{"id":2897,"date":"2014-03-25T08:44:19","date_gmt":"2014-03-25T11:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2897"},"modified":"2018-06-01T16:05:30","modified_gmt":"2018-06-01T19:05:30","slug":"jornal-66-marcoabril-de-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/03\/jornal-66-marcoabril-de-2014\/","title":{"rendered":"Jornal 66: Mar\u00e7o\/Abril de 2014"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2898\" aria-describedby=\"caption-attachment-2898\" style=\"width: 180px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/jornal-66.pdf\" rel=\"attachment wp-att-2898\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2898\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Capa_miniatura.jpg\" alt=\"Capa_miniatura\" width=\"180\" height=\"256\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2898\" class=\"wp-caption-text\">Vers\u00e3o em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2897#titulo1\">Por uma campanha nacional e unificada contra a repress\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2897#titulo2\"><span style=\"line-height: 13px;\">50 anos do golpe militar no Brasil<\/span><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2897#titulo3\">Ditadura ou democracia burguesa autorit\u00e1ria?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2897#titulo4\">Entrevista com o oper\u00e1rio Severo sobre a resist\u00eancia \u00e0 ditadura<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2897#titulo5\">A escalada da viol\u00eancia contra a mulher<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2897#titulo6\">Greve da CNTE: oportunismo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2897#titulo7\">Ditadura, repress\u00e3o e import\u00e2ncia da juventude se organizar<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2897#titulo8\">As ditaduras na Am\u00e9rica Latina nos anos 70<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo1\"><\/a><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">EDITORIAL<\/span><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">Por uma campanha nacional e unificada contra a repress\u00e3o!!<\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pr\u00f3ximo dia 31 de mar\u00e7o completam 50 anos do golpe militar no Brasil. Foram anos de pris\u00f5es, repress\u00e3o, torturas, assassinatos e um sem n\u00famero de exilados. Ao contr\u00e1rio daquilo que a m\u00eddia tenta passar, foi uma ditadura feroz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta ditadura come\u00e7ou a ruir no final da d\u00e9cada de 70, primeiramente com a campanha pela anistia, ampla, geral e irrestrita com o movimento estudantil tomando v\u00e1rias iniciativas. Em 1978 entraria em cena a classe mais temida pela burguesia e pela ditadura, a classe oper\u00e1ria. As greves no ABC paulista logo se tornaram refer\u00eancia para os trabalhadores do pa\u00eds. De greve em greve, enfrentando a repress\u00e3o do ex\u00e9rcito, a televis\u00e3o, a poderosa FIESP (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de S\u00e3o Paulo) os movimentos foram minando a ditadura e conquistando na luta as liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na d\u00e9cada de 80, mais greves oper\u00e1rias (incluindo uma geral, que parou as principais cidades do pa\u00eds) e depois a campanha das diretas derrotaram por fim os militares. Por uma sa\u00edda negociada, em 1985 os milicos deixam o planalto e transferem o poder para Sarney (Tancredo, que seria o titular, morre um dia antes de tomar posse).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase 30 trinta ap\u00f3s o \u201cfim da ditadura\u201d a repress\u00e3o policial contra as manifesta\u00e7\u00f5es volta \u00e0 ordem do dia. Desde junho de 2013 os governos estaduais e o federal (PT, PSDB, PMDB, etc) passaram a mobilizar milhares de policiais para tentar conter as manifesta\u00e7\u00f5es, com pris\u00f5es, processos, inqu\u00e9ritos policiais, tudo isso combinado com uma campanha pela m\u00eddia burguesa de ataques aos manifestantes, tratando-nos como v\u00e2ndalos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1pice das a\u00e7\u00f5es repressivas aconteceu no ultimo dia 22 de fevereiro quando a PM paulista prendeu mais de 260 pessoas \u201cpreventivamente\u201d e para averigua\u00e7\u00e3o. Essa a\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o escandalosa que mesmo no atual ordenamento burgu\u00eas esse tipo de pris\u00e3o \u00e9 ilegal. Pessoas foram presas pelo simples fato de estarem na manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ocorrido demonstra a gravidade da situa\u00e7\u00e3o e do peso da repress\u00e3o sobre os movimentos sociais. O risco de pris\u00f5es mais severas e condena\u00e7\u00f5es contra militantes s\u00e3o iminentes. Sabemos que o aparato repressor do Estado burgu\u00eas forja provas, cria novas leis para enquadrar como crime as lutas sociais e tamb\u00e9m conta com a m\u00eddia para criar clamor social e legitimar a persegui\u00e7\u00e3o aos que lutam.<br \/>\nA chamada democracia burguesa no Brasil tem caracter\u00edsticas cada vez mais autocr\u00e1ticas e com limita\u00e7\u00f5es das liberdades democr\u00e1ticas. Garantir a realiza\u00e7\u00e3o da Copa do mundo \u00e9 s\u00f3 mais uma desculpa, at\u00e9 porque depois dela o aparato repressivo n\u00e3o vai ser dissolvido, pelo contr\u00e1rio, vai ser mantido. A compra milion\u00e1ria de blindados equipados com jato de \u00e1gua (colorida para identificar os militantes depois), bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e pimenta n\u00e3o \u00e9 para uso s\u00f3 na Copa, mas para aumentar o patrim\u00f4nio da repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa onda repressiva vai al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es policiais. As noticias s\u00e3o de v\u00e1rios processos administrativos contra ativistas e dirigentes sindicais do servi\u00e7o p\u00fablico, inclusive alguns com indica\u00e7\u00e3o de demiss\u00e3o s\u00f3 por conta de trabalhadores terem lutado contra o ass\u00e9dio moral no local de trabalho. Nas empresas privadas o instrumento \u00e9 a demiss\u00e3o. Nas universidades h\u00e1 todo tipo de persegui\u00e7\u00e3o contra estudantes e professores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro desse quadro \u00e9 urgente a realiza\u00e7\u00e3o de uma campanha nacional e unificada de todas as for\u00e7as de esquerda contra a repress\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 preciso tomar as ruas, ganhar a classe oper\u00e1ria para resistir \u00e0 repress\u00e3o, fazer uma grande campanha de massas, sob pena de \u2013 sem resist\u00eancia- a repress\u00e3o aumentar ainda mais a sua for\u00e7a. E neste momento fortalecer a convoca\u00e7\u00e3o do ato contra a Copa do dia 13 de mar\u00e7o em S\u00e3o Paulo \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que essa campanha passa pela realiza\u00e7\u00e3o de atos de rua; organiza\u00e7\u00e3o de comit\u00eas regionais e estaduais contra a repress\u00e3o; os sindicatos e demais entidades de luta disponibilizarem atendimento jur\u00eddico e financeiro (constituir um fundo) para a luta contra a criminaliza\u00e7\u00e3o; semin\u00e1rios; que as entidades fa\u00e7am v\u00eddeos; cartazes e panfletos para serem lan\u00e7ados \u00e0s m\u00eddias e aos locais de trabalho, estudo e esta\u00e7\u00f5es, etc.; que as entidades abordem esse tema permanentemente em seus materiais entre outras sempre bem-vindas atividades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste sentido o Espa\u00e7o Socialista j\u00e1 se coloca a disposi\u00e7\u00e3o para participar e ajudar a organizar essa campanha contra a repress\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; Contra a repress\u00e3o!<\/strong><br \/>\n<strong>&#8211; Contra as pris\u00f5es de ativistas e lutadores!<\/strong><br \/>\n<strong>&#8211; Arquivamento j\u00e1 de todos os processos criminais e administrativos persecut\u00f3rios aos que lutam!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">50 anos da ditadura militar no Brasil<\/span><\/h1>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">\u00a0<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 31 de mar\u00e7o desse ano, a ditadura militar brasileira ter\u00e1 completado cinquenta anos. Essa data deve marcar uma s\u00e9rie de reflex\u00f5es e de debates no pa\u00eds. Essas reflex\u00f5es, que j\u00e1 h\u00e1 algum tempo acontecem na historiografia e na filosofia, t\u00eam ficado restritas a um discurso sobre o uso da tortura, os direitos humanos ou os abusos de poder por parte dos militares e o apoio ou n\u00e3o da classe m\u00e9dia. Essas reflex\u00f5es s\u00e3o muito relevantes, mas precisamos refletir, no entanto, tamb\u00e9m sobre o car\u00e1ter capitalista-imperialista que nos levou \u00e0 ditadura brasileira e \u00e0s outras ditaduras na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso, para uma an\u00e1lise mais precisa, colocar o golpe militar brasileiro no contexto hist\u00f3rico de meados do s\u00e9culo XX, onde a bipolariza\u00e7\u00e3o do mundo entre capitalismo e regime \u201csocialista\u201d do leste europeu disputavam \u00e1reas de influ\u00eancias e algumas revolu\u00e7\u00f5es aconteciam ou pareciam estar por vir. A Am\u00e9rica Latina, que desde a Doutrina Monroe (a Am\u00e9rica para os americanos) estava sob o controle da \u00e1guia americana, viveu entre as d\u00e9cadas na segunda metade do s\u00e9culo XX v\u00e1rias ditaduras. Isso \u00e9 mais uma evidencia de que o golpe militar no Brasil n\u00e3o foi uma decis\u00e3o isolada de militares autorit\u00e1rios e com sede de sangue, foi antes uma decis\u00e3o orquestrada por interesses de setores da burguesia nacional e internacional, com apoio dos EUA, com participa\u00e7\u00e3o direta do coronel americano Vernon Walters e a total aprova\u00e7\u00e3o da USAID (Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o desenvolvimento internacional).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um contexto de guerra fria e com o recente sucesso da revolu\u00e7\u00e3o cubana, toda e qualquer medida de car\u00e1ter nacionalista ou que se opusesse minimamente \u00e0 l\u00f3gica do capitalismo de mercado se tornavam uma amea\u00e7a aos planos do capitalismo internacional. As reformas de base, propostas pelo populista Jo\u00e3o Goulart estavam entre essas \u201camea\u00e7as\u201d. Jango n\u00e3o era um socialista, jamais prop\u00f4s uma revolu\u00e7\u00e3o popular, mas suas propostas de reforma banc\u00e1ria e tribut\u00e1ria, embora n\u00e3o fossem radicais, eram contr\u00e1rias aos interesses de um capitalismo que n\u00e3o poderia mais garantir nenhum bem estar social, que deveria ser voltado exclusivamente para a efici\u00eancia do mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Goulart jamais falou em construir um pa\u00eds socialista, nem tentou dar golpes, suas propostas de reforma n\u00e3o eram anticonstitucionais e contavam com apoio de alguns setores da sociedade, sobretudo de estudantes. O Brasil vivia um clima democr\u00e1tico, e essas reformas eram amplamente debatidas nas ruas. A reforma agr\u00e1ria n\u00e3o representaria uma amea\u00e7a ao agroneg\u00f3cio, nenhuma das reforma mexeriam no \u201csagrado direito\u201d \u00e0 propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Essas reformas, se n\u00e3o eram um passo para o socialismo, tamb\u00e9m estavam longe de coadunar com os interesses do capitalismo imperialista, do ponto de vista do capital internaciona. O estado aos moldes varguistas baseado no trabalhismo e em pol\u00edticas nacionalistas representavam um entrave \u00e0s possibilidades de expans\u00e3o de lucro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse certamente n\u00e3o foi o argumento utilizado pelos militares e pelas elites para justificar o golpe. A moral burguesa-crist\u00e3 jamais aceitaria reconhecer que mudava as regras do jogo porque com o fascismo se produziria mais lucro e se continuaria a impedir os mais pobres de estudar e de ter acesso \u00e0 terra. Como sempre, foi utilizada uma ret\u00f3rica manique\u00edsta e moralista \u201ca amea\u00e7a dos terr\u00edveis comunista\u201d. Dessa forma, uma reforma agr\u00e1ria que distribuiria terras sem dono e improdutivas se tornou no discurso burgu\u00eas na violenta \u201cv\u00e3o tomar o seu peda\u00e7o de terra conseguida com m\u00e9rito\u201d. Com o apoio dos seguimentos ultraconservadores da sociedade, a Marcha com Deus pela Fam\u00edlia e a Liberdade reunia mais de 500 mil pessoas. O golpe do dia 31 de mar\u00e7o estava montado, contou com o apoio de v\u00e1rios governadores, empres\u00e1rios e \u00f3rg\u00e3os internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os interesses econ\u00f4micos logo ficaram evidentes no novo papel das estatais com os governos militares. A vida se tornou mais cara para todos, e isso n\u00e3o se devia apenas \u00e0 d\u00edvida externa contra\u00edda por JK (argumento sempre utilizado como bode expiat\u00f3rio), mas porque as estatais agora precisavam dar lucros, servi\u00e7os ligados ao petr\u00f3leo e a energia tiveram um aumento bastante substancial. Durante todo o regime militar os sal\u00e1rios dos servidores p\u00fablicos cresceram menos do que a infla\u00e7\u00e3o, o que acarretou um empobrecimento desses servidores. A suposta forma de combater a infla\u00e7\u00e3o pensada pelos ministros da fazenda Ot\u00e1vio Gouveia de Bulh\u00f5es e do planejamento Roberto Campos durante o governo de Castelo Branco, se tornava uma for\u00e7a bastante eficiente de sucatear a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o e outros servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O regime que se autodenominava de revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e prometia elei\u00e7\u00f5es em 1965 deu mais um golpe e em 1967, mostrando o seu lado mais violento com a chegada da linha dura ao poder. O general Artur da Costa e Silva n\u00e3o pouparia esfor\u00e7os no combate aos comunistas, aos guerrilheiros, e a todo e qualquer pensamento de esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto parte de classe m\u00e9dia brasileira era seduzida pelo chamado milagre econ\u00f4mico, resultado de uma verdadeira inje\u00e7\u00e3o de capital estrangeiro, com a chegada de algumas empresas multinacionais que aqui se estabeleciam se aproveitando dos baixos sal\u00e1rios e da inexist\u00eancia de sindicatos livres, a esquerda procurava meios de combater um dos per\u00edodos mais violentos da nossa hist\u00f3ria. Na legitimidade era imposs\u00edvel fazer o combate, pois com o bipartidarismo haviam apenas o partido dos militares, ARENA, e a oposi\u00e7\u00e3o consentida, o MDB. Os partidos comunistas foram decretados ilegais. Ainda influ\u00eancia das revolu\u00e7\u00f5es cubana e chinesa, a estrat\u00e9gia da luta armada se tornava mais que uma alternativa poss\u00edvel.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A estrat\u00e9gia de guerrilha de Che Guevara parecia aos militantes do PC do B (dissid\u00eancia do PCB) uma via plaus\u00edvel.<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luta armada seguiu em duas frentes, no interior com a batalha do Araguaia e na guerrilha urbana. A ideia do Araguaia como ponto estrat\u00e9gico foi um erro, a dist\u00e2ncia das massas e a falta de comunica\u00e7\u00e3o com a sociedade deixou isolados os revolucion\u00e1rios que foram facilmente vencidos pelas for\u00e7as do ex\u00e9rcito. A guerrilha urbana de Carlos Marighela foi mais inc\u00f4moda \u00e0 ditadura e mais dif\u00edcil de ser vencida, n\u00e3o havia um plano perfeito por parte dos militares, n\u00e3o poderiam usar tanques de guerra nas ruas, precisaram usar a intelig\u00eancia para capturar e matar as lideran\u00e7as comunistas. Marighela foi morto, os guerrilheiros do Araguaia torturados, presos, mortos, a ditadura sanguin\u00e1ria usou do extremo da viol\u00eancia e essa pr\u00e1tica marca at\u00e9 hoje a nossa pol\u00edcia. O discurso ideol\u00f3gico da m\u00eddia, que precisava transformar comunista em terrorista, revolucion\u00e1rio em bandido, e ditador em \u201chomem de bem\u201d tamb\u00e9m encontra seus ecos nos programas policiais de fim da tarde atualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viol\u00eancia dos militares se tornou t\u00e3o incontrol\u00e1vel e s\u00e1dica que atingiu os conservadores da classe m\u00e9dia. Com o fim do \u201cmilagre\u201d econ\u00f4mico e a aus\u00eancia de liberdade individual e pol\u00edtica se tornando cada vez mais evidentes, a ditadura mostrava a sua cara fascista. O caminho para a redemocratiza\u00e7\u00e3o partiu de estudantes e trabalhadores do campo e da cidade pa\u00eds afora. A abertura \u201clenta e gradual\u201d de Geisel era o embuste dos milicos para manter o regime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No percurso para a democratiza\u00e7\u00e3o e com a derrota da luta armada, as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda come\u00e7aram a priorizar a luta pela abertura pol\u00edtica, adiando assim o discurso do socialismo e das transforma\u00e7\u00f5es sociais. A revolu\u00e7\u00e3o deixava seu car\u00e1ter social e se restringia \u00e0 esfera pol\u00edtica. Com o intuito de fortalecer o combate \u00e0 ditadura e defender a democracia, construiu-se uma luta conjunta e ampla pela aprova\u00e7\u00e3o da Emenda Dante de Oliveira (MDB) que estabelecia elei\u00e7\u00f5es diretas para presidente em 1985. A campanha \u201cdiretas j\u00e1\u201d, que come\u00e7a vinte ano ap\u00f3s o golpe, envolvia artistas, pol\u00edticos de v\u00e1rias colora\u00e7\u00f5es e tend\u00eancias, intelectuais e at\u00e9 setores progressistas da igreja cat\u00f3lica.<br \/>\nA emenda Dante de Oliveira n\u00e3o foi aprovada. Mesmo assim em 1985 com a elei\u00e7\u00e3o de Tancredo Neves, o primeiro civil a ser presidente desde o golpe, o regime militar tinha fim. Com a democratiza\u00e7\u00e3o houve ganhos sim, para os trabalhadores, lutar na democracia burguesa \u00e9 sempre melhor que em um regime fascista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos ser anacr\u00f4nicos e querer agora julgar e mostrar o dedo na cara daqueles que lutaram, morreram e foram torturados pelos milicos. Precisamos, contudo, aprender com a hist\u00f3ria. Os principais erros da esquerda nesse per\u00edodo est\u00e3o centrados em uma leitura rom\u00e2ntica e parcial da realidade. A vontade de fazer a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que temos base pol\u00edtica para isso, n\u00e3o basta pegar em armas para ter o apoio das massas; a vanguarda precisa estar pr\u00f3xima das massas e n\u00e3o em um mundo \u00e0 parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos defender sempre a democracia no sentido mais pleno do termo, a democracia e o socialismo s\u00e3o sin\u00f4nimos, pois somente com o socialismo o trabalhador decide sobre seu trabalho, somente no socialismo h\u00e1 liberdade; a substitui\u00e7\u00e3o, no Brasil, da ditadura pela democracia burguesa deixou muito claro como o capitalismo convive bem com os dois regimes, e pode sempre recorrer ao fascismo quando precisar, um exemplo disso \u00e9 o DEM (democratas), o partido que j\u00e1 foi chamado de PFL, era o antigo ARENA, partido da ditadura. A democracia burguesa elegeu torturadores como Sergio Paranhos Fleury, permitiu Collor, que sempre foi a favor da ditadura, como primeiro presidente. O que precisamos aprender com a luta pela democracia no Brasil, \u00e9 que isso \u00e9 poss\u00edvel apenas no socialismo. No capitalismo, apenas o mercado \u00e9 livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">DITADURA MILITAR OU DEMOCRACIA AUTORIT\u00c1RIA?<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #800000;\">PARA MANTER PRIVIL\u00c9GIOS, BURGUESIA MANT\u00c9M APARELHO REPRESSIVO.<\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c&#8230;Tropas de choque, PM&#8217;s armados, mant\u00eam o povo no seu lugar<br \/>\nMas logo \u00e9 preso, ideologia marcada, se algu\u00e9m quiser se rebelar<br \/>\nOposi\u00e7\u00e3o reprimida, radicais calados, toda ang\u00fastia do povo \u00e9 silenciada<br \/>\nTudo pra manter a boa imagem do Estado!\u201d<br \/>\nPlebe Rude<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a natureza de qualquer estado seja garantir a ordem da classe dominante atrav\u00e9s do monop\u00f3lio da viol\u00eancia, no Brasil, tal natureza adquiriu contornos particulares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria da repress\u00e3o surge na forma\u00e7\u00e3o das for\u00e7as militares europeias que invadiram, ocuparam e organizaram o sistema pol\u00edtico, econ\u00f4mico e administrativo que garantiu a drenagem da riqueza em benef\u00edcio dos invasores e o controle da for\u00e7a de trabalho. Dessa forma, o aparelho repressivo se construiu \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a das elites que se assenhorearam de terras. Mesmo enquanto disputavam fronteiras contra a Espanha, Fran\u00e7a e Holanda, o aparelho repressivo controlava a for\u00e7a de trabalho, combatendo quilombos e aprisionando \u00edndios.<br \/>\nEmbora o autoritarismo e a viol\u00eancia contra o trabalho sejam caracter\u00edsticas das for\u00e7as repressivas desde sua origem, \u00e9 o Golpe Militar de 1964 que ir\u00e1 gerar a m\u00e1quina de massacrar trabalhadores que existe hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em defesa do capital internacional, principalmente o estadunidense, aliaram-se oficiais do ex\u00e9rcito oriundos do Movimento Tenentista e setores ultraconservadores da economia brasileira para bloquear qualquer iniciativa independente de modernizar as estruturas econ\u00f4micas brasileiras e sufocar as demandas hist\u00f3ricas dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As estreitas rela\u00e7\u00f5es desenvolvidas entre esses militares brasileiros e dos EUA durante a II Guerra Mundial geraram coopera\u00e7\u00f5es de todo o tipo na constru\u00e7\u00e3o do aparelho repressivo que existe hoje. Inspirados na National War College, os militares golpistas fundaram a Escola Superior de Guerra e nela desenvolveram a Doutrina da Seguran\u00e7a Nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por meio dessa doutrina criaram-se todos os instrumentos f\u00edsicos, ideol\u00f3gicos e jur\u00eddicos para sufocar qualquer contesta\u00e7\u00e3o, incluindo a elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica da oposi\u00e7\u00e3o com as proibi\u00e7\u00f5es de direitos, as torturas e os assassinatos. Toda e qualquer atividade pol\u00edtica, art\u00edstica ou cultural que expressasse as contradi\u00e7\u00f5es surgidas do processo de urbaniza\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o que passava o Brasil eram violentamente sufocadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Demandas por reforma agr\u00e1ria, urbana e educacional, a luta do revigorado movimento negro e a reconstru\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias a partir da d\u00e9cada de 50 encontraram \u201co sinal fechado\u201d para qualquer possibilidade de solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, o golpismo fechou qualquer via para escoar a insatisfa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o deixando outra via sen\u00e3o a luta armada como forma de resist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No bojo dessa doutrina a Escola Superior de Guerra ganhou for\u00e7a e pariu o Servi\u00e7o Nacional de Intelig\u00eancia -SNI- e a Lei de Seguran\u00e7a Nacional, dois importantes sustent\u00e1culos do regime militar, da opress\u00e3o contra os trabalhadores e da garantia da lucratividade dos amigos da ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Doutrina da Seguran\u00e7a Nacional foi capaz de corromper grande parte da intelectualidade brasileira, suas feridas foram t\u00e3o profundas que sangram at\u00e9 hoje. Os \u201cpatriotas\u201d golpistas de 64 abandonaram qualquer preocupa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com a cobi\u00e7a estrangeira sobre nossos recursos naturais para apontar suas armas para todo brasileiro que n\u00e3o concordasse com o projeto de domina\u00e7\u00e3o do imperialismo Yankee.<br \/>\nPara viabilizar o uso cotidiano e sistem\u00e1tico da viol\u00eancia e impedir a menor possibilidade de insatisfa\u00e7\u00e3o das for\u00e7as policiais, somente civis na \u00e9poca, surge a manobra de militarizar as pol\u00edcias estaduais. Rapidamente, o regime ganhou um refor\u00e7o de centenas de milhares de efetivos que ficaram presos \u00e0 hierarquia, a justi\u00e7a militar e sem qualquer instrumento pra defender seus interesses. Tudo em nome do combate ao crime e da Seguran\u00e7a Nacional.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A DITADURA CONTINUA<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo a tradi\u00e7\u00e3o de nossas elites de massacrar oposi\u00e7\u00f5es e manobrar transi\u00e7\u00f5es sem rupturas, os golpistas foram capazes de iniciar um regime &#8220;democr\u00e1tico&#8221; sem desmontar o aparelho estatal constru\u00eddo para aprofundar o controle sobre o trabalho. Ou seja, a chamada pol\u00edtica de Distens\u00e3o Lenta e Gradual do regime preservou todas as ferramentas usadas na ditadura. A defesa dos interesses do capital internacional e a camada pol\u00edtica (Sarney, Collor, Calheiros, Maluf, etc..) segue at\u00e9 hoje usufruindo do dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 permitiu \u00e0 pol\u00edcia seguir militarizada e continuar tratando qualquer contesta\u00e7\u00e3o como atividade subversiva e qualquer demanda dos trabalhadores como atividade inimiga. Reconheceu o estado de defesa, de s\u00edtio, a provis\u00f3ria suspens\u00e3o de direitos e o car\u00e1ter das PMs como for\u00e7a auxiliar do ex\u00e9rcito, subordinados \u00e0 Justi\u00e7a Militar. N\u00e3o h\u00e1 direito de greve, associa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou qualquer forma de interferir na realidade de seu dia a dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Lei de Seguran\u00e7a Nacional ainda vige e serviu para indiciar manifestantes em 2013, o SNI foi substitu\u00eddo pela Ag\u00eancia Brasileira de Intelig\u00eancia &#8211; ABIN -. A forma\u00e7\u00e3o das policias estaduais ainda segue militar na forma e antidemocr\u00e1tica na pr\u00e1tica. Quem participou das manifesta\u00e7\u00f5es de junho ou contra os gastos com a Copa viu de perto. Ou seja, o Ato Institucional n. 05, que retirou liberdades civis, permitiu a tortura e o exterm\u00ednio e serviu de base para a transi\u00e7\u00e3o sem rupturas segue vigente nas entrelinhas, sendo seu coroamento o fato de que torturadores e assassinos civis e militares continuaram suas carreiras e foram anistiados.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">DE PERTO \u00c9 BEM PIOR!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aus\u00eancia de penas aos criminosos da ditadura explica o fato da pol\u00edcia brasileira se acobertar na vers\u00e3o oficial de combate ao crime para matar mais de cinco pessoas por dia (1890 v\u00edtimas em 2012, segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica). A militariza\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias com base na Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional foi capaz de criar uma for\u00e7a repressiva com tradi\u00e7\u00e3o de ver todo elemento sem farda como inimigo, ainda mais quando se trata de trabalhadores organizados politicamente para lutar por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Se o trabalhador for negro e morar na periferia, ent\u00e3o \u00e9 pena de morte! Segundo o IBGE, 71% dos casos de mortos pela pol\u00edcia no estado de S\u00e3o Paulo em 2012 s\u00e3o negros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O v\u00ednculo entre a Doutrina da Seguran\u00e7a Nacional e o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora se demonstra na afirma\u00e7\u00e3o do Tenente-coronel da PM paulista Adilson P de Souza: \u201cO homic\u00eddio do marginal \u00e9 visto como uma importante arma de trabalho, eles chegam a declarar que se fossem impedidos de matar, ficariam sem condi\u00e7\u00f5es de trabalho. \u00c9 a l\u00f3gica da Doutrina da Seguran\u00e7a Nacional, segundo a qual estamos lidando com inimigos. E o inimigo no campo de batalha voc\u00ea tem que aniquilar\u201d (http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2013\/11\/1366434-revolta-nas-ruas-reflete-incapacidade-do-estado-na-seguranca-diz-tenente-coronel.shtml).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">DESMILITARIZAR A PM? OU DISSOLVER A PM?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta de desmilitarizar as pol\u00edcias estaduais surge de tempos em tempos como solu\u00e7\u00e3o para os problemas do chamado combate ao crime, \u00e0 m\u00e1quina de excessos e abusos promovidos pelas tropas contra manifestantes e como forma de integrar aos direitos civis centenas de milhares de homens e mulheres que atualmente n\u00e3o t\u00eam como reivindicar sal\u00e1rios, denunciar organizadamente abusos de comandantes ou altera\u00e7\u00e3o nos cursos de forma\u00e7\u00e3o estruturados em pr\u00e1ticas humilhantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O leque dos movimentos pela desmilitariza\u00e7\u00e3o abrange desde a ONU, organiza\u00e7\u00f5es de luta racial e den\u00fancia contra o genoc\u00eddio do povo da periferia, Associa\u00e7\u00e3o de Cabos e Soldados do Esp\u00edrito Santo, Clube de Oficiais da Pol\u00edcia Militar da Para\u00edba, parlamentares de direita como o major F\u00e1bio (DEM) e a base governista que atrav\u00e9s de Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou a PEC-51 sobre o tema.<br \/>\nPodemos estar assistindo a elite manobrar a transi\u00e7\u00e3o sem ruptura mais uma vez. Qualquer mudan\u00e7a institucional no presente necessita acertar as contas com o passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desmilitariza\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias n\u00e3o pode significar uma extens\u00e3o da pol\u00edcia civil, t\u00e3o truculenta, servil aos poderosos e talvez mais corrupta que a PM. Qualquer milit\u00e2ncia no movimento de desmilitariza\u00e7\u00e3o deve servir de alavanca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorre que as propostas de desmilitariza\u00e7\u00e3o s\u00e3o de autoria de representantes do estado, inimigos dos trabalhadores. Se ontem a militariza\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias surgiu para aparelhar o estado para reprimir quem trabalha e contesta, hoje a burguesia estuda uma forma mais eficaz, desmilitarizada ou n\u00e3o, que permita cumprir o desafio de reprimir os conflitos cada vez mais frequentes e agressivos neste S\u00e9culo XI, submerso em crise econ\u00f4mica globalizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a militariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia seja um ponto importante para controlar a for\u00e7a de trabalho, \u00e9 de extrema necessidade ter consci\u00eancia de que s\u00f3 a desmilitariza\u00e7\u00e3o das PMs, apesar de ter aspectos imediatos progressivos, n\u00e3o significa o desmonte do aparelho repressivo burgu\u00eas parido pelo Golpe Militar de 64, pode significar sua manuten\u00e7\u00e3o com outra roupagem. O autoritarismo e a brutalidade presente na forma\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es brasileiras segue presente na Doutrina da Seguran\u00e7a Nacional, na Escola Superior de Guerra, na aus\u00eancia de transpar\u00eancias dos gastos com a repress\u00e3o e na composi\u00e7\u00e3o conservadora do Judici\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desmilitariza\u00e7\u00e3o das PM\u2019s apesar de progressiva, ainda deixaria de p\u00e9 a hierarquia militar e o controle das pol\u00edcias pelo estado burgu\u00eas e dessa forma a servi\u00e7o de reprimir as lutas dos trabalhadores. Sua ess\u00eancia de aparelho repressivo da burguesia contra os trabalhadores permaneceria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrat\u00e9gia deve ser solapar o aparelho repressivo estatal-burgu\u00eas, com a dissolu\u00e7\u00e3o das PM\u2019s e a destrui\u00e7\u00e3o de todo o arcabou\u00e7o militar, jur\u00eddico, material e ideol\u00f3gico herdado do Golpe de 64.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o de uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 insepar\u00e1vel da pergunta: seguran\u00e7a para o trabalho ou para a explora\u00e7\u00e3o do capital? Seguran\u00e7a para os trabalhadores ou para a burguesia? Do ponto de vista dos trabalhadores e de sua emancipa\u00e7\u00e3o o que os processos revolucion\u00e1rios sempre colocaram na pr\u00e1tica foram as guardas civis de trabalhadores, com car\u00e1ter rotativo, sem hierarquia permanente e sob controle de suas organiza\u00e7\u00f5es de luta ou de poder. (Ver Comuna de Paris, Revolu\u00e7\u00e3o Russa, Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola, etc)<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">ESTRAT\u00c9GIAS E LIMITES<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desmonte da m\u00e1quina repressiva montada pelos golpistas nunca ser\u00e1 realizado por aqueles que se beneficiam dela. Nenhum partido pol\u00edtico com bancada no Congresso Nacional tem interesse em humanizar o estado brasileiro, pelo simples motivo de serem representantes do agroneg\u00f3cio, do latif\u00fandio, da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, do capital financeiro, da ind\u00fastria, da explora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e da burocracia sindical. Estes setores s\u00f3 t\u00eam a ganhar com a repress\u00e3o \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores sem terra, povos quilombolas e ind\u00edgenas, movimentos por moradia e reforma urbana, luta por trabalho, renda e mobilidade nas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desmilitariza\u00e7\u00e3o deve resultar da revoga\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da Doutrina da Seguran\u00e7a Nacional, da Lei de Seguran\u00e7a Nacional, da revoga\u00e7\u00e3o dos artigos constitucionais que permitem o estado de defesa e s\u00edtio, do fim do monitoramento pol\u00edtico dos movimentos sociais realizado pela ABIN, da abertura dos arquivos da ditadura e da Escola Superior de Guerra, bem como os acordos internacionais que permitem aos agentes de intelig\u00eancia dos EUA livre tr\u00e2nsito no Brasil (http:\/\/archives.lists.indymedia.org\/cmi-saoluis\/attachments\/20040609\/15664609\/CCartaCapital05mai04-0001.pdf).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais medidas, por sua natureza, v\u00e3o contra a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o do estado numa sociedade capitalista, portanto, s\u00e3o imposs\u00edveis de alcan\u00e7ar sem a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora em torno de um projeto de sociedade capaz de mobilizar todas as demais classes exploradas.<br \/>\nConstruir tal projeto e convencer os explorados s\u00e3o nossas tarefas imediatas.<a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">Entrevista com o oper\u00e1rio Severo sobre a resist\u00eancia \u00e0 ditadura<\/span><\/h1>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">SEVERO: \u201c&#8230;na realidade a democracia burguesa \u00e9 uma forma mascarada, diria uma ditadura\u201d<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos cap\u00edtulos mais importantes da hist\u00f3ria da classe trabalhadora brasileira foi a resist\u00eancia aos regimes ditatoriais que passaram pela hist\u00f3ria brasileira. A milit\u00e2ncia clandestina, os riscos de pris\u00e3o e at\u00e9 de morte, as demiss\u00f5es foram situa\u00e7\u00f5es enfrentadas pelos militantes de esquerda. Nesta edi\u00e7\u00e3o entrevistamos Severo, militante oper\u00e1rio desde a d\u00e9cada de 70 para contar parte de sua hist\u00f3ria pessoal, mas principalmente para que sirva de experi\u00eancia para as novas gera\u00e7\u00f5es de militantes.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">COMO COME\u00c7OU A SUA MILIT\u00c2NCIA E A LUTA CONTRA A DITADURA?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resist\u00eancia dos trabalhadores ao golpe militar se deu em n\u00edvel nacional, era muito maior nos centros industriais, mas no campo tamb\u00e9m havia resist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 70, 10 anos aproximadamente ap\u00f3s o golpe, eu j\u00e1 participava com o meu pai, nas pequenas organiza\u00e7\u00f5es em comunidades agr\u00edcolas no interior do Cear\u00e1. Como existiam d\u00favidas naquela \u00e9poca em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 repress\u00e3o &#8211; por exemplo, na comunidade onde eu morava, conviviam militares e os que resistiam ao golpe-, ent\u00e3o a resist\u00eancia se dava de certa forma, em pequenas organiza\u00e7\u00f5es clandestinas, n\u00e3o era nada aberto, era tudo bastante cuidadoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posteriormente, j\u00e1 no final da d\u00e9cada de 70, mudei para S\u00e3o Paulo e fui trabalhar na ind\u00fastria gr\u00e1fica, onde tamb\u00e9m havia grupo de resist\u00eancia \u00e0 ditadura, onde logo me incorporei. A comunica\u00e7\u00e3o com os trabalhadores era feita por \u201cmosquitinhos\u201d (pequenas filipetas com pequenas frases) tratando da resist\u00eancia ao golpe, de como resistir de forma concreta e tamb\u00e9m quest\u00f5es pol\u00edticas, sobre a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos trabalhadores. Normalmente n\u00e3o existia identidade para este boletim, era jogado pra cima no ch\u00e3o da fabrica, ou era jogado no ch\u00e3o do banheiro e da\u00ed o pessoal ia vendo a forma de se integrar na luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A distribui\u00e7\u00e3o era feita de forma extremamente clandestina, se a patronal descobrisse era tranquilo que o trabalhador era levado \u00e0 demiss\u00e3o ou at\u00e9 mesmo \u00e0 pris\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posteriormente me mudei para Santo Andr\u00e9, aqui no ABC. Comecei a trabalhar em uma empresa metal\u00fargica e logo me incorporei \u00e0 luta pol\u00edtica na ent\u00e3o Converg\u00eancia Socialista. Quando vieram as primeiras greves conseguimos formar um bom trabalho nas f\u00e1bricas que nos deu for\u00e7a para organizar a oposi\u00e7\u00e3o aqui ao Benedito Marcilio (que depois resultou em uma chapa para disputar a dire\u00e7\u00e3o do sindicato), ent\u00e3o presidente do sindicato de Santo Andr\u00e9, que, sindicalmente, tinha liga\u00e7\u00f5es com o Lula, mas politicamente era ligado ao MDB (que deu origem ao atual PMDB).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sindicatos eram muito controlados pelo Estado, com forte fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho e com constantes interven\u00e7\u00f5es. Nas elei\u00e7\u00f5es sindicais de 1981, quando participamos de uma chapa de oposi\u00e7\u00e3o chamada Solidariedade (refer\u00eancia ao movimento Solidarinosc na Pol\u00f4nia), aconteceu ali a interven\u00e7\u00e3o no sindicato e a apura\u00e7\u00e3o aconteceu na sede do DEOPS (Pol\u00edcia pol\u00edtica).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como n\u00e3o conseguimos ganhar as elei\u00e7\u00f5es todos os membros da chapa foram demitidos e tamb\u00e9m perseguidos, n\u00e3o encontrava emprego em f\u00e1brica metal\u00fargica ou quando encontrava nem passava na experi\u00eancia, passava um dia, dois dias, era demitido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minha situa\u00e7\u00e3o ficou insustent\u00e1vel em metal\u00fargicos, eu fui pra constru\u00e7\u00e3o civil. Mais uma vez mudei de categoria e desta vez fui na trabalhar na constru\u00e7\u00e3o civil tamb\u00e9m participando de um grupo de oposi\u00e7\u00e3o, mas neste momento o movimento tinha avan\u00e7ado bastante e a milit\u00e2ncia era p\u00fablica. Continuava a ditadura, os cuidados com a seguran\u00e7a, mas havia conquistas que permitiam uma milit\u00e2ncia p\u00fablica.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">PARA CONTROLAR O MOVIMENTO OPER\u00c1RIO A DITADURA INTERVIU NOS SINDICATOS. JOAQUINZ\u00c3O, INTERVENTOR DOS METAL\u00daRGICOS DE S\u00c3O PAULO, ENTRE OUTROS, COLABORAVA COM A POL\u00cdCIA. COMO OS MILITANTES LIDAVAM COM ESSA REALIDADE?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa era uma realidade na maior parte dos sindicatos, as dire\u00e7\u00f5es sindicais estavam a favor dos militares, pois eram interventores do Minist\u00e9rio do Trabalho. Nem os militantes e muito menos os trabalhadores confiavam nestas dire\u00e7\u00f5es. Eram informantes da pol\u00edcia.<br \/>\nLogo ap\u00f3s o golpe a luta mais importante do movimento oper\u00e1rio, que eu n\u00e3o acompanhei, foram as greves dos metal\u00fargicos da Cobrasma de Osasco e de contagem, uma luta de enfrentamento. Teve repress\u00e3o braba, com pris\u00f5es das principais lideran\u00e7as. Com a derrota destas greves, a ditadura praticamente dominou os sindicatos mais importantes do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por causa desta situa\u00e7\u00e3o a milit\u00e2ncia era clandestina tamb\u00e9m nos sindicatos. N\u00e3o confi\u00e1vamos nestas dire\u00e7\u00f5es e a milit\u00e2ncia se concentrava nas f\u00e1bricas, nos locais de trabalho. Ent\u00e3o era muito nos grupos clandestinos nas f\u00e1bricas e por oposi\u00e7\u00f5es sindicais.<br \/>\nPor exemplo, no sindicato dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Paulo, que era o maior sindicato da Am\u00e9rica Latina com quase 500 mil trabalhadores na \u00e9poca, a luta passava pela organiza\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o, o MOMSP (Movimento Oposi\u00e7\u00e3o dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Paulo) que tinha grande representatividade na base e muitas empresas eram obrigadas a negociar com a oposi\u00e7\u00e3o que era a entidade reconhecida pela categoria.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">E LULA NA DIRE\u00c7\u00c3O DO SINDICATO DOS METAL\u00daRGICOS DE S\u00c3O BERNARDO?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em S\u00e3o Bernardo tamb\u00e9m existia um pelego, o Paulo Vidal, que n\u00e3o era um interventor, mas tamb\u00e9m n\u00e3o tinha compromisso com os trabalhadores. Defendia uma proposta de pacificar a resist\u00eancia que existia na regi\u00e3o do ABC. \u00c9 neste per\u00edodo que Lula entra para a dire\u00e7\u00e3o e depois se torna presidente do sindicato. Lula n\u00e3o tinha nenhuma postura de esquerda e defendia abertamente que n\u00e3o poderia misturar pol\u00edtica com luta sindical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o as greves dos metal\u00fargicos que empurram Lula e a dire\u00e7\u00e3o do sindicato para o enfrentamento com a patronal e a ditadura. Foi um processo da base, n\u00e3o foi por vontade da diretoria do sindicato. A greve da Scania come\u00e7ou sem que o sindicato soubesse.<br \/>\nEsse movimento se espalhou rapidamente pelo pa\u00eds, for\u00e7ou a dire\u00e7\u00e3o ir a esquerda e assumir a luta contra a ditadura. Lula nunca foi de esquerda. Os mandatos dele na presid\u00eancia da rep\u00fablica s\u00f3 confirmam isso.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">COMO PARTE DESSE \u201cNOVO SINDICALISMO\u201d HOUVE A RETOMADA DE V\u00c1RIOS SINDICATOS POR MOVIMENTOS DE OPOSI\u00c7\u00c3O SINDICAL, VOC\u00ca PODE CONTAR PRA GENTE UM POUQUINHO SOBRE ESTE PROCESSO ?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como eu disse antes, os movimentos de oposi\u00e7\u00e3o sindical na realidade j\u00e1 aconteciam h\u00e1 algum tempo. Com o surgimento das lutas e de uma nova vanguarda eles ganharam um grande impulso. As oposi\u00e7\u00f5es foram se multiplicando e retomando os sindicatos dos pelegos. Metal\u00fargicos, banc\u00e1rios, qu\u00edmicos, funcionalismo p\u00fablico (que naquela \u00e9poca se organizavam por associa\u00e7\u00f5es). Era um processo em n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era uma discuss\u00e3o de dentro das f\u00e1bricas, dos locais de trabalho, representavam a vontade dos trabalhadores em v\u00e1rias categorias. Os trabalhadores j\u00e1 estavam se colocando de forma aberta dentro das f\u00e1bricas, dentro dos locais de trabalho, j\u00e1 apontando para maior resist\u00eancia. Era uma discuss\u00e3o interessante, que os trabalhadores j\u00e1 tinham coragem de sair \u00e0s ruas, de fazer passeatas, de discutir a greve geral, de fazer a greve geral, mas a gente fez muita greve que ajudou realmente a derrubar o regime.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">E VOC\u00ca PARTICIPOU DE ALGUMA OPOSI\u00c7\u00c3O SINDICAL NESTE PROCESSO OU O SINDICATO QUE VOC\u00ca PARTICIPAVA, NA CATEGORIA EM QUE VOC\u00ca PARTICIPAVA, J\u00c1 TINHA UM SINDICATO COMPAT\u00cdVEL?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, a primeira oposi\u00e7\u00e3o que eu participei foi de forma bem clandestina, que era dentro de uma ind\u00fastria gr\u00e1fica, junto com tr\u00eas companheiros. As reuni\u00f5es aconteciam rapidamente no banheiro e no vesti\u00e1rio, discutia de fazer o mosquitinho para soltar no dia seguinte na f\u00e1brica. Tinha esse trabalho e \u00e0s vezes \u00edamos no sindicato falar para o presidente do sindicato fazer a pauta de reivindica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA outra oposi\u00e7\u00e3o que eu participei foi quando fui morar um tempo no RJ. Eu participei da oposi\u00e7\u00e3o metal\u00fargica reunindo com um dos dirigentes ligados ao Partido Comunista, mas ele mesmo tinha medo de enfrentar o pelego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois foi na oposi\u00e7\u00e3o metal\u00fargica de Santo Andr\u00e9 e posteriormente na da Constru\u00e7\u00e3o Civil e Moveleiros de S\u00e3o Bernardo e Diadema, quando organizamos uma oposi\u00e7\u00e3o ao pelego, ganhamos as elei\u00e7\u00f5es. Fiquei 2 mandatos como secret\u00e1rio geral e desenvolvemos muitas lutas. O sindicato era da constru\u00e7\u00e3o civil e moveleiro, com ind\u00fastrias grandes que chegavam a ter 1500 trabalhadores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">AS MAIORES CONQUISTAS DESTE PER\u00cdODO DE RESIST\u00caNCIA OPER\u00c1RIA \u00c0 DITADURA FORAM A CUT E O PT?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o de uma sa\u00edda pol\u00edtica para esse processo era uma coisa importante. A Converg\u00eancia Socialista (que se transformou em PSTU e nos quais militei at\u00e9 1998) defendia no congresso estadual dos metal\u00fargicos a proposta de funda\u00e7\u00e3o de um Partido, o PT. Lula no in\u00edcio era contra a funda\u00e7\u00e3o do PT porque n\u00e3o podia se misturar a pol\u00edtica com luta sindical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra coisa importante foi a constru\u00e7\u00e3o de uma central sindical independente, classista e de luta. Isso aumentou o som das ruas, das mobiliza\u00e7\u00f5es, porque agora tinha uma central que unificava todas as lutas e se posicionava a favor da resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar que j\u00e1 demonstrava sinais de esgotamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses dois instrumentos foram sem d\u00favida algo muito importante que a classe trabalhadora brasileira construiu. D\u00e1 orgulho em ter participado. Pena que se transformaram em instrumentos do capital contra os trabalhadores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">OUTRA QUEST\u00c3O \u00c9 QUE AS GREVES NO FINAL DA D\u00c9CADA DE 70 COME\u00c7ARAM POR REIVINDICA\u00c7\u00d5ES SALARIAIS E LOGO PASSARAM A SER CONTRA A DITADURA.<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa quest\u00e3o \u00e9 muito interessante porque antes dessas mobiliza\u00e7\u00f5es houve lutas dos estudantes, com grandes mobiliza\u00e7\u00f5es na PUC, na USP e nas p\u00fablicas do Rio de Janeiro. Eram lutas mais pol\u00edticas, pela anistia, por democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois dessas lutas estudantis, logo a seguir vieram as greves aqui no ABC e que come\u00e7aram com greves por reivindica\u00e7\u00f5es para repor os \u00edndices da infla\u00e7\u00e3o que Delfim Neto (ministro da Fazenda da ditadura) tinha retirado dos c\u00e1lculos oficiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma greve muito forte que questionava toda a pol\u00edtica econ\u00f4mica da ditadura. N\u00e3o era s\u00f3 contra as empresas, mas contra esse modelo. Por isso que logo foi colocada a quest\u00e3o do regime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1983 houve outro fato interessante, na realidade muito bonito, que foi a greve dos metal\u00fargicos de SBC, de Santo Andr\u00e9 e outras categorias, sen\u00e3o me engano banc\u00e1ria, que chegaram a parar em solidariedade aos trabalhadores da Petrobr\u00e1s l\u00e1 em Paul\u00ednia.<br \/>\nFoi o primeiro movimento unit\u00e1rio com v\u00e1rias categorias paralisando as principais cidades do pa\u00eds. Teve muita repress\u00e3o e tamb\u00e9m teve muita repercuss\u00e3o na imprensa em rela\u00e7\u00e3o a esta quest\u00e3o, que os trabalhadores jamais poderiam fazer uma greve em solidariedade a outra categoria. Mas foi uma greve interessant\u00edssima na realidade que desencadeou um processo mais pol\u00edtico mais pra frente.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">VIVEMOS NUM CHAMADO REGIME DEMOCR\u00c1TICO. PODEMOS DIZER QUE EXISTE DEMOCRACIA?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que eu acho \u00e9 que na realidade a democracia burguesa \u00e9 uma forma mascarada, diria uma ditadura. Voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o pode reivindicar muita coisa que logo \u00e9 reprimido. Dentro das f\u00e1bricas quem reclama \u00e9 demitido. \u00c9 uma ditadura. Vai l\u00e1 o banc\u00e1rio reclamar com o gerente de que est\u00e1 ganhando pouco, est\u00e1 sendo assediado. \u00c9 demitido na hora e sem direito a defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso a luta tem que ser coletiva, de toda categoria. Assim se protege das amea\u00e7as e se defende coletivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso que chamam de democracia tamb\u00e9m cooptou muita gente. Dos que naquela \u00e9poca organizaram as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es por melhores sal\u00e1rios, hoje uma boa parte ou est\u00e1 em minist\u00e9rio ou est\u00e1 em secretarias de prefeituras do PT ou do PSB ou do PC do B.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o vejo como uma ditadura que voc\u00ea n\u00e3o tem muito direito a reivindicar n\u00e3o. Dizem que temos direito de reivindicar, mas quando se tem greve nem negociam. E agora a moda \u00e9 processar e criminalizar os que lutam: prendem e amea\u00e7am. Como posso dizer que isso \u00e9 democracia? S\u00f3 se for para os ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\">A escalada da viol\u00eancia contra a mulher<\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar contra a viol\u00eancia \u00e0 mulher tornou-se algo f\u00e1cil de fazer, afinal, temos hoje uma legisla\u00e7\u00e3o em vigor, a conhecida \u201cLei Maria da Penha\u201d, a primeira mulher presidente do pa\u00eds, propagandas e campanhas na m\u00eddia. E assim muito se fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a realidade ainda reafirma a sociedade machista e a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, que busca retroceder em conquistas de anos de luta, para avan\u00e7ar na opress\u00e3o e no controle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse tipo de sociedade em funcionamento, em que a maioria das pessoas se habitua a obedecer sem questionar, em que votar significa entregar a algu\u00e9m uma decis\u00e3o cega, na qual se insiste em manter a mulher envolvida em mentiras e fofocas para sufocar qualquer debate pol\u00edtico s\u00e9rio, podemos nos deparar com intensos retrocessos no n\u00edvel de consci\u00eancia mesmo em momentos de avan\u00e7o nas lutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 exatamente nesse tipo de sociedade e nesse momento da hist\u00f3ria que presenciamos, no Brasil, a dobrar o n\u00famero de femic\u00eddios (homic\u00eddio de mulheres no Brasil \u2013 Mapa Viol\u00eancia atualiza\u00e7\u00e3o 2013); aumentar em quase 20% o n\u00famero de estupros (7\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica); e a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o, pelo governo Dilma, de 68,8% dos recursos p\u00fablicos no combate a viol\u00eancia contra a mulher (TCU mar\/2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ass\u00e9dio moral e sexual, a prostitui\u00e7\u00e3o infantil, os \u00edndices de desemprego e de trabalho prec\u00e1rio ou escravo, os baixos sal\u00e1rios em categorias majoritariamente femininas, o sal\u00e1rio desigual para trabalho igual, a tripla jornada com o trabalho dom\u00e9stico, o papel da m\u00eddia machista e a explora\u00e7\u00e3o da imagem da mulher, a m\u00e1 qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos, etc. s\u00e3o mais algumas das v\u00e1rias formas de viol\u00eancia contra a mulher sob o capitalismo, com governos a servi\u00e7o da burguesia, que n\u00e3o se busca combater para naturalizar uma situa\u00e7\u00e3o e insistir na opress\u00e3o e na explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim segue tamb\u00e9m a hipocrisia burguesa: O Banco Mundial patrocina a campanha internacional de elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher. Conta com o apoio de diversos famosos. Ao mesmo tempo, estimula as parcerias p\u00fablico-privadas que al\u00e9m de garantir aos empres\u00e1rios investimentos sem risco, \u201cassessora\u201d o governo obrigando o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, respons\u00e1vel pelo corte de verbas para constru\u00e7\u00e3o de delegacias da mulher, casas abrigo e hospitais com servi\u00e7os especializados de atendimento a mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00eddia, reprodutora das ideias burguesas, prega contra a viol\u00eancia \u00e0 mulher ao mesmo tempo em que incentiva a criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, refor\u00e7a o machismo nas novelas e programa\u00e7\u00e3o, omite informa\u00e7\u00f5es sobre a real situa\u00e7\u00e3o da mulher trabalhadora no Brasil e deixa de prestar servi\u00e7os de utilidade p\u00fablica, obrigat\u00f3rios nas concess\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, utiliza discursos a favor da democracia, mas busca criminalizar os movimentos sociais que lutam por servi\u00e7os p\u00fablicos, necess\u00e1rios para a vida da mulher trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com tudo isso, podemos juntar governo, empresariado e imprensa burguesa no mesmo balaio para compreendermos o quanto vivemos um momento importante para avan\u00e7armos nas lutas e n\u00e3o retrocedermos nas conquistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decorrer desses 50 anos do Golpe Militar no Brasil, sabemos o quanto a luta foi imprescind\u00edvel para a classe trabalhadora impor leis favor\u00e1veis \u00e0s melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, de vida e pelo fim da ditadura, mas foi ainda insuficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 iniciamos 2014, ano de Copa, presenciando despejos irregulares, aumento da prostitui\u00e7\u00e3o nas obras da Copa, carestia e tentativas de impedir manifesta\u00e7\u00f5es com o Poder Judici\u00e1rio, Pol\u00edcia, empresariado e governos todos unidos para criar leis que condenam como terroristas aqueles que lutam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado vem falhando sistematicamente no combate da viol\u00eancia contra a mulher. Querem nos fazer acreditar que apenas porque temos uma lei espec\u00edfica &#8211; como a Maria da Penha &#8211; j\u00e1 estamos \u00e0 frente no combate a viol\u00eancia contra a mulher. Como se uma lei pudesse sozinha terminar com toda essa viol\u00eancia. Estudos est\u00e3o sendo feitos e eles mostram que ap\u00f3s a Lei Maria da Penha no ano de 2006, apenas em 2007 os \u00edndices diminu\u00edram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois disso, os \u00edndices de viol\u00eancia aumentaram, indicando o que j\u00e1 sabemos &#8211; a lei sozinha \u00e9 incapaz de combater a viol\u00eancia, n\u00e3o intimida os agressores, n\u00e3o ajuda as mulheres. Um estudo do Ipea (um \u00f3rg\u00e3o do governo que faz pesquisas), avaliou o impacto da Lei Maria da Penha sobre a mortalidade de mulheres por agress\u00f5es e constatou que n\u00e3o houve redu\u00e7\u00e3o das taxas anuais de mortalidade, comparando-se os per\u00edodos antes e depois da vig\u00eancia da Lei. Apontou, inclusive, nos \u00faltimos anos, o retorno desses valores aos patamares registrados no in\u00edcio do per\u00edodo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">DESMASCARAR PARA AVAN\u00c7AR NAS LUTAS<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de toda essa situa\u00e7\u00e3o, caberia a quem luta trilhar o caminho do anticapitalismo e do antigovernismo contra toda a opress\u00e3o e todas as formas de viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o, e apostar na luta buscando, no cotidiano, convencer demais trabalhadoras e trabalhadores da necessidade de organiza\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o para garantir a vida e conquistar direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, custar\u00e3o muito caro \u00e0 esquerda \u2013 especialmente PSTU, PSOL e PCB \u2013 as exig\u00eancias ao governo do PT e o alimentar da cren\u00e7a em Dilma. Denunciar o projeto dos capitalistas e dos partidos da direita para o Brasil \u00e9, tamb\u00e9m, nomear, para desacreditar, o governo, sua base de apoio e seus f\u00f3runs de sustenta\u00e7\u00e3o (centrais sindicais como CUT, sindicatos, entidades estudantis como UNE, etc.) que paralisados est\u00e3o diante da realidade de viol\u00eancia contra a mulher se calam diante da intensifica\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o. Al\u00e9m disso, se faz urgente girar a intransig\u00eancia para os esfor\u00e7os com a constru\u00e7\u00e3o da unidade na luta de militantes e ativistas contra democracia burguesa, cada vez mais compar\u00e1vel \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desmascarar Dilma, que chama as For\u00e7as Armadas para conter mobiliza\u00e7\u00f5es por melhorias nos servi\u00e7os p\u00fablicos, significa tamb\u00e9m n\u00e3o compactuar com setores que ap\u00f3iam seu governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo Dilma n\u00e3o fala em nosso nome, as organiza\u00e7\u00f5es que ap\u00f3iam seu governo n\u00e3o nos representam e n\u00e3o lutam de fato contra a viol\u00eancia \u00e0 mulher!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos movimentos feministas ou de organiza\u00e7\u00e3o de mulheres se faz urgente o combate claro ao avan\u00e7o do fascismo e do fortalecimento da direita no Brasil, pois \u00e9 exatamente a mulher da classe trabalhadora que mais sofre com o parco investimento nos servi\u00e7os p\u00fablicos, com o retrocesso nas conquistas e com a repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso chamado \u00e9 a todas as mulheres e homens da classe trabalhadora que, diante da mis\u00e9ria capitalista, dispostos a lutar t\u00eam a coragem de dizer que uma outra sociedade \u00e9 poss\u00edvel! Que Copa do Mundo e Olimp\u00edadas n\u00e3o melhoram as condi\u00e7\u00f5es dos hospitais, dos \u00f4nibus e metr\u00f4s lotados, das escolas e universidades p\u00fablicas, nem o pre\u00e7o dos alugueis ou dos alimentos, mesmo com ingressos t\u00e3o caros. E somente com o n\u00e3o ao pagamento da d\u00edvida p\u00fablica que o dinheiro p\u00fablico poder\u00e1 ser utilizado para servi\u00e7os p\u00fablicos, inclusive para constru\u00e7\u00e3o de delegacias da mulher e casas abrigos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A unidade das lutas, a solidariedade entre ativistas e lutadorxs e o fortalecimento das manifesta\u00e7\u00f5es j\u00e1 t\u00eam como base o dia a dia de quem trabalha. S\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de vida que t\u00eam gerado tantas manifesta\u00e7\u00f5es e n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa a participa\u00e7\u00e3o massiva de mulheres.<br \/>\nContra todas as formas de viol\u00eancia \u00e0 mulher continuamos na luta! Para reduzir o n\u00famero de assassinatos de mulheres trabalhadoras: Constru\u00e7\u00e3o imediata de Delegacias da Mulher, Casas abrigo e hospitais especializados em todos os munic\u00edpios do pa\u00eds!<br \/>\nN\u00e3o aceitaremos nenhuma retirada de direitos ou conquistas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada passo dado pela burguesia e pelo governo contra as conquistas e as lutas da classe trabalhadora maior \u00e9 a necessidade da unidade de quem luta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por uma campanha nacional e unificada contra a repress\u00e3o 50 anos do golpe militar no Brasil Ditadura ou democracia burguesa<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2898,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2897"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6509,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897\/revisions\/6509"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}