{"id":3340,"date":"2014-09-15T22:07:02","date_gmt":"2014-09-16T01:07:02","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3340"},"modified":"2014-10-17T07:53:46","modified_gmt":"2014-10-17T10:53:46","slug":"nessas-eleicoes-voto-nulo-no-dia-a-dia-luta-direta-para-conquistar-direitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/09\/nessas-eleicoes-voto-nulo-no-dia-a-dia-luta-direta-para-conquistar-direitos\/","title":{"rendered":"Nessas elei\u00e7\u00f5es: voto nulo. No dia a dia: luta direta para conquistar direitos"},"content":{"rendered":"<h2>O Estado burgu\u00eas e as elei\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/nulo.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-3342 alignleft\" alt=\"nulo\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/nulo.jpg\" width=\"289\" height=\"174\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Estado burgu\u00eas \u00e9 o Estado da classe dominante no sistema capitalista, a classe dos propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o, os banqueiros, industriais, latifundi\u00e1rios, empreiteiros, etc. Esse Estado jamais ser\u00e1 favor\u00e1vel aos trabalhadores nem muito menos ser\u00e1 instrumento para uma transforma\u00e7\u00e3o anticapitalista. Ao contr\u00e1rio, ele existe para amortecer as contradi\u00e7\u00f5es de classe, para criar a ilus\u00e3o de que representa toda a sociedade, quando na verdade seu papel \u00e9 o de garantir a continuidade das rela\u00e7\u00f5es capitalistas, ou seja, da extra\u00e7\u00e3o de trabalho n\u00e3o pago, da mais valia que \u00e9 roubada cotidianamente de todos os trabalhadores, e das diversas formas de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Para garantir a continuidade da explora\u00e7\u00e3o, o Estado burgu\u00eas pode assumir diversas formas, como a monarquia, a teocracia, a ditadura fascista ou a democracia representativa. Conforme as necessidades do momento hist\u00f3rico, o Estado burgu\u00eas pode ser mais autorit\u00e1rio ou at\u00e9 se apresentar como democr\u00e1tico na apar\u00eancia. Mas em todas essas formas, o Estado burgu\u00eas mant\u00e9m a sua ess\u00eancia, ele \u00e9 a ditadura de uma classe social sobre as demais. \u00c9 para garantir os interesses dos capitalistas que trabalham todas as suas institui\u00e7\u00f5es, o executivo, o legislativo, o judici\u00e1rio, as for\u00e7as armadas, as leis, etc.<\/p>\n<h2>A crise estrutural do capitalismo e a crise da alternativa socialista<\/h2>\n<p>No per\u00edodo atual de crise estrutural do sistema do capital, \u00e9 ainda mais dif\u00edcil arrancar melhorias em favor dos trabalhadores. Ao contr\u00e1rio, o papel dos gestores do Estado burgu\u00eas \u00e9 aplicar as pol\u00edticas necess\u00e1rias \u00e0 sobreviv\u00eancia do capitalismo, impondo a retirada de direitos, o sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, o arrocho salarial, o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, tudo em nome das necessidades do mercado.<\/p>\n<p>Muitas pessoas fazem cr\u00edticas aos pol\u00edticos eleitos como se o que fazem ou deixam de fazer dependesse s\u00f3 da vontade deles. Mas a pr\u00f3pria l\u00f3gica do poder na sociedade capitalista impede que, mesmo que houvesse uma atua\u00e7\u00e3o bem aguerrida de representantes dos trabalhadores no parlamento, isso trouxesse mudan\u00e7as na nossa vida por essa via. Por isso n\u00e3o faz nenhum sentido a esquerda organizar uma campanha se apresentando como \u201co melhor candidato\u201d, como se o problema do parlamento fosse n\u00e3o ter deputado ou senador de esquerda.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que o sistema do capital convive com uma crise estrutural que o obriga a ser mais agressivo, o seu antagonista hist\u00f3rico, a classe trabalhadora, convive h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas com uma crise da alternativa socialista. Os trabalhadores muitas vezes se colocam em luta contra as consequ\u00eancias das crises capitalistas, o desemprego, a carestia, a corrup\u00e7\u00e3o, etc., fazem greves, manifesta\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es, chegam at\u00e9 a derrubar governos em alguns pa\u00edses, mas, devido \u00e0 aus\u00eancia de uma consci\u00eancia de classe e socialista, essas lutas muitas vezes param no meio do caminho. Sem uma perspectiva socialista, de nega\u00e7\u00e3o do capitalismo e seu Estado, as lutas acabam sendo desviadas para a elei\u00e7\u00e3o de novos governantes, que mudam a apar\u00eancia das coisas, mas mant\u00e9m o essencial das rela\u00e7\u00f5es capitalistas.<\/p>\n<h2>A crise de alternativas no Brasil p\u00f3s-PT e p\u00f3s-junho<\/h2>\n<p>No Brasil o PT desviou o importante processo de lutas que se deu no final da ditadura militar e ao longo da d\u00e9cada de 1980 para um projeto de administra\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas. Essa trajet\u00f3ria resultou na acomoda\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o do capitalismo, com uma sequ\u00eancia de tr\u00eas governos rigorosamente neoliberais. Lula e Dilma favoreceram os setores mais poderosos do capitalismo no Brasil, os bancos, o agroneg\u00f3cio, as empreiteiras, garantiram o pagamento da d\u00edvida (pouco mais de 40% do or\u00e7amento ou mais ou menos R$ 1 trilh\u00e3o s\u00f3 neste ano) aos especuladores, deram continuidade \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es, reprimiram greves, manifesta\u00e7\u00f5es e movimentos sociais; e mantiveram sua popularidade gra\u00e7as a programas assistenciais (um gasto muito menor que a d\u00edvida, apenas R$ 24,6 bilh\u00f5es em 2014 para o Bolsa Fam\u00edlia, que est\u00e1 longe de enfrentar as causas estruturais da mis\u00e9ria, o que mostra as reais prioridades desses governos).<\/p>\n<p>O curso anterior do PT at\u00e9 chegar ao controle do Estado burgu\u00eas e as tr\u00eas gest\u00f5es petistas foram um desastre em termos de despolitiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. O discurso das reformas sociais das primeiras d\u00e9cadas do partido foi substitu\u00eddo pela apologia da prosperidade da era Lula, prosperidade que depois se provou ilus\u00f3ria. A resposta dos capitalistas brasileiros \u00e0 crise mundial de 2008, com um aumento da explora\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, o aumento do endividamento dos trabalhadores que manteve a economia funcionando, a deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos devido ao desvio de dinheiro do governo para os capitalistas; tudo isso gerou uma insatisfa\u00e7\u00e3o que se acumulou gradativamente.<\/p>\n<p>Em 2013 essa insatisfa\u00e7\u00e3o veio \u00e0 tona na forma de uma onda de manifesta\u00e7\u00f5es, que come\u00e7ou com uma luta contra o aumento das passagens e terminou com milh\u00f5es de pessoas nas ruas expondo uma s\u00e9rie de demandas, como a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, a mobilidade urbana, a indigna\u00e7\u00e3o com a corrup\u00e7\u00e3o e os gastos com a Copa, o rep\u00fadio aos partidos e institui\u00e7\u00f5es, etc.<br \/>\nInfelizmente, devido \u00e0 despolitiza\u00e7\u00e3o geral reinante e a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o dos governos e da burguesia de conjunto para \u201cabafar\u201d esse processo, essa insatisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o resultou em um questionamento mais profundo do sistema capitalista e sua l\u00f3gica, mas parou na rejei\u00e7\u00e3o ao PT e e sua corrup\u00e7\u00e3o, e aos demais partidos em menor escala. Mas ficou um sentimento de que \u00e9 necess\u00e1rio mudar as coisas, sentimento do qual Marina tenta se apropriar para aparecer como a \u201cnovidade\u201d.<\/p>\n<h2>As elei\u00e7\u00f5es 2014: os demais candidatos do capital<\/h2>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio de despolitiza\u00e7\u00e3o e crise da alternativa socialista que a insatisfa\u00e7\u00e3o com os governos do PT (que tamb\u00e9m atinge o PSDB e outros partidos) acabou sendo desviada para uma candidatura improvisada da direita, a de Marina Silva (ver artigo nesta edi\u00e7\u00e3o), que se esfor\u00e7a para aparecer como uma alternativa, como algo \u201cnovo\u201d.<\/p>\n<p>Trata-se, mais uma vez, do cl\u00e1ssico mecanismo de reciclar os ocupantes dos cargos de dire\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas para que o pr\u00f3ximo governo aplique as medidas necess\u00e1rias aos capitalistas com o respaldo e legitimidade das urnas. Como se n\u00e3o bastasse os partidos da legalidade se esfor\u00e7ando para desviar os descontentamentos para a institucionalidade, o TSE, para refor\u00e7ar esse operativo, comparece com a campanha #vempraurna, reiterando a ideia de que o voto \u00e9 o caminho para se obter melhorias.<\/p>\n<p>Diante desse operativo, do momento hist\u00f3rico que vivemos, e da crise de alternativas socialistas, os revolucion\u00e1rios devem negar frontalmente o \u201c#vempraurna\u201d do TSE, da m\u00eddia e dos partidos burgueses e chamar os trabalhadores a ir \u00e0s ruas para lutar por suas demandas.<\/p>\n<p>O Estado burgu\u00eas, como dissemos, jamais ser\u00e1 instrumento para mudan\u00e7as favor\u00e1veis aos trabalhadores, ele pode apenas fazer concess\u00f5es, mas s\u00f3 quando for for\u00e7ado a isso pela mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. \u00c9 sempre a luta que garante conquistas: s\u00f3 a luta muda a vida!<\/p>\n<h2>Nessas elei\u00e7\u00f5es: Voto nulo. Nos locais de trabalho e estudo: seguir lutando<\/h2>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o da forma de representa\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas poderia ser feita por candidaturas oper\u00e1rias, que existem no PSOL, PSTU, PCB e PCO. Entretanto, esses partidos n\u00e3o se habilitaram a cumprir esse papel por n\u00e3o ter realizado uma disputa ideol\u00f3gica a fundo junto aos trabalhadores em defesa do socialismo (em geral a atividade rotineira dessas organiza\u00e7\u00f5es se limita \u00e0 disputa de aparatos sindicais e estudantis), n\u00e3o ter constru\u00eddo a unidade em um F\u00f3rum Nacional de Lutas que apresentasse uma alternativa dos trabalhadores ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es de junho, e, como consequ\u00eancia de tudo isso, sequer ter constru\u00eddo uma candidatura unit\u00e1ria nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na aus\u00eancia dessas condi\u00e7\u00f5es, a participa\u00e7\u00e3o dos partidos oper\u00e1rios nas elei\u00e7\u00f5es, ao inv\u00e9s de servir para refor\u00e7ar a luta por um programa dos trabalhadores, acaba por se diluir na vala comum dos demais partidos burgueses, sem se distinguir claramente.<\/p>\n<p>Em qualquer situa\u00e7\u00e3o, a falta de unidade da esquerda \u00e9 um problema para a luta dos trabalhadores. Sem unidade na luta, fica dif\u00edcil construir um projeto pol\u00edtico dos trabalhadores, que possa ter express\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es. Sem esse projeto, a falta de unidade nas elei\u00e7\u00f5es torna o problema ainda maior, pois faz parecer que os partidos oper\u00e1rios s\u00e3o iguais a qualquer partido burgu\u00eas, participam do processo apenas para disputar votos. Desaparece no circo geral da propaganda eleitoral a distin\u00e7\u00e3o de classe entre partidos oper\u00e1rios e partidos burgueses. Ao inv\u00e9s de colaborar para o enfrentamento ao sistema e seus pressupostos ideol\u00f3gicos, essa participa\u00e7\u00e3o fragmentada e rebaixada acaba referendando a ideia de que o voto pode mudar as coisas e assim refor\u00e7ando a democracia burguesa.<\/p>\n<p>Diante disso, entendemos que a op\u00e7\u00e3o que melhor expressa a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s falsas alternativas burguesas \u00e9 o voto nulo, e fazemos o chamado aos trabalhadores para seguirmos lutando pelas nossas demandas, construindo a unidade com os lutadores que est\u00e3o dentro ou fora dos partidos oper\u00e1rios, contra o pr\u00f3ximo governo burgu\u00eas, qualquer que seja ele, contra o capitalismo e pelo socialismo.<\/p>\n<p>Impulsionamos a campanha pelo voto nulo (ao contr\u00e1rio dos anarquistas, que a tratam como uma estrat\u00e9gia permanente para qualquer momento, e daqueles que a defendem por \u201cdesinteresse\u201d na pol\u00edtica), essencialmente por conta dos limites \u2013 expostos acima &#8211; das campanhas dos partidos de esquerda e tamb\u00e9m como forma de ajudar a classe trabalhadora a compreender que n\u00e3o se deve confiar nas formas de representa\u00e7\u00e3o burguesas e que s\u00f3 a sua organiza\u00e7\u00e3o e a luta direta podem conquistar as reivindica\u00e7\u00f5es das jornadas de junho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado burgu\u00eas e as elei\u00e7\u00f5es O Estado burgu\u00eas \u00e9 o Estado da classe dominante no sistema capitalista, a classe<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3342,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3340"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3340"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3347,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3340\/revisions\/3347"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}