{"id":305,"date":"2011-11-05T15:01:50","date_gmt":"2011-11-05T17:01:50","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/305"},"modified":"2018-06-01T15:58:04","modified_gmt":"2018-06-01T18:58:04","slug":"jornal-36-abrilmaio-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2011\/11\/jornal-36-abrilmaio-de-2010\/","title":{"rendered":"Jornal 36: Abril\/Maio de 2010"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1234\" aria-describedby=\"caption-attachment-1234\" style=\"width: 213px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_36_abril.maio_2010.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1234 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_36_abril.maio_2010-213x300.jpg\" alt=\"Baixar edi\u00e7\u00e3o 36 (PDF)\" width=\"213\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_36_abril.maio_2010-213x300.jpg 213w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_36_abril.maio_2010.jpg 528w\" sizes=\"(max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1234\" class=\"wp-caption-text\">Baixar edi\u00e7\u00e3o 36 (PDF)<\/figcaption><\/figure>\n<p><a name=\"indice\"><\/a>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=305#titulo1\">O CONCLAT e os desafios da reorganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=305#titulo2\">Crise e luta de classes na Europa: a resist\u00eancia dos trabalhadores gregos<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=305#titulo3\">Elei\u00e7\u00f5es 2010: o falso debate e alternativa para os trabalhadores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=305#titulo4\">A educa\u00e7\u00e3o em tempos de crise estrutural do capital<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=305#titulo5\">Oscar 2010: por que &#8220;Guerra ao Terror&#8221; e n\u00e3o &#8220;Avatar&#8221;?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h1>O CONCLAT 2010 e os desafios da reorganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>\u00a0O antigo e o novo CONCLAT<\/h2>\n<p>CONCLAT (Congresso Nacional das Classes Trabalhadoras) era o nome que se dava aos encontros das entidades sindicais do Brasil at\u00e9 fins da ditadura militar. Naquele per\u00edodo, um crescente setor combativo que estava retomando os sindicatos para transform\u00e1-los novamente em instrumentos de luta e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores convivia num mesmo f\u00f3rum com os chamados pelegos, interventores colocados pela ditadura no comando dos sindicatos, federa\u00e7\u00f5es e confedera\u00e7\u00f5es. A conviv\u00eancia tornou-se insustent\u00e1vel e fez com que no CONCLAT de 1981 os setores combativos optassem por romper com os pelegos e construir uma nova entidade, que viria a ser a CUT, cujo primeiro congresso aconteceria em 1983. Essa decis\u00e3o estava respaldada por um formid\u00e1vel ascenso da luta dos trabalhadores, com grandes greves estourando em setores de peso como metal\u00fargicos, banc\u00e1rios, professores, etc. Centenas de greves aconteciam todo ano, revelando uma vanguarda de milhares de ativistas e mobilizando milh\u00f5es de trabalhadores.<\/p>\n<p>Damos agora um salto na hist\u00f3ria e nos deparamos com um novo CONCLAT sendo convocado para os dias 5 e 6 de junho de 2010. O evento ter\u00e1 como principal pauta a possibilidade de unifica\u00e7\u00e3o entre Conlutas e Intersindical, juntamente com entidades e correntes menores que o est\u00e3o convocando, como MTST, MTL, MAS, PO-SP, Unidos para Lutar e , visando a constru\u00e7\u00e3o de uma Nova Central. O que salta \u00e0 vista na compara\u00e7\u00e3o entre os dois per\u00edodos \u00e9 a aus\u00eancia daquele que era o grande protagonista de fundo do processo dos anos 80, ou seja, a base do proletariado. A maioria da classe est\u00e1 de modo geral alheia ao processo atual.<\/p>\n<p>As entidades que est\u00e3o impulsionando o Congresso re\u00fanem uma vanguarda de ativistas presentes nas categorias que se colocaram em luta ao longo de todo o governo Lula, tais como servidores p\u00fablicos, professores, banc\u00e1rios, correios, petroleiros, al\u00e9m de setores do movimento estudantil, popular e de minorias que se manteve na luta. \u00c9 preciso reconhecer que se trata de uma minoria da classe, mas n\u00e3o se pode negar a import\u00e2ncia dos enfrentamentos travados por essa vanguarda. Trata-se de um setor combativo e mesmo her\u00f3ico, pois colocou-se em luta mesmo contra a dire\u00e7\u00e3o das correntes majorit\u00e1rias do movimento. O PT, que ainda dirige a CUT, secundado por seus sat\u00e9lites (FS, CTB e outras centrais pelegas, al\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o do MST e da UNE), transformou essas entidades em instrumento de sustenta\u00e7\u00e3o do governo Lula, atuando de forma a abortar, desviar e derrotar as lutas dos trabalhadores. Essa colabora\u00e7\u00e3o tem sido fundamental para a aplica\u00e7\u00e3o dos planos do governo Lula e da burguesia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h2>A necessidade de uma nova refer\u00eancia<\/h2>\n<p>Uma vez que os principais instrumentos da classe se converteram pelas m\u00e3os de seus dirigentes em instrumentos da burguesia, algo novo precisa ser constru\u00eddo. Se o nome de CONCLAT n\u00e3o se justifica do ponto de vista da aus\u00eancia de mobiliza\u00e7\u00f5es massivas da classe (como havia nos anos 1980), ele se justificaria como uma iniciativa de ruptura que busque criar um novo p\u00f3lo de organiza\u00e7\u00e3o para as lutas dos trabalhadores, uma nova refer\u00eancia depois da incorpora\u00e7\u00e3o do PT, da CUT e seus sat\u00e9lites ao aparato de Estado e \u00e0 pol\u00edtica da burguesia. Nesse aspecto, a iniciativa de chamar \u00e0 discuss\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o de uma nova refer\u00eancia \u00e9 na verdade tardia. A capitula\u00e7\u00e3o dos principais organismos do proletariado \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de classe se aprofundou ao longo de toda a d\u00e9cada de 1990, antecedendo portanto o governo Lula e a ascens\u00e3o do PT ao poder de Estado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a unidade dos setores combativos n\u00e3o foi seriamente buscada ao longo dos dois mandatos de Lula, pois as principais correntes, PSOL (que dirige a Intersindical) e PSTU (que dirige a Conlutas), priorizaram a constru\u00e7\u00e3o de seus projetos particulares, deixando uma preciosa camada de ativistas dispersa e dividida. O sectarismo, o aparatismo e o imediatismo das principais correntes de esquerda foram tamb\u00e9m obst\u00e1culos no caminho da pequena vanguarda que despontou nos enfrentamentos que marcaram a atual d\u00e9cada, al\u00e9m da pr\u00f3pria burocracia petista. A conduta dessas correntes nos \u00faltimos anos autoriza a observar com ceticismo os seus atuais movimentos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 unidade.<\/p>\n<p>Nem Conlutas nem Intersindical re\u00fanem o n\u00famero de sindicatos requerido pela atual legisla\u00e7\u00e3o para serem reconhecidas como centrais sindicais, mas ficam mais pr\u00f3ximas de consegu\u00ed-lo estando unificadas. A Nova Central que pretendem construir pode ser apenas um artif\u00edcio formal para alcan\u00e7ar esse n\u00famero, sem que as correntes se unifiquem de fato no movimento. \u00c9 poss\u00edvel por exemplo que em banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo o MNOB (oposi\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 Conlutas) lance uma chapa para concorrer \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do sindicato, mas o coletivo de banc\u00e1rios da Intersindical permane\u00e7a numa chapa com a Articula\u00e7\u00e3o-PT. A unifica\u00e7\u00e3o em uma Nova Central, nesse caso, seria apenas \u201cpara ingl\u00eas ver\u201d, ou seja, perante o Estado e a lei, mas n\u00e3o no dia a dia dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h2>Os debates sobre a Nova Central<\/h2>\n<p>Um reflexo desse distanciamento das bases est\u00e1 nos debates que antecedem a realiza\u00e7\u00e3o do CONCLAT, que t\u00eam estado restritos \u00e0s diverg\u00eancias entre as correntes principais. Tais diverg\u00eancias dizem respeito principalmente \u00e0 composi\u00e7\u00e3o da Nova Central e \u00e0 sua forma de dire\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 composi\u00e7\u00e3o da Nova Central, n\u00f3s do Espa\u00e7o Socialista somos a favor de uma entidade n\u00e3o apenas sindical, que re\u00fana os demais movimentos (estudantis, populares, luta contra as opress\u00f5es), pois entendemos que \u00e9 preciso contemplar a diversidade de situa\u00e7\u00f5es e frentes de luta em que est\u00e1 envolvida nossa classe.<\/p>\n<p>Somos tamb\u00e9m a favor da elei\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da Nova Central em Congresso por meio de chapas. Nesse ponto temos uma diverg\u00eancia com a corrente majorit\u00e1ria da Conlutas que envolve um balan\u00e7o da central. A atual composi\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da Conlutas, formada a partir de representantes escolhidos pelas entidades, \u00e9 apresentada como mais democr\u00e1tica, e a elei\u00e7\u00e3o por chapas \u00e9 tida como algo que vicia os debates do Congresso porque concentra tudo na disputa pela dire\u00e7\u00e3o. Ambos os argumentos n\u00e3o se sustentam.<\/p>\n<p>No congresso da Conlutas em 2008 defendemos que a escolha dos representantes das entidades para a coordena\u00e7\u00e3o se desse em f\u00f3runs de base, mas a corrente majorit\u00e1ria defendeu e manteve a aus\u00eancia de um crit\u00e9rio que obrigue a escolha das dire\u00e7\u00f5es a ser referendada pelas bases, o que fez com que os processos de escolha continuassem sendo apenas formais, sem um debate real nas categorias sobre os rumos e a pol\u00edtica da Conlutas. O inconveniente dessa forma de dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 no fato de que a responsabilidade pol\u00edtica pela linha de a\u00e7\u00e3o adotada pela Conlutas fica oculta. Nunca se sabe claramente qual \u00e9 a linha pol\u00edtica majorit\u00e1ria na Conlutas, pois formalmente n\u00e3o existe uma maioria, j\u00e1 que a composi\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cflutuante\u201d. Mas na pr\u00e1tica, o PSTU controla a maioria das entidades e oposi\u00e7\u00f5es que constr\u00f3em a Conlutas, referendando automaticamente os seus militantes para a dire\u00e7\u00e3o da Central, de maneira administrativa, formal. Transfere-se artificialmente a responsabilidade pol\u00edtica para as entidades, sendo que na verdade ela cabe ao partido.<\/p>\n<p>Quanto ao segundo argumento, n\u00e3o \u00e9 a forma de escolha da dire\u00e7\u00e3o que determina a exist\u00eancia de disputas entre as correntes no congresso. A disputa vai existir sempre, na medida em que, como dissemos, a unifica\u00e7\u00e3o pretendida est\u00e1 sendo constru\u00edda num plano apenas formal. Esconder a disputa pol\u00edtica que existe pode dar a impress\u00e3o de que o congresso se torna mais democr\u00e1tico e que os debates s\u00e3o mais aprofundados. Entretanto, mantida a forma de dire\u00e7\u00e3o da Conlutas, os debates acabam sendo artificiais, est\u00e9reis, improdutivos, pois uma dire\u00e7\u00e3o vai ser constru\u00edda nos bastidores, por via indireta. Por mais qualidade que tenham os debates no curso de um congresso sem chapas, no final das contas a implanta\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o das propostas discutidas vai sempre depender de uma dire\u00e7\u00e3o, que precisa portanto ser escolhida com crit\u00e9rios claros. At\u00e9 mesmo para que se possa fazer o balan\u00e7o daquilo que foi ou n\u00e3o posto em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h2>Por uma nova concep\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica sindical<\/h2>\n<p>Essas diferen\u00e7as que temos com as correntes majorit\u00e1rias s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o s\u00e3o as principais. Uma vez que a quest\u00e3o fundamental em jogo \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma nova refer\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o para as lutas da classe, n\u00f3s do Espa\u00e7o Socialista entendemos que a tarefa do CONCLAT deve ir al\u00e9m do aspecto organizativo, que consiste em fundar uma Nova Central. \u00c9 preciso lutar pela constru\u00e7\u00e3o de uma nova concep\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica sindical. A partir de nossa atua\u00e7\u00e3o nas oposi\u00e7\u00f5es sindicais e dos contatos que temos com sindicatos ligados \u00e0 Conlutas em outros estados, estamos participando da constru\u00e7\u00e3o do CONCLAT, inscrevendo uma Tese em que buscamos desenvolver os elementos dessa nova concep\u00e7\u00e3o. O pressuposto de que partimos \u00e9 de que a estrutura sindical brasileira permanece prisioneira dos limites que lhe foram impostos na Era Vargas, os quais n\u00e3o foram rompidos nem mesmo em per\u00edodos de grande ascenso como no pr\u00e9-64 e no in\u00edcio dos anos 80. Nesse sentido, apresentamos em nossa Tese uma s\u00e9rie de pontos de discuss\u00e3o sobre os problemas que as organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores precisam superar.<\/p>\n<p>&#8211; No Brasil os sindicatos dependem de autoriza\u00e7\u00e3o do Estado para existir. \u00c9 preciso ter uma carta do Minist\u00e9rio do Trabalho para que a entidade tenha a condi\u00e7\u00e3o legal de representar os trabalhadores perante a patronal e o pr\u00f3prio Estado. Os sindicatos passam a ter como limite da sua atua\u00e7\u00e3o as negocia\u00e7\u00f5es trabalhistas. Defendemos que os sindicatos possam se organizar autonomamente, segundo suas pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es, para desenvolver o processo de educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da classe em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo paralelo ao enfrentamento cotidiano das quest\u00f5es trabalhistas.<\/p>\n<p>&#8211; O atrelamento dos sindicatos ao Estado se materializa por meio do financiamento, pois os sindicatos no Brasil s\u00e3o mantidos por meio do Imposto Sindical, uma contribui\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria cobrada de todos os trabalhadores brasileiros, independentemente de serem sindicalizados ou n\u00e3o, equivalente a um dia de trabalho por ano. Com esse dinheiro \u00e9 poss\u00edvel manter artificialmente a exist\u00eancia de um aparato burocr\u00e1tico de sindicatos, federa\u00e7\u00f5es, confedera\u00e7\u00f5es e centrais sem que essas entidades tenham qualquer papel pol\u00edtico real enquanto organiza\u00e7\u00f5es da classe, at\u00e9 mesmo no que se refere ao plano da luta econ\u00f4mica elementar. \u00c9 preciso romper com essa barreira e construir organiza\u00e7\u00f5es sindicais pol\u00edtica e financeiramente aut\u00f4nomas, mantidas exclusivamente por meio da contribui\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria e consciente dos trabalhadores, em fun\u00e7\u00e3o do reconhecimento da sua representatividade.<\/p>\n<p>&#8211; Cada luta sindical deve transpor seus limites tornando-se uma luta pol\u00edtica no sentido de colocar em quest\u00e3o a ruptura com a l\u00f3gica do capital e com o Estado capitalista e a necessidade de outro tipo de sociedade e de poder em que sejam os trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es que decidam os rumos da sociedade. Mesmo os sindicatos, em uma \u00e9poca de dom\u00ednio imperialista, se quiserem superar seus limites, devem ser radicais na defesa dos interesses dos trabalhadores: ter como estrat\u00e9gia a luta contra o capitalismo.<\/p>\n<p>&#8211; As lutas e principalmente os sindicatos devem romper seu corporativismo tornando-se mais amplos, unificando trabalhadores ativos e desempregados, trabalhadores diretos e terceirizados, estudantes e professores, etc., no sentido de um movimento o mais geral e coeso poss\u00edvel. N\u00e3o pensamos que os sindicatos, como quer a burguesia, fiquem restritos \u00e0 representa\u00e7\u00e3o corporativa da categoria (em muitos casos representam apenas parte dessa categoria), limitando-se as suas reivindica\u00e7\u00f5es. As bandeiras de luta devem ser mais gerais, extrapolando os limites de f\u00e1bricas, categorias, e ramos produtivos. As lutas e organiza\u00e7\u00f5es sindicais devem transcender os limites das bandeiras espec\u00edficas, sob pena de n\u00e3o conseguirem mais sequer manter as conquistas que ainda restam. As bandeiras de luta imediatas devem ser combinadas com outras mais gerais, como: redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 36 horas sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, carteira assinada para todos os trabalhadores, \u00edndice unificado de reajuste salarial, sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE , etc.;<\/p>\n<p>&#8211; O sindicalismo brasileiro se caracteriza ainda pela falta de efetividade das organiza\u00e7\u00f5es por local de trabalho, como as comiss\u00f5es de empresa, CIPAs, corpos de delegados sindicais e representantes de base. A atividade sindical \u00e9 desenvolvida como algo que emana da c\u00fapula dirigente das entidades sindicais, ao inv\u00e9s de se construir na mobiliza\u00e7\u00e3o a partir da base. Por isso \u00e9 preciso que a Nova Central desenvolva formas de organizar os trabalhadores em suas entidades, mas tamb\u00e9m em seu local de trabalho, seja legalmente, por meio das comiss\u00f5es de f\u00e1bricas ou CIPAs, ou mesmo clandestinamente.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o pensamos que a burocratiza\u00e7\u00e3o seja inerente ao ser humano, mas ao sistema de domina\u00e7\u00e3o. Para se manter de p\u00e9 o sistema cria mecanismos ou solu\u00e7\u00f5es aparentemente mais f\u00e1ceis para atrair a consci\u00eancia da classe trabalhadora. A burocratiza\u00e7\u00e3o, seja pelo parlamento, sindicatos ou mesmo o partido, \u00e9 um elemento objetivo e assim temos que lidar. Para que a CENTRAL se apresente aos trabalhadores como algo realmente diferente precisa demonstrar que tem uma estrutura anti-burocr\u00e1tica. Por isso propomos as seguintes medidas:<\/p>\n<p>a) Todas as decis\u00f5es pol\u00edticas importantes precisam ser tomadas em f\u00f3runs amplos, ou seja, deve ser retirado dos \u00f3rg\u00e3os de coordena\u00e7\u00e3o\/dire\u00e7\u00e3o o poder de decidir tudo, sem discutir com a base;<\/p>\n<p>b) Ningu\u00e9m pode se reeleger mais que uma vez e quando reeleito n\u00e3o pode ocupar o mesmo cargo;<\/p>\n<p>c) Substitui\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de pelo \u00bd dos membros dos \u00f3rg\u00e3os dirigentes a cada elei\u00e7\u00e3o, de forma que garanta uma renova\u00e7\u00e3o permanente;<\/p>\n<p>d) A libera\u00e7\u00e3o deve ser uma discuss\u00e3o com o conjunto da categoria, que decida quem se libera e quem n\u00e3o se libera. Quando a &#8220;libera\u00e7\u00e3o&#8221; for aprovada o sal\u00e1rio n\u00e3o pode ser superior \u00e0quele que o militante recebia e deve existir rod\u00edzio, com prazo determinado para retorno ao trabalho. Deve haver um r\u00edgido controle sobre o cumprimento de hor\u00e1rio e das tarefas assumidas, de forma que se cumpra no m\u00ednimo o mesmo de antes da libera\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>e) Os sindicatos e demais organiza\u00e7\u00f5es devem ser absolutamente democr\u00e1ticas, com garantias expressas ao debate entre os ativistas, liberdade de interven\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o, vota\u00e7\u00f5es, direito de express\u00e3o de todas as posi\u00e7\u00f5es para os trabalhadores nos materiais do sindicato (jornais, revistas) e nas assembl\u00e9ias. Tamb\u00e9m deve haver um impulso sistem\u00e1tico \u00e0 forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e te\u00f3rica, para superar as dificuldades que haja entre os trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Entendemos as oposi\u00e7\u00f5es como um movimento mais amplo que tenha como objetivo retomar ideologicamente a dire\u00e7\u00e3o da classe. A tarefa desse movimento \u00e9 desenvolver o trabalho que os sindicatos n\u00e3o tem desenvolvido de organiza\u00e7\u00e3o e eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia da classe. A retomada dos sindicatos \u00e9 um meio e n\u00e3o um fim em si. O fortalecimento do movimento deve criar condi\u00e7\u00f5es para que cada segmento da classe seja capaz de organizar sua luta cotidiana contra a burguesia mesmo com o obst\u00e1culo das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas, passando por cima dessas dire\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que possam ser substitu\u00eddas por dire\u00e7\u00f5es combativas formadas no pr\u00f3prio curso da luta. \u00c9 preciso que os trabalhadores se conven\u00e7am de que faz diferen\u00e7a votar em uma chapa da Nova Central<\/p>\n<p>&#8211; A disputa ideol\u00f3gica requer tamb\u00e9m uma disputa te\u00f3rica. A forma\u00e7\u00e3o dos dirigentes sindicais, dos militantes e dos pr\u00f3prios trabalhadores tamb\u00e9m precisa ser desenvolvida internamente, dentro das pr\u00f3prias entidades sindicais, sem o recurso a institutos e aparatos exteriores. Al\u00e9m disso, a forma\u00e7\u00e3o sindical deve ir al\u00e9m de palestras do tipo acad\u00eamico, em que um orador fala e os trabalhadores permanecem passivos. E tamb\u00e9m os temas tratados devem ir al\u00e9m das quest\u00f5es imediatas, como CIPA, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, etc., que s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o dispensam uma forma\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter mais ideol\u00f3gico e pol\u00edtico. \u00c9 preciso superar a concep\u00e7\u00e3o das atividades de forma\u00e7\u00e3o apenas como uma s\u00e9rie de cursos que n\u00e3o se relacionam com o restante da atividade sindical e do dia a dia do trabalhador. O pr\u00f3prio desenvolvimento das lutas deve ser visto como um meio de formar novos dirigentes e de educar os trabalhadores em geral, para que desempenhem um papel mais ativo. A forma\u00e7\u00e3o deve ser um processo permanente, em conex\u00e3o com a atividade pol\u00edtica e a disputa ideol\u00f3gico-cultural.<\/p>\n<p>Esses e outros pontos est\u00e3o desenvolvidos em detalhe em nossa Tese. Chamamos todos os ativistas e trabalhadores a debater essas concep\u00e7\u00f5es e construir conosco uma interven\u00e7\u00e3o no CONCLAT e nas lutas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 renova\u00e7\u00e3o das formas de organiza\u00e7\u00e3o do proletariado, retomando a luta pol\u00edtica e ideol\u00f3gica pelo socialismo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=305#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo2\"><\/a><\/h3>\n<h1>Crise e luta de classes na Europa: a resist\u00eancia dos trabalhadores gregos<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A nova fase da crise<\/h2>\n<p>A crise econ\u00f4mica mundial ingressou numa nova fase em 2010. Os gastos dos governos do mundo inteiro desde 2008 e ao longo de 2009 para salvar os neg\u00f3cios da burguesia levaram a um aumento explosivo do endividamento p\u00fablico. Para lidar com esse aumento do endividamento sem decretar morat\u00f3rias e em alguns casos para manter a pr\u00f3pria validade da moeda, os governos ser\u00e3o for\u00e7ados a lan\u00e7ar medidas de redu\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos e aumento da arrecada\u00e7\u00e3o. Isso significa aumentar impostos e reduzir os gastos com os servi\u00e7os p\u00fablicos, como aposentadorias, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transportes, etc., que s\u00e3o conquistas dos trabalhadores obtidas por meio de d\u00e9cadas de lutas. Os pa\u00edses imperialistas, como os Estados Unidos, as pot\u00eancias da Europa e o Jap\u00e3o, ter\u00e3o que impor uma queda violenta no padr\u00e3o de vida dos seus trabalhadores para recuperar a taxa de lucro da burguesia, tendendo a jog\u00e1-los em n\u00famero cada vez maior no mesmo grau de mis\u00e9ria em que vivem os trabalhadores dos pa\u00edses perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p>O primeiro round desses ataques contra os trabalhadores depois do auge da crise est\u00e1 se desenrolando na periferia da Europa, onde pa\u00edses como Portugal, Irlanda, Gr\u00e9cia, Espanha (grupo apelidado de \u201cPIGS\u201d \u2013 porcos, na sigla em ingl\u00eas), B\u00e9lgica e \u00c1ustria, enfrentam s\u00e9rias crises de endividamento p\u00fablico, crises banc\u00e1rias, aumento do desemprego, etc., acompanhados da pr\u00f3pria It\u00e1lia, um dos pilares da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. A contradi\u00e7\u00e3o vivenciada pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia reside no fato de que a sua economia est\u00e1 centralizada por uma moeda comum, o euro, enquanto que os Estados-membros ret\u00e9m sua autonomia em termos de pol\u00edtica or\u00e7ament\u00e1ria (gastos do Estado). Para preservar o euro, essa autonomia tem que ser revogada na pr\u00e1tica, pois o endividamento excessivo de um dado pa\u00eds pode p\u00f4r em risco a moeda comum a todos. Na medida em que cada governo nacional usa de sua autonomia para resgatar a sua burguesia em momentos de crise, a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia precisa vir depois impor a esses governos que passem a conta para a sua classe trabalhadora, sob pena de enfraquecer a moeda comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A armadilha da d\u00edvida<\/h2>\n<p>Dos 16 pa\u00edses da zona do euro, h\u00e1 12 em situa\u00e7\u00e3o de infra\u00e7\u00e3o das metas or\u00e7ament\u00e1rias. Dentre esses pa\u00edses, a Gr\u00e9cia \u00e9 o que tem se colocado com mais evid\u00eancia no foco das aten\u00e7\u00f5es, como uma esp\u00e9cie de ponta do iceberg, com um d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio pr\u00f3ximo de 13% do PIB e uma d\u00edvida p\u00fablica de cerca de 110%. As autoridades financeiras europ\u00e9ias impuseram uma supervis\u00e3o sobre a administra\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento p\u00fablico grego, o que na pr\u00e1tica significa a revoga\u00e7\u00e3o da soberania do pa\u00eds sobre sua economia em favor dos funcion\u00e1rios n\u00e3o-eleitos da burocracia da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. Por meio de seus funcion\u00e1rios na Uni\u00e3o, a burguesia europ\u00e9ia exige o fim das \u201cmordomias\u201d do \u201cestado do bem-estar social grego\u201d, dos \u201caltos sal\u00e1rios\u201d e \u201cprivil\u00e9gios\u201d dos servidores p\u00fablicos e aposentados, apontados como culpados pelo endividamento. Essa defesa hip\u00f3crita de palavras de ordem neoliberais acontece menos de um ano depois do governo grego, assim como os demais governos europeus e mundiais, ter entregue toneladas de dinheiro aos bancos e grandes empresas que causaram a crise econ\u00f4mica (o total gasto por Estados Unidos e Europa tem sido estimado em US$ 14 trilh\u00f5es).<\/p>\n<p>A Gr\u00e9cia caiu prisioneira de um mecanismo perverso que se estabeleceu logo ap\u00f3s o salvamento dos bancos e especuladores pelo Estado. Gra\u00e7as aos pacotes de ajuda dos governos, os agentes do mercado financeiro passaram a obter empr\u00e9stimos a juros praticamente zero dos Bancos Centrais. Al\u00e9m de se aproveitar dessa m\u00e3ozinha do Estado, os especuladores v\u00e3o al\u00e9m e fazem empr\u00e9stimos aos governos mais fragilizados, que precisam rolar suas d\u00edvidas, cobrando altas taxas de juros. Esses juros s\u00e3o tanto mais altos quanto mais se duvida da capacidade do pa\u00eds em quest\u00e3o de resgatar os t\u00edtulos e pagar sua d\u00edvida. Gra\u00e7as a esse c\u00edrculo vicioso, a d\u00edvida de pa\u00edses como a Gr\u00e9cia cresce como uma bola de neve, at\u00e9 colocar o governo do pa\u00eds \u00e0 beira da fal\u00eancia e a sua popula\u00e7\u00e3o \u00e0 merc\u00ea das exig\u00eancias do capital.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A resposta dos trabalhadores<\/h2>\n<p>Os primeiros impactos da crise mundial na Gr\u00e9cia e as mobiliza\u00e7\u00f5es da juventude em fins de 2008 levaram \u00e0 queda do primeiro-ministro conservador e \u00e0 subida ao poder do Partico Social-Democrata (PASOK) nas elei\u00e7\u00f5es de outubro de 2009, formando um governo chefiado por George Papandreou. Entretanto, neste in\u00edcio de 2010, o pr\u00f3prio governo dito \u201csocialista\u201d, para atender \u00e0s exig\u00eancias da burguesia grega e europ\u00e9ia, lan\u00e7ou um pacote de redu\u00e7\u00e3o de gastos para tentar diminuir o enorme d\u00e9ficit p\u00fablico de 13 para os 3% estabelecidos como meta para os pa\u00edses da zona do euro. O plano envolve cortes nos servi\u00e7os de sa\u00fade e pens\u00f5es, redu\u00e7\u00e3o nos sal\u00e1rios dos servidores, aumento do tempo para aposentadoria e aumentos de impostos. O imposto sobre valor agregado, que incide sobre o consumo, cuja alta teve efeito j\u00e1 em mar\u00e7o, elevou imediatamente o pre\u00e7o de v\u00e1rios bens e servi\u00e7os essenciais, castigando particularmente as camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia como em v\u00e1rios outros pa\u00edses, o partido social-democrata se transformou no instrumento preferencial da burguesia para administrar os efeitos da crise e o descontentamento social subsequente. O PASOK tem o apoio da burocracia que dirige as centrais sindicais dos trabalhadores das empresas privadas (GSEE) e do servi\u00e7o p\u00fablico (ADEDY), que trabalham para impedir a deflagra\u00e7\u00e3o de lutas dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar do PASOK, das burocracias sindicais e das hesita\u00e7\u00f5es dos agrupamentos burocr\u00e1ticos e reformistas, tais como o Partido Comunista (Stalinista) KKE, a coliga\u00e7\u00e3o SYRIZA e a Antarsya, os trabalhadores gregos foram \u00e0 luta. Greves foram deflagradas no servi\u00e7o p\u00fablico e nas empresas privadas, passeatas e manifesta\u00e7\u00f5es de massa tomaram as ruas das cidades, camponeses bloquearam estradas, numa onda de mobiliza\u00e7\u00f5es que as burocracias n\u00e3o puderam conter. Em 10 de fevereiro houve uma primeira greve dos servidores p\u00fablicos. Em 24 de fevereiro houve uma greve geral que paralisou cerca de 2 milh\u00f5es de trabalhadores.<\/p>\n<p>Seguiram-se novas paralisa\u00e7\u00f5es no dia 4 de mar\u00e7o e manifesta\u00e7\u00f5es de massa na capital Atenas em 5 de mar\u00e7o, com cerco da popula\u00e7\u00e3o ao pal\u00e1cio do governo e choques com a pol\u00edcia no momento em que o pacote de medidas de austeridade foi aprovado no Parlamento. E uma greve geral ainda mais massiva, envolvendo 3 milh\u00f5es de pessoas (de uma popula\u00e7\u00e3o total de 11 milh\u00f5es de habitantes), praticamente parou o pa\u00eds em 11 de mar\u00e7o. Uma vez que n\u00e3o podem impedir a deflagra\u00e7\u00e3o de greves, tamanho \u00e9 o \u00f3dio dos trabalhadores contra o governo e suas medidas, as burocracias sindicais ligadas ao PASOK (GSEE\/ADEDY) e ao KKE (PAME) usam o recurso das greves de apenas um dia para permitir que o descontentamento se expresse, sem que chegue a se desdobrar em a\u00e7\u00f5es mais efetivas, tais como ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas e pr\u00e9dios p\u00fablicos, que tenham dura\u00e7\u00e3o por tempo indeterminado e que realmente impe\u00e7am a economia e o governo de funcionar.<\/p>\n<p>Com isso, as burocracias sindicais e pol\u00edticas esperam dar tempo ao governo para aplicar as medidas e apresent\u00e1-las como inevit\u00e1veis. Depois da greve geral do dia 11, novas a\u00e7\u00f5es de massa foram suspensas e a luta se manteve no n\u00edvel de protestos e greves isoladas por unidades. Pior do que isso, as burocracias sindicais est\u00e3o impulsionando uma campanha protecionista para incentivar os trabalhadores a consumir \u201cprodutos gregos\u201d, como se a causa dos problemas do pa\u00eds estivesse na concorr\u00eancia dos produtos importados. Isso joga os trabalhadores gregos contra os seus irm\u00e3os de classe em outros pa\u00edses e os impede de se colocar em luta contra a burguesia e o Estado em seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Al\u00e9m disso, trata-se de uma medida que, mesmo que executada, n\u00e3o daria condi\u00e7\u00f5es \u00e0s empresas gregas de concorrer com rivais muito mais fortes numa economia plenamente mundializada. O problema do pa\u00eds \u00e9 a sua subordina\u00e7\u00e3o ao capitalismo mundial, o que exige solu\u00e7\u00f5es muito mais radicais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O exemplo grego se espalha<\/h2>\n<p>A luta dos trabalhadores colocou em d\u00favida a capacidade do governo Papandreou de conseguir implantar de fato o pacote de ajuste, o que fez com os juros dos t\u00edtulos da d\u00edvida disparassem ainda mais. O primeiro-ministro grego excursionou pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e at\u00e9 pelos Estados Unidos mendigando ajuda para evitar o colapso financeiro do pa\u00eds. Com muita m\u00e1 vontade, os primos ricos costuraram um plano de ajuda ao governo grego, mas n\u00e3o por simpatia para com a Gr\u00e9cia e sim pelo risco de que o exemplo dos trabalhadores gregos se espalhasse tamb\u00e9m para o seu pr\u00f3prio quintal.<\/p>\n<p>As lutas dos trabalhadores gregos, a partir da greve geral de 10 de fevereiro, foram acompanhadas por a\u00e7\u00f5es do proletariado em v\u00e1rios outros pa\u00edses. Em fins de fevereiro, servidores p\u00fablicos em Portugal fizeram dias de greve, houve protestos em todas as grandes cidades espanholas contra medidas semelhantes do governo do PSOE, e as greves dos trabalhadores dos transportes na Rep\u00fablica Tcheca e em grandes empresas como Lufthansa (Alemanha), Total (Fran\u00e7a) e British Airways (Inglaterra) tiveram que ser contidas com grandes dificuldades pelas burocracias sindicais. No final de mar\u00e7o houve uma greve na Fran\u00e7a envolvendo 1 milh\u00e3o de servidores p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Foram esses os fatos que levaram a burguesia europ\u00e9ia a entrar num acordo a contragosto e arranjar um empr\u00e9stimo em parceria com o FMI. Setores da burguesia europ\u00e9ia relutaram at\u00e9 o \u00faltimo momento em aceitar a interfer\u00eancia do FMI, pois sabem que com ela v\u00eam juntas uma s\u00e9rie de exig\u00eancias que amarram o pa\u00eds \u201csocorrido\u201d aos interesses estadunidenses, que em \u00faltima inst\u00e2ncia s\u00e3o os que d\u00e3o as cartas na institui\u00e7\u00e3o. E foram justamente os financistas estadunidenses que precipitaram a crise grega, especulando contra os t\u00edtulos da d\u00edvida daquele pa\u00eds. No auge do seu descontentamento, os imperialistas europeus, especialmente a Alemanha, cogitaram at\u00e9 de criar um fundo monet\u00e1rio europeu, para exercer eles mesmos a ditadura sobre pa\u00edses em situa\u00e7\u00e3o como a dos PIGS e enfraquecer a influ\u00eancia estadunidense.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A necessidade de uma perspectiva socialista<\/h2>\n<p>Apesar dessas divis\u00f5es, a burguesia continua unida quanto ao fundamental, que para ela \u00e9 a necessidade vital de aumentar a explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores. Para impor o ataques \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores de que necessita para restaurar a taxa de lucro, a burguesia conta com a colabora\u00e7\u00e3o un\u00e2nime dos partidos pol\u00edticos que se alternam no poder em cada pa\u00eds, pois n\u00e3o h\u00e1 mais partidos que questionem a l\u00f3gica do capital. Desde a queda da URSS e do muro de Berlim, faz-se sentir com todo o peso a crise de alternativas socialistas, que faz com que os trabalhadores n\u00e3o vislumbrem uma alternativa ao capitalismo e facilita a tarefa dos agentes da burguesia. Usa-se o discurso de que \u201ctodos devem fazer a sua parte\u201d para recuperar a economia, como se n\u00e3o houvesse outra forma poss\u00edvel de administra\u00e7\u00e3o da economia e da sociedade, a ser constru\u00edda a partir das necessidades da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Por outro lado, o proletariado n\u00e3o vai suportar passivamente a destrui\u00e7\u00e3o de conquistas sociais consolidadas h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas e que custaram o sacrif\u00edcio de gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores. As mobiliza\u00e7\u00f5es, protestos e greves continuam a se suceder e aumentam em v\u00e1rios pa\u00edses, especialmente no continente europeu, neste momento. Na luta defensiva dos trabalhadores para impedir a destrui\u00e7\u00e3o das suas condi\u00e7\u00f5es de vida, pode estar a via para a retomada de uma ofensiva da luta pela supera\u00e7\u00e3o do capitalismo. Para que essa retomada se verifique na realidade uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos ter\u00e3o que ser superados, principalmente em termos de consci\u00eancia e formas de organiza\u00e7\u00e3o da classe, que permitam aos trabalhadores perceber que somente uma luta socialista e radical contra o capital e o Estado pode preservar, e no futuro melhorar, as suas condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=305#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1>Elei\u00e7\u00f5es 2010: O falso debate e a alternativa para os trabalhadores<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<h2>A continuidade do neoliberalismo<\/h2>\n<p>Enquanto os pa\u00edses imperialistas se defrontam com a necessidade de esmagar os seus trabalhadores, obrigando-os a aceitar a degrada\u00e7\u00e3o de suas condi\u00e7\u00f5es de vida, o proletariado dos pa\u00edses perif\u00e9ricos j\u00e1 convive com uma mis\u00e9ria cr\u00f4nica, permanente, estrutural. Al\u00e9m disso, continentes como a Am\u00e9rica Latina enfrentaram, durante a d\u00e9cada de 1990, processos de reestrutura\u00e7\u00e3o neoliberal que fragilizaram sobremaneira o setor mais organizado da classe trabalhadora (reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, privatiza\u00e7\u00f5es, reforma da previd\u00eancia, arrocho salarial), diminuindo seu poder de resist\u00eancia e abrindo caminho para um aumento expressivo da lucratividade dos empreendimentos capitalistas (em especial bancos, agroneg\u00f3cios e os setores que produzem para exporta\u00e7\u00e3o). Isso deu \u00e0 burguesia instalada nesses pa\u00edses uma flexibilidade maior para atravessar a crise econ\u00f4mica e para que seus gestores aparecessem para o mundo como um suposto exemplo de sucesso.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, quem se beneficiou politicamente dos ajustes neoliberais foi justamente o partido que nominalmente fazia oposi\u00e7\u00e3o a esse projeto, ou seja, o PT. O governo Lula, eleito em 2002 com base na rejei\u00e7\u00e3o popular ao neoliberalismo e na esperan\u00e7a de mudan\u00e7a, deu continuidade a essa mesma pol\u00edtica. Vejamos alguns pontos dessa continuidade:<\/p>\n<p>&#8211; Prosseguiram os criminosos pagamentos da d\u00edvida p\u00fablica (uma m\u00e9dia de escandalosos R$ 200 bilh\u00f5es de reais por ano). A d\u00edvida externa foi convertida em d\u00edvida interna, mas continua sangrando as finan\u00e7as do pa\u00eds. Os juros pagos pelo governo brasileiro, embora tenham ca\u00eddo muito, permanecem entre os mais altos do mundo, beneficiando os especuladores;<\/p>\n<p>&#8211; Enquanto os especuladores e outros setores da burguesia faturam com toda sorte de benef\u00edcios (isen\u00e7\u00f5es fiscais, obras de infra-estrutura, empr\u00e9stimos facilitados, liberdade para a remessa de lucros ao exterior), a popula\u00e7\u00e3o sofre com o sucateamento dos servi\u00e7os de previd\u00eancia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte p\u00fablico, asfixiados por cortes de verbas;<\/p>\n<p>&#8211; As estatais privatizadas durante o governo FHC (o caso mais criminoso foi o da Vale do Rio Doce) n\u00e3o foram reestatizadas e novas privatiza\u00e7\u00f5es foram feitas (reservas de petr\u00f3leo, bancos estaduais, rodovias, concess\u00f5es do uso de florestas). As principais estatais, como Petrobr\u00e1s e Banco do Brasil, s\u00e3o geridas como empresas privadas, voltadas para o lucro, sem compromisso com os trabalhadores e em benef\u00edcio de acionistas privados, inclusive estrangeiros;<\/p>\n<p>&#8211; Prosseguiram as (contra)reformas, como a da Previd\u00eancia, atacando inicialmente os servidores p\u00fablicos; a reforma universit\u00e1ria, sucateando as universidades p\u00fablicas e financiando o ensino privado; aspectos parciais da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista;<\/p>\n<p>&#8211; A pol\u00edtica econ\u00f4mica seguiu privilegiando os setores da burguesia que mais lucram com a atual inser\u00e7\u00e3o do Brasil na divis\u00e3o mundial do trabalho como exportador de produtos agr\u00edcolas e manufaturas de baixo valor. \u00c9 o caso dos bancos, do agroneg\u00f3cio e das transnacionais que usam o pa\u00eds como plataforma de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Imagem e realidade do governo Lula<\/h2>\n<p>Para tornar aceit\u00e1vel esse programa anti-oper\u00e1rio, o governo se revestiu de uma imagem popularesca, repartindo migalhas para o setor mais pobre da classe trabalhadora atrav\u00e9s dos programas de bolsa-esmola, que criaram um eleitorado fiel nos moldes do velho clientelismo, renovado por t\u00e9cnicas de marketing. Para o setor m\u00e9dio da classe trabalhadora, o governo Lula acenou com o crescimento do cr\u00e9dito, dando a essa camada a condi\u00e7\u00e3o de adquirir casas, carros e eletrodom\u00e9sticos numa escala que antes n\u00e3o era poss\u00edvel. Um relat\u00f3rio do Banco Central publicado no final de mar\u00e7o mostrou que a rela\u00e7\u00e3o entre o volume total de empr\u00e9stimos chegou a 44,9% do PIB em fevereiro de 2010, contra 40% em 2009. Esse aumento expressivo do cr\u00e9dito (ou seja, do endividamento dos trabalhadores) \u00e9 uma das explica\u00e7\u00f5es para o aparente sucesso do governo em contornar temporariamente a crise econ\u00f4mica mundial.<\/p>\n<p>Contra o setor mais organizado da classe trabalhadora (servidores, professores, funcion\u00e1rios das estatais) e os movimentos que ousaram se colocar em luta (sem-terra, favelados, sem-teto), o governo usou a repress\u00e3o policial e judicial, processos e persegui\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de contar com o controle do PT sobre os principais instrumentos de luta para evitar a massifica\u00e7\u00e3o de greves, ocupa\u00e7\u00f5es e lutas sociais. A convers\u00e3o do PT em instrumento auxiliar da burguesia, ajudando por meio das centrais sindicais a validar as demiss\u00f5es, redu\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rios e cortes de direitos durante o auge da crise, foi tamb\u00e9m fundamental para aplicar os ataques \u00e0 classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, o governo usa tamb\u00e9m de chantagem, com a amea\u00e7a da volta do PSDB ao governo. Com isso, mesmo os setores organizados da classe, como os funcion\u00e1rios das estatais, duramente atacados pelo governo durante seus dois mandatos (arrocho salarial, reestrutura\u00e7\u00f5es, degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, repress\u00e3o \u00e0s greves), tendem a ver a continuidade do PT no governo, atrav\u00e9s da candidatura Dilma, como um mal menor em face da possibilidade de retorno do PSDB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Verdade e falsidade na disputa PT X PSDB<\/h2>\n<p>Sabemos o qu\u00e3o desastroso foi para a classe trabalhadora brasileira o governo FHC e o quanto pode ser um eventual governo Serra, o qual combatemos no estado de S\u00e3o Paulo. Somos oposi\u00e7\u00e3o ao governo Lula n\u00e3o por considerar que o PSDB \u00e9 a alternativa, mas por saber que a candidatura Dilma e o PT n\u00e3o governam no interesse dos trabalhadores. N\u00e3o s\u00e3o uma defesa contra os ataques da burguesia. O PT se converteu num partido burgu\u00eas composto de burocratas. Os tra\u00e7os de presen\u00e7a oper\u00e1ria remanescentes na base do PT n\u00e3o t\u00eam mais qualquer influ\u00eancia nas inst\u00e2ncias decis\u00f3rias do partido. O PT sobrevive do aparato do Estado, dos mandatos parlamentares, dos cargos de confian\u00e7a, diretorias de estatais, controle sobre os fundos de pens\u00e3o e at\u00e9 mesmo da corrup\u00e7\u00e3o (de cujos casos o governo Lula foi pr\u00f3digo, desde o mensal\u00e3o at\u00e9 o recente exemplo da Bancoop). O PT funcionou como mais um partido burgu\u00eas na reparti\u00e7\u00e3o do poder feita por Lula, que se manteve no governo com o apoio de setores altamente reacion\u00e1rios, como o PMDB de Sarney.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o haja uma disputa real entre PT e PSDB, pois os dois partidos v\u00e3o travar uma disputa de morte at\u00e9 outubro pela presid\u00eancia. A quest\u00e3o \u00e9 que essa disputa diz respeito a diferen\u00e7as no m\u00e9todo de gest\u00e3o do mesmo projeto e n\u00e3o quanto ao projeto em si. O PT defende um projeto de capitalismo com maior controle do Estado (porque ele PT, enquanto dependente da burocracia estatal, sobrevive \u00e0s custas de parcelas do lucro que da\u00ed consegue extrair), media\u00e7\u00f5es no ataque aos trabalhadores (verbas para assentamentos do MST, Pr\u00f3-Uni para cooptar poss\u00edveis ativistas, bolsa-esmola para contentar o setor mais pobre, reconhecimento das centrais sindicais para que legitimem as medidas da burguesia, repress\u00e3o pura e dura contra quem se atreve a lutar) e algumas facilidades ao mercado interno para contentar os setores m\u00e9dios. O PSDB defende um Estado enxuto, uma gest\u00e3o \u201ceficiente\u201d (ou seja, em que a burocracia n\u00e3o fique com nenhuma fatia dos lucros), e trata os movimentos sociais como caso de pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A alternativa n\u00e3o est\u00e1 portanto entre PT e PSDB, pois ambos reprimem os trabalhadores e se colocam a servi\u00e7o dos lucros da burguesia. \u00c9 falsa a afirma\u00e7\u00e3o de que um eventual governo Dilma, por representar a continuidade do lulismo, seria um mal menor. As demiss\u00f5es, redu\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rio e retirada de direitos correram soltas no auge da crise. E na suposta \u201crecupera\u00e7\u00e3o\u201d econ\u00f4mica que estamos vivenciando, os trabalhadores est\u00e3o sendo contratados para trabalhar mais e ganhar menos. A reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva prossegue, com o aumento da explora\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho em todas as empresas. Tudo isso ocorreu com a colabora\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de Lula e do PT. O PT, com Lula ou Dilma no governo e a Articula\u00e7\u00e3o no comando da CUT e demais centrais sindicais, n\u00e3o representa uma defesa contra os ataques da burguesia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Os limites da democracia burguesa<\/h2>\n<p>O comportamento de Lula e do PT n\u00e3o \u00e9 simples acidente ou trai\u00e7\u00e3o, mas segue uma l\u00f3gica, a l\u00f3gica da democracia burguesa, que consiste em mudar as apar\u00eancias para que tudo continue igual. Periodicamente, quando o capitalismo vivencia uma crise de legitimidade, uma dificuldade para aplicar os programas de interesse da burguesia, a classe dominante apela para o recurso da democracia burguesa e promove a elei\u00e7\u00e3o de governantes que supostamente representam a \u201cmudan\u00e7a\u201d. Esses governantes s\u00e3o eleitos com as esperan\u00e7as ardentes de milh\u00f5es de trabalhadores, como uma figura messi\u00e2nica, um \u201csalvador da p\u00e1tria\u201d todo-poderoso. \u00c9 o caso de Lula no Brasil ou mesmo de Obama nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Entretanto, t\u00e3o logo assumem o governo, descobre-se que esses governantes n\u00e3o podem na verdade mudar nada. Eles d\u00e3o continuidade ao mesmo programa dos demais partidos burgueses. Quando alguns setores da classe trabalhadora mais conscientes e mais mobilizados come\u00e7am a perceber que n\u00e3o houve mudan\u00e7a, que tudo continua como antes, que prosseguem os benef\u00edcios para o grande capital, a corrup\u00e7\u00e3o, a repress\u00e3o sobre as lutas sociais; ent\u00e3o esses mesmos governantes, que no dia em que foram eleitos eram todo-poderosos, imediatamente se convertem em seres impotentes. De repente, mostram-se incapazes de lutar contra as for\u00e7as da direita. De repente, eles precisam do m\u00e1ximo de apoio e do m\u00ednimo de cr\u00edtica. Surge o discurso de que o burocrata de plant\u00e3o \u00e9 um mal menor e de que o importante \u00e9 impedir a volta da direita.<\/p>\n<p>Poucas vezes um governante foi eleito com base em tamanha esperan\u00e7a e respaldo popular e tamanho \u00f3dio contra seus advers\u00e1rios e o programa que representam como nos casos de Lula e Obama. Se houvesse a inten\u00e7\u00e3o de mudar alguma coisa de fato, havia for\u00e7a social e pol\u00edtica para isso. A quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o havia inten\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a nenhuma. O objetivo das elei\u00e7\u00f5es \u00e9 justamente impedir que essa for\u00e7a social e pol\u00edtica da classe trabalhadora desejosa de mudan\u00e7a realize as mudan\u00e7as por si mesma, por meio da a\u00e7\u00e3o direta, das greves, das ocupa\u00e7\u00f5es, da auto-gest\u00e3o, da criatividade libertada. O objetivo \u00e9 justamente fazer com que a classe trabalhadora fique paralisada, em estado de espera e eterna depend\u00eancia para com o dirigente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A verdadeira alternativa: organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores<\/h2>\n<p>Diante do mecanismo da democracia burguesa, a alternativa para os trabalhadores n\u00e3o est\u00e1 na elei\u00e7\u00e3o de um governante que supostamente resolva seus problemas, mas est\u00e1 na auto-organiza\u00e7\u00e3o da classe para lutar por um programa que contemple as suas necessidades. S\u00f3 a luta muda a vida. S\u00f3 a greve pode nos dar a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios. S\u00f3 a ocupa\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio pode nos dar a terra para produzir alimento e impedir a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente. S\u00f3 a participa\u00e7\u00e3o ativa e consciente dos trabalhadores na gest\u00e3o de todos os aspectos da vida social, do trabalho, da educa\u00e7\u00e3o, da cultura em todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es, das rela\u00e7\u00f5es entre os sexos, pode construir um modo de vida livre de explora\u00e7\u00e3o e de todas as formas de opress\u00e3o racial, machista e sexista.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da classe trabalhadora, dos partidos oper\u00e1rios legalizados perante o Estado para disputar elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 disputar parcelas de poder no interior do aparato estatal (esse foi o caminho que levou \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o do PT e \u00e0 sua transforma\u00e7\u00e3o em instrumento da burguesia), mas fazer a den\u00fancia da democracia burguesa e a defesa de um programa que contemple as reais necessidades dos trabalhadores. Diante do atual quadro, em que a maior parte da classe trabalhadora brasileira tende a ver a candidatura Dilma como uma poss\u00edvel esperan\u00e7a ou um mal menor contra Serra, o papel da esquerda organizada deveria ser o de construir anti-candidaturas oper\u00e1rias para o parlamento e o executivo que fizessem a den\u00fancia dessa falsa disputa, revelassem os interesses que esses partidos representam e expusessem um programa dos trabalhadores, um programa socialista.<\/p>\n<p>Para cumprir essa tarefa, um pr\u00e9-requisito seria o di\u00e1logo com a base das categorias, com os ativistas e a vanguarda dos trabalhadores que, com todas as dificuldades, se colocaram em luta ao longo do governo Lula. Seria preciso organizar um verdadeiro Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores como alternativa unit\u00e1ria contra as candidaturas burguesas e instrumento para a constru\u00e7\u00e3o de um programa contra o capitalismo. Entretanto, os movimentos que temos visto por parte dos partidos oper\u00e1rios existentes no Brasil, PSOL, PSTU, PCB e PCO, n\u00e3o vai nessa dire\u00e7\u00e3o. Todos t\u00eam preferido as discuss\u00f5es de c\u00fapula e o lan\u00e7amento de candidaturas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Fazemos o chamado a essas organiza\u00e7\u00f5es para que revejam essa pol\u00edtica equivocada e se coloquem a servi\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o de um Movimento Pol\u00edtico unit\u00e1rio, t\u00e3o necess\u00e1rio nas dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es atravessadas pela nossa classe. Essa \u00e9 a nossa responsabilidade hist\u00f3rica como lutadores pelo socialismo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=305#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><\/h3>\n<p><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h1>A educa\u00e7\u00e3o em tempos de crise estrutural do capital<\/h1>\n<p>No Brasil e no mundo os governos, mais uma vez, foram convocados, como sempre, para gerenciar a crise estrutural do capitalismo. Essa interven\u00e7\u00e3o estatal direta, atrav\u00e9s da aquisi\u00e7\u00e3o e do empreendedorismo, ignora as necessidades coletivas dos trabalhadores para garantir os lucros das grandes empresas e dos banqueiros.<\/p>\n<p>Os governos emitiram trilh\u00f5es de d\u00f3lares para atenuar a crise. Escondem com isto um enorme endividamento p\u00fablico que ser\u00e1 pago por algu\u00e9m, nesse caso, pelos trabalhadores. Lula j\u00e1 gastou mais de R$ 480 bilh\u00f5es e Serra, que j\u00e1 havia dado R$ 9 bilh\u00f5es para as montadoras, criou um pacote de R$ 20,6 bilh\u00f5es, com isen\u00e7\u00e3o de impostos e a constru\u00e7\u00e3o de obras de infra-estrutura de interesse dos empres\u00e1rios. A isen\u00e7\u00e3o de impostos tamb\u00e9m foi seguida pelo governo federal atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o de IPI para a compra de eletrodom\u00e9sticos e autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>O endividamento p\u00fablico em fun\u00e7\u00e3o da ajuda \u00e0s empresas fez com que o setor p\u00fablico consolidado brasileiro registrasse d\u00e9ficit prim\u00e1rio de R$ 5,763 bilh\u00f5es em setembro, pior resultado para o m\u00eas desde 2001. Em setembro de 2008, o resultado prim\u00e1rio havia sido superavit\u00e1rio em R$ 6,618 bilh\u00f5es. (Reuters News 30\/10\/2009).<\/p>\n<p>O resultado dessas a\u00e7\u00f5es \u00e9 o sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos com os baixos sal\u00e1rios e a precariedade dos servi\u00e7os utilizados pelos trabalhadores.<\/p>\n<p>No caso, estado de S\u00e3o Paulo, Serra contingenciou mais de R$ 23 bilh\u00f5es e se apresenta como o verdadeiro porta-voz da burguesia para governar o Brasil, principalmente no contexto de crise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Os professores como obst\u00e1culo para a implementa\u00e7\u00e3o do projeto da burguesia<\/h2>\n<p>Embora os estados tenham gasto trilh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 e ir\u00e3o gastar muito mais &#8211; com ajuda financeira ao capital em crise, os professores juntamente com os profissionais de Sa\u00fade s\u00e3o apontados como a principal carga or\u00e7ament\u00e1ria dos Estados Nacionais, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE):<\/p>\n<p>\u201cO conjunto desses pa\u00edses (pa\u00edses pertencentes a organiza\u00e7\u00e3o) destinavam, em m\u00e9dia, 4% do seu PIB para o ensino prim\u00e1rio e secund\u00e1rio e 8,3% dos gastos p\u00fablicos para essas categorias, sendo que na Uni\u00e3o Europeia o percentual do PIB se elevava a 10% e, na Am\u00e9rica do Norte, a Europ\u00e9ia 14%. Mas de 80% da soma investida nos cursos prim\u00e1rio e secund\u00e1rio era destinada \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o dos profissionais da escola e tr\u00eas quartos desses recursos iam para os professores\u201d. (In: Professores do Brasil: impasses e desafios, p. 16)<\/p>\n<p>Isso evidencia o n\u00edvel de controle e repress\u00e3o sobre os professores em todo mundo. No caso da greve dos professores da Rede Estadual do Ensino de S\u00e3o Paulo possibilita-nos entender os motivos de uma mobiliza\u00e7\u00e3o massiva e longa (30 dias) ser t\u00e3o fortemente combatida, desmoralizada pela imprensa e governo e ter como resultado a repress\u00e3o policial sangrenta e a falta de di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Derrotar qualquer rea\u00e7\u00e3o dos trabalhadores \u00e9 necess\u00e1rio para a implanta\u00e7\u00e3o do projeto burgu\u00eas de contingenciamento de recursos financeiros e de conquista e manuten\u00e7\u00e3o de isen\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que grandes empres\u00e1rios e banqueiros participam da discuss\u00e3o em torno das quest\u00f5es educacionais. Para a burguesia a Educa\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da prepara\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra ideal para maior extra\u00e7\u00e3o da mais-valia.<\/p>\n<p>O compromisso \u201cTodos pela Educa\u00e7\u00e3o\u201d, assinado em 06 de setembro de 2006, nos mostra isso. O movimento conta com a ades\u00e3o de governos de todas as legendas partid\u00e1rias burguesas (PT, PSDB, DEM, PMDB&#8230;), de grupos empresariais, ONG\u00b4s (Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho, Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa &#8211; Social, Instituto Airton Senna, Funda\u00e7\u00e3o Bradesco, Grupo Gerdal, etc). Tem como objetivo central o corte nos gastos p\u00fablicos e a conten\u00e7\u00e3o social para sobrar dinheiro que ser\u00e1 utilizado na constru\u00e7\u00e3o de obras de seu interesse e de um caixa para socorr\u00ea-la futuramente.<\/p>\n<p>Para isso \u00e9 necess\u00e1rio instituir Prova por m\u00e9rito e Avalia\u00e7\u00e3o por desempenho como mecanismos de controle \u201cque atuam diretamente sobre as escolas como forma de press\u00e3o atrav\u00e9s da competi\u00e7\u00e3o em suma, na gest\u00e3o dos sistemas escolares, h\u00e1 um excesso de centro, excesso de pol\u00edtica, excesso de estado\u201d. (M\u00e1rcio da Costa. In: Pedagogia da Exclus\u00e3o: cr\u00edtica ao neoliberalismo em Educa\u00e7\u00e3o. p. 63). S\u00e3o a\u00e7\u00f5es que procuram enquadrar o professor para possibilitar a implanta\u00e7\u00e3o do projeto burgu\u00eas e dos projetos impostos pelos organismos internacionais a todo o funcionalismo p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>As organismos internacionais<\/h2>\n<p>Os organismos financeiros como Banco Mundial e FMI passaram a tra\u00e7ar diretrizes, ou mesmo intervirem, na pol\u00edtica interna dos pa\u00edses endividados subdesenvolvidos e, sobretudo, da Am\u00e9rica Latina a partir da crise dos anos 70\/80 que mais tarde desembocou na implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica neoliberal.<\/p>\n<p>Estas interven\u00e7\u00f5es tinham como objetivo central assegurar o pagamento das d\u00edvidas aos credores dos pa\u00edses centrais a partir da redu\u00e7\u00e3o dos gastos estatais com os servi\u00e7os sociais (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia) a fim de garantir ajuda financeira e fiscal aos empres\u00e1rios e banqueiros.<\/p>\n<p>Na Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a interven\u00e7\u00e3o do Banco mundial e do FMI se d\u00e1 atrav\u00e9s de reformas educacionais que objetivam formar uma m\u00e3o de obra que ora pode ser utilizada, ora pode ser descartada parcialmente ou totalmente de acordo com as necessidades do mercado, formando uma m\u00e3o de obra prec\u00e1ria e flex\u00edvel adequada \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica est\u00e1 aplicada na forma de contrata\u00e7\u00e3o dos professores tempor\u00e1rios em S\u00e3o Paulo (cerca de 80 mil) que ora s\u00e3o aproveitados ora descartados e representam a m\u00e3o de obra prec\u00e1ria e flex\u00edvel na Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As medidas pioneiras tomadas pelo governo estadual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novas formas de contrata\u00e7\u00e3o de professores indicam o aprofundamento do processo de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho no funcionalismo p\u00fablico, objetiva a consolida\u00e7\u00e3o do trabalho tempor\u00e1rio, inst\u00e1vel e sujeito \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o e demiss\u00e3o pelo gestor (categoria \u201cO\u201d).<\/p>\n<p>Ao criar v\u00e1rias divis\u00f5es na profiss\u00e3o de professores a categoria \u201cO\u201d \u00e9 a que mais expressa a precariedade, pois o professor leciona por um ano e \u00e9 impedido de lecionar no ano seguinte (200 dias) com intensa retirada direitos. Evidentemente, esta situa\u00e7\u00e3o inviabiliza qualquer possibilidade de exercer um trabalho educativo adequado. Precariza simultaneamente, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos professores e o ensino p\u00fablico em geral, consolida o trabalho informal e desmerece a import\u00e2ncia social do trabalho dos professores.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que esta l\u00f3gica tende a se estender a todas as demais formas de contrata\u00e7\u00e3o do funcionalismo, inclusive sinalizando para o fim da estabilidade dos efetivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A greve dos professores reafirma: a luta por uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica deve ser todos os trabalhadores!<\/h2>\n<p>A greve dos professores da Rede Estadual de Ensino P\u00fablico de S\u00e3o Paulo \u00e9 um exemplo de que n\u00e3o podemos mais dissociar a luta desses profissionais com a luta dos trabalhadores dos demais setores, sob pena de isolamento e derrota.<\/p>\n<p>Primeiro, porque s\u00e3o os filhos dos trabalhadores que estudam na escola p\u00fablica. Segundo, porque a burguesia busca manter suas taxas de lucro, se blindar da crise econ\u00f4mica e jogar nas costas dos trabalhadores os custos da crise.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio rompermos com os limites do corporativismo e ligar a luta imediata com a luta pol\u00edtica tendo no horizonte a supera\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do capital. Precisamos envolver todos os trabalhadores na discuss\u00e3o sobre a qualidade do ensino p\u00fablico e desmascarar governos e patr\u00f5es, os verdadeiros culpados pela crise da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto est\u00e1vamos em Greve, em S\u00e3o Paulo, por condi\u00e7\u00f5es de trabalho, contra a precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos de contrata\u00e7\u00e3o, contra a pol\u00edtica da meritocracia, o governo Lula criou o decreto n\u00ba 7133 que qual estabelece os crit\u00e9rios e processos de avalia\u00e7\u00e3o de desempenho de todos os funcion\u00e1rios p\u00fablicos federais. Ou seja, a mesma pol\u00edtica de Jos\u00e9 Serra.<\/p>\n<p>Nesse sentido nossa luta n\u00e3o \u00e9 apenas contra o governo estadual (Serra\/Goldman), mas tamb\u00e9m contra o governo federal (Lula), pois ambos aplicam a mesma pol\u00edtica com pequenas diferen\u00e7as no modo de governar.<\/p>\n<p>Atualmente as provas de m\u00e9rito n\u00e3o s\u00e3o obrigat\u00f3rias, com o passar do tempo ser\u00e3o atreladas ao processo de Avalia\u00e7\u00e3o de Desempenho, no caso dos professores inclui: Prova de M\u00e9rito, Avalia\u00e7\u00e3o de Desempenho (est\u00e1gio probat\u00f3rio), meta da escola aferida via os indicadores de desempenho de avalia\u00e7\u00e3o externa dos alunos.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 passar a questionar e acabar de vez com a estabilidade dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos de modo a conseguir maior subordina\u00e7\u00e3o e, no caso dos professores, nos sobrecarregar de atividades que n\u00e3o t\u00eam qualquer rela\u00e7\u00e3o com a nossa profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto a imprensa burguesa (Folha de S\u00e3o Paulo, Rede Globo, Estad\u00e3o, DGABC) posicionava-se a favor do governo acusando-nos de estarmos fazendo campanha eleitoral, as centrais governistas (CUT, For\u00e7a Sindical, CTB, CGT) n\u00e3o fizeram nada para fortalecer a greve dos professores. A CUT, para quem a APEOESP contribui com mais de R$ 120 mil por m\u00eas n\u00e3o divulgou (publica\u00e7\u00e3o de cartas abertas em seus jornais, sites, etc) e nem discutiu a greve com os trabalhadores das v\u00e1rias categorias. Teve sindicato no ABC paulista que negou empr\u00e9stimo de carro de som e n\u00e3o aceita contribuir para o fundo de greve.<\/p>\n<p>Mesmo as organiza\u00e7\u00f5es sindicais de esquerda como a CONLUTAS (dirigida pelo PSTU) e a INTERSINDICAL (dirigida pelo PSOL) pouco fizeram e n\u00e3o se envolveram na greve de modo efetivo. Os sindicatos ligados a essas organiza\u00e7\u00f5es tampouco se solidarizaram ativamente (para al\u00e9m dos discursos) com a greve dos professores. A maioria da esquerda tamb\u00e9m deixou de fazer a discuss\u00e3o da profundidade dessa greve com os demais trabalhadores. Isso demonstra que ainda prevalece a concep\u00e7\u00e3o corporativista \u2013 mesmo nos meios mais combativos &#8211; de que a greve dos professores \u00e9 apenas problema dos professores e n\u00e3o uma quest\u00e3o que envolve toda a classe trabalhadora e que deve ser tratado como um problema de todos os trabalhadores e n\u00e3o apenas de uma categoria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a quase totalidade das correntes de esquerda tamb\u00e9m deu muito pouco peso ao car\u00e1ter estrat\u00e9gico da nossa greve de enfrentar n\u00e3o apenas um projeto estadual, mas tamb\u00e9m federal e inclusive um projeto de estado e do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Isso fez com que um amplo setor da categoria ficasse preso ao discurso da maioria da dire\u00e7\u00e3o do sindicato (Articula\u00e7\u00e3o\/ArtNova\/CSC) de que a culpa era do Serra. Discurso extremamente conveniente que visava apenas desgastar a imagem de Serra e do PSDB, ao passo que para a vit\u00f3ria efetiva do movimento seria necess\u00e1rio formas mais avan\u00e7adas e mais amplas que colocassem em xeque o projeto como um todo.<\/p>\n<p>De qualquer forma, independentemente de seus resultados imediatos, a greve fez com que a categoria dos professores voltasse a se mobilizar e, principalmente, a discutir e problematizar as quest\u00f5es da Educa\u00e7\u00e3o e do movimento de professores. Podemos dizer que passamos a pautar os problemas estruturais da Educa\u00e7\u00e3o no estado e no Brasil.<\/p>\n<p>Outro elemento extremamente importante foi o surgimento de ativistas que assumiram tarefas relevantes na condu\u00e7\u00e3o\/sustenta\u00e7\u00e3o da greve. Um dos maiores desafios ser\u00e1 preservarmos e ampliarmos a nossa uni\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o, envolvendo-nos como Representantes de Escola, formando redes de comunica\u00e7\u00e3o e integrando-nos \u00e0s Comiss\u00f5es de Trabalho nas subsedes para uma renova\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias e for\u00e7as no Sindicato e na rede p\u00fablica de ensino.<\/p>\n<p>O interesse da burguesia e do governo em derrotar a greve dos professores em S\u00e3o Paulo a fim de impedir a rea\u00e7\u00e3o e a repercuss\u00e3o por todo o movimento de trabalhadores fica como exemplo do quanto precisamos unificar as nossas lutas se quisermos manter os nossos direitos e a nossa sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=305#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h1>OSCAR 2010: Por que &#8220;Guerra ao Terror&#8221; e n\u00e3o &#8220;Avatar&#8221;<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<h2>A l\u00f3gica do espet\u00e1culo e o Oscar<\/h2>\n<p>No cl\u00e1ssico \u201cSociedade do Espet\u00e1culo\u201d, de 1967, Guy Debord identifica um salto de qualidade nos mecanismos de mistifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, por meio do qual se criou uma esfera que concentra em si toda a representa\u00e7\u00e3o do mundo, substitui a representa\u00e7\u00e3o real, impede a manifesta\u00e7\u00e3o do real e imp\u00f5e o dom\u00ednio da falsifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 a essa esfera que Debord denomina espet\u00e1culo. A caracter\u00edstica central do mundo do espet\u00e1culo \u00e9 a falsifica\u00e7\u00e3o. O inaut\u00eantico se imp\u00f5e como verdade e bloqueia a apari\u00e7\u00e3o do aut\u00eantico.<\/p>\n<p>Todas as rela\u00e7\u00f5es sociais trazem a marca da encena\u00e7\u00e3o, do inaut\u00eantico, do falsificado. O fetichismo da mercadoria se concretiza como imp\u00e9rio da imagem, da narrativa e da encena\u00e7\u00e3o. Tudo \u00e9 performance e nada \u00e9 a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de uma simples explos\u00e3o quantitativa do volume de produ\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia da ind\u00fastria cultural e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, mas da conforma\u00e7\u00e3o de toda uma estrutura que permeia de alto a baixo as rela\u00e7\u00f5es sociais, da cultura at\u00e9 a pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Periodicamente, o Espet\u00e1culo precisa produzir uma pseudo-nega\u00e7\u00e3o do sistema, pois do contr\u00e1rio as pessoas podem chegar a alguma forma verdadeira de nega\u00e7\u00e3o. A pseudo-nega\u00e7\u00e3o do sistema est\u00e1 em certas obras de arte, vendidas como produtos da ind\u00fastria cultural, que apresentam elementos de cr\u00edtica da realidade. Tais obras mobilizam as emo\u00e7\u00f5es e a intelig\u00eancia dos espectadores contra aspectos parciais do sistema, mas n\u00e3o lhes d\u00e3o os instrumentos para uma nega\u00e7\u00e3o do sistema na sua totalidade. Assim, o potencial cr\u00edtico se esteriliza na falta de a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e o p\u00fablico espectador retorna \u00e0 passividade pretendida.<\/p>\n<p>Esse seria o caso de um filme como \u201cAvatar\u201d, que apresenta uma cr\u00edtica da destrui\u00e7\u00e3o da natureza e das invas\u00f5es imperialistas, mas uma cr\u00edtica parcial, que n\u00e3o atinge o n\u00facleo do sistema, a l\u00f3gica do capital. Mas o filme de James Cameron \u00e9 um caso \u00e0 parte, pois as propor\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias do seu sucesso (nada menos do que o recorde mundial de bilheteria), for\u00e7aram a ind\u00fastria cultural a providenciar um ant\u00eddoto contra os seus efeitos \u201cnegativos\u201d, recusando-lhe a consagra\u00e7\u00e3o final dos pr\u00eamios Oscar, concedidos ao rival \u201cGuerra ao Terror\u201d.<\/p>\n<p>Essa escolha foi interpretada como uma vit\u00f3ria do \u201cfavorito da cr\u00edtica\u201d contra o \u201cfavorito do p\u00fablico\u201d, ou ainda, de um \u201cfilme de arte\u201d contra um \u201cfilme de efeitos especiais\u201d, um filme \u201cindependente\u201d e \u201cartesanal\u201d contra um \u201cfilme dos grandes est\u00fadios\u201d e sua multibilion\u00e1ria m\u00e1quina publicit\u00e1ria. Mas como se trata de espet\u00e1culo, as apar\u00eancias podem ser enganosas&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O paradoxo da t\u00e9cnica em \u201cAvatar\u201d<\/h2>\n<p>\u201cAvatar\u201d \u00e9 indubitavelmente um salto adiante na capacidade do cinema de funcionar como uma armadilha sensorial que suspende o espectador da sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo real e o arremessa no universo da fantasia. A sala escura, a tela gigante, a luz em que brilham os astros e estrelas, o volume ensurdecedor do som, a trilha sonora cuidadosamente arquitetada para conduzir as emo\u00e7\u00f5es, o ritmo da edi\u00e7\u00e3o, a profus\u00e3o dos efeitos especiais, ganharam nas \u00faltimas d\u00e9cadas a companhia das imagens em CGI e no caso em quest\u00e3o, da profundidade em tr\u00eas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>A extrapola\u00e7\u00e3o da corrida tecnol\u00f3gica para o cinema corresponde proporcionalmente \u00e0 vig\u00eancia dessa mesma corrida tecnol\u00f3gica na vida social em geral. N\u00e3o \u00e9 apenas o cinema que se tornou irreal, mas a vida real que se tornou cinematogr\u00e1fica, espetacular, fant\u00e1stica, ilus\u00f3ria e inst\u00e1vel, no contexto hist\u00f3rico do capitalismo plenamente mundializado, o que vale dizer, plenamente atravessado pela acelera\u00e7\u00e3o explosiva das suas contradi\u00e7\u00f5es constituintes. Nesse sentido, o cinema mais espetacular e irreal pode ser tamb\u00e9m o produto ideol\u00f3gico mais t\u00edpico e ilustrativo de determinados fen\u00f4menos sociais muito reais. Isso atualiza o valor cr\u00edtico do cinema e da cr\u00edtica de cinema, ainda que o cinema em quest\u00e3o venha \u00e0 tela completamente despido de inten\u00e7\u00f5es cr\u00edticas; e demonstra tamb\u00e9m a impossibilidade de se fazer cr\u00edtica de cinema e de arte com alguma seriedade e coer\u00eancia sem uma perspectiva cr\u00edtica do conjunto da vida social.<\/p>\n<p>\u201cAvatar\u201d representa a chegada ao patamar hist\u00f3rico em que qualquer coisa que pode ser imaginada pode tamb\u00e9m ser filmada de modo tecnicamente convincente, o que coloca em pauta uma outra quest\u00e3o: o hiper-realismo proporcionado pela t\u00e9cnica cinematogr\u00e1fica acrescenta credibilidade \u00e0 fantasia ou destr\u00f3i a sua fecundidade, j\u00e1 que n\u00e3o deixa nada ao espectador para ser livremente imaginado? Ou dito de outra forma, porque o cinema fant\u00e1stico hiper-realista deve ser considerado um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o ao teatro de bonecos, se este pode ser t\u00e3o eficiente quanto aquele na sua tarefa fundamental, que \u00e9 contar uma hist\u00f3ria?<\/p>\n<p>O culto da novidade e da t\u00e9cnica como substitutos da vida \u00e9 mais um sintoma da patologia social contempor\u00e2nea, da qual \u201cAvatar\u201d \u00e9 mais uma confirma\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o invertida, pois a moral da hist\u00f3ria \u00e9 justamente&#8230; a volta \u00e0 natureza!<\/p>\n<p>Esse paradoxo \u00e9 o grande achado de \u201cAvatar\u201d. O homem adquire a capacidade de viajar pelo espa\u00e7o, conservar-se vivo em sono criog\u00eanico, colonizar outros planetas, construir e reconstruir corpos por engenharia gen\u00e9tica, controlar remotamente um outro corpo, etc., mas o seu objeto de desejo \u00e9 retornar \u00e0 mesma rela\u00e7\u00e3o com a natureza que os \u00edndios praticam: caminhar descal\u00e7o pela floresta, beber \u00e1gua coletada da chuva pelas folhas das \u00e1rvores, dormir em rede, contar hist\u00f3rias em torno da fogueira&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O bom-mocismo do s\u00e9culo XXI<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria de \u201cAvatar\u201d, que j\u00e1 foi descrita como \u201cPocahontas no espa\u00e7o\u201d, \u00e9 um completo clich\u00ea: soldado se apaixona por nativa e se volta contra os colonizadores dos quais era parte. O que torna essa narrativa culturalmente significativa \u00e9 o acr\u00e9scimo da quest\u00e3o ambiental. O ambientalismo \u00e9 o bom-mocismo do s\u00e9culo XXI. \u00c9 a causa que (aparentemente) unifica a todos, gregos e troianos, o que ajuda a explicar o sucesso do filme (e o recorde de bilheteria), para al\u00e9m do refinamento visual. Ao colocar de um lado a defesa da natureza e de outro a sua destrui\u00e7\u00e3o, \u201cAvatar\u201d fornece ao p\u00fablico her\u00f3is para os quais torcer e vil\u00f5es aos quais odiar, e n\u00e3o h\u00e1 nada que o grande p\u00fablico aprecie mais do que her\u00f3is virtuosos derrotando vil\u00f5es odiosos. Sem isso, n\u00e3o h\u00e1 efeitos especiais que bastem para construir um sucesso art\u00edstico e comercial dessa magnitude. Mesmo sendo rasa, banal, repetitiva, pouco criativa, a narrativa central de \u201cAvatar\u201d fornece ao espectador uma experi\u00eancia dram\u00e1tica gratificante, ou seja, boa divers\u00e3o.<\/p>\n<p>A consagra\u00e7\u00e3o art\u00edstica e comercial do ambientalismo em \u201cAvatar\u201d (atrav\u00e9s de uma overdose de t\u00e9cnica cinematogr\u00e1fica) representa ainda uma esp\u00e9cie de \u201cvingan\u00e7a est\u00e9tica\u201d contra a era Bush. O discurso dos vil\u00f5es do filme \u00e9 literalmente o mesmo dos sinistros personagens que povoaram os notici\u00e1rios na d\u00e9cada de 2000, os proc\u00f4nsules estadunidenses no Oriente M\u00e9dio e os executivos rapaces da Enron, Halliburton, AIG, Lehman Brothers e Cia. O executivo que dirige a explora\u00e7\u00e3o do mundo de Pandora em \u201cAvatar\u201d diz que tudo o que importa para os acionistas \u00e9 o balan\u00e7o trimestral, a mesma obsess\u00e3o dos especuladores trazidos \u00e0 berlinda pela atual crise econ\u00f4mica. O coronel que chefia a mil\u00edcia particular da empresa diz que se deve \u201ccombater o terror com terror\u201d, a mesma coisa que os Estados Unidos fazem no Iraque e no Afeganist\u00e3o (e em Guant\u00e1namo ou em outras bases secretas nas quais torturam \u201csuspeitos de terrorismo\u201d) ou que Israel faz contra Gaza.<\/p>\n<p>Dando mostras do quanto est\u00e1 sintonizado com o sentimento anti-Bush ainda presente na opini\u00e3o p\u00fablica mundial, \u201cAvatar\u201d d\u00e1 a pista dos pr\u00f3ximos alvos da \u201cguerra ao terror\u201d, quando lembra que o protagonista, antes de ser mandado para o espa\u00e7o, serviu na Venezuela, enquanto o coronel servira na Nig\u00e9ria, ambos \u201ccoincidentemente\u201d produtores de petr\u00f3leo. Ao aterrissar em Pandora, o ex-fuzileiro parapl\u00e9gico ainda acredita que na Terra as for\u00e7as armadas estadunidenses est\u00e3o \u201clutando pela liberdade\u201d, sendo que os problemas acontecem quando soldados servem como mercen\u00e1rios de uma empresa privada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Algumas verdades por meio da fantasia<\/h2>\n<p>Algumas das falas do protagonista poderiam ter sa\u00eddo da boca de um veterano do Iraque dos nossos dias de crise econ\u00f4mica e desemprego galopante nos Estados Unidos, como quando ele diz que seria poss\u00edvel reparar sua espinha para que pudesse voltar a andar, \u201cmas n\u00e3o nessa economia, n\u00e3o com essa pens\u00e3o\u201d. Gradualmente o protagonista muda seu ponto de vista sobre o mundo de onde veio, pois passa-se para o lado dos nativos. Supera-se tamb\u00e9m aos poucos a hostilidade m\u00fatua entre o soldado e os cientistas. A separa\u00e7\u00e3o entre o homem de pensamento e o homem de a\u00e7\u00e3o, entre trabalho intelectual e trabalho bra\u00e7al, t\u00edpica da cultura estadunidense, tamb\u00e9m \u00e9 vencida conforme o soldado se torna capaz de refletir (o videolog mostra-se uma ferramenta bastante \u00fatil, mas tamb\u00e9m perigosa) e os cientistas de se engajar numa rebeli\u00e3o contra a corpora\u00e7\u00e3o. \u201cAvatar\u201dsubverte ainda outro padr\u00e3o t\u00edpico da cultura estadunidense, retirando as mulheres do seu papel subalterno tradicional e dando-lhes fun\u00e7\u00f5es decisivas, como ali\u00e1s acontece em todos os filmes de Cameron. Em \u201cAvatar\u201d, temos personagens femininas fortes, como a cientista-chefe e at\u00e9 a piloto de helic\u00f3ptero, mas o destaque fica para a guerreira nativa, capaz de desafiar as tradi\u00e7\u00f5es de seu povo para unir-se ao estrangeiro por quem se apaixonou.<\/p>\n<p>\u201cCedo ou tarde, sempre temos que acordar\u201d, aprende o fuzileiro. A opera\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o mineral em Pandora \u00e9 uma met\u00e1fora de todas as invas\u00f5es imperialistas no planeta Terra. Repete-se ali o mesmo processo que se desencadeou sobre a Am\u00e9rica, a \u00c1frica e a \u00c1sia, onde se destru\u00edram povos, culturas e ecossistemas em escala genocida e catacl\u00edsmica em busca de riquezas ef\u00eameras, com a diferen\u00e7a de que, na batalha de Pandora, os nativos venceram. E o p\u00fablico que lotou os cinemas do mundo inteiro para dar a \u201cAvatar\u201d o recorde de bilheteria torceu pela vit\u00f3ria dos nativos.<\/p>\n<p>Quando at\u00e9 mesmo um filme de Hollywood coloca em cena her\u00f3is em luta contra uma t\u00edpica empresa imperialista, isso representa uma vit\u00f3ria pol\u00edtica do ambientalismo, algo ideologicamente significativo. Mas o ambientalismo tal como \u00e9 praticado pelas ONGs e movimentos ecol\u00f3gicos padece de um s\u00e9rio limite, que \u00e9 o mesmo limite em que se encerra o filme \u201cAvatar\u201d, ou seja, uma defesa abstrata da natureza e um rep\u00fadio tamb\u00e9m abstrato da t\u00e9cnica e da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o industrial\u201d. Ora, o problema da humanidade n\u00e3o est\u00e1 no excesso de t\u00e9cnica, mas no fato de que toda a tecnologia existente \u00e9 propriedade de uma minoria de capitalistas, ao inv\u00e9s de servir \u00e0 maioria, que s\u00e3o os trabalhadores. Cedo ou tarde a humanidade ter\u00e1 que acordar, como o protagonista de \u201cAvatar\u201d. Ou a classe trabalhadora se levanta e destr\u00f3i o capitalismo ou o capitalismo destruir\u00e1 o planeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A apologia do imp\u00e9rio em \u201cGuerra ao terror\u201d<\/h2>\n<p>O mesmo tipo de guerra criticado em \u201cAvatar\u201d \u00e9 examinado clinicamente em \u201cGuerra ao terror\u201d. O filme de Kathryn Bigelow (ex-mulher de Cameron) n\u00e3o traz nenhuma inova\u00e7\u00e3o est\u00e9tica significativa. N\u00e3o traz avan\u00e7os t\u00e9cnicos revolucion\u00e1rios, n\u00e3o traz novidades na forma narrativa, que segue a linearidade tradicional, n\u00e3o apresenta interpreta\u00e7\u00f5es excepcionais, com um elenco que se situa na m\u00e9dia das atua\u00e7\u00f5es da escola hollywoodiana, etc. N\u00e3o h\u00e1 nada que justifique artisticamente a sua escolha como vencedor do Oscar, a n\u00e3o ser o crit\u00e9rio pol\u00edtico. A import\u00e2ncia do filme est\u00e1 em apresentar um retrato realista da vida dos soldados estadunidenses no Iraque.<\/p>\n<p>O g\u00eanero dos filmes de guerra j\u00e1 trouxe algumas p\u00e9rolas ao cinema, como \u201cApocalipse Now\u201d, \u201cPlatoon\u201d e \u201cNascido para matar\u201d, que tratam todos da guerra do Vietn\u00e3. Todo o potencial cr\u00edtico de tais filmes se esgota diante de uma s\u00e9ria limita\u00e7\u00e3o: seu foco est\u00e1 no sofrimento dos soldados estadunidenses, e n\u00e3o na iniq\u00fcidade da guerra em quest\u00e3o. O movimento contra a guerra do Vietn\u00e3 dentro dos Estados Unidos, do qual tais filmes representam uma s\u00edntese, tinha como seu foco a defesa da vida dos jovens estadunidenses mandados para a guerra, e n\u00e3o a condena\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria guerra de invas\u00e3o imperialista a um outro pa\u00eds. O povo vietnamita aparecia algumas vezes como v\u00edtima, mas nunca como her\u00f3i, pois esse \u00e9 o papel que cabe aos povos perif\u00e9ricos no cinema, ao lado do de vil\u00e3o. O her\u00f3i \u00e9 sempre por defini\u00e7\u00e3o o jovem branco, protestante e anglo-sax\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cGuerra ao terror\u201d tamb\u00e9m se situa nesse mesmo registro, mas com alguns agravantes. O filme se concentra na psicologia dos soldados no Iraque, em especial de uma equipe que trabalha na desativa\u00e7\u00e3o das bombas que s\u00e3o a principal arma da resist\u00eancia iraquiana. A figura do especialista em bombas \u00e9 romantizada por meio do clich\u00ea do her\u00f3i relutante, indisciplinado e dotado de uma ousadia que beira o descuido (neste caso, o suic\u00eddio). Ao fazer isso, perde-se o horizonte em que se poderia discutir a guerra como um todo, ou seja, o significado da invas\u00e3o estadunidense e suas causas pol\u00edticas e econ\u00f4micas. Descartado esse que deveria ser o eixo central de qualquer investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria sobre a realidade da guerra em quest\u00e3o, o que resta \u00e9 uma apologia indireta da bravura e dedica\u00e7\u00e3o dos soldados. Ou seja, uma apologia da pr\u00f3pria guerra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Hollywood se reconcilia com a Casa Branca<\/h2>\n<p>Logo no in\u00edcio de \u201cGuerra ao terror\u201d uma bomba explode porque um soldado n\u00e3o consegue deter a tempo um iraquiano usando um celular. Outra cena-chave acontece quando um garoto \u00e9 usado como bomba. Tais exemplos ilustram o discurso de que qualquer iraquiano (ou venezuelano, brasileiro, etc.) capaz de manipular um artefato tecnol\u00f3gico \u00e9 uma amea\u00e7a, e de que os advers\u00e1rios do sistema (terroristas por defini\u00e7\u00e3o) s\u00e3o capazes de qualquer desumanidade em sua guerra santa. Isso legitima a guerra ao terror. Em outras palavras, est\u00e1 declarada a guerra contra toda a popula\u00e7\u00e3o pobre do planeta, inimiga em potencial do imp\u00e9rio. A guerra ao terror substitui a Guerra Fria e fornece o pretexto para a manuten\u00e7\u00e3o de um aparato militar t\u00e3o obsoleto tecnicamente (\u201cpara que servem os tanques?\u201d, notou um dos soldados do filme) quanto necess\u00e1rio economicamente para a sobreviv\u00eancia da economia artificial do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Ao descrever a verdade da guerra do Iraque, \u201cGuerra ao terror\u201d exp\u00f5e o sifgnificado profundo da pol\u00edtica imperialista de guerra mundial da burguesia contra os trabalhadores do mundo inteiro, em lugar da antiga guerra mundial entre Estados. Por ser mais verdadeiro, \u201cGuerra ao terror\u201d foi premiado pelo Oscar, mesmo que isso signfique a confiss\u00e3o feita por Hollywood das verdadeiras inten\u00e7\u00f5es do imperialismo estadunidense contra o resto do mundo. Ao desconsiderar a simpatia mundial para com \u201cAvatar\u201d, Hollywood manda o recado de que est\u00e1 se lixando para o resto do mundo.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica feita por \u201cAvatar\u201d est\u00e1 em certo sentido deslocada, pois remete \u00e0 era Bush, j\u00e1 superada pela elei\u00e7\u00e3o de Obama. Se tivesse surgido no encal\u00e7o de um document\u00e1rio de Michael Moore ou de \u201cUma verdade inconveniente\u201d, a superprodu\u00e7\u00e3o de James Cameron teria sido imbat\u00edvel. \u201cAvatar\u201d perdeu o Oscar por ter perdido o timing. Na Era Bush, a cr\u00edtica ainda era de bom tom ou pelo menos aceit\u00e1vel. Agora que \u201ctudo mudou\u201d, Hollywood se alinha com a Casa Branca e a cr\u00edtica (mesmo limitada e parcial) cede lugar \u00e0 apologia. A cr\u00edtica \u00e0 era Bush pairou num vazio, enquanto a verdade pol\u00edtica da era Obama est\u00e1 em \u201cGuerra ao terror\u201d. A Academia de Hollywood foi fiel \u00e0 verdade ao premiar a apologia da guerra, pois a elei\u00e7\u00e3o de Obama n\u00e3o mudou substancialmente a pol\u00edtica estadunidense, apenas a sua embalagem. Em se tratando de espet\u00e1culo, a embalagem faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=305#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h3>&nbsp;<b style=\"text-align: center; \"><span style=\"font-size:16.0pt;font-family:&quot;Tahoma&quot;,&quot;sans-serif&quot;;\ncolor:red;mso-ansi-language:PT-BR\">O CONCLAT 2010 E OS DESAFIOS DA REORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O DOS TRABALHADORES<\/span><\/b><\/h3>\n<h3><span style=\"font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;\ncolor:black;mso-ansi-language:PT-BR\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/h3>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><span style=\"font-family:&quot;Arial&quot;,&quot;sans-serif&quot;;mso-bidi-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;font-variant:small-caps;color:black;mso-ansi-language:PT-BR\">O antigo e o novo CONCLAT<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">CONCLAT (Congresso Nacional das Classes Trabalhadoras) era o nome que se dava aos encontros das entidades sindicais do Brasil at&eacute; fins da ditadura militar. Naquele per&iacute;odo, um crescente setor combativo que estava retomando os sindicatos para transform&aacute;-los novamente em instrumentos de luta e organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores convivia num mesmo f&oacute;rum com os chamados pelegos, interventores colocados pela ditadura no comando dos sindicatos, federa&ccedil;&otilde;es e confedera&ccedil;&otilde;es. A conviv&ecirc;ncia tornou-se insustent&aacute;vel e fez com que no CONCLAT de 1981 os setores combativos optassem por romper com os pelegos e construir uma nova entidade, que viria a ser a CUT, cujo primeiro congresso aconteceria em 1983. Essa decis&atilde;o estava respaldada por um formid&aacute;vel ascenso da luta dos trabalhadores, com grandes greves estourando em setores de peso como metal&uacute;rgicos, banc&aacute;rios, professores, etc. Centenas de greves aconteciam todo ano, revelando uma vanguarda de milhares de ativistas e mobilizando milh&otilde;es de trabalhadores.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">Damos agora um salto na hist&oacute;ria e nos deparamos com um novo CONCLAT sendo convocado para os dias 5 e 6 de junho de 2010. O evento ter&aacute; como principal pauta a possibilidade de unifica&ccedil;&atilde;o entre Conlutas e Intersindical, juntamente com entidades e correntes menores que o est&atilde;o convocando, como MTST, MTL, MAS, PO-SP, Unidos para Lutar e , visando a constru&ccedil;&atilde;o de uma Nova Central. O que salta &agrave; vista na compara&ccedil;&atilde;o entre os dois per&iacute;odos &eacute; a aus&ecirc;ncia daquele que era o grande protagonista de fundo do processo dos anos 80, ou seja, a base do proletariado. A maioria da classe est&aacute; de modo geral alheia ao processo atual.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">As entidades que est&atilde;o impulsionando o Congresso re&uacute;nem uma vanguarda de ativistas presentes nas categorias que se colocaram em luta ao longo de todo o governo Lula, tais como servidores p&uacute;blicos, professores,&nbsp; banc&aacute;rios, correios, petroleiros, al&eacute;m de setores do movimento estudantil, popular e de minorias que se manteve na luta. &Eacute; preciso reconhecer que se trata de uma minoria da classe, mas n&atilde;o se pode negar a import&acirc;ncia dos enfrentamentos travados por essa vanguarda. Trata-se de um setor combativo e mesmo her&oacute;ico, pois colocou-se em luta mesmo contra a dire&ccedil;&atilde;o das correntes majorit&aacute;rias do movimento. O PT, que ainda dirige a CUT, secundado por seus sat&eacute;lites (FS, CTB e outras centrais pelegas, al&eacute;m da dire&ccedil;&atilde;o do MST e da UNE), transformou essas entidades em instrumento de sustenta&ccedil;&atilde;o do governo Lula, atuando de forma a abortar, desviar e derrotar as lutas dos trabalhadores. Essa colabora&ccedil;&atilde;o tem sido fundamental para a aplica&ccedil;&atilde;o dos planos do governo Lula e da burguesia.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><span style=\"font-family:&quot;Arial&quot;,&quot;sans-serif&quot;;font-variant:small-caps;\ncolor:black;mso-ansi-language:PT-BR\">A necessidade de uma nova refer&ecirc;ncia<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">Uma vez que os principais instrumentos da classe se converteram pelas m&atilde;os de seus dirigentes em instrumentos da burguesia, algo novo precisa ser constru&iacute;do. Se o nome de CONCLAT n&atilde;o se justifica do ponto de vista da aus&ecirc;ncia de mobiliza&ccedil;&otilde;es massivas da classe (como havia nos anos 1980), ele se justificaria como uma iniciativa de ruptura que busque criar um novo p&oacute;lo de organiza&ccedil;&atilde;o para as lutas dos trabalhadores, uma nova refer&ecirc;ncia depois da incorpora&ccedil;&atilde;o do PT, da CUT e seus sat&eacute;lites ao aparato de Estado e &agrave; pol&iacute;tica da burguesia. Nesse aspecto, a iniciativa de chamar &agrave; discuss&atilde;o para a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova refer&ecirc;ncia &eacute; na verdade tardia. A capitula&ccedil;&atilde;o dos principais organismos do proletariado &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o de classe se aprofundou ao longo de toda a d&eacute;cada de 1990, antecedendo portanto o governo Lula e a ascens&atilde;o do PT ao poder de Estado.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">Al&eacute;m disso, a unidade dos setores combativos n&atilde;o foi seriamente buscada ao longo dos dois mandatos de Lula, pois as principais correntes, PSOL (que dirige a Intersindical) e PSTU (que dirige a Conlutas), priorizaram a constru&ccedil;&atilde;o de seus projetos particulares, deixando uma preciosa camada de ativistas dispersa e dividida. O sectarismo, o aparatismo e o imediatismo das principais correntes de esquerda foram tamb&eacute;m obst&aacute;culos no caminho da pequena vanguarda que despontou nos enfrentamentos que marcaram a atual d&eacute;cada, al&eacute;m da pr&oacute;pria burocracia petista. A conduta dessas correntes nos &uacute;ltimos anos autoriza a observar com ceticismo os seus atuais movimentos em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; unidade.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">Nem Conlutas nem Intersindical re&uacute;nem o n&uacute;mero de sindicatos requerido pela atual legisla&ccedil;&atilde;o para serem reconhecidas como centrais sindicais, mas ficam mais pr&oacute;ximas de consegu&iacute;-lo estando unificadas. A Nova Central que pretendem construir pode ser apenas um artif&iacute;cio formal para alcan&ccedil;ar esse n&uacute;mero, sem que as correntes se unifiquem de fato no movimento. &Eacute; poss&iacute;vel por exemplo que em banc&aacute;rios de S&atilde;o Paulo o MNOB (oposi&ccedil;&atilde;o ligada &agrave; Conlutas) lance uma chapa para concorrer &agrave; dire&ccedil;&atilde;o do sindicato, mas o coletivo de banc&aacute;rios da Intersindical permane&ccedil;a numa chapa com a Articula&ccedil;&atilde;o-PT. A unifica&ccedil;&atilde;o <st1:personname productid=\"em uma Nova Central\" w:st=\"on\">em uma Nova Central<\/st1:personname>, nesse caso, seria apenas &ldquo;para ingl&ecirc;s ver&rdquo;, ou seja, perante o Estado e a lei, mas n&atilde;o no dia a dia dos trabalhadores.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><span style=\"font-family:&quot;Arial&quot;,&quot;sans-serif&quot;;mso-bidi-font-family:\n&quot;Times New Roman&quot;;font-variant:small-caps;color:black;mso-ansi-language:PT-BR\">Os debates sobre a Nova Central<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">Um reflexo desse distanciamento das bases est&aacute; nos debates que antecedem a realiza&ccedil;&atilde;o do CONCLAT, que t&ecirc;m estado restritos &agrave;s diverg&ecirc;ncias entre as correntes principais. Tais diverg&ecirc;ncias dizem respeito principalmente &agrave; composi&ccedil;&atilde;o da Nova Central e &agrave; sua forma de dire&ccedil;&atilde;o. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; composi&ccedil;&atilde;o da Nova Central, n&oacute;s do Espa&ccedil;o Socialista somos a favor de uma entidade n&atilde;o apenas sindical, que re&uacute;na os demais movimentos (estudantis, populares, luta contra as opress&otilde;es), pois entendemos que &eacute; preciso contemplar a diversidade de situa&ccedil;&otilde;es e frentes de luta em que est&aacute; envolvida nossa classe.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">Somos tamb&eacute;m a favor da elei&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o da Nova Central em Congresso por meio de chapas. Nesse ponto temos uma diverg&ecirc;ncia com a corrente majorit&aacute;ria da Conlutas que envolve um balan&ccedil;o da central. A atual composi&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o da Conlutas, formada a partir de representantes escolhidos pelas entidades, &eacute; apresentada como mais democr&aacute;tica, e a elei&ccedil;&atilde;o por chapas &eacute; tida como algo que vicia os debates do Congresso porque concentra tudo na disputa pela dire&ccedil;&atilde;o. Ambos os argumentos n&atilde;o se sustentam. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">No congresso da Conlutas em 2008 defendemos que a escolha dos representantes das entidades para a coordena&ccedil;&atilde;o se desse em f&oacute;runs de base, mas a corrente majorit&aacute;ria defendeu e manteve a aus&ecirc;ncia de um crit&eacute;rio que obrigue a escolha das dire&ccedil;&otilde;es a ser referendada pelas bases, o que fez com que os processos de escolha continuassem sendo apenas formais, sem um debate real nas categorias sobre os rumos e a pol&iacute;tica da Conlutas. O inconveniente dessa forma de dire&ccedil;&atilde;o est&aacute; no fato de que a responsabilidade pol&iacute;tica pela linha de a&ccedil;&atilde;o adotada pela Conlutas fica oculta. Nunca se sabe claramente qual &eacute; a linha pol&iacute;tica majorit&aacute;ria na Conlutas, pois formalmente n&atilde;o existe uma maioria, j&aacute; que a composi&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o &eacute; &ldquo;flutuante&rdquo;. Mas na pr&aacute;tica, o PSTU controla a maioria das entidades e oposi&ccedil;&otilde;es que constr&oacute;em a Conlutas, referendando automaticamente os seus militantes para a dire&ccedil;&atilde;o da Central, de maneira administrativa, formal. Transfere-se artificialmente a responsabilidade pol&iacute;tica para as entidades, sendo que na verdade ela cabe ao partido.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">Quanto ao segundo argumento, n&atilde;o &eacute; a forma de escolha da dire&ccedil;&atilde;o que determina a exist&ecirc;ncia de disputas entre as correntes no congresso. A disputa vai existir sempre, na medida em que, como dissemos, a unifica&ccedil;&atilde;o pretendida est&aacute; sendo constru&iacute;da num plano apenas formal. Esconder a disputa pol&iacute;tica que existe pode dar a impress&atilde;o de que o congresso se torna mais democr&aacute;tico e que os debates s&atilde;o mais aprofundados. Entretanto, mantida a forma de dire&ccedil;&atilde;o da Conlutas, os debates acabam sendo artificiais, est&eacute;reis, improdutivos, pois uma dire&ccedil;&atilde;o vai ser constru&iacute;da nos bastidores, por via indireta. Por mais qualidade que tenham os debates no curso de um congresso sem chapas, no final das contas a implanta&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o das propostas discutidas vai sempre depender de uma dire&ccedil;&atilde;o, que precisa portanto ser escolhida com crit&eacute;rios claros. At&eacute; mesmo para que se possa fazer o balan&ccedil;o daquilo que foi ou n&atilde;o posto em pr&aacute;tica.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><span style=\"font-family:&quot;Arial&quot;,&quot;sans-serif&quot;;font-variant:small-caps;\ncolor:black;mso-ansi-language:PT-BR\">Por uma nova concep&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica sindical<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">Essas diferen&ccedil;as que temos com as correntes majorit&aacute;rias s&atilde;o importantes, mas n&atilde;o s&atilde;o as principais. Uma vez que a quest&atilde;o fundamental em jogo &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova refer&ecirc;ncia de organiza&ccedil;&atilde;o para as lutas da classe, n&oacute;s do Espa&ccedil;o Socialista entendemos que a tarefa do CONCLAT deve ir al&eacute;m do aspecto organizativo, que consiste em fundar uma Nova Central. &Eacute; preciso lutar pela constru&ccedil;&atilde;o de uma nova concep&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;tica sindical. A partir de nossa atua&ccedil;&atilde;o nas oposi&ccedil;&otilde;es sindicais e dos contatos que temos com sindicatos ligados &agrave; Conlutas em outros estados, estamos participando da constru&ccedil;&atilde;o do CONCLAT, inscrevendo uma Tese em que buscamos desenvolver os elementos dessa nova concep&ccedil;&atilde;o. O pressuposto de que partimos &eacute; de que a estrutura sindical brasileira permanece prisioneira dos limites que lhe foram impostos na Era Vargas, os quais n&atilde;o foram rompidos nem mesmo em per&iacute;odos de grande ascenso como no pr&eacute;-64 e no in&iacute;cio dos anos 80. Nesse sentido, apresentamos <st1:personname productid=\"em nossa Tese\" w:st=\"on\">em nossa Tese<\/st1:personname> uma s&eacute;rie de pontos de discuss&atilde;o sobre os problemas que as organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores precisam superar.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><b><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:\n&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;mso-bidi-font-family:Tahoma;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR;mso-fareast-language:#00FF\">&#8211; <\/span><\/b><span style=\"font-size:11.0pt;\nfont-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;mso-bidi-font-family:Tahoma;color:black;\nmso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:#00FF\">No Brasil os sindicatos dependem de autoriza&ccedil;&atilde;o do Estado para existir. &Eacute; preciso ter uma carta do Minist&eacute;rio do Trabalho para que a entidade tenha a condi&ccedil;&atilde;o legal de representar os trabalhadores perante a patronal e o pr&oacute;prio Estado. Os sindicatos passam a ter como limite da sua atua&ccedil;&atilde;o as negocia&ccedil;&otilde;es trabalhistas. Defendemos que os sindicatos possam se organizar autonomamente, segundo suas pr&oacute;prias concep&ccedil;&otilde;es, para desenvolver o processo de educa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da classe em dire&ccedil;&atilde;o ao socialismo paralelo ao enfrentamento cotidiano das quest&otilde;es trabalhistas.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;mso-bidi-font-family:\nTahoma;color:black;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:#00FF\">&#8211; O atrelamento dos sindicatos ao Estado se materializa por meio do financiamento, pois os sindicatos no Brasil s&atilde;o mantidos por meio do Imposto Sindical, uma contribui&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria cobrada de todos os trabalhadores brasileiros, independentemente de serem sindicalizados ou n&atilde;o, equivalente a um dia de trabalho por ano. Com esse dinheiro &eacute; poss&iacute;vel manter artificialmente a exist&ecirc;ncia de um aparato burocr&aacute;tico de sindicatos, federa&ccedil;&otilde;es, confedera&ccedil;&otilde;es e centrais sem que essas entidades tenham qualquer papel pol&iacute;tico real enquanto organiza&ccedil;&otilde;es da classe, at&eacute; mesmo no que se refere ao plano da luta econ&ocirc;mica elementar. &Eacute; preciso romper com essa barreira e construir organiza&ccedil;&otilde;es sindicais pol&iacute;tica e financeiramente aut&ocirc;nomas, mantidas exclusivamente por meio da contribui&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria e consciente dos trabalhadores, em fun&ccedil;&atilde;o do reconhecimento da sua representatividade.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">&#8211; Cada luta sindical deve transpor seus limites tornando-se uma luta pol&iacute;tica no sentido de colocar em quest&atilde;o a ruptura com a l&oacute;gica do capital e com o Estado capitalista e a necessidade de outro tipo de sociedade e de poder em que sejam os trabalhadores e suas organiza&ccedil;&otilde;es que decidam os rumos da sociedade. Mesmo os sindicatos, em uma &eacute;poca de dom&iacute;nio imperialista, se quiserem superar seus limites, devem ser radicais na defesa dos interesses dos trabalhadores: ter como estrat&eacute;gia a luta contra o capitalismo.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;mso-bidi-font-family:\nTahoma;color:black;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:#00FF\">&#8211; As lutas e principalmente os sindicatos devem romper seu corporativismo tornando-se mais amplos, unificando trabalhadores ativos e desempregados, trabalhadores diretos e terceirizados, estudantes e professores, etc., no sentido de um movimento o mais geral e coeso poss&iacute;vel. N&atilde;o pensamos que os sindicatos, como quer a burguesia, fiquem restritos &agrave; representa&ccedil;&atilde;o corporativa da categoria (em muitos casos representam apenas parte dessa categoria), limitando-se as suas reivindica&ccedil;&otilde;es. As bandeiras de luta devem ser mais gerais, extrapolando os limites de f&aacute;bricas, categorias, e ramos produtivos. As lutas e organiza&ccedil;&otilde;es sindicais devem transcender os limites das bandeiras espec&iacute;ficas, sob pena de n&atilde;o conseguirem mais sequer manter as conquistas que ainda restam. As bandeiras de luta imediatas devem ser combinadas com outras mais gerais, como: redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho para 36 horas sem redu&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios, carteira assinada para todos os trabalhadores, &iacute;ndice unificado de reajuste salarial, sal&aacute;rio m&iacute;nimo do DIEESE , etc.;<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;mso-bidi-font-family:\nTahoma;color:black;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:#00FF\">&nbsp;&#8211; O sindicalismo brasileiro se caracteriza ainda pela falta de efetividade das organiza&ccedil;&otilde;es por local de trabalho, como as comiss&otilde;es de empresa, CIPAs, corpos de delegados sindicais e representantes de base. A atividade sindical &eacute; desenvolvida como algo que emana da c&uacute;pula dirigente das entidades sindicais, ao inv&eacute;s de se construir na mobiliza&ccedil;&atilde;o a partir da base. Por isso &eacute; preciso que a Nova Central desenvolva formas de organizar os trabalhadores em suas entidades, mas tamb&eacute;m em seu local de trabalho, seja legalmente, por meio das comiss&otilde;es de f&aacute;bricas ou CIPAs, ou mesmo clandestinamente.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><b><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:black;mso-ansi-language:PT-BR\">&#8211; <\/span><\/b><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">N&atilde;o pensamos que a burocratiza&ccedil;&atilde;o seja inerente ao ser humano, mas ao sistema de domina&ccedil;&atilde;o. Para se manter de p&eacute; o sistema cria mecanismos ou solu&ccedil;&otilde;es aparentemente mais f&aacute;ceis para atrair a consci&ecirc;ncia da classe trabalhadora. A burocratiza&ccedil;&atilde;o, seja pelo parlamento, sindicatos ou mesmo o partido, &eacute; um elemento objetivo e assim temos que lidar. Para que a CENTRAL se apresente aos trabalhadores como algo realmente diferente precisa demonstrar que tem uma estrutura anti-burocr&aacute;tica. Por isso propomos as seguintes medidas:<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">a) Todas as decis&otilde;es pol&iacute;ticas importantes precisam ser tomadas em f&oacute;runs amplos, ou seja, deve ser retirado dos &oacute;rg&atilde;os de coordena&ccedil;&atilde;o\/dire&ccedil;&atilde;o o poder de decidir tudo, sem discutir com a base;<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">b) Ningu&eacute;m pode se reeleger mais que uma vez e quando reeleito n&atilde;o pode ocupar o mesmo cargo;<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">c) Substitui&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria de pelo &frac12; dos membros dos &oacute;rg&atilde;os dirigentes a cada elei&ccedil;&atilde;o, de forma que garanta uma renova&ccedil;&atilde;o permanente;<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">d) A libera&ccedil;&atilde;o deve ser uma discuss&atilde;o com o conjunto da categoria, que decida quem se libera e quem n&atilde;o se libera. Quando a &quot;libera&ccedil;&atilde;o&quot; for aprovada o sal&aacute;rio n&atilde;o pode ser superior &agrave;quele que o militante recebia e deve existir rod&iacute;zio, com prazo determinado para retorno ao trabalho. Deve haver um r&iacute;gido controle sobre o cumprimento de hor&aacute;rio e das tarefas assumidas, de forma que se cumpra no m&iacute;nimo o mesmo de antes da libera&ccedil;&atilde;o;<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;mso-ansi-language:\nPT-BR\">e) Os sindicatos e demais organiza&ccedil;&otilde;es devem ser absolutamente democr&aacute;ticas, com garantias expressas ao debate entre os ativistas, liberdade de interven&ccedil;&atilde;o, discuss&atilde;o, vota&ccedil;&otilde;es, direito de express&atilde;o de todas as posi&ccedil;&otilde;es para os trabalhadores nos materiais do sindicato (jornais, revistas) e nas assembl&eacute;ias. Tamb&eacute;m deve haver um impulso sistem&aacute;tico &agrave; forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e te&oacute;rica, para superar as dificuldades que haja entre os trabalhadores.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;mso-bidi-font-family:\nTahoma;color:black;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:#00FF\">&#8211; Entendemos as oposi&ccedil;&otilde;es como um movimento mais amplo que tenha como objetivo retomar ideologicamente a dire&ccedil;&atilde;o da classe. A tarefa desse movimento &eacute; desenvolver o trabalho que os sindicatos n&atilde;o tem desenvolvido de organiza&ccedil;&atilde;o e eleva&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia da classe. A retomada dos sindicatos &eacute; um meio e n&atilde;o um fim <st1:personname productid=\"em si. O\" w:st=\"on\">em si. O<\/st1:personname> fortalecimento do movimento deve criar condi&ccedil;&otilde;es para que cada segmento da classe seja capaz de organizar sua luta cotidiana contra a burguesia mesmo com o obst&aacute;culo das dire&ccedil;&otilde;es burocr&aacute;ticas, passando por cima dessas dire&ccedil;&otilde;es, at&eacute; que possam ser substitu&iacute;das por dire&ccedil;&otilde;es combativas formadas no pr&oacute;prio curso da luta. <\/span><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;\nmso-bidi-font-family:Helvetica;color:black;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:\n#00FF\">&Eacute; preciso que os trabalhadores se conven&ccedil;am de que faz diferen&ccedil;a votar em uma chapa da Nova Central <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;mso-bidi-font-family:\nHelvetica;color:black;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:#00FF\">&#8211; <\/span><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;mso-bidi-font-family:\nTahoma;color:black;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:#00FF\">A disputa ideol&oacute;gica requer tamb&eacute;m uma disputa te&oacute;rica. A forma&ccedil;&atilde;o dos dirigentes sindicais, dos militantes e dos pr&oacute;prios trabalhadores tamb&eacute;m precisa ser desenvolvida internamente, dentro das pr&oacute;prias entidades sindicais, sem o recurso a institutos e aparatos exteriores. Al&eacute;m disso, a forma&ccedil;&atilde;o sindical deve ir al&eacute;m de palestras do tipo acad&ecirc;mico, em que um orador fala e os trabalhadores permanecem passivos. E tamb&eacute;m os temas tratados devem ir al&eacute;m das quest&otilde;es imediatas, como CIPA, condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista, etc., que s&atilde;o importantes, mas n&atilde;o dispensam uma forma&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter mais ideol&oacute;gico e pol&iacute;tico. &Eacute; preciso superar a concep&ccedil;&atilde;o das atividades de forma&ccedil;&atilde;o apenas como uma s&eacute;rie de cursos que n&atilde;o se relacionam com o restante da atividade sindical e do dia a dia do trabalhador. O pr&oacute;prio desenvolvimento das lutas deve ser visto como um meio de formar novos dirigentes e de educar os trabalhadores em geral, para que desempenhem um papel mais ativo. A forma&ccedil;&atilde;o deve ser um processo permanente, em conex&atilde;o com a atividade pol&iacute;tica e a disputa ideol&oacute;gico-cultural.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:19.85pt\"><span style=\"font-size:11.0pt;font-family:&quot;Garamond&quot;,&quot;serif&quot;;mso-bidi-font-family:\nTahoma;color:black;mso-ansi-language:PT-BR\">Esses e outros pontos est&atilde;o desenvolvidos em detalhe <st1:personname productid=\"em nossa Tese. Chamamos\" w:st=\"on\">em nossa Tese. Chamamos<\/st1:personname> todos os ativistas e trabalhadores a debater essas concep&ccedil;&otilde;es e construir conosco uma interven&ccedil;&atilde;o no CONCLAT e nas lutas em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; renova&ccedil;&atilde;o das formas de organiza&ccedil;&atilde;o do proletariado, retomando a luta pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica pelo socialismo.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/305"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=305"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/305\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6450,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/305\/revisions\/6450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}