{"id":3254,"date":"2014-09-02T00:17:44","date_gmt":"2014-09-02T03:17:44","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3254"},"modified":"2014-09-02T00:18:08","modified_gmt":"2014-09-02T03:18:08","slug":"jornal-70-as-nossas-referencias-para-a-discussao-eleitoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/09\/jornal-70-as-nossas-referencias-para-a-discussao-eleitoral\/","title":{"rendered":"Jornal 71: As nossas refer\u00eancias para a discuss\u00e3o eleitoral"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\n@page { margin: 0.79in }\n\t\tP { margin-bottom: 0.08in }\n--><\/style>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Est\u00e1 aberto o processo eleitoral no Brasil. Trata-se de mais uma luta pol\u00edtica entre a classe trabalhadora e a burguesia, que pode servir para aumentar o controle da burguesia sobre a classe trabalhadora\u00a0ou para que a classe trabalhadora tire li\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e avance na compreens\u00e3o de que somente a luta contra o poder da burguesia e do capital pode mudar a nossa vida.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Essa luta pol\u00edtica imp\u00f5e quest\u00f5es fundamentais para as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias\u00a0 elaborarem uma t\u00e1tica que supere alguns desafios: 1) como conseguir dialogar com a classe trabalhadora e ganh\u00e1-la para a compreens\u00e3o de que o ato de votar n\u00e3o \u00e9 suficiente para mudarmos a vida; 2) ter uma interven\u00e7\u00e3o no processo eleitoral (independente de ter candidato ou n\u00e3o) sem, no entanto, semear ilus\u00f5es; 3) contribuir para que a classe trabalhadora fa\u00e7a experi\u00eancia com os mecanismos de domina\u00e7\u00e3o da democracia burguesa e deixe de acreditar nessa farsa; 4) como fazer com que essa interven\u00e7\u00e3o sirva para a organiza\u00e7\u00e3o da luta direta. E, por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante: 5) como construir organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias para contribuir com a luta pelo poder dos trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Essas quest\u00f5es apresentam as dificuldades para os revolucion\u00e1rios encontrarem a t\u00e1tica correta, em cada momento pol\u00edtico, e levam em conta que a separa\u00e7\u00e3o entre sectarismo, oportunismo e capitula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma linha muito t\u00eanue, um pulo. E distante da pol\u00edtica revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Come\u00e7amos por esses desafios porque nos parece que a \u201cesquerda legalizada\u201d (PSTU, PSOL e PCB) tem se perdido na interven\u00e7\u00e3o nos processos eleitorais, se limita a apresentar-se como alternativa \u201cadministrativa\u201d e que ir\u00e1 gerenciar melhor a m\u00e1quina estatal. Essa l\u00f3gica faz com que a cr\u00edtica se restrinja\u00a0 \u00e0 forma de governar ou mesmo, com um cunho moral, apresenta que o problema do Congresso Nacional \u00e9 a falta de idoneidade, falta de den\u00fancia da corrup\u00e7\u00e3o, etc. Mas, sabemos que o problema do Estado ou do Congresso Nacional n\u00e3o \u00e9 a quantidade de deputados de esquerda, \u00e9 a sua pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o na governan\u00e7a do capital. Essa l\u00f3gica tem como consequ\u00eancia secundarizar a cr\u00edtica ao pr\u00f3prio\u00a0capital como a causa dos problemas da classe trabalhadora.<\/p>\n<h1 lang=\"pt-BR\" align=\"CENTER\">\u00a0O centro da\u00a0luta \u00e9 por fora do parlamento<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">A crise estrutural do capital imp\u00f5e algumas contradi\u00e7\u00f5es\u00a0 que n\u00e3o podem ser solucionadas e que o obriga a se reestruturar com a intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o destrutiva, elemento predominante de sua constitui\u00e7\u00e3o. Por conta das particularidades dessa crise a possibilidade de o sistema realizar reformas (que possam melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora de conjunto) s\u00e3o diminutas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Demarcamos essa quest\u00e3o porque a solu\u00e7\u00e3o da crise n\u00e3o passa \u201cpor pol\u00edticas de Estado\u201d (ainda que tenham alguma import\u00e2ncia), mas sim por uma completa reestrutura\u00e7\u00e3o das formas de produzir e do pr\u00f3prio processo de tomada de decis\u00e3o pol\u00edtica. O que tem se conseguido \u00e9 jogar para frente as contradi\u00e7\u00f5es internas do funcionamento do capital. E mesmo assim, com um intervalo de tempo cada vez menor.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Dessa forma, o capital, sendo um sistema, age no interior do Estado, e fundamentalmente fora dele. Como diz Mezs\u00e1ros, \u00e9 uma for\u00e7a extraparlamentar \u201cpor\u00a0 excel\u00eancia\u201d, ou seja, seu funcionamento est\u00e1 para al\u00e9m do Estado. Para vencermos o capital precisamos confront\u00e1-lo na fonte da produ\u00e7\u00e3o de riqueza, isto \u00e9, nas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 fundamentalmente nesse campo que a a\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios deve concentrar suas for\u00e7as.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Assim, a atua\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios no parlamento pode at\u00e9 ocorrer, mas n\u00e3o pode ser o centro da interven\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos incentivar qualquer tipo de ilus\u00e3o de que por dentro do Estado burgu\u00eas haver\u00e1 transforma\u00e7\u00e3o social efetiva.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Com isso afirmarmos a impossibilidade do reformismo na atual etapa hist\u00f3rica e a atualidade hist\u00f3rica da revolu\u00e7\u00e3o. Portanto, a estrat\u00e9gia da luta socialista\u00a0brasileira \u00e9 revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Por fim, ressaltamos que o descr\u00e9dito na via parlamentar n\u00e3o \u00e9 uma escolha, mas decorre de uma avalia\u00e7\u00e3o da realidade objetiva na qual o capitalismo demonstra seus limites e a incapacidade de fazer concess\u00f5es \u00e0 classe trabalhadora, que precisa cada vez mais se organizar e lutar para manter ou arrancar conquistas.<\/p>\n<h1 lang=\"pt-BR\" align=\"CENTER\">Nenhuma ilus\u00e3o na democracia burguesa<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Ao partir de um aspecto correto e de uma t\u00e1tica que aproveite as brechas legais\u00a0a \u201cesquerda legalizada\u201d\u00a0tem se diferenciado muito pouco dos partidos da ordem. Muitas vezes parece mais do mesmo, sem\u00a0sequer fazer uma den\u00fancia radical da democracia burguesa e do pr\u00f3prio processo eleitoral controlado pela burguesia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Entendemos que a interven\u00e7\u00e3o da\u00a0 \u201cesquerda legalizada\u201d no processo eleitoral poderia ser de enfrentamento \u00e0 burguesia e ao capital e que possibilitaria levar para milh\u00f5es de pessoas as propostas socialistas. Mas, h\u00e1 uma diferen\u00e7a importante entre:\u00a0participar do processo eleitoral e nutrir ilus\u00f5es por ele; ter candidatos e rebaixar o programa na tentativa de eleg\u00ea-los;\u00a0disputar para ganhar ou para denunciar o parlamento, a democracia burguesa e o capital.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Na verdade s\u00e3o os banqueiros, empreiteiros, os especuladores das Bolsas de Valores que decidem o que os eleitos dever\u00e3o aprovar ou n\u00e3o. Precisamos contribuir para que a classe trabalhadora entenda isso.<\/p>\n<h1>A luta pelas liberdades democr\u00e1ticas<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Como diz L\u00eanin (A Revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e o renegado Kautsky): \u201cA democracia burguesa, sendo um grande progresso hist\u00f3rico em compara\u00e7\u00e3o com a Idade M\u00e9dia, continua a ser sempre \u2014 e n\u00e3o pode deixar de continuar a ser sob o capitalismo \u2014 estreita, amputada, falsa, hip\u00f3crita, para\u00edso para os ricos, uma armadilha e um engano para os explorados, para os pobres\u201d. Perder\u00a0isso de vista \u00e9 cair em uma armadilha que, historicamente, levou o proletariado a grandes derrotas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Para os revolucion\u00e1rios ainda tem uma quest\u00e3o importante que \u00e9 como combinar a luta contra a democracia burguesa com a luta por mais liberdades democr\u00e1ticas.\u00a0Os regimes ditatoriais e fascistas s\u00e3o dificuldades para a luta revolucion\u00e1ria. Com todos os limites da democracia burguesa, o direito de reuni\u00e3o e manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas,\u00a0 direito de greve e de se organizar sindical e politicamente s\u00e3o conquistas importantes e que permitem melhores condi\u00e7\u00f5es de luta.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Essa n\u00e3o \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o simples porque nessa luta n\u00e3o podemos deixar \u201cbrechas\u201d para a burguesia retirar os direitos democr\u00e1ticos conquistadas com muita luta. Na luta pelas conquistas democr\u00e1ticas demonstramos os limites da democracia burguesa,\u00a0contribu\u00edmos para que os trabalhadores fa\u00e7am a experi\u00eancia e compreendam que s\u00f3 um poder socialista poder\u00e1 propiciar a mais ampla democracia, a democracia oper\u00e1ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Nesse momento de repress\u00e3o, pris\u00f5es, processos e outros ataques aos direitos democr\u00e1ticos\u00a0s\u00e3o mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de que a burguesia n\u00e3o tem a democracia como princ\u00edpio, utilizando-a s\u00f3 quando \u00e9 \u00fatil para garantir a sua domina\u00e7\u00e3o. Hoje, na pr\u00e1tica, n\u00e3o temos o direito de manifesta\u00e7\u00e3o e reuni\u00e3o p\u00fablica. N\u00e3o temos liberdade de imprensa. E, em muitos casos, sequer temos as garantias constitucionais.<\/p>\n<style type=\"text\/css\"><!--\n@page { margin: 0.79in }\n\t\tP { margin-bottom: 0.08in }\n--><\/style>\n<h1 lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: left;\" align=\"CENTER\">Posi\u00e7\u00f5es sobre a t\u00e1tica eleitoral expressas nos debates internos:<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Nos debates, em nossa Organiza\u00e7\u00e3o, tivemos duas posi\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es: Voto nulo e Apoio cr\u00edtico \u00e0s candidaturas dos partidos classistas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">A nossa compreens\u00e3o de centralismo democr\u00e1tico apresenta a possibilidade de publicarmos posi\u00e7\u00f5es divergentes. Entendemos que s\u00e3o debates do pr\u00f3prio movimento e as v\u00e1rias for\u00e7as pol\u00edticas e ativistas os est\u00e3o fazendo. E a publica\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es podem contribuir com os proponentes, com os militantes e ativistas para refletirmos, a luz da din\u00e2mica da luta de classes, sobre acertos e erros nas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">A partir de uma decis\u00e3o, por maioria, aplicaremos a pol\u00edtica votada. O espa\u00e7o democr\u00e1tico e a garantia de que as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ser\u00e3o debatidas e submetidas ao voto \u00e9, a nosso ver, uma forma de fortalecer a decis\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, criando um ambiente sadio e fraterno entre camaradas. \u00c9 a democracia interna em sua m\u00e1xima express\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Assim, publicamos nessa edi\u00e7\u00e3o dois textos que expressam, em linhas gerais, os posicionamentos internos em debate.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"JUSTIFY\">Objetivando ampliar a reflex\u00e3o sobre a quest\u00e3o eleitoral, tamb\u00e9m publicamos um texto de Ivo Tonet (Professor da UFAL) que, para al\u00e9m de seu posicionamento t\u00e1tico, traz quest\u00f5es imprescind\u00edveis para essa reflex\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 aberto o processo eleitoral no Brasil. 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