{"id":321,"date":"2012-02-15T17:54:48","date_gmt":"2012-02-15T19:54:48","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/321"},"modified":"2013-01-26T20:29:27","modified_gmt":"2013-01-26T22:29:27","slug":"contribuicao-individual-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/02\/contribuicao-individual-4\/","title":{"rendered":"Sobre a ocupa\u00e7\u00e3o do Shopping Higien\u00f3polis &#8211; Francisco Antero"},"content":{"rendered":"<h3><b style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px; background-color: #ffffff; color: #333333;\"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px;\"><b style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px;\"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"font-size: 14px; font-family: Garamond,serif;\"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px;\">Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0<\/span><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px;\">n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/span><\/span><\/b><\/span><\/b><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"border-style: initial; border-color: initial; background-color: #ffffff; line-height: 21px;\">Sobre a ocupa\u00e7\u00e3o do Shopping Higien\u00f3polis<\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/11022012149.jpg\" width=\"200\" \/>\u00a0 \u00a0\u00a0<span style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">02 de maio de 1967 e 11 de fevereiro de 2012. O que h\u00e1 em comum entre estas duas datas? Naquele primeiro momento vivia-se nos Estados Unidos da Am\u00e9rica um turbilh\u00e3o de embates sobre a condi\u00e7\u00e3o dos negros e negras na sociedade norte-americana.<\/span><span style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u00a0 <\/span><span style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">E naquele momento um grupo de 29 panteras negras, militantes e guerreiros em prol de um tratamento igualit\u00e1rio, promovem uma entrada triunfal e convicta no capit\u00f3lio. O congresso americano tomou um susto quando aquele grupo, aquela pequena onda negra adentrava a \u201ccasa do povo\u201d, estavam de armas em punho, pois at\u00e9 ali, as leis permitiam que qualquer norte-americano portasse armas de fogo. N\u00e3o era crime algum. Um tabu e medo que perseguem a sociedade burguesa desde sempre, qual seja, armas na m\u00e3o do povo, do eleitor. Entraram e fizeram seu discurso antirracista perante deputados brancos e assustados.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/11022012150.jpg \" width=\"200\" \/>Pois bem, 45 anos depois, outra onda de tamanho dez vezes maior, mas com a mesma demanda adentrava de forma surpreendente um s\u00edmbolo da sociedade burguesa atual, um Shopping Center. As armas que portavam n\u00e3o eram de fogo, eram armas verbais, armados orgulhosamente com a cor negra. Militantes do movimento negro em S\u00e3o Paulo ap\u00f3s passeata entoada por palavras de ordem pegaram de surpresa a seguran\u00e7a do Shopping Higien\u00f3polis, eram por volta de 16:00 da tarde quando uns 300 militantes adentraram rapidamente e provocaram um frenesi nas faces brancas e rosadas da elite privilegiada deste pa\u00eds.\u00a0 Ultrapassada as tr\u00eas portas principais, objetivava-se agora chegar ao ponto central desta casa que \u00e9 a ant\u00edtese da casa do povo. Os seguran\u00e7as tentaram impedir, havendo um in\u00edcio de tumulto, logo superado pela onda negra que fazia press\u00e3o para quem n\u00e3o se parasse nos corredores. Tomamos o ponto central com nossas bandeiras, com nossas palavras, com nossa cor preta.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/11022012167.jpg \" width=\"200\" \/>A disposi\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica deste centro mercantilista \u00e9 perfeita para este tipo de ato, pois dos v\u00e1rios andares poder-se-ia avistar o nosso grito de protesto de onde est\u00e1vamos. As for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado racista brasileiro estavam em nosso encal\u00e7o, mas fizeram as interven\u00e7\u00f5es de rotina. Os militantes do movimento negro se revezavam no microfone para dar o recado nunca antes ouvido pela elite branca que gastava ali o dinheiro advindo do suor do povo negro deste pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/11022012173.jpg \" width=\"200\" \/>\u00a0Os olhares de perplexidade foram a t\u00f4nica, incredulidade da burguesia por termos chegado at\u00e9 onde chegamos. Ouvir verdades nunca foi o forte desta gente. Enfatizo o fato de poder ter sido qualquer outro Shopping o alvo, mas era preciso algo a simbolizar nossa hist\u00f3ria de exclus\u00e3o. Este templo do consumo carrega em seu nome a caracter\u00edstica eug\u00eanica de nossa elite branca pensante de fins do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><strong>FRANCISCO ANTERO<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h3><b style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; \"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; \"><b style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; \"><font class=\"ecxApple-style-span\" face=\"Garamond, serif\" style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; \"><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; \">Este texto &eacute; uma contribui&ccedil;&atilde;o individual,&nbsp;<\/span><span class=\"ecxApple-style-span\" style=\"border-style: initial; border-color: initial; font-size: 14px; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; border-style: initial; border-color: initial; \">n&atilde;o necessariamente expressa a opini&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/span><\/font><\/b><\/span><\/b><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"border-style: initial; border-color: initial; background-color: rgb(255, 255, 255); line-height: 21px; \">Sobre a ocupa&ccedil;&atilde;o do Shopping Higien&oacute;polis<\/h3>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<img decoding=\"async\" width=\"200\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/11022012149.jpg\" \/>&nbsp; &nbsp;&nbsp;<span style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt; \">02 de maio de 1967 e 11 de fevereiro de 2012. O que h&aacute; em comum entre estas duas datas? Naquele primeiro momento vivia-se nos Estados Unidos da Am&eacute;rica um turbilh&atilde;o de embates sobre a condi&ccedil;&atilde;o dos negros e negras na sociedade norte-americana.<\/span><span style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt; \">&nbsp; <\/span><span style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt; \">E naquele momento um grupo de 29 panteras negras, militantes e guerreiros em prol de um tratamento igualit&aacute;rio, promovem uma entrada triunfal e convicta no capit&oacute;lio. O congresso americano tomou um susto quando aquele grupo, aquela pequena onda negra adentrava a &ldquo;casa do povo&rdquo;, estavam de armas em punho, pois at&eacute; ali, as leis permitiam que qualquer norte-americano portasse armas de fogo. N&atilde;o era crime algum. Um tabu e medo que perseguem a sociedade burguesa desde sempre, qual seja, armas na m&atilde;o do povo, do eleitor. Entraram e fizeram seu discurso antirracista perante deputados brancos e assustados.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"><o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"><img decoding=\"async\" width=\"200\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/11022012150.jpg \" \/>Pois bem, 45 anos depois, outra onda de tamanho dez vezes maior, mas com a mesma demanda adentrava de forma surpreendente um s&iacute;mbolo da sociedade burguesa atual, um Shopping Center. As armas que portavam n&atilde;o eram de fogo, eram armas verbais, armados orgulhosamente com a cor negra. Militantes do movimento negro em S&atilde;o Paulo ap&oacute;s passeata entoada por palavras de ordem pegaram de surpresa a seguran&ccedil;a do Shopping Higien&oacute;polis, eram por volta de 16:00 da tarde quando uns 300 militantes adentraram rapidamente e provocaram um frenesi nas faces brancas e rosadas da elite privilegiada deste pa&iacute;s.&nbsp; Ultrapassada as tr&ecirc;s portas principais, objetivava-se agora chegar ao ponto central desta casa que &eacute; a ant&iacute;tese da casa do povo. Os seguran&ccedil;as tentaram impedir, havendo um in&iacute;cio de tumulto, logo superado pela onda negra que fazia press&atilde;o para quem n&atilde;o se parasse nos corredores. Tomamos o ponto central com nossas bandeiras, com nossas palavras, com nossa cor preta. <o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"><img decoding=\"async\" width=\"200\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/11022012167.jpg \" \/>A disposi&ccedil;&atilde;o arquitet&ocirc;nica deste centro mercantilista &eacute; perfeita para este tipo de ato, pois dos v&aacute;rios andares poder-se-ia avistar o nosso grito de protesto de onde est&aacute;vamos. As for&ccedil;as de seguran&ccedil;a do Estado racista brasileiro estavam em nosso encal&ccedil;o, mas fizeram as interven&ccedil;&otilde;es de rotina. Os militantes do movimento negro se revezavam no microfone para dar o recado nunca antes ouvido pela elite branca que gastava ali o dinheiro advindo do suor do povo negro deste pa&iacute;s.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"><img decoding=\"async\" width=\"200\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/11022012173.jpg \" \/>&nbsp;Os olhares de perplexidade foram a t&ocirc;nica, incredulidade da burguesia por termos chegado at&eacute; onde chegamos. Ouvir verdades nunca foi o forte desta gente. Enfatizo o fato de poder ter sido qualquer outro Shopping o alvo, mas era preciso algo a simbolizar nossa hist&oacute;ria de exclus&atilde;o. Este templo do consumo carrega em seu nome a caracter&iacute;stica eug&ecirc;nica de nossa elite branca pensante de fins do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"><strong>FRANCISCO ANTERO<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"><o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt\"><o:p><\/o:p><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=321"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1292,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321\/revisions\/1292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}