{"id":302,"date":"2011-11-02T20:20:14","date_gmt":"2011-11-02T22:20:14","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/302"},"modified":"2018-06-01T15:58:13","modified_gmt":"2018-06-01T18:58:13","slug":"numero-34-novembrodezembro-de-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2011\/11\/numero-34-novembrodezembro-de-2009\/","title":{"rendered":"Jornal 34: Novembro\/Dezembro de 2009"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1219\" aria-describedby=\"caption-attachment-1219\" style=\"width: 219px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_34_novembro.dezembro_2009.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1219 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_34_novembro.dezembro_2009-219x300.jpg\" alt=\"Baixar edi\u00e7\u00e3o 34 em PDF\" width=\"219\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_34_novembro.dezembro_2009-219x300.jpg 219w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_34_novembro.dezembro_2009.jpg 546w\" sizes=\"(max-width: 219px) 100vw, 219px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1219\" class=\"wp-caption-text\">Baixar edi\u00e7\u00e3o 34 em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#titulo1\">Obama e Lula na linha de frente contra os trabalhadores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#titulo2\">Semin\u00e1rio lan\u00e7a nova central e reabre o debate da reorganiza\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#titulo3\">Movimento pol\u00edtico dos trabalhadores: mais do que uma alternativa eleitoral<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#titulo4\">Pr\u00e9-candidatura do PSTU: vem de cima e sem nenhuma discuss\u00e3o com o movimento<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#titulo5\">A forma\u00e7\u00e3o dos professores e a expans\u00e3o do ensino \u00e0 dist\u00e2ncia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#titulo6\">Licen\u00e7a-maternidade obrigat\u00f3ria de 6 meses para todas as mulheres<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#titulo7\">Quest\u00e3o racial para al\u00e9m dos dias de luta<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#titulo8\">A gigantesca m\u00e1quina da morte dos Estados Unidos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h1>OBAMA E LULA NA LINHA DE FRENTE CONTRA OS TRABALHADORES<\/h1>\n<h2>Guerra \u00e9 paz<\/h2>\n<p>No livro \u201c1984\u201d George Orwell descreve uma distopia (utopia ao contr\u00e1rio), uma realidade de pesadelo em que uma ditadura brutal controla a vida da sociedade por meio de institui\u00e7\u00f5es cujos nomes est\u00e3o invertidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas verdadeiras fun\u00e7\u00f5es. O \u00f3rg\u00e3o encarregado de fazer a guerra era chamado de Minist\u00e9rio da Paz, o da repress\u00e3o policial de Minist\u00e9rio do Amor, o de falsificar a realidade, Minist\u00e9rio da Verdade, o do racionamento, Minist\u00e9rio da Fartura, e assim por diante. A prova de que vivemos hoje em pleno mundo orwelliano foi escancarada no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>Em meados de outubro de 2009 o presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, foi agraciado pela academia sueca com o Pr\u00eamio Nobel da Paz de 2009. Por esses mesmos dias, o total de soldados estadunidenses mobilizados no Afeganist\u00e3o chegou a 65 mil, somando-se aos 124 mil postados no Iraque para completar o total de 189 mil combatentes. Esse n\u00famero ultrapassa os 186 mil mobilizados por Bush, o que faz do obl\u00edquo Obama um presidente ainda mais beligerante do que o seu mundialmente odiado predecessor (isso sem falar na escalada de viol\u00eancia no Paquist\u00e3o, na reativa\u00e7\u00e3o da IV Frota no Atl\u00e2ntico, na expans\u00e3o das bases militares na Col\u00f4mbia, etc.). Um mundo em que um presidente abertamente beligerante \u00e9 premiado com o Nobel da Paz \u00e9 um mundo em que tudo est\u00e1 de cabe\u00e7a para baixo.<\/p>\n<p>Essa invers\u00e3o orwelliana da realidade \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o das sutilezas ideol\u00f3gicas de que a burguesia \u00e9 capaz para perpetuar sua domina\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria elei\u00e7\u00e3o de Obama em 2008 foi uma manobra para reciclar a confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o estadunidense e mundial na viabilidade do capitalismo, no momento mesmo em que o sistema vivenciava a eclos\u00e3o da crise econ\u00f4mica mais s\u00e9ria em 70 anos. O discurso de mudan\u00e7a serviu exatamente para encobrir a continuidade do programa pol\u00edtico dos setores sociais que controlam o pa\u00eds, a burguesia financeira, o complexo industrial-militar e a ind\u00fastria do petr\u00f3leo. A imagem do negro, uma minoria oprimida e superexplorada, serviu para difundir a ilus\u00e3o de que as v\u00edtimas do sistema seriam contempladas na nova administra\u00e7\u00e3o, quando na realidade se tratava tamb\u00e9m do oposto, o aumento da explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores. Quando precisou endurecer o ataque contra a classe trabalhadora estadunidense, a burguesia daquele pa\u00eds engendrou justamente um presidente no qual amplos setores do proletariado nutriam grandes esperan\u00e7as, em especial os setores mais pobres e explorados, como os negros, latinos, imigrantes, mulheres e jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Os n\u00fameros da economia e a ideologia burguesa: 2 + 2 = 5<\/h3>\n<p>Essa necessidade de atacar a classe trabalhadora n\u00e3o era apenas da burguesia estadunidense, mas do conjunto dos pa\u00edses imperialistas colocados no epicentro da crise econ\u00f4mica. A tend\u00eancia hist\u00f3rica de queda da taxa de lucro inerente ao capitalismo precisa ser enfrentada por meio do aumento da explora\u00e7\u00e3o do trabalho, que no atual momento \u00e9 feito nas condi\u00e7\u00f5es de um mercado mundializado que permite aos capitalistas comprar a for\u00e7a de trabalho onde essa mercadoria se apresentar mais barata. Como reflexo disso, os trabalhadores enfrentam em n\u00edvel mundial uma queda nos seus sal\u00e1rios e uma deteriora\u00e7\u00e3o nas suas condi\u00e7\u00f5es de vida. Um relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que \u201co aumento dos sal\u00e1rios m\u00e9dios no mundo caiu, passando de 4,3% em 2007 para 1,4% em 2008. Os dados indicam que mais de 25% dos 53 pa\u00edses analisados registraram queda ou estagna\u00e7\u00e3o salarial\u201d (BBC Brasil, 03\/11\/2009). Dados como os \u00edndices de desemprego nos Estados Unidos, que chegaram a 9,8% em outubro (17% considerando os trabalhadores subempregados ou que deixaram de procurar emprego), tamb\u00e9m s\u00e3o bastante eloq\u00fcentes no que se refere a mensurar os efeitos da crise econ\u00f4mica sobre os trabalhadores.<\/p>\n<p>N\u00fameros como esses, pouco divulgados na imprensa burguesa, contrastam com os n\u00fameros bombasticamente anunciados por toda parte para alardear uma suposta recupera\u00e7\u00e3o da economia estadunidense e mundial, um ano depois da eclos\u00e3o da crise econ\u00f4mica. O crescimento de 3,5% do PIB estadunidense no 3\u00ba trimestre de 2009, interrompendo um ano de queda, deveu-se ao impacto de gastos governamentais para estimular as empresas e o consumo, como o programa \u201ccash for clunkers\u201d &#8211; literalmente dinheiro por sucata &#8211; uma linha de cr\u00e9dito oferecida pelo governo para quem trocasse carros usados por novos. A inje\u00e7\u00e3o de dinheiro do Estado nas empresas explica a subida do \u00edndice S&amp;P 500, que mede a valoriza\u00e7\u00e3o das 500 maiores empresas com a\u00e7\u00f5es listadas na bolsa, e elevou-se em 60% desde mar\u00e7o. Outro \u00edndice importante, o Dow Jones, subiu 50% desde sua maior baixa no auge da crise.<\/p>\n<p>Gastos do governo estadunidense em isen\u00e7\u00f5es fiscais, programas de est\u00edmulo, empr\u00e9stimos, estatiza\u00e7\u00f5es, emiss\u00e3o de t\u00edtulos, etc., num total que alcan\u00e7a a ordem de US$ 23 trilh\u00f5es desde o in\u00edcio da crise, s\u00e3o os respons\u00e1veis pelos \u201cgreen shots\u201d, como s\u00e3o chamados os supostos sinais de que a economia estaria a caminho da recupera\u00e7\u00e3o. Quanto mais incapaz de compreender o funcionamento das crises econ\u00f4micas capitalistas, mais a ideologia burguesa se v\u00ea for\u00e7ada a negar a realidade da crise e se refugiar em dados fragmentados e de curt\u00edssimo prazo para se auto-tranq\u00fcilizar. Dentro da l\u00f3gica burguesa, se as grandes empresas est\u00e3o tendo lucro e as a\u00e7\u00f5es est\u00e3o em alta, n\u00e3o h\u00e1 crise.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 dados que at\u00e9 mesmo os ide\u00f3logos burgueses mais empedernidos ser\u00e3o for\u00e7ados a encarar. A emiss\u00e3o massiva de dinheiro pelo governo estadunidense para reativar a economia trouxe um al\u00edvio tempor\u00e1rio nos \u00faltimos meses, mas provocar\u00e1 um s\u00e9rio problema a m\u00e9dio prazo, na medida em que o enorme endividamento amea\u00e7a corroer o pr\u00f3prio valor da moeda. O d\u00f3lar se desvalorizou em 47% em rela\u00e7\u00e3o ao ouro no per\u00edodo de novembro de 2008 a novembro de 2009. A possibilidade de colapso do d\u00f3lar como moeda de reserva mundial \u00e9 apenas mais uma das conseq\u00fc\u00eancias da atual crise, que portanto est\u00e1 longe de ser resolvida, por mais que a matem\u00e1tica burguesa queira nos fazer crer que tudo vai bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Medalha de ouro em trai\u00e7\u00e3o de classe<\/h3>\n<p>A batalha ideol\u00f3gica em torno dos n\u00fameros da economia \u00e9 parte do operativo ideol\u00f3gico geral por meio do qual a burguesia cotidianamente refor\u00e7a a cren\u00e7a na inevitabilidade do capitalismo e na inexist\u00eancia de alternativas a esse sistema. Al\u00e9m da figura-chave de Obama, um dos pilares desse operativo ideol\u00f3gico global de defesa do capitalismo est\u00e1 em nosso pr\u00f3prio pa\u00eds: o presidente Lula, que sobressai depois da crise com elevad\u00edssimos \u00edndices de popularidade. O governo Lula executa uma partilha da riqueza social entre a burocracia estatal e os grandes grupos econ\u00f4micos burgueses nacionais e estrangeiros, de um modo que sobram migalhas para os programas de bolsa-esmola que mant\u00e9m cativa sua base eleitoral entre os trabalhadores mais pobres.<\/p>\n<p>O governo Lula n\u00e3o pratica um privatismo escancarado, que provocaria resist\u00eancia popular, mas ao mesmo tempo n\u00e3o deixa de entregar as riquezas nacionais \u00e0 burguesia. Abre-se o controle de empresas como o Banco do Brasil e a Petrobr\u00e1s ao capital privado (inclusive estrangeiro), mas mant\u00e9m-se um razo\u00e1vel n\u00edvel de controle pela burocracia estatal. O caso do pr\u00e9-sal \u00e9 exemplar, pois um acordo em que a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo ser\u00e1 feita por empresas privadas, inclusive estrangeiras, foi apresentado mentirosamente como tendo um car\u00e1ter estatista e garantidor da soberania nacional. Para tornar palat\u00e1vel essa mentira, a Petrobr\u00e1s ter\u00e1 um or\u00e7amento de R$ 250 milh\u00f5es para publicidade em 2010 (Reda\u00e7\u00e3o Terra, 31\/10\/2009).<\/p>\n<p>A propaganda \u00e9 a alma do neg\u00f3cio. A escolha do Rio de Janeiro para sede das Olimp\u00edadas de 2016 sinaliza o reconhecimento da burguesia internacional ao papel do governo Lula como exemplo mundial de governo capaz de controlar os conflitos sociais e impedir o desenvolvimento de lutas dos trabalhadores, um exemplo a ser exportado para os demais pa\u00edses perif\u00e9ricos. O candidato \u00e0 presid\u00eancia do Uruguai pela Frente Ampla, Jos\u00e9 \u201cPepe\u201d Mujica assim explica a import\u00e2ncia do supremo mandat\u00e1rio brasileiro no cen\u00e1rio internacional: \u201cLula \u00e9 um senhor presidente, com um grande n\u00famero do parlamento que vota contra, e mesmo assim logra manejar um pa\u00eds com as dimens\u00f5es do Brasil, com os problemas que tem. E por que ele consegue isso? Porque negocia, negocia e negocia, tem a paci\u00eancia de um velho dirigente sindical. E esse \u00e9 o esp\u00edrito que devemos ter nesse tema. Ali\u00e1s, aqui entre n\u00f3s, dever\u00edamos clonar o Lula pela Am\u00e9rica Latina\u201d (entrevista para a revista Teoria e Debate \u2013 21\/10\/2009).<\/p>\n<p>Do Haiti a Honduras, o governo Lula exporta \u201cknow-how\u201d em mistifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, com um discurso que aparenta ser de esquerda e pr\u00e1ticas consistentemente de direita, sobretudo no que se refere a impedir o desenvolvimento de uma perspectiva pol\u00edtica aut\u00f4noma dos trabalhadores e na dur\u00edssima repress\u00e3o sobre os setores em luta (operativo policial de guerra nas favelas, morte aos sem-terra no campo, endurecimento contra as greves, etc.).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora<\/h3>\n<p>Tamb\u00e9m no Brasil o Estado foi usado para salvar o capital em crise e a conta est\u00e1 sendo passada para os trabalhadores. As pol\u00edticas de ajuda do governo \u00e0s grandes empresas, que totalizaram mais de R$ 480 bilh\u00f5es, permitiram um aquecimento artificial do consumo (autom\u00f3veis, eletrodom\u00e9sticos da linha branca, materiais de constru\u00e7\u00e3o): \u201cPesquisa do Instituto Datafolha divulgada na edi\u00e7\u00e3o da Folha de S. Paulo neste domingo mostra que (&#8230;) o percentual dos entrevistados que possuem carro passou de 34% para 36%, assim como o percentual de donos de m\u00e1quina de lavar subiu de 59% para 65%. (&#8230;) A classe que mais cresceu foi a B (m\u00e9dia-alta), de 23% para 26%\u201d(Reda\u00e7\u00e3o Terra 01\/11\/2009).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Brasil a ajuda \u00e0s grandes empresas provocou aumento do endividamento p\u00fablico: \u201cO setor p\u00fablico consolidado brasileiro registrou d\u00e9ficit prim\u00e1rio de R$ 5,763 bilh\u00f5es em setembro, pior resultado para o m\u00eas da s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 2001. Em setembro de 2008, o resultado prim\u00e1rio havia sido superavit\u00e1rio em R$ 6,618 bilh\u00f5es. (&#8230;) A rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/Produto Interno Bruto (PIB), como consequ\u00eancia, teve alta expressiva no m\u00eas e alcan\u00e7ou 44,9% do Produto Interno Bruto (PIB), frente a 44% do PIB em agosto, mostraram os dados divulgados pelo Banco Central \u201d(Reuters News 30\/10\/2009).<\/p>\n<p>A economia pode crescer, as empresas podem lucrar e as bolsas de valores podem ter alta, sem que haja diminui\u00e7\u00e3o do desemprego e melhoria dos sal\u00e1rios. Al\u00e9m de contar com apoio estatal, a burguesia brasileira tamb\u00e9m realizou ajustes estruturais nas empresas sob seu controle, impondo o aumento da explora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Entretanto, o proletariado brasileiro n\u00e3o foi um coadjuvante passivo na encena\u00e7\u00e3o dessa pseudo-recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Houve lutas importantes em 2009, como a greve geral da USP e as campanhas salariais dos correios, metal\u00fargicos e banc\u00e1rios no 2\u00ba semestre, que lutaram contra esse aumento da explora\u00e7\u00e3o. Essas lutas de resist\u00eancia n\u00e3o foram por\u00e9m suficientes para romper o controle da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pela burguesia e pelo governo Lula.<\/p>\n<p>Um componente essencial do m\u00e9todo lulista de governar est\u00e1 no controle f\u00e9rreo dos principais organismos de luta dos trabalhadores (CUT, MST, UNE, etc.) pela Articula\u00e7\u00e3o\/PT e seus sat\u00e9lites, que tem sido essencial para impedir que as greves como as que irromperam em 2009 desenvolvessem todo seu potencial de enfrentamento, permanecendo isoladas umas das outras e sem poder de atra\u00e7\u00e3o sobre o restante da classe. O controle burocr\u00e1tico da Articula\u00e7\u00e3o e a maquinaria ideol\u00f3gica do governo Lula s\u00e3o alguns dos obst\u00e1culos a serem superados no atual processo de Reorganiza\u00e7\u00e3o da classe, processo que tem tido seu eixo nos debates em torno da fus\u00e3o entre Conlutas (central em que o PSTU det\u00e9m a maioria) e Intersindical (controlada por setores do PSOL), agrupando tamb\u00e9m outras correntes, e que avan\u00e7ou no Semin\u00e1rio Nacional realizado em 1 e 2 de novembro em S\u00e3o Paulo. Mais do que nunca se faz urgente a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa organizativa com um perfil ideol\u00f3gico classista, socialista e capaz de romper com os v\u00edcios e m\u00e9todos de funcionamento que t\u00eam entravado as lutas da classe no \u00faltimo per\u00edodo, e que a pr\u00f3pria esquerda t\u00eam reproduzido.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><br \/>\n<a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h1>SEMIN\u00c1RIO LAN\u00c7A NOVA CENTRAL E REABRE O DEBATE DA REORGANIZA\u00c7\u00c3O<\/h1>\n<h2>A realiza\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio<\/h2>\n<p>Nos dias 1 e 2 de novembro aconteceu em S\u00e3o Paulo o Semin\u00e1rio Nacional sobre a Reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento sindical e popular. Estiveram presentes as entidades e movimentos que t\u00eam organizado os setores mais combativos da classe trabalhadora brasileira nos \u00faltimos anos: Conlutas, Intersindical, MTL, MTST, Pastoral Oper\u00e1ria-SP, al\u00e9m de correntes menores como Unidos p\/ Lutar, MAS e Emancipa\u00e7\u00e3o do Trabalho. O Semin\u00e1rio se concluiu com a proposta de forma\u00e7\u00e3o de uma Nova Central Sindical e Popular, a ser discutida num Congresso marcado para junho de 2010. A organiza\u00e7\u00e3o do Congresso ser\u00e1 conduzida por uma Coordena\u00e7\u00e3o Pr\u00f3-Central, com representa\u00e7\u00e3o de todas as correntes listadas acima, que dever\u00e1 apresentar uma proposta de formato do Congresso at\u00e9 janeiro de 2010, no pr\u00f3ximo F\u00f3rum Social Mundial (FSM), al\u00e9m de encaminhar poss\u00edveis atividades conjuntas daqui em diante.<\/p>\n<p>Essa proposta de unifica\u00e7\u00e3o foi a culmina\u00e7\u00e3o do processo que come\u00e7ou no FSM de Bel\u00e9m, em janeiro de 2009, passando por uma primeira etapa do Semin\u00e1rio Nacional em abril e por alguns Semin\u00e1rios locais realizados em v\u00e1rias partes do pa\u00eds, como no ABC. Al\u00e9m disso, os setores envolvidos no Semin\u00e1rio participaram de atividades conjuntas ao longo do ano, como os dias nacionais de luta em 30 de mar\u00e7o e 14 de agosto. Apesar do grave erro de seguir o calend\u00e1rio da CUT e seus sat\u00e9lites e dos atos em conjunto com a burocracia, esses passos abriram caminho para a realiza\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao longo do ano, as correntes majorit\u00e1rias, Conlutas e Intersindical, vinham travando um debate sobre concep\u00e7\u00e3o de central, sendo a principal diverg\u00eancia determinar se a Nova Central poderia ou n\u00e3o ter representa\u00e7\u00e3o do movimento estudantil e popular. Essa diverg\u00eancia era tratada como obst\u00e1culo para impedir a unifica\u00e7\u00e3o. Conforme aproximava-se o Semin\u00e1rio Nacional, tornou-se cada vez mais claro que esse ponto n\u00e3o poderia ser obst\u00e1culo e que seria uma postura irrespons\u00e1vel das correntes majorit\u00e1rias deixar de construir a Nova Central por conta disso. \u00c0s v\u00e9speras do Semin\u00e1rio foram feitas concess\u00f5es, com a Conlutas aceitando abrir m\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o estudantil (o Congresso deliberar\u00e1 sobre uma poss\u00edvel representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de at\u00e9 3% para os estudantes) e a Intersindical aceitando a presen\u00e7a dos movimentos populares, conforme um crit\u00e9rio de participa\u00e7\u00e3o definido pelo MTST. Com base nesse acordo os debates avan\u00e7aram ao longo do pr\u00f3prio Semin\u00e1rio a ponto de convergir para a proposta do Congresso em 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Um balan\u00e7o inicial<\/h2>\n<p>O Espa\u00e7o Socialista participou da constru\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio, tendo sido um dos principais impulsionadores do Semin\u00e1rio regional do ABC (contra a posi\u00e7\u00e3o de Conlutas e Intersindical, que se recusavam a levar esse debate para a base). H\u00e1 v\u00e1rios anos tem sido um dos eixos da nossa pol\u00edtica o chamado \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o das correntes combativas, com base na percep\u00e7\u00e3o que temos da necessidade de reconstruir uma refer\u00eancia de luta para a classe trabalhadora brasileira. Reconhecemos como um avan\u00e7o a proposta de constru\u00e7\u00e3o da Nova Central, pois isso reabre um debate sobre a Reorganiza\u00e7\u00e3o da classe que estava fechado pela postura sect\u00e1ria e aparatista das correntes majorit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Apesar disso, o avan\u00e7o que representa a proposta de unifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o isenta essas correntes da cr\u00edtica aos seus erros durante o processo, e n\u00e3o nos impede de apontar os desafios a serem superados daqui em diante; desafios esses que viemos apresentando nas nossas Tese, onde buscamos discutir em profundidade as verdadeiras tarefas do processo de Reorganiza\u00e7\u00e3o. Mais do que simplesmente fundar uma entidade ou Nova Central, trata-se de construir um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores, com um car\u00e1ter classista, independente do Estado e da patronal, com um funcionamento democr\u00e1tico, enraizado na base, voltado para a disputa ideol\u00f3gica pela consci\u00eancia da classe e com uma estrat\u00e9gia de ruptura em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Um debate que foi reaberto<\/h2>\n<p>O debate sobre a Reorganiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 reaberto num novo patamar e adiantamos a seguir alguns dos elementos que pensamos que devem ser considerados:<\/p>\n<p>1) Necessidade objetiva. A crise econ\u00f4mica mundial n\u00e3o foi superada, apenas momentaneamente aliviada pelas pol\u00edticas do Estado. A gravidade da crise, tanto no seu aspecto econ\u00f4mico quanto pelo fato de abranger outras dimens\u00f5es, como as ambientais, energ\u00e9ticas, alimentares, militares, culturais, etc., obriga a classe trabalhadora e suas lideran\u00e7as a se reagrupar para organizar unitariamente a resist\u00eancia e a contra-ofensiva aos ataques do capital.<\/p>\n<p>2) Repress\u00e3o. Com os ataques do capital, tende a recrudescer a repress\u00e3o do Estado contra os setores que se colocam em luta. O ataque policial (e para-militar), jur\u00eddico e ideol\u00f3gico contra os sem-terra no campo, o operativo policial de guerra contra a popula\u00e7\u00e3o das favelas nas cidades, que tem produzido um verdadeiro exterm\u00ednio da juventude negra, e o endurecimento da patronal e do governo contra os setores que fizeram greve em 2009; tudo isso imp\u00f5e a necessidade da unidade.<\/p>\n<p>3) Direitiza\u00e7\u00e3o da burocracia. A CUT e as demais burocracias que direta ou indiretamente funcionam como seus sat\u00e9lites (FS, CTB, UGT, NCST, CGTB) aprofundam sua integra\u00e7\u00e3o ao aparato do Estado e seu apoio pol\u00edtico ao governo, sabotando e obstruindo o desenvolvimento das lutas, criando sindicatos amarelos nas bases da esquerda, atacando a vanguarda e perseguindo correntes de esquerda e ativistas, atuando diretamente como bra\u00e7o da patronal no movimento. Isso torna mais urgente construir alternativas pol\u00edticas e organizativas claramente delimitadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burocracia.<\/p>\n<p>4) Recuperar o tempo perdido. A origem do debate sobre a Reorganiza\u00e7\u00e3o na verdade remonta a 2004, quando o Encontro de Luizi\u00e2nia terminou em ruptura, com um setor optando por construir a Conlutas e outro, que daria origem \u00e0 Intersindical, ficando de fora. Irresponsavelmente, cada uma apostou no seu projeto, secundarizando a necessidade objetiva da unidade e demonstrando apego mortal pelos aparatos. Ao longo de todo o governo Lula o aventureirismo, o sectarismo e o aparatismo dessas correntes mantiveram as duas principais for\u00e7as separadas, com graves preju\u00edzos para as lutas. O Encontro de mar\u00e7o de 2007 no Ibirapuera em S\u00e3o Paulo e os 1\u00bas de Maio de luta unificados mantiveram a perspectiva da unidade, que no entanto, somente agora, no \u00faltimo momento, veio a se materializar.<\/p>\n<p>5) Press\u00e3o da vanguarda. As lutas dos \u00faltimos anos produziram uma vanguarda de ativistas que gravita em torno de Conlutas e Intersindical, sem se integrar organicamente a nenhuma delas, por desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a essas dire\u00e7\u00f5es e uma s\u00e9rie de outras raz\u00f5es. Havia nessa vanguarda uma insatisfa\u00e7\u00e3o com o estado de fragmenta\u00e7\u00e3o da esquerda e uma press\u00e3o pela unifica\u00e7\u00e3o, que acabou se impondo. N\u00e3o haveria como se justificar perante a vanguarda se n\u00e3o houvesse avan\u00e7os pela unidade.<\/p>\n<p>6) Fragilidade da unidade. A unidade alcan\u00e7ada at\u00e9 o momento, apesar de refletir uma press\u00e3o objetiva da realidade (crise econ\u00f4mica e societal) e subjetiva por parte de um setor de vanguarda, n\u00e3o expressa uma mobiliza\u00e7\u00e3o real e massiva da classe no seu conjunto, \u00fanico elemento capaz de impor uma unidade de fato. A unidade em torno da proposta de Congresso pode ser apenas uma express\u00e3o de oportunismo eleitoral de correntes interessadas em acordos provis\u00f3rios. N\u00e3o est\u00e1 descartada a possibilidade de rachas dentro da Coordena\u00e7\u00e3o Pr\u00f3-Central, ou ainda, a possibilidade de que a proposta de unidade venha a naufragar no Congresso.<\/p>\n<p>7) V\u00edcios e problemas de m\u00e9todo. O lan\u00e7amento da proposta de unifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um avan\u00e7o, mas \u00e9 apenas um primeiro passo, pois a ruptura real com as formas tradicionais de organiza\u00e7\u00e3o, em especial no movimento sindical, constitui o mais importante desafio da Reorganiza\u00e7\u00e3o. A vincula\u00e7\u00e3o ao Estado, o financiamento via imposto sindical, a burocratiza\u00e7\u00e3o dos dirigentes, o distanciamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 base, a aus\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, o economicismo, o imediatismo, o corporativismo, a falta de trabalho ideol\u00f3gico, entre outras quest\u00f5es, s\u00e3o v\u00edcios que se reproduzem mesmo nos sindicatos dirigidos pela esquerda. A pr\u00f3pria din\u00e2mica do Semin\u00e1rio, a sua prepara\u00e7\u00e3o sem envolver a base, um funcionamento em que n\u00e3o houve debate real, com os dirigentes resolvendo tudo em reuni\u00f5es fechadas, refletem a perman\u00eancia desses v\u00edcios.<\/p>\n<p>8) Necessidade de um projeto. A forma\u00e7\u00e3o de uma Nova Central n\u00e3o pode se reduzir \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um novo logotipo para adornar chapas em elei\u00e7\u00f5es sindicais. A Nova Central deve servir como instrumento a servi\u00e7o de um verdadeiro Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores, que transcenda os processos sindicais e eleitorais, realize uma disputa ideol\u00f3gica profunda pela consci\u00eancia dos trabalhadores na base e apresente um verdadeiro projeto de poder da classe, em ruptura com o capitalismo e em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o desse Movimento \u00e9 a proposta do Espa\u00e7o Socialista e o chamado que fazemos a todas as correntes e ativistas envolvidos no debate da Reorganiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo3\"><\/a>CONTRA AS ALTERNATIVAS BURGUESAS, CONSTRUIR UM MOVIMENTO POL\u00cdTICO DOS TRABALHADORES!<\/h1>\n<p>\u00c9 um fato que o debate das sa\u00eddas pol\u00edticas para o pa\u00eds j\u00e1 est\u00e1 em andamento, tanto pelos desdobramentos provocados pela crise da economia, quanto pela proximidade das elei\u00e7\u00f5es de 2010.<\/p>\n<p>Com a crise estrutural do capital e a interven\u00e7\u00e3o maci\u00e7a do Estado para salvar a lucratividade do sistema, at\u00e9 mesmo as lutas mais imediatas tomam uma dimens\u00e3o pol\u00edtica, sobre qual deve ser o rumo a seguir: se submeter aos interesses do capital \u2013 o que significa para a classe trabalhadora a perda cada vez maior de todos os direitos, em dire\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o chin\u00eas de explora\u00e7\u00e3o &#8211; ou a romper com a l\u00f3gica e a ordem burguesa no sentido de que a produ\u00e7\u00e3o e a economia sejam postas a servi\u00e7o das necessidades coletivas dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Assim, o desafio \u00e9 muito maior do que apenas a luta sindical e imediata: \u00e9 preciso avan\u00e7ar para um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores que seja capaz de aglutinar os setores mais combativos e conscientes para apresentar ao conjunto dos explorados tanto essa cr\u00edtica ideol\u00f3gica-pr\u00e1tica ao capitalismo como de construir uma alternativa dos trabalhadores. Sem esse movimento pol\u00edtico, mesmo as lutas imediatas mais her\u00f3icas ficam desprovidas de um referencial maior e tendem a ser desviadas ou mesmo derrotadas.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 est\u00e1 claro para qualquer trabalhador consciente, nada se pode esperar dos partidos governistas que passaram a defender diretamente a ordem burguesa como o PT e o PC do B.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 preocupante o fato de que, olhando para a esquerda de luta e antigovernista, chegamos ao final de 2009 sem que, at\u00e9 agora, nada se tenha definido em termos de uma alternativa pol\u00edtica dos trabalhadores para uma participa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica nas elei\u00e7\u00f5es de 2010 e principalmente depois delas, quando certamente vir\u00e3o os maiores ataques aos trabalhadores.<\/p>\n<p>O PSOL continua em crise em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s sua pol\u00edtica de alian\u00e7as e defini\u00e7\u00e3o de sua candidatura a presidente, haja visto que Helo\u00edsa Helena que representa o setor mais \u00e0 direita dentro desse partido j\u00e1 declarou preferir uma alian\u00e7a com a candidatura de Marina Silva, filiada recentemente ao PV. Como essa alian\u00e7a n\u00e3o foi aprovada no \u00faltimo Congresso do PSOL, ela se recusa a ser candidata a presidente. Prefere a candidatura ao Senado por Alagoas, tentando com isso ser eleita e aumentar seu peso dentro do PSOL para defender seu projeto de alian\u00e7as do PSOL com partidos burgueses considerados \u201cprogressivos\u201d. Essa foi a mesma trajet\u00f3ria que o PT tomou e que o levou a abandonar seu programa e seu compromisso com os trabalhadores.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o de Helo\u00edsa Helena \u00e9 compreens\u00edvel \u00e0 luz da evolu\u00e7\u00e3o de seu partido. Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es para o governo do Rio Grande do Sul, o diret\u00f3rio nacional do PSOL escandalosamente aceitou dinheiro da Gerdau, uma das maiores empresas do pa\u00eds, abrindo m\u00e3o de uma quest\u00e3o fundamental que \u00e9 a auto-sustenta\u00e7\u00e3o e a independ\u00eancia financeira das organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores frente ao estado e \u00e0 burguesia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as propostas de Helo\u00edsa Helena e do PSOL desde as elei\u00e7\u00f5es de 2006 foram sempre mais \u00e0 direita do que as reivindica\u00e7\u00f5es do movimento, mesmo no que toca a aspectos amplamente debatidos e defendidos por toda a esquerda, como a quest\u00e3o do N\u00e3o Pagamento da D\u00edvida P\u00fablica \u2013 em que ela defendia apenas uma auditoria \u2013 e a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, em que ela se colocou diretamente contra.<\/p>\n<p>Por sua vez a proposta do PSTU de Frente de Esquerda com o PSOL e o PCB, segue limitada a uma alian\u00e7a para as elei\u00e7\u00f5es e definida pela c\u00fapula onde, embora n\u00e3o se diga claramente, o fator que mais interfere \u00e9 o peso que cada corrente ter\u00e1 dentro da poss\u00edvel Frente de Esquerda. A discuss\u00e3o de um Projeto para o pa\u00eds, que siga para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, o trabalho de base nas estruturas da classe trabalhadora e dos estudantes, o chamado \u00e0 ampla participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e demais organiza\u00e7\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o desse projeto, tudo isso \u00e9 menosprezado. At\u00e9 mesmo a base desses partidos tem pouca participa\u00e7\u00e3o nessas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>O Espa\u00e7o Socialista tem seguidamente denunciado que esses s\u00e3o v\u00edcios t\u00eam origem no fato de que essas correntes colocam os interesses de sua constru\u00e7\u00e3o acima dos interesses da constru\u00e7\u00e3o do movimento de conjunto, quando deveria ser o contr\u00e1rio. Elas deveriam ser os maiores defensores da unidade, do trabalho pol\u00edtico cotidiano junto \u00e0 base da classe trabalhadora e da participa\u00e7\u00e3o mais ampla poss\u00edvel dos trabalhadores nas decis\u00f5es. Nenhum projeto socialista, por mais bonito que esteja no papel, vai se tornar realidade se a classe trabalhadora n\u00e3o for parte ativa de sua constru\u00e7\u00e3o; se a classe trabalhadora for apenas uma expectadora dos acontecimentos e das decis\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Inverter a l\u00f3gica e construir um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores pela base!<\/h2>\n<p>Uma vez que todas as grandes correntes se colocam como classistas, antigovernistas, e anti-burocr\u00e1ticas, a discuss\u00e3o das candidaturas e do peso que cada corrente ter\u00e1 passa a ser uma quest\u00e3o menor, que n\u00e3o serve de desculpa para a divis\u00e3o frente \u00e0 necessidade de unir o setor combativo e os trabalhadores.<\/p>\n<p>Partimos da experi\u00eancia do processo de reorganiza\u00e7\u00e3o sindical, em que somente uma grande press\u00e3o da vanguarda e mesmo da base das correntes for\u00e7ou as dire\u00e7\u00f5es, mesmo na \u00faltima hora, a abrirem m\u00e3o de parte de seus interesses para que fosse poss\u00edvel marcar um Congresso Nacional de Trabalhadores em junho de 2010 (ver mat\u00e9ria sobre reorganiza\u00e7\u00e3o nesta edi\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>A possibilidade dessa unidade sindical deve no entanto ser parte de um Projeto muito maior para a sociedade. Novamente a responsabilidade est\u00e1 com as grandes correntes se haver\u00e1 ou n\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de se avan\u00e7ar para um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores que seja a express\u00e3o dos interesses dos trabalhadores contra o capital nas elei\u00e7\u00f5es de 2010 e para al\u00e9m delas.<\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 preciso que seja um movimento amplo, juntando o conjunto dos sindicatos, correntes e ativistas que se colocam no campo da luta anticapitalista e antigovernista.<\/p>\n<p>Esse movimento precisa envolver a base das organiza\u00e7\u00f5es de luta dos trabalhadores e deve apontar para a necessidade de romper com a l\u00f3gica do capital e de que os trabalhadores unam em torno de si a todos os demais oprimidos, assumam o poder pol\u00edtico da sociedade e impulsione a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista.<\/p>\n<p>Frente a isso, as diverg\u00eancias que ocorram em rela\u00e7\u00e3o ao peso de cada corrente no caso das candidaturas nas elei\u00e7\u00f5es de 2010, podem se resolver de v\u00e1rias formas com as correntes propondo um acordo ou n\u00e3o. O fundamental \u00e9 que os trabalhadores e ativistas sejam envolvidos nas decis\u00f5es, podendo ser atrav\u00e9s de uma Plen\u00e1ria Nacional de movimentos e ativistas, ou outro f\u00f3rum que cumpra esta finalidade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo4\"><\/a>LAN\u00c7AMENTO DE Z\u00c9 MARIA PR\u00c9-CANDIDATO: VEM DE CIMA, SEM PRIORIZAR A UNIDADE DA ESQUERDA, NEM A DISCUSS\u00c3O COM O MOVIMENTO<\/h1>\n<p>No Semin\u00e1rio Nacional de Reorganiza\u00e7\u00e3o v\u00e1rias correntes apregoaram a \u201cnecessidade de unir a esquerda socialista e ir \u00e0s bases para ajudar a avan\u00e7ar a consci\u00eancia dos trabalhadores\u201d. Dias ap\u00f3s, o PSTU \u2013 um dos partidos que mais falou de unidade e de discuss\u00e3o com a base dos movimentos, saiu com o lan\u00e7amento de sua pr\u00e9-candidatura a presidente \u2013 Z\u00e9 Maria. Isso representa uma pol\u00edtica de tensionar a disputa com o PSOL e o PCB por mais espa\u00e7o e peso dentro de uma poss\u00edvel Frente de Esquerda.<\/p>\n<p>Ao lan\u00e7ar Z\u00e9 Maria, o PSTU sinaliza para o PSOL e o PCB que, se n\u00e3o houver um acordo satisfat\u00f3rio para ele, poder\u00e1 manter sua candidatura pr\u00f3pria a presidente para 2010. At\u00e9 agora a pol\u00edtica tanto do PSOL quanto do PSTU n\u00e3o contribuem para apontar um caminho de unidade da esquerda que permita aos trabalhadores terem sua express\u00e3o pol\u00edtica tamb\u00e9m nas elei\u00e7\u00f5es Aqui n\u00e3o estamos questionando a autonomia que qualquer partido possui de lan\u00e7ar seus pr\u00e9-candidatos e nem o car\u00e1ter classista e socialista de Z\u00e9 Maria.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o de como devem se construir as candidaturas ou pr\u00e9-candidaturas dos trabalhadores. O que se v\u00ea por parte dos do PSTU \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o de uma concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica onde as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas pelo partido e apresentadas prontas aos trabalhadores e demais organiza\u00e7\u00f5es, cabendo apenas aceitar ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a pr\u00e9-candidatura aparece sem um Projeto que aponte para a unidade da esquerda e sem que sequer tenha ocorrido qualquer debate de programa junto aos trabalhadores. Na nossa opini\u00e3o, esse m\u00e9todo de apresentar as coisas pr\u00e9-definidas n\u00e3o contribui para a unidade da esquerda e muito menos para a atrair as camadas mais amplas da vanguarda e das massas, pois n\u00e3o incorpora o papel ativo dos ativistas e dos trabalhadores, reduzindo-os a meros apoiadores ou pior, a expectadores.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s dessa pol\u00edtica vir de cima para baixo, deveria apontar propostas para a unidade do conjunto da esquerda, a partir de um Programa M\u00ednimo Socialista em uma discuss\u00e3o ampla com os ativistas nas estruturas do movimento, como assembl\u00e9ias, plen\u00e1rias, reuni\u00f5es, etc. (conforme o esp\u00edrito da mat\u00e9ria ao lado) A partir dessa discuss\u00e3o feita na base, ent\u00e3o se passaria \u00e0 defini\u00e7\u00e3o das melhores candidaturas que pudessem expressar esse movimento pol\u00edtico. Como vemos, nessa concep\u00e7\u00e3o do PSTU e da maioria da esquerda, as coisas ficam invertidas&#8230;<\/p>\n<p>Ao centrar o debate nas candidaturas, ao inv\u00e9s do programa e ao apresent\u00e1-la de cima para baixo, o PSTU aplica a mesma metodologia do PSOL, que tamb\u00e9m apresentam seus candidatos n\u00e3o a partir de um debate na base do movimento e com as demais organiza\u00e7\u00f5es, mas sim da dire\u00e7\u00e3o e de setores do pr\u00f3prio PSOL.<\/p>\n<p>O que se trata de modificar \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es com os ativistas e com os trabalhadores no sentido da constru\u00e7\u00e3o de sua a\u00e7\u00e3o e subjetividade e n\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de meros reprodutores de pol\u00edticas pr\u00e9-definidas. \u00c0s organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias cabe ajudar os trabalhadores no avan\u00e7o de sua a\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia e n\u00e3o substitu\u00ed- los.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo5\"><\/a>A FORMA\u00c7\u00c3O DOS PROFESSORES E A EXPANS\u00c3O DO ENSINO \u00c0 DIST\u00c2NCIA<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Cl\u00e1udio Santana<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No \u00faltimo per\u00edodo ocorreram uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es em torno da crise do ensino p\u00fablico no Brasil. Diversos setores \u2013 sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos \u2013 que participaram dessa discuss\u00e3o praticamente foram un\u00e2nimes em afirmar que a culpa pelo fracasso no rendimento escolar era dos professores e, sobretudo, apontavam sua forma\u00e7\u00e3o deficit\u00e1ria como um dos fatores centrais. A ex-secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, chegou a afirmar que os cursos de\u00a0Pedagogias deveriam ser fechados.<\/p>\n<p>Primeiro, \u00e9 necess\u00e1rio ressaltar que os professores, enquanto setor organizado, n\u00e3o foram e n\u00e3o s\u00e3o consultados sobre essa discuss\u00e3o envolvendo a sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo, os setores mais engajados nessa discuss\u00e3o s\u00e3o aqueles que defendem uma Educa\u00e7\u00e3o que tenha como objetivo central: &#8220;fornecer os conhecimentos e o pessoal necess\u00e1rio \u00e0 maquina produtiva em expans\u00e3o do sistema do capital, como tamb\u00e9m gerar e transmitir um quadro de valores que legitima os interesses dominantes, como se n\u00e3o pudesse haver nenhuma alternativa\u00a0\u00e0 gest\u00e3o da sociedade, seja na forma\u00a0&#8216;internalizada&#8217; (isto \u00e9, pelos indiv\u00edduos devidamente &#8216;educados&#8217; e aceitos) ou atrav\u00e9s de uma domina\u00e7\u00e3o estrutural e uma subordina\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica e implacavelmente impostas&#8221;. (M\u00e9sz\u00e1ros &#8211; A educa\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do capital. p.35)<\/p>\n<p>Dessa forma, &#8220;os professores constituem, em raz\u00e3o do seu n\u00famero e da fun\u00e7\u00e3o que\u00a0 desempenham, um dos mais importantes grupos\u00a0ocupacionais e uma das principais pe\u00e7as da economia das sociedades modernas&#8221;. (Tardif\u00a0&amp;Lessard \u2013 Professores do Brasil: impasses e desafios. p.15)<\/p>\n<p>Nada mais natural que aqueles que comandam a economia capitalista ou est\u00e3o a servi\u00e7o dela participem dessa discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, a forma\u00e7\u00e3o do professor ganha outros contornos com a expans\u00e3o do EAD (Ensino \u00e0\u00a0Dist\u00e2ncia) que cresceu muito nos \u00faltimos dois anos. Somente na regi\u00e3o do ABC atingiu um \u00edndice de crescimento de 128%. Os cursos \u00e0 dist\u00e2ncia j\u00e1 vinham sendo utilizados em capacita\u00e7\u00f5es e cursos de aperfei\u00e7oamentos para professores efetuados, sobretudo, pela Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Embora os governos, municipal, estadual e federal, se apresentem preocupados com a forma\u00e7\u00e3o dos professores sempre trataram a nossa forma\u00e7\u00e3o de modo prec\u00e1rio e nunca tiveram como prioridade o investimento no professor e na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. At\u00e9 porque\u00a0se torna mais f\u00e1cil culpar os professores e n\u00e3o assumir a responsabilidade pelo fracasso escolar.<\/p>\n<p>Os recursos p\u00fablicos e os incentivos fiscais sempre foram direcionados para os empres\u00e1rios. Com a crise estrutural do capitalismo, a drenagem do dinheiro p\u00fablico para as empresas e bancos se ampliou e o Estado, ao gerenciar a crise, se endivida ainda mais e retira recursos da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e moradia.<\/p>\n<p>Com isto, o investimento na expans\u00e3o do ensino \u00e0 dist\u00e2ncia serve para criar uma falsa id\u00e9ia de que os governos est\u00e3o investindo na melhora da qualidade do ensino p\u00fablico e encobre o real destino do dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>No documento refer\u00eancia, do governo federal, para a Confer\u00eancia Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 realizada em 2010, podemos verificar: \u201cA forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o\u00a0 dos profissionais do magist\u00e9rio devem contemplar aspectos estruturais, particularmente, e superar, paulatinamente, as solu\u00e7\u00f5es emergenciais tais como: cursos de gradua\u00e7\u00e3o (forma\u00e7\u00e3o inicial) \u00e0 dist\u00e2ncia; cursos de dura\u00e7\u00e3o reduzida; contrata\u00e7\u00e3o de profissionais liberais como docentes; aproveitamento de alunos de licenciatura como docentes; e o uso de telessalas&#8221;.<\/p>\n<p>E isso j\u00e1 acontece na pr\u00e1tica: &#8220;BNDES aprova apoio a projeto de ensino a dist\u00e2ncia no Rio&#8221;. &#8220;A participa\u00e7\u00e3o\u00a0 do BNDES corresponde a 52,7% dos investimentos totais. O projeto tem valor de R$ 7,3 milh\u00f5es e \u00e9 apoiado pelo MEC, pelo governo fluminense e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia&#8221;.<\/p>\n<p>Com o objetivo de: &#8220;levar a educa\u00e7\u00e3o\u00a0superior p\u00fablica e gratuita ao interior do Estado do Rio, reduzindo a car\u00eancia de professores de ensino m\u00e9dio e fundamental, que ser\u00e3o formados e qualificados na pr\u00f3pria comunidade&#8221;. (dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.gestaouniversitaria.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.gestaouniversitaria.com.br<\/a>)<\/p>\n<p>Um dos motivos que levou os trabalhadores, estudantes e professores da USP a ficarem cerca de 57 dias em greve foi a cria\u00e7\u00e3o da Universidade Virtual do Estado de S\u00e3o Paulo. Criada por Jos\u00e9 Serra (PSDB) \u00e9 destinada, principalmente, para a forma\u00e7\u00e3o de professores. O primeiro curso,\u00a0Pedagogia, oferecer\u00e1 1350 vagas, inicialmente.<\/p>\n<p>O ensino \u00e0 dist\u00e2ncia j\u00e1 atinge os alunos do Ensino M\u00e9dio e ser\u00e1 ampliado. Uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Estadual de\u00a0Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo permite que as escolas ofere\u00e7am at\u00e9 20% da carga hor\u00e1ria nesta modalidade.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os relatos de estudantes graduados\u00a0no ensino\u00a0\u00e0\u00a0dist\u00e2ncia que sofrem preconceito quando v\u00e3o procurar emprego. At\u00e9 mesmo professores de pedagogia e outras\u00a0gradua\u00e7\u00f5es que s\u00e3o impedidos de prestar concurso. A pr\u00f3pria prefeitura do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo n\u00e3o reconhece determinados diplomas de institui\u00e7\u00f5es mantenedoras desses cursos.<\/p>\n<p>Evidencia-se que\u00a0no Brasil temos dois sistemas educacionais. Um elitilizado, para atender os filhos daqueles que dirigem, comandam e lucram com a ordem burguesa composto por\u00a0escolas particulares e universidades p\u00fablicas e privadas com qualidade voltada para a l\u00f3gica mercantil. Outro sistema de ensino que atende uma parcela da classe m\u00e9dia (que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de pagar escola particular) e os filhos dos trabalhadores. Esse sistema tem como objetivo principal conter e atenuar as contradi\u00e7\u00f5es causadas pelo capitalismo. A qualidade n\u00e3o \u00e9 prioridade, busca-se garantir certa liberdade de consumo.<\/p>\n<p>Composto de escolas municipais, estaduais e universidades privadas de qualidade questionada e que trabalham com o ensino presencial, semipresencial e \u00e0 dist\u00e2ncia, esse segundo sistema tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o de quase a totalidade dos professores que nele trabalham.<\/p>\n<p>Com base nisso, fica claro que a expans\u00e3o do ensino a dist\u00e2ncia, visa manter a ordem estabelecida na forma como est\u00e1 ou corrigir algum detalhe sem que se mexa na estrutura do sistema. Muito pelo contr\u00e1rio, aprofunda-se o abismo. O que se busca, \u00e9 manter a ordem burguesa\u00a0como est\u00e1, economizar dinheiro para dar \u00e0s empresas e bancos, dar um car\u00e1ter assistencialista \u00e0 escola, dar uma forma\u00e7\u00e3o limitada aos alunos, que far\u00e3o parte dos desempregados estruturais e exercer um papel de conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante disso, \u00e9 necess\u00e1rio que todos os trabalhadores participem da discuss\u00e3o sobre a qualidade de ensino.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00f3s trabalhadores devemos\u00a0tratar a Educa\u00e7\u00e3o\u00a0em todos os n\u00edveis, como um bem coletivo, um dos instrumentos de transforma\u00e7\u00e3o social, espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e desenvolvimento humano. Uma escola emancipadora de todo tipo opress\u00e3o e que desenvolva a consci\u00eancia da necessidade de uma sociedade sustent\u00e1vel e n\u00e3o destruidora.<\/p>\n<p>Diante disso, defendemos:<\/p>\n<p>&#8211; Uma escola emancipadora de todo tipo opress\u00e3o e que desenvolva a consci\u00eancia socialista;<\/p>\n<p>&#8211; Ensino p\u00fablico, laico e gratuito em todos os n\u00edveis;<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0Expans\u00e3o do ensino p\u00fablico superior que prioza\u00a0a forma\u00e7\u00e3o de professores;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a forma\u00e7\u00e3o de professores defendemos:<\/p>\n<p>&#8211; Forma\u00e7\u00e3o permanente em universidades p\u00fablicas;<\/p>\n<p>&#8211; Afastamento remunerado a cada dois anos para forma\u00e7\u00e3o (atualiza\u00e7\u00e3o, aperfei\u00e7oamento e especializa\u00e7\u00e3o) a crit\u00e9rio do professor;<\/p>\n<p>&#8211; Afastamento integral para dedica\u00e7\u00e3o exclusiva ao mestrado e\/ou doutorado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo6\"><\/a>LICEN\u00c7A-MATERNIDADE OBRIGAT\u00d3RIA DE 6 MESES PARA TODAS AS TRABALHADORAS, SEM DISCRIMINA\u00c7\u00c3O<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Iraci Lacerda<\/p>\n<p>\u00a0N\u00e3o poder\u00edamos esperar nada diferente do governo Lula, governadores, prefeitos, deputados e senadores representantes direto do empresariado brasileiro quanto \u00e0 licen\u00e7a-maternidade.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da mulher trabalhadora \u00e9 t\u00e3o cruel quanto \u00e0 da crian\u00e7a que n\u00e3o tem direito \u00e0 vida e ao tempo necess\u00e1rio de aleitamento materno. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), a m\u00e3e deve amamentar o beb\u00ea por no m\u00ednimo seis meses e preferencialmente at\u00e9 dois anos.<\/p>\n<p>No entanto, a Lei 11.770, que possibilita o aumento da licen\u00e7a maternidade para 180 dias, \u00e9 uma verdadeira afronta \u00e0 classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O pagamento dos sal\u00e1rios das trabalhadoras da iniciativa privada em licen\u00e7a-maternidade sempre foi realizado pelo INSS. E o pagamento dos sal\u00e1rios das servidoras sempre foi realizado pelos Institutos de Previd\u00eancia, ou seja, sempre pelos pr\u00f3prios trabalhadores, j\u00e1 que mensalmente recebemos esses descontos na folha de pagamento.<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios que nunca arcaram com este tipo de pagamento, a partir desta Lei, e se quiserem aderir ao Programa Empresa Cidad\u00e3, ainda receber\u00e3o abatimento no Imposto de Renda do valor integral do sal\u00e1rio da trabalhadora.<\/p>\n<p>\u00c9 importante observar que esta Lei n\u00e3o se aplica para as trabalhadoras em micro e pequenas empresas, t\u00e3o pouco para as dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>At\u00e9 mar\u00e7o deste ano apenas 108 munic\u00edpios e 14 estados haviam ampliado a licen\u00e7a-maternidade das servidoras (Ag\u00eancia Brasil, mar\/2009). Em S\u00e3o Paulo, o prefeito Gilberto Kassab vetou o Projeto de Lei que ampliaria a licen\u00e7a-maternidade para as servidoras municipais. O governador Jos\u00e9 Serra aprovou a Lei, mas exclui todas as servidoras estaduais contratadas por tempo determinado, o que representa s\u00f3 na Categoria de professores cerca de 56.000 trabalhadoras. Al\u00e9m de limitar as faltas m\u00e9dicas em seis ao ano, impedindo, na pr\u00e1tica, os exames pr\u00e9-natais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da Lei n\u00e3o ter aplica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u00e9 necess\u00e1rio que a trabalhadora solicite a amplia\u00e7\u00e3o at\u00e9 um m\u00eas ap\u00f3s o parto e isso se houver ades\u00e3o do patr\u00e3o.<\/p>\n<p>O capitalista \u00e9 assim. Necessita de m\u00e3o-de-obra para explorar, mas n\u00e3o quer arcar com o m\u00ednimo necess\u00e1rio para a sua exist\u00eancia. Para isso conta com o respaldo dos governos do PT, PSDB e DEM.<\/p>\n<p>O capitalismo transfere para a mulher trabalhadora e seus filhos os problemas da maternidade ao mesmo tempo em que condena o aborto. Segundo a UNICEF mais de meio milh\u00e3o de mulheres morrem por ano durante a gravidez e o parto. Nos pa\u00edses industrializados a morte de m\u00e3es \u00e9 de um caso para cada 8.000. J\u00e1 nos pa\u00edses em desenvolvimento \u00e9 de um caso para cada 76. Cerca de 4 milh\u00f5es de beb\u00eas n\u00e3o completam um m\u00eas de vida.<\/p>\n<p>No Brasil, o direito \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o humana e a vida s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dificultado quanto \u00e0 nega\u00e7\u00e3o a reprodu\u00e7\u00e3o. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade a cada 100.000 nascimentos registra-se a morte de 74 mulheres ou de 04 mulheres por dia. Esses n\u00fameros desoladores levam a mulher trabalhadora a visualizar a situa\u00e7\u00e3o imediata: ter o filho com seguran\u00e7a, independente de saber quem \u00e9 que vai pagar a conta.<\/p>\n<p>Quando a mulher supera a barreira da morte e da garantia da licen\u00e7amaternidade restam ainda os cuidados com o filho. Abrir m\u00e3o do emprego, dos estudos ou da carreira profissional \u00e9 uma pr\u00e1tica comum para a mulher trabalhadora que n\u00e3o disp\u00f5e de creches e condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para educa\u00e7\u00e3o dos filhos.<\/p>\n<p>Esta Lei discrimina as mulheres com sal\u00e1rios mais baixos e condena seus filhos a condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade menos favor\u00e1veis. A licen\u00e7a-maternidade \u00e9 uma necessidade de toda a classe trabalhadora. Todas as mulheres que trabalham em pequenas ou grandes empresas, em reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, no campo e trabalhadoras dom\u00e9sticas precisam amamentar seus filhos pelo tempo recomendado e em boas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O que defendemos:<\/p>\n<p>&#x2666; Licen\u00e7a Gestante de 6 meses para todas as trabalhadoras (sem isen\u00e7\u00e3o fiscal), tempo ideal para a amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva, com redu\u00e7\u00e3o da jornada ap\u00f3s a volta ao trabalho (entrar uma hora mais tarde e sair uma hora mais cedo) para complementar com o leite materno a alimenta\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a at\u00e9 completar dois anos e meio. A mulher trabalhadora tem direito de amamentar! Doen\u00e7as al\u00e9rgicas, algumas do sistema imunol\u00f3gico, alguns tipos de c\u00e2nceres, obesidade, diabete e doen\u00e7as cardiovasculares podem ser associadas \u00e0 falta de amamenta\u00e7\u00e3o ou \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o irregular.<\/p>\n<p>&#x2666; Creches p\u00fablicas, gratuitas e com qualidade de ensino, funcionamento 24 horas, nos fins-de-semana e inclusive nos locais de trabalho e estudo. Enquanto as creches n\u00e3o estiverem prontas exigimos o Aux\u00edlio Bab\u00e1, em que a pessoa respons\u00e1vel pela crian\u00e7a de at\u00e9 12 anos, receba um sal\u00e1rio m\u00e9dio para contratar uma pessoa de confian\u00e7a que cuidar\u00e1 de seu agregado;<\/p>\n<p>&#x2666; A mulher deve decidir sobre o seu pr\u00f3prio corpo, em todos os sentidos;<\/p>\n<p>&#x2666; Hospitais p\u00fablicos e com qualidade. Existe tecnologia para isso. A quantidade de valor retirado dos trabalhadores tamb\u00e9m possibilita isso. A nossa classe, que trabalha muito, merece ser bem tratada;<\/p>\n<p>&#x2666; N\u00e3o a ditadura do parto normal e at\u00e9 do f\u00f3rceps na rede p\u00fablica e do parto cesariana nos hospitais particulares. A mulher deve ser bem instru\u00edda para decidir com seguran\u00e7a sobre o tipo de parto e ter boa assist\u00eancia.<\/p>\n<p>&#x2666; Por emprego e sal\u00e1rio dignos para todas as trabalhadoras;<\/p>\n<p>&#x2666; Por uma sociedade que valorize a vida e a sa\u00fade de quem trabalha!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tempo de licen\u00e7a e sal\u00e1rio benef\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Diferente do tempo da licen\u00e7a para a mulher trabalhadora \u00e9 o benef\u00edcio sal\u00e1rio-maternidade que deveria ser pago, durante os seis meses, a todas as trabalhadoras rurais, que exercem atividade na terra com a finalidade exclusiva de garantir a subsist\u00eancia ou o sustento familiar. Mas,acusado de promover uma explos\u00e3o demogr\u00e1fica em algumas cidades da regi\u00e3o Nordeste, este aux\u00edlio, pago pelo INSS,corre o risco de ser limitado a um n\u00famero de filhos ou extinto. Na falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para o desenvolvimento de planejamento familiar, de gera\u00e7\u00e3o desemprego, de sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de vida adequados, a mulher e a crian\u00e7a sofrem diretamente as conseq\u00fc\u00eancias negativas das a\u00e7\u00f5es dos governos capitalistas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo7\"><\/a>QUEST\u00c3O RACIAL PARA AL\u00c9M DOS DIAS DE LUTA<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Dalmo Duarte<\/p>\n<p>\u00a0A burguesia brasileira sempre tratou a quest\u00e3o racial a partir de uma \u00f3tica racista, seja no discurso de uma inexistente democracia racial (que se baseia no discurso da irreal igualdade entre negros e brancos), na qual todos convivem harmoniosamente seja por uma pol\u00edtica p\u00fablica que jogou os negros e negras para os piores lugares para se morar, para os piores empregos, com um sistema de sa\u00fade p\u00fablico que, al\u00e9m de ser de p\u00e9ssima qualidade para todos, tamb\u00e9m n\u00e3o tem tratamento para doen\u00e7as com maior incid\u00eancia entre negros e negras, como \u00e9 o caso da anemia falciforme, distantes das escolas e universidade, entre outras..<\/p>\n<p>A atual e antiga situa\u00e7\u00e3o dos negros \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, produto do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista que, para garantir seus lucros, precisa subjugar homens e mulheres e, para facilitar sua domina\u00e7\u00e3o, cria artificialmente outras diferen\u00e7as entre homens e mulheres, como a cor da pele, para desvalorizar ainda mais a for\u00e7a de trabalho, pagando baixos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o tem uma explica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica por ser ela o resultado de um projeto de domina\u00e7\u00e3o, primeiro da pr\u00f3pria Coroa, que optou por uma acumula\u00e7\u00e3o de capital na metr\u00f3pole, uma vez que o tr\u00e1fico negreiro era altamente rent\u00e1vel (o que foi decisivo para a escravid\u00e3o dos negros na Am\u00e9rica portuguesa) e depois por ocasi\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o (era preciso criar uma for\u00e7a de trabalho numerosa e com baixo custo para as ind\u00fastrias que se rec\u00e9m instalavam\u00a0 no pa\u00eds).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>20 de novembro: dia da consci\u00eancia negra e dia de luta<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria oficial e parte importante da historiografia tratam o dia 13 de maio como o dia da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, apresentando-o como um ato de benevol\u00eancia do Estado \u2013na pessoa da princesa Isabel-. Essa \u00e9 uma data oficial e visa iludir os trabalhadores (brancos e negros) afirmando que o trabalho escravo foi extinto naquela assinatura. Essa \u00e9 a hist\u00f3ria contada pela elite branca brasileira durante d\u00e9cadas e, evidentemente, tem o objetivo de reproduzir a ideologia de que falamos antes, sendo que sabemos que as modifica\u00e7\u00f5es que tivemos aconteceram por conta da her\u00f3ica luta dos trabalhadores escravos negros.<\/p>\n<p>Como parte da luta dos negros e negras no Brasil, a partir de 1978, o dia 20 de novembro (data que marca o dia do assassinato de Zumbi, em 1695) al\u00e9m de homenagear o maior dirigente da resist\u00eancia dos escravos passa a ser tamb\u00e9m um dia de luta pelas reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores negros e trabalhadoras negras. A escolha desse dia foi tamb\u00e9m para se contrapor ao oficial dia 13 de maio que, a partir da\u00ed e impulsionado pelo movimento negro, passa a ser o dia nacional de combate ao racismo, ou seja, exatamente o contr\u00e1rio do objetivo da hist\u00f3ria oficial.<\/p>\n<p>O dia 20 de novembro desse ano ocorre em um momento ainda mais delicado em que as for\u00e7as de repress\u00e3o policial atacam com toda viol\u00eancia os morros e periferias do pa\u00eds e fazem tombar centenas de corpos negros. A crise econ\u00f4mica \u00e9 outra quest\u00e3o importante porque s\u00e3o os negros e negras que mais sofrem com o desemprego e com os sal\u00e1rios mais baixos.<\/p>\n<p>Assim, o 20 de novembro n\u00e3o \u00e9 um dia de comemora\u00e7\u00f5es, mas de luta e reafirma\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es, como as garantias de acesso (cotas proporcionais) e perman\u00eancia na universidade, cotas proporcionais para os empregos \u2013p\u00fablicos e privados- gerados, garantia de atendimento pela rede p\u00fablica de sa\u00fade para doen\u00e7as com maior incid\u00eancia entre os negros, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A quest\u00e3o racial: como parte da luta cotidiana<\/h2>\n<p>Uma discuss\u00e3o importante que h\u00e1 no movimento social \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da luta contra o capitalismo com as quest\u00f5es raciais (e tamb\u00e9m de g\u00eanero, etc). Ningu\u00e9m tem desacordo que s\u00f3 o socialismo vai permitir superar o racismo e as supostas diferen\u00e7as entre homens e mulheres por conta da cor da pele, mas ningu\u00e9m pode se iludir de que s\u00f3 o fato de haver a revolu\u00e7\u00e3o esses problemas estar\u00e3o superados, pois ainda ser\u00e1 necess\u00e1ria uma longa batalha para passarmos por cima de uma educa\u00e7\u00e3o que dura s\u00e9culos. E essa batalha deve come\u00e7ar desde j\u00e1. para isso \u00e9 preciso que as organiza\u00e7\u00f5es do movimento social tratem a quest\u00e3o racial como parte da luta cotidiana e n\u00e3o somente nas datas \u201cde luta ou de comemora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Via de regra a quest\u00e3o racial tem sido tratada, inclusive na esquerda, ou nos dias de lutas (como o 20 de novembro), ou por departamentos dos sindicatos ou, no caso da Conlutas, nos GTs. \u00c9 evidente que o fato de existir alguma discuss\u00e3o j\u00e1 \u00e9 importante, mas tamb\u00e9m devemos reconhecer que essa metodologia faz com que a discuss\u00e3o fique restrita aos \u201cespa\u00e7os de negros\u201d, onde s\u00f3 os negros e negras organizam os debates, criando uma esp\u00e9cie de \u201cguich\u00ea\u201d da discuss\u00e3o racial, ou seja, a quest\u00e3o racial n\u00e3o \u00e9 assumida pelo conjunto dos militantes.<\/p>\n<p>Um caso que merece destaque s\u00e3o as discuss\u00f5es no interior da Conlutas, que s\u00e3o realizadas no GT de negros e negras e depois a coordena\u00e7\u00e3o nacional recebe os \u201cinformes\u201d de como foi a discuss\u00e3o. A coordena\u00e7\u00e3o nacional participa da discuss\u00e3o pelos informes refor\u00e7ando uma concep\u00e7\u00e3o de que a quest\u00e3o racial \u00e9 coisa de negros e negras. N\u00f3s, ao contr\u00e1rio, a compreendemos como uma discuss\u00e3o de todos os militantes.<\/p>\n<p>A supera\u00e7\u00e3o dessa fragilidade passa em primeiro pelo convencimento dos militantes de que a quest\u00e3o racial n\u00e3o \u00e9 um problema dos negros e negras, mas do conjunto da classe trabalhadora e isso significa que todos devem impulsionar e organizar atividades que envolvam a tem\u00e1tica racial. Outra medida importante \u00e9 que essa discuss\u00e3o seja incorporada ao dia-a-dia e a todas as atividades das entidades, discuss\u00f5es e debates, com a participa\u00e7\u00e3o de negros e brancos, incorporando \u00e0s pautas das categorias as reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores negros e trabalhadoras negras, etc. N\u00e3o estamos dizendo que n\u00e3o possam existir comiss\u00f5es e\/ou GTs sobre a quest\u00e3o racial, mas que a discuss\u00e3o n\u00e3o pode se restringir aos negros e negras.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo8\"><\/a>A GIGANTESCA M\u00c1QUINA DA MORTE DOS ESTADOS UNIDOS<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Marcelo Marques<\/p>\n<p>\u00a0Apesar de ser de extrema relev\u00e2ncia desenvolver todas as conseq\u00fc\u00eancias pol\u00edticas, econ\u00f4micas e ideol\u00f3gicas que significa a exist\u00eancia da maior for\u00e7a b\u00e9lica da hist\u00f3ria da humanidade este texto foca o poder militar estadunidense e sua imensa despropor\u00e7\u00e3o frente aos demais pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p>A atual crise econ\u00f4mica global \u00e9 a press\u00e3o objetiva que faz as pot\u00eancias mundiais disputarem as fontes de energia, as mat\u00e9rias primas e os mercados consumidores com crescente viol\u00eancia. Neste cen\u00e1rio os EUA retomam a ofensiva militar e d\u00e3o novo alento a tomada de posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas por todo mundo sob uma plataforma militar projetada, desenvolvida e consolidada durante o decorrer do s\u00e9culo XX. O desgaste da imagem do imperialismo estadunidense gerado pela administra\u00e7\u00e3o Bush j\u00e1 est\u00e1 em grande parte superada pela gest\u00e3o Obama, e este n\u00e3o tem apresentado voracidade menor que seu antecessor para promover a amplia\u00e7\u00e3o da gigantesca rede de pontos de apoio estrat\u00e9gicos que fazem dos EUA o \u00fanico pa\u00eds com capacidade real de atacar qualquer ponto do globo a qualquer momento. Se n\u00e3o o fazem \u00e9 por raz\u00f5es pol\u00edticas e de sustenta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, pois como veremos abaixo poder militar t\u00eam. \u00c9 importante lembrar que desde a inven\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina a vapor, do advento do capitalismo at\u00e9 o fim do Bloco Sovi\u00e9tico n\u00e3o houve um desequil\u00edbrio t\u00e3o colossal nas rela\u00e7\u00f5es internacionais e nunca uma pot\u00eancia imperialista p\u00f4de navegar sem rival para lhe impor limites, ou rivais que somando suas for\u00e7as o fizessem. N\u00e3o podemos esquecer tamb\u00e9m que os EUA \u00e9 a \u00fanica na\u00e7\u00e3o que j\u00e1 desferiu ataques nucleares contra popula\u00e7\u00f5es civis (Hiroxima e Nagazaki), o que j\u00e1 \u00e9 suficiente para condenar esse pa\u00eds por crime contra a humanidade alem das in\u00fameras interven\u00e7\u00f5es e golpes de estados, os ataques com agentes qu\u00edmicos (Vietnam) e com m\u00edsseis enriquecidos com ur\u00e2nio na Guerra dos B\u00e1lc\u00e3s sob a administra\u00e7\u00e3o Democrata do \u201cpac\u00edfico\u201d Bill Clinton. Ou seja, os EUA est\u00e3o armados, s\u00e3o perigosos e a hist\u00f3ria mostra do que s\u00e3o capazes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Os Estados Unidos, seu or\u00e7amento e efetivo militar<\/h2>\n<p>As for\u00e7as armadas dos EUA contam com um efetivo de 1 milh\u00e3o e 454 mil homens e mulheres ativos, ou seja, engajados e aptos a serem empregados militarmente nas suas for\u00e7as a\u00e9reas, terrestres e navais, podem chegar a 10 milh\u00f5es considerando os militares reformados, aptos a atuarem num cen\u00e1rio de conflito, e os reservistas convoc\u00e1veis, tal contingente pode atingir o limite de 59 milh\u00f5es de homens aptos na idade entre 18 e 49 anos segundo estimativas divulgadas pelo departamento de defesa estadunidense<a href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\">1<\/a>. Para se ter uma id\u00e9ia do significado do custo dessa imensa m\u00e1quina da morte, ainda em 2006 com um or\u00e7amento total de US$ 528 bilh\u00f5es, os EUA respondiam por 46% de todos os gastos militares globais o que era equivalente aos gastos dos 14 maiores or\u00e7amentos militares do mundo. De l\u00e1 para c\u00e1, o or\u00e7amento militar estadunidense vem crescendo e atingiu, em 2009, US$ 583 bilh\u00f5es e se considerarmos o gasto com a administra\u00e7\u00e3o (cerca de 700mil civis), a defesa anti-terrorismo e os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es, espionagem e contra-espionagem o gasto sobe para US$ 786 bilh\u00f5es<a href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\">2<\/a>, sendo que esse gasto pode aumentar ainda mais, pois s\u00f3 representa 4% de seu produto interno bruto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Presen\u00e7a militar estrat\u00e9gica<\/h2>\n<p>Desde a independ\u00eancia dos EUA at\u00e9 os dias atuais, passando pelos movimentos de independ\u00eancia latino americanos e toda a Guerra fria, suas for\u00e7as armadas espalharam bases e pontos de apoios permanentes por todo o globo, no Oriente M\u00e9dio est\u00e3o nos Emirados \u00c1rabes Unidos, Israel, Iraque, Kuwait, Bahrein. Na \u00c1frica, a presen\u00e7a militar estadunidense \u00e9 particularmente importante nos tr\u00eas pa\u00edses do &#8220;chifre africano&#8221;: Djibouti, Eritr\u00e9ia e Eti\u00f3pia. Na ilha brit\u00e2nica de Diego Garcia, em pleno oceano \u00cdndico, est\u00e3o \u00e0 espera de serem convocados, os bombardeiros estrat\u00e9gicos B-52 que podem atacar ao fim de uma hora de v\u00f4o qualquer alvo num raio de mil quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>No C\u00e1ucaso: as bases est\u00e3o na Ge\u00f3rgia e no Azerbaij\u00e3o. Na \u00c1sia Central: localizam-se al\u00e9m do Afeganist\u00e3o, no Uzbequist\u00e3o, Tadjiquist\u00e3o, Quirgu\u00edzia e Cazaquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Europa: a presen\u00e7a dos EUA t\u00eam valor log\u00edsticos como meios de apoio, tr\u00e2nsito e descanso de tropas e situam-se na Alemanha, Espanha, Isl\u00e2ndia, B\u00e9lgica, Dinamarca, Portugal, Hungria, Turquia e Gr\u00e9cia. Na Am\u00e9rica Latina a presen\u00e7a militar estadunidense \u00e9 considerada desde James Monroe, a sua linha de defesa mais importante. A partir da fronteira sul, (como os militares estadunidenses gostam de chamar todos os pa\u00edses a partir de sua fronteira com o M\u00e9xico), o Pent\u00e1gono dirige tropas em Aruba, Cura\u00e7ao, no leste de Cuba em Guant\u00e1namo e em Barbados, o que d\u00e1 a sua for\u00e7a militar total controle a\u00e9reo e naval do Caribe. Na Am\u00e9rica Central existem bases em El Salvador e Honduras. Na Am\u00e9rica do Sul, devido ao encerramento, das bases no Panam\u00e1 e no fechamento da base militar de Manta no Equador, a presen\u00e7a estadunidense se concentra na Col\u00f4mbia, Peru e Paraguai onde est\u00e1 instalada na capital Assun\u00e7\u00e3o, a maior antena de rastreio do subcontinente a servi\u00e7o dos EUA. Projetam-se ainda bases no Brasil e na Tr\u00edplice Fronteira com a Argentina e Paraguai (sobre o Aq\u00fc\u00edfero Guarani, a uma das maiores reservas de \u00e1gua doce do mundo) al\u00e9m da Patag\u00f4nia na Argentina. Os EUA est\u00e3o tamb\u00e9m no Suriname e Guiana Francesa, onde ajudaram a remodelar as infra-estruturas aeron\u00e1uticas. Por \u00faltimo, o extremo Oriente sedia bases norte-americanas no Jap\u00e3o com um efetivo de 63 mil homens, na Cor\u00e9ia do Sul, com de 37 mil homens e nas Filipinas, onde luta ao lado das for\u00e7as regulares contra os rebeldes da Abu Sayyaf, organiza\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana suspeita de estreita liga\u00e7\u00e3o com a Al-Qaeda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>For\u00e7a terrestre, naval e a\u00e9rea<\/h2>\n<p>Para fugir do risco de cair na monotonia ou extrapolar os limites do presente texto, evitaremos uma descri\u00e7\u00e3o enfadonha da gigantesca capacidade tecnol\u00f3gica aplicada a equipamentos de emprego militar no Exercito, Marinha e Aeron\u00e1utica dos EUA, mas n\u00e3o podemos deixar de descrever que as for\u00e7as terrestres (Exercito e fuzileiros navais) somam 1,208 milh\u00f5es de militares, apoiados por 5970 tanques de destrui\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia (30 KM) com blindagem de cer\u00e2mica e armadura de metal, resistente a praticamente toda a muni\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel pelas demais for\u00e7as armadas do planeta e 6000 de destrui\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima. Sua artilharia \u00e9 composta por cerca de 1900 unidades capazes de lan\u00e7ar artefatos que alcan\u00e7am mais de 400\u00a0km, como o M270 Multiple Launch Rocket System<a href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\">3<\/a>.<\/p>\n<p>A for\u00e7a naval estadunidense se estruturou sobre uma espinha dorsal de 06 frotas navais compostas por 11 porta avi\u00f5es de propuls\u00e3o nuclear que transportam at\u00e9 90 aeronaves e 104 mil toneladas de carga, 53 submarinos e dezenas de outras embarca\u00e7\u00f5es como cruzadores, detroieres, fragatas e outros porta-avi\u00f5es de menor porte pra ataque anf\u00edbio pr\u00f3ximo a costa. S\u00f3 para efeito de compara\u00e7\u00e3o os EUA poderiam enfrentar a Marinha Real Brit\u00e2nica, uma das maiores do mundo,\u00a0 que possui um total de 89 navios somente usando seus submarinos.<\/p>\n<p>Seu poder a\u00e9reo combina al\u00e9m dos avi\u00f5es e helic\u00f3pteros da for\u00e7a a\u00e9rea americana (USAF), os equipamentos a\u00e9reos embarcados nos porta avi\u00f5es, as for\u00e7as de apoio e ataque dos fuzileiros e aeronaves do ex\u00e9rcito. Essa capacidade est\u00e1 organizada em uma doutrina que articula dois conceitos de Guerra a\u00e9rea batizados por; Poder A\u00e9reo Absoluto e Poder A\u00e9reo Global. O primeiro \u00e9 o desenvolvimento de uma capacidade de controle e ataque a\u00e9reo que permita ap\u00f3s derrotar qualquer inimigo no ar apoiar as for\u00e7as de solo e coordenar ataques a\u00e9reos at\u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o e controle total do teatro de opera\u00e7\u00f5es (em outras palavras, as casas dos trabalhadores e seu acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, infra-estrutura de saneamento e locomo\u00e7\u00e3o, bem como o acesso a fontes de energia, \u00e1gua e alimentos) no territ\u00f3rio considerado inimigo.<\/p>\n<p>O segundo conceito \u00e9 ampliar a capacidade desenvolvida pelo poder a\u00e9reo absoluto a ponto de ser poss\u00edvel atacar qualquer alvo considerado inimigo pela Casa Branca em qualquer ponto do globo, mesmo\u00a0partindo de bases dentro do territ\u00f3rio EUA. A conjuga\u00e7\u00e3o desses dois conceitos somente \u00e9 poss\u00edvel porque a for\u00e7a a\u00e9rea norte-americana conta com 5778 aeronaves em servi\u00e7o, sendo que 2402 s\u00e3o ca\u00e7as, al\u00e9m de helic\u00f3pteros de ataque como o AH-64 Apache (698 unidades) e o AH-1 SuperCobra (167 unidades). Se opt\u00e1ssemos por fazer uma descri\u00e7\u00e3o minuciosa da capacidade de destrui\u00e7\u00e3o do imperialismo estadunidense ver\u00edamos que o acima descrito refere apenas ao que \u00e9 divulgado e comercializado por sua ind\u00fastria militar, al\u00e9m de que neste texto n\u00e3o tratamos da capacidade nuclear, o que justificaria um estudo aprofundado, mas para se ter uma id\u00e9ia do que estamos falando a doutrina aplicada pelos EUA no contexto de em enfrentamento nuclear baseia-se no conceito &#8220;destrui\u00e7\u00e3o mutuamente assegurada&#8221;, com a ir\u00f4nica sigla MAD (louco, em ingl\u00eas, de Mutually Assured Destruction)<a href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\">4<\/a>, neste conceito a estrat\u00e9gia \u00e9 elevar a quantidade e disponibilidade imediata das armas nucleares norte-americanas a tal n\u00edvel, e em gradua\u00e7\u00e3o com vantagem sobre as poss\u00edveis for\u00e7as antag\u00f4nicas que o agressor teria a certeza de que ao realizar um ataque, seria inexoravelmente destru\u00eddo.<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos com a certeza de que, neste texto, n\u00e3o desenvolvemos nem uma pequena fra\u00e7\u00e3o da capacidade do imperialismo de destruir vidas humanas, mas iniciamos um debate franco sobre o tamanho do desafio que significa lutar por um mundo de paz, onde a tecnologia e a riqueza produzida pelos seres humanos sejam colocadas a servi\u00e7o das necessidades humanas e n\u00e3o do lucro e do capital. Destacamos tamb\u00e9m que n\u00e3o podemos ceder ao infantil impulso da corrida armamentista, pois a luta pela paz \u00e9 necessariamente a luta pol\u00edtica dos trabalhadores de todo o mundo, principalmente, engajando os trabalhadores dos EUA que gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o tem abastecido a m\u00e1quina da guerra e os cemit\u00e9rios com seus filhos, pais, irm\u00e3o e agora tamb\u00e9m irm\u00e3s. Somente com consci\u00eancia de classe e alternativa socialista poderemos imaginar um planeta livre dos impulsos s\u00e1dicos dos \u201csenhores da guerra\u201d que ocupam os estados maiores dos governos e transnacionais.<\/p>\n<p><a href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a> Departament of Defense <a href=\"http:\/\/www.gpoaccess.gov\/usbudget\/fy07\/pdf\/budget\/defense.pdf\">www.gpoaccess.gov<\/a><\/p>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p><a href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a> A m\u00e1quina de guerra &#8211; Veja On-Line<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/260303\/p_058.html\">veja.abril.com.br<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p><a href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a> M270 Multiple Launch Rocket System <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MLRS\">en.wikipedia.org<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=302#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h3>OBAMA E LULA NA LINHA DE FRENTE CONTRA OS TRABALHADORES<\/h3>\n<p>Guerra &eacute; paz<\/p>\n<p>No livro &ldquo;1984&rdquo; George Orwell descreve uma distopia (utopia ao contr&aacute;rio), uma realidade de pesadelo em que uma ditadura brutal controla a vida da sociedade por meio de institui&ccedil;&otilde;es cujos nomes est&atilde;o invertidos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas verdadeiras fun&ccedil;&otilde;es. O &oacute;rg&atilde;o encarregado de fazer a guerra era chamado de Minist&eacute;rio da Paz, o da repress&atilde;o policial de Minist&eacute;rio do Amor, o de falsificar a realidade, Minist&eacute;rio da Verdade, o do racionamento, Minist&eacute;rio da Fartura, e assim por diante. A prova de que vivemos hoje em pleno mundo orwelliano foi escancarada no m&ecirc;s passado.<\/p>\n<p>Em meados de outubro de 2009 o presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, foi agraciado pela academia sueca com o Pr&ecirc;mio Nobel da Paz de 2009. Por esses mesmos dias, o total de soldados estadunidenses mobilizados no Afeganist&atilde;o chegou a 65 mil, somando-se aos 124 mil postados no Iraque para completar o total de 189 mil combatentes. Esse n&uacute;mero ultrapassa os 186 mil mobilizados por Bush, o que faz do obl&iacute;quo Obama um presidente ainda mais beligerante do que o seu mundialmente odiado predecessor (isso sem falar na escalada de viol&ecirc;ncia no Paquist&atilde;o, na reativa&ccedil;&atilde;o da IV Frota no Atl&acirc;ntico, na expans&atilde;o das bases militares na Col&ocirc;mbia, etc.). Um mundo em que um presidente abertamente beligerante &eacute; premiado com o Nobel da Paz &eacute; um mundo em que tudo est&aacute; de cabe&ccedil;a para baixo.<\/p>\n<p>Essa invers&atilde;o orwelliana da realidade &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o das sutilezas ideol&oacute;gicas de que a burguesia &eacute; capaz para perpetuar sua domina&ccedil;&atilde;o. A pr&oacute;pria elei&ccedil;&atilde;o de Obama em 2008 foi uma manobra para reciclar a confian&ccedil;a da popula&ccedil;&atilde;o estadunidense e mundial na viabilidade do capitalismo, no momento mesmo em que o sistema vivenciava a eclos&atilde;o da crise econ&ocirc;mica mais s&eacute;ria em 70 anos. O discurso de mudan&ccedil;a serviu exatamente para encobrir a continuidade do programa pol&iacute;tico dos setores sociais que controlam o pa&iacute;s, a burguesia financeira, o complexo industrial-militar e a ind&uacute;stria do petr&oacute;leo. A imagem do negro, uma minoria oprimida e superexplorada, serviu para difundir a ilus&atilde;o de que as v&iacute;timas do sistema seriam contempladas na nova administra&ccedil;&atilde;o, quando na realidade se tratava tamb&eacute;m do oposto, o aumento da explora&ccedil;&atilde;o sobre os trabalhadores. Quando precisou endurecer o ataque contra a classe trabalhadora estadunidense, a burguesia daquele pa&iacute;s engendrou justamente um presidente no qual amplos setores do proletariado nutriam grandes esperan&ccedil;as, em especial os setores mais pobres e explorados, como os negros, latinos, imigrantes, mulheres e jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os n&uacute;meros da economia e a ideologia burguesa: 2 + 2 = 5<\/p>\n<p>Essa necessidade de atacar a classe trabalhadora n&atilde;o era apenas da burguesia estadunidense, mas do conjunto dos pa&iacute;ses imperialistas colocados no epicentro da crise econ&ocirc;mica. A tend&ecirc;ncia hist&oacute;rica de queda da taxa de lucro inerente ao capitalismo precisa ser enfrentada por meio do aumento da explora&ccedil;&atilde;o do trabalho, que no atual momento &eacute; feito nas condi&ccedil;&otilde;es de um mercado mundializado que permite aos capitalistas comprar a for&ccedil;a de trabalho onde essa mercadoria se apresentar mais barata. Como reflexo disso, os trabalhadores enfrentam em n&iacute;vel mundial uma queda nos seus sal&aacute;rios e uma deteriora&ccedil;&atilde;o nas suas condi&ccedil;&otilde;es de vida. Um relat&oacute;rio da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que &ldquo;o aumento dos sal&aacute;rios m&eacute;dios no mundo caiu, passando de 4,3% em 2007 para 1,4% em 2008. Os dados indicam que mais de 25% dos 53 pa&iacute;ses analisados registraram queda ou estagna&ccedil;&atilde;o salarial&rdquo; (BBC Brasil, 03\/11\/2009). Dados como os &iacute;ndices de desemprego nos Estados Unidos, que chegaram a 9,8% em outubro (17% considerando os trabalhadores subempregados ou que deixaram de procurar emprego), tamb&eacute;m s&atilde;o bastante eloq&uuml;entes no que se refere a mensurar os efeitos da crise econ&ocirc;mica sobre os trabalhadores.<\/p>\n<p>N&uacute;meros como esses, pouco divulgados na imprensa burguesa, contrastam com os n&uacute;meros bombasticamente anunciados por toda parte para alardear uma suposta recupera&ccedil;&atilde;o da economia estadunidense e mundial, um ano depois da eclos&atilde;o da crise econ&ocirc;mica. O crescimento de 3,5% do PIB estadunidense no 3&ordm; trimestre de 2009, interrompendo um ano de queda, deveu-se ao impacto de gastos governamentais para estimular as empresas e o consumo, como o programa &ldquo;cash for clunkers&rdquo; &#8211; literalmente dinheiro por sucata &#8211; uma linha de cr&eacute;dito oferecida pelo governo para quem trocasse carros usados por novos. A inje&ccedil;&atilde;o de dinheiro do Estado nas empresas explica a subida do &iacute;ndice S&amp;P 500, que mede a valoriza&ccedil;&atilde;o das 500 maiores empresas com a&ccedil;&otilde;es listadas na bolsa, e elevou-se em 60% desde mar&ccedil;o. Outro &iacute;ndice importante, o Dow Jones, subiu 50% desde sua maior baixa no auge da crise.<\/p>\n<p>Gastos do governo estadunidense em isen&ccedil;&otilde;es fiscais, programas de est&iacute;mulo, empr&eacute;stimos, estatiza&ccedil;&otilde;es, emiss&atilde;o de t&iacute;tulos, etc., num total que alcan&ccedil;a a ordem de US$ 23 trilh&otilde;es desde o in&iacute;cio da crise, s&atilde;o os respons&aacute;veis pelos &ldquo;green shots&rdquo;, como s&atilde;o chamados os supostos sinais de que a economia estaria a caminho da recupera&ccedil;&atilde;o. Quanto mais incapaz de compreender o funcionamento das crises econ&ocirc;micas capitalistas, mais a ideologia burguesa se v&ecirc; for&ccedil;ada a negar a realidade da crise e se refugiar em dados fragmentados e de curt&iacute;ssimo prazo para se auto-tranq&uuml;ilizar. Dentro da l&oacute;gica burguesa, se as grandes empresas est&atilde;o tendo lucro e as a&ccedil;&otilde;es est&atilde;o em alta, n&atilde;o h&aacute; crise.<\/p>\n<p>Mas h&aacute; dados que at&eacute; mesmo os ide&oacute;logos burgueses mais empedernidos ser&atilde;o for&ccedil;ados a encarar. A emiss&atilde;o massiva de dinheiro pelo governo estadunidense para reativar a economia trouxe um al&iacute;vio tempor&aacute;rio nos &uacute;ltimos meses, mas provocar&aacute; um s&eacute;rio problema a m&eacute;dio prazo, na medida em que o enorme endividamento amea&ccedil;a corroer o pr&oacute;prio valor da moeda. O d&oacute;lar se desvalorizou em 47% em rela&ccedil;&atilde;o ao ouro no per&iacute;odo de novembro de 2008 a novembro de 2009. A possibilidade de colapso do d&oacute;lar como moeda de reserva mundial &eacute; apenas mais uma das conseq&uuml;&ecirc;ncias da atual crise, que portanto est&aacute; longe de ser resolvida, por mais que a matem&aacute;tica burguesa queira nos fazer crer que tudo vai bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Medalha de ouro em trai&ccedil;&atilde;o de classe<\/p>\n<p>A batalha ideol&oacute;gica em torno dos n&uacute;meros da economia &eacute; parte do operativo ideol&oacute;gico geral por meio do qual a burguesia cotidianamente refor&ccedil;a a cren&ccedil;a na inevitabilidade do capitalismo e na inexist&ecirc;ncia de alternativas a esse sistema. Al&eacute;m da figura-chave de Obama, um dos pilares desse operativo ideol&oacute;gico global de defesa do capitalismo est&aacute; em nosso pr&oacute;prio pa&iacute;s: o presidente Lula, que sobressai depois da crise com elevad&iacute;ssimos &iacute;ndices de popularidade. O governo Lula executa uma partilha da riqueza social entre a burocracia estatal e os grandes grupos econ&ocirc;micos burgueses nacionais e estrangeiros, de um modo que sobram migalhas para os programas de bolsa-esmola que mant&eacute;m cativa sua base eleitoral entre os trabalhadores mais pobres.<\/p>\n<p>O governo Lula n&atilde;o pratica um privatismo escancarado, que provocaria resist&ecirc;ncia popular, mas ao mesmo tempo n&atilde;o deixa de entregar as riquezas nacionais &agrave; burguesia. Abre-se o controle de empresas como o Banco do Brasil e a Petrobr&aacute;s ao capital privado (inclusive estrangeiro), mas mant&eacute;m-se um razo&aacute;vel n&iacute;vel de controle pela burocracia estatal. O caso do pr&eacute;-sal &eacute; exemplar, pois um acordo em que a explora&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo ser&aacute; feita por empresas privadas, inclusive estrangeiras, foi apresentado mentirosamente como tendo um car&aacute;ter estatista e garantidor da soberania nacional. Para tornar palat&aacute;vel essa mentira, a Petrobr&aacute;s ter&aacute; um or&ccedil;amento de R$ 250 milh&otilde;es para publicidade em 2010 (Reda&ccedil;&atilde;o Terra, 31\/10\/2009).<\/p>\n<p>A propaganda &eacute; a alma do neg&oacute;cio.\tA escolha do Rio de Janeiro para sede das Olimp&iacute;adas de 2016 sinaliza o reconhecimento da burguesia internacional ao papel do governo Lula como exemplo mundial de governo capaz de controlar os conflitos sociais e impedir o desenvolvimento de lutas dos trabalhadores, um exemplo a ser exportado para os demais pa&iacute;ses perif&eacute;ricos. O candidato &agrave; presid&ecirc;ncia do Uruguai pela Frente Ampla, Jos&eacute; &ldquo;Pepe&rdquo; Mujica assim explica a import&acirc;ncia do supremo mandat&aacute;rio brasileiro no cen&aacute;rio internacional: &ldquo;Lula &eacute; um senhor presidente, com um grande n&uacute;mero do parlamento que vota contra, e mesmo assim logra manejar um pa&iacute;s com as dimens&otilde;es do Brasil, com os problemas que tem. E por que ele consegue isso? Porque negocia, negocia e negocia, tem a paci&ecirc;ncia de um velho dirigente sindical. E esse &eacute; o esp&iacute;rito que devemos ter nesse tema. Ali&aacute;s, aqui entre n&oacute;s, dever&iacute;amos clonar o Lula pela Am&eacute;rica Latina&rdquo; (entrevista para a revista Teoria e Debate &ndash; 21\/10\/2009).<\/p>\n<p>Do Haiti a Honduras, o governo Lula exporta &ldquo;know-how&rdquo; em mistifica&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, com um discurso que aparenta ser de esquerda e pr&aacute;ticas consistentemente de direita, sobretudo no que se refere a impedir o desenvolvimento de uma perspectiva pol&iacute;tica aut&ocirc;noma dos trabalhadores e na dur&iacute;ssima repress&atilde;o sobre os setores em luta (operativo policial de guerra nas favelas, morte aos sem-terra no campo, endurecimento contra as greves, etc.).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m no Brasil o Estado foi usado para salvar o capital em crise e a conta est&aacute; sendo passada para os trabalhadores. As pol&iacute;ticas de ajuda do governo &agrave;s grandes empresas, que totalizaram mais de R$ 480 bilh&otilde;es, permitiram um aquecimento artificial do consumo (autom&oacute;veis, eletrodom&eacute;sticos da linha branca, materiais de constru&ccedil;&atilde;o): &ldquo;Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada na edi&ccedil;&atilde;o da Folha de S. Paulo neste domingo mostra que (&#8230;) o percentual dos entrevistados que possuem carro passou de 34% para 36%, assim como o percentual de donos de m&aacute;quina de lavar subiu de 59% para 65%. (&#8230;) A classe que mais cresceu foi a B (m&eacute;dia-alta), de 23% para 26%&rdquo;(Reda&ccedil;&atilde;o Terra 01\/11\/2009).<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m no Brasil a ajuda &agrave;s grandes empresas provocou aumento do endividamento p&uacute;blico: &ldquo;O setor p&uacute;blico consolidado brasileiro registrou d&eacute;ficit prim&aacute;rio de R$ 5,763 bilh&otilde;es em setembro, pior resultado para o m&ecirc;s da s&eacute;rie hist&oacute;rica iniciada em 2001. Em setembro de 2008, o resultado prim&aacute;rio havia sido superavit&aacute;rio em R$ 6,618 bilh&otilde;es. (&#8230;) A rela&ccedil;&atilde;o d&iacute;vida\/Produto Interno Bruto (PIB), como consequ&ecirc;ncia, teve alta expressiva no m&ecirc;s e alcan&ccedil;ou 44,9% do Produto Interno Bruto (PIB), frente a 44% do PIB em agosto, mostraram os dados divulgados pelo Banco Central &rdquo;(Reuters News 30\/10\/2009).<\/p>\n<p>A economia pode crescer, as empresas podem lucrar e as bolsas de valores podem ter alta, sem que haja diminui&ccedil;&atilde;o do desemprego e melhoria dos sal&aacute;rios. Al&eacute;m de contar com apoio estatal, a burguesia brasileira tamb&eacute;m realizou ajustes estruturais nas empresas sob seu controle, impondo o aumento da explora&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da intensifica&ccedil;&atilde;o do trabalho.<\/p>\n<p>Entretanto, o proletariado brasileiro n&atilde;o foi um coadjuvante passivo na encena&ccedil;&atilde;o dessa pseudo-recupera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Houve lutas importantes em 2009, como a greve geral da USP e as campanhas salariais dos correios, metal&uacute;rgicos e banc&aacute;rios no 2&ordm; semestre, que lutaram contra esse aumento da explora&ccedil;&atilde;o. Essas lutas de resist&ecirc;ncia n&atilde;o foram por&eacute;m suficientes para romper o controle da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica pela burguesia e pelo governo Lula.<\/p>\n<p>Um componente essencial do m&eacute;todo lulista de governar est&aacute; no controle f&eacute;rreo dos principais organismos de luta dos trabalhadores (CUT, MST, UNE, etc.) pela Articula&ccedil;&atilde;o\/PT e seus sat&eacute;lites, que tem sido essencial para impedir que as greves como as que irromperam em 2009 desenvolvessem todo seu potencial de enfrentamento, permanecendo isoladas umas das outras e sem poder de atra&ccedil;&atilde;o sobre o restante da classe. O controle burocr&aacute;tico da Articula&ccedil;&atilde;o e a maquinaria ideol&oacute;gica do governo Lula s&atilde;o alguns dos obst&aacute;culos a serem superados no atual processo de Reorganiza&ccedil;&atilde;o da classe, processo que tem tido seu eixo nos debates em torno da fus&atilde;o entre Conlutas (central em que o PSTU det&eacute;m a maioria) e Intersindical (controlada por setores do PSOL), agrupando tamb&eacute;m outras correntes, e que avan&ccedil;ou no Semin&aacute;rio Nacional realizado em 1 e 2 de novembro em S&atilde;o Paulo. Mais do que nunca se faz urgente a constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa organizativa com um perfil ideol&oacute;gico classista, socialista e capaz de romper com os v&iacute;cios e m&eacute;todos de funcionamento que t&ecirc;m entravado as lutas da classe no &uacute;ltimo per&iacute;odo, e que a pr&oacute;pria esquerda t&ecirc;m reproduzido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo2\">SEMIN&Aacute;RIO LAN&Ccedil;A NOVA CENTRAL E REABRE O DEBATE DA REORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O<\/a><\/h3>\n<p><a name=\"titulo2\">&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>A realiza&ccedil;&atilde;o do semin&aacute;rio<\/p>\n<p>Nos dias 1 e 2 de novembro aconteceu em S&atilde;o Paulo o Semin&aacute;rio Nacional sobre a Reorganiza&ccedil;&atilde;o do movimento sindical e popular. Estiveram presentes as entidades e movimentos que t&ecirc;m organizado os setores mais combativos da classe trabalhadora brasileira nos &uacute;ltimos anos: Conlutas, Intersindical, MTL, MTST, Pastoral Oper&aacute;ria-SP, al&eacute;m de correntes menores como Unidos p\/ Lutar, MAS e Emancipa&ccedil;&atilde;o do Trabalho. O Semin&aacute;rio se concluiu com a proposta de forma&ccedil;&atilde;o de uma Nova Central Sindical e Popular, a ser discutida num Congresso marcado para junho de 2010. A organiza&ccedil;&atilde;o do Congresso ser&aacute; conduzida por uma Coordena&ccedil;&atilde;o Pr&oacute;-Central, com representa&ccedil;&atilde;o de todas as correntes listadas acima, que dever&aacute; apresentar uma proposta de formato do Congresso at&eacute; janeiro de 2010, no pr&oacute;ximo F&oacute;rum Social Mundial (FSM), al&eacute;m de encaminhar poss&iacute;veis atividades conjuntas daqui em diante.<\/p>\n<p>Essa proposta de unifica&ccedil;&atilde;o foi a culmina&ccedil;&atilde;o do processo que come&ccedil;ou no FSM de Bel&eacute;m, em janeiro de 2009, passando por uma primeira etapa do Semin&aacute;rio Nacional em abril e por alguns Semin&aacute;rios locais realizados em v&aacute;rias partes do pa&iacute;s, como no ABC. Al&eacute;m disso, os setores envolvidos no Semin&aacute;rio participaram de atividades conjuntas ao longo do ano, como os dias nacionais de luta em 30 de mar&ccedil;o e 14 de agosto. Apesar do grave erro de seguir o calend&aacute;rio da CUT e seus sat&eacute;lites e dos atos em conjunto com a burocracia, esses passos abriram caminho para a realiza&ccedil;&atilde;o do Semin&aacute;rio.<\/p>\n<p>Ao longo do ano, as correntes majorit&aacute;rias, Conlutas e Intersindical, vinham travando um debate sobre concep&ccedil;&atilde;o de central, sendo a principal diverg&ecirc;ncia determinar se a Nova Central poderia ou n&atilde;o ter representa&ccedil;&atilde;o do movimento estudantil e popular. Essa diverg&ecirc;ncia era tratada como obst&aacute;culo para impedir a unifica&ccedil;&atilde;o. Conforme aproximava-se o Semin&aacute;rio Nacional, tornou-se cada vez mais claro que esse ponto n&atilde;o poderia ser obst&aacute;culo e que seria uma postura irrespons&aacute;vel das correntes majorit&aacute;rias deixar de construir a Nova Central por conta disso. &Agrave;s v&eacute;speras do Semin&aacute;rio foram feitas concess&otilde;es, com a Conlutas aceitando abrir m&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o estudantil (o Congresso deliberar&aacute; sobre uma poss&iacute;vel representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica de at&eacute; 3% para os estudantes) e a Intersindical aceitando a presen&ccedil;a dos movimentos populares, conforme um crit&eacute;rio de participa&ccedil;&atilde;o definido pelo MTST. Com base nesse acordo os debates avan&ccedil;aram ao longo do pr&oacute;prio Semin&aacute;rio a ponto de convergir para a proposta do Congresso em 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um balan&ccedil;o inicial<\/p>\n<p>O Espa&ccedil;o Socialista participou da constru&ccedil;&atilde;o do Semin&aacute;rio, tendo sido um dos principais impulsionadores do Semin&aacute;rio regional do ABC (contra a posi&ccedil;&atilde;o de Conlutas e Intersindical, que se recusavam a levar esse debate para a base). H&aacute; v&aacute;rios anos tem sido um dos eixos da nossa pol&iacute;tica o chamado &agrave; unifica&ccedil;&atilde;o das correntes combativas, com base na percep&ccedil;&atilde;o que temos da necessidade de reconstruir uma refer&ecirc;ncia de luta para a classe trabalhadora brasileira. Reconhecemos como um avan&ccedil;o a proposta de constru&ccedil;&atilde;o da Nova Central, pois isso reabre um debate sobre a Reorganiza&ccedil;&atilde;o da classe que estava fechado pela postura sect&aacute;ria e aparatista das correntes majorit&aacute;rias.<\/p>\n<p>Apesar disso, o avan&ccedil;o que representa a proposta de unifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o isenta essas correntes da cr&iacute;tica aos seus erros durante o processo, e n&atilde;o nos impede de apontar os desafios a serem superados daqui em diante; desafios esses que viemos apresentando nas nossas Tese, onde buscamos discutir em profundidade as verdadeiras tarefas do processo de Reorganiza&ccedil;&atilde;o. Mais do que simplesmente fundar uma entidade ou Nova Central, trata-se de construir um Movimento Pol&iacute;tico dos Trabalhadores, com um car&aacute;ter classista, independente do Estado e da patronal, com um funcionamento democr&aacute;tico, enraizado na base, voltado para a disputa ideol&oacute;gica pela consci&ecirc;ncia da classe e com uma estrat&eacute;gia de ruptura em dire&ccedil;&atilde;o ao socialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um debate que foi reaberto<\/p>\n<p>O debate sobre a Reorganiza&ccedil;&atilde;o est&aacute; reaberto num novo patamar e adiantamos a seguir alguns dos elementos que pensamos que devem ser considerados:<\/p>\n<p>1) Necessidade objetiva. A crise econ&ocirc;mica mundial n&atilde;o foi superada, apenas momentaneamente aliviada pelas pol&iacute;ticas do Estado. A gravidade da crise, tanto no seu aspecto econ&ocirc;mico quanto pelo fato de abranger outras dimens&otilde;es, como as ambientais, energ&eacute;ticas, alimentares, militares, culturais, etc., obriga a classe trabalhadora e suas lideran&ccedil;as a se reagrupar para organizar unitariamente a resist&ecirc;ncia e a contra-ofensiva aos ataques do capital.<\/p>\n<p>2) Repress&atilde;o. Com os ataques do capital, tende a recrudescer a repress&atilde;o do Estado contra os setores que se colocam em luta. O ataque policial (e para-militar), jur&iacute;dico e ideol&oacute;gico contra os sem-terra no campo, o operativo policial de guerra contra a popula&ccedil;&atilde;o das favelas nas cidades, que tem produzido um verdadeiro exterm&iacute;nio da juventude negra, e o endurecimento da patronal e do governo contra os setores que fizeram greve em 2009; tudo isso imp&otilde;e a necessidade da unidade.<\/p>\n<p>3) Direitiza&ccedil;&atilde;o da burocracia. A CUT e as demais burocracias que direta ou indiretamente funcionam como seus sat&eacute;lites (FS, CTB, UGT, NCST, CGTB) aprofundam sua integra&ccedil;&atilde;o ao aparato do Estado e seu apoio pol&iacute;tico ao governo, sabotando e obstruindo o desenvolvimento das lutas, criando sindicatos amarelos nas bases da esquerda, atacando a vanguarda e perseguindo correntes de esquerda e ativistas, atuando diretamente como bra&ccedil;o da patronal no movimento. Isso torna mais urgente construir alternativas pol&iacute;ticas e organizativas claramente delimitadas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; burocracia.<\/p>\n<p>4) Recuperar o tempo perdido. A origem do debate sobre a Reorganiza&ccedil;&atilde;o na verdade remonta a 2004, quando o Encontro de Luizi&acirc;nia terminou em ruptura, com um setor optando por construir a Conlutas e outro, que daria origem &agrave; Intersindical, ficando de fora. Irresponsavelmente, cada uma apostou no seu projeto, secundarizando a necessidade objetiva da unidade e demonstrando apego mortal pelos aparatos. Ao longo de todo o governo Lula o aventureirismo, o sectarismo e o aparatismo dessas correntes mantiveram as duas principais for&ccedil;as separadas, com graves preju&iacute;zos para as lutas. O Encontro de mar&ccedil;o de 2007 no Ibirapuera em S&atilde;o Paulo e os 1&ordm;s de Maio de luta unificados mantiveram a perspectiva da unidade, que no entanto, somente agora, no &uacute;ltimo momento, veio a se materializar.<\/p>\n<p>5) Press&atilde;o da vanguarda. As lutas dos &uacute;ltimos anos produziram uma vanguarda de ativistas que gravita em torno de Conlutas e Intersindical, sem se integrar organicamente a nenhuma delas, por desconfian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o a essas dire&ccedil;&otilde;es e uma s&eacute;rie de outras raz&otilde;es. Havia nessa vanguarda uma insatisfa&ccedil;&atilde;o com o estado de fragmenta&ccedil;&atilde;o da esquerda e uma press&atilde;o pela unifica&ccedil;&atilde;o, que acabou se impondo. N&atilde;o haveria como se justificar perante a vanguarda se n&atilde;o houvesse avan&ccedil;os pela unidade.<\/p>\n<p>6) Fragilidade da unidade. A unidade alcan&ccedil;ada at&eacute; o momento, apesar de refletir uma press&atilde;o objetiva da realidade (crise econ&ocirc;mica e societal) e subjetiva por parte de um setor de vanguarda, n&atilde;o expressa uma mobiliza&ccedil;&atilde;o real e massiva da classe no seu conjunto, &uacute;nico elemento capaz de impor uma unidade de fato. A unidade em torno da proposta de Congresso pode ser apenas uma express&atilde;o de oportunismo eleitoral de correntes interessadas em acordos provis&oacute;rios. N&atilde;o est&aacute; descartada a possibilidade de rachas dentro da Coordena&ccedil;&atilde;o Pr&oacute;-Central, ou ainda, a possibilidade de que a proposta de unidade venha a naufragar no Congresso.<\/p>\n<p>7) V&iacute;cios e problemas de m&eacute;todo. O lan&ccedil;amento da proposta de unifica&ccedil;&atilde;o &eacute; um avan&ccedil;o, mas &eacute; apenas um primeiro passo, pois a ruptura real com as formas tradicionais de organiza&ccedil;&atilde;o, em especial no movimento sindical, constitui o mais importante desafio da Reorganiza&ccedil;&atilde;o. A vincula&ccedil;&atilde;o ao Estado, o financiamento via imposto sindical, a burocratiza&ccedil;&atilde;o dos dirigentes, o distanciamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; base, a aus&ecirc;ncia de organiza&ccedil;&atilde;o nos locais de trabalho, o economicismo, o imediatismo, o corporativismo, a falta de trabalho ideol&oacute;gico, entre outras quest&otilde;es, s&atilde;o v&iacute;cios que se reproduzem mesmo nos sindicatos dirigidos pela esquerda. A pr&oacute;pria din&acirc;mica do Semin&aacute;rio, a sua prepara&ccedil;&atilde;o sem envolver a base, um funcionamento em que n&atilde;o houve debate real, com os dirigentes resolvendo tudo em reuni&otilde;es fechadas, refletem a perman&ecirc;ncia desses v&iacute;cios.<\/p>\n<p>8) Necessidade de um projeto. A forma&ccedil;&atilde;o de uma Nova Central n&atilde;o pode se reduzir &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um novo logotipo para adornar chapas em elei&ccedil;&otilde;es sindicais. A Nova Central  deve servir como instrumento a servi&ccedil;o de um verdadeiro Movimento Pol&iacute;tico dos Trabalhadores, que transcenda os processos sindicais e eleitorais, realize uma disputa ideol&oacute;gica profunda pela consci&ecirc;ncia dos trabalhadores na base e apresente um verdadeiro projeto de poder da classe, em ruptura com o capitalismo e em dire&ccedil;&atilde;o ao socialismo.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o desse Movimento &eacute; a proposta do Espa&ccedil;o Socialista e o chamado que fazemos a todas as correntes e ativistas envolvidos no debate da Reorganiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo3\">CONTRA AS ALTERNATIVAS BURGUESAS, CONSTRUIR UM MOVIMENTO POL&Iacute;TICO DOS TRABALHADORES!<\/a><\/h3>\n<p>&Eacute; um fato que o debate das sa&iacute;das pol&iacute;ticas para o pa&iacute;s j&aacute; est&aacute; em andamento, tanto pelos desdobramentos provocados pela crise da economia, quanto pela proximidade das elei&ccedil;&otilde;es de 2010.<\/p>\n<p>Com a crise estrutural do capital e a interven&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a do Estado para salvar a lucratividade do sistema, at&eacute; mesmo as lutas mais imediatas tomam uma dimens&atilde;o pol&iacute;tica, sobre qual deve ser o rumo a seguir: se submeter aos interesses do capital &ndash; o que significa para a classe trabalhadora a perda cada vez maior de todos os direitos, em dire&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o chin&ecirc;s de explora&ccedil;&atilde;o &#8211; ou a romper com a l&oacute;gica e a ordem burguesa no sentido de que a produ&ccedil;&atilde;o e a economia sejam postas a servi&ccedil;o das necessidades coletivas dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Assim, o desafio &eacute; muito maior do que apenas a luta sindical e imediata: &eacute; preciso avan&ccedil;ar para um Movimento Pol&iacute;tico  dos Trabalhadores que seja capaz de aglutinar os setores mais combativos e conscientes para apresentar ao conjunto dos explorados tanto essa cr&iacute;tica ideol&oacute;gica-pr&aacute;tica ao capitalismo como de construir uma alternativa dos trabalhadores. Sem esse movimento pol&iacute;tico, mesmo as lutas imediatas mais her&oacute;icas ficam desprovidas de um referencial maior e tendem a ser desviadas ou mesmo derrotadas.<\/p>\n<p>Como j&aacute; est&aacute; claro para qualquer trabalhador consciente, nada se pode esperar dos partidos governistas que passaram a defender diretamente a ordem burguesa como o PT e o PC do B.<\/p>\n<p>No entanto, &eacute; preocupante o fato de que, olhando para a esquerda de luta e antigovernista, chegamos ao final de 2009 sem que, at&eacute; agora, nada se tenha definido em termos de uma alternativa pol&iacute;tica dos trabalhadores para uma participa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica nas elei&ccedil;&otilde;es de 2010 e principalmente depois delas, quando certamente vir&atilde;o os maiores ataques aos trabalhadores.<\/p>\n<p>O PSOL continua em crise em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s sua pol&iacute;tica de alian&ccedil;as e defini&ccedil;&atilde;o de sua candidatura a presidente, haja visto que Helo&iacute;sa Helena que representa o setor mais &agrave; direita dentro desse partido j&aacute; declarou preferir uma alian&ccedil;a com a candidatura de Marina Silva, filiada recentemente ao PV. Como essa alian&ccedil;a n&atilde;o foi aprovada no &uacute;ltimo Congresso do PSOL, ela se recusa a ser candidata a presidente. Prefere a candidatura ao Senado por Alagoas, tentando com isso ser eleita e aumentar seu peso dentro do PSOL para defender seu projeto de alian&ccedil;as do PSOL com partidos burgueses considerados &ldquo;progressivos&rdquo;. Essa foi a mesma trajet&oacute;ria que o PT tomou e que o levou a abandonar seu programa e seu compromisso com os trabalhadores.<\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o de Helo&iacute;sa Helena &eacute; compreens&iacute;vel &agrave; luz da evolu&ccedil;&atilde;o de seu partido. Nas  &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es para o governo do Rio Grande do Sul, o diret&oacute;rio nacional do PSOL escandalosamente aceitou dinheiro da Gerdau, uma das maiores empresas do pa&iacute;s, abrindo m&atilde;o de uma quest&atilde;o fundamental que &eacute; a auto-sustenta&ccedil;&atilde;o e a independ&ecirc;ncia financeira das organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores frente ao estado e &agrave; burguesia.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, as propostas de Helo&iacute;sa Helena e do PSOL desde as elei&ccedil;&otilde;es de 2006 foram sempre mais &agrave; direita do que as reivindica&ccedil;&otilde;es do movimento, mesmo no que toca a aspectos amplamente debatidos e defendidos por toda a esquerda, como a quest&atilde;o do N&atilde;o Pagamento da D&iacute;vida P&uacute;blica &ndash; em que ela defendia apenas uma auditoria &ndash; e a descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, em que ela se colocou diretamente contra.<\/p>\n<p>Por sua vez a proposta do PSTU de Frente de Esquerda com o PSOL e o PCB, segue limitada a uma alian&ccedil;a para as elei&ccedil;&otilde;es e definida pela c&uacute;pula onde, embora n&atilde;o se diga claramente, o fator que mais interfere &eacute; o peso que cada corrente ter&aacute; dentro da poss&iacute;vel Frente de Esquerda. A discuss&atilde;o de um Projeto para o pa&iacute;s, que siga para al&eacute;m das elei&ccedil;&otilde;es, o trabalho de base nas estruturas da classe trabalhadora e dos estudantes, o chamado &agrave; ampla participa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e demais organiza&ccedil;&otilde;es na constru&ccedil;&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o desse projeto, tudo isso &eacute; menosprezado. At&eacute; mesmo a base desses partidos tem pouca participa&ccedil;&atilde;o nessas decis&otilde;es.<\/p>\n<p>O Espa&ccedil;o Socialista tem seguidamente denunciado que esses s&atilde;o v&iacute;cios t&ecirc;m origem no fato de que essas correntes colocam os interesses de sua constru&ccedil;&atilde;o acima dos interesses da constru&ccedil;&atilde;o do movimento de conjunto, quando deveria ser o contr&aacute;rio. Elas deveriam ser os maiores defensores da unidade, do trabalho pol&iacute;tico cotidiano junto &agrave; base da classe trabalhadora e da participa&ccedil;&atilde;o mais ampla poss&iacute;vel dos trabalhadores nas decis&otilde;es. Nenhum projeto socialista, por mais bonito que esteja no papel, vai se tornar realidade se a classe trabalhadora n&atilde;o for parte ativa de sua constru&ccedil;&atilde;o; se a classe trabalhadora for apenas uma expectadora dos acontecimentos e das decis&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Inverter a l&oacute;gica e construir um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores pela base!<\/p>\n<p>Uma vez que todas as grandes correntes se colocam como classistas, antigovernistas, e anti-burocr&aacute;ticas, a discuss&atilde;o das candidaturas e do peso que cada corrente ter&aacute; passa a ser uma quest&atilde;o menor, que n&atilde;o serve de desculpa para a divis&atilde;o frente &agrave; necessidade de unir o setor combativo e os trabalhadores.<\/p>\n<p>Partimos da experi&ecirc;ncia do processo de reorganiza&ccedil;&atilde;o sindical, em que somente uma grande press&atilde;o da vanguarda e mesmo da base das correntes for&ccedil;ou as dire&ccedil;&otilde;es, mesmo na &uacute;ltima hora, a abrirem m&atilde;o de parte de seus interesses para que fosse poss&iacute;vel marcar um Congresso Nacional de Trabalhadores em junho de 2010 (ver mat&eacute;ria sobre reorganiza&ccedil;&atilde;o nesta edi&ccedil;&atilde;o)<\/p>\n<p>A possibilidade dessa unidade sindical deve no entanto ser parte de um Projeto muito maior para a sociedade. Novamente a responsabilidade est&aacute; com as grandes correntes se haver&aacute; ou n&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es de se avan&ccedil;ar para um Movimento Pol&iacute;tico dos Trabalhadores que seja a express&atilde;o dos interesses dos trabalhadores contra o capital nas elei&ccedil;&otilde;es de 2010 e para al&eacute;m delas.<\/p>\n<p>Para isso,  &eacute; preciso que seja um movimento amplo,  juntando o conjunto dos sindicatos, correntes e ativistas que se colocam no campo da luta anticapitalista e antigovernista.<\/p>\n<p>Esse movimento precisa envolver a base das organiza&ccedil;&otilde;es de luta dos trabalhadores e deve apontar para a necessidade de romper com a l&oacute;gica do capital e de que os trabalhadores unam em torno de si a todos os demais oprimidos, assumam o poder pol&iacute;tico da sociedade e impulsione a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade socialista.<\/p>\n<p>Frente a isso, as diverg&ecirc;ncias que ocorram em rela&ccedil;&atilde;o ao peso de cada corrente no caso das candidaturas nas elei&ccedil;&otilde;es de 2010, podem se resolver de v&aacute;rias formas com as correntes propondo um acordo ou n&atilde;o. O fundamental &eacute; que os trabalhadores e ativistas sejam envolvidos nas decis&otilde;es, podendo ser atrav&eacute;s de uma Plen&aacute;ria Nacional de movimentos e ativistas, ou outro f&oacute;rum que cumpra esta finalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo4\">LAN&Ccedil;AMENTO DE Z&Eacute; MARIA PR&Eacute;-CANDIDATO: VEM DE CIMA, SEM PRIORIZAR A UNIDADE DA ESQUERDA, NEM A DISCUSS&Atilde;O COM O MOVIMENTO<\/a><\/h3>\n<p>No Semin&aacute;rio Nacional de Reorganiza&ccedil;&atilde;o v&aacute;rias correntes apregoaram a &ldquo;necessidade de unir a esquerda socialista e ir &agrave;s bases para ajudar a avan&ccedil;ar a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores&rdquo;. Dias ap&oacute;s, o PSTU &ndash; um dos partidos que mais falou de unidade e de discuss&atilde;o com a base dos movimentos, saiu com o lan&ccedil;amento de sua pr&eacute;-candidatura a presidente &ndash; Z&eacute; Maria. Isso representa uma pol&iacute;tica de tensionar a disputa com o PSOL e o PCB por mais espa&ccedil;o e peso dentro de uma poss&iacute;vel Frente de Esquerda.<\/p>\n<p>Ao lan&ccedil;ar Z&eacute; Maria, o PSTU sinaliza para o PSOL e o PCB que, se n&atilde;o houver um acordo satisfat&oacute;rio para ele, poder&aacute; manter sua candidatura pr&oacute;pria a presidente para 2010. At&eacute; agora a pol&iacute;tica tanto do PSOL quanto do PSTU n&atilde;o contribuem para apontar um caminho de unidade da esquerda que permita aos trabalhadores terem sua express&atilde;o pol&iacute;tica tamb&eacute;m nas elei&ccedil;&otilde;es Aqui n&atilde;o estamos questionando a autonomia que qualquer partido possui de lan&ccedil;ar seus pr&eacute;-candidatos e nem o car&aacute;ter classista e socialista de Z&eacute; Maria.<\/p>\n<p>A quest&atilde;o &eacute; a concep&ccedil;&atilde;o de como devem se construir as candidaturas ou pr&eacute;-candidaturas dos trabalhadores. O que se v&ecirc; por parte dos do PSTU &eacute; a aplica&ccedil;&atilde;o de uma concep&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica onde as decis&otilde;es s&atilde;o tomadas pelo partido e apresentadas prontas aos trabalhadores e demais organiza&ccedil;&otilde;es, cabendo apenas aceitar ou n&atilde;o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a pr&eacute;-candidatura aparece sem um Projeto que aponte para a unidade da esquerda e sem que sequer tenha ocorrido qualquer debate de programa junto aos trabalhadores. Na nossa opini&atilde;o, esse m&eacute;todo de apresentar as coisas pr&eacute;-definidas n&atilde;o contribui para a unidade da esquerda e muito menos para a atrair as camadas mais amplas da vanguarda e das massas, pois n&atilde;o incorpora o papel ativo dos ativistas e dos trabalhadores, reduzindo-os a meros apoiadores ou pior, a expectadores.<\/p>\n<p>Ao inv&eacute;s dessa pol&iacute;tica vir de cima para baixo, deveria apontar propostas para a unidade do conjunto da esquerda, a partir de um Programa M&iacute;nimo Socialista em uma discuss&atilde;o ampla com os ativistas nas estruturas do movimento, como assembl&eacute;ias, plen&aacute;rias, reuni&otilde;es, etc. (conforme o esp&iacute;rito da mat&eacute;ria ao lado) A partir dessa discuss&atilde;o feita na base, ent&atilde;o se passaria &agrave; defini&ccedil;&atilde;o das melhores candidaturas que pudessem expressar esse movimento pol&iacute;tico. Como vemos, nessa concep&ccedil;&atilde;o do PSTU e da maioria da esquerda, as coisas ficam invertidas&#8230;<\/p>\n<p>Ao centrar o debate nas candidaturas, ao inv&eacute;s do programa e ao apresent&aacute;-la de cima para baixo, o PSTU aplica a mesma metodologia do PSOL, que tamb&eacute;m apresentam seus candidatos n&atilde;o a partir de um debate na base do movimento e com as demais organiza&ccedil;&otilde;es, mas sim da dire&ccedil;&atilde;o e de setores do pr&oacute;prio PSOL.<\/p>\n<p>O que se trata de modificar &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es com os ativistas e com os trabalhadores no sentido da constru&ccedil;&atilde;o de sua a&ccedil;&atilde;o e subjetividade e n&atilde;o a constru&ccedil;&atilde;o de meros reprodutores de pol&iacute;ticas pr&eacute;-definidas. &Agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias cabe ajudar os trabalhadores no avan&ccedil;o de sua a&ccedil;&atilde;o e consci&ecirc;ncia e n&atilde;o substitu&iacute;- los.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo5\">A FORMA&Ccedil;&Atilde;O DOS PROFESSORES E A EXPANS&Atilde;O DO ENSINO &Agrave; DIST&Acirc;NCIA<\/a><\/h3>\n<p>Cl&aacute;udio Santana<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;No &uacute;ltimo per&iacute;odo ocorreram uma s&eacute;rie de discuss&otilde;es em torno da crise do ensino p&uacute;blico no Brasil. Diversos setores &ndash;  sociais, pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos &ndash; que participaram dessa discuss&atilde;o praticamente foram un&acirc;nimes em afirmar que a culpa pelo fracasso no rendimento escolar era dos professores e, sobretudo, apontavam sua forma&ccedil;&atilde;o deficit&aacute;ria como um dos fatores centrais. A ex-secret&aacute;ria de Educa&ccedil;&atilde;o do Estado de S&atilde;o Paulo, chegou a afirmar que os cursos de&nbsp;Pedagogias deveriam ser fechados.<\/p>\n<p>Primeiro, &eacute; necess&aacute;rio ressaltar que os professores, enquanto setor organizado, n&atilde;o foram e n&atilde;o s&atilde;o consultados sobre essa discuss&atilde;o envolvendo a sua forma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Segundo, os setores mais engajados nessa discuss&atilde;o s&atilde;o aqueles que defendem uma Educa&ccedil;&atilde;o que tenha como objetivo central: &quot;fornecer os conhecimentos e o pessoal necess&aacute;rio &agrave; maquina produtiva em expans&atilde;o do sistema do capital, como tamb&eacute;m gerar e transmitir um quadro de valores que legitima os interesses dominantes, como se n&atilde;o pudesse haver nenhuma alternativa&nbsp;&agrave; gest&atilde;o da sociedade, seja na forma&nbsp;&#8216;internalizada&#8217; (isto &eacute;, pelos indiv&iacute;duos devidamente &#8216;educados&#8217; e aceitos) ou atrav&eacute;s de uma domina&ccedil;&atilde;o estrutural e uma subordina&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica e implacavelmente impostas&quot;. (M&eacute;sz&aacute;ros &#8211;  A educa&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m do capital. p.35)<\/p>\n<p>Dessa forma, &quot;os professores constituem, em raz&atilde;o do seu n&uacute;mero e da fun&ccedil;&atilde;o que&nbsp; desempenham, um dos mais importantes grupos&nbsp;ocupacionais e uma das principais pe&ccedil;as da economia das sociedades modernas&quot;. (Tardif&nbsp;&amp;Lessard &ndash; Professores do Brasil: impasses e desafios. p.15)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Nada mais natural que aqueles que comandam a economia capitalista ou est&atilde;o a servi&ccedil;o dela participem dessa discuss&atilde;o.<\/p>\n<p>No entanto, a forma&ccedil;&atilde;o do professor ganha outros contornos com a expans&atilde;o do EAD (Ensino &agrave;&nbsp;Dist&acirc;ncia) que cresceu muito nos &uacute;ltimos dois anos. Somente na regi&atilde;o do ABC atingiu um &iacute;ndice de crescimento de 128%. Os cursos &agrave; dist&acirc;ncia j&aacute; vinham sendo utilizados em capacita&ccedil;&otilde;es e cursos de aperfei&ccedil;oamentos para professores efetuados, sobretudo, pela Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o do Estado de S&atilde;o Paulo.&nbsp;<\/p>\n<p>Embora os governos, municipal, estadual e federal, se apresentem preocupados com a forma&ccedil;&atilde;o dos professores sempre trataram a nossa forma&ccedil;&atilde;o de modo prec&aacute;rio e nunca tiveram como prioridade o investimento no professor e na educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. At&eacute; porque&nbsp;se torna mais f&aacute;cil culpar os professores e n&atilde;o assumir a responsabilidade pelo fracasso escolar.<\/p>\n<p>Os recursos p&uacute;blicos e os incentivos fiscais sempre foram direcionados para os empres&aacute;rios. Com a crise estrutural do capitalismo, a drenagem do dinheiro p&uacute;blico para as empresas e bancos se ampliou e o Estado, ao gerenciar a crise, se endivida ainda mais e retira recursos da sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e moradia.<\/p>\n<p>Com isto, o investimento na expans&atilde;o do ensino &agrave; dist&acirc;ncia serve para criar uma falsa id&eacute;ia de que os governos est&atilde;o investindo na melhora da qualidade do ensino p&uacute;blico e encobre o real destino do dinheiro p&uacute;blico.<\/p>\n<p>No documento refer&ecirc;ncia, do governo federal, para a Confer&ecirc;ncia Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o, que ser&aacute; realizada em 2010, podemos verificar: &ldquo;A forma&ccedil;&atilde;o e a valoriza&ccedil;&atilde;o&nbsp; dos profissionais do magist&eacute;rio devem contemplar aspectos estruturais, particularmente, e superar, paulatinamente, as solu&ccedil;&otilde;es emergenciais tais como: cursos de gradua&ccedil;&atilde;o (forma&ccedil;&atilde;o inicial) &agrave; dist&acirc;ncia; cursos de dura&ccedil;&atilde;o reduzida; contrata&ccedil;&atilde;o de profissionais liberais como docentes; aproveitamento de alunos de licenciatura como docentes; e o uso de telessalas&quot;.<\/p>\n<p>E isso j&aacute; acontece na pr&aacute;tica: &quot;BNDES aprova apoio a projeto de ensino a dist&acirc;ncia no Rio&quot;. &quot;A participa&ccedil;&atilde;o&nbsp; do BNDES corresponde a 52,7% dos investimentos totais. O projeto tem valor de R$ 7,3 milh&otilde;es e &eacute; apoiado pelo MEC, pelo governo fluminense e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia&quot;.<\/p>\n<p>Com o objetivo de: &quot;levar a educa&ccedil;&atilde;o&nbsp;superior p&uacute;blica e gratuita ao interior do Estado do Rio, reduzindo a car&ecirc;ncia de professores de ensino m&eacute;dio e fundamental, que ser&atilde;o formados e qualificados na pr&oacute;pria comunidade&quot;. (dispon&iacute;vel em <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.gestao\/\">www.gestao<\/a>universitaria.com.br)<\/p>\n<p>Um dos motivos que levou os trabalhadores, estudantes e professores da USP a ficarem cerca de 57 dias em greve foi a cria&ccedil;&atilde;o da Universidade Virtual do Estado de S&atilde;o Paulo. Criada por Jos&eacute; Serra (PSDB) &eacute; destinada, principalmente, para a forma&ccedil;&atilde;o de professores. O primeiro curso,&nbsp;Pedagogia, oferecer&aacute; 1350 vagas, inicialmente.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O ensino &agrave; dist&acirc;ncia j&aacute; atinge os alunos do Ensino M&eacute;dio e ser&aacute; ampliado. Uma resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho Estadual de&nbsp;Educa&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo permite que as escolas ofere&ccedil;am at&eacute; 20% da carga hor&aacute;ria nesta modalidade.<\/p>\n<p>S&atilde;o muitos os relatos de estudantes graduados&nbsp;no ensino&nbsp;&agrave;&nbsp;dist&acirc;ncia que sofrem preconceito quando v&atilde;o procurar emprego. At&eacute; mesmo professores de pedagogia e outras&nbsp;gradua&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o impedidos de prestar concurso. A pr&oacute;pria prefeitura do munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo n&atilde;o reconhece determinados diplomas de institui&ccedil;&otilde;es mantenedoras desses cursos.<\/p>\n<p>Evidencia-se que&nbsp;no Brasil temos dois sistemas educacionais. Um elitilizado, para atender os filhos daqueles que dirigem, comandam e lucram com a ordem burguesa composto por&nbsp;escolas particulares e universidades p&uacute;blicas e privadas com qualidade voltada para a l&oacute;gica mercantil. Outro sistema de ensino que atende uma parcela da classe m&eacute;dia (que n&atilde;o tem condi&ccedil;&atilde;o de pagar escola particular) e os filhos dos trabalhadores. Esse sistema tem como objetivo principal conter e atenuar as contradi&ccedil;&otilde;es causadas pelo capitalismo. A qualidade n&atilde;o &eacute; prioridade, busca-se garantir certa liberdade de consumo.<\/p>\n<p>Composto de escolas municipais, estaduais e universidades privadas de qualidade questionada e que trabalham com o ensino presencial, semipresencial e &agrave; dist&acirc;ncia, esse segundo sistema tamb&eacute;m &eacute; respons&aacute;vel pela forma&ccedil;&atilde;o de quase a totalidade dos professores que nele trabalham.&nbsp;<\/p>\n<p>Com base nisso, fica claro que a expans&atilde;o do ensino a dist&acirc;ncia, visa manter a ordem estabelecida na forma como est&aacute; ou corrigir algum detalhe sem que se mexa na estrutura do sistema. Muito pelo contr&aacute;rio, aprofunda-se o abismo. O que se busca, &eacute; manter a ordem burguesa&nbsp;como est&aacute;, economizar dinheiro para dar &agrave;s empresas e bancos, dar um car&aacute;ter assistencialista &agrave; escola, dar uma forma&ccedil;&atilde;o limitada aos alunos, que far&atilde;o parte dos desempregados estruturais e exercer um papel de conten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Diante disso, &eacute; necess&aacute;rio que todos os trabalhadores participem da discuss&atilde;o sobre a qualidade de ensino.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, n&oacute;s trabalhadores devemos&nbsp;tratar a Educa&ccedil;&atilde;o&nbsp;em todos os n&iacute;veis, como um bem coletivo, um dos instrumentos de transforma&ccedil;&atilde;o social, espa&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento e desenvolvimento humano. Uma escola emancipadora de todo tipo opress&atilde;o e que desenvolva a consci&ecirc;ncia da necessidade de uma sociedade sustent&aacute;vel e n&atilde;o destruidora.&nbsp;<\/p>\n<p>Diante disso, defendemos:<\/p>\n<p>&#8211; Uma escola emancipadora de todo tipo opress&atilde;o e que desenvolva a consci&ecirc;ncia socialista;<\/p>\n<p>&#8211; Ensino p&uacute;blico, laico e gratuito em todos os n&iacute;veis;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;Expans&atilde;o do ensino p&uacute;blico superior que prioza&nbsp;a forma&ccedil;&atilde;o de professores;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a forma&ccedil;&atilde;o de professores defendemos:<\/p>\n<p>&#8211; Forma&ccedil;&atilde;o permanente em universidades p&uacute;blicas;<\/p>\n<p>&#8211; Afastamento remunerado a cada dois anos para forma&ccedil;&atilde;o (atualiza&ccedil;&atilde;o, aperfei&ccedil;oamento e especializa&ccedil;&atilde;o) a crit&eacute;rio do professor;<\/p>\n<p>&#8211; Afastamento integral para dedica&ccedil;&atilde;o exclusiva ao mestrado e\/ou doutorado.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo6\">LICEN&Ccedil;A-MATERNIDADE OBRIGAT&Oacute;RIA DE 6 MESES PARA TODAS AS TRABALHADORAS, SEM DISCRIMINA&Ccedil;&Atilde;O<\/a><\/h3>\n<p>Iraci Lacerda<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o poder&iacute;amos esperar nada diferente do governo Lula, governadores, prefeitos, deputados e senadores representantes direto do empresariado brasileiro quanto &agrave; licen&ccedil;a-maternidade.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o da mulher trabalhadora &eacute; t&atilde;o cruel quanto &agrave; da crian&ccedil;a que n&atilde;o tem direito &agrave; vida e ao tempo necess&aacute;rio de aleitamento materno. De acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS), a m&atilde;e deve amamentar o beb&ecirc; por no m&iacute;nimo seis meses e preferencialmente at&eacute; dois anos.<\/p>\n<p>No entanto, a Lei 11.770, que possibilita o aumento da licen&ccedil;a maternidade para 180 dias, &eacute; uma verdadeira afronta &agrave; classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O pagamento dos sal&aacute;rios das trabalhadoras da iniciativa privada em licen&ccedil;a-maternidade sempre foi realizado pelo INSS. E o pagamento dos sal&aacute;rios das servidoras sempre foi realizado pelos Institutos de Previd&ecirc;ncia, ou seja, sempre pelos pr&oacute;prios trabalhadores, j&aacute; que mensalmente recebemos esses descontos na folha de pagamento.<\/p>\n<p>Os empres&aacute;rios que nunca arcaram com este tipo de pagamento, a partir desta Lei, e se quiserem aderir ao Programa Empresa Cidad&atilde;, ainda receber&atilde;o abatimento no Imposto de Renda do valor integral do sal&aacute;rio da trabalhadora.<\/p>\n<p>&Eacute; importante observar que esta Lei n&atilde;o se aplica para as trabalhadoras em micro e pequenas empresas, t&atilde;o pouco para as dom&eacute;sticas.<\/p>\n<p>At&eacute; mar&ccedil;o deste ano apenas 108 munic&iacute;pios e 14 estados haviam ampliado a licen&ccedil;a-maternidade das servidoras (Ag&ecirc;ncia Brasil, mar\/2009). Em S&atilde;o Paulo, o prefeito Gilberto Kassab vetou o Projeto de Lei que ampliaria a licen&ccedil;a-maternidade para as servidoras municipais. O governador Jos&eacute; Serra aprovou a Lei, mas exclui todas as servidoras estaduais contratadas por tempo determinado, o que representa s&oacute; na Categoria de professores cerca de 56.000 trabalhadoras. Al&eacute;m de limitar as faltas m&eacute;dicas em seis ao ano, impedindo, na pr&aacute;tica, os exames pr&eacute;-natais.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da Lei n&atilde;o ter aplica&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria &eacute; necess&aacute;rio que a trabalhadora solicite a amplia&ccedil;&atilde;o at&eacute; um m&ecirc;s ap&oacute;s o parto e isso se houver ades&atilde;o do patr&atilde;o.<\/p>\n<p>O capitalista &eacute; assim. Necessita de m&atilde;o-de-obra para explorar, mas n&atilde;o quer arcar com o m&iacute;nimo necess&aacute;rio para a sua exist&ecirc;ncia. Para isso conta com o respaldo dos governos do PT, PSDB e DEM.<\/p>\n<p>O capitalismo transfere para a mulher trabalhadora e seus filhos os problemas da maternidade ao mesmo tempo em que condena o aborto. Segundo a UNICEF mais de meio milh&atilde;o de mulheres morrem por ano durante a gravidez e o parto. Nos pa&iacute;ses industrializados a morte de m&atilde;es &eacute; de um caso para cada 8.000. J&aacute; nos pa&iacute;ses em desenvolvimento &eacute; de um caso para cada 76. Cerca de 4 milh&otilde;es de beb&ecirc;s n&atilde;o completam um m&ecirc;s de vida.<\/p>\n<p>No Brasil, o direito &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o humana e a vida s&oacute; n&atilde;o &eacute; t&atilde;o dificultado quanto &agrave; nega&ccedil;&atilde;o a reprodu&ccedil;&atilde;o. Segundo o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de a cada 100.000 nascimentos registra-se a morte de 74 mulheres ou de 04 mulheres por dia. Esses n&uacute;meros desoladores levam a mulher trabalhadora a visualizar a situa&ccedil;&atilde;o imediata: ter o filho com seguran&ccedil;a, independente de saber quem &eacute; que vai pagar a conta.<\/p>\n<p>Quando a mulher supera a barreira da morte e da garantia da licen&ccedil;amaternidade restam ainda os cuidados com o filho. Abrir m&atilde;o do emprego, dos estudos ou da carreira profissional &eacute; uma pr&aacute;tica comum para a mulher trabalhadora que n&atilde;o disp&otilde;e de creches e condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis para educa&ccedil;&atilde;o dos filhos.<\/p>\n<p>Esta Lei discrimina as mulheres com sal&aacute;rios mais baixos e condena seus filhos a condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de menos favor&aacute;veis. A licen&ccedil;a-maternidade &eacute; uma necessidade de toda a classe trabalhadora. Todas as mulheres que trabalham em pequenas ou grandes empresas, em reparti&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, no campo e trabalhadoras dom&eacute;sticas precisam amamentar seus filhos pelo tempo recomendado e em boas condi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O que defendemos:<\/p>\n<p>&diams; Licen&ccedil;a Gestante de 6 meses para todas as trabalhadoras (sem isen&ccedil;&atilde;o fiscal), tempo ideal para a amamenta&ccedil;&atilde;o exclusiva, com redu&ccedil;&atilde;o da jornada ap&oacute;s a volta ao trabalho (entrar uma hora mais tarde e sair uma hora mais cedo) para complementar com o leite materno a alimenta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a at&eacute; completar dois anos e meio. A mulher trabalhadora tem direito de amamentar! Doen&ccedil;as al&eacute;rgicas, algumas do sistema imunol&oacute;gico, alguns tipos de c&acirc;nceres, obesidade, diabete e doen&ccedil;as cardiovasculares podem ser associadas &agrave; falta de amamenta&ccedil;&atilde;o ou &agrave; amamenta&ccedil;&atilde;o irregular.<\/p>\n<p>&diams; Creches p&uacute;blicas, gratuitas e com qualidade de ensino, funcionamento 24 horas, nos fins-de-semana e inclusive nos locais de trabalho e estudo. Enquanto as creches n&atilde;o estiverem prontas exigimos o Aux&iacute;lio Bab&aacute;, em que a pessoa respons&aacute;vel pela crian&ccedil;a de at&eacute; 12 anos, receba um sal&aacute;rio m&eacute;dio para contratar uma pessoa de confian&ccedil;a que cuidar&aacute; de seu agregado;<\/p>\n<p>&diams; A mulher deve decidir sobre o seu pr&oacute;prio corpo, em todos os sentidos;<\/p>\n<p>&diams; Hospitais p&uacute;blicos e com qualidade. Existe tecnologia para isso. A quantidade de valor retirado dos trabalhadores tamb&eacute;m possibilita isso. A nossa classe, que trabalha muito, merece ser bem tratada;<\/p>\n<p>&diams; N&atilde;o a ditadura do parto normal e at&eacute; do f&oacute;rceps na rede p&uacute;blica e do parto cesariana nos hospitais particulares. A mulher deve ser bem instru&iacute;da para decidir com seguran&ccedil;a sobre o tipo de parto e ter boa assist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&diams; Por emprego e sal&aacute;rio dignos para todas as trabalhadoras;<\/p>\n<p>&diams; Por uma sociedade que valorize a vida e a sa&uacute;de de quem trabalha!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tempo de licen&ccedil;a e sal&aacute;rio benef&iacute;cio<\/p>\n<p>Diferente do tempo da licen&ccedil;a para a mulher trabalhadora &eacute; o benef&iacute;cio sal&aacute;rio-maternidade que deveria ser pago, durante os seis meses, a todas as trabalhadoras rurais, que exercem atividade na terra com a finalidade exclusiva de garantir a subsist&ecirc;ncia ou o sustento familiar. Mas,acusado de promover uma explos&atilde;o demogr&aacute;fica em algumas cidades da regi&atilde;o Nordeste, este aux&iacute;lio, pago pelo INSS,corre o risco de ser limitado a um n&uacute;mero de filhos ou extinto. Na falta de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o desenvolvimento de planejamento familiar, de gera&ccedil;&atilde;o desemprego, de sal&aacute;rios e condi&ccedil;&otilde;es de vida adequados, a mulher e a crian&ccedil;a sofrem diretamente as conseq&uuml;&ecirc;ncias negativas das a&ccedil;&otilde;es dos governos capitalistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo7\">QUEST&Atilde;O RACIAL PARA AL&Eacute;M DOS DIAS DE LUTA<\/a><\/h3>\n<p>Dalmo Duarte<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A burguesia brasileira sempre tratou a quest&atilde;o racial a partir de uma &oacute;tica racista, seja no discurso de uma inexistente democracia racial (que se baseia no discurso da irreal igualdade entre negros e brancos), na qual todos convivem harmoniosamente seja por uma pol&iacute;tica p&uacute;blica que jogou os negros e negras para os piores lugares para se morar, para os piores empregos, com um sistema de sa&uacute;de p&uacute;blico que, al&eacute;m de ser de p&eacute;ssima qualidade para todos, tamb&eacute;m n&atilde;o tem tratamento para doen&ccedil;as com maior incid&ecirc;ncia entre negros e negras, como &eacute; o caso da anemia falciforme, distantes das escolas e universidade, entre outras..<\/p>\n<p>A atual e antiga situa&ccedil;&atilde;o dos negros &eacute;, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, produto do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista que, para garantir seus lucros, precisa subjugar homens e mulheres e, para facilitar sua domina&ccedil;&atilde;o, cria artificialmente outras diferen&ccedil;as entre homens e mulheres, como a cor da pele, para desvalorizar ainda mais a for&ccedil;a de trabalho, pagando baixos sal&aacute;rios.<\/p>\n<p>Essa situa&ccedil;&atilde;o tem uma explica&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica por ser ela o resultado de um projeto de domina&ccedil;&atilde;o, primeiro da pr&oacute;pria Coroa, que optou por uma acumula&ccedil;&atilde;o de capital na metr&oacute;pole, uma vez que o tr&aacute;fico negreiro era altamente rent&aacute;vel (o que foi decisivo para a escravid&atilde;o dos negros na Am&eacute;rica portuguesa) e depois por ocasi&atilde;o da industrializa&ccedil;&atilde;o (era preciso criar uma for&ccedil;a de trabalho numerosa e com baixo custo para as ind&uacute;strias que se rec&eacute;m instalavam&nbsp; no pa&iacute;s).&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>20 de novembro: dia da consci&ecirc;ncia negra e dia de luta<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria oficial e parte importante da historiografia tratam o dia 13 de maio como o dia da liberta&ccedil;&atilde;o dos escravos, apresentando-o como um ato de benevol&ecirc;ncia do Estado &ndash;na pessoa da princesa Isabel-. Essa &eacute; uma data oficial e visa iludir os trabalhadores (brancos e negros) afirmando que o trabalho escravo foi extinto naquela assinatura. Essa &eacute; a hist&oacute;ria contada pela elite branca brasileira durante d&eacute;cadas e, evidentemente, tem o objetivo de reproduzir a ideologia de que falamos antes, sendo que sabemos que as modifica&ccedil;&otilde;es que tivemos aconteceram por conta da her&oacute;ica luta dos trabalhadores escravos negros.<\/p>\n<p>Como parte da luta dos negros e negras no Brasil, a partir de 1978, o dia 20 de novembro (data que marca o dia do assassinato de Zumbi, em 1695) al&eacute;m de homenagear o maior dirigente da resist&ecirc;ncia dos escravos passa a ser tamb&eacute;m um dia de luta pelas reivindica&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores negros e trabalhadoras negras. A escolha desse dia foi tamb&eacute;m para se contrapor ao oficial dia 13 de maio que, a partir da&iacute; e impulsionado pelo movimento negro, passa a ser o dia nacional de combate ao racismo, ou seja, exatamente o contr&aacute;rio do objetivo da hist&oacute;ria oficial.<\/p>\n<p>O dia 20 de novembro desse ano ocorre em um momento ainda mais delicado em que as for&ccedil;as de repress&atilde;o policial atacam com toda viol&ecirc;ncia os morros e periferias do pa&iacute;s e fazem tombar centenas de corpos negros. A crise econ&ocirc;mica &eacute; outra quest&atilde;o importante porque s&atilde;o os negros e negras que mais sofrem com o desemprego e com os sal&aacute;rios mais baixos.<\/p>\n<p>Assim, o 20 de novembro n&atilde;o &eacute; um dia de comemora&ccedil;&otilde;es, mas de luta e reafirma&ccedil;&atilde;o das reivindica&ccedil;&otilde;es, como as garantias de acesso (cotas proporcionais) e perman&ecirc;ncia na universidade, cotas proporcionais para os empregos &ndash;p&uacute;blicos e privados- gerados, garantia de atendimento pela rede p&uacute;blica de sa&uacute;de para doen&ccedil;as com maior incid&ecirc;ncia entre os negros, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A quest&atilde;o racial: como parte da luta cotidiana<\/p>\n<p>&nbsp;Uma discuss&atilde;o importante que h&aacute; no movimento social &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o da luta contra o capitalismo com as quest&otilde;es raciais (e tamb&eacute;m de g&ecirc;nero, etc). Ningu&eacute;m tem desacordo que s&oacute; o socialismo vai permitir superar o racismo e as supostas diferen&ccedil;as entre homens e mulheres por conta da cor da pele, mas ningu&eacute;m pode se iludir de que s&oacute; o fato de haver a revolu&ccedil;&atilde;o esses problemas estar&atilde;o superados, pois ainda ser&aacute; necess&aacute;ria uma longa batalha para passarmos por cima de uma educa&ccedil;&atilde;o que dura s&eacute;culos. E essa batalha deve come&ccedil;ar desde j&aacute;. para isso &eacute; preciso que as organiza&ccedil;&otilde;es do movimento social tratem a quest&atilde;o racial como parte da luta cotidiana e n&atilde;o somente nas datas &ldquo;de luta ou de comemora&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Via de regra a quest&atilde;o racial tem sido tratada, inclusive na esquerda, ou nos dias de lutas (como o 20 de novembro), ou por departamentos dos sindicatos ou, no caso da Conlutas, nos GTs. &Eacute; evidente que o fato de existir alguma discuss&atilde;o j&aacute; &eacute; importante, mas tamb&eacute;m devemos reconhecer que essa metodologia faz com que a discuss&atilde;o fique restrita aos &ldquo;espa&ccedil;os de negros&rdquo;, onde s&oacute; os negros e negras organizam os debates, criando uma esp&eacute;cie de &ldquo;guich&ecirc;&rdquo; da discuss&atilde;o racial, ou seja, a quest&atilde;o racial n&atilde;o &eacute; assumida pelo conjunto dos militantes.<\/p>\n<p>Um caso que merece destaque s&atilde;o as discuss&otilde;es no interior da Conlutas, que s&atilde;o realizadas no GT de negros e negras e depois a coordena&ccedil;&atilde;o nacional recebe os &ldquo;informes&rdquo; de como foi a discuss&atilde;o. A coordena&ccedil;&atilde;o nacional participa da discuss&atilde;o pelos informes refor&ccedil;ando uma concep&ccedil;&atilde;o de que a quest&atilde;o racial &eacute; coisa de negros e negras. N&oacute;s, ao contr&aacute;rio, a compreendemos como uma discuss&atilde;o de todos os militantes.<\/p>\n<p>A supera&ccedil;&atilde;o dessa fragilidade passa em primeiro pelo convencimento dos militantes de que a quest&atilde;o racial n&atilde;o &eacute; um problema dos negros e negras, mas do conjunto da classe trabalhadora e isso significa que todos devem impulsionar e organizar atividades que envolvam a tem&aacute;tica racial. Outra medida importante &eacute; que essa discuss&atilde;o seja incorporada ao dia-a-dia e a todas as atividades das entidades, discuss&otilde;es e debates, com a participa&ccedil;&atilde;o de negros e brancos, incorporando &agrave;s pautas das categorias as reivindica&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores negros e trabalhadoras negras, etc. N&atilde;o estamos dizendo que n&atilde;o possam existir comiss&otilde;es e\/ou GTs sobre a quest&atilde;o racial, mas que a discuss&atilde;o n&atilde;o pode se restringir aos negros e negras. &nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo8\">A GIGANTESCA M&Aacute;QUINA DA MORTE DOS ESTADOS UNIDOS<\/a><\/h3>\n<p>Marcelo Marques<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de ser de extrema relev&acirc;ncia desenvolver todas as conseq&uuml;&ecirc;ncias pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas e ideol&oacute;gicas que significa a exist&ecirc;ncia da maior for&ccedil;a b&eacute;lica da hist&oacute;ria da humanidade este texto foca o poder militar estadunidense e sua imensa despropor&ccedil;&atilde;o frente aos demais pa&iacute;ses do mundo.<\/p>\n<p>A atual crise econ&ocirc;mica global &eacute; a press&atilde;o objetiva que faz as pot&ecirc;ncias mundiais disputarem as fontes de energia, as mat&eacute;rias primas e os mercados consumidores com crescente viol&ecirc;ncia. Neste cen&aacute;rio os EUA retomam a ofensiva militar e d&atilde;o novo alento a tomada de posi&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas por todo mundo sob uma plataforma militar projetada, desenvolvida e consolidada durante o decorrer do s&eacute;culo XX. O desgaste da imagem do imperialismo estadunidense gerado pela administra&ccedil;&atilde;o Bush j&aacute; est&aacute; em grande parte superada pela gest&atilde;o Obama, e este n&atilde;o tem apresentado voracidade menor que seu antecessor para promover a amplia&ccedil;&atilde;o da gigantesca rede de pontos de apoio estrat&eacute;gicos que fazem dos EUA o &uacute;nico pa&iacute;s com capacidade real de atacar qualquer ponto do globo a qualquer momento. Se n&atilde;o o fazem &eacute; por raz&otilde;es pol&iacute;ticas e de sustenta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, pois como veremos abaixo poder militar t&ecirc;m. &Eacute; importante lembrar que desde a inven&ccedil;&atilde;o da m&aacute;quina a vapor, do advento do capitalismo at&eacute; o fim do Bloco Sovi&eacute;tico n&atilde;o houve um desequil&iacute;brio t&atilde;o colossal nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais e nunca uma pot&ecirc;ncia imperialista p&ocirc;de navegar sem rival para lhe impor limites, ou rivais que somando suas for&ccedil;as o fizessem. N&atilde;o podemos esquecer tamb&eacute;m que os EUA &eacute; a &uacute;nica na&ccedil;&atilde;o que j&aacute; desferiu ataques nucleares contra po<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/302"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=302"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/302\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6456,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/302\/revisions\/6456"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}