{"id":31,"date":"2008-12-13T16:01:42","date_gmt":"2008-12-13T16:01:42","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/31"},"modified":"2018-05-04T21:50:31","modified_gmt":"2018-05-05T00:50:31","slug":"o-oscar-2003-e-o-espirito-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/o-oscar-2003-e-o-espirito-do-tempo\/","title":{"rendered":"O Oscar 2003 e o esp\u00edrito do tempo"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<h1>O OSCAR 2003 E O ESP\u00cdRITO DO TEMPO<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cChicago\u201d \u00e9 o filme certo no momento certo. Um musical farsesco que escancara a farsa da geopol\u00edtica atual. O filme mais duplipensado dos \u00faltimos tempos. Em \u201cChicago\u201d verdade \u00e9 mentira, culpa \u00e9 inoc\u00eancia, fama \u00e9 inf\u00e2mia, trag\u00e9dia \u00e9 gl\u00f3ria, lealdade \u00e9 interesse, e vice-versa, em todos os casos. Nesses tempos orwellianos, a mais gritante contradi\u00e7\u00e3o deve ser apresentada como vers\u00e3o oficial dos fatos perante a opini\u00e3o p\u00fablica. O espet\u00e1culo deve continuar a qualquer pre\u00e7o. O cinema em geral oferece um perfeito espelho da sociedade estadunidense. O filme \u201cChicago\u201d em particular oferece alguns reflexos bastante peculiares, raz\u00e3o pela qual merecidamente foi premiado. Por mostrar que vers\u00f5es s\u00e3o mais importantes que os fatos, as apar\u00eancias do que a ess\u00eancia, os interesses do que a \u00e9tica. \u00c9 claro que os acad\u00eamicos lhe concederam a estatueta sem conceber que nesse espelho est\u00e1 revelada a estrat\u00e9gia da atual pol\u00edtica estadunidense o mundo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Antes de chegar a essa conclus\u00e3o, falemos um pouco mais do filme e da cerim\u00f4nia do Oscar como um todo. Tradicionalmente, festas do Oscar s\u00e3o ma\u00e7antes, cafonas, piegas, e a de 2003 n\u00e3o fugiu \u00e0 regra. Discursos e homenagens em tons edificantes, m\u00fasica melosa e triunfal, figurinos de gosto duvidoso, sorrisos for\u00e7ados e piadas sem-gra\u00e7a. Nada disso faltou. Mas a festa desse ano teve um ingrediente a mais, que foi a pol\u00edtica. Na maioria das vezes, a pol\u00edtica n\u00e3o produz um bom espet\u00e1culo e nesse caso serviu apenas para criar um clima de constrangimento e desconforto. Entre os que gostam apenas de cinema, a mistura com a pol\u00edtica trouxe um gosto amargo. Para os que se interessam por pol\u00edtica e tamb\u00e9m por cinema, como \u00e9 o caso desse resenhista, por\u00e9m, o Oscar 2003 foi um prato cheio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Como sempre, os principais filmes concorrentes s\u00e3o todos excelentes. \u00c9 de se pensar que n\u00e3o faz sentido colocar um para concorrer contra o outro. Cada filme se destaca por uma s\u00e9rie de motivos especiais e diferentes, que os tornam merecedores. Em cada um h\u00e1 um aspecto que se destaca, que n\u00e3o necessariamente cabe nas tradicionais categorias da competi\u00e7\u00e3o, portanto n\u00e3o tem como ser premiado. Por causa disso os festivais europeus t\u00eam variados pr\u00eamios do j\u00fari, da cr\u00edtica, do p\u00fablico, variadas men\u00e7\u00f5es honrosas para destacar o que de melhor se fez no cinema. Essa f\u00f3rmula \u00e9 mais justa que a do Oscar, pois n\u00e3o \u00e9 justo que um seja considerado vencedor e os outros perdedores, condenados ao esquecimento. N\u00e3o \u00e9 justo, mas esse \u00e9 o esp\u00edrito da festa e da cultura estadunidense em geral.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Todos aceitam as regras e comparecem, trajados a rigor. H\u00e1 artistas que fizeram o trabalho de suas vidas e esperam a oportunidade de entrarem para a hist\u00f3ria com uma estatueta. H\u00e1 artistas j\u00e1 consagrados que d\u00e3o o selo de relev\u00e2ncia cultural para a competi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 os oportunistas de plant\u00e3o que faturam pr\u00eamios na base de inflacionadas campanhas de marketing. H\u00e1 os pr\u00eamios de conveni\u00eancia, em que a Academia tenta compensar injusti\u00e7as passadas e fazer m\u00e9dia com certas correntes de opini\u00e3o do p\u00fablico e da cr\u00edtica. E como conseq\u00fc\u00eancia destes, h\u00e1 os injusti\u00e7ados deste ano, que viram suas performances serem desprezadas em nome das insond\u00e1veis raz\u00f5es dos acad\u00eamicos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Independentemente desses aspectos, o Oscar 2003 teve atrativos \u00e0 parte. Destaque para os que se manifestaram contra a guerra que Bush iniciava no Iraque. Nomes como Michael Moore, Adrien Brody, Chris Cooper, Colin Farrel, Susan Sarandon, Pedro Almod\u00f3var, Gael Garcia Bernal, Salma Hayek. Nomes que crescem em prest\u00edgio e ascend\u00eancia moral, que n\u00e3o tem medo de enfrentar a ca\u00e7a as bruxas que vir\u00e1 e que mostram que o cinema pode entrar em sintonia com as boas causas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Falaremos a seguir de alguns desses destaques, come\u00e7ando por Michael Moore. O vencedor do pr\u00eamio de melhor document\u00e1rio roubou a cena na grande festa da ind\u00fastria do entretenimento. Aquele que melhor entende de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o denuncia o quanto existe de fic\u00e7\u00e3o na realidade. A fic\u00e7\u00e3o de uma elei\u00e7\u00e3o fraudulenta e de uma guerra fict\u00edcia, nas palavras fortes do pr\u00f3prio Moore. E Michael Moore, \u00e9 bom lembrar, n\u00e3o foi premiado por conveni\u00eancia. Seu document\u00e1rio, \u201cBowlling for Columbine\u201d, sobre um massacre de estudantes por seus colegas de classe, retratou de maneira magistral as ra\u00edzes da trag\u00e9dia de uma pa\u00eds movido a paran\u00f3ia, desconfian\u00e7a, competi\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Tamb\u00e9m merece destaque o pr\u00eamio para Pedro Almod\u00f3var, pelo roteiro de \u201cFale com ela\u201d. Esse foi um daqueles pr\u00eamios classificados acima como \u201cde conveni\u00eancia\u201d. Pedro Almod\u00f3var n\u00e3o p\u00f4de concorrer na categoria de filme estrangeiro porque as indica\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias, a partir das quais a Academia seleciona os concorrentes, s\u00e3o feitas pelos governos de cada pa\u00eds. E o governo espanhol, capitaneado por Aznar (que concorre com Blair e Berlusconi ao pr\u00eamio \u201cframboesa de ouro\u201d de pior coadjuvante na tragicom\u00e9dia do Iraque), n\u00e3o indicou \u201cFale com ela\u201d. Sabe-se l\u00e1 por quais motivos, Almod\u00f3var tornou-se \u201cpersona non grata\u201d para as autoridades culturais de seu pa\u00eds. Sendo assim, a Academia n\u00e3o teve outro rem\u00e9dio a n\u00e3o ser indicar Almod\u00f3var nas categorias principais. Uma esp\u00e9cie de jeitinho estadunidense. E sinal de que o Oscar pode achar brechas para fazer o que os festivais europeus fazem e reconhecer o que deve ser reconhecido.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Tamb\u00e9m consideramos importante o crescimento do cinema latino nos Estados Unidos. As indica\u00e7\u00f5es e pr\u00eamios concedidos a \u201cFrida\u201d s\u00e3o um exemplo da crescente influ\u00eancia cultural das comunidades de origem hisp\u00e2nica nos EUA. Os latinos est\u00e3o tomando de volta territ\u00f3rio o que os EUA roubaram do M\u00e9xico no s\u00e9culo XIX. Esperamos que tragam mais diversidade e colorido a uma cultura e uma sociedade dominadas pelo moralismo ing\u00eanuo e hip\u00f3crita dos puritanos. M\u00e9ritos para Salma Hayek, pelo empenho para realizar \u201cFrida\u201d e encarnar o papel.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">E pela coragem de levar ao mundo a hist\u00f3ria de uma pintora e ativista, amante dos comunistas Diego Rivera e Leon Trotsky. M\u00e9ritos tamb\u00e9m para os maquiadores que conseguiram transformar a musa Salma Hayek na figura de Frida Kahlo, trabalho que n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil. O filme \u00e9 tamb\u00e9m um sinal de uma certa globaliza\u00e7\u00e3o do Oscar, como as indica\u00e7\u00f5es de \u201cO Tigre e o Drag\u00e3o\u201d para as categorias principais h\u00e1 alguns anos, um filme falado em chin\u00eas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Consideramos tamb\u00e9m um destaque negativo as n\u00e3o-indica\u00e7\u00f5es de Andy Sirkis e Weta a melhor coadjuvante com o personagem Gollum e de Peter Jackson a melhor diretor, por \u201cAs duas Torres\u201d, segunda parte da trilogia \u201cO Senhor dos an\u00e9is\u201d. Aqui vai uma certa dose de prefer\u00eancia pessoal, mas \u00e9 ineg\u00e1vel que a Academia perdeu a chance de fazer hist\u00f3ria indicando um personagem virtual e de reconhecer o talento de um diretor respons\u00e1vel por um empreendimento cinematogr\u00e1fico \u00edmpar. Melhor sorte para ambos no ano que vem, com \u201cO Retorno do Rei\u201d.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u00c9 certo que fizerem uma m\u00e9dia indicando \u201cAs duas Torres\u201d como melhor filme, mas isso s\u00f3 fez completar uma outra injusti\u00e7a. Pois o segundo filme da trilogia n\u00e3o tinha chances na categoria principal e apenas roubou o lugar de \u201cEstrada para Perdi\u00e7\u00e3o\u201d, inexplicavelmente exclu\u00eddo da disputa de melhor filme. Talvez apenas por ter sido lan\u00e7ado no momento errado, fora da \u201ctemporada\u201d do Oscar. O que mostra o quanto as quest\u00f5es comerciais superam as art\u00edsticas em Hollywood.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Por falar em injusti\u00e7as, que dizer de \u201cGangues de Nova York\u201d, em que Scorcese e Daniel Day-Lewis sa\u00edram de m\u00e3os abanando? Esses dois foram casos de artistas que fizeram um dos melhores trabalhos de suas vidas e que por conting\u00eancias do momento n\u00e3o foram reconhecidos (vide cr\u00edtica a \u201cGangues de Nova York\u201d, intitulada \u201cOs bons comunistas\u201d, a ser em breve aqui publicada).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Voltando a falar de destaques positivos, merecem men\u00e7\u00e3o os pr\u00eamios para o filme \u201cO Pianista\u201d, o de Roman Polanski como diretor e o de Adrien Brody para melhor ator. H\u00e1 quem fale na for\u00e7a do lobby judaico em Hollywood. Numa ind\u00fastria administrada por judeus, qualquer filme sobre a II Guerra tem boas chances de sair da festa com algumas estatuetas. Hollywood elegeu o holocausto ao n\u00edvel de trag\u00e9dia mundial por excel\u00eancia e transformou os judeus em v\u00edtimas perp\u00e9tuas. O que propicia uma boa cobertura \u00e0 pol\u00edtica estadunidense de apoio incondicional a Israel e a genocidas como Sharon.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A condi\u00e7\u00e3o dos judeus de v\u00edtimas do holocausto d\u00e1 a Israel uma imunidade a cr\u00edticas dentro dos E.U.A., de um modo tal que qualquer cr\u00edtica \u00e0s sua pol\u00edticas de holocausto contra os palestinos imediatamente s\u00e3o tomadas como ataques nazistas. O p\u00fablico estadunidense aprendeu no cinema que os judeus s\u00e3o v\u00edtimas e assim ser\u00e1 para sempre, mesmo que eles hoje fa\u00e7am v\u00edtimas dos palestinos. Nada ir\u00e1 mudar essa imagem, ainda mais agora, depois do 11 de setembro, quando os estadunidenses passaram a se sentir irm\u00e3os dos israelenses, amea\u00e7ados pelo terrorismo palestino. A semelhan\u00e7a est\u00e1 indissociavelmente colada.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Vivemos um momento de palestiniza\u00e7\u00e3o do mundo. A cada chacina perpetrada pelos \u201cbulldozers\u201d de Sharon na Palestina, seguem-se atentados de homens-bomba em Israel. Do mesmo modo, a cada ataque preventivo da guerra de Bush contra o eixo do mal seguir-se-\u00e3o ondas de hostilidade irracional aos Estados Unidos, que apesar de justificadas, ser\u00e3o completadas por mais ataques terroristas, que amea\u00e7am mergulhar o mundo numa escalada de vingan\u00e7as que se auto-alimentam, obscurecendo a raz\u00e3o e o di\u00e1logo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Fizemos essa digress\u00e3o para comentar que qualquer filme sobre o holocausto judeu, portanto, \u00e9 sempre bem vindo para a Hollywood sionista. Mas o caso de \u201cO Pianista\u201d me parece bem diferente. \u00c9 claro que se trata de um filme sobre o holocausto judeu. Mas \u00e9 tamb\u00e9m um filme sobre a sobreviv\u00eancia do homem, do humanismo, das artes e das luzes, em meio ao caos. Sempre \u00e9 v\u00e1lido que um filme nos relembre a import\u00e2ncia da II Guerra Mundial. Uma guerra que \u00e9 a grande trag\u00e9dia fundadora do mundo do s\u00e9culo XX. Todas as institui\u00e7\u00f5es e todo discurso das d\u00e9cadas imediatamente seguintes foi montado para impedir a possibilidade de um conflito t\u00e3o gigantesco quanto esse se repetir.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Aos trancos e barrancos, a ONU, a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e outras institui\u00e7\u00f5es fizeram com que um conflito das propor\u00e7\u00f5es da Segunda Guerra tenham se tornado inimagin\u00e1veis no mundo atual. Ningu\u00e9m hoje consegue conceber as grandes pot\u00eancias se digladiando pelo poder numa guerra aberta, decidida na for\u00e7a bruta de seus arsenais. Certo que a Guerra-Fria serviu como motiva\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de guerras bem quentes, especialmente no Terceiro Mundo. Mas o que estamos dizendo \u00e9 que ningu\u00e9m poderia conceber que EUA e URSS chegariam \u00e0s vias de fato, como as pot\u00eancias imperialistas chegaram nas duas guerras mundiais. Ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser os pr\u00f3prios cidad\u00e3os estadunidenses, cr\u00e9dulos como sempre nos espantalhos alardeados por seus governos, acreditou na possibilidade de uma guerra entre as pot\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u00c9 esse passado b\u00e1rbaro que parecia estar enterrado com o fim da Segunda Guerra. As guerras hoje em dia s\u00e3o mediadas pela diplomacia, pela m\u00eddia e pela opini\u00e3o p\u00fablica. N\u00e3o transcorrem livremente ao gosto dos generais, como gostariam os aspirantes a Hitler de hoje. A humanidade j\u00e1 n\u00e3o aceita a volta de um tal passado. Lembrar a Segunda Guerra mundial e o holocausto judeu tem essa import\u00e2ncia maior de lembrar a humanidade de se manter vigilante contra a barb\u00e1rie. Devemos acrescentar que o holocausto n\u00e3o foi a \u00fanica trag\u00e9dia da Segunda Guerra. E o regime nazista n\u00e3o era pior que o imperialismo franc\u00eas, ingl\u00eas ou americano, apenas mais desvairado. Mas n\u00e3o se pode negar o m\u00e9rito de filmes como \u201cA lista de Schindler\u201d e \u201cO Pianista\u201d.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Por isso defendo que o filme de Polanski ultrapassa a mera condi\u00e7\u00e3o de um filme sobre o holocausto. \u00c9 um filme sobre a trag\u00e9dia humana de modo geral. \u00c9 interessante a escolha de um pianista como protagonista. Wladyslav Szpilman, o pianista do t\u00edtulo, sobrevivente como o pr\u00f3prio Polanski, n\u00e3o \u00e9 um m\u00fasico judeu t\u00edpico. O instrumento musical peculiar do judeu \u00e9 o violino. Um instrumento triste e melanc\u00f3lico, como \u00e9 o judeu na di\u00e1spora europ\u00e9ia. O piano \u00e9 um instrumento mais universal. As cenas em que Szpilman\/Brody toca no filme s\u00e3o de uma beleza sublime e transcendente. As notas da m\u00fasica de Chopin vertem cristalinas como uma cascata de l\u00e1grimas diretamente da alma de todos os indiv\u00edduos e povos oprimidos. Chopin, compositor e \u00edcone rom\u00e2ntico do s\u00e9culo XIX, \u00e9 a voz n\u00e3o s\u00f3 dos judeus, mas de todos os povos sem p\u00e1tria, como era a sua Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Um \u00faltimo destaque individual vai para Polanski. A m\u00eddia bem que gostaria de transformar sua premia\u00e7\u00e3o num fact\u00f3ide, pelo fato de que o diretor n\u00e3o pode pisar nos Estados Unidos. Pesa sobre ele uma condena\u00e7\u00e3o por estupro por ter mantido rela\u00e7\u00f5es sexuais com uma adolescente de 13 anos. N\u00e3o importa que a rela\u00e7\u00e3o tenha sido consensual, que ela n\u00e3o aparentasse ser menor de idade, e que a acusa\u00e7\u00e3o tenha sido feita pela m\u00e3e da garota e por procuradores \u00e0 la Kenneth Starr (o da M\u00f4nica Lewinski, lembra?), loucos para fazer fama e construir uma carreira prendendo um figur\u00e3o de Hollywood por seus excessos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O que importa nesse epis\u00f3dio \u00e9 que a m\u00eddia quer her\u00f3is e vil\u00f5es planos, bidimensionais, sem nuances e contradi\u00e7\u00f5es. A m\u00eddia quer uma imagem chapada, mais vend\u00e1vel para p\u00fablico e chamativa para a audi\u00eancia. E Roman Polanski \u00e9 uma figura dif\u00edcil de enquadrar no dicion\u00e1rio do xerife texano. \u00c9 um sobrevivente do holocausto, portanto um her\u00f3i. Mas \u00e9 um estrangeiro, judeu, intelectualizado, portanto um vil\u00e3o. Mas \u00e9 um cineasta, um homem das artes e do espet\u00e1culo, portanto um her\u00f3i. Mas faz filmes que chocam a moral, como \u201cO beb\u00ea de Rosemary\u201d, portanto \u00e9 um vil\u00e3o. Mas teve sua mulher barbaramente assassinada por um culto sat\u00e2nico, portanto \u00e9 uma v\u00edtima e um her\u00f3i. Mas teve rela\u00e7\u00f5es com uma adolescente, portanto \u00e9 um vil\u00e3o. Voltou ao ex\u00edlio e fez filmes de uma certa canastrice, que pareciam t\u00ea-lo alijado para sempre dos holofotes. At\u00e9 voltar com \u201cO Pianista\u201d, que lhe devolve a condi\u00e7\u00e3o de her\u00f3i. Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Procuramos com isso mostrar a necessidade de uma compreens\u00e3o mais matizada e nuan\u00e7ada dos filmes, da moral e da pol\u00edtica. As categorias de \u201cher\u00f3i\u201d e \u201cvil\u00e3o\u201d, bom e mal, \u00e0s vezes s\u00e3o \u00fateis na fic\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o servem para descrever a realidade. H\u00e1 que se considerar as conting\u00eancias. N\u00e3o \u00e9 porque os judeus hoje s\u00e3o carrascos que se pode esquecer que um dia foram v\u00edtimas. \u00c9 preciso dar a cada holocausto o seu devido contexto e lugar na hist\u00f3ria, nunca mistificar e anular um em nome do outro. Essa postura que s\u00f3 enxerga contrastes crus entre o bem e o mal \u00e9 mais pr\u00f3pria de pol\u00edticos que fazem suas carreiras perseguindo inimigos fict\u00edcios. Falaremos mais adiante sobre pol\u00edticos farsantes e inimigos fabricados.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">E finalmente, por falar em farsas, falemos de \u201cChicago\u201d, o filme que, como dissemos na introdu\u00e7\u00e3o, revela o \u201czeitgeist\u201d em que vivemos, o esp\u00edrito do tempo. A Academia soube reconhecer o trabalho mais bem afinado com as contradi\u00e7\u00f5es e peculiaridades da \u00e9poca atual. E \u00e9 essa afina\u00e7\u00e3o que constitui uma verdadeira obra de arte. A Academia foi s\u00e1bia em sua ignor\u00e2ncia. Na apoteose da farsa, ela nos mostra a realidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Naturalmente nada disso seria poss\u00edvel se o filme n\u00e3o fosse excelente do ponto de vista art\u00edstico. O principal, num filme musical, s\u00e3o, obviamente, as m\u00fasicas. Em \u201cMoulin Rouge\u201d o expediente foram sucessos rom\u00e2nticos da musica \u201cpop\u201d. Em \u201cChicago\u201d surgiram composi\u00e7\u00f5es originais que narram a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do filme. E s\u00e3o todas m\u00fasicas de grande apelo, \u201cgrudentas\u201d, que aderem \u00e0 mente com grande facilidade e nos fazem sair da sala de exibi\u00e7\u00e3o assobiando e contarolando alegremente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Para sustentar esse repert\u00f3rio, s\u00e3o necess\u00e1rios n\u00fameros de dan\u00e7a exuberantes, bem coreografados, bem executados, em cen\u00e1rios bem montados, com ritmo e edi\u00e7\u00e3o envolvente. Em \u201cChicago\u201d, os n\u00fameros musicais acontecem todos na mente de uma das protagonistas, a ing\u00eanua e ao mesmo tempo esperta Roxie Hart. (Ren\u00e9e Zellweger). Roxie vive num mundo de fantasia, onde tudo \u00e9 jazz e dan\u00e7a. Todos os eventos que se narram na hist\u00f3ria, sua descida ao inferno da pris\u00e3o, sua transforma\u00e7\u00e3o em celebridade, seu julgamento e sua consagra\u00e7\u00e3o final como vedete se transformam, por for\u00e7a de sua imagina\u00e7\u00e3o delirante, em n\u00fameros de valdeville, que s\u00e3o todo o conte\u00fado do filme.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roxie \u00e9 o eixo em torno do qual giram a tamb\u00e9m vedete e tamb\u00e9m assassina Velma (Caterine Zeta-Jones) e o advogado canastr\u00e3o Billy Flynn (Richard Gere), al\u00e9m de coadjuvantes interessantes como o marido Amos (John C. Reilly) e Mama Morton (Queen Latifah). Todos comp\u00f5em personagens simp\u00e1ticos e carism\u00e1ticos, com os quais \u00e9 f\u00e1cil se identificar e pelos quais se pode torcer com gosto.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A despeito disso, \u201cChicago\u201d e \u201cMoulin Rouge\u201d, ambos excelentes filmes, n\u00e3o v\u00e3o ressuscitar um g\u00eanero, ao contr\u00e1rio do que se tem afirmado. Assim como \u201cDan\u00e7a com Lobos\u201d e \u201cOs Imperdo\u00e1veis\u201d, tamb\u00e9m excelentes e premiados, n\u00e3o ressuscitaram o g\u00eanero bang-bang, o musical n\u00e3o vai ressurgir das cinzas. S\u00e3o g\u00eaneros mortos, que n\u00e3o dizem mais nada \u00e0 sensibilidade contempor\u00e2nea. Os exemplos citados s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es que confirmam a regra. Destacam-se pelo car\u00e1ter aberrante de terem sido feitos fora de sua \u00e9poca. S\u00e3o como curiosidades, como filmes de \u00e9poca, que vez por outra aparecem, falando de outros momentos, outros mundos, outros valores. Documentos inestim\u00e1veis, sem d\u00favida, entretenimento de qualidade, que o marketing contingente tenta explorar para criar onda e faturar uns d\u00f3lares.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A moral da hist\u00f3ria, em \u201cChicago\u201d \u00e9 na verdade imoral, pois diz que se pode sair livre de um assassinato. Basta ter charme e talento para inventar a hist\u00f3ria certa e carisma para carreg\u00e1-la. Criar um bom espet\u00e1culo \u00e9 a melhor maneira de esconder a verdade e chegar onde se quer. O espet\u00e1culo, em \u201cChicago\u201d, \u00e9 de alt\u00edssima qualidade. Bem diferente do espet\u00e1culo da pol\u00edtica mundial atualmente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A escolha de \u201cChicago\u201d como melhor filme pela Academia de Hollywood \u00e9 uma inadvertida confiss\u00e3o do car\u00e1ter farsesco do poder estadunidense. Em certo momento do filme se diz que o julgamento a que est\u00e3o sujeitas as protagonistas n\u00e3o passa de um circo. Que o mundo \u00e9 um grande circo. No circo, tudo que importa \u00e9 o deslumbramento. Atordoar o p\u00fablico com um espet\u00e1culo t\u00e3o exuberante que n\u00e3o lhe d\u00ea tempo para pensar. M\u00e1gicas, malabarismos, contorcionismos, acrobacias, em ritmo fren\u00e9tico. Um espet\u00e1culo atr\u00e1s do outro, para produzir vertigem e anestesiar a raz\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No circo do mundo, os m\u00e1gicos estadunidenses produzem truques atr\u00e1s de truques para atordoar a audi\u00eancia mundial. Como prestidigitadores de segunda que s\u00e3o, conseguem enganar apenas o seu p\u00fablico interno, que acredita em tudo que diz a televis\u00e3o. A crer na CNN, o Iraque estaria prestes a bombardear N.Y. com armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. O sucateado Iraque, enfraquecido por mais de uma d\u00e9cada de bloqueio e bombardeios, \u00e9 apresentado como uma nova vers\u00e3o do Imp\u00e9rio do Mal. O substituto da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que serviu de justificativa para a corrida armamentista dos anos 1980.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O p\u00fablico n\u00e3o-estadunidense sabe o quanto \u00e9 absurdo um tal discurso e quais os interesses que ele esconde. Sabe da necessidade urgente de revitalizar a economia estadunidense \u00e0s custas de petr\u00f3leo barato e verbas bilion\u00e1rias para a ind\u00fastria armamentista, cujos executivos ocupam, por \u201ccoincid\u00eancia\u201d, cargos no governo Bush. O filho do presidente, o caso mais mal-sucedido de sucess\u00e3o familiar de que se tem not\u00edcia na hist\u00f3ria, \u00e9 o palha\u00e7o-mor do circo. O palha\u00e7o entret\u00e9m a audi\u00eancia enquanto nos bastidores do espet\u00e1culo os art\u00edfices do sistema tratam de fazer a m\u00e1quina girar.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A personaliza\u00e7\u00e3o do conflito nas figuras de Bush e Saddam produz um clima de luta do bem contra o mal que esconde os reais interesses envolvidos. O p\u00fablico se ocupa em discutir quem \u00e9 o pior, o retardado mental ou o tirano grotesco. A m\u00eddia quer fazer deles os protagonistas do seu show de horrores. Entre indignada e enojada, a audi\u00eancia compra o ingresso \u00e0 for\u00e7a. Manchetes de revista e programas de TV proporcionam uma overdose de imagens de efeito e frases espetaculosas. Tudo sem a menor reflex\u00e3o e questionamento. Como os mestres do circo querem.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto o espet\u00e1culo de bombardeios e atrocidades continua, os mestres do circo contabilizam seus ganhos no tabuleiro de xadrez global. O imp\u00e9rio estadunidense, posto na defensiva pelo crescimento do movimento antiglobaliza\u00e7\u00e3o, tornou-se v\u00edtima por for\u00e7a de um providencial atentado em 11\/09\/2001. Justificado pelo atentado, o imp\u00e9rio declarou guerra ao \u201ceixo do mal\u201d do terrorismo, guerra sem-fim, que se auto-legitima e se autoriza automaticamente a cometer ataques preventivos e estrat\u00e9gicos. O imp\u00e9rio est\u00e1 na ofensiva. O mundo se levanta em protestos de rua, redescobrindo o pacifismo. O movimento antiglobaliza\u00e7\u00e3o se metamorfoseia em movimento contra a guerra. A guerra e a destrui\u00e7\u00e3o s\u00e3o essenciais ao sistema do capital, bem o sabem os executivos do governo Bush, digo, os magos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Magos que sabem como tirar coelhos da cartola. Coelhos n\u00e3o surgem do nada. assim como atentados terroristas. Assim como golpes de estado, que n\u00e3o surgem como raios em dia de c\u00e9u azul, diria Marx. Para bom entendedor, meia palavra basta. Chegamos assim ao ponto culminante da festa, digo da resenha, o momento de abrir os envelopes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E o Oscar vai para&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"ES-TRAD\">Osama bin Laden!!<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">Daniel M. Delfino<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">29\/03\/2003<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">P.S. Principais filmes mencionados:<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cO Pianista\u201d<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nome original: The pianist<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Fran\u00e7a, Alemanha, Inglaterra (UK), Pol\u00f4nia<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2002<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: ingl\u00eas, alem\u00e3o, russo<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Roman Polanski<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Wladyslaw Szpilman, Ronald Harwood<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Adrien Brody, Thomas Kretschmann, Frank Finlay, Maureen Lipman, Emilia Fox, Ed Stoppard, Julia Rayner, Jessica Kate Meyer, Michal Zebrowski<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 G\u00eanero: biografia, drama, m\u00fasica, guerra<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cChicago\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nome original: Chicago<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos, Alemanha<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2002<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: ingl\u00eas, h\u00fangaro<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Rob Marshall<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Maurine Dallas Watkins, Bob Fosse, Fred Ebb, Bill Condon<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Catherine Zeta-Jones, Ren\u00e9e Zellweger, Richard Gere, Dominic West, John C. Reilly, Taye Diggs, Cliff Saunders<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 G\u00eanero: musical, com\u00e9dia, crime, drama<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cGangues de Nova York\u201d<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Nome original: Gangs of New York<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos, Alemanha, It\u00e1lia, Inglaterra (UK), Holanda<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2002<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas, Irland\u00eas (Ga\u00e9lico)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Martin Scorsese<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Jay Cocks<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Elenco: Leonardo DiCaprio, Daniel Day-Lewis, Cameron Diaz, Jim Broadbent, John C. Reilly, Henry Thomas, Liam Neeson, Brendan Gleeson, Eddie Marsan, Larry Gilliard Jr.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: crime, drama, hist\u00f3ria<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cTiros em Columbine\u201d<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nome original: Bowling for Columbine<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Canad\u00e1, Estados Unidos, Alemanha<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2002<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Michael Moore<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Michael Moore<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Jacobo Arbenz, George Bush, George W. Bush, Charlton Heston, Marilyn Manson, Timothy McVeigh, Michael Moore, Mohammed Mossadegh, Dinh Diem Ngo, Terry Nichols, Manuel Noriega, Shah Mohammed Reza Pahlavi, Augusto Pinochet, Jeff Rossen, Matt Stone<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: document\u00e1rio<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>O OSCAR 2003 E O ESP&Iacute;RITO DO TEMPO<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6151,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31\/revisions\/6151"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}