{"id":314,"date":"2011-12-14T11:42:20","date_gmt":"2011-12-14T11:42:20","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/314"},"modified":"2013-01-19T18:34:31","modified_gmt":"2013-01-19T20:34:31","slug":"2011-ampliacao-e-radicalizacao-das-lutas-e-rebelioes-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2011\/12\/2011-ampliacao-e-radicalizacao-das-lutas-e-rebelioes-no-mundo\/","title":{"rendered":"2011 \u2013 Amplia\u00e7\u00e3o e Radicaliza\u00e7\u00e3o das Lutas e Rebeli\u00f5es no Mundo"},"content":{"rendered":"<p><b style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/b><b style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Tahir_0.jpg \" width=\"400\" height=\"266\" \/><\/b><\/p>\n<p><b style=\"text-align: justify;\">\u00a0 O ano de 2011 marca sem d\u00favida uma nova situa\u00e7\u00e3o mundial<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em primeiro lugar, a nova situa\u00e7\u00e3o se manifesta pela amea\u00e7a constante do retorno \u00e0 recess\u00e3o mundial, haja visto que, mesmo ap\u00f3s 3 anos da eclos\u00e3o da crise de 2008 (a mais profunda desde 1929), a economia mundial n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o retomou os \u00edndices de crescimento anteriores, como enfrenta problemas cada vez maiores como o da \u201ccrise da d\u00edvida\u201d na zona do Euro e nos pr\u00f3prios EUA.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As tentativas iniciais dos analistas burgueses de dizer que \u201co pior ficou para tr\u00e1s\u201d, logo deram origem ao pessimismo e aos planos de ataques frontais aos trabalhadores, como congelamentos de sal\u00e1rios, aumento de idade para aposentadoria e cortes de verbas e demiss\u00f5es de funcion\u00e1rios da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hoje at\u00e9 mesmo setores da m\u00eddia burguesa reconhecem que n\u00e3o estamos diante de uma crise qualquer e que de fato estamos diante de algo maior do que uma simples recess\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De nossa parte, julgamos que na verdade o que essa crise traz \u00e0 tona s\u00e3o as contradi\u00e7\u00f5es estruturais do capital, combinados com a crise de um padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o pautado no recurso ao cr\u00e9dito como forma de suprir e alimentar de forma artificial uma demanda que se apresenta cada vez mais dif\u00edcil para dar vaz\u00e3o \u2013 a pre\u00e7os lucrativos \u2013 \u00e0 imensa capacidade produtiva instalada no mundo, devido ao enorme desenvolvimento tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma s\u00e9rie de problemas que o sistema vem acumulando desde os anos 80, como a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, que eliminou milh\u00f5es de postos de trabalho, o ataque direto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores, com o rebaixamento salarial, visando aumentar os lucros do empresariado, a exacerba\u00e7\u00e3o do endividamento como forma de alavancar o consumo, a restri\u00e7\u00e3o de barreiras ao capital, novos instrumentos financeiros como os derivativos, etc, enfim toda\u00a0 uma pir\u00e2mide financeira que cumpria ao mesmo tempo o papel de cobrar a maior remunera\u00e7\u00e3o poss\u00edvel tanto da parte das empresas como da parte dos Estados.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 2008 essa pir\u00e2mide financeira come\u00e7ou a desabar, amea\u00e7ando com a depress\u00e3o. Os Estados interviram maci\u00e7amente e de forma mais ou menos coordenada e impediram a depress\u00e3o naquele momento.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, em que pese todo esse operativo de salvamento, a economia at\u00e9 agora n\u00e3o apresenta sinais de recupera\u00e7\u00e3o de demanda privada real e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim as d\u00edvidas dos sistema financeiro foram incorporadas pelos Estados e repassadas \u00e0 sociedade (leia-se aos trabalhadores).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os Estado, por\u00e9m, tamb\u00e9m t\u00eam limites em seu potencial de endividamento. A partir de certo ponto, at\u00e9 mesmo os juros tornam-se impag\u00e1veis ou muito caros de serem rolados. Assim, sobrev\u00e9m a segunda etapa dessa crise, que tem sido marcada pela extrema dificuldade de v\u00e1rios pa\u00edses em conseguir vender no mercado seus t\u00edtulos e dessa forma pagar os juros imediatos, pelas dificuldades cada vez maiores de se conseguir pacotes de salva\u00e7\u00e3o de pa\u00edses e agora da pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e pela sua contrapartida direta, que s\u00e3o os ataques aos trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A crise econ\u00f4mica prossegue e entra num novo est\u00e1gio como uma poss\u00edvel crise banc\u00e1ria na Europa. Os grandes bancos franceses e alem\u00e3es carregam em suas carteiras cr\u00e9ditos impag\u00e1veis de pa\u00edses europeus perif\u00e9ricos (PIGS) e j\u00e1 come\u00e7am a entrar eles pr\u00f3prios na al\u00e7a de mira do\u00a0 implac\u00e1vel mecanismo de concentra\u00e7\u00e3o pelo qual os capitais mais fortes engolem os mais fracos. \u00c9 para salvar os bancos que entram em cena os planos do BCE e a imposi\u00e7\u00e3o de governos de tecnocratas (Monti na It\u00e1lia e Papademos na Gr\u00e9cia), praticamente nomeados pelo mercado financeiro, para aplicar as \u201cmedidas de austeridade\u201d contra os trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, o per\u00edodo que se abriu em 2008 se enquadra e ao mesmo tempo expressa uma crise maior, uma crise estrutural que se abriu a partir do \u00edn\u00edcio dos anos 70 e de l\u00e1 para c\u00e1 vem se arrastando e passando por fases e ciclos diversos. Al\u00e9m dos ciclos j\u00e1 analisados por Marx, alguns analistas chamam a aten\u00e7\u00e3o para as chamadas ondas longas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, n\u00e3o temos um novo per\u00edodo de crescimento sustent\u00e1vel mas um pequeno ciclo de 4-5 anos com uma ligeira recupera\u00e7\u00e3o e que no entanto j\u00e1 apresenta sinais de um novo agravamento da situa\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos 1 ou 2 anos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A express\u00e3o do novo \u00e9 a Rea\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante disso, a resist\u00eancia dos trabalhadores e da juventude deu um salto e se colocou como o elemento mais din\u00e2mico a ser enfrentado pelo sistema e seus agentes. Isso porque s\u00e3o empecilhos diretos para a aplica\u00e7\u00e3o do receitu\u00e1rio do capital que necessita de um aumento brutal do n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores a fim de poder contornar sua crise.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tem havido importantes mobiliza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores em muitos pa\u00edses, mas o foco mais ativo ainda est\u00e1 na juventude. Em geral s\u00e3o os jovens desempregados que marcham nas ruas dos pa\u00edses \u00e1rabes e ocupam as pra\u00e7as na Europa e Estados Unidos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No interior da classe trabalhadora, s\u00e3o os funcion\u00e1rios p\u00fablicos e de empresas estatais que tem encabe\u00e7ado as mobiliza\u00e7\u00f5es e greves gerais na Gr\u00e9cia, Espanha, It\u00e1lia, Portugal, e agora tamb\u00e9m na Inglaterra.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A classe oper\u00e1ria dos pa\u00edses centrais ainda n\u00e3o se colocou em movimento com mais peso devido ao papel nefasto das suas dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais, organicamente integradas ao Estado burgu\u00eas imperialista e co-gestora das empresas ao lado da patronal. As greves gerais, por mais massivas e importantes, s\u00e3o conduzidas burocraticamente como v\u00e1lvulas de escape, n\u00e3o como forma de luta consequente para derrotar de fato os ataques. S\u00e3o greves de um dia de dura\u00e7\u00e3o, sem a perspectiva de continuidade, sem auto-organiza\u00e7\u00e3o e f\u00f3runs de decis\u00e3o que rompam o controle da burocracia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m das greves gerais na Gr\u00e9cia, na Espanha e na It\u00e1lia, al\u00e9m da rebeli\u00e3o da juventude de periferia de Londres, tivemos os rebeli\u00f5es\/revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas no norte da \u00c1frica, na Tun\u00edsia, no Egito, na L\u00edbia e na S\u00edria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse processo, tamb\u00e9m chamado de \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d, ainda est\u00e1 em aberto, porque n\u00e3o se trata apenas de uma luta na esfera da pol\u00edtica contra ditadores que se tornaram odiados. A origem do processo est\u00e1 nas conseq\u00fc\u00eancias sociais da crise econ\u00f4mica internacional. Os povos \u00e1rabes se colocaram em luta devido ao desemprego em massa, que afeta principalmente a imensa popula\u00e7\u00e3o de jovens desses pa\u00edses, e \u00e0 carestia, em especial o aumento do pre\u00e7o dos alimentos. Essa situa\u00e7\u00e3o material estrutural n\u00e3o mudou com a troca dos dirigentes do Estado, portanto as lutas devem continuar.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por mais contradi\u00e7\u00f5es que haja nesses processos, principalmente a partir da L\u00edbia, onde o imperialismo passou a jogar um papel direto de interven\u00e7\u00e3o militar, interferindo nos seus rumos, a a\u00e7\u00e3o direta das massas populares tem sido o elemento definidor, embora com muitas e problem\u00e1ticas\u00a0 media\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Primavera \u00c1rabe representa uma libera\u00e7\u00e3o de energias dos trabalhadores e a partir de agora sua entrada em um confronto mais direto com o capitalismo e n\u00e3o apenas contra regimes ditatoriais das elites locais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em especial \u00e9 importante observar o caso do Egito, em que a popula\u00e7\u00e3o permaneceu mobilizada e desenvolveu formas de resist\u00eancia que fizeram com que, 10 meses depois da queda de Mubarak, voltassem a se colocar em luta contra a junta militar. O caso dos trabalhadores portu\u00e1rios que se recusaram a receber uma carga de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo vinda dos EUA, e seu reconhecimento pela popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 emblem\u00e1tico dessa resist\u00eancia e avan\u00e7o da consci\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O caso do Egito \u00e9 aquele em que a perman\u00eancia das lutas e o processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora \u00e9 maior e mais ativo, mas em todos aqueles pa\u00edses tendem a surgir e se desenvolver processos de mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores potencializados pelo agravamento das suas condi\u00e7\u00f5es de vida. Os\u00a0 problemas sociais que estiveram na raiz dessas rebeli\u00f5es\/revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o v\u00e3o se resolver apenas com a democratiza\u00e7\u00e3o burguesa e muito parcial daqueles pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 At\u00e9 mesmo na Am\u00e9rica Latina temos visto lutas com car\u00e1ter diferenciado. No Chile a juventude protagonizou ao longo de praticamente todo o ano uma luta massiva e radicalizada em defesa da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, contando com apoio de importantes categorias e greves de solidariedade, mas trata-se de uma demanda (ainda reformista) que nenhuma burguesia nacional \u00e9 capaz de conceder, dentro do marco geral da crise estrutural. Na Bol\u00edvia trabalhadores t\u00eam tido a necessidade de se organizar e fazer greves diretamente contra o governo de Evo Morales. O mesmo ocorre na Venezuela, onde os questionamentos ao projeto de Chaves come\u00e7am a ocorrer pela esquerda, embora em menor intensidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso porque esses governos n\u00e3o representam alternativas de ruptura com\u00a0 o capitalismo, no m\u00e1ximo mais uma forma de administra\u00e7\u00e3o do capital pela burocracia de Estado e do ex\u00e9rcito, submetida aos limites da propriedade privada e da seguran\u00e7a para o capital que opera nesses pa\u00edses. Em um contexto de crise e de acirramento das contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo, as propostas de conviv\u00eancia e concilia\u00e7\u00e3o com o capital s\u00f3 podem levar a choques diretos com os trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Avan\u00e7os e Limites dos movimentos como Indignados e Occupy Wall Street<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos \u00faltimos meses t\u00eam ganho for\u00e7a movimentos como os Indignados na Espanha e o Occupy Wall Street nos EUA. De certa forma representam o ressurgimento, no contexto da crise, dos movimentos antiglobaliza\u00e7\u00e3o que chamaram a aten\u00e7\u00e3o no final dos anos 90\/in\u00edcio dos anos 2000. No entanto, em que pese sua semelhan\u00e7a, h\u00e1 tamb\u00e9m diferen\u00e7as importantes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os movimentos antiglobaliza\u00e7\u00e3o restringiam-se aos dias das reuni\u00f5es dos organismos internacionais do capital (OMC, G-8, FMI, Banco Mundial, etc), enquanto os atuais tendem a buscar maior perman\u00eancia no tempo e a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos, de modo a chamar a aten\u00e7\u00e3o e criar espa\u00e7os alternativos de debate e conviv\u00eancia. Al\u00e9m disso, seus alvos s\u00e3o mais diretos, como as pra\u00e7as financeiras e corpora\u00e7\u00f5es e colocam no centro de sua cr\u00edtica o fato de que o Estado est\u00e1 utilizando do dinheiro p\u00fablico para a salva\u00e7\u00e3o de bancos e corpora\u00e7\u00f5es\u00a0 que correspondem a 1% da popula\u00e7\u00e3o enquanto os outros 99% s\u00e3o deixados \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As mobiliza\u00e7\u00f5es que se espalharam pelo mundo em 2011, aquelas que partem mais da iniciativa da juventude do que da burocracia sindical, podem ser o espa\u00e7o para o surgimento de embri\u00f5es de novas formas de organiza\u00e7\u00e3o da classe, \u00e0s quais os revolucion\u00e1rios devem estar atentos, como assembleias, comit\u00eas, redes sociais, m\u00eddia alternativa, que podem se converter em espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o e oferecer possibilidades novas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, em que pese esses avan\u00e7os ocorridos, frutos sem d\u00favida do novo contexto mundial p\u00f3s-crise de 2008, com o desemprego e corte das verbas para os servi\u00e7os p\u00fablicos diretamente nos pa\u00edses centrais, h\u00e1 ainda defasagens importantes que dever\u00e3o ser superadas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entre elas est\u00e1 o fato de que esses movimentos n\u00e3o colocam como seu alvo o sistema capitalista como um todo, mas apenas suas partes mais diretamente beneficiadas com a ajuda dos governos, como os bancos e o sistema financeiro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por\u00e9m a crise que o mundo atravessa n\u00e3o \u00e9 financeira (apenas) e sim da economia como um todo, \u00e9 uma crise societal em termos estruturais. A falta desse diagn\u00f3stico mais profundo encontra correspond\u00eancia no fato de que esses movimentos n\u00e3o apresentam uma proposta de sociedade alternativa ao capitalismo, ficando como uma nega\u00e7\u00e3o difusa dos valores consumistas do mercado, do sistema financeiro e das corpora\u00e7\u00f5es. Isso abre espa\u00e7o para que esses movimentos possam ser assimilados ou reprimidos, a partir do momento em que n\u00e3o consigam se colocar como alternativas concretas de a\u00e7\u00e3o para o conjunto dos trabalhadores, \u00fanica for\u00e7a social capaz de dar sustenta\u00e7\u00e3o a qualquer proposta de supera\u00e7\u00e3o positiva do capital.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para afetar de fato o sistema e ao mesmo tempo mudar a l\u00f3gica de funcionamento da sociedade, colocando em seu lugar um novo modelo de sociedade, \u00e9 preciso que os trabalhadores apontem para o questionamento e supera\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio modo de produ\u00e7\u00e3o da riqueza social: as rela\u00e7\u00f5es capitalistas de produ\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o as ra\u00edzes da forma de distribui\u00e7\u00e3o e de funcionamento da economia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As propostas comportamentalistas expressas por esses movimentos s\u00e3o demandas necess\u00e1rias e muitas vezes menosprezadas pela esquerda, como o combate ao consumismo, a busca de uma rela\u00e7\u00e3o humana em equil\u00edbrio com o ambiente, o combate \u00e0 hierarquia burocr\u00e1tica imposta pelas dire\u00e7\u00f5es de muitos movimentos e partidos, mesmo de esquerda, a busca por rela\u00e7\u00f5es igualit\u00e1rias entre os g\u00eaneros e etnias, a retomada das identidades culturais, etc. S\u00e3o tra\u00e7os muito positivos que devem ser assimilados pelos movimentos dos trabalhadores e socialistas se quisermos realmente batalhar por uma revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, \u00e9 preciso afirmar que essas demandas s\u00f3 podem ser de fato conquistadas se se expandirem em n\u00edvel geral e n\u00e3o apenas numa pequena vanguarda, por mais esclarecida que seja.\u00a0\u00a0 Isso exige uma revolu\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00e3o gerais da sociedade e na sua l\u00f3gica de funcionamento e n\u00e3o apenas uma mudan\u00e7a nas ideias e comportamentos \u00e9ticos, o que exige a contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem capitalista e suas institui\u00e7\u00f5es, pois a raiz de de todas as formas de aliena\u00e7\u00e3o est\u00e1 na produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, na rela\u00e7\u00e3o alienada dos produtores com o seu trabalho.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O desafio \u00e9 que esses movimentos busquem se ligar aos trabalhadores e suas lutas avan\u00e7ando ao mesmo tempo para defini\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas mais diretas contra os governos por uma alternativa de sociedade ao capitalismo como um todo. A falta de uma defini\u00e7\u00e3o socialista e revolucion\u00e1ria custa caro nos dias atuais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se esses movimentos ficarem restritos \u00e0 propaganda comportamental e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os delimitados, podem se esgotar e serem reprimidos ou destru\u00eddos devido ao desgaste e banaliza\u00e7\u00e3o, ou mesmo assimilados pelo sistema, como mais uma forma ou momento poss\u00edvel de vida para alguns, desde que n\u00e3o afete os pressupostos estruturais da produ\u00e7\u00e3o voltada para o maior lucro poss\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Brasil tamb\u00e9m entra em um novo momento. Dilma mostra a que veio.\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No caso do Brasil, ao contr\u00e1rio do restante do mundo, os bancos ainda n\u00e3o est\u00e3o sendo questionados. Ao inv\u00e9s disso, a \u201ccidadania do cr\u00e9dito\u201d (ou seja, o endividamento em massa dos trabalhadores) tem sido a fiadora da estabilidade do governo Dilma\/PT\/PMDB, pois a garantia do acesso ao consumo tem sido a miragem que faz com que os trabalhadores suportem o aumento da explora\u00e7\u00e3o e a deteriora\u00e7\u00e3o das suas condi\u00e7\u00f5es de vida, que tem como um dos seus aspectos o sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, \u00e0s custas do ataque sistem\u00e1tico aos trabalhadores do setor p\u00fablico e das estatais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Brasil n\u00e3o est\u00e1 fora da realidade mundial, como os governos e a m\u00eddia tentavam veicular. Agora, governos, empres\u00e1rios e a grande m\u00eddia substituem o discurso cinicamente ufanista por um outro aparentemente mais \u201crespons\u00e1vel\u201d de que o pa\u00eds deve se preparar para a crise que se aproxima novamente. Por\u00e9m essa prepara\u00e7\u00e3o na verdade se traduz pela imposi\u00e7\u00e3o por parte da burguesia de uma s\u00e9rie de ataques aos trabalhadores, de modo que se possa dilu\u00ed-los ao longo do tempo, com apoio das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas como PT, CUT, CTB, UNE, e assim tentar diminuir o impacto e a resist\u00eancia dos trabalhadores \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o de seu n\u00edvel de vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essas medidas de antecipa\u00e7\u00e3o\/adequa\u00e7\u00e3o s\u00e3o duras e representam uma mudan\u00e7a de ritmos de ataques com rela\u00e7\u00e3o aos anos anteriores.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esses ataques t\u00eam levado a que tamb\u00e9m no Brasil tenhamos visto em 2011 um ano de mais e maiores lutas dos trabalhadores. Greves como nas obras do PAC, dos transportes, trens e \u00f4nibus, correios, banc\u00e1rios, professores em v\u00e1rios estados. No caso da juventude, v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es como greves e ocupa\u00e7\u00f5es de reitorias foram retomadas, com destaque para a ocupa\u00e7\u00e3o e greve dos estudantes na USP contra a perman\u00eancia da pol\u00edcia no campus e sua fun\u00e7\u00e3o de repress\u00e3o, que est\u00e1 a servi\u00e7o de manter um projeto que est\u00e1 levando cada vez mais \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o da universidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A n\u00e3o exist\u00eancia de um instrumento de organiza\u00e7\u00e3o mais amplo, a partir do fracasso do Conclat em 2010, mesmo com os problemas e limites que uma nova central unit\u00e1ria teria, cobrou seu pre\u00e7o em 2011, pois ainda que a CSP-Conlutas tenha tido um papel importante em algumas lutas, a sua a\u00e7\u00e3o esteve muito aqu\u00e9m do que seria necess\u00e1rio para enfrentar a burguesia e o governo e lutar contra o controle da burocracia sobre o movimento.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Devemos batalhar pela unidade da esquerda e pela constru\u00e7\u00e3o de f\u00f3runs de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 burocracia sindical, estudantil e dos movimentos sociais, que encaminhem a\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias, lutas e campanhas pol\u00edticas inter-categorias.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Devemos reativar a proposta de um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores, que coloque em pauta uma alternativa socialista contra a crise. Esse Movimento deve se consolidar na luta, a partir da base, e pode ser o ponto de partida para uma participa\u00e7\u00e3o classista, socialista e revolucion\u00e1ria nas elei\u00e7\u00f5es, ainda que o seu objetivo deva ir al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As lutas apontam melhores condi\u00e7\u00f5es e novos desafios para a interven\u00e7\u00e3o socialista.\u00a0 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, o elemento novo que tem surgido cada vez com mais for\u00e7a \u00e9 a resist\u00eancia dos trabalhadores nos centros do capital, particularmente na Europa, com as greves gerais e manifesta\u00e7\u00f5es na Gr\u00e9cia, na Espanha, na It\u00e1lia, e agora iniciando-se nos EUA com as ocupa\u00e7\u00f5es, irradiando-se para outras pa\u00edses, colocando cada vez mais a luta de classes em uma arena mundial.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Permanece a crise de alternativas socialistas, com a dificuldade dos trabalhadores encontrarem respostas pela positiva \u00e0 crise. Em geral os movimentos t\u00eam estado limitados ainda \u00e0 nega\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia \u00e0s pol\u00edticas do capital de utilizar o dinheiro p\u00fablico para salvar o empresariado, cortando dos trabalhadores. N\u00e3o aparece ainda alguma alternativa de massas pela positiva. Isso \u00e9 reflexo de que estamos ainda em um momento inicial das lutas nesta nova etapa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O setor oper\u00e1rio-industrial da classe trabalhadora ainda n\u00e3o se incorporou os processos de luta mesmo nos pa\u00edses centrais, isso porque at\u00e9 agora o capital tem conseguido a duras penas impedir a recess\u00e3o global ou mesmo uma depress\u00e3o que obrigasse a entrada em a\u00e7\u00e3o direta dos destacamentos mais concentrados e poderosos da classe trabalhadora em defesa de seus empregos e condi\u00e7\u00f5es de vida. Prevalece ainda uma l\u00f3gica extremamente competitiva entre as economias e empresas (e tamb\u00e9m entre os trabalhadores) a partir de amea\u00e7as da patronal de deslocamentos de empresas e ramos inteiros para pa\u00edses com melhores condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o. Isso deixa os trabalhadores na defensiva.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A economia como um todo permanece em ritmo lento de crescimento, tendendo \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o ou mesmo \u00e0 recess\u00e3o, que tem sido parcialmente contrabalanceada pelo desempenho das economias dos pa\u00edses perif\u00e9ricos (entre eles os chamados BRIC&#8217;s). No entanto, essas economias que at\u00e9 aqui t\u00eam sustentado altas taxas de crescimento (comparadas aos pa\u00edses centrais) tamb\u00e9m apresentam limites. Com a dificuldade das economias centrais se recuperarem e um poss\u00edvel novo momento da crise, o crescimento dos pa\u00edses perif\u00e9ricos tende a diminuir, colocando uma nova situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao se recolocarem em movimento, os trabalhadores criam melhores condi\u00e7\u00f5es para que possam voltar a se enxergarem como classe, enfrentando os mesmo inimigos em terreno mundial. Ao mesmo tempo em que aumentam os desafios, devido \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o com as for\u00e7as de repress\u00e3o do Estado e com os movimentos de ultra-direita. Em v\u00e1rios pa\u00edses, e tamb\u00e9m no Brasil, a direita tem se organizado, com a\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter proto-fascista, agress\u00f5es racistas, xen\u00f3fobas, homof\u00f3bicas, viol\u00eancia contra a mulher. Al\u00e9m disso, o Estado de modo geral tem se tornado mais autorit\u00e1rio, criminalizando e reprimindo greves, ocupa\u00e7\u00f5es, piquetes, manifesta\u00e7\u00f5es, a\u00e7\u00f5es diretas e formas de diverg\u00eancia pol\u00edtica que partem dos trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Apesar desse aspecto negativo de reorganiza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de direita, melhoram as condi\u00e7\u00f5es para que os trabalhadores comecem a se reconhecer como\u00a0 uma classe em si, com interesses semelhantes ou que se combinam nos v\u00e1rios pa\u00edses, enfrentando os\u00a0 mesmos inimigos em escala global: o capital e seus agentes, sejam as burguesias dos diversos pa\u00edses e os organismos internacionais, sejam as institui\u00e7\u00f5es do Estado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O trabalho de impulsionar as formas concretas de luta dos trabalhadores e da juventude deve ser combinada com a forma\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de base nos locais de trabalho e de estudo. A luta por buscar elevar o n\u00edvel de consci\u00eancia dos trabalhadores, buscando elucidar os nexos entre os problemas concretos e sua l\u00f3gica, que \u00e9 geral, e a busca pela reconstru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e pr\u00e1tica do projeto socialista, s\u00e3o os desafios colocados para o(s) pr\u00f3ximo(s) ano(s).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Estado e a burguesia ainda t\u00eam muitos recursos para administrar a crise e oferecer alternativas por dentro do sistema. Os revolucion\u00e1rios precisam apresentar a alternativa socialista de forma mais concreta, refor\u00e7ando a propaganda do socialismo, explicando a todo momento como seria uma sociedade em que os trabalhadores controlam a produ\u00e7\u00e3o e a colocam a servi\u00e7o das necessidades humanas, em rela\u00e7\u00e3o equilibrada com o ambiente, etc. \u00c9 importante oferecer essa perspectiva, ainda que no plano da propaganda, para mostrar que existe sim uma alternativa concreta ao capital.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que h\u00e1 uma nova situa\u00e7\u00e3o mundial que coloca mais tarefas e desafios mas tamb\u00e9m melhores possibilidade de se retomar a agita\u00e7\u00e3o, propaganda e organiza\u00e7\u00e3o em torno da id\u00e9ias e propostas socialistas-revolucion\u00e1rias. O ano de 2011 confirma isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<b style=\"text-align: justify; \"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/b><b style=\"text-align: justify; \">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"400\" height=\"266\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Tahir_0.jpg \" \/><\/b><\/p>\n<p><b style=\"text-align: justify; \">&nbsp; O ano de 2011 marca sem d&uacute;vida uma nova situa&ccedil;&atilde;o mundial<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em primeiro lugar, a nova situa&ccedil;&atilde;o se manifesta pela amea&ccedil;a constante do retorno &agrave; recess&atilde;o mundial, haja visto que, mesmo ap&oacute;s 3 anos da eclos&atilde;o da crise de 2008 (a mais profunda desde 1929), a economia mundial n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o retomou os &iacute;ndices de crescimento anteriores, como enfrenta problemas cada vez maiores como o da &ldquo;crise da d&iacute;vida&rdquo; na zona do Euro e nos pr&oacute;prios EUA. <o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As tentativas iniciais dos analistas burgueses de dizer que &ldquo;o pior ficou para tr&aacute;s&rdquo;, logo deram origem ao pessimismo e aos planos de ataques frontais aos trabalhadores, como congelamentos de sal&aacute;rios, aumento de idade para aposentadoria e cortes de verbas e demiss&otilde;es de funcion&aacute;rios da sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicas.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Hoje at&eacute; mesmo setores da m&iacute;dia burguesa reconhecem que n&atilde;o estamos diante de uma crise qualquer e que de fato estamos diante de algo maior do que uma simples recess&atilde;o.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De nossa parte, julgamos que na verdade o que essa crise traz &agrave; tona s&atilde;o as contradi&ccedil;&otilde;es estruturais do capital, combinados com a crise de um padr&atilde;o de acumula&ccedil;&atilde;o pautado no recurso ao cr&eacute;dito como forma de suprir e alimentar de forma artificial uma demanda que se apresenta cada vez mais dif&iacute;cil para dar vaz&atilde;o &ndash; a pre&ccedil;os lucrativos &ndash; &agrave; imensa capacidade produtiva instalada no mundo, devido ao enorme desenvolvimento tecnol&oacute;gico.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma s&eacute;rie de problemas que o sistema vem acumulando desde os anos 80, como a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, que eliminou milh&otilde;es de postos de trabalho, o ataque direto &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de vida dos trabalhadores, com o rebaixamento salarial, visando aumentar os lucros do empresariado, a exacerba&ccedil;&atilde;o do endividamento como forma de alavancar o consumo, a restri&ccedil;&atilde;o de barreiras ao capital, novos instrumentos financeiros como os derivativos, etc, enfim toda&nbsp; uma pir&acirc;mide financeira que cumpria ao mesmo tempo o papel de cobrar a maior remunera&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel tanto da parte das empresas como da parte dos Estados.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 2008 essa pir&acirc;mide financeira come&ccedil;ou a desabar, amea&ccedil;ando com a depress&atilde;o. Os Estados interviram maci&ccedil;amente e de forma mais ou menos coordenada e impediram a depress&atilde;o naquele momento.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, em que pese todo esse operativo de salvamento, a economia at&eacute; agora n&atilde;o apresenta sinais de recupera&ccedil;&atilde;o de demanda privada real e sustent&aacute;vel. <o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim as d&iacute;vidas dos sistema financeiro foram incorporadas pelos Estados e repassadas &agrave; sociedade (leia-se aos trabalhadores).<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os Estado, por&eacute;m, tamb&eacute;m t&ecirc;m limites em seu potencial de endividamento. A partir de certo ponto, at&eacute; mesmo os juros tornam-se impag&aacute;veis ou muito caros de serem rolados. Assim, sobrev&eacute;m a segunda etapa dessa crise, que tem sido marcada pela extrema dificuldade de v&aacute;rios pa&iacute;ses em conseguir vender no mercado seus t&iacute;tulos e dessa forma pagar os juros imediatos, pelas dificuldades cada vez maiores de se conseguir pacotes de salva&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;ses e agora da pr&oacute;pria Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e pela sua contrapartida direta, que s&atilde;o os ataques aos trabalhadores.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A crise econ&ocirc;mica prossegue e entra num novo est&aacute;gio como uma poss&iacute;vel crise banc&aacute;ria na Europa. Os grandes bancos franceses e alem&atilde;es carregam em suas carteiras cr&eacute;ditos impag&aacute;veis de pa&iacute;ses europeus perif&eacute;ricos (PIGS) e j&aacute; come&ccedil;am a entrar eles pr&oacute;prios na al&ccedil;a de mira do&nbsp; implac&aacute;vel mecanismo de concentra&ccedil;&atilde;o pelo qual os capitais mais fortes engolem os mais fracos. &Eacute; para salvar os bancos que entram em cena os planos do BCE e a imposi&ccedil;&atilde;o de governos de tecnocratas (Monti na It&aacute;lia e Papademos na Gr&eacute;cia), praticamente nomeados pelo mercado financeiro, para aplicar as &ldquo;medidas de austeridade&rdquo; contra os trabalhadores.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o per&iacute;odo que se abriu em 2008 se enquadra e ao mesmo tempo expressa uma crise maior, uma crise estrutural que se abriu a partir do &iacute;n&iacute;cio dos anos 70 e de l&aacute; para c&aacute; vem se arrastando e passando por fases e ciclos diversos. Al&eacute;m dos ciclos j&aacute; analisados por Marx, alguns analistas chamam a aten&ccedil;&atilde;o para as chamadas ondas longas.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, n&atilde;o temos um novo per&iacute;odo de crescimento sustent&aacute;vel mas um pequeno ciclo de 4-5 anos com uma ligeira recupera&ccedil;&atilde;o e que no entanto j&aacute; apresenta sinais de um novo agravamento da situa&ccedil;&atilde;o para os pr&oacute;ximos 1 ou 2 anos.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A express&atilde;o do novo &eacute; a Rea&ccedil;&atilde;o dos Trabalhadores <o:p><\/o:p><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante disso, a resist&ecirc;ncia dos trabalhadores e da juventude deu um salto e se colocou como o elemento mais din&acirc;mico a ser enfrentado pelo sistema e seus agentes. Isso porque s&atilde;o empecilhos diretos para a aplica&ccedil;&atilde;o do receitu&aacute;rio do capital que necessita de um aumento brutal do n&iacute;vel de explora&ccedil;&atilde;o sobre os trabalhadores a fim de poder contornar sua crise.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem havido importantes mobiliza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores em muitos pa&iacute;ses, mas o foco mais ativo ainda est&aacute; na juventude. Em geral s&atilde;o os jovens desempregados que marcham nas ruas dos pa&iacute;ses &aacute;rabes e ocupam as pra&ccedil;as na Europa e Estados Unidos.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No interior da classe trabalhadora, s&atilde;o os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos e de empresas estatais que tem encabe&ccedil;ado as mobiliza&ccedil;&otilde;es e greves gerais na Gr&eacute;cia, Espanha, It&aacute;lia, Portugal, e agora tamb&eacute;m na Inglaterra.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A classe oper&aacute;ria dos pa&iacute;ses centrais ainda n&atilde;o se colocou em movimento com mais peso devido ao papel nefasto das suas dire&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sindicais, organicamente integradas ao Estado burgu&ecirc;s imperialista e co-gestora das empresas ao lado da patronal. As greves gerais, por mais massivas e importantes, s&atilde;o conduzidas burocraticamente como v&aacute;lvulas de escape, n&atilde;o como forma de luta consequente para derrotar de fato os ataques. S&atilde;o greves de um dia de dura&ccedil;&atilde;o, sem a perspectiva de continuidade, sem auto-organiza&ccedil;&atilde;o e f&oacute;runs de decis&atilde;o que rompam o controle da burocracia.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al&eacute;m das greves gerais na Gr&eacute;cia, na Espanha e na It&aacute;lia, al&eacute;m da rebeli&atilde;o da juventude de periferia de Londres, tivemos os rebeli&otilde;es\/revolu&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas no norte da &Aacute;frica, na Tun&iacute;sia, no Egito, na L&iacute;bia e na S&iacute;ria.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse processo, tamb&eacute;m chamado de &ldquo;Primavera &Aacute;rabe&rdquo;, ainda est&aacute; em aberto, porque n&atilde;o se trata apenas de uma luta na esfera da pol&iacute;tica contra ditadores que se tornaram odiados. A origem do processo est&aacute; nas conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais da crise econ&ocirc;mica internacional. Os povos &aacute;rabes se colocaram em luta devido ao desemprego em massa, que afeta principalmente a imensa popula&ccedil;&atilde;o de jovens desses pa&iacute;ses, e &agrave; carestia, em especial o aumento do pre&ccedil;o dos alimentos. Essa situa&ccedil;&atilde;o material estrutural n&atilde;o mudou com a troca dos dirigentes do Estado, portanto as lutas devem continuar.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por mais contradi&ccedil;&otilde;es que haja nesses processos, principalmente a partir da L&iacute;bia, onde o imperialismo passou a jogar um papel direto de interven&ccedil;&atilde;o militar, interferindo nos seus rumos, a a&ccedil;&atilde;o direta das massas populares tem sido o elemento definidor, embora com muitas e problem&aacute;ticas&nbsp; media&ccedil;&otilde;es.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Primavera &Aacute;rabe representa uma libera&ccedil;&atilde;o de energias dos trabalhadores e a partir de agora sua entrada em um confronto mais direto com o capitalismo e n&atilde;o apenas contra regimes ditatoriais das elites locais.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em especial &eacute; importante observar o caso do Egito, em que a popula&ccedil;&atilde;o permaneceu mobilizada e desenvolveu formas de resist&ecirc;ncia que fizeram com que, 10 meses depois da queda de Mubarak, voltassem a se colocar em luta contra a junta militar. O caso dos trabalhadores portu&aacute;rios que se recusaram a receber uma carga de g&aacute;s lacrimog&ecirc;neo vinda dos EUA, e seu reconhecimento pela popula&ccedil;&atilde;o, &eacute; emblem&aacute;tico dessa resist&ecirc;ncia e avan&ccedil;o da consci&ecirc;ncia.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O caso do Egito &eacute; aquele em que a perman&ecirc;ncia das lutas e o processo de reorganiza&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora &eacute; maior e mais ativo, mas em todos aqueles pa&iacute;ses tendem a surgir e se desenvolver processos de mobiliza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores potencializados pelo agravamento das suas condi&ccedil;&otilde;es de vida. Os&nbsp; problemas sociais que estiveram na raiz dessas rebeli&otilde;es\/revolu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o v&atilde;o se resolver apenas com a democratiza&ccedil;&atilde;o burguesa e muito parcial daqueles pa&iacute;ses.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; At&eacute; mesmo na Am&eacute;rica Latina temos visto lutas com car&aacute;ter diferenciado. No Chile a juventude protagonizou ao longo de praticamente todo o ano uma luta massiva e radicalizada em defesa da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, contando com apoio de importantes categorias e greves de solidariedade, mas trata-se de uma demanda (ainda reformista) que nenhuma burguesia nacional &eacute; capaz de conceder, dentro do marco geral da crise estrutural. Na Bol&iacute;via trabalhadores t&ecirc;m tido a necessidade de se organizar e fazer greves diretamente contra o governo de Evo Morales. O mesmo ocorre na Venezuela, onde os questionamentos ao projeto de Chaves come&ccedil;am a ocorrer pela esquerda, embora em menor intensidade.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso porque esses governos n&atilde;o representam alternativas de ruptura com&nbsp; o capitalismo, no m&aacute;ximo mais uma forma de administra&ccedil;&atilde;o do capital pela burocracia de Estado e do ex&eacute;rcito, submetida aos limites da propriedade privada e da seguran&ccedil;a para o capital que opera nesses pa&iacute;ses. Em um contexto de crise e de acirramento das contradi&ccedil;&otilde;es do capitalismo, as propostas de conviv&ecirc;ncia e concilia&ccedil;&atilde;o com o capital s&oacute; podem levar a choques diretos com os trabalhadores.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Avan&ccedil;os e Limites dos movimentos como Indignados e Occupy Wall Street<o:p><\/o:p><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos &uacute;ltimos meses t&ecirc;m ganho for&ccedil;a movimentos como os Indignados na Espanha e o Occupy Wall Street nos EUA. De certa forma representam o ressurgimento, no contexto da crise, dos movimentos antiglobaliza&ccedil;&atilde;o que chamaram a aten&ccedil;&atilde;o no final dos anos 90\/in&iacute;cio dos anos 2000. No entanto, em que pese sua semelhan&ccedil;a, h&aacute; tamb&eacute;m diferen&ccedil;as importantes.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os movimentos antiglobaliza&ccedil;&atilde;o restringiam-se aos dias das reuni&otilde;es dos organismos internacionais do capital (OMC, G-8, FMI, Banco Mundial, etc), enquanto os atuais tendem a buscar maior perman&ecirc;ncia no tempo e a ocupa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os p&uacute;blicos, de modo a chamar a aten&ccedil;&atilde;o e criar espa&ccedil;os alternativos de debate e conviv&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso, seus alvos s&atilde;o mais diretos, como as pra&ccedil;as financeiras e corpora&ccedil;&otilde;es e colocam no centro de sua cr&iacute;tica o fato de que o Estado est&aacute; utilizando do dinheiro p&uacute;blico para a salva&ccedil;&atilde;o de bancos e corpora&ccedil;&otilde;es&nbsp; que correspondem a 1% da popula&ccedil;&atilde;o enquanto os outros 99% s&atilde;o deixados &agrave; sua pr&oacute;pria sorte.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As mobiliza&ccedil;&otilde;es que se espalharam pelo mundo em 2011, aquelas que partem mais da iniciativa da juventude do que da burocracia sindical, podem ser o espa&ccedil;o para o surgimento de embri&otilde;es de novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o da classe, &agrave;s quais os revolucion&aacute;rios devem estar atentos, como assembleias, comit&ecirc;s, redes sociais, m&iacute;dia alternativa, que podem se converter em espa&ccedil;os de organiza&ccedil;&atilde;o e oferecer possibilidades novas.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, em que pese esses avan&ccedil;os ocorridos, frutos sem d&uacute;vida do novo contexto mundial p&oacute;s-crise de 2008, com o desemprego e corte das verbas para os servi&ccedil;os p&uacute;blicos diretamente nos pa&iacute;ses centrais, h&aacute; ainda defasagens importantes que dever&atilde;o ser superadas. <o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entre elas est&aacute; o fato de que esses movimentos n&atilde;o colocam como seu alvo o sistema capitalista como um todo, mas apenas suas partes mais diretamente beneficiadas com a ajuda dos governos, como os bancos e o sistema financeiro.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por&eacute;m a crise que o mundo atravessa n&atilde;o &eacute; financeira (apenas) e sim da economia como um todo, &eacute; uma crise societal em termos estruturais. A falta desse diagn&oacute;stico mais profundo encontra correspond&ecirc;ncia no fato de que esses movimentos n&atilde;o apresentam uma proposta de sociedade alternativa ao capitalismo, ficando como uma nega&ccedil;&atilde;o difusa dos valores consumistas do mercado, do sistema financeiro e das corpora&ccedil;&otilde;es. Isso abre espa&ccedil;o para que esses movimentos possam ser assimilados ou reprimidos, a partir do momento em que n&atilde;o consigam se colocar como alternativas concretas de a&ccedil;&atilde;o para o conjunto dos trabalhadores, &uacute;nica for&ccedil;a social capaz de dar sustenta&ccedil;&atilde;o a qualquer proposta de supera&ccedil;&atilde;o positiva do capital.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para afetar de fato o sistema e ao mesmo tempo mudar a l&oacute;gica de funcionamento da sociedade, colocando em seu lugar um novo modelo de sociedade, &eacute; preciso que os trabalhadores apontem para o questionamento e supera&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio modo de produ&ccedil;&atilde;o da riqueza social: as rela&ccedil;&otilde;es capitalistas de produ&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o as ra&iacute;zes da forma de distribui&ccedil;&atilde;o e de funcionamento da economia.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As propostas comportamentalistas expressas por esses movimentos s&atilde;o demandas necess&aacute;rias e muitas vezes menosprezadas pela esquerda, como o combate ao consumismo, a busca de uma rela&ccedil;&atilde;o humana em equil&iacute;brio com o ambiente, o combate &agrave; hierarquia burocr&aacute;tica imposta pelas dire&ccedil;&otilde;es de muitos movimentos e partidos, mesmo de esquerda, a busca por rela&ccedil;&otilde;es igualit&aacute;rias entre os g&ecirc;neros e etnias, a retomada das identidades culturais, etc. S&atilde;o tra&ccedil;os muito positivos que devem ser assimilados pelos movimentos dos trabalhadores e socialistas se quisermos realmente batalhar por uma revolu&ccedil;&atilde;o socialista.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, &eacute; preciso afirmar que essas demandas s&oacute; podem ser de fato conquistadas se se expandirem em n&iacute;vel geral e n&atilde;o apenas numa pequena vanguarda, por mais esclarecida que seja.&nbsp;&nbsp; Isso exige uma revolu&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&atilde;o gerais da sociedade e na sua l&oacute;gica de funcionamento e n&atilde;o apenas uma mudan&ccedil;a nas ideias e comportamentos &eacute;ticos, o que exige a contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave; ordem capitalista e suas institui&ccedil;&otilde;es, pois a raiz de de todas as formas de aliena&ccedil;&atilde;o est&aacute; na produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o, na rela&ccedil;&atilde;o alienada dos produtores com o seu trabalho.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O desafio &eacute; que esses movimentos busquem se ligar aos trabalhadores e suas lutas avan&ccedil;ando ao mesmo tempo para defini&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas mais diretas contra os governos por uma alternativa de sociedade ao capitalismo como um todo. A falta de uma defini&ccedil;&atilde;o socialista e revolucion&aacute;ria custa caro nos dias atuais.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se esses movimentos ficarem restritos &agrave; propaganda comportamental e &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os delimitados, podem se esgotar e serem reprimidos ou destru&iacute;dos devido ao desgaste e banaliza&ccedil;&atilde;o, ou mesmo assimilados pelo sistema, como mais uma forma ou momento poss&iacute;vel de vida para alguns, desde que n&atilde;o afete os pressupostos estruturais da produ&ccedil;&atilde;o voltada para o maior lucro poss&iacute;vel.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Brasil tamb&eacute;m entra em um novo momento. Dilma mostra a que veio.&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso do Brasil, ao contr&aacute;rio do restante do mundo, os bancos ainda n&atilde;o est&atilde;o sendo questionados. Ao inv&eacute;s disso, a &ldquo;cidadania do cr&eacute;dito&rdquo; (ou seja, o endividamento em massa dos trabalhadores) tem sido a fiadora da estabilidade do governo Dilma\/PT\/PMDB, pois a garantia do acesso ao consumo tem sido a miragem que faz com que os trabalhadores suportem o aumento da explora&ccedil;&atilde;o e a deteriora&ccedil;&atilde;o das suas condi&ccedil;&otilde;es de vida, que tem como um dos seus aspectos o sucateamento dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, &agrave;s custas do ataque sistem&aacute;tico aos trabalhadores do setor p&uacute;blico e das estatais.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Brasil n&atilde;o est&aacute; fora da realidade mundial, como os governos e a m&iacute;dia tentavam veicular. Agora, governos, empres&aacute;rios e a grande m&iacute;dia substituem o discurso cinicamente ufanista por um outro aparentemente mais &ldquo;respons&aacute;vel&rdquo; de que o pa&iacute;s deve se preparar para a crise que se aproxima novamente. Por&eacute;m essa prepara&ccedil;&atilde;o na verdade se traduz pela imposi&ccedil;&atilde;o por parte da burguesia de uma s&eacute;rie de ataques aos trabalhadores, de modo que se possa dilu&iacute;-los ao longo do tempo, com apoio das dire&ccedil;&otilde;es burocr&aacute;ticas como PT, CUT, CTB, UNE, e assim tentar diminuir o impacto e a resist&ecirc;ncia dos trabalhadores &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o de seu n&iacute;vel de vida.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essas medidas de antecipa&ccedil;&atilde;o\/adequa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o duras e representam uma mudan&ccedil;a de ritmos de ataques com rela&ccedil;&atilde;o aos anos anteriores.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esses ataques t&ecirc;m levado a que tamb&eacute;m no Brasil tenhamos visto em 2011 um ano de mais e maiores lutas dos trabalhadores. Greves como nas obras do PAC, dos transportes, trens e &ocirc;nibus, correios, banc&aacute;rios, professores em v&aacute;rios estados. No caso da juventude, v&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es como greves e ocupa&ccedil;&otilde;es de reitorias foram retomadas, com destaque para a ocupa&ccedil;&atilde;o e greve dos estudantes na USP contra a perman&ecirc;ncia da pol&iacute;cia no campus e sua fun&ccedil;&atilde;o de repress&atilde;o, que est&aacute; a servi&ccedil;o de manter um projeto que est&aacute; levando cada vez mais &agrave; privatiza&ccedil;&atilde;o da universidade.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A n&atilde;o exist&ecirc;ncia de um instrumento de organiza&ccedil;&atilde;o mais amplo, a partir do fracasso do Conclat em 2010, mesmo com os problemas e limites que uma nova central unit&aacute;ria teria, cobrou seu pre&ccedil;o em 2011, pois ainda que a CSP-Conlutas tenha tido um papel importante em algumas lutas, a sua a&ccedil;&atilde;o esteve muito aqu&eacute;m do que seria necess&aacute;rio para enfrentar a burguesia e o governo e lutar contra o controle da burocracia sobre o movimento.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devemos batalhar pela unidade da esquerda e pela constru&ccedil;&atilde;o de f&oacute;runs de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; burocracia sindical, estudantil e dos movimentos sociais, que encaminhem a&ccedil;&otilde;es unit&aacute;rias, lutas e campanhas pol&iacute;ticas inter-categorias.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devemos reativar a proposta de um Movimento Pol&iacute;tico dos Trabalhadores, que coloque em pauta uma alternativa socialista contra a crise. Esse Movimento deve se consolidar na luta, a partir da base, e pode ser o ponto de partida para uma participa&ccedil;&atilde;o classista, socialista e revolucion&aacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es, ainda que o seu objetivo deva ir al&eacute;m das elei&ccedil;&otilde;es.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As lutas apontam melhores condi&ccedil;&otilde;es e novos desafios para a interven&ccedil;&atilde;o socialista.&nbsp; <\/b>&nbsp;<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, o elemento novo que tem surgido cada vez com mais for&ccedil;a &eacute; a resist&ecirc;ncia dos trabalhadores nos centros do capital, particularmente na Europa, com as greves gerais e manifesta&ccedil;&otilde;es na Gr&eacute;cia, na Espanha, na It&aacute;lia, e agora iniciando-se nos EUA com as ocupa&ccedil;&otilde;es, irradiando-se para outras pa&iacute;ses, colocando cada vez mais a luta de classes em uma arena mundial.&nbsp;&nbsp; <o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Permanece a crise de alternativas socialistas, com a dificuldade dos trabalhadores encontrarem respostas pela positiva &agrave; crise. Em geral os movimentos t&ecirc;m estado limitados ainda &agrave; nega&ccedil;&atilde;o e resist&ecirc;ncia &agrave;s pol&iacute;ticas do capital de utilizar o dinheiro p&uacute;blico para salvar o empresariado, cortando dos trabalhadores. N&atilde;o aparece ainda alguma alternativa de massas pela positiva. Isso &eacute; reflexo de que estamos ainda em um momento inicial das lutas nesta nova etapa.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O setor oper&aacute;rio-industrial da classe trabalhadora ainda n&atilde;o se incorporou os processos de luta mesmo nos pa&iacute;ses centrais, isso porque at&eacute; agora o capital tem conseguido a duras penas impedir a recess&atilde;o global ou mesmo uma depress&atilde;o que obrigasse a entrada em a&ccedil;&atilde;o direta dos destacamentos mais concentrados e poderosos da classe trabalhadora em defesa de seus empregos e condi&ccedil;&otilde;es de vida. Prevalece ainda uma l&oacute;gica extremamente competitiva entre as economias e empresas (e tamb&eacute;m entre os trabalhadores) a partir de amea&ccedil;as da patronal de deslocamentos de empresas e ramos inteiros para pa&iacute;ses com melhores condi&ccedil;&otilde;es de explora&ccedil;&atilde;o. Isso deixa os trabalhadores na defensiva.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A economia como um todo permanece em ritmo lento de crescimento, tendendo &agrave; estagna&ccedil;&atilde;o ou mesmo &agrave; recess&atilde;o, que tem sido parcialmente contrabalanceada pelo desempenho das economias dos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos (entre eles os chamados BRIC&#8217;s). No entanto, essas economias que at&eacute; aqui t&ecirc;m sustentado altas taxas de crescimento (comparadas aos pa&iacute;ses centrais) tamb&eacute;m apresentam limites. Com a dificuldade das economias centrais se recuperarem e um poss&iacute;vel novo momento da crise, o crescimento dos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos tende a diminuir, colocando uma nova situa&ccedil;&atilde;o.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao se recolocarem em movimento, os trabalhadores criam melhores condi&ccedil;&otilde;es para que possam voltar a se enxergarem como classe, enfrentando os mesmo inimigos em terreno mundial. Ao mesmo tempo em que aumentam os desafios, devido &agrave; polariza&ccedil;&atilde;o com as for&ccedil;as de repress&atilde;o do Estado e com os movimentos de ultra-direita. Em v&aacute;rios pa&iacute;ses, e tamb&eacute;m no Brasil, a direita tem se organizado, com a&ccedil;&otilde;es e manifesta&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter proto-fascista, agress&otilde;es racistas, xen&oacute;fobas, homof&oacute;bicas, viol&ecirc;ncia contra a mulher. Al&eacute;m disso, o Estado de modo geral tem se tornado mais autorit&aacute;rio, criminalizando e reprimindo greves, ocupa&ccedil;&otilde;es, piquetes, manifesta&ccedil;&otilde;es, a&ccedil;&otilde;es diretas e formas de diverg&ecirc;ncia pol&iacute;tica que partem dos trabalhadores.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar desse aspecto negativo de reorganiza&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as de direita, melhoram as condi&ccedil;&otilde;es para que os trabalhadores comecem a se reconhecer como&nbsp; uma classe em si, com interesses semelhantes ou que se combinam nos v&aacute;rios pa&iacute;ses, enfrentando os&nbsp; mesmos inimigos em escala global: o capital e seus agentes, sejam as burguesias dos diversos pa&iacute;ses e os organismos internacionais, sejam as institui&ccedil;&otilde;es do Estado.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O trabalho de impulsionar as formas concretas de luta dos trabalhadores e da juventude deve ser combinada com a forma&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o de base nos locais de trabalho e de estudo. A luta por buscar elevar o n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia dos trabalhadores, buscando elucidar os nexos entre os problemas concretos e sua l&oacute;gica, que &eacute; geral, e a busca pela reconstru&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica e pr&aacute;tica do projeto socialista, s&atilde;o os desafios colocados para o(s) pr&oacute;ximo(s) ano(s).<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Estado e a burguesia ainda t&ecirc;m muitos recursos para administrar a crise e oferecer alternativas por dentro do sistema. Os revolucion&aacute;rios precisam apresentar a alternativa socialista de forma mais concreta, refor&ccedil;ando a propaganda do socialismo, explicando a todo momento como seria uma sociedade em que os trabalhadores controlam a produ&ccedil;&atilde;o e a colocam a servi&ccedil;o das necessidades humanas, em rela&ccedil;&atilde;o equilibrada com o ambiente, etc. &Eacute; importante oferecer essa perspectiva, ainda que no plano da propaganda, para mostrar que existe sim uma alternativa concreta ao capital.<o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida que h&aacute; uma nova situa&ccedil;&atilde;o mundial que coloca mais tarefas e desafios mas tamb&eacute;m melhores possibilidade de se retomar a agita&ccedil;&atilde;o, propaganda e organiza&ccedil;&atilde;o em torno da id&eacute;ias e propostas socialistas-revolucion&aacute;rias. O ano de 2011 confirma isso.&nbsp;&nbsp;&nbsp; <o:p><\/o:p><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=314"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":754,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314\/revisions\/754"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}