{"id":2908,"date":"2014-04-01T22:51:23","date_gmt":"2014-04-02T01:51:23","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2908"},"modified":"2018-05-01T00:52:55","modified_gmt":"2018-05-01T03:52:55","slug":"ucrania-golpe-apoiado-pelo-imperialismo-e-executado-por-neonazistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/04\/ucrania-golpe-apoiado-pelo-imperialismo-e-executado-por-neonazistas\/","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia: golpe apoiado pelo imperialismo e executado por neonazistas!"},"content":{"rendered":"<h4><b><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/2014\/04\/ucrania-golpe-apoiado-pelo-imperialismo-e-executado-por-neonazistas\/1_si\/\" rel=\"attachment wp-att-2909\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2909\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/1_si.jpg\" alt=\"1_si\" width=\"690\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/1_si.jpg 690w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/1_si-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><\/a><\/b><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4><b>Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0n\u00e3o\u00a0<\/b><b style=\"font-size: 1em;\">necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/b><\/h4>\n<h3>Daniel Delfino<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">A FARSA DA \u201cNOVA GUERRA FRIA\u201d, E A NECESSIDADE DE UMA ALTERNATIVA SOCIALISTA REVOLUCION\u00c1RIA DOS TRABALHADORES!<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Ucr\u00e2nia foi v\u00edtima de um golpe de Estado, apoiado pelo imperialismo europeu e estadunidense e executado por mil\u00edcias neonazistas. O golpe foi desencadeado pela decis\u00e3o do ent\u00e3o presidente Viktor Yanukovich, em novembro de 2013, de n\u00e3o assinar um tratado que estava em discuss\u00e3o e assim suspender o processo que estava em curso de integra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE) e voltar a priorizar a rela\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia. A partir dessa decis\u00e3o, uma onda de protestos de massa varreu o pa\u00eds, em especial a capital Kiev, com a presen\u00e7a marcante de grupos neonazistas organizados, contra a decis\u00e3o do presidente e em favor de continuar a integra\u00e7\u00e3o \u00e0 UE. Os protestos persistiram com uma tal intensidade, com a ocupa\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios p\u00fablicos e a constru\u00e7\u00e3o de barricadas, que o presidente foi obrigado a deixar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia de sua retirada, forma-se um novo governo, que reativa a Constitui\u00e7\u00e3o de 2004 e marca elei\u00e7\u00f5es para maio deste ano. Apesar do golpe ser conduzido por mil\u00edcias neonazistas, n\u00e3o houve mudan\u00e7a de regime nem instala\u00e7\u00e3o de uma ditadura fascista, pois a Constitui\u00e7\u00e3o de 2004 formalmente segue a democracia burguesa\u00a0 (isso pode mudar caso a situa\u00e7\u00e3o se encaminhe para um confronto militar com a R\u00fassia pela posse de regi\u00f5es de maioria russa na parte oeste do pa\u00eds, o que permitiria ao governo impor medidas como estado de s\u00edtio, etc.). Mas apesar da manuten\u00e7\u00e3o formal da democracia burguesa, o sentido pol\u00edtico geral dos acontecimentos favorece o imperialismo, vinculando o pa\u00eds \u00e0 UE e aos Estados Unidos e dando poder a pol\u00edticos liberais, como o ex-boxeador Vitali Klitschko, com uma mentalidade pr\u00f3 ocidente, ou seja, pr\u00f3 capitalismo. Um tratado com o FMI foi assinado, vinculando o pa\u00eds \u00e0s mesmas pol\u00edticas de \u201causteridade\u201d, eufemismo para devasta\u00e7\u00e3o social, que vitimam a periferia europeia.<\/p>\n<p>E mesmo que a maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha aderido explicitamente \u00e0 ideologia neonazista, foram os neonazistas que dirigiram politicamente o golpe e foram reconhecidos pelas massas como lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em resposta a essa situa\u00e7\u00e3o, a regi\u00e3o de maioria russa da Crim\u00e9ia declara n\u00e3o reconhecer o novo governo em Kiev, organizando um plebiscito e separando-se do pa\u00eds. Desde a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS, a R\u00fassia mantinha uma base naval na Crim\u00e9ia e depois do referendo tomou posse militarmente da pen\u00ednsula. O conjunto do imperialismo protestou contra essa a\u00e7\u00e3o da R\u00fassia e imp\u00f4s san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas ao gigante eslavo, mas a anexa\u00e7\u00e3o da Crim\u00e9ia \u00e9 hoje um fato consumado. A queda de bra\u00e7o entre a R\u00fassia e o imperialismo estadunidense e europeu por conta dessa quest\u00e3o se transformou na principal quest\u00e3o da pol\u00edtica internacional nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p><b>Expans\u00e3o do imperialismo na antiga URSS<\/b><\/p>\n<p>Os acontecimentos est\u00e3o se desenvolvendo com grande velocidade nos \u00faltimos meses, podendo levar a uma guerra entre Ucr\u00e2nia (que teria envolvimento da UE e dos Estados Unidos) e R\u00fassia pela posse da Crim\u00e9ia, nas pr\u00f3ximas semanas ou meses. Mas o drama a que estamos assistindo na Ucr\u00e2nia \u00e9 a culmina\u00e7\u00e3o de um processo que j\u00e1 vem se estendendo h\u00e1 d\u00e9cadas, desde a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS em 1991. Esse processo consiste na incorpora\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses do antigo bloco sovi\u00e9tico pela UE. Num primeiro momento, os pa\u00edses do antigo Pacto de Vars\u00f3via, sat\u00e9lites da URSS, mas que mantinham formalmente a independ\u00eancia, se associaram \u00e0 UE. \u00c9 o caso de Pol\u00f4nia, Rep\u00fablica Tcheca, Eslov\u00e1quia, Hungria, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Cro\u00e1cia, Eslov\u00eania (as duas \u00faltimas eram partes da antiga Iugosl\u00e1via, que n\u00e3o era alinhada \u00e0 URSS, mas nominalmente \u201csocialista\u201d).<\/p>\n<p>Num segundo momento, a UE avan\u00e7a sobre pa\u00edses que compunham o territ\u00f3rio da pr\u00f3pria URSS, como Litu\u00e2nia, Let\u00f4nia e Est\u00f4nia. E agora, o mesmo acontece com a Ucr\u00e2nia. A incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 UE \u00e9 defendida em cada pa\u00eds como se fosse a porta de entrada para um para\u00edso de prosperidade, com a possibilidade de acesso ao consumo e a um padr\u00e3o de vida elevado que os europeus ainda desfrutam. Nada mais ilus\u00f3rio! A UE imp\u00f5e regras de livre com\u00e9rcio que em poucos anos submetem as economias de menor produtividade a uma din\u00e2mica de coloniza\u00e7\u00e3o, como fornecedores de m\u00e3o de obra barata para empresas europ\u00e9ias e consumidores de produtos de alto valor produzidos pelas grandes pot\u00eancias do continente, em especial, a Alemanha. As consequ\u00eancias s\u00e3o o endividamento, a deteriora\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas, corte nos servi\u00e7os sociais e rebaixamento nos sal\u00e1rios, condi\u00e7\u00f5es de trabalho e condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Evidentemente, a popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses do leste europeu e da Ucr\u00e2nia n\u00e3o sabe disso, e acaba sendo influenciada por uma massiva propaganda pr\u00f3-UE e pr\u00f3 livre mercado. Essa propaganda interessa tamb\u00e9m aos Estados Unidos, maiores promotores do livre mercado no mundo, que tamb\u00e9m apoiaram ativamente o golpe. Pol\u00edticos estadunidenses, como o ex-candidato republicano John McCain, discursaram, para aplauso dos fascistas, em plena pra\u00e7a Maidan (Pra\u00e7a da Independ\u00eancia), na capita, Kiev! Os Estados Unidos tamb\u00e9m defendem a integra\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 UE porque se preocupam em limitar a esfera de influ\u00eancia russa, afinal o pa\u00eds eslavo ainda \u00e9 a segunda pot\u00eancia militar do mundo, e a rivalidade geopol\u00edtica n\u00e3o terminou com o fim da Guerra Fria contra a antiga URSS.<\/p>\n<p><b>Muito al\u00e9m da \u201ccrise de dire\u00e7\u00e3o\u201d<\/b><\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o ucraniana apoia a integra\u00e7\u00e3o \u00e0 UE, como dissemos, porque tem a ilus\u00e3o de que vai melhorar de vida, por isso mobilizou-se em massa contra o governo Yanukovich, que na \u00faltima hora optou por manter os la\u00e7os com a R\u00fassia. A oposi\u00e7\u00e3o de massa \u00e0 Yanukovich, entretanto, n\u00e3o abriu caminho para um projeto pol\u00edtico de esquerda, e sim de direita. A dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos protestos contra a decis\u00e3o de Yanukovich coube a grupos neonazistas, que n\u00e3o fazem a menor quest\u00e3o de esconder a sua ideologia.<\/p>\n<p>As bandeiras desses grupos reproduzem as das mil\u00edcias que combateram ao lado dos nazistas na II Guerra Mundial, contra o Ex\u00e9rcito Vermelho sovi\u00e9tico. Ao tomar o poder atrav\u00e9s da oposi\u00e7\u00e3o parlamentar, que formalmente dep\u00f4s Yanukovich, a ultra direita neonazista teve como suas primeiras medidas derrubar os monumentos que homenageiam os her\u00f3is que combateram os nazistas. O discurso desses grupos \u00e9 de puro \u00f3dio contra a R\u00fassia, contra os judeus e contra as minorias.<\/p>\n<p>Em resumo, ainda que as condi\u00e7\u00f5es objetivas empurrem os trabalhadores para a luta, ou seja, para a esquerda, as condi\u00e7\u00f5es subjetivas podem levar essas lutas a resultados pol\u00edticos que se dirigem para a direita, ou seja, que se voltem contra a pr\u00f3pria classe. \u00c9 o que est\u00e1 acontecendo na Ucr\u00e2nia. As lutas pol\u00edticas n\u00e3o podem ser explicadas apenas pelo fator objetivo das necessidades materiais, pois o fator subjetivo, a consci\u00eancia e a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, tem tamb\u00e9m um peso decisivo, e n\u00e3o pode ser substitu\u00eddo.<\/p>\n<p>\u00c9 muito insuficiente a an\u00e1lise rotineira de algumas corrente marxistas que explicam tudo pela aus\u00eancia de uma \u201cdire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d na Ucr\u00e2nia. Uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e socialista n\u00e3o pode ser improvisada nem transplantada para nenhum pa\u00eds da noite para o dia. Ela precisa ser constru\u00edda por um longo processo de rela\u00e7\u00e3o com a classe trabalhadora, de impulso e organiza\u00e7\u00e3o de suas lutas cotidianas e de sua consci\u00eancia. Sem isso, nenhuma \u201cdire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d pode cair de para quedas em meio a uma crise social e ser recohecida pelos trabalhadores. Ao contr\u00e1rio, reafirmamos, os trabalhadores ucranianos reconheceram grupos neonazistas como sua lideran\u00e7a. \u00c9 preciso reconhecer esse fato da realidade como ponto de partida para uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria para a situa\u00e7\u00e3o ucraniana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Da burocracia stalinista ao nacionalismo russo<\/b><\/p>\n<p>Para explicar a aus\u00eancia de um projeto pol\u00edtico de esquerda e a influ\u00eancia da ultra direita \u00e9 preciso mais uma vez recorrer \u00e0 hist\u00f3ria. Na \u00e9poca de consolida\u00e7\u00e3o do stalinismo, na d\u00e9cada de 1930, a pol\u00edtica da burocracia para os pa\u00edses que compunham a URSS foi de uma opress\u00e3o ainda mais feroz do que a do antigo imp\u00e9rio czarista. Essas regi\u00f5es foram obrigadas a entregar sua produ\u00e7\u00e3o para Moscou \u00e0 base da for\u00e7a dos fuzis, e em nenhum lugar essa pol\u00edtica foi mais violenta do que na Ucr\u00e2nia, segundo mais populoso e mais importante pa\u00eds da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e um dos mais f\u00e9rteis do mundo. Milh\u00f5es de camponeses ucranianos foram mortos no processo de coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada do campo e requisi\u00e7\u00e3o das safras pela burocracia stalinista.<\/p>\n<p>Reproduzindo a pr\u00e1tica do czarismo na \u00e9poca do imp\u00e9rio russo (a presen\u00e7a russa na Crimeia j\u00e1 tem mais de 200 anos, j\u00e1 que a regi\u00e3o \u00e9 porta de entrada para o mar Negro, e dali para o Mediterr\u00e2neo, por isso existe a base naval de Sebastopol), burocratas russos foram deslocados para administrar todas as institui\u00e7\u00f5es das rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas. Essa \u00e9 a base da exist\u00eancia de minorias russas em todas as ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, e tamb\u00e9m do \u00f3dio \u00e0 R\u00fassia.<\/p>\n<p>Voltando para o momento atual, os setores que se op\u00f5em ao golpe na Ucr\u00e2nia n\u00e3o tem outra refer\u00eancia al\u00e9m de voltar-se para a R\u00fassia. E isso de forma alguma \u00e9 ind\u00edcio de progresso social! A R\u00fassia \u00e9 governada por uma oligarquia mafiosa, cuja origem social est\u00e1 no aparato de seguran\u00e7a interna da finada URSS (a antiga KGB). Os ex-burocratas do aparato de seguran\u00e7a saquearam o patrim\u00f4nio estatal da antiga URSS com m\u00e9todos g\u00e2ngsteres e hoje governam a R\u00fassia com m\u00e3o de ferro atrav\u00e9s de Vladimir Putin, que n\u00e3o tolera nenhum tipo de oposi\u00e7\u00e3o. O principal cr\u00edtico do governo Putin \u00e9 um advogado liberal e democrata, Alexei Navalny, que est\u00e1 em pris\u00e3o domiciliar. O movimento oper\u00e1rio \u00e9 praticamente inexistente. O que resta do per\u00edodo sovi\u00e9tico na consci\u00eancia das massas \u00e9 uma vaga venere\u00e7\u00e3o de L\u00eanin e de Stalin como \u201cher\u00f3is nacionais\u201d, o primeiro por ter derrubado o czarismo e o segundo por ter vencido Hitler. O autoritarismo e o conservadorismo v\u00e3o a tal ponto que a homossexualidade \u00e9 proibida e os LGBTs s\u00e3o ca\u00e7ados nas ruas.<\/p>\n<p>\u00c9 para essa R\u00fassia que se volta a popula\u00e7\u00e3o russa da Crim\u00e9ia, que n\u00e3o aceita o golpe desfechado em Kiev. N\u00e3o existem grupos revolucion\u00e1rios de esquerda na Ucr\u00e2nia que possam se opor ao imperialismo e ao neonaizsmo. O partido comunista ucraniano (KPU) \u00e9 um resto da velha burocracia stalinista, cuja \u00fanica pol\u00edtica \u00e9 a defesa da integra\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia. Em nenhuma regi\u00e3o do mundo a crise de alternativas socialistas \u00e9 mais dram\u00e1tica do que nos pa\u00edses do antigo bloco sovi\u00e9tico. O fim do stalinismo deixou em seu lugar o \u00f3dio contra a R\u00fassia nas ex rep\u00fablicas da URSS e no bloco sovi\u00e9tico, e uma apologia do nacionalismo russo, dentro da pr\u00f3pria R\u00fassia.<\/p>\n<p><b>A falsa reedi\u00e7\u00e3o da Guerra Fria<\/b><\/p>\n<p>Temos que lidar com a crise de alternativa socialista como ela \u00e9 e n\u00e3o fantasiar que qualquer movimento em que as massas se colocam na rua \u00e9 automaticamente positivo. A anexa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela UE \u00e9 mais uma onda de choque da queda da URSS, o \u00faltimo efeito retardado da queda do regime burocr\u00e1tico, depois de mais de duas d\u00e9cadas do seu desmoronamento. Como um efeito retardado daquele processo, a crise na Ucr\u00e2nia traz de volta o problema das alternativas societ\u00e1rias, j\u00e1 que a ideologia que moveu o golpe \u00e9 a defesa do livre mercado capitalista, no qual as massas ucranianas depositam suas esperan\u00e7as. Em contra partida, a alternativa que se apresenta contra o golpe \u00e9 o nacionalismo russo, que \u00e9 mais uma vers\u00e3o do pr\u00f3prio capitalismo. Ou seja, n\u00e3o representa alternativa alguma. Essa alternativa ter\u00e1 que ser reconstru\u00edda, na Ucr\u00e2nia e em qualquer pa\u00eds do mundo, com base na organiza\u00e7\u00e3o e na luta dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A contraposi\u00e7\u00e3o entre a R\u00fassia e o imperialismo europeu e estadunidense por conta da anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia se transformou na principal quest\u00e3o pol\u00edtica internacional nas \u00faltimas semanas. Alguns analistas falam em \u201cnova Guerra Fria\u201d, relembrando o conflito que op\u00f4s URSS e Estados Unidos na segunda metade do s\u00e9culo XX, com a R\u00fassia substituindo o papel da URSS. Nada mais falso! A Guerra Fria n\u00e3o opunha apenas duas grande pot\u00eancias, mas duas alternativas sociais. Ainda que a URSS n\u00e3o fosse uma aut\u00eantica alternativa socialista, j\u00e1 que estava condenada ao fracasso pelo c\u00e2ncer da degenera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, a sua exist\u00eancia servia como fundamento da ideia de que era poss\u00edvel substituir o capitalismo. O seu desmoronamento, devido ao fato de que o c\u00e2ncer da degenera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica n\u00e3o foi curado, serviu como fundamento da ideia oposta, que predomina nas \u00faltimas d\u00e9cadas, de que n\u00e3o existe alternativa ao capitalismo. Portanto, o confronto entre o imperialismo e a R\u00fassia pela extens\u00e3o das respectivas esferas de influ\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 um conflito entre alternativas sociais, mas entre for\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f4micas que disputam poder no interior de um mesmo sistema, o capitalismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a consolida\u00e7\u00e3o do golpe, a Ucr\u00e2nia deve ser incorporada pela Uni\u00e3o Europeia, ou seja, colonizada pelo imperialismo alem\u00e3o, e as esperan\u00e7as de melhoria das massas que apoiaram o golpe v\u00e3o ser amargamente frustradas. O que resta saber \u00e9 se nesse momento futuro de frustra\u00e7\u00e3o e revolta vamos ter novos protestos que, a\u00ed sim, possam ser dirigidos pela esquerda. Como dissemos, o processo de organiza\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o da consci\u00eancia dos trabalhadores n\u00e3o pode ser substitu\u00eddo por nenhum outro tipo de for\u00e7a social. \u00c9 desse processo que depende a formula\u00e7\u00e3o de uma alternativa anticapitalista e autenticamente socialista.<\/p>\n<p>Como bandeiras para a constru\u00e7\u00e3o do movimento dos trabalhadores ucranianos defendemos:<\/p>\n<p>Contra o golpe de Estado! Nenhuma confian\u00e7a no governo provis\u00f3rio!<\/p>\n<p>Contra o tratado com o FMI e as medidas de austeridade!<\/p>\n<p>Contra os grupos fascistas! Pela autoorganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores!<\/p>\n<p>Contra a interven\u00e7\u00e3o do imperialismo europeu na Ucr\u00e2nia!<\/p>\n<p>Contra a inger\u00eancia dos EUA!<\/p>\n<p>Nem pro-R\u00fassia, nem pro-Uni\u00e3o Europeia: todo poder a classe trabalhadora ucraniana!<\/p>\n<p>Pela forma\u00e7\u00e3o de conselhos e comit\u00eas de base independentes, nos locais de trabalho e de moradia! Pelo controle oper\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o e dos pre\u00e7os!<\/p>\n<p>Por um poder socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0n\u00e3o\u00a0necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2909,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,76,64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2908"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2908"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2908\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6038,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2908\/revisions\/6038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2909"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}