{"id":324,"date":"2012-03-19T19:58:50","date_gmt":"2012-03-19T19:58:50","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/324"},"modified":"2018-04-30T20:48:48","modified_gmt":"2018-04-30T23:48:48","slug":"algumas-formas-de-violencia-contra-a-mulher-sob-o-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/03\/algumas-formas-de-violencia-contra-a-mulher-sob-o-capitalismo\/","title":{"rendered":"ALGUMAS FORMAS DE VIOL\u00caNCIA CONTRA A MULHER SOB O CAPITALISMO"},"content":{"rendered":"<p class=\"rteright\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/cartun-latuff-femicc3addio.jpg \" alt=\"\" width=\"300\" height=\"196\" \/><\/strong><\/p>\n<p class=\"rteright\"><strong>Iraci Lacerda e Thais Helena<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Em uma sociedade capitalista, os crit\u00e9rios de produ\u00e7\u00e3o, suas prioridades e particularidades t\u00eam como objetivo garantir que se extraia o maior lucro poss\u00edvel de cada atividade. Esse lucro \u00e9 pautado na explora\u00e7\u00e3o massiva do trabalho de uma maioria desvalida, que ser\u00e1 revertido em posses e em qualidade de vida para somente uma minoria da popula\u00e7\u00e3o, a burguesia.<br \/>\nNesse tipo de funcionamento nascem e crescem seres humanos que se habituam \u00e0s desigualdades geradas pelo modo de produ\u00e7\u00e3o e acabam por perpetuar, nos demais \u00e2mbitos de suas vidas, rela\u00e7\u00f5es sociais t\u00e3o desumanas quanto.<br \/>\nAgravadas pelas in\u00fameras car\u00eancias e mis\u00e9rias materiais geradas pelo capitalismo, para al\u00e9m de uma cultura e de costumes j\u00e1 enraizados, essas rela\u00e7\u00f5es desumanas se perpetuam tamb\u00e9m individualmente como forma de suprir necessidades n\u00e3o garantidas pelo Estado ou como forma do indiv\u00edduo manifestar problemas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em uma sociedade em que a fam\u00edlia \u00e9 estruturada patriarcalmente \u2013 e no momento em que voltamos a ouvir a exalta\u00e7\u00e3o \u201cdos bons costumes da fam\u00edlia brasileira e da propriedade privada\u201d \u2013 \u00e9 atribu\u00edda ao homem valora\u00e7\u00e3o social n\u00e3o somente diferente, mas superior \u00e0quela atribuida \u00e0 mulher. A educa\u00e7\u00e3o de homens e mulheres, em pleno s\u00e9culo XXI, ainda \u00e9 diferenciada. Enquanto a mulher sofre a press\u00e3o para ser ora delicada e submissa ora forte e independente, o homem \u00e9 educado para ser o dono de si.<br \/>\n<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/marx mulher.jpg \" alt=\"\" width=\"250\" height=\"238\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Prega-se uma superioridade supostamente inerente ao homem, constru\u00edda historicamente, o que procura legitimar a submiss\u00e3o feminina e assim justificar a opress\u00e3o da mulher, mesmo com todos os discursos de que as mulheres est\u00e3o se tornando cada vez mais independentes e ocupando espa\u00e7os at\u00e9 ent\u00e3o masculinos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Essa rela\u00e7\u00e3o de poder entre sexos \u00e9 transposta para a rela\u00e7\u00e3o de posse estabelecida no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es pessoais e sustenta, junto com as demais estruturas sociais, a opress\u00e3o.<br \/>\nA crueldade de 10 mulheres serem mortas por dia ou de a cada 02 minutos 05 mulheres serem espancadas no Brasil (www.luluzinhacamp.com) n\u00e3o pode ser dissociada desse contexto, pois a viol\u00eancia acaba sendo uma das formas de exerc\u00edcio do poder masculino e \u00e9 observada como mediadora das rela\u00e7\u00f5es entre mulheres e homens como meio de garantir a subordina\u00e7\u00e3o das primeiras aos segundos.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>A INDEPEND\u00caNCIA FINANCEIRA QUE MALTRATA<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><br \/>\n<\/strong> A ampla divulga\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia financeira da mulher, al\u00e9m da necessidade de ser bastante relativizada, deve ser analisada tamb\u00e9m nesse contexto opressor, pois suporta \u00edndices reveladores, segundo Relat\u00f3rio IBGE 2011: a) O rendimento m\u00e9dio da mulher \u00e9 70% menor que o do homem, mesmo atingindo maior n\u00edvel de escolaridade; b) A propor\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias cuja refer\u00eancia \u00e9 a mulher subiu, sendo que 36,6% dessas fam\u00edlias vivem com apenas dois sal\u00e1rios m\u00ednimos; c) O desemprego entre as mulheres atinge 14,7% contra 9,5% entre os homens. d) Quase 1\/3 das mulheres entre 15 e 24 anos j\u00e1 t\u00eam filho(s); e) Os matrim\u00f4nios legais declinaram e as separa\u00e7\u00f5es conjugais aumentaram.<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora apresente desigualdade nas regi\u00f5es, h\u00e1 uma demonstra\u00e7\u00e3o clara de que o homem ainda recebe, em geral, sal\u00e1rios mais altos e \u00e9 eximido culturalmente da responsabilidade de cuidar dos filhos. Sem tratarmos de quest\u00f5es que envolvem diretamente os afazeres dom\u00e9sticos. Todos esses n\u00fameros s\u00e3o ainda mais desiguais quando nos referimos \u00e0s mulheres negras da classe trabalhadora.<\/p>\n<p align=\"justify\">Isso tudo, muitas vezes, faz a mulher sujeitar-se \u00e0s viol\u00eancias e abusos cometidos pelo homem. Em uma realidade de car\u00eancias, \u00e0s vezes, a trabalhadora somente \u201cpossui\u201d seu companheiro e filhos. Assim, a depend\u00eancia emocional tamb\u00e9m influencia a mulher a n\u00e3o denunciar o agressor.<\/p>\n<p align=\"justify\">Numa sociedade conservadora e de classes, s\u00e3o incutidos nos trabalhadores valores que sustentam as opress\u00f5es: \u201cEsse tipo de viol\u00eancia ainda \u00e9 justificada por uma s\u00e9rie de cren\u00e7as: a id\u00e9ia de que o abusador n\u00e3o pode se controlar, que a pessoa abusada \u00e9 inferior, que a fam\u00edlia deve manter-se unida a qualquer custo, e que as pessoas de fora n\u00e3o devem se envolver nas quest\u00f5es familiares\u201d (FAGUNDES, Fab\u00edola dos Santos).<\/p>\n<p><strong>A VIOL\u00caNCIA COMO FORMA DE PODER SOCIAL E POL\u00cdTICO<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">E assim os n\u00fameros v\u00e3o mostrando o grau de viol\u00eancia, de tentativa de manter-se o poder masculino, o qu\u00e3o a sociedade capitalista \u00e9 doente e o n\u00edvel de impunidade: 28,4% das mulheres assassinadas no Brasil em 2010 morreram em casa v\u00edtimas de facadas, tiros, pedradas, golpes de foice e machado. Somente na \u00faltima d\u00e9cada o n\u00famero de assassinatos cresceu em 30% (Correio Brasiliense, 17\/04\/2011) e ainda discute-se a dificuldade em mapear a viol\u00eancia dom\u00e9stica pelo poder p\u00fablico.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Lei da Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher (Lei Maria da Penha) oferece algumas possibilidades, por\u00e9m somente ap\u00f3s a mulher efetuar a den\u00fancia. Mas, para que haja den\u00fancias que possibilitem reduzir drasticamente a intensidade dos assassinatos \u00e9 necess\u00e1rio que o governo federal, primeira mulher presidente, pare de ladainha e aplique o dinheiro p\u00fablico exatamente a favor de quem o produziu.<\/p>\n<p align=\"justify\">At\u00e9 o presente momento podemos contar somente com 72 casas-abrigo e 466 Delegacias da Mulher em todo pa\u00eds (sendo que existem cerca de 5.500 munic\u00edpios no Brasil).<\/p>\n<p align=\"justify\">Isso demonstra a gravidade de o governo Dilma estar comprometido com as necessidades da burguesia e n\u00e3o da mulher trabalhadora, que mais necessita de bons servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p><strong>O QUE O \u201cALEGRE\u201d CONSUMO DE \u00c1LCOOL ESCONDE<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong> Quando se trata da viol\u00eancia contra a mulher, apesar de n\u00e3o ser poss\u00edvel afirmar cientificamente uma rea\u00e7\u00e3o causal, v\u00e1rios estudiosos afirmam que o \u00e1lcool \u00e9 a subst\u00e2ncia mais ligada \u00e0s mudan\u00e7as de comportamento que resultam em atitudes violentas. O consumo de \u00e1lcool est\u00e1 associado a 50% dos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, porcentagem que ainda n\u00e3o inclui a influ\u00eancia do uso de outras drogas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pesquisas demonstram que as agress\u00f5es contra a mulher acontecem em sua maioria no espa\u00e7o dom\u00e9stico e que o agressor principal costuma ser em primeiro lugar o companheiro, seguido do ex-companheiro.<br \/>\nPara al\u00e9m das consequ\u00eancias sociais que o \u00e1lcool causa, prejudiciais \u00e0 vida do homem e da mulher, fica em destaque a intensifica\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o sobre a mulher trabalhadora que convive com homens que utilizam a subst\u00e2ncia de forma abusiva, inclusive para suportarem a intensa explora\u00e7\u00e3o no trabalho.<br \/>\nAs pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas ao tratamento de dependentes de \u00e1lcool e drogas n\u00e3o d\u00e3o conta de minimizar os danos. Os CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial) recebem parco investimento e n\u00e3o s\u00e3o suficientes em quantidade e nem qualidade.<br \/>\nSem discutirmos os incentivos que as grandes empresas do ramo, apenas dispostas a lucrar, d\u00e3o para que a sociedade consuma cada vez mais, pois relacionam diretamente a bebida com bem-estar, amigos, mulheres bonitas e refor\u00e7am a ideia de um maior \u201cstatus\u201d para aqueles(as) que bebem.<\/p>\n<p><strong>A VIOLENTA M\u00cdDIA BURGUESA QUE DISSEMINA VIOL\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong> Al\u00e9m disso, \u00e9 not\u00e1vel e repudiante o papel da m\u00eddia \u2013 tamb\u00e9m sob controle da burguesia possuidora de vantajosas concess\u00f5es sobre as telecomunica\u00e7\u00f5es discutidas e aprovadas pelo Congresso Nacional Brasileiro \u2013 quanto \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher.<br \/>\nO fato mais recente e de grande repercuss\u00e3o foi o ocorrido no BBB\/2012. Com o respaldo de grandes patrocinadores (Devassa, Fiat, Omo, Niely, etc.) a Rede Globo, que incentiva todo tipo de preconceito, tratou de uma suspeita de estupro como \u201ccaso de amor\u201d, editou imagens e ocultou o fato para a pr\u00f3pria v\u00edtima, desacordada no momento, pressup\u00f5e-se por uso excessivo de \u00e1lcool.<br \/>\nAinda nos deparamos com constantes programa\u00e7\u00f5es televisivas que desprezam nossa intelig\u00eancia, pois visualizam a mulher como objeto, renegam a mulher da classe trabalhadora e incentivam ou refor\u00e7am a viol\u00eancia contra a mulher.<\/p>\n<p align=\"justify\">Caso bastante frequente \u00e9 do programa Zorra Total, tamb\u00e9m da poderosa emissora. Ou, como o nojento e repugnante programa \u201cMulheres Ricas\u201d da Band que procurar humilhar a trabalhadora ao demonstrar o esbanjamento exorbitante de gastos com futilidades e a ociosidade da burguesia, enquanto a nossa classe \u00e9 consumida pelo trabalho excessivo com altos n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o e baixos sal\u00e1rios para sustentar esse luxo miser\u00e1vel.<br \/>\nOu ainda, quando telejornais e a maior parte da m\u00eddia escrita omitem informa\u00e7\u00f5es ou mentem descaradamente para poupar governos fascistas, como no caso do bairro Pinheirinho, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP, em que m\u00e3es com crian\u00e7as foram expulsas de suas casas, sem alimenta\u00e7\u00e3o e infra-estrutura por acreditarem na Justi\u00e7a burguesa e por sonharem com uma moradia.<\/p>\n<p><strong>A VIOL\u00caNCIA DO ESTADO<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong> Al\u00e9m de tudo isso podemos dizer que o Brasil est\u00e1 retrocedendo tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade da mulher, o que est\u00e1 diretamente relacionado ao n\u00edvel de viol\u00eancia praticado pelo Estado burgu\u00eas e seus meios de sustenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSegundo a publica\u00e7\u00e3o \u201c20 anos de pesquisas sobre aborto no Brasil\u201d e pesquisa realizada pelo InCor (USP), ambas de 2011, o aborto ilegal continua entre as principais causas de morte da mulher. A curetagem, cirurgia realizada ap\u00f3s abortamento, teve 3,1 milh\u00f5es de registros no SUS em 2010.<br \/>\nEsse problema de sa\u00fade p\u00fablica que tamb\u00e9m \u00e9 social e pol\u00edtico tem um perfil: S\u00e3o mulheres com menor escolaridade e que vivem rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel.<\/p>\n<p align=\"justify\">Enquanto isso acontece, a presidente Dilma edita a Medida Provis\u00f3ria 557* em 26\/12\/2011 para criar o Cadastro Nacional de Gestantes Brasileiras (com benef\u00edcio financeiro de R$ 50,00 para auxiliar no deslocamento a servi\u00e7os de sa\u00fade no per\u00edodo de pr\u00e9-natal) colocando mulheres sob vigil\u00e2ncia do Estado compulsoriamente.<br \/>\nEssa MP viola a vida privada da mulher, busca coibir e controlar o abortamento sem termos a descriminaliza\u00e7\u00e3o e a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto no pa\u00eds. Tamb\u00e9m transfere v\u00e1rias responsabilidades para a mulher sem garantir mais vagas ou mais leitos nos hospitais a fim de possibilitar qualidade no pr\u00e9-natal, na interna\u00e7\u00e3o e no p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Essa medida vai ao encontro do projeto que tramita no Congresso da Bolsa-estupro, que visa pagar \u00e0 gestante, v\u00edtima de estupro, que n\u00e3o abortar, um sal\u00e1rio m\u00ednimo at\u00e9 que a crian\u00e7a complete 18 anos. Ambas procuram dar garantia de direitos ao nascituro e n\u00e3o \u00e0 mulher. E s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o do STF (maio\/2008) que considera que vida \u00e9 pr\u00f3pria de uma concreta pessoa.<br \/>\nO Estado brasileiro refor\u00e7a assim a ofensiva da Igreja e do Vaticano sobre a opress\u00e3o da mulher e vai \u00e0 contram\u00e3o do que vem ocorrendo na Am\u00e9rica Latina, que registra casos de descriminaliza\u00e7\u00e3o e legaliza\u00e7\u00e3o do aborto como no Uruguai, M\u00e9xico e Col\u00f4mbia.<br \/>\nEm contrapartida temos um d\u00e9ficit nacional de mais de 19,7 mil creches (www.agenciapatriciagalvao.org.br).<br \/>\nEssa realidade nos permite entender a dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o da mulher trabalhadora: Decide ter filho, vive, p\u00e1ra de trabalhar ou n\u00e3o tem com quem deixar. Resolve abortar, responde com a vida ou criminalmente.<br \/>\nO governo federal, os estaduais e os municipais t\u00eam responsabilidades sobre toda essa situa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apresentam propostas de combate \u00e0 viol\u00eancia porque est\u00e3o comprometidos com mulheres e homens da classe que n\u00e3o trabalha e vive da explora\u00e7\u00e3o alheia.<br \/>\nO governo Dilma, em especial, por tudo que j\u00e1 foi citado, n\u00e3o deve receber dos movimentos organizados de mulheres apenas as exig\u00eancias de que se cumpra um bom trabalho. N\u00e3o podemos cair nessa farsa de que, sob o capitalismo, a vida da mulher trabalhadora \u00e9 boa e tranquila.<br \/>\nPermitir essas v\u00e1rias formas de viol\u00eancia contra a mulher trabalhadora \u00e9 negarmos a necessidade de transforma\u00e7\u00e3o dessa sociedade doentia, machista, injusta e exploradora.<br \/>\n<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/luta-mulher.jpg \" alt=\"\" width=\"150\" height=\"177\" \/>Os espa\u00e7os de luta e poder precisam ser ocupados por mulheres e homens da classe trabalhadora que entendam a real necessidade de n\u00e3o nos atrelarmos ou acreditarmos nos governos da burguesia. \u00c9 necess\u00e1rio endurecermos na den\u00fancia do grau e dos v\u00e1rios tipos de viol\u00eancia contra a mulher trabalhadora.<\/p>\n<p align=\"justify\">A nossa luta por sobreviv\u00eancia precisa, necessariamente, romper com o sil\u00eancio e criar la\u00e7os de solidariedade entre n\u00f3s e os demais trabalhadores.<br \/>\nPrecisamos inverter a l\u00f3gica de funcionamento da sociedade: Em vez de quem n\u00e3o trabalha ficar com a riqueza produzida e decidir sobre nossas vidas, n\u00f3s, a classe trabalhadora, devemos assumir o controle da produ\u00e7\u00e3o, da distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, da m\u00eddia e do Estado para podermos desenvolver nossas potencialidade e criarmos um tipo de sociedade sem machismo e sem explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 urgente:<\/strong><br \/>\n&#8211; Puni\u00e7\u00e3o aos agressores (assassinos, empres\u00e1rios, m\u00eddia, governos)! Pol\u00edticas p\u00fablicas para o combate a todo tipo de viol\u00eancia contra a mulher. Por casas-abrigo, delegacias da mulher, recoloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, acompanhamento m\u00e9dico e psicol\u00f3gico, etc.!<br \/>\n&#8211; Por tratamento humanizado, p\u00fablico, de qualidade \u00a0aos trabalhadores\u00a0<span style=\"background-color: #ffffff; font-size: 14px;\">dependentes do alcool e das drogas! Pela amplia\u00e7\u00e3o e por mais investimento n<\/span><span style=\"background-color: #ffffff; font-size: 14px;\">os CAPS!<\/span><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e0s medidas repressivas, n\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria de usu\u00e1rios de drogas!<br \/>\n&#8211; Sal\u00e1rio igual para trabalho igual!<br \/>\n&#8211; Creches p\u00fablicas, gratuitas e com qualidade para as crian\u00e7as da classe trabalhadora!<br \/>\n&#8211; Legaliza\u00e7\u00e3o e descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto! Investimento em campanhas sistem\u00e1ticas e massivas de orienta\u00e7\u00e3o sexual, preven\u00e7\u00e3o contraceptiva e preven\u00e7\u00e3o \u00e0 AIDS e outras DST\u00b4s nas escolas, bairros, postos de sa\u00fade, sindicatos, televis\u00e3o, r\u00e1dio, etc.!<br \/>\n&#8211; Vida, sa\u00fade e um governo da classe trabalhadora!<\/p>\n<p>* No momento em que escrev\u00edamos esse artigo, a presidente Dilma havia recuado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 MP 557 sob press\u00e3o de alguns movimentos de mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"rteright\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"196\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/cartun-latuff-femicc3addio.jpg \" \/><\/strong><\/p>\n<p class=\"rteright\"><strong>Iraci Lacerda e Thais Helena<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Em uma sociedade capitalista, os crit&eacute;rios de produ&ccedil;&atilde;o, suas prioridades e particularidades t&ecirc;m como objetivo garantir que se extraia o maior lucro poss&iacute;vel de cada atividade. Esse lucro &eacute; pautado na explora&ccedil;&atilde;o massiva do trabalho de uma maioria desvalida, que ser&aacute; revertido em posses e em qualidade de vida para somente uma minoria da popula&ccedil;&atilde;o, a burguesia.<br \/>\nNesse tipo de funcionamento nascem e crescem seres humanos que se habituam &agrave;s desigualdades geradas pelo modo de produ&ccedil;&atilde;o e acabam por perpetuar, nos demais &acirc;mbitos de suas vidas, rela&ccedil;&otilde;es sociais t&atilde;o desumanas quanto. <br \/>\nAgravadas pelas in&uacute;meras car&ecirc;ncias e mis&eacute;rias materiais geradas pelo capitalismo, para al&eacute;m de uma cultura e de costumes j&aacute; enraizados, essas rela&ccedil;&otilde;es desumanas se perpetuam tamb&eacute;m individualmente como forma de suprir necessidades n&atilde;o garantidas pelo Estado ou como forma do indiv&iacute;duo manifestar problemas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em uma sociedade em que a fam&iacute;lia &eacute; estruturada patriarcalmente &ndash; e no momento em que voltamos a ouvir a exalta&ccedil;&atilde;o &ldquo;dos bons costumes da fam&iacute;lia brasileira e da propriedade privada&rdquo; &ndash; &eacute; atribu&iacute;da ao homem valora&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o somente diferente, mas superior &agrave;quela atribuida &agrave; mulher. A educa&ccedil;&atilde;o de homens e mulheres, em pleno s&eacute;culo XXI, ainda &eacute; diferenciada. Enquanto a mulher sofre a press&atilde;o para ser ora delicada e submissa ora forte e independente, o homem &eacute; educado para ser o dono de si.<br \/>\n<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"250\" height=\"238\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/marx mulher.jpg \" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Prega-se uma superioridade supostamente inerente ao homem, constru&iacute;da historicamente, o que procura legitimar a submiss&atilde;o feminina e assim justificar a opress&atilde;o da mulher, mesmo com todos os discursos de que as mulheres est&atilde;o se tornando cada vez mais independentes e ocupando espa&ccedil;os at&eacute; ent&atilde;o masculinos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Essa rela&ccedil;&atilde;o de poder entre sexos &eacute; transposta para a rela&ccedil;&atilde;o de posse estabelecida no &acirc;mbito das rela&ccedil;&otilde;es pessoais e sustenta, junto com as demais estruturas sociais, a opress&atilde;o. <br \/>\nA crueldade de 10 mulheres serem mortas por dia ou de a cada 02 minutos 05 mulheres serem espancadas no Brasil (www.luluzinhacamp.com) n&atilde;o pode ser dissociada desse contexto, pois a viol&ecirc;ncia acaba sendo uma das formas de exerc&iacute;cio do poder masculino e &eacute; observada como mediadora das rela&ccedil;&otilde;es entre mulheres e homens como meio de garantir a subordina&ccedil;&atilde;o das primeiras aos segundos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<strong>A INDEPEND&Ecirc;NCIA FINANCEIRA QUE MALTRATA<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><br \/>\n<\/strong> A ampla divulga&ccedil;&atilde;o da independ&ecirc;ncia financeira da mulher, al&eacute;m da necessidade de ser bastante relativizada, deve ser analisada tamb&eacute;m nesse contexto opressor, pois suporta &iacute;ndices reveladores, segundo Relat&oacute;rio IBGE 2011: a) O rendimento m&eacute;dio da mulher &eacute; 70% menor que o do homem, mesmo atingindo maior n&iacute;vel de escolaridade; b) A propor&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias cuja refer&ecirc;ncia &eacute; a mulher subiu, sendo que 36,6% dessas fam&iacute;lias vivem com apenas dois sal&aacute;rios m&iacute;nimos; c) O desemprego entre as mulheres atinge 14,7% contra 9,5% entre os homens. d) Quase 1\/3 das mulheres entre 15 e 24 anos j&aacute; t&ecirc;m filho(s); e) Os matrim&ocirc;nios legais declinaram e as separa&ccedil;&otilde;es conjugais aumentaram.<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora apresente desigualdade nas regi&otilde;es, h&aacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o clara de que o homem ainda recebe, em geral, sal&aacute;rios mais altos e &eacute; eximido culturalmente da responsabilidade de cuidar dos filhos. Sem tratarmos de quest&otilde;es que envolvem diretamente os afazeres dom&eacute;sticos. Todos esses n&uacute;meros s&atilde;o ainda mais desiguais quando nos referimos &agrave;s mulheres negras da classe trabalhadora.<\/p>\n<p align=\"justify\">Isso tudo, muitas vezes, faz a mulher sujeitar-se &agrave;s viol&ecirc;ncias e abusos cometidos pelo homem. Em uma realidade de car&ecirc;ncias, &agrave;s vezes, a trabalhadora somente &ldquo;possui&rdquo; seu companheiro e filhos. Assim, a depend&ecirc;ncia emocional tamb&eacute;m influencia a mulher a n&atilde;o denunciar o agressor.<\/p>\n<p align=\"justify\">Numa sociedade conservadora e de classes, s&atilde;o incutidos nos trabalhadores valores que sustentam as opress&otilde;es: &ldquo;Esse tipo de viol&ecirc;ncia ainda &eacute; justificada por uma s&eacute;rie de cren&ccedil;as: a id&eacute;ia de que o abusador n&atilde;o pode se controlar, que a pessoa abusada &eacute; inferior, que a fam&iacute;lia deve manter-se unida a qualquer custo, e que as pessoas de fora n&atilde;o devem se envolver nas quest&otilde;es familiares&rdquo; (FAGUNDES, Fab&iacute;ola dos Santos).<\/p>\n<p><strong>A VIOL&Ecirc;NCIA COMO FORMA DE PODER SOCIAL E POL&Iacute;TICO<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">E assim os n&uacute;meros v&atilde;o mostrando o grau de viol&ecirc;ncia, de tentativa de manter-se o poder masculino, o qu&atilde;o a sociedade capitalista &eacute; doente e o n&iacute;vel de impunidade: 28,4% das mulheres assassinadas no Brasil em 2010 morreram em casa v&iacute;timas de facadas, tiros, pedradas, golpes de foice e machado. Somente na &uacute;ltima d&eacute;cada o n&uacute;mero de assassinatos cresceu em 30% (Correio Brasiliense, 17\/04\/2011) e ainda discute-se a dificuldade em mapear a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica pelo poder p&uacute;blico.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Lei da Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica e Familiar contra a Mulher (Lei Maria da Penha) oferece algumas possibilidades, por&eacute;m somente ap&oacute;s a mulher efetuar a den&uacute;ncia. Mas, para que haja den&uacute;ncias que possibilitem reduzir drasticamente a intensidade dos assassinatos &eacute; necess&aacute;rio que o governo federal, primeira mulher presidente, pare de ladainha e aplique o dinheiro p&uacute;blico exatamente a favor de quem o produziu.<\/p>\n<p align=\"justify\">At&eacute; o presente momento podemos contar somente com 72 casas-abrigo e 466 Delegacias da Mulher em todo pa&iacute;s (sendo que existem cerca de 5.500 munic&iacute;pios no Brasil).<\/p>\n<p align=\"justify\">Isso demonstra a gravidade de o governo Dilma estar comprometido com as necessidades da burguesia e n&atilde;o da mulher trabalhadora, que mais necessita de bons servi&ccedil;os p&uacute;blicos.<\/p>\n<p><strong>O QUE O &ldquo;ALEGRE&rdquo; CONSUMO DE &Aacute;LCOOL ESCONDE<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong> Quando se trata da viol&ecirc;ncia contra a mulher, apesar de n&atilde;o ser poss&iacute;vel afirmar cientificamente uma rea&ccedil;&atilde;o causal, v&aacute;rios estudiosos afirmam que o &aacute;lcool &eacute; a subst&acirc;ncia mais ligada &agrave;s mudan&ccedil;as de comportamento que resultam em atitudes violentas. O consumo de &aacute;lcool est&aacute; associado a 50% dos casos de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, porcentagem que ainda n&atilde;o inclui a influ&ecirc;ncia do uso de outras drogas. <\/p>\n<p align=\"justify\">Pesquisas demonstram que as agress&otilde;es contra a mulher acontecem em sua maioria no espa&ccedil;o dom&eacute;stico e que o agressor principal costuma ser em primeiro lugar o companheiro, seguido do ex-companheiro.<br \/>\nPara al&eacute;m das consequ&ecirc;ncias sociais que o &aacute;lcool causa, prejudiciais &agrave; vida do homem e da mulher, fica em destaque a intensifica&ccedil;&atilde;o da opress&atilde;o sobre a mulher trabalhadora que convive com homens que utilizam a subst&acirc;ncia de forma abusiva, inclusive para suportarem a intensa explora&ccedil;&atilde;o no trabalho. <br \/>\nAs pol&iacute;ticas p&uacute;blicas direcionadas ao tratamento de dependentes de &aacute;lcool e drogas n&atilde;o d&atilde;o conta de minimizar os danos. Os CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial) recebem parco investimento e n&atilde;o s&atilde;o suficientes em quantidade e nem qualidade.<br \/>\nSem discutirmos os incentivos que as grandes empresas do ramo, apenas dispostas a lucrar, d&atilde;o para que a sociedade consuma cada vez mais, pois relacionam diretamente a bebida com bem-estar, amigos, mulheres bonitas e refor&ccedil;am a ideia de um maior &ldquo;status&rdquo; para aqueles(as) que bebem.<\/p>\n<p><strong>A VIOLENTA M&Iacute;DIA BURGUESA QUE DISSEMINA VIOL&Ecirc;NCIA<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong> Al&eacute;m disso, &eacute; not&aacute;vel e repudiante o papel da m&iacute;dia &ndash; tamb&eacute;m sob controle da burguesia possuidora de vantajosas concess&otilde;es sobre as telecomunica&ccedil;&otilde;es discutidas e aprovadas pelo Congresso Nacional Brasileiro &ndash; quanto &agrave; viol&ecirc;ncia contra a mulher.<br \/>\nO fato mais recente e de grande repercuss&atilde;o foi o ocorrido no BBB\/2012. Com o respaldo de grandes patrocinadores (Devassa, Fiat, Omo, Niely, etc.) a Rede Globo, que incentiva todo tipo de preconceito, tratou de uma suspeita de estupro como &ldquo;caso de amor&rdquo;, editou imagens e ocultou o fato para a pr&oacute;pria v&iacute;tima, desacordada no momento, pressup&otilde;e-se por uso excessivo de &aacute;lcool.<br \/>\nAinda nos deparamos com constantes programa&ccedil;&otilde;es televisivas que desprezam nossa intelig&ecirc;ncia, pois visualizam a mulher como objeto, renegam a mulher da classe trabalhadora e incentivam ou refor&ccedil;am a viol&ecirc;ncia contra a mulher.<\/p>\n<p align=\"justify\">Caso bastante frequente &eacute; do programa Zorra Total, tamb&eacute;m da poderosa emissora. Ou, como o nojento e repugnante programa &ldquo;Mulheres Ricas&rdquo; da Band que procurar humilhar a trabalhadora ao demonstrar o esbanjamento exorbitante de gastos com futilidades e a ociosidade da burguesia, enquanto a nossa classe &eacute; consumida pelo trabalho excessivo com altos n&iacute;veis de explora&ccedil;&atilde;o e baixos sal&aacute;rios para sustentar esse luxo miser&aacute;vel. <br \/>\nOu ainda, quando telejornais e a maior parte da m&iacute;dia escrita omitem informa&ccedil;&otilde;es ou mentem descaradamente para poupar governos fascistas, como no caso do bairro Pinheirinho, em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, SP, em que m&atilde;es com crian&ccedil;as foram expulsas de suas casas, sem alimenta&ccedil;&atilde;o e infra-estrutura por acreditarem na Justi&ccedil;a burguesa e por sonharem com uma moradia.<\/p>\n<p>\n<strong>A VIOL&Ecirc;NCIA DO ESTADO<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong> Al&eacute;m de tudo isso podemos dizer que o Brasil est&aacute; retrocedendo tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de da mulher, o que est&aacute; diretamente relacionado ao n&iacute;vel de viol&ecirc;ncia praticado pelo Estado burgu&ecirc;s e seus meios de sustenta&ccedil;&atilde;o.<br \/>\nSegundo a publica&ccedil;&atilde;o &ldquo;20 anos de pesquisas sobre aborto no Brasil&rdquo; e pesquisa realizada pelo InCor (USP), ambas de 2011, o aborto ilegal continua entre as principais causas de morte da mulher. A curetagem, cirurgia realizada ap&oacute;s abortamento, teve 3,1 milh&otilde;es de registros no SUS em 2010.<br \/>\nEsse problema de sa&uacute;de p&uacute;blica que tamb&eacute;m &eacute; social e pol&iacute;tico tem um perfil: S&atilde;o mulheres com menor escolaridade e que vivem rela&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel.<\/p>\n<p align=\"justify\">Enquanto isso acontece, a presidente Dilma edita a Medida Provis&oacute;ria 557* em 26\/12\/2011 para criar o Cadastro Nacional de Gestantes Brasileiras (com benef&iacute;cio financeiro de R$ 50,00 para auxiliar no deslocamento a servi&ccedil;os de sa&uacute;de no per&iacute;odo de pr&eacute;-natal) colocando mulheres sob vigil&acirc;ncia do Estado compulsoriamente. <br \/>\nEssa MP viola a vida privada da mulher, busca coibir e controlar o abortamento sem termos a descriminaliza&ccedil;&atilde;o e a legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto no pa&iacute;s. Tamb&eacute;m transfere v&aacute;rias responsabilidades para a mulher sem garantir mais vagas ou mais leitos nos hospitais a fim de possibilitar qualidade no pr&eacute;-natal, na interna&ccedil;&atilde;o e no p&oacute;s-parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Essa medida vai ao encontro do projeto que tramita no Congresso da Bolsa-estupro, que visa pagar &agrave; gestante, v&iacute;tima de estupro, que n&atilde;o abortar, um sal&aacute;rio m&iacute;nimo at&eacute; que a crian&ccedil;a complete 18 anos. Ambas procuram dar garantia de direitos ao nascituro e n&atilde;o &agrave; mulher.  E s&atilde;o contr&aacute;rias &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o do STF (maio\/2008) que considera que vida &eacute; pr&oacute;pria de uma concreta pessoa.<br \/>\nO Estado brasileiro refor&ccedil;a assim a ofensiva da Igreja e do Vaticano sobre a opress&atilde;o da mulher e vai &agrave; contram&atilde;o do que vem ocorrendo na Am&eacute;rica Latina, que registra casos de descriminaliza&ccedil;&atilde;o e legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto como no Uruguai, M&eacute;xico e Col&ocirc;mbia.<br \/>\nEm contrapartida temos um d&eacute;ficit nacional de mais de 19,7 mil creches (www.agenciapatriciagalvao.org.br).<br \/>\nEssa realidade nos permite entender a dram&aacute;tica situa&ccedil;&atilde;o da mulher trabalhadora: Decide ter filho, vive, p&aacute;ra de trabalhar ou n&atilde;o tem com quem deixar. Resolve abortar, responde com a vida ou criminalmente. <br \/>\nO governo federal, os estaduais e os municipais t&ecirc;m responsabilidades sobre toda essa situa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o apresentam propostas de combate &agrave; viol&ecirc;ncia porque est&atilde;o comprometidos com mulheres e homens da classe que n&atilde;o trabalha e vive da explora&ccedil;&atilde;o alheia.<br \/>\nO governo Dilma, em especial, por tudo que j&aacute; foi citado, n&atilde;o deve receber dos movimentos organizados de mulheres apenas as exig&ecirc;ncias de que se cumpra um bom trabalho. N&atilde;o podemos cair nessa farsa de que, sob o capitalismo, a vida da mulher trabalhadora &eacute; boa e tranquila. <br \/>\nPermitir essas v&aacute;rias formas de viol&ecirc;ncia contra a mulher trabalhadora &eacute; negarmos a necessidade de transforma&ccedil;&atilde;o dessa sociedade doentia, machista, injusta e exploradora.<br \/>\n<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"150\" height=\"177\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/luta-mulher.jpg \" \/>Os espa&ccedil;os de luta e poder precisam ser ocupados por mulheres e homens da classe trabalhadora que entendam a real necessidade de n&atilde;o nos atrelarmos ou acreditarmos nos governos da burguesia. &Eacute; necess&aacute;rio endurecermos na den&uacute;ncia do grau e dos v&aacute;rios tipos de viol&ecirc;ncia contra a mulher trabalhadora.<\/p>\n<p align=\"justify\">A nossa luta por sobreviv&ecirc;ncia precisa, necessariamente, romper com o sil&ecirc;ncio e criar la&ccedil;os de solidariedade entre n&oacute;s e os demais trabalhadores.<br \/>\nPrecisamos inverter a l&oacute;gica de funcionamento da sociedade: Em vez de quem n&atilde;o trabalha ficar com a riqueza produzida e decidir sobre nossas vidas, n&oacute;s, a classe trabalhadora, devemos assumir o controle da produ&ccedil;&atilde;o, da distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza, da m&iacute;dia e do Estado para podermos desenvolver nossas potencialidade e criarmos um tipo de sociedade sem machismo e sem explora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>&Eacute; urgente:<\/strong><br \/>\n&#8211; Puni&ccedil;&atilde;o aos agressores (assassinos, empres&aacute;rios, m&iacute;dia, governos)! Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o combate a todo tipo de viol&ecirc;ncia contra a mulher. Por casas-abrigo, delegacias da mulher, recoloca&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, acompanhamento m&eacute;dico e psicol&oacute;gico, etc.!<br \/>\n&#8211; Por tratamento humanizado, p&uacute;blico, de qualidade &nbsp;aos trabalhadores&nbsp;<span style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); font-size: 14px; \">dependentes do alcool e das drogas! Pela amplia&ccedil;&atilde;o e por mais investimento n<\/span><span style=\"background-color: rgb(255, 255, 255); font-size: 14px; \">os CAPS!<\/span><\/p>\n<p>&#8211; N&atilde;o &agrave;s medidas repressivas, n&atilde;o &agrave; interna&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria de usu&aacute;rios de drogas!<br \/>\n&#8211; Sal&aacute;rio igual para trabalho igual!<br \/>\n&#8211; Creches p&uacute;blicas, gratuitas e com qualidade para as crian&ccedil;as da classe trabalhadora!<br \/>\n&#8211; Legaliza&ccedil;&atilde;o e descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto! Investimento em campanhas sistem&aacute;ticas e massivas de orienta&ccedil;&atilde;o sexual, preven&ccedil;&atilde;o contraceptiva e preven&ccedil;&atilde;o &agrave; AIDS e outras DST&acute;s nas escolas, bairros, postos de sa&uacute;de, sindicatos, televis&atilde;o, r&aacute;dio, etc.!<br \/>\n&#8211; Vida, sa&uacute;de e um governo da classe trabalhadora!<\/p>\n<p>\n* No momento em que escrev&iacute;amos esse artigo, a presidente Dilma havia recuado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; MP 557 sob press&atilde;o de alguns movimentos de mulheres.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,83],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=324"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5942,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324\/revisions\/5942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}