{"id":28,"date":"2008-12-13T15:56:56","date_gmt":"2008-12-13T15:56:56","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/28"},"modified":"2018-05-04T21:50:48","modified_gmt":"2018-05-05T00:50:48","slug":"x-men-2-somos-todos-mutantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/x-men-2-somos-todos-mutantes\/","title":{"rendered":"&#8220;X-Men 2&#8221;: Somos todos mutantes"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><span lang=\"ES-TRAD\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h1><span lang=\"ES-TRAD\">\u201cX-MEN 2\u201d: <span style=\"text-transform: uppercase;\">Somos todos mutantes<\/span><\/span><\/h1>\n<h1><span lang=\"ES-TRAD\">\u00a0<\/span><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cX-Men 2\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nome original: X2<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2003<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas, Alem\u00e3o<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Bryan Singer<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Roteiro: Zak Penn, David Hayter<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Ian McKellen, Halle Barry, Famke Janssen, James Marsden, Anna Paquin, Rebecca Romijn, Brian Cox, Alan Cumming, Bruce Davison, Aaron Stanford, Shawn Ashmore, Kelly Hu, Katie Stuart<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: a\u00e7\u00e3o, aventura, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, thriller<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cX-Men 2\u201d \u00e9 \u201cX-Men\u201d ao quadrado. Pegue-se o primeiro filme e multipliquem-se os personagens, as cenas de a\u00e7\u00e3o, as tramas, as revela\u00e7\u00f5es, as piadas e a pr\u00f3pria dura\u00e7\u00e3o do filme e tem-se a receita deste \u201cupgrade\u201d. Comparado com sua continua\u00e7\u00e3o, o primeiro \u201cX-Men\u201d era apenas um ensaio. Um t\u00edmido ensaio. O diretor Brian Singer, o mesmo de \u201cOs Suspeitos\u201d, era ent\u00e3o um confesso analfabeto em \u201cuniverso X\u201d, o universo dos mutantes nos quadrinhos. Seu distanciamento e seriedade ajudaram a fazer do primeiro filme uma transposi\u00e7\u00e3o realista e consistente do mudo dos gibis para as telas, a ponto de ter aberto as portas para \u201cHomem Aranha\u201d, \u201cDemolidor\u201d, \u201cHulk\u201d e esta presente continua\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio \u201cX-Men\u201d. O g\u00eanero dos filmes-adaptados-de-hist\u00f3rias-em-quadrinhos, que estava semimorto, foi ressuscitado, comercialmente, em grande parte por seus m\u00e9ritos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os executivos voltaram a acreditar que o g\u00eanero \u00e9 vi\u00e1vel e para nossa sorte, resolveram investir nele. Em time que est\u00e1 ganhando, n\u00e3o se mexe. O diretor Brian Singer, maior respons\u00e1vel pelo sucesso do primeiro filme, foi encarregado de comandar a ciness\u00e9rie dos X-Men e espera-se que continue no cargo. Alguns anos depois, o diretor j\u00e1 iniciado nas leituras fundamentais do universo X, sentiu-se totalmente \u00e0 vontade para conduzir a continua\u00e7\u00e3o. Livre de todas as amarras e constrangimentos e usando de toda sua habilidade para realizar roteiros complexos (como o oscarizado \u201cOs suspeitos\u201d, que o revelou), Brian Singer entregou o que este escriba considera uma das tr\u00eas melhores adapta\u00e7\u00f5es de quadrinhos de todos os tempos, ao lado de \u201cAkira\u201d, de 1988, adaptado do mang\u00e1 hom\u00f4nimo e de \u201cHeavy Metal\u201d, de 1981, inspirado na revista francesa \u201cMetal Hurlant\u201d, revista que revelou o g\u00eanio Moebius e outros artistas dos quadrinhos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Dissemos que o diretor \u00e9 o maior respons\u00e1vel pelo sucesso dos \u201cx-filmes\u201d porque nunca \u00e9 o bastante homenagear aqueles que acertam num meio em que tantos erram. Basta lembrar o infeliz que arruinou a hist\u00f3ria do \u201cDemolidor\u201d, transformando um personagem extremamente promissor numa piada, um fracasso art\u00edstico e comercial vexaminoso. N\u00e3o \u00e9 qualquer nerd de quadrinhos que consegue dirigir um filme. Ao exaltar o diretor, n\u00e3o estamos esquecendo o elenco. Em \u201cX-Men 2\u201d cada pe\u00e7a se encaixa. H\u00e1 personagens e artistas para todos os gostos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">As beldades Halle Berry (Tempestade), Famke Janssen (Jean Grey) e Rebeca Romijn-Stamos (M\u00edstica), s\u00e3o um show \u00e0 parte. Destaque para a cena em que Rebeca recebeu de presente a chance de reprisar seu personagem no triller \u201cFemme Fatalle\u201d, de Brian de Palma (filme regular, mas simp\u00e1tico), seduzindo um guarda da pris\u00e3o. Hugh Jackman, o maior achado do primeiro filme, continua dando seu show como Wolverine, extremamente convincente, fazendo a festa dos f\u00e3s. Ian McKellen faz um Magneto diferente dos quadrinhos, mais velho, quase idoso, cerebral e elegante. A cena da fuga da pris\u00e3o de pl\u00e1stico \u00e9 simplesmente apote\u00f3tica. Noturno \u00e9 um show \u00e0 parte, desde a explosiva cena de abertura, depois com sua beatitude e sotaque germ\u00e2nico carregado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Entre os vil\u00f5es, o coronel Stryker interpretado por Brian Cox entrega um desempenho que n\u00e3o fica atr\u00e1s de nenhum dos falc\u00f5es do governo Bush. Sua resposta para o problema mutante \u00e9, simplesmente, exterminar os mutantes. Seu filho Jason, que nos quadrinhos \u00e9 Jason Wygand, o Mestre Mental, \u00e9 uma das criaturas mais assustadoras j\u00e1 vistas no cinema.\u00a0 Um zumbi e um semideus. Sem dizer uma s\u00f3 palavra, apenas olhando, com seus olhos de cores diferentes (David Bowie \u00e9 mutante? Ser\u00e1 essa a explica\u00e7\u00e3o para seu fasc\u00ednio sobre as plat\u00e9ias d\u00e9cadas afora?), ele exerce um poder sutil e profundo, em cenas de tens\u00e3o psicol\u00f3gica muito bem desenvolvida. Destaque negativo para a personagem Lady Letal, n\u00e3o pelo que ela faz, mas pelo que n\u00e3o faz, por n\u00e3o ter mais cenas, por n\u00e3o ser melhor aproveitada ao longo do filme.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Al\u00e9m dos destaques individuais, o conjunto da trama funciona como um rel\u00f3gio. Todas as pe\u00e7as se encaixam. Todos os personagens est\u00e3o em busca de seus objetivos, que no conjunto articulam a tape\u00e7aria do roteiro. Wolverine est\u00e1 em busca de seu passado, coronel Stryker quer destruir os mutantes, Magneto quer destruir os humanos, o Professor X quer salvar a ambos, Pyro quer roubar a namorada de Bobby, mas n\u00e3o est\u00e1 disposto a ser um bom-mo\u00e7o para isso, Jean Grey, como toda mulher, quer um homem que esteja sempre por perto, Noturno quer ser aceito por Deus e pelos homens, e assim por diante. Os conflitos e dramas dos personagens s\u00e3o muito humanos e verdadeiros.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Mais do que uma simples continua\u00e7\u00e3o, este \u00e9 o primeiro e verdadeiro filme-quadrinhos feito at\u00e9 hoje. Um filme-gibi. Os gibis, como se sabe, tem come\u00e7o mas nuca tem fim, pois estendem a hist\u00f3ria de um personagem ou de um grupo deles por d\u00e9cadas \u00e0 fio, como uma novela, mas sem fim. \u201cX-Men 2\u201d funciona como se fosse uma hist\u00f3ria em quadrinhos retirada aleatoriamente da pilha de gibis. N\u00e3o h\u00e1 um come\u00e7o, um meio e um fim fechados. Ele se situa no meio de uma hist\u00f3ria que tem um come\u00e7o anterior a ele e que ter\u00e1 desenvolvimentos posteriores. Esse \u00e9 o aspecto mais interessante da atmosfera de \u201cX-Men 2\u201d. Ela capta o que parece ser um momento na vida dos mutantes. Um dia na vida dos X-Men.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Os mutantes estavam l\u00e1, levavam suas vidas, produziam alguns incidentes. Num dado momento, quando Magneto est\u00e1 preso, Wolverine est\u00e1 investigando seu passado, um certo atentado \u00e9 perpetrado e&#8230; Segue a trama. Exatamente como num gibi. Tome-se uma edi\u00e7\u00e3o qualquer de uma revista mensal dos X-Men e teremos uma hist\u00f3ria como a do filme. Os personagens est\u00e3o l\u00e1, envolvidos em suas rela\u00e7\u00f5es, precedidos de um passado complexo, veteranos de muitas situa\u00e7\u00f5es, participando de mais uma aventura, que ter\u00e1 desdobramentos nas edi\u00e7\u00f5es seguintes. Assim como no filme.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u201cX-Men 2\u201d tem um certo aspecto de um cap\u00edtulo de novela, no bom sentido. No bom sentido, porque o que est\u00e1 sendo ressaltado \u00e9 a compet\u00eancia do diretor para dar o car\u00e1ter realista \u00e0 hist\u00f3ria. Sa\u00edmos do cinema acreditando que os mutantes existem. Os personagens na tela s\u00e3o t\u00e3o plaus\u00edveis, verdadeiros, humanos, que n\u00e3o h\u00e1 como duvidar que os mutantes <span style=\"text-transform: uppercase;\">existem<\/span>. Seus sentimentos e paix\u00f5es, amores n\u00e3o correspondidos (Wolverine e Jean Grey), medos, dificuldades da adolesc\u00eancia (Vampira e Homem de Gelo), complexos de rejei\u00e7\u00e3o (Noturno), s\u00e3o semelhantes aos de qualquer espectador. A cena em que Bobby Drake conta aos pais que \u00e9 um mutante \u00e9 id\u00eantica a qualquer cena em que um filho diz aos pais que \u00e9 um homossexual. As rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mesmas, as falas s\u00e3o as mesmas, basta trocar a palavra \u201chomossexual\u201d por \u201cmutante\u201d. Talvez n\u00e3o seja intencional, mas a li\u00e7\u00e3o de toler\u00e2ncia foi passada.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O m\u00e9rito aqui tamb\u00e9m pertence ao conceito dos X-Men em si, que \u00e9 nada menos do que genial. Os X-Men n\u00e3o lutam contra nenhum vil\u00e3o em especial, mas contra o preconceito em geral, que \u00e9 um mal difuso, tanto nos E.U.A. como no restante do mundo. Os X-Men s\u00e3o her\u00f3is, mas s\u00e3o perseguidos, odiados e temidos pelas mesmas pessoas cujas vidas salvaram, se arriscando contra amea\u00e7as sem fim. O conceito \u00e9 complexo e ousado. A ideologia que o preside \u00e9 a mesma que orientou a cria\u00e7\u00e3o dos personagens da Marvel Comics em geral, nos anos 1960.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Stan Lee, roteirista da Marvel, que na \u00e9poca era apenas uma min\u00fascula editora iniciante, teve a id\u00e9ia de criar como her\u00f3is personagens que tivessem problemas. Personagens contradit\u00f3rios, complexos, multidimensionais, com os quais as pessoas comuns fossem capazes de se identificar. Os Estados Unidos dos anos 60 estavam cansados dos personagens planos, unidimensionais, unilaterais, manique\u00edstas, como o Super Homem e a Mulher Maravilha, da DC Comics. A editora que ent\u00e3o vinha dominando o mercado h\u00e1 d\u00e9cadas se viu vencida pela concorr\u00eancia da Marvel, derrotada pela pr\u00f3pria perfei\u00e7\u00e3o imaculada. Os her\u00f3is da DC eram os \u00edcones dos E.U.A. em sua fase \u00e1urea e incontestada, os s\u00edmbolos de uma pureza irretoc\u00e1vel. E falsa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nos anos 60 os E.U.A. estiveram mais do que nunca dispostos a rever sua auto-imagem, levados a isso pelo choque que foi o assassinato de Kennedy, pela descoberta de que sua interven\u00e7\u00e3o no Vietn\u00e3 era uma fraude, pelo movimento dos direitos civis, pela contracultura, etc. Os her\u00f3is da Marvel estavam sintonizados com seu tempo. Eram todos complexos, defeituosos, aberrantes. O Homem-Aranha era um nerd que adquiria poderes, mas n\u00e3o tinha dinheiro para pagar as contas, e ainda por cima odiado pela m\u00eddia. O Hulk era um monstro perseguido pelo ex\u00e9rcito. Mais subversivo imposs\u00edvel. O Demolidor era um advogado cego.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Dentro dessa onda criativa, Stan Lee concebeu os X-Men, aberra\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, condenados a lutar para provar que, apesar de diferentes por causa de seus poderes, ainda eram humanos. Os X-Men originais, entretanto, n\u00e3o fizeram muito sucesso na \u00e9poca e amargaram um certo ostracismo. Em meados dos anos 70 o roteirista Chris Claremont assumiu as hist\u00f3rias e criou uma nova leva de personagens, novos alunos para o Professor X. Al\u00e9m disso, deu uma forma final ao argumento b\u00e1sico, privilegiando a luta contra o preconceito.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Ousadamente, Claremont assimilou a luta dos X-Men por reconhecimento \u00e0 luta de qualquer minoria dentro do mosaico que s\u00e3o os E.U.A.. Os mutantes se tornaram o espelho, dentro dos quadrinhos, para os negros, os \u00edndios, os irlandeses os judeus, os homossexuais, as mulheres, os cat\u00f3licos, os latinos etc. A assimila\u00e7\u00e3o das minorias e a toler\u00e2ncia m\u00fatua entre elas \u00e9 a ilus\u00e3o her\u00f3ica que preside a mentalidade dos estadunidenses progressistas e o seu projeto de sociedade. Esse projeto de assimila\u00e7\u00e3o, toler\u00e2ncia e aceita\u00e7\u00e3o est\u00e1 impl\u00edcito nas hist\u00f3rias dos X-Men e \u00e9 isso que lhes d\u00e1 a sua for\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Claremont desenvolveu esse argumento e explorou as vidas de seus personagens, fazendo delas uma novela, da qual foi o autor por mais de vinte anos. No decorrer desse longo per\u00edodo os personagens ganharam vida pr\u00f3pria, ganharam densidade dram\u00e1tica e tamb\u00e9m legi\u00f5es de f\u00e3s. Pertencem a esse per\u00edodo as hist\u00f3rias escritas em parceria com os desenhistas John Byrne (que depois seria tamb\u00e9m roteirista de grande sucesso do Quarteto Fant\u00e1stico e do Super Homem) e Terry Austin, entre as quais se sobressai a \u201cSaga de F\u00eanix\u201d, provavelmente uma da melhores hist\u00f3rias em quadrinhos j\u00e1 escritas (e cujos primeiros sinais despontam em \u201cX-Men 2\u201d, para del\u00edrio dos que foram leitores do gibi).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Por for\u00e7a de hist\u00f3rias como essa, os X-Men se consolidaram como o prot\u00f3tipo do grupo de her\u00f3is. Nos anos 90, Claremont se retirou da Marvel. Os X-Men se tornaram mais um grupo qualquer, dentro de uma multid\u00e3o de imita\u00e7\u00f5es produzidas dentro da pr\u00f3pria Marvel e em outras editoras. Mas a lembran\u00e7a da fase \u00e1urea persistiu na mente dos f\u00e3s, gra\u00e7as a personagens inimit\u00e1veis como Wolverine, Vampira, Magneto, justificando o interesse em se produzir o filme.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Como foi dito anteriormente, \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil identificar-se com eles, que nos sentimos como eles. Sa\u00edmos do cinema acreditando que tamb\u00e9m somos mutantes. O escriba por exemplo, acabou descobrindo que tamb\u00e9m tem um poder mutante. O poder de desvendar tramas pol\u00edticas em qualquer filme, texto, id\u00e9ia ou frase. Tome-se o pr\u00f3prio \u201cX-Men 2\u201d por exemplo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A cena que considero crucial para o entender o aspecto pol\u00edtico do filme est\u00e1 perto do final, quando os X-Men v\u00e3o ao Presidente dos E.U.A. apresentar suas raz\u00f5es, mostrando que assim como h\u00e1 mutantes perigosos, h\u00e1 tamb\u00e9m humanos perigosos, que j\u00e1 iniciaram uma guerra entre os dois grupos, etc. e tal. Nessa cena o Professor X diz que os mutantes vieram para ficar. Wolverine diz que estar\u00e3o de olho. Aparentemente, trata-se de uma cena for\u00e7ada, que causa um certo constrangimento, especialmente em quem j\u00e1 est\u00e1 se acostumando a ver o Presidente estadunidense como uma figura inerentemente detest\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma cena destinada a diluir o conte\u00fado subversivo intr\u00ednseco ao conceito dos X-Men. O p\u00fablico das hist\u00f3rias em quadrinhos est\u00e1 acostumado a conviver com personagens contradit\u00f3rios, anti-her\u00f3is, que n\u00e3o s\u00e3o o que aparentam. O p\u00fablico de cinema, mais gen\u00e9rico, exige personagens planos e unilaterais. N\u00e3o pode restar a menor sombra de d\u00favida ou suspeita sobre o seu verdadeiro car\u00e1ter. Os her\u00f3is tem que ser her\u00f3is e os vil\u00f5es tem que ser vil\u00f5es. Os her\u00f3is n\u00e3o podem terminar o filme com a imagem de vil\u00f5es. Por isso, o Professor X faz quest\u00e3o de ir a Washington, limpar a barra de seu time com o Presidente. O Presidente precisa saber quem s\u00e3o os mocinhos. Por isso a necessidade de explicar os planos de Stryker ao Presidente. Somente depois disso o espectador (o espectador estadunidense, \u00e9 claro) pode ir dormir tranq\u00fcilo. O Presidente n\u00e3o est\u00e1 mais pensando mal de seus her\u00f3is.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A mensagem dessa cena \u00e9 o contr\u00e1rio disso. Ela significa que h\u00e1 uma persegui\u00e7\u00e3o em curso nos Estados Unidos. Uma persegui\u00e7\u00e3o contra todos os que pensam diferente. Contra todos os comunistas, anarquistas, ecologistas, pacifistas, hackers, ativistas de todas as causas, militantes em geral, \u201crefuseniks\u201d como s\u00e3o chamados por l\u00e1. Essas pessoas s\u00e3o consideradas amea\u00e7as pelo \u201cstatus quo\u201d. Assessores de seguran\u00e7a (como o Stryker do filme) pedem o seu enquadramento imediato. Atentados s\u00e3o fabricados (como o de Noturno no filme) para justificar a persegui\u00e7\u00e3o das for\u00e7as totalit\u00e1rias aos que pensam diferente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No epicentro da paran\u00f3ia, o Presidente dos E.U.A. com cara de retardado (como o Presidente do filme). Ele nos teme a todos, n\u00f3s que pensamos diferente, n\u00f3s comunistas, anarquistas, pacifistas, humanistas, racionalistas, ecologistas, nacionalistas, (assim como os mutantes do filme). N\u00f3s temos um gene que nos faz detest\u00e1veis aos olhos das autoridades de plant\u00e3o. Temos o gene que nos faz perigosos, incontrol\u00e1veis. O gene que eles odeiam e invejam, porque \u00e9 o que lhes falta. O gene da intelig\u00eancia. N\u00f3s somos temidos por que somos diferentes. Mas viemos para ficar. E estaremos de olho.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">24\/05\/2003<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\"><span lang=\"ES-TRAD\" style=\"\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<h1><span lang=\"ES-TRAD\" style=\"\">&ldquo;X-MEN 2&rdquo;: <span style=\"text-transform: uppercase;\">Somos todos mutantes<o:p><\/o:p><\/span><\/span><\/h1>\n<h1><span lang=\"ES-TRAD\" style=\"\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;X-Men <st1:metricconverter w:st=\"on\" productid=\"2&rdquo;\">2&rdquo;<\/st1:metricconverter>)<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6155,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28\/revisions\/6155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}