{"id":291,"date":"2011-08-09T10:22:07","date_gmt":"2011-08-09T13:22:07","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/291"},"modified":"2018-06-01T15:58:16","modified_gmt":"2018-06-01T18:58:16","slug":"jornal-44-julhoagosto-de-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2011\/08\/jornal-44-julhoagosto-de-2011\/","title":{"rendered":"Jornal 44: Julho\/Agosto de 2011"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1519\" aria-describedby=\"caption-attachment-1519\" style=\"width: 209px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_44.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1519 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_44-209x300.jpg\" alt=\"Baixar em PDF\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_44-209x300.jpg 209w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_44.jpg 516w\" sizes=\"(max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1519\" class=\"wp-caption-text\">Baixar em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"#titulo1\">Crescem as lutas contra a explora\u00e7\u00e3o. O que falta aos trabalhadores?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo2\">Bac\u00e1rios: ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, organizar a campanha salarial<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo3\">Renovar pela luta: resgate e inova\u00e7\u00e3o com coer\u00eancia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo4\">Sobre a liberta\u00e7\u00e3o de Cesare Battisti<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo5\">&#8220;Paradise Now&#8221;: Um retrato humano da luta palestina<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo6\">Cuba: burocracia impulsiona restaura\u00e7\u00e3o &#8220;a la China&#8221;<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>CRESCEM AS LUTAS CONTRA A EXPLORA\u00c7\u00c3O. O QUE FALTA AOS TRABALHADORES?<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica segue ainda muito contradit\u00f3ria, se de um lado pode-se verificar uma pequena retomada do crescimento econ\u00f4mico em pa\u00edses centrais como os Estados Unidos (2,9%) e a Alemanha (3,6%), de outro lado, pa\u00edses como a Gr\u00e9cia, Irlanda, Portugal e outros t\u00eam suas bases econ\u00f4micas totalmente questionadas. H\u00e1 que se acompanhar a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial para ver como se desenvolve a economia e podermos fazer uma caracteriza\u00e7\u00e3o mais consistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todo modo, faz-se necess\u00e1rio refor\u00e7ar a constata\u00e7\u00e3o de que as dificuldades econ\u00f4micas da economia capitalista t\u00eam servido de impulso para uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da burguesia de ferozes ataques a direitos hist\u00f3ricos conquistados pela classe trabalhadora, e onde a Gr\u00e9cia \u00e9 o melhor exemplo, com programas de austeridade contra o conjunto da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualquer crescimento mais consistente est\u00e1 subordinado \u00e0 capacidade de a burguesia conseguir impor derrotas \u00e0 classe trabalhadora. Como o capital s\u00f3 pode se reproduzir com o m\u00e1ximo de apropria\u00e7\u00e3o de trabalho alheio, o pr\u00f3ximo per\u00edodo deve estar marcado por tentativas de todo tipo para \u201cempurrar goela abaixo\u201d os seus planos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso mais emblem\u00e1tico \u00e9 o chamado \u201c<i>Pacto do Euro<\/i>\u201d, apoiado por 27 pa\u00edses da Zona do Euro, que consiste num conjunto de medidas econ\u00f4micas e pol\u00edticas que visam garantir todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o capital se valorizar. Esse pacto busca introduzir a renegocia\u00e7\u00e3o dos acordos, sal\u00e1rios de acordo com \u00edndices de produtividade, ren\u00fancia fiscal do Estado, reforma dos sistemas de previd\u00eancia, privatiza\u00e7\u00f5es, controle de gastos p\u00fablicos \u2013 menos servi\u00e7o p\u00fablico para a popula\u00e7\u00e3o \u2013 e outras medidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas s\u00e3o demonstra\u00e7\u00f5es de que os chamados crescimentos da economia capitalista s\u00f3 podem ocorrer se conseguem fazer com que as leis de explora\u00e7\u00e3o do capital sejam aplicadas. Para ter crescimento, a economia capitalista necessariamente precisa aumentar a pobreza dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde os primeiros debates a respeito da caracteriza\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica mundial de 2008-2009 temos sustentado que, mesmo que a economia volte a se recuperar, a tend\u00eancia \u00e9 que esse crescimento seja cada vez mais fr\u00e1gil, pois o sistema ainda n\u00e3o resolveu os elementos estruturais de sua crise, como a\u00a0necessidade de amplia\u00e7\u00e3o do mercado para os patamares de sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de endividamento dos trabalhadores, a redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o em todo o planeta e, sobretudo, uma maior independ\u00eancia do capital produtivo em rela\u00e7\u00e3o ao financeiro. Esse \u00faltimo se apresenta como uma contratend\u00eancia do capital e sua crise tamb\u00e9m representa uma contradi\u00e7\u00e3o, na medida em que n\u00e3o possui a capacidade de criar valor, base do sistema de reprodu\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m temos sustentado que as medidas que o capital adotou s\u00e3o em si limitadas, pois seu efeito at\u00e9 esse momento foi empurrar para frente as contradi\u00e7\u00f5es. De todo modo, a tend\u00eancia \u00e9 que as crises c\u00edclicas tenham um intervalo cada vez menor entre si, e que as pr\u00f3ximas sejam mais graves que as anteriores. Foi assim com as crises de 1998, 2001 e agora 2008, com maiores consequ\u00eancias de uma para outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se h\u00e1 um elemento que mudou na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial \u00e9 o papel da classe trabalhadora, com o retorno de lutas envolvendo milh\u00f5es de trabalhadores. O qualitativo est\u00e1 no fato de que ocorrem em pa\u00edses que representam o cora\u00e7\u00e3o do sistema, como \u00e9 o caso das lutas cada vez mais radicalizadas dos trabalhadores da Gr\u00e9cia, Espanha e outros pa\u00edses da Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com o fato de os governos terem em geral conseguido aplicar as pol\u00edticas que prop\u00f5em, n\u00e3o podemos desprezar essa novidade na luta de classes. Al\u00e9m de dificultarem as coisas para a burguesia, surge tamb\u00e9m a possibilidade do desenvolvimento da consci\u00eancia, abrindo uma oportunidade impar, e que n\u00e3o v\u00edamos h\u00e1 muito tempo, para a esquerda revolucion\u00e1ria. A experi\u00eancia concreta desses trabalhadores com o capitalismo pode criar as condi\u00e7\u00f5es de uma nova etapa na subjetividade dos trabalhadores em n\u00edvel mundial. Essas lutas s\u00e3o campos f\u00e9rteis para o desenvolvimento das id\u00e9ias socialistas e \u00e9 por isso que a burguesia treme com elas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>O ressurgimento da direita<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma caracter\u00edstica das crises econ\u00f4micas profundas, como \u00e9 a crise estrutural do capital, \u00e9 o aumento de conflitos que expressam uma disputa que vai al\u00e9m das quest\u00f5es econ\u00f4micas. Em artigos anteriores j\u00e1 t\u00ednhamos destacado a quest\u00e3o de que essa crise n\u00e3o era apenas uma crise econ\u00f4mica, mas uma crise societal se manifestando em diversos aspectos da vida social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Xenofobia, atos de racismo e homofobia praticados por grupos fascistas, as manifesta\u00e7\u00f5es de deputados como Bolsonaro e Miriam Rios, de cunho racista e homof\u00f3bico, reorganiza\u00e7\u00e3o de grupos nazi fascistas (em SP at\u00e9 tentaram organizar um ato) e tantas outras manifesta\u00e7\u00f5es expressam de certa maneira uma disputa envolvendo projetos completamente distintos de mundo. S\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es que estavam na base do desenvolvimento de regimes como o nazista. Esse processo \u00e9 seguido por um aumento da criminaliza\u00e7\u00e3o do movimento social e a volta dos assassinatos cru\u00e9is, como os do Par\u00e1, no campo, praticados pela UDR e seus c\u00famplices.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Na Europa tamb\u00e9m h\u00e1 v\u00e1rias dessas manifesta\u00e7\u00f5es, inclusive com a direita crescendo eleitoralmente em v\u00e1rios pa\u00edses, dando-lhes uma base de apoio de massas. Nesse continente, o crescimento da direita tamb\u00e9m pode ser explicado com o papel desempenhado pelos partidos \u201cde esquerda\u201d (socialistas, social-democratas), totalmente vinculados ao sistema e que em muitos casos, como o espanhol, foram os primeiros a aplicarem as receitas neoliberais do FMI e de outros \u00f3rg\u00e3os do capital como o Banco Mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise de alternativa socialista, per\u00edodo hist\u00f3rico marcado pelo descr\u00e9dito nas id\u00e9ias socialistas e na pr\u00f3pria esquerda revolucion\u00e1ria, \u00e9 mais um importante elemento desse processo e facilitador do reaparecimento das id\u00e9ias e a\u00e7\u00f5es fascistas. Em suma, a direita tem procurado ocupar um espa\u00e7o a partir da falta de uma perspectiva que possa representar de fato algo novo para os trabalhadores, para a profunda crise social, e para a desilus\u00e3o de um setor importante da classe nas \u201cfalsas alternativas\u201d como PT, chavismo e o castrismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o estamos dizendo que entramos em um per\u00edodo fascista, mas que h\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es, com diversos n\u00edveis de desigualdades, que n\u00e3o podem ser ignoradas. Detectar esse processo \u00e9 importante principalmente por nos obrigar a pensar em formas unit\u00e1rias de organiza\u00e7\u00e3o e autodefesa dos movimentos em geral e da esquerda, e em particular como requisito de preserva\u00e7\u00e3o da vida dos militantes e dos trabalhadores nos conflitos com o capital.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>A economia do governo Dilma<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O chamado crescimento econ\u00f4mico brasileiro tem como base o financiamento p\u00fablico, com forte participa\u00e7\u00e3o do BNDES liberando bilh\u00f5es de reais para as empresas \u2013 sobretudo as empreiteiras \u2013 com juros abaixo do mercado e uma superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, onde o exemplo que melhor retrata essa realidade s\u00e3o os trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil. As not\u00edcias recentes de que o governo vai contribuir com mais de 4 bilh\u00f5es para a fus\u00e3o do grupo <i>P\u00e3o de A\u00e7\u00facar<\/i> de Ab\u00edlio Diniz com o <i>Carrefour<\/i> \u00e9 s\u00f3 mais um cap\u00edtulo dessa hist\u00f3ria. Como sabemos, as fus\u00f5es s\u00e3o parte das artimanhas da burguesia para reduzir os seus custos, ou seja, no final das contas o governo Dilma estar\u00e1 financiando o desemprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro pilar desse crescimento s\u00e3o as obras destinadas \u00e0 infra-estrutura para a Copa e as Olimp\u00edadas. Essas obras n\u00e3o apenas s\u00e3o fonte de recursos para as empreiteiras, mas tamb\u00e9m est\u00e3o sendo utilizadas para a reorganiza\u00e7\u00e3o das cidades e favorecimento da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. At\u00e9 agora j\u00e1 foram removidas dessas \u00e1reas \u2013 em favelas e corti\u00e7os \u2013 mais de 60 mil fam\u00edlias e \u201cdespejadas\u201d em locais que n\u00e3o escolheram. Ou seja, a burguesia ganha de todos os lados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra propaganda do governo diz respeito ao \u201crecorde\u201d da diminui\u00e7\u00e3o do desemprego. \u00c9 preciso entender a raz\u00e3o dos n\u00fameros do governo. Primeiro que o crit\u00e9rio que utiliza deforma os dados da realidade, pois n\u00e3o \u00e9 considerado desempregado um trabalhador que fez um \u201cbico\u201d de dois dias e teve algum rendimento; depois que boa parte desses empregos que v\u00e3o sendo gerados s\u00e3o com sal\u00e1rios baixos, cargos tempor\u00e1rios, e muito deles extremamente precarizados. Por fim, pela metodologia utilizada pelo DIEESE, o desemprego \u00e9 quase o dobro daquele anunciado pelo governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O discurso \u00e9 o mesmo: vamos financiar essas empresas para elas terem lucro e poderem gerar empregos, etc, etc. \u00c9 o mesmo discurso da ditadura militar, de que o momento do Brasil j\u00e1 chegou e \u00e9 preciso primeiro crescer para depois dividir, ou seja, os trabalhadores devem fazer\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0 \u201ca sua parte\u201d, sem reivindicar nada e depois poderemos repartir o bolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideramos como fundamental a cr\u00edtica a esse modelo implementado pelo PT, principalmente porque muitas vezes ele aparece como se fosse de esquerda.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>A pol\u00edtica do governo dilma<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os esc\u00e2ndalos envolvendo Palloci, e agora Alfredo Nascimento, servem para mostrar o real significado desse governo e a composi\u00e7\u00e3o social da base parlamentar de sua base de sustenta\u00e7\u00e3o no parlamento. Continuamos a caracteriz\u00e1-lo com um governo mais a direita de Lula e mais decidido em impor pesados ataques aos direitos dos trabalhadores, como \u00e9 o congelamento salarial para o funcionalismo p\u00fablico federal e as propostas de reforma da previd\u00eancia social, com altera\u00e7\u00e3o nos crit\u00e9rios para aposentadoria. O car\u00e1ter mais reacion\u00e1rio pode ser verificado na amplitude ideol\u00f3gica da base parlamentar sob a lideran\u00e7a do PMDB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com esses esc\u00e2ndalos, n\u00e3o h\u00e1 por parte da burguesia questionamentos em rela\u00e7\u00e3o a governabilidade e a sua pol\u00edtica econ\u00f4mica, principalmente porque todos os setores t\u00eam sido agraciados por medidas que ajudam a manter o lucro de cada um deles. Dilma, \u00e9, portanto, um governo que conta com o apoio da burguesia como um todo. Conhecer o inimigo \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es para que saiamos vitoriosos nas lutas. Para n\u00f3s, Dilma n\u00e3o \u00e9 um governo que esteja fragilizado e em crise \u2013 pensar assim significa abrir a guarda para derrotas. Pelo contr\u00e1rio: tem conseguido impor uma pol\u00edtica muito dura, principalmente contra o funcionalismo p\u00fablico federal. N\u00e3o nos iludimos com as apar\u00eancias e por isso defendemos que temos que ser cada vez mais fortes e organizados para termos alguma chance de vit\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 nesses seis meses que Dilma mostrou ao que veio, pois desde a campanha eleitoral insistia que seu governo seria de austeridade, de continuidade, e que governaria com e para o capital, ou seja, \u00e9 um governo tipicamente burgu\u00eas e com um projeto neoliberal. Ilude-se quem quer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo, os aliados s\u00e3o os setores mais reacion\u00e1rios, ou seja, o agroneg\u00f3cio. Com a queda do d\u00f3lar, a tend\u00eancia \u00e9 de aumento da press\u00e3o para o governo subsidiar as exporta\u00e7\u00f5es, uma vez que a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do pa\u00eds est\u00e1 totalmente voltada para as exporta\u00e7\u00f5es de commodities. E \u00e9 pouco prov\u00e1vel que o governo reclame, porque j\u00e1 se tornou ref\u00e9m desse setor, que \u00e9 uma das bases de sustenta\u00e7\u00e3o mais ativas do congresso.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Crescem as lutas&#8230;. e tamb\u00e9m o endurecimento do estado<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito ao movimento dos trabalhadores, os primeiros meses do ano recolocaram em cena as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de trabalhadores de categorias importantes, como constru\u00e7\u00e3o civil (Jirau, Suapes, Fortaleza) e metal\u00fargicos (Paran\u00e1). Se n\u00e3o podemos dizer que houve vit\u00f3rias espetaculares \u2013 os trabalhadores de Jirau, por exemplo, continuam sendo superexplorados e com p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u2013, tamb\u00e9m n\u00e3o podemos dizer que foram derrotados. O que arrancaram da patronal foi muito pouco, uma vez que ocorreram em setores onde a taxa de lucro da patronal \u00e9 muito maior, pois essas plantas est\u00e3o em locais em que o sal\u00e1rio e os direitos s\u00e3o muito menores do que nos grandes centros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto alto dessas mobiliza\u00e7\u00f5es foram as greves de transporte em S\u00e3o Paulo e no ABC, com paralisa\u00e7\u00f5es importantes em ferrovi\u00e1rios e condutores do ABC \u2013 que votaram e entraram em greve passando por cima da dire\u00e7\u00e3o \u2013, colocando depois de muito tempo os governos e a patronal na defensiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No funcionalismo p\u00fablico estadual, passamos por um momento de greves em v\u00e1rios estados do pa\u00eds, tendo os professores como vanguarda. Mas aqui tamb\u00e9m os trabalhadores se deparam com governos totalmente comprometidos com o projeto de destina\u00e7\u00e3o de verbas p\u00fablicas para a iniciativa privada. Nesse caso, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a quest\u00e3o salarial, mas as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e a pr\u00f3pria garantia do atendimento de servi\u00e7o essenciais para a popula\u00e7\u00e3o, pois nem isso alguns estados tem garantido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O funcionalismo p\u00fablico federal \u00e9 o melhor exemplo do significado do governo Dilma. V\u00e1rios setores est\u00e3o com os sal\u00e1rios congelados h\u00e1 mais de 3 anos e o governo sequer cumpre a determina\u00e7\u00e3o de revis\u00e3o anual dos sal\u00e1rios. At\u00e9 esse momento n\u00e3o foi apresentada nenhuma proposta de reajuste, e \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o seja, ou se apresente uma proposta muito rebaixada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorre que mesmo em crescimento, as lutas apresentam tr\u00eas grandes limites: 1-s\u00e3o lutas que ocorrem isoladas umas das outras, o que favorece os ataques dos patr\u00f5es e do governo; 2- Os sindicatos destas categorias s\u00e3o, em si, obst\u00e1culos, pois para levar uma atitude coerente com os interesses dos trabalhadores iriam necessariamente questionar o papel conciliador das dire\u00e7\u00f5es sindicais, colocando a nu sua liga\u00e7\u00e3o com o governo do PT; 3- O Estado, por meio do judici\u00e1rio e da pol\u00edcia, tem reprimido violentamente e colocado condi\u00e7\u00f5es absurdas aos movimentos dos trabalhadores, para na pr\u00e1tica inviabilizar o exerc\u00edcio do direito de greve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o surpreende o papel das centrais sindicais governistas, que praticamente viraram um escrit\u00f3rio de neg\u00f3cios e gest\u00e3o do capital. Continuam propondo e defendendo bancos de horas, redu\u00e7\u00e3o de direitos \u2013 como \u00e9 a proposta do sindicato dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo, defendendo flexibiliza\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas \u2013, incentivos fiscais para as empresas, entre outras propostas contra os trabalhadores. O n\u00edvel de relacionamento dessas centrais com o Estado e com a patronal j\u00e1 as transformam em gestoras do capital, pois a sua pol\u00edtica sempre visa dar condi\u00e7\u00f5es para uma melhor reprodu\u00e7\u00e3o do capital, ou seja, \u00e9 muito mais do que o apoio a algum governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a CSP-Conlutas (central da qual participamos), poderia ter se apresentado e ganho espa\u00e7o junto a esse primeiro ciclo de lutas no governo Dilma, mas por responsabilidade de sua dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria (PSTU), perdeu uma \u00f3tima oportunidade para se firmar enquanto uma central de luta e como alternativa para os trabalhadores. Primeiro porque n\u00e3o teve uma pol\u00edtica de apoiar de maneira decidida e pr\u00e1tica essas greves, e depois n\u00e3o conseguiu construir a greve de metrovi\u00e1rios para enfrentar Alckimin e seu plano de arrocho e privatiza\u00e7\u00e3o do metr\u00f4. Isso foi decisivo para enfraquecer as demais greves, que naquele momento enfrentavam uma severa repress\u00e3o policial e jur\u00eddica. Uma vit\u00f3ria nessas categorias possibilitaria a abertura de uma nova etapa na luta de classes no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, faz falta um trabalho sistem\u00e1tico com panfletos, carros de som, etc, com mensagens da\u00a0CSP-CONLUTAS junto \u00e0 base dos v\u00e1rios setores, de modo a disputar sua consci\u00eancia contra os meios de comunica\u00e7\u00e3o dominantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, n\u00e3o vemos a Intersindical aparecer como alternativa nesse processo de lutas em curso. A pol\u00edtica do PSOL \u2013 de priorizar os processos eleitorais em detrimento da mobiliza\u00e7\u00e3o direta dos trabalhadores, e suas posi\u00e7\u00f5es, que ficam sempre no meio do caminho em rela\u00e7\u00e3o ao combate ao capitalismo como um todo \u2013 impedem que esse setor possa apresentar uma alternativa de programa e de pr\u00e1tica que possa se contrapor de forma global e estrutural ao programa da burguesia, que \u00e9 implementado no pa\u00eds pelo governo Dilma, com respaldo das institui\u00e7\u00f5es do estado.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Por um encontro nacional de ativistas, antigovernista e pela base!<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro desse quadro contradit\u00f3rio de mais lutas, mas tamb\u00e9m de maior endurecimento da patronal e do estado contra os trabalhadores, a \u00fanica forma de aumentar a for\u00e7a dos movimentos \u00e9\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 unificando e combinando as lutas atrav\u00e9s de um calend\u00e1rio e de um programa m\u00ednimo comum, que seja a s\u00edntese das principais necessidades da classe trabalhadora e um referencial para as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trabalhadores devem estar unidos e confiantes em uma proposta alternativa, a ponto de poderem passar por cima das dire\u00e7\u00f5es pelegas que nada mais s\u00e3o do que o bra\u00e7o patronal e governista no movimento sindical, notadamente as centrais sindicais da CUT, For\u00e7a Sindical e CTB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como proposta concreta para que os pontos acima possam ser postos em debate e sejam tiradas linhas de a\u00e7\u00e3o conjuntas no sentido de um salto nas lutas dos trabalhadores, n\u00f3s do <i>Espa\u00e7o Socialista<\/i> defendemos a realiza\u00e7\u00e3o de um <i>Encontro Nacional de Ativistas<\/i>, que junte todos os setores classistas e antigovernistas dos movimentos sindical, estudantil e popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso, \u00e9 preciso pressionar para que as dire\u00e7\u00f5es tanto da CSP-Conlutas (PSTU) como da Intersindical (PSOL) parem de priorizar a unidade artificial e de c\u00fapula (inclusive com setores governistas), pois at\u00e9 agora n\u00e3o tem levado a nenhum ganho real para o avan\u00e7o das lutas. \u00c9 preciso que convoquem e organizem um <i>Encontro Nacional de Ativistas<\/i> pela base, a fim de envolver o maior n\u00famero poss\u00edvel de trabalhadores nas discuss\u00f5es e nas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse chamado deve se combinar com a realiza\u00e7\u00e3o de Encontros Regionais de entidades e movimentos que se organizem e busquem criar la\u00e7os e interc\u00e2mbios das categorias em luta e tamb\u00e9m com a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora em geral.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Investir a fundo na disputa pol\u00edtico-ideol\u00f3gica junto aos trabalhadores e estudantes!<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Combinando-se ao impulso e unifica\u00e7\u00e3o das lutas concretas, \u00e9 preciso um intenso trabalho de propaganda a fim de explicar aos trabalhadores que os ataques que sofremos est\u00e3o para al\u00e9m deste ou daquele patr\u00e3o ou governo, mas tem sua origem na pr\u00f3pria l\u00f3gica do capital, que em sua fase de crise estrutural \u2013 mesmo que \u00e0s vezes encoberta ou atenuada \u2013 busca se apropriar de uma parcela cada vez maior da riqueza social em detrimento dos trabalhadores. Isso significa que, para que as coisas possam realmente se resolver, \u00e9 preciso que os trabalhadores assumam coletivamente, atrav\u00e9s de suas organiza\u00e7\u00f5es de luta, o poder na sociedade, mudando todo o sistema pol\u00edtico, institucional e social\u00a0para que\u00a0a produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da riqueza do pa\u00eds esteja em fun\u00e7\u00e3o dos interesses coletivos dos trabalhadores e em equil\u00edbrio com a natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de realizar a disputa pol\u00edtico-ideol\u00f3gica junto \u00e0 base, tarefa esta que tem sido abandonada tanto pelo PSTU quanto pelo PSOL, presos que est\u00e3o ao imediatismo e \u00e0 unidade com alguns setores pr\u00f3-governistas no meio sindical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que a possibilidade de uma transforma\u00e7\u00e3o social n\u00e3o esteja colocada para o momento atual, \u00e9 fundamental desenvolver entre os trabalhadores esse referencial orientador, sob pena de continuarmos ref\u00e9ns da ideologia burguesa e das centrais governistas. Como dizia Rosa Luxemburgo, o socialismo n\u00e3o pode ser apenas um discurso para os dias de festa, deve estar incorporado \u00e0 nossa pr\u00e1tica cotidiana.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">BANC\u00c1RIOS: AP\u00d3S AS ELEI\u00c7\u00d5ES, ORGANIZAR A CAMPANHA SALARIAL!<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sindicato dos banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, Osasco e regi\u00e3o \u00e9 o mais importante do pa\u00eds, j\u00e1 que representa uma base com mais de 100 mil trabalhadores, no principal centro financeiro do pa\u00eds. O sindicato acaba de passar por elei\u00e7\u00f5es, em junho, com vit\u00f3ria da chapa da situa\u00e7\u00e3o (Articula\u00e7\u00e3o, bra\u00e7o sindical do PT), que assim se mant\u00e9m no controle da entidade para o mandato 2011-2014, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 proporcionalidade. O resultado da vota\u00e7\u00e3o foi de esmagadores 83%, contra 17% da chapa da oposi\u00e7\u00e3o, que viu assim sua vota\u00e7\u00e3o cair desde os 27% de 2008 e 35% de 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Espa\u00e7o Socialista fez parte da chapa de oposi\u00e7\u00e3o como minoria, por entender que a Articula\u00e7\u00e3o \u00e9 o verdadeiro obst\u00e1culo para o avan\u00e7o das lutas dos banc\u00e1rios, o que justifica a necessidade da unidade. Entretanto, prevaleceu na campanha a linha pol\u00edtica do PSTU, que organiza a corrente sindical MNOB, ligada \u00e0 Conlutas. A campanha acabou privilegiando a divulga\u00e7\u00e3o de atividades impulsionadas pelo MNOB\/Conlutas, as quais tiveram a sua import\u00e2ncia, mas consideramos que com isso se perdeu a oportunidade de debater as quest\u00f5es estruturais que afetam a vida da categoria. \u00c9 por insistirmos na necessidade de debater as quest\u00f5es abaixo que n\u00e3o fazemos parte do MNOB, e seguiremos lutando pela organiza\u00e7\u00e3o dos banc\u00e1rios a partir de outra perspectiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Os obst\u00e1culos que devemos superar:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Falta de estabilidade. A Articula\u00e7\u00e3o est\u00e1 no controle do sindicato desde 1979 e durante todo esse per\u00edodo n\u00e3o foi feito o trabalho de organiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para conquistar aquilo que seria fundamental: estabilidade no emprego. O estabelecimento de regras contra demiss\u00e3o imotivada deveria ser uma cl\u00e1usula priorit\u00e1ria de cada campanha salarial, assim como o reconhecimento de delegados sindicais eleitos por local de trabalho para fazer a resist\u00eancia cotidiana contra os abusos dos gestores. Esse trabalho nunca foi feito, e, por conta disso, os trabalhadores dos bancos privados acompanham a campanha salarial \u201cde fora\u201d, como algo que \u00e9 feito por outr\u00e9m em seu lugar. N\u00e3o h\u00e1 mobiliza\u00e7\u00e3o real por dentro dos bancos e os locais de trabalho s\u00f3 param quando h\u00e1 piqueteiros na frente das ag\u00eancias. Considerando que os trabalhadores dos bancos privados representam mais de 80% da base de S\u00e3o Paulo e constituem col\u00e9gio eleitoral cativo da Articula\u00e7\u00e3o, este t\u00f3pico deve ser uma quest\u00e3o central de qualquer debate sobre a organiza\u00e7\u00e3o da categoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Falta de participa\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos. A maior parte dos trabalhadores do BB e da CEF nem sequer \u00e9 sindicalizada. Os trabalhadores dos bancos p\u00fablicos teoricamente t\u00eam estabilidade (na verdade o contrato de trabalho \u00e9 regido pela CLT), mas mesmo assim t\u00eam participado cada vez menos das campanhas salariais. Isso acontece por conta dos \u00faltimos 8 anos, em que tivemos greve anualmente, mas jamais foram colocadas em pauta as reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos bancos p\u00fablicos (reposi\u00e7\u00e3o das perdas, isonomia, PCS, sa\u00fade, previd\u00eancia, etc.). Se a greve n\u00e3o serve para conquistar aquilo que interessa, os banc\u00e1rios naturalmente deixam de participar. Fazem greve por estar \u201cde saco cheio\u201d, por n\u00e3o suportar mais as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, mas n\u00e3o v\u00e3o \u00e0s assembl\u00e9ias e muito menos aos piquetes. A greve pode at\u00e9 ter boa ades\u00e3o num\u00e9rica, mas n\u00e3o tem participa\u00e7\u00e3o real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Burocratiza\u00e7\u00e3o do sindicato. As reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos bancos p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o discutidas nas campanhas salariais porque para isso seria preciso enfrentar o governo Lula\/Dilma\/PT. A Articula\u00e7\u00e3o dirige o sindicato a servi\u00e7o do seu partido e n\u00e3o dos banc\u00e1rios, por isso jamais vai enfrentar o PT e manobra as campanhas salariais para que n\u00e3o avancem. O PT se converteu num grupo de burocratas que sobrevive \u00e0s custas de cargos no aparato do Estado, mandatos parlamentares, assessorias, diretorias de estatais, fundos de pens\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o em empresas, corrup\u00e7\u00e3o, etc. A conseq\u00fc\u00eancia de termos no sindicato uma diretoria vinculada a um partido que defende o governo \u00e9 a degenera\u00e7\u00e3o dessa diretoria e da pr\u00f3pria vida da entidade. Os diretores do sindicato vinculados \u00e0 Articula\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito deixaram de ser trabalhadores, viraram burocratas profissionais. Alguns est\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas na diretoria e v\u00e3o se aposentar como \u201csindicalistas\u201d. Transformaram o sindicato num conglomerado, com gr\u00e1fica (Bangraf), cooperativa habitacional (Bancoop, alvo de den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o veiculadas na imprensa), cooperativa de cr\u00e9dito (Bancredi), que movimentam fortunas, administradas de forma pouco transparente. Nas nossas campanhas salariais, n\u00e3o vemos o aparato do sindicato mobilizado a nosso favor para enfrentar os banqueiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Formato das campanhas salariais. As campanhas salariais s\u00e3o feitas de modo a afastar os banc\u00e1rios. A come\u00e7ar pela defini\u00e7\u00e3o da pauta de reivindica\u00e7\u00f5es, por meio de uma pesquisa via internet, sobre cujo resultado n\u00e3o se tem o menor controle. A Articula\u00e7\u00e3o prefere uma campanha virtual na internet ao inv\u00e9s de uma campanha real, que comece por reuni\u00f5es nos locais de trabalho (para qu\u00ea servem mais de 80 diretores liberados?), plen\u00e1rias por banco e por regi\u00e3o, assembl\u00e9ias, em que os banc\u00e1rios possam se manifestar e apresentar suas propostas, suas reivindica\u00e7\u00f5es, suas id\u00e9ias, discutir formas de mobiliza\u00e7\u00e3o, de modo a ir criando for\u00e7a para uma eventual greve, que afete de fato o lucro dos bancos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As regras elementares da democracia s\u00e3o pisoteadas pela atual diretoria. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o na Folha Banc\u00e1ria para manifesta\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e de outros pensamentos que n\u00e3o os da Articula\u00e7\u00e3o. Nas pr\u00f3prias assembl\u00e9ias de greve, os raros espa\u00e7os em que os banc\u00e1rios podem se encontrar e discutir como coletivo, h\u00e1 pouco debate, pois a diretoria fala durante horas e pede aos trabalhadores que apenas levantem o crach\u00e1. N\u00e3o s\u00e3o abertas inscri\u00e7\u00f5es para falas, n\u00e3o h\u00e1 tempo para defender propostas de como organizar a greve, as propostas que s\u00e3o feitas n\u00e3o s\u00e3o colocadas em vota\u00e7\u00e3o, etc. A diretoria est\u00e1 t\u00e3o distanciada da base que na hora de encerrar a greve e aprovar os acordos s\u00e3o marcadas assembl\u00e9ias \u00e0 noite, combinadas com os bancos, para que os gerentes e fura-greves compare\u00e7am em massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Antecipar a prepara\u00e7\u00e3o da campanha salarial!<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passada a elei\u00e7\u00e3o, entramos no per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o da campanha salarial. Os mesmos obst\u00e1culos listados acima estar\u00e3o colocados diante dos banc\u00e1rios novamente. A partir do coletivo Banc\u00e1rios de Base, que integra a Frente Nacional de Oposi\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria, estaremos fazendo o debate sobre como superar esses obst\u00e1culos. Precisamos antecipar a prepara\u00e7\u00e3o da campanha salarial, para romper o controle da Articula\u00e7\u00e3o e colocar em discuss\u00e3o as reivindica\u00e7\u00f5es que representam os verdadeiros interesses dos banc\u00e1rios.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b><a name=\"titulo3\"><\/a>RENOVAR PELA LUTA: RESGATE E INOVA\u00c7\u00c3O COM COER\u00caNCIA<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\">Alexandre Ferraz e Cl\u00e1udio Santana (integrantes do <i>Renovar Pela Luta<\/i>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No m\u00eas de junho ocorreram as elei\u00e7\u00f5es na APEOESP para a Diretoria Estadual e para as Executivas Regionais. No \u00e2mbito estadual, prevaleceu o continu\u00edsmo da Articula\u00e7\u00e3o Sindical , corrente que representa o PT nos sindicatos de um modo geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, em Santo Andr\u00e9 algo novo surgiu: o grupo <i>Renovar Pela Luta \u2013 Oposi\u00e7\u00e3o Chapa\u00a02 <\/i>obteve uma grande uma vit\u00f3ria, elegendo 21 dos 24 Conselheiros que compor\u00e3o a Executiva da Subsede. Al\u00e9m disso, devido \u00e0 representatividade atingida, o Renovar Pela Luta ter\u00e1 um membro na diretoria estadual da APEOESP, pela Chapa 2 \u2013 Oposi\u00e7\u00e3o Unificada na Luta.\u00a0\u00a0\u00a0 <i>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/i><\/p>\n<p>Essa vit\u00f3ria \u00e9 resultado de um processo de atua\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o que se iniciou em 2005, ganhou consist\u00eancia nos anos seguintes e se expandiu durante e a partir da greve de 2010, quando passou a se denominar <i>Renovar Pela Luta. <\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na greve de 2010, o Renovar Pela Luta esteve \u00e0 frente do Comando de Greve nas visitas \u00e0s escolas e nas assembleias regionais. Em Santo Andr\u00e9, nossas assembleias regionais reuniam em m\u00e9dia 500 professores integrados com pais, alunos e fanfarras de escolas em greve, que sa\u00edam em passeata pelas ruas da cidade, sendo que, na \u00faltima conseguimos at\u00e9 intervir na C\u00e2mara de Vereadores, colocando nossas reivindica\u00e7\u00f5es e nos colocando contra a municipaliza\u00e7\u00e3o. Algo que s\u00f3 ocorreu nos anos 1980.<\/p>\n<p>Por fim, a atua\u00e7\u00e3o do grupo na greve foi no sentido de organizar os professores em unidade com alunos, pais e demais trabalhadores da regi\u00e3o, n\u00e3o para defendermos apenas os interesses do partido\/organiza\u00e7\u00e3o, como muitas vezes ocorre no movimento, onde as demandas dos trabalhadores s\u00e3o postas de lado priorizando-se os interesses partid\u00e1rios ou de uma corrente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Renovar Pela Luta encontra-se em constru\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 surge representando algo distinto na cena sindical atual, na medida em que prop\u00f5e uma renova\u00e7\u00e3o nos objetivos e nos meios da atua\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Os desafios atuais<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os desafios atuais na educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o maiores do que antes. Presenciamos a sociedade capitalista em uma crise estrutural \u2013 embora atenuada e encoberta &#8211; e, que, por isso mesmo, reproduz e agrava em escala global\u00a0as desigualdades, car\u00eancias, inquieta\u00e7\u00f5es, tens\u00f5es e os antagonismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dentro dessa realidade que a classe empresarial e os governos tentam a todo custo impor \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora o pior papel poss\u00edvel: forma\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3o-de-obra para um mercado de trabalho precarizado e\u00a0amortecimento\u00a0dos problemas sociais, que segundo essa vis\u00e3o deve ser tamb\u00e9m papel priorit\u00e1rio das escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A precariza\u00e7\u00e3o geral da educa\u00e7\u00e3o oferecida aos nossos jovens est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de sal\u00e1rio dos professores, afinal para se formar uma m\u00e3o-de-obra prec\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 preciso a valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o. Apenas um pequeno setor que esteja ligado a nichos de bairros e centros com melhores condi\u00e7\u00f5es de vida j\u00e1 dadas \u2013 e portanto maiores oportunidades e estrutura \u2013 \u00e9 que ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de atingir os \u00edndices e obter os b\u00f4nus, evolu\u00e7\u00f5es por m\u00e9rito, etc. Para a maioria dos professores est\u00e1 reservado o rebaixamento total das condi\u00e7\u00f5es trabalho, de vida, dificuldades de acesso aos bens culturais de aprimoramento da forma\u00e7\u00e3o did\u00e1tico-pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como decorr\u00eancia do rebaixamento dos sal\u00e1rios, ocorrido ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, temos a realidade de que uma grande parcela (50% ou mais dos professores) hoje acumulam dois cargos em duas redes ou outros empregos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sobrecarga de trabalho, sem que ao mesmo tempo haja qualquer sentimento de realiza\u00e7\u00e3o com o tipo de atividade docente imposto de cima para baixo, acarreta n\u00e3o apenas os problemas de sa\u00fade cada vez em maior propor\u00e7\u00e3o, mas a perda mesmo do sentido da profiss\u00e3o docente e do pertencimento \u00e0 comunidade escolar, da rela\u00e7\u00e3o com os alunos e com os pr\u00f3prios colegas. A luta pela subsist\u00eancia imediata se contrap\u00f5e \u00e0 vida profissional e \u00e0 vida em si, j\u00e1 que ambas s\u00f3 podem se realizar coletiva e livremente. Assim, por todos os \u00e2ngulos que se olhe, identifica-se uma crise geral e profunda da educa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 ao mesmo tempo parte da crise da sociedade capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa situa\u00e7\u00e3o vem se agravando e se combinando com a falta de estrutura m\u00ednima nas escolas e com a falta de vontade de aprender dos nossos alunos, produzindo um quadro de caos e viol\u00eancia crescentes, gerando uma insatisfa\u00e7\u00e3o cada vez maior entre os professores e a sensa\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso fazer algo, se juntar para resistir de alguma forma, ao mesmo tempo em que se busca a retomada das discuss\u00f5es e encontros coletivos ainda de car\u00e1ter social, n\u00e3o diretamente pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas diversas formas de resist\u00eancia que come\u00e7am no interior das escolas \u2013 mas ganham contornos maiores em reuni\u00f5es e protestos de rua, em greves turbulentas, como a greve dos professores de S\u00e3o Paulo em mar\u00e7o do ano passado, ou nas greves em v\u00e1rios estados no primeiro semestre deste ano \u2013 s\u00e3o exemplos desse crescimento da revolta que, no entanto, bate nos diques de conten\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es sindicais e ainda\u00a0n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a e consci\u00eancia suficientes para transpor esses obst\u00e1culos e inaugurarem um novo per\u00edodo nas lutas da educa\u00e7\u00e3o. Apesar disso, o aspecto contestador \u00e9 not\u00e1vel e crescente. O sentimento de que \u00e9 preciso um novo sindicalismo, capaz de impulsionar e dar coes\u00e3o a todas as iniciativas de protesto dos professores \u00e9, antes de tudo, o primeiro fator que explica o surgimento e crescimento do <i>Renovar Pela Luta.<\/i><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Combatemos o sindicalismo viciado e governista<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">As nossas lutas t\u00eam enfrentado ultimamente n\u00e3o s\u00f3 governos do PSDB, mas tamb\u00e9m o governo federal (PT\/PMDB), pois ambos defendem \u2013 com uma ou outra diferen\u00e7a \u2013 a conten\u00e7\u00e3o dos investimentos na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, e uma mesma forma de pol\u00edtica educacional, que retira direitos dos professores, individualiza a quest\u00e3o salarial atrav\u00e9s da prova de m\u00e9rito e bonifica\u00e7\u00f5es por m\u00e9rito, n\u00e3o valoriza e n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o as realidades de trabalho dos professores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse enfrentamento repercute diretamente no funcionamento interno da APEOESP. Os espa\u00e7os democr\u00e1ticos s\u00e3o cada vez menores, as subsedes de oposi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o implementam a pol\u00edtica da diretoria majorit\u00e1ria s\u00e3o amea\u00e7adas e podem ser sancionadas, de modo que n\u00e3o questionem o sindicalismo governista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, as reivindica\u00e7\u00f5es dos professores avan\u00e7am e s\u00e3o retra\u00eddas pela <i>Articula\u00e7\u00e3o Sindical<\/i>, na medida em que come\u00e7am a questionar a pol\u00edtica educacional do governo federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos frontalmente contra essa atua\u00e7\u00e3o sindical. Defendemos um sindicato independente dos governos e patr\u00f5es.\u00a0 Somos tamb\u00e9m favor\u00e1veis \u00e0 desfilia\u00e7\u00e3o da CUT governista. \u00c9 necess\u00e1rio parar de pagar R$ 1,5 milh\u00e3o a essa central. Plebiscito j\u00e1 para que os professores decidam!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Superar os limites da atua\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria oposi\u00e7\u00e3o!<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado das elei\u00e7\u00f5es e das \u00faltimas lutas mostram claramente que \u00e9 preciso questionarmos e superarmos os limites existentes no interior mesmo das correntes de oposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 um fato que o movimento de Oposi\u00e7\u00e3o de forma geral n\u00e3o tem conseguido apresentar um projeto de atua\u00e7\u00e3o sindical pr\u00f3prio e independente, que seja a marca da Oposi\u00e7\u00e3o e que seja de fato refer\u00eancia para amplos setores da nossa categoria. Via de regra, contenta-se em ser somente isso: oposi\u00e7\u00e3o, quando deveria tamb\u00e9m se constituir em uma alternativa vi\u00e1vel e com credibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, as maiores correntes pol\u00edticas da Oposi\u00e7\u00e3o seguem presas a um tipo de atua\u00e7\u00e3o limitada, que j\u00e1 se tornou um ritual, n\u00e3o tem muita vida, \u00e9 muito previs\u00edvel e muito pouco envolvente, n\u00e3o conseguindo agregar novas pessoas. Em uma realidade que est\u00e1 em movimento e onde o pr\u00f3prio governo inova a todo momento, na Oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 inova\u00e7\u00e3o em suas pr\u00e1ticas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra marca problem\u00e1tica tem sido a centraliza\u00e7\u00e3o excessiva das decis\u00f5es e das iniciativas nas m\u00e3os dos dirigentes. Como envolver as pessoas, se s\u00e3o sempre poucos que decidem de fato? Se mesmo quando h\u00e1 plen\u00e1rias, as decis\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o de alguma forma pr\u00e9-fabricadas e se na hora H n\u00e3o h\u00e1 acordo, ocorre o racha por quest\u00f5es n\u00e3o ligadas \u00e0 pr\u00f3pria luta, mas unicamente por disputas nas esferas de poder?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura muito verticalizada com certeza \u00e9 um dos fatores que dificultam o crescimento da Oposi\u00e7\u00e3o, e \u00e9 uma das coisas que tem que ser mudadas urgentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As grandes correntes tamb\u00e9m t\u00eam se pautado por uma adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura sindical criada e (de)formada pela Articula\u00e7\u00e3o com total falta de controle, uma estrutura que a Articula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m usa para tentar controlar, corromper e cooptar a pr\u00f3pria Oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cargos liberados em que tem ocorrido pouco ou nenhum revezamento, uso de uma estrutura que, em parte \u00e9 necess\u00e1ria, mas sobre a qual n\u00e3o h\u00e1 qualquer controle ou presta\u00e7\u00e3o de contas \u2013 como o uso dos carros do sindicato, dos celulares liberados, hospedagens sem controle,etc: isso tudo exerce ou n\u00e3o uma influ\u00eancia sobre os membros da Oposi\u00e7\u00e3o que ocupam postos de dire\u00e7\u00e3o na APEOESP e nas subsedes? E que contrapesos temos para impedir que a burocratiza\u00e7\u00e3o ocorra no interior das nossas pr\u00f3prias fileiras?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a pr\u00f3pria categoria percebe que muitos dirigentes \u2013 sejam da Oposi\u00e7\u00e3o, da diretoria estadual ou das subsedes \u2013 sofrem modifica\u00e7\u00f5es em sua conduta, se mostrando menos sens\u00edveis aos problemas que antes davam aten\u00e7\u00e3o. O tom de intransig\u00eancia frente \u00e0s discord\u00e2ncias e a imposi\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o fatores que afastam as pessoas ao inv\u00e9s de aproxim\u00e1-las, e justamente num momento t\u00e3o necess\u00e1rio e delicado&#8230;\u00a0Isso tem ou n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o com o ponto anterior?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez mais h\u00e1 a press\u00e3o pelo aumento da quantidade de mandatos liberados, ao inv\u00e9s de se cumprir o rod\u00edzio como uma das formas de combater a acomoda\u00e7\u00e3o social e fazer com que n\u00e3o se perca o v\u00ednculo com a realidade da sala de aula. Quando se questiona esse fato, as rea\u00e7\u00f5es por parte das dire\u00e7\u00f5es das grandes correntes s\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, que n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m preparado, \u00e0 altura do cargo, mas ao mesmo tempo n\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o nesse sentido. Ou seja, torna-se c\u00f4modo manter essa situa\u00e7\u00e3o indefinidamente. Este \u00e9 um dos fatores principais da perda de reflexo que muitas vezes \u00e9 vis\u00edvel nas dire\u00e7\u00f5es do nosso movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 urgente combater as tend\u00eancias \u00e0 acomoda\u00e7\u00e3o e a estrutura verticalizada no interior da pr\u00f3pria Oposi\u00e7\u00e3o como forma de estarmos em condi\u00e7\u00f5es de cumprir um papel mais ousado na realidade da nossa categoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Construir um novo projeto de atua\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na situa\u00e7\u00e3o atual e cada vez mais daqui por diante, \u00e9 preciso renovar as pr\u00e1ticas limitadas, expandindo o raio de atua\u00e7\u00e3o do sindicalismo. Precisamos ir al\u00e9m do corporativismo, buscando juntar em nosso movimento pais, alunos e demais trabalhadores em uma luta conjunta por uma Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica de qualidade para os trabalhadores e seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho deve ser realizado com todos que sejam sens\u00edveis \u00e0 realidade de caos que enfrenta a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e os professores. \u00c9 preciso uma atua\u00e7\u00e3o muito mais ousada e um enfoque que v\u00e1 al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o atual da maioria das correntes, que \u00e9 restrita \u00e0s demandas corporativas da categoria. As demandas dos professores devem ser consideradas e tratadas como parte das demandas gerais necess\u00e1rias para uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para os trabalhadores e seus filhos, a fim de provocarem a discuss\u00e3o e o envolvimento do conjunto da classe trabalhadora na luta pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 mais necess\u00e1rio ainda \u00e0 medida em que nossa categoria n\u00e3o \u00e9 produtiva de forma direta, e portanto s\u00f3 pode ter impacto na sociedade se conseguir dotar nossa luta de um car\u00e1ter amplo e coletivo, transformando-se numa luta pol\u00edtica maior contra o projeto de precariza\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o aos interesses do mercado e do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Indo al\u00e9m, nossa luta deve ser cada vez mais contra a pr\u00f3pria ordem do capital, condi\u00e7\u00e3o para que tenhamos de fato uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade livre e acess\u00edvel a todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos que combater a inger\u00eancia dos empres\u00e1rios e banqueiros na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Estes criticam os investimentos p\u00fablicos na educa\u00e7\u00e3o, prop\u00f5em o enxugamento dos postos de trabalho e exigem a redu\u00e7\u00e3o do tamanho do Estado em seu aspecto de servi\u00e7os sociais, visando no entanto o estado m\u00e1ximo servi\u00e7o da reprodu\u00e7\u00e3o de seus lucros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, atrav\u00e9s das medidas induzidas pelos organismos internacionais \u2013 Banco Mundial, FMI, UNESCO \u2013 e pelo movimento <i>Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o<\/i> (com suas ONG\u00b4S, bancos, grupos empresariais e partidos governistas), visam domesticar os professores, os alunos e os pais e\u00a0assim formar a m\u00e3o-de-obra que lhes interessa, ao menor custo poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <i>Renovar Pela Luta<\/i> se prop\u00f5e a re-examinar de alto a baixo todas as quest\u00f5es apresentadas\u00a0acima em uma rela\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo com as demais correntes, os ativistas independentes e os demais professores, no sentido de construirmos um novo projeto de atua\u00e7\u00e3o na Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para organizarmos os professores numa extens\u00e3o cada vez maior, \u00e9 necess\u00e1rio fazer uso das novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o. Nos propomos a dinamizar esse trabalho atrav\u00e9s de listas de e-mail, site, v\u00eddeos no YouTube, Facebook etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, o desafio colocado \u00e9 o de envolver o m\u00e1ximo de professores nesse projeto de um sindicato aberto, coerente e inovador, onde todos possam ser sujeitos, com respeito e poder de decis\u00e3o dentro do coletivo.\u00a0Os desafios s\u00e3o enormes, pois sabemos que as escolas est\u00e3o um caos e, no capitalismo, por mais que lutemos, n\u00e3o conseguiremos resolver os problemas educacionais e sociais que est\u00e3o interligados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00f3s tamb\u00e9m podemos ousar sonhar em contribuir com a possibilidade de uma luta maior no sentido mesmo de uma mudan\u00e7a social, onde possamos renovar o sindicato, renovar\u00a0a pol\u00edtica e renovar o mundo, e tudo isso pela luta!<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b><a name=\"titulo4\"><\/a>SOBRE A LIBERTA\u00c7\u00c3O DE CESARE BATTISTI<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito se discutiu (e discute-se) sobre o caso Battisti. Das mais variadas orienta\u00e7\u00f5es, apaixonadas ou n\u00e3o, as diferentes opini\u00f5es n\u00e3o podem se afastar da objetividade dos fatos. Vamos a eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em recente decis\u00e3o, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pelo fim da pris\u00e3o de Battisti. Trata-se de uma grande vit\u00f3ria popular. Foragido pol\u00edtico da Justi\u00e7a italiana, Battisti, em sua juventude, fora militante da organiza\u00e7\u00e3o \u201cProlet\u00e1rios Armados pelo Comunismo\u201d (PAC). Julgado e processado, fraudulentamente e em diversas ocasi\u00f5es, pelo corrompido poder Judici\u00e1rio de seu pa\u00eds, Battisti refugiou-se no M\u00e9xico, na Fran\u00e7a e, finalmente, no Brasil. Aqui, fora preso a pedido das autoridades italianas, durando mais de quatro anos sua saga pela liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quais an\u00e1lises podem ser feitas? Com o fim da 2\u00aa Guerra Mundial e o in\u00edcio da Guerra Fria, mesmo militarmente derrotados, os fascistas italianos foram tolerados pelos Estados Unidos (EUA), diferentemente dos nazistas alem\u00e3es. Assim o foi pois no recente contexto b\u00e9lico, a It\u00e1lia de Mussolini, ainda que aliada, n\u00e3o se igualou, sequer proporcionalmente, ao gigantesco poderio econ\u00f4mico e militar hitlerista. A Alemanha de Hitler fora a imensa e concreta amea\u00e7a \u00e0 hegemonia estadunidense no mundo. A It\u00e1lia n\u00e3o fora o mesmo perigo. E, ainda, considerando-se o ambiente da Guerra Fria, pela sua \u00edndole declaradamente anticomunista, os antigos fascistas italianos foram bastante \u00fateis no controle de movimentos populares. Na It\u00e1lia da d\u00e9cada de 70, o povo pobre e explorado, quando minimamente organizado, sofria duras agress\u00f5es, tanto do aparato estatal quanto de organiza\u00e7\u00f5es paramilitares neofacistas. E, agravando-se a situa\u00e7\u00e3o, o antigo Partido Comunista Italiano (PCI), das fileiras her\u00f3icas na luta contra o fascismo, passou a colaborador da repress\u00e3o aos movimentos populares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodeada de pol\u00eamica, a quest\u00e3o versa sobre a excessiva burocratiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e sua absor\u00e7\u00e3o program\u00e1tica pelo sistema eleitoral italiano. Afastada a perspectiva revolucion\u00e1ria, o PCI passou a repelir os aut\u00eanticos comunistas. Sem contar com o PCI, muitas organiza\u00e7\u00f5es populares, agindo coerentemente, partiram para a radicalidade, distribuindo-se, de maneira geral, em duas frentes de luta. A primeira, militarizada, partiu para a luta armada aberta com clara finalidade de derrubada do Estado burgu\u00eas e instaura\u00e7\u00e3o de um Estado popular, sendo as Brigadas Vermelhas seu principal exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda frente de luta, tamb\u00e9m hostil ao Estado italiano, todavia, concentrava-se na luta ideol\u00f3gica, no amparo da popula\u00e7\u00e3o pobre e no aux\u00edlio a toda forma de milit\u00e2ncia de oposi\u00e7\u00e3o ao governo. Suas a\u00e7\u00f5es armadas eram bravias, sim, mas com menor incis\u00e3o. Entre tantas organiza\u00e7\u00f5es, aqui se encontrava o PAC de Battisti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PAC, objetivamente, era um grupo pequeno e regional, o que n\u00e3o lhe diminui os m\u00e9ritos. De toda forma, era mais um entre tantos agrupamentos armados com curto poder de fogo. E a milit\u00e2ncia de Battisti era-lhe marginal, chegando a se afastar do grupo antes dos atos de maior viol\u00eancia. O porqu\u00ea, portanto, de tamanha sanha conservadora na condena\u00e7\u00e3o e pris\u00e3o, a qualquer custo, de Battisti?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio dito \u201c11\/09\u201d pode explicar. Em 11 de setembro de 2001, avi\u00f5es comerciais carregados de passageiros civis foram seq\u00fcestrados e atirados sobre alvos nos EUA. Foram a\u00e7\u00f5es repugnantes, indignas de qualquer perd\u00e3o&#8230; tanto quanto foram (e s\u00e3o) horr\u00edveis e imperdo\u00e1veis todos os ataques do criminoso governo ianque aos diversos povos do mundo h\u00e1 mais de cem anos! Com os ataques do \u201c11\/09\u201d, a histeria na \u201cguerra do terror\u201d contaminou os EUA e a Europa. Na It\u00e1lia, a histeria aliou-se a outro elemento explosivo: a natureza neofascista do governo Silvio Berlusconi. A orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Berlusconi reproduz a pr\u00e1tica t\u00edpica de seu pa\u00eds nas d\u00e9cadas de 30 e 40: intoler\u00e2ncia e trucul\u00eancia contra todos seus opositores. Por diferentes estratagemas o governo italiano tentou capturar Battisti. A agressividade e o rancor escancarados evidenciaram o potencial risco de morte ao ex-combatente. Devolv\u00ea-lo \u00e0 It\u00e1lia seria entreg\u00e1-lo \u00e0 morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, qual o significado geral do \u201ccaso Battisti\u201d? As peri\u00f3dicas crises do capitalismo (como a atual, frise-se) mant\u00eam acesas as lutas populares. A rebeldia \u00e9 um clar\u00e3o de esperan\u00e7a nas trevas da mis\u00e9ria. A rebeli\u00e3o crepita nas ruas, nas pra\u00e7as, nas casas. O povo parte para o enfrentamento pol\u00edtico, reivindicando a dignidade que nunca lhe foi dada. A opress\u00e3o burguesa n\u00e3o se intimida e despeja o seu pior sobre as classes populares: da criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos aos assassinatos e golpes de Estado! Em tais ocasi\u00f5es, mesmo feridos, mulheres e homens dispostos aos maiores sacrif\u00edcios erguem-se em armas contra a tirania! Fazem o caminho da \u201carma da cr\u00edtica\u201d para a \u201ccr\u00edtica das armas\u201d! Enfrentam em larga desvantagem a tirania, contando unicamente com a bravura! \u00c9 o que temem os reacion\u00e1rios! Temem a rea\u00e7\u00e3o popular! Assim, qualquer um, como Battisti e tantos outros, que ousou (e ousa) colocar em xeque o criminoso sistema capitalista, precisa ser moral e pessoalmente esmagado. Assim \u00e9 necess\u00e1rio, pois os imperialistas sabem perfeitamente que <b>outros Outubros vir\u00e3o<\/b>&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b><a name=\"titulo5\"><\/a>\u201cPARADISE NOW\u201d: UM RETRATO HUMANO DA LUTA PALESTINA<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto abaixo \u00e9 produto de um debate realizado na sede do Espa\u00e7o Socialista, em 11 de junho, ap\u00f3s a exibi\u00e7\u00e3o do filme \u201cParadise now\u201d. O v\u00eddeo-debate \u00e9 parte de um ciclo de atividades em que usamos produ\u00e7\u00f5es culturais como ponto de partida para discuss\u00f5es pol\u00edticas, forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e ideol\u00f3gica. Os objetivos desse ciclo s\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; proporcionar uma outra forma de vivenciar a cultura. O debate sobre uma obra a transforma numa experi\u00eancia coletiva e ativa, ao inv\u00e9s da postura passiva de espectador pela qual a ind\u00fastria cultural tenta nos acostumar a ver a cultura e a arte como simples entretenimento;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; oferecer produ\u00e7\u00f5es que tenham conte\u00fado est\u00e9tico e pol\u00edtico. Em vez das obras facilmente esquec\u00edveis da cultura comercializada, que n\u00e3o provocam nenhuma esp\u00e9cie de efeito transformador,\u00a0buscamos obras capazes de suscitar discuss\u00f5es \u00e9ticas, que exigem reflex\u00e3o e tomada de posicionamento sobre quest\u00f5es humanas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; combater as interpreta\u00e7\u00f5es sobre os diversos fen\u00f4menos e dimens\u00f5es da vida abordados pela arte enraizadas na ideologia burguesa prevalecente, construindo uma vis\u00e3o baseada na perspectiva da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes do debate, apresentamos uma breve contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e conclu\u00edmos com algumas delimita\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>O pano de fundo hist\u00f3rico<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do chamado conflito palestino \u00e9 uma trag\u00e9dia do s\u00e9culo XX. A aspira\u00e7\u00e3o at\u00e9 certo ponto leg\u00edtima do povo judeu por um lar nacional foi transformada pelo imperialismo ingl\u00eas, ap\u00f3s a I Guerra, em pretexto para expulsar os palestinos de terras em que viviam h\u00e1 praticamente dois mil\u00eanios (onde conviviam pacificamente com uma minoria de crist\u00e3os e judeus orientais) e l\u00e1 instalar colonos vindos da Europa, onde os judeus ocidentais viviam uma hist\u00f3ria de s\u00e9culos de anti-semitismo. Com o fim da II Guerra e a revela\u00e7\u00e3o do holocausto judeu nas m\u00e3os dos nazistas, sai o imperialismo ingl\u00eas e entram os Estados Unidos e a ONU, com a proclama\u00e7\u00e3o de dois Estados na Palestina, um judeu e um \u00e1rabe. O Estado palestino jamais foi instalado e ao longo de sucessivas guerras o Estado de Israel ocupou todo o territ\u00f3rio que caberia aos dois Estados. O genoc\u00eddio praticado pelos nazistas contra os judeus deu aos sionistas (setor do povo judeu que defende a constru\u00e7\u00e3o de Israel \u00e0s expensas dos palestinos) uma esp\u00e9cie de \u201c\u00e1libi eterno\u201d para praticar uma pol\u00edtica de genoc\u00eddio contra os palestinos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os palestinos vivem confinados em dois pequenos territ\u00f3rios, Gaza e Cisjord\u00e2nia, cercados pelo ex\u00e9rcito de Israel, que controla todas as estradas e passagens e transforma suas vidas numa humilha\u00e7\u00e3o cotidiana. Al\u00e9m disso, colonos judeus seguem se apropriando das melhores terras, das fontes de \u00e1gua, estradas, etc., nos chamados assentamentos na Cisjord\u00e2nia. A maior popula\u00e7\u00e3o de judeus no mundo est\u00e1 nos Estados Unidos, de onde bilh\u00f5es de d\u00f3lares seguem anualmente em ajuda militar e tecnol\u00f3gica a Israel. Al\u00e9m disso, o \u201c\u00e1libi\u201d que os sionistas obtiveram com o holocausto \u00e9 permanentemente refor\u00e7ado perante a opini\u00e3o p\u00fablica mundial por filmes de Hollywood sobre o holocausto, trag\u00e9dia que deve sempre ser lembrada, mas que recebe uma cobertura infinitamente maior que outros grandes crimes do s\u00e9culo XX. Filmes como \u201cParadise now\u201d s\u00e3o um modest\u00edssimo contra-ponto ao avassalador predom\u00ednio ideol\u00f3gico do sionismo patrocinado por judeus estadunidenses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>O debate sobre \u201cparadise now\u201d<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme palestino \u201cParadise now\u201d, de 2005, venceu v\u00e1rios pr\u00eamios em festivais internacionais, concorreu ao Oscar de filme estrangeiro e conta a hist\u00f3ria de dois jovens palestinos que optam por se tornarem homens-bomba e se sacrificarem num atentado suicida em Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de um exemplo de como um filme pequeno, de baixo or\u00e7amento, pode contar uma hist\u00f3ria fort\u00edssima. Chama a aten\u00e7\u00e3o o contraste entre a riqueza de Israel, com suas cidades que parecem europ\u00e9ias ou estadunidenses, arranha-c\u00e9us modernos, vias expressas, etc.; e a pobreza dos palestinos, que parecem viver numa favela, cercados por pr\u00e9dios em ru\u00ednas, estradas esburacadas, casas amontoadas nos morros, etc. Os favelados no Brasil n\u00e3o reagem de forma organizada \u00e0 opress\u00e3o policial, \u00e0 vida miser\u00e1vel, sem luz, sem \u00e1gua, sem servi\u00e7os p\u00fablicos. Aqui n\u00e3o h\u00e1 o sentimento anti-imperialista, que os palestinos desenvolveram ao longo de uma hist\u00f3ria de humilha\u00e7\u00e3o e de uma vida aprisionada dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os palestinos vivem numa situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o, injusti\u00e7a, falta de liberdade, mas resistem com grande dignidade e altivez, o que transparece no olhar das personagens, no in\u00edcio e ao fim do filme. Desenrolam-se di\u00e1logos impactantes, pois os personagens apresentam de maneira apaixonada os argumentos a favor e contra a estrat\u00e9gia do terrorismo. Ao mesmo tempo em que humaniza o homem-bomba, o filme apresenta questionamentos a essa forma de luta. H\u00e1 uma cena curiosa em que o depoimento do homem-bomba \u00e9 banalizado, a c\u00e2mera n\u00e3o funciona, enquanto as pessoas presentes comem lanches, tirando a dramaticidade do momento (os palestinos v\u00eaem v\u00eddeos com os terroristas, como o resto do mundo v\u00ea filmes de \u201cher\u00f3is\u201d estadunidenses).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os partid\u00e1rios do terrorismo, ante a mis\u00e9ria vivida, \u00e9 prefer\u00edvel morrer, pois esta vida \u00e9 mais amarga do que a morte. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o h\u00e1 alternativa al\u00e9m da luta armada. A causa palestina s\u00f3 sobreviveu porque houve uma resist\u00eancia, mesmo com m\u00e9todos problem\u00e1ticos. O inimigo israelense usa de m\u00e9todos terroristas contra a popula\u00e7\u00e3o palestina, com seu imenso poderio militar, atacando a popula\u00e7\u00e3o civil, e isso precisa ser combatido de alguma forma. Se os atentados parassem, Israel n\u00e3o pararia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o o fato de que \u00e9 justamente o terrorismo palestino que oferece o \u00e1libi para a a\u00e7\u00e3o do imperialismo, como a rea\u00e7\u00e3o que se seguiu ao 11 de Setembro, as invas\u00f5es do Afeganist\u00e3o e do Iraque, etc. Os homens-bomba se tornam her\u00f3is e m\u00e1rtires, mas os que ficam neste mundo enfrentam a resposta do sionismo e do imperialismo. Para cada atentado palestino, Israel responde com bombardeios, massacres, destrui\u00e7\u00e3o, pris\u00f5es, torturas, em doses altamente desproporcionais. O sofrimento dos que ficam aparece na personagem da m\u00e3e, que n\u00e3o pode fazer outra coisa a n\u00e3o ser chorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente ao debate principal, aparecem outros detalhes da sociedade palestina. Ao contr\u00e1rio do estere\u00f3tipo do \u201cmundo \u00e1rabe-mu\u00e7ulmano\u201d, h\u00e1 uma grande diversidade de comportamentos, desde os talib\u00e3s mais fan\u00e1ticos at\u00e9 os segmentos laicos e ocidentalizados. H\u00e1 o personagem da mulher palestina que toma iniciativa em rela\u00e7\u00e3o ao homem, algo totalmente diferente do estere\u00f3tipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Conclus\u00f5es pol\u00edticas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento revolucion\u00e1rio j\u00e1 usou o terrorismo em outras \u00e9pocas, mas com uma viabilidade muito limitada. O terrorismo n\u00e3o pode ser o m\u00e9todo privilegiado de luta. A organiza\u00e7\u00e3o terrorista, tal como retratada no filme, apresenta uma estrutura militarizada, rigidamente hierarquizada, com uma separa\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica entre os quadros dirigentes e os soldados (entre os quais se incluem os homens-bomba). Essa organiza\u00e7\u00e3o atua de forma totalmente descolada do restante da popula\u00e7\u00e3o que supostamente defende. N\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de controle democr\u00e1tico sobre o seu funcionamento e atividades. O terrorismo acaba funcionando como um obst\u00e1culo para a auto-organiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resist\u00eancia palestina deve ser apoiada contra os ataques de Israel e dos Estados Unidos e as campanhas de difama\u00e7\u00e3o da imprensa burguesa, mas a linha pol\u00edtica das organiza\u00e7\u00f5es terroristas n\u00e3o ser\u00e1 capaz de trazer solu\u00e7\u00f5es duradouras para os trabalhadores palestinos. Seu projeto de \u201cEstado isl\u00e2mico\u201d \u00e9 autorit\u00e1rio, opressivo, machista e homof\u00f3bico, e mant\u00e9m-se compat\u00edvel com o sistema capitalista, que \u00e9 a fonte da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da opress\u00e3o da nacionalidade palestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alternativa ao terrorismo n\u00e3o \u00e9 o pacifismo e o reformismo, mas a auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. O problema palestino n\u00e3o \u00e9 um problema de nacionalidade nem muito menos de religi\u00e3o, mas um problema de classe. H\u00e1 trabalhadores judeus e judeus n\u00e3o-sionistas, para quem a pol\u00edtica terrorista de Israel tamb\u00e9m \u00e9 um problema (h\u00e1 uma cena em que o homem-bomba palestino hesita ao encontrar trabalhadores judeus num ponto de \u00f4nibus). Essa pol\u00edtica interessa apenas \u00e0 burguesia israelense e estadunidense, defensores do capitalismo, que \u00e9 o verdadeiro inimigo de todos os povos.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b><a name=\"titulo6\"><\/a>CUBA: BUROCRACIA IMPULSIONA RESTAURA\u00c7\u00c3O \u201cA LA CHINA\u201d<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\"><i>nas lutas hist\u00f3ricas deve-se distinguir mais ainda as frases e as fantasias dos partidos de sua forma\u00e7\u00e3o real e de seus interesses reais; o conceito que fazem de si do que s\u00e3o na realidade \u2013 <\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><i>Marx, 18 Brum\u00e1rio<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o sobre Cuba sempre \u00e9 muito acalorada e apaixonante, pois trata-se de um pa\u00eds em que os explorados protagonizaram uma das mais belas p\u00e1ginas da hist\u00f3ria da luta anti-imperialista no continente. Mas a paix\u00e3o n\u00e3o pode nos cegar ao ponto de negar que essa hist\u00f3ria de luta est\u00e1 amea\u00e7ada e que a pol\u00edtica dos Castro e do PC cubano est\u00e1 levando \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na ilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 praticamente un\u00e2nime entre os que estudam esse tema afirmar que as medidas de expropria\u00e7\u00e3o da burguesia n\u00e3o constavam das inten\u00e7\u00f5es da dire\u00e7\u00e3o do processo revolucion\u00e1rio, limitadas \u00e0 busca pela consolida\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia nacional. Uma s\u00e9rie de fatores \u2013 como a ruptura de setores burgueses com o <i>Movimento de 26 de Julho<\/i> (que tinha um car\u00e1ter policlassista), e a posterior passagem deles para a contra revolu\u00e7\u00e3o e a, nas palavras do historiador Jos\u00e9 Rodrigues Mao, \u201cpostura agressiva e m\u00edope dos Estados Unidos\u201d e a radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento dos trabalhadores \u2013 colocaram os <i>\u201cguerrilheiros na parede: ou \u2018traiam\u2019, literalmente, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana ou se \u2018radicalizavam ininterruptamente\u201d<\/i> (FERNANDES, Florestan. <i>Da Guerrilha ao Socialismo<\/i>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para se ter uma id\u00e9ia da dimens\u00e3o das medidas de expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, em pouco mais de um ano foi feita a reforma agr\u00e1ria (ley de reforma agr\u00e1ria); em maio de 1959, a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos nacionais e estrangeiros; e por fim, em outubro de 1960 <i>\u201cpassaram a pertencer ao Estado 95% da ind\u00fastria, 98% da constru\u00e7\u00e3o, 95% do transporte, 70% da agricultura, 75 % do com\u00e9rcio a varejo e 100 % do com\u00e9rcio de atacado\u201d.<\/i>(M\u00c3O, Jos\u00e9 Rodrigues. <i>A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e a Quest\u00e3o Nacional<\/i>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a consolida\u00e7\u00e3o desse processo, pode-se dizer que o Estado muda o seu car\u00e1ter, ou seja, deixa de ser capitalista, porque ataca a base de uma sociedade capitalista que s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es de propriedade. Esse car\u00e1ter anticapitalista se expressa no processo de expropria\u00e7\u00e3o e estatiza\u00e7\u00e3o das principais empresas que operavam no pa\u00eds. S\u00f3 essa medida permitiu que Cuba fosse um dos principais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina com um n\u00edvel e qualidade de servi\u00e7os p\u00fablico excepcionais. S\u00e3o conquistas fundamentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 objetivo deste texto entrar no debate sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o do tipo de Estado que surgiu ap\u00f3s essas medidas (o Espa\u00e7o Socialista est\u00e1 organizando um estudo sobre esse tema), mas \u00e9 importante destacar que, mesmo tendo expropriado a burguesia, Cuba n\u00e3o pode ser chamada de socialista e muito menos de Estado oper\u00e1rio \u2013 ainda que burocratizado \u2013, por uma raz\u00e3o simples: n\u00e3o era (e n\u00e3o \u00e9) a classe oper\u00e1ria que estava no poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que queremos dizer \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 suficiente a expropria\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da burguesia para que se possa caracterizar um Estado como oper\u00e1rio. O elemento pol\u00edtico, a democracia oper\u00e1ria, \u00e9 fundamental, \u00e9 por onde se pode apontar que a classe oper\u00e1ria est\u00e1 ou n\u00e3o no poder. E em Cuba, seja pela inexpressividade pol\u00edtica ou num\u00e9rica, a classe oper\u00e1ria nunca esteve no poder, ainda que os dirigentes falassem em seu nome. Este elemento \u00e9 fundamental, pois o fato de a classe oper\u00e1ria ter sido alijada do poder permitiu que a burocracia cubana conduzisse a economia e a vida em Cuba em uma dire\u00e7\u00e3o que inevitavelmente chegaria a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo. E esse momento esta pr\u00f3ximo, muito pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>As conquistas est\u00e3o sendo rapidamente destru\u00eddas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 algum tempo, Cuba tem aparecido nos meios de comunica\u00e7\u00e3o com os an\u00fancios pela burocracia de sucessivas medidas de uma reforma econ\u00f4mica mais ampla, com um conte\u00fado claramente capitalista. Todos os an\u00fancios eram o ensaio para a discuss\u00e3o no <i>VI Congresso<\/i> (m\u00eas de abril), que iria \u2013 como o fez \u2013 sacramentar todas as medidas necess\u00e1rias que pudessem preparar o caminho de volta ao capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As medidas aprovadas v\u00e3o desde a abertura do mercado para empresas estrangeiras, passando pelo incentivo aos \u201c<i>cuentapropistas<\/i>\u201d e \u00e0s cooperativas, e reforma trabalhista \u2013 que na verdade s\u00e3o formas embrion\u00e1rias de forma\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a de trabalho para a iniciativa privada. Outra medida com profundas consequ\u00eancias sociais foi o fim da \u201c<i>libreta de racionamento<\/i>\u201d: ainda que j\u00e1 reduzida, era a garantia de satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como j\u00e1 dissemos, as medidas econ\u00f4micas v\u00e3o todas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o da economia para a restaura\u00e7\u00e3o capitalista, entre as quais destacamos a defini\u00e7\u00e3o de uma nova pol\u00edtica de pre\u00e7os (que representa aumento em v\u00e1rios produtos de primeira necessidade), elaborar uma nova lei de impostos (revisando para cima os atuais), abertura do mercado para a propriedade imobili\u00e1ria, tudo isso combinado com uma ampla reforma jur\u00eddica como condi\u00e7\u00e3o para criar uma \u201cseguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d aos neg\u00f3cios privados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas sem d\u00favida a medida que causou mais impacto \u00e9 a possibilidade de centenas de milhares de demiss\u00f5es de funcion\u00e1rios p\u00fablicos e sem qualquer tipo de indeniza\u00e7\u00e3o. Mesmo que essa medida esteja em um ritmo mais lento do que pretendia a burocracia, ela \u00e9 na pr\u00e1tica a prepara\u00e7\u00e3o para um tipo de Estado que oferecer\u00e1 cada vez menos servi\u00e7os p\u00fablicos para a popula\u00e7\u00e3o, ou seja, o Estado deixar\u00e1 de prestar v\u00e1rios servi\u00e7os, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, esporte, etc ou se continuar a prest\u00e1-los, ser\u00e1 com qualidade muito abaixo do que sempre foi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rem\u00e9dio \u00e9 o mesmo aplicado pelos governos neoliberais: passar para os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o pobre os custos da crise. \u00c9 importante lembrar que essas medidas s\u00e3o continuidade de outras que est\u00e3o sendo adotadas desde o ano de 2008, como por exemplo a vincula\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios ao rendimento do setor empresarial. Em 2009 tamb\u00e9m houve a revis\u00e3o da pol\u00edtica fiscal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que essas medidas n\u00e3o levaram em conta as opini\u00f5es dos trabalhadores. As discuss\u00f5es ocorreram dentro dos limites dos aparatos burocr\u00e1ticos, ferreamente controlados pela burocracia. Afastar os trabalhadores das discuss\u00f5es e sobretudo das decis\u00f5es era essencial porque todos os debates e decis\u00f5es significariam que a vida de cada um deles iria piorar. E muito antes da realiza\u00e7\u00e3o do congresso, qualquer cubano com um m\u00ednimo de intelig\u00eancia j\u00e1 sabia que seriam aprovadas, pelo tamanho do controle que a burocracia exerce sobre o partido e todas as institui\u00e7\u00f5es do regime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas medidas representam sem d\u00favida o maior ataque que as conquistas da <i>Revolu\u00e7\u00e3o de 59<\/i> est\u00e3o sofrendo, e se elas se consolidam (o que \u00e9 muito mais prov\u00e1vel), os trabalhadores cubanos estar\u00e3o diante de mudan\u00e7as dr\u00e1sticas em suas condi\u00e7\u00f5es de vida, como a amea\u00e7a da fome, do emprego inst\u00e1vel, etc. Para precisar ainda mais, deve-se ressaltar que j\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios efeitos das medidas pr\u00f3-capitalistas, como os baix\u00edssimos sal\u00e1rios, o racionamento de alimentos, o desemprego, a falta de subs\u00eddios do Estado para os trabalhadores do campo, etc. Cuba n\u00e3o \u00e9 mais a mesma, e se parece cada vez mais com a Cuba pr\u00e9-revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Restaura\u00e7\u00e3o \u201ca la China\u201d<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo restauracionista coloca de imediato o problema do poder pol\u00edtico de Estado. Na URSS, quem ocupou este espa\u00e7o foram os burocratas (<i>nomenklatura<\/i>) do partido e principalmente os membros das for\u00e7as de repress\u00e3o, como a KGB e oficiais do ex\u00e9rcito. Na China, o controle todo passa pelos membros da c\u00fapula do (mal chamado) Partido Comunista Chin\u00eas. E em Cuba? Ser\u00e3o os <i>gusanos<\/i>, algum setor que \u201cse transforme\u201d em burguesia nacional ou a pr\u00f3pria burocracia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Opinamos que o mais prov\u00e1vel \u00e9 que a burocracia conduza o processo de restaura\u00e7\u00e3o \u201cpor suas pr\u00f3prias m\u00e3os\u201d, sem entreg\u00e1-lo aos <i>gusanos<\/i> ou a qualquer outro setor da burguesia ou do imperialismo: um modelo cubano \u201c<i>made in China<\/i>\u201d, com controle da economia capitalista pela burocracia, com o partido \u00fanico e com forte controle repressivo contra os trabalhadores. Nesse momento \u00e9 pouco prov\u00e1vel que tenham condi\u00e7\u00f5es de se tornar eles mesmos os burgueses, pois t\u00eam profunda depend\u00eancia do Estado. Para esse salto de qualidade, ser\u00e1 necess\u00e1rio realizar uma \u201cacumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, a burocracia exerce o poder pol\u00edtico, controla a parte da economia que n\u00e3o exige pesados investimentos e pode concorrer em melhores condi\u00e7\u00f5es no mercado mundial, como \u00e9 o caso do ex\u00e9rcito cubano \u2013 para se ter id\u00e9ia do peso dos militares: 18 de 115 membros da dire\u00e7\u00e3o do PCC s\u00e3o das for\u00e7as armadas \u2013, que \u00e9 o s\u00f3cio das <i>Joint Ventures,<\/i> que controlam o turismo e representam uma das principais fontes de divisas externas. Em rela\u00e7\u00e3o a outros setores que exigem mais tecnologia (como telecomunica\u00e7\u00f5es, telefonia, etc), a burocracia os libera, sob controle, para setores do capital externo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como toda burocracia, a cubana tamb\u00e9m tem interesses e privil\u00e9gios pr\u00f3prios, impossibilitando que abra m\u00e3o do controle sobre o processo de restaura\u00e7\u00e3o. Deixar esse processo ser conduzido pelo imperialismo ou por outras for\u00e7as burguesas abre a possibilidade de ela perder os seus privil\u00e9gios, principalmente levando em conta o fato de que o atual n\u00edvel de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas em Cuba n\u00e3o possibilita uma acumula\u00e7\u00e3o suficiente para ser ela pr\u00f3pria a burguesia gestora da nova (velha) sociedade cubana. As resolu\u00e7\u00f5es do <i>VI congresso<\/i> s\u00e3o inclusive a demonstra\u00e7\u00e3o cabal de que a pol\u00edtica da burocracia cubana aponta para um processo de restaura\u00e7\u00e3o sob seu controle, garantindo a continuidade dos seus privil\u00e9gios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A burocracia conta com boas casas, autom\u00f3veis sem controle de gasolina, oficinas com ar condicionado, viagens, contas no exterior (fruto de corrup\u00e7\u00e3o), etc. Tudo desviado das finan\u00e7as estatais. S\u00e3o v\u00e1rios n\u00edveis de corrup\u00e7\u00e3o. Segundo uma reportagem da <i>BBC World<\/i> (15\/04\/2011), um importador diz que lhe informaram <i>\u201c&#8230;uma conta banc\u00e1ria em um pa\u00eds da \u00c1frica para eu depositar os U$ 94.000 que me cobrou por ter aprovado um contrato\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defini\u00e7\u00e3o desse processo como restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, porque a burocracia \u2013 e inclusive um setor da intelectualidade \u2013 t\u00eam repetido que n\u00e3o se trata de voltar ao capitalismo, mas incorporar alguns mecanismos de mercado, chegando ao absurdo de igualar com o que os bolcheviques fizeram na d\u00e9cada de 20 com a NEP. S\u00e3o duas coisas distintas: a russa era entendida como um retrocesso necess\u00e1rio e tempor\u00e1rio; j\u00e1 a cubana \u00e9 apresentada como parte de uma pol\u00edtica socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afirmamos sem nenhuma d\u00favida que as reformas do PCC levam inevitavelmente ao capitalismo e ao empobrecimento dos trabalhadores e do povo cubano, em especial \u00e0 perda de direitos hist\u00f3ricos como os de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, trabalho e os direitos sociais. Em um pa\u00eds com n\u00edvel de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas t\u00e3o baixo quanto o cubano, isso implica em um modelo baseado na superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>De alguma forma os trabalhadores resistem<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As queixas da burocracia do desest\u00edmulo, do abste\u00edsmo, da baixa produtividade do trabalho e a des\u00eddia para com a propriedade estatal, no fundo, \u00e9 uma resist\u00eancia \u201ccalada\u201d dos trabalhadores ao modelo implementado pela burocracia cubana, pois a classe n\u00e3o se identifica nem com o Estado e muito menos com um Estado que lhe trata muito mal e retira direitos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 compreens\u00edvel que esse desinteresse ocorra porque o trabalho planificado burocraticamente torna-se estranho para o trabalhador, porque n\u00e3o \u00e9 a fonte de satisfa\u00e7\u00e3o de suas necessidades, mas as da burocracia. Entretanto, a quest\u00e3o \u00e9 que esse tipo de resist\u00eancia \u2013 de certa forma pela sabotagem \u2013 n\u00e3o se expressa em algum tipo de organiza\u00e7\u00e3o, e os resultados que ela apresenta servem de argumento para as reformas da burocracia. Por\u00e9m, n\u00e3o deixa de ser uma express\u00e3o do profundo descontentamento\u00a0da classe trabalhadora com o \u201csocialismo de Cuba\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A restaura\u00e7\u00e3o em curso pode levar a um questionamento mais profundo da dire\u00e7\u00e3o castrista, tanto pelo fato de haver perda de direitos, como pela dificuldade \u2013 para n\u00e3o dizer impossibilidade \u2013 de a burocracia destinar parte do capital obtido com os novos neg\u00f3cios para a classe trabalhadora. \u00c9 bom lembrar que Cuba n\u00e3o tem o mesmo potencial chin\u00eas e nem condi\u00e7\u00f5es de acumular no mesmo padr\u00e3o chin\u00eas. Assim, podem romper-se as bases que durante d\u00e9cadas deram sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao regime burocr\u00e1tico cubano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de n\u00e3o haver manifesta\u00e7\u00f5es incontest\u00e1veis dos trabalhadores em favor da reforma do PCC oxal\u00e1 seja um indicador de estar se gestando um processo de luta contra a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sociais. A entrada em cena da classe trabalhadora \u00e9 a \u00fanica esperan\u00e7a de se frear as inten\u00e7\u00f5es reformistas da burocracia cubana, abrindo a possibilidade de aprofundar a revolu\u00e7\u00e3o, com a destina\u00e7\u00e3o de toda riqueza produzida para as necessidades da popula\u00e7\u00e3o e estabelecimento, de fato, do poder dos trabalhadores, atrav\u00e9s de seus organismos de luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A burocracia n\u00e3o fala em nome do socialismo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desservi\u00e7o da burocracia \u00e9 muito grande: pode ser visto tanto na desastrosa condu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds, levando \u00e0 crise; como na constru\u00e7\u00e3o da id\u00e9ia de que a ado\u00e7\u00e3o das atuais medidas \u2013 que significam ataques colossais \u00e0s conquistas dos trabalhadores cubanos \u2013 s\u00e3o feitas em nome do socialismo. Aparece aos olhos dos trabalhadores e principalmente da juventude \u2013 que sofre as consequ\u00eancias mais danosas \u2013 como se o socialismo fosse um sistema sem democracia e que os trabalhadores vivem em constante pen\u00faria, enquanto uma casta (que \u00e9 \u201cmais que uma burocracia e menos que uma classe social\u201d) vive com privil\u00e9gios. A burocracia cubana n\u00e3o fala em nome do socialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso derrotar a restaura\u00e7\u00e3o capitalista em curso e lutar pela manuten\u00e7\u00e3o (em alguns casos recupera\u00e7\u00e3o) dos direitos; a luta pela democracia oper\u00e1ria, e com ela a possibilidade de os trabalhadores decidirem sobre todas as esferas de sua vida, podendo exercer plenamente o poder, \u00e9 tamb\u00e9m uma luta pela preserva\u00e7\u00e3o do real significado do socialismo. O socialismo \u00e9 o sistema social de emancipa\u00e7\u00e3o do homem em todos os sentidos, a possibilidade de desenvolvimento pleno de todas as nossas potencialidades e de viv\u00eancia plena, tanto material quanto espiritual (n\u00e3o no sentido religioso). Ou seja, n\u00e3o tem absolutamente nada que ver com que as burocracias (russa, cubana, chinesa, etc) fazem e fizeram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, um programa socialista para Cuba passa por um conjunto de reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u2013 garantia da satisfa\u00e7\u00e3o de todas as necessidades alimentares da popula\u00e7\u00e3o, recomposi\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida com garantia de moradia, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade para toda a popula\u00e7\u00e3o, etc \u2013 e\u00a0reivindica\u00e7\u00f5es para o estabelecimento da democracia oper\u00e1ria como express\u00e3o do poder pol\u00edtico da e para a classe trabalhadora \u2013 organiza\u00e7\u00e3o de sindicatos independentes, constru\u00e7\u00e3o de organismos de poder, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora a burocracia castrista do PCC! Viva o socialismo revolucion\u00e1rio!<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Leia as mat\u00e9rias online: Crescem as lutas contra a explora\u00e7\u00e3o. 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