{"id":303,"date":"2011-11-02T21:00:00","date_gmt":"2011-11-02T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/303"},"modified":"2018-06-01T15:58:11","modified_gmt":"2018-06-01T18:58:11","slug":"jornal-33-outubronovembro-de-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2011\/11\/jornal-33-outubronovembro-de-2009\/","title":{"rendered":"Jornal 33: Outubro\/Novembro de 2009"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!-- p { margin-bottom: 0.08in; } --><\/style>\n<figure id=\"attachment_1213\" aria-describedby=\"caption-attachment-1213\" style=\"width: 219px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a style=\"text-align: center;\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_33_outubro.novembro_2009.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1213 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_33_outubro.novembro_2009-219x300.jpg\" alt=\"\" width=\"219\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_33_outubro.novembro_2009-219x300.jpg 219w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_33_outubro.novembro_2009.jpg 546w\" sizes=\"(max-width: 219px) 100vw, 219px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1213\" class=\"wp-caption-text\">Baixar edi\u00e7\u00e3o 33 em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"indice\"><\/a>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#titulo1\">Um novo elemento na realidade: as greves<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#titulo2\">O retorno das greves: uma oportunidade para construir um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#titulo3\">Uma escola para administrar os problemas sociais no capitalismo em crise<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#titulo4\">Pr\u00e9-sal: socializa\u00e7\u00e3o dos custos e privatiza\u00e7\u00e3o dos lucros<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#titulo5\">A luta pela democracia no movimento estudantil<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#titulo6\">Ao inv\u00e9s do sol, o fogo ardeu sobre heli\u00f3polis<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#titulo7\">O imp\u00e9rio contra ataca<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo1\"><\/a>Um novo elemento na realidade: as greves<\/h1>\n<h3>As fases da crise<\/h3>\n<p>Conforme temos afirmado nos \u00faltimos meses, a crise mundial, que caracterizamos como uma verdadeira crise societal global por conta das suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es, segue se desenvolvendo. Ao contr\u00e1rio de haver se resolvido, como diz unanimemente a imprensa burguesa e a propaganda estatal, ela apenas mudou de fase. Compreender exatamente o que est\u00e1 se passando na economia mundial e nacional, em que momento estamos do processo da crise, \u00e9 fundamental para entendermos o tipo de desafios que est\u00e3o colocados para a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>No atual momento hist\u00f3rico de crise estrutural (iniciada na d\u00e9cada de 1970), a contradi\u00e7\u00e3o fundamental do capitalismo, a superprodu\u00e7\u00e3o de mercadorias, n\u00e3o pode se desdobrar na forma de uma crise aberta como a de 1929, que precipitou o mundo na Grande Depress\u00e3o e na II Guerra Mundial. A destrui\u00e7\u00e3o de capital ao estilo cl\u00e1ssico n\u00e3o \u00e9 mais aceit\u00e1vel. Assim, a crise estrutural se manifesta de outras formas, como a financeiriza\u00e7\u00e3o, o endividamento, a mundializa\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o de um mercado mundial de for\u00e7a de trabalho e de um ex\u00e9rcito industrial de reserva em escala mundial. Esses expedientes de que o capital se utilizou para administrar sua crise estrutural exigiram medidas pol\u00edticas (neoliberalismo) e ideol\u00f3gicas (\u201cfim da hist\u00f3ria\u201d, \u201cmorte do socialismo\u201d, p\u00f3s-modernismo, etc.) capazes de redefinir o papel de cada economia nacional e impedir a resist\u00eancia organizada e conseq\u00fcente da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Esses processos diluem o impacto das crises c\u00edclicas, ao mesmo tempo em que precipitam uma crise cada vez mais s\u00e9ria para o futuro. A financeiriza\u00e7\u00e3o chegou a um ponto em que os t\u00edtulos negociados nos mercados financeiros alcan\u00e7am um valor total mais de dez vezes maior que o do PIB mundial, que \u00e9 de cerca de US$ 50 trilh\u00f5es. O grau de artificialidade e irracionalidade desse mecanismo ultrapassou o limite e a aberra\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a vir a tona na atual crise. A crise financeira iniciada com a inadimpl\u00eancia das hipotecas estadunidenses em 2007 e tornada global no final de 2008 \u00e9 apenas a ponta de um iceberg. A paralisa\u00e7\u00e3o do mercado financeiro provocou uma paralisa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, que provocou uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia na economia, resultando em diminui\u00e7\u00e3o do consumo, do com\u00e9rcio, da produ\u00e7\u00e3o, e aumento explosivo do desemprego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>O papel do Estado e das economias perif\u00e9ricas<\/h3>\n<p>A coincid\u00eancia da eclos\u00e3o da crise econ\u00f4mica com a irrup\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de problemas mais ou menos cr\u00f4nicos nas esferas energ\u00e9tica, ambiental, alimentar, pol\u00edtica, militar, cultural, etc., explicitando a crise societal global, acendeu o sinal de alerta dos gestores do sistema, pois permitiu que se vislumbrasse de um relance toda a irracionalidade do capitalismo e a necessidade da supera\u00e7\u00e3o desse sistema. Antes que isso se tornasse evidente na consci\u00eancia dos trabalhadores, a burguesia reagiu e usou o Estado, comit\u00ea gestor dos seus neg\u00f3cios, para apagar o inc\u00eandio. Governos do mundo inteiro, a come\u00e7ar por Obama (um providencial messias sob encomenda da burguesia), lan\u00e7aram pacotes de trilh\u00f5es de d\u00f3lares de ajuda ao mercado financeiro e ao grande capital para que a economia pudesse continuar respirando.<\/p>\n<p>Esses pacotes representam apenas uma fra\u00e7\u00e3o \u00ednfima da montanha de US$ 500 trilh\u00f5es em capital fict\u00edcio ainda em circula\u00e7\u00e3o (ou seja, est\u00e3o longe de poder resolver um problema na verdade insol\u00favel), mas j\u00e1 representam um custo insustent\u00e1vel para o or\u00e7amento p\u00fablico de qualquer pa\u00eds, mesmo os Estados Unidos. O d\u00e9ficit p\u00fablico estadunidense em 2009 est\u00e1 estimado em US$ 1,8 trilh\u00e3o, o que equivale a 13% do PIB. Essa porcentagem \u00e9 duas vezes maior que o d\u00e9ficit recorde anterior em tempos de paz (n\u00fameros do Boletim Cr\u00edtica Semanal, agosto de 2009). Para cobrir esse d\u00e9ficit, o governo estadunidense precisa absorver dinheiro do mundo inteiro, o que faz emitindo t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica, que s\u00e3o comprados principalmente pelos pa\u00edses que exportam para os Estados Unidos (China, Jap\u00e3o, tigres asi\u00e1ticos, Brasil, etc.).<\/p>\n<p>Entretanto, para continuar comprando t\u00edtulos da d\u00edvida estadunidense, esses pa\u00edses precisam continuar acumulando reservas, que se formam com o saldo das exporta\u00e7\u00f5es que fazem para os pa\u00edses centrais, boa parte destinada aos pr\u00f3prios Estados Unidos. Ou seja, os pa\u00edses exportadores precisam que os consumidores estadunidenses continuem importando. Os pacotes de ajuda do governo podem reaquecer o cr\u00e9dito e o consumo na principal economia do planeta, mas isso n\u00e3o se dar\u00e1 de forma imediata. O governo estadunidense precisar\u00e1 continuar se endividando para estimular o consumo, alimentando um c\u00edrculo vicioso. H\u00e1 estimativas de que esse endividamento venha a dobrar nos pr\u00f3ximos 10 anos. Esse processo pode levar a que os compradores dos t\u00edtulos do governo estadunidense deixem de acreditar no valor desses ativos, o que significaria o fim do d\u00f3lar como reserva de valor. Sinais desse processo j\u00e1 se manifestam na desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar em face das outras moedas (como o euro e o pr\u00f3prio real) e especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao ouro.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das dificuldades estruturais descritas acima, que impedem uma retomada sustentada do consumo e da produ\u00e7\u00e3o, a possibilidade de colapso do d\u00f3lar \u00e9 a verdadeira amea\u00e7a que paira sobre a economia capitalista, por tr\u00e1s da aparente estabiliza\u00e7\u00e3o verificada nos \u00faltimos meses. Se a curto prazo \u00e9 improv\u00e1vel uma descambada para a depress\u00e3o global, tamb\u00e9m \u00e9 improv\u00e1vel uma retomada imediata do crescimento, por mais que as bolsas de valores e mercados financeiros em geral, narcotizados pelo \u201cdinheiro f\u00e1cil\u201d do Estado, estejam em alta nos \u00faltimos meses, sonhando com a volta de um ciclo especulativo aos moldes do que se encerrou com a atual crise. A atual fase de incerteza deve se prolongar pelos pr\u00f3ximos anos, com picos alternados de acelera\u00e7\u00e3o e desacelera\u00e7\u00e3o, conforme as tend\u00eancias estruturais da crise se expressem politicamente na luta de classes, que afinal de contas determina quem suporta o impacto da crise e quem dirige a sua supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>As conseq\u00fc\u00eancias para os trabalhadores<\/h3>\n<p>A retomada do crescimento da economia capitalista depende de que os Estados Unidos continuem consumindo manufaturas do mundo inteiro. Mas h\u00e1 uma classe social que n\u00e3o vai poder ajudar na retomada do consumo nos Estados Unidos e tamb\u00e9m na Europa e Jap\u00e3o, que \u00e9 exatamente o proletariado. No processo da crise, as empresas realizaram demiss\u00f5es em massa, a tal ponto que a taxa de desemprego chegou a n\u00edveis pr\u00f3ximos de 10 % nas tr\u00eas economias acima. Por conta dos cortes de sal\u00e1rios e de direitos, os trabalhadores que permanecerem empregados tamb\u00e9m ter\u00e3o que reduzir seu consumo. Al\u00e9m disso, ter\u00e3o que trabalhar mais, pois a burguesia se aproveita dos momentos de crise para realizar ajustes estruturais, impondo um ritmo de trabalho mais acelerado. A intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho (mais-valia absoluta) e o aumento da produtividade (mais-valia relativa), por meio da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, s\u00e3o duas das formas cl\u00e1ssicas de supera\u00e7\u00e3o das crises peri\u00f3dicas do capitalismo.<\/p>\n<p>De fato, o sistema pode continuar funcionando sem que os trabalhadores aumentem o seu consumo (ou mesmo que diminuam), pois existem outras formas improdutivas de absorver a superprodu\u00e7\u00e3o crescente de mercadorias, tais como o consumo de luxo da burguesia e o consumo de armas pelo Estado em suas guerras. O problema dessas duas solu\u00e7\u00f5es \u00e9 que elas aprofundam os contrastes sociais, tornando mais n\u00edtida a divis\u00e3o de classe. Na realidade, o capital precisa nivelar por baixo as condi\u00e7\u00f5es de vida do proletariado mundial, impondo aos trabalhadores dos pa\u00edses desenvolvidos o mesmo padr\u00e3o de superexplora\u00e7\u00e3o hoje j\u00e1 vigente na China e sudeste asi\u00e1tico. O aumento do desemprego e a queda generalizada nas condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora, ou seja, o aumento da mis\u00e9ria, levar\u00e1 aos pa\u00edses imperialistas problemas t\u00edpicos dos pa\u00edses perif\u00e9ricos. A crise das hipotecas j\u00e1 provocou o aparecimento de milh\u00f5es de sem-teto nos Estados Unidos. Resta saber o quanto os trabalhadores estadunidenses, europeus e japoneses suportar\u00e3o de retrocesso sem lutar. J\u00e1 aconteceram lutas importantes este ano, em especial na Europa, demonstrando que n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o f\u00e1cil impor esse nivelamento.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>Os pa\u00edses perif\u00e9ricos e o Brasil<\/h3>\n<p>Quanto aos pa\u00edses perif\u00e9ricos, o Estado precisou compensar a queda das exporta\u00e7\u00f5es, em particular daquelas destinadas aos Estados Unidos, por meio de medidas de incentivo ao mercado interno. Pa\u00edses como o Brasil n\u00e3o tiveram que arcar com o custo dos pacotes de ajuda para resgatar o capital fict\u00edcio, pois seus sistemas financeiros subdesenvolvidos estavam menos comprometidos com a especula\u00e7\u00e3o desenfreada. Assim, o Estado p\u00f4de investir diretamente na reativa\u00e7\u00e3o da economia. O Estado brasileiro cumpriu o seu papel de muleta do capital, entregando muito dinheiro aos bancos e grandes empresas, por meio de medidas de facilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito:<\/p>\n<p>\u201cUm ano depois do agravamento da crise financeira internacional, as medidas antic\u00edclicas adotadas pelo governo brasileiro somam R$ 483 bilh\u00f5es, o que, na vis\u00e3o de economistas, mostrou-se &#8216;suficiente&#8217; para blindar a economia nacional de um impacto maior. Desse total, R$ 15 bilh\u00f5es sair\u00e3o diretamente do caixa do governo, por meio da redu\u00e7\u00e3o de impostos. Outros R$ 6 bilh\u00f5es de gastos para constru\u00e7\u00e3o de casas tamb\u00e9m est\u00e3o previstos no or\u00e7amento deste ano. (&#8230;) Cerca de R$ 289 bilh\u00f5es foram colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do mercado pelo Banco Central (BC), principalmente pela redu\u00e7\u00e3o do compuls\u00f3rio banc\u00e1rio &#8211; dinheiro que pertence \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras que fica retido pelo BC.\u201d(BBC Brasil, 15 de setembro de 2009).<\/p>\n<p>Apesar do foco dos gastos ter sido diferente, os resultados no n\u00edvel de endividamento do Estado foram semelhantes aos dos pa\u00edses centrais: \u201cO d\u00e9ficit nominal do setor p\u00fablico consolidado mais do que dobrou para 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 12 meses at\u00e9 julho, ante 1,3% em setembro do ano passado. Em parte pelas medidas agressivas de gastos e corte de impostos, a d\u00edvida l\u00edquida do setor p\u00fablico subiu para 44,2% do PIB em agosto, frente a 36% no final do ano passado.\u201d(Ag\u00eancia Brasil, 15 de setembro de 2009).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A estrat\u00e9gia do governo Lula<\/h3>\n<p>A burguesia brasileira reagiu de modo exagerado logo no in\u00edcio da crise, na virada de 2008 para 2009, quando houve cerca de 1,5 milh\u00e3o de demiss\u00f5es. Al\u00e9m disso, aproveitando-se do p\u00e2nico gerado pela gravidade da crise, a burguesia praticamente encostou o governo contra a parede, exigindo a libera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito mais f\u00e1cil e incentivos fiscais para tocar seus neg\u00f3cios e manter a taxa de lucro. Assim como nos pa\u00edses imperialistas, a interven\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro produziu resultados no plano imediato, pois houve um aumento expressivo das vendas de autom\u00f3veis, eletrodom\u00e9sticos e materiais de constru\u00e7\u00e3o ao longo do 2\u00ba e 3\u00ba trimestres de 2009. Isso se refletiu nas estat\u00edsticas, com o recuo dos \u00edndices de desemprego e um aumento do n\u00edvel de atividade (produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio), freando a queda do PIB. Entretanto, tomando-se os \u00edndices de 2008 como base para compara\u00e7\u00e3o, a suposta recupera\u00e7\u00e3o em curso ainda n\u00e3o colocou a economia de volta ao mesmo patamar anterior ao da crise. Mesmo assim, esses resultados parciais s\u00e3o aproveitados pela propaganda governista para alimentar o discurso ufanista de que \u201co Brasil venceu a crise\u201d.<\/p>\n<p>As not\u00edcias sobre essa recupera\u00e7\u00e3o fict\u00edcia nos \u00faltimos meses dividiram espa\u00e7o com a chamada crise pol\u00edtica no Senado. Foram revelados atos de corrup\u00e7\u00e3o praticados pelo presidente da casa e ex-presidente da Rep\u00fablica Jos\u00e9 Sarney, um dos principais caciques do PMDB, partido da base de apoio do governo Lula. Isso deu muni\u00e7\u00e3o para a oposi\u00e7\u00e3o de direita do PSDB e do DEM atacar o governo Lula, tentando desgastar sua popularidade. Para n\u00e3o perder o apoio do PMDB, crucial para as elei\u00e7\u00f5es de 2010, Lula interveio e abafou as investiga\u00e7\u00f5es sobre a corrup\u00e7\u00e3o no Senado. Isso serviu para evidenciar a profundidade do acordo entre Lula e o PMDB, que representa parte dos setores mais reacion\u00e1rios da burguesia brasileira, como as oligarquias do Norte e Nordeste.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o ficar na defensiva, o governo Lula anunciou o projeto de explora\u00e7\u00e3o das reservas de petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal, vendido para a opini\u00e3o p\u00fablica como uma vit\u00f3ria do modelo estatal e da soberania nacional. Na verdade, trata-se de uma forma de continuar entregando o petr\u00f3leo ao capital internacional (acionistas privados, inclusive alguns estrangeiros, s\u00e3o maioria na pr\u00f3pria Petrobr\u00e1s), mas de modo que a burocracia do Estado consiga reservar sua parte. Essa fatia sob controle do Estado ser\u00e1 fundamental para o financiamento dos programas assistenciais que amarram a base eleitoral do atual governo e seus aliados. O governo j\u00e1 lan\u00e7ou um projeto de lei regulamentando a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal o qual prev\u00ea que a fatia dos royalties (que chegaram a um total de R$ 23 bilh\u00f5es em 2008) a ser distribu\u00edda para os estados n\u00e3o-produtores de petr\u00f3leo passaria dos atuais 0,86% para 4% (Ag\u00eancia Brasil, 15 de setembro de 2009).<\/p>\n<p>A (suposta) supera\u00e7\u00e3o da crise e a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal ser\u00e3o o carro-chefe da campanha eleitoral da ministra Dilma Roussef, candidata de Lula e seu bloco de apoio para 2010, enquanto que as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o contra o atual governo ser\u00e3o um dos motes da oposi\u00e7\u00e3o de direita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A classe trabalhadora entra em luta<\/h3>\n<p>A estrat\u00e9gia da burocracia lulista depende da n\u00e3o ocorr\u00eancia de novos abalos na economia mundial, que poderiam vir na forma de uma crise do cr\u00e9dito p\u00fablico e da moeda, precipitada pelo endividamento explosivo de praticamente todos os principais Estados. Tamb\u00e9m depende da habilidade do governo em propagandear as promessas de riqueza do pr\u00e9-sal, j\u00e1 que o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo proveniente dessa regi\u00e3o ainda demorar\u00e1 anos para ocorrer. Ser\u00e1 preciso ainda cooptar a burocracia estatal dos partidos pol\u00edticos (como o PMDB) e do pr\u00f3prio aparato das institui\u00e7\u00f5es (tecnocracia), que tamb\u00e9m exigir\u00e1 sua parte no bolo para apoiar o atual bloco no governo.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, ser\u00e1 preciso manter a classe trabalhadora sob controle, papel que tem sido desempenhado pela burocracia sindical que comanda a CUT (e demais centrais sat\u00e9lites como FS, CTB, UGT, NCST, CGTB, etc.) e pelas lideran\u00e7as burocratizadas de outros importantes organismos de luta da classe, como MST, UNE, pastorais sociais, etc. O controle petista sobre esses organismos tem sido fundamental ao longo do governo Lula para evitar que a classe trabalhadora entrasse em luta com todo seu peso nos \u00faltimos anos. Al\u00e9m de controlar o setor mais organizado da classe por meio da burocracia e cooptar o setor mais pauperizado por meio do assistencialismo, tem havido um endurecimento generalizado da repress\u00e3o. Atestam esse endurecimento o tratamento dado \u00e0 greve da USP no primeiro semestre e o aumento da repress\u00e3o policial sobre os mais pobres, verificada em epis\u00f3dios como o assassinato de trabalhadores sem-terra e os conflitos recentes nas favelas de Parais\u00f3polis e Heli\u00f3polis.<\/p>\n<p>Entretanto, conforme hav\u00edamos apontado em nosso jornal anterior, que indicava a possibilidade de uma retomada das lutas no segundo semestre por ocasi\u00e3o das campanhas salariais, a classe trabalhadora brasileira est\u00e1 reagindo. Na terceira semana de setembro os metal\u00fargicos das montadoras e auto-pe\u00e7as, setor estrat\u00e9gico concentrado no Sudeste, e os trabalhadores dos correios, categoria com mais de 100 mil integrantes no pa\u00eds, entraram em greve. Na semana seguinte, ser\u00e1 a vez dos banc\u00e1rios, outra categoria com peso nacional. Ainda resta a campanha salarial dos petroleiros, setor que est\u00e1 no centro das aten\u00e7\u00f5es por conta da import\u00e2ncia que o pr\u00e9-sal assumiu na conjuntura.<\/p>\n<p>Essas greves s\u00e3o determinadas por dois aspectos relacionados \u00e0 crise. Em primeiro lugar, o aumento do grau de explora\u00e7\u00e3o, por conta dos ajustes estruturais realizados pela patronal. Tanto as demiss\u00f5es quanto a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho imp\u00f5em uma sobrecarga aos trabalhadores que ficaram nas empresas. Em segundo lugar, a retomada da taxa de lucro das empresas e a propaganda maci\u00e7a do fim da crise faz com que os trabalhadores sintam que podem reivindicar a sua parte na produ\u00e7\u00e3o da riqueza social.<\/p>\n<p>No atual momento as greves tem limites importantes, como o fato de serem obrigadas a lutar contra as dire\u00e7\u00f5es da CUT e sat\u00e9lites, al\u00e9m da pr\u00f3pria patronal e do governo. E tamb\u00e9m o fato de que o n\u00edvel de consci\u00eancia dos trabalhadores ainda n\u00e3o alcan\u00e7a uma compreens\u00e3o abragente da situa\u00e7\u00e3o, uma vis\u00e3o da crise do capitalismo no Brasil e no mundo. A tarefa dos militantes classistas \u00e9 participar e apoiar todas as lutas que surgirem, fortalecendo as alternativas anti-burocr\u00e1ticas de organiza\u00e7\u00e3o, ajudando os trabalhadores a perceber que \u00e9 poss\u00edvel lutar, e que \u00e9 necess\u00e1rio lutar, e tamb\u00e9m apontando uma perspectiva ideol\u00f3gica oposta \u00e0 da burguesia e do Estado. Cabe \u00e0 nossa classe se organizar para construir uma alternativa societ\u00e1ria ao capitalismo e suas crises, sua mis\u00e9ria, guerras e barb\u00e1rie, uma alternativa socialista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo2\"><\/a>O retorno das greves:\u00a0uma oportunidade para construir um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores<\/h1>\n<p>No jornal passado, apresentamos aos ativistas e militantes do movimento social a proposta de constru\u00e7\u00e3o de um Movimento pol\u00edtico dos trabalhadores como parte de uma pol\u00edtica voltada para recolocar os trabalhadores na cena pol\u00edtica. Esse movimento, diferente da proposta de frente de esquerda apresentada pelo PSTU, tem objetivos maiores do que a disputa eleitoral de 2010. Este movimento \u00e9 parte de uma resposta classista \u00e0s crises econ\u00f4mica e pol\u00edtica e \u00e0 pr\u00f3pria interven\u00e7\u00e3o da esquerda revolucion\u00e1ria no processo eleitoral. Tamb\u00e9m difere no m\u00e9todo, pois pela nossa proposta as discuss\u00f5es do programa e a forma\u00e7\u00e3o ocorreriam em um amplo processo de discuss\u00e3o com os trabalhadores e n\u00e3o em discuss\u00f5es de c\u00fapula com as dire\u00e7\u00f5es dos partidos.<\/p>\n<p>O objetivo principal desse movimento \u00e9 colocar a classe trabalhadora no cen\u00e1rio pol\u00edtico, respondendo aos ataques da burguesia a partir de uma perspectiva socialista, combinando as lutas imediatas e econ\u00f4micas com uma perspectiva socialista. Historicamente, as lutas com car\u00e1ter estrat\u00e9gico exigem uma consci\u00eancia que vai al\u00e9m da economicista, ou seja, os trabalhadores incorporam reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que v\u00e3o contra a burguesia e o governo capitalista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>As lutas em curso: superar o economicismo<\/h3>\n<p>As greves dos trabalhadores do correio, dos metal\u00fargicos de Campinas (que arrancaram 10% de aumento), do Paran\u00e1 e da GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos e S\u00e3o Caetano do Sul, metal\u00fargicos das autope\u00e7as do ABC ( a burocracia cutista foi obrigada a impulsionar a mobiliza\u00e7\u00e3o) e a possibilidade de banc\u00e1rios irem a greve (tamb\u00e9m contra a vontade da burocracia cutista) demonstram que objetivamente h\u00e1 um importante processo de lutas e de mobiliza\u00e7\u00f5es nas principais categorias, surgindo uma oportunidade, a partir da unidade da esquerda, para avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o desse movimento pela base.<\/p>\n<p>Toda luta tem desafios imediatos (como a conquista das reivindica\u00e7\u00f5es) que precisam de muita for\u00e7a para serem superados e todos os esfor\u00e7os dos revolucion\u00e1rios devem ir no sentido de que o movimento alcance essas reivindica\u00e7\u00f5es, mas isso n\u00e3o significa que sejam suficientes esses limites intr\u00ednsecos \u00e0 luta econ\u00f4mica. A partir dessas lutas econ\u00f4micas deve-se procurar superar as barreiras ideol\u00f3gicas e avan\u00e7ar para lutas contra a sociedade burguesa de conjunto.<\/p>\n<p>Quando os trabalhadores est\u00e3o em luta, as condi\u00e7\u00f5es para desenvolver a sua consci\u00eancia s\u00e3o maiores e melhores (essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pela qual a burguesia treme por conta das greves), a experi\u00eancia com as dire\u00e7\u00f5es pelegas se aprofunda (uma das raz\u00f5es da burocracia tremer com as greves) e para os revolucion\u00e1rios \u00e9 a oportunidade de apresentar as propostas do socialismo, contribuindo para que os trabalhadores avancem na consci\u00eancia e compreendam que as lutas por sal\u00e1rios s\u00e3o muito importantes. \u00c9 preciso, por\u00e9m, avan\u00e7ar para as lutas pol\u00edticas, uma vez que a pr\u00f3pria l\u00f3gica de funcionamento do capitalismo faz com que logo o aumento do sal\u00e1rio seja engolido pelo aumento do pre\u00e7o das mercadorias.<\/p>\n<p>Colocamos a quest\u00e3o desse modo porque compreendemos que a luta pelo desenvolvimento de uma consci\u00eancia socialista do conjunto da classe trabalhadora \u00e9 uma necessidade urgente na luta contra o sistema capitalista.<\/p>\n<p>O lament\u00e1vel \u00e9 que a esquerda de conjunto abandonou essa liga\u00e7\u00e3o do imediato com o estrat\u00e9gico, se contentando em responder ao imediato e secundarizando o estrat\u00e9gico, que s\u00e3o as lutas pol\u00edticas com reivindica\u00e7\u00f5es dirigidas aos poder pol\u00edtico e ideol\u00f3gico da burguesia.<\/p>\n<p>Partimos do fato de que essa tarefa n\u00e3o pode ser realizada por qualquer dos grupos ou partidos de esquerda de forma isolada, substituindo uma tarefa que \u00e9 do conjunto da classe. Mesmo em processo de mobiliza\u00e7\u00e3o por reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, se os trabalhadores n\u00e3o se colocarem como sujeitos, n\u00e3o ser\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o ou partido que o far\u00e3o, como se fossem portadores de uma verdade e de todas as solu\u00e7\u00f5es e pudessem substituir a a\u00e7\u00e3o direta dos trabalhadores. O que os grupos e partidos de esquerda podem e devem fazer \u00e9 disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores, apresentando propostas que permitam que a luta possa avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 luta pol\u00edtica contra a burguesia e o capitalismo.<\/p>\n<p>Considerando esses elementos e a crise estrutural do capital, o atual ciclo de luta \u00e9 ainda mais importante porque podem ser ind\u00edcio de um processo mais geral, em que a classe trabalhadora brasileira esteja retomando as grandes lutas. A combina\u00e7\u00e3o da crise do capital, a necessidade de uma resposta mais estrutural dos socialistas e esse processo de lutas pode criar, enfim, um campo f\u00e9rtil para os socialistas revolucion\u00e1rios. Por isso entendemos que h\u00e1, na realidade, elementos importantes que criam as condi\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o desse movimento pol\u00edtico dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Elei\u00e7\u00f5es 2010: a burguesia est\u00e1 escalando seu time<\/h3>\n<p>A luta pol\u00edtica tem outra batalha em curso, que \u00e9 a tentativa da burguesia e da burocracia de desviar todos os descontentamentos para as ilus\u00f5es na democracia burguesa e para as elei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o temos nenhuma ilus\u00e3o no processo eleitoral controlado pela burguesia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o nos abstemos desse debate. A burguesia aponta para desviar as lutas e n\u00f3s entendemos que \u00e9 preciso disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores com a burguesia. Se n\u00e3o fazemos essa disputa, o caminho fica livre para a burguesia e seus agentes desenvolverem as aspira\u00e7\u00f5es e ilus\u00f5es burguesas. A quest\u00e3o \u00e9 como travar essa batalha e n\u00e3o cair nas armadilhas das elei\u00e7\u00f5es burguesas e como n\u00e3o capitular \u00e0s ilus\u00f5es e a pr\u00f3pria democracia burguesa.<\/p>\n<p>No nosso modo de ver, o centro deve ser uma pol\u00edtica que coloque a independ\u00eancia de classe e as reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos trabalhadores no sentido de uma participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores enquanto classe, demonstrando que o capitalismo \u00e9 a causa dos males que aflige os trabalhadores e por isso \u00e9 preciso lutar pelo socialismo. Os revolucion\u00e1rios participam do processo eleitoral (o que n\u00e3o significa que necessariamente ap\u00f3ie um candidato) para desmascarar a burguesia e suas pretens\u00f5es, organizando os trabalhadores e desenvolvendo a consci\u00eancia socialista.<\/p>\n<p>O debate eleitoral est\u00e1 a pleno vapor, mesmo faltando mais de um ano. Serra, A\u00e9cio, Dilma e agora a indefini\u00e7\u00e3o de Helo\u00edsa Helena, que praticamente explodiu a proposta de frente de esquerda \u2013 negociada entre as dire\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio PSTU, do PSOL e do PCB \u2013 feita pelo PSTU e o lan\u00e7amento da candidatura de Marina Silva. A burguesia est\u00e1 com seu time quase completo e os partidos de esquerda segue a mesma l\u00f3gica e postura das elei\u00e7\u00f5es passadas, procurando resolver tudo \u201cpor cima\u201d.<\/p>\n<p>A \u201cnovidade\u201d (museu de grandes novidades, como diria Cazuza) \u00e9 a candidatura de Marina Silva, que se esfor\u00e7a para se apresentar como de esquerda e em oposi\u00e7\u00e3o ao governo Lula. Essas duas quest\u00f5es, que parecem simples, na verdade abrem outras preocupa\u00e7\u00f5es que os revolucion\u00e1rios devem responder, pelo fato de que no m\u00ednimo essa candidatura causou algumas confus\u00f5es em alguns setores da classe trabalhadora e de ativistas. O fato de Helo\u00edsa Helena defender Marina Silva como \u201cum dos principais quadros da esquerda brasileira\u201d \u00e9 uma das express\u00f5es da confus\u00e3o que essa candidatura pode causar.<\/p>\n<p>A primeira quest\u00e3o \u00e9 que Marina Silva n\u00e3o \u00e9 de fato oposi\u00e7\u00e3o ao governo Lula e suas recentes diverg\u00eancias est\u00e3o restritas \u00e0 quest\u00e3o ambiental, onde a pol\u00edtica do governo se aproximou do que tem de mais reacion\u00e1rio no campo. Durante todo o primeiro mandato de Lula, Marina foi uma das principais figuras do governo, aplicando a fundo a pol\u00edtica neoliberal.<\/p>\n<p>Outro elemento que demonstra o perfil dessa candidatura \u00e9 a ida para o PV, demonstrando que a sa\u00edda do PT n\u00e3o representou de fato uma ruptura com o \u201cjeito de fazer pol\u00edtica\u201d do PT. O PV \u00e9 um partido de aluguel e no seu interior tem figuras ultrarreacion\u00e1rias, como \u00e9 o caso de Zequinha Sarney, que s\u00f3 pelo sobrenome dispensa qualquer coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>No processo eleitoral, a burguesia tem v\u00e1rias armas e possibilidades, podendo sempre lan\u00e7ar m\u00e3o de alguma candidatura que cause confus\u00e3o ou mesmo iluda os trabalhadores, como \u00e9 o caso de Lula, por exemplo. Assim, combater todas essas \u201cfalsas alternativas\u201d deve ser um dos centros da pol\u00edtica revolucion\u00e1ria e nesse momento o combate \u00e0 candidatura de Marina Silva (junto com as demais) deve ser uma das prioridades da nossa pol\u00edtica, combinando a den\u00fancia com a apresenta\u00e7\u00e3o de propostas dos revolucion\u00e1rios para a sociedade.<\/p>\n<p>A burguesia j\u00e1 colocou os jogadores em campo. \u00c9 preciso que respondamos a esse processo com uma pol\u00edtica bem precisa do ponto de vista revolucion\u00e1rio, colocando em marcha os nossos jogadores, que \u00e9 a classe trabalhadora. Para isso, \u00e9 preciso uma pol\u00edtica do conjunto da esquerda, construindo unitariamente um movimento e um programa pela base.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Jogar com as nossas armas: construir um movimento pol\u00edtico para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>Faz falta a presen\u00e7a dos trabalhadores enquanto classe, na atual situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds. O apoio das principais centrais ao governo Lula e o freio que as dire\u00e7\u00f5es burocratas exercem na luta de classes s\u00e3o demonstra\u00e7\u00f5es importantes do papel que a dire\u00e7\u00e3o governista cumpre no movimento. Est\u00e3o para cumprir o papel de concilia\u00e7\u00e3o de classes, de colocar os sindicatos e as centrais, sob sua dire\u00e7\u00e3o, \u00e0 servi\u00e7o dos interesses do capital. Quando acenam com uma pequena mobiliza\u00e7\u00e3o, o objetivo \u00e9 pressionar a patronal para alguma negocia\u00e7\u00e3o. \u00c9 o sindicalismo de resultados. Dessas dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o podemos esperar nada, s\u00f3 trai\u00e7\u00f5es aos trabalhadores.<\/p>\n<p>As burocracias s\u00e3o elementos objetivos da realidade e o desgaste que sofrem junto aos trabalhadores ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para completar a experi\u00eancia e fazer com que sejam varridas das organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores. Ainda h\u00e1 um longo trabalho para ser realizado no sentido de ganhar os trabalhadores para uma pol\u00edtica contra a burocracia e de apontar que h\u00e1 o caminho das lutas, o \u00fanico capaz de arrancar conquistas duradouras.<\/p>\n<p>Mas essa alternativa n\u00e3o passa por qualquer uma das organiza\u00e7\u00f5es ou partidos, tanto pelo peso pol\u00edtico, como pela pr\u00f3pria inser\u00e7\u00e3o nos movimentos da classe, o que faz com que os trabalhadores de conjunto n\u00e3o sejam representados. Pensamos que o desenvolvimento de uma alternativa pol\u00edtica passa pela constru\u00e7\u00e3o de um movimento que possa representar o conjunto da classe e que ela pr\u00f3pria, enquanto sujeito social, possa realizar as tarefas hist\u00f3ricas que est\u00e3o reservadas para o proletariado.<\/p>\n<p>A proposta de constru\u00e7\u00e3o desse movimento se diferencia da proposta de frente de esquerda, principalmente na rela\u00e7\u00e3o com o movimento dos trabalhadores, nos seus objetivos e no seu m\u00e9todo. Com rela\u00e7\u00e3o a essa proposta, espera-se que esse movimento n\u00e3o se limite \u00e0s respostas eleitorais e \u00e0s lutas imediatas, mas que seja um movimento com objetivos estrat\u00e9gicos, ou seja, parte da luta pelo socialismo. Com rela\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo, a diferen\u00e7a central \u00e9 que atrav\u00e9s da nossa proposta, a defini\u00e7\u00e3o do programa e das tarefas deve ocorrer em um amplo processo de discuss\u00e3o com os trabalhadores, e n\u00e3o por acordo entre as dire\u00e7\u00f5es das correntes.<\/p>\n<p>Assim, refor\u00e7amos o nosso chamado \u00e0s correntes da esquerda revolucion\u00e1ria para levarmos em frente a constru\u00e7\u00e3o desse movimento pol\u00edtico dos trabalhadores.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h1><a name=\"titulo3\"><\/a>Uma escola para administrar os problemas sociais no capitalismo em crise<\/h1>\n<p>A perspectiva social que o capitalismo j\u00e1 est\u00e1 produzindo \u00e9 de aumentar o contingente de inadaptados, marginalizados, expulsos da sociedade de consumo. Est\u00e1 em curso o aprofundamento no pa\u00eds de um processo de guetiza\u00e7\u00e3o, que antes estava mais explicito na cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, uma clara delimita\u00e7\u00e3o para garantir a liberdade de consumo daqueles que podem.<\/p>\n<p>Isso explica as a\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia paulista na cidade de S\u00e3o Paulo. Os \u00faltimos confrontos envolvendo a pol\u00edcia e moradores de grandes favelas (Parais\u00f3poles, Heli\u00f3poles, Filhos da Terra) s\u00e3o incidentes que poder\u00e3o marcar o pr\u00f3ximo per\u00edodo e delinear o papel, em especial que a pol\u00edcia, a da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Enquanto isso os Estados emitem dinheiro, se endividam e os empres\u00e1rios realizam \u201cajustes estruturais\u201d para tentar retomar suas taxas de lucro com a desculpa da crise. Mas, nos planos da burguesia, os trabalhadores demitidos n\u00e3o ser\u00e3o mais contratados, os sal\u00e1rios rebaixados n\u00e3o ser\u00e3o reajustados e os direitos retirados n\u00e3o ser\u00e3o mais concedidos. Esses s\u00e3o os efeitos mais catastr\u00f3ficos e persistentes dessa crise e recaem nos ombros da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Na situa\u00e7\u00e3o atual, os patr\u00f5es buscam se apossar do trabalho manual dos funcion\u00e1rios e de seu trabalho intelectual atrav\u00e9s das chamadas habilidades e compet\u00eancias. Presenciamos isso quando vemos o que sobra dos nossos alunos \u00e0 noite depois de um dia de trabalho. O capital exige vorazmente que o Estado prepare essa m\u00e3o de obra barata de que precisa e que est\u00e1 em constante renova\u00e7\u00e3o nas empresas. Assim, a burguesia refor\u00e7a o discurso de que a Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A outra quest\u00e3o \u00e9 que a fatia da m\u00e3o de obra mais qualificada passou a ser formada nas ETE\u2019s, SENAI, FATEC`s ou em Universidades T\u00e9cnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Devido ao processo de informatiza\u00e7\u00e3o e robotiza\u00e7\u00e3o o Brasil se insere na economia mundial como fornecedor de mat\u00e9rias primas ou produtos de pouca tecnologia. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma tend\u00eancia de rebaixamento dos sal\u00e1rios e direitos. Assim, o mercado de trabalho precisa de alguns especializados com habilidades e compet\u00eancias m\u00ednimas combinado com um grupo que tenha capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e sujei\u00e7\u00e3o \u00e0 instabilidade dos v\u00ednculos empregat\u00edcios.<\/p>\n<p>Do ponto de vista dos empres\u00e1rios e do sistema de conjunto uma educa\u00e7\u00e3o plena e de qualidade para os filhos dos trabalhadores aparece como custos absolutamente desnecess\u00e1rios e como gastos esbanjadores.<\/p>\n<p>Para o capitalismo e seu Estado, a fun\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria que a escola deve cumprir passa a ser de conten\u00e7\u00e3o e doutrinamento, para que esse setor de jovens aceite ideologicamente que n\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda e que a culpa por estar nessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de cada um\u00a0 individualmente, ao n\u00e3o se esfor\u00e7ar o bastante pelas suas metas. Isso traz graves conseq\u00fc\u00eancias para os jovens e para o trabalho docente.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de precariza\u00e7\u00e3o social e educacional a que esse setor de m\u00e3o-de-obra juvenil est\u00e1 sujeito, fazendo com que com que as possibilidades de superar essa situa\u00e7\u00e3o apare\u00e7am como muito dif\u00edceis e acarrete a perda de perspectiva de um futuro melhor e, portanto, a perda de est\u00edmulo dos jovens para estudar.<\/p>\n<p>Nesse contexto surge a Reforma do Ensino M\u00e9dio. Dando \u00eanfase \u00e0s mat\u00e9rias tecnicistas busca criar nos alunos e pais a id\u00e9ia de que poder\u00e3o se destacar no mercado de trabalho, enquanto os patr\u00f5es se preparam para explorar ainda mais essa m\u00e3o-de-obra formada nos prec\u00e1rios cursos \u201cprofissionalizantes\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio desvendarmos e combatermos o projeto educacional do capitalismo em sua totalidade, nossa luta \u00e9 global a fim de envolvermos os professores, alunos, pais e demais trabalhadores. A luta contra a destrui\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e por um novo projeto tem que ser de todos os trabalhadores!<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>A educa\u00e7\u00e3o como mecanismo de controle social e ideol\u00f3gico<\/h3>\n<p>Chegamos ao ponto que o sistema necessita: administrar, mediar e amortecer os conflitos sociais provocados pelo capitalismo. \u00a0Com base nisso, as pol\u00edticas de \u201cEduca\u00e7\u00e3o inclusiva\u201d e assistencialista passam a ser o centro da aten\u00e7\u00e3o dos governantes. Diz a Proposta Curricular do Estado de S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>\u201cOutro fator relevante diz respeito \u00e0 precocidade da adolesc\u00eancia, ao mesmo tempo em que o ingresso no trabalho se torna cada vez mais tardio. Tais fen\u00f4menos ampliam o tempo de perman\u00eancia na escola&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>\u201c&#8230; nesse mundo que exp\u00f5e o jovem desde muito cedo \u00e0s pr\u00e1ticas da vida adulta \u2013 e, ao mesmo tempo, posterga a sua inser\u00e7\u00e3o profissional-, \u00e9 fazer da experi\u00eancia escolar uma oportunidade para aprender a ser livre e ao mesmo tempo respeitar as diferen\u00e7as e as regras de conviv\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o, no marco da crise do capitalismo, assume dessa forma, o papel de manter a domina\u00e7\u00e3o e a acomoda\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Os problemas de toda ordem s\u00e3o jogados para a escola resolver: gravidez na adolesc\u00eancia, viol\u00eancia urbana, quest\u00f5es ambientais, dentre outros. A educa\u00e7\u00e3o passa a ter tamb\u00e9m um car\u00e1ter assistencial e de controle ideol\u00f3gico ao mesmo tempo em que a educa\u00e7\u00e3o voltada para a emancipa\u00e7\u00e3o humana \u00e9 esquecida. Vivenciamos isso com a suspens\u00e3o das aulas motivada pela gripe su\u00edna. Por diversas vezes foi mostrado na m\u00eddia situa\u00e7\u00f5es em que os pais n\u00e3o tinham onde deixar seus filhos e a aus\u00eancia da merenda escolar estava comprometendo a alimenta\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a inflexibilidade na manuten\u00e7\u00e3o dos 200 dias letivos, mesmo frente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de pandemia, pois \u00e9 preciso manter \u201co acesso e a perman\u00eancia dos jovens na escola\u201d, mesmo que n\u00e3o estejam aprendendo.<\/p>\n<p>Esse discurso aparece de forma aberta nas entrevistas e confer\u00eancias de intelectuais ligados ao PSDB, ao governo Lula (PT) e at\u00e9 mesmo no discurso de \u201csindicalistas\u201d, como a presidente do sindicato dos professores que fez de tudo para que a entidade n\u00e3o entrasse com uma A\u00e7\u00e3o P\u00fablica e uma Liminar contra o trabalho aos s\u00e1bados.<\/p>\n<p>Se o ensino para os filhos de trabalhadores n\u00e3o precisa ter qualidade logo n\u00e3o \u00e9 preciso que haja valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais da Educa\u00e7\u00e3o. As leis recentemente aprovadas e o novo concurso para professores demonstram o n\u00edvel de precariza\u00e7\u00e3o desde o regime previdenci\u00e1rio passando pelo sal\u00e1rio e pela perda de direitos conquistados em anos de luta, como a quest\u00e3o da estabilidade.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>O autoritarismo dentro das escolas para controlar o professor e precarizar as condi\u00e7\u00f5es de ensino-aprendizagem<\/h3>\n<p>Sem investimento necess\u00e1rio e com a falta de perspectiva social dos jovens os resultados das avalia\u00e7\u00f5es externas s\u00e3o previs\u00edveis. No entanto, o Estado e os meios de comunica\u00e7\u00e3o jogam a culpa sobre os professores a fim de jogar a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora contra os professores (maior categoria dentro do funcionalismo estadual) e aumentar os mecanismos de controle e repress\u00e3o tanto contra os professores como contra os estudantes da periferia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos v\u00e1rios mecanismos de avalia\u00e7\u00e3o aumenta a quantidade de tarefas e responsabilidades atribu\u00eddas aos professores com graves casos de ass\u00e9dio moral vindos de membros das \u201cequipes gestoras\u201d empenhados em anular a liberdade de c\u00e1tedra.<\/p>\n<p>Uma outra a\u00e7\u00e3o dos governos agentes do capital \u00e9 jogar para popula\u00e7\u00e3o a responsabilidade cada vez maior pela manuten\u00e7\u00e3o das escolas atrav\u00e9s da cobran\u00e7a de taxas de APM, bem como do incentivo \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de parcerias com empresas que usam o espa\u00e7o escolar, os alunos e os pais como clientes. Enquanto o Estado se desobriga da responsabilidade, empresas v\u00e3o abrindo novos campos de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A sa\u00edda deve ser a partir do ponto vista dos trabalhadores<\/h3>\n<p>\u00c9 preciso superar essa l\u00f3gica com uma grande campanha contra esse projeto de Educa\u00e7\u00e3o dos governos municipal, estadual, federal.<\/p>\n<p>Os nossos desafios aplicam-se tamb\u00e9m \u00e0s correntes de esquerda que atuam na categoria de professores. O combate imediatista e fragmentado frente a um sistema que ataca de forma global tem obtido resultados cada vez mais limitados. Permanecem presas aos limites das lutas por categoria, mesmo quando negam essa realidade.<\/p>\n<p>Precisamos superar as respostas limitadas que temos hoje. Precisamos fazer um grande trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o que ligue os problemas da Educa\u00e7\u00e3o aos demais problemas que estamos enfrentando nessa sociedade. \u00c9 preciso aumentar nossa luta e organiza\u00e7\u00e3o nas escolas!<\/p>\n<p>Essas tarefas exigem um movimento sindical de novo tipo, estruturado a partir das escolas, combativo e com uma perspectiva ideol\u00f3gica classista e socialista. Alguns podem argumentar que esse tipo de trabalho mais ideol\u00f3gico \u00e9 um trabalho que cabe apenas aos partidos. Mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Hoje, se os sindicatos quiserem continuar cumprindo at\u00e9 mesmo seu papel mais rebaixado de defender as conquistas j\u00e1 existentes, ter\u00e3o que avan\u00e7ar cada vez mais para um posicionamento pol\u00edtico de rompimento com as diretrizes da ordem capitalista e por um novo poder organizado democraticamente pelos trabalhadores.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental redobrar os esfor\u00e7os para envolver as demais categorias de trabalhadores na luta por uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para os nossos filhos.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o deve ser tratada em todos os n\u00edveis, como um bem coletivo, um dos instrumentos de transforma\u00e7\u00e3o social e como um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e desenvolvimento humano.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo4\"><\/a>\u00a0Pr\u00e9-sal: socializa\u00e7\u00e3o dos custos e privatiza\u00e7\u00e3o dos lucros<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">M\u00e1rcio Cardoso<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As reservas de petr\u00f3leo descobertas pela PETROBRAS no fundo do oceano, na camada geol\u00f3gica de pr\u00e9-sal, aumentam a import\u00e2ncia do Brasil no cen\u00e1rio mundial da produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera. A demanda mundial pelo petr\u00f3leo continua aumentando, na medida em que pa\u00edses como a China e a \u00cdndia se industrializam, e outros como Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o mant\u00e9m seu elevado consumo. Ao mesmo tempo, a quantidade de reservas economicamente vi\u00e1veis diminui, pois o petr\u00f3leo \u00e9 um recurso natural finito. Por isso, as reservas do pr\u00e9-sal brasileiro t\u00eam grande import\u00e2ncia estrat\u00e9gica. Podemos assegurar a auto-sufici\u00eancia do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o a um recurso cada vez mais escasso e portanto mais caro. N\u00e3o foi mera coincid\u00eancia o fato dos Estados Unidos terem reativado sua IV Frota assim que se anunciou a descoberta do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o est\u00e1 em determinar quem vai se beneficiar da riqueza gerada por esse recurso natural. Grande expectativa foi criada em torno do potencial de riqueza do pr\u00e9-sal, que est\u00e1 na mira dos interesses do grande capital privado e tamb\u00e9m da burocracia petista no governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A falsa pol\u00eamica sobre o \u201cnovo\u201d marco regulat\u00f3rio do petr\u00f3leo<\/h3>\n<p>H\u00e1 algumas semanas o governo Lula anunciou o chamado \u201cnovo marco regulat\u00f3rio\u201d para a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, dando in\u00edcio a uma falsa pol\u00eamica com a oposi\u00e7\u00e3o de direita. Desde a quebra do monop\u00f3lio estatal da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo pelo governo FHC, em 1997, o capital privado tem tido a possibilidade de extrair petr\u00f3leo do subsolo brasileiro, atividade antes exclusiva da PETROBRAS, que por sua vez foi sendo progressivamente privatizada. A PETROBRAS apresenta hoje uma composi\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria em que apenas 32% das a\u00e7\u00f5es pertencem \u00e0 Uni\u00e3o, de modo que apenas por for\u00e7a de uma lei o governo tem a prerrogativa de indicar a dire\u00e7\u00e3o da empresa. A maior parte das a\u00e7\u00f5es est\u00e1 pulverizada entre acionistas diversos, inclusive estrangeiros.<\/p>\n<p>O projeto anunciado por Lula n\u00e3o reverte a quebra do monop\u00f3lio. Ele cria uma empresa, a PETRO-SAL, encarregada de administrar a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, a qual ser\u00e1 feita em regime de partilha, em lugar do regime de concess\u00e3o em que foram leiloados outros blocos de reservas petrol\u00edferas. O modelo de partilha garante \u00e0 PETROBRAS 30% de participa\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o dos novos blocos do pr\u00e9-sal. O restante poder\u00e1 ser explorado por empresas privadas, inclusive estrangeiras. A PETROBRAS ter\u00e1 que disputar leil\u00f5es como qualquer outra empresa, mas precisar\u00e1 de parcerias com essas empresas para financiar a constru\u00e7\u00e3o dos equipamentos necess\u00e1rios para a extra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A PETROBRAS \u00e9 l\u00edder mundial na tecnologia de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em \u00e1guas ultra-profundas, como \u00e9 o caso do pr\u00e9-sal, e entrar\u00e1 nessa sociedade com o \u201cknow how\u201d e a tecnologia, enquanto que as empresas estrangeiras entrar\u00e3o com o capital para financiar os equipamentos. Ou seja, na pr\u00e1tica a PETROBRAS vai funcionar como uma esp\u00e9cie de \u201cterceirizada\u201d, realizando a extra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo gra\u00e7as a uma tecnologia que ela pr\u00f3pria desenvolveu, um petr\u00f3leo cuja prospec\u00e7\u00e3o ela realizou (a pesquisa para descobrir jazidas de petr\u00f3leo \u00e9 a parte mais cara do processo), mas que ser\u00e1 vendido pelas gigantes petrol\u00edferas internacionais a ela associadas.<\/p>\n<p>O projeto foi feito sob medida para que as gigantes petrol\u00edferas internacionais se apropriem do petr\u00f3leo brasileiro. O t\u00e3o propalado \u201cnovo marco regulat\u00f3rio\u201d na verdade mant\u00e9m o modelo neoliberal entreguista que dilapida as riquezas nacionais. A cria\u00e7\u00e3o da PETRO-SAL para administrar o pr\u00e9-sal n\u00e3o passa de um embuste, pois essa empresa estatal n\u00e3o far\u00e1 explora\u00e7\u00e3o nenhuma, apenas a gest\u00e3o. A extra\u00e7\u00e3o de fato ser\u00e1 feita pela PETROBRAS, que \u00e9 cada vez menos estatal. Mas a PETROBRAS n\u00e3o estar\u00e1 sozinha, pois as empresas estrangeiras tamb\u00e9m poder\u00e3o extrair petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal, estejam associadas ou n\u00e3o \u00e0 (ex)estatal.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>O embuste eleitoral<\/h3>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o de direita protestou contra esse modelo, alegando que \u00e9 um \u201cretrocesso\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas privatistas anteriores. Na verdade o que o PSDB e o DEM temem s\u00e3o os dividendos eleitorais que o pr\u00e9-sal poder\u00e1 render para Lula e os partidos do seu bloco de apoio. Antes que o petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal comece a jorrar, o governo j\u00e1 conta com o dinheiro a ser recebido nos leil\u00f5es dos blocos de explora\u00e7\u00e3o, o qual servir\u00e1 para financiar a campanha de Dilma Roussef, candidata do PT e seus aliados \u00e0 presid\u00eancia. O governo Lula j\u00e1 anunciou tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o de aumentar a parcela dos royalties do petr\u00f3leo destinada aos estados n\u00e3o produtores (medida que beneficiar\u00e1 seus aliados locais). Anunciou ainda um \u201cFundo social\u201d a ser criado com a renda gerada pelo pr\u00e9-sal, o qual ser\u00e1 uma fonte certa de recursos para financiar o assistencialismo estatal, o qual garante a base eleitoral dos partidos governantes junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais pobre.<\/p>\n<p>Para evitar que Lula e seus aliados se beneficiem eleitoralmente, PSDB e DEM lutam para impedir a aprova\u00e7\u00e3o desses projetos no Congresso, tentando ganhar tempo, para que o governo n\u00e3o tenha o dinheiro dos leil\u00f5es do pr\u00e9-sal antes de 2010, mas de um modo que a pr\u00f3pria oposi\u00e7\u00e3o possa ter esses recursos quando chegar a sua vez de governar. Ao mesmo tempo, o governo avan\u00e7a na propaganda dos hipot\u00e9ticos benef\u00edcios do pr\u00e9-sal. A APEOESP (sindicato dos professores do ensino p\u00fablico do estado de S\u00e3o Paulo), filiada \u00e0 CNTE\/CUT e dirigida pela corrente petista Articula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 anunciou que o pr\u00e9-sal vai financiar a educa\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um exemplo de como o setor governista agir\u00e1 em todas as categorias para desmontar as mobiliza\u00e7\u00f5es. Ao inv\u00e9s de organizar os trabalhadores para lutar por suas reivindica\u00e7\u00f5es, a burocracia sindical da CUT\/PT e aliados vai ilud\u00ed-los para que pe\u00e7am ao governo verbas vindas do pr\u00e9-sal, apresentado como panac\u00e9ia universal. Em lugar de ir \u00e0 luta, os trabalhadores v\u00e3o ficar numa eterna posi\u00e7\u00e3o de s\u00faplica ao governo de plant\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de assegurar o apoio dos partidos fisiol\u00f3gicos (como o PMDB) e das burocracias sindicais, o projeto do pr\u00e9-sal ser\u00e1 usado tamb\u00e9m para cooptar a burocracia estatal de carreira, os funcion\u00e1rios da m\u00e1quina do Estado, das empresas estatais e demais institui\u00e7\u00f5es. A vers\u00e3o de que o governo Lula defende o fortalecimento do papel do Estado ser\u00e1 usada para combater o espantalho da volta da direita tradicional, unindo a burocracia estatal (tecnocracia) \u00e0 burocracia pol\u00edtico-partid\u00e1ria e sindical num grande bloco pol\u00edtico.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>As riquezas naturais sob a \u00f3tica dos trabalhadores<\/h3>\n<p>Ora, exatamente o exemplo do pr\u00e9-sal serve para desmentir essa propaganda do suposto fortalecimento do papel do Estado. Conforme dissemos acima, embora a dire\u00e7\u00e3o da PETROBRAS seja indicada pelo governo, a empresa funciona com uma l\u00f3gica de gest\u00e3o de empresa privada, que visa dar lucro para seus acionistas. A auto-sufici\u00eancia (capacidade do pa\u00eds de produzir dentro de seu territ\u00f3rio todo o petr\u00f3leo que consome, sem a necessidade de importar) deveria possibilitar que os derivados fossem vendidos a pre\u00e7o de custo, o que tornaria mais baratos o g\u00e1s de cozinha consumido nos lares brasileiros, a gasolina nos postos, etc. Mas isso n\u00e3o acontece porque a PETROBRAS acompanha aproximadamente os pre\u00e7os do petr\u00f3leo no mercado mundial, para beneficiar seus acionistas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como a PETROBRAS est\u00e1 inserida numa l\u00f3gica neoliberal, mesmo a parcela dos lucros destinada ao Estado n\u00e3o \u00e9 usada em benef\u00edcio dos trabalhadores, mas dos banqueiros nacionais e internacionais que especulam com a d\u00edvida p\u00fablica interna e externa, que consome o super\u00e1vit prim\u00e1rio do Estado.<\/p>\n<p>O an\u00fancio dos projetos do governo relativos ao pr\u00e9-sal foi feito de modo a criar uma falsa expectativa nos trabalhadores de que sua vida vai melhorar por causa dessa riqueza, quando na verdade esse mesmo governo permitir\u00e1 que as empresas privadas explorem as jazidas encontradas pela PETROBRAS. N\u00e3o h\u00e1 qualquer sinal de que o governo Lula mude essa l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Para que as riquezas oriundas dos recursos naturais do pa\u00eds sejam usadas em proveito dos trabalhadores, \u00e9 necess\u00e1rio que o povo tenha o controle pol\u00edtico do governo. No caso do petr\u00f3leo, \u00e9 necess\u00e1rio que a PETROBRAS seja 100% estatal e sob controle dos trabalhadores. As a\u00e7\u00f5es dos acionistas privados devem ser expropriadas sem indeniza\u00e7\u00e3o (salvaguardando-se a poupan\u00e7a dos trabalhadores que investiram em a\u00e7\u00f5es da empresa via FGTS). \u00c9 necess\u00e1rio restaurar o monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo e cancelar todos os leil\u00f5es das reservas, impedindo a explora\u00e7\u00e3o do nosso petr\u00f3leo pela burguesia, cujos empreendimentos devem ser expropriados sem indeniza\u00e7\u00e3o. Todas as fontes de energia devem ser monop\u00f3lio estatal, sob controle dos trabalhadores, especialmente num momento hist\u00f3rico em que ser\u00e1 preciso fazer a transi\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a uma nova matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo5\"><\/a>A luta pela democracia no movimento estudantil<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Alex (FSA) e Daniel M. Delfino<\/p>\n<p>Entendemos como movimento estudantil a organiza\u00e7\u00e3o dos estudantes na luta por suas reivindica\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de entidades como os gr\u00eamios nas escolas e diret\u00f3rios acad\u00eamicos nas faculdades. Os estudantes n\u00e3o s\u00e3o uma classe social, s\u00e3o uma categoria transit\u00f3ria a qual pertencem os alunos de escolas e faculdades vindos de todas as classes sociais. Defendemos um movimento estudantil classista, ou seja, que se posicione em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 divis\u00e3o de classes na sociedade. A burguesia e o proletariado s\u00e3o as classes fundamentais da sociedade capitalista (sabemos disso desde o Manifesto Comunista de 1848), aquelas que possuem projetos de sociedades opostos, que s\u00e3o o capitalismo e o socialismo respectivamente. Defendemos um movimento estudantil que ap\u00f3ie a luta dos trabalhadores pelo socialismo. Mesmo porque, a luta pelas reivindica\u00e7\u00f5es dos estudantes, que envolvem uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade para todos, \u00e9 parte da luta contra o capitalismo. Para a burguesia n\u00e3o interessa conceder esse tipo de educa\u00e7\u00e3o, pois o capitalismo n\u00e3o necessita de trabalhadores bem educados, e sim de m\u00e3o de obra barata e submissa, sem pensamento cr\u00edtico e sem vis\u00e3o geral do mundo.<\/p>\n<p>A luta por uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade para todos passa tamb\u00e9m por uma luta para democratizar as institui\u00e7\u00f5es educacionais. O projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico das escolas e universidades deve contemplar as demandas e necessidades da maioria da sociedade, ou seja, da classe trabalhadora, dedicando-se aos seus problemas. Para isso, os estudantes, servidores da educa\u00e7\u00e3o e professores devem ser os verdadeiros autores de um projeto de educa\u00e7\u00e3o, que enfrente a concep\u00e7\u00e3o tecnocr\u00e1tica emanada do Estado burgu\u00eas e seus burocratas.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos o movimento estudantil brasileiro voltou ao primeiro plano do cen\u00e1rio pol\u00edtico desenvolvendo importantes lutas, com o movimento das ocupa\u00e7\u00f5es de reitoria, que conseguiu questionar o projeto de educa\u00e7\u00e3o do governo Lula e dos governos estaduais e municipais, com importantes vit\u00f3rias, ainda que parciais, como a derrubada do antigo reitor da Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9 e em outras universidades. Entretanto, esse movimento ainda foi restrito, n\u00e3o envolveu a grande massa dos estudantes e n\u00e3o criou uma continuidade.<\/p>\n<p>Existe um setor dos estudantes que se coloca contra esse tipo de atividade pol\u00edtica, argumentando que o movimento estudantil est\u00e1 \u201ccontaminado\u201d por supostos \u201cinteresses escusos\u201d dos partidos, e que tudo n\u00e3o passa de \u201cdisputa de poder\u201d, de luta pelo controle dos aparatos, das entidades, etc. Argumentam ainda que os partidos e organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o autorit\u00e1rios, anti-democr\u00e1ticos, cerceiam a liberdade individual, a criatividade, etc. Por isso, se recusam a militar e participar das atividades.<\/p>\n<p>Respeitamos as cr\u00edticas e reconhecemos uma certa dose de raz\u00e3o. Mas como princ\u00edpio, consideramos que, para democratizar as universidades, \u00e9 preciso democratizar primeiro o pr\u00f3prio movimento estudantil. \u00c9 preciso que os estudantes que tem cr\u00edticas \u00e0 atua\u00e7\u00e3o dos partidos e das entidades participem do debate. \u00c9 preciso que coloquem o seu desejo de liberdade e de expressar a criatividade no interior do pr\u00f3prio movimento. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel oxigenar o debate, envolver os estudantes, combater os v\u00edcios dos partidos e organiza\u00e7\u00f5es que impedem o avan\u00e7o do movimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 nada mais autorit\u00e1rio, anti-democr\u00e1tico, burocr\u00e1tico, tedioso, do que a pr\u00f3pria sociedade burguesa. Deixar de participar do movimento por conta da falta de democracia \u00e9 um contra-senso. A falta de democracia est\u00e1 dada dentro e fora das escolas e universidades, dentro do mundo do trabalho, em todas as esferas da vida controladas pela ideologia burguesa. Apenas a luta e o movimento organizado podem combater essa falta de liberdade e de possibilidades de express\u00e3o dos indiv\u00edduos. \u00c9 apenas atrav\u00e9s da luta coletiva que os indiv\u00edduos podem verdadeiramente se realizar, crescer, se expressar, aprender, improvisar, elaborar, criar, se construir.<\/p>\n<p>Mas para isso, \u00e9 preciso que os movimentos de luta sejam de fato democr\u00e1ticos. E a democracia passa pelo respeito aos espa\u00e7os de decis\u00e3o. Defendemos a participa\u00e7\u00e3o de todos os estudantes no movimento, estejam ou n\u00e3o organizados em partidos. Somos parte de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o Espa\u00e7o Socialista, porque entendemos que os militantes t\u00eam o direito de se agrupar em partidos e organiza\u00e7\u00f5es a partir de uma vis\u00e3o comum da realidade e de um conjunto de propostas que se materializam num programa. E os partidos e organiza\u00e7\u00f5es tem o direito de levar suas propostas a todos os f\u00f3runs do movimento estudantil. O que n\u00e3o pode acontecer \u00e9 que os partidos e organiza\u00e7\u00f5es se considerem \u201cdonos\u201d de uma determinada entidade ou f\u00f3rum, \u201cdonos\u201d de um diret\u00f3rio acad\u00eamico, usando essa entidade para impor a pol\u00edtica da sua organiza\u00e7\u00e3o ao conjunto dos estudantes.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo de discuss\u00e3o \u00e9 fundamental nesse caso. \u00c9 preciso que haja uma separa\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 a pol\u00edtica dos partidos e organiza\u00e7\u00f5es e o que \u00e9 a pol\u00edtica de uma entidade do movimento que pertence ao conjunto dos estudantes. Os partidos e organiza\u00e7\u00f5es devem se submeter aos f\u00f3runs de decis\u00e3o do movimento, aos f\u00f3runs que representam o conjunto dos estudantes. Da mesma forma, os estudantes independentes, que n\u00e3o fazem parte de partidos e organiza\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m podem e devem levar suas propostas e concep\u00e7\u00f5es ao movimento, e devem tamb\u00e9m respeitar as decis\u00f5es coletivas. Defendemos uma forma de funcionamento das entidades, dos centros acad\u00eamicos, em que as decis\u00f5es tomadas coletivamente sejam encaminhadas coletivamente.<\/p>\n<p>Entre os v\u00edcios dos partidos e organiza\u00e7\u00f5es que precisam ser combatidos est\u00e1 o de se aproveitar dos f\u00f3runs do movimento para fazer cr\u00edticas, lan\u00e7ar palavras de ordem, defender linhas de atua\u00e7\u00e3o que s\u00e3o exclusivas do seu grupo, usufruindo dos espa\u00e7os democr\u00e1ticos que existem no movimento, e depois deixar de acatar as delibera\u00e7\u00f5es do coletivo. Fazem cr\u00edticas, mas n\u00e3o querem aceitar as decis\u00f5es. Prop\u00f5em tarefas, mas n\u00e3o querem arrega\u00e7ar as mangas, p\u00f4r a m\u00e3o na massa e ajudar a construir o movimento. Gostam de disputar o microfone nas assembl\u00e9ias, mas se abst\u00e9m de disputar a consci\u00eancia dos estudantes na base, de fazer as panfletagens, de falar em sala de aula, de construir os atos e a luta em geral. Recebem a tarefa de escrever um panfleto, mas aparecem com um resultado diferente do que foi deliberado. Exigem a democracia no momento do debate, mas n\u00e3o acatam a responsabilidade que adv\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma democracia pela metade.<\/p>\n<p>Defendemos a democracia por inteiro, o debate aberto e a responsabilidade com aquilo que se fala e se prop\u00f5e. N\u00e3o existe \u201creceita de bolo\u201d nem \u201cf\u00f3rmula m\u00e1gica\u201d para envolver os estudantes, para fazer com que todos se sintam atra\u00eddos pelas atividades do movimento estudantil. Mas um princ\u00edpio fundamental deve ser o respeito ao coletivo. Radicalizar a democracia deve ser uma das bandeiras principais do movimento. Reconhecer que somente constru\u00eddo com a base e pela base o movimento ganhar\u00e1 a for\u00e7a necess\u00e1ria para atender as demandas que lhe s\u00e3o impostas e a legitimidade para lutar por avan\u00e7os mais significativos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo6\"><\/a>Ao inv\u00e9s do sol, o fogo ardeu sobre heli\u00f3polis<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">A. Bender<\/p>\n<p>\u00a0Bairro Cit\u00e9-Soleil, favela de Porto Pr\u00edncipe, Haiti.<\/p>\n<p>Heli\u00f3polis, favela de S\u00e3o Paulo, Brasil.<\/p>\n<p>A semelhan\u00e7a entre as duas n\u00e3o est\u00e1 apenas em terem o mesmo nome. Maioria negra, pobre, e acossada pela viol\u00eancia policial. Da primeira, n\u00e3o temos mais not\u00edcias. O ex\u00e9rcito da ONU, dirigido pelo governo Lula, continua \u201cpacificando\u201d. Por aqui, \u00e9 a tropa de choque que tenta \u201cpacificar\u201d.<\/p>\n<p>Essa realidade n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio nosso, aqui do \u201cterceiro mundo\u201d (sic). O mesmo ocorre nas periferias da \u201cCidade Luz\u201d. Imigrantes, na maioria negros, maiores v\u00edtimas da crise econ\u00f4mica e da pol\u00edtica xen\u00f3foba que grassa na Europa, rebelaram-se nas periferias de Paris contra a falta de oportunidades e a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Nas duas situa\u00e7\u00f5es o Estado brasileiro reprime os trabalhadores e explorados.<\/p>\n<p>Heli\u00f3polis \u00e9 a maior favela de S\u00e3o Paulo, com cerca de 100 mil habitantes. E nos dias 1\u00ba e 2 de setembro foi palco de uma rebeli\u00e3o popular. Barricadas, v\u00e1rios \u00f4nibus queimados, e muita viol\u00eancia policial. Cen\u00e1rio de guerra. Moro em Heli\u00f3polis h\u00e1 9 anos, desde julho de 2000. Mas, acompanho de perto sua realidade, desde 1996, quando me mudei para o Ipiranga. Mesmo ano, ali\u00e1s, de um grande inc\u00eandio que destruiu dezenas de casas, constru\u00eddas nos esqueletos de um pr\u00e9dio de apartamentos abandonados da CDHU.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um hist\u00f3rico de inc\u00eandios e viol\u00eancia, h\u00e1 tamb\u00e9m um hist\u00f3rico de lutas aqui na favela. Heli\u00f3polis j\u00e1 resistiu a v\u00e1rias tentativas de reintegra\u00e7\u00e3o de posse, e sua organiza\u00e7\u00e3o de moradores \u2013 a UNAS \u2013 j\u00e1 esteve entre as mais combativas. Resistiu \u00e0 J\u00e2nio e Maluf na prefeitura. At\u00e9 o momento que a UNAS passou a praticar um tipo de \u201cmovimento de resultados\u201d, que levou a antiga e combativa organiza\u00e7\u00e3o popular a se transformar numa ONG que administra recursos privados, doados por organiza\u00e7\u00f5es como GM, OMO, entre outras. Seu principal ato pol\u00edtico \u2013 al\u00e9m de lan\u00e7ar candidatos \u201camigos da favela\u201d em cada elei\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 fazer uma \u201cCaminhada pela Paz\u201d, que j\u00e1 passa da d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o. \u00c9 aquele tipo de caminhada pela \u201cPaz sem voz\u201d.<\/p>\n<p>Mas, os eventos do \u00faltimo dia 1\u00ba e 2 de setembro t\u00eam pouco a ver com esse passado de lutas da organiza\u00e7\u00e3o de moradores. Foi uma explos\u00e3o espont\u00e2nea de um povo que est\u00e1 cansado de apanhar. A viol\u00eancia que praticaram contra a adolescente m\u00e3e que voltava da escola, n\u00e3o \u00e9 caso isolado. Em julho uma crian\u00e7a foi v\u00edtima de bala \u201cperdida\u201d dos rev\u00f3lveres da pol\u00edcia, que reiteradamente entra na favela atirando. Ali\u00e1s, a tal pr\u00e1tica do \u201catira primeiro pra depois perguntar\u201d, parece primeira regra nas cartilhas da pol\u00edcia, seja ela civil ou militar.<\/p>\n<p>E os \u00f4nibus queimados? F\u00e1cil de compreender, pois o \u00f4nibus lotado todo dia, na ida e na volta do trabalho, \u00e9 mais uma prova concreta da explora\u00e7\u00e3o da trabalhadora e do jovem.<\/p>\n<p>E a \u00fanica resposta que governos e pol\u00edticos d\u00e3o \u00e9 \u201cmanda a pol\u00edcia pra cima\u201d. Para os problemas decorrentes da crise? Pol\u00edcia! Contra a greve? Pol\u00edcia! Falta de moradia e trabalho? Pol\u00edcia. Manifesta\u00e7\u00e3o de trabalhadores e estudantes? Pol\u00edcia. Parece que a velha m\u00e1xima de Washington Luis continua em voga: que movimento oper\u00e1rio (ou afim) n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o social, mas, \u00e9 quest\u00e3o de pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Como sabemos que a crise econ\u00f4mica est\u00e1 longe de acabar \u2013 mesmo que o discurso oficial seja diferente \u2013 podemos prever que a crise econ\u00f4mica trar\u00e1 ainda mais preocupa\u00e7\u00f5es, desemprego e uma onda de rebeli\u00f5es, manifesta\u00e7\u00f5es e greves, no Brasil e no mundo. E com isso, mais repress\u00e3o. Historicamente \u00e9 assim que a classe dominante responde quando os explorados se levantam.<\/p>\n<p>S\u00f3 h\u00e1 uma alternativa para isso, a auto-organiza\u00e7\u00e3o de trabalhadores e estudantes.<\/p>\n<p>&#8211; Construir comit\u00eas contra o desemprego, que unam trabalhadores e estudantes, semelhantes ao Comit\u00ea que est\u00e1 sendo constru\u00eddo no ABC, e que pode ser reproduzido nos bairros, e junto \u00e0s empresas amea\u00e7adas de fal\u00eancia ou que demitam em massa;<\/p>\n<p>&#8211; Reunir os setores combativos do Movimento Oper\u00e1rio numa nova central que organize a luta dos trabalhadores;<\/p>\n<p>&#8211; Construir a ANEL regionalmente, para impulsionar o movimento estudantil pela base<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo7\"><\/a>O imp\u00e9rio contra ataca<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Marcelo Marques<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois dos questionamentos \u00e0 hegemonia pol\u00edtica, econ\u00f4mica e militar que a \u201cera Bush\u201d gerou em todo o mundo, das dificuldades de vencer a Guerra do Iraque e Afeganist\u00e3o e das rebeli\u00f5es protagonizadas por diversos povos da Am\u00e9rica Latina, o lema de Barack Obama para as elei\u00e7\u00f5es (\u201cN\u00f3s podemos mudar\u201d) come\u00e7a a revelar todo seu sentido.<\/p>\n<p>Quem ignorou as alian\u00e7as eleitorais compostas por Obama e as nomea\u00e7\u00f5es de reconhecidos conservadores comprometidos com as gest\u00f5es de Bush (tanto o pai quanto o filho), ou ainda, tinha alguma ilus\u00e3o de que os Democratas fossem portadores de um projeto que n\u00e3o contivesse guerra, genoc\u00eddio, golpe de estado, desrespeito ao meio ambiente e as conven\u00e7\u00f5es internacionais j\u00e1 n\u00e3o pode mais se iludir. A IV Frota Naval e o an\u00fancio da instala\u00e7\u00e3o de sete novas bases militares na Col\u00f4mbia n\u00e3o deixam d\u00favidas a ningu\u00e9m quanto ao fato de que os EUA t\u00eam um Projeto de Estado quanto \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica mundial. Isso significa dizer que independentemente do partido que controla a Casa Branca n\u00e3o haver\u00e1 mudan\u00e7a no que se refere \u00e0s estrat\u00e9gias globais estadunidenses quanto \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica, diplom\u00e1tica e militar.<\/p>\n<p>J\u00e1 apontamos em edi\u00e7\u00f5es anteriores que o grande show de m\u00eddia para eleger Obama tinha como objetivo reconstruir a legitimidade dos EUA, possibilitando ao imp\u00e9rio realizar novas jogadas no grande tabuleiro da pol\u00edtica internacional e reverter o recha\u00e7o ideol\u00f3gico e o sentimento popular anti-EUA no mundo. Ou seja, troca-se o baralho para continuar com o mesmo jogo. E, nesse caso, trocou-se apenas a carta do rei, j\u00e1 que v\u00e1rias outras continuam (Paul Volcker \u2013 FED, Robert Gates \u2013 Defesa e outros).<\/p>\n<p>Na \u00e9poca da Guerra Fria a doutrina do combate ao comunismo era o pretexto usado pelo imperialismo estadunidense para legitimar todas as suas interven\u00e7\u00f5es, como a quebra unilateral do padr\u00e3o ouro nas finan\u00e7as mundiais (1971), o apoio aos golpes de estado e \u00e0s ditaduras na Am\u00e9rica Latina, aos assassinatos e \u00e0 repress\u00e3o \u00e0s lutas dos trabalhadores, etc. Tudo isso visava lan\u00e7ar os EUA como \u00fanica superpot\u00eancia, dando fim \u00e0 ordem mundial bipolar.<\/p>\n<p>Hoje a elite pol\u00edtica e econ\u00f4mica norte-americana tem na doutrina de combate ao terrorismo e ao narcotr\u00e1fico seu sustent\u00e1culo para seguir um Projeto de Estado no qual os EUA \u00e9 o centro de poder e definidor dos rumos econ\u00f4micos e pol\u00edticos do globo. Apesar do crescimento chin\u00eas, da mal ensaiada independ\u00eancia pol\u00edtica europ\u00e9ia e da crise econ\u00f4mica mundial afetar primeiramente a economia dos EUA, n\u00e3o podemos ter d\u00favidas de que o imp\u00e9rio estadunidense far\u00e1 tudo para seguir sendo o \u201cn\u00ba. 1, dar as cartas e ficar com o lucro da banca\u201d.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o bastasse tropas no Iraque (sem Saddam, sem armas at\u00f4micas e sem Al-Quaeda), refor\u00e7o de tropas no Afeganist\u00e3o (ainda sem o paradeiro do Bin Laden e com aumento na produ\u00e7\u00e3o da papoula que os Talib\u00e3s tinham praticamente extinto), cortina de m\u00edsseis bal\u00edsticos em volta da R\u00fassia, constante presen\u00e7a militar em treze bases por toda a Am\u00e9rica Latina (Cuba, Porto Rico, Cura\u00e7ao, El Savador, Honduras, Costa Rica, Peru Paraguai e Col\u00f4mbia), o imp\u00e9rio \u201cGest\u00e3o Bush\u201d anunciou ano passado a reativa\u00e7\u00e3o da IV Frota Naval e a \u201cGest\u00e3o Obama\u201d, fiel ao projeto de estado, declarou oficialmente a instala\u00e7\u00e3o de mais sete bases militares na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel esconder: a antiga Doutrina Bush agora se chama DOUTRINA OBAMA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A IV Frota Naval e sua capacidade<\/h3>\n<p>Negociada com Get\u00falio Vargas, a IV Frota surgiu 1943 para dar seguran\u00e7a aos navios mercantes brasileiros e suporte \u00e0s a\u00e7\u00f5es militares aliadas na costa oeste da \u00c1frica. Em 1950, devido a Guerra Fria e a ado\u00e7\u00e3o da Doutrina de Combate ao Comunismo, foi desativada e incorporada \u00e0 II Frota (respons\u00e1vel pela patrulha norte do atl\u00e2ntico).<\/p>\n<p>Como qualquer frota da marinha norte-americana, a IV Frota \u00e9 composta por um conjunto vari\u00e1vel de navios que normalmente incluem um porta-avi\u00f5es, do tipo Nimitz, capaz de deslocar at\u00e9 104 mil toneladas de carga, equipado com 2 reatores nucleares e 90 avi\u00f5es de guerra embarcado para prote\u00e7\u00e3o \u00e0 frota e poder de proje\u00e7\u00e3o sobre terra, navios-escoltas com capacidade de defesa a\u00e9rea sobre superf\u00edcie e anti-submarina a longa, m\u00e9dia e curta dist\u00e2ncia al\u00e9m de navios de apoio log\u00edstico (combust\u00edvel, mantimentos, muni\u00e7\u00e3o, etc.) e de, no m\u00ednimo, dois submarinos nucleares na defesa submarina.<\/p>\n<p>Sua reativa\u00e7\u00e3o teve como justificativa oficial o combate ao terrorismo e ao narcotr\u00e1fico. S\u00f3 estranha o fato de que, ao sul da linha do Equador, somente existe costa brasileira neste lado do Oceano Atl\u00e2ntico. Inclusive, n\u00e3o podemos esquecer que o governo estadunidense \u00e9 um dos poucos que s\u00f3 reconhece 12 das 200 milhas mar\u00edtimas da costa brasileira e que, portanto, oficialmente sua IV Frota n\u00e3o precisa respeitar a soberania brasileira sobre essas \u00e1guas. Isso significa que a \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica a partir da 12\u00ba milha pode ser reivindicada por quaisquer pais do mundo, inclusive por aquele que \u00e9 dono da maior potencia militar naval e que coincidentemente est\u00e1 navegando por toda a \u00e1rea em quest\u00e3o nesse momento. A descoberta recente de imensas reservas de petr\u00f3leo que dar\u00e1 ao Brasil um bilh\u00e3o de barris entre os anos de 2013 e 2014, demonstra que pode haver muito mais riqueza sob o mar dentre a 12\u00ba e a 200\u00ba milha mar\u00edtima, do que pode supor a conveniente displic\u00eancia da grande m\u00eddia nacional, pois n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de petr\u00f3leo que se alimenta a cobi\u00e7a imperialista, da biodiversidade mar\u00edtima tamb\u00e9m. Al\u00e9m da costa brasileira ser a rota de 90% das transa\u00e7\u00f5es comerciais, ela tamb\u00e9m concentra um gigantesco celeiro de reprodu\u00e7\u00e3o da fauna e flora mar\u00edtima a ponto da Comiss\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o dos Tun\u00eddeos do Atl\u00e2ntico \u2013 ICCAT \u2013 externar a exist\u00eancia de grande massa pesqueira que se desloca permanentemente na \u00e1rea mar\u00edtima da zona econ\u00f4mica exclusiva brasileira.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>As bases militares na Col\u00f4mbia<\/h3>\n<p>Ao assumir a Doutrina Bush, Obama d\u00e1 prosseguimento ao seu programa de espalhar bases militares no subcontinente, e com as sete novas bases militares na Col\u00f4mbia, os EUA atingir\u00e3o em breve a capacidade de opera\u00e7\u00e3o de ataque e log\u00edstica em 20 pontos da Am\u00e9rica Latina. Mas n\u00e3o p\u00e1ra por a\u00ed: faz parte da desculpa de combate ao terrorismo e ao narcotr\u00e1fico instalar ainda mais quatro bases militares (em Alc\u00e2ntara, no Brasil, na Bol\u00edvia, na Argentina e na fronteira da tr\u00edplice alian\u00e7a entre Brasil, Argentina e Paraguai, sobre o Aq\u00fc\u00edfero Guarani).<\/p>\n<p>Em curto prazo, as bases militares permitir\u00e3o que as for\u00e7as estadunidenses d\u00eaem maior suporte ao combate contra as for\u00e7as insurgentes na Col\u00f4mbia (FARC, ELN), ap\u00f3iem qualquer medida de repress\u00e3o contra processos de mobiliza\u00e7\u00e3o popular na regi\u00e3o, al\u00e9m de servir como elemento de press\u00e3o sobre as medidas populares de Chavez e ao processo de integra\u00e7\u00e3o capitalista de Cuba. Em longo prazo, caso a crise econ\u00f4mica leve a uma polariza\u00e7\u00e3o na luta de classes em n\u00edvel mundial e a Am\u00e9rica Latina continue sendo esse hist\u00f3rico barril de p\u00f3lvora para os interesses capitalistas, as bases militares juntamente com a III (respons\u00e1vel pelo leste e norte do Oceano Pac\u00edfico) e a IV Frota Naval poder\u00e3o formar uma rede de ataque por sobre todo o territ\u00f3rio abaixo da fronteira sul dos Estados Unidos. O tamanho poder de alcance da avia\u00e7\u00e3o militar estadunidense, tanto a baseada em terra quanto nos porta-avi\u00f5es e inclusive a capacidade de abastecimento em pleno v\u00f4o, n\u00e3o deixa d\u00favidas: em termos militares \u00e9 imposs\u00edvel pensar em seguran\u00e7a do espa\u00e7o a\u00e9reo brasileiro ou de qualquer outro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o quiser se surpreender com as medidas tomadas por Obama precisa considerar a id\u00e9ia de Projeto de Estado constru\u00eddo e conservado pela elite estadunidense. Esse projeto estrat\u00e9gico est\u00e1 a servi\u00e7o de manter os EUA como centro de decis\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar mundial surgida no fim da 2\u00ba Guerra e que desde ent\u00e3o se utiliza de diversas doutrinas para consolidar e manter sua hegemonia. O que h\u00e1 de diferente \u00e9 a crise de reprodu\u00e7\u00e3o do capital que se manifesta desde a d\u00e9cada de 70 e a emerg\u00eancia de novos concorrentes como a China e R\u00fassia que relan\u00e7aram a disputa pelas fontes de energias e mercados em escala global. \u00c9 neste cen\u00e1rio que se coloca a necessidade dos EUA \u201cfecharem o port\u00e3o de seu quintal\u201d e garantirem o controle sobre os recursos naturais e mercados consumidores e de m\u00e3o de obra da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>As rebeli\u00f5es populares na regi\u00e3o, o sentimento anti-americano e o naufr\u00e1gio da ALCA (Alian\u00e7a para o Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9rica) na \u201cEra Bush\u201d possibilitaram o surgimento de governos que buscaram melhor posi\u00e7\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o no mercado mundial e conseguiram diversificar suas rela\u00e7\u00f5es exteriores, mas agora com a elei\u00e7\u00e3o de Obama o imp\u00e9rio se sente capaz de lan\u00e7ar uma ofensiva e retomar o tempo perdido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Precisamos pensar al\u00e9m da quest\u00e3o militar<\/h3>\n<p>Por mais importante que seja o debate a respeito da necessidade de autodefesa dos povos n\u00e3o podemos cair na simplicidade da defesa de uma corrida armamentista. A seguran\u00e7a dos pa\u00edses sob o arco de ataque das bases militares e das Frotas Navais estadunidenses est\u00e1 no terreno da pol\u00edtica, n\u00e3o no milita, uma vez que todas as bases (com exce\u00e7\u00e3o de Guant\u00e1namo, em Cuba) contam com o apoio dos governos locais, al\u00e9m de que a hist\u00f3ria demonstra (Vietn\u00e3, Cuba, Cor\u00e9ia) que s\u00f3 a luta dos trabalhadores p\u00f4de derrotar a maior m\u00e1quina de guerra da hist\u00f3ria. Isso quer dizer que as burguesias que governam os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o levar\u00e3o uma luta antiimperialista \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias, pois fazem parte da mesma classe burguesa mundial e t\u00eam os mesmos interesses de explorar os trabalhadores de seus pa\u00edses. Qualquer d\u00favida \u00e9 s\u00f3 lembrar que n\u00e3o houve um s\u00f3 movimento golpista na Am\u00e9rica Latina sem o respaldo dos EUA. A diverg\u00eancia \u00e9 somente quanto \u00e0 parte que cada um explora.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos confiar nossa seguran\u00e7a e de nossos pa\u00edses a l\u00edderes que assistem \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de bases militares sem medidas concretas, ou como no caso brasileiro, envia tropas para reprimir trabalhadores no Haiti. Precisamos fomentar a discuss\u00e3o e a troca de informa\u00e7\u00f5es sobre o perigo das bases militares e da IV Frota, construir comit\u00eas de den\u00fancia e realizar campanhas que sejam capazes de mobilizar os trabalhadores. As fontes de energia e recursos naturais devem estar a servi\u00e7o das necessidades humanas para construir escolas, hospitais, garantir a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e condi\u00e7\u00f5es de vida digna para todos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=303#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><style type=\"text\/css\">p { margin-bottom: 0.08in; }<\/style>\n<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"titulo1\">Um novo elemento na realidade: as greves<\/a>&nbsp;<\/h2>\n<h3>As fases da crise<\/h3>\n<p>Conforme temos afirmado nos &uacute;ltimos meses, a crise mundial, que caracterizamos como uma verdadeira crise societal global por conta das suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es, segue se desenvolvendo. Ao contr&aacute;rio de haver se resolvido, como diz unanimemente a imprensa burguesa e a propaganda estatal, ela apenas mudou de fase. Compreender exatamente o que est&aacute; se passando na economia mundial e nacional, em que momento estamos do processo da crise, &eacute; fundamental para entendermos o tipo de desafios que est&atilde;o colocados para a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>No atual momento hist&oacute;rico de crise estrutural (iniciada na d&eacute;cada de 1970), a contradi&ccedil;&atilde;o fundamental do capitalismo, a superprodu&ccedil;&atilde;o de mercadorias, n&atilde;o pode se desdobrar na forma de uma crise aberta como a de 1929, que precipitou o mundo na Grande Depress&atilde;o e na II Guerra Mundial. A destrui&ccedil;&atilde;o de capital ao estilo cl&aacute;ssico n&atilde;o &eacute; mais aceit&aacute;vel. Assim, a crise estrutural se manifesta de outras formas, como a financeiriza&ccedil;&atilde;o, o endividamento, a mundializa&ccedil;&atilde;o, a forma&ccedil;&atilde;o de um mercado mundial de for&ccedil;a de trabalho e de um ex&eacute;rcito industrial de reserva em escala mundial. Esses expedientes de que o capital se utilizou para administrar sua crise estrutural exigiram medidas pol&iacute;ticas (neoliberalismo) e ideol&oacute;gicas (&ldquo;fim da hist&oacute;ria&rdquo;, &ldquo;morte do socialismo&rdquo;, p&oacute;s-modernismo, etc.) capazes de redefinir o papel de cada economia nacional e impedir a resist&ecirc;ncia organizada e conseq&uuml;ente da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Esses processos diluem o impacto das crises c&iacute;clicas, ao mesmo tempo em que precipitam uma crise cada vez mais s&eacute;ria para o futuro. A financeiriza&ccedil;&atilde;o chegou a um ponto em que os t&iacute;tulos negociados nos mercados financeiros alcan&ccedil;am um valor total mais de dez vezes maior que o do PIB mundial, que &eacute; de cerca de US$ 50 trilh&otilde;es. O grau de artificialidade e irracionalidade desse mecanismo ultrapassou o limite e a aberra&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou a vir a tona na atual crise. A crise financeira iniciada com a inadimpl&ecirc;ncia das hipotecas estadunidenses em 2007 e tornada global no final de 2008 &eacute; apenas a ponta de um iceberg. A paralisa&ccedil;&atilde;o do mercado financeiro provocou uma paralisa&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito, que provocou uma rea&ccedil;&atilde;o em cadeia na economia, resultando em diminui&ccedil;&atilde;o do consumo, do com&eacute;rcio, da produ&ccedil;&atilde;o, e aumento explosivo do desemprego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>O papel do Estado e das economias perif&eacute;ricas<\/h3>\n<p>A coincid&ecirc;ncia da eclos&atilde;o da crise econ&ocirc;mica com a irrup&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de problemas mais ou menos cr&ocirc;nicos nas esferas energ&eacute;tica, ambiental, alimentar, pol&iacute;tica, militar, cultural, etc., explicitando a crise societal global, acendeu o sinal de alerta dos gestores do sistema, pois permitiu que se vislumbrasse de um relance toda a irracionalidade do capitalismo e a necessidade da supera&ccedil;&atilde;o desse sistema. Antes que isso se tornasse evidente na consci&ecirc;ncia dos trabalhadores, a burguesia reagiu e usou o Estado, comit&ecirc; gestor dos seus neg&oacute;cios, para apagar o inc&ecirc;ndio. Governos do mundo inteiro, a come&ccedil;ar por Obama (um providencial messias sob encomenda da burguesia), lan&ccedil;aram pacotes de trilh&otilde;es de d&oacute;lares de ajuda ao mercado financeiro e ao grande capital para que a economia pudesse continuar respirando.<\/p>\n<p>Esses pacotes representam apenas uma fra&ccedil;&atilde;o &iacute;nfima da montanha de US$ 500 trilh&otilde;es em capital fict&iacute;cio ainda em circula&ccedil;&atilde;o (ou seja, est&atilde;o longe de poder resolver um problema na verdade insol&uacute;vel), mas j&aacute; representam um custo insustent&aacute;vel para o or&ccedil;amento p&uacute;blico de qualquer pa&iacute;s, mesmo os Estados Unidos. O d&eacute;ficit p&uacute;blico estadunidense em 2009 est&aacute; estimado em US$ 1,8 trilh&atilde;o, o que equivale a 13% do PIB. Essa porcentagem &eacute; duas vezes maior que o d&eacute;ficit recorde anterior em tempos de paz (n&uacute;meros do Boletim Cr&iacute;tica Semanal, agosto de 2009). Para cobrir esse d&eacute;ficit, o governo estadunidense precisa absorver dinheiro do mundo inteiro, o que faz emitindo t&iacute;tulos de d&iacute;vida p&uacute;blica, que s&atilde;o comprados principalmente pelos pa&iacute;ses que exportam para os Estados Unidos (China, Jap&atilde;o, tigres asi&aacute;ticos, Brasil, etc.).<\/p>\n<p>Entretanto, para continuar comprando t&iacute;tulos da d&iacute;vida estadunidense, esses pa&iacute;ses precisam continuar acumulando reservas, que se formam com o saldo das exporta&ccedil;&otilde;es que fazem para os pa&iacute;ses centrais, boa parte destinada aos pr&oacute;prios Estados Unidos. Ou seja, os pa&iacute;ses exportadores precisam que os consumidores estadunidenses continuem importando. Os pacotes de ajuda do governo podem reaquecer o cr&eacute;dito e o consumo na principal economia do planeta, mas isso n&atilde;o se dar&aacute; de forma imediata. O governo estadunidense precisar&aacute; continuar se endividando para estimular o consumo, alimentando um c&iacute;rculo vicioso. H&aacute; estimativas de que esse endividamento venha a dobrar nos pr&oacute;ximos 10 anos. Esse processo pode levar a que os compradores dos t&iacute;tulos do governo estadunidense deixem de acreditar no valor desses ativos, o que significaria o fim do d&oacute;lar como reserva de valor. Sinais desse processo j&aacute; se manifestam na desvaloriza&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar em face das outras moedas (como o euro e o pr&oacute;prio real) e especialmente em rela&ccedil;&atilde;o ao ouro.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m das dificuldades estruturais descritas acima, que impedem uma retomada sustentada do consumo e da produ&ccedil;&atilde;o, a possibilidade de colapso do d&oacute;lar &eacute; a verdadeira amea&ccedil;a que paira sobre a economia capitalista, por tr&aacute;s da aparente estabiliza&ccedil;&atilde;o verificada nos &uacute;ltimos meses. Se a curto prazo &eacute; improv&aacute;vel uma descambada para a depress&atilde;o global, tamb&eacute;m &eacute; improv&aacute;vel uma retomada imediata do crescimento, por mais que as bolsas de valores e mercados financeiros em geral, narcotizados pelo &ldquo;dinheiro f&aacute;cil&rdquo; do Estado, estejam em alta nos &uacute;ltimos meses, sonhando com a volta de um ciclo especulativo aos moldes do que se encerrou com a atual crise. A atual fase de incerteza deve se prolongar pelos pr&oacute;ximos anos, com picos alternados de acelera&ccedil;&atilde;o e desacelera&ccedil;&atilde;o, conforme as tend&ecirc;ncias estruturais da crise se expressem politicamente na luta de classes, que afinal de contas determina quem suporta o impacto da crise e quem dirige a sua supera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3>As conseq&uuml;&ecirc;ncias para os trabalhadores<\/h3>\n<p>A retomada do crescimento da economia capitalista depende de que os Estados Unidos continuem consumindo manufaturas do mundo inteiro. Mas h&aacute; uma classe social que n&atilde;o vai poder ajudar na retomada do consumo nos Estados Unidos e tamb&eacute;m na Europa e Jap&atilde;o, que &eacute; exatamente o proletariado. No processo da crise, as empresas realizaram demiss&otilde;es em massa, a tal ponto que a taxa de desemprego chegou a n&iacute;veis pr&oacute;ximos de 10 % nas tr&ecirc;s economias acima. Por conta dos cortes de sal&aacute;rios e de direitos, os trabalhadores que permanecerem empregados tamb&eacute;m ter&atilde;o que reduzir seu consumo. Al&eacute;m disso, ter&atilde;o que trabalhar mais, pois a burguesia se aproveita dos momentos de crise para realizar ajustes estruturais, impondo um ritmo de trabalho mais acelerado. A intensifica&ccedil;&atilde;o do trabalho (mais-valia absoluta) e o aumento da produtividade (mais-valia relativa), por meio da inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, s&atilde;o duas das formas cl&aacute;ssicas de supera&ccedil;&atilde;o das crises peri&oacute;dicas do capitalismo.<\/p>\n<p>De fato, o sistema pode continuar funcionando sem que os trabalhadores aumentem o seu consumo (ou mesmo que diminuam), pois existem outras formas improdutivas de absorver a superprodu&ccedil;&atilde;o crescente de mercadorias, tais como o consumo de luxo da burguesia e o consumo de armas pelo Estado em suas guerras. O problema dessas duas solu&ccedil;&otilde;es &eacute; que elas aprofundam os contrastes sociais, tornando mais n&iacute;tida a divis&atilde;o de classe. Na realidade, o capital precisa nivelar por baixo as condi&ccedil;&otilde;es de vida do proletariado mundial, impondo aos trabalhadores dos pa&iacute;ses desenvolvidos o mesmo padr&atilde;o de superexplora&ccedil;&atilde;o hoje j&aacute; vigente na China e sudeste asi&aacute;tico. O aumento do desemprego e a queda generalizada nas condi&ccedil;&otilde;es de vida da classe trabalhadora, ou seja, o aumento da mis&eacute;ria, levar&aacute; aos pa&iacute;ses imperialistas problemas t&iacute;picos dos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos. A crise das hipotecas j&aacute; provocou o aparecimento de milh&otilde;es de sem-teto nos Estados Unidos. Resta saber o quanto os trabalhadores estadunidenses, europeus e japoneses suportar&atilde;o de retrocesso sem lutar. J&aacute; aconteceram lutas importantes este ano, em especial na Europa, demonstrando que n&atilde;o ser&aacute; t&atilde;o f&aacute;cil impor esse nivelamento.<\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3>Os pa&iacute;ses perif&eacute;ricos e o Brasil<\/h3>\n<p>Quanto aos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos, o Estado precisou compensar a queda das exporta&ccedil;&otilde;es, em particular daquelas destinadas aos Estados Unidos, por meio de medidas de incentivo ao mercado interno. Pa&iacute;ses como o Brasil n&atilde;o tiveram que arcar com o custo dos pacotes de ajuda para resgatar o capital fict&iacute;cio, pois seus sistemas financeiros subdesenvolvidos estavam menos comprometidos com a especula&ccedil;&atilde;o desenfreada. Assim, o Estado p&ocirc;de investir diretamente na reativa&ccedil;&atilde;o da economia. O Estado brasileiro cumpriu o seu papel de muleta do capital, entregando muito dinheiro aos bancos e grandes empresas, por meio de medidas de facilita&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito:<\/p>\n<p>&ldquo;Um ano depois do agravamento da crise financeira internacional, as medidas antic&iacute;clicas adotadas pelo governo brasileiro somam R$ 483 bilh&otilde;es, o que, na vis&atilde;o de economistas, mostrou-se &#8216;suficiente&#8217; para blindar a economia nacional de um impacto maior. Desse total, R$ 15 bilh&otilde;es sair&atilde;o diretamente do caixa do governo, por meio da redu&ccedil;&atilde;o de impostos. Outros R$ 6 bilh&otilde;es de gastos para constru&ccedil;&atilde;o de casas tamb&eacute;m est&atilde;o previstos no or&ccedil;amento deste ano. (&#8230;) Cerca de R$ 289 bilh&otilde;es foram colocados &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do mercado pelo Banco Central (BC), principalmente pela redu&ccedil;&atilde;o do compuls&oacute;rio banc&aacute;rio &#8211; dinheiro que pertence &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es financeiras que fica retido pelo BC.&rdquo;(BBC Brasil, 15 de setembro de 2009).<\/p>\n<p>Apesar do foco dos gastos ter sido diferente, os resultados no n&iacute;vel de endividamento do Estado foram semelhantes aos dos pa&iacute;ses centrais: &ldquo;O d&eacute;ficit nominal do setor p&uacute;blico consolidado mais do que dobrou para 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 12 meses at&eacute; julho, ante 1,3% em setembro do ano passado. Em parte pelas medidas agressivas de gastos e corte de impostos, a d&iacute;vida l&iacute;quida do setor p&uacute;blico subiu para 44,2% do PIB em agosto, frente a 36% no final do ano passado.&rdquo;(Ag&ecirc;ncia Brasil, 15 de setembro de 2009).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A estrat&eacute;gia do governo Lula<\/h3>\n<p>A burguesia brasileira reagiu de modo exagerado logo no in&iacute;cio da crise, na virada de 2008 para 2009, quando houve cerca de 1,5 milh&atilde;o de demiss&otilde;es. Al&eacute;m disso, aproveitando-se do p&acirc;nico gerado pela gravidade da crise, a burguesia praticamente encostou o governo contra  a parede, exigindo a libera&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;dito mais f&aacute;cil e incentivos fiscais para tocar seus neg&oacute;cios e manter a taxa de lucro. Assim como nos pa&iacute;ses imperialistas, a interven&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro produziu resultados no plano imediato, pois houve um aumento expressivo das vendas de autom&oacute;veis, eletrodom&eacute;sticos e materiais de constru&ccedil;&atilde;o ao longo do 2&ordm; e 3&ordm; trimestres de 2009. Isso se refletiu nas estat&iacute;sticas, com o recuo dos &iacute;ndices de desemprego e um aumento do n&iacute;vel de atividade (produ&ccedil;&atilde;o e com&eacute;rcio), freando a queda do PIB. Entretanto, tomando-se os &iacute;ndices de 2008 como base para compara&ccedil;&atilde;o, a suposta recupera&ccedil;&atilde;o em curso ainda n&atilde;o colocou a economia de volta ao mesmo patamar anterior ao da crise. Mesmo assim, esses resultados parciais s&atilde;o aproveitados pela propaganda governista para alimentar o discurso ufanista de que &ldquo;o Brasil venceu a crise&rdquo;.<\/p>\n<p>As not&iacute;cias sobre essa recupera&ccedil;&atilde;o fict&iacute;cia nos &uacute;ltimos meses dividiram espa&ccedil;o com a chamada crise pol&iacute;tica no Senado. Foram revelados atos de corrup&ccedil;&atilde;o praticados pelo presidente da casa e ex-presidente da Rep&uacute;blica Jos&eacute; Sarney, um dos principais caciques do PMDB, partido da base de apoio do governo Lula. Isso deu muni&ccedil;&atilde;o para a oposi&ccedil;&atilde;o de direita do PSDB e do DEM atacar o governo Lula, tentando desgastar sua popularidade. Para n&atilde;o perder o apoio do PMDB, crucial para as elei&ccedil;&otilde;es de 2010, Lula interveio e abafou as investiga&ccedil;&otilde;es sobre a corrup&ccedil;&atilde;o no Senado. Isso serviu para evidenciar a profundidade do acordo entre Lula e o PMDB, que representa parte dos setores mais reacion&aacute;rios da burguesia brasileira, como as oligarquias do Norte e Nordeste.<\/p>\n<p>Para n&atilde;o ficar na defensiva, o governo Lula anunciou o projeto de explora&ccedil;&atilde;o das reservas de petr&oacute;leo do pr&eacute;-sal, vendido para a opini&atilde;o p&uacute;blica como uma vit&oacute;ria do modelo estatal e da soberania nacional. Na verdade, trata-se de uma forma de continuar entregando o petr&oacute;leo ao capital internacional (acionistas privados, inclusive alguns estrangeiros, s&atilde;o maioria na pr&oacute;pria Petrobr&aacute;s), mas de modo que a burocracia do Estado consiga reservar sua parte. Essa fatia sob controle do Estado ser&aacute; fundamental para o financiamento dos programas assistenciais que amarram a base eleitoral do atual governo e seus aliados. O governo j&aacute; lan&ccedil;ou um projeto de lei regulamentando a explora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal o qual prev&ecirc; que a fatia dos royalties (que chegaram a um total de R$ 23 bilh&otilde;es em 2008) a ser distribu&iacute;da para os estados n&atilde;o-produtores de petr&oacute;leo passaria dos atuais 0,86% para 4% (Ag&ecirc;ncia Brasil, 15 de setembro de 2009).<\/p>\n<p>A (suposta) supera&ccedil;&atilde;o da crise e a explora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal ser&atilde;o o carro-chefe da campanha eleitoral da ministra Dilma Roussef, candidata de Lula e seu bloco de apoio para 2010, enquanto que as den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o contra o atual governo ser&atilde;o um dos motes da oposi&ccedil;&atilde;o de direita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A classe trabalhadora entra em luta<\/h3>\n<p>A estrat&eacute;gia da burocracia lulista depende da n&atilde;o ocorr&ecirc;ncia de novos abalos na economia mundial, que poderiam vir na forma de uma crise do cr&eacute;dito p&uacute;blico e da moeda, precipitada pelo endividamento explosivo de praticamente todos os principais Estados. Tamb&eacute;m depende da habilidade do governo em propagandear as promessas de riqueza do pr&eacute;-sal, j&aacute; que o in&iacute;cio da produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo proveniente dessa regi&atilde;o ainda demorar&aacute; anos para ocorrer. Ser&aacute; preciso ainda cooptar a burocracia estatal dos partidos pol&iacute;ticos (como o PMDB) e do pr&oacute;prio aparato das institui&ccedil;&otilde;es (tecnocracia), que tamb&eacute;m exigir&aacute; sua parte no bolo para apoiar o atual bloco no governo.<\/p>\n<p>Por &uacute;ltimo, ser&aacute; preciso manter a classe trabalhadora sob controle, papel que tem sido desempenhado pela burocracia sindical que comanda a CUT (e demais centrais sat&eacute;lites como FS, CTB, UGT, NCST, CGTB, etc.) e pelas lideran&ccedil;as burocratizadas de outros importantes organismos de luta da classe, como MST, UNE, pastorais sociais, etc. O controle petista sobre esses organismos tem sido fundamental ao longo do governo Lula para evitar que a classe trabalhadora entrasse em luta com todo seu peso nos &uacute;ltimos anos. Al&eacute;m de controlar o setor mais organizado da classe por meio da burocracia e cooptar o setor mais pauperizado por meio do assistencialismo, tem havido um endurecimento generalizado da repress&atilde;o. Atestam esse endurecimento o tratamento dado &agrave; greve da USP no primeiro semestre e o aumento da repress&atilde;o policial sobre os mais pobres, verificada em epis&oacute;dios como o assassinato de trabalhadores sem-terra e os conflitos recentes nas favelas de Parais&oacute;polis e Heli&oacute;polis.<\/p>\n<p>Entretanto, conforme hav&iacute;amos apontado em nosso jornal anterior, que indicava a possibilidade de uma retomada das lutas no segundo semestre por ocasi&atilde;o das campanhas salariais, a classe trabalhadora brasileira est&aacute; reagindo. Na terceira semana de setembro os metal&uacute;rgicos das montadoras e auto-pe&ccedil;as, setor estrat&eacute;gico concentrado no Sudeste, e os trabalhadores dos correios, categoria com mais de 100 mil integrantes no pa&iacute;s, entraram em greve. Na semana seguinte, ser&aacute; a vez dos banc&aacute;rios, outra categoria com peso nacional. Ainda resta a campanha salarial dos petroleiros, setor que est&aacute; no centro das aten&ccedil;&otilde;es por conta da import&acirc;ncia que o pr&eacute;-sal assumiu na conjuntura.<\/p>\n<p>Essas greves s&atilde;o determinadas por dois aspectos relacionados &agrave; crise. Em primeiro lugar, o aumento do grau de explora&ccedil;&atilde;o, por conta dos ajustes estruturais realizados pela patronal. Tanto as demiss&otilde;es quanto a intensifica&ccedil;&atilde;o do trabalho imp&otilde;em uma sobrecarga aos trabalhadores que ficaram nas empresas. Em segundo lugar, a retomada da taxa de lucro das empresas e a propaganda maci&ccedil;a do fim da crise faz com que os trabalhadores sintam que podem reivindicar a sua parte na produ&ccedil;&atilde;o da riqueza social.<\/p>\n<p>No atual momento as greves tem limites importantes, como o fato de serem obrigadas a lutar contra as dire&ccedil;&otilde;es da CUT e sat&eacute;lites, al&eacute;m da pr&oacute;pria patronal e do governo. E tamb&eacute;m o fato de que o n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia dos trabalhadores ainda n&atilde;o alcan&ccedil;a uma compreens&atilde;o abragente da situa&ccedil;&atilde;o, uma vis&atilde;o da crise do capitalismo no Brasil e no mundo. A tarefa dos militantes classistas &eacute; participar e apoiar todas as lutas que surgirem, fortalecendo as alternativas anti-burocr&aacute;ticas de organiza&ccedil;&atilde;o, ajudando os trabalhadores a perceber que &eacute; poss&iacute;vel lutar, e que &eacute; necess&aacute;rio lutar, e tamb&eacute;m apontando uma perspectiva ideol&oacute;gica oposta &agrave; da burguesia e do Estado. Cabe &agrave; nossa classe se organizar para construir uma alternativa societ&aacute;ria ao capitalismo e suas crises, sua mis&eacute;ria, guerras e barb&aacute;rie, uma alternativa socialista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"titulo2\">O retorno das greves:&nbsp;uma oportunidade para construir um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores<\/a><\/h2>\n<p>No jornal passado, apresentamos aos ativistas e militantes do movimento social a proposta de constru&ccedil;&atilde;o de um Movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores como parte de uma pol&iacute;tica voltada para recolocar os trabalhadores na cena pol&iacute;tica. Esse movimento, diferente da proposta de frente de esquerda apresentada pelo PSTU, tem objetivos maiores do que a disputa eleitoral de 2010. Este movimento &eacute; parte de uma resposta classista &agrave;s crises econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica e &agrave; pr&oacute;pria interven&ccedil;&atilde;o da esquerda revolucion&aacute;ria no processo eleitoral. Tamb&eacute;m difere no m&eacute;todo, pois pela nossa proposta as discuss&otilde;es do programa e a forma&ccedil;&atilde;o ocorreriam em um amplo processo de discuss&atilde;o com os trabalhadores e n&atilde;o em discuss&otilde;es de c&uacute;pula com as dire&ccedil;&otilde;es dos partidos.<\/p>\n<p>O objetivo principal desse movimento &eacute; colocar a classe trabalhadora no cen&aacute;rio pol&iacute;tico, respondendo aos ataques da burguesia a partir de uma perspectiva socialista, combinando as lutas imediatas e econ&ocirc;micas com uma perspectiva socialista. Historicamente, as lutas com car&aacute;ter estrat&eacute;gico exigem uma consci&ecirc;ncia que vai al&eacute;m da economicista, ou seja, os trabalhadores incorporam reivindica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas que v&atilde;o contra a burguesia e o governo capitalista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>As lutas em curso: superar o economicismo<\/h3>\n<p>As greves dos trabalhadores do correio, dos metal&uacute;rgicos de Campinas (que arrancaram 10% de aumento), do Paran&aacute; e da GM de S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos e S&atilde;o Caetano do Sul, metal&uacute;rgicos das autope&ccedil;as do ABC ( a burocracia cutista foi obrigada a impulsionar a mobiliza&ccedil;&atilde;o) e a possibilidade de banc&aacute;rios irem a greve (tamb&eacute;m contra a vontade da burocracia cutista) demonstram que objetivamente h&aacute; um importante processo de lutas e de mobiliza&ccedil;&otilde;es nas principais categorias, surgindo uma oportunidade, a partir da unidade da esquerda, para avan&ccedil;ar na constru&ccedil;&atilde;o desse movimento pela base.<\/p>\n<p>Toda luta tem desafios imediatos (como a conquista das reivindica&ccedil;&otilde;es) que precisam de muita for&ccedil;a para serem superados e todos os esfor&ccedil;os dos revolucion&aacute;rios devem ir no sentido de que o movimento alcance essas reivindica&ccedil;&otilde;es, mas isso n&atilde;o significa que sejam suficientes esses limites intr&iacute;nsecos &agrave; luta econ&ocirc;mica. A partir dessas lutas econ&ocirc;micas deve-se procurar superar as barreiras ideol&oacute;gicas e avan&ccedil;ar para lutas contra a sociedade burguesa de conjunto.<\/p>\n<p>Quando os trabalhadores est&atilde;o em luta, as condi&ccedil;&otilde;es para desenvolver a sua consci&ecirc;ncia s&atilde;o maiores e melhores (essa &eacute; uma das raz&otilde;es pela qual a burguesia treme por conta das greves), a experi&ecirc;ncia com as dire&ccedil;&otilde;es pelegas se aprofunda (uma das raz&otilde;es da burocracia tremer com as greves) e para os revolucion&aacute;rios &eacute; a oportunidade de apresentar as propostas do socialismo, contribuindo para que os trabalhadores avancem na consci&ecirc;ncia e compreendam que as lutas por sal&aacute;rios s&atilde;o muito importantes. &Eacute; preciso, por&eacute;m, avan&ccedil;ar para as lutas pol&iacute;ticas, uma vez que a pr&oacute;pria l&oacute;gica de funcionamento do capitalismo faz com que logo o aumento do sal&aacute;rio seja engolido pelo aumento do pre&ccedil;o das mercadorias.<\/p>\n<p>Colocamos a quest&atilde;o desse modo porque compreendemos que a luta pelo desenvolvimento de uma consci&ecirc;ncia socialista do conjunto da classe trabalhadora &eacute; uma necessidade urgente na luta contra o sistema capitalista.<\/p>\n<p>O lament&aacute;vel &eacute; que a esquerda de conjunto abandonou essa liga&ccedil;&atilde;o do imediato com o estrat&eacute;gico, se contentando em responder ao imediato e secundarizando o estrat&eacute;gico, que s&atilde;o as lutas pol&iacute;ticas com reivindica&ccedil;&otilde;es dirigidas aos poder pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico da burguesia.<\/p>\n<p>Partimos do fato de que essa tarefa n&atilde;o pode ser realizada por qualquer dos grupos ou partidos de esquerda de forma isolada, substituindo uma tarefa que &eacute; do conjunto da classe. Mesmo em  processo de mobiliza&ccedil;&atilde;o por reivindica&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, se os trabalhadores n&atilde;o se colocarem como sujeitos, n&atilde;o ser&atilde;o uma organiza&ccedil;&atilde;o ou partido que o far&atilde;o, como se fossem portadores de uma verdade e de todas as solu&ccedil;&otilde;es e pudessem substituir a a&ccedil;&atilde;o direta dos trabalhadores. O que os grupos e partidos de esquerda podem e devem fazer &eacute; disputar a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores, apresentando propostas que permitam que a luta possa avan&ccedil;ar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; luta pol&iacute;tica contra a burguesia e o capitalismo.<\/p>\n<p>Considerando esses elementos e a crise estrutural do capital, o atual ciclo de luta &eacute; ainda mais importante porque podem ser ind&iacute;cio de um processo mais geral, em que a classe trabalhadora brasileira esteja retomando as grandes lutas. A combina&ccedil;&atilde;o da crise do capital, a necessidade de uma resposta mais estrutural dos socialistas e esse processo de lutas pode criar, enfim, um campo f&eacute;rtil para os socialistas revolucion&aacute;rios. Por isso entendemos que h&aacute;, na realidade, elementos importantes que criam as condi&ccedil;&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o desse movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Elei&ccedil;&otilde;es 2010: a burguesia est&aacute; escalando seu time<\/h3>\n<p>A luta pol&iacute;tica tem outra batalha em curso, que &eacute; a tentativa da burguesia e da burocracia de desviar todos os descontentamentos para as ilus&otilde;es na democracia burguesa e para as elei&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o temos nenhuma ilus&atilde;o no processo eleitoral controlado pela burguesia, mas tamb&eacute;m n&atilde;o nos abstemos desse debate. A burguesia aponta para desviar as lutas e n&oacute;s entendemos que &eacute; preciso disputar a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores com a burguesia. Se n&atilde;o fazemos essa disputa, o caminho fica livre para a burguesia e seus agentes desenvolverem as aspira&ccedil;&otilde;es e ilus&otilde;es burguesas. A quest&atilde;o &eacute; como travar essa batalha e n&atilde;o cair nas armadilhas das elei&ccedil;&otilde;es burguesas e como n&atilde;o capitular &agrave;s ilus&otilde;es e a pr&oacute;pria democracia burguesa.<\/p>\n<p>No nosso modo de ver, o centro deve ser uma pol&iacute;tica que coloque a independ&ecirc;ncia de classe e as reivindica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas dos trabalhadores no sentido de uma participa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores enquanto classe, demonstrando que o capitalismo &eacute; a causa dos males que aflige os trabalhadores e por isso &eacute; preciso lutar pelo socialismo.    Os revolucion&aacute;rios participam do processo eleitoral (o que n&atilde;o significa que necessariamente ap&oacute;ie um candidato) para desmascarar a burguesia e suas pretens&otilde;es, organizando os trabalhadores e desenvolvendo a consci&ecirc;ncia socialista.<\/p>\n<p>O debate eleitoral est&aacute; a pleno vapor, mesmo faltando mais de um ano. Serra, A&eacute;cio, Dilma e agora a indefini&ccedil;&atilde;o de Helo&iacute;sa Helena, que praticamente explodiu a proposta de frente de esquerda &ndash; negociada  entre as dire&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio PSTU, do PSOL e do PCB &ndash; feita pelo PSTU e o lan&ccedil;amento da candidatura de Marina Silva.   A burguesia est&aacute; com seu time quase completo e os partidos de esquerda segue a mesma l&oacute;gica e postura das elei&ccedil;&otilde;es passadas, procurando resolver tudo &ldquo;por  cima&rdquo;.<\/p>\n<p>A &ldquo;novidade&rdquo; (museu de grandes novidades, como diria Cazuza) &eacute; a candidatura de Marina Silva, que se esfor&ccedil;a para se apresentar como de esquerda e em oposi&ccedil;&atilde;o ao governo Lula. Essas duas quest&otilde;es, que parecem simples, na verdade abrem outras preocupa&ccedil;&otilde;es que os revolucion&aacute;rios devem responder, pelo fato de que no m&iacute;nimo essa candidatura causou algumas confus&otilde;es em alguns setores da classe trabalhadora e de ativistas. O fato de Helo&iacute;sa Helena defender Marina Silva como &ldquo;um dos principais quadros da esquerda brasileira&rdquo; &eacute; uma das express&otilde;es da confus&atilde;o que essa candidatura pode causar.<\/p>\n<p>A primeira quest&atilde;o &eacute; que Marina Silva n&atilde;o &eacute; de fato oposi&ccedil;&atilde;o ao governo Lula e suas recentes diverg&ecirc;ncias est&atilde;o restritas &agrave; quest&atilde;o ambiental, onde a pol&iacute;tica do governo se aproximou do que tem de mais reacion&aacute;rio no campo. Durante todo o primeiro mandato de Lula, Marina foi uma das principais figuras do governo, aplicando a fundo a pol&iacute;tica neoliberal.<\/p>\n<p>Outro elemento que demonstra o perfil dessa candidatura &eacute; a ida para o PV, demonstrando que a sa&iacute;da do PT n&atilde;o representou de fato uma ruptura com o &ldquo;jeito de fazer pol&iacute;tica&rdquo; do PT. O PV &eacute; um partido de aluguel e no seu interior tem figuras ultrarreacion&aacute;rias, como &eacute; o caso de Zequinha Sarney, que s&oacute; pelo sobrenome dispensa qualquer coment&aacute;rio.<\/p>\n<p>No processo eleitoral, a burguesia tem v&aacute;rias armas e possibilidades, podendo sempre lan&ccedil;ar m&atilde;o de alguma candidatura que cause confus&atilde;o ou mesmo iluda os trabalhadores, como &eacute; o caso de Lula, por exemplo. Assim, combater todas essas &ldquo;falsas alternativas&rdquo; deve ser um dos centros da pol&iacute;tica revolucion&aacute;ria e nesse momento o combate &agrave; candidatura de Marina Silva (junto com as demais) deve ser uma das prioridades da nossa pol&iacute;tica, combinando a den&uacute;ncia com a apresenta&ccedil;&atilde;o de propostas dos revolucion&aacute;rios para a sociedade.<\/p>\n<p>A burguesia j&aacute; colocou os jogadores em campo. &Eacute; preciso que respondamos a esse processo com uma pol&iacute;tica bem precisa do ponto de vista revolucion&aacute;rio, colocando em marcha os nossos jogadores, que &eacute; a classe trabalhadora. Para isso, &eacute; preciso uma pol&iacute;tica do conjunto da esquerda, construindo unitariamente um movimento e um programa pela base.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Jogar com as nossas armas: construir um movimento pol&iacute;tico para al&eacute;m das elei&ccedil;&otilde;es<\/h3>\n<p>Faz falta a presen&ccedil;a dos trabalhadores enquanto classe, na atual situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do pa&iacute;s. O apoio das principais centrais ao governo Lula e o freio que as dire&ccedil;&otilde;es burocratas exercem na luta de classes s&atilde;o demonstra&ccedil;&otilde;es importantes do papel que a dire&ccedil;&atilde;o governista cumpre no movimento. Est&atilde;o para cumprir o papel de concilia&ccedil;&atilde;o de classes, de colocar os sindicatos e as centrais, sob sua dire&ccedil;&atilde;o, &agrave; servi&ccedil;o dos interesses do capital. Quando acenam com uma pequena mobiliza&ccedil;&atilde;o, o objetivo &eacute; pressionar a patronal para alguma negocia&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o sindicalismo de resultados. Dessas dire&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podemos esperar nada, s&oacute; trai&ccedil;&otilde;es aos trabalhadores.<\/p>\n<p>As burocracias s&atilde;o elementos objetivos da realidade e o desgaste que sofrem junto aos trabalhadores ainda n&atilde;o &eacute; suficiente para completar a experi&ecirc;ncia e fazer com que sejam varridas das organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores. Ainda h&aacute; um longo trabalho para ser realizado no sentido de ganhar os trabalhadores para uma pol&iacute;tica contra a burocracia e de apontar que h&aacute; o caminho das lutas, o &uacute;nico capaz de arrancar conquistas duradouras.<\/p>\n<p>Mas essa alternativa n&atilde;o passa por qualquer uma das organiza&ccedil;&otilde;es ou partidos, tanto pelo peso pol&iacute;tico, como pela pr&oacute;pria inser&ccedil;&atilde;o nos movimentos da classe, o que faz com que os trabalhadores de conjunto n&atilde;o sejam representados. Pensamos que o desenvolvimento de uma alternativa pol&iacute;tica passa pela constru&ccedil;&atilde;o de um movimento que possa representar o conjunto da classe e que ela pr&oacute;pria, enquanto sujeito social, possa realizar as tarefas hist&oacute;ricas que est&atilde;o reservadas para o proletariado.<\/p>\n<p>A proposta de constru&ccedil;&atilde;o desse movimento se diferencia da proposta de frente de esquerda, principalmente na rela&ccedil;&atilde;o com o movimento dos trabalhadores, nos seus objetivos e no seu m&eacute;todo. Com rela&ccedil;&atilde;o a essa proposta, espera-se que esse movimento n&atilde;o se limite &agrave;s respostas eleitorais e &agrave;s lutas imediatas, mas que seja um movimento com objetivos estrat&eacute;gicos, ou seja, parte da luta pelo socialismo. Com rela&ccedil;&atilde;o ao m&eacute;todo, a diferen&ccedil;a central &eacute; que atrav&eacute;s da nossa proposta, a defini&ccedil;&atilde;o do programa e das tarefas deve ocorrer em um amplo processo de discuss&atilde;o com os trabalhadores, e n&atilde;o por acordo entre as dire&ccedil;&otilde;es das correntes.<\/p>\n<p>Assim, refor&ccedil;amos o nosso chamado &agrave;s correntes da esquerda revolucion&aacute;ria para levarmos em frente a constru&ccedil;&atilde;o desse movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores.<\/p>\n<h2>&nbsp;<\/h2>\n<h2><a name=\"titulo3\">Uma escola para administrar os problemas sociais no capitalismo em crise<\/a><\/h2>\n<p>A perspectiva social que o capitalismo j&aacute; est&aacute; produzindo &eacute; de aumentar o contingente de inadaptados, marginalizados, expulsos da sociedade de consumo. Est&aacute; em curso o aprofundamento no pa&iacute;s de um processo de guetiza&ccedil;&atilde;o, que antes estava mais explicito na cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, uma clara delimita&ccedil;&atilde;o para garantir a liberdade de consumo daqueles que podem. &nbsp;<\/p>\n<p>Isso explica as a&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;cia paulista na cidade de S&atilde;o Paulo. Os &uacute;ltimos confrontos envolvendo a pol&iacute;cia e moradores de grandes favelas (Parais&oacute;poles, Heli&oacute;poles, Filhos da Terra) s&atilde;o incidentes que poder&atilde;o marcar o pr&oacute;ximo per&iacute;odo e delinear o papel, em especial que a pol&iacute;cia, a da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Enquanto isso os Estados emitem dinheiro, se endividam e os empres&aacute;rios realizam &ldquo;ajustes estruturais&rdquo; para tentar retomar suas taxas de lucro com a desculpa da crise. Mas, nos planos da burguesia, os trabalhadores demitidos n&atilde;o ser&atilde;o mais contratados, os sal&aacute;rios rebaixados n&atilde;o ser&atilde;o reajustados e os direitos retirados n&atilde;o ser&atilde;o mais concedidos. Esses s&atilde;o os efeitos mais catastr&oacute;ficos e persistentes dessa crise e recaem nos ombros da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Na situa&ccedil;&atilde;o atual, os patr&otilde;es buscam se apossar do trabalho manual dos funcion&aacute;rios e de seu trabalho intelectual atrav&eacute;s das chamadas habilidades e compet&ecirc;ncias. Presenciamos isso quando vemos o que sobra dos nossos alunos &agrave; noite depois de um dia de trabalho. O capital exige vorazmente que o Estado prepare essa m&atilde;o de obra barata de que precisa e que est&aacute; em constante renova&ccedil;&atilde;o nas empresas. Assim, a burguesia refor&ccedil;a o discurso de que a Educa&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para o desenvolvimento do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A outra quest&atilde;o &eacute; que a fatia da m&atilde;o de obra mais qualificada passou a ser formada nas ETE&rsquo;s, SENAI, FATEC`s ou em Universidades T&eacute;cnol&oacute;gicas.<\/p>\n<p>Devido ao processo de informatiza&ccedil;&atilde;o e robotiza&ccedil;&atilde;o o Brasil se insere na economia mundial como fornecedor de mat&eacute;rias primas ou produtos de pouca tecnologia. Al&eacute;m disso, h&aacute; uma tend&ecirc;ncia de rebaixamento dos sal&aacute;rios e direitos. Assim, o mercado de trabalho precisa de alguns especializados com habilidades e compet&ecirc;ncias m&iacute;nimas combinado com um grupo que tenha capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o e sujei&ccedil;&atilde;o &agrave; instabilidade dos v&iacute;nculos empregat&iacute;cios.<\/p>\n<p>Do ponto de vista dos empres&aacute;rios e do sistema de conjunto uma educa&ccedil;&atilde;o plena e de qualidade para os filhos dos trabalhadores aparece como custos absolutamente desnecess&aacute;rios e como gastos esbanjadores.&nbsp;<\/p>\n<p>Para o capitalismo e seu Estado, a fun&ccedil;&atilde;o priorit&aacute;ria que a escola deve cumprir passa a ser de conten&ccedil;&atilde;o e doutrinamento, para que esse setor de jovens aceite ideologicamente que n&atilde;o h&aacute; outra sa&iacute;da e que a culpa por estar nessa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; de cada um&nbsp; individualmente, ao n&atilde;o se esfor&ccedil;ar o bastante pelas suas metas. Isso traz graves conseq&uuml;&ecirc;ncias para os jovens e para o trabalho docente.<\/p>\n<p>Um exemplo &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o de precariza&ccedil;&atilde;o social e educacional a que esse setor de m&atilde;o-de-obra juvenil est&aacute; sujeito, fazendo com que com que as possibilidades de superar essa situa&ccedil;&atilde;o apare&ccedil;am como muito dif&iacute;ceis e acarrete a perda de perspectiva de um futuro melhor e, portanto, a perda de est&iacute;mulo dos jovens para estudar.<\/p>\n<p>Nesse contexto surge a Reforma do Ensino M&eacute;dio. Dando &ecirc;nfase &agrave;s mat&eacute;rias tecnicistas busca criar nos alunos e pais a id&eacute;ia de que poder&atilde;o se destacar no mercado de trabalho, enquanto os patr&otilde;es se preparam para explorar ainda mais essa m&atilde;o-de-obra formada nos prec&aacute;rios cursos &ldquo;profissionalizantes&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio desvendarmos e combatermos o projeto educacional do capitalismo em sua totalidade, nossa luta &eacute; global a fim de envolvermos os professores, alunos, pais e demais trabalhadores. A luta contra a destrui&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e por um novo projeto tem que ser de todos os trabalhadores!<\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3>A educa&ccedil;&atilde;o como mecanismo de controle social e ideol&oacute;gico<\/h3>\n<p>Chegamos ao ponto que o sistema necessita: administrar, mediar e amortecer os conflitos sociais provocados pelo capitalismo. &nbsp;Com base nisso, as pol&iacute;ticas de &ldquo;Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva&rdquo; e assistencialista passam a ser o centro da aten&ccedil;&atilde;o dos governantes. Diz a Proposta Curricular do Estado de S&atilde;o Paulo:<\/p>\n<p>&ldquo;Outro fator relevante diz respeito &agrave; precocidade da adolesc&ecirc;ncia, ao mesmo tempo em que o ingresso no trabalho se torna cada vez mais tardio. Tais fen&ocirc;menos ampliam o tempo de perman&ecirc;ncia na escola&#8230;&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;&#8230; nesse mundo que exp&otilde;e o jovem desde muito cedo &agrave;s pr&aacute;ticas da vida adulta &ndash; e, ao mesmo tempo, posterga a sua inser&ccedil;&atilde;o profissional-, &eacute; fazer da experi&ecirc;ncia escolar uma oportunidade para aprender a ser livre e ao mesmo tempo respeitar as diferen&ccedil;as e as regras de conviv&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>A educa&ccedil;&atilde;o, no marco da crise do capitalismo, assume dessa forma, o papel de manter a domina&ccedil;&atilde;o e a acomoda&ccedil;&atilde;o social. &nbsp;<\/p>\n<p>Os problemas de toda ordem s&atilde;o jogados para a escola resolver: gravidez na adolesc&ecirc;ncia, viol&ecirc;ncia urbana, quest&otilde;es ambientais, dentre outros. A educa&ccedil;&atilde;o passa a ter tamb&eacute;m um car&aacute;ter assistencial e de controle ideol&oacute;gico ao mesmo tempo em que a educa&ccedil;&atilde;o voltada para a emancipa&ccedil;&atilde;o humana &eacute; esquecida. Vivenciamos isso com a suspens&atilde;o das aulas motivada pela gripe su&iacute;na. Por diversas vezes foi mostrado na m&iacute;dia situa&ccedil;&otilde;es em que os pais n&atilde;o tinham onde deixar seus filhos e a aus&ecirc;ncia da merenda escolar estava comprometendo a alimenta&ccedil;&atilde;o. Da&iacute; a inflexibilidade na manuten&ccedil;&atilde;o dos 200 dias letivos, mesmo frente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de pandemia, pois &eacute; preciso manter &ldquo;o acesso e a perman&ecirc;ncia dos jovens na escola&rdquo;, mesmo que n&atilde;o estejam aprendendo.<\/p>\n<p>Esse discurso aparece de forma aberta nas entrevistas e confer&ecirc;ncias de intelectuais ligados ao PSDB, ao governo Lula (PT) e at&eacute; mesmo no discurso de &ldquo;sindicalistas&rdquo;, como a presidente do sindicato dos professores que fez de tudo para que a entidade n&atilde;o entrasse com uma A&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e uma Liminar contra o trabalho aos s&aacute;bados.<\/p>\n<p>Se o ensino para os filhos de trabalhadores n&atilde;o precisa ter qualidade logo n&atilde;o &eacute; preciso que haja valoriza&ccedil;&atilde;o dos profissionais da Educa&ccedil;&atilde;o. As leis recentemente aprovadas e o novo concurso para professores demonstram o n&iacute;vel de precariza&ccedil;&atilde;o desde o regime previdenci&aacute;rio passando pelo sal&aacute;rio e pela perda de direitos conquistados em anos de luta, como a quest&atilde;o da estabilidade.<\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3>O autoritarismo dentro das escolas para controlar o professor e precarizar as condi&ccedil;&otilde;es de ensino-aprendizagem<\/h3>\n<p>Sem investimento necess&aacute;rio e com a falta de perspectiva social dos jovens os resultados das avalia&ccedil;&otilde;es externas s&atilde;o previs&iacute;veis. No entanto, o Estado e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o jogam a culpa sobre os professores a fim de jogar a popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora contra os professores (maior categoria dentro do funcionalismo estadual) e aumentar os mecanismos de controle e repress&atilde;o tanto contra os professores como contra os estudantes da periferia.<\/p>\n<p>Al&eacute;m dos v&aacute;rios mecanismos de avalia&ccedil;&atilde;o aumenta a quantidade de tarefas e responsabilidades atribu&iacute;das aos professores com graves casos de ass&eacute;dio moral vindos de membros das &ldquo;equipes gestoras&rdquo; empenhados em anular a liberdade de c&aacute;tedra.<\/p>\n<p>Uma outra a&ccedil;&atilde;o dos governos agentes do capital &eacute; jogar para popula&ccedil;&atilde;o a responsabilidade cada vez maior pela manuten&ccedil;&atilde;o das escolas atrav&eacute;s da cobran&ccedil;a de taxas de APM, bem como do incentivo &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de parcerias com empresas que usam o espa&ccedil;o escolar, os alunos e os pais como clientes. Enquanto o Estado se desobriga da responsabilidade, empresas v&atilde;o abrindo novos campos de atua&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A sa&iacute;da deve ser a partir do ponto vista dos trabalhadores<\/h3>\n<p>&Eacute; preciso superar essa l&oacute;gica com uma grande campanha contra esse projeto de Educa&ccedil;&atilde;o dos governos municipal, estadual, federal.<\/p>\n<p>Os nossos desafios aplicam-se tamb&eacute;m &agrave;s correntes de esquerda que atuam na categoria de professores. O combate imediatista e fragmentado frente a um sistema que ataca de forma global tem obtido resultados cada vez mais limitados. Permanecem presas aos limites das lutas por categoria, mesmo quando negam essa realidade.<\/p>\n<p>Precisamos superar as respostas limitadas que temos hoje. Precisamos fazer um grande trabalho de conscientiza&ccedil;&atilde;o e atua&ccedil;&atilde;o que ligue os problemas da Educa&ccedil;&atilde;o aos demais problemas que estamos enfrentando nessa sociedade. &Eacute; preciso aumentar nossa luta e organiza&ccedil;&atilde;o nas escolas!<\/p>\n<p>Essas tarefas exigem um movimento sindical de novo tipo, estruturado a partir das escolas, combativo e com uma perspectiva ideol&oacute;gica classista e socialista. Alguns podem argumentar que esse tipo de trabalho mais ideol&oacute;gico &eacute; um trabalho que cabe apenas aos partidos. Mas isso n&atilde;o &eacute; verdade. Hoje, se os sindicatos quiserem continuar cumprindo at&eacute; mesmo seu papel mais rebaixado de defender as conquistas j&aacute; existentes, ter&atilde;o que avan&ccedil;ar cada vez mais para um posicionamento pol&iacute;tico de rompimento com as diretrizes da ordem capitalista e por um novo poder organizado democraticamente pelos trabalhadores.<\/p>\n<p>&Eacute; fundamental redobrar os esfor&ccedil;os para envolver as demais categorias de trabalhadores na luta por uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade para os nossos filhos.<\/p>\n<p>A Educa&ccedil;&atilde;o deve ser tratada em todos os n&iacute;veis, como um bem coletivo, um dos instrumentos de transforma&ccedil;&atilde;o social e como um espa&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento e desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"titulo4\">&nbsp;Pr&eacute;-sal: socializa&ccedil;&atilde;o dos custos e privatiza&ccedil;&atilde;o dos lucros<\/a><\/h2>\n<p>M&aacute;rcio Cardoso<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As reservas de petr&oacute;leo descobertas pela PETROBRAS no fundo do oceano, na camada geol&oacute;gica de pr&eacute;-sal, aumentam a import&acirc;ncia do Brasil no cen&aacute;rio mundial da produ&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera. A demanda mundial pelo petr&oacute;leo continua aumentando, na medida em que pa&iacute;ses como a China e a &Iacute;ndia se industrializam, e outros como Estados Unidos, Europa e Jap&atilde;o mant&eacute;m seu elevado consumo. Ao mesmo tempo, a quantidade de reservas economicamente vi&aacute;veis diminui, pois o petr&oacute;leo &eacute; um recurso natural finito. Por isso, as reservas do pr&eacute;-sal brasileiro t&ecirc;m grande import&acirc;ncia estrat&eacute;gica. Podemos assegurar a auto-sufici&ecirc;ncia do pa&iacute;s em rela&ccedil;&atilde;o a um recurso cada vez mais escasso e portanto mais caro. N&atilde;o foi mera coincid&ecirc;ncia o fato dos Estados Unidos terem reativado sua IV Frota assim que se anunciou a descoberta do pr&eacute;-sal.<\/p>\n<p>A grande quest&atilde;o est&aacute; em determinar quem vai se beneficiar da riqueza gerada por esse recurso natural. Grande expectativa foi criada em torno do potencial de riqueza do pr&eacute;-sal, que est&aacute; na mira dos interesses do grande capital privado e tamb&eacute;m da burocracia petista no governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>A falsa pol&ecirc;mica sobre o &ldquo;novo&rdquo; marco regulat&oacute;rio do petr&oacute;leo<\/h3>\n<p>H&aacute; algumas semanas o governo Lula anunciou o chamado &ldquo;novo marco regulat&oacute;rio&rdquo; para a explora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal, dando in&iacute;cio a uma falsa pol&ecirc;mica com a oposi&ccedil;&atilde;o de direita. Desde a quebra do monop&oacute;lio estatal da explora&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo pelo governo FHC, em 1997, o capital privado tem tido a possibilidade de extrair petr&oacute;leo do subsolo brasileiro, atividade antes exclusiva da  PETROBRAS, que por sua vez foi sendo progressivamente privatizada. A PETROBRAS apresenta hoje uma composi&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria em que apenas 32% das a&ccedil;&otilde;es pertencem &agrave; Uni&atilde;o, de modo que apenas por for&ccedil;a de uma lei o governo tem a prerrogativa de indicar a dire&ccedil;&atilde;o da empresa. A maior parte das a&ccedil;&otilde;es est&aacute; pulverizada entre acionistas diversos, inclusive estrangeiros.<\/p>\n<p>O projeto anunciado por Lula n&atilde;o reverte a quebra do monop&oacute;lio. Ele cria uma empresa, a  PETRO-SAL, encarregada de administrar a explora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal, a qual ser&aacute; feita em regime de partilha, em lugar do regime de concess&atilde;o em que foram leiloados outros blocos de reservas petrol&iacute;feras. O modelo de partilha garante &agrave; PETROBRAS 30% de participa&ccedil;&atilde;o na explora&ccedil;&atilde;o dos novos blocos do pr&eacute;-sal. O restante poder&aacute; ser explorado por empresas privadas, inclusive estrangeiras. A PETROBRAS ter&aacute; que disputar leil&otilde;es como qualquer outra empresa, mas precisar&aacute; de parcerias com essas empresas para financiar a constru&ccedil;&atilde;o dos equipamentos necess&aacute;rios para a extra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A PETROBRAS &eacute; l&iacute;der mundial na tecnologia de explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo em &aacute;guas ultra-profundas, como &eacute; o caso do pr&eacute;-sal, e entrar&aacute; nessa sociedade com o &ldquo;know how&rdquo; e a tecnologia, enquanto que as empresas estrangeiras entrar&atilde;o com o capital para financiar os equipamentos. Ou seja, na pr&aacute;tica a PETROBRAS vai funcionar como uma esp&eacute;cie de &ldquo;terceirizada&rdquo;, realizando a extra&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo gra&ccedil;as a uma tecnologia que ela pr&oacute;pria desenvolveu, um petr&oacute;leo cuja prospec&ccedil;&atilde;o ela realizou (a pesquisa para descobrir jazidas de petr&oacute;leo &eacute; a parte mais cara do processo), mas que ser&aacute; vendido pelas gigantes petrol&iacute;feras internacionais a ela associadas.<\/p>\n<p>O projeto foi feito sob medida para que as gigantes petrol&iacute;feras internacionais se apropriem do petr&oacute;leo brasileiro. O t&atilde;o propalado &ldquo;novo marco regulat&oacute;rio&rdquo; na verdade mant&eacute;m o modelo neoliberal entreguista que dilapida as riquezas nacionais. A cria&ccedil;&atilde;o da PETRO-SAL para administrar o pr&eacute;-sal n&atilde;o passa de um embuste, pois essa empresa estatal n&atilde;o far&aacute; explora&ccedil;&atilde;o nenhuma, apenas a gest&atilde;o. A extra&ccedil;&atilde;o de fato ser&aacute; feita pela PETROBRAS, que &eacute; cada vez menos estatal. Mas a PETROBRAS n&atilde;o estar&aacute; sozinha, pois as empresas estrangeiras tamb&eacute;m poder&atilde;o extrair petr&oacute;leo do pr&eacute;-sal, estejam associadas ou n&atilde;o &agrave; (ex)estatal.<\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3>O embuste eleitoral<\/h3>\n<p>A oposi&ccedil;&atilde;o de direita protestou contra esse modelo, alegando que &eacute; um &ldquo;retrocesso&rdquo; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s medidas privatistas anteriores. Na verdade o que o PSDB e o DEM temem s&atilde;o os dividendos eleitorais que o pr&eacute;-sal poder&aacute; render para Lula e os partidos do seu bloco de apoio. Antes que o petr&oacute;leo do pr&eacute;-sal comece a jorrar, o governo j&aacute; conta com o dinheiro a ser recebido nos leil&otilde;es dos blocos de explora&ccedil;&atilde;o, o qual servir&aacute; para financiar a campanha de Dilma Roussef, candidata do PT e seus aliados &agrave; presid&ecirc;ncia. O governo Lula j&aacute; anunciou tamb&eacute;m a inten&ccedil;&atilde;o de aumentar a parcela dos royalties do petr&oacute;leo destinada aos estados n&atilde;o produtores (medida que beneficiar&aacute; seus aliados locais). Anunciou ainda um &ldquo;Fundo social&rdquo; a ser criado com a renda gerada pelo pr&eacute;-sal, o qual ser&aacute; uma fonte certa de recursos para financiar o assistencialismo estatal, o qual garante a base eleitoral dos partidos governantes junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o mais pobre.<\/p>\n<p>Para evitar que Lula e seus aliados se beneficiem eleitoralmente, PSDB e DEM lutam para impedir a aprova&ccedil;&atilde;o desses projetos no Congresso, tentando ganhar tempo, para que o governo n&atilde;o tenha o dinheiro dos leil&otilde;es do pr&eacute;-sal antes de 2010, mas de um modo que a pr&oacute;pria oposi&ccedil;&atilde;o possa ter esses recursos quando chegar a sua vez de governar. Ao mesmo tempo, o governo avan&ccedil;a na propaganda dos hipot&eacute;ticos benef&iacute;cios do pr&eacute;-sal. A APEOESP (sindicato dos professores do ensino p&uacute;blico do estado de S&atilde;o Paulo), filiada &agrave; CNTE\/CUT e dirigida pela corrente petista Articula&ccedil;&atilde;o, j&aacute; anunciou que o pr&eacute;-sal vai financiar a educa&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; um exemplo de como o setor governista agir&aacute; em todas as categorias para desmontar as mobiliza&ccedil;&otilde;es. Ao inv&eacute;s de organizar os trabalhadores para lutar por suas reivindica&ccedil;&otilde;es, a burocracia sindical da CUT\/PT e aliados vai ilud&iacute;-los para que pe&ccedil;am ao governo verbas vindas do pr&eacute;-sal, apresentado como panac&eacute;ia universal. Em lugar de ir &agrave; luta, os trabalhadores v&atilde;o ficar numa eterna posi&ccedil;&atilde;o de s&uacute;plica ao governo de plant&atilde;o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de assegurar o apoio dos partidos fisiol&oacute;gicos (como o PMDB) e das burocracias sindicais, o projeto do pr&eacute;-sal ser&aacute; usado tamb&eacute;m para cooptar a burocracia estatal de carreira, os funcion&aacute;rios da m&aacute;quina do Estado, das empresas estatais e demais institui&ccedil;&otilde;es. A vers&atilde;o de que o governo Lula defende o fortalecimento do papel do Estado ser&aacute; usada para combater o espantalho da volta da direita tradicional, unindo a burocracia estatal (tecnocracia) &agrave; burocracia pol&iacute;tico-partid&aacute;ria e sindical num grande bloco pol&iacute;tico.<\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3>As riquezas naturais sob a &oacute;tica dos trabalhadores<\/h3>\n<p>Ora, exatamente o exemplo do pr&eacute;-sal serve para desmentir essa propaganda do suposto fortalecimento do papel do Estado. Conforme dissemos acima, embora a dire&ccedil;&atilde;o da PETROBRAS seja indicada pelo governo, a empresa funciona com uma l&oacute;gica de gest&atilde;o de empresa privada, que visa dar lucro para seus acionistas. A auto-sufici&ecirc;ncia (capacidade do pa&iacute;s de produzir dentro de seu territ&oacute;rio todo o petr&oacute;leo que consome, sem a necessidade de importar) deveria possibilitar que os derivados fossem vendidos a pre&ccedil;o de custo, o que tornaria mais baratos o g&aacute;s de cozinha consumido nos lares brasileiros, a gasolina nos postos, etc. Mas isso n&atilde;o acontece porque a PETROBRAS acompanha aproximadamente os pre&ccedil;os do petr&oacute;leo no mercado mundial, para beneficiar seus acionistas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, como a PETROBRAS est&aacute; inserida numa l&oacute;gica neoliberal, mesmo a parcela dos lucros destinada ao Estado n&atilde;o &eacute; usada em benef&iacute;cio dos trabalhadores, mas dos banqueiros nacionais e internacionais que especulam com a d&iacute;vida p&uacute;blica interna e externa, que consome o super&aacute;vit prim&aacute;rio do Estado.<\/p>\n<p>O an&uacute;ncio dos projetos do governo relativos ao pr&eacute;-sal foi feito de modo a criar uma falsa expectativa nos trabalhadores de que sua vida vai melhorar por causa dessa riqueza, quando na verdade esse mesmo governo permitir&aacute; que as empresas privadas explorem as jazidas encontradas pela PETROBRAS. N&atilde;o h&aacute; qualquer sinal de que o governo Lula mude essa l&oacute;gica.<\/p>\n<p>Para que as riquezas oriundas dos recursos naturais do pa&iacute;s sejam usadas em proveito dos trabalhadores, &eacute; necess&aacute;rio que o povo tenha o controle pol&iacute;tico do governo. No caso do petr&oacute;leo, &eacute; necess&aacute;rio que a PETROBRAS seja 100% estatal e sob controle dos trabalhadores. As a&ccedil;&otilde;es dos acionistas privados devem ser expropriadas sem indeniza&ccedil;&atilde;o (salvaguardando-se a poupan&ccedil;a dos trabalhadores que investiram em a&ccedil;&otilde;es da empresa via FGTS). &Eacute; necess&aacute;rio restaurar o monop&oacute;lio estatal do petr&oacute;leo e cancelar todos os leil&otilde;es das reservas, impedindo a explora&ccedil;&atilde;o do nosso petr&oacute;leo pela burguesia, cujos empreendimentos devem ser expropriados sem indeniza&ccedil;&atilde;o. Todas as fontes de energia devem ser monop&oacute;lio estatal, sob controle dos trabalhadores, especialmente num momento hist&oacute;rico em que ser&aacute; preciso fazer a transi&ccedil;&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o a uma nova matriz energ&eacute;tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"titulo5\">A luta pela democracia no movimento estudantil<\/a><\/h2>\n<p>Alex (FSA) e Daniel M. Delfino<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entendemos como movimento estudantil a organiza&ccedil;&atilde;o dos estudantes na luta por suas reivindica&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s de entidades como os gr&ecirc;mios nas escolas e diret&oacute;rios acad&ecirc;micos nas faculdades. Os estudantes n&atilde;o s&atilde;o uma classe social, s&atilde;o uma categoria transit&oacute;ria a qual pertencem os alunos de escolas e faculdades vindos de todas as classes sociais. Defendemos um movimento estudantil classista, ou seja, que se posicione em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; divis&atilde;o de classes na sociedade. A burguesia e o proletariado s&atilde;o as classes fundamentais da sociedade capitalista (sabemos disso desde o Manifesto Comunista de 1848), aquelas que possuem projetos de sociedades opostos, que s&atilde;o o capitalismo e o socialismo respectivamente. Defendemos um movimento estudantil que ap&oacute;ie a luta dos trabalhadores pelo socialismo. Mesmo porque, a luta pelas reivindica&ccedil;&otilde;es dos estudantes, que envolvem uma educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, gratuita e de qualidade para todos, &eacute; parte da luta contra o capitalismo. Para a burguesia n&atilde;o interessa conceder esse tipo de educa&ccedil;&atilde;o, pois o capitalismo n&atilde;o necessita de trabalhadores bem educados, e sim de m&atilde;o de obra barata e submissa, sem pensamento cr&iacute;tico e sem vis&atilde;o geral do mundo.<\/p>\n<p>A luta por uma educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, gratuita e de qualidade para todos passa tamb&eacute;m por uma luta para democratizar as institui&ccedil;&otilde;es educacionais. O projeto pol&iacute;tico pedag&oacute;gico das escolas e universidades deve contemplar as demandas e necessidades da maioria da sociedade, ou seja, da classe trabalhadora, dedicando-se aos seus problemas. Para isso, os estudantes, servidores da educa&ccedil;&atilde;o e professores devem ser os verdadeiros autores de um projeto de educa&ccedil;&atilde;o, que enfrente a concep&ccedil;&atilde;o tecnocr&aacute;tica emanada do Estado burgu&ecirc;s e seus burocratas.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos o movimento estudantil brasileiro voltou ao primeiro plano do cen&aacute;rio pol&iacute;tico desenvolvendo importantes lutas, com o movimento das ocupa&ccedil;&otilde;es de reitoria, que conseguiu questionar o projeto de educa&ccedil;&atilde;o do governo Lula e dos governos estaduais e municipais, com importantes vit&oacute;rias, ainda que parciais, como a derrubada do antigo reitor da Funda&ccedil;&atilde;o Santo Andr&eacute; e em outras universidades. Entretanto, esse movimento ainda foi restrito, n&atilde;o envolveu a grande massa dos estudantes e n&atilde;o criou uma continuidade.<\/p>\n<p>Existe um setor dos estudantes que se coloca contra esse tipo de atividade pol&iacute;tica, argumentando que o movimento estudantil est&aacute; &ldquo;contaminado&rdquo; por supostos &ldquo;interesses escusos&rdquo; dos partidos, e que tudo n&atilde;o passa de &ldquo;disputa de poder&rdquo;, de luta pelo controle dos aparatos, das entidades, etc. Argumentam ainda que os partidos e organiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o autorit&aacute;rios, anti-democr&aacute;ticos, cerceiam a liberdade individual, a criatividade, etc. Por isso, se recusam a militar e participar das atividades.<\/p>\n<p>Respeitamos as cr&iacute;ticas e reconhecemos uma certa dose de raz&atilde;o. Mas como princ&iacute;pio, consideramos que, para democratizar as universidades, &eacute; preciso democratizar primeiro o pr&oacute;prio movimento estudantil. &Eacute; preciso que os estudantes que tem cr&iacute;ticas &agrave; atua&ccedil;&atilde;o dos partidos e das entidades participem do debate. &Eacute; preciso que coloquem o seu desejo de liberdade e de expressar a criatividade no interior do pr&oacute;prio movimento. S&oacute; assim ser&aacute; poss&iacute;vel oxigenar o debate, envolver os estudantes, combater os v&iacute;cios dos partidos e organiza&ccedil;&otilde;es que impedem o avan&ccedil;o do movimento.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, n&atilde;o h&aacute; nada mais autorit&aacute;rio, anti-democr&aacute;tico, burocr&aacute;tico, tedioso, do que a pr&oacute;pria sociedade burguesa. Deixar de participar do movimento por conta da falta de democracia &eacute; um contra-senso. A falta de democracia est&aacute; dada dentro e fora das escolas e universidades, dentro do mundo do trabalho, em todas as esferas da vida controladas pela ideologia burguesa. Apenas a luta e o movimento organizado podem combater essa falta de liberdade e de possibilidades de express&atilde;o dos indiv&iacute;duos. &Eacute; apenas atrav&eacute;s da luta coletiva que os indiv&iacute;duos podem verdadeiramente se realizar, crescer, se expressar, aprender, improvisar, elaborar, criar, se construir.<\/p>\n<p>Mas para isso, &eacute; preciso que os movimentos de luta sejam de fato democr&aacute;ticos. E a democracia passa pelo respeito aos espa&ccedil;os de decis&atilde;o. Defendemos a participa&ccedil;&atilde;o de todos os estudantes no movimento, estejam ou n&atilde;o organizados em partidos. Somos parte de uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, o Espa&ccedil;o Socialista, porque entendemos que os militantes t&ecirc;m o direito de se agrupar em partidos e organiza&ccedil;&otilde;es a partir de uma vis&atilde;o comum da realidade e de um conjunto de propostas que se materializam num programa. E os partidos e organiza&ccedil;&otilde;es tem o direito de levar suas propostas a todos os f&oacute;runs do movimento estudantil. O que n&atilde;o pode acontecer &eacute; que os partidos e organiza&ccedil;&otilde;es se considerem &ldquo;donos&rdquo; de uma determinada entidade ou f&oacute;rum, &ldquo;donos&rdquo; de um diret&oacute;rio acad&ecirc;mico, usando essa entidade para impor a pol&iacute;tica da sua organiza&ccedil;&atilde;o ao conjunto dos estudantes.<\/p>\n<p>O m&eacute;todo de discuss&atilde;o &eacute; fundamental nesse caso. &Eacute; preciso que haja uma separa&ccedil;&atilde;o entre o que &eacute; a pol&iacute;tica dos partidos e organiza&ccedil;&otilde;es e o que &eacute; a pol&iacute;tica de uma entidade do movimento que pertence ao conjunto dos estudantes. Os  partidos e organiza&ccedil;&otilde;es devem se submeter aos f&oacute;runs de decis&atilde;o do movimento, aos f&oacute;runs que representam o conjunto dos estudantes. Da mesma forma, os estudantes independentes, que n&atilde;o fazem parte de partidos e organiza&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m podem e devem levar suas propostas e concep&ccedil;&otilde;es ao movimento, e devem tamb&eacute;m respeitar as decis&otilde;es coletivas. Defendemos uma forma de funcionamento das entidades, dos centros acad&ecirc;micos, em que as decis&otilde;es tomadas coletivamente sejam encaminhadas coletivamente.<\/p>\n<p>Entre os v&iacute;cios dos partidos e organiza&ccedil;&otilde;es que precisam ser combatidos est&aacute; o de se aproveitar dos f&oacute;runs do movimento para fazer cr&iacute;ticas, lan&ccedil;ar palavras de ordem, defender linhas de atua&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o exclusivas do seu grupo, usufruindo dos espa&ccedil;os democr&aacute;ticos que existem no movimento, e depois deixar de acatar as delibera&ccedil;&otilde;es do coletivo. Fazem cr&iacute;ticas, mas n&atilde;o querem aceitar as decis&otilde;es. Prop&otilde;em tarefas, mas n&atilde;o querem arrega&ccedil;ar as mangas, p&ocirc;r a m&atilde;o na massa e ajudar a construir o movimento. Gostam de disputar o microfone nas assembl&eacute;ias, mas se abst&eacute;m de disputar a consci&ecirc;ncia dos estudantes na base, de fazer as panfletagens, de falar em sala de aula, de construir os atos e a luta em geral. Recebem a tarefa de escrever um panfleto, mas aparecem com um resultado diferente do que foi deliberado. Exigem a democracia no momento do debate, mas n&atilde;o acatam a responsabilidade que adv&eacute;m da participa&ccedil;&atilde;o. Trata-se de uma democracia pela metade.<\/p>\n<p>Defendemos a democracia por inteiro, o debate aberto e a responsabilidade com aquilo que se fala e se prop&otilde;e. N&atilde;o existe &ldquo;receita de bolo&rdquo; nem &ldquo;f&oacute;rmula m&aacute;gica&rdquo; para envolver os estudantes, para fazer com que todos se sintam atra&iacute;dos pelas atividades do movimento estudantil. 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