{"id":2994,"date":"2014-06-18T00:41:15","date_gmt":"2014-06-18T03:41:15","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2994"},"modified":"2018-06-01T16:05:33","modified_gmt":"2018-06-01T19:05:33","slug":"jornal-69-junhojulho-de-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/06\/jornal-69-junhojulho-de-2014\/","title":{"rendered":"Jornal 69: Junho\/Julho de 2014"},"content":{"rendered":"<p><a style=\"font-size: 2em;\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Jornal-69.pdf\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3008\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/jornal-69-capa-pequena-212x300.png\" alt=\"jornal 69 capa pequena\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/jornal-69-capa-pequena-212x300.png 212w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/jornal-69-capa-pequena.png 334w\" sizes=\"(max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Jornal-69.pdf\">Clique aqui para baixar o PDF<\/a><\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2994#titulo1\">Trabalhadores entram em cena<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2994#titulo2\">A ocupa\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia militar na Universidade Federal de Alagoas<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2994#titulo3\">O controle e o monitoramento eletr\u00f4nico sobre o trabalho do professor<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2994#titulo4\">A (i)mobilidade na cidade do capital perif\u00e9rico<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2994#titulo5\">A trag\u00e9dia da Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola 1931-1939<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2994#titulo6\">Contra os massacres em Donetsk e Lugansk!<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h1><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Trabalhadores entram em cena<\/h1>\n<p>A Copa ocorre em um clima bem diferente do imaginado pela FIFA, pelo governo Lula e outros quando comemoraram a escolha do pa\u00eds para sedi\u00e1-la.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da euforia que se tentava construir naquele momento \u2013\u00a0 de um pa\u00eds que estaria \u201cno caminho certo\u201d, n\u00e3o s\u00f3 fugindo da crise, mas com um crescimento econ\u00f4mico acima dos pa\u00edses centrais, \u201creduzindo as diferen\u00e7as sociais\u201d, dando origem a uma suposta \u201cclasse m\u00e9dia\u201d e outras engana\u00e7\u00f5es \u2013 hoje a realidade demonstra algo profundamente diferente: h\u00e1 um descontentamento generalizado com o governo e as pesquisas, al\u00e9m de mostrar o decl\u00ednio da candidatura Dilma,\u00a0 mostram tamb\u00e9m uma quantidade de votos nulos, brancos e absten\u00e7\u00f5es enorme, projetando um cen\u00e1rio de maior instabilidade para o futuro, seja o governo Dilma reeleito ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>E isso tem muito a ver com o que aconteceu em junho passado. A barreira do pleno otimismo se rompeu e toda a situa\u00e7\u00e3o de precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os b\u00e1sicos essenciais, como a Educa\u00e7\u00e3o, a Sa\u00fade, o Transporte, foi exposta. Muito mais do que isso, tivemos sinal do in\u00edcio de uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds, com en\u00e9rgica disposi\u00e7\u00e3o de luta dos trabalhadores, que tem crescido cotidianamente.<\/p>\n<p>A chamada Jornada de Junho, mesmo com v\u00e1rias limita\u00e7\u00f5es, \u00e9 a express\u00e3o de uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds recolocando em cena a classe trabalhadora com suas lutas salariais, por moradia e demais direitos.<\/p>\n<p>A partir da greve dos garis do Rio de janeiro, as lutas envolvendo categorias importantes v\u00eam se espalhando pelo pa\u00eds. Vivenciamos greves, ocupa\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es em praticamente todos os estados, caracterizando a maior onda de enfrentamentos que presenciamos desde o final dos anos 80, quando tamb\u00e9m se lutava pela recomposi\u00e7\u00e3o do poder dos sal\u00e1rios em um contexto de infla\u00e7\u00e3o crescente. Neste momento, vivenciamos\u00a0 greves de rodovi\u00e1rios, metrovi\u00e1rios, constru\u00e7\u00e3o civil, professores de munic\u00edpios, funcion\u00e1rios de Universidades Federais, Professores dos Institutos T\u00e9cnicos Federais, em um processo que envolve trabalhadores de diversas categorias [removi o \u2018diversos estados\u2019 porque j\u00e1 consta no in\u00edcio do mesmo par\u00e1grafo].<\/p>\n<p>Somando-se a isso, tivemos o crescimento nos \u00faltimos anos de at\u00e9 3 vezes no pre\u00e7o dos im\u00f3veis e alugu\u00e9is, o que acarretou no aumento de ocupa\u00e7\u00f5es urbanas e no campo. Assim, vemos uma enorme demanda por moradia que o governo \u201cresolve\u201d com indiferen\u00e7a e repress\u00e3o \u2013 e nos estados onde haver\u00e1 jogos a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior, por conta das remo\u00e7\u00f5es da Copa.<\/p>\n<p>Essas greves t\u00eam esbo\u00e7ado algumas caracter\u00edsticas interessantes como:<\/p>\n<p>&#8211; Enfrentam e, muitas vezes, passam por cima das dire\u00e7\u00f5es sindicais pelegas, formando comiss\u00f5es e comandos de base que assumem as greves. Isso \u00e9 muito importante, pois a esmagadora maioria das dire\u00e7\u00f5es sindicais s\u00e3o traidoras, sendo comum a pr\u00e1tica de sabotar as assembleias, deixando os trabalhadores na m\u00e3o. A forma\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es de base \u00e9 fundamental para organizar e orientar os trabalhadores j\u00e1 que uma simples greve exige v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem ser descoordenadas: devem fazer parte de um plano de greve.<\/p>\n<p>&#8211; Surgem setores mais amplos de trabalhadores dispostos a n\u00e3o apenas fazer greve, mas participar dos seus rumos, tanto nos piquetes, como nas assembleias, passeatas, e outras a\u00e7\u00f5es. Retoma-se o m\u00e9todo dos piquetes, para fazer com que as decis\u00f5es das assembleias sejam cumpridas, enfrentando a press\u00e3o das chefias e dos fura-greves.<\/p>\n<p>&#8211; Passam por cima de decis\u00f5es da Justi\u00e7a burguesa, n\u00e3o aceitando os limites impostos ao movimento como forma de impedir suas lutas e resist\u00eancias. Como exemplo, mais uma vez, a dos garis do Rio de janeiro, Rodovi\u00e1rios de S\u00e3o Lu\u00eds no Maranh\u00e3o e, agora, metrovi\u00e1rios de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Essas carater\u00edsticas s\u00e3o ainda mais importantes, porque se tratam de categorias que, quando param suas atividades, provocam impacto na sociedade, e na circula\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>Neste sentido, a realiza\u00e7\u00e3o da Copa no Brasil e os gastos de dinheiro p\u00fablico com esse evento serviram para a popula\u00e7\u00e3o fazer experi\u00eancia com o governo: a maioria absoluta das pessoas hoje t\u00eam ideia do significado da realiza\u00e7\u00e3o da Copa no pa\u00eds, de que houve uma grande despropor\u00e7\u00e3o entre esses gastos e os para os servi\u00e7os p\u00fablicos para atender as necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o, sobretudo a mais pobre.<\/p>\n<p>A partir desse processo \u2013 de greves e outras formas de lutas \u2013 centenas, e mesmo milhares, de ativistas podem surgir, projetando a possibilidade de uma nova vanguarda de trabalhadores.<\/p>\n<p>Pode ser o in\u00edcio de um amplo processo de reorganiza\u00e7\u00e3o\/recomposi\u00e7\u00e3o dos movimentos e das formas de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, algo que \u00e9 fundamental para o surgimento de uma nova dire\u00e7\u00e3o que possa substituir a CUT e o PT, hoje completamente atrelados e adaptados aos interesses do capital, que cumprem na pr\u00e1tica o papel de gerentes do capital com muita ci\u00eancia.<\/p>\n<h2>Do outro lado&#8230; a repress\u00e3o e o cerco da m\u00eddia&#8230;<\/h2>\n<p>Mas esse quadro de lutas enfrenta um conjunto de obst\u00e1culos: h\u00e1 todo um esquema de domina\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m busca se refor\u00e7ar, com destaque para o imenso aparato repressivo (inclusive com a presen\u00e7a do Ex\u00e9rcito) montado sob a justificativa da Copa, e que continuar\u00e1 mesmo depois dela.<\/p>\n<p>Os alvos desse enorme aparato de repress\u00e3o s\u00e3o: os movimentos contra a Copa, as greves, as ocupa\u00e7\u00f5es urbanas, os moradores da periferia e das favelas, qualquer vendedor que esteja trabalhando fora dos padr\u00f5es estipulados pela FIFA \u2013 enfim, uma rede de repress\u00e3o armada contra os que n\u00e3o s\u00e3o beneficiados por essa bela \u201cFesta da Copa\u201d.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o ocorre pelos mais variados meios: policial, judicial, monitoramento de redes sociais etc.. Nas passeatas, a pol\u00edcia tem utilizado a t\u00e1tica de dispersar e prender logo no in\u00edcio. As greves al\u00e9m de enfrentar a dureza dos patr\u00f5es (devido \u00e0 maior necessidade do sistema de aprofundar a explora\u00e7\u00e3o), tamb\u00e9m se depara com a Justi\u00e7a do trabalho, da mesma forma que fazia na ditadura militar, julgando as greves como ilegais e abusivas e se posicionando favoravelmente aos patr\u00f5es. Na \u00e1rea c\u00edvel \u00e9 a mesma coisa, pois j\u00e1 h\u00e1 processo em andamento com ativistas e militantes como r\u00e9us, onde o caso mais grave \u00e9 o dos militantes de Porto Alegre [n\u00e3o colocaremos uma breve explica\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo caso, j\u00e1 que o leitor pode estar desinformado?].<\/p>\n<p>Essa tend\u00eancia de aumento do controle e da repress\u00e3o \u00e9 geral em toda a sociedade, e est\u00e1 ligada \u00e0 necessidade de aprofundar os mecanismos de domina\u00e7\u00e3o, a fim de impedir ou dificultar as rea\u00e7\u00f5es. Assim, \u00e9 preciso destacar a todo momento a luta pela democracia social \u2013 a democracia dos trabalhadores e demais setores oprimidos exercerem seu direito a protestar, a fazer greves e ocupa\u00e7\u00f5es quando a situa\u00e7\u00e3o social o obriga. Precisamos lutar permanentemente, desde os nossos locais de trabalho, aos outros espa\u00e7os da sociedade, contra esse aumento da repress\u00e3o e pela democracia dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Esse processo repressivo \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de que a democracia no capitalismo brasileiro \u00e9 cada vez mais autocr\u00e1tica, autorit\u00e1ria, atacando nossas conquistas democr\u00e1ticas. E isso coloca em risco at\u00e9 mesmo o direito de lutar, ali\u00e1s, garantido at\u00e9 mesmo na Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>A estrutura repressiva do Estado, atuando em conjunto com a justi\u00e7a, a m\u00eddia e at\u00e9 mesmo outros mecanismos tornam mais urgente ainda aprofundar uma Campanha Permanente Contra a Repress\u00e3o e a Criminaliza\u00e7\u00e3o das greves, manifesta\u00e7\u00f5es e ativistas: \u00e9 preciso a ampla unidade da esquerda para essa luta!<\/p>\n<h2>Uma nova situa\u00e7\u00e3o de maior endurecimento e polariza\u00e7\u00e3o social<\/h2>\n<p>Esse quadro \u00e9 resultado, tamb\u00e9m, de uma nova situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica marcada pelo fim do ciclo econ\u00f4mico baseado no aumento do mercado interno pela via do cr\u00e9dito. O lento crescimento econ\u00f4mico\/quase estagna\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o virou uma onda de desemprego e permite que ocorram lutas por sal\u00e1rios em um mercado que ainda se mant\u00e9m. Mas j\u00e1 ocorrem sinais do que est\u00e1 por vir. Muitas f\u00e1bricas (em particular as montadoras) j\u00e1 d\u00e3o f\u00e9rias coletivas, lay-off (redu\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de trabalho), pressionam com Planos de \u201cDemiss\u00e3o Volunt\u00e1ria\u201d (PDVs). No Abc, nos primeiros meses deste ano, j\u00e1 foram mais de 4 mil demitidos nas ind\u00fastrias.<\/p>\n<p>Diante das dificuldades na economia brasileira (desindustrializa\u00e7\u00e3o, infla\u00e7\u00e3o, baixo crescimento econ\u00f4mico etc.), as empresas esmagam os trabalhadores de um lado e, do outro, pressionam o governo para dar mais incentivos (l\u00ea-se <i>transferir dinheiro p\u00fablico para a iniciativa privada<\/i>), com a redu\u00e7\u00e3o do IPI (Impostos sobre Produtos Industrializados) e tornando permanente a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento do INSS, diminuindo drasticamente os impostos das empresas e, ao mesmo tempo, aumentando seus lucros. Mesmo assim, as empresas demitem&#8230;<\/p>\n<p>Os trabalhadores do servi\u00e7o p\u00fablico tamb\u00e9m encaram um endurecimento muito severo, com um or\u00e7amento muito comprometido com o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, redu\u00e7\u00e3o de arrecada\u00e7\u00e3o (desonera\u00e7\u00e3o, isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria etc.)\u00a0 em v\u00e1rios setores, e Dilma sequer tem negociado com esses trabalhadores em greve.<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o \u2013 em particular dos alimentos, roupas e rem\u00e9dios: bens de maior consumo dos trabalhadores \u2013 rouba poder de compra dos sal\u00e1rios, o cr\u00e9dito transformou-se em endividamento, al\u00e9m de que juros maiores significam mais uma forma de extorquir os trabalhadores e a classe m\u00e9dia: muitos j\u00e1 endividados, no limite e at\u00e9 impossibilitados de poder pagar as presta\u00e7\u00f5es. Aumenta a sobrecarga de trabalho, a press\u00e3o e o ass\u00e9dio moral e, assim, o servi\u00e7o p\u00fablico assume, rapidamente, a l\u00f3gica empresarial de menor custo poss\u00edvel para o empresariado.<\/p>\n<h2>CUT, For\u00e7a, UGT, CGT, etc defendem a Copa e aceitam as demiss\u00f5es!<\/h2>\n<p>Em tempos de mobiliza\u00e7\u00f5es contra a Copa e contra os gastos p\u00fablicos neste evento, a alian\u00e7a governista, da CUT e seus sindicatos, est\u00e3o em campanha defendendo a realiza\u00e7\u00e3o da Copa no pa\u00eds. \u00c9 parte da mesma campanha que o governo Dilma est\u00e1 vinculando na televis\u00e3o: os jornais dos sindicatos mais parecem a imprensa da CBF.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que festejam a Copa dos Patr\u00f5es e da FIFA, essas centrais s\u00e3o coniventes com o processo de demiss\u00f5es nas f\u00e1bricas, ajudando as empresas a ser reestruturarem \u00e0s custas do desemprego e fechamento de postos de trabalho de modo permanente.<\/p>\n<p>Aceitam todas as chantagens das empresas e seus programas como PDVs e pacotes e demiss\u00e3o, Lay-off, f\u00e9rias coletivas, banco de horas: enfim, os trabalhadores dessas empresas ficam \u201cvendidos\u201d pelos seus pr\u00f3prios sindicatos. \u00c9 urgente construir trabalhos clandestinos de oposi\u00e7\u00e3o dentro das f\u00e1bricas que possam denunciar e enfrentar essas pol\u00edticas nefastas, de acordos entre empresas e sindicatos.<\/p>\n<h2>Por uma Greve Geral na Copa!<\/h2>\n<p>A Copa seria o momento de ir al\u00e9m das lutas de cada categoria ou setor, unificando-as e realizando uma Greve Geral, que certamente teria repercuss\u00e3o pelo mundo todo, e colocaria o governo e os patr\u00f5es na defensiva frente aos trabalhadores. A partir das greves j\u00e1 em curso, e dos abusos da Copa, seria poss\u00edvel e necess\u00e1rio chamar os setores que n\u00e3o est\u00e3o em luta para fazer uma parada geral.<\/p>\n<p>As centrais governistas (CUT, For\u00e7a, CTB, UGT,CGT, etc) n\u00e3o v\u00e3o fazer esse chamado. Mas a CSP-Conlutas e Intersindical, apesar de pequenas, podem realizar esse chamado p\u00fablico junto \u00e0s categorias e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral. Essa seria uma forma concreta de ser de fato alternativa frente \u00e0s centrais governistas.<\/p>\n<p>Restringir-se apenas ao chamado \u00e0s centrais governistas, como faz a CSP-Conlutas, n\u00e3o tem efeito pr\u00e1tico, pois sabemos que essas centrais n\u00e3o ir\u00e3o mover uma palha por qualquer luta que possa questionar o governo. Limitar-se a cobrar mobiliza\u00e7\u00e3o dessas dire\u00e7\u00f5es \u00e9 abster-se de ser alternativa real, o que os partidos PSTU e PSOL que, respectivamente, dirigem essas centrais (CSP-Conlutas e Intersindical) est\u00e3o fazendo.<\/p>\n<p>Uma <b>Greve Geral na Copa <\/b>seria a forma concreta de fortalecer as greves que j\u00e1 est\u00e3o em curso, procurando evitar que sejam derrotadas e, ainda, colocar o governo na defensiva frente \u00e0s mudan\u00e7as realmente necess\u00e1rias para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do Espa\u00e7o Socialista, estaremos participando das lutas Contra a Copa e suas injusti\u00e7as e em apoio \u00e0s greves, ocupa\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es, visando um ac\u00famulo de for\u00e7as para que os trabalhadores possam impor as mudan\u00e7as realmente necess\u00e1rias no pa\u00eds e que n\u00e3o vir\u00e3o nem com o \u201clegado da Copa\u201d, nem com as elei\u00e7\u00f5es, mas atrav\u00e9s da luta direta.<\/p>\n<p>&#8211; Sem direitos, sem copa;<\/p>\n<p>&#8211; Investimento real para termos Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Transporte P\u00fablicos, Gratuitos e de Qualidade atrav\u00e9s do N\u00e3o Pagamento da D\u00edvida P\u00fablica que anualmente consome R$ 1 trilh\u00e3o, mais de 40 % do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o!<\/p>\n<p>&#8211; Aumento geral dos Sal\u00e1rios! Sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE (R$ 3079,31);<\/p>\n<p>&#8211; Nenhuma demiss\u00e3o! Redu\u00e7\u00e3o da Jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios;<\/p>\n<p>&#8211; Por um Poder dos Trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta;<\/p>\n<p>&#8211; Por uma Sociedade Socialista!<\/p>\n<p><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h1><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Universidade: seguran\u00e7a e militariza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds da Copa<\/h1>\n<h2>PM na Ufal: seguran\u00e7a de quem?<\/h2>\n<p>No dia 7 de maio, no per\u00edodo da noite, estudantes e professora do curso de Servi\u00e7o Social, da Universidade Federal de Alagoas, foram assaltados dentro da sala de aula por dois homens armados. A not\u00edcia deste epis\u00f3dio repercutiu dentro e fora do campus e trouxe \u00e0 tona um debate indispens\u00e1vel:\u00a0<b>a seguran\u00e7a no \u00e2mbito acad\u00eamico.<\/b><\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o apontada pela Reitoria foi a instala\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar com rondas de carros e cavalaria. Mas, questionamos: at\u00e9 que ponto essa \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d, sem debates e consultas, reflete os interesses da comunidade acad\u00eamica? A seguran\u00e7a no ambiente universit\u00e1rio pode realmente ser garantida por uma institui\u00e7\u00e3o militar?<\/p>\n<p>Se buscarmos no tempo, comprovaremos que a rela\u00e7\u00e3o das universidades com a pol\u00edcia militar \u00e9 assombrosa. N\u00e3o se restringindo a reprimir desumanamente os movimentos sociais, a for\u00e7a policial atacou e perseguiu professores, pesquisadores e estudantes das universidades brasileiras nos anos da ditadura. E nem precisamos ir t\u00e3o longe: s\u00f3 no \u00faltimo ano tivemos a\u00e7\u00f5es brutais da PM nas USP, Unifesp, Unicamp e\u00a0UFSC.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edcia surgiu na ditadura militar, e continua sob chefia dos governos. \u00c9 a mesma que cessa\u00a0os direitos grevistas dos trabalhadores, a mesma que com seus cassetetes reprime os manifestantes nas ruas, a mesma que invade os bairros localizados nas periferias torturando jovens homens e mulheres pobres. A PM machista, racista e homof\u00f3bica, que prende, espanca e mata nas ruas, \u00e9 a mesma que estar\u00e1 dentro da universidade!<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos mais repress\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o! Estamos localizados num momento de constantes mobiliza\u00e7\u00f5es de t\u00e9cnicos, professores e estudantes nas institui\u00e7\u00f5es e universidades federais, que\u00a0reivindicam melhorias na prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico superior: aumento do quadro de professores, de seus sal\u00e1rios, do n\u00famero de comensais dos RUs, da constru\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o das bibliotecas setoriais e espa\u00e7os de estudos etc.\u00a0Ter a PM no campus nada mais \u00e9 que acionar a repress\u00e3o a essas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>A PM e a Copa do Mundo<\/h2>\n<p>Em uma mat\u00e9ria de maio, a revista Placar revelou que\u00a0<b>R$ 21,4 bilh\u00f5es vazaram dos cofres p\u00fablicos<\/b>\u00a0para a torrente da Copa do Mundo. Bola fora de quem julga que a paix\u00e3o pelo futebol acalmaria os descontentamentos que brotaram do megaevento: em pesquisa divulgada pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte,\u00a0<b>75,8% dos brasileiros declararam<\/b>\u00a0<b>serem desnecess\u00e1rios<\/b>\u00a0esses investimentos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos escancarados gastos para a reforma e constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios \u2013 que superaram os direcionados ao desenvolvimento da mobilidade urbana (transporte e vias p\u00fablicos) \u2013, tivemos um espet\u00e1culo de for\u00e7adas remo\u00e7\u00f5es para garantir a soberania do apito dos jogos: foram\u00a0<b>170 mil pessoas despejadas<\/b>\u00a0at\u00e9 mar\u00e7o deste ano, segundo dados da Articula\u00e7\u00e3o Nacional dos Comit\u00eas Populares da Copa.<\/p>\n<p>Assim, percebemos por que fora dos muros da universidade, \u00e0s v\u00e9speras de sediar esse imenso evento, a popula\u00e7\u00e3o contrap\u00f5e-se aos seus duros efeitos \u2013 que caem sobre os ombros dos trabalhadores, pobres e demais setores marginalizados \u2013 se esbarrando com a Pol\u00edcia Militar, que tem demonstrado ilustre efici\u00eancia como aparato repressor, criminalizando movimentos sociais, reprimindo e deslegitimando\u00a0<b>suas\u00a0<\/b>lutas, que s\u00e3o\u00a0<b>nossas<i>.<\/i><\/b><\/p>\n<p>Uma evid\u00eancia muito clara desse papel, que se exige da Pol\u00edcia Militar, foi a recente determina\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual para que ela encerre protestos e prenda manifestantes que obstruam ruas e estradas no territ\u00f3rio alagoano. A decis\u00e3o \u2013 do ponto de vista legislativo, sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a \u2013 apoia-se na ilegalidade de bloqueios de vias p\u00fablicas, que consta no artigo 5\u00ba; de forma muito curiosa, o mesmo artigo tamb\u00e9m prescreve a garantia de livre manifesta\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>O procurador-geral de Justi\u00e7a, S\u00e9rgio Juc\u00e1, argumenta que os manifestantes, \u201ctransgressores\u201d, t\u00eam trazido, com frequ\u00eancia, complica\u00e7\u00f5es ao impedir que a popula\u00e7\u00e3o se desloque para trabalhar e resolver problemas cotidianos. \u00c9 de grande ironia que as \u201ccomplicadas\u201d dificuldades, sob quais vivem os setores e categorias que se mobilizam, sejam deixadas de lado em seu s\u00e1bio racioc\u00ednio.<\/p>\n<p>O arruinamento da sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, combinado com a exclus\u00e3o causada pelos altos custos do lazer e do transporte coletivo, parece insignificante para a nossa benevolente procuradoria. Isso representa, de modo bastante n\u00edtido, o lado para qual pende a balan\u00e7a da Justi\u00e7a do Estado: a que classe interessa que os trabalhadores estejam amorda\u00e7ados, sem voz para contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica?<\/p>\n<p>Seria mera coincid\u00eancia que essa atitude do Minist\u00e9rio P\u00fablico tenha se dado num contexto de efervesc\u00eancia nacional de movimentos de rua?\u00a0\u00a0Num momento em que se teme que a onda de protestos escorra Alagoas adentro?<\/p>\n<h2>Derruba o muro, pois com ele a Ufal n\u00e3o tem futuro!<\/h2>\n<p>O problema da seguran\u00e7a na UFAL \u00e9 muito mais complexo do que parece acreditar a reitoria, e de forma alguma deve ser encontrada sua solu\u00e7\u00e3o na militariza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o acad\u00eamico. \u00c9 verdade que a dispers\u00e3o geogr\u00e1fica tem como consequ\u00eancia direta o isolamento dos institutos.<\/p>\n<p>Eles s\u00e3o bastante distantes e sofrem com m\u00e1 ilumina\u00e7\u00e3o. Mas, por outro lado em resposta a esse p\u00e9ssimo planejamento \u00e9 necess\u00e1rio avan\u00e7ar com as pautas do Movimento Estudantil: a seguran\u00e7a deve ser fruto da maior circula\u00e7\u00e3o no campus, com a \u201cderrubada dos muros\u201d que separam a universidade da comunidade que a circunda.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o da democracia universit\u00e1ria essa \u201cpol\u00edtica da indiferen\u00e7a\u201d por parte da gest\u00e3o da Ufal fecha os olhos para elementos bem pr\u00e1ticos presentes no cotidiano da universidade, entre eles, poder\u00edamos elencar a ilumina\u00e7\u00e3o, a frequ\u00eancia dos \u00f4nibus e circulares. Essas, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es simples e aparentemente pueris, mas que melhorariam significativamente a seguran\u00e7a, sem necessariamente recorrer \u00e0 for\u00e7a militarizada.<\/p>\n<p>Nesse momento, o mais relevante seria exatamente transformar o ambiente universit\u00e1rio em centros de conviv\u00eancia com espa\u00e7os de arte e lazer, pra\u00e7as, ruas e com outras diversas atividades socioculturais que venham possibilitar a seguran\u00e7a coletiva e individual.<\/p>\n<p>\u00c9 inadmiss\u00edvel em pleno s\u00e9culo XXI que as universidades fechem suas portas para os setores marginalizados pela sociedade. A tarefa que temos nesse momento frente \u00e0 inseguran\u00e7a no campus \u00e9 criar uma rede de articula\u00e7\u00f5es com os variados setores da nossa sociedade por via de interven\u00e7\u00f5es politicas-sociais.<\/p>\n<p>Desse modo, tamb\u00e9m n\u00e3o podemos deixar de enfatizar o quanto a Pol\u00edcia Militar est\u00e1 despreparada para realizar abordagens, e, antes disso, o problema da prepara\u00e7\u00e3o na abordagem fosse apenas uma \u201cquest\u00e3o de treinamento\u201d, cursos ou especializa\u00e7\u00f5es. Trata-se, pois, de algo mais profundo que se diz respeito justamente \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o interna das for\u00e7as militares. Contudo, como j\u00e1 sabemos: a quest\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o se reduz meramente a \u201ccaso de pol\u00edcia\u201d. \u00c9 necess\u00e1rio se pensar a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de curto, m\u00e9dio e longo prazo, a\u00e7\u00f5es essas que tenham a capacidade de transformar esse estado de coisas que comp\u00f5e a inseguran\u00e7a que atravessa v\u00e1rios espa\u00e7os da universidade, atingindo a todos. O desafio, portanto, \u00e9 exatamente garantir a seguran\u00e7a de toda a comunidade acad\u00eamica, a seguran\u00e7a coletiva, sem negar as liberdades individuais daqueles que vivem no mesmo ambiente universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Desse modo, acreditamos ser urgente a Universidade se abrir para os bairros em seu entorno e construir conjuntamente suas redes de prote\u00e7\u00e3o social, pois, a ocupa\u00e7\u00e3o da PM no campus significa t\u00e3o somente um adiamento, um paliativo ou uma gambiarra burocr\u00e1tica, truculenta e autorit\u00e1ria que de modo algum resolve o problema, mas, apenas o transfere para fora do nosso tempo atual a possibilidade e necessidade real de resolvermos com criatividade a inseguran\u00e7a que nos cerca.<\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>O CONTROLE E MONITORAMENTO ELETR\u00d4NICO SOBRE O TRABALHO DO PROFESSOR<\/h1>\n<p>Vivenciamos atualmente uma nova forma de controlar o trabalho do professor. Anteriormente, a partir dos anos 2000, presenciamos um controle do trabalho docente atrav\u00e9s da centraliza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo e a ado\u00e7\u00e3o de cartilhas. Os professores eram obrigados a seguir \u00e0 risca esses manuais de interven\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, n\u00e3o sobrando margem para testar qualquer proposta alternativa.<\/p>\n<p>Isto os tornou meros cumpridores de tarefas. Para esse professor tarefeiro, n\u00e3o era e n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria uma forma\u00e7\u00e3o intelectual avan\u00e7ada, aprimorada. Esse aspecto continua vigente e avan\u00e7a no \u00e2mbito da pr\u00e1tica, com a ado\u00e7\u00e3o de cronograma \u2013 com os dias que cada li\u00e7\u00e3o\/atividade deve ser cumprida durante o ano letivo \u2013, com o monitoramento eletr\u00f4nico e ainda com a forma\u00e7\u00e3o desses profissionais em cursos de Ensino \u00e0 Dist\u00e2ncia, os vulgos EaD\u2019s.<\/p>\n<p>Estamos diante de novas formas de controle do trabalho do professor, que est\u00e3o vinculadas ao processo de informatiza\u00e7\u00e3o dentro da educa\u00e7\u00e3o. Estamos nos referindo ao Sistema de Gest\u00e3o Pedag\u00f3gica \u2013 no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo \u2013, a Secretaria Escolar Digital \u2013 na rede estadual de S\u00e3o Paulo \u2013 e o do Sistema de Monitoramento de Conte\u00fado (SMC) \u2013 na rede estadual de Pernambuco e, \u00e9 bem prov\u00e1vel que existam outros Brasil a fora.<\/p>\n<p>Esses sistemas de controle e monitoramento do trabalho docente s\u00e3o vendidos aos professores como inclus\u00e3o digital, diante do desenvolvimento das \u00e1reas de TI. Todavia, quando acessamos esses sistemas, verificamos v\u00e1rias outras situa\u00e7\u00f5es, tais como: digita\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo; avalia\u00e7\u00f5es; frequ\u00eancia; planejamento; notifica\u00e7\u00f5es&#8230;, permitindo que o trabalho do professor possa ser visualizado por pessoas que n\u00e3o t\u00eam o devido conhecimento do sistema educacional e venham fazer apontamentos ou mesmo cr\u00edticas, responsabilizando os resultados negativos somente para aqueles que est\u00e3o na linha de frente na sala de aula.<\/p>\n<h2>Por tr\u00e1s do monitoramento do trabalho docente est\u00e1 a necessidade do controle social<\/h2>\n<p>O controle sobre o trabalho do professor reflete uma sociedade capitalista em crise, que precisa se reestruturar para n\u00e3o entrar em colapso, garantindo com isso o seu funcionamento e lucratividade \u00e0s custas da retirada de direitos hist\u00f3ricos dos trabalhadores, e da precariedade das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Assistimos \u00e0 retirada de direitos sociais conquistados por um longo per\u00edodo de lutas oper\u00e1rias, a partir do s\u00e9culo XIX, por formas de contrata\u00e7\u00e3o ampliam a superexplora\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso dos regimes de contrata\u00e7\u00e3o dos professores categoria \u201cO\u201d em S\u00e3o Paulo, na rede estadual e do professor monitor em Alagoas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m verificamos uma interven\u00e7\u00e3o do Estado \u2013 com seus governos municipais, estaduais e federal \u2013 na economia, de modo nunca visto na hist\u00f3ria da humanidade. S\u00e3o in\u00fameras concess\u00f5es fiscais e financeiras que t\u00eam um custo muito alto para os servi\u00e7os sociais \u2013 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, moradia, transportes p\u00fablicos&#8230; \u2013 e para os trabalhadores que dependem e neles trabalham.<\/p>\n<p>Isso tudo gera um dissenso e todas as formas de questionamentos que se expressaram nas manifesta\u00e7\u00f5es de junho\/julho de 2014 e se expressam nas in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es e greves que est\u00e3o ocorrendo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o controle social e todas as formas de coer\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o s\u00e3o meios usados pela patronal e seus governos para impedir que haja qualquer forma de questionamento. Todas as formas de questionamento \u00e0 ordem vigente s\u00e3o recha\u00e7adas de modo truculento, em escala e grau cada vez maiores.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse marco que devemos localizar a necessidade do controle e monitoramento do trabalho, n\u00e3o apenas dos professores, mas tamb\u00e9m dos trabalhadores de um modo geral, pois isso j\u00e1 vem ocorrendo em outras categorias \u2013 banc\u00e1rios, telemarketing, dentre outras. A flexibiliza\u00e7\u00e3o promovida pela reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva do capital tamb\u00e9m flexibilizou as formas de explora\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a. Descentraliza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es \u00e9 tamb\u00e9m descentraliza\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a. Controla-se e explora-se sem precisar estar ao lado do trabalhador.<\/p>\n<h2>O monitoramento do trabalho docente como forma de controle ideol\u00f3gico do professor<\/h2>\n<p>Este monitoramento do trabalho docente esconde um interesse ideol\u00f3gico, sobretudo, diante desse momento de crise, em que aparecem questionamentos \u00e0 ordem burguesa atual.<\/p>\n<p><i>\u201cPara ser eficaz, toda educa\u00e7\u00e3o imposta pelas classes propriet\u00e1rias devem cumprir a tr\u00eas finalidades essenciais seguintes: 1\u00ba destruir os vest\u00edgios de qualquer tradi\u00e7\u00e3o inimiga, 2\u00ba consolidar e ampliar a sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o de classe dominante, e 3\u00ba prevenir uma poss\u00edvel rebeli\u00e3o das classes dominadas. No plano da educa\u00e7\u00e3o, a classe dominante opera, assim, em tr\u00eas frentes distintas, e ainda que cada uma dessas frentes exija uma aten\u00e7\u00e3o desigual segundo as \u00e9pocas, a classe dominante n\u00e3o as esquece nunca\u201d. (Anibal Ponce in Educa\u00e7\u00e3o e Luta de Classes, p. 36)<\/i><\/p>\n<p>Isto se deve pelo fato de:<\/p>\n<p><i>\u201c(&#8230;) o ideal pedag\u00f3gico j\u00e1 n\u00e3o pode ser o mesmo para todos; n\u00e3o s\u00f3 as classes dominantes t\u00eam ideais muito distintos dos da classe dominada, como ainda tentam fazer com que a massa laboriosa aceite a desigualdade imposta pela natureza das coisas, uma desigualdade, portanto, contra qual seria loucura rebelar-se\u201d. Ibidem<\/i><\/p>\n<p>Nesse sentido, qualquer pr\u00e1tica pedag\u00f3gica que questione os interesses capitalistas dominantes s\u00e3o combatidos pelos agentes dos governos que est\u00e3o a servi\u00e7o desses interesses.<\/p>\n<h2>Os sistemas de avalia\u00e7\u00e3o, as metas, o curr\u00edculo e a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente<\/h2>\n<p>Se o trabalho no interior da escola j\u00e1 \u00e9 penoso para os professores, com uma carga elevada de n\u00fameros de alunos, deslocamentos para duas ou tr\u00eas escolas para completar sua carga hor\u00e1ria, prepara\u00e7\u00e3o de aulas, elabora\u00e7\u00e3o de provas, corre\u00e7\u00e3o de atividades e pesquisas escolares \u2013 isso tudo com um sal\u00e1rio miser\u00e1vel \u2013, o trabalho do professor se intensifica ainda mais com a cobran\u00e7a di\u00e1ria de elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios, portif\u00f3lios, al\u00e9m \u00e9 claro de uma s\u00e9rie de tarefas burocr\u00e1ticas que n\u00e3o contribuem em nada para a melhoria da pr\u00e1tica docente e da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tais procedimentos pedag\u00f3gicos, resultam da interfer\u00eancia dos interesses privados de Ong\u2019s, institutos e redes de empres\u00e1rios \u2013 Instituto Natura, Airton Sena, Ita\u00fa Social, Gerdal, Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, Parceiros da Educa\u00e7\u00e3o, dentre outros \u2013, que ali\u00e1s est\u00e3o por tr\u00e1s da implanta\u00e7\u00e3o das escolas de tempo integral \u2013 que reestruturaram a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e o seu curr\u00edculo, dando uma din\u00e2mica e funcionamento de acordo com esses interesses.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, s\u00e3o respons\u00e1veis pela implanta\u00e7\u00e3o dos sistemas de avalia\u00e7\u00f5es externas \u2013 SARESP, Prova Brasil, Prova S\u00e3o Paulo, PISA&#8230; \u2013 al\u00e9m das metas e direcionamento das interven\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas e do processo de ensino aprendizagem dos alunos para fazerem essas provas externas.<\/p>\n<p>Com isso, os professores n\u00e3o se veem mais enquanto corpo profissional respeitado, envolvidos na determina\u00e7\u00e3o e no desenvolvimento dos conte\u00fados curriculares, das pr\u00e1ticas escolares e da pol\u00edtica educacional em geral.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que devemos sempre atualizar nossos conhecimentos para andarmos juntos com as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Mas, para tanto, \u00e9 preciso valorizar o profissional da educa\u00e7\u00e3o com um sal\u00e1rio digno, carga hor\u00e1ria que possibilite a elabora\u00e7\u00e3o de aulas e atividades para os alunos, local de trabalho adequado que atenda \u00e0 demanda dos alunos, turmas reduzidas para uma aten\u00e7\u00e3o individualizada e material escolar para todos os alunos de modo a garantir o aprendizado.<\/p>\n<h1><a name=\"titulo4\"><\/a><\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>A (i)mobilidade na cidade do capital perif\u00e9rico<\/h1>\n<p>A segunda quinzena de maio trouxe novamente ao foco do debate pol\u00edtico o detonador imediato das \u201cjornadas de junho\u201d do ano passado: a quest\u00e3o do transporte, em especial o p\u00fablico, e da mobilidade urbana.<\/p>\n<p>Enquanto na ter\u00e7a e quarta \u2013 21 e 22 de maio \u2013, S\u00e3o Paulo viveu a greve \u201cselvagem\u201d dos motoristas e cobradores de \u00f4nibus, contra o acordo da dire\u00e7\u00e3o sindical pelega com a patronal, o vigoroso ato encabe\u00e7ado pelo MTST na campanha \u201cCopa sem povo, t\u00f4 na rua de novo\u201d, na quinta-feira, dia 23 estes foram responsabilizados pela m\u00eddia corporativa pelo congestionamento \u201cacima de m\u00e9dia para o hor\u00e1rio\u201d. Mas foi na sexta, dia 24, que tivemos um fato \u201cpedag\u00f3gico\u201d: o maior congestionamento da hist\u00f3ria da cidade de S\u00e3o Paulo, alcan\u00e7ando 344 km, e a \u201cculpa\u201d, superando feriados, greves, manifesta\u00e7\u00f5es etc., recaiu sobre \u201ca <i>chuva\u201d<\/i>.<\/p>\n<p>Por fim, as discuss\u00f5es em torno da mobiliza\u00e7\u00e3o dos metrovi\u00e1rios (indicando greve para o dia 05 de junho e a possibilidade da libera\u00e7\u00e3o das catracas, recusada pelo governador) e da demiss\u00e3o de rodovi\u00e1rios envolvidos na mobiliza\u00e7\u00e3o anterior atravessaram a \u00faltima semana do m\u00eas. E o tema parece continuar em pauta, com sua explosividade caracter\u00edstica: o MPL-SP, no marco de um ano da redu\u00e7\u00e3o da tarifa (19\/06), convoca um ato pela Tarifa Zero, com a consigna <i>N\u00e3o vai ter tarifa! Agora s\u00f3 faltam os 3 reais<\/i>.<b>\u00a0<\/b><\/p>\n<h2>A pesada heran\u00e7a da <i>via colonial<\/i><\/h2>\n<p>Muitas vezes costumamos nos referir a certos acontecimentos da cidade, envolvendo o transporte e a mobilidade, como \u201cca\u00f3ticos\u201d. Assim nos parecem os cada vez mais gigantescos congestionamentos, bem como o incha\u00e7o insuport\u00e1vel dos sistemas de transporte. Mas cabe a quest\u00e3o: trata-se mesmo de um \u201ccaos\u201d, isto \u00e9, da \u201cfalta de ordem\u201d?<\/p>\n<p>A constante repeti\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o desses problemas, assim como a flagrante incapacidade de resolv\u00ea-los, ainda que minimamente, nos obriga a reconhecer que, mais do que falta de ordem, trata-se da express\u00e3o espec\u00edfica de um tipo de ordenamento da sociedade. Em suma: trata-se da <i>materializa\u00e7\u00e3o da sociabilidade capitalista perif\u00e9rica<\/i> que caracteriza a conjuntura brasileira atual.<\/p>\n<p>O ge\u00f3grafo Milton Santos e o antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro j\u00e1 designavam o processo de forma\u00e7\u00e3o das cidades no Brasil, ao longo do s\u00e9culo XX, como o de uma \u201curbaniza\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica\u201d \u2013 como express\u00e3o e s\u00edntese de uma forma espec\u00edfica de desenvolvimento do capitalismo nacional.<\/p>\n<p>Com efeito, se a industrializa\u00e7\u00e3o brasileira, sem romper com a estrutura colonial, se efetiva <i>\u00e0s custas<\/i> de seus trabalhadores, <i>contra<\/i> o progresso social, fundada que foi no <i>arrocho salarial<\/i> e, por conseguinte, em formas autocr\u00e1ticas de exerc\u00edcio do poder, as cidades brasileiras ser\u00e3o a sua mais clara materializa\u00e7\u00e3o. Tais cidades, ao mesmo tempo expressam e refor\u00e7am a segrega\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o da classe trabalhadora da vida econ\u00f4mica nacional na forma de uma urbaniza\u00e7\u00e3o marcadamente perif\u00e9rica, engendrando uma \u201ccidade ilegal e informal\u201d.<\/p>\n<p>Como resume Erminia Maricato, \u201cassim como vivemos a industrializa\u00e7\u00e3o dos baixos sal\u00e1rios, podemos dizer que vivemos a urbaniza\u00e7\u00e3o dos baixos sal\u00e1rios\u201d (\u201c\u00c9 a quest\u00e3o urbana, est\u00fapido\u201d, in <i>Cidades rebeldes<\/i>). Fundada a industrializa\u00e7\u00e3o na <i>superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho,<\/i> a constru\u00e7\u00e3o de moradias se dar\u00e1 sem uma media\u00e7\u00e3o mercantil \u2013 atrav\u00e9s da autoconstru\u00e7\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o &#8220;irregular&#8221; dos terrenos perif\u00e9ricos. Situa\u00e7\u00e3o acentuada com a pol\u00edtica habitacional da ditadura civil-militar, praticada pela Cohab, entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1980, que, com a constru\u00e7\u00e3o de imensos conjuntos habitacionais perif\u00e9ricos e apartados da cidade em si, acelera sua <i>expans\u00e3o horizontal,<\/i> em verdade excluindo os trabalhadores do pr\u00f3prio uso da cidade e impondo um mart\u00edrio di\u00e1rio \u2013 o deslocamento entre moradia e trabalho.<\/p>\n<p>Em 2007, o tempo m\u00e9dio das viagens em S\u00e3o Paulo era de 2 horas e 42 minutos e, segundo a mesma pesquisa \u2013 Origem e Destino do Metr\u00f4 \u2013, o tempo m\u00e9dio da viagem em transporte coletivo (74% das viagens da popula\u00e7\u00e3o com renda at\u00e9 quatro sal\u00e1rios min\u00edmos) \u00e9 2,13 vezes superior ao de viagem em transporte individual.<\/p>\n<p>De outro lado, a industrializa\u00e7\u00e3o do Brasil se efetiva sob o comando das grandes transnacionais automobil\u00edsticas e centrada na produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo dur\u00e1veis, engendrando numa classe m\u00e9dia privilegiada seu mercado consumidor. H\u00e1 de se criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para tal consumo \u2013 o que explica o alto investimento rodovi\u00e1rio na cidade, voltado para o transporte individual. Entre 1960 e 1980, o investimento p\u00fablico multiplica por 10 as vias da cidade de S\u00e3o Paulo, abocanhando, por exemplo, entre 1965 e 1970, em m\u00e9dia, 27% do total do or\u00e7amento do munic\u00edpio (reduzido no dec\u00eanio seguinte por conta da crise do petr\u00f3leo, mas mantendo o privil\u00e9gio do autom\u00f3vel).<\/p>\n<p>Os governos do Partido dos Trabalhadores, municipais, estaduais ou federais, longe de apontar para din\u00e2micas que possibilitassem romper com esse c\u00edrculo virtuoso para o capital, o acentuam, seja na alian\u00e7a com as empresas privadas de \u00f4nibus, a partir da &#8220;segunda gera\u00e7\u00e3o&#8221; de suas prefeituras, convertendo-as em financiadoras de campanhas pol\u00edticas e benefici\u00e1rias de suas administra\u00e7\u00f5es (sem exclusividade, \u00e9 claro: entre 2010 e 2014, as empresas de \u00f4nibus receberam R$ 22,2 bilh\u00f5es de subs\u00eddios; o valor mensal, desde junho do ano passado, \u00e9 de R$ 300 milh\u00f5es), seja, a partir de 2009, com a retomada de uma pol\u00edtica habitacional (Minha Casa Minha Vida) que em nada supera a tend\u00eancia \u00e0 periferiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, apenas \u201cintegrando-as\u201d atrav\u00e9s do consumo de moradias de baixo custo.<\/p>\n<p>Ademais, outras facetas do <i>pacto lulista<\/i> consistem nas in\u00fameras desonera\u00e7\u00f5es e apoios \u00e0 ind\u00fastria automobil\u00edstica, bem como ao cr\u00e9dito pessoal \u2013 entulhando de carros as grandes cidades brasileiras. Al\u00e9m das redu\u00e7\u00f5es do IPI, o governo estimula o cr\u00e9dito para compra de autom\u00f3veis, no patamar poss\u00edvel de R$ 5 bi este ano, segundo a <i>Folha de S\u00e3o Paulo<\/i>, com um detalhe: \u201cA maior parte das montadoras \u00e9 dona de institui\u00e7\u00f5es financeiras, que respondem por 60% do cr\u00e9dito para ve\u00edculos novos\u201d (\u201cGoverno estuda injetar R$ 5 bilh\u00f5es para financiar ve\u00edculos\u201d, FSP, 30\/05\/2014), isto \u00e9, o dinheiro retorna para as pr\u00f3prias montadoras.<\/p>\n<h2>Os impactos da globaliza\u00e7\u00e3o: neoliberalismo, megaeventos e <i>just in time<\/i><\/h2>\n<p>Ainda que contando com essa \u201cheran\u00e7a pesada\u201d, deve-se reconhecer que o \u201ccaos urbano\u201d vem se intensificando nas \u00faltimas d\u00e9cadas sob a influ\u00eancia de novos influxos, derivados do processo da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal.<\/p>\n<p>Um dos eixos explicativos dessa intensifica\u00e7\u00e3o reside na acentuada <i>mercantiliza\u00e7\u00e3o<\/i> da cidade conhecida nesse per\u00edodo. Acompanhando o recuo do papel de gest\u00e3o do Estado e a mercantiliza\u00e7\u00e3o geral da vida social, passou-se a considerar a cidade (e todo o territ\u00f3rio, em realidade) como uma mercadoria que deve ser vendida e, portanto, <i>compete<\/i> com outras cidades-mercadorias.<\/p>\n<p>Carlos Vainer vem se dedicando a essa quest\u00e3o, e destaca a constru\u00e7\u00e3o de uma \u201ccidade de exce\u00e7\u00e3o\u201d, em que a militariza\u00e7\u00e3o do cotidiano \u00e9 uma de suas express\u00f5es, a garantir uma verdadeira <i>democracia direta do capital<\/i>. O capital passou a ditar, de maneira direta e sem intermedi\u00e1rios, o planejamento da cidade.<\/p>\n<p>Fazem parte dessa convers\u00e3o da cidade em um verdadeiro neg\u00f3cio, com efeito, a Copa do Mundo e as Ol\u00edmpiadas, sintetizando diversas dessas contradi\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de consolidar o pacto com as empreiteiras (outras contribuidoras ass\u00edduas dos governos petistas), as transforma\u00e7\u00f5es urbanas ocasionadas por conta dos Megaeventos buscam inserir algumas cidades brasileiras no eixo das cidades globais, consolidando, ainda, a \u201ccidade de exce\u00e7\u00e3o\u201d com o modo discricion\u00e1rio e a constante viola\u00e7\u00e3o de direitos que caracterizam sua prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro eixo explicativo da amplia\u00e7\u00e3o do \u201ccaos urbano\u201d nos \u00faltimos anos encontra-se nas reestrutura\u00e7\u00f5es produtivas atravessadas pelo capital industrial, sob a \u00e9gide do setor financeiro, desde a d\u00e9cada de 1970, e em que um dos marcos decisivos foi a introdu\u00e7\u00e3o da eletr\u00f4nica e da rob\u00f3tica.<\/p>\n<p>Estas reestrutura\u00e7\u00f5es produtivas consumam um extraordin\u00e1rio crescimento da produtividade do trabalho, sob o comando do capital \u2013 que implica em mais mercadorias, mais fluxos etc. Mas implicaram tamb\u00e9m, e principalmente, na <i>fragmenta\u00e7\u00e3o<\/i> dos processos produtivos, reconhecida nos processos de terceiriza\u00e7\u00e3o, por exemplo. Esta desconcentra\u00e7\u00e3o da atividade produtiva resulta na ocupa\u00e7\u00e3o da cidade pelos pr\u00f3prios fluxos do capital.<\/p>\n<p>Assim, se nos anos anteriores as cidades eram, digamos, hospedeiras do capital produtivo, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, tivemos uma verdadeira coloniza\u00e7\u00e3o das cidades pelo pr\u00f3prio capital <i>produtivo<\/i>. \u201cNa era <i>dourada<\/i> do capital, as cidades sediavam f\u00e1bricas consideradas lugares relativamente \u00e0 parte; hoje, tornaram-se espa\u00e7os de estoque das mercadorias em tr\u00e2nsito, recept\u00e1culos de verdadeiras <i>esteiras fordistas<\/i> estendidas entre as f\u00e1bricas. Ao contr\u00e1rio de serem s\u00f3brias, limpas ou de servi\u00e7os, s\u00e3o cidades <i>fabricalizadas<\/i>, que acolhem atividades laborativas de todo tipo como extens\u00f5es urbanas da pr\u00f3pria f\u00e1brica, acolhendo um imenso proletariado urbano que cada vez mais se multiplica e se fragmenta\u201d (Terezinha Ferrari, <i>Fabricaliza\u00e7\u00e3o da cidade e ideologia da circula\u00e7\u00e3o<\/i>, Express\u00e3o Popular, p. 42).<\/p>\n<h2>A luta de classes na cidade do capital<\/h2>\n<p>Esta <i>fragmenta\u00e7\u00e3o do proletariado<\/i> (ver, por exemplo, <i>Perfil Program\u00e1tico do Espa\u00e7o Socialista<\/i>, item 5) constitui, em verdade, um dos principais objetivos das reestrutura\u00e7\u00f5es produtivas: a redu\u00e7\u00e3o da combatividade oper\u00e1ria. Em \u00e2mbito local, por sua vez, as lutas em torno da organiza\u00e7\u00e3o urbana e do transporte p\u00fablico cont\u00e9m o potencial de questionar de maneira direta a organiza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea do capital.<\/p>\n<p>Em outros termos, a luta em torno do <i>direito ao transporte<\/i> questiona as diversas fra\u00e7\u00f5es do capital \u2013 desde a especulativa e imobili\u00e1ria, na convers\u00e3o da cidade em neg\u00f3cio, quanto a industrial e financeira, que impulsionam sua fabricaliza\u00e7\u00e3o. E, por conseguinte, podem constituir em eixo de unifica\u00e7\u00e3o do proletariado fragmentado.<\/p>\n<p>Nesse sentido, vale perceber que o tempo gasto pelo trabalhador no transporte \u00e9, j\u00e1, tempo de trabalho. Trata-se, de fato, do deslocamento da <i>mercadoria for\u00e7a de trabalho<\/i>. Assim como o dinheiro gasto no transporte \u00e9 dinheiro a menos para outras demandas.<\/p>\n<p>A revolta direcionada aos meios de transporte p\u00fablicos pode ser entendida, portanto, como uma revolta contra a condi\u00e7\u00e3o mesma de mercadoria, \u00e0 qual se submetem os trabalhadores diariamente \u2013 e em que as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda devem cumprir seu papel de direcionamento da luta ao sistema do capital em si. A luta em torno da tarifa e da diminui\u00e7\u00e3o do tempo de viagem, por sua vez, configuram lutas de classes de perfil \u201ctradicional\u201d: por redu\u00e7\u00e3o de tempo de trabalho e por aumento de sal\u00e1rio \u2013 igualmente devendo ser impulsionadas na luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>Transporte n\u00e3o \u00e9 mercadoria!<\/p>\n<p>Todo apoio aos metrovi\u00e1rios e rodovi\u00e1rios!<\/p>\n<p>Todos ao ato do dia 19 de junho: <i>N\u00e3o vai ter tarifa! Agora s\u00f3 faltam os 3 reais!<\/i><\/p>\n<h1><a name=\"titulo5\"><\/a><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>A TRAG\u00c9DIA DA REVOLU\u00c7\u00c3O ESPANHOLA \u2013 1931 &#8211; 1939<\/h1>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola foi a \u00faltima revolu\u00e7\u00e3o anticapitalista no continente europeu. Depois das derrotas dos processos revolucion\u00e1rios na Alemanha (1919 e 1923), Italia (1920) e Hungria (1920), a revolu\u00e7\u00e3o socialista ficou confinada nos limites da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Dentro da URSS, por\u00e9m, uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, que se consolidou na d\u00e9cada de 1930, liquidou quase todas as conquistas sociais e pol\u00edticas da grande revolu\u00e7\u00e3o de 1917, estabelecendo um novo modo de explora\u00e7\u00e3o, sob controle da burocracia stalinista, praticamente t\u00e3o brutal quanto o capitalismo.<\/p>\n<p>Isso acontecia no momento em que o capitalismo enfrentava a crise mais s\u00e9ria de toda a sua hist\u00f3ria, iniciada com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929 e que se prolongou ao longo da d\u00e9cada de 1930 com o nome de Grande Depress\u00e3o. Um dos subprodutos da crise foi a ascens\u00e3o do regime nazista na Alemanha (1933), seguindo o exemplo do fascismo italiano (Mussolini chegou ao poder em 1922), uma forma brutal de regime pol\u00edtico que garantiu a imposi\u00e7\u00e3o das demandas do grande capital e a destrui\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias. A consequ\u00eancia final da crise seria a II Guerra Mundial.<\/p>\n<h2>Antecedentes da Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola<\/h2>\n<p>Foi nesse cen\u00e1rio sombrio, do in\u00edcio dos anos 1930, que come\u00e7ou a Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola, como uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e burguesa em 1931. A revolu\u00e7\u00e3o derruba a monarquia, separa Igreja e Estado, concede direitos e autonomia \u00e0s nacionalidades e realiza outras tarefas b\u00e1sicas, que na Espanha estavam atrasadas.<\/p>\n<p>A Espanha atravessou no s\u00e9culo XIX uma longa decad\u00eancia, depois da perda do imp\u00e9rio colonial nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo, com a independ\u00eancia dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, que passaram imediatamente para a \u00f3rbita de influ\u00eancia brit\u00e2nica. Em 1898 foi-se a \u00faltima dessas col\u00f4nias, quando Cuba foi virtualmente anexada pelos Estados Unidos depois da guerra de independ\u00eancia. A decad\u00eancia do imp\u00e9rio ultramarino espanhol tornou ainda mais evidente a pobreza e a decad\u00eancia do pa\u00eds. A Espanha vivia sob o peso de uma monarquia arruinada e uma sufocante influ\u00eancia da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es mais reacion\u00e1rias da Igreja, como a Inquisi\u00e7\u00e3o, a Companhia de Jesus e a Opus Dei alcan\u00e7aram seu m\u00e1ximo poder no pa\u00eds ib\u00e9rico. N\u00e3o foi \u00e0 toa que o anticlericalismo e o ate\u00edsmo se tornaram a mais avan\u00e7ada radicalidade, e oposicionismo, e se desenvolveram na esquerda espanhola de maneira que n\u00e3o aconteceu em qualquer outro pa\u00eds europeu. O Papa Bento XVI, membro da juventude hitlerista na adolesc\u00eancia, fez quest\u00e3o de canonizar dezenas de \u201cm\u00e1rtires\u201d da f\u00e9 cat\u00f3lica. Trata-se de padres e freiras que colaboraram com os fascistas espanh\u00f3is, denunciando e entregando \u00e0 morte os anarquistas e socialistas em v\u00e1rias aldeias e cidades, prova do seu papel reacion\u00e1rio e antipopular \u2013 esses traidores e delatores foram devidamente executados pelos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>O governo republicano instalado em 1931 era altamente inst\u00e1vel, j\u00e1 que seria incapaz de atender as demandas dos oper\u00e1rios e camponeses e, ao mesmo tempo, manter a propriedade privada capitalista. Desde o in\u00edcio, a Igreja, setores das For\u00e7as Armadas, latifundi\u00e1rios e grandes empres\u00e1rios come\u00e7aram as articula\u00e7\u00f5es para preparar um golpe fascista. A luta de classes se polarizava com uma forte ascens\u00e3o oper\u00e1ria: j\u00e1 em 1934 havia sido proclamada uma Comuna na regi\u00e3o das Ast\u00farias, no norte do pa\u00eds, como resultado de um acordo entre a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Trabalho (CNT), controlada pelos anarquistas, e o Partido Socialista Oper\u00e1rio Espanhol (PSOE). A Comuna foi reprimida pelo governo, mas esse mesmo processo abriu caminho para a colabora\u00e7\u00e3o entre socialistas e anarquistas.<\/p>\n<h2>A estrat\u00e9gia stalinista da Frente Popular<\/h2>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola estava inserida no contexto da luta de classes internacional. A dire\u00e7\u00e3o do movimento revolucion\u00e1rio internacional estava sob controle da Internacional Comunista (IC) sediada em Moscou e j\u00e1 convertida em instrumento do stalinismo. A prioridade da IC era a defesa do regime burocr\u00e1tico stalinista e n\u00e3o a luta pela revolu\u00e7\u00e3o internacional. Dessa forma, as se\u00e7\u00f5es locais da IC, os Partidos Comunistas (PCs), deveriam funcionar como \u00f3rg\u00e3os a servi\u00e7o da diplomacia stalinista e n\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o em cada pa\u00eds. A ascens\u00e3o de Hitler em 1933 levou Stalin a buscar acordos com as pot\u00eancias imperialistas como Fran\u00e7a e Inglaterra para que o ajudassem a se defender da Alemanha. Isso resultou na pol\u00edtica das Frentes Populares, que era a colabora\u00e7\u00e3o de classes entre os PCs de cada pa\u00eds e a \u201cala esquerda\u201d e democr\u00e1tica das burguesias nacionais.<\/p>\n<p>A Frente Popular, composta pela esquerda republicana burguesa, pelo PSOE, pelo PC espanhol e pelos anarquistas venceu as elei\u00e7\u00f5es em 1936. Quase imediatamente, foi deflagrado um golpe para derrubar o novo governo, sob comando do general Franco, que liderava parte das For\u00e7as Armadas em um movimento fascista que abrigava toda a direita, chamado <i>Falange<\/i>.<\/p>\n<h2>A guerra civil e a derrota da Revolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O golpe fascista transformou a Revolu\u00e7\u00e3o em uma guerra civil entre os republicanos e os <i>falangistas<\/i>. A Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola foi uma causa que unificou e motivou toda a esquerda mundial: milhares de volunt\u00e1rios de v\u00e1rios continentes se incorporaram nas mil\u00edcias republicanas, formadas para combater as for\u00e7as do general Franco. A guerra civil espanhola \u00e9 universalmente considerada, e com raz\u00e3o, uma esp\u00e9cie de laborat\u00f3rio para a II Guerra Mundial, que estava por vir. De um lado estavam as brigadas internacionais, os volunt\u00e1rios da esquerda mundial; do outro lado, Hitler e Mussolini enviaram sua for\u00e7a a\u00e9rea, seus tanques e artilharia para serem testados na Espanha. O resultado mais c\u00e9lebre de um desses \u201ctestes\u201d foi o bombardeio da cidade basca de Guernica. A barb\u00e1rie da guerra foi eternizada na c\u00e9lebre pintura de Picasso, que leva o nome dessa cidade e retrata a sua destrui\u00e7\u00e3o, tendo se tornado imagem ic\u00f4nica do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, provocada pelo apoio da Alemanha e da Italia \u00e0s tropas franquistas (em compara\u00e7\u00e3o com a omiss\u00e3o dos pa\u00edses \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d como Inglaterra e Fran\u00e7a, que deixaram a rep\u00fablica espanhola ser massacrada), a revolu\u00e7\u00e3o espanhola foi derrotada tamb\u00e9m por suas debilidades internas, entre as quais principalmente o problema da dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e do projeto de sociedade.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia da Frente Popular foi duramente criticada por Trotsky, que insistia na necessidade da independ\u00eancia de classe e do internacionalismo. O setor mais avan\u00e7ado da esquerda espanhola, o Partido Operario de Unifica\u00e7\u00e3o Marxista (POUM), liderado por Andres Nin e baseado no operariado da Catalunha, aderiu ao programa da Frente Popular, o que liquidou as chances de vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o. Nin, que tinha anteriormente rela\u00e7\u00f5es de proximidade com Trotsky, foi convencido pelo argumento de que a prioridade era a luta contra o fascismo e, para isso, era necess\u00e1ria a alian\u00e7a com a burguesia republicana, o que transformou o POUM em ala esquerda da Frente Popular, ao lado do PSOE e do PC stalinista.<\/p>\n<p>Trotsky defendia uma pol\u00edtica de independ\u00eancia de classe e avan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de concilia\u00e7\u00e3o com a burguesia, e por isso rompeu rela\u00e7\u00f5es com Nin &#8211; essa era, de fato, a \u00fanica chance de vit\u00f3ria. Em v\u00e1rias regi\u00f5es os oper\u00e1rios ocupavam as f\u00e1bricas e os camponeses expropriavam as terras. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma das caracter\u00edsticas da Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola foi a tentativa de enfrentar n\u00e3o apenas domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica, mas a ruptura de v\u00e1rias cadeias de aliena\u00e7\u00e3o, com a ampla participa\u00e7\u00e3o de mulheres, artistas e intelectuais. Uma das figuras c\u00e9lebres da Revolu\u00e7\u00e3o foi Dolores Ibarruri, a Passionaria, cujos discursos e com\u00edcios incendiavam os militantes.<\/p>\n<p>Esse processo altamente progressivo foi suspenso por suas pr\u00f3prias lideran\u00e7as, os anarquistas da CNT e os socialistas do PSOE, PC e POUM, em nome da alian\u00e7a com a burguesia. As for\u00e7as do governo republicano se aproveitaram da paralisa\u00e7\u00e3o do processo revolucion\u00e1rio para desarmar as mil\u00edcias populares em Barcelona e dissolver os conselhos oper\u00e1rios. As for\u00e7as do PC cometeram a mais alta trai\u00e7\u00e3o, ao perseguir os trotskistas e dissidentes, enquanto os fascistas avan\u00e7avam pelo pa\u00eds. A divis\u00e3o das for\u00e7as revolucion\u00e1rias na Espanha foi uma das grandes trag\u00e9dias do s\u00e9culo XX, tendo levado a uma dolorosa derrota. Franco venceu a guerra civil e encerrou a Revolu\u00e7\u00e3o em 1939.<\/p>\n<h2>Da ditadura de Franco \u00e0 volta das lutas<\/h2>\n<p>Depois da guerra civil, a Espanha estava devastada, a ponto de n\u00e3o tomar parte na II Guerra Mundial. A vit\u00f3ria de Franco estabeleceu uma ditadura feroz, que sobreviveu por v\u00e1rias d\u00e9cadas, at\u00e9 a morte do tirano em 1975. A ditadura franquista congelou o atraso espanhol, da mesma forma como a ditadura de Salazar fez com Portugal, tornando-os uma esp\u00e9cie de pa\u00edses mortos ao longo de boa parte do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia contra a ditadura teve como um dos seus eixos a quest\u00e3o das nacionalidades oprimidas, como a Catalunha, o Pa\u00eds Basco e a Galiza, que possuem idiomas, tradi\u00e7\u00f5es e culturas pr\u00f3prias, todas pisoteadas por Franco. O grupo separatista basco ETA se tornou c\u00e9lebre como uma das principais organiza\u00e7\u00f5es da luta armada no s\u00e9culo XX, ao lado do IRA irland\u00eas e da OLP palestina. Um atentado do ETA executou Luis Carrero Blanco, pe\u00e7a chave do regime e apontado como o sucessor de Franco, em 1973, enfraquecendo mortalmente a ditadura.<\/p>\n<p>Com a morte do ditador, o pa\u00eds retornou ao seio das na\u00e7\u00f5es \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d, restabelecendo a monarquia, agora sob regime parlamentarista. Por alguns anos, parecia que a incorpora\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e0 Uni\u00e3o Europeia traria a prosperidade e o esquecimento definitivo do pesadelo da era franquista. Essa prosperidade tinha p\u00e9s de barro, como logo se revelou. Em poucos anos, o livre mercado transformou a Espanha em uma col\u00f4nia do imperialismo alem\u00e3o, uma das retumbantes hist\u00f3rias de fracasso da Uni\u00e3o Europeia, ao lado de Portugal e Gr\u00e9cia. A Espanha ostenta hoje os maiores \u00edndices de desemprego da UE, com taxa de 27%, em especial entre os jovens (50% de desemprego).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que os jovens espanh\u00f3is foram os primeiros na Europa a seguir o exemplo dos seus irm\u00e3os \u00e1rabes, deflagrando o movimento dos Indignados em 2011. Depois de muitas d\u00e9cadas, os mineiros das Ast\u00farias (lembrando o exemplo de seus avos em 1934) voltaram a fazer greve e ocuparam as ruas de Madrid em 2012, contra os planos de austeridade e o desemprego que os acompanha, pressagiando a volta das lutas da classe oper\u00e1ria organizada. As primeiras brisas do que pode vir a se tornar um vendaval revolucion\u00e1rio come\u00e7am a soprar novamente no pa\u00eds ib\u00e9rico.<\/p>\n<h1><a name=\"titulo6\"><\/a><\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>CONTRA OS MASSACRES EM DONETSK E LUGANSK!<\/h1>\n<p align=\"center\"><b>CONTRA OS NEONAZISTAS, O IMPERIALISMO E A CAPITULA\u00c7\u00c3O DA R\u00daSSIA! <\/b><b><\/b><\/p>\n<h2>POR UMA ALTERNATIVA SOCIALISTA REVOLUCION\u00c1RIA DOS TRABALHADORES!<\/h2>\n<p align=\"right\">Daniel Menezes<\/p>\n<p>O conflito na Ucr\u00e2nia est\u00e1 no centro da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica internacional h\u00e1 v\u00e1rios meses e deixou de ser apenas mais um exemplo de uma popula\u00e7\u00e3o insatisfeita que derruba seu governante \u2013 como tem acontecido em v\u00e1rios pa\u00edses na sequ\u00eancia da crise econ\u00f4mica mundial iniciada em 2008 \u2013 para tomar as propor\u00e7\u00f5es de uma quest\u00e3o geopol\u00edtica que envolveu as principais pot\u00eancias mundiais. Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia (UE) for\u00e7aram a R\u00fassia a aceitar o golpe de estado no pa\u00eds vizinho e a instala\u00e7\u00e3o de um governo pr\u00f3-ocidental, mas tiveram que ceder a Crimeia ao governo Putin. Agora, o drama se aproxima do seu final, com a imin\u00eancia do massacre da resist\u00eancia que se opunha ao golpe em Donetsk e Lugansk.<\/p>\n<h2>O golpe e a divis\u00e3o da Ucr\u00e2nia<\/h2>\n<p>Recapitulemos o conflito desde o in\u00edcio: a Ucr\u00e2nia estava em vias de ser incorporada pela UE quando, na \u00faltima hora, o presidente Viktor Yanukovich voltou atr\u00e1s e recusou-se a assinar o tratado de ades\u00e3o, em novembro de 2013, preferindo priorizar as rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas com a R\u00fassia. Imediatamente come\u00e7aram protestos contra a decis\u00e3o de Yanukovich e pressionando o governo pela entrada do pa\u00eds na UE.<\/p>\n<p>Esses protestos, liderados por grupos neonazistas, terminaram com a queda do presidente em fevereiro de 2014. A queda de Viktor Yanukovich levou \u00e0 posse de um novo governo, que n\u00e3o foi aceito em v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds. De imediato, a Crimeia organizou um plebiscito, separou-se da Ucr\u00e2nia e optou por integrar-se \u00e0 R\u00fassia (que prontamente deslocou tropas e incorporou a nova prov\u00edncia). A Crim\u00e9ia possui uma popula\u00e7\u00e3o de esmagadora maioria russa, o que explica o resultado do plebiscito (90% votaram pela integra\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia), mas existem outras regi\u00f5es no leste da Ucr\u00e2nia, como Donetsk, Lugansk e Kharkov, em que as popula\u00e7\u00f5es russas e ucranianas est\u00e3o misturadas. Essas regi\u00f5es n\u00e3o aceitaram o golpe e em v\u00e1rias cidades os pr\u00e9dios p\u00fablicos foram ocupados por mil\u00edcias pr\u00f3-R\u00fassia.<\/p>\n<p>O conflito repercutiu internacionalmente, opondo frontalmente as duas principais pot\u00eancias nucleares do planeta, os Estados Unidos e a R\u00fassia. Os Estados Unidos tomaram a frente da UE (fachada para o imperialismo alem\u00e3o) e se tornaram os porta-vozes da \u201ccomunidade internacional\u201d na condena\u00e7\u00e3o dos passos dados pela R\u00fassia, impondo san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas (proibi\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o de certos neg\u00f3cios) ao pa\u00eds eslavo, por conta de seu comportamento na crise ucraniana. Depois de uma tensa negocia\u00e7\u00e3o (os mais apressados falaram em uma \u201cnova Guerra Fria\u201d), foi feito um acordo em Genebra em abril pelo qual a R\u00fassia p\u00f4de manter a Crimeia, com a condi\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o avan\u00e7asse para incorporar novos territ\u00f3rios na Ucr\u00e2nia. Essa condi\u00e7\u00e3o foi aceita pelo governo Putin, pois ainda que tenha perdido quase toda a Ucr\u00e2nia, um sat\u00e9lite que historicamente pertenceu a sua esfera de influ\u00eancia, conseguiu garantir a posse de uma regi\u00e3o estrat\u00e9gica: a Crimeia \u00e9 a sede da frota russa no Mar Negro, porta de entrada no Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<h2>Plebiscitos ignorados e elei\u00e7\u00f5es fraudulentas<\/h2>\n<p>Apesar do acordo entre as pot\u00eancias, a situa\u00e7\u00e3o permaneceu inst\u00e1vel no leste da Ucr\u00e2nia, regi\u00e3o de fronteira com a R\u00fassia. Em v\u00e1rias cidades, as tropas do ex\u00e9rcito e da pol\u00edcia \u2013 enviadas pelo governo central da capital do pa\u00eds em Kiev, para retomar a posse dos edif\u00edcios p\u00fablicos \u2013 desertaram e se passaram para o lado dos insurgentes, ou no m\u00ednimo recusaram-se a obedecer tais ordens. Donetsk e Lugansk realizaram em 11 de maio seus pr\u00f3prios plebiscitos, em que a maioria da popula\u00e7\u00e3o votou tamb\u00e9m pela separa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia. A m\u00eddia internacional, a servi\u00e7o do imperialismo, chama os separatistas dessas duas cidades de terroristas. O imperialismo s\u00f3 reconhece vota\u00e7\u00f5es quando o resultado sai a seu favor, o que n\u00e3o aconteceu nesses plebiscitos.<\/p>\n<p>Enquanto isso acontecia, o governo central preparava elei\u00e7\u00f5es para o dia 25 de maio, em que o candidato ligado ao governo deposto de Yanukovich foi linchado e hospitalizado ap\u00f3s tentar fazer um com\u00edcio. A imprensa russa est\u00e1 proibida de trabalhar no pais. Cr\u00edticos do novo governo s\u00e3o ca\u00e7ados nas ruas, linchados, assassinados, amea\u00e7ados etc.. Essa \u00e9 a \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d da Pra\u00e7a Maidan (Pra\u00e7a da Independ\u00eancia, no centro de Kiev, h\u00e1 meses ocupada pelos neonazistas). Ao mesmo tempo, nas regi\u00f5es rebeladas, a campanha eleitoral era ignorada, e o governo hesitava em desencadear uma ofensiva militar em larga escala para reocupar os pr\u00e9dios p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Como esse mesmo governo parecia incapaz de agir pelos meios normais contra os setores do pa\u00eds que n\u00e3o aceitaram o golpe, as pr\u00f3prias mil\u00edcias neonazistas (que derrubaram o governo anterior) foram legalizadas como componentes de uma \u201cGuarda Nacional\u201d para \u201cauxiliar\u201d o ex\u00e9rcito. Os neonazistas atacaram ativistas pr\u00f3-russos, resultando na morte de quase 50 pessoas na Casa dos Sindicatos em Odessa, no sul do pa\u00eds. Foi nesse clima que transcorreram as elei\u00e7\u00f5es nacionais no dia 25 de maio. Praticamente n\u00e3o houve vota\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es rebeladas do leste, pois n\u00e3o havia for\u00e7a militar capaz de garantir a realiza\u00e7\u00e3o do pleito.<\/p>\n<h2>Um governo semi-fascista, mafioso e pr\u00f3-imperialista<\/h2>\n<p>T\u00e3o logo foi anunciado o resultado das elei\u00e7\u00f5es nacionais, com a vit\u00f3ria de Petro Poroshenko (um bilion\u00e1rio ligado \u00e0 ind\u00fastria de chocolate), o governo realizou um ataque a\u00e9reo que matou mais de 100 rebeldes em Donetsk. Tropas do ex\u00e9rcito, engrossadas pelas mil\u00edcias neonazistas do \u201cSetor de Direita\u201d, se encaminham neste momento para tomar posse da regi\u00e3o. O governo Poroshenko j\u00e1 se comprometeu a seguir a agenda da integra\u00e7\u00e3o \u00e0 UE e do FMI, o que significar\u00e1 \u201causteridade\u201d, cortes nos gastos p\u00fablicos e nos direitos sociais, ataques \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e repress\u00e3o feroz contra qualquer tipo de contesta\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Os massacres de Odessa e Donetsk n\u00e3o deixam d\u00favidas quanto ao destino que aguarda as popula\u00e7\u00f5es de Donetsk e Lugansk caso se n\u00e3o se curvem ao governo de Kiev: viol\u00eancia, repress\u00e3o e morte \u00e9 tudo que o novo governo tem a oferecer. Estamos falando de um governo composto por oligarcas, nome que \u00e9 dado aos antigos membros da burocracia sovi\u00e9tica que, com o fim da URSS, saquearam as antigas empresas estatais por meio da for\u00e7a, assassinando os oponentes, e se converteram em burgueses mafiosos, milion\u00e1rios e bilion\u00e1rios, controlando a pol\u00edtica desses pa\u00edses, como se fossem extens\u00f5es de suas empresas. S\u00e3o essas figuras que hoje ocupam o governo ucraniano, com a ben\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos e UE. Os grupos neonazistas ucranianos cumprem neste momento a \u201cdivina\u201d fun\u00e7\u00e3o de tropas de choque.<\/p>\n<p>De sa\u00edda, esses acontecimentos exp\u00f5em a hipocrisia da m\u00eddia ocidental e dos porta-vozes do imperialismo, que pediam a sa\u00edda de Yanukovich por ter usado for\u00e7a militar para tentar retirar os manifestantes (neonazistas) da pra\u00e7a Maidan, mas aplaudem, em ritmo de disparos, as mil\u00edcias de ultradireita e o governo Poroshenko por terem massacrado a resist\u00eancia em Odessa e Donetsk &#8211; dos porta-vozes do imperialismo n\u00e3o se poderia esperar outra coisa.<\/p>\n<h2>O erro grotesco dos que falaram em \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d<\/h2>\n<p>Mas o que dizer de organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que festejaram a queda de Viktor Yanukovich e chegaram a falar em \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d e \u201cduplo poder\u201d na Pra\u00e7a Maidan? Essa avalia\u00e7\u00e3o grotescamente equivocada da realidade \u00e9 o resultado de uma concep\u00e7\u00e3o que desconsidera completamente o grau de organiza\u00e7\u00e3o, consci\u00eancia e capacidade de a\u00e7\u00e3o independente da classe trabalhadora, como se fosse algo insignificante e bastasse uma \u201cdire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d, que cairia do c\u00e9u de paraquedas, para que o processo fosse conduzido pela esquerda. Essa abordagem se perde na superf\u00edcie dos fen\u00f4menos e n\u00e3o \u00e9 capaz de compreender a din\u00e2mica profunda do movimento das classes. Agora, essas organiza\u00e7\u00f5es, que festejaram a queda de Yanukovich como uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d, precisam reconhecer que o governo instalado na capital da Ucr\u00e2nia \u00e9 um t\u00edtere do imperialismo euro estadunidense, e que sua base de sustenta\u00e7\u00e3o social \u00e9 neonazista.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio n\u00f3s do Espa\u00e7o Socialista apontamos o perfil de extrema direita das manifesta\u00e7\u00f5es que derrubaram Yanukovich e sua ideologia pr\u00f3 europeia, pr\u00f3 estadunidense, pr\u00f3 livre mercado (ver <a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2853\">http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2853<\/a> e <a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2908\">http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2908<\/a>). A maioria da popula\u00e7\u00e3o foi seduzida pela \u201cEurotopia\u201d do ingresso na UE e apoiou as manifesta\u00e7\u00f5es anti-Yanukovich. Diz\u00edamos tamb\u00e9m que a R\u00fassia n\u00e3o era uma alternativa, o que se provou mais uma vez acertado, pois o governo Putin j\u00e1 reafirmou que n\u00e3o vai interferir na situa\u00e7\u00e3o interna ucraniana em favor dos separatistas pr\u00f3-russos. A R\u00fassia vai cumprir os acordos de Genebra, garantir para si a posse da Crimeia e deixar as popula\u00e7\u00f5es que n\u00e3o aceitam o golpe fascista entregues \u00e0 pr\u00f3pria sorte.<\/p>\n<p>Os separatistas em Donetsk e Lugansk se encontram numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Optaram por separar-se da Ucr\u00e2nia, o que representa um ato de resist\u00eancia contra o golpe fascista desfechado em Kiev. Mas a op\u00e7\u00e3o de unifica\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia permanece bloqueada pela recusa do governo Putin, que p\u00f4s \u00e0 venda os separatistas, em sintonia com o imperialismo, que lhe garantiu a posse definitiva da Crimeia. Assim sendo, s\u00f3 resta como alternativa a constitui\u00e7\u00e3o de uma rep\u00fablica aut\u00f4noma nessas regi\u00f5es. Nesse momento, o setor que resistiu ao golpe fascista e proclamou a autonomia em Donetsk e Lugansk era o setor politicamente mais progressivo, ainda que o fizesse com a esperan\u00e7a de contar com o apoio da R\u00fassia.<\/p>\n<h2>Por uma alternativa classista e anticapitalista<\/h2>\n<p>N\u00e3o por coincid\u00eancia, essas regi\u00f5es concentram importantes popula\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, empregadas em geral nas atividades de minera\u00e7\u00e3o, que mantinham uma rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com a R\u00fassia. Seriam tamb\u00e9m as popula\u00e7\u00f5es mais afetadas pela entrada em vigor do livre com\u00e9rcio com a UE, que rebaixaria seus sal\u00e1rios e direitos. No momento, essas regi\u00f5es resistem ao governo de Kiev em nome de tradi\u00e7\u00f5es nacionais, lingu\u00edsticas ou at\u00e9 religiosas. Mas essas formas ideol\u00f3gicas s\u00e3o disfarces para o conte\u00fado social profundo, que \u00e9 de uma resist\u00eancia oper\u00e1ria contra um golpe fascista. Os governantes designados para a regi\u00e3o pelos golpistas de Kiev s\u00e3o todos oligarcas, odiados pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia antifascista em Donetsk e Lugansk ter\u00e1 que aprender a duras penas a li\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia de classe, o que significa n\u00e3o confiar em oligarcas como Putin, e desenvolver a organiza\u00e7\u00e3o e a atividade independente da classe trabalhadora, como \u00fanica forma de resistir ao massacre e \u00e0s pol\u00edticas econ\u00f4micas de terra devastada do governo Pr\u00f3 UE de Poroshenko. \u00c9 preciso deixar para tr\u00e1s a ideologia nacionalista russa que movia o separatismo, e avan\u00e7ar numa dire\u00e7\u00e3o anticapitalista, \u00fanica alternativa que permitir\u00e1 resistir ao cerco do fascismo e do imperialismo que vem do oeste e \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o do governo olig\u00e1rquico-mafioso de Putin no leste.<\/p>\n<ul>\n<li>Contra o massacre dos rebeldes no leste da Ucr\u00e2nia!<\/li>\n<li>Todo apoio \u00e0 resist\u00eancia antifascista em Donetsk e Lugansk! Pelo direito de autodetermina\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es do leste ucraniano!<\/li>\n<li>Contra a campanha difamat\u00f3ria da m\u00eddia imperialista! Terroristas s\u00e3o os fascistas de Kiev e os lacaios dos Estados Unidos e UE!<\/li>\n<li>Contra o governo golpista, fascista e pr\u00f3-imperialista de Poroshenko!<\/li>\n<li>Contra o acordo de livre comercio com a UE as medidas de austeridade e os planos do FMI!<\/li>\n<li>Por um governo socialista dos trabalhadores em toda a Ucr\u00e2nia!<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique aqui para baixar o PDF \u00a0Trabalhadores entram em cena A ocupa\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia militar na Universidade Federal de Alagoas<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3008,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2994"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2994"}],"version-history":[{"count":32,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2994\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6512,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2994\/revisions\/6512"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}