{"id":3248,"date":"2014-09-02T00:02:28","date_gmt":"2014-09-02T03:02:28","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3248"},"modified":"2014-09-02T00:16:09","modified_gmt":"2014-09-02T03:16:09","slug":"as-lutas-no-brasil-no-2o-semestre-organizacao-de-base-e-unidade-para-vencermos-os-obstaculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/09\/as-lutas-no-brasil-no-2o-semestre-organizacao-de-base-e-unidade-para-vencermos-os-obstaculos\/","title":{"rendered":"Jornal 71: As lutas no Brasil no 2\u00ba semestre: Organiza\u00e7\u00e3o de base e unidade para vencermos os obst\u00e1culos"},"content":{"rendered":"<h1>As lutas no Brasil p\u00f3s-junho e p\u00f3s-Copa<\/h1>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/greve_484-300.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3257\" alt=\"greve_484-300\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/greve_484-300-300x275.jpg\" width=\"300\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/greve_484-300-300x275.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/greve_484-300.jpg 327w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O processo de lutas que vem se desenrolando no Brasil, que teve seu marco nas jornadas de junho de 2013, na greve dos garis em 2014 e outras que se seguiram, e no movimento contra a Copa, pode ter a sua continuidade nas campanhas salariais do 2\u00ba semestre. Entre setembro e outubro temos as datas bases de importantes categorias nacionais, como banc\u00e1rios, correios, petroleiros e metal\u00fargicos. S\u00e3o categorias com uma importante tradi\u00e7\u00e3o de luta, que tem feito greves sistematicamente nos \u00faltimos anos, e cuja mobiliza\u00e7\u00e3o representaria um peso significativo na realidade pol\u00edtica nacional.<br \/>\nNo caso de petroleiros e correios, seu patr\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio governo federal, controlador da Petrobr\u00e1s e ECT, o que tamb\u00e9m vale para metade dos banc\u00e1rios (funcion\u00e1rios do BB e da CEF). Essas empresas, ainda que nominalmente estatais, s\u00e3o geridas por uma burocracia dirigente que as trata como sua propriedade privada, empenhada em aumentar os lucros a qualquer custo. Esses dirigentes embolsam b\u00f4nus milion\u00e1rios e participa\u00e7\u00e3o nos lucros, \u00e0 custa da explora\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios. Trabalhadores dessas empresas enfrentam achatamento salarial (perdas acumuladas de 80% e 90% no BB e na CEF desde julho de 1994), privatiza\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada (80% dos trabalhadores da Petrobr\u00e1s j\u00e1 s\u00e3o terceirizados), sobrecarga de servi\u00e7o, ass\u00e9dio moral, adoecimento f\u00edsico e psicol\u00f3gico, etc., isso sem falar na infla\u00e7\u00e3o que corr\u00f3i o sal\u00e1rio do conjunto dos trabalhadores. N\u00e3o faltam raz\u00f5es para ir \u00e0 luta!<\/p>\n<h1>Obst\u00e1culos a serem superados:<\/h1>\n<p>&#8211; as pr\u00f3prias dire\u00e7\u00f5es sindicais, j\u00e1 que as principais centrais sindicais do pa\u00eds, como CUT, CTB, For\u00e7a Sindical, UGT, NCST, etc., est\u00e3o aparelhadas por partidos pol\u00edticos governistas, como PT e PCdoB, cuja prioridade ser\u00e1 a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma e de seus candidatos, ou por caciques como Paulinho da For\u00e7a, cuja prioridade ser\u00e1 tamb\u00e9m a campanha eleitoral;<br \/>\n&#8211; a dureza da patronal: bancos e montadoras, especialmente, est\u00e3o demitindo em massa e impondo \u201cLay-off\u201d e f\u00e9rias coletivas;<br \/>\n&#8211; o aparato repressivo erguido no per\u00edodo pr\u00e9-Copa do Mundo, com contingentes policiais massivos nas ruas, viol\u00eancia sistem\u00e1tica e indiscriminada da pol\u00edcia contra grevistas e manifestantes, pris\u00f5es arbitr\u00e1rias e ilegais, intima\u00e7\u00f5es e indiciamentos para depoimento sem base real e puramente intimidat\u00f3rios, plant\u00f5es judiciais prontos para julgar e condenar sem provas ou com flagrantes forjados (como nas ditaduras), condena\u00e7\u00e3o das greves como abusivas pela justi\u00e7a do trabalho, multas aos sindicatos e bloqueio das contas (que na pr\u00e1tica impedem os sindicatos de funcionar, outra medida t\u00edpica das ditaduras). Esse aparato repressivo \u00e9 uma necessidade do Estado, a servi\u00e7o do capital, para tentar impedir as lutas dos trabalhadores;<br \/>\n&#8211; o trabalho sistem\u00e1tico de difama\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais por meio dos ve\u00edculos da m\u00eddia corporativa, rede Globo e demais cadeias de TV, revista Veja, grandes jornais como Folha, Estad\u00e3o, portais da internet, etc., todos dedicados diariamente a tratar os manifestantes e grevistas como criminosos, v\u00e2ndalos, extremistas, respons\u00e1veis pela viol\u00eancia, intransigentes, contr\u00e1rios \u00e0 ordem p\u00fablica e ao conjunto da popula\u00e7\u00e3o;<br \/>\n&#8211; por \u00faltimo, o pr\u00f3prio governo estar\u00e1 por tr\u00e1s dos sindicatos pelegos, do aparato repressivo e da imprensa, coordenando-os e atuando ao lado da patronal, para impedir as greves, pois seu interesse fundamental \u00e9 garantir a realiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es, em que o partido governante, o PT e sua coliga\u00e7\u00e3o, enfrenta um forte questionamento, ainda que n\u00e3o haja nenhuma empolga\u00e7\u00e3o pelo bloco oposicionista burgu\u00eas liderado pelo PSDB. Ambos os partidos precisam impedir que a din\u00e2mica das lutas influencie nas elei\u00e7\u00f5es, convergindo para altas porcentagens de absten\u00e7\u00f5es, votos nulos ou votos de protesto. Precisam legitimar seu projeto (que \u00e9 o mesmo, com vieses diferentes) de gest\u00e3o do capital no pa\u00eds por meio das urnas, sem dar voz para as ruas.<\/p>\n<h1>Faz falta a unidade entre os lutadores!<\/h1>\n<p>Para passar por cima dos obst\u00e1culos descritos acima, as categorias em luta precisar\u00e3o aprender com as lutas do primeiro semestre e do per\u00edodo pr\u00e9-Copa. No momento mais agudo, em que a mobiliza\u00e7\u00e3o de diversas categorias, as ocupa\u00e7\u00f5es urbanas e as manifesta\u00e7\u00f5es de rua, tudo isso acontecendo simultaneamente, poderia apresentar um questionamento mais s\u00e9rio contra a realiza\u00e7\u00e3o da Copa e pela imposi\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, o que fez falta foi uma refer\u00eancia organizativa e program\u00e1tica centralizada que unificasse todas essas lutas.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 no Brasil um f\u00f3rum nacional de lutas ou comit\u00eas regionais, reunindo as centrais sindicais combativas e antigovernistas, os movimentos populares e da juventude, como MTST ou MPL, que tem protagonizado as principais lutas no per\u00edodo mais recente. Uma a\u00e7\u00e3o coordenada desses setores poderia servir como refer\u00eancia para o chamado a uma greve geral no per\u00edodo pr\u00e9-Copa, chamado que poderia servir como fator aglutinador para que as diversas categorias e movimentos em luta convergissem para um \u00fanico enfrentamento contra a patronal e o governo, refor\u00e7ando o elemento de unidade da nossa classe contra os capitalistas.<br \/>\nInfelizmente, prevaleceu uma pol\u00edtica mais recuada, mesquinha, voltada para os interesses de cada setor. No caso do movimento sindical, as centrais antigovernistas, Conlutas e Intersindical, limitaram-se a fazer o chamado a CUT e demais centrais pelegas para que unificasse as lutas, coisa que jamais fariam, nem far\u00e3o agora no 2\u00ba semestre. PSTU e PSOL, respectivamente majorit\u00e1rios nessas centrais, privilegiaram suas rela\u00e7\u00f5es de \u201cboa vizinhan\u00e7a\u201d com a burocracia cutista e governista no \u00e2mbito da superestrutura dos aparatos sindicais, ao inv\u00e9s da mobiliza\u00e7\u00e3o das lutas.<\/p>\n<h1>Refor\u00e7ar a organiza\u00e7\u00e3o de base<\/h1>\n<p>O controle dos aparatos sindicais pelos governistas e pelegos \u00e9 um elemento da maior import\u00e2ncia, pois as diretorias dos sindicatos definem o calend\u00e1rio das campanhas, datas de assembleias e deflagra\u00e7\u00e3o de greve, al\u00e9m da composi\u00e7\u00e3o das mesas de negocia\u00e7\u00e3o, em que os burocratas sindicais negociam os acordos entre quatro paredes e pelas costas da base das categorias. Quando necess\u00e1rio \u201ctratoram\u201d assembleias, imp\u00f5em resultados contr\u00e1rios \u00e0 vota\u00e7\u00e3o da base, desligam o microfone e fogem do carro de som escoltados pela pol\u00edcia.<br \/>\nA receita para fortalecer as lutas no 2\u00ba semestre para que tenhamos chances de vit\u00f3ria passa por medidas que superem esse controle burocr\u00e1tico (e que n\u00e3o foram adotadas pelas centrais oposicionistas no 1\u00ba semestre). \u00c9 preciso romper totalmente com as burocracias sindicais governistas e pelegas e lutar por elementos que possam dar \u00e0s bases das categorias o controle sobre suas lutas. Em 2013, os diversos coletivos de oposi\u00e7\u00e3o que constitu\u00edram o Avante, Banc\u00e1rios! deram um exemplo importante na greve da categoria em S\u00e3o Paulo: organizaram piquetes pela base, independente da dire\u00e7\u00e3o pelega e governista do sindicato, trancaram pr\u00e9dios importantes e impuseram preju\u00edzos reais aos bancos, contribuindo para uma greve mais forte do que as dos anos anteriores. Esse exemplo precisa ser seguido este ano e tamb\u00e9m espalhado pelas demais categorias:<\/p>\n<p>&#8211; intensificar a mobiliza\u00e7\u00e3o na base das categorias, chamando a realiza\u00e7\u00e3o de reuni\u00f5es nos locais de trabalho e plen\u00e1rias de base para discutir as campanhas;<br \/>\n&#8211; lutar pela democracia no movimento, exigindo a realiza\u00e7\u00e3o de assembleias, o direito de falar nas assembleias e defender propostas para organizar a luta;<br \/>\n&#8211; comandos de greve e de mobiliza\u00e7\u00e3o controlados pela base, organizando os piquetes e a\u00e7\u00f5es de luta;<br \/>\n&#8211; representantes na mesa de negocia\u00e7\u00e3o eleitos em assembleia e com mandatos revog\u00e1veis;<br \/>\n&#8211; retomar a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es reais e as verdadeiras necessidades das categorias, que podem de fato lev\u00e1-las \u00e0 luta, contra as pautas rebaixadas e artificiais inventadas pelos pelegos e governistas;<\/p>\n<h1>Pela unidade das categorias em luta!<\/h1>\n<p>Al\u00e9m disso, um elemento decisivo seria a unifica\u00e7\u00e3o dessas categorias em luta, com greves simult\u00e2neas, em que se pudesse realizar assembleias, piquetes, passeatas e manifesta\u00e7\u00f5es conjuntas, refor\u00e7ando mutuamente cada segmento no seu enfrentamento com a patronal, o governo e a repress\u00e3o. Para isso, \u00e9 preciso defender no \u00e2mbito de cada categoria um calend\u00e1rio unificado de greve.<br \/>\nUma greve unit\u00e1ria seria tamb\u00e9m um fator capaz de atrair e agregar os demais setores dos movimentos sociais e da juventude \u00e0 luta das categorias. Para isso, trabalhadores dos bancos federais, correios, petroleiros precisam incorporar \u00e0s suas lutas demandas do conjunto da popula\u00e7\u00e3o, como a luta contra o sistema financeiro e o pagamento da d\u00edvida, que determina a pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo, os cortes nos gastos sociais e a prioridade para os lucros dos bancos e especuladores.<br \/>\nE para fazer esse debate, categorias que t\u00eam o governo federal como patr\u00e3o (caso dos trabalhadores dos bancos federais, correios, petroleiros) precisam tamb\u00e9m romper com a chantagem feita pelo PT e sat\u00e9lites governistas no movimento, a chantagem de que o PSDB privatizaria as estatais. O PSDB vai mesmo privatizar tudo o que ainda resta, como tem feito em S\u00e3o Paulo. Mas, na gest\u00e3o do PT n\u00e3o \u00e9 diferente. Mesmo que ainda a propriedade dessas grandes empresas nacionais seja nominalmente estatal, a sua gest\u00e3o j\u00e1 \u00e9 privatista, a sua prioridade j\u00e1 \u00e9 o lucro a qualquer custo, a sua rela\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 predat\u00f3ria, o seu m\u00e9todo de gest\u00e3o j\u00e1 \u00e9 o assedio moral e a imposi\u00e7\u00e3o de metas, o seu lucro j\u00e1 \u00e9 apropriado indiretamente pelo setor privado, atrav\u00e9s do pagamento da d\u00edvida pelo tesouro nacional. A \u00fanica defesa contra a privatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As lutas no Brasil p\u00f3s-junho e p\u00f3s-Copa O processo de lutas que vem se desenrolando no Brasil, que teve seu<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3248"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3248"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3248\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3251,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3248\/revisions\/3251"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}