{"id":3228,"date":"2014-08-22T13:34:12","date_gmt":"2014-08-22T16:34:12","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3228"},"modified":"2014-08-22T13:34:12","modified_gmt":"2014-08-22T16:34:12","slug":"capitalismo-e-a-necessidade-do-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/08\/capitalismo-e-a-necessidade-do-racismo\/","title":{"rendered":"Capitalismo e a necessidade do racismo"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\n@page { margin: 0.79in }\n\t\tP { margin-bottom: 0.08in }\n\t\tH2 { margin-bottom: 0.08in }\n\t\tH2.western { font-family: \"Liberation Sans\", sans-serif; font-size: 14pt; font-style: italic }\n\t\tH2.cjk { font-size: 14pt; font-style: italic }\n\t\tH2.ctl { font-size: 14pt; font-style: italic }\n--><\/style>\n<p style=\"text-align: right;\">N\u00e3o existe capitalismo sem racismo<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Malcolm X<\/p>\n<p>Num per\u00edodo em que n\u00e3o havia a propriedade privada, nem a divis\u00e3o da sociedade em classes e nem o Estado a humanidade n\u00e3o conhecia a opress\u00e3o e, muito menos, o preconceito e racismo.<\/p>\n<p>Mas, quando uma parcela da sociedade passou a se apropriar dos meios de produ\u00e7\u00e3o e do que era produzido para controlar a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos tornou-se necess\u00e1rio submeter e depois escravizar a outra parcela.<\/p>\n<p>O escravismo transformou o homem em propriedade de outro homem. E o propriet\u00e1rio atrav\u00e9s de guerras, invas\u00f5es, saques, roubos, torturas e sequestros passou a adquirir mais escravos e a acumular maior riqueza. Foi assim que a Am\u00e9rica Latina e a \u00c1frica serviram para enriquecer a Europa e possibilitar as desigualdades existentes ainda hoje.\u00a0Entretanto, \u00e9 importante frisar que na hist\u00f3ria da humanidade a escravid\u00e3o nunca foi imposta a um povo tal como foi feita ao povo africano.<\/p>\n<p>E se existem desigualdades ainda \u00e9 porque apenas uma parcela da sociedade (hoje a burguesia) continua rica sem trabalhar e se apropriando do que \u00e9 produzido, controlando a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o de acordo com as suas necessidades de lucro. Enquanto a outra parcela \u00e9 obrigada a se submeter em troca de um sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Contudo, a explica\u00e7\u00e3o para as atuais desigualdades est\u00e1 focada no indiv\u00edduo. No capitalismo foi preciso atribuir aos indiv\u00edduos a necessidade de talento e de cren\u00e7a na dedica\u00e7\u00e3o para gerar a concorr\u00eancia entre os que trabalham e justificar a desigualdade social. \u00a0A burguesia afirma que todos somos iguais, dentro da diversidade, mas se uns s\u00e3o ricos e outros s\u00e3o pobres \u00e9 por responsabilidade de cada um.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa desigualdade, a sociedade capitalismo tamb\u00e9m cria hierarquias no interior da pr\u00f3pria classe trabalhadora. E o racismo contra a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9, nesse caso, necess\u00e1rio para refor\u00e7ar isso. Ao dividir a classe trabalhadora em parcelas socialmente desvalorizadas mais ou menos, a burguesia insiste em submeter setores da classe para intensificar ainda mais os n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E ao desvalorizar a popula\u00e7\u00e3o negra da classe trabalhadora, a burguesia pode impor a piora de suas condi\u00e7\u00f5es de vida e dificultar seu acesso ao mercado de trabalho. Assim, ao inferiorizar essa parcela da classe pode pagar menores sal\u00e1rios, n\u00e3o conceder ou cortar direitos, manter o ex\u00e9rcito de reservas e garantir que o Estado se omita diante da garantia dos servi\u00e7os p\u00fablicos b\u00e1sicos (saneamento, transporte, Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A farsa da democracia racista e burguesa<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o al\u00e9m de demonstrar o qu\u00e3o \u00e9 violenta a sociedade capitalista, indica o quanto n\u00e3o \u00e9 a falta de talento e de dedica\u00e7\u00e3o que criam a desigualdade e o quanto o racismo e o preconceito s\u00e3o instrumentos criados por essa sociedade hip\u00f3crita e miser\u00e1vel para a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A burguesia (que \u00e9 propriet\u00e1ria tamb\u00e9m dos meios de comunica\u00e7\u00e3o) cria e fortalece a ideologia de que a culpa do desemprego, dos baixos sal\u00e1rios, da viol\u00eancia urbana \u00e9 da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o negra da classe trabalhadora e tenta estimular a rivalidade entre brancos e negros. Isso fortalece o racismo no mercado de trabalho, a viol\u00eancia da Pol\u00edcia nas periferias, dificulta a aplica\u00e7\u00e3o da lei das cotas, etc. Enquanto isso se destaca alguns em postos importantes para fortalecer a ideia de que \u201cse nos esfor\u00e7armos podemos conseguir\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, essa constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica vem desde o s\u00e9culo 19 em que se buscou criar uma na\u00e7\u00e3o branca, crist\u00e3 e capitalista. Estudos tentaram provar a incapacidade do negro para justificar a escravid\u00e3o africana e legitimar a exclus\u00e3o negra do processo produtivo formal.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica se combina com a opress\u00e3o social e com o racismo se alimentam mutuamente. Foram socialmente constru\u00eddos e t\u00eam servido para humilhar e massacrar parcelas inteiras da classe trabalhadora. Combat\u00ea-los na luta \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista.<\/p>\n<p>No entanto, as lutas imediatas pela incorpora\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra no mercado de trabalho formal e pelo acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos, em pleno s\u00e9culo 21, ainda t\u00eam passado pela reivindica\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas afirmativas (compensa\u00e7\u00e3o pelos anos de escravid\u00e3o) como as cotas (v\u00e1lidas para a possibilidade de acesso a universidade e ainda n\u00e3o aplic\u00e1vel para o mercado de trabalho e nem para os programas de moradia). Ainda assim, s\u00e3o lutas que passam longe da organiza\u00e7\u00e3o da\u00a0popula\u00e7\u00e3o negra da\u00a0classe trabalhadora nas periferias do Brasil e de suas necessidades, ficando restritas a pequenos grupos organizados.<\/p>\n<p>Enquanto isso, basta observarmos os indicadores sociais oficiais para verificarmos os resultados pr\u00e1ticos das a\u00e7\u00f5es capitalistas e concluirmos o quanto os governos brasileiros, encabe\u00e7ados por Dilma, t\u00eam sustentando o poder da burguesia e subsidiado a ideologia de democracia racial. De acordo com as pesquisas do IPEA, outubro\/13, a cada tr\u00eas pessoas assassinadas no pa\u00eds, duas s\u00e3o negras. Al\u00e9m disso, apenas 38,2% confiam em procurar a pol\u00edcia para registrar queixas. Para o IBGE, Nov\/12, o desemprego atingia 57,6% da popula\u00e7\u00e3o nega.<\/p>\n<p>Com as mobiliza\u00e7\u00f5es que ocorreram desde junho\/13 para c\u00e1 percebemos a insatisfa\u00e7\u00e3o popular com os governos, inclusive de Dilma, com o Congresso Nacional, com a Justi\u00e7a e desmascaramento da crueldade da repress\u00e3o policial j\u00e1 existente no dia a dia das periferias e tornada ainda mais intensa no per\u00edodo de Copa do Mundo para barrar qualquer tipo de questionamento contr\u00e1rio \u00e0s desigualdades sociais, sustentada pela falsa democracia burguesa.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que esse governo da burguesia reprime as manifesta\u00e7\u00f5es e cria as UPPs nas favelas, se omite em rela\u00e7\u00e3o ao genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra e continua dando liberdade absoluta aos agiotas da d\u00edvida \u201cp\u00fablica\u201d, que consume mais de 40% da riqueza produzida no pa\u00eds.<\/p>\n<p>E com a \u201csobra\u201d da riqueza produzida, por n\u00f3s trabalhadores, libera \u2013 de 0,01% para moradia (o que continua dificultando acesso ao programa\u00a0Minha Casa minha vida\u00a0para quem tem renda de 0 a 3 sal\u00e1rios m\u00ednimos),\u00a0 apenas 4% para a Sa\u00fade (enquanto 80% dos atendimentos e interna\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o negra est\u00e3o concentradas no SUS, IPEA\/12) e irris\u00f3rios 3% para Educa\u00e7\u00e3o (enquanto n\u00e3o se aplica as cotas proporcionais em todas as universidades do pa\u00eds e as escolas p\u00fablicas continuam n\u00e3o equipadas e com pagamento de baixos sal\u00e1rios para os professores desistirem de suas carreiras) \u2013 busca n\u00e3o manter servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade como uma das formas de subjugar\u00a0 para melhor explorar a classe trabalhadora e a popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A necessidade de exterminar parte da popula\u00e7\u00e3o negra<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos os indicadores do governo mostram o quanto \u00e9 ruim e perigoso ser negro no Brasil. O Mapa da Viol\u00eancia, elaborado pelo pr\u00f3prio governo do PT, mostra que ser jovem negro no pa\u00eds significa ter 132% de chance a mais de morrer de forma violenta do que ser jovem n\u00e3o negro.<\/p>\n<p>Os homic\u00eddios s\u00e3o maiores entre homens jovens e negros com uma taxa 36,5%. Com isso perde-se mais de 01 ano de expectativa de vida e a m\u00e9dia de idade das v\u00edtimas n\u00e3o passa de 20 anos.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s dos n\u00fameros se esconde uma verdadeira pol\u00edtica de genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra da classe trabalhadora, j\u00e1 n\u00e3o bastassem as v\u00e1rias formas de viol\u00eancia das quais estamos submetidos.<\/p>\n<p>Portanto, um dos desafios para enfrentarmos a ordem do capital \u00e9 construirmos a luta conjunta de toda a classe trabalhadora. Com um programa que reflita as necessidades da parcela negra contra a l\u00f3gica discriminat\u00f3ria e racista do capitalismo e responda \u00e0s quest\u00f5es estruturais, a fim de nos unirmos para estabelecermos uma forma de poder da classe trabalhadora, voltada para enfrentarmos os grandes problemas raciais e sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O limite da luta por cotas e a sua real e urgente necessidade<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outra luta importante para a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de cotas raciais nas universidades p\u00fablicas, considerada como pol\u00edtica afirmativa. Claro est\u00e1 que uma parcela da burguesia brasileira precisa da universidade para pesquisas que atendam os interesses das grandes empresas. Outra parcela, n\u00e3o admite pagar para que seus filhos estudem em boas universidades\u00a0fora do\u00a0pa\u00eds e, se por aqui ficam, devem assumir as vagas dos melhores cursos nas universidades p\u00fablicas. Para tanto essas vagas n\u00e3o podem ser disputadas pelos filhos da classe trabalhadora, muito menos pela parcela negra cotidianamente submetida \u00e0s piores condi\u00e7\u00f5es de vida. Hoje, o papel da universidade no Brasil \u00e9 esse, atender das mais diversas formas a burguesia.<\/p>\n<p>Sabemos, portanto, que o estabelecimento de cotas raciais n\u00e3o muda e n\u00e3o mudou essa situa\u00e7\u00e3o. As universidades que aplicaram as cotas raciais n\u00e3o consideram a proporcionalidade da popula\u00e7\u00e3o negra na regi\u00e3o e nos cursos. As bolsas, a moradia e o restaurante universit\u00e1rio, suportes necess\u00e1rios para a perman\u00eancia, al\u00e9m da burocracia, enfrentam constantes atrasos e filas pela falta de investimentos. As escolas p\u00fablicas de Ensino M\u00e9dio continuam despreparadas para a forma\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria e necess\u00e1ria para o ingresso na universidade p\u00fablica.<\/p>\n<p>E mais uma vez podemos observar o papel dos governos e dos governistas para sustentarem as necessidades da burguesia.\u00a0 Ao inv\u00e9s de investirem no ensino p\u00fablico e ampliar a qualidade de vagas nas universidades p\u00fablicas para incluir a juventude negra, criam projetos de exclus\u00e3o racial (como em SP, atrav\u00e9s do PIMESP) ou que dificultam a inclus\u00e3o ( como\u00a0na UNICAMP) e n\u00e3o aplicam as cotas proporcionalmente, mas, disponibilizam a verba p\u00fablica para as grandes empresas do ensino superior, atrav\u00e9s de bolsas do PROUNI. \u201cO n\u00famero de negros que se beneficiou das cotas raciais ainda \u00e9 muito restrito, visto que, h\u00e1 15 anos o n\u00famero de universit\u00e1rios negros no Brasil era de apenas 2%. Hoje \u00e9 de apenas 6%.<\/p>\n<p>No entanto, mesmo lutando contra esse injusto sistema de ensino que atende as necessidades do capital, entendemos que n\u00e3o pode ser negado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra da classe trabalhadora o acesso \u00e0 universidade p\u00fablica e que ao existir uma d\u00edvida do Estado brasileiro, pelos anos em que manteve a popula\u00e7\u00e3o negra impedida de exercer esse direito, a aplica\u00e7\u00e3o das cotas raciais proporcionais para todos os cursos e em todas as universidades p\u00fablicas do pa\u00eds \u00e9 necess\u00e1ria e urgente para incluir o jovem negro no ensino p\u00fablico universit\u00e1rio, em pleno s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Consequ\u00eancias da adapta\u00e7\u00e3o dos Movimentos Negros \u00e0 \u201cdemocracia\u201d burguesa e racista<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A classe trabalhadora j\u00e1 demonstrou historicamente que quando entra na luta, p\u00e1ra a produ\u00e7\u00e3o e exige melhores condi\u00e7\u00f5es de vida n\u00e3o t\u00eam n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o ou de a\u00e7\u00e3o da falsa democracia que impe\u00e7am conquistas.<\/p>\n<p>Nesse momento, de crise estrutural do capital, enquanto a burguesia no Brasil tem tomado medidas para impedir as lutas, calar os lutadores e exaltar o medo precisamos criar formas de unir as lutas (contra o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra, por moradia, por cotas, com luta contra a repress\u00e3o aos movimentos sociais, pelo direito de greve, por condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rios, etc. Al\u00e9m da nossa unidade em todas essas lutas precisamos nos unir e nos mobilizarmos tamb\u00e9m contra o aumento dos pre\u00e7os, especialmente dos alimentos.<\/p>\n<p>Para lutar e unir todas essas lutas precisamos unir os movimentos organizados anticapitalistas, antigovernistas, que considerem as reais necessidades da popula\u00e7\u00e3o negra da classe trabalhadora e carreguem as nossas bandeiras de luta.<\/p>\n<p>No entanto, a estreita liga\u00e7\u00e3o de setores do Movimento Negro com os governos estaduais e com o governo Dilma tem buscado frear a indigna\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o\u00a0negra, especialmente das periferias. \u00c9 o que tem acontecido nas manifesta\u00e7\u00f5es de junho\/2013 para c\u00e1. Ao inv\u00e9s de parcela dos Movimentos Negros contribuir com informa\u00e7\u00f5es e chamados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra para tomarmos as ruas e lutarmos tamb\u00e9m por cotas proporcionais nas universidades, em concursos p\u00fablicos e no mercado de trabalho preferiu ficar na cr\u00edtica \u00e0s lutas, dividir lutadores e v\u00e2ndalos, juntamente com governo e m\u00eddia.<\/p>\n<p>Somente depois do sumi\u00e7o do Amarildo, no RJ, ap\u00f3s a\u00e7\u00e3o da UPP, que se tornou conhecido no pa\u00eds e no mundo, setores do Movimento Negro se pronunciaram diante de \u00edndices alarmantes de desaparecimentos e assassinatos pela pol\u00edcia nas periferias.<\/p>\n<p>Comit\u00eas, semin\u00e1rios e pequenos atos continuam sendo organizados, ap\u00f3s as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es, com objetivo de denunciar o genoc\u00eddio da juventude negra e de tentar organizar um Movimento Negro com independ\u00eancia de classe. Mas, ao sofrerem a interfer\u00eancia de setores alinhados ao governo perdem a possibilidade de radicalizar a\u00e7\u00f5es nos bairros, pois se omitem diante do papel do governo Dilma e da rela\u00e7\u00e3o direta entre PT e PSDB para sustentarem a lucratividade do capital com a redu\u00e7\u00e3o de gastos com servi\u00e7os p\u00fablicos e n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que combatam a viol\u00eancia e a repress\u00e3o do Estado sobre a popula\u00e7\u00e3o negra da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m n\u00e3o assumem a den\u00fancia, perante a classe trabalhadora, da pol\u00edtica do PT de desarticular qualquer movimento que possa questionar as a\u00e7\u00f5es do governo e a do PSDB de prender e criminalizar \u201cbaderneiros e v\u00e2ndalos\u201d participantes de manifesta\u00e7\u00f5es. E a de que ambos os partidos apostam na passividade dos que s\u00e3o brutalmente explorados e humilhados cotidianamente.<\/p>\n<p>Portanto, fica cada vez mais evidente a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de Movimentos Negros anticapitalistas e antigovernistas que fortale\u00e7am a participa\u00e7\u00e3o e a luta direta da popula\u00e7\u00e3o negra da classe trabalhadora, que unifiquem as lutas das periferias e as lutas imediatas da classe contra a burguesia e a sua democracia racista.\u00a0A participa\u00e7\u00e3o da juventude negra \u2013 que mais sofre com o racismo, a exclus\u00e3o, o genoc\u00eddio e que n\u00e3o aguenta mais ver seus sonhos sumirem como fuma\u00e7a \u2013 \u00e9 fundamental na constru\u00e7\u00e3o desses movimentos para fortalecer a luta e indicar outro caminho que n\u00e3o seja o da manuten\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>20 de Novembro, Dia Nacional de Consci\u00eancia Negra, dia de luta!<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Zumbi \u00e9 o l\u00edder negro que lutou contra a escravid\u00e3o e o regime escravocrata. Palmares, um dos mais importantes quilombos, foi o local onde se reunia com outros escravos que lutavam por liberdade. Constru\u00edram outra forma de organiza\u00e7\u00e3o social n\u00e3o aceita pela coroa portuguesa.<\/p>\n<p>Dia 20 de novembro de 1695 registra a data do assassinato de Zumbi como resposta dos exploradores \u00e0 luta de seu povo. O Movimento Negro lutou para que essa data fosse considerada Dia Nacional de Consci\u00eancia Negra e, diferente do13 de maio, n\u00e3o se transformasse erroneamente em dia de festa. Lembramos a luta de Zumbi, de todos e todas as negras que se levantam em luta por tirar a popula\u00e7\u00e3o negra da mis\u00e9ria e sabem que n\u00e3o \u00e9 apenas uma luta por direitos ou aprova\u00e7\u00e3o de leis, mas pela mobiliza\u00e7\u00e3o consciente da classe trabalhadora em geral e, especialmente, da parcela negra. Lutar contra a exclus\u00e3o racial \u00e9 lutar contra o efeito causado pela explora\u00e7\u00e3o e lutar contra o capitalismo significa lutar contra a causa de nossos males, a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um dia de luta contra o racismo e de reflex\u00f5es sobre seus efeitos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira, deve ser feriado nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A atua\u00e7\u00e3o do Brasil no Continente Africano<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o maior pa\u00eds em popula\u00e7\u00e3o negra fora da \u00c1frica e tem se aproveitado disso para ampliar sua \u00e1rea de influ\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica no continente. A maioria dos investimentos \u00e9 feita em pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa. Em Educa\u00e7\u00e3o pretende-se injetar 6 milh\u00f5es para aprimorar o ensino superior nesses pa\u00edses (terra.noticias.com.br) a fim de aprimorar uma quantidade de m\u00e3o obra.<\/p>\n<p>Busca-se tamb\u00e9m ampliar a \u00e1rea de influ\u00eancia na \u00c1frica. O governo de Dilma cogita perdoar quase 2 bilh\u00f5es em d\u00edvidas de pa\u00edses africanos como Tanz\u00e2nia, Z\u00e2mbia, Senegal, Costa do Marfim, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Gab\u00e3o, Guin\u00e9, Maurit\u00e2nia, Sud\u00e3o, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p>Com isso o governo brasileiro tem dois objetivos: O primeiro \u00e9 que os pa\u00edses africanos possam apoiar o Brasil em demandas na OMC, por exemplo. O segundo \u00e9 que, como seis dos dez pa\u00edses que mais crescem no mundo s\u00e3o africanos, o governo brasileiro busca maneiras de favorecer empresas nacionais no continente.<\/p>\n<p>Diferentes empresas brasileiras atuam hoje em solo africano. A Petrobras, por exemplo, tem ativos na Nig\u00e9ria, Tanz\u00e2nia e Nam\u00edbia. A Vale entrou na \u00c1frica em 2004 e est\u00e1 no Gab\u00e3o, Lib\u00e9ria, Guin\u00e9, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Z\u00e2mbia, Malau\u00ed e \u00c1frica do Sul (al\u00e9m de Angola e Mo\u00e7ambique). A construtora OAS j\u00e1 tem sucursais em Guin\u00e9, Gana e Guin\u00e9 Equatorial. A Odebrecht est\u00e1 presente nesses mesmos pa\u00edses, na Lib\u00e9ria e na L\u00edbia. A Camargo Corr\u00eaa est\u00e1 presente em Angola e Mo\u00e7ambique e mant\u00e9m projetos na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>E a situa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora n\u00e3o \u00e9 diferente. A Vale, por exemplo, em Mo\u00e7ambique, removeu trabalhadores de suas terras para poder operar sem pagar indeniza\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores reagiram com o bloqueio de estradas e o governo com o envio de tropas, bombas de g\u00e1s balas de borracha. Em Guin\u00e9, al\u00e9m de n\u00e3o respeitar os diferentes grupos \u00e9tnicos na contra\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios, o que gera conflitos, incentiva a proibi\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o temos condi\u00e7\u00e3o de avaliar a dimens\u00e3o das a\u00e7\u00f5es conjuntas entre Brasil e pa\u00edses africanos, mas podemos afirmar que nenhum governo que assume para si favorecer o capital, se apropria das riquezas produzidas pela classe trabalhadora para submet\u00ea-la e intensificar sua explora\u00e7\u00e3o pode nos representar!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contra o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra!<\/p>\n<p>Pela imediata implanta\u00e7\u00e3o de cotas proporcionais no mercado de trabalho!<\/p>\n<p>Contra a legisla\u00e7\u00e3o que retira direitos e precariza as condi\u00e7\u00f5es de trabalho! Sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE!<\/p>\n<p>N\u00e3o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica para investimentos sociais e num\u00a0programa de repara\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>Cotas proporcionais para negros em universidades e escolas t\u00e9cnicas municipais, estaduais e federais!<\/p>\n<p>Pela imediata aplica\u00e7\u00e3o de verbas e prepara\u00e7\u00e3o das escolas e universidades para a implementa\u00e7\u00e3o da lei 10639\/03\u00a0e lei 11465\/08, que institui a obrigatoriedade do ensino de Hist\u00f3ria e Literatura Africanas, bem como a hist\u00f3ria de resist\u00eancia dos negros em \u00c1frica, no Brasil e no mundo\u00a0e Hist\u00f3ria ind\u00edgena, respectivamente!<\/p>\n<p>Feriado Nacional para o Dia da Consci\u00eancia Negra, 20 de Novembro!<\/p>\n<p>Luta incessante contra o capitalista e antigovernista! Por um governo dos trabalhadores!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o existe capitalismo sem racismo Malcolm X Num per\u00edodo em que n\u00e3o havia a propriedade privada, nem a divis\u00e3o da<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3228"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3228"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3228\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3229,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3228\/revisions\/3229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}