{"id":3173,"date":"2014-07-22T19:52:06","date_gmt":"2014-07-22T22:52:06","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3173"},"modified":"2014-07-22T20:10:14","modified_gmt":"2014-07-22T23:10:14","slug":"jornal-70-julho-de-2014-dos-aos-dourados-a-humilhacao-historica-breve-consideracao-sobre-nosso-esporte-mais-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/07\/jornal-70-julho-de-2014-dos-aos-dourados-a-humilhacao-historica-breve-consideracao-sobre-nosso-esporte-mais-popular\/","title":{"rendered":"Jornal 70: Dos aos dourados \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica: breve considera\u00e7\u00e3o sobre nosso esporte mais popular"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\n@page { margin: 0.79in }\n\t\tH2 { margin-bottom: 0.08in }\n\t\tH2.western { font-family: \"Liberation Sans\", sans-serif; font-size: 14pt; font-style: italic }\n\t\tH2.cjk { font-family: \"WenQuanYi Micro Hei\"; font-size: 14pt; font-style: italic }\n\t\tH2.ctl { font-family: \"Lohit Hindi\"; font-size: 14pt; font-style: italic }\n\t\tP { margin-bottom: 0.08in }\n--><\/style>\n<p align=\"RIGHT\">Ronaldo Gaspar<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora o futebol n\u00e3o tenha sido, em suas origens, um esporte popular, tornou-se, em v\u00e1rias partes do mundo, o esporte das massas, n\u00e3o apenas pela paix\u00e3o que desperta, mas, tamb\u00e9m, pelas in\u00fameras hist\u00f3rias de ascens\u00e3o social que caracteriza a maioria dos craques da bola. No Brasil, de Le\u00f4nidas \u2013 o altivo Diamante Negro \u2013 a Neymar, passando por Zizinho, Didi, Garrincha, Pel\u00e9 e tantos outros, o futebol redimiu indiv\u00edduos\/fam\u00edlias de origem popular e, coletivamente, ap\u00f3s a Copa de 58, simbolizou, a partir dos feitos deles, uma esp\u00e9cie de for\u00e7a redentora da na\u00e7\u00e3o \u2013 historicamente, p\u00e1ria do capitalismo e do mundo ocidental.<\/p>\n<p>Durante algumas d\u00e9cadas, caracterizadas pelo amadorismo e, depois, pela transi\u00e7\u00e3o \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, nossos jogadores e t\u00e9cnicos dotaram a ginga e a malandragem de capacidade competitiva e, com isso, o futebol brasileiro protagonizou os mais belos feitos dos gramados mundo afora. Nessas condi\u00e7\u00f5es e com tais caracter\u00edsticas, seu \u00faltimo grande fruto foi a gera\u00e7\u00e3o de Zico, S\u00f3crates e Cia., que, tragicamente, sucumbiu no Est\u00e1dio Sarri\u00e1 na Copa de 1982 \u2013 para alguns, um dos acontecimentos mais decisivos nos campos para o fortalecimento das tend\u00eancias t\u00e9cnicas, t\u00e1ticas e corporais iniciadas pelo carrossel holand\u00eas em 74. No mundo, sua \u00faltima express\u00e3o foi, provavelmente, a vit\u00f3ria da Argentina sob a reg\u00eancia do genial Maradona na Copa de 1986.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Futebol e capitalismo: sobre a t\u00e9cnica<\/h2>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, mudan\u00e7as no capitalismo global tornaram o futebol um grande neg\u00f3cio \u2013 times tornaram-se empresas e, jogadores, milion\u00e1rios. O violento crescimento da mais-valia relativa incorporou os esportes em geral e, em particular, o futebol \u00e0 maquinaria da reprodu\u00e7\u00e3o do capital. Com isso, a ginga, a malandragem e o improviso deram lugar, cada vez mais, \u00e0 for\u00e7a f\u00edsica e a organiza\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas que a fizessem prevalecer. Em termos t\u00e1ticos, a aud\u00e1cia da busca pelo gol foi substitu\u00edda pela precau\u00e7\u00e3o em n\u00e3o tom\u00e1-lo: a defesa substituiu o ataque como cora\u00e7\u00e3o dos times de futebol \u2013 no meio campo, isso significa, por exemplo, que Zico e S\u00f3crates deram lugar a Zinho e Mauro Silva ou, na Copa atual, a Oscar e Paulinho \u2013, os pulm\u00f5es e os m\u00fasculos tomaram o lugar da criatividade cerebral. Na lateral do campo, os Muricis, Tites e Scolaris substitu\u00edram Feola e Tel\u00ea Santana. N\u00e3o que os craques tenham desaparecido. Nada disso. Eles continuaram e continuam em alguns gramados \u2013 poucos, \u00e9 verdade, mas continuam \u2013, basta nos lembrarmos dos dribles, gols ou passes de Rom\u00e1rio, Zidane, Ronaldo, Ronaldinho, Xavi, Iniesta, Messi e Neymar. No entanto, em times\/sele\u00e7\u00f5es que n\u00e3o efetuaram as mudan\u00e7as t\u00e1ticas\/t\u00e9cnicas adequadas aos novos tempos, eles n\u00e3o conseguem grandes feitos, n\u00e3o conseguem brilhar \u2013 vejam, por exemplo, a diferen\u00e7a entre o Messi do Barcelona \u2013 que, durante v\u00e1rios anos, atuou, com regularidade, em alto n\u00edvel \u2013 e o da sele\u00e7\u00e3o argentina, que vive de lampejos. Decerto que, por enquanto, as mudan\u00e7as administrativas e mercadol\u00f3gicas n\u00e3o tornaram o capital capaz de produzir craques \u2013 por isso, importa-os das mais diversas partes do mundo \u2013, mas, nas escolinhas dos times-empresas espalhados pela Europa, j\u00e1 produz equipes bastante competitivas.<\/p>\n<p>Um fato, por\u00e9m, \u00e9 que, nos \u00faltimos anos, em conson\u00e2ncia com grandes mudan\u00e7as na administra\u00e7\u00e3o do futebol profissional, houve um avan\u00e7o significativo na organiza\u00e7\u00e3o t\u00e1tica e na prepara\u00e7\u00e3o dos jogadores formados\/incorporados pelos times-empresas da Europa e suas ligas profissionais. Isto \u00e9 bastante vis\u00edvel no futebol espanhol, alem\u00e3o, holand\u00eas e, apesar do fracasso em Copas, ingl\u00eas. Em muito menor escala, isso tamb\u00e9m tem ocorrido em pa\u00edses que, sem grande tradi\u00e7\u00e3o nesse esporte \u2013 e, portanto, cujo futebol come\u00e7a a se desenvolver agora \u2013, n\u00e3o t\u00eam poderosos interesses cristalizados em ricas federa\u00e7\u00f5es e sua cartolagem com ramifica\u00e7\u00f5es no aparato estatal e, tamb\u00e9m, nem uma \u201cescola\u201d ou \u201ctradi\u00e7\u00e3o futebol\u00edstica\u201d a defender. Nesse caso, em raz\u00e3o das possibilidades do desenvolvimento desigual e combinado, acabam colhendo os \u201cbenef\u00edcios\u201d do atraso, pois, neles, sem grande resist\u00eancia, a importa\u00e7\u00e3o e\/ou nacionaliza\u00e7\u00e3o de jogadores e t\u00e9cnicos e a incorpora\u00e7\u00e3o de modernas organiza\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas t\u00eam permitido consider\u00e1vel avan\u00e7o na competitividade de seus clubes\/sele\u00e7\u00f5es, mesmo sem a capacidade de manter grandes jogadores \u2013 que, quando surgem, v\u00e3o atuar nas principais ligar europeias ou, ent\u00e3o, em algumas secund\u00e1rias \u2013 ou seja, em ligas mais consolidadas do que as de seus pa\u00edses de origem. Nesta Copa, temos os exemplos da disciplina t\u00e1tica das sele\u00e7\u00f5es de Costa Rica e Arg\u00e9lia.<\/p>\n<h2>Superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho e pensamento m\u00e1gico: as agruras do atraso<\/h2>\n<p>Em pa\u00edses como Brasil, no entanto, o futebol n\u00e3o \u00e9 algo relativamente recente e de pouca tradi\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio. A sele\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 a maior ganhadora de t\u00edtulos mundiais e, o pa\u00eds, o maior exportador de \u201cp\u00e9-de-obra\u201d do mundo. Por aqui, muitos se locupletam com dinheiro e status oriundos da explora\u00e7\u00e3o de meninos e jovens que surgem com aptid\u00e3o para o esporte. Assim, em todas as inst\u00e2ncias, poderosos interesses foram consolidados ao longo de muitas d\u00e9cadas de bola rolando. S\u00e3o cartolas, empres\u00e1rios e pol\u00edticos que, incrustrados em clubes, federa\u00e7\u00f5es, empresas de marketing, publicidade e artigos esportivos, bem como no aparato estatal, fazem, direta ou indiretamente, do futebol seu \u201cmeio de vida\u201d \u2013 ou melhor, de explora\u00e7\u00e3o ou aproveitamento de vidas alheias. Por conseguinte, ao longo de quase um s\u00e9culo, todas as mis\u00e9rias sociais e pol\u00edticas do pa\u00eds se infiltraram e se reproduziram no esporte \u2013 nas institui\u00e7\u00f5es e mentalidades de dirigentes, t\u00e9cnicos e jogadores. De acordo com dados da CBF, \u201cdos 30.784 jogadores registrados no pa\u00eds, atualmente, 82% recebem at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos \u2014 no grupo, est\u00e3o inclusos os atletas que jogam at\u00e9 de gra\u00e7a. Na outra ponta, um n\u00famero bastante modesto de \u2018sortudos\u2019 (2%) embolsa acima de R$ 12,4 mil, 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos. Neymar, por exemplo, ganha 241 vezes esse valor\u201d (Extra, 23\/09\/12). Em outras palavras, nossas imensas desigualdades apresentam-se, nesse esporte, como desigualdade entre clubes, jogadores, regi\u00f5es etc. E, al\u00e9m delas, a corrup\u00e7\u00e3o e a autocracia no trato dos neg\u00f3cios futebol\u00edsticos invadem o campo e, na atual quadra hist\u00f3rica, em raz\u00e3o de sua capitaliza\u00e7\u00e3o tortuosa (h\u00e1 times profissionais em que os jogadores recebem menos do que um sal\u00e1rio m\u00ednimo) e subalterna (exporta\u00e7\u00e3o de jovens talentos para os pa\u00edses centrais), afetam o rendimento dos jogadores e seus times \u2013 por conseguinte, tamb\u00e9m o rendimento da sele\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse isso, em meio a tantos problemas seculares que grassam pelo pa\u00eds, os quais se tornaram ainda mais expl\u00edcitos com a prepara\u00e7\u00e3o para a Copa do Mundo, as expectativas redentoras depositadas por muitos e muitos nas costas de um grupo de jovens jogadores pesou imensamente sobre seu desempenho (exemplar, nesse sentido, foi o choro de David Luiz que, ao seu modo simples, disse estar triste por n\u00e3o poder dar um pouco de alegria ao seu povo sofrido). Para os imediatistas e superficiais \u2013 de modo geral, mas n\u00e3o s\u00f3, representantes ideol\u00f3gicos dos (ou os pr\u00f3prios) frequentadores de \u201carenas\u201d da Copa \u2013 que alimentaram essa press\u00e3o, os \u201cher\u00f3is da na\u00e7\u00e3o\u201d se tornaram, de repente, objetos de esc\u00e1rnio e rep\u00fadio p\u00fablicos. A \u201cfam\u00edlia Scolari\u201d se esfumou e, com ela, os moralistas de plant\u00e3o se deram conta de que, ao inv\u00e9s do amor id\u00edlico, o vigor para o trabalho e o planejamento em longo prazo, seus esteios eram o narcisismo dos novos-ricos, a corrup\u00e7\u00e3o institucional e a indisciplina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Pol\u00edtica e futebol: media\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias<\/h2>\n<p>Essas considera\u00e7\u00f5es n\u00e3o implicam em qualquer responsabiliza\u00e7\u00e3o direta e imediata das condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas \u2013 e, \u00e9 claro, nem do governo atual (embora, \u00e9 claro, ele tamb\u00e9m tenha inequ\u00edvocas e muitas responsabilidades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas mis\u00e9rias sociais) \u2013 pela derrota de um time num jogo de futebol. Tratam-se apenas de observa\u00e7\u00f5es sobre problemas seculares e estruturais da sociedade brasileira e seu esporte mais popular, que, neste momento, explodiram num confronto esportivo numa tr\u00e1gica tarde de ter\u00e7a-feira. No entanto, importa-nos assinalar que, com todas as media\u00e7\u00f5es que devem ser feitas, a humilha\u00e7\u00e3o que os alem\u00e3es impuseram aos brasileiros em campo foi uma express\u00e3o da superioridade de sua moderniza\u00e7\u00e3o capitalista do futebol, que, ao seu modo, exprime a pr\u00f3pria superioridade de seu desenvolvimento socioecon\u00f4mico e pol\u00edtico \u2013 e, por extens\u00e3o, da Europa sobre a Am\u00e9rica latina (aos poucos, de 1974 para c\u00e1, as sele\u00e7\u00f5es europeias t\u00eam predominado na conquista de t\u00edtulos. Lembremos aqui que, por sua organiza\u00e7\u00e3o t\u00e1tica, a sele\u00e7\u00e3o brasileira de 1994 foi europeia, enquanto a de 2002 contava com uma inusitada constela\u00e7\u00e3o de craques: Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho). Por conseguinte, como a t\u00e9cnica e a organiza\u00e7\u00e3o t\u00e1tica n\u00e3o pairam no ar, mas s\u00e3o produtos de condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3rico-sociais espec\u00edficas, n\u00e3o \u00e9 casual que o maior vexame da hist\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o brasileira tenha ocorrido num contexto em que, para o bem ou para o mal, em raz\u00e3o de sua capitaliza\u00e7\u00e3o e pragmatismo, o futebol j\u00e1 n\u00e3o pode mais ser jogado e nem administrado de modo tradicional \u2013 por meio de malandragens e composi\u00e7\u00f5es de interesses alheios ao aprimoramento t\u00e9cnico e t\u00e1tico. Isso porque, em tempos de times-empresas e sele\u00e7\u00f5es de craques globalizados, aquelas equipes cujas comiss\u00f5es t\u00e9cnicas se sustentam mais em amuletos, supersti\u00e7\u00f5es, livretos de auto-ajuda e f\u00e9 do que em conhecimentos t\u00e9cnico-cient\u00edficos abrangentes (desde os fundamentos \u2013 chute, passe, drible \u2013 \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o em campo) ter\u00e3o seus lugares cativos, no m\u00e1ximo, nas notas de rodap\u00e9 da hist\u00f3ria do esporte. Nesse sentido, sem temer pecar pelo exagero, a morte de trabalhadores na constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios e o desmoronamento de viadutos est\u00e3o, por invis\u00edveis e complexos la\u00e7os, vinculados \u00e0 ru\u00edna em campo da sele\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Por fim, somente o tempo dir\u00e1 se o futebol brasileiro ser\u00e1 definitivamente rebaixado \u00e0 segunda divis\u00e3o do futebol mundial ou, ent\u00e3o, ser\u00e1 capaz de se adequar \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es \u2013 que, como tem sido usual entre n\u00f3s, pode implicar em mudan\u00e7as que, sem altera\u00e7\u00f5es profundas, dar\u00e3o sobrevida \u00e0 competitividade de nosso esporte mais popular. Embora, a bem da verdade, uma resolu\u00e7\u00e3o efetiva para os problemas que assolam o futebol brasileiro (e, de certo modo, a maioria dos esportes) demanda profundas transforma\u00e7\u00f5es anticapitalistas na sociedade como um todo; transforma\u00e7\u00f5es que, de fato, o tornem, n\u00e3o apenas pela origem de seus jogadores, mas por sua difus\u00e3o, acesso e controle, um esporte verdadeiramente popular \u2013 de todos, para todos e por todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ronaldo Gaspar &nbsp; Embora o futebol n\u00e3o tenha sido, em suas origens, um esporte popular, tornou-se, em v\u00e1rias partes do<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3173"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3173"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3188,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3173\/revisions\/3188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}