{"id":337,"date":"2012-06-20T14:26:43","date_gmt":"2012-06-20T14:26:43","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/337"},"modified":"2018-04-20T12:05:34","modified_gmt":"2018-04-20T15:05:34","slug":"nao-ao-reformismo-e-ao-capitalismo-verde-a-alternativa-e-o-controle-da-producao-pelos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/06\/nao-ao-reformismo-e-ao-capitalismo-verde-a-alternativa-e-o-controle-da-producao-pelos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"N\u00c3O AO REFORMISMO E AO \u201cCAPITALISMO VERDE\u201d! A ALTERNATIVA \u00c9 O CONTROLE DA PRODU\u00c7\u00c3O PELOS TRABALHADORES!!"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">Declara\u00e7\u00e3o conjunta do <strong>Coletivo L\u00eanin <\/strong>e <strong>Espa\u00e7o Socialista<\/strong><\/h3>\n<p class=\"rteright\" style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/attachment.pdf\">&gt;&gt;\u00a0Vers\u00e3o em PDF<\/a><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Neste m\u00eas junho, acontece a C\u00fapula da Terra Rio+20 \u2013 oficialmente designada como Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel \u2013, no Rio de Janeiro, Brasil. Acontece justamente vinte anos depois da primeira c\u00fapula hist\u00f3rica do Rio de Janeiro, em 1992, e dez anos depois do encontro de Joanesburgo, em 2002. Este novo encontro, apesar da maquiagem de \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o com a natureza\u201d, n\u00e3o passa de uma nova campanha a favor da ideologia do \u201ccapitalismo sustent\u00e1vel\u201d, o que at\u00e9 hoje s\u00f3 fez progredir a subordina\u00e7\u00e3o dos Estados perif\u00e9ricos aos \u201cpacotes ambientais\u201d impostos pelo pelos pa\u00edses imperialistas.<br \/>\nComo tentativa de contraponto ao evento oficial da Rio+20, acontece tamb\u00e9m no Rio, entre os dias 15 a 23 de junho a \u201cC\u00fapula dos Povos por Justi\u00e7a Social e Ambiental e contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida\u201d. Trata-se de um megaevento que pretende aglutinar todos os setores contr\u00e1rios ao projeto expresso na Confer\u00eancia da ONU, a\u00ed inclu\u00eddos partidos pol\u00edticos, centrais sindicais, movimentos sociais, ONGs e outras organiza\u00e7\u00f5es da chamada \u201csociedade civil\u201d, tanto nacionais como internacionais. Um breve olhar sobre a lista de entidades brasileiras que participam da articula\u00e7\u00e3o da C\u00fapula (dispon\u00edvel em: http:\/\/cupuladospovos.org.br\/quem-organiza-a-cupula\/), tais como CUT, CNBB, Via Campesina, Jubileu Sul, etc., ou seja, componentes do que podemos denominar com muito boa vontade de \u201cala esquerda do governo Dilma-PT\u201d; j\u00e1 \u00e9 suficiente para identificar a linha pol\u00edtica e ideol\u00f3gica que orienta o conjunto do evento: uma tentativa de humanizar e \u201cecologizar\u201d o capitalismo.<br \/>\nMas, ent\u00e3o, se o projeto da C\u00fapula dos Povos tamb\u00e9m n\u00e3o se mostra como uma alternativa que v\u00e1 \u00e0 raiz dos problemas, o que tem ela em comum com a Rio + 20? Qual \u00e9 seu horizonte? Quais s\u00e3o os limites intranspon\u00edveis tanto de uma quanto de outra?<br \/>\nChegamos assim ao limites de ambos os eventos: a sua cren\u00e7a na capacidade de agir por dentro das institui\u00e7\u00f5es do Estado e de reform\u00e1-las para coloc\u00e1-las a servi\u00e7o das mudan\u00e7as necess\u00e1rias. A concep\u00e7\u00e3o que orienta o documento preparat\u00f3rio da C\u00fapula, por exemplo, realiza um imenso exerc\u00edcio de contorcionismo te\u00f3rico para evitar a men\u00e7\u00e3o do \u00fanico processo que poderia viabilizar as mudan\u00e7as, ou seja, quebrar a m\u00e1quina do Estado e construir novas institui\u00e7\u00f5es: a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<br \/>\nPrimeiramente, n\u00e3o devemos ter ilus\u00f5es de que podemos \u201cecologizar\u201d o capitalismo. Uma rela\u00e7\u00e3o racional entre homem e natureza, tal como a causa hist\u00f3rica da liberta\u00e7\u00e3o da mulher no mundo e a do negro em pa\u00edses como o Brasil, n\u00e3o s\u00e3o integr\u00e1veis \u00e0 ordem burguesa. Torna-se necess\u00e1rio a organiza\u00e7\u00e3o de um programa que aponte para uma sociedade socialista, que n\u00e3o seja guiada n\u00e3o pelas \u201cleis de mercado\u201d e nem por um pretenso comit\u00ea mundial (ONU), mas pelas escolhas democr\u00e1ticas dos conselhos organizados pelos trabalhadores junto com os camponeses e \u201cpovos origin\u00e1rios\u201d.<br \/>\nMas, ent\u00e3o, do que estamos falando? Quais s\u00e3o as linhas gerais de uma produ\u00e7\u00e3o que torne a rela\u00e7\u00e3o do homem com a natureza uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel?<br \/>\nMais do que simplesmente atenuar os danos causados pelo capitalismo, \u00e9 preciso repensar a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de mercadorias. Ao inv\u00e9s de produtos fabricados com o objetivo de serem trocados no mercado, precisamos de produtos fabricados com o objetivo de atender necessidades humanas. A mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas quantitativa; ou seja: \u201cmais bens para todos\u201d, como promete a propaganda enganosa da publicidade capitalista, mas \u201cos bens de que realmente necessitamos\u201d. Isso significa que a real solu\u00e7\u00e3o dos problemas ambientais atuais n\u00e3o pode ser uma realiza\u00e7\u00e3o dos sonhos de consumo do capitalismo; isto pelo simples fato de que tal realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 materialmente invi\u00e1vel e ambientalmente insustent\u00e1vel.<br \/>\nUma sociedade emancipada e com um rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel com a natureza (que \u00e9 o que todos queremos!) n\u00e3o poder\u00e1 dar a todos os seres humanos do planeta o padr\u00e3o de consumo destrutivo, por exemplo, da classe m\u00e9dia estadunidense, porque isso simplesmente esgotaria o globo terrestre em dois tempos.<br \/>\nPrecisamos de uma sociedade emancipada que empregue racionalmente os recursos, o que significa o contr\u00e1rio do desperd\u00edcio irracional da abund\u00e2ncia capitalista. \u00c9 evidente que o socialismo procurar\u00e1 atender \u00e0s necessidades materiais, extraindo recursos da natureza e transformando-a, mas o far\u00e1 numa medida compat\u00edvel com a capacidade do meio ambiente planet\u00e1rio de continuar fornecendo os recursos indispens\u00e1veis \u00e0 vida da esp\u00e9cie humana numa escala de tempo infinita. O consumo de recursos como a\u00e7o, petr\u00f3leo, min\u00e9rios, madeira, borracha, terras f\u00e9rteis, \u00e1gua, etc., n\u00e3o ser\u00e1 feito na mesma quantidade e ter\u00e1 um car\u00e1ter radicalmente diferente, pois n\u00e3o estar\u00e1 comprometido pelo desperd\u00edcio individualista, pela polui\u00e7\u00e3o, etc. A pr\u00f3pria tecnologia para manipula\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, liberta das rela\u00e7\u00f5es de propriedade burguesas e portanto muito mais avan\u00e7ada, tornar\u00e1 mais f\u00e1cil o uso racional de tais recursos.<br \/>\nPrecisamos de uma sociedade socialista que necessariamente reformule a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o daquilo que se consideram &#8216;os recursos indispens\u00e1veis \u00e0 vida da esp\u00e9cie humana&#8217;. Isso porque precisamos desenvolver uma categoria diferente de objetos, e n\u00e3o mais os irracionais autom\u00f3veis individuais e outras bugigangas multiplicadas irresponsavelmente pelo consumismo individualista burgu\u00eas, os quais devem ser substitu\u00eddos por bens e servi\u00e7os de utiliza\u00e7\u00e3o coletiva. Uma sociedade socialista n\u00e3o vai apenas expropriar a ind\u00fastria automobil\u00edstica, precisar\u00e1 ir al\u00e9m e questionar o pressuposto da atividade desse ramo de produ\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o de que cada ser humano do planeta precisa ter um autom\u00f3vel. Ao inv\u00e9s disso, ser\u00e1 preciso redirecionar as for\u00e7as produtivas sociais para atender racionalmente as necessidades humanas, substituindo o autom\u00f3vel pelo transporte coletivo. E assim sucessivamente, em todos os ramos de produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA substitui\u00e7\u00e3o de mercadorias de consumo individual por bens de uso coletivo requer uma substitui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m da mentalidade e da rela\u00e7\u00e3o que os indiv\u00edduos desenvolvem com os objetos que utilizam para viver. Essa mudan\u00e7a da mentalidade e das rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por meio de uma transforma\u00e7\u00e3o profunda que torne os indiv\u00edduos conscientes das suas possibilidades e tamb\u00e9m das suas responsabilidades. \u00c9 a essa transforma\u00e7\u00e3o que damos o nome de revolu\u00e7\u00e3o. E essa revolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se partir de uma base social concreta que possa realizar os valores da coletividade e da solidariedade. N\u00e3o temos d\u00favida em afirmar que essa base social \u00e9 a classe trabalhadora, com toda a sua diversidade e tamb\u00e9m com sua oposi\u00e7\u00e3o radical \u00e0 l\u00f3gica do capital.<br \/>\nAssim, somente o controle direto da produ\u00e7\u00e3o pelos trabalhadores \u00e9 capaz de impedir o colapso ambiental. O objetivo supremo dos progressos t\u00e9cnicos n\u00e3o deve ser o crescimento infinito dos bens, mas a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e o aumento do tempo livre de cada ser humano.<br \/>\nDevemos todos dizer n\u00e3o ao capitalismo; dizer n\u00e3o ao Estado; precisamos lutar por uma produ\u00e7\u00e3o controlada justamente por quem tudo produz: os trabalhadores!<\/p>\n<p>Junho de 2012<\/p>\n<p><em><strong>Assinam este material:<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Coletivo L\u00eanin e\u00a0Espa\u00e7o Socialista<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h3>\nDeclara&ccedil;&atilde;o conjunta do <strong>Coletivo L&ecirc;nin <\/strong>e <strong>Espa&ccedil;o Socialista<\/strong><\/h3>\n<p class=\"rteright\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/attachment.pdf\">&gt;&gt;&nbsp;Vers&atilde;o em PDF<\/a><\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Neste m&ecirc;s junho, acontece a C&uacute;pula da Terra Rio+20 &ndash; oficialmente designada como Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel &ndash;, no Rio de Janeiro, Brasil. Acontece justamente vinte anos depois da primeira c&uacute;pula hist&oacute;rica do Rio de Janeiro, em 1992, e dez anos depois do encontro de Joanesburgo, em 2002. Este novo encontro, apesar da maquiagem de &ldquo;preocupa&ccedil;&atilde;o com a natureza&rdquo;, n&atilde;o passa de uma nova campanha a favor da ideologia do &ldquo;capitalismo sustent&aacute;vel&rdquo;, o que at&eacute; hoje s&oacute; fez progredir a subordina&ccedil;&atilde;o dos Estados perif&eacute;ricos aos &ldquo;pacotes ambientais&rdquo; impostos pelo pelos pa&iacute;ses imperialistas.<br \/>\nComo tentativa de contraponto ao evento oficial da Rio+20, acontece tamb&eacute;m no Rio, entre os dias 15 a 23 de junho a &ldquo;C&uacute;pula dos Povos por Justi&ccedil;a Social e Ambiental e contra a mercantiliza&ccedil;&atilde;o da vida&rdquo;. Trata-se de um megaevento que pretende aglutinar todos os setores contr&aacute;rios ao projeto expresso na Confer&ecirc;ncia da ONU, a&iacute; inclu&iacute;dos partidos pol&iacute;ticos, centrais sindicais, movimentos sociais, ONGs e outras organiza&ccedil;&otilde;es da chamada &ldquo;sociedade civil&rdquo;, tanto nacionais como internacionais. Um breve olhar sobre a lista de entidades brasileiras que participam da articula&ccedil;&atilde;o da C&uacute;pula (dispon&iacute;vel em: http:\/\/cupuladospovos.org.br\/quem-organiza-a-cupula\/), tais como CUT, CNBB, Via Campesina, Jubileu Sul, etc., ou seja, componentes do que podemos denominar com muito boa vontade de &ldquo;ala esquerda do governo Dilma-PT&rdquo;; j&aacute; &eacute; suficiente para identificar a linha pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica que orienta o conjunto do evento: uma tentativa de humanizar e &ldquo;ecologizar&rdquo; o capitalismo.<br \/>\nMas, ent&atilde;o, se o projeto da C&uacute;pula dos Povos tamb&eacute;m n&atilde;o se mostra como uma alternativa que v&aacute; &agrave; raiz dos problemas, o que tem ela em comum com a Rio + 20? Qual &eacute; seu horizonte? Quais s&atilde;o os limites intranspon&iacute;veis tanto de uma quanto de outra? <br \/>\nChegamos assim ao limites de ambos os eventos: a sua cren&ccedil;a na capacidade de agir por dentro das institui&ccedil;&otilde;es do Estado e de reform&aacute;-las para coloc&aacute;-las a servi&ccedil;o das mudan&ccedil;as necess&aacute;rias. A concep&ccedil;&atilde;o que orienta o documento preparat&oacute;rio da C&uacute;pula, por exemplo, realiza um imenso exerc&iacute;cio de contorcionismo te&oacute;rico para evitar a men&ccedil;&atilde;o do &uacute;nico processo que poderia viabilizar as mudan&ccedil;as, ou seja, quebrar a m&aacute;quina do Estado e construir novas institui&ccedil;&otilde;es: a revolu&ccedil;&atilde;o socialista.<br \/>\nPrimeiramente, n&atilde;o devemos ter ilus&otilde;es de que podemos &ldquo;ecologizar&rdquo; o capitalismo. Uma rela&ccedil;&atilde;o racional entre homem e natureza, tal como a causa hist&oacute;rica da liberta&ccedil;&atilde;o da mulher no mundo e a do negro em pa&iacute;ses como o Brasil, n&atilde;o s&atilde;o integr&aacute;veis &agrave; ordem burguesa. Torna-se necess&aacute;rio a organiza&ccedil;&atilde;o de um programa que aponte para uma sociedade socialista, que n&atilde;o seja guiada n&atilde;o pelas &ldquo;leis de mercado&rdquo; e nem por um pretenso comit&ecirc; mundial (ONU), mas pelas escolhas democr&aacute;ticas dos conselhos organizados pelos trabalhadores junto com os camponeses e &ldquo;povos origin&aacute;rios&rdquo;. <br \/>\nMas, ent&atilde;o, do que estamos falando? 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Isso significa que a real solu&ccedil;&atilde;o dos problemas ambientais atuais n&atilde;o pode ser uma realiza&ccedil;&atilde;o dos sonhos de consumo do capitalismo; isto pelo simples fato de que tal realiza&ccedil;&atilde;o &eacute; materialmente invi&aacute;vel e ambientalmente insustent&aacute;vel. <br \/>\nUma sociedade emancipada e com um rela&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel com a natureza (que &eacute; o que todos queremos!) n&atilde;o poder&aacute; dar a todos os seres humanos do planeta o padr&atilde;o de consumo destrutivo, por exemplo, da classe m&eacute;dia estadunidense, porque isso simplesmente esgotaria o globo terrestre em dois tempos. <br \/>\nPrecisamos de uma sociedade emancipada que empregue racionalmente os recursos, o que significa o contr&aacute;rio do desperd&iacute;cio irracional da abund&acirc;ncia capitalista. &Eacute; evidente que o socialismo procurar&aacute; atender &agrave;s necessidades materiais, extraindo recursos da natureza e transformando-a, mas o far&aacute; numa medida compat&iacute;vel com a capacidade do meio ambiente planet&aacute;rio de continuar fornecendo os recursos indispens&aacute;veis &agrave; vida da esp&eacute;cie humana numa escala de tempo infinita. O consumo de recursos como a&ccedil;o, petr&oacute;leo, min&eacute;rios, madeira, borracha, terras f&eacute;rteis, &aacute;gua, etc., n&atilde;o ser&aacute; feito na mesma quantidade e ter&aacute; um car&aacute;ter radicalmente diferente, pois n&atilde;o estar&aacute; comprometido pelo desperd&iacute;cio individualista, pela polui&ccedil;&atilde;o, etc. A pr&oacute;pria tecnologia para manipula&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais, liberta das rela&ccedil;&otilde;es de propriedade burguesas e portanto muito mais avan&ccedil;ada, tornar&aacute; mais f&aacute;cil o uso racional de tais recursos. <br \/>\nPrecisamos de uma sociedade socialista que necessariamente reformule a pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o daquilo que se consideram &#8216;os recursos indispens&aacute;veis &agrave; vida da esp&eacute;cie humana&#8217;. Isso porque precisamos desenvolver uma categoria diferente de objetos, e n&atilde;o mais os irracionais autom&oacute;veis individuais e outras bugigangas multiplicadas irresponsavelmente pelo consumismo individualista burgu&ecirc;s, os quais devem ser substitu&iacute;dos por bens e servi&ccedil;os de utiliza&ccedil;&atilde;o coletiva. Uma sociedade socialista n&atilde;o vai apenas expropriar a ind&uacute;stria automobil&iacute;stica, precisar&aacute; ir al&eacute;m e questionar o pressuposto da atividade desse ramo de produ&ccedil;&atilde;o, que &eacute; o de que cada ser humano do planeta precisa ter um autom&oacute;vel. Ao inv&eacute;s disso, ser&aacute; preciso redirecionar as for&ccedil;as produtivas sociais para atender racionalmente as necessidades humanas, substituindo o autom&oacute;vel pelo transporte coletivo. E assim sucessivamente, em todos os ramos de produ&ccedil;&atilde;o.<br \/>\nA substitui&ccedil;&atilde;o de mercadorias de consumo individual por bens de uso coletivo requer uma substitui&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m da mentalidade e da rela&ccedil;&atilde;o que os indiv&iacute;duos desenvolvem com os objetos que utilizam para viver. Essa mudan&ccedil;a da mentalidade e das rela&ccedil;&otilde;es sociais s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel por meio de uma transforma&ccedil;&atilde;o profunda que torne os indiv&iacute;duos conscientes das suas possibilidades e tamb&eacute;m das suas responsabilidades. &Eacute; a essa transforma&ccedil;&atilde;o que damos o nome de revolu&ccedil;&atilde;o. E essa revolu&ccedil;&atilde;o s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se partir de uma base social concreta que possa realizar os valores da coletividade e da solidariedade. 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