e7\u00e3o de movimento estudantil.<\/em><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O MOVIMENTO ESTUDANTIL FRENTE AOS ATAQUES NA EDUCA\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos que, os ataques \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o \u2013 nosso l\u00f3cus de atua\u00e7\u00e3o no movimento \u2013 s\u00e3o constantes e todos vivenciam a precariza\u00e7\u00e3o, ou seja, os estudantes, professores e t\u00e9cnicos s\u00e3o as maiores v\u00edtimas. Estamos inseridos numa sociedade em que se cruzam problemas econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos. O que acontece no interior da universidade \u00e9 extens\u00e3o das medidas dos governos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ataques ao ensino superior est\u00e3o ligados aos reflexos de crises que se intensificam e s\u00e3o inerentes \u00e0 pr\u00f3pria estrutura do capitalismo, que busca formas de adiar seu fracasso definitivo. \u00c9 nesse aspecto que a burguesia tenta fazer com que a juventude e a classe trabalhadora arquem com as crises.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, a resposta para tais crises foi a ado\u00e7\u00e3o do neoliberalismo como modelo econ\u00f4mico no in\u00edcio dos anos 90 \u2013 que se assinala pela privatiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias empresas e agora para setores p\u00fablicos, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do ESERBH.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso coloca para n\u00f3s a necessidade constante de fazermos a liga\u00e7\u00e3o entre lutas imediatas, lutas gerais e estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Reforma Universit\u00e1ria e o REUNI, nos 1\u00ba e 2\u00ba mandatos de Lula, s\u00e3o exemplos do car\u00e1ter privatista que evidenciam o desmonte do ensino, ou seja, cortes de verbas cont\u00ednuos, abertura escancarada para iniciativa privada, expans\u00e3o sem qualifica\u00e7\u00e3o, etc. o REUNI \u00e9 parte dessa pol\u00edtica mais geral do capital. Essa \u00e9 s\u00f3 uma das raz\u00f5es que justificam a necessidade da organiza\u00e7\u00e3o dos\/das estudantes para combater os projetos privatistas de ensino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o REUNI esses problemas s\u00f3 agravaram. A maioria das universidades est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es piores. Trabalho precarizado para os professores e funcion\u00e1rios. Na maioria dos cursos e na maioria das universidades a infraestrutura e a qualidade est\u00e3o cada vez pior.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">SER\u00c1 QUE J\u00c1 TEMOS O \u201cNOVO\u201d?<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Movimento Estudantil desenvolveu v\u00e1rias lutas, mas n\u00e3o conseguiu construir uma alternativa. A fal\u00eancia da UNE, que praticamente se transformou em assessoria do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o; a aus\u00eancia de fato de uma pr\u00e1tica diferente por parte da ANEL e das demais correntes de esquerda ainda colocam como tarefa a constru\u00e7\u00e3o de uma nova concep\u00e7\u00e3o de Movimento Estudantil, que est\u00e1 muito al\u00e9m de construir uma nova entidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amadurecimento do Movimento Estudantil por fora da UNE, como as ocupa\u00e7\u00f5es de reitorias em 2009, trouxe \u00e0 realidade o debate de reorganiza\u00e7\u00e3o e a possibilidade de se discutir e encaminhar novas lutas. No entanto, o Congresso de 2009, que deveria ser um momento decisivo de avan\u00e7o na luta, na consolida\u00e7\u00e3o e ac\u00famulo sobre a necessidade cotidiana de reorganizar os estudantes criou de forma equivocada a Assembleia Nacional dos Estudantes \u2013 Livre (ANEL), preocupada apenas com a constru\u00e7\u00e3o de uma nova entidade que fosse articulada pelo PSTU. O fato de o debate n\u00e3o ter sido amadurecido nas universidades tem como resultado a repeti\u00e7\u00e3o de alguns dos mesmos v\u00edcios (como o do aparelhamento da entidade pelo PSTU) da UNE, aparelhada pelo PC do B.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os problemas n\u00e3o se limitam ao fato de a ANEL n\u00e3o responder \u00e0s necessidades dos estudantes. Tamb\u00e9m n\u00e3o tem conseguido atender as pautas dos estudantes desde 2009. Al\u00e9m disso, o aparelhamento faz com que seja o PSTU que decida de fato a pol\u00edtica da entidade. Em muitas regionais a anel s\u00f3 existe formalmente. A ANEL foi criada sem aprova\u00e7\u00e3o e sem refletir os anseios de base dos estudantes. Podemos dizer, ent\u00e3o, que a anel nos representa de fato? Definitivamente, n\u00e3o nos representa. UNE ou ANEL pode nos representar? A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 essa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A UNE j\u00e1 deixou claro que representa o governo. A ANEL est\u00e1 longe de ser o resultado final da reorganiza\u00e7\u00e3o. Portanto, reestruturarmos, n\u00f3s mesmos, nos Centros e Diret\u00f3rios Acad\u00eamicos, nas executivas de curso a a\u00e7\u00e3o de unidade dessas lutas pode de fato impulsionar e inovar na constru\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia classista entre os estudantes e no movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Construir algo novo \u00e9 um desafio dos setores que n\u00e3o se encontram nessas entidades e que continuam em movimento. As manifesta\u00e7\u00f5es de junho em 2013 nos mostraram, mais uma vez, a necessidade da reorganiza\u00e7\u00e3o. A juventude foi \u00e0s ruas, mas as entidades estudantis nacionais que dizem nos representar n\u00e3o conseguiram, sequer, organizar os estudantes quanto mais unir as nossas lutas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">ELEMENTOS PARA PENSAR O NOVO<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na hist\u00f3ria, o ascenso das lutas dos estudantes se deu expondo \u00e0 sociedade os problemas cotidianos vivenciados na universidade. Novamente, exercem importante papel as entidades de base que mostram aos estudantes a necessidade de lutar e a g\u00eanese da precariza\u00e7\u00e3o do ensino. Um movimento estudantil que representa os anseios dos estudantes \u00e9 o estopim para mobiliza\u00e7\u00e3o e para a luta. Por tudo isso \u00e9 importante:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A ARTICULA\u00c7\u00c3O ENTRE LUTA IMEDIATA E ESTRAT\u00c9GICA: a luta por mais verbas, diretas para reitor, etc. s\u00e3o fundamentais, mas por si s\u00f3 n\u00e3o mudam a universidade. Precisamos criticar a pr\u00f3pria universidade em seu car\u00e1ter de classe. Precisamos que o novo movimento estudantil tenha como estrat\u00e9gia a luta no interior da universidade para inverter a l\u00f3gica de seu pr\u00f3prio funcionamento, de maneira que passe a produzir conhecimento para a sociedade em geral e n\u00e3o para as corpora\u00e7\u00f5es. Dessa forma os interesses hist\u00f3ricos da classe trabalhadora se far\u00e3o presentes;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; LUTA CONTRA A BUROCRATIZA\u00c7\u00c3O: a burocratiza\u00e7\u00e3o se expressa de diversas formas no Movimento Estudantil. A principal express\u00e3o \u00e9 no funcionamento superestrutural e na rela\u00e7\u00e3o vertical das entidades com o movimento. \u00c9 fundamental que o funcionamento cotidiano das entidades de base tenha como refer\u00eancia a participa\u00e7\u00e3o dos estudantes na condu\u00e7\u00e3o das mesmas. Isso n\u00e3o quer dizer deslegitimar os representantes eleitos, pelo contr\u00e1rio, significa que estes devam estar sustentados por um trabalho de base;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; TRABALHO DE BASE: n\u00e3o podemos falar em entidade de base se de fato n\u00e3o for reconhecida pelos estudantes. Isso significa organizar lutas de cursos, lutas espec\u00edficas, criar instrumentos para que os estudantes se organizem por suas demandas, etc. A partir dessas lutas \u00e9 poss\u00edvel que as lutas gerais da classe trabalhadora sejam incorporadas pelos estudantes e, n\u00e3o como acontece atualmente, seja coisa imposta, muitas vezes, sem a compreens\u00e3o do significado;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O MOVIMENTO ESTUDANTIL TEM LADO E POSI\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA: consciente, o Movimento Estudantil pode tomar posi\u00e7\u00f5es a favor dos trabalhadores trazendo para a universidade as lutas pol\u00edticas da classe como a defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos, a luta pelas reformas agr\u00e1ria e urbana, o apoio \u00e0s greves, etc. \u00c9 a luta pelo desenvolvimento de uma consci\u00eancia de classe no interior da universidade (requisito para romper com a universidade burguesa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; CONVEN\u00c7\u00d5ES DE BASE: Normalmente as chapas que participam de processos eleitorais nos CAs, DCEs, etc. j\u00e1 chegam com um programa completo, constru\u00eddo nas reuni\u00f5es de correntes. \u00c9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio praticar a democracia de classe organizando conven\u00e7\u00f5es de ativistas e de lutadores de esquerda para discutir o programa e a pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o da chapa. Esta conven\u00e7\u00e3o pode ser precedida de reuni\u00f5es por cursos e debates em salas de aula e fazer com que todo o processo seja constru\u00eddo pela base desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses s\u00e3o alguns elementos para reflex\u00e3o. S\u00f3 podemos falar em reorganizar o movimento estudantil se partirmos da base do movimento. Reorganiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ter novas entidades com nomes diferentes, mas sim uma nova pr\u00e1tica.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">POR QUE N\u00c3O ESTAMOS NA ANEL<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconhecemos que a ANEL faz parte do processo de nega\u00e7\u00e3o da forma anterior de atua\u00e7\u00e3o do movimento estudantil, mas que n\u00e3o rompeu de fato com uma velha pr\u00e1tica de utiliza\u00e7\u00e3o do movimento estudantil. Vide exemplos das mobiliza\u00e7\u00f5es de junho em que buscava falar em nome do movimento ou se sobrepor sem ao menos participar de reuni\u00f5es preparat\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As lutas travadas por essa entidade t\u00eam tido apenas cunho propagand\u00edstico de bandeiras do PSTU e pouco cr\u00edticas para interferir na realidade. At\u00e9 esse momento, n\u00e3o foi capaz de se apresentar ao movimento estudantil como uma alternativa real \u00e0s necessidades cotidianas dos estudantes e insiste no rebaixamento dos debates pol\u00edticos. Tamb\u00e9m reproduz as velhas pr\u00e1ticas de tiragem de delegados sem a discuss\u00e3o program\u00e1tica; de acordos pol\u00edticos entre \u201cdire\u00e7\u00f5es\u201d sem consultar a base dos estudantes; de distanciamento do cotidiano das universidades e de condu\u00e7\u00e3o bastante burocr\u00e1tica nas entidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, a ANEL, n\u00e3o passou na prova de se constituir como o \u201cnovo\u201d de fato. Por essas considera\u00e7\u00f5es, o Espa\u00e7o Socialista n\u00e3o constr\u00f3i a ANEL. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o possamos ter atua\u00e7\u00e3o conjunta no movimento, pois acreditamos que as necessidades do movimento est\u00e3o acima das disputas entre as correntes.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O QUE QUEREMOS<a name=\"titulo7\"><\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditamos na necessidade de que todo esse debate deva continuar. Fazemos todos os esfor\u00e7os por uma nova pr\u00e1tica no Movimento Estudantil. E aquelxs que queiram lutar para que a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento seja pelo desenvolvimento humano e para a transforma\u00e7\u00e3o social, juntem-se! Juntemo-nos!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">A NOVA CONSTITUI\u00c7\u00c3O E AS PERSPECTIVAS PARA A CRISE NO EGITO<\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias 14 e 15 de janeiro deste ano os eg\u00edpcios foram \u00e0s urnas num referendo sobre uma nova Constitui\u00e7\u00e3o, em que o \u201csim\u201d venceu, mas apenas 33% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds (85 milh\u00f5es de pessoas no total) foi \u00e0s urnas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A baixa participa\u00e7\u00e3o deve-se a um boicote empreendido pelos opositores do governo interino. Atualmente a presid\u00eancia \u00e9 ocupada pelo chefe da Suprema Corte Constitucional do Egito: Adly Mansour, que foi nomeado ap\u00f3s a deposi\u00e7\u00e3o de Mohammed Morsi em Julho de 2013. Porem, o poder, de fato, ainda est\u00e1 nas m\u00e3os dos militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O baixo comparecimento \u00e0s urnas e o fato da Constitui\u00e7\u00e3o ter sido elabora por um comit\u00ea de apenas 50 pessoas deixam d\u00favidas quanto a legitimidade do pleito. Al\u00e9m disso, todo o per\u00edodo de campanha foi marcado pela repress\u00e3o \u00e0 campanha do \u201cn\u00e3o\u201d, que foi praticamente impedida pelo ex\u00e9rcito. Nos dois dias de vota\u00e7\u00e3o 9 manifestantes foram mortos pelas for\u00e7as policiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Irmandade Mul\u00e7umana, grupo religioso que defende o islamismo como base da pr\u00e1tica pol\u00edtica e da vida social como um todo, ainda n\u00e3o se conformou com o golpe que destituiu o seu representante, Mohammed Morsi, que fora eleito pelo voto popular. A organiza\u00e7\u00e3o repudia a Constitui\u00e7\u00e3 aprovada e convoca o povo eg\u00edpcio para uma nova onda de protestos. Segundo a Irmandade \u00e9 necess\u00e1rio ir \u00e0s ruas para dar continuidade \u00e0 \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d iniciada a tr\u00eas anos atr\u00e1s, quando o ditador Hosni Mubarak renunciou sob forte press\u00e3o popular. Tal revolu\u00e7\u00e3o teria sido obstru\u00edda pelo golpe que al\u00e7ou, novamente, os militares ao poder do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Constitui\u00e7\u00e3o votada neste m\u00eas desagrada a Irmandade basicamente por que os principais artigos pr\u00f3-isl\u00e3 propostos pelo governo Morsi foram retirados. Mas, a carta aprovada por 33% da popula\u00e7\u00e3o do Egito tamb\u00e9m desagrada muitos outros setores da sociedade, por aumentar consideravelmente o poder dos militares, em pontos como: indica\u00e7\u00e3o do ministro da defesa por uma junta militar, cria\u00e7\u00e3o de mecanismos que inviabilizam a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos gastos militares e, possibilidade de, em alguns casos, civis serem julgados em cortes militares. H\u00e1 outros pontos antidemocr\u00e1ticos: o presidente indicar\u00e1 5% dos ocupantes do poder legislativo, al\u00e9m de uma brecha para que, \u201cem momentos de crise\u201d seja poss\u00edvel, de forma legal, dissolver o congresso. Os grupos que apoiam a Constitui\u00e7\u00e3o s\u00e3o partidos seculares de vi\u00e9s liberal, parte do empresariado eg\u00edpcio e, a imprensa privada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, a nova Constitui\u00e7\u00e3o representou uma tentativa do governo dos militares de legitimar seu poder, que prosseguir\u00e1 com a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es gerais, ainda para o primeiro semestre. O principal candidato que desponta \u00e9 justamente Abdul Fatah Al-Sissi, general que comandou o golpe contra Morsi e a repress\u00e3o aos opositores, sendo respons\u00e1vel, em Agosto de 2013, pela morte de mais de 1.000 pessoas em apenas cinco dias de manifesta\u00e7\u00f5es! E \u00e9 justamente este general que est\u00e1 por tr\u00e1s do governo interino e que j\u00e1 manifestou sua inten\u00e7\u00e3o de se candidatar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda esta instabilidade pol\u00edtica no Egito tem como pano de fundo uma grave crise econ\u00f4mica. O ponto de partida de todo este processo foi a queda de Mubarak do poder depois de trinta anos de uma cruel ditadura. A juventude, trabalhadores, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, e a popula\u00e7\u00e3o em geral sa\u00edram \u00e0s ruas exigindo o fim daquele governo. Naquela conjuntura a situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria, de desemprego e, de fome chegaram a n\u00edveis insustent\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Janeiro de 2011, estando a economia ainda sob os efeitos da crise de 2008, o pre\u00e7o do trigo dobrou no mercado mundial. A principal alimenta\u00e7\u00e3o do povo eg\u00edpcio, um tipo de p\u00e3o chamado a\u00efcha, \u00e0 base de trigo, se tornou quase inacess\u00edvel. A amea\u00e7a da fome impulsionou enormes mobiliza\u00e7\u00f5es contra um governo autorit\u00e1rio que n\u00e3o estava sens\u00edvel \u00e0s demandas da popula\u00e7\u00e3o. O Egito toma a frente dos levantes que ficariam conhecidos como \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os anos em que Mubarak esteve no poder os militares sempre representaram uma elite econ\u00f4mica e pol\u00edtica. E com a sa\u00edda do ditador continuam a ocupar lugar de destaque. Em 2012 organizam uma elei\u00e7\u00e3o em que o candidato da Irmandade Mul\u00e7umana, Mohammed Morsi sai vencedor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Egito n\u00e3o melhora. Durante o governo Mursi, ocorre uma acentuada desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda, que tem como principal consequ\u00eancia a carestia dos produtos b\u00e1sicos e a diminui\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de trigo (o Egito importa mais de 10 milh\u00f5es de toneladas de trigo ao ano). Um problema antigo no pa\u00eds tamb\u00e9m continuava sem solu\u00e7\u00e3o: a escassez cr\u00f4nica de combust\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os indicadores sociais revelam um pa\u00eds a beira do caos. Quase metade da popula\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia vive abaixo ou bem perto da linha de pobreza (ou seja, com at\u00e9 US$ 2 por dia). Estas pessoas s\u00f3 conseguem sobreviver por causa dos v\u00e1rios bilh\u00f5es em subs\u00eddios gastos pelo governo. S\u00e3o US$ 4 bilh\u00f5es para os alimentos, especialmente o trigo e US$ 14 bilh\u00f5es por ano em subs\u00eddios aos combust\u00edveis. E mesmo com tudo isso o povo s\u00f3 sobrevive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise mundial de 2008 atingiu praticamente todas as na\u00e7\u00f5es do mundo, inclusive os pa\u00edses centrais do capitalismo. Ao chegar na periferia do sistema ela tomou propor\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas. S\u00f3 recentemente o capital vem apresentando sinais de t\u00edmida melhora. Mas, somente entre os pa\u00edses mais desenvolvidos, os perif\u00e9ricos n\u00e3o est\u00e3o encontrando sa\u00edda para esta crise iniciada h\u00e1 pelo menos 5 anos! Isto pode ser uma evid\u00eancia de que a forma social regida pelo capital est\u00e1 chegando ao seu limite. O sistema, como um todo, n\u00e3o est\u00e1 mais conseguindo retomar os n\u00edveis de crescimento de anos atr\u00e1s. O novo ciclo j\u00e1 se inicia, ent\u00e3o, de forma desigual e bastante vol\u00favel. Hoje mais do que nunca estamos diante de uma situa\u00e7\u00e3o em que, segundo Marx, a burguesia s\u00f3 consegue vencer uma crise c\u00edclica preparando crises mais extensas e mais destruidoras e, ao mesmo tempo, diminuindo os meios de evit\u00e1-las e venc\u00ea-las quando emergirem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso do Egito, o governo Morsi tentou amenizar os efeitos da crise se empenhando em buscar um acordo com o FMI para conseguir um empr\u00e9stimo que poderia amenizar temporariamente o sofrimento dos eg\u00edpcios. Como de costume, o \u00f3rg\u00e3o internacional exigiu que o presidente adotasse uma pol\u00edtica de austeridade intransigente e eliminasse progressivamente os subs\u00eddios aos combust\u00edveis e alimentos. O que o FMI estava propondo \u00e9 que o governo simplesmente eliminasse a possibilidade de sobreviv\u00eancia de quase metade da popula\u00e7\u00e3o do Egito! Postura absolutamente desumana, pr\u00f3pria de uma institui\u00e7\u00e3o que serve para proteger os interesses do capital.<br \/>\nCom medo de tomar medidas extremamente impopulares em um per\u00edodo bem pr\u00f3ximo \u00e0s elei\u00e7\u00f5es parlamentares, Morsi adiou a implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de austeridade, para n\u00e3o atrapalhar as candidaturas da Irmandade Mul\u00e7umana. Desagradou o FMI, n\u00e3o recebeu o empr\u00e9stimo. Desagradou tamb\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o por falhar em organizar a economia do pa\u00eds e melhorar a vida das pessoas, que ent\u00e3o, voltam \u00e0s ruas. O que, por fim, desagradou os militares e as elites locais. Para descontentamento geral some-se a tudo isso a patente inabilidade pol\u00edtica da Irmandade, que no auge de toda conturba\u00e7\u00e3o ainda imp\u00f5e uma Constitui\u00e7\u00e3o que restringia direitos civis (especialmente das mulheres e dos sindicatos) e que refor\u00e7ava o car\u00e1ter religioso do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, h\u00e1, ainda, algo fundamental que contribuiu para a deposi\u00e7\u00e3o de Morsi e \u00e9 o alicerce do atual poder dos militares no Egito, os interesses do capital internacional. O capitalismo tem necessidade de estabilidade, sobretudo em uma regi\u00e3o em que est\u00e3o alguns dos maiores produtores de petr\u00f3leo do mundo. H\u00e1 um enorme receio de que o fornecimento de petr\u00f3leo seja afetado pelas instabilidades regionais e isso venha colocar em risco a lenta e sofr\u00edvel reabilita\u00e7\u00e3o da economia capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Egito n\u00e3o \u00e9 um grande produtor, mas o temor \u00e9 que possa ocorrer uma interrup\u00e7\u00e3o do fornecimento de 3 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo, que passam diariamente pelo oleoduto Suez-Mediterr\u00e2neo e pelo pr\u00f3prio canal de Suez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, diante de uma revolta popular, que tudo indica vai continuar, uma vez que n\u00e3o parece ser mais poss\u00edvel \u00e0 economia eg\u00edpcia superar o momento de crise dentro dos marcos do capital, e em face de uma violenta oposi\u00e7\u00e3o por parte da Irmandade Mul\u00e7umana, e, ainda, na falta de um movimento socialista que pudesse dar dire\u00e7\u00e3o aos protestos e propor reformas radicais na estrutura socioecon\u00f4mica, hoje a \u00fanica for\u00e7a que parece dar a estabilidade que o capitalismo precisa para o Egito \u00e9 a ditadura militar. Assim, nossa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que infelizmente o pa\u00eds est\u00e1 caminhando novamente para uma ditadura militar t\u00e3o opressora quanto \u00e0quela erigida por Hosni Mubarak nos anos 1980.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; \u00a02014: Muitas lutas no horizonte: que venham as conquistas! Rolezinhos, o que expressam? O estado capitalista n\u00e3o tem<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2791,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2772"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2772"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2772\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6508,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2772\/revisions\/6508"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2791"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}