{"id":3105,"date":"2014-06-25T21:40:16","date_gmt":"2014-06-26T00:40:16","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3105"},"modified":"2014-06-25T21:40:16","modified_gmt":"2014-06-26T00:40:16","slug":"brasil-entre-a-copa-e-a-luta-de-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/06\/brasil-entre-a-copa-e-a-luta-de-classes\/","title":{"rendered":"Brasil, entre a copa e a luta de classes"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\n@page { margin: 0.79in }\n\t\tP { margin-bottom: 0.08in }\n--><\/style>\n<p>O Brasil, em 2014, passa por um processo de lutas, que se seguiu ap\u00f3s as Jornadas de Junho, como h\u00e1 muitos anos n\u00e3o v\u00edamos.<\/p>\n<p>A importante greve dos garis do Rio de Janeiro tinha aberto uma conjuntura que se estendeu at\u00e9 o in\u00edcio da Copa, indicando o que estava por vir: mobiliza\u00e7\u00f5es de diversas categorias se espalharam pelo pa\u00eds: Greves dos Rodovi\u00e1rios; Metrovi\u00e1rios; Professores Federais e municipais; T\u00e9cnicos e funcion\u00e1rios de universidades dando \u00e0 din\u00e2mica das lutas at\u00e9 poucos dias antes um acontecimento (inter)nacional, a Copa.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 parte da resposta dada pela classe trabalhadora aos efeitos da crise econ\u00f4mica, um tanto abafada pela m\u00eddia com o evento da Copa do Mundo, mas que \u00e9 bastante sentida com o crescente redu\u00e7\u00e3o do poder de compra dos sal\u00e1rios, com o tamb\u00e9m crescente \u00edndice inflacion\u00e1rio (especialmente com o aumento de pre\u00e7o dos alimentos e alugu\u00e9is) e para os mais de 7 milh\u00f5es de desempregados no pa\u00eds, al\u00e9m dos amea\u00e7ados de desemprego nas montadoras com processos de f\u00e9rias coletivas e Lay-off.<\/p>\n<p>Essa conjuntura (momento) esteve marcada por mobiliza\u00e7\u00f5es que ao mesmo tempo contaram com certo n\u00edvel de radicaliza\u00e7\u00e3o \u2013 quando, em alguns casos, os trabalhadores se auto-organizaram de forma independente passando por cima das dire\u00e7\u00f5es sindicais, retomaram a pr\u00e1tica dos comandos de greve e desafiaram o desmando do Poder Judici\u00e1rio (que busca impor 70% de funcionamento das atividades durante a greve e multas exorbitantes aos sindicatos) \u2013 apesar de n\u00e3o terem conseguido conquistar as necess\u00e1rias reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nesses \u00faltimos dias, no entanto, houve um grande endurecimento por parte dos governos, patronal e Judici\u00e1rio e algumas derrotas com a demiss\u00e3o e a criminaliza\u00e7\u00e3o de trabalhadores, como no caso de Rodovi\u00e1rios e, principalmente, em Metrovi\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, em que, al\u00e9m das 42 demiss\u00f5es, o sindicato sofreu multa de mais de 500 mil reais e teve suas contas bloqueadas.<\/p>\n<p>Vemos tamb\u00e9m o endurecimento do governo Dilma com as greves dos T\u00e9cnicos das Universidades Federais (j\u00e1 h\u00e1 100 dias em greve) e dos professores dos Institutos T\u00e9cnicos Federais. O governo e a Justi\u00e7a burguesa judicializaram essas greves, amea\u00e7am os sindicatos com multas e os trabalhadores com o corte do ponto.<\/p>\n<p>O acordo do MTST com o governo Dilma para a inclus\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o Copa do Povo (pr\u00f3xima ao Itaquer\u00e3o) no plano diretor da cidade de S\u00e3o Paulo, se por um lado representa uma conquista parcial, por outro lado, n\u00e3o representa a inclus\u00e3o de outras ocupa\u00e7\u00f5es, como a Nova Palestina, maior da Am\u00e9rica Latina, e teve o efeito de n\u00e3o permitir a unifica\u00e7\u00e3o e o fortalecimento das mobiliza\u00e7\u00f5es de rua\u00a0CONTRA A COPA,\u00a0justamente no momento em que teriam mais visibilidade internacional.<br \/>\nPor outro lado, observar o movimento do governo Dilma para sustentar a burguesia \u2013 com a recomposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de sua margem de lucro como o novo \u201cpacote de bondades\u201d ao empresariado, isen\u00e7\u00e3o de tributos e incentivos ao capital financeiro, com gastos p\u00fablicos utilizados para o favorecimento de empreiteiras, com o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica e com financiamento da Copa do Mundo \u2013 indica o quanto a unidade das lutas dos trabalhadores se faz urgente para inverter esse processo desigual na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre os que produzem a riqueza e os que se apropriam da riqueza produzida.<\/p>\n<p>A necessidade do governo e da burguesia em manter o pa\u00eds sob controle do capital e a tentativa de impor ampliado Estado de Exce\u00e7\u00e3o (em que se une executivo, legislativo e judici\u00e1rio para impor a suspens\u00e3o, na pr\u00e1tica, do direito de greve; da liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o; busca e apreens\u00e3o em domic\u00edlio; pris\u00e3o para averigua\u00e7\u00e3o dos que est\u00e3o em luta; intensifica\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o do aparato repressivo, etc.) contra trabalhadores e manifestantes, nesse momento de Copa do Mundo, indicam o quanto o regime democr\u00e1tico burgu\u00eas \u00e9 utilizado para tentar derrotar qualquer luta da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o governo destina mais de 42% do or\u00e7amento para pagar uma d\u00edvida p\u00fablica que j\u00e1 foi paga v\u00e1rias vezes e n\u00e3o p\u00e1ra de aumentar, como mais uma forma de destinar o dinheiro p\u00fablico para o empresariado. Ou desvia fortunas para FIFA, com a Copa do Mundo, que sequer est\u00e1 pagando impostos, mas, imp\u00f5e leis, festas e destrui\u00e7\u00e3o cultural e n\u00e3o deixa nenhum retorno para o pa\u00eds, que seguir\u00e1 com suas imensas car\u00eancias.<\/p>\n<p>No entanto, apesar de um aumento do apego \u00e0 Copa, a partir de seu in\u00edcio, n\u00e3o temos um clima de festa (muitos ficam apenas esperando o dia de sair mais cedo e se livrar do trabalho) e otimismo com a realidade do pa\u00eds. Contamos com institui\u00e7\u00f5es desacreditadas, aprova\u00e7\u00e3o de governos em baixo, aumento da inten\u00e7\u00e3o de votos nulo nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, radicaliza\u00e7\u00e3o em greves, intensifica\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia em atos e manifesta\u00e7\u00f5es, aumento das ocupa\u00e7\u00f5es, etc.<\/p>\n<p>Assim, apesar de n\u00e3o estarmos na mesma conjuntura que se abriu com a greve dos Garis do Rio e se estendeu at\u00e9 o in\u00edcio da Copa, seguem havendo Atos em v\u00e1rias capitais e lutas importantes como a greve dos professores do Rio de Janeiro, as manifesta\u00e7\u00f5es de rua do MPL, principalmente em S\u00e3o Paulo, e mesmo do MTST por moradia. Continua e continuar\u00e1 havendo lutas. A indigna\u00e7\u00e3o popular, contida durante anos, e emergindo a partir de junho tem se expressado das mais diversas formas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a necessidade de criar o clima de medo, persegui\u00e7\u00e3o nas redes sociais e terrorismo policial nas ruas e periferias das grandes capitais t\u00eam sido sistem\u00e1ticas. \u00a0Bem como, a necessidade dos governistas de tentar barrar a luta direta por moradia popular com promessas aos movimentos.<\/p>\n<p>Tudo isso, ao mesmo tempo em que a extrema-direita nacionalista e a m\u00eddia burguesa buscam ocupar espa\u00e7os com discursos voltados para a juventude.<\/p>\n<p>Todo esse processo vivenciado no pa\u00eds aponta para a necessidade de fortalecermos e construirmos o enfrentamento do conjunto dos trabalhadores contra o projeto do governo e da burguesia.<\/p>\n<p>As tarefas centrais desse momento s\u00e3o: Em primeiro lugar, rompermos o cerco da m\u00eddia, com divulga\u00e7\u00e3o e apoio por todos os meios \u00e0s lutas e manifesta\u00e7\u00f5es existentes, desde aquelas nos locais de trabalho, as lutas por moradia, as manifesta\u00e7\u00f5es contra a Copa, as greves em curso e outras que venham a existir. Unificar as manifesta\u00e7\u00f5es, calend\u00e1rios de luta e divulga\u00e7\u00e3o de cartas abertas, etc.<\/p>\n<p>Segundo, precisamos realizar no movimento a\u00a0Campanha Pela Readmiss\u00e3o imediata dos Metrovi\u00e1rios e Rodovi\u00e1rios\u00a0demitidos a partir das greves. Formar Comit\u00ea de solidariedade e incluir nas pautas de todos os movimentos, realizarmos atos, etc., pois essas puni\u00e7\u00f5es s\u00e3o formas de dificultar novas lutas que enfrentem os governos e tribunais burgueses.<\/p>\n<p><a name=\"_GoBack\"><\/a>Terceiro, manter e fortalecer uma Campanha contra a repress\u00e3o, pelo direito de greve e de manifesta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da juventude, contra a criminaliza\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es, dos ativistas e contra a judicializa\u00e7\u00e3o das greves.<\/p>\n<p>Perspectivas para o Segundo Semestre: unificar as campanhas salariais, na perspectiva de uma greve geral!<\/p>\n<p>Nesse segundo semestre, temos as campanhas salariais de categorias como metal\u00fargicos, correios, banc\u00e1rios, petroleiros e \u00e9 importante que apontem uma nova possibilidade para a retomada e constru\u00e7\u00e3o das lutas. Para isso, \u00e9 preciso a auto-organiza\u00e7\u00e3o e processos de luta nos locais de trabalho que levem a supera\u00e7\u00e3o das burocracias sindicais, que est\u00e3o comprometidas em manter os lucros da patronal e a ordem para as elei\u00e7\u00f5es de outubro.<\/p>\n<p>Assim defendemos a unifica\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o das campanhas salariais dessas categorias e de outras lutas que venham a se colocar, com a possibilidade de uma Greve Geral para o segundo semestre.<\/p>\n<p>Para que essa possibilidade se concretize \u00e9 preciso a unifica\u00e7\u00e3o das lutas em torno de problemas comuns a toda a classe trabalhadora: perda do poder de compra do sal\u00e1rio, infla\u00e7\u00e3o,\u00a0aumento da explora\u00e7\u00e3o, do ass\u00e9dio moral nos locais de trabalho, da repress\u00e3o, da deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e das condi\u00e7\u00f5es de vida em geral.<\/p>\n<p>Obviamente, o chamado a uma greve geral, como ferramenta de unifica\u00e7\u00e3o das lutas, evidentemente n\u00e3o ser\u00e1 feito pelas dire\u00e7\u00f5es sindicais da CUT, For\u00e7a Sindical, CTB, UGT, etc. Essas dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o querem nenhum enfrentamento e poupam os governos (do PT, PSDB, PMDB, etc.) e a patronal, porque se beneficiam da situa\u00e7\u00e3o atual e\u00a0ap\u00f3iam\u00a0o poder da burguesia contra a luta dos trabalhadores.<\/p>\n<p>O chamado a greve geral sempre coube \u00e0s centrais sindicais antigovernistas, como Conlutas e Intersindical em conjunto com o MTST, o MPL e coletivos independentes, a fim de unificar trabalhadores e juventude em greve, ativistas em manifesta\u00e7\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es para equilibrar a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds a favor dos que lutam.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria a radicaliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora para barrar a radicaliza\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o e a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos de luta por direitos. \u00c9 necess\u00e1ria a unidade das lutas dos trabalhadores, juventude e ativistas contra o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica e utiliza\u00e7\u00e3o do dinheiro para os servi\u00e7os p\u00fablicos. \u00c9 necess\u00e1rio impor em campo a vit\u00f3ria dos que produzem a riqueza do pa\u00eds!<\/p>\n<p>&#8211; Contra a repress\u00e3o e a criminaliza\u00e7\u00e3o aos que lutam! Pelo direito de greve e de manifesta\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>&#8211; Pela readmiss\u00e3o dos trabalhadores Rodovi\u00e1rios e Metrovi\u00e1rios!<\/p>\n<p>&#8211; Pelo n\u00e3o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica e utiliza\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Moradia e transporte p\u00fablicos!<\/p>\n<p>&#8211; Unidade das lutas dos trabalhadores!<\/p>\n<p>&#8211; Contra o capitalismo, por uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o.\u00a0Por um Poder dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta! Por uma Sociedade Socialista!<\/p>\n<p>Espa\u00e7o Socialista,\u00a0 20 Junho 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil, em 2014, passa por um processo de lutas, que se seguiu ap\u00f3s as Jornadas de Junho, como h\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3105"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3105\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}