{"id":33,"date":"2008-12-13T16:04:55","date_gmt":"2008-12-13T16:04:55","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/33"},"modified":"2018-05-04T21:50:22","modified_gmt":"2018-05-05T00:50:22","slug":"007-contra-o-fetichismo-da-mercadoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/007-contra-o-fetichismo-da-mercadoria\/","title":{"rendered":"007 contra o fetichismo da mercadoria"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>007 CONTRA O FETICHISMO DA MERCADORIA<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201c007 \u2013 Um outro dia para morrer\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nome original: Die another day<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos, Inglaterra (UK)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2002<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas, Coreano, Canton\u00eas, Espanhol, Alem\u00e3o, Island\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Diretor: Lee Tamahori<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Ian Fleming, Neal Purvis<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Pierce Brosnan,Halle Berry, Toby Stephens, Rosamund Pike, Rick Yune, Judi Dench, John Cleese, Michael Madsen, Will Yun Lee, Kenneth Tsang<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">G\u00eanero: a\u00e7\u00e3o, aventura, thriller<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O novo filme de 007 \u00e9 um dos melhores da s\u00e9rie em muitos anos, se n\u00e3o o melhor. E isso \u00e9 significativo, pois trata-se de um exemplar comemorativo, produzido para celebrar o anivers\u00e1rio de 40 anos da primeira apari\u00e7\u00e3o de James Bond no cinema. Ser o melhor de uma s\u00e9rie de 20 n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. Mas este novo Bond foi feito para ser o melhor. As vezes, quando os executivos de Hollywood decidem fazer algo bom, eles conseguem.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O filme foi feito para ser uma homenagem ao conceito de 007. L\u00e1 est\u00e3o todos os \u00edtens que fazem a del\u00edcia dos f\u00e3s da s\u00e9rie. Os mais ardorosos v\u00e3o delirar com a possibilidade de localizar refer\u00eancias obscuras aos filmes anteriores. Os cin\u00e9filos comuns v\u00e3o encontrar um exemplar de fino acabamento da arte tipicamente hollywoodiana de construir um filme \u00e0 base de clich\u00eas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 L\u00e1 est\u00e3o as bond-girls, os vil\u00f5es de hist\u00f3ria em quadrinhos e seus chefes megaloman\u00edacos, os agentes duplos, os gadgets, os improvisos \u00e0 la McGyver (por meio dos quais descobrimos que McGyver era uma esp\u00e9cie de 007 vegetariano), a fleuma brit\u00e2nica, as loca\u00e7\u00f5es ex\u00f3ticas, as bases secretas de arquitetura mirabolante, a amea\u00e7a \u00e0 paz mundial, os esportes radicais da moda, os \u00edtens de luxo, etc., tudo isso numa f\u00f3rmula muito bem equilibrada, que funciona a contento nas m\u00e3os de um elenco entusiasmado com a brincadeira. Tudo funciona t\u00e3o bem que parece ter deixado Pierce Brosnan, o melhor int\u00e9rprete de Bond desde Sean Connery, \u00e0 vontade no papel, a ponto de ter entregue sua melhor interpreta\u00e7\u00e3o do personagem, a mais tranq\u00fcila.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Antes que comecem a achar que o escriba \u00e9 um agente dos est\u00fadios mandado com a miss\u00e3o de elogiar o filme, vamos come\u00e7ar: 007 \u00e9 o prot\u00f3tipo do her\u00f3i imperialista, instrumento ideol\u00f3gico da propaganda anticomunista da Guerra-Fria, machista, racista, elitista, hedonista, consumista. Tudo isso continua sendo v\u00e1lido, especialmente numa \u00e9poca em que Bush est\u00e1 \u00e0 ca\u00e7a do pr\u00f3ximo Imp\u00e9rio do Mal (ele est\u00e1 na verdade \u00e0 ca\u00e7a de petr\u00f3leo, mas prossigamos), em que satanizar a Cor\u00e9ia do Norte \u00e9 politicamente conveniente para essa ca\u00e7ada, em que qualquer prurido de independ\u00eancia dos deserdados da periferia \u00e9 tratado como amea\u00e7a terrorista (Chavez que se cuide), e que a defesa de valores politicamente corretos parece ter se tornado a \u00fanica plataforma leg\u00edtima para a esquerda.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas, como em 007 as apar\u00eancias geralmente enganam, \u00e9 preciso se elevar acima desses clich\u00eas. Qual filme hollywoodiano n\u00e3o est\u00e1 embebido de todos esses clich\u00eas e dos correspondentes componentes ideol\u00f3gicos? N\u00e3o apenas 007, mas todos o est\u00e3o. \u00c9 preciso deixar de ser ing\u00eanuo na cr\u00edtica. Se os filmes s\u00e3o feitos por autores estadunidenses e para um p\u00fablico estadunidense, o que se pode esperar al\u00e9m de uma defesa da ideologia estadunidense? \u00c9 preciso saber continuar a ver seus filmes, mesmo digerindo esse ingrediente. Do mesmo modo que \u00e9 preciso continuar comendo peixes. Basta ter o cuidado de tirar os espinhos. Do contr\u00e1rio, que outros filmes se poderia ver?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Se \u00e9 preciso saber fazer um filme com o uso abundante de clich\u00eas, sem deixar que a mistura desande, \u00e9 preciso por outro lado fazer uma cr\u00edtica isenta de clich\u00eas, para estar ao n\u00edvel do objeto. 007 \u00e9 puro entretenimento, mais do que propaganda ideol\u00f3gica. Quem lhe d\u00e1 o status de perigo ideol\u00f3gico e se contenta com isso \u00e9 incapaz de penetrar no seu conte\u00fado de mera divers\u00e3o. 007, repetimos, \u00e9 puro entretenimento. Pura fantasia liter\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Onde mais, sen\u00e3o no entretenimento, se poderia encontrar um ingl\u00eas sedutor? Quem pode acreditar numa tal fantasia? Nem os pr\u00f3prios ingleses, pois o int\u00e9rprete cl\u00e1ssico, que criou a persona de Bond, foi o escoc\u00eas Sean Connery. James Bond \u00e9 uma fantasia sexual de um escritor ingl\u00eas, absolutamente inepto para fazer o que escreve no mundo real. 007 \u00e9 puro trash, puro kitsch, puro fake. Um recurso encontrado pelo imagin\u00e1rio coletivo brit\u00e2nico para recuperar sua auto-estima esfacelada pelo desmantelamento de seu Imp\u00e9rio colonial. O Reino Unido n\u00e3o governa mais o mundo, como no s\u00e9culo XIX. Assim, resta aos ingleses o lament\u00e1vel papel de mascotes dos EUA (Blair que o diga.).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas para continuar por cima, os ingleses inventam um agente secreto que repetidamente salva o mundo, ainda por cima vivendo como um insolente Don Juan, tendo sempre do bom e do melhor. Os melhores carros, melhores armas, melhores roupas, melhores hot\u00e9is, melhores bebidas e \u00e9 claro, melhores mulheres. N\u00e3o h\u00e1 quem resista ao charme de Bond&#8230; James Bond. Mas isso \u00e9 claro, \u00e9 para ingl\u00eas ver. Acredite se quiser.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Claro que para estar \u00e0 altura do tempo e funcionar 40 anos depois, mesmo os clich\u00eas tem que ser atualizados. As bond-girls de hoje, por exemplo, s\u00e3o independentes (fala-se na possibilidade de um filme-solo da personagem Jinx). H\u00e1 o cuidado de preservar certas sutilezas diplom\u00e1ticas. A Cor\u00e9ia do Norte n\u00e3o \u00e9 o novo Imp\u00e9rio do Mal. No filme acontece um golpe de estado da linha-dura do regime, que embarca na aventura de atacar o ocidente, recurso dram\u00e1tico sempre \u00e0 m\u00e3o quando n\u00e3o se quer sofre a acusa\u00e7\u00e3o de satanizar regimes impopulares (e suprimido na legendagem da vers\u00e3o brasileira). O que importa \u00e9 mostrar que o problema s\u00e3o sempre alguns loucos, ambiciosos, corrompidos, pervertidos, que querem conquistar o mundo, ou destru\u00ed-lo, tanto faz. E esse louco, o coronel Moon, foi educado e corrompido no Ocidente. Isso tamb\u00e9m \u00e9 um sinal dos tempos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No fim das contas, a\u00ed est\u00e1 o segredo do apolitismo de 007. O agente secreto n\u00e3o \u00e9 a favor do capitalismo nem do comunismo. Em ambos os sistemas existem tanto os corruptos e malvados que querem provocar a destrui\u00e7\u00e3o do mundo inteiro quanto os idealistas que querem evitar o holocausto nuclear (como o velho general, pai do coronel). O filme n\u00e3o se preocupa em optar por um dos sistemas. Ian Fleming, criador do personagem liter\u00e1rio, n\u00e3o faz apologia de nenhum deles. 007 colabora \u00e0 vontade com agentes russos, chineses, cubanos, etc. Entre si, a comunidade de espi\u00f5es se entende muito bem. Dir-se-ia melhor, a comunidade dos Bon-vivants. A \u00fanica competi\u00e7\u00e3o importante para Ian Fleming \u00e9 provar que Bond \u00e9 o melhor, o mais refinado, o transgressor elegante. Um ingl\u00eas&#8230; Acredite se quiser, eu repito.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para n\u00e3o ser puramente ing\u00eanuo e fake em sua vis\u00e3o pol\u00edtica, o conceito do personagem \u00e9 temperado com um cinismo realpolitik. O mundo \u00e9 assim mesmo. Capitalistas ou comunistas, n\u00e3o importa, desde que os verdadeiros e aristocr\u00e1ticos gentleman continuem dando as cartas. E esse divertido cinismo se torna mais um elemento c\u00f4mico da f\u00f3rmula fake de James Bond.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Mas tudo isso ainda n\u00e3o \u00e9 o verdadeiro segredo do sucesso da f\u00f3rmula. E aqui vai a surpresa mirabolante do filme, digo, da cr\u00edtica, onde a psican\u00e1lise de almanaque encontra a sociologia de botequim: 007 faz sucesso porque personifica o fetichismo da mercadoria. Ele faz o que nenhum homem faz no regime capitalista. Ele usa as mercadorias. Como se sabe, mercadorias n\u00e3o foram feitas para serem usadas, mas para serem compradas. N\u00f3s, pobres mortais sedent\u00e1rios e consumistas, n\u00e3o passamos de rufi\u00f5es da mercadoria. N\u00e3o a consumimos de fato. Guardamos em prateleiras em casa, como objetos de cole\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o segredo da nossa permanente insatisfa\u00e7\u00e3o sedent\u00e1ria e da nossa impot\u00eancia sexual. James Bond consome de fato. E consumir, no sistema capitalista, significa destruir. E destruir \u00e9 a fonte do tes\u00e3o insuper\u00e1vel do agente bom de cama.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 James Bond destr\u00f3i as mercadorias. Esse \u00e9 o seu segredo de espi\u00e3o. Tanto assim que os estadunidenses, povo consumista e sedent\u00e1rio por excel\u00eancia, realizaram em \u201cTrue Lies\u201d a melhor aproxima\u00e7\u00e3o da f\u00f3rmula brit\u00e2nica de James Bond. Em \u201cTrue Lies\u201d a profiss\u00e3o de espi\u00e3o \u00e9 apresentada como a suprema fantasia de libera\u00e7\u00e3o sexual de um casal de pais de fam\u00edlia entediados. Os estadunidenses conseguem ser ainda mais entediantes que os ingleses&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas como eu ia dizendo, James Bond destr\u00f3i as mercadorias. A cada epis\u00f3dio ele \u00e9 apresentado a uma cole\u00e7\u00e3o nova de carros, rel\u00f3gios, apetrechos, gadgets que ser\u00e3o inevitavelmente destru\u00eddos ao longo do filme. O consumidor-espi\u00e3o est\u00e1 pouco ligando para seu carro. Ele o descarta sem escr\u00fapulos t\u00e3o logo uma emerg\u00eancia em sua miss\u00e3o o exige. Ele n\u00e3o precisa conservar seus bens. James Bond \u00e9 uma esp\u00e9cie de Riquinho crescido.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Ele \u00e9 um aristocrata, afinal. A estrat\u00e9gia sexual do aristocrata, no sentido biol\u00f3gico, consiste em demonstrar \u00e0s f\u00eameas que pode prover ao casal tantos bens quantos forem necess\u00e1rios. Ele \u00e9 indiferente aos bens. \u00c9 isso que lhe d\u00e1 seguran\u00e7a para seduzir. Ao dar cumprimento ao destino da mercadoria, ou seja, destru\u00ed-la, com indiferen\u00e7a aristocr\u00e1tica, 007 nos faz sentir o triunfo do consumidor finalmente satisfeito com aquilo que comprou, coisa que nunca nos acontece.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Na sua vida cotidiana, o consumidor sedent\u00e1rio experimenta o contr\u00e1rio disso. Ele \u00e9 obrigado a manter seus bens, a conservar sua boa apar\u00eancia, seu bom estado, para com isso construir a imagem do seu status social de pessoa bem sucedida. Essa \u00e9 a estrat\u00e9gia sexual do subalterno. Ao assistir 007, vivenciamos por 2 horas a fantasia do espi\u00e3o, que \u00e9 na verdade a fantasia sexual do aristocrata, que \u00e9 na verdade a fantasia do consumidor com limite de cr\u00e9dito infinito, que \u00e9 na verdade a mis\u00e9ria da subjetividade capitalista.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">24\/01\/2003<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>007 CONTRA O FETICHISMO DA MERCADORIA<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;007 &ndash; Um outro dia para morrer&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6149,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33\/revisions\/6149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}