{"id":3382,"date":"2014-09-18T21:29:47","date_gmt":"2014-09-19T00:29:47","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3382"},"modified":"2018-04-30T20:47:53","modified_gmt":"2018-04-30T23:47:53","slug":"a-nossa-luta-tem-que-ser-todo-dia-contra-burgues-governo-conservadores-e-a-burocracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/09\/a-nossa-luta-tem-que-ser-todo-dia-contra-burgues-governo-conservadores-e-a-burocracia\/","title":{"rendered":"Jornal 72: A nossa luta tem que ser todo dia contra burgu\u00eas, governo, conservadores e a burocracia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">\u00a0Fl\u00e1via Maria e Iraci Lacerda<\/p>\n<p>O que esse cen\u00e1rio, que antecede as elei\u00e7\u00f5es, descortina da realidade brasileira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, negros e LGBTs da classe trabalhadora?<br \/>\n\u00c9 no per\u00edodo eleitoral que os diversos partidos buscam apresentar seus programas de governo e a burguesia, como classe dominante, faz qualquer neg\u00f3cio para continuar governando o pa\u00eds e se nutrindo da riqueza por n\u00f3s produzida. E, para isso, se utiliza de preconceitos existentes, da intoler\u00e2ncia religiosa, da falta de informa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo do genoc\u00eddio de parcela da classe trabalhadora.<br \/>\nSabemos, \u00e9 verdade, que a opress\u00e3o capitalista, a cada dia e de diversas formas, precisa desumanizar parte da sociedade para justificar o n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o, mas, impressiona como em per\u00edodo eleitoral v\u00e1rios temas ligados diretamente a alguns setores da classe trabalhadora se revelam alvo de debates e demonstram o quanto o machismo, o racismo e a homofobia s\u00e3o necess\u00e1rios para manter o sistema em funcionamento e, inclusive, para a burguesia buscar perpetuar seus med\u00edocres e hip\u00f3critas valores.<\/p>\n<h1>A homofobia como forma de enfraquecer a classe trabalhadora<\/h1>\n<p>H\u00e1 alguns dias assistimos a pauta LGBT ser evidenciada. Os presidenci\u00e1veis passaram a responder, sobretudo, quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Conservadores, como Marina, insistiram em se contrapor e reafirmar os valores da Fam\u00edlia burguesa, submetida \u00e0s leis da propriedade privada e da heran\u00e7a, isto \u00e9, casamento como sin\u00f4nimo de sexo para procriar e ter herdeiros.<br \/>\nNo entanto, nenhum partido tem apresentado uma proposta de programa capaz de, sequer, minimizar: o n\u00famero de assassinatos (a cada 28 horas um homossexual morre no Brasil); o sofrimento de LGBTs da classe trabalhadora (jovens e da periferia) no mercado de trabalho e nas escolas; e os problemas causados para aquisi\u00e7\u00e3o de nome social, uni\u00e3o civil, etc. Quest\u00f5es b\u00e1sicas para sobreviv\u00eancia numa sociedade como a nossa. E at\u00e9 o enfrentamento a quest\u00f5es como a proibi\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o do material pedag\u00f3gico chamado de \u201ckit anti-homofobia\u201d foi relegado, enquanto que a tal \u201ccura gay\u201d tem sido propalada na imprensa e nas redes sociais.<br \/>\n\u00c9 exatamente no dia a dia das periferias que essas quest\u00f5es se apresentam com o maior furor. \u00c9 nos bairros pobres que a juventude LGBT compreende desde cedo o qu\u00e3o duro s\u00e3o o preconceito nas escolas, o desemprego e a conquista de direitos como o de realiza\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria sexualidade.\u00a0 \u00c9 a partir da\u00ed, que na busca por outros espa\u00e7os tamb\u00e9m se depara com a homofobia impregnada no capitalismo e bastante visualizada durante esse processo eleitoral.<\/p>\n<h1>A popula\u00e7\u00e3o negra como alvo do genoc\u00eddio<\/h1>\n<p>Para a popula\u00e7\u00e3o negra da classe trabalhadora n\u00e3o tem sido diferente. Al\u00e9m do n\u00famero de assassinatos (representa 53,4% dos homic\u00eddios no Brasil, o que coloca o pa\u00eds como genocida), da diferen\u00e7a salarial, da falta de aplica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas proporcionais (no mercado de trabalho, universidades, escolas t\u00e9cnicas, etc.) s\u00e3o constantes os casos de racismo noticiados pela imprensa burguesa e denunciados pelas redes sociais. No entanto, n\u00e3o encontramos casos de pris\u00f5es por racismo. Quando muito, converte-se em inj\u00faria, paga-se fian\u00e7a e tudo continua como antes.<br \/>\nE \u00e9 nas periferias que o pr\u00f3prio Estado demonstra o quanto o racismo cotidiano extermina negros e negras. Somente no primeiro semestre de 2014, em S\u00e3o Paulo (governado a mais de 20 anos pelo partido de Alckmin, A\u00e9cio Neves e Cia.), a Pol\u00edcia Militar matou 62% a mais que o ano anterior e nas regi\u00f5es mais pobres, onde a maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra. Enquanto isso, esses partidos da burguesia insistem, nos programas de governo, que para diminuir a criminalidade h\u00e1 necessidade de reduzir a maioridade penal e aumentar o tempo do adolescente infrator na pris\u00e3o. Por essa l\u00f3gica se justifica o n\u00famero de assassinatos da popula\u00e7\u00e3o negra e a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o da lei que tipifica o racismo como crime inafian\u00e7\u00e1vel.<br \/>\nMas, n\u00e3o \u00e9 novidade que Dilma, para sustentar seu governo da burguesia, negociou com entidades do Movimento Sindical e organiza\u00e7\u00f5es dos Movimentos Sociais para que as lutas fossem freadas, mesmo diante de realidade como essa. Calar diante dos n\u00fameros oficiais de assassinatos de negros e negras \u00e9 compactuar com o crime, pois o racismo, al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m essa reprodu\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas que sustentam a desigualdade.<br \/>\nO fim do genoc\u00eddio, a luta por sal\u00e1rio igual, cotas proporcionais no mercado de trabalho e nos estudos e por impor um reconhecimento humano da popula\u00e7\u00e3o negra s\u00e3o formas de coibir a desumaniza\u00e7\u00e3o t\u00e3o necess\u00e1ria para a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o da classe da trabalhadora tamb\u00e9m necess\u00e1ria ao capitalismo em crise, coisa que nenhum partido burgu\u00eas permitir\u00e1.<\/p>\n<h1>O machismo como forma de controlar a mulher trabalhadora<\/h1>\n<p>Outro tema recorrente e que evidencia o papel das elei\u00e7\u00f5es para o fortalecimento dos valores burgueses \u00e9 o aborto. Nenhum partido burgu\u00eas apresenta proposta para que a mulher deixe de correr o risco de ser presa ou de morrer pela pr\u00e1tica do aborto clandestino, muito pelo contr\u00e1rio, a insist\u00eancia vai ao sentido de obrigar a mulher trabalhadora a ter a crian\u00e7a, independente de ser indesej\u00e1vel ou resultado de estupro.<br \/>\nO importante \u00e9 manter a tutela sobre o corpo da mulher trabalhadora com o discurso de garantir vida ao feto, mesmo que mulheres pobres continuem morrendo (a cada 2 dias uma brasileira morre por aborto inseguro). O aborto sempre existiu e o que nos interessa n\u00e3o \u00e9 fazer apologia ou defend\u00ea-lo como m\u00e9todo contraceptivo, muitos j\u00e1 existem por a\u00ed. O que n\u00e3o se pode aceitar \u00e9 que o Estado subscreva a omiss\u00e3o de socorro, a den\u00fancia via m\u00e9dicos, o n\u00famero de mortes e a criminaliza\u00e7\u00e3o de mulheres por uma decis\u00e3o que diz respeito a seu pr\u00f3prio corpo.<br \/>\nEssa quest\u00e3o \u00e9 uma das maiores demonstra\u00e7\u00f5es do quanto o Estado burgu\u00eas reproduz o machismo. Enquanto a mulher passa por tudo isso, o homem, tamb\u00e9m respons\u00e1vel direto por essa situa\u00e7\u00e3o, segue ileso.<br \/>\nE de tempos em tempos nos deparamos com den\u00fancias sensacionalistas de cl\u00ednicas clandestinas. Nos \u00faltimos dias vimos o caso de Jandira no Rio de Janeiro. Evidencia-se o desaparecimento, questiona-se a exist\u00eancia da cl\u00ednica clandestina, mas, em nenhum momento a conclus\u00e3o \u00e9 a de que se a mulher fosse amparada quando decidisse por algo que diz respeito \u00e0 sua vida e ao seu corpo situa\u00e7\u00f5es como essa n\u00e3o existiriam.<br \/>\nA descriminaliza\u00e7\u00e3o e legaliza\u00e7\u00e3o do aborto (1 milh\u00e3o por ano) \u00e9 uma necessidade da mulher trabalhadora mas n\u00e3o da mulher burguesa (muito bem assistida em casos como esse) e n\u00e3o deveria depender de programas de governo ou de bancadas, essa \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de como a democracia burguesa \u00e9 democr\u00e1tica para a burguesia.<\/p>\n<h1>Unidade na luta cotidiana contra todas as formas de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<p>Diante de situa\u00e7\u00f5es como essas e temas como esses \u2013 casamento civil homo afetivo, redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal e aborto \u2013 podemos reafirmar que as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o mudam a vida da classe trabalhadora, muito menos de sua parcela mais explorada. E ainda s\u00e3o utilizadas, pela burguesia, seus partidos, candidatos e imprensa para buscar perpetuar seus valores.<br \/>\nQualquer governo burgu\u00eas ou que sustente a burguesia (PSDB, PT, PSB, PV) jamais resolver\u00e1 os problemas que afligem o dia a dia da classe trabalhadora, pois mant\u00e9m esses problemas em troca da corrup\u00e7\u00e3o, do favorecimento de uns poucos e das vantagens para a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor outro lado, os partidos que buscam falar em nome da classe trabalhadora (PSOL, PSTU e PCB), embora defendam bandeiras importantes, capitulam diante das ilus\u00f5es ao parlamento burgu\u00eas e, em muitos momentos, criam a ideia de que falta apenas vontade pol\u00edtica para que toda essa situa\u00e7\u00e3o mude. \u00c9 dever de qualquer pessoa que lute pela transforma\u00e7\u00e3o social desmascarar o sistema de explora\u00e7\u00e3o e suas institui\u00e7\u00f5es. E \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o organizar e fortalecer a luta direta. Sem tomarmos \u00e0s ruas jamais parlamento e governo burgueses ceder\u00e3o a algumas necessidades da classe trabalhadora, muito menos \u00e0s necessidades da parcela mais explorada.<br \/>\nE com esse n\u00famero de assassinatos e mortes de homossexuais, negros e mulheres da classe trabalhadora n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender o quanto \u00e9 necess\u00e1ria a radicaliza\u00e7\u00e3o das lutas e o quanto temos vivido, em alguns estados, o estado de exce\u00e7\u00e3o (que, dentre outras coisas, d\u00e1 maior poder \u00e0 pol\u00edcia para intensificar a repress\u00e3o) para garantir que nem as leis, tidas como democr\u00e1ticas, sejam cumpridas como a de direito \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o e a luta cotidiana da parcela mais explorada em unidade com toda a classe trabalhadora \u00e9 tarefa das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que acreditam na transforma\u00e7\u00e3o social e na consci\u00eancia e solidariedade de classe, mas, ainda, pouco assumem nos bairros, periferias, escolas e locais de trabalho essa dura batalha.<br \/>\nRadicalizar as lutas para o enfrentamento cotidiano contra os que buscam conservar esse funcionamento desigual da sociedade, a mis\u00e9ria capitalista e os valores burgueses \u00e9 constru\u00e7\u00e3o di\u00e1ria com a classe trabalhadora e em unidade de a\u00e7\u00e3o entre setores antigovernistas, anticapitalistas e n\u00e3o-burocr\u00e1ticos e n\u00e3o pode se dar apenas em per\u00edodo eleitoral ou nas disputas por cargos. Para derrotarmos essa forma de funcionamento social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico, que nos divide para melhor nos subjugar e explorar, se faz urgente o enfrentamento tamb\u00e9m dessa democracia, que \u00e9 burguesa e que somente existe para burgu\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Fl\u00e1via Maria e Iraci Lacerda O que esse cen\u00e1rio, que antecede as elei\u00e7\u00f5es, descortina da realidade brasileira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3382"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3382"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3382\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3388,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3382\/revisions\/3388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}