{"id":285,"date":"2013-01-03T20:36:25","date_gmt":"2013-01-03T22:36:25","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/285"},"modified":"2014-07-24T20:57:20","modified_gmt":"2014-07-24T23:57:20","slug":"nota-do-espaco-socialista-em-repudio-a-internacao-compulsoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/01\/nota-do-espaco-socialista-em-repudio-a-internacao-compulsoria\/","title":{"rendered":"Nota do Espa\u00e7o Socialista em rep\u00fadio \u00e0 interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>07\/08\/2011<\/p>\n<p><b><br \/>\n<\/b><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Durante meses temos visto a m\u00eddia burguesa tentando horrorizar o povo por meio de seus notici\u00e1rios, especiais e demais programas apelativos e invasivos abordando a popula\u00e7\u00e3o de rua usu\u00e1ria de crack e de outras drogas, inclusive crian\u00e7as e adolescentes e selecionando cenas do cotidiano da cracol\u00e2ndia paulista, veiculando assim imagens que mostram somente recortes da vida daquelas pessoas em seus piores momentos, como se elas n\u00e3o tivessem vida para al\u00e9m daqueles <span>instantes<\/span>, muito menos vontade pr\u00f3pria.<\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Por tr\u00e1s dessa falsa preocupa\u00e7\u00e3o da burguesia e de seu Estado com a vida dessas pessoas em situa\u00e7\u00e3o de risco, os governos est\u00e3o criando a pol\u00edtica de interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, retirando pessoas \u00e0 for\u00e7a das ruas e internando em cl\u00ednicas de reabilita\u00e7\u00e3o. Uma an\u00e1lise mais profunda dessa pol\u00edtica \u00e9 necess\u00e1ria para que se entenda a sua verdadeira motiva\u00e7\u00e3o, <span>que \u00e9 a de<\/span> defender interesses meramente econ\u00f4micos e pol\u00edticos de uma minoria.<\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Para fingir que se importam e ao mesmo tempo firmarem suas alian\u00e7as com a burguesia, os governos favorecem um setor espec\u00edfico dela, os propriet\u00e1rios de cl\u00ednicas de reabilita\u00e7\u00e3o. Em S\u00e3o Paulo, antes mesmo de consultar o povo e os trabalhadores do servi\u00e7o social, os contratos com as cl\u00ednicas de reabilita\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o fechados e as brechas na lei estudadas, mostrando claramente que o interesse da burguesia em lucrar com a situa\u00e7\u00e3o se sobrep\u00f5e a qualquer suposta preocupa\u00e7\u00e3o com o povo das ruas.<\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Os projetos de revitaliza\u00e7\u00e3o do centro novo de S\u00e3o Paulo j\u00e1 mostram h\u00e1 tempos a que vieram. A interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria representa tamb\u00e9m mais uma das pol\u00edticas higienistas que visam \u201climpar\u201d o centro da cidade, abrindo espa\u00e7o para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e o aproveitamento lucrativo daquelas \u00e1reas atualmente consideradas pelos empres\u00e1rios como subaproveitadas. Sabemos tamb\u00e9m que os grandes centros urbanos do pa\u00eds se preparam para ser uma vitrine <span>do Brasil perante o <\/span>mundo para a Copa e as Olimp\u00edadas, e a presen\u00e7a dos moradores de rua n\u00e3o ajuda o governo a esconder a desigualdade social.<\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>No Rio de Janeiro a pol\u00edtica j\u00e1 est\u00e1 sendo aplicada e o que vemos s\u00e3o policiais de armas em punho retirando moradores de rua \u00e0 for\u00e7a e indiscriminadamente dos locais em que se encontram, inclusive impondo-lhes um toque de recolher<span>, de modo que<\/span> qualquer crian\u00e7a ou adolescente encontrada na rua \u00e0 noite pode ser capturada. Voltamos aos ditames semelhantes \u00e0 \u00e9poca da ditadura militar.<\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>A contradi\u00e7\u00e3o entre discurso e pr\u00e1tica \u00e9 t\u00e3o n\u00edtida que a pol\u00edtica de interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria alega querer resolver um problema social mas o faz na base da viol\u00eancia e ignorando os motivos pelos quais uma pessoa por exemplo chega ao ponto de frequentar a<span>\u00a0 <\/span>cracol\u00e2ndia. Essas crian\u00e7as e adolescentes moradores das ruas, alvo da pol\u00edtica de <span>interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria<\/span>, s\u00e3o ex-moradores das periferias, filhos de trabalhadores, e j\u00e1 sofreram anteriormente em suas casas viol\u00eancias, abuso sexual, priva\u00e7\u00f5es materiais, v\u00e1rios tipos de explora\u00e7\u00e3o e uma s\u00e9rie de outras viola\u00e7\u00f5es de seus direitos fundamentais; s\u00e3o, portanto, produto da mis\u00e9ria que alimenta a sociedade capitalista. For\u00e7\u00e1-los a uma interna\u00e7\u00e3o e depois jog\u00e1-los novamente nas ruas ou em suas antigas casas n\u00e3o tira de suas vidas a mis\u00e9ria e as consequentes viol\u00eancias que a acompanham, obrigando-os a retomarem o ciclo de sobreviv\u00eancia anterior, que inclui o uso de drogas, o tr\u00e1fico, o roubo e a prostitui\u00e7\u00e3o e as ruas como moradia.<\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>A m\u00eddia tenta jogar a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora contra os usu\u00e1rios de droga moradores de rua, animalizando sua imagem na televis\u00e3o e generalizando seu comportamento, atribuindo-lhes <span>um<\/span> padr\u00e3o violento <span>de comportamento<\/span> e apontando o roubo como <span>uma suposta pr\u00e1tica sistem\u00e1tica dessa popula\u00e7\u00e3o<\/span>. Ambos s\u00e3o mentiras, pois \u00e9 cient\u00edficamente provado que o crack, por exemplo, n\u00e3o desencadeia comportamentos violentos no usu\u00e1rio e quem conhece a vida destas crian\u00e7as e adolescentes sabe que nas ruas o roubo \u00e9 muito menos praticado como meio de vida e de sustentar o v\u00edcio do que a mendi\u00e7\u00e2ncia e a prostitui\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Sabemos que o munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo tem uma rede de assit\u00eancia social que funciona muito mal, na base de parcerias com ONGs, pautada no emprego de postos precarizados de trabalho e com uma estrutura enxuta e <span>insuficiente,<\/span> e que n\u00e3o ser\u00e1 dado respaldo algum a essas crian\u00e7as e adolescentes depois que sa\u00edrem das cl\u00ednicas. Sabemos tamb\u00e9m que o Estado n\u00e3o oferecer\u00e1 garantias de uma vida melhor a estas crian\u00e7as ap\u00f3s o tratamento, n\u00e3o oferecer\u00e1 moradia, nem trabalho, nem escola de qualidade, nem nada, reservando a eles a mesma mis\u00e9ria de antes da interna\u00e7\u00e3o. <span>\u00c9 necess\u00e1rio humanizar o tratamento aos dependentes de drogas, mas para isso seria preciso que tiv\u00e9ssemos uma assist\u00eancia social muito melhor equipada, o que n\u00e3o est\u00e1 nos planos da burguesia.<\/span><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>A abordagem sistem\u00e1tica e insistente da m\u00eddia a temas relacionados \u00e0 quest\u00e3o evidencia uma tentativa de convencer os trabalhadores a legitimar esta interna\u00e7\u00e3o complus\u00f3ria e jog\u00e1-los contra o povo morador das ruas. Pol\u00edticas autorit\u00e1rias como estas n\u00e3o servem aos trabalhadores e s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es que mostram que as tend\u00eancias de ultradireita est\u00e3o retomando a for\u00e7a e esta <span>\u00e9 mais um exemplo da <\/span>s\u00e9rie. <span>A prioridade dos governos burgueses \u00e9 reativar a economia capitalista, que no n\u00edvel mundial n\u00e3o saiu da crise. No Brasil, o governo e os patr\u00f5es n\u00e3o querem permitir qualquer sinal de rebeldia ou insatisfa\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores ter\u00e3o que ser disciplinados \u00e0 for\u00e7a, se preciso. <\/span>A repress\u00e3o \u00e9 ferramenta da burguesia e s\u00f3 a ela serve, aos trabalhadores ela s\u00f3 vitimiza e massacra.<\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>N\u00e3o somos defensores das drogas e encaramos seu uso por estas crian\u00e7as e adolescentes nas ruas como produto da mis\u00e9ria societal capitalista da qual s\u00e3o v\u00edtimas. O capitalismo vive da explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora pela burguesia e o povo das ruas nem a esta explora\u00e7\u00e3o serve, portanto \u00e9 tratado com mais brutalidade ainda, \u00e9 mais criminalizado e massacrado. N\u00f3s, trabalhadores, n\u00e3o podemos legitimar este massacre, e por isso mostramos nosso total rep\u00fadio \u00e0 pol\u00edtica de interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria. Pelo fim da interna\u00e7\u00e3o complus\u00f3ria no Rio de Janeiro e pela n\u00e3o aprova\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo e em nenhum lugar do pa\u00eds! Pela garantia de moradia digna, por sal\u00e1rio digno, por sistemas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicos, gratuitos e de qualidade <span>para todos,<\/span> <span>para que ningu\u00e9m tenha que viver nas ruas<\/span>! Em defesa da vida dos moradores de rua e da classe trabalhadora, na luta por uma sociedade sem viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o, pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista!<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\">Espa\u00e7o Socialista<\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span>Agosto de 2011<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n<p>07\/08\/2011<\/p>\n<p><b><br \/>\n<\/b><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Durante meses temos visto a m&iacute;dia burguesa tentando horrorizar o povo por meio de seus notici&aacute;rios, especiais e demais programas apelativos e invasivos abordando a popula&ccedil;&atilde;o de rua usu&aacute;ria de crack e de outras drogas, inclusive crian&ccedil;as e adolescentes e selecionando cenas do cotidiano da cracol&acirc;ndia paulista, veiculando assim imagens que mostram somente recortes da vida daquelas pessoas em seus piores momentos, como se elas n&atilde;o tivessem vida para al&eacute;m daqueles <span>instantes<\/span>, muito menos vontade pr&oacute;pria.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Por tr&aacute;s dessa falsa preocupa&ccedil;&atilde;o da burguesia e de seu Estado com a vida dessas pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de risco, os governos est&atilde;o criando a pol&iacute;tica de interna&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria, retirando pessoas &agrave; for&ccedil;a das ruas e internando em cl&iacute;nicas de reabilita&ccedil;&atilde;o. Uma an&aacute;lise mais profunda dessa pol&iacute;tica &eacute; necess&aacute;ria para que se entenda a sua verdadeira motiva&ccedil;&atilde;o, <span>que &eacute; a de<\/span> defender interesses meramente econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos de uma minoria.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Para fingir que se importam e ao mesmo tempo firmarem suas alian&ccedil;as com a burguesia, os governos favorecem um setor espec&iacute;fico dela, os propriet&aacute;rios de cl&iacute;nicas de reabilita&ccedil;&atilde;o. Em S&atilde;o Paulo, antes mesmo de consultar o povo e os trabalhadores do servi&ccedil;o social, os contratos com as cl&iacute;nicas de reabilita&ccedil;&atilde;o j&aacute; est&atilde;o fechados e as brechas na lei estudadas, mostrando claramente que o interesse da burguesia em lucrar com a situa&ccedil;&atilde;o se sobrep&otilde;e a qualquer suposta preocupa&ccedil;&atilde;o com o povo das ruas.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Os projetos de revitaliza&ccedil;&atilde;o do centro novo de S&atilde;o Paulo j&aacute; mostram h&aacute; tempos a que vieram. A interna&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria representa tamb&eacute;m mais uma das pol&iacute;ticas higienistas que visam &ldquo;limpar&rdquo; o centro da cidade, abrindo espa&ccedil;o para a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria e o aproveitamento lucrativo daquelas &aacute;reas atualmente consideradas pelos empres&aacute;rios como subaproveitadas. Sabemos tamb&eacute;m que os grandes centros urbanos do pa&iacute;s se preparam para ser uma vitrine <span>do Brasil perante o <\/span>mundo para a Copa e as Olimp&iacute;adas, e a presen&ccedil;a dos moradores de rua n&atilde;o ajuda o governo a esconder a desigualdade social.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>No Rio de Janeiro a pol&iacute;tica j&aacute; est&aacute; sendo aplicada e o que vemos s&atilde;o policiais de armas em punho retirando moradores de rua &agrave; for&ccedil;a e indiscriminadamente dos locais em que se encontram, inclusive impondo-lhes um toque de recolher<span>, de modo que<\/span> qualquer crian&ccedil;a ou adolescente encontrada na rua &agrave; noite pode ser capturada. Voltamos aos ditames semelhantes &agrave; &eacute;poca da ditadura militar.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A contradi&ccedil;&atilde;o entre discurso e pr&aacute;tica &eacute; t&atilde;o n&iacute;tida que a pol&iacute;tica de interna&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria alega querer resolver um problema social mas o faz na base da viol&ecirc;ncia e ignorando os motivos pelos quais uma pessoa por exemplo chega ao ponto de frequentar a<span>&nbsp; <\/span>cracol&acirc;ndia. Essas crian&ccedil;as e adolescentes moradores das ruas, alvo da pol&iacute;tica de <span>interna&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria<\/span>, s&atilde;o ex-moradores das periferias, filhos de trabalhadores, e j&aacute; sofreram anteriormente em suas casas viol&ecirc;ncias, abuso sexual, priva&ccedil;&otilde;es materiais, v&aacute;rios tipos de explora&ccedil;&atilde;o e uma s&eacute;rie de outras viola&ccedil;&otilde;es de seus direitos fundamentais; s&atilde;o, portanto, produto da mis&eacute;ria que alimenta a sociedade capitalista. For&ccedil;&aacute;-los a uma interna&ccedil;&atilde;o e depois jog&aacute;-los novamente nas ruas ou em suas antigas casas n&atilde;o tira de suas vidas a mis&eacute;ria e as consequentes viol&ecirc;ncias que a acompanham, obrigando-os a retomarem o ciclo de sobreviv&ecirc;ncia anterior, que inclui o uso de drogas, o tr&aacute;fico, o roubo e a prostitui&ccedil;&atilde;o e as ruas como moradia.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A m&iacute;dia tenta jogar a popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora contra os usu&aacute;rios de droga moradores de rua, animalizando sua imagem na televis&atilde;o e generalizando seu comportamento, atribuindo-lhes <span>um<\/span> padr&atilde;o violento <span>de comportamento<\/span> e apontando o roubo como <span>uma suposta pr&aacute;tica sistem&aacute;tica dessa popula&ccedil;&atilde;o<\/span>. Ambos s&atilde;o mentiras, pois &eacute; cient&iacute;ficamente provado que o crack, por exemplo, n&atilde;o desencadeia comportamentos violentos no usu&aacute;rio e quem conhece a vida destas crian&ccedil;as e adolescentes sabe que nas ruas o roubo &eacute; muito menos praticado como meio de vida e de sustentar o v&iacute;cio do que a mendi&ccedil;&acirc;ncia e a prostitui&ccedil;&atilde;o, por exemplo.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Sabemos que o munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo tem uma rede de assit&ecirc;ncia social que funciona muito mal, na base de parcerias com ONGs, pautada no emprego de postos precarizados de trabalho e com uma estrutura enxuta e <span>insuficiente,<\/span> e que n&atilde;o ser&aacute; dado respaldo algum a essas crian&ccedil;as e adolescentes depois que sa&iacute;rem das cl&iacute;nicas. Sabemos tamb&eacute;m que o Estado n&atilde;o oferecer&aacute; garantias de uma vida melhor a estas crian&ccedil;as ap&oacute;s o tratamento, n&atilde;o oferecer&aacute; moradia, nem trabalho, nem escola de qualidade, nem nada, reservando a eles a mesma mis&eacute;ria de antes da interna&ccedil;&atilde;o. <span>&Eacute; necess&aacute;rio humanizar o tratamento aos dependentes de drogas, mas para isso seria preciso que tiv&eacute;ssemos uma assist&ecirc;ncia social muito melhor equipada, o que n&atilde;o est&aacute; nos planos da burguesia.<\/span><o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A abordagem sistem&aacute;tica e insistente da m&iacute;dia a temas relacionados &agrave; quest&atilde;o evidencia uma tentativa de convencer os trabalhadores a legitimar esta interna&ccedil;&atilde;o complus&oacute;ria e jog&aacute;-los contra o povo morador das ruas. Pol&iacute;ticas autorit&aacute;rias como estas n&atilde;o servem aos trabalhadores e s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es que mostram que as tend&ecirc;ncias de ultradireita est&atilde;o retomando a for&ccedil;a e esta <span>&eacute; mais um exemplo da <\/span>s&eacute;rie. <span>A prioridade dos governos burgueses &eacute; reativar a economia capitalista, que no n&iacute;vel mundial n&atilde;o saiu da crise. No Brasil, o governo e os patr&otilde;es n&atilde;o querem permitir qualquer sinal de rebeldia ou insatisfa&ccedil;&atilde;o. Os trabalhadores ter&atilde;o que ser disciplinados &agrave; for&ccedil;a, se preciso. <\/span>A repress&atilde;o &eacute; ferramenta da burguesia e s&oacute; a ela serve, aos trabalhadores ela s&oacute; vitimiza e massacra.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\"><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>N&atilde;o somos defensores das drogas e encaramos seu uso por estas crian&ccedil;as e adolescentes nas ruas como produto da mis&eacute;ria societal capitalista da qual s&atilde;o v&iacute;timas. O capitalismo vive da explora&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora pela burguesia e o povo das ruas nem a esta explora&ccedil;&atilde;o serve, portanto &eacute; tratado com mais brutalidade ainda, &eacute; mais criminalizado e massacrado. N&oacute;s, trabalhadores, n&atilde;o podemos legitimar este massacre, e por isso mostramos nosso total rep&uacute;dio &agrave; pol&iacute;tica de interna&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria. Pelo fim da interna&ccedil;&atilde;o complus&oacute;ria no Rio de Janeiro e pela n&atilde;o aprova&ccedil;&atilde;o em S&atilde;o Paulo e em nenhum lugar do pa&iacute;s! Pela garantia de moradia digna, por sal&aacute;rio digno, por sistemas de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicos, gratuitos e de qualidade <span>para todos,<\/span> <span>para que ningu&eacute;m tenha que viver nas ruas<\/span>! Em defesa da vida dos moradores de rua e da classe trabalhadora, na luta por uma sociedade sem viol&ecirc;ncia e explora&ccedil;&atilde;o, pela constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade socialista!<o:p><\/o:p><\/p>\n<\/div>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\">Espa&ccedil;o Socialista<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"Standard\" style=\"text-align:justify;text-justify:inter-ideograph\"><span>Agosto de 2011<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=285"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3198,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285\/revisions\/3198"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}