{"id":2936,"date":"2014-05-28T20:39:38","date_gmt":"2014-05-28T23:39:38","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2936"},"modified":"2018-06-01T16:05:32","modified_gmt":"2018-06-01T19:05:32","slug":"jornal-68-maiojunho-de-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/05\/jornal-68-maiojunho-de-2014\/","title":{"rendered":"Jornal 68: Maio\/Junho de 2014"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/2014\/05\/jornal-68-maiojunho-de-2014\/capa-68mini-jpg\/\" rel=\"attachment wp-att-2943\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2943\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/capa-68mini.jpg.png\" alt=\"capa 68mini.jpg\" width=\"180\" height=\"256\" \/>Clique aqui para o PDF.<\/a><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2936#titulo1\"><span style=\"line-height: 13px;\">Nosso caminho, construir a luta e retomar a consci\u00eancia socialista<\/span><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2936#titulo2\">A teoria marxista da depend\u00eancia e o subimperialismo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2936#titulo10\">Carta de Ernesto, trabalhador da Mercedez<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2936#titulo3\">Professores lutam contra a precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablico<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2936#titulo4\">Oposi\u00e7\u00e3o pela base, por um sindicato aut\u00f4nomo e combativo!<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2936#titulo5\">Dimens\u00f5es da precariza\u00e7\u00e3o do ensino superior<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2936#titulo6\">Enquanto se organiza a Copa&#8230;. a juventude \u00e9 assasinada<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2936#titulo7\">Marco civil da internet: mais repress\u00e3o contra os trabalhadores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2936#titulo8\">Guerra \u00e0s drogas, tr\u00e1fico internacional e proibicionismo<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Nosso caminho: Construir a luta e retomar a consci\u00eancia socialista<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No m\u00eas de abril o Espa\u00e7o Socialista realizou sua Confer\u00eancia Nacional, analisou e debateu sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica internacional e nacional, bem como as tarefas pol\u00edticas que decorrentes. De forma bem resumida (os textos aprovados ser\u00e3o editados e disponibilizados) apresentamos abaixo as principais conclus\u00f5es pol\u00edticas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">INTERNACIONAL<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Os dados econ\u00f4micos apontam para a perman\u00eancia de crise na economia mundial. No marco da crise estrutural do capital, os \u00edndices positivos de algumas das principais economias do mundo n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a supera\u00e7\u00e3o dos problemas econ\u00f4micos que a burguesia mundial enfrenta e busca transferir para os trabalhadores;<br \/>\n&#8211; A solu\u00e7\u00e3o definitiva dessa crise passaria pela imposi\u00e7\u00e3o de uma derrota de grande envergadura ao proletariado mundial. As lutas em v\u00e1rias partes do mundo, principalmente nos pa\u00edses imperialistas, as rebeli\u00f5es explosivas da juventude mundo afora e as greves gerais que voltaram a fazer parte da paisagem pol\u00edtica mundial s\u00e3o obst\u00e1culos objetivos a essa necessidade do capital;<br \/>\n&#8211; Avaliamos que, como consequ\u00eancia desta crise, os problemas econ\u00f4micos e sociais v\u00e3o continuar se aprofundando, jogando centenas de milh\u00f5es de trabalhadores (principalmente os mais jovens) ao desemprego, \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 fome de modo que n\u00e3o h\u00e1 outra alternativa que n\u00e3o seja a luta. O fundamental \u00e9 constatar que o capitalismo mundial \u2013 imposs\u00edvel de satisfazer as necessidades b\u00e1sicas da humanidade \u2013 n\u00e3o tem como fazer qualquer tipo de concess\u00e3o mais duradoura, ou seja, os problemas sociais v\u00e3o continuar se aprofundando;<br \/>\n&#8211; No entanto, em que pese tantas lutas, do lado dos trabalhadores ainda convivemos com o problema do atraso da subjetividade da classe trabalhadora mundial que se expressa na falta da alternativa socialista e em formas de organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias. Luta-se muito, mas a classe ainda n\u00e3o conseguiu transformar essas lutas em questionamentos aos pilares do sistema. Esse atraso na subjetividade permite que processos como o eg\u00edpcio e o da Primavera \u00e1rabe sejam dirigidos pela direita e desviados para alternativas mais facilmente control\u00e1veis pelo sistema (elei\u00e7\u00f5es e guerras civis) em detrimento de alternativas de esquerda;<br \/>\n&#8211; Para n\u00f3s, processos como o s\u00edrio ou o ucraniano n\u00e3o s\u00e3o revolu\u00e7\u00f5es sociais e nem \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d.A aus\u00eancia de objetivos contra o sistema, a aus\u00eancia de parcela importante da classe trabalhadora como sujeito e o papel da dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica destes processos os transformam em uma guerra civil entre os inimigos dos trabalhadores, no caso da S\u00edria, ou, no caso da Ucr\u00e2nia, em golpe fascista. Em ambos os casos coloca-se a tarefa imperiosa da necessidade de se construir uma alternativa dos trabalhadores independente de todas as for\u00e7as burguesas envolvidas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRASIL&#8230;?<br \/>\n&#8211; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia brasileira, mesmo com toda propaganda governamental e da imprensa burguesa, o dito crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o chegou e nem chegar\u00e1 para os trabalhadores, pelo contr\u00e1rio, contamos somente as migalhas. Prevalece a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e de renda nas m\u00e3os de poucos, a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o e a amplia\u00e7\u00e3o da pauperiza\u00e7\u00e3o material (absoluta e\/ou relativa) da classe trabalhadora. Ainda que os dados apontem para uma mobilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza absoluta, as pol\u00edticas sociais (bolsa fam\u00edlia, etc.) n\u00e3o s\u00e3o suficientes para retirar as pessoas da pobreza relativa, pelo contr\u00e1rio, a perspectiva \u00e9 de que a mis\u00e9ria continue assombrando a classe trabalhadora brasileira;<br \/>\n&#8211; H\u00e1 uma retomada da entrega de empresas e servi\u00e7os p\u00fablicos para o capital privado. O jeito petista de privatizar chama-se concess\u00e3o. Estradas, campos de petr\u00f3leo, portos, aeroportos foram para as m\u00e3os de empresas que encontraram um novo espa\u00e7o para a reprodu\u00e7\u00e3o de seu capital. A consequ\u00eancia \u00e9 que a classe trabalhadora vai ser mais uma vez extorquida com o pagamento de ped\u00e1gio, aumento de taxas e os servi\u00e7os p\u00fablicos oferecidos \u00e0 classe trabalhadora continuar\u00e3o sendo de p\u00e9ssima qualidade;<br \/>\n-Mesmo com o aumento das contradi\u00e7\u00f5es (restri\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito, o aumento do endividamento estatal, etc.) avaliamos que, pelo menos neste momento, n\u00e3o deva haver um estouro da d\u00edvida. Os gastos com os eventos esportivos, as privatiza\u00e7\u00f5es citadas acima, a margem (ainda que cada vez menor) para o cr\u00e9dito, a demanda internacional por commodities garantem uma lucratividade para o capital e transferem para um pouco mais adiante as contradi\u00e7\u00f5es;<br \/>\n&#8211; No campo, o agroneg\u00f3cio \u00e9 o principal benefici\u00e1rio do hist\u00f3rico modelo de concentra\u00e7\u00e3o de terras. O financiamento p\u00fablico dos grandes grupos visa t\u00e3o somente a produ\u00e7\u00e3o de commodities que atendem n\u00e3o as necessidades da popula\u00e7\u00e3o mas a demanda do mercado internacional. Como as exporta\u00e7\u00f5es de commodities s\u00e3o um dos pilares do modelo econ\u00f4mico petista, o governo Dilma se aproxima cada vez mais deste setor, um dos mais reacion\u00e1rios do pa\u00eds;<br \/>\n-Neste cen\u00e1rio a quest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica tem um peso decisivo na medida em que \u00e9 um dos principais mecanismos de transfer\u00eancia de dinheiro p\u00fablico para os agiotas e banqueiros. Ano ap\u00f3s ano s\u00e3o bilh\u00f5es de reais que alimentam esse setor parasit\u00e1rio do capital, retirando dinheiro dos servi\u00e7os p\u00fablicos. S\u00f3 no or\u00e7amento de 2014 estima-se que ser\u00e3o destinados R$ 1 trilh\u00e3o, ou 42% de todo o or\u00e7amento federal, para o setor;<br \/>\n&#8211; Na esfera da pol\u00edtica, o campo de alian\u00e7as do governo Dilma e do PT \u00e9 cada vez mais amplo envolvendo a burocracia sindical, as igrejas e at\u00e9 a extrema direita. S\u00e3o alian\u00e7as que se articulam contra os interesses e as reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora. \u00c9 um governo completamente comprometido com os interesses do capital;<br \/>\n&#8211; H\u00e1 uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds e que exige da esquerda se colocar como alternativa para a classe trabalhadora. As jornadas de junho, impulsionadas especialmente pela juventude trabalhadora, serviram de impulso a novas mobiliza\u00e7\u00f5es. Aumenta o n\u00famero de greves e mobiliza\u00e7\u00f5es. Greves que passam por cima das dire\u00e7\u00f5es sindicais e enfrentam a repress\u00e3o policial. As ocupa\u00e7\u00f5es urbanas ocupam as avenidas dos principais estados. Essa deve ser a tend\u00eancia desse ano, com os trabalhadores e a juventude aproveitando os problemas que o governo enfrenta (inquieta\u00e7\u00e3o na base aliada, denuncias de corrup\u00e7\u00e3o, etc.) e o pr\u00f3prio processo eleitoral para obrigar algumas media\u00e7\u00f5es;<br \/>\n&#8211; No entanto, essa necessidade encontra uma realidade com muita descren\u00e7a (e com raz\u00e3o) nas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sindicais, estudantis e at\u00e9 mesmo nos partidos de esquerda. O problema \u00e9 que essa insatisfa\u00e7\u00e3o pode ir para qualquer lado, at\u00e9 mesmo para a direita. Assim, a disputa pol\u00edtica (de programa e de projeto para o pa\u00eds) est\u00e1 no centro das tarefas atuais da esquerda. \u00c9 preciso ganharmos a classe trabalhadora para um projeto de ruptura com o capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SUBT\u00cdTULO&#8230;QUAL?<br \/>\n-Retomamos e aprofundamos a discuss\u00e3o do car\u00e1ter dependente da economia do Brasil: caracterizada como uma economia com n\u00edveis de crescimento inst\u00e1veis, alta depend\u00eancia de capital externo, intensa concentra\u00e7\u00e3o de renda e riqueza e, grande vulnerabilidade \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es da economia mundial. \u00c9 parte de um todo que \u00e9 a economia mundial na qual as economias desenvolvidas t\u00eam esse status por conta da explora\u00e7\u00e3o que exerce sobre as economias dependentes e essas \u2013 por serem dependentes \u2013 s\u00e3o ligadas \u00e0s desenvolvidas por la\u00e7os de depend\u00eancia.<br \/>\nAssim, a l\u00f3gica do capital se coloca em movimento produzindo o desenvolvimento em uma parte do mundo e, necessariamente, o subdesenvolvimento em outra parte;<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses desenvolvidos e subdesenvolvidos (sempre com vantagem para os imperialistas) ocorre principalmente pela transfer\u00eancia de valor entre os pa\u00edses (com os menos industrializados exportando produtos com menor valor agregado e importando outros com mais valor incorporado), remessa de valor das regi\u00f5es dependentes para os pa\u00edses centrais sob a forma de juros, dividendos, royalties, repatria\u00e7\u00e3o dos lucros das grandes empresas multinacionais, a d\u00edvida p\u00fablica e a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica que tamb\u00e9m \u00e9 meio de transfer\u00eancia de valor das economias perif\u00e9ricas para as desenvolvidas.<br \/>\nEsse processo se combina com uma superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho, forma de acumula\u00e7\u00e3o interna de capital, garantindo \u00e0 \u201cburguesia nacional\u201d uma fatia na apropria\u00e7\u00e3o do excedente produzido.<br \/>\n&#8211; Mas n\u00e3o \u00e9 um processo linear em que o mundo se separa entre pa\u00edses desenvolvidos e perif\u00e9ricos. \u00c9 um processo mais contradit\u00f3rio, pois em alguns pa\u00edses dependentes o capitalismo chegou ao est\u00e1gio dos monop\u00f3lios e do capital financeiro. Deste processo emergiram subcentros econ\u00f4micos e pol\u00edticos. S\u00e3o os chamados pa\u00edses subimperialistas, entre os quais o Brasil ocupa papel de destaque.<br \/>\nN\u00e3o se trata de uma \u201cconquista\u201d da forma de gest\u00e3o do capital, mas sim consequ\u00eancia de uma especificidade do desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o capitalista, ou seja, \u00e9 resultado de um processo objetivo.<br \/>\nA partir da segunda metade do s\u00e9culo XX, a internacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o permitiu a transfer\u00eancia de certas etapas da produ\u00e7\u00e3o industrial para alguns pa\u00edses perif\u00e9ricos, transformando-os em pot\u00eancias capitalistas m\u00e9dias. Industrializados, mas com baixa tecnologia.<br \/>\nEssa for\u00e7a econ\u00f4mica permite que o Brasil consiga se impor econ\u00f4mica e politicamente aos vizinhos (e at\u00e9 em outros continentes) mais fr\u00e1geis que n\u00e3o lograram alcan\u00e7ar as condi\u00e7\u00f5es objetivas que pudessem torn\u00e1-los na\u00e7\u00f5es de desenvolvimento m\u00e9dio ou avan\u00e7ado. Neste contexto, o Brasil, enquanto pot\u00eancia subimperialista, estabelece uma hegemonia regional baseada em tr\u00eas pontos fundamentais: 1) Controle sobre a produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas na regi\u00e3o, 2) Press\u00e3o sobre as na\u00e7\u00f5es vizinhas para que se tornem mercado consumidor dos produtos manufaturados produzidos por aqui e, 3) Estabelecimento de uma divis\u00e3o regional desigual do trabalho.<br \/>\nComo exemplo do papel subimperialista do Brasil podemos citar o peso e as iniciativas de empresas como a Petrobr\u00e1s, v\u00e1rias construtoras que atuam em \u00c1frica e em pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, a interven\u00e7\u00e3o militar no Haiti, a press\u00e3o sobre o pre\u00e7o das tarifas de energia el\u00e9trica em Itaipu, entre outros exemplos.<br \/>\nSer subimperialista n\u00e3o muda o fato de a burguesia brasileira continuar sendo dependente, apenas lhe d\u00e1 uma relativa autonomia, que permite negociar com o imperialismo em condi\u00e7\u00f5es \u201cmenos piores\u201d.<br \/>\nTamb\u00e9m \u00e9 importante destacar que, por sua condi\u00e7\u00e3o de \u201cassocia\u00e7\u00e3o dependente\u201d os interesses da burguesia brasileira n\u00e3o se op\u00f5em aos interesses do imperialismo, pelo contr\u00e1rio, ambos s\u00e3o aliados contra os trabalhadores, pois \u00e9 da explora\u00e7\u00e3o destes que se extraem seus lucros. Desse modo, consideramos imposs\u00edvel a burguesia brasileira ter qualquer postura de enfrentamento ao imperialismo.<br \/>\nCampanhas pol\u00edticas:<br \/>\nA partir dessas caracteriza\u00e7\u00f5es da luta de classes a necessidade de ganharmos a classe trabalhadora para um projeto classista e socialista coloca-se como uma das principais tarefas pol\u00edticas do momento. Assim vamos procurar combinar o apoio e a atua\u00e7\u00e3o nestas lutas com uma pol\u00edtica e pr\u00e1ticas que ajudem no desenvolvimento da consci\u00eancia socialista entre a classe trabalhadora.<br \/>\nResolu\u00e7\u00e3o de Confer\u00eancia, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s lutas: \u201cParticipamos e as apoiamos, tomando-as como s\u00e3o(dirigidas por burocratas, com consci\u00eancia sindical, reivindica\u00e7\u00e3o parcial) porque n\u00e3o somos n\u00f3s quem definimos o seu est\u00e1gio pol\u00edtico. Mas ao mesmo tempo,n\u00e3o nos limitamos ao seu n\u00edvel de consci\u00eancia. No seu interior, lutamos para ganh\u00e1-las para um programa classista, partindo das reivindica\u00e7\u00f5es mais sentidas, e formulando um programa para ir al\u00e9m das reivindica\u00e7\u00f5es m\u00ednimas e se elevar ao plano pol\u00edtico(enfrentando o governo e o regime), de modo que ajude na auto-organiza\u00e7\u00e3o da classe (criar organismos pr\u00f3prios da classe) e enfrente as dire\u00e7\u00f5es pelegas e burocr\u00e1ticas\u201d.<br \/>\nUma das formas de contribuirmos para as lutas \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de campanhas pol\u00edticas como instrumento importante de di\u00e1logo com o conjunto da classe trabalhadora, partindo de suas inquieta\u00e7\u00f5es mais imediatas e contribuindo para avan\u00e7ar nas lutas pol\u00edticas, que s\u00f3 se expressam a partir do momento em que a classe incorpore reivindica\u00e7\u00f5es que questionem a l\u00f3gica do sistema pol\u00edtico.<br \/>\nNesse sentido, propomos as seguintes campanhas pol\u00edticas: a) Para responder \u00e0 crise hist\u00f3rica do capital e a disputa da consci\u00eancia: \u201csocialismo ou barb\u00e1rie\u201d; b) Aos problemas que os trabalhadores e os pobres enfrentam no pa\u00eds: \u201ccontra o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica\u201d; c) Como eixo democr\u00e1tico: \u201ccontra a repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o aos movimentos sociais\u201d; d) \u201cSem direitos, sem copa\u201d como parte da luta contra os gastos da Copa.<br \/>\nEssas s\u00e3o necessidades reais para avan\u00e7armos na luta que podem ser discutidas e implementadas em todas as frentes e lutas, uma vez que os problemas enfrentados pelos trabalhadores podem ser explicados por essas quest\u00f5es, ou seja, eixos que podem ser incorporados em todas as lutas travadas pela classe trabalhadora brasileira na atualidade em que enfrenta a burocracia, a patronal, o regime pol\u00edtico, o governo, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POR QUE ESSES TEMAS?<br \/>\na) \u201cSocialismo ou barb\u00e1rie: A crise societal (ambiental, social, econ\u00f4mica, etc.) e os desastres produzidos pelo capitalismo conduzem no mundo inteiro \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o da manifesta\u00e7\u00e3o de elementos de barb\u00e1rie (marginaliza\u00e7\u00e3o, fome, mis\u00e9ria, guerras, etc.) imposs\u00edveis de serem solucionados pelo capitalismo.<br \/>\nPara n\u00f3s, historicamente, a humanidade est\u00e1 diante de uma encruzilhada hist\u00f3rica: ou expropriamos a burguesia para construir uma nova sociabilidade ou o capitalismo vai levar a humanidade para a barb\u00e1rie.<br \/>\nN\u00e3o nos referimos somente \u00e0s \u201cquest\u00f5es econ\u00f4micas\u201d, mas ao pr\u00f3prio modo de vida que o capital oferece \u00e0 humanidade e que joga bilh\u00f5es de pessoas na depress\u00e3o, na falta de cultura, etc. Por isso \u00e9 decisivo ganhar a classe trabalhadora para a luta pelo fim do capitalismo e pelo socialismo.<br \/>\nb) \u201cContra o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica\u201d: Nas \u00faltimas d\u00e9cadas uma imensa soma de dinheiro foi deslocada para a compra de t\u00edtulos p\u00fablicos (pap\u00e9is que os pr\u00f3prios governos venderam no mercado por endividamento) com rendimentos seguros e vantajosos, construindo o que chamamos da d\u00edvida p\u00fablica.<br \/>\nPara\u201chonrar\u201d esses compromissos uma parte significativa dos or\u00e7amentos p\u00fablicos \u00e9 destinada para esses credores (a maioria banqueiros e agiotas), diminuindo a capacidade de o Estado suprir as necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo Brasil, esse valor foi ficando t\u00e3o alto que nos \u00faltimos anos mais de 40% do or\u00e7amento federal foi destinado para o pagamento dessa d\u00edvida, que somente com os juros, j\u00e1 foi paga v\u00e1rias vezes. Em 2014 ser\u00e3o mais de 1 trilh\u00e3o de reais.<br \/>\nA pauta das jornadas de junho por mais hospitais, escolas, transporte p\u00fablicos somente poder\u00e1 ser efetivada se deixar de pagar essa d\u00edvida fraudulenta. Enquanto isso n\u00e3o ocorrer o governo vai ficar tampando o sol com a peneira.<br \/>\nTratamos essa quest\u00e3o com a import\u00e2ncia de uma campanha pol\u00edtica pela necessidade e pelo potencial revolucion\u00e1rio dessa bandeira pol\u00edtica. Somente n\u00e3o ocorrer\u00e1 o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida com uma luta gigantesca da classe trabalhadora porque significa a ruptura com o capitalismo, com um de seus principais mecanismos de reprodu\u00e7\u00e3o do capital.<br \/>\nA partir desse tema \u00e9 poss\u00edvel explicar \u00e0 classe trabalhadora as raz\u00f5es de os servi\u00e7os p\u00fablicos serem t\u00e3o ruins e demonstrar que se todo esse dinheiro fosse para os servi\u00e7os p\u00fablicos, ao inv\u00e9s de pagar os banqueiros, poder\u00edamos ter hospitais, escolas, transporte, etc. p\u00fablicos, gratuitos e de qualidade.<br \/>\nc) \u201cContra a repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o aos movimentos sociais\u201d: Para levar adiante o projeto de explora\u00e7\u00e3o o capital precisa criar mecanismos de repress\u00e3o. S\u00e3o processos judiciais, mobiliza\u00e7\u00e3o do aparato policial, demiss\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es, ass\u00e9dio moral e tantas outras formas para tentar impor o medo e a press\u00e3o aos que lutam.<br \/>\nAs jornadas de junho impuseram nas ruas a importante conquista do direito \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o, mas essa conquista est\u00e1 em risco porque os governos (federal e estaduais) se reorganizam e t\u00eam adotado v\u00e1rias medidas de ofensiva contra os movimentos sociais.<br \/>\nConsideramos fundamental essa campanha que deve ser realizada com a mais ampla unidade porque se prevalecer a for\u00e7a da repress\u00e3o as conquistas democr\u00e1ticas m\u00ednimas estar\u00e3o em risco.<br \/>\nd) \u201cSem direito, sem copa\u201d: A realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo no Brasil foi um grande neg\u00f3cio para v\u00e1rios setores da burguesia. Foram bilh\u00f5es de reais retirados dos servi\u00e7os p\u00fablicos e destinados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dio, \u00e0 isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria para a FIFA e tantos outros benef\u00edcios. Milhares de trabalhadores foram desapropriados para construir est\u00e1dios ou avenidas que facilitam seus acessos e para \u201climpar a \u00e1rea\u201d antes ocupada por favelas. V\u00e1rios trabalhadores foram mortos na constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios por falta de condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de seguran\u00e7a no trabalho. E mesmo com tudo isso, pelo pre\u00e7o dos ingressos, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel trabalhadores irem aos est\u00e1dios assistirem jogos da Copa. Enfim, definitivamente, essa Copa n\u00e3o \u00e9 do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ORGANIZAR AS CAMPANHAS<br \/>\nTemos a plena consci\u00eancia das dificuldades que encontraremos. S\u00e3o tamb\u00e9m desafios da realidade. Por isso \u00e9 importante a prepara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e contar com ativistas e simpatizantes que desenvolvam conosco cada uma dessas campanhas.<br \/>\nConstruiremos atividades, forma\u00e7\u00e3o, debates, textos explicativos, etc. para contribu\u00edrem no fundamental que \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de atividades junto \u00e0 classe trabalhadora, nas escolas, universidades, nos bairros, enfim, que as campanhas fortale\u00e7am as lutas em curso num movimento pol\u00edtico pela base e para avan\u00e7ar a consci\u00eancia socialista dos trabalhadores.<br \/>\nNesse sentido, abriremos a discuss\u00e3o nas lutas e f\u00f3runs do movimento para que se transformem em bandeiras n\u00e3o do Espa\u00e7o Socialista, mas da classe trabalhadora. Essas campanhas s\u00e3o parte de uma batalha pol\u00edtica pela consci\u00eancia da classe e elas s\u00f3 podem mostrar a sua for\u00e7a se forem apropriados pela classe trabalhadora dando-lhes for\u00e7a material.<br \/>\nTemos a consci\u00eancia de nossas limita\u00e7\u00f5es e se depender somente de nossas for\u00e7as os limites de alcance dessas campanhas s\u00e3o bem estreitos. Por isso, desde j\u00e1 fazemos o chamado a todos e todas para que nos ajudem a preparar as campanhas e tamb\u00e9m a lev\u00e1-las a classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A TEORIA MARXISTA DA DEPEND\u00caNCIA E O SUBIMPERIALISMO<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m retomamos e aprofundamos a discuss\u00e3o do car\u00e1ter dependente da economia do Brasil: caracterizada como uma economia com n\u00edveis de crescimento inst\u00e1veis, alta depend\u00eancia de capital externo, intensa concentra\u00e7\u00e3o de renda e riqueza e, grande vulnerabilidade \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es da economia mundial. \u00c9 parte de um todo que \u00e9 a economia mundial na qual as economias desenvolvidas t\u00eam esse status por conta da explora\u00e7\u00e3o que exerce sobre as economias dependentes e essas \u2013 por serem dependentes \u2013 s\u00e3o ligadas \u00e0s desenvolvidas por la\u00e7os de depend\u00eancia.<br \/>\nAssim, a l\u00f3gica do capital se coloca em movimento produzindo o desenvolvimento em uma parte do mundo e, necessariamente, o subdesenvolvimento em outra parte;<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses desenvolvidos e subdesenvolvidos (sempre com vantagem para os imperialistas) ocorre principalmente pela transfer\u00eancia de valor entre os pa\u00edses (com os menos industrializados exportando produtos com menor valor agregado e importando outros com mais valor incorporado), remessa de valor das regi\u00f5es dependentes para os pa\u00edses centrais sob a forma de juros, dividendos, royalties, repatria\u00e7\u00e3o dos lucros das grandes empresas multinacionais, a d\u00edvida p\u00fablica e a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica que tamb\u00e9m \u00e9 meio de transfer\u00eancia de valor das economias perif\u00e9ricas para as desenvolvidas.<br \/>\nEsse processo se combina com uma superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho, forma de acumula\u00e7\u00e3o interna de capital, garantindo \u00e0 \u201cburguesia nacional\u201d uma fatia na apropria\u00e7\u00e3o do excedente produzido.<br \/>\n&#8211; Mas n\u00e3o \u00e9 um processo linear em que o mundo se separa entre pa\u00edses desenvolvidos e perif\u00e9ricos. \u00c9 um processo mais contradit\u00f3rio, pois em alguns pa\u00edses dependentes o capitalismo chegou ao est\u00e1gio dos monop\u00f3lios e do capital financeiro. Deste processo emergiram subcentros econ\u00f4micos e pol\u00edticos. S\u00e3o os chamados pa\u00edses subimperialistas, entre os quais o Brasil ocupa papel de destaque.<br \/>\nN\u00e3o se trata de uma \u201cconquista\u201d da forma de gest\u00e3o do capital, mas sim consequ\u00eancia de uma especificidade do desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o capitalista, ou seja, \u00e9 resultado de um processo objetivo.<br \/>\nA partir da segunda metade do s\u00e9culo XX, a internacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o permitiu a transfer\u00eancia de certas etapas da produ\u00e7\u00e3o industrial para alguns pa\u00edses perif\u00e9ricos, transformando-os em pot\u00eancias capitalistas m\u00e9dias. Industrializados, mas com baixa tecnologia.<br \/>\nEssa for\u00e7a econ\u00f4mica permite que o Brasil consiga se impor econ\u00f4mica e politicamente aos vizinhos (e at\u00e9 em outros continentes) mais fr\u00e1geis que n\u00e3o lograram alcan\u00e7ar as condi\u00e7\u00f5es objetivas que pudessem torn\u00e1-los na\u00e7\u00f5es de desenvolvimento m\u00e9dio ou avan\u00e7ado. Neste contexto, o Brasil, enquanto pot\u00eancia subimperialista, estabelece uma hegemonia regional baseada em tr\u00eas pontos fundamentais: 1) Controle sobre a produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas na regi\u00e3o, 2) Press\u00e3o sobre as na\u00e7\u00f5es vizinhas para que se tornem mercado consumidor dos produtos manufaturados produzidos por aqui e, 3) Estabelecimento de uma divis\u00e3o regional desigual do trabalho.<br \/>\nComo exemplo do papel subimperialista do Brasil podemos citar o peso e as iniciativas de empresas como a Petrobr\u00e1s, as construtoras que atuam em \u00c1frica e em pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, a interven\u00e7\u00e3o militar no Haiti, a press\u00e3o sobre o pre\u00e7o das tarifas de energia el\u00e9trica em Itaipu, entre outros.<br \/>\nSer subimperialista n\u00e3o muda o fato de a burguesia brasileira continuar sendo dependente, apenas lhe d\u00e1 uma relativa autonomia, que permite negociar com o imperialismo em condi\u00e7\u00f5es \u201cmenos piores\u201d.<br \/>\nDestaca-se tamb\u00e9m que, por sua condi\u00e7\u00e3o de \u201cassocia\u00e7\u00e3o dependente\u201d os interesses da burguesia brasileira n\u00e3o se op\u00f5em aos interesses do imperialismo, pelo contr\u00e1rio, ambos s\u00e3o aliados contra os trabalhadores, pois \u00e9 da explora\u00e7\u00e3o destes que se extraem seus lucros. Desse modo, consideramos imposs\u00edvel a burguesia brasileira ter qualquer postura de enfrentamento ao imperialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo10\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">ERNESTO: \u201cOS LUCROS DAS EMPRESAS S\u00c3O TRATADOS COMO ALGO SAGRADO, INTOC\u00c1VEL\u201d<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nas montadoras \u2013 um dos setores mais beneficiados pelo governo Dilma\/PT \u2013 que o emprego dos trabalhadores est\u00e1 sofrendo mais press\u00e3o. S\u00e3o demiss\u00f5es, f\u00e9rias coletivas, Layoff (licen\u00e7a remunerada com sal\u00e1rios pagos pela empresa e pelo governo) e PDV (plano de demiss\u00e3o volunt\u00e1rio). Todas essas medidas contam com o apoio dos sindicatos pelegos e do pr\u00f3prio governo.<br \/>\nA Mercedes Benz \u00e9 uma dessas empresas que, aproveitando a redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, quer demitir 2 mil trabalhadores somente da planta de S\u00e3o Bernardo do Campo. Fala-se que j\u00e1 foram mais de 700 demiss\u00f5es (a maioria aposentados), outros tantos est\u00e3o em licen\u00e7a e a press\u00e3o para aceitar o PDV \u00e9 intensa.<br \/>\nO normal seria que o sindicato se colocasse contra as demiss\u00f5es e organizasse a luta para resistir aos planos da empresa. Mas, n\u00e3o foi nada disso que ocorreu. A burocracia sindical cutista, aliada da patronal, tem feito o contr\u00e1rio e fecha os olhos para as demiss\u00f5es. Publicamos abaixo a Carta de um Trabalhador Ernesto (codinome, por raz\u00f5es de seguran\u00e7a) desta empresa que expressa bem a realidade dos trabalhadores.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">CARTA DE ERNESTO, TRABALHADOR DA MERCEDES<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Companheiros, como sabemos, n\u00f3s da classe trabalhadora sempre pagamos a conta pelos problemas da sociedade. Isso ficou muito evidente nos \u00faltimos anos com a perda de direitos, diminui\u00e7\u00e3o do poder de compra, aumento da concentra\u00e7\u00e3o de renda, etc.<br \/>\nO cen\u00e1rio atual mostra que a sociedade capitalista em que vivemos est\u00e1 diante de uma profunda crise estrutural. Os governos t\u00eam muita dificuldade para administrar as contradi\u00e7\u00f5es geradas por uma sociedade que tem como \u00fanico objetivo o lucro de uma minoria.<br \/>\nA viol\u00eancia em todos os espa\u00e7os sociais, a crescente pobreza e a crise ambiental em que vivemos, por exemplo, s\u00e3o efeitos colaterais de uma sociedade desigual, desde a sua base.<br \/>\nComo consequ\u00eancia dessa crise estrutural mais ampla surgem crises como a econ\u00f4mica que enfrentamos desde 2008. e que ainda n\u00e3o foi superada.<br \/>\nDentre outros fatores, as crises econ\u00f4micas s\u00e3o essencialmente crises de superprodu\u00e7\u00e3o. \u00c9 f\u00e1cil para n\u00f3s percebermos, por exemplo, que n\u00e3o h\u00e1 mais onde enfiar tanto carro no Brasil.<br \/>\nEntretanto, nos \u00faltimos anos foi feito de tudo para que os lucros dos patr\u00f5es n\u00e3o fossem afetados. Nos \u00faltimos anos, vimos o governo deixar de arrecadar muito dinheiro com essas empresas em forma de isen\u00e7\u00e3o de impostos, facilidades para exporta\u00e7\u00e3o e empr\u00e9stimos atrav\u00e9s do BNDES com juros baix\u00edssimos. Ainda assim, se seguiu a choradeira dos empres\u00e1rios.<br \/>\nTodos estamos cansados de ver a imprensa conservadora insistindo nas quest\u00f5es da baixa produtividade do trabalhador brasileiro (o que \u00e9 falso) e da falta de estrutura do pa\u00eds, como falta de estradas, etc.<br \/>\nO governo federal \u201ccome na m\u00e3o\u201d dos empres\u00e1rios e para o povo s\u00f3 as migalhas. Cada vez fica mais evidente que o governo do PT tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 do nosso lado.<br \/>\nAgora, est\u00e1 ficando muito claro que a pr\u00f3xima estrat\u00e9gia de governo e dos empres\u00e1rios ser\u00e1 o ataque brutal \u00e0 classe trabalhadora, com retirada de direitos, demiss\u00f5es e a tentativa de criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e dos movimentos sociais. Os companheiros que trabalham nas montadoras j\u00e1 est\u00e3o sentindo na pele esse ataque.<br \/>\nNas \u00faltimas semanas, tivemos milhares de companheiros demitidos ou afastados de seu trabalho atrav\u00e9s de licen\u00e7as, f\u00e9rias coletivas, folgas, etc.<br \/>\nSabemos que, nos \u00faltimos anos, as montadoras se deram muito bem no Brasil. Foram recordes em cima de recordes, bilh\u00f5es de d\u00f3lares enviados \u00e0s suas matrizes ($3,3 bilh\u00f5es s\u00f3 em 2013). Enriqueceram muito \u00e0 custa de nosso suor. E no primeiro sinal de queda na produ\u00e7\u00e3o a primeira coisa que falam \u00e9 em demiss\u00e3o.<br \/>\nO povo n\u00e3o pode pagar a conta da crise, de novo. Os lucros das empresas s\u00e3o tratados como algo sagrado, intoc\u00e1vel. Muitas vezes os n\u00fameros das empresas s\u00e3o inacess\u00edveis. J\u00e1 foi comprovado que a margem de lucro das empresas no Brasil \u00e9 muito maior do que em qualquer outro lugar do mundo. Por que ningu\u00e9m questiona isso?<br \/>\n\u00c9 preciso resistir! Mas somente quando a luta precisa voltar para as m\u00e3os do conjunto dos oper\u00e1rios. Hoje, o trabalhador n\u00e3o se sente mais representado pelo Sindicato dos Metal\u00fargicos. S\u00f3 faz acordos \u00e0s portas fechadas e avisa o trabalhador depois. Estamos vivendo o pior momento da categoria nos \u00faltimos anos e n\u00e3o vemos o sindicato chamar uma greve!<br \/>\nEst\u00e1 muito evidente que os sindicatos dirigidos pela CUT abandonaram a luta h\u00e1 muito tempo. Por exemplo, a Comiss\u00e3o de F\u00e1brica da Mercedes n\u00e3o est\u00e1 resistindo diante das demiss\u00f5es, inclusive, dizem que as demiss\u00f5es s\u00e3o inevit\u00e1veis. Al\u00e9m do mais, joga sujo com o trabalhador: os companheiros que foram demitidos procuraram a Comiss\u00e3o de F\u00e1brica e ouviram que era para \u201cficar tranquilo\u201d e que \u201ciam resolver\u201d. Passaram dias e ficou claro que a inten\u00e7\u00e3o era dar uma canseira at\u00e9 o companheiro perceber que estava isolado e que n\u00e3o restava alternativa sen\u00e3o assinar o PDV. No final das contas, a Comiss\u00e3o n\u00e3o sai com a imagem ruim e parece que foi vontade do trabalhador sair da empresa.<br \/>\nAgora, est\u00e3o comemorando um acordo de licen\u00e7a remunerada. \u00c9 um acordo muito ruim para n\u00f3s, porque quem sai fica mais f\u00e1cil para a empresa demitir e para quem fica a press\u00e3o s\u00f3 aumenta. N\u00e3o tem sentido nenhum para n\u00f3s esse acordo: V\u00e3o pagar esse trabalhador para ficar em casa sendo que ele far\u00e1 falta na f\u00e1brica. A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica. Se n\u00e3o est\u00e1 compensando para a empresa trabalhar com a capacidade m\u00e1xima que diminua a jornada sem diminuir os sal\u00e1rios e mantenham todos trabalhando. \u00c9 disso que precisamos agora, manter os nossos empregos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DILMA\/PT PREPARA MAIS ATAQUES&#8230;<br \/>\nO governo, em um plano acordado com as montadoras (e que contam com o apoio da patronal de conjunto) est\u00e1 preparando um novo pacote de ataque aos direitos trabalhistas, com mais flexibiliza\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios.<br \/>\nMesmo sendo negociado com as grandes empresas o rebaixamento salarial pode valer para todas as categorias.<br \/>\nChamado, ironicamente, de Programa Nacional de Prote\u00e7\u00e3o ao Emprego a proposta, do governo e da patronal, \u00e9 que a jornada possa ser reduzida pela metade e com redu\u00e7\u00e3o nos sal\u00e1rios em que a empresa paga a metade e o restante \u00e9 complementado por recursos do FGTS e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), ou seja, com dinheiro dos pr\u00f3prios trabalhadores.<br \/>\nQuem trabalha 8 horas por dia e ganha R$ 4 mil, por exemplo, teria uma jornada de quatro horas, recebendo R$ 2 mil da empresa e o complemento com os recursos do FGTS, com um teto estabelecido. Ou seja, com a exist\u00eancia de um teto haver\u00e1 redu\u00e7\u00e3o salarial para os maiores sal\u00e1rios.<br \/>\nEm um quadro pol\u00edtico e econ\u00f4mico com demiss\u00f5es em v\u00e1rias empresas essa medida mais uma vez vai favorecer os patr\u00f5es e jogar nas costas dos trabalhadores os efeitos da crise.<br \/>\nNesse momento em que est\u00e3o acontecendo v\u00e1rias lutas \u00e9 fundamental a constru\u00e7\u00e3o de um dia nacional de lutas e paralisa\u00e7\u00f5es que coloquem em suas reivindica\u00e7\u00f5es a estabilidade no emprego, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio para que todos tenham emprego. Essa tarefa cabe fundamentalmente \u00e0s centrais sindicais de esquerda (CSP e Intersindical), pois nenhuma das centrais governistas far\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">PROFESSORES LUTAM CONTRA A PRECARIZA\u00c7\u00c3O DOS SERVI\u00c7OS P\u00daBLICOS<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constru\u00e7\u00e3o da greve dos servidores p\u00fablicos federais em 2014 foi iniciada pela FASUBRA (17\/03\/14) e seguida pelo SINASEFE (22\/04\/14). A pergunta recorrente \u00e9 sobre os motivos de uma nova greve dos servidores p\u00fablicos nesse ano. E, novamente, podemos afirmar que boa parte dos problemas estruturais que motivaram as greves de 2011 e 2012 n\u00e3o foi resolvida.<br \/>\nS\u00e3o condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias no que diz respeito \u00e0 infraestrutura, disparidades e distor\u00e7\u00f5es nas carreiras at\u00e9 a aus\u00eancia da data base, a cria\u00e7\u00e3o da FUNPRESP e, ainda, a privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos com a Empresa Brasileira de Servi\u00e7os Hospitalares. Outro elemento importante a considerar \u00e9 a corros\u00e3o do nosso poder de compra a cada m\u00eas por conta da infla\u00e7\u00e3o, pois, retira dos trabalhadores o direito de manter uma vida digna. Enquanto boa parte dos trabalhadores possui sua data base, os servidores p\u00fablicos federais ficam \u00e0 merc\u00ea dos governos para m\u00ednimas concess\u00f5es como a reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA falta de infraestrutura adequada est\u00e1 ligada \u00e0 expans\u00e3o prec\u00e1ria da rede federal de ensino realizada pelo governo, instalando campus em v\u00e1rias partes do pa\u00eds sem as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de funcionamento. Com isso o governo cria uma situa\u00e7\u00e3o degradante para os trabalhadores e para os filhos dos trabalhadores que estudam nessas institui\u00e7\u00f5es: salas de aulas superlotadas, imposi\u00e7\u00e3o de carga hor\u00e1ria excessiva em sala de aula, falta de professores, precariedade de instala\u00e7\u00f5es.<br \/>\nV\u00e1rios campi espalhados pelo pa\u00eds funcionam em espa\u00e7os cedidos por prefeituras, salas improvisadas, sem laborat\u00f3rios, equipamentos e instala\u00e7\u00f5es adequadas. A resposta do governo e de seus gestores tem sido marcada pela falta de di\u00e1logo e pelo funcionamento nada democr\u00e1tico dessas institui\u00e7\u00f5es. A f\u00f3rmula do governo \u00e9 bastante simples: amplia\u00e7\u00e3o inadequada de vagas, redu\u00e7\u00e3o dos investimentos nas \u00e1reas sociais, repasse de verbas para o setor privado e aumento da press\u00e3o e do controle sobre os trabalhadores com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Isto \u00e9, Estado m\u00ednimo para os trabalhadores e m\u00e1ximo para os grandes empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio, empreiteiros, banqueiros e especuladores do mercado financeiro.<br \/>\nSegundo o Minist\u00e9rio do Planejamento, as despesas com pessoal e encargos sociais ca\u00edram de 4,8 % do PIB em 2002 para 4,2% em 2014. Entre 2001 e 2010 os tributos cobrados pelos governos cresceram 265%, frente a uma infla\u00e7\u00e3o de 90% (IPCA). Segundo a LDO para o ano de 2014, a previs\u00e3o de crescimento da receita \u00e9 de 14%, por\u00e9m os gastos com pessoal, conforme a mesma fonte, n\u00e3o crescer\u00e1. Al\u00e9m disso, o governo anunciou um corte de R$ 44 bilh\u00f5es no Or\u00e7amento Geral da Uni\u00e3o para 2014. Em 2013, o corte total foi de R$ 38 bilh\u00f5es; em 2012, de R$ 55 bilh\u00f5es; em 2011 de R$ 50 bilh\u00f5es. Os sucessivos cortes no or\u00e7amento servem para continuar beneficiando os especuladores financeiros atrav\u00e9s do super\u00e1vit prim\u00e1rio, que recebem quase 47% do or\u00e7amento da Uni\u00e3o que \u00e9 de R$ 2,36 trilh\u00f5es. Al\u00e9m disso, em virtude da press\u00e3o de diversos setores que sustentam o governo, n\u00e3o podemos esquecer as isen\u00e7\u00f5es fiscais para a ind\u00fastria automobil\u00edstica que ultrapassam R$ 145 bilh\u00f5es\/ano.<br \/>\nO Brasil sediar\u00e1 uma das Copas mais caras de todos os tempos. A Copa do Jap\u00e3o e da Cor\u00e9ia (2002) custou 4,6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares; a da Alemanha (2006), 3,7 bilh\u00f5es de euros; e a da \u00c1frica do Sul (2010) 3,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Em janeiro de 2010, o Minist\u00e9rio do Esporte estimou o gasto total com a Copa em R$ 20,1 bilh\u00f5es. Em 2014, a estimativa \u00e9 que esses gastos j\u00e1 aumentaram significativamente.<br \/>\nA greve no setor da Educa\u00e7\u00e3o federal segue crescendo, a Caravana da Educa\u00e7\u00e3o\/Marcha dos servidores federais, nos dias 06 e 07 de maio, demonstram a necessidade de um fortalecimento da luta. O bloqueio do acesso ao Minist\u00e9rio do Planejamento, na madrugada do dia 07 realizado pela FASUBRA e SINASEFE, impediu a realiza\u00e7\u00e3o do expediente no minist\u00e9rio obrigando o governo a receber as entidades em greve.<br \/>\nPortanto, para enfrentar a intransig\u00eancia do governo e a degrada\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos \u00e9 necess\u00e1ria mais do que uma greve de categoria, \u00e9 necess\u00e1rio uma greve geral dos trabalhadores. Esses problemas enfrentados pelos servidores federais tamb\u00e9m s\u00e3o os mesmos dos demais servidores pelo pa\u00eds. Precisamos articular nossas lutas e reivindica\u00e7\u00f5es para enfrentarmos os ataques do governo, dos patr\u00f5es e de seus gestores.<em id=\"__mceDel\">\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em id=\"__mceDel\"><a name=\"titulo4\"><\/a><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">OPOSI\u00c7\u00c3O PELA BASE: POR UM SINDICATO AUT\u00d4NOMO E COMBATIVO!<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi no contexto de precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e dos servi\u00e7os p\u00fablicos e tamb\u00e9m das lutas de resist\u00eancia e enfrentamento contra esses processos \u2013 nas greves de 2011 e 2012 \u2013 que nasceu o grupo pol\u00edtico Oposi\u00e7\u00e3o pela Base \u2013 OPB. Surgiu na reuni\u00e3o de trabalhadores da Educa\u00e7\u00e3o do Instituto Federal de Alagoas, que diante da situa\u00e7\u00e3o degradante e dos ataques do governo n\u00e3o encontraram na dire\u00e7\u00e3o do SINTIETFAL um espa\u00e7o de luta ou uma trincheira na defesa de nossos direitos. Ao inv\u00e9s disso, com os ataques que eram lan\u00e7ados contra nossas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, a dire\u00e7\u00e3o do sindicato permanecia numa profunda in\u00e9rcia pol\u00edtica. Completamente afastada dos interesses e anseios da categoria, alheia aos problemas que afligiam os trabalhadores a diretoria era pautada por uma atitude burocr\u00e1tica, uma condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica apaziguadora, tentando sempre conciliar o inconcili\u00e1vel.<br \/>\nA necessidade de construir o grupo Oposi\u00e7\u00e3o pela Base emergiu justamente porque o sindicato do IFAL (SINTIETFAL) n\u00e3o vem se mostrando combativo na defesa dos direitos dos servidores, j\u00e1 n\u00e3o representando uma trincheira na luta contra a precariza\u00e7\u00e3o que atingiu o IFAL a partir do processo de expans\u00e3o mal planejado. Al\u00e9m disso, n\u00e3o reage contra os atos de ass\u00e9dio moral que existe em nossa institui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se empenha em questionar a falta de democracia presente em muitas inst\u00e2ncias decis\u00f3rias do IFAL (inclusive no pr\u00f3prio sindicato).<br \/>\nEm consequ\u00eancia de n\u00e3o dispor de um sindicato organizado e forte que sirva de apoio e refer\u00eancia de luta aos seus representados h\u00e1 uma intensa desarticula\u00e7\u00e3o dos servidores do Instituto Federal de Alagoas. A quest\u00e3o que colocamos \u00e9: se o atual sindicato n\u00e3o cumpre suas tarefas pol\u00edticas, organizativas e estatut\u00e1rias (falta de transpar\u00eancia na presta\u00e7\u00e3o de contas, por exemplo), o que resta \u00e0 categoria? Ficar parada vendo a banda passar? N\u00c3O! Devemos lutar contra a desesperan\u00e7a, a indiferen\u00e7a e o conformismo. Fa\u00e7amos nossas as palavras de Bertold Brecht: nada \u00e9 imposs\u00edvel de mudar! O SINTIETFAL atualmente est\u00e1 mergulhado em uma quest\u00e3o judicial que j\u00e1 se prolonga por meses e que paralisa e esvazia o sindicato. Acreditamos que o SINTIETFAL, com sua estrutura burocratizada, j\u00e1 n\u00e3o tem mais legitimidade para ser o \u00f3rg\u00e3o de defesa dos nossos interesses.<br \/>\nN\u00e3o acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel construir algo novo e melhor a partir da mesma estrutura do velho e que j\u00e1 n\u00e3o atende as nossas necessidades. Nesse sentido, o que propomos concretamente \u00e9 um processo de politiza\u00e7\u00e3o, que pressup\u00f5e um amplo debate com a base da categoria para que professores e t\u00e9cnicos deixem de ser plateia ap\u00e1tica para tornarem-se os agentes principais do processo de reconstru\u00e7\u00e3o do SINTIETFAL. Por isso, defendemos um movimento de Refunda\u00e7\u00e3o sindical que fa\u00e7a nascer um novo e mais forte instrumento de defesa dos interesses dos trabalhadores do IFAL, mas sem os antigos v\u00edcios burocr\u00e1ticos e pr\u00e1ticas antidemocr\u00e1ticas. Este novo \u00f3rg\u00e3o sindical deve pautar-se pelos seguintes fundamentos:<br \/>\n1) Autonomia e combatividade, que defenda a ideia de que s\u00f3 a mobiliza\u00e7\u00e3o da categoria \u00e9 capaz de manter os direitos e abrir caminhos para novas conquistas significativas e duradouras;<br \/>\n2) Independ\u00eancia pol\u00edtica, sem cair na perspectiva da neutralidade deve-se buscar o resgate do sindicato como efetivo instrumento de luta pelos direitos dos servidores, sem qualquer rela\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o com gestores do IFAL ou governos, quaisquer que sejam.<br \/>\n3) Democracia direta e autodetermina\u00e7\u00e3o, \u00fanica forma de assegurar autonomia e soberania da categoria e o controle, por todos os servidores, das decis\u00f5es e encaminhamentos deliberados em suas inst\u00e2ncias.<br \/>\nPara construirmos um \u00f3rg\u00e3o sindical efetivamente novo \u00e9 necess\u00e1rio, antes de tudo, a participa\u00e7\u00e3o de todos os companheiros, professores e servidores t\u00e9cnico-administrativos. Um sindicato n\u00e3o se faz com uma \u00fanica pessoa, ou com um grupo de \u201ciluminados\u201d. Todos n\u00f3s devemos assumir esta responsabilidade, JUNTOS! O reconhecimento dos servidores de que o atual SINTIETFAL j\u00e1 n\u00e3o nos serve e a disposi\u00e7\u00e3o para construir, de forma coletiva, um sindicato realmente novo \u00e9 o primeiro passo. A isto deve se seguir a realiza\u00e7\u00e3o de um congresso estatut\u00e1rio no qual todos os servidores (independente de serem ou n\u00e3o sindicalizados) seriam chamados a participar. E desse congresso lan\u00e7ar\u00edamos as bases para a constru\u00e7\u00e3o de um verdadeiro instrumento de defesa de nossos interesses, realmente democr\u00e1tico e combativo, fiel aos princ\u00edpios expostos anteriormente.<br \/>\nA grande tarefa diante dos desafios postos \u00e9 desenvolver um trabalho de constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para que possamos ir al\u00e9m das lutas por quest\u00f5es especificas salariais sintonizadas com as lutas gerais do conjunto da classe trabalhadora, desenvolvendo assim o combate cotidiano contra toda forma de opress\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o e assim reafirmar a luta pela Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica gratuita e de qualidade.<br \/>\nTrata-se de uma luta cotidiana contra uma cultura de despolitiza\u00e7\u00e3o e letargia que teremos que travar contra n\u00f3s mesmos, muitas vezes. Por\u00e9m \u00e9 uma tarefa que pode ser levada a bom termo, se atuarmos com firmeza, com paci\u00eancia, mas com muita perseveran\u00e7a.<br \/>\nDessa forma, reafirmamos o pensamento de Rosa Luxemburgo: &#8220;Quem n\u00e3o se movimenta, n\u00e3o sente as correntes que o prendem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">DIMENS\u00d5ES DA PRECARIZA\u00c7\u00c3O DO ENSINO SUPERIOR PRIVADO E OS DESAFIOS DA ESQUERDA<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Danilo Amorin<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Darcy Ribeiro, nos anos finais da d\u00e9cada de 1970, j\u00e1 dizia que a \u201ccrise\u201d da Educa\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o era verdadeiramente uma crise, mas um projeto \u2013 competentemente implantado e dirigido pela classe dominante brasileira a fim de sustentar um sistema social de \u201cprosperidade restrita e progresso contido\u201d, que reproduzia a mis\u00e9ria como condi\u00e7\u00e3o mesma de sua reprodu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO ensino superior brasileiro ao mesmo tempo reflete as caracter\u00edsticas gerais desse projeto, nunca efetivamente superado, e ret\u00e9m algumas especificidades, em primeiro lugar sua acentuada privatiza\u00e7\u00e3o. Das 2365 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior no Brasil, 2081 s\u00e3o particulares (88%) \u2013 que representam 73% dos alunos, 5,34 milh\u00f5es em n\u00fameros absolutos.<br \/>\nPor sua vez, a acelerada expans\u00e3o mercantilizada do ensino superior privado brasileiro, a partir da gest\u00e3o FHC-Paulo Renato de Souza (entre 1995 e 2010 o n\u00famero de matr\u00edculas nesse setor aumentou 262%), explicitou ainda que se trata de um projeto extremamente lucrativo.<br \/>\nApenas para tomarmos um exemplo recente: o fundo de investimentos GP Investiments \u201ccomprou 20% da Est\u00e1cio [terceiro maior grupo educacional privado do Brasil] em 2008 por 5,5 reais a a\u00e7\u00e3o e vendeu a sua participa\u00e7\u00e3o em setembro do ano passado por 17,6 reais, com um ganho total de 56,5 milh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d (\u201cMercado nota 10\u201d, Carta Capital, 14\/05\/2014). Quatro dos cinco maiores grupos educacionais (a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o conglomerado Objetivo-Unip) contam com a participa\u00e7\u00e3o de fundos de investimentos em sua gest\u00e3o.<br \/>\nNos \u00faltimos onze anos, esse setor converteu-se numa s\u00edntese das contradi\u00e7\u00f5es e dilemas da estrat\u00e9gia conciliat\u00f3ria dos governos petistas (que vem sendo caracterizado como lulismo), sendo eixo de uma das principais \u201cparcerias p\u00fablico-privadas\u201d efetivas e, n\u00e3o por acaso, bandeira recorrente de suas campanhas eleitorais.<br \/>\nDe um lado, temos a monopoliza\u00e7\u00e3o e a lucratividade sustentadas pela apropria\u00e7\u00e3o privada do fundo p\u00fablico: segundo o jornal Valor Econ\u00f4mico, 31% do total de matr\u00edculas do ensino superior privado (1,66 milh\u00e3o de alunos no total de 5,34 milh\u00f5es) s\u00e3o beneficiados por algum programa governamental \u2013 ou o Programa Universidade para Todos (Prouni) ou o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). \u00c9 not\u00f3rio que as grandes universidades incentivam a ado\u00e7\u00e3o do Fies pelos estudantes, os prendendo \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, com a garantia de matr\u00edculas e de recebimento da mensalidade pelo governo (ainda que os alunos assumam uma d\u00edvida, muitas vezes, posteriormente impag\u00e1vel). Tem-se assim uma pol\u00edtica p\u00fablica diretamente voltada ao grande capital (em especial quando se recorda a participa\u00e7\u00e3o dos fundos de investimento na gest\u00e3o dessas empresas).<br \/>\nConfirmando esse car\u00e1ter (seu privil\u00e9gio ao grande capital), tal lucratividade sustentada atrav\u00e9s da apropria\u00e7\u00e3o do fundo p\u00fablico realiza um verdadeiro estelionato educacional. Em suma: aos trabalhadores que, agora, obt\u00eam o acesso ao ensino superior (antes efetivamente inacess\u00edvel) n\u00e3o \u00e9 garantida uma real educa\u00e7\u00e3o. Tais grupos privados n\u00e3o oferecem nem ao menos a forma\u00e7\u00e3o profissional que prometem (dentro de seus limites mercantis), que dir\u00e1, ent\u00e3o, uma Educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Sem controle ou fiscaliza\u00e7\u00e3o efetivas por parte do governo federal, as universidades privadas v\u00eam aligeirando e precarizando a forma\u00e7\u00e3o superior, repetindo um quadro conhecido: os alunos passam cada vez mais tempo nos bancos escolares, sem que tenham acesso ao saber cient\u00edfico historicamente elaborado (fun\u00e7\u00e3o essencial da educa\u00e7\u00e3o escolar).<br \/>\nJ\u00e1 nesse ponto, a expans\u00e3o do ensino superior privado nos \u00faltimos anos explicita um dos dilemas da esquerda frente \u00e0 estrat\u00e9gia lulista: a \u201cincorpora\u00e7\u00e3o\u201d de setores da classe trabalhadora brasileira atrav\u00e9s do mercado, reproduzindo e impulsionando sua despolitiza\u00e7\u00e3o e individualismo. Com efeito, como lembra mesmo o economista petista Marcio Pochmann: h\u00e1 mais de um milh\u00e3o de novos estudantes universit\u00e1rios, aumento que n\u00e3o se expressa na correspondente amplia\u00e7\u00e3o do movimento estudantil, claramente inexistente nessas institui\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA queda da qualidade se mostra, ali\u00e1s, como um objetivo expl\u00edcito. As grandes institui\u00e7\u00f5es v\u00eam se caracterizando por uma esp\u00e9cie de \u201cpadroniza\u00e7\u00e3o\u201d das atividades docentes: o professor deixa de ser efetivamente respons\u00e1vel por sua aula\/disciplina. Os planos de aula, as leituras a serem realizadas pelos alunos, os tipos de avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o pr\u00e9-determinados pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o, em geral com a meta clara de simplifica\u00e7\u00e3o do conte\u00fado e seu aligeiramento.<br \/>\nEsta dimens\u00e3o da mercantiliza\u00e7\u00e3o impacta diretamente na dimens\u00e3o subjetiva (que grandemente contribui \u00e0 sua precariza\u00e7\u00e3o) do trabalho docente ao acentuar o estranhamento do professor em rela\u00e7\u00e3o ao seu trabalho, sua atividade vital.<br \/>\nOutra dimens\u00e3o da precariza\u00e7\u00e3o do ensino superior, na determina\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da qualidade do ensino-aprendizagem, corresponde, por\u00e9m, \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o objetiva do trabalho docente a\u00ed desenvolvido, refletindo a precariza\u00e7\u00e3o geral do trabalho, nos tempos neoliberais, e especificamente do trabalho docente em todas as suas variantes.<br \/>\nCom efeito, nos \u00faltimos anos vive-se a associa\u00e7\u00e3o de din\u00e2micas e processos que significaram um incremento significativo da mais-valia absoluta dos docentes: ao mesmo tempo atrav\u00e9s do aumento da jornada de trabalho e da redu\u00e7\u00e3o salarial.<br \/>\nO aumento da jornada de trabalho se realiza de diferentes maneiras (assumindo tarefas de car\u00e1ter administrativo, por exemplo), mas pode ser expressa pela rela\u00e7\u00e3o entre discentes e docentes nessas institui\u00e7\u00f5es: \u201cem 1997, as institui\u00e7\u00f5es privadas tinham uma rela\u00e7\u00e3o de 72 docentes para cada grupo de 1000 discentes; esse n\u00famero caiu para 57 por 1000 em 2010\u201d (Gaspar, p. 11). O aumento do n\u00famero de alunos nas salas de aula e, por conseguinte, da quantidade de atividades que devem ser realizadas, implicam, ao professor, que o mesmo se ocupe mais tempo (fora da institui\u00e7\u00e3o) com seu trabalho.<br \/>\nE dedica mais tempo recebendo menos. Quanto \u00e0 redu\u00e7\u00e3o salarial, um caso \u00e9 exemplar. Em 2001, a Unicastelo contratava um professor com a titula\u00e7\u00e3o de mestre por R$22,00 h\/a. Em 2010, sem grandes contesta\u00e7\u00f5es pelo Sinpro-SP, a mesma institui\u00e7\u00e3o implanta um plano de carreira que a permite contratar professor de qualquer titula\u00e7\u00e3o (mestre ou doutor) pelos mesmos R$22,00 h\/a.<br \/>\nS\u00e3o v\u00e1rias as institui\u00e7\u00f5es que realizaram tal aplica\u00e7\u00e3o de \u201cplanos de carreiras\u201d, que implicaram, na pr\u00e1tica, uma agressiva redu\u00e7\u00e3o salarial, ainda que as conven\u00e7\u00f5es coletivas (formalmente) tenham garantido aumentos anuais. A redu\u00e7\u00e3o salarial se realiza, no entanto, principalmente pela alta rotatividade: mais de 10% dos docentes permanecem menos de 6 meses em uma institui\u00e7\u00e3o privada, e cerca de 40% n\u00e3o ultrapassam 2 anos no mesmo v\u00ednculo empregat\u00edcio. Restabelecendo-o, em outra institui\u00e7\u00e3o, usualmente por menor valor h\/a.<br \/>\nNesse sentido, a precariza\u00e7\u00e3o lida, ainda, com a in\u00e9rcia do aparato sindical, em geral restrito a questionamentos de car\u00e1ter jur\u00eddico-institucional. Exemplo recente foi a chamada de uma \u201crevolucion\u00e1ria\u201d greve no domingo da semana do dia dos professores, ano passado, pelo Sinpro-ABC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">ENQUANTO SE ORGANIZA A COPA&#8230; A JUVENTUDE \u00c9 ASSASSINADA<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deise Santana e Iraci Lacerda<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 de hoje que a juventude \u00e9 assassinada no Brasil, especialmente a juventude negra e da periferia.<br \/>\nPoder\u00edamos repetir aqui todos os n\u00fameros j\u00e1 publicados diariamente na m\u00eddia que indicam o verdadeiro exterm\u00ednio, mas o que a gente tenta entender s\u00e3o os motivos que levam um pa\u00eds a exterminar seus jovens sem que a nossa rea\u00e7\u00e3o seja suficiente para nos manter todos vivos numa vida sem injusti\u00e7as.<br \/>\nAs manifesta\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o acontecendo em todos os cantos, as muitas greves voltaram a acontecer e mais ocupa\u00e7\u00f5es por moradia tamb\u00e9m. Mas, nenhum passo tem sido dado pelo governo para deixar de desviar o nosso dinheiro para os ricos. Al\u00e9m disso, esses mesmos ricos ainda recebem do governo o apoio para fazer a gente trabalhar mais, para pagar sal\u00e1rio baixo sem nenhum direito e para amea\u00e7ar de mandar embora ou cortar o \u201ccontrato\u201d.<br \/>\n\u00c9 duro pensar que o emprego para a maioria dos jovens, especialmente n\u00f3s negros, tem sido o tal do precarizado, o que significa que dificilmente vamos ter carteira assinada (agora \u00e9 contrato, que fica mais f\u00e1cil e mais barato para mandar embora) e que n\u00e3o vamos ter os mesmos direitos que os trabalhadores mais antigos (tipo: 13\u00ba sal\u00e1rios, m\u00e1ximo de 40 horas de trabalho por semana, FGTS, f\u00e9rias, plano de sa\u00fade, etc.).<br \/>\nNas escolas e nas universidades a nossa situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nada tranquila. As a\u00e7\u00f5es racistas e machistas v\u00e3o ficando cada dia mais vis\u00edveis e \u00e0s vezes \u00e9 entre n\u00f3s mesmos. Mas, na maioria do nosso tempo de vida o racismo e machismo v\u00e3o tentando destruir a nossa juventude e impondo situa\u00e7\u00f5es de todas as formas: atrav\u00e9s das condi\u00e7\u00f5es que temos para estudar, da quantidade de verbas para a Educa\u00e7\u00e3o (que n\u00e3o possibilita o aumento do n\u00famero de vagas nas universidades p\u00fablicas e nem a manuten\u00e7\u00e3o apropriada das que j\u00e1 existem, a constru\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios, de salas de inform\u00e1tica, de restaurantes e moradias universit\u00e1rias, etc.), da sobrecarga de trabalho e baixos sal\u00e1rios dos professores, da repress\u00e3o dentro dos campus ou no entorno das escolas.<br \/>\nTudo isso vai dificultando a nossa sobreviv\u00eancia. Al\u00e9m de termos empregos precarizados, para continuar os nossos estudos, ficamos ref\u00e9ns das Bolsas do Prouni ou do Sisu que, muitas vezes, representam os cursos menos lucrativos para as faculdades ou os menos concorridos nas universidades, ou seja, aqueles que quase ningu\u00e9m quer, porque o mercado de trabalho n\u00e3o paga bem e que as faculdades ainda tem condi\u00e7\u00e3o de lucrar, acaba ficando para n\u00f3s, bolsistas.<br \/>\nMesmo assim a vida para uns vai seguindo e para outros vai ficando no caminho. Isso tudo, consequ\u00eancias do sistema capitalista, tem feito a depress\u00e3o aumentar entre a juventude. Temos menos tempo para amar, para estar com as pessoas e para fazer as coisas que a gente gosta.<br \/>\nMas, o que tem acabado mesmo com a nossa vida \u00e9 essa necessidade de calar a nossa voz, de nos tirar da luta, de destruir a nossa criatividade e rebeldia. O assassinato da juventude, do jovem negro e da periferia tem servido para isso! O sistema capitalista n\u00e3o consegue nos oferecer quase nada e ainda tira a nossa vida. \u00c9 o governo dos ricos nos estados e munic\u00edpios juntamente com Dilma, s\u00e3o os ricos e a Pol\u00edcia que sustentam isso. N\u00e3o aceitam a nossa participa\u00e7\u00e3o nas lutas para transformar essa sociedade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MAS&#8230; MEXEU COM UM, MEXEU COM TODOS<br \/>\nA Copa do Mundo n\u00e3o nos ilude mais: Jogadores milion\u00e1rios e distantes da nossa realidade, times ricos e que dificultam a nossa entrada nos est\u00e1dios, patrocinadores que s\u00f3 querem lucrar, m\u00eddia que mente e esconde a situa\u00e7\u00e3o do trabalhador brasileiro e as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Organizar o pa\u00eds para a Copa tem significado \u201cimpedir de se manifestar quem \u00e9 contra tudo isso\u201d, mesmo que tenha que exterminar a parcela que j\u00e1 n\u00e3o tem mais nada a perder.<br \/>\nA juventude da classe trabalhadora, precarizada, da periferia, negros e pardos n\u00e3o aceitamos o que reservaram para n\u00f3s. Estamos nessa luta com todos os outros trabalhadores pelo fim da nossa explora\u00e7\u00e3o e dos lucros que deixam os ricos cada vez mais ricos, contra a Copa que est\u00e1 sugando dinheiro p\u00fablico e contra os governos que n\u00e3o governam para revolucionar a vida de quem precisa trabalhar para sobreviver!<br \/>\nN\u00e3o nos calar\u00e3o! N\u00e3o lutamos somente no dia de manifesta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o queremos somente construir o nosso partido, n\u00e3o acreditamos nos movimentos estudantis que se juntaram ao governo para impedir a nossa luta, n\u00e3o aceitamos sindicatos que negociam com governo e com ricos contra os direitos que outrxs lutadorxs arrancaram nas lutas do passado. Contra o assassinato da juventude e exterm\u00ednio da juventude negra, fortalecemos as nossas fileiras! Nenhum a menos!<br \/>\nN\u00f3s n\u00e3o queremos muito, queremos a transforma\u00e7\u00e3o dessa sociedade: Queremos uma sociedade justa \u2013 governada por quem precisa trabalhar para sobreviver e que produz toda a riqueza que a humanidade possui \u2013 sem explora\u00e7\u00e3o, sem opress\u00e3o e sem racismo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo7\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">MARCO CIVIL DA INTERNET: A OFICIALIZA\u00c7\u00c3O DA REPRESS\u00c3O CONTRA OS TRABALHADORES.<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de abril de 2014 foi aprovado e sancionado pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica o Marco Civil da Internet (Lei 12.965) que foi apresentado para toda a sociedade brasileira como a consagra\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o da privacidade e da liberdade no ambiente da rede mundial de computadores. Diversas ONGs e setores da \u201csociedade civil\u201d apresentaram a referida lei como vit\u00f3ria dessas garantias.<br \/>\nInfelizmente \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio, pois apresenta uma s\u00e9rie de dispositivos legais que permitem que o Estado fique bisbilhotando o que os internautas fazem na rede podendo, inclusive, incrimin\u00e1-los n\u00e3o somente em nome da seguran\u00e7a nacional (ou seja, a partir de agora qualquer atividade de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na INTERNET vai ser monitorada pela repress\u00e3o). Isto \u00e9, aquilo que deveria ser a garantia de direitos e da liberdade passa a ser a oficializa\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o cibern\u00e9tica pelo Estado e em nome da propriedade privada (direitos autorais).<br \/>\nO texto de lei apresenta-se como muito simp\u00e1tica \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica, garantindo uma s\u00e9rie de direitos, como o direito a todos fazerem uso da internet como condi\u00e7\u00e3o para exercer a cidadania, fala-se da universaliza\u00e7\u00e3o da rede e tudo mais. Mas, tudo n\u00e3o passa de uma carta de boas inten\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o traz nada de concreto para que tais direitos sejam garantidos, fiscalizados e implementados. E mais, tudo que \u00e9 consagrado como \u201cdireito in\u00e9dito\u201d com o Marco Civil n\u00e3o passa de um engodo, pois as rela\u00e7\u00f5es comerciais e civis citadas na lei j\u00e1 s\u00e3o reguladas pela Constitui\u00e7\u00e3o,C\u00f3digo Civil e pelo C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<br \/>\nEnt\u00e3o, por que tanto holofote sobre esta lei?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A REPRESS\u00c3O \u00c9 ALGO IN\u00c9DITO COM ESSA LEI<br \/>\nAo contr\u00e1rio do que os ide\u00f3logose da m\u00eddia burguesa dizem, n\u00e3o havia como\u00e7\u00e3o social para a promulga\u00e7\u00e3o de uma lei que regulamentasse a internet no pa\u00eds. Pelo contr\u00e1rio, quando o debate vinha \u00e0 tona, a discuss\u00e3o passava por mais liberdade e mais privacidade. Construiu-se a tal \u201ccomo\u00e7\u00e3o social\u201d para legitimar a oficializa\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o contra os trabalhadores virtualmente. Agora, o Estado poder\u00e1 vigiar o que cada um de n\u00f3s fazemos e nossas a\u00e7\u00f5es. Ao contr\u00e1rio dos direitos que s\u00e3o tratados de forma gen\u00e9rica, a repress\u00e3o \u00e9 bem concreta, pois:<br \/>\n\uf0fc Exige-se que os dados de navega\u00e7\u00e3o fiquem registrados nos servidores dos sites de 6 meses a 1 ano armazenados obrigatoriamente, sob pena de responsabiliza\u00e7\u00e3o civil e criminal;<br \/>\n\uf0fc A autoridade policial e o Minist\u00e9rio P\u00fablico poder\u00e3o requisitar que os dados fiquem armazenados por um tempo maior do que previsto em lei, mediante autoriza\u00e7\u00e3o judicial;<br \/>\n\uf0fc Atingem em cheio aqueles que somente t\u00eam acesso a livros, filmes e m\u00fasicas por meio de \u201cdownloads\u201d gratuitos das obras pela internet,<br \/>\n\uf0fc Permite que se corte o sinal de internet do usu\u00e1rio por falta de pagamento, apesar de a pr\u00f3pria lei dizer que a internet \u00e9 um direito de todos;<br \/>\n\uf0fc Os dados pessoais dos internautas podem ser acessados pelas autoridades competentes sem qualquer autoriza\u00e7\u00e3o judicial, bem como a localiza\u00e7\u00e3o de seu terminal (aqui entendido como smartfones ,notebooks, desktops e tablets);<br \/>\nO ambiente de \u201cBig Brother\u201d n\u00e3o \u00e9 novidade na luta de classes e nunca dependeu de lei alguma. A diferen\u00e7a \u00e9 que o Estado burgu\u00eas procura a legitimidade da repress\u00e3o por meio de uma lei que, falsamente, garante direitos e liberdade ao internauta. Qualquer atividade suspeita como convocar os trabalhadores para um ato de protesto, por exemplo, seria o suficiente para que todos aqueles que se manifestarem na rede o seu interesse na participa\u00e7\u00e3o seja mapeado pela Pol\u00edcia, sem qualquer questionamento legal. Est\u00e1 claro que o Marco Civil n\u00e3o serve aos interesses dos trabalhadores.<br \/>\nE n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o Marco Civil foi aprovado num momento que pululam lutas e protestos contra a Copa do Mundo, em que a divulga\u00e7\u00e3o e a convoca\u00e7\u00e3o dos atos pela internet t\u00eam sido crucial. Esses ser\u00e3o os primeiros alvos da arapongagem legal nos termos da lei rec\u00e9m-sancionada pela Presidenta Dilma do PT (que lutou contra a ditadura civil e militar da d\u00e9cada de 60). Fica mais uma vez provado que n\u00e3o h\u00e1 qualquer sa\u00edda institucional para os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A INTERNET DEVE ATENDER AOS INTERESSES DOS TRABALHADORES, QUE PRODUZEM TODO TIPO DE RIQUEZA<br \/>\nSe realmente houvesse alguma preocupa\u00e7\u00e3o com os \u201cdireitos e garantias\u201d de acesso a internet para a classe trabalhadora seria necess\u00e1rio que:<br \/>\n\uf0fc O sinal de internet fosse universal, gratuito e sem fio;<br \/>\n\uf0fc Liberdade absoluta e privacidade absoluta;<br \/>\n\uf0fc Aboli\u00e7\u00e3o da franquia de dados;<br \/>\n\uf0fc Aboli\u00e7\u00e3o de acesso \u201cseletivo\u201d de conte\u00fado dos sites (s\u00f3 tem acesso quem paga)<br \/>\n\uf0fc Aboli\u00e7\u00e3o da \u201cpropriedade intelectual\u201d e propriedade privada. Acesso aos materiais culturais e acad\u00eamicos de forma ampla, geral e irrestrita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo8\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">GUERRA \u00c0S DROGAS, TR\u00c1FICO INTERNACIONAL E PROIBICIONISMO<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca da humanidade por subst\u00e2ncias que alteram a percep\u00e7\u00e3o, o humor, o comportamento e os estados da consci\u00eancia \u00e9 t\u00e3o antiga quanto sua capacidade de deixar registros. Provas dessa rela\u00e7\u00e3o est\u00e3o nas refer\u00eancias ao vinho na b\u00edblia, ao uso de Ayahuasca pelos nativos da bacia amaz\u00f4nica desde h\u00e1 mais de 4 mil anos, da folha da coca por nativos andinos que datam 2500 anos antes da era crist\u00e3, da maconha h\u00e1 mais de 3 mil anos antes de Cristo na \u00c1sia.<br \/>\nO conv\u00edvio da humanidade com as \u201cdrogas\u201d em rituais religiosos, usos recreativos, m\u00edsticos, esportivos e medicinais desenvolveu-se saudavelmente at\u00e9 o in\u00edcio da fase imperialista do capitalismo. \u00c9 nesta etapa que explode a Guerra do \u00d3pio, primeiro caso de tr\u00e1fico internacional de drogas e do uso comercial, por parte de um estado soberano, de subst\u00e2ncias psicoativas em escala industrial para aumentar lucros e influ\u00eancia. Nessa ocasi\u00e3o, a Inglaterra desconsiderou todos os protestos das autoridades chinesas e incentivou o consumo de \u00f3pio cultivado na \u00cdndia (col\u00f4nia inglesa na \u00e9poca) ao povo chin\u00eas, causando uma trag\u00e9dia cultural e de sa\u00fade p\u00fablica que levaram a duas guerras no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX.<br \/>\nConsiderando o natural conv\u00edvio da humanidade com subst\u00e2ncias indutoras de sensa\u00e7\u00f5es cerebrais (entorpecentes ou psicotr\u00f3picas) durante milhares de anos, como podemos entender o atual flagelo humanit\u00e1rio que envolve a produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e o consumo de drogas? Em que momento da hist\u00f3ria a rela\u00e7\u00e3o que evoluiu saud\u00e1vel durante milhares de anos se tornou causa de milh\u00f5es de v\u00edtimas. Somente \u00e9 poss\u00edvel tentar entender tamanho \u201cdesvio de comportamento\u201d em escala global se compreendermos o momento em que o modelo capitalista de exist\u00eancia, produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da vida e de riquezas alcan\u00e7ou o auge de seu desenvolvimento dentro das fronteiras da Inglaterra, transformando esse pa\u00eds na maior pot\u00eancia econ\u00f4mica mundial e na base de lan\u00e7amento desse modelo capitalista a todos os continentes no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PROIBIR PARA CONTROLAR<br \/>\nAs rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas geradas pela penetra\u00e7\u00e3o de capitais ingleses na China e as duas fases da Guerra do \u00d3pio promoveram a emigra\u00e7\u00e3o chinesa que forneceu m\u00e3o de obra barata para a crescente economia dos Estados Unidos. \u00c9 neste contexto e para controlar trabalhadores chineses mal remunerados que surge em 1875, em S\u00e3o Francisco, a lei proibindo o uso e o com\u00e9rcio do \u00f3pio s\u00f3 para chineses e seus descendentes. Esse \u00e9 o marco inicial da pol\u00edtica proibitiva que ser\u00e1 paulatinamente incrementada para gerar controle social e racial da classe trabalhadora.<br \/>\nNa segunda metade do s\u00e9culo XIX, a mundializa\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho dava seus primeiros passos a servi\u00e7o da reprodu\u00e7\u00e3o do capital e se inaugurava um novo c\u00edrculo vicioso: Em per\u00edodos de crescimento econ\u00f4mico, alimenta-se a imigra\u00e7\u00e3o para baixar o custo da m\u00e3o de obra nativa, estimula-se as diferen\u00e7as raciais para impedir a unidade dos trabalhadores, oferece-se condi\u00e7\u00f5es e sal\u00e1rios menores para os grupos sociais considerados inferiores. J\u00e1 em per\u00edodos de crise econ\u00f4mica, os grupos sociais escolhidos para sofrer com a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, desemprego e piora nas condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00e3o exatamente os descendentes daqueles que acreditaram nas promessas de fartura ou que foram trazidos \u00e0 for\u00e7a durante o tr\u00e1fico de escravos.<br \/>\nPara controlar as manifesta\u00e7\u00f5es de revolta desses momentos, as elites se utilizam de toda a variante de aparato repressivo. Ora a igreja para impor a moral e as ideias dominantes, ora o judici\u00e1rio pra condenar quem n\u00e3o colabora com a nova ordem, ora a pol\u00edcia para agredir e prender os descontentes e o legislativo sempre disposto a criar leis, inclusive, leis de comportamento como a Lei da Vadiagem e as leis proibitivas de comportamentos milenares relativas ao uso de drogas. Aconteceu contra os chineses do s\u00e9culo XIX e contra a popula\u00e7\u00e3o negra e a imigrante mexicana no in\u00edcio do s\u00e9culo XX nos Estados Unidos.<br \/>\nNo Brasil, foi largamente utilizado leis contra a maconha, o Candombl\u00e9, o Samba e a Capoeira pela elite latifundi\u00e1ria e escravocrata em seu projeto de embranquecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira e no controle de toda a popula\u00e7\u00e3o negra utilizada no ac\u00famulo primitivo de capital e que a partir de 13 de maio de 1888 foram deixados \u00e0 pr\u00f3pria sorte, sem qualquer amparo, projeto ou alternativa de subsist\u00eancia ap\u00f3s s\u00e9culos de trabalhos for\u00e7ados e ainda n\u00e3o indenizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O LUCRATIVO NEG\u00d3CIO DA GUERRA \u00c0S DROGAS<br \/>\nAp\u00f3s d\u00e9cadas de legisla\u00e7\u00e3o proibitiva, o consumo de subst\u00e2ncias psicoativas ultrapassa a fronteira dos grupos sociais marginalizados e come\u00e7a a penetrar a juventude de classe m\u00e9dia branca. \u00c0 medida que essa juventude se politiza e constr\u00f3i unidade com setores como o movimento negro e as organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, toda a repress\u00e3o voltada antes a setores marginalizados passa a ser usada para control\u00e1-los, desmoraliz\u00e1-los, julg\u00e1-los e encarcer\u00e1-los. Ao interesse das elites de controlar a \u201cjuventude rebelde\u201d e o povo pobre uni-se a necessidade do crescente complexo industrial militar de fornecer armas e equipamentos aos governos, surge assim a pol\u00edtica da Guerra \u00e0s Drogas com Richard Nixon em 1971.<br \/>\nDesde ent\u00e3o o consumo abusivo, a corrup\u00e7\u00e3o, e a viol\u00eancia em torno do neg\u00f3cio com entorpecentes s\u00f3 aumentaram. Segundo a London School of Economics (LSE), s\u00e3o gastos em todo o mundo US$ 100 bilh\u00f5es de dinheiro p\u00fablico ao ano em medidas legais e policiais para supostamente combater o tr\u00e1fico e a popula\u00e7\u00e3o de 230 milh\u00f5es de consumidores. Outra forma de lucrar com a guerra \u00e0s drogas \u00e9 privatizar a administra\u00e7\u00e3o das penitenci\u00e1rias e explorar o trabalho dos detentos, o que j\u00e1 vem sendo feito no Brasil desde janeiro de 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FIM DA PROIBI\u00c7\u00c3O<br \/>\nPara defendermos qualquer pol\u00edtica que seja, precisamos considerar que a humanidade vive atualmente sobre a hegemonia do capital, de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias. Nessa rela\u00e7\u00e3o, todas as esferas da vida e as formas de rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o absorvidas pela din\u00e2mica de expressar valor mensur\u00e1vel financeiramente. Ou seja, tem que dar lucro para legitimar seu direito de existir. \u00c9 assim com a arte, sa\u00fade, esporte, Educa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 com as rela\u00e7\u00f5es afetivas. Tudo vira mercadoria!<br \/>\nNos milhares de anos em que foi poss\u00edvel o envolvimento saud\u00e1vel entre a humanidade e as subst\u00e2ncias narc\u00f3ticas, tal relacionamento n\u00e3o era mediado pela forma mercadoria. Mas na etapa hist\u00f3rica em que vivemos, n\u00e3o s\u00f3 as drogas se tornaram mercadorias, mas grande parte da rela\u00e7\u00e3o humana est\u00e1 subordinada \u00e0 din\u00e2mica de gera\u00e7\u00e3o de resultados lucrativos. E \u00e9 nesta realidade que se insere a atual discuss\u00e3o de legalizar a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio capitalista que movimenta 15% do PIB (Fundo Monet\u00e1rio Internacional) mundial envolvida em toda sua cadeia produtiva e de consumo.<br \/>\nVai longe o tempo em que a defesa de pol\u00edticas mais flex\u00edveis \u00e0s drogas era privil\u00e9gios de setores de esquerda ou \u201cmoderninhos\u201d. A direita busca solu\u00e7\u00f5es para a crise mundial do capital e estuda potencializar este lucrativo segmento, atrav\u00e9s de seus te\u00f3ricos e pol\u00edticos liberais como George Shultz (chefe da diplomacia americana entre 1982 e 1989, no governo de Ronald Reagan), pelo espanhol Javier Solana (chefe da diplomacia europeia de 1999 a 2009) e por cinco vencedores do Nobel de Economia: Kenneth Arrow (1972), Christopher Pissarides (2010), Thomas Schelling (2005) Vernon Smith (2002) e Oliver Williamson (2009) assinaram o relat\u00f3rio &#8220;Ending the Drug Wars&#8221; (Acabar com as guerras da droga) pedindo o fim da pol\u00edtica de guerra contra as drogas e dando o primeiro passo rumo \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A DIFEREN\u00c7A DE UM PROJETO DOS TRABALHADORES<br \/>\nOs trabalhadores devem construir seu pr\u00f3prio projeto para superar a hipocrisia da proibi\u00e7\u00e3o, o flagelo da guerra \u00e0s drogas e o cinismo liberacionista da burguesia. Para tanto, deve considerar o regime de semiescravid\u00e3o em que trabalham os plantadores no interior do Brasil, Paraguai, Bol\u00edvia e Col\u00f4mbia tanto quanto o ambiente insalubre e extremamente agressivo em que \u201cvaporzinhos e avi\u00e3ozinhos\u201d desenvolvem a atividade final de separar, empacotar e distribuir as drogas nas periferias das cidades.<br \/>\nSomente uma postura firme e franca poder\u00e3o dissociar toda a atmosfera de viol\u00eancia, armas e crime que a explora\u00e7\u00e3o capitalista imp\u00f4s ao h\u00e1bito milenar da humanidade.<br \/>\nDefender, no Brasil, a regulamenta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o dos psicoativos significa enfrentar o centen\u00e1rio projeto da elite brasileira de exterminar a popula\u00e7\u00e3o negra, pois das 36.792 v\u00edtimas de arma de fogo, dois ter\u00e7os s\u00e3o negras, conforme Mapa da Viol\u00eancia 2013, al\u00e9m da liberdade imediata de quase 30% da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria paulista.<br \/>\nPor fim, uma pol\u00edtica consequente dever\u00e1 ir muito al\u00e9m da droga e atingir todo o universo ligado a ela. Partindo da reforma agr\u00e1ria, para evitar que o agroneg\u00f3cio tenha mais uma commodities para exporta\u00e7\u00e3o e aumente os pre\u00e7os dos alimentos. Da estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro para garantir que o dinheiro das drogas n\u00e3o migre para o com\u00e9rcio de armas e financie outros crimes. Da profunda redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, para que todos trabalhem e a trag\u00e9dia do desemprego n\u00e3o seja a alavanca do crime nem da explora\u00e7\u00e3o. E que as for\u00e7as de repress\u00e3o sejam paulatinamente postas sob controle de toda a sociedade e n\u00e3o apenas dos donos dos meios de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique aqui para o PDF. 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