{"id":280,"date":"2011-08-01T22:00:19","date_gmt":"2011-08-02T01:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/280"},"modified":"2018-06-01T15:58:22","modified_gmt":"2018-06-01T18:58:22","slug":"jornal-43-maiojunho-de-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2011\/08\/jornal-43-maiojunho-de-2011\/","title":{"rendered":"Jornal 43: Maio\/Junho de 2011"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1520\" aria-describedby=\"caption-attachment-1520\" style=\"width: 213px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_43.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1520 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_43-213x300.jpg\" alt=\"Jornal_ES_43\" width=\"213\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_43-213x300.jpg 213w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_43.jpg 525w\" sizes=\"(max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1520\" class=\"wp-caption-text\">Baixar em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"#titulo1\">Crescem a economia e os lucros da burguesia. E os trabalhadores? <\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo2\">O &#8220;Cibertariado&#8221;, novas formas de degrada\u00e7\u00e3o do trabalho<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo3\">Banc\u00e1rios: antecipar a campanha salarial<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo4\">Escola p\u00fablica: a viol\u00eancia destr\u00f3i as potencialidades humanas<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo5\">O legado da ditadura e a novela &#8220;Amor e Revolu\u00e7\u00e3o&#8221;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo6\">Obama x Osama e a pol\u00edtica do espet\u00e1culo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo7\">Uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h2><b>Crescem a economia e os lucros da burguesia.\u00a0E\u00a0os trabalhadores?<\/b><\/h2>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O governo Dilma, a burguesia e os meios de comunica\u00e7\u00e3o nos mostram um pa\u00eds em crescimento econ\u00f4mico com megaeventos marcados para o pr\u00f3ximo per\u00edodo e oportunidades de altos lucros para o empresariado, que segundo a ideologia burguesa j\u00e1 estariam se refletindo em melhores empregos, sal\u00e1rios cada vez maiores, enfim, ganhos para todos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como parte dessa melhoria geral, ter\u00edamos uma classe m\u00e9dia emergente e a eleva\u00e7\u00e3o do poder de compra da classe trabalhadora, com acesso a moradias populares, autom\u00f3veis, forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria e t\u00e9cnica, o que faria com que estiv\u00e9ssemos indo em dire\u00e7\u00e3o ao primeiro mundo ou pelo menos \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es sociais. O assistencialismo do governo junto aos setores mais pauperizados tamb\u00e9m tem cumprido um papel\u00a0importante nessa grande opera\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, se olharmos com mais aten\u00e7\u00e3o para a realidade e tentarmos entend\u00ea-la como um todo, vamos notar que h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o muito mais complexa e contradit\u00f3ria no pa\u00eds, pois se \u00e9 verdade que h\u00e1 alguns nichos econ\u00f4micos em que setores da classe trabalhadora vem obtendo reajustes acima da infla\u00e7\u00e3o e PLR&#8217;s superiores ao do ano passado, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que h\u00e1 v\u00e1rios outros setores como o funcionalismo p\u00fablico \u2013 principalmente dos estados e munic\u00edpios \u2013 amargando condi\u00e7\u00f5es extremamente prec\u00e1rias, tanto de trabalho como de sal\u00e1rios.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>O velado e desumano aumento da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, mesmo nos setores da classe trabalhadora que obtiveram algum n\u00edvel de recupera\u00e7\u00e3o em seus sal\u00e1rios, vive-se um brutal aumento da carga de trabalho, pois as empresas reestruturaram a produ\u00e7\u00e3o com novas m\u00e1quinas e processos produtivos. Outro fator a ser visto \u00e9 que a patronal, com apoio ou omiss\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es sindicais pelegas, se recusa a incorporar aos sal\u00e1rios os ganhos imediatos, fazendo de tudo para que fiquem restritos \u00e0s PLR&#8217;s, como forma de atacarem a isonomia salarial e ao mesmo tempo se livrarem de qualquer compromisso com os trabalhadores, preparando-se para uma situa\u00e7\u00e3o futura de menor produ\u00e7\u00e3o em que rebaixem esses valores. Outro fator \u00e9 que muita dessa euforia est\u00e1 determinada pelas obras dos grandes eventos (Copa, Olimp\u00edadas). Mas e depois?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aumento dos ritmos de produ\u00e7\u00e3o ( as novas m\u00e1quinas, hora-extra, banco de hora, etc) e as novas tarefas que cada trabalhador tem que cumprir tornam-se cada vez mais insuport\u00e1veis, pois em muitos casos um trabalhador realiza tarefa de antes eram feitas por 2 ou 3 trabalhadores. Essa parte da realidade n\u00e3o aprece nas estat\u00edsticas, oficiais, mas fica escondida dentro das f\u00e1bricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A infla\u00e7\u00e3o, por sua vez, vem num movimento crescente, atingindo diversos itens de primeira necessidade do trabalhador, como alimentos, rem\u00e9dios, combust\u00edveis, passagens, \u00e1gua, luz e telefone. Para se ter id\u00e9ia no ano passado os alimentos aumentaram em 10,23%. Esse aumento dos pre\u00e7os \u00e9 a forma que a patronal utiliza para retomar aquilo que, por for\u00e7a das lutas dos trabalhadores, tinha sido obrigada a conceder. No caso dos alimentos, o aumento dos pre\u00e7os tamb\u00e9m tem a ver com prioridade que \u00e9 dada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de monocultura e para a exporta\u00e7\u00e3o, em detrimento da produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, principalmente no setor de servi\u00e7os, mas tamb\u00e9m na produ\u00e7\u00e3o, permanecem e at\u00e9 se aprofundam regimes de trabalho absolutamente desumanos, com contratos terceirizados ou tempor\u00e1rios, com sal\u00e1rios baix\u00edssimos e com a total coniv\u00eancia dos governos, como \u00e9 caso, por exemplo, dos ramos de telemarketing, limpeza, alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O melhor exemplo de que esse crescimento \u00e9 baseado em uma super-explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores s\u00e3o as obras do PAC e o agroneg\u00f3cio, vitrines da propaganda governista, que se ap\u00f3iam em uma m\u00e3o de obra extremamente precarizada, conforme ficou exposto nas greves e rebeli\u00f5es como a de Jirau e Suapes. Riqueza para poucos e pobreza para a maioria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal, que j\u00e1 est\u00e1 em andamento, n\u00e3o tem se revertido em melhorias para os trabalhadores em geral, pois 70% da explora\u00e7\u00e3o dessas reservas est\u00e3o sob controle das grandes transnacionais do ramo, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do <i>Marco Regulat\u00f3rio do Pr\u00e9-Sal<\/i> pelo governo do PT e o Congresso Nacional, ou seja, \u00e9 mais dinheiro destinado aos grandes grupos econ\u00f4micos do capital mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inclusive os direitos sociais, como democracia, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, s\u00e3o sacrificados diante dos interesses do mercado e do capital, que mede as melhorias da sociedade somente considerando quantos eletrodom\u00e9sticos e carros as pessoas podem agora adquirir \u2013 mesmo com d\u00edvidas enforcantes \u2013 enquanto a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho est\u00e3o totalmente sucateadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo no plano jur\u00eddico o governo tem criado condi\u00e7\u00f5es para o capital se reproduzir com mais \u201ctranq\u00fcilidade\u201d, uma vez que foram modificadas v\u00e1rias leis que s\u00f3 prejudicam os trabalhadores, como a lei do inquilinato, flexibiliza\u00e7\u00f5es nos contratos trabalhistas, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, se \u00e9 verdade que tem havido crescimento econ\u00f4mico e dos lucros dos patr\u00f5es, a batalha di\u00e1ria pela sobreviv\u00eancia, continua muito dif\u00edcil para os trabalhadores e suas fam\u00edlias. Comparado com os ganhos da patronal, para n\u00f3s ficam apenas as migalhas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>As bases do crescimento econ\u00f4mico e sua evolu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos fundamentos sobre os quais se ap\u00f3ia o modelo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista brasileiro tem sido o aumento da depend\u00eancia das vendas de mat\u00e9rias-primas no mercado internacional, devido \u00e0 grande demanda da China e de outras economias em crescimento. Isso se deve ao deslocamento por que passa grande parte dos investimentos, indo em grande medida dos pa\u00edses centrais para os perif\u00e9ricos mais pr\u00f3ximos, como os chamados BRIC\u2019s (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China). Esse processo tem direcionado cerca de US$ 1 trilh\u00e3o aos chamados \u201cpa\u00edses emergentes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil tamb\u00e9m est\u00e1 nessa rota de investidores e especuladores que fogem da recess\u00e3o ou lenta recupera\u00e7\u00e3o das economias dos pa\u00edses centrais, indo em busca de maior lucratividade e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, conforme todos sabem, a entrada de uma enxurrada de d\u00f3lares no Brasil tamb\u00e9m traz desequil\u00edbrios. A valoriza\u00e7\u00e3o do real frente ao d\u00f3lar tem fortes consequ\u00eancias sobre a ind\u00fastria que opera no Brasil, pois faz com que os produtos brasileiros se tornem mais caros no mercado internacional. Esta situa\u00e7\u00e3o tem levado a burguesia, em conjunto com o governo, a adotarem medidas no sentido de compensar essas perdas, atrav\u00e9s de isen\u00e7\u00f5es de impostos, barreiras de importa\u00e7\u00e3o, mas principalmente a reestrutura\u00e7\u00e3o permanente no interior das empresas, no sentido de torn\u00e1-las mais competitivas (leia-se retirada de direitos)\u2013 aproveitando o fato de que, pela pr\u00f3pria desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, novas m\u00e1quinas est\u00e3o mais baratas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como parte desse objetivo sagrado de garantir a lucratividade das empresas, vemos os esfor\u00e7os do governo Dilma no sentido de aprofundar medidas essenciais para o grande capital. Segundo o l\u00edder do governo na C\u00e2mara dos Deputados, C\u00e2ndido Vaccarezza, as prioridades do governo para o pr\u00f3ximo per\u00edodo s\u00e3o o in\u00edcio da Reforma Tribut\u00e1ria, a constru\u00e7\u00e3o de obras de infra-estrutura (usinas, rodovias, portos e aeroportos), o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e a aprova\u00e7\u00e3o do novo C\u00f3digo Florestal. O novo C\u00f3digo Florestal pretende liberar \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0s margens dos rios e encostas para as monoculturas de cana, soja e milho e para a cria\u00e7\u00e3o de rebanhos, com preju\u00edzos para os ecossistemas das regi\u00f5es, j\u00e1 bastante debilitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Vaccarezza, o governo pretende fazer \u201cuma reforma tribut\u00e1ria profunda para desonerar a ind\u00fastria, o com\u00e9rcio e a folha de pagamento.\u201d A desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 reforma trabalhista, na medida em que implica o ataque aos direitos do trabalhador como f\u00e9rias, FGTS, 13\u00ba sal\u00e1rio, etc. Em um movimento combinado, ressurge a proposta de flexibiliza\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas, por iniciativa do sindicato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro importante pilar desse crescimento econ\u00f4mico \u00e9 o aumento do cr\u00e9dito \u2013 leia-se aqui endividamento massivo. O saldo das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito no pa\u00eds atingiu R$1,752 trilh\u00e3o em mar\u00e7o, o que corresponde a um aumento de 20,7% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado. Em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB), as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito atingiram (46,4% do PIB), ante 44,1% em mar\u00e7o de 2010: embora ainda esteja em n\u00edvel bem menor que o endividamento dos pa\u00edses centrais, \u00e9 fato que caminhamos rapidamente na mesma dire\u00e7\u00e3o. O cr\u00e9dito (endividamento) habitacional teve um aumento de 49,6% em doze meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como parte desse enorme endividamento do pa\u00eds, que vem ajudando a propiciar o crescimento da economia capitalista, a d\u00edvida federal da uni\u00e3o, que inclui as d\u00edvidas interna e externa, atingiu novo valor recorde de R$ 1,69 trilh\u00e3o. Para o ano de 2011, a previs\u00e3o da pr\u00f3pria Secretaria do Tesouro Nacional \u00e9 de um crescimento de at\u00e9 R$ 236 bilh\u00f5es na d\u00edvida p\u00fablica, passando a R$ 1,93 trilh\u00e3o. (<a href=\"http:\/\/www.oestadoce.com.br\/\">http:\/\/www.oestadoce.com.br<\/a>). Para pagar os juros desse endividamento crescente, o governo corta justamente das \u00e1reas sociais, e isso em grande medida explica o endurecimento dos governos tanto federal quanto estaduais para com os funcion\u00e1rios p\u00fablicos desses setores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>\u00a0Impulsionar, unificar as lutas e realizar uma ampla campanha com um programa socialista!<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de um quadro econ\u00f4mico e pol\u00edtico contradit\u00f3rio, a situa\u00e7\u00e3o das lutas dos trabalhadores expressa tamb\u00e9m essa contradi\u00e7\u00e3o. Temos uma situa\u00e7\u00e3o de mais greves e lutas em geral e que tendem a crescer no pr\u00f3ximo per\u00edodo, pois muitos trabalhadores sentem a sobrecarga de trabalho e sentem a necessidade de ir \u00e0 luta por melhores condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto se enquadram as rebeli\u00f5es e greves das obras ligadas ao PAC e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o civil em geral, greve de professores em v\u00e1rios estados e munic\u00edpios, greves em v\u00e1rias empresas por PLR&#8217;s maiores, etc. Por\u00e9m essas lutas t\u00eam a caracter\u00edstica de serem isoladas umas das outras, sem algo que possa uni-las e dar um sentido maior. E ainda tem o fato de que s\u00e3o lutas de categorias com pouco peso pol\u00edtico no pa\u00eds o que dificulta que elas possam servir de atra\u00e7\u00e3o para outros setores lutarem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As centrais governistas e pr\u00f3-empresariais n\u00e3o est\u00e3o interessadas que essas lutas se desenvolvam e muito menos tomem uma dimens\u00e3o pol\u00edtica contra os patr\u00f5es e o governo Dilma. Por isso, \u00e9 um erro insistir em espa\u00e7os de unidade superestruturais (como o \u201cato\u201d conjunto no Senado em fevereiro) e a forma\u00e7\u00e3o de chapas em conjunto com setores da CUT, centrais governistas que n\u00e3o t\u00eam tido qualquer pol\u00edtica no sentido de impulsionar as lutas. Na conjuntura atual, a unidade superestrutural com esses setores governistas serve apenas para fortalecer essas dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e n\u00e3o desgast\u00e1-las como dizem as dire\u00e7\u00f5es tanto do PSTU quanto do PSOL. Esse erro se torna ainda mais grave quando se priorizam esses f\u00f3runs, ao inv\u00e9s de realizar uma ampla campanha de agita\u00e7\u00e3o e propaganda junto \u00e0 base das categorias, constru\u00edda a partir das for\u00e7as e organiza\u00e7\u00f5es da esquerda, de luta e socialistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro problema ligado ao anterior \u00e9 que essas correntes permanecem presas a uma atua\u00e7\u00e3o sindical quase sempre limitada \u00e0s quest\u00f5es imediatas e econ\u00f4micas, que s\u00e3o apenas a apar\u00eancia dos problemas, quando a estrat\u00e9gia socialista coerente deveria ser que os sindicatos avan\u00e7assem nas reivindica\u00e7\u00f5es imediatas em dire\u00e7\u00e3o a um programa de ruptura com a l\u00f3gica capitalista e a constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso impulsionar j\u00e1 uma ampla campanha pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e program\u00e1tica ligada \u00e0s lutas concretas dos trabalhadores, mas tamb\u00e9m nas escolas, ruas, f\u00e1bricas e universidades. Uma refer\u00eancia unit\u00e1ria da esquerda e pela base, que possa apontar aos trabalhadores um calend\u00e1rio unit\u00e1rio de a\u00e7\u00f5es e um programa m\u00ednimo, que aponte aos movimentos uma alternativa socialista dos trabalhadores. \u00c9 preciso construir um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>\u00a0Propostas de programa<\/b><\/h3>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Reposi\u00e7\u00e3o das perdas e aumento real dos sal\u00e1rios! Incorpora\u00e7\u00e3o das PLR&#8217;s ao sal\u00e1rio! Sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE como piso para todas as categorias! Carteira assinada e direitos trabalhistas para todos! Fim da terceiriza\u00e7\u00e3o, da informalidade e da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho! Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios!<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Redu\u00e7\u00e3o e controle dos ritmos de trabalho. Enfrentar juntos a press\u00e3o no trabalho e os casos de ass\u00e9dio moral!<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cotas proporcionais para negros e negras em todos os empregos gerados e em todos os setores da sociedade!<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas, interna e externa, e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer!<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Reestatiza\u00e7\u00e3o da <em>Vale<\/em>, <em>Embraer <\/em>e demais empresas privatizadas, sem indeniza\u00e7\u00e3o e sob controle dos trabalhadores! Que a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal seja feita por uma Petrobr\u00e1s 100% estatal e sob controle dos trabalhadores! Estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores! Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores! Expropria\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio e do agroneg\u00f3cio sob controle dos trabalhadores! Rumo ao fim da propriedade privada! Por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica, voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Expropriar os im\u00f3veis usados para lucro da burguesia e coloc\u00e1-los \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores! Por um grande plano de moradias populares! Fim do financiamento p\u00fablico para condom\u00ednios de luxo e utiliza\u00e7\u00e3o dessa verba em moradias populares! Investimento em transporte p\u00fablico de qualidade que priorize o modelo de transporte coletivo!<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A classe trabalhadora precisa criar\/fortalecer seus pr\u00f3prios organismos de luta. Esses organismos devem ter como princ\u00edpios a independ\u00eancia frente aos patr\u00f5es e aos governos, a democracia e a participa\u00e7\u00e3o da base, a luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o e a disputa ideol\u00f3gica.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A estrat\u00e9gia deve ser a ruptura com a sociedade capitalista e a constru\u00e7\u00e3o de um governo socialista dos trabalhadores apoiado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta e que avance em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo!<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b><a name=\"titulo2\"><\/a>O &#8220;Cibertariado&#8221;, novas formas de degrada\u00e7\u00e3o do trabalho<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Thais Menezes<strong><br clear=\"all\" \/><\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><b>Teorias a servi\u00e7o do capital sobre as novas formas de trabalho<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o desenvolvimento das tecnologias e a continuidade do sistema capitalista acabam por surgir setores criando teorias acerca das novas categorias de trabalho que apareceram neste contexto.\u00a0\u00a0H\u00e1 por exemplo setores que apregoam mesmo sem a supera\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do lucro o fim\u00a0\u00a0da degrada\u00e7\u00e3o do trabalho por meio deste avan\u00e7o tecnocient\u00edfico e com isso um suposto processo de difus\u00e3o de empregos qualificados e com forte autonomia no trabalho (Castells). Esta vis\u00e3o, em suma, proclama a supera\u00e7\u00e3o do trabalho degradado t\u00edpico da f\u00e1brica taylorista e fordista por supostas \u201ccriatividade\u201d e \u201cautonomia\u201d inerentes \u00e0s atividades de servi\u00e7os associadas \u00e0s tarefas de concep\u00e7\u00e3o e planejamento de processos e produtos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas concep\u00e7\u00f5es carregam a ilus\u00e3o de que mesmo sob o capitalismo o desenvolvimento da tecnologia \u00e9 capaz de livrar o homem dos trabalhos mais sofridos e desumanos.\u00a0\u00a0Carregam tamb\u00e9m a ideia de que esta nova configura\u00e7\u00e3o do trabalho vai gerar tempo livre para que o trabalhador se dedique a outras atividades intelectuais, ao lazer, \u00e0 cultura, apregoa a fal\u00e1cia de que a humanidade caminha para um rumo progressista em que no futuro estes postos de trabalho, supostamente cada vez melhores, ser\u00e3o acess\u00edveis a todos os trabalhadores, como se as massas fossem passar das tarefas de execu\u00e7\u00e3o para as de planejamento e nelas\u00a0serem plenamente\u00a0acolhidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o \u00e9 que \u00e0 classe trabalhadora esta vis\u00e3o n\u00e3o interessa, visto que este tipo de posto de trabalho considerado como menos precarizado, al\u00e9m de todos os problemas que sabemos que carrega,\u00a0\u00a0n\u00e3o rompe com a aliena\u00e7\u00e3o do trabalho, posto que n\u00e3o rompe com a l\u00f3gica do lucro, que o torna alienado, que torna tamb\u00e9m o produto deste alienado, estranho ao trabalhador, e que configura o ato de trabalhar como pura aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata aqui de negar a import\u00e2ncia do desenvolvimento de uma rede global que abre aos explorados uma gama de possibilidades de organiza\u00e7\u00e3o para a atua\u00e7\u00e3o pela supera\u00e7\u00e3o deste sistema que nos oprime, mas \u00e9 preciso ver que\u00a0\u00a0a despeito desta ferramenta na estrutura a coisa n\u00e3o muda, este processo nada mais \u00e9 que parte do movimento de reestrutura\u00e7\u00e3o capitalista. A promessa da emancipa\u00e7\u00e3o pela t\u00e9cnica que traria esta nova configura\u00e7\u00e3o do trabalho pautada no desenvolvimento tecnocient\u00edfico nada mais \u00e9 que uma mentira,\u00a0\u00a0expressa esta pela continuidade da exist\u00eancia do mal e velho trabalho t\u00edpico da sociedade capitalista, pois apesar de contar com ferramentas facilitadoras, nesta nova configura\u00e7\u00e3o o trabalho n\u00e3o sofre qualquer altera\u00e7\u00e3o na sua ess\u00eancia, n\u00e3o emancipa da explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deixa de ser um fardo, n\u00e3o deixa de ser compluls\u00f3rio e sofrido. Esta concep\u00e7\u00e3o somente falseia a realidade, pois o m\u00e1ximo que faz \u00e9 incorporar um setor do proletariado em fileiras aparentemente menos proletarizadas da classe.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><b>De volta \u00e0 realidade o que se v\u00ea \u00e9 a precariza\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os p\u00e9s de volta ao ch\u00e3o, o que se v\u00ea com o desenvolvimento da tecnologia e as mudan\u00e7as nas formas de trabalho, ao contr\u00e1rio do que dizem os te\u00f3ricos a servi\u00e7o da burguesia, \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o de capital nas m\u00e3os de grandes empresas que empregam um n\u00famero gigantesco de trabalhadores vivendo sobintensa\u00a0explora\u00e7\u00e3o. O que ilustra esta situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o in\u00fameros fatores como:\u00a0\u00a0a alta rotatividade nestes postos de trabalho, com o trabalhador permanecendo meses ou poucos anos no emprego, a tend\u00eancia \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel (por produ\u00e7\u00e3o ou comiss\u00e3o), o desrespeito sistem\u00e1tico aos direitos trabalhistas como a dura\u00e7\u00e3o de jornada, licen\u00e7as m\u00e9dicas, a epidemia de doen\u00e7as funcionais(ou adoecimento em massa de trabalhadores por stress e LER-DORT), o est\u00edmulo ao individualismo e \u00e0 competitividade, o controle rigoroso do tempo, dos hor\u00e1rios de chegada e sa\u00edda, intervalos de almo\u00e7o, pausa para banheiro, etc, o ass\u00e9dio moral como instrumento de gest\u00e3o, o monitoramento permanente e \u201con-line\u201d dos trabalhadores por parte dos supervisores, que acompanham o tempo de atendimento, o \u201cscript\u201d do di\u00e1logo com os clientes, a produtividade e as vendas, etc, formas prec\u00e1rias de contrata\u00e7\u00e3o, como terceiriza\u00e7\u00e3o, trabalho tempor\u00e1rio, est\u00e1gio, menores aprendizes, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos enquadrar neste modelo de explora\u00e7\u00e3o repleto dos fatores citados acima o trabalhador banc\u00e1rio, o teleoperador, o trabalhador de redes de fast-foods e outros trabalhadores de empresas de servi\u00e7os\u00a0adaptadas\u00a0com tecnologias informacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com a exig\u00eancia do emprego de um setor especializado da classe trabalhadora para\u00a0dar\u00a0conta da manuten\u00e7\u00e3o desta nova configura\u00e7\u00e3o pautada no desenvolvimento tecnol\u00f3gico, massivamente o que se v\u00ea \u00e9 a tend\u00eancia \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o do trabalho, o decl\u00ednio das qualifica\u00e7\u00f5es, e o emprego em larga escala de trabaalhadores sem qualifica\u00e7\u00e3o. Este fato tem sua express\u00e3o clara no aumento acelerado de postos de trabalho precarizados como os citados e na not\u00e1vel mudan\u00e7a nas pol\u00edticas educacionais, expressas pelas novas diretrizes curriculares nacionais das escolas p\u00fablicas, baseadas no rebaixamento dos conte\u00fados e na prioriza\u00e7\u00e3o de um ensino raso, baseado no desenvolvimento de compet\u00eancias b\u00e1sicas aliadas a no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de inform\u00e1tica, que permitam \u00e0 massa trabalhar nestes postos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>O Cibertariado na sua mais pura forma<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este trabalhador em quest\u00e3o, fruto da revolu\u00e7\u00e3o informacional, o chamado cibertariado, deu um salto em seu crescimento num\u00e9rico no Brasil desde o in\u00edcio do\u00a0ciclo\u00a0de privatiza\u00e7\u00f5es ocorrido no setor de telecomunica\u00e7\u00f5es na segunda metade da d\u00e9cada de 90, fruto da pol\u00edtica neoliberal adotada pelo Governo FHC. O aprofundamento do processo de terceriza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, somado \u00e0 mundializa\u00e7\u00e3o do capital e sua financeiriza\u00e7\u00e3o\u00a0t\u00eam\u00a0obtido como resultado no Brasil o fortalecimento, do que podemos chamar, de f\u00e1bricas de explorados, como por exemplo, as empresas que empregam os teleoperadores &#8211; Centrais de Teleatividades \u2013 CTAs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos como exemplo de empresa no setor a famosa multinacional espanhola Atento, que hoje se destaca por acompanhar o crescimento do ramo, agigantando-se num curto per\u00edodo de tempo, pelo oferecimento de servi\u00e7o barato a outras empresas e especialmente por empregar trabalhadores exclu\u00eddos por outros\u00a0setores, uma grande quantidade de jovens sem experi\u00eancia, mulheres, brancas e negras e trabalhadores homossexuais. Por\u00e9m, o potencial destes trabalhadores fica sufocado pelo trabalho altamente precarizado. No posto os trabalhadores se deparam com uma realidade \u00e1rdua,\u00a0seguidos de\u00a0trabalho supervisionados a todo instante, grandes riscos de les\u00f5es por esfor\u00e7os repetitivos, calo na voz, problemas de audi\u00e7\u00e3o e dist\u00farbios psicol\u00f3gicos devido \u00e0 grande press\u00e3o por metas, vendas e maior volume de atendimentos\/liga\u00e7\u00f5es, forte esquema de supervis\u00e3o (um supervisor para cada 15 ou 20 teleoperadores), o ass\u00e9dio moral como forma de gest\u00e3o. O sal\u00e1rio do teloperador beira o sal\u00e1rio m\u00ednimo e os benef\u00edcios s\u00e3o motivo de piada.\u00a0A outra face da\u00a0involu\u00e7\u00e3o\u00a0informacional \u00e9 assim, est\u00e1 expressa no trabalho do teleoperador. Sob o disfarce de um\u00a0trabalho mais digno, leve, \u201cde escrit\u00f3rio\u201d, o que se v\u00ea s\u00e3o milhares de trabalhadores sob intensa explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um recorte do processo maior de reestrutura\u00e7\u00e3o capitalista, que inclui a desestrutura\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora organizada, com sua fragmenta\u00e7o, \u00e9 nas CTAs a grande dificuldade de identifica\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores como pertencentes a uma classe \u00fanica que sofre dos mesmos males: \u201cnada favorece a emerg\u00eancia de formas de solidariedade sindical ou pol\u00edtica, pois quase tudo \u00e9 organizado de maneira que se impe\u00e7a que\u00a0os teleoperadores se encontrem\u00a0uns com os outros: as pausas, por exemplo, s\u00e3o curt\u00edssimas e os hor\u00e1rios de trabalho bastante vari\u00e1veis.\u201d (Ruy Braga). Somada a esta dificuldade, a quantidade alta de cargos de supervis\u00e3o com sal\u00e1rio\u00a0superior, por\u00e9m ainda baixo e com possibilidade de acesso, em curto prazo, pelo teleoperador, tamb\u00e9m favorece as tentativas de sa\u00eddas individuais dificultando o processo de organiza\u00e7\u00e3o da categoria.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><b>Para al\u00e9m da CLT, outra forma de precariza\u00e7\u00e3o: o contrato PJ<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra parte do setor de trabalhadores tamb\u00e9m\u00a0relacionada\u00a0\u00e0 tecnologia, como os programadores, t\u00e9cnicos em inform\u00e1tica e sistemas, est\u00e1 sujeito ainda a outras formas de precariza\u00e7\u00e3o escamoteadas e\u00a0ainda mais perigosas, que s\u00e3o criadas a todo tempo, um exemplo disso \u00e9 o absurdo que cada dia mais tem se legitimado nas empresas de TI chamado contrata\u00e7\u00e3o PJ.\u00a0Nessa forma de precariza\u00e7\u00e3o o trabalhador \u00e9 obrigado a abrir uma empresa para possuir um CNPJ, arcar com os custos para que sua empresa seja contratada e livre o patr\u00e3o das obrigatoriedades da CLT, legalizando a rela\u00e7\u00e3o empregat\u00edcia, e deixando ent\u00e3o o trabalhador sem direitos e coberto de obriga\u00e7\u00f5es. Este exemplo representa um retrocesso sem tamanho na quest\u00e3o dos direitos trabalhistas para a classe trabalhadora, al\u00e9m de contribuir para nossa fragmenta\u00e7\u00e3o e prestar um deservi\u00e7o gigantesco para o t\u00e3o necess\u00e1rio trabalho em desenvolver a consci\u00eancia de classe.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Nenhuma ilus\u00e3o nas sa\u00eddas individuais para os problemas coletivos, superar a fragmenta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores!<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como heran\u00e7a desse processo de\u00a0reestrutura\u00e7\u00e3o\u00a0capitalista temos colhido a fragiliza\u00e7\u00e3o dos sindicatos e das organiza\u00e7\u00f5es de base dos trabalhadores no geral e sua apropria\u00e7\u00e3o por setores da classe que\u00a0acabam se ligando \u00e0 patronal e atuando a servi\u00e7o dela. A aus\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em seus locais de trabalho e a consequente falta de resposta da classe aos ataques da patronal t\u00eam deixado espa\u00e7o para que a burguesia puxe a corda um pouco mais para o seu lado, o que se\u00a0reflete\u00a0inclusive nas\u00a0recentes tentativas de flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas, como tem acontecido em algumas categorias, o que nada mais \u00e9 que a retirada de direitos conquistados historicamente pela classe trabalhadora e \u00e0 custa de muita luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o alimentemos ilus\u00f5es de que o capitalismo e o desenvolvimento da tecnologia impulsionada por ele\u00a0v\u00e3o melhorar\u00a0consideravelmente e por si s\u00f3 as condi\u00e7\u00f5es de nossa classe, na contram\u00e3o disto, as novas ferramentas t\u00eam servido para intensificar a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e ainda aumentar os lucros da burguesia. S\u00f3 o rompimento com o que \u00e9 central nesta sociedade pode nos livrar da explora\u00e7\u00e3o, s\u00f3 o rompimento com a l\u00f3gica do lucro que rege esta sociedade pode oferecer uma mudan\u00e7a significativa para nossa classe. Chamamos todos os trabalhadores dos setores de servi\u00e7os a retomarem a organiza\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, a reconstruir os sindicatos como instrumento de\u00a0luta e de defesa incondicional\u00a0dos trabalhadores, a tom\u00e1-los da burocracia que est\u00e1 aliada aos patr\u00f5es. Devemos eleger companheiros de luta para as CIPAS e para as diretorias dos sindicatos. Chamamos todos a lutar por condi\u00e7\u00f5es melhores de trabalho e pelo fim das classes sociais. S\u00f3 uma sociedade sem burguesia pode acabar com o massacre \u00e0 classe trabalhadora e assim superar o capitalismo. Pela emancipa\u00e7\u00e3o da humanidade, por uma sociedade socialista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><a name=\"titulo3\"><\/a><b>BANC\u00c1RIOS: A CAMPANHA SALARIAL J\u00c1 COME\u00c7OU<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A campanha salarial de 2011 come\u00e7ou quando a de 2010 acabou. Temos que pensar como conquistarmos isonomia de direitos entre banc\u00e1rios novos e antigos, reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais, estabilidade de emprego, fim das metas, respeito \u00e0 jornada de 6 horas, institui\u00e7\u00e3o dos delegados sindicais para os bancos privados, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, n\u00e3o \u00e9 suficiente elencar uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es. Por mais combativa que seja, \u00e9 necess\u00e1rio tra\u00e7ar uma t\u00e1tica tamb\u00e9m combativa, \u00e0 altura dos desafios apresentados para n\u00f3s. E decididamente as nossas campanhas salariais desde 2005 s\u00e3o as mesmas: come\u00e7am ap\u00f3s a data-base (31 de agosto), arrasta-se por setembro, e terminamos a campanha em outubro, com assembleias separadas (Banco do Brasil, Caixa Econ\u00f4mica Federal e bancos privados) e lotadas de fura-greves e gerentes coagidos para votar na proposta rebaixada defendida pelos patr\u00f5es e pela c\u00fapula das dire\u00e7\u00f5es vinculadas politicamente \u00e0 CUT e ao governo federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 mais do que na hora de mudar este \u201cscript\u201d e o primeiro passo \u00e9 ANTECIPAR A CAMPANHA. O que significa mobilizar os banc\u00e1rios desde j\u00e1 em assembleias, plen\u00e1rias e congressos. E ainda assim n\u00e3o \u00e9 suficiente. Al\u00e9m de ter uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es e uma t\u00e1tica combativa \u00e9 necess\u00e1rio que a campanha seja conduzida com independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao governo e aos banqueiros para evitarmos que interesses estranhos se sobreponham aos nossos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecemos pela t\u00e1tica. H\u00e1 anos os sindicalistas vinculados politicamente ao PT e a CUT imp\u00f5em \u00e0 categoria uma negocia\u00e7\u00e3o em mesa unificada. Isso se mostrou um erro nos \u00faltimos 7 anos de campanha em que os banc\u00e1rios do setor p\u00fablico fazem, de fato, acontecer as mobiliza\u00e7\u00f5es. Podemos identificar melhor isso nas grandes capitais como Rio e S\u00e3o Paulo, em que os banc\u00e1rios do setor p\u00fablico s\u00e3o minoria, mas est\u00e3o melhor organizados e com maior participa\u00e7\u00e3o nas assembleias em todas as campanhas. O que isso quer dizer? Que devamos dividir a categoria? Evidentemente que n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que as campanhas salariais devem continuar unificadas, mas precisamos observar as disparidades na mobiliza\u00e7\u00e3o entre os banc\u00e1rios do setor p\u00fablico e privado. Durante toda a d\u00e9cada de 2000 a dire\u00e7\u00e3o governista deu um tratamento convenientemente igual entre desiguais. Ao inv\u00e9s de lutar por delegados sindicais e pela estabilidade de emprego nos bancos privados, os dirigentes cutistas e seus aliados preferem colocar uma camisa de for\u00e7a no movimento por meio da t\u00e1tica de mesa \u00fanica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr\u00e1tica, estes mesmos dirigentes jogam sobre o ombro dos banc\u00e1rios do setor p\u00fablico o \u00f4nus da falta de trabalho pol\u00edtico que os sindicatos deveriam fazer nas ag\u00eancias, al\u00e9m da evitar o desgaste do governo em se comprometer a atender as reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas como a reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais ocorridas nos 10 anos de congelamento salarial da era PSDB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras palavras, a CUT e seus aliados fazem da mesa \u00fanica uma forma de n\u00e3o se desgastarem com os banc\u00e1rios privados (base eleitoral nas grandes cidades), que, impedidos de lutar pela absoluta falta de trabalho de organiza\u00e7\u00e3o das ditas \u201centidades representativas\u201d, s\u00e3o levados a ter que aprovar uma pauta rebaixada numa assembleia em separado do restante da categoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a partir da\u00ed que se come\u00e7a o desmonte das greves. Os banc\u00e1rios do setor privado aprovam um acordo do tamanho do trabalho de organiza\u00e7\u00e3o dos sindicatos cutistas, e os banc\u00e1rios do setor p\u00fablico voltam frustrados, pois poderiam continuar para conquistar mais dos patr\u00f5es e do governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tudo pode ser mudado. Nos dias 2 e 3 de abril houve o Encontro Nacional das Oposi\u00e7\u00f5es na cidade de Nata-RN, em que os banc\u00e1rios combativos e os sindicatos independentes dos patr\u00f5es e governos discutiram a campanha salarial 2011 balizando-se nos interesses da categoria e n\u00e3o de qualquer grupo pol\u00edtico. Assim, neste Encontro surgiu a Frente Nacional de Oposi\u00e7\u00e3o como forma de aglutinar as v\u00e1rias for\u00e7as de Oposi\u00e7\u00e3o que agiam de forma descoordenada nacionalmente. Venha fazer parte da Frente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b><a name=\"titulo4\"><\/a>ESCOLA P\u00daBLICA: A VIOL\u00caNCIA COMO INSTRUMENTO DE DESTRUI\u00c7\u00c3O DAS POTENCIALIDADES HUMANAS <\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"center\"><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/b>Iraci Lacerda e Cl\u00e1udio Santana<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>[&#8230;] Enfim, agonia de m\u00faltiplas faces.<\/p>\n<\/div>\n<div>Mas com uma raiz \u00fanica<\/div>\n<div>feita de v\u00e1rias partes e entraves&#8230;<\/div>\n<div>de v\u00e1rios entraves e diversas partes.<\/div>\n<div>Entraves da acumula\u00e7\u00e3o,<\/div>\n<div>da distribui\u00e7\u00e3o, da divis\u00e3o<\/div>\n<div>e apropria\u00e7\u00e3o privada da vida<\/div>\n<div>\n<p>mut\u00e1vel do ser social. [&#8230;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Tico P\u00e1dua<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b><br clear=\"all\" \/><\/b>Abordar a quest\u00e3o da viol\u00eancia no cotidiano das escolas \u00e9 ma\u00e7ante, sobretudo, para quem lida e sofre diretamente com o problema. Mas, o fato ocorrido em Realengo, amplamente explorado e difundido pela m\u00eddia, desnuda parte do sistema educacional brasileiro e necessita de uma reflex\u00e3o que extrapole o corporativismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ressaltar que a viol\u00eancia \u00e9 inerente ao sistema de explora\u00e7\u00e3o parece redund\u00e2ncia, no entanto, precisamos reafirmar que enquanto uma pequena parcela da humanidade, a burguesia, usufruir das benesses do capitalismo em troca da vida de trabalhadores teremos, sistematicamente, massacres ou chacinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNunca se produziu tanta comida e ao mesmo tempo nunca tantos seres humanos passaram fome como agora; temos as mais altas tecnologias no campo da sa\u00fade, por exemplo, enquanto muitas pessoas continuam morrendo de doen\u00e7as comuns que j\u00e1 deveriam ser erradicadas; fala-se tanto em ecologia, prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, por\u00e9m os mesmos grupos que propagam tais teorias s\u00e3o os que mais destroem o planeta com suas ind\u00fastrias poluentes, agrot\u00f3xicos, armas nucleares, autom\u00f3veis, entre outros.\u201d (Freitas, Luiz Carlos de. In: <i>Reflex\u00f5es sobre a luta de classes no interior da escola p\u00fablica<\/i>, p. 100)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa divis\u00e3o social, obviamente, tamb\u00e9m se expressa nas pol\u00edticas educacionais. A escola \u00e9 t\u00e3o bem enquadrada nessa l\u00f3gica que se torna cada vez mais vis\u00edvel a divis\u00e3o entre as que \u201cpodem mais\u201d, \u201cas que podem menos\u201d e \u201cas que nada podem\u201d. E as escolas p\u00fablicas j\u00e1 divididas entre as centrais e as perif\u00e9ricas concorrem diretamente com as particulares na qualidade do ensino e na forma\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem sido comum situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia nesses v\u00e1rios espa\u00e7os escolares e a Justi\u00e7a tamb\u00e9m responde de acordo com a divis\u00e3o social: Para uns a impunidade \u00e9 parte do processo educativo recebido ao matarem moradores de rua, assassinarem camponeses, discriminarem negros ou homossexuais, etc. Para outros o processo pedag\u00f3gico somente \u00e9 pensado a partir da repress\u00e3o direta e conten\u00e7\u00e3o di\u00e1ria atrav\u00e9s de monitoramento por c\u00e2meras, policiais militares, atua\u00e7\u00e3o constante do Conselho Tutelar e etc. com a finalidade de transformar as escolas perif\u00e9ricas em semifeb\u00e9ns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dessa divis\u00e3o capitalista da sociedade precisamos romper \u2013 professores, estudantes e trabalhadores \u2013 com a l\u00f3gica do isolamento por categorias profissionais e estabelecermos uma unidade de fato, se quisermos reverter a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A moral como instrumento da viol\u00eancia<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Lefebvre (In: <i>Marxismo<\/i>, p. 53) a moral \u00e9 enganosa, pois codifica e legaliza no indiv\u00edduo \u2013 sob forma de consci\u00eancia moral, e, no exterior, sob a forma de puni\u00e7\u00e3o e de pr\u00e9dica \u2013 a pr\u00e1tica social mediana em um dado momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, a sociedade capitalista, que \u00e9 de consumo, estabelece padr\u00f5es de beleza e \u201cbem-estar\u201d como ideais, transformados em mercadorias, que devem ser alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto com isso os costumes e valores para favorecerem cada vez mais essa classe dominante e que s\u00e3o expressos a todo tempo pelos meios midi\u00e1ticos est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas e de suas comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem n\u00e3o consegue seguir esses padr\u00f5es s\u00e3o isolados e inferiorizados. Isso faz com que muitos vivam constantemente as dificuldades do ter ou ser, que tem como mal do s\u00e9culo a depress\u00e3o. Outros buscam sa\u00eddas como o suic\u00eddio, as brigas di\u00e1rias para descarregar ou carregar as raivas, o homic\u00eddio banal, roubos e tudo mais que faz parte do cotidiano dos alunos nas escolas estaduais, certamente como tentativa de se enquadrar nos valores capitalistas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>\u00a0A competitividade e o individualismo<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A competitividade e o individualismo s\u00e3o os valores mais propagados pela ideologia burguesa:\u201cAs pessoas se voltam cada vez mais para si, para seu mundo pessoal. Perde-se, assim, o esp\u00edrito de coletividade, o sentido de solidariedade, de humanidade, a no\u00e7\u00e3o de comunidade, de conjunto&#8230;\u201d(Novaes &amp; Vilmar<i>. <\/i>In: <i>O capitalismo para principiantes, <\/i>p. 193). Enquanto isso se mant\u00e9m, temos como exemplo, na <i>Proposta Pedag\u00f3gica para as escolas estaduais de S\u00e3o Paulo<\/i> a obrigatoriedade de se desenvolver uma \u201cinterven\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria na realidade, respeitando valores humanos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, mant\u00e9m-se a contradi\u00e7\u00e3o entre a realidade e o discurso oficial, o que torna a valoriza\u00e7\u00e3o da capacidade individual uma das mais poderosas armas do capitalismo para manter a classe trabalhadora competindo entre si e se autodestruindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema de avalia\u00e7\u00e3o dos estudantes e escolas por \u00f3rg\u00e3os externos, a pol\u00edtica de b\u00f4nus e de m\u00e9rito no estado de S\u00e3o Paulo e que est\u00e3o sendo encaminhadas em todo o pa\u00eds \u2013 como pol\u00edticas educacionais pensadas e desenvolvidas pelos governos do PSDB e PT \u2013 seguem esse caminho da individualidade e da competitividade. Procura-se hierarquizar para responsabilizar cada um pela sua \u201cincapacidade\u201d de competir de acordo com o padr\u00e3o e valores estabelecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encobre-se que o capitalismo n\u00e3o suporta a igualdade de oportunidades, que somente tem condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia com a dura competi\u00e7\u00e3o e que \u00e9 esse tipo de sociedade que gera tantos quantos realengos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A viol\u00eancia na hierarquia entre as classes sociais e o papel do Estado<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado burgu\u00eas cumpre um papel fundamental no sentido de encobrir essa viol\u00eancia e fingir uma harmonia social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao n\u00e3o atender com qualidade o interesse da classe que gera a riqueza para representar os interesses de bancos, empresas, empreiteiras, etc., o Estado obriga-se a cortar gastos com servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais para os trabalhadores. Somente com o governo Dilma a Educa\u00e7\u00e3o perdeu R$ 3,1 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 tornada p\u00fablica com o objetivo de buscar a compreens\u00e3o e o sacrif\u00edcio do trabalhador ao mesmo tempo em que refor\u00e7a pol\u00edticas como Bolsa-fam\u00edlia aliada \u00e0 frequ\u00eancia escolar e avalia\u00e7\u00e3o do professor. Busca-se afirmar, com todo o apoio da imprensa burguesa, que o problema \u00e9 apenas da qualidade do ensino e da gest\u00e3o n\u00e3o do sistema educacional voltado para atender um tipo de sociedade que separa as pessoas entre aqueles que precisam trabalhar para sobreviver e aqueles que exploram para se manter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse universo desnuda-se um ciclo em que o que menos se considera \u00e9 a qualidade do ensino ligada \u00e0s potencialidades humanas, pois o n\u00edvel de qualidade a ser conquistado precisa, necessariamente, atender a essa hierarquia social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucos poder\u00e3o ocupar postos de destaque no mundo do trabalho. Para a maioria restar\u00e1 o espa\u00e7o p\u00fablico escolar como contentor das consequ\u00eancias diretas deixadas pelas contradi\u00e7\u00f5es da competitividade e individualidade. E nem que seja atrav\u00e9s da repress\u00e3o policial o Estado capitalista e seus governos continuar\u00e3o tentando encobrir a viol\u00eancia existente no sistema educacional brasileiro.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A luta por uma Educa\u00e7\u00e3o com qualidade\u00a0deve ser de toda a classe trabalhadora!<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viol\u00eancia expressa na Educa\u00e7\u00e3o brasileira faz parte da realidade de crise estrutural do capital e do papel reservado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses \u201cem desenvolvimento\u201d. A escola precisa ensinar a dosagem certa entre competitividade e obedi\u00eancia, individualidade e submiss\u00e3o, aliadas indispens\u00e1veis no meio produtivo capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, j\u00e1 n\u00e3o se pode manter lutas isoladas em escolas \u2013 a repress\u00e3o sobre estudantes e professoras \u00e9 cada vez maior \u2013 muito menos se pode reduzi-las \u00e0 categoria de professores \u2013 j\u00e1 que se trata da Educa\u00e7\u00e3o para os filhos da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pedagogia de luta contra o conformismo e que busque a forma\u00e7\u00e3o plena do ser humano precisa voltar \u00e0 cena. No entanto, esbarramos tamb\u00e9m nas dire\u00e7\u00f5es dos movimentos sindicais e sociais atreladas diretamente ao governo petista e\/ou aos antigos m\u00e9todos para frearem as lutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sindicatos, centrais sindicais (Intersindical, CSP-Conlutas) e movimentos sociais de esquerda tamb\u00e9m n\u00e3o podem compactuar com o fato da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica transformar-se em instrumento de destrui\u00e7\u00e3o das potencialidades humanas da classe trabalhadora por omiss\u00e3o, neglig\u00eancia ou at\u00e9 mesmo pela repeti\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos alheios a democracia oper\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se muda a realidade apenas com teoria. Mas, a luta tamb\u00e9m n\u00e3o pode estar desprovida da teoria marxista. \u00c9 preciso uma base material para que a pr\u00f3pria teoria se desenvolva. As lutas imediatas na Educa\u00e7\u00e3o precisam estar vinculadas \u00e0 defesa de uma realidade que garanta a apropria\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico em favor da classe trabalhadora e n\u00e3o contra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos por fim \u00e0 autodestrui\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, \u00e0s chacinas e massacres. Precisamos que todos os trabalhadores e trabalhadoras em empresas, com\u00e9rcio, hospitais, bancos, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, desempregados, aposentados e os estudantes estejam unidos na luta em favor de uma escola p\u00fablica com qualidade de ensino e aprendizagem que favore\u00e7am as potencialidades humanas de quem trabalha e gera a riqueza do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b><a name=\"titulo5\"><\/a>O LEGADO DA DITADURA E A NOVELA \u201cAMOR E REVOLU\u00c7\u00c3O\u201d<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Iraci Lacerda e Daniel Menezes<\/p>\n<p>Viola Enluarada (Marcos Valle)<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A m\u00e3o que toca um viol\u00e3o se for preciso faz a guerra<\/div>\n<div>Mata o mundo, fere a terra<\/div>\n<div>A voz que canta uma can\u00e7\u00e3o se for preciso canta um hino<\/div>\n<div>Louva a morte viola em noite enluarada<\/div>\n<div>No sert\u00e3o \u00e9 como espada esperan\u00e7a de vingan\u00e7a<\/div>\n<div>O mesmo p\u00e9 que dan\u00e7a um samba se preciso vai \u00e0 luta capoeira<\/div>\n<div>Quem tem de noite a companheira sabe que a paz \u00e9 passageira<\/div>\n<div>Pra defend\u00ea-la se levanta e grita eu vou<\/div>\n<div>M\u00e3o, viol\u00e3o, can\u00e7\u00e3o, espada, e viola enluarada<\/div>\n<div>Pelo campo e cidade porta bandeira, capoeira<\/div>\n<div>\n<p>Desfilando vem cantando liberdade, liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda metade do s\u00e9culo XX, a Am\u00e9rica do Sul foi vitimada por uma s\u00e9rie de ditaduras militares, que foram substitu\u00eddas por democracias formais nas \u00faltimas d\u00e9cadas. No processo de restabelecimento da democracia formal, v\u00e1rios pa\u00edses levaram os militares e agentes da repress\u00e3o ao banco dos r\u00e9us pelos crimes cometidos durantes a ditadura. A Argentina j\u00e1 condenou 486 criminosos que mataram, torturaram, prenderam, cassaram e exilaram militantes de esquerda (<i>Folha\/UOL<\/i>, 27\/03\/2011). O Brasil \u00e9 um dos poucos pa\u00edses em que os criminosos n\u00e3o foram julgados. Muitos deles, passadas mais de duas d\u00e9cadas do fim da ditadura, envergam os pijamas da aposentadoria com a tranquilidade da impunidade, e de vez em quando at\u00e9 saem das catacumbas para defender publicamente o golpe de 1964.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transi\u00e7\u00e3o para a democracia formal foi feita por meio de acordos de c\u00fapula, em que um grupo pol\u00edtico burgu\u00eas substituiu outro ligado aos militares na condu\u00e7\u00e3o do Estado, sem romper com a pol\u00edtica burguesa em geral e em particular sem romper com o arcabou\u00e7o repressivo (anistia para os crimes da repress\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o da lei de seguran\u00e7a nacional, cultura policial repressiva, etc.). O forte processo de lutas sindicais e populares da d\u00e9cada de 1980, com a funda\u00e7\u00e3o do PT e da CUT, as tentativas de greve geral, a campanha das &#8220;Diretas J\u00e1&#8221;, o ascenso dos movimentos sociais em geral, movimentos de sem terra, de moradia, de estudantes, de mulheres, negros e LGBTs, etc., tudo isso n\u00e3o foi suficiente para derrotar de vez a direita militar e civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desse processo de luta no Brasil, a Articula\u00e7\u00e3o (corrente dirigente do PT e da CUT), burocr\u00e1tica e oportunista desde o in\u00edcio, gradativamente fez com que o movimento abandonasse quaisquer veleidades de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo, mesmo reformistas, conforme o PT ia aderindo abertamente \u00e0 gest\u00e3o do capital. No plano interno isso se consolida com a derrota da campanha de Lula em 1989, que teve participa\u00e7\u00e3o decisiva da Rede Globo, emissora de TV constru\u00edda pela ditadura para servir como seu instrumento ideol\u00f3gico. No plano mundial, a queda do muro de Berlim e da URSS abriu caminho para o discurso da &#8220;derrota do socialismo&#8221; e para a ofensiva pol\u00edtica e ideol\u00f3gica do neoliberalismo e da &#8220;globaliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses processos deixaram o movimento socialista revolucion\u00e1rio numa situa\u00e7\u00e3o de isolamento e o conjunto da classe trabalhadora na defensiva, pois mesmo que os estados burocr\u00e1ticos do leste europeu n\u00e3o fossem o &#8220;modelo&#8221; de socialismo,\u00a0a sua desapari\u00e7\u00e3o fez com que a pr\u00f3pria id\u00e9ia de uma alternativa poss\u00edvel ao capitalismo se tornasse ainda mais desdenhada a fim de configurar ideologicamente aquilo que denominamos como crise da alternativa socialista.As lutas da classe trabalhadora deixaram de estar armadas de uma perspectiva de supera\u00e7\u00e3o do capitalismo,\u00a0est\u00e3o limitadas a questionar aspectos parciais do sistema e com isso condenadas temporariamente\u00a0\u00e0\u00a0impot\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto de crise da alternativa socialista, o PT assumiu o governo com o ex-dirigente sindical Lula e a ex-guerrilheira Dilma, e ambos deixaram intocada a impunidade dos criminosos da ditadura, para n\u00e3o incomodar setores burgueses de extrema direita e comprometer a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classe de seus governos. Lula foi preso pol\u00edtico por ter sido grevista e Dilma foi, al\u00e9m disso, torturada por ter participado da luta armada. Ambos jogaram na lata do lixo a mem\u00f3ria daqueles que lutaram contra a ditadura ao manter inalterada a pol\u00edtica neoliberal da burguesia. No governo da ex-guerrilheira Dilma, o militante italiano Cesare Battisti segue ilegalmente preso e amea\u00e7ado de extradi\u00e7\u00e3o para a It\u00e1lia.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Um enredo que exp\u00f5e os crimes e diferencia bem as personagens<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse cen\u00e1rio que surge a novela &#8220;Amor e Revolu\u00e7\u00e3o&#8221; no SBT, contando a hist\u00f3ria dos primeiros anos da ditadura e dos militantes que a enfrentaram. A novela tem sido tema de debate entre setores populares, pois o assunto \u00e9 praticamente desconhecido das novas gera\u00e7\u00f5es, que ignoram a hist\u00f3ria do pa\u00eds, e das antigas gera\u00e7\u00f5es, deixadas ideologicamente \u00f3rf\u00e3s pelo PT, que nunca fez uma disputa ideol\u00f3gica a fundo com a classe trabalhadora para combater as id\u00e9ias burguesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exibi\u00e7\u00e3o da novela n\u00e3o significa que o SBT tenha se tornado um basti\u00e3o de progressismo social. Na verdade, emissoras como SBT e Record, que t\u00eam tentado com algum sucesso desfazer o antigo monop\u00f3lio da Globo, s\u00e3o t\u00e3o reacion\u00e1rias quanto a sua rival. Todas as emissoras difundem ideologias conservadoras, nas formas de fanatismo religioso, sensacionalismo, pornografia e regress\u00e3o cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na disputa pela audi\u00eancia, vale tudo, at\u00e9 mesmo resgatar um tema pol\u00eamico da hist\u00f3ria do pa\u00eds, a tortura contra militantes que se opuseram \u00e0 ditadura. No contexto da ideologia p\u00f3s-moderna, a hist\u00f3ria real\u00a0tem sido\u00a0s\u00f3 mais um drama televisivo sem conseq\u00fc\u00eancias pol\u00edticas e existenciais.\u00a0E \u00e9 poss\u00edvel que a dramaturgia televisiva com suas f\u00f3rmulas prontas e clich\u00eas (o mito do final feliz, do amor rom\u00e2ntico, do indiv\u00edduo como centro do mundo, etc.), tal qual criada pela Rede Globo e muitas vezes seguida fielmente pelas demais emissoras,\u00a0substitua novamente fatos reais e conflitos pol\u00edticos em quest\u00f5es resolvidas sem sequelas ou preju\u00edzos hist\u00f3ricos, pol\u00edticos e culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente, como se trata de uma telenovela, a qualquer momento podem surgir reviravoltas na trama. N\u00e3o se pode esperar que uma emissora comercial possa fazer justi\u00e7a \u00e0 luta dos militantes que combateram a ditadura, nem muito menos apresentar uma vis\u00e3o correta do projeto de sociedade que defendiam, dos pr\u00f3s e contras da estrat\u00e9gia de luta armada, etc. Podem surgir, por exemplo, tentativas de &#8220;humanizar&#8221; os agentes da repress\u00e3o, na inten\u00e7\u00e3o de mostrar-se equidistante e imparcial, de acordo com o t\u00edpico senso comum pequeno-burgu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a novela \u201cAmor e Revolu\u00e7\u00e3o\u201d ainda merece uma aten\u00e7\u00e3o especial dos apreciadores do trabalho art\u00edstico ligado \u00e0 hist\u00f3ria e ao engajamento pol\u00edtico, pois destaca-se no t\u00edtulo, no tema, na apresenta\u00e7\u00e3o de determinados assuntos, no enredo, na trilha sonora que traduz musicalmente a \u00e9poca, por mostrar cenas de tortura jamais vistas e pelo autor.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Contra a mediocridade na arte! Por amor e revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na vida real!<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para estabelecermos uma compara\u00e7\u00e3o com o que existe hoje em telenovelas podemos citar \u201cInsensato cora\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cMorde &amp; Assopra\u201d, t\u00edtulos das novelas da Rede Globo, em que se pode observar a insistente desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalhador brasileiro atrav\u00e9s de personagens que n\u00e3o possuem vida pr\u00f3pria, capacidade de rea\u00e7\u00e3o ou cria\u00e7\u00e3o e submetem-se passivamente \u00e0 ordem estabelecida. Al\u00e9m de tentar demonstrar uma incapacidade do pa\u00eds na pesquisa cient\u00edfica, presente nesse momento na ridiculariza\u00e7\u00e3o dos estudos sobre a exist\u00eancia de dinossauros no territ\u00f3rio brasileiro, ignorando, por exemplo, a Bacia de Sousa (PB), que na vida real \u00e9 palco de visitas e certifica\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u201cAmor e Revolu\u00e7\u00e3o\u201d aborta assuntos como a libera\u00e7\u00e3o da mulher, a luta pela liberdade de express\u00e3o, a desagrega\u00e7\u00e3o familiar, a import\u00e2ncia da luta pela igualdade social, o sadismo dos paramilitares na tortura e assassinato de comunistas, terror psicol\u00f3gico, abuso sexual e o desaparecimento de presos pol\u00edticos. Dever\u00e1 apresentar o primeiro beijo-gay entre as personagens, retoma fatos hist\u00f3ricos como a Guerrilha do Araguaia e relembra importantes lideres pol\u00edticos, como Che Guevara e Marighela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com certa fragilidade est\u00e9tica e interpreta\u00e7\u00f5es canhestras, a novela provocou uma forte rea\u00e7\u00e3o da extrema direita, que pediu a censura da novela e dos depoimentos de v\u00edtimas de tortura. Mas\u00a0Tiago Santiago, autor da novela, formado em Ci\u00eancias Sociais e Mestre em Sociologia pela UFRJ, posicionou-se contra o abaixo-assinado em nome das For\u00e7as Armadas para o Minist\u00e9rio P\u00fablico: \u201ctirar a novela do ar interessa apenas aos criminosos, torturadores e assassinos, que violaram as conven\u00e7\u00f5es de Genebra, nos chamados anos de chumbo da ditadura militar\u201d (<i>Correio do Brasil<\/i>, 12\/04\/2011)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o sistema capitalista a arte n\u00e3o pode cumprir sen\u00e3o, para a maioria, a fun\u00e7\u00e3o social de alienar e a despolitizar.\u00a0A heran\u00e7a da ditadura permanece bastante viva e os criminosos daquele per\u00edodo permanecem impunes, a repress\u00e3o aos trabalhadores que lutam permanece brutal, a pol\u00edtica da burguesia segue sendo aplicada, a ditadura de classe permanece sendo exercida por meio dos mecanismos da democracia burguesa.\u00a0Nesse momento, \u201cAmor e Revolu\u00e7\u00e3o\u201d poder\u00e1 seguir outro caminho e contribuir para que a luta dos revolucion\u00e1rios, que p\u00f4s fim a ditadura militar na Am\u00e9rica do Sul n\u00e3o seja despolitizada e alienante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, aconte\u00e7a o que acontecer na tela, prevalece o fato de que, na vida real, a luta pelo socialismo torna-se cada dia mais necess\u00e1ria e poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b><a name=\"titulo6\"><\/a>OBAMA X OSAMA E A POL\u00cdTICA DO ESPET\u00c1CULO<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo estadunidense anunciou no in\u00edcio de maio a morte de Osama Bin Laden, l\u00edder da rede terrorista Al Qaeda e considerado respons\u00e1vel pelos atentados de 11\/09\/2001, entre outros ataques. A execu\u00e7\u00e3o teria ocorrido no Paquist\u00e3o, onde o saudita estava foragido, por tropas de elite estadunidenses, depois de confronto com os guarda-costas do terrorista. N\u00e3o foram divulgadas imagens do cad\u00e1ver de Bin Laden, sob a alega\u00e7\u00e3o de que isso poderia desencadear atos de vingan\u00e7a de terroristas contra cidad\u00e3os estadunidenses pelo mundo. Entretanto, foram divulgadas imagens do presidente estadunidense Barack Obama no comando da opera\u00e7\u00e3o que resultou na execu\u00e7\u00e3o do inimigo n\u00ba1 dos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exibi\u00e7\u00e3o da imagem de Obama como respons\u00e1vel direto pela execu\u00e7\u00e3o de Osama tem um objetivo pol\u00edtico muito preciso, que \u00e9 o de elevar a popularidade do presidente estadunidense, seriamente abalada pela situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social do pa\u00eds. As empresas voltaram a lucrar, mas a custa de brutal aumento da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Desde a crise de 2008, a classe trabalhadora estadunidense vive um violento retrocesso nas suas condi\u00e7\u00f5es de vida, com o desemprego ainda pr\u00f3ximo aos 10%, queda nos sal\u00e1rios e na renda dos trabalhadores, retirada de benef\u00edcios, execu\u00e7\u00e3o de hipotecas e despejos, sucateamento da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, empobrecimento geral, piora dr\u00e1stica nos indicadores sociais, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A popularidade de Obama estava t\u00e3o baixa que a corrida pela sucess\u00e3o presidencial em 2012 j\u00e1 se iniciou, com o an\u00fancio da inten\u00e7\u00e3o do bilion\u00e1rio Donald Trump de concorrer como candidato pelo Partido Republicano. Trump \u00e9 dono de pr\u00e9dios de escrit\u00f3rios, hot\u00e9is e cassinos, e ficou mundialmente famoso com o programa de TV \u201cO Aprendiz\u201d, em que tinha como bord\u00e3o a frase \u201cvoc\u00ea est\u00e1 demitido!\u201d, o que d\u00e1 uma id\u00e9ia do car\u00e1ter do indiv\u00edduo de que estamos falando&#8230; A entrada de tal personagem na corrida presidencial se deu com a manobra mais rasteira e sensacionalista poss\u00edvel, a exig\u00eancia de que Obama provasse ter nascido em territ\u00f3rio estadunidense, pois do contr\u00e1rio n\u00e3o poderia ter concorrido \u00e0 presidente. Obama teve que vir a p\u00fablico apresentar a certid\u00e3o de nascimento, mas isso n\u00e3o parece ter sido suficiente para contentar a plat\u00e9ia de Trump, da\u00ed a necessidade de exibir um trof\u00e9u, que seria a morte de Osama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica assim evidente que n\u00e3o foram os trabalhadores que Obama quis agradar, e sim os setores mais reacion\u00e1rios da popula\u00e7\u00e3o, o eleitorado republicano, que durante 8 anos respaldou a pol\u00edtica de \u201cguerra ao terror\u201d de seu antecessor George Bush, composto pela pequena-burguesia branca, protestante, conservadora e provinciana dos estados do interior. O efeito do golpe publicit\u00e1rio foi imediato, pois as pesquisas de opini\u00e3o seguintes mostraram um aumento de 11% na aprova\u00e7\u00e3o de Obama, que na enquete do New York Times e CBS saltou de 46% para 57% (Reuters, 04\/05\/2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando para a quest\u00e3o das imagens, a alega\u00e7\u00e3o de que teria havido tiroteio no ref\u00fagio de Osama n\u00e3o resiste ao exame mais superficial. As cenas que foram divulgadas do suposto esconderijo n\u00e3o mostraram marcas de bala nem manchas de sangue nas paredes, mas mesmo assim bastaram para enganar o p\u00fablico em geral, leigo em quest\u00f5es militares. Para quem conhece o funcionamento do imperialismo estadunidense, \u00e9 bastante razo\u00e1vel a suposi\u00e7\u00e3o de que o paradeiro de Osama j\u00e1 era conhecido h\u00e1 bastante tempo, os Estados Unidos j\u00e1 sabiam de sua localiza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 o tinham capturado ou mesmo morto, e a divulga\u00e7\u00e3o de sua morte obedeceu a um crit\u00e9rio de pura conveni\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista da pol\u00edtica interna estadunidense e das vicissitudes da popularidade de Obama, o momento escolhido para divulgar a morte do inimigo faz algum sentido, mas n\u00e3o no que se refere \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica internacional. Primeiramente, o an\u00fancio dessa fa\u00e7anha demonstra o mais completo desrespeito pelas regras elementares da democracia que os Estados Unidos dizem defender. O mais correto seria levar Osama a julgamento pelos seus crimes, de prefer\u00eancia numa corte internacional, como forma pedag\u00f3gica de dissuadir poss\u00edveis simpatizantes a seguir seu exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas os Estados Unidos n\u00e3o d\u00e3o a menor import\u00e2ncia para essas formalidades, pois nem sequer reconhecem as cortes internacionais. N\u00e3o o fazem, pois do contr\u00e1rio teriam que admitir que seus militares e agentes de intelig\u00eancia sejam julgados pelos crimes que cometem diariamente, vide as revela\u00e7\u00f5es do Wikileaks. Os Estados Unidos nem sequer se envergonham em admitir que Osama foi morto no Paquist\u00e3o, ou seja, admitem abertamente que violaram a soberania de um outro pa\u00eds para perseguir seus inimigos. Mais grave at\u00e9 do que isso, admitem que a informa\u00e7\u00e3o sobre o paradeiro de Osama foi obtida por meio de tortura, tal como se denuncia corriqueiramente sobre o que se passa nas pris\u00f5es ilegais em Guant\u00e1namo e outras localidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de confessar o mais completo desprezo pelas normas do direito, da legalidade e da democracia que os Estados Unidos cinicamente dizem defender, o an\u00fancio da morte de Osama n\u00e3o tem tamb\u00e9m nenhum efeito importante no que se refere a influenciar a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e norte da \u00c1frica. Isso porque a influ\u00eancia da Al Qaeda, do terrorismo e do fundamentalismo isl\u00e2mico em geral j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais nem uma sombra do que foi em outros momentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio de 2011, o Oriente M\u00e9dio e norte da \u00c1frica est\u00e3o sendo abalados por uma onda de revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, que est\u00e3o sacudindo e derrubando governos subservientes aos Estados Unidos em v\u00e1rios pa\u00edses. Governantes que se mantinham no poder h\u00e1 d\u00e9cadas, gra\u00e7as ao terror de estado, leis de exce\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o e autoritarismo, que praticavam a mais aberta corrup\u00e7\u00e3o e saque de seus povos, est\u00e3o sendo questionados e derrubados por multitudin\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es. Trata-se da maior e mais radical mobiliza\u00e7\u00e3o social das \u00faltimas d\u00e9cadas no mundo, num processo complexo, que ainda est\u00e1 em aberto e se manifesta com uma s\u00e9rie de desigualdades entre os diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a quest\u00e3o pol\u00edtica mais importante \u00e9 que o que est\u00e1 por tr\u00e1s desse processo de mobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o fundamentalismo isl\u00e2mico, nem o terrorismo, nem muito menos a Al Qaeda e Bin Laden. N\u00e3o foram essas for\u00e7as que derrubaram Ben Ali na Tun\u00edsia nem Mubarak no Egito e que est\u00e3o impulsionando as mobiliza\u00e7\u00f5es nos demais pa\u00edses. A influ\u00eancia pol\u00edtica dessas correntes no processo foi completamente marginal. O que determinou a queda dos odiados ditadores foi a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, da juventude e da popula\u00e7\u00e3o em geral. N\u00e3o foram os l\u00edderes fundamentalistas e os terroristas que levaram as massas populares \u00e0s ruas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Oriente M\u00e9dio e norte da \u00c1frica abrigam popula\u00e7\u00f5es com uma imensa porcentagem de jovens abaixo dos 30 anos, que vai da metade a dois ter\u00e7os em v\u00e1rios pa\u00edses, com uma taxa de desemprego alt\u00edssima, especialmente nessa faixa et\u00e1ria, e que enfrentam uma violenta deteriora\u00e7\u00e3o nas suas condi\u00e7\u00f5es de vida devido \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, que se manifesta especialmente no aumento do pre\u00e7o dos alimentos. Essa mistura de popula\u00e7\u00f5es majoritariamente jovens e sem perspectivas em pa\u00edses extremamente pobres, atingidos pela carestia e pela crise, governados por dirigentes corruptos e autorit\u00e1rios, \u00e9 o que explica o processo de revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em curso. Esse processo est\u00e1 inclusive se espalhando para os pa\u00edses ainda mais pobres da \u00c1frica subsaariana, em v\u00e1rios dos quais j\u00e1 se vive uma situa\u00e7\u00e3o de conflagra\u00e7\u00e3o social quase aberta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se, no fundo, de consequ\u00eancias econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas da crise mundial iniciada em 2008. Contra essas consequ\u00eancias, os Estados Unidos, com seu poderio militar e midi\u00e1tico, ainda n\u00e3o t\u00eam o controle total. Ao matar Osama, os Estados Unidos chutaram um cachorro morto. Osama e o terrorismo j\u00e1 estavam politicamente derrotados e j\u00e1 haviam perdido a express\u00e3o h\u00e1 muito tempo. Para o azar do imperialismo e para sorte dos trabalhadores, as mobiliza\u00e7\u00f5es prosseguem e se espalham, e n\u00e3o t\u00eam Bin Laden e o terrorismo como inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O que ainda est\u00e1 ausente \u00e9 a consci\u00eancia da necessidade de lutar n\u00e3o apenas contra os ditadores de plant\u00e3o, mas contra o sistema capitalista que eles defendem e seus amos internacionais, como os Estados Unidos. O surgimento dessa consci\u00eancia e de organiza\u00e7\u00f5es que defendam um programa socialista entre os trabalhadores \u00e9 uma possibilidade que surge na pr\u00f3pria luta, e que, caso se manifeste, n\u00e3o ser\u00e1 evitada por golpes publicit\u00e1rios<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b><a name=\"titulo7\"><\/a>UMA NOVA SITUA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA MUNDIAL<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os processos de mobiliza\u00e7\u00e3o da Europa, do Norte da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio s\u00e3o os principais acontecimentos de um novo momento pol\u00edtico e que podem, a depender do desenvolvimento dessas lutas, mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes sociais em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 nesses processos tr\u00eas elementos que merecem destaque: 1) o ressurgimento de grandes mobiliza\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses centrais; 2) as reivindica\u00e7\u00f5es no continente africano e Oriente M\u00e9dio s\u00e3o pol\u00edticas (numa regi\u00e3o com importante papel da religi\u00e3o) e 3) em alguns lugares, notadamente no Egito, o proletariado industrial se colocou em a\u00e7\u00e3o com reivindica\u00e7\u00f5es e formas embrion\u00e1rias de organiza\u00e7\u00e3o independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas mobiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o parte de um processo geral de experi\u00eancias que os trabalhadores est\u00e3o fazendo com o neoliberalismo e que teve o seu cume na Am\u00e9rica Latina no in\u00edcio dos anos 2000 desencadeando um novo ciclo de lutas que agora se expande para os pa\u00edses centrais da Europa e outros pa\u00edses perif\u00e9ricos como Egito, I\u00eamen, etc.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">\u00a0<b>A crise econ\u00f4mica \u00e9 a base real desse processo<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para responder \u00e0 crise a burguesia desencadeou uma s\u00e9rie de ataques aos trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Europa ocorreram cortes nos gastos com os servi\u00e7os p\u00fablicos, redu\u00e7\u00e3o de direitos (com mudan\u00e7as na forma e na idade para aposentadoria), demiss\u00f5es em massa, aumento da extra\u00e7\u00e3o de mais valia relativa (novas tecnologias e formas de gerenciamento da produ\u00e7\u00e3o) e absoluta (um exemplo: aumento do ritmo de trabalho), mudan\u00e7a do papel do Estado (resultando, por exemplo, na obrigatoriedade de que parte do ensino superior passe a ser pago), etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um proletariado acostumado a viver sob o \u201cEstado do bem estar social\u201d esse n\u00edvel de perda de direitos representa uma queda brusca na qualidade de vida e \u00e9 isso que o tem levado \u00e0s ruas. S\u00e3o efeitos diretos que exp\u00f5em com intensidade as contradi\u00e7\u00f5es da economia em uma das regi\u00f5es mais importantes para o capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos demais pa\u00edses a instabilidade pol\u00edtica tamb\u00e9m \u00e9 produto da crise econ\u00f4mica mundial. A busca por uma solu\u00e7\u00e3o mais duradoura para a crise tem obrigado os pa\u00edses centrais a disputarem a fundo o mercado mundial. Isso se materializa em medidas que pressionam os pa\u00edses perif\u00e9ricos a abrirem seus mercados como espa\u00e7os para produ\u00e7\u00e3o com menor custo (leia-se aumento da extra\u00e7\u00e3o da mais valia) a fim de manterem a explora\u00e7\u00e3o internacionalizada e a disputa por uma melhor posi\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorre que, mesmo aliadas ao imperialismo, as economias nacionais precisam tamb\u00e9m disputar uma parte desse mercado mundial. No entanto, como a disputa \u00e9 cada vez mais acirrada fazem-se necess\u00e1rias medidas que garantam produtos competitivos e na economia capitalista isso \u00e9 poss\u00edvel somente com o aumento da explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como resultados dessa situa\u00e7\u00e3o temos o desemprego, piores condi\u00e7\u00f5es de vida, menores sal\u00e1rios, etc. E foram exatamente esses resultados que levaram os trabalhadores do I\u00eamen, Tun\u00edsia, Egito, L\u00edbia, S\u00edria, etc., \u00e0s ruas contra as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida e seus ditadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro elemento importante e relacionado \u00e0 situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 a crise de alimentos que se abateu sobre o mundo e em especial nessa regi\u00e3o. Boa parte da planta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola mundial (commodities) \u00e9 voltada para a produ\u00e7\u00e3o de energia (etanol, por exemplo) e para a ra\u00e7\u00e3o animal. Isso faz com que, consequentemente, parte importante da popula\u00e7\u00e3o mundial passe fome. Situa\u00e7\u00e3o particularmente grave em pa\u00edses como Egito, I\u00eamen e L\u00edbia.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">\u00a0<b>O novo: a disposi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dos trabalhadores<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os anos 90 e 2000 o neoliberalismo se consolidou como modelo de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica do capitalismo. Milh\u00f5es de trabalhadores no mundo foram convencidos de poss\u00edveis benef\u00edcios das privatiza\u00e7\u00f5es, da necessidade de recuarem em alguns direitos, de menor presen\u00e7a do Estado com os gastos p\u00fablicos e de que o suposto \u201clivre mercado\u201d \u00e9 o modelo ideal de sociedade. E dessa forma, praticamente nenhum pa\u00eds do mundo esteve livre das medidas neoliberais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos notar o aumento da submiss\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica de v\u00e1rios pa\u00edses (ou governos) aos pa\u00edses imperialistas. No aspecto econ\u00f4mico houve o aumentou da transfer\u00eancia de valores para os pa\u00edses do centro. Todas essas rela\u00e7\u00f5es foram mantidas em situa\u00e7\u00f5es de extrema desvantagem para os pa\u00edses da periferia e j\u00e1 demonstraram que sob o neoliberalismo o mundo ficou muito pior para o trabalhador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, mesmo com o sacrif\u00edcio de milh\u00f5es de trabalhadores o que temos visto \u00e9 o crescimento das desigualdades sociais, da retirada de direitos e, inclusive, do aprofundamento ou da retomada de formas de recoloniza\u00e7\u00e3o de pa\u00edses perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a atual crise o fr\u00e1gil equil\u00edbrio da economia capitalista escancarou diversas contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais que atingem as v\u00e1rias partes do planeta.\u00a0\u00a0Como parte desse processo d\u00e1-se a experi\u00eancia dos trabalhadores com o neoliberalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Europa, as lutas da classe trabalhadora s\u00e3o para defender e manter algumas conquistas como a aposentadoria, as f\u00e9rias, os servi\u00e7os de sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, evitar cortes nos gastos p\u00fablicos e outros direitos que est\u00e3o sendo perseguidos pelos atuais governos, dispostos a utilizar o dinheiro p\u00fablico para socorrer com maior efici\u00eancia as empresas e bancos privados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 muito importante para a classe trabalhadora quando o proletariado de um pa\u00eds central e com experi\u00eancia de mais de um s\u00e9culo de luta se coloca em movimento para enfrentar o projeto da burguesia, pois podem servir de motiva\u00e7\u00e3o para os trabalhadores de outros pa\u00edses, al\u00e9m de demonstrar que a engrenagem do capital mudializado pode ser destru\u00edda caso a gera\u00e7\u00e3o de riqueza seja interrompida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizemos isso porque derrotar a pol\u00edtica do imperialismo europeu pode levar \u00e0 ruptura da \u201cestabilidade\u201d, j\u00e1 seriamente abalada, da pol\u00edtica neoliberal e criar condi\u00e7\u00f5es para vit\u00f3rias nas pr\u00f3ximas lutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso dos pa\u00edses do Norte da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio destacamos que os\u00a0\u201celementos desse ciclo, com express\u00f5es mais ou menos avan\u00e7adas de pa\u00eds para pa\u00eds, s\u00e3o: a queda brusca de ditaduras hist\u00f3ricas a partir da a\u00e7\u00e3o direta e da organiza\u00e7\u00e3o das massas; Participa\u00e7\u00e3o dos setores da classe trabalhadora no processo; a crise e divis\u00e3o das for\u00e7as armadas com a dificuldade para a repress\u00e3o direta aos movimentos; a conquista de v\u00e1rias liberdades democr\u00e1ticas e de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das massas em geral; a transi\u00e7\u00e3o mais ou menos r\u00e1pida para regimes democr\u00e1tico-burgueses com a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es\u201d\u00a0<b>(<\/b><i>Resolu\u00e7\u00f5es Confer\u00eancia ES 2011<\/i>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso que reafirmamos que a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 distinta, que houve uma mudan\u00e7a quantitativa e qualitativa na situa\u00e7\u00e3o da luta de classes em n\u00edvel mundial. \u00c9 nesse marco que deve se destacar o surgimento de um elemento ausente na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica anterior que \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em sa\u00edrem \u00e0s ruas, em realizar greves, em enfrentar a repress\u00e3o, ou seja, se colocar no cen\u00e1rio como for\u00e7a pol\u00edtica independente da burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Contradi\u00e7\u00f5es e limites:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) S\u00e3o lutas defensivas, ou seja, tentam resguardar os direitos que foram conquistados no passado. Um aspecto da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e9 a importante ofensiva do imperialismo contra trabalhadores do mundo inteiro, inclusive dos pa\u00edses centrais. Nessa ofensiva, v\u00e1rios direitos conquistados com muita luta foram seriamente amea\u00e7ados. Agora, diante do agravamento da crise sofremos nova ofensiva. Infelizmente n\u00e3o s\u00e3o lutas para novas conquistas como a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho ou novos direitos sociais. No entanto, a classe trabalhadora insiste em defender direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) No caso do Norte da \u00c1frica, a falta de uma tradi\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o de lutas da classe trabalhadora e a crise de alternativa socialista (os trabalhadores ainda n\u00e3o v\u00eaem a possibilidade da constru\u00e7\u00e3o de alguma alternativa de sociedade ao capitalismo) s\u00e3o dois elementos que facilitaram a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do imperialismo \u2013 sobretudo o americano \u2013 que para n\u00e3o perder o controle passou a intervir politicamente e militarmente nesses conflitos, mesmo sustentando as ditaduras mais sanguin\u00e1rias da regi\u00e3o com bandeiras da democracia.\u00a0\u00a0Com isso conseguiu desviar, parte do desgaste, para os governos locais e evitar, ao menos temporariamente, um desgaste expl\u00edcito de sua pol\u00edtica;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) Considerar a import\u00e2ncia dessas lutas para a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial \u00e9 fundamental, mas \u00e9 necess\u00e1rio destacarmos os limites, pelas raz\u00f5es j\u00e1 expostas, pois esses movimentos esbarram na aus\u00eancia de um projeto socialista. A consci\u00eancia cr\u00edtica m\u00e9dia acha que os problemas econ\u00f4micos e pol\u00edticos s\u00e3o por responsabilidade do governante ou que as medidas de austeridade s\u00e3o \u201cinjusti\u00e7as\u201d, ou seja, que s\u00e3o problemas de administra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o do pr\u00f3prio sistema de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<b>Novas oportunidades para a esquerda<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando os trabalhadores fazem greves, passeatas na luta por sal\u00e1rios ou contra a pol\u00edtica de um governo, etc. s\u00e3o momentos em que as condi\u00e7\u00f5es para que as propostas dos trabalhadores e movimentos de Esquerda sejam ouvidas e melhor compreendidas, pois fazem a experi\u00eancia pr\u00e1tica de que quando param de produzir tudo pode parar e de que \u00e9 a sua for\u00e7a unida \u00e0 de outros trabalhadores que produz toda riqueza. Trabalhadores em movimento formam um campo f\u00e9rtil para as id\u00e9ias socialistas e \u00e9 por isso que a burguesia tem tanto medo de trabalhadores mobilizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que \u00e9 de qualidade esse ciclo de lutas porque, pois se abre melhores condi\u00e7\u00f5es para a propaganda socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a propaganda revolucion\u00e1ria deve cumprir o papel fundamental de explicar a necessidade de que esse movimento, contra as ditaduras e em defesa das condi\u00e7\u00f5es de vida, avance para reivindica\u00e7\u00f5es que questionem o pr\u00f3prio sistema capitalista que mant\u00e9m essas ditaduras e essas condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Leia as mat\u00e9rias online: Crescem a economia e os lucros da<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=280"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6462,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280\/revisions\/6462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}