{"id":3266,"date":"2014-09-02T00:27:21","date_gmt":"2014-09-02T03:27:21","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3266"},"modified":"2014-09-02T00:31:32","modified_gmt":"2014-09-02T03:31:32","slug":"eleicoes-repensando-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/09\/eleicoes-repensando-caminhos\/","title":{"rendered":"Jornal 71: Elei\u00e7\u00f5es: repensando caminhos"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\n@page { margin: 0.79in }\n\t\tP { margin-bottom: 0.08in }\n\t\tA:link { so-language: zxx }\n\t\tA.sdfootnoteanc { font-size: 57% }\n--><\/style>\n<p align=\"RIGHT\">Ivo Tonet *<sup><a href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><\/a><a href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><\/a><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00a0De tantos em tantos anos somos convocados para participar de um processo de escolha de representantes pol\u00edticos. E, diante de tanta corrup\u00e7\u00e3o, de tantos desmandos dos pol\u00edticos, de tanto descaso para com a coisa p\u00fablica, de tanto cinismo, muitos se perguntam: vale a pena continuar votando? Vale a pena renovar sempre o cr\u00e9dito quando se constata que nada muda? Promessas sempre renovadas, em tempo de elei\u00e7\u00e3o, e sempre descumpridas depois de encerrado o processo. Haveria alguma alternativa?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para quem entende que esta forma de sociabilidade \u2013 capitalista, necessariamente desigualit\u00e1ria, \u2013 \u00e9 a melhor forma poss\u00edvel n\u00e3o resta nenhuma d\u00favida, trata-se de aperfei\u00e7o\u00e1-la e, para isso, o processo democr\u00e1tico de escolha de representantes e de exerc\u00edcio do poder pol\u00edtico \u00e9 um dos elementos fundamentais. N\u00e3o importa quantos e qu\u00e3o profundos defeitos tenha, \u00e9 a melhor alternativa.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para aqueles, por\u00e9m, que admitem a possibilidade de construir um mundo livre das desigualdades sociais e que, portanto, n\u00e3o se iludem com a possibilidade de aperfei\u00e7oar gradativamente esta forma de sociedade, participar ou n\u00e3o do processo eleitoral n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de princ\u00edpio, pois n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica alternativa. O importante \u00e9 analisar a situa\u00e7\u00e3o concreta e verificar se a participa\u00e7\u00e3o pode ser um instrumento nessa luta pela transforma\u00e7\u00e3o radical do mundo.<\/p>\n<h1 style=\"text-align: left;\" align=\"CENTER\">\u00a0A situa\u00e7\u00e3o concreta<\/h1>\n<h2 style=\"text-align: left;\" align=\"CENTER\">1) Um pouco de hist\u00f3ria geral<\/h2>\n<p align=\"JUSTIFY\">Como resultado da trajet\u00f3ria hist\u00f3rica dos \u00faltimos cento e cinquenta anos, a luta pela transforma\u00e7\u00e3o radical do mundo encontra-se, hoje, em uma situa\u00e7\u00e3o extremamente dif\u00edcil. Ao longo destes anos, muitas foram as batalhas travadas entre o capital e o trabalho. Infelizmente, n\u00e3o obstante vit\u00f3rias pontuais do trabalho, o que predominou foram as vit\u00f3rias do capital.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por\u00e9m, algo mais grave aconteceu. Ao longo dessa trajet\u00f3ria, a perspectiva do trabalho, que \u00e9 a de superar inteiramente o capital, foi perdendo, cada vez mais, a sua especificidade, o seu car\u00e1ter radicalmente revolucion\u00e1rio e se tornando sempre mais reformista.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para os revolucion\u00e1rios socialistas, Marx \u00e0 frente, era claro que a tarefa de mudar o mundo repousava sobre os ombros da classe trabalhadora<sup><a href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>1<\/sup><\/a><\/sup>. Essa deveria organizar-se de maneira independente do Estado, lan\u00e7ar-se \u00e0 luta e nesse processo ir criando uma consci\u00eancia cada vez mais clara dos seus objetivos. Para eles, estava muito claro que a transforma\u00e7\u00e3o do mundo seria obra da classe trabalhadora organizada e consciente e jamais do Estado. Portanto, que o eixo da luta revolucion\u00e1ria nunca poderia ser nem o parlamento, nem o Estado. O objetivo n\u00e3o poderia ser a tomada do Estado, para, por meio dele, conduzir a mudan\u00e7a do mundo. A luta pelo poder pol\u00edtico seria apenas um primeiro momento, de fundamental import\u00e2ncia, mas secund\u00e1rio, que criaria as condi\u00e7\u00f5es para que a \u201calma social\u201d, ou seja, as mudan\u00e7as concretas nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho \u2013 a instaura\u00e7\u00e3o de uma forma de trabalho comandada de modo consciente, livre e coletivo e universal pelos pr\u00f3prios trabalhadores \u2013 pudesse se manifestar plenamente<sup><a href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\"><sup>2<\/sup><\/a><\/sup>. Isto est\u00e1 claramente afirmado, por Marx, tanto nas Glosas cr\u00edticas ao artigo O Rei da Pr\u00fassia e a Reforma Social. De um prussiano, como em A guerra civil na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os revolucion\u00e1rios socialistas sabiam que o Estado sempre seria, em ess\u00eancia, um instrumento das classes dominantes e que, portanto, jamais poderia ser simplesmente conquistado, reformadoe posto a servi\u00e7o dos trabalhadores. Sabiam que, por mais desenvolvido que fosse o sistema democr\u00e1tico, ele s\u00f3 poderia admitir a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na medida em que aceitassem os limites impostos pela propriedade privada. Sabiam, tamb\u00e9m, que o Estado n\u00e3o \u00e9 composto apenas pelo legislativo e pelo executivo, mas tamb\u00e9m pelo sistema judici\u00e1rio, administrativo e repressivo. Que, portanto, mesmo se houvesse a possibilidade de ocupar o executivo e ter maioria no legislativo, ainda assim, os trabalhadores estariam longe de ter efetivamente o poder do Estado em suas m\u00e3os. Sabiam, al\u00e9m disso, que o sistema pol\u00edtico-eleitoral \u00e9 a melhor forma de iludir e desmobilizar a popula\u00e7\u00e3o, pois a leva a acreditar que o poder est\u00e1 em suas m\u00e3os, quando, de fato, ele jamais escapa do controle das classes dominantes<sup><a href=\"#sdfootnote5sym\" name=\"sdfootnote5anc\"><sup>3<\/sup><\/a><\/sup>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No entanto, embora n\u00e3o tendo ilus\u00f5es quanto ao sistema democr\u00e1tico burgu\u00eas, os revolucion\u00e1rios socialistas tinham claro que a democracia burguesa \u00e9 o melhor espa\u00e7o para levar a luta do trabalho contra o capital at\u00e9 o seu fim. Por isso mesmo, para eles, a democracia jamais poderia ser suprimida pela for\u00e7a ou por decreto. A democracia s\u00f3 poderia extinguir-se quando entrasse em cena uma forma superior de liberdade, a liberdade do socialismo<sup><a href=\"#sdfootnote6sym\" name=\"sdfootnote6anc\"><sup>4<\/sup><\/a><\/sup>. E esta seria, necessariamente, fundada no trabalho associado<sup><a href=\"#sdfootnote7sym\" name=\"sdfootnote7anc\"><sup>5<\/sup><\/a><\/sup>. Assim como o trabalho assalariado \u00e9 o fundamento do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, o trabalho associado \u00e9 o fundamento da livre associa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores associados, outro nome para o modo de produ\u00e7\u00e3o comunista.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No entanto, por um processo extremamente complexo e tortuoso, e tanto pela via reformista da social-democracia alem\u00e3, como pela via revolucion\u00e1ria sovi\u00e9tica e depois pela chamada \u201cvia democr\u00e1tica\u201d, o eixo da luta foi sendo deslocado da organiza\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma e independente da classe trabalhadora para o interior do Estado e do parlamento. Infelizmente, esse deslocamento continua, e de modo cada vez mais intenso, at\u00e9 os dias atuais. Os reformistas acreditavam que os trabalhadores poderiam, atrav\u00e9s da amplia\u00e7\u00e3o da sua participa\u00e7\u00e3o no parlamento, aumentar cada vez mais o seu peso e assim tomar o poder do Estado para, por interm\u00e9dio dele, realizar as transforma\u00e7\u00f5es rumo ao socialismo. Os revolucion\u00e1rios, por sua vez, inicialmente na R\u00fassia e depois em todos os outros pa\u00edses, se viram diante de uma situa\u00e7\u00e3o na qual faltavam as condi\u00e7\u00f5es essenciais para caminhar no sentido do socialismo (um alto desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e a universaliza\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o)<sup><a href=\"#sdfootnote8sym\" name=\"sdfootnote8anc\"><sup>6<\/sup><\/a><\/sup>. Isto \u00e9, faltavam, exatamente, as condi\u00e7\u00f5es para instaurar o trabalho associado, a \u201clivre associa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores livres\u201d, que, por sua natureza, deve ser universal. Por isso, entenderam que deveriam utilizar-se do Estado como esse instrumento capaz de dirigir a cria\u00e7\u00e3o daquelas condi\u00e7\u00f5es. Os reformistas da \u201cvia democr\u00e1tica\u201d (eurocomunistas e socialistas democr\u00e1ticos, seguidos pela maioria da esquerda dos pa\u00edses capitalistas), por seu lado, acreditavam que o caminho da transforma\u00e7\u00e3o do mundo passava pela amplia\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia da esquerda na chamada sociedade civil<sup><a href=\"#sdfootnote9sym\" name=\"sdfootnote9anc\"><sup>7<\/sup><\/a><\/sup> e, depois, no pr\u00f3prio Estado. A amplia\u00e7\u00e3o gradual e constante da democracia e da cidadania seria o caminho que levaria ao socialismo, sempre respeitando as regras do \u201cjogo democr\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por todos esses caminhos, o campo de luta foi sendo deslocado, te\u00f3rica e praticamente, do terreno da \u201cf\u00e1brica\u201d, isto \u00e9, do lugar onde se produz a riqueza material e por isso, onde se d\u00e1 o embate fundamental entre o capital e o trabalho e a partir do qual se deve dar a organiza\u00e7\u00e3o e tomada de consci\u00eancia da classe trabalhadora, para o terreno do Estado. E, mesmo quando as lutas extraparlamentares eram incentivadas, sempre se deixava claro que elas deveriam desaguar no Estado. O resultado disso \u00e9 que a classe trabalhadora e, com o tempo, tamb\u00e9m a maior parte dos revolucion\u00e1rios, foram levados a acreditar que poderiam intervir decisivamente na transforma\u00e7\u00e3o do mundo apenas depositando o seu voto nas urnas, assumindo, atrav\u00e9s de representantes, postos no aparelho estatal ou pressionando o Estado atrav\u00e9s de lutas parciais. Al\u00e9m disto, tamb\u00e9m foram levados a acreditar que a falta de atendimento \u00e0s suas reivindica\u00e7\u00f5es estaria ora na corrup\u00e7\u00e3o, na malversa\u00e7\u00e3o do dinheiro p\u00fablico, na m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o, na trai\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos e partidos, na falta de honestidade, na falta de recursos etc., jamais na pr\u00f3pria ess\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es materiais da sociedade (as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas) e no Estado, como instrumento necess\u00e1rio para a reprodu\u00e7\u00e3o dessas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Passividade, desmobiliza\u00e7\u00e3o, aliena\u00e7\u00e3o, acomoda\u00e7\u00e3o diante da continuidade e at\u00e9 do crescimento das desigualdades sociais, perda completa da perspectiva de uma transforma\u00e7\u00e3o radical do mundo e perda da consci\u00eancia de que \u00e9 ela, a classe trabalhadora que deve assumir o protagonismo dessa transforma\u00e7\u00e3o, contra o capital e contra o Estado. Essas foram as consequ\u00eancias do deslocamento, realizado pela esquerda, da centralidade do trabalho para a centralidade da pol\u00edtica<sup><a href=\"#sdfootnote10sym\" name=\"sdfootnote10anc\"><sup>8<\/sup><\/a><\/sup>. Deste modo, os partidos ditos de esquerda passaram a comportar-se como t\u00edpicos partidos burgueses, fazendo dos trabalhadores meras massas de manobra para a realiza\u00e7\u00e3o dos seus interesses.<sup><a href=\"#sdfootnote11sym\" name=\"sdfootnote11anc\"><sup>9<\/sup><\/a><\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 instrutivo ver a maneira de atuar dos partidos burgueses. Os capitalistas sabem que a sua for\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 no parlamento, mas l\u00e1 onde se concentram a produ\u00e7\u00e3o e a circula\u00e7\u00e3o da riqueza. Contudo, sabem, tamb\u00e9m, que o Estado \u00e9 um instrumento indispens\u00e1vel para a manuten\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o dos seus interesses. Utilizam-se, por isso, do processo eleitoral, e a\u00ed est\u00e3o inclu\u00eddos todos os meios legais e ilegais, para levar os seus representantes a ocuparem o poder do Estado. Mas, o que \u00e9 importante: eles \u2013 os capitalistas \u2013 jamais deixam de ter o controle em suas m\u00e3os. N\u00e3o s\u00e3o eles os instrumentos do Estado, o Estado \u00e9 que \u00e9 o seu instrumento. Esta \u00e9 exatamente a forma de agir que conv\u00e9m \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o dos interesses das classes dominantes.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ora, os partidos e outras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, ao agirem desta mesma forma, desvirtuam completamente as tarefas que s\u00e3o pr\u00f3prias da classe trabalhadora. \u00c9 uma enorme ilus\u00e3o, gerada pela centralidade da pol\u00edtica, pensar que bastam boas inten\u00e7\u00f5es e honestidade para escapar da armadilha do capital.<\/p>\n<p align=\"CENTER\">Ao contr\u00e1rio do capital, o trabalho n\u00e3o tem uma estrutura de comando centralizada. A produ\u00e7\u00e3o da riqueza (o trabalho) \u00e9 necessariamente social, ao passo que a apropria\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre privada, quer dizer, concentrada em poucas m\u00e3os. Por isso mesmo, a liberta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora n\u00e3o pode ser obra de um pequeno grupo organizado, mesmo sob a forma do Estado. Tem que ser obra do conjunto da classe trabalhadora, consciente e organizada de forma independente e contr\u00e1ria ao Estado e ao capital. Em consequ\u00eancia disto, s\u00f3 faz sentido a classe trabalhadora participar do processo pol\u00edtico-eleitoral se ela puder controlar os seus representantes. Mas, ela s\u00f3 poder\u00e1 control\u00e1-los se estiver consciente dos seus interesses e organizada para defend\u00ea-los. Este controle n\u00e3o \u00e9, de modo nenhum, uma quest\u00e3o jur\u00eddica, mas pol\u00edtica. Ele mesmo s\u00f3 teria sentido em um momento em que a luta extraparlamentar, contra o capital e contra o pr\u00f3prio Estado, fosse o eixo da luta, o que caracterizaria, j\u00e1, um processo revolucion\u00e1rio. Isso implicaria a revocabilidade do mandato e a capacidade das massas de obrigar os eleitos a executar as tarefas que lhes foram designadas. Importante acentuar: n\u00e3o se trata de controle dos representantes por partidos, mas pelas amplas massas conscientes e organizadas. Algo neste sentido foi realizado pela Comuna de Paris e pelos primeiros momentos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Se isto n\u00e3o acontecer, os trabalhadores se transformar\u00e3o, inevitavelmente, em massa de manobra. Ap\u00f3s eleger os governantes, eles n\u00e3o ter\u00e3o como exigir de seus representantes o cumprimento do que foi prometido, tornando-se, ent\u00e3o, expectadores passivos e desorientados.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\" align=\"CENTER\">Um pouco de hist\u00f3ria do Brasil<\/h2>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta transforma\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em massa de manobra foi o que aconteceu no Brasil ao longo destes \u00faltimos vinte e cinco anos. O PT, \u00e0 frente de alguns partidos que se diziam de esquerda, transformou a chegada ao poder em uma condi\u00e7\u00e3o essencial para levar adiante o seu projeto. Projeto este que passou de um vago tom socialista inicial para um acento cada vez mais clara e inequivocamente reformista. Em s\u00edntese, este projeto tem por objetivo, aproveitando a crise que tem como epicentro os pa\u00edses mais desenvolvidos, tomar o caminho do desenvolvimento com distribui\u00e7\u00e3o de renda. Este seria o caminho para alcan\u00e7ar, gradativamente e sem acirrar demasiadamente as contradi\u00e7\u00f5es sociais, em poucas d\u00e9cadas, o patamar de desenvolvimento em que se encontram os pa\u00edses mais avan\u00e7ados. Para isso, por\u00e9m, viu-se obrigado a fazer cada vez mais concess\u00f5es e alian\u00e7as com for\u00e7as que seriam, em princ\u00edpio, inteiramente contr\u00e1rias \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de profundas transforma\u00e7\u00f5es na sociedade brasileira.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Como se pode ver, isto n\u00e3o tem mais nada a ver com a an\u00e1lise marxista da sociedade e, muito menos, com a perspectiva da classe trabalhadora de superar radicalmente o capitalismo. Persegue-se, apenas, o aperfei\u00e7oamento desta ordem social exatamente por supor que o socialismo \u00e9 um sonho irrealiz\u00e1vel.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 uma tremenda ilus\u00e3o, que ser\u00e1 paga com o crescente agravamento dos problemas sociais de toda ordem, pensar que a acumula\u00e7\u00e3o gradativa de reformas \u00e9 o caminho para resolver os problemas da humanidade. \u00c9 da natureza do capitalismo produzir desigualdade social e tornar cada vez mais b\u00e1rbara a exist\u00eancia humana. Isto n\u00e3o \u00e9 um defeito que possa ser sanado. E se, por um breve per\u00edodo, parece que o caminho da reforma \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o, a m\u00e9dio e longo prazos ficar\u00e1 clara a sua inviabilidade. Mas, ent\u00e3o, talvez j\u00e1 seja tarde para a humanidade!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"CENTER\">Esse processo de reformiza\u00e7\u00e3o implicou, por sua vez, a burocratiza\u00e7\u00e3o dos partidos, pois a ocupa\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina do Estado se transformou em meio de reprodu\u00e7\u00e3o dos interesses dessa vasta camada de parlamentares e burocratas sindicais e intelectuais. Assim, o que era meio \u2013 a busca de postos no parlamento e no Estado para, supostamente, defender l\u00e1 os interesses dos trabalhadores \u2013 passa a ser fim, ou seja, a reprodu\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios interesses. E, de novo, os trabalhadores passam a ser apenas massas de manobra para o momento da elei\u00e7\u00e3o e para a manuten\u00e7\u00e3o desse projeto. Em troca disto recebem apenas migalhas, pois as pol\u00edticas econ\u00f4micas, que s\u00e3o as mais importantes, implementadas por esses partidos, continuam a carrear as riquezas para as m\u00e3os dos capitalistas, nacionais e internacionais. Tudo isso, claro, recoberto com o discurso da mudan\u00e7a e da transforma\u00e7\u00e3o e com a necess\u00e1ria concess\u00e3o de pequenos benef\u00edcios para os trabalhadores.<\/p>\n<h1 style=\"text-align: left;\" align=\"CENTER\">O sentido do voto nulo<\/h1>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por todos estes motivos, e considerando a obrigatoriedade do voto, a anula\u00e7\u00e3o do voto \u00e9, a nosso ver, a melhor op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Argumentam, muitos daqueles que defendem o voto positivo, que \u00e9 da m\u00e1xima import\u00e2ncia votar positivamente, sustentando o atual governo, com seu projeto, pois o contr\u00e1rio seria ceder o lugar \u00e0s for\u00e7as mais reacion\u00e1rias. Outros, contr\u00e1rios tanto aos partidos mais reacion\u00e1rios, como PSDB e DEM, como aos partidos que est\u00e3o, atualmente, no governo (PT, PMDB, PCdoB, PDT e outros), argumentam que \u00e9 preciso participar do processo eleitoral, com candidaturas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Entre estes \u00faltimos, temos, basicamente, duas posi\u00e7\u00f5es. Uma, exemplificada pelo PSOL, pretende, atrav\u00e9s deste processo, colocar-se como uma real alternativa de poder. Pretende, portanto, tomar o Estado para, por seu interm\u00e9dio, conduzir as transforma\u00e7\u00f5es sociais em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo. Outra, esposada pelo PCB, pelo PSTU, pelo PCO e outros, argumenta que \u00e9 preciso participar para poder fazer a cr\u00edtica das propostas burguesas e defender a proposta socialista. Argumentam, ainda, estes partidos que, como a maioria da classe trabalhadora ainda acredita na via eleitoral, \u00e9 preciso participar dela para poder desmistific\u00e1-la por dentro. Este seria o caminho para fazer avan\u00e7ar a consci\u00eancia de classe revolucion\u00e1ria dos trabalhadores.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A cr\u00edtica \u00e0 primeira posi\u00e7\u00e3o, aquela que defende a sustenta\u00e7\u00e3o do atual governo, \u00e9 muito simples. Mas, para isso, \u00e9 preciso partir de um ponto de vista de classe. Se partirmos do ponto de vista dos interesses fundamentais da classe trabalhadora, que implicam a supera\u00e7\u00e3o radical do capital e do Estado, ent\u00e3o veremos que aquele \u00e9 um projeto tipicamente burgu\u00eas, cujo objetivo \u00e9 o aperfei\u00e7oamento do capitalismo o que, mesmo dentro de todas as limita\u00e7\u00f5es, s\u00f3 pode ser feito \u00e0 custa da classe trabalhadora. Vale a pena sublinhar: o capital \u00e9 incontrol\u00e1vel e, portanto, \u00e9 ilus\u00e3o pretender realizar esse controle atrav\u00e9s do Estado<sup><a href=\"#sdfootnote12sym\" name=\"sdfootnote12anc\"><sup>10<\/sup><\/a><\/sup>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A cr\u00edtica \u00e0s outras posi\u00e7\u00f5es \u00e9 um tanto mais complexa. No caso do PSOL, a proposta \u00e9 a mesma do PT: tomar o Estado para, atrav\u00e9s dele, implementar determinado projeto que conduziria ao socialismo. A diferen\u00e7a, em rela\u00e7\u00e3o ao PT, \u00e9 que este projeto estaria mais voltado para a defesa de interesses nacionais em oposi\u00e7\u00e3o a interesses internacionais. Ora, j\u00e1 dizia Marx, nas Glosas cr\u00edticas marginais ao artigo O Rei da Pr\u00fassia e a reforma Social. De um prussiano, que todo partido que luta para ser governo atribui \u00e0quele que est\u00e1 no governo a culpa por todos os problemas. Promete, deste modo, san\u00e1-los assim que assumir o poder de Estado. Este caminho foi desmentido centenas de vezes, exatamente porque o Estado (moderno), sendo express\u00e3o do capital e estando sujeito \u00e0 sua l\u00f3gica, n\u00e3o pode, em hip\u00f3tese alguma, control\u00e1-lo. N\u00e3o importa quanta boa inten\u00e7\u00e3o se tenha. N\u00e3o \u00e9 de boa inten\u00e7\u00e3o que se trata, mas de quem det\u00e9m, efetivamente, o poder. Ora, no capitalismo, a verdadeira sede do poder est\u00e1 na \u201cf\u00e1brica\u201d, ou seja, l\u00e1 onde se produz o capital. O poder do Estado \u00e9 apenas uma media\u00e7\u00e3o para a reprodu\u00e7\u00e3o dos interesses do capital.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No caso dos outros partidos entendemos que, neste momento, a participa\u00e7\u00e3o positiva no processo eleitoral s\u00f3 refor\u00e7a o que j\u00e1 est\u00e1, em muitos casos, na cabe\u00e7a das pessoas: a ideia de que este \u00e9 o meio mais adequado para transformar a sociedade. Se o objetivo dos revolucion\u00e1rios \u00e9 contribuir para a transforma\u00e7\u00e3o radical do mundo, ent\u00e3o sua pr\u00e1tica n\u00e3o pode sinalizar para um caminho que \u00e9, necessariamente, reformista.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mas, para isso, \u00e9 preciso fazer uma cr\u00edtica radical n\u00e3o s\u00f3 do capitalismo, mas tamb\u00e9m do Estado e de todos os caminhos reformistas e enfatizar a necessidade de uma ruptura radical com essa ordem social. E, al\u00e9m disso, deixar bem claro que essa ruptura tem que ser liderada pela classe trabalhadora e que n\u00e3o pode ser, jamais, atribu\u00edda nem ao Estado nem a nenhum partido. Para isso, evidentemente, a classe trabalhadora tem que reconstruir sua independ\u00eancia ideol\u00f3gica e pol\u00edtica. Este \u00e9 o cerne da quest\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 preciso lembrar: o que mais importa \u00e9 o que se faz e n\u00e3o o que se diz. Independente do que se queira e se diga, a participa\u00e7\u00e3o positiva no processo eleitoral contribuir\u00e1 para que a classe trabalhadora pense que este \u00e9 o caminho para mudar o mundo. Os poucos minutos de propaganda eleitoral e alguns com\u00edcios n\u00e3o ser\u00e3o mais do que uma gota d\u00b4\u00e1gua num oceano de aliena\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o se agrava ainda mais se considerarmos que o ide\u00e1rio socialista foi profunda e negativamente afetado pelo fracasso de todas as tentativas revolucion\u00e1rias, fracasso este que pareceu deixar evidente que o \u00fanico caminho poss\u00edvel \u00e9 o aperfei\u00e7oamento desta sociedade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Aproveitar o processo eleitoral para continuar a fazer aquilo que deveria ser a atividade cotidiana: denunciar o capital e o Estado como respons\u00e1veis pelos grav\u00edssimos problemas da humanidade, fazer a cr\u00edtica radical de todas as propostas de manuten\u00e7\u00e3o ou de reforma desta sociedade e esclarecer a respeito de uma nova proposta de sociedade, contribuindo, assim, para a independ\u00eancia ideol\u00f3gica, pol\u00edtica e organizativa da classe trabalhadora. Este deveria, a nosso ver, ser o tom da participa\u00e7\u00e3o no processo eleitoral. Da\u00ed ser a anula\u00e7\u00e3o do voto o melhor caminho.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As formas para essas atividades podem ser as mais variadas: tanto individuais como coletivas. O importante \u00e9 que contribuam para mudar o foco da luta dos trabalhadores: retirar este foco da \u00f3rbita do Estado para recoloc\u00e1-lo no \u00e2mbito extra-estatal, mas com um claro sentido anticapitalista e antiestatal e socialista.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Contudo, o voto nulo embute um enorme perigo, porque pode ter dois sentidos. Pode ser simplesmente um voto de protesto. Vale dizer, a manifesta\u00e7\u00e3o de um descontentamento com a forma da pol\u00edtica burguesa e n\u00e3o com o conte\u00fado desta pol\u00edtica. Pode significar a insatisfa\u00e7\u00e3o com a corrup\u00e7\u00e3o, a desonestidade, a roubalheira, as falcatruas, o descaso com o interesse p\u00fablico que tem dominado a cena pol\u00edtica. Isso significa, por sua vez, que n\u00e3o se est\u00e1 rejeitando a forma burguesa de fazer pol\u00edtica, com todas as suas consequ\u00eancias, mas, apenas, que se gostaria que dar um \u201crecado\u201d para que a vida pol\u00edtica fosse reformulada no sentido da honestidade e da preocupa\u00e7\u00e3o com o interesse p\u00fablico. Quem n\u00e3o lembra do refr\u00e3o: \u00e9tica na pol\u00edtica!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta \u00e9, muito provavelmente, a preocupa\u00e7\u00e3o predominante entre aqueles que se disp\u00f5em a anular o seu voto.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nisso reside um enorme perigo, pois dessa maneira n\u00e3o se faz avan\u00e7ar, de modo nenhum, a consci\u00eancia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 preciso compreender que o problema n\u00e3o est\u00e1 na honestidade ou na desonestidade dos pol\u00edticos. A pol\u00edtica burguesa implicar\u00e1 sempre, em menor ou maior grau, de forma mais aberta ou mais velada, a corrup\u00e7\u00e3o e a predomin\u00e2ncia do interesse particular sobre o interesse p\u00fablico. Se o poder pol\u00edtico, numa sociedade capitalista, \u00e9 a express\u00e3o, ainda que mediada, dos interesses econ\u00f4micos, que s\u00e3o particulares, isso n\u00e3o poderia ser diferente. Ser\u00e1 preciso lembrar os recorrentes esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o que vem \u00e0 tona em todos os pa\u00edses, inclusive os mais democr\u00e1ticos? Mas, isso \u00e9 apenas a ponta do iceberg.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A quest\u00e3o, pois, n\u00e3o \u00e9 de honestidade, mas do que se pretende fazer e do compromisso efetivo, provado na vida di\u00e1ria, com um programa de transforma\u00e7\u00f5es radicais da sociedade. H\u00e1 pol\u00edticos burgueses que s\u00e3o honestos. Nem por isso est\u00e3o comprometidos com os interesses dos trabalhadores. Para a classe trabalhadora, isso significa que ela precisa estabelecer claramente, atrav\u00e9s de um processo de lutas, que leva \u00e0 tomada de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o, quais as propostas que quer ver realizadas. Propostas que sinalizem claramente na dire\u00e7\u00e3o de uma confronta\u00e7\u00e3o radical com o capital e com o Estado.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por isso mesmo, a nosso ver, o voto nulo s\u00f3 significar\u00e1 um avan\u00e7o na medida em que expressar a clara inten\u00e7\u00e3o de recolocar a perspectiva do trabalho, e n\u00e3o da pol\u00edtica, como norteadora de toda a luta. De recolocar a perspectiva do trabalho em primeiro plano, isto \u00e9, de priorizar as lutas extraparlamentares com um acento cada vez mais anticapitalista, antiestatal e socialista. Al\u00e9m disso, implica a tomada de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o independente da classe trabalhadora, a conscientiza\u00e7\u00e3o de que \u00e9 ela o sujeito fundamental das transforma\u00e7\u00f5es sociais, de que n\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s do processo pol\u00edtico-eleitoral que se realizar\u00e3o as transforma\u00e7\u00f5es que lhe interessam.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Voltamos a enfatizar: n\u00e3o se trata de rejeitar, para sempre e por princ\u00edpio, a participa\u00e7\u00e3o no processo eleitoral. Mas, de ter claro que esta participa\u00e7\u00e3o s\u00f3 atende os interesses da classe trabalhadora, quando esta, atrav\u00e9s do processo de lutas, estiver consciente e organizada para fazer valer os seus interesses.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por isso mesmo, na medida em que essa consci\u00eancia e essa organiza\u00e7\u00e3o est\u00e3o, hoje, muit\u00edssimo debilitadas, o principal investimento do trabalho pol\u00edtico deveria estar voltado na dire\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a do eixo da luta da classe trabalhadora com o objetivo de escapar do c\u00edrculo de ferro, imposto pelo capital e aceito pela esquerda, que limita a luta ao interior do processo pol\u00edtico-eleitoral e do \u201cjogo\u201d institucionalizado. O objetivo principal deveria ser levar os trabalhadores a reassumir o protagonismo das transforma\u00e7\u00f5es sociais que apontem, em \u00faltima inst\u00e2ncia, para a total supera\u00e7\u00e3o do capital e do Estado e para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O objetivo \u00e9 claro, mas n\u00e3o h\u00e1 receitas para alcan\u00e7\u00e1-lo. Penso que ser\u00e1 ao longo deste processo que se construir\u00e3o os instrumentos organizativos sem os quais nenhuma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<h1 align=\"JUSTIFY\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h1>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00a0CLAUD\u00cdN, F. A crise do movimento comunista. S\u00e3o Paulo, Express\u00e3o popular, 2013.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">LENIN, V. I. O Estado e a revolu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo, Hucitec, 1978.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">LESSA, S. e TONET, I. Proletariado e sujeito revolucion\u00e1rio. S\u00e3o Paulo, Instituto Luk\u00e1cs, 2012.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">MARX, K. Glosas cr\u00edticas ao artigo O Rei da Pr\u00fassia e a Reforma Social. Por um prussiano. S\u00e3o Paulo, Express\u00e3o Popular, 2010.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">_____, A guerra civil na Fran\u00e7a. S\u00e3o Paulo, Boitempo, 2011.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">MARX, K. e ENGELS, F. A ideologia alem\u00e3. S\u00e3o Paulo. Express\u00e3o Popular, 2009.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">M\u00c9SZ\u00c1ROS, I. Para al\u00e9m do capital. S\u00e3o Paulo, Boitempo, 2002.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">_____, A necessidade do controle social. S\u00e3o Paulo, Ensaio, 1987.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">TONET, I. Trabalho associado e revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. In: Novos Temas. V. 05\/06, 2012.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">_____, Trabalho associado e extin\u00e7\u00e3o do Estado. In: <a href=\"http:\/\/www.ivotonet.xpg.com.br\/\">www.ivotonet.xpg.com.br<\/a><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">_____, Sobre o socialismo. S\u00e3o Paulo, Instituto Luk\u00e1cs, 2012.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">TONET, I. e NASCIMENTO, A. Descaminhos da esquerda: da centralidade do trabalho \u00e0 centralidade da pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo, Alfa\/\u00d4mega, 2009.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Macei\u00f3, maio de 2014<\/p>\n<p>* Professor de Filosofia da Universidade Federal de Alagoas<\/p>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p>* <a href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\"><\/a>V\u00e1rios companheiros\/as contribu\u00edram com valiosas observa\u00e7\u00f5es para a elabora\u00e7\u00e3o deste texto. A todos eles, meus agradecimentos.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p><a href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">1<\/a> O conceito de classe trabalhadora \u00e9 pol\u00eamico. Para compreender o sentido aqui utilizado, sugiro a leitura do livro Proletariado e sujeito revolucion\u00e1rio, de S\u00e9rgio Lessa e Ivo Tonet.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p><a href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">2<\/a> A esse respeito sugere-se ler, al\u00e9m dos textos abaixo citados, de Marx, tamb\u00e9m, de minha autoria: Trabalho associado e revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e Trabalho associado e extin\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote5\">\n<p><a href=\"#sdfootnote5anc\" name=\"sdfootnote5sym\">3<\/a> A esse respeito, vale a pena ler, de K. Marx, Glosas cr\u00edticas ao artigo O Rei da Pr\u00fassia e a Reforma Social. De um prussiano. Tamb\u00e9m, de V.I. Lenin, O Estado e a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote6\">\n<p><a href=\"#sdfootnote6anc\" name=\"sdfootnote6sym\">4<\/a> Considerando as enormes deforma\u00e7\u00f5es sofridas, tanto te\u00f3rica como praticamente, pelo ide\u00e1rio socialista, sugere-se a leitura de Sobre o socialismo, de minha autoria.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote7\">\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"#sdfootnote7anc\" name=\"sdfootnote7sym\">5<\/a> Para evitar mal-entendidos, \u00e9 importante precisar esta categoria. Trabalho associado n\u00e3o \u00e9 trabalho cooperativo, trabalho volunt\u00e1rio ou economia solid\u00e1ria. Trabalho associado \u00e9 uma forma de trabalho livre, consciente, coletivo e universal. Implica, portanto, o dom\u00ednio, mais pleno poss\u00edvel, dos produtores sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o da riqueza material.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote8\">\n<p><a href=\"#sdfootnote8anc\" name=\"sdfootnote8sym\">6<\/a> Sobre isso, ler, de K. Marx e F. Engels, A ideologia alem\u00e3.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote9\">\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"#sdfootnote9anc\" name=\"sdfootnote9sym\">7<\/a> Vale observar que, aqui, sociedade civil tem um significado inteiramente diferente daquele utilizado por Marx e Engels. Para eles, significava as rela\u00e7\u00f5es que os homens estabelecem entre si na produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Aqui, significa uma contraposi\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos, que se organizam das mais diversas maneiras, e o Estado.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote10\">\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"#sdfootnote10anc\" name=\"sdfootnote10sym\">8<\/a> Vale enfatizar: por centralidade da pol\u00edtica entendemos a atribui\u00e7\u00e3o ao Estado, n\u00facleo central da atividade pol\u00edtica na sociedade de classes, da tarefa de conduzir o processo de transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Isso nada tem a ver com a desqualifica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica nem com a diminui\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da luta pol\u00edtica para o processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote11\">\n<p><a href=\"#sdfootnote11anc\" name=\"sdfootnote11sym\">9<\/a> Sobre esse deslocamento da centralidade do trabalho para a centralidade da pol\u00edtica, sugerimos a leitura dos livros: Descaminhos da esquerda: da centralidade do trabalho \u00e0 centralidade da pol\u00edtica, de I. Tonet e A. Nascimento; A crise do movimento comunista, de F. Claud\u00edn e Para al\u00e9m do capital, de I. M\u00e9sz\u00e1ros.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote12\">\n<p><a href=\"#sdfootnote12anc\" name=\"sdfootnote12sym\">10<\/a> A esse respeito, sugere-se lerO sentido do voto nulo, de I. M\u00e9sz\u00e1ros, Para al\u00e9m do capital e A necessidade do controle social.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ivo Tonet * \u00a0De tantos em tantos anos somos convocados para participar de um processo de escolha de representantes pol\u00edticos.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3266"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3266"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3266\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5934,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3266\/revisions\/5934"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}