{"id":300,"date":"2011-11-02T18:46:16","date_gmt":"2011-11-02T20:46:16","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/300"},"modified":"2018-06-01T15:58:15","modified_gmt":"2018-06-01T18:58:15","slug":"jornal-45-setembrooutubro-de-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2011\/11\/jornal-45-setembrooutubro-de-2011\/","title":{"rendered":"Jornal 45: Setembro\/Outubro de 2011"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1518\" aria-describedby=\"caption-attachment-1518\" style=\"width: 211px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_45.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1518 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_45-211x300.jpg\" alt=\"Baixar em PDF\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_45-211x300.jpg 211w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_45.jpg 524w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1518\" class=\"wp-caption-text\">Baixar em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"indice\"><\/a>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"#titulo1\">Problemas no crescimento da economia brasileira<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo2\">A crise do endividamento dos Estados Unidos<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo3\">Endividamento e crise social na Europa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo4\">Um possivel e novo momento hist\u00f3rico mundial?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo5\">As mudan\u00e7as no trabalho di\u00e1rio do professor<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo6\">O rock errou: de Woodstock ao Rock in Rio<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Problemas no crescimento da economia brasileira<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0J\u00e1 alertamos em outras edi\u00e7\u00f5es que o atual crescimento da economia brasileira \u00e9 muito problem\u00e1tico, pois baseia-se em fatores conflitantes e que preparam uma crise maior num prazo n\u00e3o muito distante:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) endividamento cada vez maior das fam\u00edlias, das empresas e do Estado. O consumo atual \u00e9 em grande medida baseado no cr\u00e9dito (leia-se endividamento). Se o endividamento parasse de crescer, o pa\u00eds cairia imediatamente em recess\u00e3o. Isso porque n\u00e3o h\u00e1 mercado de consumo interno real que sustente a atual expans\u00e3o. Esse n\u00e3o \u00e9 um problema do Brasil, mas mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada empresa, em competi\u00e7\u00e3o com as demais, necessita aumentar ao m\u00e1ximo a explora\u00e7\u00e3o sobre os seus trabalhadores, reduzindo custos com a m\u00e3o de obra. Mas ao fazerem isso, inevitavelmente provocam a estagna\u00e7\u00e3o\/redu\u00e7\u00e3o dos mercados consumidores reais de que o pr\u00f3prio capital necessita para absorver a massa crescente de mercadorias produzidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tend\u00eancia geral \u00e9 de capacidades de produ\u00e7\u00e3o cada vez maiores versus mercados consumidores reais em contra\u00e7\u00e3o. A \u00fanica forma de remediar essa situa\u00e7\u00e3o, e apenas por um certo tempo, \u00e9 o recurso ao cr\u00e9dito. Os pa\u00edses centrais j\u00e1 fizeram isso (com as consequ\u00eancias conhecidas) e agora recomendam a mesma estrat\u00e9gia para os pa\u00edses dominados, os chamados \u201cemergentes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o endividamento j\u00e1 ultrapassou os 50% do PIB e continua crescendo rapidamente. Preocupado, o governo tem adotado medidas para frear o ritmo desse endividamento massivo, mas n\u00e3o tem como resolver esse problema, pois a hipertrofia do cr\u00e9dito tornou-se um componente org\u00e2nico, necess\u00e1rio, nas v\u00e1rias economias do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado tem sido o credor maior, embora seja ironicamente o maior endividado (ver dados abaixo). A grande massa de d\u00f3lares que tem entrado no pa\u00eds, desde a irrup\u00e7\u00e3o da crise tamb\u00e9m financia o crescimento desse bolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria desse capital externo busca rendimentos, seguran\u00e7a e liquidez (possibilidade de resgate r\u00e1pido das aplica\u00e7\u00f5es). Da\u00ed sua prefer\u00eancia pelos t\u00edtulos da D\u00edvida P\u00fablica brasileira e empr\u00e9stimos junto aos bancos, mediante garantias s\u00f3lidas de pagamento. Uma outra parte \u00e9 investida em projetos produtivos que t\u00eam recebido amplas garantias por parte do Estado, como as obras do PAC ou ind\u00fastrias com isen\u00e7\u00e3o quase total de impostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) Outro elemento que tem mantido a economia em crescimento \u00e9 a exporta\u00e7\u00e3o das chamadas commodities (mat\u00e9rias-primas e alimentos). Encaixa-se a\u00ed a explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal. Esse setor tem passado por um boom, aproveitando-se dos altos pre\u00e7os dessas mercadorias no mercado mundial. Mas esse fator \u00e9 fortemente dependente do mercado externo e pode sofrer recuos, a partir dos sinais de diminui\u00e7\u00e3o do crescimento da economia mundial, j\u00e1 vis\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) H\u00e1 tamb\u00e9m os investimentos no setor de servi\u00e7os com a realiza\u00e7\u00e3o da Copa e das Olimp\u00edadas, mas os efeitos de crescimento trazidos por esses megaeventos s\u00e3o tempor\u00e1rios. Al\u00e9m disso, n\u00e3o compensam de forma alguma o investimento feito pelo Estado na constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios e estruturas para a sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) Por\u00e9m, o fator mais importante e ao mesmo tempo mais encoberto nesse processo tem sido o constante ataque sobre os trabalhadores, com a imposi\u00e7\u00e3o de mais tarefas, ritmos e jornadas extenuantes de trabalho, al\u00e9m das perdas provocadas pela infla\u00e7\u00e3o crescente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A burguesia procura de todas as formas aumentar a explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores de conjunto. Esse ataque permanente n\u00e3o poderia ser imposto sem a colabora\u00e7\u00e3o dos partidos e centrais governistas, que a partir do governo, mas tamb\u00e9m no interior dos v\u00e1rios movimentos e entidades, defendem e ap\u00f3iam a ideologia burguesa de que para os trabalhadores terem migalhas, os patr\u00f5es t\u00eam que ganhar bilh\u00f5es. Dizem que a \u00fanica forma de gerar empregos e melhores sal\u00e1rios \u00e9 dando todas as condi\u00e7\u00f5es para o capital se valorizar. Ao cumprir esse papel de gerente dos interesses do capital, as burocracias do PT, CUT, CTB e For\u00e7a Sindical buscam assegurar para si uma parte maior de poder e privil\u00e9gios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a realidade vai mostrando sinais de que as coisas n\u00e3o s\u00e3o como querem nos fazer acreditar. Por mais que tenham acumulado lucros nesses anos de crescimento, agora a burguesia e o Estado mostram seus dentes de raiva ao menor movimento de reivindica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, querendo impedir de todas as formas que tenham ao menos uma parte dos sal\u00e1rios ou direitos recuperados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acirram o discurso defendendo mais cortes nos investimentos sociais, reformas trabalhista e previdenci\u00e1ria, tudo para que sobre mais dinheiro para a burguesia atrav\u00e9s de isen\u00e7\u00f5es de impostos, empr\u00e9stimos e obras de interesses dos empres\u00e1rios, enfim, intensificam os ataques aos trabalhadores.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0O ENDURECIMENTO DA PATRONAL E DO REGIME COMO UM TODO<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio do governo Dilma, j\u00e1 se fazem notar problemas e desequil\u00edbrios no modelo econ\u00f4mico vigente no pa\u00eds. Ao mesmo tempo, a postura da burguesia e do governo \u00e9 de um maior endurecimento contra os trabalhadores e suas lutas. Isso ficou patente no tratamento dado \u00e0s greves dos transportes, dos professores e dos bombeiros, para citar apenas algumas. Foram reprimidas com dureza pelos governos e com interven\u00e7\u00e3o dos tribunais no sentido de derrotar\/inviabilizar esses movimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de agora, tudo aponta para uma situa\u00e7\u00e3o ainda mais polarizada, a partir das oscila\u00e7\u00f5es da economia mundial nas \u00faltimas semanas e que sinalizam a possibilidade de uma estagna\u00e7\u00e3o ou recess\u00e3o mundial num prazo menor do que se previa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, temos visto a redu\u00e7\u00e3o do crescimento industrial e da gera\u00e7\u00e3o de empregos. Em julho, foram gerados 140.563 empregos, n\u00famero 22,6% menor do que o verificado no mesmo m\u00eas do ano passado. O n\u00famero tamb\u00e9m \u00e9 35% inferior ao registrado em junho passado, quando foram geradas 215.393 mil vagas. (http:\/\/www1.folha.uol.com.br).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A D\u00edvida P\u00fablica (interna e externa) segue aumentando. Mesmo o governo tendo cortado R$ 50 bilh\u00f5es no or\u00e7amento no in\u00edcio deste ano, a d\u00edvida p\u00fablica federal reconhecida oficialmente subiu 6,55%, atingindo R$ 1,8 trilh\u00e3o (http:\/\/www.correio24horas.com.br). Por tr\u00e1s desse crescimento da D\u00edvida est\u00e1 o pagamento de 78,2 bilh\u00f5es de juros aos agiotas s\u00f3 no primeiro semestre. O pagamento desses juros, somado aos aportes do tesouro ao BNDES levou o Estado a se endividar ainda mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro sinal das dificuldades crescentes na economia foi a cria\u00e7\u00e3o pelo governo de um pacote de R$25 bilh\u00f5es em obras, isen\u00e7\u00f5es e empr\u00e9stimos aos empres\u00e1rios. At\u00e9 2016 est\u00e3o mantidas as isen\u00e7\u00f5es de IPI sobre os autom\u00f3veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, concretiza-se o que advert\u00edamos no jornais anteriores, de que o governo j\u00e1 vem realizando a reforma tribut\u00e1ria aos poucos ao tornar irrevers\u00edveis as isen\u00e7\u00f5es de impostos aos empres\u00e1rios e ao mesmo tempo apresent\u00e1-las como a \u00fanica forma de manter a produ\u00e7\u00e3o e os empregos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para atender a essa pol\u00edtica geral, est\u00e1 circulando na C\u00e2mara dos Deputados o PLP 549\/09, projeto que na pr\u00e1tica congela os sal\u00e1rios, aposentadorias e pens\u00f5es da Uni\u00e3o por dez anos, ignorando todas as perdas acumuladas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por consequ\u00eancia, neste segundo semestre as lutas e campanhas salariais ser\u00e3o mais duras que as do ano passado. \u00c9 fundamental trabalhar com esse cen\u00e1rio para buscar formas de unidade e mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e0 altura dos desafios, caso contr\u00e1rio os trabalhadores podem sofrer grandes derrotas, pois tanto a patronal quanto o governo v\u00e3o tentar manter e at\u00e9 aprofundar o padr\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o vigente, a fim de garantir a lucratividade exigida pelo sistema.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0IMPULSIONAR AS LUTAS, A CONSCI\u00caNCIA E A ORGANIZA\u00c7\u00c3O DOS TRABALHADORES<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente, trata-se de impulsionar a fundo as campanhas salariais e todos os tipos de luta por condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, pelo investimento de 10% do PIB na Educa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m as lutas de setores precarizados e da juventude, que sofrem um n\u00edvel alt\u00edssimo de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, s\u00e3o v\u00e1lidas e importantes as iniciativas como a recente Jornada de Lutas e a Marcha a Bras\u00edlia realizada em agosto, como uma a\u00e7\u00e3o para juntar movimentos e sindicatos e mostrar for\u00e7a frente ao governo, retomando uma pol\u00edtica de unidade dos movimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a participa\u00e7\u00e3o socialista nessas lutas deve estar a servi\u00e7o de um objetivo maior: o de formar uma nova consci\u00eancia e organismos de base sustent\u00e1veis, ajudar a classe a formar a sua subjetividade, de modo que esta possa acumular em consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o, ganhando ou perdendo as lutas imediatas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, \u00e9 preciso todo um trabalho de cr\u00edtica e den\u00fancia, uma verdadeira campanha de massas que revele e explique aos trabalhadores os v\u00e1rios aspectos problem\u00e1ticos do modelo de explora\u00e7\u00e3o montado no Brasil, aspectos escondidos pela m\u00eddia burguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso frisar que esse modelo econ\u00f4mico pode at\u00e9 propiciar alguns ganhos moment\u00e2neos para uma parte dos trabalhadores, mas ao mesmo tempo est\u00e1 agravando os problemas estruturais que logo trar\u00e3o consequ\u00eancias cru\u00e9is para a classe trabalhadora como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, as centrais e blocos de esquerda como a CSP- Conlutas (hegemonizada pelo PSTU) e a Intersindical (pelo PSOL), de forma geral, limitam-se a uma atua\u00e7\u00e3o imediatista e fragment\u00e1ria, que combate aspectos parciais da realidade, mas n\u00e3o a sua totalidade. Al\u00e9m disso, pecam ao cair no economicismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo est\u00e1 no Relat\u00f3rio da Reuni\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o da Conlutas de 5,6 e 7 de agosto em BH, em que apresenta o lema para as campanhas salariais do 2\u00ba semestre: &#8220;Se o Brasil cresceu, trabalhador quer o seu!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema desse lema \u00e9 que nele est\u00e1 subentendido que: &#8220;desde que o trabalhador leve o seu, est\u00e1 tudo bem com o crescimento do Brasil&#8221;. Ou seja, n\u00e3o questiona o ritmo da explora\u00e7\u00e3o, a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, a piora das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, etc. E mais profundamente, esse lema implicitamente admite que n\u00e3o haveria nada de errado com o projeto em curso no pa\u00eds, aplicado pela burguesia, o governo e a burocracia, desde que os trabalhadores tivessem uma parte maior. Omite-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 divis\u00e3o de classes na sociedade, ou seja, ao fato de que os trabalhadores e os patr\u00f5es t\u00eam interesses opostos, pois n\u00e3o questiona o lucro dos capitalistas e o trabalho assalariado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse tipo de atua\u00e7\u00e3o limitada pouco contribui para elevar o n\u00edvel de consci\u00eancia dos trabalhadores, deixando-os \u00e0 merc\u00ea da ideologia burguesa. Por responsabilidade de suas dire\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias (PSTU e PSOL), t\u00eam faltado esse trabalho mais pol\u00edtico e ideol\u00f3gico junto aos trabalhadores. Isso se expressa no fato de que n\u00e3o tem havido materiais sistem\u00e1ticos da central para serem distribu\u00eddos nas f\u00e1bricas, universidades e esta\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 um trabalho com carros de som nos bairros, cartazes, campanhas pela internet,etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defendemos uma atua\u00e7\u00e3o que combine o impulso \u00e0s lutas imediatas com a luta constante pela constru\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da consci\u00eancia socialista da classe trabalhadora e de seus organismos de luta!<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0UNIDADE DEVE SER PARA LUTAR E PELA BASE!<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa concep\u00e7\u00e3o traz tamb\u00e9m o problema de que embora todos falem em unidade, cada corrente s\u00f3 aceita a unidade sob sua dire\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o como uma necessidade pr\u00e1tica para a luta e reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, uma necessidade n\u00e3o apenas para lutar pelos interesses imediatos, mas sobretudo para que os trabalhadores possam construir seus organismos de luta e apresentar ao conjunto dos explorados e oprimidos uma alternativa de poder e de sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem essa vis\u00e3o mais profunda, temos visto a esquerda se debater e se digladiar sem conseguir se unificar nem sequer em n\u00edvel de vanguarda, como mostrou-se com a fal\u00eancia do CONCLAT em 2010. A politiza\u00e7\u00e3o e a unidade pela base \u00e9 uma necessidade tamb\u00e9m para que as lutas possam ter chance de vencer a barreira montada em conjunto pela burguesia, governo e dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas da CUT, For\u00e7a Sindical e CTB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a unidade deve ser para somar, n\u00e3o para enfraquecer e confundir. \u00c9 preciso apostar na constru\u00e7\u00e3o de uma identidade classista da esquerda junto aos trabalhadores pois hoje em dia h\u00e1 muita confus\u00e3o, fruto de todas as trai\u00e7\u00f5es que houve por parte do PT e da CUT e CTB. Esse assunto \u00e9 pol\u00eamico pois temos visto cada vez mais o PSTU propor f\u00f3runs, campanhas e at\u00e9 chapas com setores governistas. Isso tem levado a uma confus\u00e3o junto aos ativistas pois, se estamos em lados opostos, como podemos ficar o tempo todo chamando eles para participar juntos em f\u00f3runs, campanhas e chapas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, temos v\u00e1rias reservas quanto \u00e0 forma gen\u00e9rica e permanente com que o PSTU faz esse chamado \u00e0 unidade com setores pelegos e governistas. Entendemos que o crit\u00e9rio objetivo para qualquer unidade de a\u00e7\u00e3o deve ser o da luta concreta. Se houver situa\u00e7\u00f5es em que setores governistas \u2013 por press\u00e3o de suas bases \u2013 estejam efetivamente (n\u00e3o apenas no discurso) encaminhando lutas, ent\u00e3o a unidade \u00e9 necess\u00e1ria e produtiva, desde que, ao mesmo tempo, se mantenha total independ\u00eancia pol\u00edtica frente a eles. Mas se esses setores n\u00e3o estiverem de fato encaminhando lutas, apenas discursos, declara\u00e7\u00f5es gerais de inten\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo em que t\u00eam uma pr\u00e1tica contr\u00e1ria de jogar contra as lutas, ent\u00e3o \u00e9 um erro insistir, como tem feito o PSTU, em f\u00f3runs ou unidades artificiais e superestruturais com setores governistas (CUT, CTB) em nome de reivindica\u00e7\u00f5es e bandeiras gen\u00e9ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pol\u00edtica gen\u00e9rica e permanente de unidade-quase-frente com setores governistas gera confus\u00e3o junto \u00e0 classe trabalhadora e s\u00f3 ajuda \u00e0 pr\u00f3pria burocracia, pois d\u00e1 um verniz de esquerda a essas dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e pr\u00f3-patronais que usam isso para posarem de esquerda e com isso cumprir melhor o papel de desviar ou mesmo impedir que as lutas ocorram de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso cada vez mais demarcar um campo pr\u00f3prio dos trabalhadores, apostar a fundo na unidade com os setores de luta e antigovernistas no sentido de construir uma alternativa pol\u00edtica e de poder dos trabalhadores para o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso a unidade que devemos priorizar e desenvolver deve ser a unidade cada vez mais pela base, indo al\u00e9m das pr\u00f3prias correntes organizadas, incorporando tamb\u00e9m os v\u00e1rios ativistas independentes. Nesse sentido, reafirmamos a proposta de que tanto a CSP-Conlutas quanto a Intersindical convoquem e organizem um Encontro Nacional de Ativistas para discutir e aprovar um calend\u00e1rio de lutas, um programa m\u00ednimo unit\u00e1rio e retomar a discuss\u00e3o sobre uma Nova Central de luta dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A CRISE DO ENDIVIDAMENTO NOS ESTADOS UNIDOS<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00a0A vota\u00e7\u00e3o do teto da d\u00edvida nos Estados Unidos<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de julho e in\u00edcio de agosto, o mundo acompanhou o constrangedor espet\u00e1culo da maior pot\u00eancia mundial, os Estados Unidos, enfrentando s\u00e9rias dificuldades para pagar suas d\u00edvidas de curto prazo. Foi preciso uma autoriza\u00e7\u00e3o do congresso para que o governo pudesse aumentar o limite de endividamento para mais de 100% do PIB (Produto Interno Bruto, total dos produtos e servi\u00e7os produzidos pelo pa\u00eds em um ano, hoje em torno de US$ 14 trilh\u00f5es). Ou seja, o governo emitiu mais t\u00edtulos (mais d\u00edvida) com vencimento no futuro, para conseguir pagar os t\u00edtulos da d\u00edvida passada, pr\u00f3ximos de vencer. Na pr\u00e1tica, isso significa que os Estados Unidos n\u00e3o conseguiram pagar suas d\u00edvidas, pois tiveram que aumentar o limite do \u201ccheque especial\u201d. Ou seja, o problema foi apenas jogado para frente, como sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O expediente de aumentar indefinidamente o endividamento \u00e9 praticamente uma rotina para todos os Estados capitalistas, desde quando foi desenvolvido em meados do s\u00e9culo XX, como forma de superar a Grande Depress\u00e3o dos anos 1930 (juntamente com a guerra). A novidade no caso presente foi a extrema dificuldade do processo de negocia\u00e7\u00e3o da autoriza\u00e7\u00e3o. O congresso de maioria republicana imp\u00f4s um violento desgaste \u00e0 administra\u00e7\u00e3o Obama, erodindo o que restava da sua popularidade. Para aprovar o aumento do endividamento, o congresso exigiu colossais cortes no or\u00e7amento como garantia de que o governo equilibrar\u00e1 suas contas, afetando especialmente os servi\u00e7os p\u00fablicos. Naturalmente, os republicanos buscaram excluir os gastos militares (US$ 739 bilh\u00f5es por ano) da lista de cortes e tamb\u00e9m impediram que o governo aumentasse os impostos dos ricos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00a0As consequ\u00eancias sociais do acordo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cortes no or\u00e7amento (US$ 2,7 trilh\u00f5es) v\u00e3o afetar pesadamente a classe trabalhadora estadunidense, que j\u00e1 convive com alto desemprego (o \u00edndice oficial \u00e9 de 9,2%, mas o desemprego oculto por desalento, trabalho parcial, etc., deve elevar essa taxa a quase o dobro) e queda nos sal\u00e1rios e benef\u00edcios. Ser\u00e3o brutalmente reduzidas as despesas com as aposentadorias, as pens\u00f5es para idosos e deficientes, o seguro desemprego, os subs\u00eddios agr\u00edcolas, a alimenta\u00e7\u00e3o para os indigentes, a assist\u00eancia m\u00e9dica (Medicare e Medicaid, programas que atendem mais de 50 milh\u00f5es de idosos e pobres), os programas habitacionais e os servi\u00e7os p\u00fablicos em geral, cujos funcion\u00e1rios, desde professores a bombeiros, est\u00e3o sendo demitidos em massa nos estados e munic\u00edpios, gestando uma verdadeira hecatombe social. Enquanto isso, os lucros bilion\u00e1rios dos banqueiros e especuladores est\u00e3o sendo garantidos pelo governo Obama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As consequ\u00eancias futuras do atual corte de gastos v\u00e3o apenas agravar um cen\u00e1rio econ\u00f4mico j\u00e1 bastante deteriorado. Os n\u00fameros da economia divulgados em meados do ano referentes ao PIB, emprego, sal\u00e1rios, consumo, investimento, etc., mostram que a chamada \u201crecupera\u00e7\u00e3o\u201d iniciada em 2009, quando houve crescimento de 3,9% do PIB apesar do alto desemprego, est\u00e1 se transformando em uma estagna\u00e7\u00e3o em torno de 1,5%, sem recupera\u00e7\u00e3o do emprego (\u201cSharp fall in consumer spending, manufacturing in US\u201d, WSWS, 03.08.2011). Tornou-se rotina revisar para baixo os n\u00fameros do PIB dos semestres passados, mostrando que aquilo que havia sido divulgado como crescimento era pura maquiagem para animar os mercados.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00a0O mercado continua insatisfeito<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que o aumento do teto tenha sido afinal aprovado no congresso, o estrago no mercado financeiro j\u00e1 estava feito. A Standard &amp; Poor&#8217;s, ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco (que elabora uma esp\u00e9cie de \u201cranking\u201d da confiabilidade e lucratividade de todos os pap\u00e9is p\u00fablicos e privados em negocia\u00e7\u00e3o nos mercados financeiros), rebaixou a nota dos t\u00edtulos p\u00fablicos estadunidenses. Segundo a S&amp;P, os cortes no or\u00e7amento teriam que ser de at\u00e9 US$ 4 trilh\u00f5es para satisfazer o mercado, de quem a ag\u00eancia se arvora em representante. Por mais que os crit\u00e9rios da S&amp;P e das outras ag\u00eancias Moodys e Fitch sejam arbitr\u00e1rios ou no m\u00ednimo pouco transparentes, essas institui\u00e7\u00f5es possuem um poder gigantesco num mundo cada vez mais controlado pelo mercado financeiro. O rebaixamento dos t\u00edtulos estadunidenses est\u00e1 sendo comparado \u00e0 quebra do padr\u00e3o d\u00f3lar-ouro em 1971, quando o governo Nixon assumiu que n\u00e3o tinha ouro suficiente para lastrear o d\u00f3lar. Agora, o governo assume que n\u00e3o tem d\u00f3lares suficientes para pagar seus t\u00edtulos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O simples temor de que os Estados Unidos dessem um calote em sua d\u00edvida provocou um pequeno terremoto nas finan\u00e7as internacionais e ressuscitou os fantasmas de uma volta \u00e0 recess\u00e3o. Isso fez as bolsas de valores do mundo inteiro ca\u00edrem nas semanas seguintes. O Bank of America, maior banco comercial dos Estados Unidos, viu suas a\u00e7\u00f5es ca\u00edrem 20% (ALAI, 08\/08\/2011). \u00cdndices como o Dow Jones, NASDAQ e S&amp;P 500 experimentaram as piores quedas desde 2008. Esse fen\u00f4meno revela o grau de artificialidade em que se move a economia capitalista atual.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00a0A artificialidade do capitalismo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que dizem os economistas vulgares (burgueses), n\u00e3o existe separa\u00e7\u00e3o entre \u201ceconomia real\u201d e \u201ceconomia virtual\u201d. A dificuldade do sistema para realizar a mais valia (que \u00e9 gerada na esfera da produ\u00e7\u00e3o, ou seja, na \u201ceconomia real\u201d) tem sido contornada por mecanismos artificiais de gera\u00e7\u00e3o de capital fict\u00edcio na esfera da circula\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da especula\u00e7\u00e3o com pap\u00e9is (como se fosse poss\u00edvel gerar valor a partir do dinheiro, e n\u00e3o o contr\u00e1rio). O \u201candaime\u201d que sustenta esse capital fict\u00edcio \u00e9 precisamente o d\u00f3lar. Os banqueiros e especuladores confiam que o governo estadunidense sempre estar\u00e1 l\u00e1 para socorr\u00ea-los com caminh\u00f5es de d\u00f3lares. Uma recente auditoria descobriu que, desde 2007, in\u00edcio da crise financeira, at\u00e9 meados de 2010, 16 trilh\u00f5es de d\u00f3lares foram emitidos apenas pelo FED (Banco Central estadunidense) para resgatar os especuladores. Ou seja, o FED, que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o independente do governo, contraiu uma d\u00edvida maior do que a d\u00edvida do governo da Uni\u00e3o e o pr\u00f3prio PIB do pa\u00eds! (Atilio Bor\u00f3n, Correio da Cidadania, 03 de Agosto de 2011)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo absorveu para si, direta ou indiretamente, as d\u00edvidas dos especuladores privados, transformando-os em t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica. Os t\u00edtulos do tesouro estadunidense s\u00e3o considerados o investimento mais seguro do mundo, exatamente porque, at\u00e9 agora em 2011, nunca na hist\u00f3ria se cogitou na possibilidade de um calote. Os pacotes de salvamento desde a crise de 2008-2009 foram justamente o que fez aumentar tremendamente o endividamento p\u00fablico, que levou \u00e0 atual crise. Se os t\u00edtulos estadunidenses perdessem valor, por conta da possibilidade de calote, isso arrastaria junto o valor do d\u00f3lar, pois o lastro da moeda estadunidense \u00e9 a confian\u00e7a em que o governo do pa\u00eds sempre pagar\u00e1 suas d\u00edvidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A economia mundial tem funcionado, ao menos na \u00faltima d\u00e9cada, com base em uma din\u00e2mica que tem seu eixo no com\u00e9rcio internacional em dire\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos. A produ\u00e7\u00e3o de mercadorias est\u00e1 mundializada em pa\u00edses como a China, que exportam para os Estados Unidos e recebem pagamento em d\u00f3lar. Os pa\u00edses exportadores acumulam reservas em d\u00f3lar e adquirem t\u00edtulos do governo estadunidense, ou seja, emprestam dinheiro ao governo estadunidense para que continue rolando suas d\u00edvidas. Cerca de metade dos t\u00edtulos da d\u00edvida est\u00e3o em poder de bancos centrais estrangeiros, cuja procura mant\u00e9m essa \u201cmercadoria\u201d apreciada e o valor do d\u00f3lar elevado. Com isso, o consumidor estadunidense pode continuar comprando mercadorias produzidas na China e pagando com um d\u00f3lar ainda forte, e assim sucessivamente. A possibilidade de ruptura nesse circuito, com o n\u00e3o pagamento dos t\u00edtulos da d\u00edvida pelos Estados Unidos, teria um efeito em cadeia, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos de d\u00edvida em poder dos credores, e tamb\u00e9m a desvaloriza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio d\u00f3lar, a cessa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos, a queda do com\u00e9rcio mundial, uma nova recess\u00e3o ou mesmo uma depress\u00e3o mundial.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00a0O endividamento e a crise estrutural do capital<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse risco foi momentaneamente afastado com a aprova\u00e7\u00e3o do aumento do teto da d\u00edvida pelo congresso. Mas o fato de que o risco permanece \u00e9 suficiente para provocar nervosismo no mercado. O capitalismo atual n\u00e3o pode funcionar sem a expectativa da continuidade dos lucros f\u00e1ceis e predat\u00f3rios da especula\u00e7\u00e3o. Assim, a crise do endividamento pode levar ao que os economistas chamam de duplo mergulho numa nova recess\u00e3o. Na verdade, o conjunto da economia mundial n\u00e3o chegou a se recuperar da recess\u00e3o iniciada em 2008. A retomada do crescimento e dos lucros em alguns n\u00facleos capitalistas, como os pr\u00f3prios Estados Unidos e a Alemanha, ao longo de 2009 e 2010, empalidece diante do pano de fundo de estagna\u00e7\u00e3o no restante do mundo e de importantes contradi\u00e7\u00f5es, como o desemprego e o empobrecimento nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso comprova a exist\u00eancia daquilo que chamamos de crise estrutural do capital, ou seja, a vig\u00eancia de um per\u00edodo hist\u00f3rico em que as crises peri\u00f3dicas s\u00e3o cada vez mais agudas, os per\u00edodos de recupera\u00e7\u00e3o mais curtos e insuficientes, e problemas cada vez maiores se acumulam para o futuro. Cada vez mais se torna claro que a defesa das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores passa por uma luta contra o sistema capitalista como um todo, e sua substitui\u00e7\u00e3o por uma sociedade socialista livre da explora\u00e7\u00e3o e da aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">ENDIVIDAMENTO E CRISE SOCIAL NA EUROPA<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u201cPanic on the streets of London! Panic on the streets of Birmingham!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">The Smiths, \u201cPanic\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A atual crise de endividamento das grandes pot\u00eancias imperialistas est\u00e1 sendo tratada pela imprensa burguesa como uma esp\u00e9cie de acidente inesperado, como se tivesse surgido do nada. Essa desorienta\u00e7\u00e3o \u00e9 proposital, pois para explicar realmente o fen\u00f4meno seria preciso admitir a exist\u00eancia de defeitos fatais do capitalismo e a vig\u00eancia de sua crise estrutural. A crise do endividamento n\u00e3o \u00e9 um acidente, mas uma consequ\u00eancia direta das medidas que foram tomadas para enfrentar a crise anterior, em 2008. Todos os governos europeus, j\u00e1 altamente endividados, gastaram trilh\u00f5es de d\u00f3lares para salvar os bancos e demais especuladores da fal\u00eancia. Agora, os pr\u00f3prios governos est\u00e3o \u00e0 beira da fal\u00eancia. E para pagar suas contas, s\u00e3o obrigados a cortar gastos, o que afeta a vida de suas popula\u00e7\u00f5es. As consequ\u00eancias desses cortes t\u00eam sido vistas na forma de uma onda de protestos e greves em v\u00e1rios pa\u00edses, e tamb\u00e9m sob formas mais inesperadas, como os violentos tumultos na Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem sequer havia sido contornado o problema dos pa\u00edses da periferia europ\u00e9ia, como a Gr\u00e9cia (pacote de 110 bilh\u00f5es de euros para evitar o calote em maio) e veio \u00e0 tona a situa\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia, a 3\u00aa maior economia da zona do euro, com PIB equivalente a 18% do total do bloco e 120% de endividamento (s\u00f3 menor do que o da Gr\u00e9cia). N\u00e3o h\u00e1 dinheiro suficiente para resgatar uma economia do tamanho da It\u00e1lia. Na \u00faltima hora o governo Berlusconi improvisou uma reforma constitucional comprometendo o governo a honrar suas d\u00edvidas com o mercado, mas mesmo isso n\u00e3o foi suficiente. Os bancos franceses e alem\u00e3es, que possuem centenas de bilh\u00f5es em t\u00edtulos italianos, espanh\u00f3is e de outros pa\u00edses altamente endividados, se aproximaram perigosamente de um colapso ao estilo Lehman Brothers. Os \u00edndices das bolsas europ\u00e9ias, assim como os estadunidenses, tamb\u00e9m ca\u00edram seguidamente no in\u00edcio de agosto, ora a pretexto da d\u00edvida italiana, depois da B\u00e9lgica, e assim sucessivamente. A divulga\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros globais da economia (crescimento quase zero do PIB em v\u00e1rios pa\u00edses, como a pr\u00f3pria Fran\u00e7a) n\u00e3o ajudou nada. V\u00e1rios pa\u00edses chegaram a impor uma suspens\u00e3o tempor\u00e1ria da negocia\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is de curto prazo (\u201cshort selling\u201d) pelos bancos, numa tentativa desesperada de impedir as quedas no mercado.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0A SOCIALIZA\u00c7\u00c3O DOS PREJU\u00cdZOS<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muito tempo o limite de endividamento de 60% do PIB e d\u00e9ficit de 3% para pa\u00edses participantes do sistema do euro tornou-se uma fic\u00e7\u00e3o. Praticamente todos os governos europeus, dos maiores aos menores, descumpriam esses limites, o que se agravou drasticamente com a escalada de pacotes para salvar seus bancos e reativar suas economias desde 2008. Em fun\u00e7\u00e3o desse alto endividamento, os governos de v\u00e1rios pa\u00edses europeus s\u00f3 conseguem vender novos t\u00edtulos oferecendo taxas de juros cada vez maiores. Isso faz com que aumente a d\u00edvida e diminua o prazo de pagamento, apontando para o momento inevit\u00e1vel do calote.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para evitar o calote, entram em cena institui\u00e7\u00f5es como o FMI, o Banco Central Europeu e a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, que fornecem pacotes de empr\u00e9stimos para que os pa\u00edses endividados paguem suas d\u00edvidas de curto prazo. Em troca, esses governos precisam aprovar cortes nos gastos p\u00fablicos, aumento de impostos, privatiza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio estatal e ataques aos servi\u00e7os p\u00fablicos (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, etc.), \u00e0s aposentadorias, aos direitos trabalhistas, etc. Em outras palavras, os trabalhadores s\u00e3o for\u00e7ados a sofrer para que os seus governos continuem pagando os banqueiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As medidas de redu\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos contribuem para diminuir o consumo e desacelerar ainda mais a economia, diminuindo tamb\u00e9m a arrecada\u00e7\u00e3o de impostos e consequentemente a pr\u00f3pria possibilidade de seguir pagando a d\u00edvida, num c\u00edrculo vicioso. A crise da d\u00edvida europ\u00e9ia est\u00e1 sendo comparada com a crise da d\u00edvida latino-americana do in\u00edcio dos anos 80, que levou \u00e0 chamada \u201cd\u00e9cada perdida\u201d sem crescimento econ\u00f4mico, e s\u00f3 terminou com o refinanciamento da d\u00edvida sob a forma de novos t\u00edtulos denominados em d\u00f3lares (\u201cPlano Brady\u201d, de autoria do ent\u00e3o secret\u00e1rio do tesouro estadunidense), em 1989. Isso abriu o caminho para os programas de ajuste neoliberais da d\u00e9cada de 1990, pois a condi\u00e7\u00e3o dos credores para aceitar os novos t\u00edtulos era que os pa\u00edses endividados abrissem suas economias ao com\u00e9rcio internacional, privatizassem empresas p\u00fablicas e retirassem as prote\u00e7\u00f5es trabalhistas.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0AS CONSEQU\u00caNCIAS SOCIAIS DA CRISE: O EXEMPLO INGL\u00caS<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A divis\u00e3o entre os pa\u00edses mais poderosos e os mais fracos se aprofunda no interior da Europa. Cada governo, motivado por quest\u00f5es de sobreviv\u00eancia pol\u00edtica imediata, tenta jogar sobre os outros pa\u00edses o \u00f4nus da crise. No momento em que seria mais urgente a unidade pol\u00edtica europ\u00e9ia, as burguesias nacionais de cada pa\u00eds entram num \u201csalve-se quem puder\u201d, com os mais fortes, como Alemanha e Fran\u00e7a, depauperando os mais pobres, como a Gr\u00e9cia, Portugal, Irlanda, Espanha e at\u00e9 It\u00e1lia, impondo ajustes brutais contra suas popula\u00e7\u00f5es, para garantir o pagamento desses pa\u00edses aos seus bancos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Inglaterra n\u00e3o faz parte da zona do euro, mas sofre com baixo crescimento (previs\u00e3o de 1,4% em 2011 \u2013 UOL, 14.08.2011), alto endividamento (US$ 2 trilh\u00f5es, ou 70% do PIB e d\u00e9ficit fiscal de 11%, ag\u00eancia Carta Maior \u2013 Uol, 13.08.2011) e desemprego de 7,7% (http:\/\/www.statistics.gov.uk), segundo o \u00edndice oficial. A resposta do governo do primeiro-ministro conservador David Cameron foi um pacote de corte nos gastos p\u00fablicos de US$ 130 bilh\u00f5es at\u00e9 2015 (Carta Maior, 13.08.2011), distribu\u00eddos entre os v\u00e1rios setores dos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em fins de 2010, o governo ingl\u00eas aumentou as taxas de matr\u00edculas das universidades p\u00fablicas, o que na ocasi\u00e3o j\u00e1 provocou uma onda massiva de protestos estudantis. Nos primeiros meses de 2011 houve o fechamento de espa\u00e7os de lazer para a juventude, como parte de um pacote de cortes nos gastos sociais, que afetaram v\u00e1rias outras \u00e1reas do servi\u00e7o p\u00fablico. Os jovens convivem com uma alt\u00edssima taxa de desemprego \u2013 de um total de 2,48 milh\u00f5es de desempregados, cerca de 963 mil s\u00e3o jovens com menos de 25 anos de idade (traduzido de http:\/\/www.guardian.co.uk) \u2013, combinada com a tenta\u00e7\u00e3o do consumo estimulada pela publicidade onipresente, e com a brutalidade policial desses tempos de \u201cguerra ao terror\u201d (que j\u00e1 vitimou o brasileiro Jean Charles de Menezes, em 2005). Esses ingredientes somaram-se para produzir uma verdadeira bomba rel\u00f3gio social, que fatalmente explodiria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A brutalidade policial acabou fazendo mais uma v\u00edtima fatal em 2011. Na sexta-feira 5 de agosto a pol\u00edcia inglesa assassinou um jovem chamado Mark Duggan, um cidad\u00e3o ingl\u00eas negro, no bairro multi\u00e9tnico de Tottenham, em Londres, por motivos que permanecem at\u00e9 agora inexplicados. Isso resultou numa onda de saques, depreda\u00e7\u00f5es e inc\u00eandios, que tomou conta da capital Londres e v\u00e1rias outras cidades inglesas, como Birmingham, Liverpool e Manchester. Esse fen\u00f4meno \u00e9 semelhante ao que aconteceu em Paris em novembro de 2005 e Atenas em dezembro de 2008, quando o assassinato de jovens pobres pela pol\u00edcia provocou uma revolta da juventude em geral. Os jovens ingleses saquearam lojas de eletr\u00f4nicos, depredaram e incendiaram pr\u00e9dios e autom\u00f3veis, e enfrentaram a pol\u00edcia durante quatro noites. Houve milhares de pris\u00f5es, centenas de feridos e 5 mortes, at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o voltasse ao controle das autoridades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que a imprensa diz, n\u00e3o se trata de vand\u00e2los, mas de jovens protestando contra a situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria a que est\u00e3o submetidos cotidianamente. A viol\u00eancia policial, com um forte conte\u00fado racista, tem sido constante em Londres. Segundo David Karvala, de 1998 at\u00e9 2010 foram 333 mortes de jovens que estavam sob tutela da pol\u00edcia. De 1967 at\u00e9 2001 foram por volta de 1000 mortes. De todos esses casos s\u00f3 um policial foi condenado. A essa situa\u00e7\u00e3o soma-se o fato de que na juventude da Inglaterra 20% dos jovens de 16 a 24 anos est\u00e3o desempregados. Entre os negros esses \u00edndices s\u00e3o de 50%.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0A NECESSIDADE DE UMA ALTERNATIVA SOCIALISTA<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo Cameron e a m\u00eddia burguesa trataram os acontecimentos como uma s\u00fabita onda de criminalidade, como se se tratasse de simples roubo e vandalismo. Um gigantesco efetivo policial foi mobilizado e discursos ferozes foram proferidos em defesa da seguran\u00e7a, da ordem e da propriedade. Isso n\u00e3o passa de uma tentativa desesperada de tapar o sol com a peneira. A crise social n\u00e3o \u00e9 um \u201cprivil\u00e9gio\u201d da periferia da Europa, pois afeta um gigante global como a pr\u00f3pria Inglaterra. Por mais que os funcion\u00e1rios da burguesia no Estado e na m\u00eddia se neguem a admitir, os tumultos de rua t\u00eam sim um importante significado pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As a\u00e7\u00f5es dos jovens ingleses, mesmo que n\u00e3o apontem diretamente para uma luta pol\u00edtica contra o Estado (como era o caso especialmente dos jovens atenienses em 2008), revelam uma s\u00e9rie de componentes ideol\u00f3gicos: frustra\u00e7\u00e3o com as promessas n\u00e3o cumpridas de prosperidade (desejo de consumo); \u00f3dio contra o Estado e suas institui\u00e7\u00f5es, especialmente a pol\u00edcia; desprezo para com a lei e a propriedade; disposi\u00e7\u00e3o de luta; e coragem para enfrentar a autoridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso precisa ser conduzido para as causas corretas: contra os cortes nos gastos sociais; contra o pagamento da d\u00edvida aos banqueiros e especuladores; por emprego, sal\u00e1rio e servi\u00e7os p\u00fablicos para todos; contra o Estado e suas institui\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias e anti-populares. S\u00f3 essa luta pode levar a um avan\u00e7o de consci\u00eancia que permita projetar a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Um poss\u00edvel e novo momento hist\u00f3rico mundial?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passadas d\u00e9cadas de \u201cneoliberalismo\u201d, d\u00e9cadas que insinuavam um sono eterno de capitalismo, o mundo aos poucos acorda. Mas acorda como um corpo que, apesar de anestesiado e de ainda n\u00e3o saber lidar habilmente com os pr\u00f3prios movimentos, tenta se mexer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Nas Resolu\u00e7\u00f5es da Confer\u00eancia 2011 do Espa\u00e7o Socialista (dispon\u00edvel no site) j\u00e1 destac\u00e1vamos que havia uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial cujo elemento central era a diversidade de lutas envolvendo milh\u00f5es de trabalhadores em v\u00e1rias partes do mundo, principalmente, a partir do processo de luta contra as ditaduras dos pa\u00edses do Norte da \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de grande import\u00e2ncia, pois ao desenvolver-se podemos chegar a uma mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao termos v\u00e1rios pa\u00edses envolvidos h\u00e1 um salto de qualidade na luta devido \u00e0 interfer\u00eancia na pol\u00edtica interna de cada pa\u00eds e \u00e0 pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com e entre os imperialismos. Ou seja, cria-se um campo mais hostil para a permanente necessidade expansionista do imperialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dos \u00faltimos acontecimentos na Europa (Gr\u00e9cia, Londres, M15 na Espanha), Am\u00e9rica Latina (Chile), Norte da \u00c1frica (S\u00edria) e \u00c1sia (\u00cdndia) \u00e9 poss\u00edvel afirmarmos que essa situa\u00e7\u00e3o desenvolveu-se ainda mais, principalmente por considerarmos que agora temos em cena setores do proletariado de pa\u00edses centrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto importante dessa nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 a diverg\u00eancia p\u00fablica entre setores do imperialismo e o enfraquecimento pol\u00edtico dos governos dos pa\u00edses envolvidos nessas mobiliza\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9 o caso de Obama nos Estados Unidos, Zapatero na Espanha e Pi\u00f1era no Chile, este com os \u00edndices mais baixos de popularidade das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0O FUNDAMENTO DA NOVA SITUA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA MUNDIAL EST\u00c1 NA CRISE ECON\u00d4MICA<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra quest\u00e3o que hav\u00edamos ressaltado diz respeito \u00e0 durabilidade da crise que se iniciou em 2008 e que, apesar de alguns elementos contradit\u00f3rios (cabe ressaltar a Lei do Desenvolvimento Desigual e Combinado) como as realidades de Brasil e Argentina, faz-se presente. Economias poderosas \u2013 como a alem\u00e3 e a estadunidense \u2013 que apresentavam uma pequena recupera\u00e7\u00e3o, com os novos dados mostram que h\u00e1 uma invers\u00e3o em curso e indicam que, na melhor das hip\u00f3teses, a economia mundial caminhar\u00e1 para uma estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de estabelecer outra correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na luta de classes, a atual crise econ\u00f4mica nos faz perceber a necessidade de intensificarmos a luta para mantermos direitos, contra o desemprego e pela sobreviv\u00eancia. Tamb\u00e9m escancara as fissuras entre as for\u00e7as burguesas e demonstra como s\u00e3o capazes de fazer qualquer neg\u00f3cio para continuarem lucrando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos Estados Unidos a fissura entre democratas e republicanos sobre o que fazer para solucionar a crise de d\u00edvida provocou a instabilidade nas bolsas de valores de todo o mundo (veja mat\u00e9ria neste jornal). Na Europa os debates do Banco Central Europeu sobre as medidas para conter a crise dos \u201cPIGS\u201d (Portugal, Irlanda, Gr\u00e9cia e Espanha) demonstram como cada governo endivida o Estado para salvar bancos e empresas, isto \u00e9, os interesses da burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A intensifica\u00e7\u00e3o de importantes mobiliza\u00e7\u00f5es demonstra como a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 mundial e como a luta do proletariado deve ser internacional: As fant\u00e1sticas mobiliza\u00e7\u00f5es populares no Egito e no I\u00eamen; as greves gerais na Gr\u00e9cia; a luta dos estudantes em unidade com a classe oper\u00e1ria por ensino p\u00fablico no Chile; a luta de professores e demais trabalhadores contra o corte de verbas em Wisconsin nos Estados Unidos; a in\u00e9dita e gigantesca mobiliza\u00e7\u00e3o em Israel, os jovens de periferia que iluminaram as noites em protesto ao assassinato de um jovem negro em Londres na Inglaterra, principal aliado estadunidense na Europa e as manifesta\u00e7\u00f5es contra a corrup\u00e7\u00e3o na \u00cdndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas essas mobiliza\u00e7\u00f5es trazem as marcas da dura realidade vivida pelos trabalhadores, v\u00edtimas das artimanhas da burguesia para manter-se no poder. Ao querer a riqueza -produzida com nosso suor- em suas m\u00e3os procura retirar nossos empregos, sal\u00e1rios, direitos e a vida de muitos. Esse \u00e9 o resultado da crise econ\u00f4mica que se alastra \u2013 com picos \u2013 h\u00e1 tr\u00eas anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessas mobiliza\u00e7\u00f5es podemos destacar tr\u00eas caracter\u00edsticas: a) tem como causa as crises econ\u00f4mica e social que se alastram; b) acontecem tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o do sistema capitalista; c) em geral os sujeitos pol\u00edticos s\u00e3o setores populares e juvenis, o que quer dizer que, pelo menos por enquanto, a classe oper\u00e1ria, com exce\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia e Egito, n\u00e3o se colocou como protagonista desse processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Como podemos observar a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para conter a crise, que \u00e9 global e tamb\u00e9m envolve os pa\u00edses centrais. Dessa forma, o ataque aos direitos dos trabalhadores, o que leva a um empobrecimento da classe, ocorre em todos os pa\u00edses e nesse momento o elemento qualitativo est\u00e1 no fato de que ele ocorre tamb\u00e9m nos pa\u00edses centrais do capitalismo. O diferencial nesse momento \u00e9 que, devido a circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, paulatinamente os trabalhadores e explorados passam a resistir e n\u00e3o mais aceitar os ditames do capital e os abusos da burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As crises no sistema capitalista surgem da dificuldade da burguesia em alcan\u00e7ar satisfatoriamente certa taxa de lucro. Consequentemente adota medidas que buscam aumentar a extra\u00e7\u00e3o de mais-valia relativa (desenvolvimento tecnol\u00f3gico, por exemplo) ou absoluta (prolongamento da jornada de trabalho, por exemplo) e tentar retomar as antigas taxas de lucro. Dessa forma, prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es para a crise que aumentem a apropria\u00e7\u00e3o do trabalho que n\u00e3o \u00e9 pago, mas \u00e9 executado pelo trabalhador na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os capitalistas sabem que se n\u00e3o conseguirem impor sobre os trabalhadores mudan\u00e7as e ajustes na produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o ir\u00e3o conseguir encontrar nenhuma sa\u00edda mais duradoura. Portanto, criar condi\u00e7\u00f5es para continuar lucrando sem deixar cair sua taxa de lucro \u00e9 decisivo para a burguesia, ou seja, a imposi\u00e7\u00e3o das contra-tend\u00eancias (explora\u00e7\u00e3o sobre a classe trabalhadora) \u00e0 queda da taxa de lucro \u00e9, portanto, decisiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos pol\u00edticos o resultado da crise econ\u00f4mica tamb\u00e9m \u00e9 perverso. \u00c9 necess\u00e1rio para a burguesia manter a classe trabalhadora desmobilizada e desmoralizada (por isso tantas cr\u00edticas a determinadas categorias profissionais). Quando se mobiliza \u00e9 extremamente importante que seja derrotada (com o n\u00e3o atendimento das reivindica\u00e7\u00f5es ou com a repress\u00e3o, pris\u00e3o e\/ou morte dos ativistas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aumentar o teto da d\u00edvida do Estado, reduzir os gastos p\u00fablicos e pol\u00edticas para disputar o mercado mundial somente empurram as contradi\u00e7\u00f5es para frente, mas n\u00e3o resolvem o problema da crise. Como os lucros resultantes de taxas de juros, os juros para pagamento das d\u00edvidas (e a pr\u00f3pria d\u00edvida p\u00fablica) e o incentivo estatal para o cr\u00e9dito dependem, ao fim, da cria\u00e7\u00e3o de valor, podemos dizer que a sorte dos capitalistas para superar mais essa crise se localiza primeiro na produ\u00e7\u00e3o, com espa\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o de valor, de acordo com Marx, e segundo no resultado da luta de classes. Repetimos: a solu\u00e7\u00e3o da crise \u2013 tendo em conta os interesses do capital &#8211; passa pela possibilidade dos capitalistas garantirem uma produ\u00e7\u00e3o com altas taxas de lucro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto \u00e9, a burguesia adota pol\u00edticas para reduzir sal\u00e1rios, retirar direitos (garantidos pelo Estado ou pelas empresas) e aumentar o desemprego (por consequ\u00eancia, o ex\u00e9rcito industrial de reserva) o que empobrece quem consome (alvo para realiza\u00e7\u00e3o do lucro) e retira do universo de consumo uma parcela consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o mundial. Mas, ao mesmo tempo procura manter os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o e de seus lucros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa contradi\u00e7\u00e3o entre ter que produzir ou ser o produtor da riqueza e n\u00e3o poder, minimamente, consumir pode levar o proletariado mundial a n\u00e3o aceitar o funcionamento injusto da sociedade. As \u00faltimas mobiliza\u00e7\u00f5es indicam que h\u00e1 uma importante resist\u00eancia dos trabalhadores \u00e0s desigualdades sociais. Isso evidentemente \u00e9 um dos mais s\u00e9rios obst\u00e1culos para o capital. Portanto, \u00e9 extremamente necess\u00e1rio uma forte repress\u00e3o do Estado burgu\u00eas para cont\u00ea-las.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0DIREITOS RETIRADOS DOS TRABALHADORES<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desfecho da luta pol\u00edtica \u00e9, portanto, decisivo, pois o que est\u00e1 em jogo, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 a sobreviv\u00eancia do capitalismo enquanto sistema social. A aten\u00e7\u00e3o de todos os governos est\u00e1 voltada para a aplica\u00e7\u00e3o das medidas de retiradas de direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se verificarmos rapidamente, h\u00e1 direitos que est\u00e3o sob a mira da burguesia em todo o mundo: fim ou restri\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas da aposentadoria e da seguridade social; fim da estabilidade no emprego; fim do custeio por parte do Estado de servi\u00e7os b\u00e1sicos como Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas; retirada de direitos trabalhistas; constante desvaloriza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios (que pode ser medida pelo distanciamento entre valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio e aumento da produtividade) e uma crescente forma\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito industrial de reserva mundial com o aumento do desemprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, n\u00e3o podemos tratar apenas da maldade de um ou outro governo, mas de uma pol\u00edtica global que visa satisfazer as necessidades das grandes corpora\u00e7\u00f5es que submetem a vida aos interesses econ\u00f4micos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pol\u00edticos e empres\u00e1rios enfrentam o problema global com uma pol\u00edtica global. O Estado contribui com os capitalistas destinando parte importante do or\u00e7amento p\u00fablico, inclusive dos impostos retirados de nossos holerites, para pagamento dos custos da financeiriza\u00e7\u00e3o, para a realiza\u00e7\u00e3o de obras e servi\u00e7os de interesse das grandes empreiteiras e para apoiar determinados setores da burguesia, como a ind\u00fastria b\u00e9lica. Para isso desenvolve tamb\u00e9m perversos mecanismos ideol\u00f3gicos que buscam justificar esse modelo de sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, podemos perceber que a crise empurra a burguesia para a retirada de direitos dos trabalhadores, mas os trabalhadores resistem e lutam. Forma-se dessa maneira uma caldeira que poder\u00e1 explodir a qualquer momento. Esse \u00e9 o elemento central desse novo momento da luta de classes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As burguesias e os imperialistas sabem que a combina\u00e7\u00e3o de crise econ\u00f4mica com a luta de trabalhadores pode colocar em xeque todo o mecanismo de funcionamento do capitalismo. Por isso deter esse ascenso e retomar o controle da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal desafio para os capitalistas no pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial tem v\u00e1rios pontos fr\u00e1geis (aus\u00eancia do proletariado industrial, um n\u00edvel de consci\u00eancia de classe muito baixo, etc.), mas \u00e9, sem d\u00favida, um importante momento para a solidariedade entre os trabalhadores em luta. Al\u00e9m disso, abre possibilidades, in\u00e9ditas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, para a esquerda revolucion\u00e1ria agitar as bandeiras do socialismo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num cen\u00e1rio de aprofundamento da crise o desenvolvimento da consci\u00eancia dos trabalhadores \u00e9 decisivo, pois significa a possibilidade de que a classe oper\u00e1ria apresente uma sa\u00edda para a crise a partir dos interesses e necessidades dos trabalhadores e explorados.<\/p>\n<ul>\n<li>Solidariedade e apoio aos trabalhadores em luta no mundo! Pela internacionaliza\u00e7\u00e3o e unidade na luta da classe trabalhadora!<\/li>\n<li>Abaixo os v\u00e1rios governos espalhados pelo mundo que adotam pr\u00e1ticas fascistas contra os trabalhadores!<\/li>\n<li>Contra o assassinato de ativistas promovidos pela burguesia!<\/li>\n<li>Contra repress\u00e3o aos movimentos sociais e pol\u00edticos!<\/li>\n<li>Pela liberta\u00e7\u00e3o dos jovens ingleses e chilenos!<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">AS MUDAN\u00c7AS NO TRABALHO DI\u00c1RIO DO PROFESSOR DA ESCOLA P\u00daBLICA E AS CONSEQU\u00caNCIAS POL\u00cdTICAS E PEDAG\u00d3GICAS<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A escola p\u00fablica apresenta em seu funcionamento di\u00e1rio e no papel que deve cumprir a necessidade objetiva de reprodu\u00e7\u00e3o do contexto social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico do qual est\u00e1 inserido e que vai al\u00e9m da realidade local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa realidade, nada animadora, do cotidiano escolar que submete a forma\u00e7\u00e3o dos alunos \u00e0 hierarquiza\u00e7\u00e3o injusta do mundo do trabalho conta ainda com a escassez de recursos financeiros e t\u00e9cnicos para um funcionamento di\u00e1rio descente, pois al\u00e9m de faltar ainda funcion\u00e1rios, professores, merenda e etc., o que favorece o caos e a viol\u00eancia, transforma professores e estudantes em meros reprodutores da ordem social vigente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observar a intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o entre a crise ideol\u00f3gica de nossos dias com o trabalho pr\u00e1tico di\u00e1rio do professor nas escolas estaduais do estado de S\u00e3o Paulo torna-se necess\u00e1rio.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0AS CARACTER\u00cdSTICAS INDIVIDUAIS E SOCIAIS DO PROFESSOR<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor, bem como os indiv\u00edduos de um modo geral, carrega consigo determinadas caracter\u00edsticas humanas, as quais Lefebvre dimensiona bem: \u201cO humano \u00e9 um fato: o pensamento, o conhecimento, a raz\u00e3o e tamb\u00e9m certos sentimentos, tais como a amizade, o amor, a coragem, o sentimento de responsabilidade, o sentimento de dignidade (&#8230;)\u201d (Lefebvre, in: Marxismo, p. 38)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas caracter\u00edsticas interferem na consci\u00eancia cotidiana do professor, que ao longo da hist\u00f3ria foi responsabilizado pela inser\u00e7\u00e3o de valores morais e sociais na vida das pessoas, sendo ao mesmo tempo pressionado para ser o exemplo e o respons\u00e1vel pelo estabelecimento da harmonia social entre os indiv\u00edduos. Al\u00e9m disso, a rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre religi\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m refor\u00e7ou essa fun\u00e7\u00e3o dada ao professor ao longo dos tempos.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0A IMPORT\u00c2NCIA POL\u00cdTICA DO PROFESSOR<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papel hist\u00f3rico cumprido pelo professor permitiu que adquirisse certo respeito perante a sociedade e, de algum modo, tivesse uma influ\u00eancia pol\u00edtica expressiva, sobretudo, nas comunidades perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso fez com que as reivindica\u00e7\u00f5es dos professores caminhassem lado a lado com a luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores (por direitos sociais: sa\u00fade, moradia, educa\u00e7\u00e3o, transporte coletivo de qualidade etc.), sobretudo, nos anos 1980.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0O USO DAS CARACTER\u00cdSTICAS INDIVIDUAIS E SOCIAIS CONTRA OS PROFESSORES<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo do estado de S\u00e3o Paulo, atrav\u00e9s das sucessivas gest\u00f5es do PSDB, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 diferente dos governos do PT, PMDB, DEM, PSD, PV etc., passou a utilizar-se das caracter\u00edsticas profissionais dos professores para intensificar o trabalho, principalmente durante esse per\u00edodo de crise econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso, com a descaracteriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e pedag\u00f3gica do papel exercido pelos professores no interior das escolas implementou um projeto pedag\u00f3gico alheio \u00e0 classe trabalhadora e totalmente adaptado \u00e0 realidade da desigualdade social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o argumento de que as mudan\u00e7as aplicadas no sistema educacional implicam em mais horas de trabalho e maior qualidade, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, explora os esfor\u00e7os, a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, a bondade, a coragem, o amor, a amizade, o sentimento de responsabilidade e de dignidade do professor para impor \u201cpedagogias\u201d e projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho do professor \u2013 (contratos tempor\u00e1rios, falta de direitos trabalhistas como f\u00e9rias ou f\u00e9rias parceladas, FGTS, 13\u00ba, direito de c\u00e1tedra, etc.); fragmenta\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de intervalos; cobran\u00e7a para que executem tarefas que t\u00eam peso pol\u00edtico-pedag\u00f3gico secund\u00e1rio (Di\u00e1rios de Classe com anota\u00e7\u00f5es que nada t\u00eam a ver com a rotina di\u00e1ria da sala de aula, mas enquadrado nas exig\u00eancias burocr\u00e1ticas das Diretorias de Ensino); imposi\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico (Caderno do Aluno); acompanhamento dos intervalos dos alunos; digita\u00e7\u00e3o de notas e frequ\u00eancia dos alunos sem computadores suficientes nas escolas, etc. \u2013 aumenta-se a explora\u00e7\u00e3o do trabalho docente a fim de reduzir gastos com a Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas medidas visam arrancar o professor de sua natureza real pol\u00edtico-social-hist\u00f3rico atrav\u00e9s do dom\u00ednio de sua vida pr\u00e1tica no dia a dia da escola. Isso tudo se completa ainda com a introdu\u00e7\u00e3o de ONGs, parcerias com empres\u00e1rios e banqueiros com o intuito de favorecer uma parcela da burguesia paulista.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0A NATURALIZA\u00c7\u00c3O DA COBRAN\u00c7A E DA PRESS\u00c3O NO INTERIOR DAS ESCOLAS<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo do estado de S\u00e3o Paulo, atrav\u00e9s de seu secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o, fala em di\u00e1logo com os professores e de respeito aos espa\u00e7os democr\u00e1ticos nas escolas. No entanto, quanto mais se diz isso menos encontramos democracia no interior das escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A press\u00e3o para que os professores executem todas as determina\u00e7\u00f5es sem nenhum questionamento \u00e9 muito intensa. Qualquer recusa e simples questionamento s\u00e3o tratados como falta de compromisso, falta de vontade, de responsabilidade e s\u00e3o tachados como aqueles que n\u00e3o sabem trabalhar. Busca-se com isso que o professor seja conformado e obediente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Torna-se normal, no interior das escolas estaduais de S\u00e3o Paulo, a cobran\u00e7a e a press\u00e3o por parte de supervisores de ensino, diretores, coordenadores pedag\u00f3gicos e at\u00e9 mesmo de alguns colegas professores que passam a agir de modo individualizado em rela\u00e7\u00e3o aos problemas estruturais e a melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, a liberdade e o diferente s\u00e3o sufocados com a busca da submiss\u00e3o, da servid\u00e3o, do empobrecimento intelectual e dentro das regras oficiais, ou seja, tudo que \u00e9 alternativo n\u00e3o pode ser feito ou testado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, quanto mais o professor assume tarefas que fogem de seu papel pol\u00edtico-pedag\u00f3gico, mais se torna escravo, ref\u00e9m do atual sistema educacional, mais perde a sua liberdade de inovar, de tentar o diferente, de exercer a profiss\u00e3o, de pensar e agir intelectualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com tudo isso se procura desconfigurar a profiss\u00e3o (para desmobilizar e desmoralizar) na medida em que refor\u00e7a a pol\u00edtica de desvaloriza\u00e7\u00e3o e contribui para perda da identidade, algo t\u00e3o defendido em outras categorias de trabalhadores.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00a0A LUTA DOS PROFESSORES \u00c9 TAMB\u00c9M A LUTA DOS TRABALHADORES E SEUS FILHOS!<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, n\u00e3o podemos dizer que o professor \u00e9 culpado pela situa\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Diante da crise de alternativa ideol\u00f3gica e da press\u00e3o no interior das escolas, os professores est\u00e3o lan\u00e7ados \u00e0 pr\u00f3pria sorte, mas muitos resistem a tudo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, os sindicatos, n\u00e3o apenas dos profissionais da Educa\u00e7\u00e3o, mas de trabalhadores de um modo geral, devem pautar em seus materiais e em suas discuss\u00f5es internas, o tema da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, pois s\u00e3o os filhos dos trabalhadores que estudam na escola p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m desenvolver uma campanha de valoriza\u00e7\u00e3o da carreira e dos direitos sociais do professor, devendo envolver, sobretudo, as centrais sindicais de esquerda (Intersindical e CSP-Conlutas) e os sindicatos de suas bases.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sindicato dos professores\/APEOESP e as subsedes regionais devem empenhar-se na elabora\u00e7\u00e3o de outdoors, mensagens na m\u00eddia, cartas abertas, faixas, uso de carro de som, utiliza\u00e7\u00e3o das novas ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o como as redes sociais a fim de denunciar os reais problemas da escola p\u00fablica (viol\u00eancia, falta de investimento, corte de direitos como parcelamento de f\u00e9rias) e reivindicar a aplica\u00e7\u00e3o de 10% do PIB na Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica; a aplica\u00e7\u00e3o de 1\/3 da jornada para prepara\u00e7\u00e3o de aulas e corre\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00f5es; sal\u00e1rio inicial base DIEESE, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, a discuss\u00e3o sobre a qualidade do ensino p\u00fablico deve ir al\u00e9m da esfera de atua\u00e7\u00e3o dos professores. Os trabalhadores de um modo geral precisam participar conosco nessa luta, pois o ensino p\u00fablico deve tratar e defender exclusivamente os interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos construir e fortalecer os v\u00ednculos coletivos no interior das escolas a partir de demandas concretas, realizando reuni\u00f5es e atividades que discutam formas de resist\u00eancia e que busquem ao mesmo tempo uma rela\u00e7\u00e3o construtiva com pais e alunos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa rela\u00e7\u00e3o com os pais e alunos deve fortalecer a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nos \u00f3rg\u00e3os colegiados dentro das escolas (Conselho de Escola, APM e Gr\u00eamio Estudantil).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, \u00e9 importante desenvolvermos continuamente entre n\u00f3s e a comunidade escolar a consci\u00eancia da possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de uma outra sociedade, fraterna e sem desigualdades sociais em que a Educa\u00e7\u00e3o sirva para desenvolver as potencialidades humanas e favorecer o que cada um tem de melhor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O ROCK ERROU: DE WOODSTOCK AO ROCK IN RIO<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMeus her\u00f3is morreram de overdose! Meus inimigos est\u00e3o no poder!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cazuza, \u201cIdeologia\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Entre os dias 23 de setembro e 2 de outubro acontece no Rio de Janeiro o \u201cRock in Rio\u201d, que se propagandeia como \u201co maior festival de m\u00fasica e entretenimento do mundo\u201d. A edi\u00e7\u00e3o de 2011 \u00e9 a 4\u00aa que acontece no Brasil (depois daquelas de 1985, 1991 e 2001), mas \u00e9 a 10\u00aa no total, pois houve outras seis edi\u00e7\u00f5es, sendo quatro em Portugal (2004, 2006, 2008 e 2010) e duas na Espanha (2008 e 2010). Ou seja, j\u00e1 tivemos v\u00e1rias vezes o \u201cRock in Rio\u201d fora do Rio, pois se trata de uma franquia, uma marca comercial. Os organizadores do festival assumem o seu car\u00e1ter comercial sem o menor constrangimento: \u201co Rock in Rio sempre buscou o pioneirismo em seu modelo de neg\u00f3cios\u201d (http:\/\/www.rockinrio.com.br\/pt\/rock-in-rio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pioneirismo talvez esteja em colocar Cl\u00e1udia Leitte, Ivete Sangalo e Rihana num festival de rock (curiosamente, ningu\u00e9m pensa em convidar o Metallica para o carnaval&#8230;). Grande contraste com o festival original, de 1985, que teve como atra\u00e7\u00f5es nomes de peso como AC\/DC, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Queen, Scorpions, White Snake e Yes. Mas o maior contraste est\u00e1 no fato de que em 1985 o pa\u00eds e sua juventude comemoravam o fim da ditadura, com esperan\u00e7as na democracia, e Cazuza cantava: \u201cIdeologia! Eu quero uma para viver!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em se tratando de ideologia, o \u201cRock in Rio\u201d 2011 reproduz o mote dos anos anteriores: \u201cPor um Mundo Melhor\u201d, para dar a entender que n\u00e3o se trata de simples com\u00e9rcio e sim de um evento \u201cengajado\u201d em alguma \u201ccausa\u201d. E os organizadores explicam que est\u00e3o \u201cvisando uma atua\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e socialmente respons\u00e1vel\u201d, para deixar todos com a consci\u00eancia tranquila de que os jovens est\u00e3o preocupados com o futuro do planeta. Mas ningu\u00e9m questiona o que significa na pr\u00e1tica esse mundo melhor, pois basta propagar vagas preocupa\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e filantr\u00f3picas. Na ess\u00eancia, trata-se de uma celebra\u00e7\u00e3o do mundo tal como ele \u00e9 hoje, de uma vida despolitizada, ap\u00e1tica, indiferente, consumista, imediatista, conservadora, ignorante, subjetivamente pobre, alco\u00f3latra, drogadita, sexualmente miser\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o mundo pode ser melhor sem a aboli\u00e7\u00e3o do capitalismo, da explora\u00e7\u00e3o, da aliena\u00e7\u00e3o, da opress\u00e3o, do Estado, da guerra, da viol\u00eancia, do preconceito, da mis\u00e9ria, da fome, das doen\u00e7as, da ignor\u00e2ncia, em que vive a maioria da humanidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o \u201cRock in Rio\u201d 2011 \u00e9 uma pat\u00e9tica imita\u00e7\u00e3o do festival de 1985, que dizer ent\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o com o lend\u00e1rio Woodstock? At\u00e9 hoje considerado o maior festival de rock da hist\u00f3ria, Woodstock aconteceu entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969 na \u00e1rea rural do estado de Nova York, entre as cidades de Bethel e Woodstock. Inicialmente, o festival tamb\u00e9m foi projetado como evento comercial, pois tamb\u00e9m foram vendidos quase 200 mil ingressos. Entretanto, com a aproxima\u00e7\u00e3o do evento, 500 mil pessoas ocuparam o local, transformando-o num festival gratuito e numa gigantesca celebra\u00e7\u00e3o dos ideais da juventude daquela \u00e9poca, a paz e o amor. Entre os mais conhecidos apresentaram-se Joan Baez, Santana, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker, Crosby, Stills, Nash &amp; Young, e por \u00faltimo, num hist\u00f3rico ato de encerramento e de protesto, Jimi Hendrix, que tocou o hino nacional estadunidense na guitarra, entremeando o som de bombas caindo no Vietn\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os mais puristas, Woodstock j\u00e1 era uma deturpa\u00e7\u00e3o da contracultura, cuja verdadeira celebra\u00e7\u00e3o aconteceu dois anos antes, no ainda mais lend\u00e1rio festival de Monterey, na Calif\u00f3rnia, entre 16 e 18 de junho de 1967, com apresenta\u00e7\u00f5es simplesmente antol\u00f3gicas de The Mamas &amp; the Papas, Jefferson Airplane, Janis Joplin ent\u00e3o vivendo seu auge, The Who quebrando o palco e Jimi Hendrix literalmente tocando fogo na guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais importante do que determinar quem foi melhor, Woodstock ou Monterey, o fundamental \u00e9 que a juventude daquela \u00e9poca, assim como seguia os astros do rock nos shows e festivais, seguia Che Guevara e as lutas do 3\u00ba mundo, seguia os pacifistas nos protestos contra a guerra do Vietn\u00e3, seguia os Panteras Negras na luta pelos direitos civis dos negros, seguia as militantes feministas, seguia os homossexuais de Stonewall.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A juventude queria mudar o mundo e lutava para isso, mudando sua pr\u00f3pria vida, negando-se a aceitar o mundo do capitalismo consumista (e em escala mundial, negando tamb\u00e9m o \u201csocialismo\u201d dos Estados burocr\u00e1ticos da URSS e sat\u00e9lites, vide a primavera de Praga em 1968). O sexo, drogas e rock n&#8217; roll n\u00e3o era apenas marketing, era uma aposta real num mundo mais humano. \u201cFa\u00e7a amor, n\u00e3o fa\u00e7a guerra\u201d era uma palavra de ordem revolucion\u00e1ria naqueles dias de Guerra Fria e luta contra a repress\u00e3o sexual. \u00c9 por isso que a m\u00fasica e os artistas daquela \u00e9poca permanecem cultuados at\u00e9 hoje, pois o que cantavam tinha coer\u00eancia com o que viviam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A contracultura acabou naufragando, e o rock errou, perdeu sua ess\u00eancia. O rock n\u00e3o \u00e9 o gesto de tocar guitarra com um cabelo ou roupa diferente (coisa que qualquer boneco montado pela ind\u00fastria musical pode imitar, vide os Restart e coisas do tipo), o rock \u00e9 uma atitude perante a vida, o que tem sido raro no meio art\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas isso pode mudar, pois os jovens de todo o mundo continuam aspirando a uma vida aut\u00eantica. Novas gera\u00e7\u00f5es se levantam hoje na Europa e nos pa\u00edses \u00e1rabes, indignados, \u00e0 procura dos novos Che Guevaras e dos novos Jimi Hendrix, e como Cazuza, \u00e0 espera de uma ideologia, que ponha fim \u00e0 crise da alternativa socialista, e construa, pela luta e pelo amor, um mundo realmente melhor, um mundo socialista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PS. 1 Woodstock tamb\u00e9m virou franquia, pois outras duas edi\u00e7\u00f5es t\u00e3o insignificantes quanto os \u201cRock in Rio\u201d fabricados em s\u00e9rie aconteceram em 1994 e 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h3><b><span style=\"font-size: 23.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Swiss911 XCm BT','sans-serif'; mso-bidi-font-family: 'Swiss911 XCm BT'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; color: red;\">Problemas no crescimento da economia brasileira<\/span><\/b><\/h3>\n<h3><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00a0<\/span><\/h3>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">J\u00e1 alertamos em outras edi\u00e7\u00f5es que o atual crescimento da economia brasileira \u00e9 muito problem\u00e1tico, pois baseia-se em fatores conflitantes e que preparam uma crise maior num prazo n\u00e3o muito distante:<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">a) endividamento cada vez maior das fam\u00edlias, das empresas e do Estado.<\/span><\/b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; Garamond;\"> O consumo atual \u00e9 em grande medida baseado no cr\u00e9dito (leia-se endividamento). Se o endividamento parasse de crescer, o pa\u00eds cairia imediatamente em recess\u00e3o. Isso porque n\u00e3o h\u00e1 mercado de consumo interno real que sustente a atual expans\u00e3o. Esse n\u00e3o \u00e9 um problema do Brasil, mas mundial.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Cada empresa, em competi\u00e7\u00e3o com as demais, necessita aumentar ao m\u00e1ximo a explora\u00e7\u00e3o sobre os seus trabalhadores, reduzindo custos com a m\u00e3o de obra. Mas ao fazerem isso, inevitavelmente provocam a estagna\u00e7\u00e3o\/redu\u00e7\u00e3o dos mercados consumidores reais de que o pr\u00f3prio capital necessita para absorver a massa crescente de mercadorias produzidas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">A tend\u00eancia geral \u00e9 de capacidades de produ\u00e7\u00e3o cada vez maiores versus mercados consumidores reais em contra\u00e7\u00e3o. A \u00fanica forma de remediar essa situa\u00e7\u00e3o, e apenas por um certo tempo, \u00e9 o recurso ao cr\u00e9dito. Os pa\u00edses centrais j\u00e1 fizeram isso (com as consequ\u00eancias conhecidas) e agora recomendam a mesma estrat\u00e9gia para os pa\u00edses dominados, os chamados \u201cemergentes\u201d.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">No Brasil, o endividamento j\u00e1 ultrapassou os 50% do PIB e continua crescendo rapidamente. Preocupado, o governo tem adotado medidas para frear o ritmo desse endividamento massivo, mas n\u00e3o tem como resolver esse problema, pois a hipertrofia do cr\u00e9dito tornou-se um componente org\u00e2nico, necess\u00e1rio, nas v\u00e1rias economias do mundo.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">O Estado tem sido o credor maior, embora seja ironicamente o maior endividado (ver dados abaixo). A grande massa de d\u00f3lares que tem entrado no pa\u00eds, desde a irrup\u00e7\u00e3o da crise tamb\u00e9m financia\u00a0 o crescimento desse bolo.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">A maioria desse capital externo busca rendimentos, seguran\u00e7a e liquidez (possibilidade de resgate r\u00e1pido das aplica\u00e7\u00f5es). Da\u00ed sua prefer\u00eancia pelos t\u00edtulos da D\u00edvida P\u00fablica brasileira e empr\u00e9stimos junto aos bancos, mediante garantias s\u00f3lidas de pagamento. Uma outra parte \u00e9 investida em projetos produtivos que t\u00eam recebido amplas garantias por parte do Estado, como as obras do PAC ou ind\u00fastrias com isen\u00e7\u00e3o quase total de impostos.<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">b)<\/span><\/b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; Garamond;\"> Outro elemento que tem mantido a economia em crescimento \u00e9 a<b> exporta\u00e7\u00e3o das chamadas <i>commodities<\/i><\/b> (mat\u00e9rias-primas e alimentos). Encaixa-se a\u00ed a explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-Sal. Esse setor tem passado por um <i>boom<\/i>, aproveitando-se dos altos pre\u00e7os dessas mercadorias no mercado mundial. Mas esse fator \u00e9 fortemente dependente do mercado externo e pode sofrer recuos, a partir dos sinais de diminui\u00e7\u00e3o do crescimento da economia mundial, j\u00e1 vis\u00edveis.<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">c)<\/span><\/b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; Garamond;\"> H\u00e1 tamb\u00e9m os <b>investimentos no setor de servi\u00e7os com a realiza\u00e7\u00e3o da Copa e das Olimp\u00edadas<\/b>, mas os efeitos de crescimento trazidos por esses megaeventos s\u00e3o tempor\u00e1rios. Al\u00e9m disso, n\u00e3o compensam de forma alguma o investimento feito pelo Estado na constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios e estruturas para a sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">d)<\/span><\/b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; Garamond;\"> Por\u00e9m, <b>o fator mais importante e ao mesmo tempo mais encoberto nesse processo tem sido o constante ataque sobre os trabalhadores,<\/b> com a imposi\u00e7\u00e3o de mais tarefas, ritmos e jornadas extenuantes de trabalho, al\u00e9m das perdas provocadas pela infla\u00e7\u00e3o crescente.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">A burguesia procura de todas as formas aumentar a explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores de conjunto. Esse ataque permanente n\u00e3o poderia ser imposto sem a <b>colabora\u00e7\u00e3o dos partidos e centrais governistas<\/b>, que a partir do governo, mas tamb\u00e9m no interior dos v\u00e1rios movimentos e entidades, defendem e ap\u00f3iam a ideologia burguesa de que para os trabalhadores terem migalhas, os patr\u00f5es t\u00eam que ganhar bilh\u00f5es. Dizem que a \u00fanica forma de gerar empregos e melhores sal\u00e1rios \u00e9 dando todas as condi\u00e7\u00f5es para o capital se valorizar. Ao cumprir esse papel de gerente dos interesses do capital, as burocracias do PT, CUT, CTB e For\u00e7a Sindical buscam assegurar para si uma parte maior de poder e privil\u00e9gios.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Mas a realidade vai mostrando sinais de que as coisas n\u00e3o s\u00e3o como querem nos fazer acreditar.\u00a0\u00a0 Por mais que tenham acumulado lucros nesses anos de crescimento, agora a burguesia e o Estado\u00a0 mostram seus dentes de raiva ao menor movimento de reivindica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, querendo impedir de todas as formas que tenham ao menos uma parte dos sal\u00e1rios ou direitos recuperados.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Acirram o discurso defendendo mais cortes nos investimentos sociais, reformas trabalhista e previdenci\u00e1ria, tudo para que sobre mais dinheiro para a burguesia atrav\u00e9s de isen\u00e7\u00f5es de impostos, empr\u00e9stimos e obras de interesses dos empres\u00e1rios, enfim, intensificam os ataques aos trabalhadores.<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.5pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Arial','sans-serif'; font-variant: small-caps; color: red; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.5pt;\">O endurecimento da patronal e do regime como um todo<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Desde o in\u00edcio do governo Dilma, j\u00e1 se fazem notar problemas e desequil\u00edbrios no modelo econ\u00f4mico vigente no pa\u00eds. Ao mesmo tempo, a postura da burguesia e do governo \u00e9 de um maior endurecimento contra os trabalhadores e suas lutas. Isso ficou patente no tratamento dado \u00e0s greves dos transportes, dos professores e dos bombeiros, para citar apenas algumas. Foram reprimidas com dureza pelos governos e com interven\u00e7\u00e3o dos tribunais no sentido de derrotar\/inviabilizar esses movimentos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">A partir de agora, tudo aponta para uma situa\u00e7\u00e3o ainda mais polarizada, a partir das oscila\u00e7\u00f5es da economia mundial nas \u00faltimas semanas e que sinalizam a possibilidade de uma estagna\u00e7\u00e3o ou recess\u00e3o mundial num prazo menor do que se previa.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt;\">No Brasil, temos visto a redu\u00e7\u00e3o do crescimento industrial e da gera\u00e7\u00e3o de empregos. Em julho, foram gerados 140.563 empregos, n\u00famero 22,6% menor do que o verificado no mesmo m\u00eas do ano passado. O n\u00famero tamb\u00e9m \u00e9 35% inferior ao registrado em junho passado, quando foram geradas 215.393 mil vagas. <i>(<\/i><\/span><span class=\"MsoHyperlink\"><i><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif;\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br)<\/span><\/i><\/span><i><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">. <\/span><\/i><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt;\">A D\u00edvida P\u00fablica (interna e externa) segue aumentando. Mesmo o governo tendo cortado R$ 50 bilh\u00f5es no or\u00e7amento no in\u00edcio deste ano, a d\u00edvida p\u00fablica federal reconhecida oficialmente subiu 6,55%, atingindo R$ 1,8 trilh\u00e3o <i>(<\/i><a href=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/\"><span style=\"color: black; mso-style-textfill-fill-color: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; black; mso-style-textfill-fill-alpha: 100.0%;\">http:\/\/www.correio24horas.com.br<\/span><\/a><\/span><span class=\"MsoHyperlink\"><i><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif;\">)<\/span><\/i><\/span><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">. Por tr\u00e1s desse crescimento da D\u00edvida est\u00e1 o pagamento de 78,2 bilh\u00f5es de juros aos agiotas s\u00f3 no primeiro semestre. O pagamento desses juros, somado aos aportes do tesouro ao BNDES levou o Estado a se endividar ainda mais.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Outro sinal das dificuldades crescentes na economia foi a cria\u00e7\u00e3o pelo governo de um pacote de R$25 bilh\u00f5es em obras, isen\u00e7\u00f5es e empr\u00e9stimos aos empres\u00e1rios. At\u00e9 2016 est\u00e3o mantidas as isen\u00e7\u00f5es de IPI sobre os autom\u00f3veis.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Com isso, concretiza-se o que advert\u00edamos no jornais anteriores, de que o governo j\u00e1 vem realizando a reforma tribut\u00e1ria aos poucos ao tornar irrevers\u00edveis as isen\u00e7\u00f5es de impostos aos empres\u00e1rios e ao mesmo tempo apresent\u00e1-las como a \u00fanica forma de manter a produ\u00e7\u00e3o e os empregos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif;\">Para atender a essa pol\u00edtica geral, est\u00e1 circulando na C\u00e2mara dos Deputados o PLP 549\/09, projeto que na pr\u00e1tica congela os sal\u00e1rios, aposentadorias e pens\u00f5es da Uni\u00e3o por dez anos, ignorando todas as perdas acumuladas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Por consequ\u00eancia, neste segundo semestre as lutas e campanhas salariais ser\u00e3o mais duras que as do ano passado. \u00c9 fundamental trabalhar com esse cen\u00e1rio para buscar formas de unidade e mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e0 altura dos desafios, caso contr\u00e1rio os trabalhadores podem sofrer grandes derrotas, pois tanto a patronal quanto o governo v\u00e3o tentar manter e at\u00e9 aprofundar o padr\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o vigente, a fim de garantir a lucratividade exigida pelo sistema.<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; font-variant: small-caps; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; color: red; mso-font-kerning: 11.5pt;\">Impulsionar as lutas, a consci\u00eancia e a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Evidentemente, trata-se de impulsionar a fundo as campanhas salariais e todos os tipos de luta por condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, pelo investimento de 10% do PIB na Educa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m as lutas de setores precarizados e da juventude, que sofrem um n\u00edvel alt\u00edssimo de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Nesse sentido, s\u00e3o v\u00e1lidas e importantes as iniciativas como a recente Jornada de Lutas e a Marcha a Bras\u00edlia realizada em agosto, como uma a\u00e7\u00e3o para juntar movimentos e sindicatos e mostrar for\u00e7a frente ao governo, retomando uma pol\u00edtica de unidade dos movimentos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Mas a participa\u00e7\u00e3o socialista nessas lutas deve estar a servi\u00e7o de um objetivo maior: o de formar uma nova consci\u00eancia e organismos de base sustent\u00e1veis, ajudar a classe a formar a sua subjetividade, de modo que esta possa acumular em consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o, ganhando ou perdendo as lutas imediatas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Nesse contexto, \u00e9 preciso todo um trabalho de cr\u00edtica e den\u00fancia, uma verdadeira campanha de massas que revele e explique aos trabalhadores os v\u00e1rios aspectos problem\u00e1ticos do modelo de explora\u00e7\u00e3o montado no Brasil, aspectos escondidos pela m\u00eddia burguesa.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00c9 preciso frisar que esse modelo econ\u00f4mico pode at\u00e9 propiciar alguns ganhos moment\u00e2neos para uma parte dos trabalhadores, mas ao mesmo tempo est\u00e1 agravando os problemas estruturais que logo trar\u00e3o consequ\u00eancias cru\u00e9is para a classe trabalhadora como um todo.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Infelizmente, as centrais e blocos de esquerda como a CSP- Conlutas (hegemonizada pelo PSTU) e a Intersindical (pelo PSOL),\u00a0 de forma geral,\u00a0 limitam-se a uma atua\u00e7\u00e3o imediatista e fragment\u00e1ria, que combate aspectos parciais da realidade, mas n\u00e3o a sua totalidade. Al\u00e9m disso, pecam ao cair no economicismo.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Um exemplo est\u00e1 no Relat\u00f3rio da Reuni\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o da Conlutas de 5,6 e 7 de agosto em BH, em que apresenta o lema para as campanhas salariais do 2\u00ba semestre: <i>&#8220;Se o Brasil cresceu, trabalhador quer o seu!&#8221;<\/i><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">O problema desse lema \u00e9 que nele est\u00e1 subentendido que: &#8220;desde que o trabalhador leve o seu, est\u00e1 tudo bem com o crescimento do Brasil&#8221;. Ou seja, n\u00e3o questiona o ritmo da explora\u00e7\u00e3o, a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, a piora das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, etc. E mais profundamente, esse lema implicitamente admite que n\u00e3o haveria nada de errado com o projeto em curso no pa\u00eds, aplicado pela burguesia, o governo e a burocracia, desde que os trabalhadores tivessem uma parte maior. \u00a0\u00a0 Omite-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 divis\u00e3o de classes na sociedade, ou seja, ao fato de que os trabalhadores e os patr\u00f5es t\u00eam interesses opostos, pois n\u00e3o questiona o lucro dos capitalistas e o trabalho assalariado.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Esse tipo de atua\u00e7\u00e3o limitada pouco contribui para elevar o n\u00edvel de consci\u00eancia dos trabalhadores, deixando-os \u00e0 merc\u00ea da ideologia burguesa. Por responsabilidade de suas dire\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias (PSTU e PSOL), t\u00eam faltado esse trabalho mais pol\u00edtico e ideol\u00f3gico junto aos trabalhadores. Isso se expressa no fato de que n\u00e3o tem havido materiais sistem\u00e1ticos da central para serem distribu\u00eddos nas f\u00e1bricas, universidades e esta\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 um trabalho com carros de som nos bairros, cartazes, campanhas pela internet,etc.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Defendemos uma atua\u00e7\u00e3o que combine o impulso \u00e0s lutas imediatas com a luta constante pela constru\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da consci\u00eancia socialista da classe trabalhadora e de seus organismos de luta!\u00a0 <\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; font-variant: small-caps; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; color: red; mso-font-kerning: 11.5pt;\">Unidade deve ser para lutar e pela base!<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Essa concep\u00e7\u00e3o traz tamb\u00e9m o problema de que embora todos falem em unidade, cada corrente s\u00f3 aceita a unidade sob sua dire\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o como uma necessidade pr\u00e1tica para a luta e reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, uma necessidade n\u00e3o apenas para lutar pelos interesses imediatos, mas sobretudo para que os trabalhadores possam construir seus organismos de luta e apresentar ao conjunto dos explorados e oprimidos uma alternativa de poder e de sociedade.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Sem essa vis\u00e3o mais profunda, temos visto a esquerda se debater e se digladiar sem conseguir se unificar nem sequer em n\u00edvel de vanguarda, como mostrou-se com a fal\u00eancia do CONCLAT em 2010. A politiza\u00e7\u00e3o e a unidade pela base \u00e9 uma necessidade tamb\u00e9m para que as lutas possam ter chance de vencer a barreira montada em conjunto pela burguesia, governo e dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas da CUT, For\u00e7a Sindical e CTB.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Mas a unidade deve ser para somar, n\u00e3o para enfraquecer e confundir. \u00c9 preciso apostar na constru\u00e7\u00e3o de uma identidade classista da esquerda junto aos trabalhadores pois hoje em dia h\u00e1 muita confus\u00e3o, fruto de todas as trai\u00e7\u00f5es que houve por parte do PT e da CUT e CTB. Esse assunto \u00e9 pol\u00eamico pois temos visto cada vez mais o PSTU propor f\u00f3runs, campanhas e at\u00e9 chapas com setores governistas. Isso tem levado a uma confus\u00e3o junto aos ativistas pois, se estamos em lados opostos, como podemos ficar o tempo todo chamando eles para participar juntos em f\u00f3runs, campanhas e chapas?<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">De fato, temos v\u00e1rias reservas quanto \u00e0 forma gen\u00e9rica e permanente com que o PSTU faz esse chamado \u00e0 unidade com setores pelegos e governistas. Entendemos que o crit\u00e9rio objetivo para qualquer unidade de a\u00e7\u00e3o deve ser o da luta concreta. Se houver situa\u00e7\u00f5es em que setores governistas \u2013 por press\u00e3o de suas bases \u2013 estejam efetivamente (n\u00e3o apenas no discurso) encaminhando lutas, ent\u00e3o a unidade \u00e9 necess\u00e1ria e produtiva, desde que, ao mesmo tempo, se mantenha total independ\u00eancia pol\u00edtica frente a eles. Mas se esses setores n\u00e3o estiverem de fato encaminhando lutas, apenas discursos, declara\u00e7\u00f5es gerais de inten\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo em que t\u00eam uma pr\u00e1tica contr\u00e1ria de jogar contra as lutas, ent\u00e3o \u00e9 um erro insistir, como tem feito o PSTU, em\u00a0 f\u00f3runs ou unidades artificiais e superestruturais com setores governistas (CUT, CTB) em nome de reivindica\u00e7\u00f5es e bandeiras gen\u00e9ricas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Essa pol\u00edtica gen\u00e9rica e permanente de unidade-quase-frente com setores governistas gera confus\u00e3o junto \u00e0 classe trabalhadora e s\u00f3 ajuda \u00e0 pr\u00f3pria burocracia, pois d\u00e1 um verniz de esquerda a essas dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e pr\u00f3-patronais que usam isso para posarem de esquerda e com isso cumprir melhor o papel de desviar ou mesmo impedir que as lutas ocorram de fato.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00c9 preciso cada vez mais demarcar um campo pr\u00f3prio dos trabalhadores, apostar a fundo na unidade com os setores de luta e antigovernistas no sentido de construir uma alternativa pol\u00edtica e de poder dos trabalhadores para o pa\u00eds.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Al\u00e9m disso a unidade que devemos priorizar e desenvolver deve ser a unidade cada vez mais pela base, indo al\u00e9m das pr\u00f3prias correntes organizadas, incorporando tamb\u00e9m os v\u00e1rios ativistas independentes. Nesse sentido, reafirmamos a proposta de que tanto a CSP-Conlutas quanto a Intersindical convoquem e organizem um <b>Encontro Nacional de Ativistas <\/b>para discutir e aprovar um calend\u00e1rio de lutas, um programa m\u00ednimo unit\u00e1rio e retomar a discuss\u00e3o sobre uma Nova Central de luta dos trabalhadores.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<h3><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\"><a name=\"titulo2\"><\/a>A CRISE DO ENDIVIDAMENTO NOS ESTADOS UNIDOS<\/span><\/b><\/h3>\n<h3><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\"><a name=\"t_tulo2\"><\/a>\u00a0<\/span><\/b><\/h3>\n<h3><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-variant: small-caps; color: red; mso-font-kerning: 11.0pt;\">A vota\u00e7\u00e3o do teto da d\u00edvida nos Estados Unidos<\/span><\/b><\/h3>\n<div><a name=\"yui_3_2_0_5_1313970657245109\"><\/a><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">No final de julho e in\u00edcio de agosto, o mundo acompanhou o constrangedor espet\u00e1culo da maior pot\u00eancia mundial, os Estados Unidos, enfrentando s\u00e9rias dificuldades para pagar suas d\u00edvidas de curto prazo. Foi preciso uma autoriza\u00e7\u00e3o do congresso para que o governo pudesse aumentar o limite de endividamento para mais de 100% do PIB (Produto Interno Bruto, total dos produtos e servi\u00e7os produzidos pelo pa\u00eds em um ano, hoje em torno de US$ 14 trilh\u00f5es). Ou seja, o governo emitiu mais t\u00edtulos (mais d\u00edvida) com vencimento no futuro, para conseguir pagar os t\u00edtulos da d\u00edvida passada, pr\u00f3ximos de vencer. Na pr\u00e1tica, isso significa que os Estados Unidos n\u00e3o conseguiram pagar suas d\u00edvidas, pois tiveram que aumentar o limite do \u201ccheque especial\u201d. Ou seja, o problema foi apenas jogado para frente, como sempre.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">O expediente de aumentar indefinidamente o endividamento \u00e9 praticamente uma rotina para todos os Estados capitalistas, desde quando foi desenvolvido em meados do s\u00e9culo XX, como forma de superar a Grande Depress\u00e3o dos anos 1930 (juntamente com a guerra). A novidade no caso presente foi a extrema dificuldade do processo de negocia\u00e7\u00e3o da autoriza\u00e7\u00e3o. O congresso de maioria republicana imp\u00f4s um violento desgaste \u00e0 administra\u00e7\u00e3o Obama, erodindo o que restava da sua popularidade. Para aprovar o aumento do endividamento, o congresso exigiu colossais cortes no or\u00e7amento como garantia de que o governo equilibrar\u00e1 suas contas, afetando especialmente os servi\u00e7os p\u00fablicos. Naturalmente, os republicanos buscaram excluir os gastos militares (US$ 739 bilh\u00f5es por ano) da lista de cortes e tamb\u00e9m impediram que o governo aumentasse os impostos dos ricos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-variant: small-caps; color: red; mso-font-kerning: 11.0pt;\">As consequ\u00eancias sociais do acordo<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Os cortes no or\u00e7amento (US$ 2,7 trilh\u00f5es) v\u00e3o afetar pesadamente a classe trabalhadora estadunidense, que j\u00e1 convive com alto desemprego (o \u00edndice oficial \u00e9 de 9,2%, mas o desemprego oculto por desalento, trabalho parcial, etc., deve elevar essa taxa a quase o dobro) e queda nos sal\u00e1rios e benef\u00edcios. Ser\u00e3o brutalmente reduzidas as despesas com as aposentadorias, as pens\u00f5es para idosos e deficientes, o seguro desemprego, os subs\u00eddios agr\u00edcolas, a alimenta\u00e7\u00e3o para os indigentes, a assist\u00eancia m\u00e9dica (Medicare e Medicaid, programas que atendem mais de 50 milh\u00f5es de idosos e pobres), os programas habitacionais e os servi\u00e7os p\u00fablicos em geral, cujos funcion\u00e1rios, desde professores a bombeiros, est\u00e3o sendo demitidos em massa nos estados e munic\u00edpios, gestando uma verdadeira hecatombe social. Enquanto isso, os lucros bilion\u00e1rios dos banqueiros e especuladores est\u00e3o sendo garantidos pelo governo Obama. <\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">As consequ\u00eancias futuras do atual corte de gastos v\u00e3o apenas agravar um cen\u00e1rio econ\u00f4mico j\u00e1 bastante deteriorado. Os n\u00fameros da economia divulgados em meados do ano referentes ao PIB, emprego, sal\u00e1rios, consumo, investimento, etc., mostram que a chamada \u201crecupera\u00e7\u00e3o\u201d iniciada em 2009, quando houve crescimento de 3,9% do PIB apesar do alto desemprego, est\u00e1 se transformando em uma estagna\u00e7\u00e3o em torno de 1,5%, sem recupera\u00e7\u00e3o do emprego (\u201cSharp fall in consumer spending, manufacturing in US\u201d, WSWS, 03.08.2011). Tornou-se rotina revisar para baixo os n\u00fameros do PIB dos semestres passados, mostrando que aquilo que havia sido divulgado como crescimento era pura maquiagem para animar os mercados.<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-variant: small-caps; color: red; mso-font-kerning: 11.0pt;\">O mercado continua insatisfeito<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Mesmo que o aumento do teto tenha sido afinal aprovado no congresso, o estrago no mercado financeiro j\u00e1 estava feito. A S<i>tandard &amp; Poor&#8217;s<\/i>, ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco (que elabora uma esp\u00e9cie de \u201cranking\u201d da confiabilidade e lucratividade de todos os pap\u00e9is p\u00fablicos e privados em negocia\u00e7\u00e3o nos mercados financeiros), rebaixou a nota dos t\u00edtulos p\u00fablicos estadunidenses. Segundo a S&amp;P, os cortes no or\u00e7amento teriam que ser de at\u00e9 US$ 4 trilh\u00f5es para satisfazer o mercado, de quem a ag\u00eancia se arvora em representante. Por mais que os crit\u00e9rios da <i>S&amp;P <\/i>e das outras ag\u00eancias <i>Moodys<\/i> e <i>Fitch <\/i>sejam arbitr\u00e1rios ou no m\u00ednimo pouco transparentes, essas institui\u00e7\u00f5es possuem um poder gigantesco num mundo cada vez mais controlado pelo mercado financeiro. O rebaixamento dos t\u00edtulos estadunidenses est\u00e1 sendo comparado \u00e0 quebra do padr\u00e3o d\u00f3lar-ouro em 1971, quando o governo Nixon assumiu que n\u00e3o tinha ouro suficiente para lastrear o d\u00f3lar. Agora, o governo assume que n\u00e3o tem d\u00f3lares suficientes para pagar seus t\u00edtulos&#8230;<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">O simples temor de que os Estados Unidos dessem um calote em sua d\u00edvida provocou um pequeno terremoto nas finan\u00e7as internacionais e ressuscitou os fantasmas de uma volta \u00e0 recess\u00e3o. Isso fez as bolsas de valores do mundo inteiro ca\u00edrem nas semanas seguintes. O <i>Bank of America,<\/i> maior banco comercial dos Estados Unidos, viu suas a\u00e7\u00f5es ca\u00edrem 20% (<i>ALAI, 08\/08\/2011<\/i>). \u00cdndices como o <i>Dow Jones, NASDAQ<\/i> e <i>S&amp;P 500<\/i> experimentaram as piores quedas desde 2008. Esse fen\u00f4meno revela o grau de artificialidade em que se move a economia capitalista atual. <\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-variant: small-caps; color: red; mso-font-kerning: 11.0pt;\">A artificialidade do capitalismo<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Ao contr\u00e1rio do que dizem os economistas vulgares (burgueses), n\u00e3o existe separa\u00e7\u00e3o entre \u201ceconomia real\u201d e \u201ceconomia virtual\u201d. A dificuldade do sistema para realizar a mais valia (que \u00e9 gerada na esfera da produ\u00e7\u00e3o, ou seja, na \u201ceconomia real\u201d) tem sido contornada por mecanismos artificiais de gera\u00e7\u00e3o de capital fict\u00edcio na esfera da circula\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da especula\u00e7\u00e3o com pap\u00e9is (como se fosse poss\u00edvel gerar valor a partir do dinheiro, e n\u00e3o o contr\u00e1rio). O \u201candaime\u201d que sustenta esse capital fict\u00edcio \u00e9 precisamente o d\u00f3lar. Os banqueiros e especuladores confiam que o governo estadunidense sempre estar\u00e1 l\u00e1 para socorr\u00ea-los com caminh\u00f5es de d\u00f3lares. Uma recente auditoria descobriu que, desde 2007, in\u00edcio da crise financeira, at\u00e9 meados de 2010, 16 trilh\u00f5es de d\u00f3lares foram emitidos apenas pelo FED (Banco Central estadunidense) para resgatar os especuladores. Ou seja, o FED, que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o independente do governo, contraiu uma d\u00edvida maior do que a d\u00edvida do governo da Uni\u00e3o e o pr\u00f3prio PIB do pa\u00eds! (<i>Atilio Bor\u00f3n, Correio da Cidadania, 03 de Agosto de 2011<\/i>)<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">O governo absorveu para si, direta ou indiretamente, as d\u00edvidas dos especuladores privados, transformando-os em t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica. Os t\u00edtulos do tesouro estadunidense s\u00e3o considerados o investimento mais seguro do mundo, exatamente porque, at\u00e9 agora em 2011, nunca na hist\u00f3ria se cogitou na possibilidade de um calote. Os pacotes de salvamento desde a crise de 2008-2009 foram justamente o que fez aumentar tremendamente o endividamento p\u00fablico, que levou \u00e0 atual crise. Se os t\u00edtulos estadunidenses perdessem valor, por conta da possibilidade de calote, isso arrastaria junto o valor do d\u00f3lar, pois o lastro da moeda estadunidense \u00e9 a confian\u00e7a em que o governo do pa\u00eds sempre pagar\u00e1 suas d\u00edvidas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">A economia mundial tem funcionado, ao menos na \u00faltima d\u00e9cada, com base em uma din\u00e2mica que tem seu eixo no com\u00e9rcio internacional em dire\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos. A produ\u00e7\u00e3o de mercadorias est\u00e1 mundializada em pa\u00edses como a China, que exportam para os Estados Unidos e recebem pagamento em d\u00f3lar. Os pa\u00edses exportadores acumulam reservas em d\u00f3lar e adquirem t\u00edtulos do governo estadunidense, ou seja, emprestam dinheiro ao governo estadunidense para que continue rolando suas d\u00edvidas. Cerca de metade dos t\u00edtulos da d\u00edvida est\u00e3o em poder de bancos centrais estrangeiros, cuja procura mant\u00e9m essa \u201cmercadoria\u201d apreciada e o valor do d\u00f3lar elevado. Com isso, o consumidor estadunidense pode continuar comprando mercadorias produzidas na China e pagando com um d\u00f3lar ainda forte, e assim sucessivamente. A possibilidade de ruptura nesse circuito, com o n\u00e3o pagamento dos t\u00edtulos da d\u00edvida pelos Estados Unidos, teria um efeito em cadeia, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos de d\u00edvida em poder dos credores, e tamb\u00e9m a desvaloriza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio d\u00f3lar, a cessa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos, a queda do com\u00e9rcio mundial, uma nova recess\u00e3o ou mesmo uma depress\u00e3o mundial.<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; font-variant: small-caps; color: red; mso-font-kerning: 11.0pt;\">O endividamento e a crise estrutural do capital<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Esse risco foi momentaneamente afastado com a aprova\u00e7\u00e3o do aumento do teto da d\u00edvida pelo congresso. Mas o fato de que o risco permanece \u00e9 suficiente para provocar nervosismo no mercado. O capitalismo atual n\u00e3o pode funcionar sem a expectativa da continuidade dos lucros f\u00e1ceis e predat\u00f3rios da especula\u00e7\u00e3o. Assim, a crise do endividamento pode levar ao que os economistas chamam de duplo mergulho numa nova recess\u00e3o. Na verdade, o conjunto da economia mundial n\u00e3o chegou a se recuperar da recess\u00e3o iniciada em 2008. A retomada do crescimento e dos lucros em alguns n\u00facleos capitalistas, como os pr\u00f3prios Estados Unidos e a Alemanha, ao longo de 2009 e 2010, empalidece diante do pano de fundo de estagna\u00e7\u00e3o no restante do mundo e de importantes contradi\u00e7\u00f5es, como o desemprego e o empobrecimento nos Estados Unidos.<\/span><\/div>\n<div><a name=\"yui_3_2_0_5_1313970657245112\"><\/a><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Isso comprova a exist\u00eancia daquilo que chamamos de crise estrutural do capital, ou seja, a vig\u00eancia de um per\u00edodo hist\u00f3rico em que as crises peri\u00f3dicas s\u00e3o cada vez mais agudas, os per\u00edodos de recupera\u00e7\u00e3o mais curtos e insuficientes, e problemas cada vez maiores se acumulam para o futuro. Cada vez mais se torna claro que a defesa das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores passa por uma luta contra o sistema capitalista como um todo, e sua substitui\u00e7\u00e3o por uma sociedade socialista livre da explora\u00e7\u00e3o e da aliena\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<h3><a name=\"titulo3\"><\/a><b style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 23.0pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; color: red; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">ENDIVIDAMENTO E CRISE SOCIAL NA EUROPA<\/span><\/b><\/h3>\n<h3><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">\u00a0<\/span><\/b><\/h3>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: right; mso-pagination: none; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-hyphenate: none; mso-layout-grid-align: none; text-autospace: none;\" align=\"right\"><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; Garamond; mso-font-kerning: .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">\u201c<i>Panic on the streets of London! Panic on the streets of Birmingham!<\/i>\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: right; mso-pagination: none; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-hyphenate: none; mso-layout-grid-align: none; text-autospace: none;\" align=\"right\"><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; Garamond; mso-font-kerning: .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">The Smiths, \u201cPanic\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">A atual crise de endividamento das grandes pot\u00eancias imperialistas est\u00e1 sendo tratada pela imprensa burguesa como uma esp\u00e9cie de acidente inesperado, como se tivesse surgido do nada. Essa desorienta\u00e7\u00e3o \u00e9 proposital, pois para explicar realmente o fen\u00f4meno seria preciso admitir a exist\u00eancia de defeitos fatais do capitalismo e a vig\u00eancia de sua crise estrutural. A crise do endividamento n\u00e3o \u00e9 um acidente, mas uma consequ\u00eancia direta das medidas que foram tomadas para enfrentar a crise anterior, em 2008. Todos os governos europeus, j\u00e1 altamente endividados, gastaram trilh\u00f5es de d\u00f3lares para salvar os bancos e demais especuladores da fal\u00eancia. Agora, os pr\u00f3prios governos est\u00e3o \u00e0 beira da fal\u00eancia. E para pagar suas contas, s\u00e3o obrigados a cortar gastos, o que afeta a vida de suas popula\u00e7\u00f5es. As consequ\u00eancias desses cortes t\u00eam sido vistas na forma de uma onda de protestos e greves em v\u00e1rios pa\u00edses, e tamb\u00e9m sob formas mais inesperadas, como os violentos tumultos na Inglaterra.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">Nem sequer havia sido contornado o problema dos pa\u00edses da periferia europ\u00e9ia, como a Gr\u00e9cia (pacote de 110 bilh\u00f5es de euros para evitar o calote em maio) e veio \u00e0 tona a situa\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia, a 3\u00aa maior economia da zona do euro, com PIB equivalente a 18% do total do bloco e 120% de endividamento (s\u00f3 menor do que o da Gr\u00e9cia). N\u00e3o h\u00e1 dinheiro suficiente para resgatar uma economia do tamanho da It\u00e1lia. Na \u00faltima hora o governo Berlusconi improvisou uma reforma constitucional comprometendo o governo a honrar suas d\u00edvidas com o mercado, mas mesmo isso n\u00e3o foi suficiente. Os bancos franceses e alem\u00e3es, que possuem centenas de bilh\u00f5es em t\u00edtulos italianos, espanh\u00f3is e de outros pa\u00edses altamente endividados, se aproximaram perigosamente de um colapso ao estilo <i>Lehman Brothers<\/i>. Os \u00edndices das bolsas europ\u00e9ias, assim como os estadunidenses, tamb\u00e9m ca\u00edram seguidamente no in\u00edcio de agosto, ora a pretexto da d\u00edvida italiana, depois da B\u00e9lgica, e assim sucessivamente. A divulga\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros globais da economia (crescimento quase zero do PIB em v\u00e1rios pa\u00edses, como a pr\u00f3pria Fran\u00e7a) n\u00e3o ajudou nada. V\u00e1rios pa\u00edses chegaram a impor uma suspens\u00e3o tempor\u00e1ria da negocia\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is de curto prazo (\u201cshort selling\u201d) pelos bancos, numa tentativa desesperada de impedir as quedas no mercado.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; font-variant: small-caps; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; color: red; mso-font-kerning: 11.0pt; mso-ansi-language: #00FF;\">A socializa\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">H\u00e1 muito tempo o limite de endividamento de 60% do PIB e d\u00e9ficit de 3% para pa\u00edses participantes do sistema do euro tornou-se uma fic\u00e7\u00e3o. Praticamente todos os governos europeus, dos maiores aos menores, descumpriam esses limites, o que se agravou drasticamente com a escalada de pacotes para salvar seus bancos e reativar suas economias desde 2008. Em fun\u00e7\u00e3o desse alto endividamento, os governos de v\u00e1rios pa\u00edses europeus s\u00f3 conseguem vender novos t\u00edtulos oferecendo taxas de juros cada vez maiores. Isso faz com que aumente a d\u00edvida e diminua o prazo de pagamento, apontando para o momento inevit\u00e1vel do calote.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">Para evitar o calote, entram em cena institui\u00e7\u00f5es como o FMI, o Banco Central Europeu e a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, que fornecem pacotes de empr\u00e9stimos para que os pa\u00edses endividados paguem suas d\u00edvidas de curto prazo. Em troca, esses governos precisam aprovar cortes nos gastos p\u00fablicos, aumento de impostos, privatiza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio estatal e ataques aos servi\u00e7os p\u00fablicos (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, etc.), \u00e0s aposentadorias, aos direitos trabalhistas, etc. Em outras palavras, os trabalhadores s\u00e3o for\u00e7ados a sofrer para que os seus governos continuem pagando os banqueiros.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">As medidas de redu\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos contribuem para diminuir o consumo e desacelerar ainda mais a economia, diminuindo tamb\u00e9m a arrecada\u00e7\u00e3o de impostos e consequentemente a pr\u00f3pria possibilidade de seguir pagando a d\u00edvida, num c\u00edrculo vicioso. A crise da d\u00edvida europ\u00e9ia est\u00e1 sendo comparada com a crise da d\u00edvida latino-americana do in\u00edcio dos anos 80, que levou \u00e0 chamada \u201cd\u00e9cada perdida\u201d sem crescimento econ\u00f4mico, e s\u00f3 terminou com o refinanciamento da d\u00edvida sob a forma de novos t\u00edtulos denominados em d\u00f3lares (\u201cPlano Brady\u201d, de autoria do ent\u00e3o secret\u00e1rio do tesouro estadunidense), em 1989. Isso abriu o caminho para os programas de ajuste neoliberais da d\u00e9cada de 1990, pois a condi\u00e7\u00e3o dos credores para aceitar os novos t\u00edtulos era que os pa\u00edses endividados abrissem suas economias ao com\u00e9rcio internacional, privatizassem empresas p\u00fablicas e retirassem as prote\u00e7\u00f5es trabalhistas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; font-variant: small-caps; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; color: red; mso-font-kerning: 11.0pt; mso-ansi-language: #00FF;\">As consequ\u00eancias sociais da crise: o exemplo ingl\u00eas<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">A divis\u00e3o entre os pa\u00edses mais poderosos e os mais fracos se aprofunda no interior da Europa. Cada governo, motivado por quest\u00f5es de sobreviv\u00eancia pol\u00edtica imediata, tenta jogar sobre os outros pa\u00edses o \u00f4nus da crise. No momento em que seria mais urgente a unidade pol\u00edtica europ\u00e9ia, as burguesias nacionais de cada pa\u00eds entram num \u201csalve-se quem puder\u201d, com os mais fortes, como Alemanha e Fran\u00e7a, depauperando os mais pobres, como a Gr\u00e9cia, Portugal, Irlanda, Espanha e at\u00e9 It\u00e1lia, impondo ajustes brutais contra suas popula\u00e7\u00f5es, para garantir o pagamento desses pa\u00edses aos seus bancos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">A Inglaterra n\u00e3o faz parte da zona do euro, mas sofre com baixo crescimento (previs\u00e3o de 1,4% em 2011 \u2013 <i>UOL, 14.08.2011<\/i>), alto endividamento (US$ 2 trilh\u00f5es, ou 70% do PIB e d\u00e9ficit fiscal de 11%, ag\u00eancia Carta Maior \u2013 <i>Uol, 13.08.2011<\/i>) e desemprego de 7,7% (<span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #00007f;\">http:\/\/www.statistics.gov.uk<\/span><\/span>), segundo o \u00edndice oficial. A resposta do governo do primeiro-ministro conservador David Cameron foi\u00a0 um pacote de corte nos gastos p\u00fablicos de US$ 130 bilh\u00f5es at\u00e9 2015 (Carta Maior, 13.08.2011), distribu\u00eddos entre os v\u00e1rios setores dos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">Em fins de 2010, o governo ingl\u00eas aumentou as taxas de matr\u00edculas das universidades p\u00fablicas, o que na ocasi\u00e3o j\u00e1 provocou uma onda massiva de protestos estudantis. Nos primeiros meses de 2011 houve o fechamento de espa\u00e7os de lazer para a juventude, como parte de um pacote de cortes nos gastos sociais, que afetaram v\u00e1rias outras \u00e1reas do servi\u00e7o p\u00fablico. Os jovens convivem com uma alt\u00edssima taxa de desemprego \u2013 de um total de 2,48 milh\u00f5es de desempregados, cerca de 963 mil s\u00e3o jovens com menos de 25 anos de idade (traduzido de <a title=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\" href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\">http:\/\/www.guardian.co.uk<\/a>) \u2013, combinada com a tenta\u00e7\u00e3o do consumo estimulada pela publicidade onipresente, e com a brutalidade policial desses tempos de \u201cguerra ao terror\u201d (que j\u00e1 vitimou o brasileiro Jean Charles de Menezes, em 2005). Esses ingredientes somaram-se para produzir uma verdadeira bomba rel\u00f3gio social, que fatalmente explodiria.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">A brutalidade policial acabou fazendo mais uma v\u00edtima fatal em 2011. Na sexta-feira 5 de agosto a pol\u00edcia inglesa assassinou um jovem chamado Mark Duggan, um cidad\u00e3o ingl\u00eas negro, no bairro multi\u00e9tnico de Tottenham, em Londres, por motivos que permanecem at\u00e9 agora inexplicados. Isso resultou numa onda de saques, depreda\u00e7\u00f5es e inc\u00eandios, que tomou conta da capital Londres e v\u00e1rias outras cidades inglesas, como Birmingham, Liverpool e Manchester. \u00a0Esse fen\u00f4meno \u00e9 semelhante ao que aconteceu em Paris em novembro de 2005 e Atenas em dezembro de 2008, quando o assassinato de jovens pobres pela pol\u00edcia provocou uma revolta da juventude em geral. Os jovens ingleses saquearam lojas de eletr\u00f4nicos, depredaram e incendiaram pr\u00e9dios e autom\u00f3veis, e enfrentaram a pol\u00edcia durante quatro noites. Houve milhares de pris\u00f5es, centenas de feridos e 5 mortes, at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o voltasse ao controle das autoridades.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">Ao contr\u00e1rio do que a imprensa diz, n\u00e3o se trata de vand\u00e2los, mas de jovens protestando contra a situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria a que est\u00e3o submetidos cotidianamente. A viol\u00eancia policial, com um forte conte\u00fado racista, tem sido constante em Londres. Segundo David Karvala, de 1998 at\u00e9 2010 foram 333 mortes de jovens que estavam sob tutela da pol\u00edcia. De 1967 at\u00e9 2001 foram por volta de 1000 mortes. De todos esses casos s\u00f3 um policial foi condenado. A essa situa\u00e7\u00e3o soma-se o fato de que na juventude da Inglaterra 20% dos jovens de 16 a 24 anos est\u00e3o desempregados. Entre os negros esses \u00edndices s\u00e3o de 50%.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial','sans-serif'; font-variant: small-caps; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; color: red; mso-font-kerning: 11.0pt; mso-ansi-language: #00FF;\">A necessidade de uma alternativa socialista<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">O governo Cameron e a m\u00eddia burguesa trataram os acontecimentos como uma s\u00fabita onda de criminalidade, como se se tratasse de simples roubo e vandalismo. Um gigantesco efetivo policial foi mobilizado e discursos ferozes foram proferidos em defesa da seguran\u00e7a, da ordem e da propriedade. Isso n\u00e3o passa de uma tentativa desesperada de tapar o sol com a peneira. A crise social n\u00e3o \u00e9 um \u201cprivil\u00e9gio\u201d da periferia da Europa, pois afeta um gigante global como a pr\u00f3pria Inglaterra. Por mais que os funcion\u00e1rios da burguesia no Estado e na m\u00eddia se neguem a admitir, os tumultos de rua t\u00eam sim um importante significado pol\u00edtico.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">As a\u00e7\u00f5es dos jovens ingleses, mesmo que n\u00e3o apontem diretamente para uma luta pol\u00edtica contra o Estado (como era o caso especialmente dos jovens atenienses em 2008), revelam uma s\u00e9rie de componentes ideol\u00f3gicos: frustra\u00e7\u00e3o com as promessas n\u00e3o cumpridas de prosperidade (desejo de consumo); \u00f3dio contra o Estado e suas institui\u00e7\u00f5es, especialmente a pol\u00edcia; desprezo para com a lei e a propriedade; disposi\u00e7\u00e3o de luta; e coragem para enfrentar a autoridade. <\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; .5pt; mso-ansi-language: #00FF;\">Tudo isso precisa ser conduzido para as causas corretas: contra os cortes nos gastos sociais; contra o pagamento da d\u00edvida aos banqueiros e especuladores; por emprego, sal\u00e1rio e servi\u00e7os p\u00fablicos para todos; contra o Estado e suas institui\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias e anti-populares. S\u00f3 essa luta pode levar a um avan\u00e7o de consci\u00eancia que permita projetar a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<h3><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00a0<\/span><strong><a name=\"titulo4\"><\/a>Um poss\u00edvel e novo momento hist\u00f3rico mundial?<\/strong><\/h3>\n<p class=\"ecxmsobodytext2\" style=\"&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; margin-bottom: 0cm; text-align: right; margin: 0cm 0cm .0001pt 171.0pt;\" align=\"right\"><i><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Passadas d\u00e9cadas de \u201cneoliberalismo\u201d, d\u00e9cadas que insinuavam um sono eterno de capitalismo, o mundo aos poucos acorda. Mas acorda como um corpo que, apesar de anestesiado e de ainda n\u00e3o saber lidar habilmente com os pr\u00f3prios movimentos, tenta se mexer<\/span><\/i><\/p>\n<p class=\"ecxmsonormal\" style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; text-align: center;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Nas Resolu\u00e7\u00f5es da Confer\u00eancia 2011 do Espa\u00e7o Socialista (dispon\u00edvel no site) j\u00e1 destac\u00e1vamos que havia uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial cujo elemento central era a diversidade de lutas envolvendo milh\u00f5es de<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: black; background-color: white;\">trabalhadores<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">em v\u00e1rias partes do mundo, principalmente, a partir do processo de luta contra as ditaduras dos pa\u00edses do Norte da \u00c1frica.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: black; background-color: white;\">Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de grande import\u00e2ncia, pois ao desenvolver-se podemos chegar a uma mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes sociais.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: black; background-color: white;\">Ao termos v\u00e1rios pa\u00edses envolvidos<\/span><span class=\"apple-converted-space\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">h\u00e1 um salto de qualidade na luta devido \u00e0 interfer\u00eancia na pol\u00edtica interna de cada pa\u00eds e \u00e0 pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com e entre os imperialismos. Ou seja, cria-se um campo mais hostil para a permanente necessidade expansionista do imperialismo.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">A partir dos \u00faltimos acontecimentos na Europa (Gr\u00e9cia, Londres, M15 na Espanha), Am\u00e9rica Latina (Chile), Norte da \u00c1frica (S\u00edria) e \u00c1sia (\u00cdndia) \u00e9 poss\u00edvel afirmarmos que essa situa\u00e7\u00e3o<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: black; background-color: white;\">desenvolveu-se ainda mais,<\/span><span class=\"apple-converted-space\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">principalmente por considerarmos que agora temos em cena setores do proletariado de pa\u00edses centrais.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Outro aspecto importante dessa nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 a diverg\u00eancia p\u00fablica entre setores do imperialismo e o enfraquecimento pol\u00edtico dos governos dos pa\u00edses envolvidos nessas mobiliza\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9 o caso de Obama nos Estados Unidos, Zapatero na Espanha e Pi\u00f1era no Chile,<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: black; background-color: white;\">este<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">com os \u00edndices mais baixos de popularidade das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial, sans-serif; font-variant: small-caps; color: red; background-color: white;\">O fundamento da nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial est\u00e1 na crise econ\u00f4mica<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Outra quest\u00e3o que hav\u00edamos ressaltado diz respeito \u00e0 durabilidade da crise que se iniciou em 2008 e que, apesar de alguns elementos contradit\u00f3rios (cabe ressaltar a Lei do Desenvolvimento Desigual e Combinado) como as realidades de Brasil e Argentina, faz-se presente. Economias poderosas \u2013 como a alem\u00e3 e a estadunidense \u2013 que apresentavam uma pequena recupera\u00e7\u00e3o, com os novos dados mostram que h\u00e1 uma invers\u00e3o em curso e indicam que, na melhor das hip\u00f3teses, a economia mundial caminhar\u00e1 para uma estagna\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: black; background-color: white;\">Al\u00e9m de estabelecer outra correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na luta de classes, a atual crise econ\u00f4mica nos faz perceber a necessidade de intensificarmos a luta para mantermos direitos, contra o desemprego e pela sobreviv\u00eancia. Tamb\u00e9m escancara as fissuras entre as for\u00e7as burguesas e demonstra como s\u00e3o capazes de fazer qualquer neg\u00f3cio para continuarem lucrando.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Nos Estados Unidos a fissura entre democratas e republicanos sobre o que fazer para solucionar a crise de d\u00edvida provocou a instabilidade nas bolsas de valores de todo o mundo (veja mat\u00e9ria neste jornal). Na Europa os debates do Banco Central Europeu sobre as medidas para conter a crise dos \u201cPIGS\u201d (<\/span><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Portugal, Irlanda, Gr\u00e9cia e Espanha<\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">) demonstram como cada governo endivida o Estado para salvar bancos e empresas, isto \u00e9, os interesses da burguesia.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">A intensifica\u00e7\u00e3o de importantes mobiliza\u00e7\u00f5es demonstra como a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 mundial e como a luta do proletariado deve ser internacional: As fant\u00e1sticas mobiliza\u00e7\u00f5es populares no Egito e no I\u00eamen; as greves gerais na Gr\u00e9cia; a luta dos estudantes em unidade com a classe oper\u00e1ria por ensino p\u00fablico no Chile; a luta de professores e demais trabalhadores contra o corte de verbas em Wisconsin nos Estados Unidos;<\/span><span class=\"apple-converted-space\"><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: red; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/b><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">a in\u00e9dita e gigantesca mobiliza\u00e7\u00e3o<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: black; background-color: white;\">em Israel,<\/span><span class=\"apple-converted-space\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">os jovens de periferia que iluminaram as noites em protesto ao assassinato de um jovem negro em Londres na Inglaterra, principal aliado estadunidense na Europa e as manifesta\u00e7\u00f5es contra a corrup\u00e7\u00e3o na \u00cdndia.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Todas essas mobiliza\u00e7\u00f5es trazem as marcas da dura realidade vivida pelos trabalhadores, v\u00edtimas das artimanhas da burguesia para manter-se no poder. Ao querer a riqueza -produzida com nosso suor- em suas m\u00e3os procura retirar nossos empregos, sal\u00e1rios, direitos e a vida de muitos. Esse \u00e9 o resultado da crise econ\u00f4mica que se alastra \u2013 com picos \u2013 h\u00e1 tr\u00eas anos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Dessas mobiliza\u00e7\u00f5es podemos destacar tr\u00eas caracter\u00edsticas: a) tem como causa as crises econ\u00f4mica e social que se alastram; b) acontecem tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o do sistema capitalista; c) em geral os sujeitos pol\u00edticos s\u00e3o setores populares e juvenis, o que quer dizer que, pelo menos por enquanto, a classe oper\u00e1ria, com exce\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia e Egito, n\u00e3o se colocou como protagonista desse processo. <\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Como podemos observar a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para conter a crise, que \u00e9 global e tamb\u00e9m envolve os pa\u00edses centrais. Dessa forma, o ataque aos direitos dos trabalhadores, o que leva a um empobrecimento da classe, ocorre em todos os pa\u00edses e nesse momento o elemento qualitativo est\u00e1 no fato de que ele ocorre tamb\u00e9m nos pa\u00edses centrais do capitalismo. O diferencial nesse momento \u00e9 que, devido a circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, paulatinamente os trabalhadores e explorados passam a resistir e n\u00e3o mais aceitar os ditames do capital e os abusos da burguesia.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">As crises no sistema capitalista surgem da dificuldade da burguesia em alcan\u00e7ar satisfatoriamente certa taxa de lucro. Consequentemente adota medidas que buscam aumentar a extra\u00e7\u00e3o de mais-valia relativa (desenvolvimento tecnol\u00f3gico, por exemplo) ou absoluta (prolongamento da jornada de trabalho, por exemplo) e tentar retomar as antigas taxas de lucro. Dessa forma, prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es para a crise que aumentem a apropria\u00e7\u00e3o do trabalho que n\u00e3o \u00e9 pago, mas \u00e9 executado pelo trabalhador na produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; background-color: white;\">Os capitalistas sabem que se n\u00e3o conseguirem impor sobre os trabalhadores mudan\u00e7as e ajustes na produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o ir\u00e3o conseguir encontrar nenhuma sa\u00edda mais duradoura. Portanto, criar condi\u00e7\u00f5es para continuar lucrando sem deixar cair sua taxa de lucro \u00e9 decisivo para a burguesia, ou seja, a<\/span><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\"> imposi\u00e7\u00e3o das contra-tend\u00eancias (explora\u00e7\u00e3o sobre a classe trabalhadora) \u00e0 queda da taxa de lucro \u00e9, portanto, decisiva. <\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Em termos pol\u00edticos o resultado da crise econ\u00f4mica tamb\u00e9m \u00e9 perverso. \u00c9 necess\u00e1rio para a burguesia manter a classe trabalhadora desmobilizada e desmoralizada (por isso tantas cr\u00edticas a determinadas categorias profissionais).<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span>\u00a0Quando se mobiliza \u00e9 extremamente importante que seja derrotada (com o n\u00e3o atendimento das reivindica\u00e7\u00f5es ou com a repress\u00e3o, pris\u00e3o e\/ou morte dos ativistas).<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: black; background-color: white;\">Aumentar o teto da d\u00edvida do Estado, reduzir os gastos p\u00fablicos e pol\u00edticas para disputar o mercado mundial somente empurram as contradi\u00e7\u00f5es para frente, mas n\u00e3o resolvem o problema da crise<\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">.<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: black; background-color: white;\">Co<\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; background-color: white;\">mo os lucros resultantes de taxas de juros, os juros para pagamento das d\u00edvidas (e a pr\u00f3pria d\u00edvida p\u00fablica) e o incentivo estatal para o cr\u00e9dito dependem, ao fim, da cria\u00e7\u00e3o de valor, podemos dizer que a sorte dos capitalistas para superar mais essa crise se localiza primeiro na produ\u00e7\u00e3o, com espa\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o de valor, de acordo com Marx, e segundo no resultado da luta de classes. <\/span><span style=\"font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond;\">Repetimos: a solu\u00e7\u00e3o da crise \u2013 tendo em conta os interesses do capital &#8211; passa pela possibilidade dos capitalistas garantirem uma produ\u00e7\u00e3o com altas taxas de lucro.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; background-color: white;\">Isto \u00e9, a burguesia adota pol\u00edticas para reduz<span style=\"color: #2a2a2a;\">ir sal\u00e1rios, retirar direitos (garantidos pelo Estado ou pelas empresas)<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"color: black;\">e<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"color: #2a2a2a;\">aumentar o desemprego (por consequ\u00eancia, o ex\u00e9rcito industrial de reserva) o que empobrece quem consome (alvo para realiza\u00e7\u00e3o do lucro) e retira do universo de consumo uma parcela consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o mundial. Mas, ao mesmo tempo procura manter os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o e de seus lucros.<\/span><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Essa contradi\u00e7\u00e3o entre ter que produzir ou ser o produtor da riqueza e n\u00e3o poder, minimamente, consumir pode levar o proletariado mundial a n\u00e3o aceitar o funcionamento injusto da sociedade. As \u00faltimas mobiliza\u00e7\u00f5es indicam que h\u00e1 uma importante resist\u00eancia dos trabalhadores \u00e0s desigualdades sociais. Isso evidentemente \u00e9 um dos mais s\u00e9rios obst\u00e1culos para o capital. Portanto, \u00e9 extremamente necess\u00e1rio uma forte repress\u00e3o do Estado burgu\u00eas para cont\u00ea-las.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial, sans-serif; font-variant: small-caps; color: red; background-color: white;\">Direitos retirados dos Trabalhadores<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">O desfecho da luta pol\u00edtica \u00e9, portanto, decisivo, pois o que est\u00e1 em jogo, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 a sobreviv\u00eancia do capitalismo enquanto sistema social. A aten\u00e7\u00e3o de todos os governos est\u00e1 voltada para a aplica\u00e7\u00e3o das medidas de retiradas de direitos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Se verificarmos rapidamente, h\u00e1 direitos que est\u00e3o sob a mira da burguesia em todo o mundo: fim ou restri\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas da aposentadoria e da seguridade social; fim da estabilidade no emprego; fim do custeio por parte do Estado de servi\u00e7os b\u00e1sicos como Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas; retirada de direitos trabalhistas;<\/span><span class=\"apple-converted-space\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: red; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">constante desvaloriza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios (que pode ser medida pelo distanciamento entre valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio e aumento da produtividade) e uma crescente forma\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito industrial de reserva mundial com o aumento do desemprego.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Dessa forma, n\u00e3o podemos tratar apenas da maldade de um ou outro governo, mas de uma pol\u00edtica global que visa satisfazer as necessidades das grandes corpora\u00e7\u00f5es que submetem a vida aos interesses econ\u00f4micos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Pol\u00edticos e empres\u00e1rios enfrentam o problema global com uma pol\u00edtica global. O Estado contribui com os capitalistas destinando parte importante do or\u00e7amento p\u00fablico, inclusive dos impostos retirados de nossos holerites, para pagamento dos custos da financeiriza\u00e7\u00e3o, para a realiza\u00e7\u00e3o de obras e servi\u00e7os de interesse das grandes empreiteiras e para apoiar determinados setores da burguesia, como a ind\u00fastria b\u00e9lica. Para isso desenvolve tamb\u00e9m perversos mecanismos ideol\u00f3gicos que buscam justificar esse modelo de sociedade.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Assim, podemos perceber que a crise empurra a burguesia para a retirada de direitos dos trabalhadores, mas os trabalhadores resistem e lutam. Forma-se dessa maneira uma caldeira que poder\u00e1 explodir a qualquer momento. Esse \u00e9 o elemento central desse novo momento da luta de classes.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">As burguesias e os imperialistas sabem que a combina\u00e7\u00e3o de crise econ\u00f4mica com a luta de trabalhadores pode colocar em xeque todo o mecanismo de funcionamento do capitalismo. Por isso deter esse ascenso e retomar o controle da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal desafio para os capitalistas no pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Essa nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial tem v\u00e1rios pontos fr\u00e1geis (aus\u00eancia do proletariado industrial, um n\u00edvel de consci\u00eancia de classe muito baixo, etc.), mas \u00e9, sem d\u00favida, um importante momento para a solidariedade entre os trabalhadores em luta. Al\u00e9m disso, abre possibilidades, in\u00e9ditas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, para a esquerda revolucion\u00e1ria agitar as bandeiras do socialismo revolucion\u00e1rio. <\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Num cen\u00e1rio de aprofundamento da crise o desenvolvimento da consci\u00eancia dos trabalhadores \u00e9 decisivo, pois significa a possibilidade de que a classe oper\u00e1ria apresente uma sa\u00edda para a crise a partir dos interesses e necessidades dos trabalhadores e explorados.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">. Solidariedade e apoio aos trabalhadores em luta no mundo! Pela internacionaliza\u00e7\u00e3o e unidade na luta da classe trabalhadora!<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">. Abaixo os v\u00e1rios governos espalhados pelo mundo que adotam pr\u00e1ticas fascistas contra os trabalhadores!<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">. Contra o assassinato de ativistas promovidos pela burguesia!<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">. Contra repress\u00e3o aos movimentos sociais e pol\u00edticos!<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">. Pela liberta\u00e7\u00e3o dos jovens ingleses e chilenos!<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<h3><strong style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 13pt; font-family: 'Swiss911 XCm BT', sans-serif; color: red; background-color: white;\"><a name=\"titulo5\"><\/a>AS MUDAN\u00c7AS NO TRABALHO DI\u00c1RIO DO PROFESSOR DA ESCOLA P\u00daBLICA E AS CONSEQU\u00caNCIAS POL\u00cdTICAS E PEDAG\u00d3GICAS<\/span><\/strong><\/h3>\n<p class=\"ecxmsobodytextindent\" style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\"><a name=\"t_tulo5\"><\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">A escola p\u00fablica apresenta em seu funcionamento di\u00e1rio e no papel que deve cumprir a necessidade objetiva de reprodu\u00e7\u00e3o do contexto social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico do qual est\u00e1 inserido e que vai al\u00e9m da realidade local.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Essa realidade, nada animadora, do cotidiano escolar que submete a forma\u00e7\u00e3o dos alunos \u00e0 hierarquiza\u00e7\u00e3o injusta do mundo do trabalho conta ainda com a escassez de recursos financeiros e t\u00e9cnicos para um funcionamento di\u00e1rio descente, pois al\u00e9m de faltar ainda funcion\u00e1rios, professores, merenda e etc., o que favorece o caos e a viol\u00eancia, transforma professores e estudantes em meros reprodutores da ordem social vigente.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Observar a intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o entre a crise ideol\u00f3gica de nossos dias com o trabalho pr\u00e1tico di\u00e1rio do professor nas escolas estaduais do estado de S\u00e3o Paulo torna-se necess\u00e1rio.<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial, sans-serif; font-variant: small-caps; color: red; background-color: white;\">As caracter\u00edsticas individuais e sociais do Professor<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">O professor, bem como os indiv\u00edduos de um modo geral, carrega consigo determinadas caracter\u00edsticas humanas, as quais Lefebvre dimensiona bem: <em>\u201cO humano \u00e9 um fato: o pensamento, o conhecimento, a raz\u00e3o e tamb\u00e9m certos sentimentos, tais como a amizade, o amor, a coragem, o sentimento de responsabilidade, o sentimento de dignidade (&#8230;)\u201d<\/em><span class=\"ecxapple-converted-space\"><i>\u00a0<\/i><\/span><em><span style=\"font-style: normal;\">(Lefebvre, in:<\/span><\/em><span class=\"ecxapple-converted-space\"><i>\u00a0<\/i><\/span><em>Marxismo, p. 38)<\/em><\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Essas caracter\u00edsticas interferem na consci\u00eancia cotidiana do professor, que ao longo da hist\u00f3ria foi responsabilizado pela inser\u00e7\u00e3o de valores morais e sociais na vida das pessoas, sendo ao mesmo tempo pressionado para ser o exemplo e o respons\u00e1vel pelo estabelecimento da harmonia social entre os indiv\u00edduos. Al\u00e9m disso, a rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre religi\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m refor\u00e7ou essa fun\u00e7\u00e3o dada ao professor ao longo dos tempos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial, sans-serif; font-variant: small-caps; color: red; background-color: white;\">A import\u00e2ncia pol\u00edtica do Professor<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">O papel hist\u00f3rico cumprido pelo professor permitiu que adquirisse certo respeito perante a sociedade e, de algum modo, tivesse uma influ\u00eancia pol\u00edtica expressiva, sobretudo, nas comunidades perif\u00e9ricas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Isso fez com que as reivindica\u00e7\u00f5es dos professores caminhassem lado a lado com a luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores (por direitos sociais: sa\u00fade, moradia, educa\u00e7\u00e3o, transporte coletivo de qualidade etc.), sobretudo, nos anos 1980.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial, sans-serif; font-variant: small-caps; color: red; background-color: white;\">O uso das caracter\u00edsticas individuais e sociais contra os professores<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">O governo do estado de S\u00e3o Paulo, atrav\u00e9s das sucessivas gest\u00f5es do PSDB, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 diferente dos governos do PT, PMDB, DEM, PSD, PV etc., passou a utilizar-se das caracter\u00edsticas profissionais dos professores para intensificar o trabalho, principalmente durante esse per\u00edodo de crise econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso, com a descaracteriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e pedag\u00f3gica do papel exercido pelos professores no interior das escolas implementou um projeto pedag\u00f3gico alheio \u00e0 classe trabalhadora e totalmente adaptado \u00e0 realidade da desigualdade social.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Sob o argumento de que as mudan\u00e7as aplicadas no sistema educacional implicam em mais horas de trabalho e maior qualidade, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, explora os esfor\u00e7os, a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, a bondade, a coragem, o amor, a amizade, o sentimento de responsabilidade e de dignidade do professor para impor \u201cpedagogias\u201d e projetos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Com a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho do professor \u2013 (contratos tempor\u00e1rios, falta de direitos trabalhistas como f\u00e9rias ou f\u00e9rias parceladas, FGTS, 13\u00ba, direito de c\u00e1tedra, etc.); fragmenta\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de intervalos; cobran\u00e7a para que executem tarefas que t\u00eam peso pol\u00edtico-pedag\u00f3gico secund\u00e1rio (Di\u00e1rios de Classe com anota\u00e7\u00f5es que nada t\u00eam a ver com a rotina di\u00e1ria da sala de aula, mas enquadrado nas exig\u00eancias burocr\u00e1ticas das Diretorias de Ensino); imposi\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico (Caderno do Aluno); acompanhamento dos intervalos dos alunos; digita\u00e7\u00e3o de notas e frequ\u00eancia dos alunos sem computadores suficientes nas escolas, etc. \u2013 aumenta-se a explora\u00e7\u00e3o do trabalho docente a fim de reduzir gastos com a Educa\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Essas medidas visam arrancar o professor de sua natureza real pol\u00edtico-social-hist\u00f3rico atrav\u00e9s do dom\u00ednio de sua vida pr\u00e1tica no dia a dia da escola. Isso tudo se completa ainda com a introdu\u00e7\u00e3o de ONGs, parcerias com empres\u00e1rios e\u00a0<span class=\"ecxapple-converted-space\">\u00a0<\/span>banqueiros com o intuito de favorecer uma parcela da burguesia paulista.\u00a0<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial, sans-serif; font-variant: small-caps; color: red; background-color: white;\">A naturaliza\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a e da press\u00e3o no interior das escolas<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">O governo do estado de S\u00e3o Paulo, atrav\u00e9s de seu secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o, fala em di\u00e1logo com os professores e de respeito aos espa\u00e7os democr\u00e1ticos nas escolas. No entanto, quanto mais se diz isso menos encontramos democracia no interior das escolas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">A press\u00e3o para que os professores executem todas as determina\u00e7\u00f5es sem nenhum questionamento \u00e9 muito intensa. Qualquer recusa e simples questionamento s\u00e3o tratados como falta de compromisso, falta de vontade, de responsabilidade e s\u00e3o tachados como aqueles que n\u00e3o sabem trabalhar. Busca-se com isso que o professor seja conformado e obediente.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Torna-se normal, no interior das escolas estaduais de S\u00e3o Paulo, a cobran\u00e7a e a press\u00e3o por parte de supervisores de ensino, diretores, coordenadores pedag\u00f3gicos e at\u00e9 mesmo de alguns colegas professores que passam a agir de modo individualizado em rela\u00e7\u00e3o aos problemas estruturais e a melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Dessa forma, a liberdade e o diferente s\u00e3o sufocados com a busca da submiss\u00e3o, da servid\u00e3o, do empobrecimento intelectual e dentro das regras oficiais, ou seja, tudo que \u00e9 alternativo n\u00e3o pode ser feito ou testado.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Por outro lado, quanto mais o professor assume tarefas que fogem de seu papel pol\u00edtico-pedag\u00f3gico, mais se torna escravo, ref\u00e9m do atual sistema educacional, mais perde a sua liberdade de inovar, de tentar o diferente, de exercer a profiss\u00e3o, de pensar e agir intelectualmente.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Com tudo isso se procura desconfigurar a profiss\u00e3o (para desmobilizar e desmoralizar) na medida em que refor\u00e7a a pol\u00edtica de desvaloriza\u00e7\u00e3o e contribui para perda da identidade, algo t\u00e3o defendido em outras categorias de trabalhadores.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial, sans-serif; font-variant: small-caps; color: red; background-color: white;\">A luta dos Professores \u00e9 tamb\u00e9m a luta dos trabalhadores e seus filhos!<\/span><\/b><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Portanto, n\u00e3o podemos dizer que o professor \u00e9 culpado pela situa\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Diante da crise de alternativa ideol\u00f3gica e da press\u00e3o no interior das escolas, os professores est\u00e3o lan\u00e7ados \u00e0 pr\u00f3pria sorte, mas muitos resistem a tudo isso.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Nesse sentido, os sindicatos, n\u00e3o apenas dos profissionais da Educa\u00e7\u00e3o, mas de trabalhadores de um modo geral, devem pautar em seus materiais e em suas discuss\u00f5es internas, o tema da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, pois s\u00e3o os filhos dos trabalhadores que estudam na escola p\u00fablica.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">\u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m desenvolver uma campanha de valoriza\u00e7\u00e3o da carreira e dos direitos sociais do professor, devendo envolver, sobretudo, as centrais sindicais de esquerda (Intersindical e CSP-Conlutas) e os sindicatos de suas bases.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">O sindicato dos professores\/APEOESP e as subsedes regionais devem empenhar-se na elabora\u00e7\u00e3o de outdoors, mensagens na m\u00eddia, cartas abertas, faixas, uso de carro de som, utiliza\u00e7\u00e3o das novas ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o como as redes sociais a fim de denunciar os reais problemas da escola p\u00fablica (viol\u00eancia, falta de investimento, corte de direitos como parcelamento de f\u00e9rias) e reivindicar a aplica\u00e7\u00e3o de 10% do PIB na Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica; a aplica\u00e7\u00e3o de 1\/3 da jornada para prepara\u00e7\u00e3o de aulas e corre\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00f5es; sal\u00e1rio inicial base DIEESE, etc.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Portanto, a discuss\u00e3o sobre a qualidade do ensino p\u00fablico deve ir al\u00e9m da esfera de atua\u00e7\u00e3o dos professores. Os trabalhadores de um modo geral precisam participar conosco nessa luta, pois o ensino p\u00fablico deve tratar e defender exclusivamente os interesses da classe trabalhadora.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Precisamos construir e fortalecer os v\u00ednculos coletivos no interior das escolas a partir de demandas concretas, realizando reuni\u00f5es e atividades que discutam formas de resist\u00eancia e que busquem ao mesmo tempo uma rela\u00e7\u00e3o construtiva com pais e alunos.\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Essa rela\u00e7\u00e3o com os pais e alunos deve fortalecer a participa\u00e7\u00e3o\u00a0dos trabalhadores<span class=\"ecxapple-converted-space\">\u00a0n<\/span>os \u00f3rg\u00e3os colegiados dentro das escolas (Conselho de Escola, APM e Gr\u00eamio Estudantil).<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond, serif; color: #2a2a2a; background-color: white;\">Por fim, \u00e9 importante desenvolvermos continuamente entre n\u00f3s e a comunidade escolar a consci\u00eancia da possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de uma outra sociedade, fraterna e sem desigualdades sociais em que a Educa\u00e7\u00e3o sirva para desenvolver as potencialidades humanas e favorecer o que cada um tem de melhor!<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<h3><strong><a name=\"titulo6\"><\/a>O ROCK ERROU: DE WOODSTOCK AO ROCK IN RIO<\/strong><\/h3>\n<p class=\"MsoBodyText\" style=\"text-align: justify; line-height: 11.25pt; mso-pagination: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; widow-orphan;\"><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond; color: black;\">\u201c<i>Meus her\u00f3is morreram de overdose! Meus inimigos est\u00e3o no poder!<\/i>\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\" style=\"text-align: justify; line-height: 11.25pt; mso-pagination: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; widow-orphan;\"><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond; color: black;\">Cazuza, \u201cIdeologia\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\" style=\"text-align: justify; line-height: 11.25pt; mso-pagination: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; widow-orphan;\"><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-bidi-font-family: Garamond;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">Entre os dias 23 de setembro e 2 de outubro acontece no Rio de Janeiro o \u201cRock in Rio\u201d, que se propagandeia como \u201co maior festival de m\u00fasica e entretenimento do mundo\u201d. A edi\u00e7\u00e3o de 2011 \u00e9 a 4\u00aa que acontece no Brasil (depois daquelas de 1985, 1991 e 2001), mas \u00e9 a 10\u00aa no total, pois houve outras seis edi\u00e7\u00f5es, sendo quatro em Portugal (2004, 2006, 2008 e 2010) e duas na Espanha (2008 e 2010). Ou seja, j\u00e1 tivemos v\u00e1rias vezes o \u201cRock in Rio\u201d fora do Rio, pois se trata de uma franquia, uma marca comercial. Os organizadores do festival assumem o seu car\u00e1ter comercial sem o menor constrangimento: \u201co Rock in Rio sempre buscou o pioneirismo em seu modelo de neg\u00f3cios\u201d (<a href=\"http:\/\/www.rockinrio.com.br\/pt\/rock-in-rio\"><span style=\"color: black; &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; mso-style-textfill-fill-color: black; mso-style-textfill-fill-alpha: 100.0%;\">http:\/\/www.rockinrio.com.br\/pt\/rock-in-rio<\/span><\/a>).<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">O pioneirismo talvez esteja em colocar Cl\u00e1udia Leitte, Ivete Sangalo e Rihana num festival de rock (curiosamente, ningu\u00e9m pensa em convidar o Metallica para o carnaval&#8230;). Grande contraste com o festival original, de 1985, que teve como atra\u00e7\u00f5es nomes de peso como AC\/DC, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Queen, Scorpions, White Snake e Yes. Mas o maior contraste est\u00e1 no fato de que em 1985 o pa\u00eds e sua juventude comemoravam o fim da ditadura, com esperan\u00e7as na democracia, e Cazuza cantava: \u201cIdeologia! Eu quero uma para viver!\u201d<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">Em se tratando de ideologia, o \u201cRock in Rio\u201d 2011 reproduz o mote dos anos anteriores: \u201cPor um Mundo Melhor\u201d, para dar a entender que n\u00e3o se trata de simples com\u00e9rcio e sim de um evento \u201cengajado\u201d em alguma \u201ccausa\u201d. E os organizadores explicam que est\u00e3o \u201cvisando uma atua\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e socialmente respons\u00e1vel\u201d, para deixar todos com a consci\u00eancia tranquila de que os jovens est\u00e3o preocupados com o futuro do planeta. Mas ningu\u00e9m questiona o que significa na pr\u00e1tica esse mundo melhor, pois basta propagar vagas preocupa\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e filantr\u00f3picas. Na ess\u00eancia, trata-se de uma celebra\u00e7\u00e3o do mundo tal como ele \u00e9 hoje, de uma vida despolitizada, ap\u00e1tica, indiferente, consumista, imediatista, conservadora, ignorante, subjetivamente pobre, alco\u00f3latra, drogadita, sexualmente miser\u00e1vel.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">Como o mundo pode ser melhor sem a aboli\u00e7\u00e3o do capitalismo, da explora\u00e7\u00e3o, da aliena\u00e7\u00e3o, da opress\u00e3o, do Estado, da guerra, da viol\u00eancia, do preconceito, da mis\u00e9ria, da fome, das doen\u00e7as, da ignor\u00e2ncia, em que vive a maioria da humanidade?<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">Se o \u201cRock in Rio\u201d 2011 \u00e9 uma pat\u00e9tica imita\u00e7\u00e3o do festival de 1985, que dizer ent\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o com o lend\u00e1rio Woodstock? At\u00e9 hoje considerado o maior festival de rock da hist\u00f3ria, Woodstock aconteceu entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969 na \u00e1rea rural do estado de Nova York, entre as cidades de Bethel e Woodstock. Inicialmente, o festival tamb\u00e9m foi projetado como evento comercial, pois tamb\u00e9m foram vendidos quase 200 mil ingressos. Entretanto, com a aproxima\u00e7\u00e3o do evento, 500 mil pessoas ocuparam o local, transformando-o num festival gratuito e numa gigantesca celebra\u00e7\u00e3o dos ideais da juventude daquela \u00e9poca, a paz e o amor. Entre os mais conhecidos apresentaram-se Joan Baez, Santana, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker, Crosby, Stills, Nash &amp; Young, e por \u00faltimo, num hist\u00f3rico ato de encerramento e de protesto, Jimi Hendrix, que tocou o hino nacional estadunidense na guitarra, entremeando o som de bombas caindo no Vietn\u00e3.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">Para os mais puristas, Woodstock j\u00e1 era uma deturpa\u00e7\u00e3o da contracultura, cuja verdadeira celebra\u00e7\u00e3o aconteceu dois anos antes, no ainda mais lend\u00e1rio festival de Monterey, na Calif\u00f3rnia, entre 16 e 18 de junho de 1967, com apresenta\u00e7\u00f5es simplesmente antol\u00f3gicas de The Mamas &amp; the Papas, Jefferson Airplane, Janis Joplin ent\u00e3o vivendo seu auge, The Who quebrando o palco e Jimi Hendrix literalmente tocando fogo na guitarra.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">Mais importante do que determinar quem foi melhor, Woodstock ou Monterey, o fundamental \u00e9 que a juventude daquela \u00e9poca, assim como seguia os astros do rock nos shows e festivais, seguia Che Guevara e as lutas do 3\u00ba mundo, seguia os pacifistas nos protestos contra a guerra do Vietn\u00e3, seguia os Panteras Negras na luta pelos direitos civis dos negros, seguia as militantes feministas, seguia os homossexuais de Stonewall.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">A juventude queria mudar o mundo e lutava para isso, mudando sua pr\u00f3pria vida, negando-se a aceitar o mundo do capitalismo consumista (e em escala mundial, negando tamb\u00e9m o \u201csocialismo\u201d dos Estados burocr\u00e1ticos da URSS e sat\u00e9lites, vide a primavera de Praga em 1968). O sexo, drogas e rock n&#8217; roll n\u00e3o era apenas marketing, era uma aposta real num mundo mais humano. \u201cFa\u00e7a amor, n\u00e3o fa\u00e7a guerra\u201d era uma palavra de ordem revolucion\u00e1ria naqueles dias de Guerra Fria e luta contra a repress\u00e3o sexual. \u00c9 por isso que a m\u00fasica e os artistas daquela \u00e9poca permanecem cultuados at\u00e9 hoje, pois o que cantavam tinha coer\u00eancia com o que viviam.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">A contracultura acabou naufragando, e o rock errou, perdeu sua ess\u00eancia. O rock n\u00e3o \u00e9 o gesto de tocar guitarra com um cabelo ou roupa diferente (coisa que qualquer boneco montado pela ind\u00fastria musical pode imitar, vide os Restart e coisas do tipo), o rock \u00e9 uma atitude perante a vida, o que tem sido raro no meio art\u00edstico.<\/span><\/div>\n<div><a name=\"yui_3_2_0_5_1313974935713162\"><\/a><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">Mas isso pode mudar, pois os jovens de todo o mundo continuam aspirando a uma vida aut\u00eantica. Novas gera\u00e7\u00f5es se levantam hoje na Europa e nos pa\u00edses \u00e1rabes, indignados, \u00e0 procura dos novos Che Guevaras e dos novos Jimi Hendrix, e como Cazuza, \u00e0 espera de uma ideologia, que ponha fim \u00e0 crise da alternativa socialista, e construa, pela luta e pelo amor, um mundo realmente melhor, um mundo socialista!<\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-size: 11.0pt; font-family: &lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt;&lt;br \/&gt; 'Garamond','serif'; mso-bidi-font-family: Garamond; mso-font-kerning: 11.0pt;\">PS. 1 Woodstock tamb\u00e9m virou franquia, pois outras duas edi\u00e7\u00f5es t\u00e3o insignificantes quanto os \u201cRock in Rio\u201d fabricados em s\u00e9rie aconteceram em 1994 e 1999.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia as mat\u00e9rias online: Problemas no crescimento da economia brasileira A crise do endividamento dos Estados Unidos Endividamento e crise<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=300"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6458,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300\/revisions\/6458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}