{"id":339,"date":"2012-06-21T22:30:45","date_gmt":"2012-06-22T01:30:45","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/339"},"modified":"2018-06-01T15:57:54","modified_gmt":"2018-06-01T18:57:54","slug":"jornal-50-maio-de-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/06\/jornal-50-maio-de-2012\/","title":{"rendered":"Jornal 50: Maio de 2012"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1579\" aria-describedby=\"caption-attachment-1579\" style=\"width: 206px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jornal_ES_50.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1579 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jornal_ES_50-206x300.jpg\" alt=\"Baixar em PDF\" width=\"206\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jornal_ES_50-206x300.jpg 206w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jornal_ES_50.jpg 514w\" sizes=\"(max-width: 206px) 100vw, 206px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1579\" class=\"wp-caption-text\">Baixar em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"#titulo1\">A 2\u00aa fase de impacto da crise no Brasil<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo2\">Balan\u00e7o do 1\u00ba Congresso da CSP-Conlutas: Construir um bloco por um novo rumo na Central<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo3\">Novos Pinheirinhos: falta moradia na sexta economia mundial<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo4\">Contrato tempor\u00e1rio no magist\u00e9rio paulista: imagem do descaso<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo5\">Rio+20: O capital n\u00e3o tem como resolver os problemas ambientais<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo6\">As mobiliza\u00e7\u00f5es na Gr\u00e9cia e a crise de alternativa socialista<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo7\">A primavera \u00e1rabe e a S\u00edria<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>A 2\u00aa fase de impacto da crise no Brasil<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo e a m\u00eddia tentam minimizar, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que, tr\u00eas anos ap\u00f3s 2009, estamos diante de <b>um segundo\u00a0 momento de impacto da crise econ\u00f4mica no Brasil <\/b>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro porque a crise econ\u00f4mica mundial n\u00e3o foi resolvida, apenas contida, com grande parte dos preju\u00edzos sendo assumidos pelos Estados e transferidos aos trabalhadores, acarretando violentos ataques \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida e provocando <b>uma nova situa\u00e7\u00e3o mundial de lutas e rebeli\u00f5es<\/b> tanto na Europa como no norte da \u00c1frica. A profundidade da crise e a resist\u00eancia dos trabalhadores t\u00eam levado \u00e0 instabilidade pol\u00edtica cuja Gr\u00e9cia \u00e9 hoje o epicentro.\u00a0 <b>\u00a0\u00a0\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com desigualdades entre os pa\u00edses &#8211; a Europa em recess\u00e3o, o Jap\u00e3o e os EUA praticamente estagnados e os chamados BRIC\u2019s desacelerando &#8211; o quadro geral \u00e9\u00a0 de crise e sem solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, a partir de 2009, quando tivemos aqui o primeiro impacto da crise, o governo Lula deu r\u00e9dea solta ao endividamento, tanto das fam\u00edlias como do estado, no sentido de garantir mercado e empr\u00e9stimos a juros irris\u00f3rios, e outras benesses para as empresas em opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Foram reduzidos impostos e iniciadas obras de infraestrutura exigidas pelo capital, visando inclusive os megaeventos esportivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo esse arsenal de pol\u00edticas foi acompanhado do aumento da explora\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, com o aumento dos ritmos de produ\u00e7\u00e3o e metas, com a precariza\u00e7\u00e3o dos contratos e a diminui\u00e7\u00e3o dos pisos salariais de ingresso em v\u00e1rias categorias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A isso se somou a entrada de capitais vindos dos pa\u00edses centrais em busca de seguran\u00e7a e rendimento, o que o governo garantiu atrav\u00e9s do pagamento em dia dos juros (mais altos do mundo) das D\u00edvidas Externa e Interna, mesmo que para isso tivesse que cortar mais de 50 bilh\u00f5es de gastos dos servi\u00e7os p\u00fablicos ao ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante esse per\u00edodo as centrais e sindicatos ligados \u00e0 CUT, For\u00e7a Sindical, CTB e outras fizeram de tudo para impedir, frear ou desmontar as lutas dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo esse quadro fez com que os lucros do empresariado voltassem e a crescer e o Brasil ocupasse, para euforia do governo, o t\u00edtulo de \u201c6\u00aa\u00a0 economia mundial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre chamamos a aten\u00e7\u00e3o para as injusti\u00e7as e os limites desse tipo de crescimento capitalista, devido aos problemas imediatos e cumulativos que ele produz: o endividamento cr\u00f4nico, a desindustrializa\u00e7\u00e3o, a precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos trabalhistas, a destrui\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, a destrui\u00e7\u00e3o do ambiente e dos povos ribeirinhos e ind\u00edgenas, etc. Al\u00e9m disso,\u00a0 esse tipo de crescimento prepara uma crise maior e mais grave em um futuro n\u00e3o muito distante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, o pa\u00eds \u00e9 atingido pela segunda onda de efeitos da crise internacional e <b>o ciclo de medidas implementadas a partir de 2009 mostra seu esgotamento<\/b>, com a queda das exporta\u00e7\u00f5es, da produ\u00e7\u00e3o industrial, do setor de min\u00e9rios e mesmo do agroneg\u00f3cio. Internamente, o endividamento massivo e a inadimpl\u00eancia recorde revelaram que a ascens\u00e3o do consumo (a chamada classe C) dos \u00faltimos anos foi em grande medida artificial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sa\u00edda encontrada pelo governo do PT, foi lan\u00e7ar m\u00e3o de mais uma rodada de medidas que visam, de forma combinada, aumentar ainda mais a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para retomar a lucratividade do empresariado e o crescimento da economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pacote de 60,4 bilh\u00f5es oferecido aos empres\u00e1rios est\u00e1 nesse contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esse pacote, o governo Dilma avan\u00e7a na Reforma Tribut\u00e1ria ao reduzir significativamente a contribui\u00e7\u00e3o patronal para o INSS \u2013 atualmente em 20% sobre a folha de pagamento &#8211; para apenas 1% sobre o faturamento. Dessa forma reduz e torna incertas as receitas do INSS. Isso traz graves consequ\u00eancias, piorando o atendimento do SUS e ao mesmo tempo acelerando a Reforma da Previd\u00eancia, com o aumento da idade e diminui\u00e7\u00e3o do valor das aposentadorias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a Reforma Trabalhista est\u00e1 sendo implementada na pr\u00e1tica, com projetos de lei que visam reconhecer como trabalho registrado at\u00e9 mesmo quem trabalhe 2-3 horas em uma\u00a0 semana, legalizando e generalizando o \u201cbico\u201d, ao inv\u00e9s de combat\u00ea-lo e obrigar a patronal a contratar os trabalhadores com jornada e sal\u00e1rio fixos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o governo do PT implementa, as mesmas Reformas pr\u00f3-capital defendidas pelo PSDB, apenas de um jeito mais mediado, visando melhor convencer os trabalhadores a aceitarem os ataques e, ao mesmo tempo, negociar os privil\u00e9gios para os setores de sua base de apoio no Congresso e nas centrais sindicais governistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m dentro das empresas e demais locais de trabalho, volta um quadro de f\u00e9rias coletivas e demiss\u00f5es. Ao mesmo tempo a sobrecarga para quem fica, com ritmos e metas\u00a0 insuport\u00e1veis, levam ao aumento dos acidentes de trabalho, al\u00e9m de outros problemas de sa\u00fade f\u00edsica e mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aumento dos pre\u00e7os e das taxas de servi\u00e7os, bem como a busca de mais ramos para a privatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos (aeroportos e outros) tamb\u00e9m expressa essa ofensiva do capital em busca de mais lucro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Impulsionar as lutas, a unidade dos lutadores pela base e construir uma sa\u00edda socialista!<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa nova realidade significa maior endurecimento da patronal nas campanhas salariais, e no corte de investimentos p\u00fablicos. Isso tende\u00a0 a se refletir em um aumento da insatisfa\u00e7\u00e3o, das lutas e conflitos, enfim maior polariza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio colocado \u00e9 justamente impulsionar todas as formas de resist\u00eancia poss\u00edveis, desde os locais de trabalho passando pelas lutas de categorias e movimentos populares como de moradia, contra o aumento das passagens, movimentos raciais, contra a homofobia, de mulheres etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso tamb\u00e9m a unidade de todos os movimentos e lutadores principalmente pela base, procurando ajudar os trabalhadores a desenvolver suas formas de luta e organiza\u00e7\u00e3o independente dos patr\u00f5es, do governo e das dire\u00e7\u00f5es governistas. O divisionismo e oportunismo de correntes que s\u00f3 est\u00e3o preocupadas com a sua pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o e com postos no aparato, \u00e0s expensas do movimento, deve ser repudiado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Combinado a isso, \u00e9 preciso todo um trabalho pol\u00edtico e de propaganda junto aos trabalhadores, no sentido da disputa das id\u00e9ias, de ajudar a elucidar a l\u00f3gica capitalista que rege os ataques dos patr\u00f5es e do governo, que s\u00e3o apoiadas pelas dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas como a CUT, o PT, CTB, etc. Precisamos apontar e construir junto com os trabalhadores um projeto alternativo que rompa com a l\u00f3gica do capital (lucro e aliena\u00e7\u00e3o) e avance no sentido do socialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a name=\"titulo2\"><\/a><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Balan\u00e7o do 1<\/b>\u00ba <b>Congresso da CSP-Conlutas: <\/b><b>Construir um bloco por um novo rumo na Central<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias 27, 28, 29 e 30 de maio, realizou-se em Sumar\u00e9 o I Congresso da CSP-Conlutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ter sido um Congresso mais esvaziado, se comparado aos anteriores (Box com an\u00e1lise dos n\u00fameros), ainda se mostrou como um espa\u00e7o importante de encontro e debate entre os v\u00e1rios movimentos e entidades. Havia ativistas de greves e outras lutas no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso expressa que a CSP-Conlutas, apesar de v\u00e1rios problemas em sua pr\u00e1tica e concep\u00e7\u00e3o e apesar da sa\u00edda de v\u00e1rios setores desde o CONCLAT (em 2010), ainda possui inser\u00e7\u00e3o nas lutas dos trabalhadores e estudantes, o que justifica sua exist\u00eancia e a nossa participa\u00e7\u00e3o no seu interior, ainda que de forma cr\u00edtica como jugamos ser o caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, o Congresso tamb\u00e9m expressou as dificuldades e limites da situa\u00e7\u00e3o atual dos movimentos dos trabalhadores e a negativa do setor majorit\u00e1rio (PSTU) em corrigir os problemas e posturas que t\u00eam impedido que a CSP-Conlutas seja de fato uma alternativa para os trabalhadores contra as centrais governistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realizado no momento em que, na esfera internacional, os sinais da crise econ\u00f4mica (embora desiguais de pa\u00eds para pa\u00eds) s\u00e3o cada vez mais fortes nos pa\u00edses centrais, em que milh\u00f5es de trabalhadores v\u00e3o \u00e0s ruas, evidenciando cada vez mais a exist\u00eancia de uma disputa de projetos ideol\u00f3gicos, e em que no Brasil o governo est\u00e1 enfrentando cada vez mais dificuldades para sustentar o atual ciclo econ\u00f4mico, o I Congresso da CSP-Conlutas n\u00e3o conseguiu aprovar uma pol\u00edtica global que pudesse fazer frente a esses desafios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda limitado a uma concep\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical marcada pelo imediatismo e pelo economicismo, a Central perdeu uma oportunidade \u00edmpar para se apresentar \u00e0 classe trabalhadora como alternativa. Para isso, teria que ter superado as limita\u00e7\u00f5es que a for\u00e7a majorit\u00e1ria imp\u00f5e sobre a Central, mas isso custaria muito caro e at\u00e9 questionaria a forma com que interv\u00eam na realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa concep\u00e7\u00e3o vigente n\u00e3o leva em conta que a pr\u00f3pria burguesia mudou a sua forma de atuar e lidar com a classe trabalhadora, pois se d\u00e1 mais peso a um discurso ideol\u00f3gico que visa ganhar os trabalhadores para legitimar as suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um excelente exemplo \u00e9 o que a GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos tem feito, apostando em uma massiva propaganda sobre os trabalhadores para ganhar sua consci\u00eancia em favor de seus planos de atua\u00e7\u00e3o e os trabalhadores passam a defender as ideias da empresa. A dire\u00e7\u00e3o do sindicato e da CSP-Conlutas, ao inv\u00e9s de entrar no debate ideol\u00f3gico contra a empresa, aposta na campanha de que s\u00e3o melhores negociadores e de que podem conseguir PLR maior. Dessa forma, deixam uma avenida aberta para a empresa, que continua fazendo a sua propaganda e n\u00e3o encontra o obst\u00e1culo da dire\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sindicatos precisam abandonar o conforto da luta puramente sindical e passar a uma ofensiva ideol\u00f3gica contra as empresas e o capital, sob pena de ver os trabalhadores comprometidos com os projetos da patronal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova, desde a d\u00e9cada de 90, a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva (acompanhada de outras formas ideol\u00f3gicas como o P\u00f3s-Modernismo) mudou o ch\u00e3o da f\u00e1brica, e as empresas agora visam \u201cganhar os cora\u00e7\u00f5es e mentes da classe\u201d. Vemos a individualiza\u00e7\u00e3o do trabalho, os programas de sugest\u00f5es em que trabalhadores recebem pr\u00eamios por sugest\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o, os programas de qualidade total, o pagamento de PLR pela redu\u00e7\u00e3o das faltas ao trabalho (em que trabalhador vigia e controla as faltas do outro trabalhador) e v\u00e1rias outras mudan\u00e7as que colocam desafios muito maiores para os revolucion\u00e1rios e que, infelizmente, a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da CSP-Conlutas e outras centrais se negam a assumir. Um sintoma perigoso, e que pode ser s\u00f3 a ponta do iceberg, foi o fato de que a chapa da Central perdeu as elei\u00e7\u00f5es sindicais na principal f\u00e1brica \u2013 a GM \u2013 do sindicato de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao se limitar a levantar um programa, o mesmo desde o primeiro I Congresso da Conlutas, restrito \u00e0 luta econ\u00f4mica, esse Congresso abre m\u00e3o desse decisivo combate aos capitalistas. Se no per\u00edodo anterior ainda era poss\u00edvel sobreviver com essa pol\u00edtica imediatista, a nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica que se abre no Brasil e no mundo exigem uma nova forma de atua\u00e7\u00e3o, milit\u00e2ncia e rela\u00e7\u00e3o com a classe trabalhadora, com a luta ideol\u00f3gica assumindo papel de destaque nesse combate.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Um curso \u00e0 direita<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A forma\u00e7\u00e3o de chapas com setores governistas.<\/b> Diante desse novo desafio, o PSTU tem escolhido outro caminho: o da disputa do aparato, mesmo que isso signifique abrir m\u00e3o da bandeira antigovernista da Central. V\u00e1rias das disputas eleitorais que aconteceram no \u00faltimo per\u00edodo tiveram chapas formadas com militantes do PSTU ao lado de militantes da CTB e da CUT. \u00c9 parte de um curso \u00e0 direita que o PSTU tem trilhado. No Congresso, quando esse debate \u2013 para impedir que militantes da Central formassem chapa com setores governistas \u2013 chegou ao plen\u00e1rio, essa corrente n\u00e3o se fez de rogada e chancelou todas as alian\u00e7as eleitorais que impulsionaram pelo pa\u00eds afora (Correios S\u00e3o Paulo, metal\u00fargicos Cama\u00e7ari, Cassi do Banco do Brasil e outros).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de fortalecer esses setores, essa pol\u00edtica tamb\u00e9m confunde os trabalhadores, pois as diferen\u00e7as simplesmente desaparecem. \u00c9 uma pol\u00edtica que prioriza estar no aparato sindical ao inv\u00e9s de efetivamente organizar os trabalhadores com uma pol\u00edtica independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A participa\u00e7\u00e3o na \u201cMesa Nacional Permanente para o aperfei\u00e7oamento das condi\u00e7\u00f5es de trabalho na ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o\u201d<\/b>, formada com governo e empreiteiras, aprovada por proposta do PSTU, \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o do curso pol\u00edtico dessa corrente. Essa mesa na verdade \u00e9 a discuss\u00e3o por um pacto social no setor e visa trazer para a institucionalidade as lutas que ocorrem no setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Central j\u00e1 tinha participado e havia se retirado por conta das 4 mil demiss\u00f5es em Jirau. O retorno a esse espa\u00e7o, al\u00e9m de legitim\u00e1-lo, \u00e9 uma confian\u00e7a absurda de que as empreiteiras e o governo v\u00e3o respeitar algum acordo que n\u00e3o seja feito na luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o somos contra que os sindicatos negociem, mas n\u00e3o temos ilus\u00e3o de que negocia\u00e7\u00e3o sem mobiliza\u00e7\u00e3o leve a conquista alguma. Uma negocia\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode surtir algum efeito se estiver respaldada na mobiliza\u00e7\u00e3o. E nesse caso n\u00e3o se trata de negocia\u00e7\u00e3o, pois quando os trabalhadores de Belo Monte entraram em greve, o primeiro argumento do governo e das empreiteiras foi de que estavam fora da data base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que na Resolu\u00e7\u00e3o conste que \u201cnunca integraremos um espa\u00e7o que sirva para retirar direitos dos trabalhadores e viesse preservar o lucro\u201d, o texto aprovado \u00e9 parte de um programa extremamente rebaixado, pois sequer consta a luta pelo sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE e a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Neste caso \u00e9 ainda pior, pois em vez de exigir a redu\u00e7\u00e3o aceita um mecanismo utilizado pela patronal para atacar o direito de uma jornada m\u00e1xima de trabalho e evitar novos custos, ou seja, j\u00e1 vai para a mesa com um programa rebaixado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tamb\u00e9m o fato de que participar dessa Mesa significa ir para um organismo de concilia\u00e7\u00e3o de classe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A participa\u00e7\u00e3o no \u201cEspa\u00e7o Unidade de a\u00e7\u00e3o\u201d<\/b>. Esse espa\u00e7o, constitu\u00eddo por v\u00e1rios setores, inclusive governistas, s\u00f3 pode ser explicada por essa pol\u00edtica de aproxima\u00e7\u00e3o com setores governistas. A primeira ressalva \u00e9 sobre a unidade. Em toda luta se pressup\u00f5e a participa\u00e7\u00e3o de todos os setores e correntes de pensamento. Na luta, n\u00e3o est\u00e1 em jogo a constru\u00e7\u00e3o da unidade, ali\u00e1s, esta \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a possibilidade de se avan\u00e7ar e obter conquistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra quest\u00e3o \u00e9 o quanto h\u00e1 de esfor\u00e7o para constru\u00e7\u00e3o de unidade pela superestrutura, com as dire\u00e7\u00f5es pelegas e governistas sem que essa unidade ajude de fato as mobiliza\u00e7\u00f5es. Esse \u201cEspa\u00e7o Unidade de A\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o tem contribu\u00eddo em nada para desenvolver a mobiliza\u00e7\u00e3o. Isso por uma raz\u00e3o \u00f3bvia: o peso das dire\u00e7\u00f5es governistas e sua disposi\u00e7\u00e3o em frear qualquer mobiliza\u00e7\u00e3o que possa se indispor com o governo Dilma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A depend\u00eancia do Imposto Sindical.<\/b> O imposto sindical \u00e9 a base material da forma\u00e7\u00e3o da burocracia sindical no pa\u00eds. O desconto compuls\u00f3rio de um dia de trabalho de cada trabalhador (que \u00e9 dividido entre sindicato, federa\u00e7\u00e3o, minist\u00e9rio do trabalho e centrais), desde o governo Get\u00falio Vargas, tem servido para manter dirigentes sindicais acomodados e distantes da base. Com dinheiro garantido, n\u00e3o precisam fazer trabalho de base e convencer trabalhadores a sustentarem o sindicato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa proposta foi de que a Central fizesse um amplo debate de convencimento com os sindicatos e ap\u00f3s 6 meses, aqueles que n\u00e3o devolvessem aos trabalhadores a parte que lhes cabe, perderiam os direitos de voto nos organismos da central.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se, ao nosso modo de ver, de uma medida concreta contra as press\u00f5es burocr\u00e1ticas a que os sindicatos est\u00e3o submetidos, credenciando a Central para essa luta pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m dos argumentos do PSTU, essa vota\u00e7\u00e3o demonstra que v\u00e1rios sindicatos dirigidos por essa corrente e a pr\u00f3pria Central \u2013 com mais de 90% da receita comprometida com custos de funcion\u00e1rios e com o aparato \u2013 t\u00eam uma profunda depend\u00eancia dos recursos provenientes do imposto sindical, de maneira que se n\u00e3o abrirem m\u00e3o dessa parte do imposto sindical, essa depend\u00eancia s\u00f3 tende a aumentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o ter uma resolu\u00e7\u00e3o decidida para que os sindicatos se livrem do imposto sindical encoraja os que incorporam o dinheiro do imposto nas contas regulares do sindicato a n\u00e3o tomarem medidas pol\u00edticas para superarem a depend\u00eancia que t\u00eam desses recursos, comprometendo a independ\u00eancia financeira destes sindicatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais lament\u00e1vel, pois a CUT, ainda que como parte de uma manobra, tem feito uma campanha, que inclui o plebiscito, contra o Imposto Sindical. Ou seja, deixa na m\u00e3o da burocracia cutista uma bandeira que deveria ser nossa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A falta de medidas contra a burocratiza\u00e7\u00e3o. <\/b>Tema recorrente em v\u00e1rios congressos, a Central at\u00e9 hoje n\u00e3o adotou medidas concretas contra a burocratiza\u00e7\u00e3o. Com dirigentes h\u00e1 muito afastados da base, sem ou com pouca rotatividade na executiva, a Central n\u00e3o se qualifica para essa batalha fundamental na estrutura sindical brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser um jogo de palavras, mas medidas efetivas. As medidas que propomos n\u00e3o s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es nossas, e sim um ac\u00famulo pol\u00edtico e te\u00f3rico do movimento socialista. Ali\u00e1s, a pr\u00f3pria LIT, \u00e0 qual o PSTU \u00e9 ligado, no plano te\u00f3rico tem uma posi\u00e7\u00e3o a esse respeito: \u201cSer trotskista \u00e9 defender a democracia oper\u00e1ria: os trotskistas s\u00e3o os maiores lutadores contra a burocratiza\u00e7\u00e3o dos sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias. Os trotskistas lutam para que as decis\u00f5es da base sejam respeitadas, para que n\u00e3o haja privil\u00e9gios para os dirigentes sindicais, para que as elei\u00e7\u00f5es sindicais sejam limpas e sem viol\u00eancia, para que os trabalhadores controlem suas organiza\u00e7\u00f5es e seus dirigentes, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.(<a title=\"www.litci.org\/pt\" href=\"http:\/\/www.litci.org\/pt\">www.litci.org\/pt<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfrentar esse tema \u00e9 decisivo, principalmente num momento em que as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas votadas no Congresso criam um campo f\u00e9rtil para o desenvolvimento de posi\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas. Como todos dizem, n\u00e3o se pode falar em democracia oper\u00e1ria sem construir um ambiente de luta permanente contra a burocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Discuss\u00f5es sobre opress\u00f5es (negros, mulheres e homossexuais), mais uma vez, n\u00e3o fizeram parte da pauta do congresso. <\/b>Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 negra e\/ou mulher e sem um programa e a\u00e7\u00f5es efetivas que contemplem as reivindica\u00e7\u00f5es desses setores n\u00e3o se pode pensar em revolu\u00e7\u00e3o no Brasil. Por isso \u00e9 que temos defendido que essas bandeiras sejam incorporadas ao programa geral da classe trabalhadora, pois al\u00e9m de lutar para conquist\u00e1-las, tamb\u00e9m devem servir como educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos demais trabalhadores na luta contra toda forma de opress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es de defendermos que nos Congressos da classe trabalhadora essas discuss\u00f5es fa\u00e7am parte da pauta e sejam debatidas entre todos os presentes e n\u00e3o somente entre negros, mulheres e homossexuais. Assim, consideramos negativo o fato de que, mais uma vez, para as quest\u00f5es de opress\u00f5es, o tempo tenha sido curto e as poucas discuss\u00f5es que ocorreram foram nos \u201cencontros setoriais\u201d com discuss\u00f5es r\u00e1pidas, que pouco contribuem para armar o conjunto da milit\u00e2ncia. Mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 opress\u00e3o \u00e0 mulher n\u00e3o \u00e9 suficiente um Encontro que anteceda o Congresso, pois al\u00e9m de n\u00e3o incorporar a discuss\u00e3o n\u00e3o incorpora boa parte das delegadas do Encontro ao Congresso. e vice versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luta contra o racismo, o machismo e a homofobia precisa ser do conjunto da classe trabalhadora, ali\u00e1s, essa \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para que as bandeiras relativas a essas quest\u00f5es tenham \u00eaxito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A CSP-Conlutas precisa avan\u00e7ar nessa pauta para a luta e para que no pr\u00f3ximo Congresso esses debates fa\u00e7am parte efetivamente do Congresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A falta de uma pol\u00edtica real para recompor a unidade<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso reconhecer de fato, e n\u00e3o apenas no discurso, que h\u00e1 outros setores de luta importantes que n\u00e3o est\u00e3o no marco da CSP-Conlutas, como resultado da divis\u00e3o ocorrida no CONCLAT. Entre os principais, temos os dois setores da Intersindical, a corrente Unidos Pra Lutar, a TLS e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode culpar apenas os outros setores pela divis\u00e3o, quando o setor majorit\u00e1rio, PSTU, tamb\u00e9m n\u00e3o faz nada para buscar recompor a unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Utilizando-se de sua maioria o PSTU rejeitou novamente a proposta defendida amplamente por todas as demais teses de que fosse retirado o nome Conlutas, ficando apenas CSP-Central Sindical e Popular, e deixou de contemplar a reivindica\u00e7\u00e3o dos setores que romperam no CONCLAT (Santos-2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PSTU se contradisse o tempo todo, pois ao mesmo tempo em que dizia que a quest\u00e3o do nome n\u00e3o deveria ser empecilho para a unidade, recusou-se ferreamente a abrir m\u00e3o. Ou seja, todos falam de unidade, mas colocam a constru\u00e7\u00e3o de sua corrente pol\u00edtica bem acima da unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema \u00e9 que o PSTU n\u00e3o quer arriscar a possibilidade de vir a perder o controle da Central caso fique em minoria, o que poderia acontecer se os setores que hoje est\u00e3o fora viessem adentrar a Central. Preservando o nome e se sentir amea\u00e7ado, poder\u00e1 rachar e usar o nome Conlutas que j\u00e1 est\u00e1 identificado \u00e0 sua imagem. \u00c9 esse o motivo da recusa intransigente em abrir m\u00e3o do nome Conlutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa disputa encarni\u00e7ada e superestrutural pelo controle dos aparatos \u2013 em que os trabalhadores e ativistas s\u00e3o os \u00faltimos a saber e poder se posicionar e os primeiros a sofrerem as consequ\u00eancias \u2013 tem se aprofundado, com divis\u00f5es em chapas nas elei\u00e7\u00f5es sindicais, acusa\u00e7\u00f5es m\u00fatuas e agora a ruptura da unidade no Ato do 1\u00ba de Maio Classista, que h\u00e1 v\u00e1rios anos vinha sendo realizado conjuntamente na Pra\u00e7a da S\u00e9. No Congresso mesmo foi onde ficamos sabendo que n\u00e3o haveria mais o Ato unit\u00e1rio por causa de diverg\u00eancias quanto ao n\u00famero de falas por parte da CSP-Conlutas e da Intersindical&#8230; um absurdo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defendemos a reabertura das discuss\u00f5es sobre a constru\u00e7\u00e3o de uma Central Unit\u00e1ria de Luta, atrav\u00e9s de semin\u00e1rios de base e forma\u00e7\u00e3o de chapas unit\u00e1rias antigovernistas atrav\u00e9s de conven\u00e7\u00f5es de base, onde seja votado o programa e a composi\u00e7\u00e3o proporcional ao peso de cada setor. O discurso sobre a unidade n\u00e3o pode ser monop\u00f3lio das c\u00fapulas dos partidos, deve ser retomada pelos trabalhadores e ativistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A recusa em formar um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores nas elei\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nossas interven\u00e7\u00f5es defendemos que a CSP-Conlutas impulsionasse uma rica discuss\u00e3o na base das entidades e movimentos e chamasse os trabalhadores a construir pela base candidaturas classistas e socialistas unit\u00e1rias para as elei\u00e7\u00f5es a prefeitos e vereadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto da crise internacional, que j\u00e1 apresenta consequ\u00eancias para o Brasil e para os munic\u00edpios, as elei\u00e7\u00f5es municipais ser\u00e3o um momento de disputa de projetos. Os partidos ligados \u00e0s lutas devem ter o compromisso de construir polos unit\u00e1rios de luta e pela base que possam ter algum peso no debate e disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores contra as alternativas de direita e governistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defendemos a realiza\u00e7\u00e3o de Plen\u00e1rias unit\u00e1rias nos munic\u00edpios para debater e votar o programa concreto para os munic\u00edpios, assim como os candidatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PSTU fez aprovar uma proposta extremamente vaga de mero recha\u00e7o \u00e0s candidaturas burguesas e apoio a candidaturas de esquerda e de luta, uma pol\u00edtica que n\u00e3o contribui para envolver os trabalhadores nas decis\u00f5es e abre as portas para a divis\u00e3o da esquerda em uma s\u00e9rie de candidaturas sem peso na realidade, como ocorreu nas elei\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Construir um Bloco pela mudan\u00e7a dentro da CSP-Conlutas e tamb\u00e9m nos movimentos!<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As concep\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas do PSTU, hoje majorit\u00e1rias na CSP-Conlutas, s\u00e3o estruturais e para serem superadas ser\u00e3o necess\u00e1rios acontecimentos de grande envergadura como assensos de massa que demonstrem cabalmente seus limites e criem outras possibilidades de forma incontest\u00e1vel. Junto a isso, \u00e9 preciso travarmos a batalha constante e dura por uma outra pol\u00edtica que responda de fato aos desafios da realidade do capitalismo em crise estrutural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O balan\u00e7o extremamente cr\u00edtico que fazemos do Congresso da CSP-Conlutas nos leva \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 preciso a luta organizada no interior da central e na base das categorias. Nesse sentido em conjunto com os companheiros do MR (Movimento Revolucion\u00e1rio),\u00a0e do Coletivo L\u00eanin,\u00a0chamamos a todos os ativistas e organiza\u00e7\u00f5es que tenham acordo com a ess\u00eancia desse balan\u00e7o para juntos\u00a0 construirmos esse Bloco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Os n\u00fameros n\u00e3o mentem, mas quem conta&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os n\u00fameros em um evento n\u00e3o s\u00e3o algo menor, pois por eles podemos compreender o peso real do que estamos avaliando. \u00c9 o caso da avalia\u00e7\u00e3o do I Congresso da CSP-Conlutas. Pelos dados oficiais,\u00a0 estiveram presentes 1809 delegados e outros cerca de 500 observadores e convidados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, a realidade \u00e9 um pouco diferente. J\u00e1 no in\u00edcio dos trabalhos, a mesa tinha informado que haviam sido eleitos 1800 delegados pelo pa\u00eds. Logo, podemos dizer que \u00e9 imposs\u00edvel que todos os delegados eleitos tenham participado do Congresso ou mesmo que tivessem sido substitu\u00eddos por suplentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, para que n\u00e3o pairasse d\u00favidas, contamos o plen\u00e1rio em dois momentos: no primeiro Conjuntura Internacional, estavam presentes cerca de 910 pessoas e no segundo momento eram 1030. Portanto, se tivessem participado 2300 pessoas do Congresso, a pergunta \u00e9: onde estavam os demais? Ou eles n\u00e3o participaram?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os grupos tamb\u00e9m estavam bastante esvaziados. Nos doze a m\u00e9dia de participa\u00e7\u00e3o era de 80 pessoas entre observadores e delegados. A plen\u00e1ria final tamb\u00e9m estava muito esvaziada. No momento do encerramento havia aproximadamente 500 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o para o fato de a dire\u00e7\u00e3o ter inflado os n\u00fameros: desde 2004 este foi o menor Congresso, com menor n\u00famero de participa\u00e7\u00e3o, expondo tanto os efeitos de uma pol\u00edtica rebaixada por parte da dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria quanto \u00e0s consequ\u00eancias da ruptura do CONCLAT em 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Novos Pinheirinhos: falta moradia na sexta economia mundial<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\">Iraci Lacerda<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b>Enquanto o governo Dilma, o Congresso Nacional e a burguesia brasileira\u00a0aprovam o novo C\u00f3digo Florestal para favorecer ainda mais os fazendeiros e as grandes empresas do agroneg\u00f3cio, numa estrutura agr\u00e1ria j\u00e1 marcada pela concentra\u00e7\u00e3o de terras e expuls\u00e3o de trabalhadores do campo, presenciamos a continuidade da forma\u00e7\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o desordenadas da \u00e1rea urbana \u2013 marcada por favelas, corti\u00e7os, utiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de riscos e mananciais para constru\u00e7\u00e3o de casas \u2013 como formas da classe trabalhadora se apropriar da pequena parte que lhe coube no imenso latif\u00fandio brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00f3gica dessa divis\u00e3o de classes e desse sistema de explora\u00e7\u00e3o \u00e9 tentar perpetuar\u00a0as altas\u00a0taxa de lucro dos grandes propriet\u00e1rios em momento de crise econ\u00f4mica mundial, gerada pela gan\u00e2ncia da superprodu\u00e7\u00e3o de mercadorias num mercado de desemprego e baixos sal\u00e1rios. \u00a0Para isso precisa dividir a classe trabalhadora em categorias, por qualifica\u00e7\u00f5es, n\u00edveis salariais, direitos trabalhistas, sindicatos, centrais sindicais, regi\u00f5es, periferias, condi\u00e7\u00f5es de moradia, de lazer, dentre tantas outras divis\u00f5es existentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido a falta de pol\u00edtica habitacional, uma das necessidades do sistema de explora\u00e7\u00e3o e mantida no governo Dilma, revela a desincumb\u00eancia do Estado com parte dos custos da reprodu\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra e ao mesmo tempo possibilita sal\u00e1rios cada vez menores e condi\u00e7\u00f5es de trabalho cada vez piores para uma parte dos trabalhadores que \u201caceita qualquer neg\u00f3cio\u201d. Ou seja, o Estado possibilita ao empresariado a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o a partir do n\u00e3o uso do dinheiro p\u00fablico em obras p\u00fablicas que favore\u00e7am quem trabalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A realidade no desenvolvimento<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o d\u00e9ficit habitacional, segundo dados do IPEA, \u00e9 de 30 milh\u00f5es de casas. Os gastos com aluguel chegam a consumir mais de 30% da renda do trabalhador. A inadequa\u00e7\u00e3o habitacional tamb\u00e9m apresenta n\u00fameros vergonhosos abaixo dos n\u00edveis razo\u00e1veis de sobreviv\u00eancia: Para o IBGE apenas 45,7%, menos da metade, dos domic\u00edlios possuem\u00a0esgotamento sanit\u00e1rio. O d\u00e9ficit de \u00e1gua canalizada atinge cerca de 19 milh\u00f5es de pessoas. Nesse universo, 56% dessa popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o de negros e pardos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falta moradia em 80% dos munic\u00edpios brasileiros de acordo com o cadastro de fam\u00edlias em programas habitacionais do governo, que n\u00e3o contemplam mais\u00a0de\u00a020% de fam\u00edlias que vivem mensalmente com at\u00e9 \u00bd sal\u00e1rio m\u00ednimo per capita (IBGE\/2010). Os que s\u00e3o contemplados, com renda acima de tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos, passam mais de 25 anos pagando o im\u00f3vel, o que faz com que ao final os bancos financiadores ganhem mais 550%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma das realidades do \u201ccrescimento econ\u00f4mico no Brasil\u201d,\u00a0elevado \u00e0 sexta economia do mundo. Esses s\u00e3o motivos para que o Estado trate\u00a0a luta por moradia como crime, haja vista o n\u00edvel de viol\u00eancia contra a classe trabalhadora por exigir que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal seja respeitada na obrigatoriedade dos governos de promoverem constru\u00e7\u00f5es de moradias e melhores condi\u00e7\u00f5es habitacionais e de saneamento b\u00e1sico para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>O desenvolvimento da luta<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso demonstra o quanto as lutas dos trabalhadores s\u00e3o necess\u00e1rias. Isso demonstra o quanto as lutas por moradia s\u00e3o justas. Isso demonstra que enquanto houver essa diferen\u00e7a gritante entre pre\u00e7o da terra urbanizada e capacidade de compra dos sal\u00e1rios dever\u00e1 haver ocupa\u00e7\u00f5es como forma do trabalhador se apropriar de um bem que jamais ser\u00e1 conquistado com suas intensas horas de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os velhos e Novos Pinheirinhos representam essa luta. E os governos do PSDB e PT, Congresso Nacional, Poder Judici\u00e1rio e Pol\u00edcia representam os grandes propriet\u00e1rios e empres\u00e1rios, por isso precisam tratar o trabalhador lutador como criminoso, exemplo do que foi feito em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver em um acampamento, sob a lona, sem saneamento b\u00e1sico e em tens\u00e3o constante para se conseguir uma moradia digna demonstra que a indigna\u00e7\u00e3o j\u00e1 move centenas de fam\u00edlias que se organizam\u00a0e, ainda, procuram dialogar com o poder p\u00fablico para minimizar o problema da ocupa\u00e7\u00e3o desordenada e o impacto da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. J\u00e1 se repete na cidade o que ocorre no campo, isto \u00e9, grandes empreiteiras e empres\u00e1rios dominam a distribui\u00e7\u00e3o e o apossamento das terras, se apropriam dos melhores terrenos para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e empurram boa parte dos trabalhadores para bairros perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Ocupa\u00e7\u00f5es de Santo Andr\u00e9\u2013SP, Embu\u2013SP e Ceil\u00e2ncia\u2013DF, juntamente com o aparato repressivo dispon\u00edvel para a reintegra\u00e7\u00e3o de posse, desmascaram o programa habitacional do governo Dilma, de Alckmin, Agnelo e seus prefeitos \u2013 pois\u00a0sequer atende as fam\u00edlias com renda de 0 a 3 sal\u00e1rios m\u00ednimos \u2013 indicam disposi\u00e7\u00e3o de luta num momento de crise e demonstram contradi\u00e7\u00f5es do sistema capitalista, que sempre precisou das desigualdades, mas j\u00e1 n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00e3o de conceder o b\u00e1sico para uma parcela crescente da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se esses trabalhadores n\u00e3o existissem ou n\u00e3o merecessem ter um lugar para morar, mesmo compondo a parcela necess\u00e1ria para a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, essas Ocupa\u00e7\u00f5es indicam para os lutadores a urg\u00eancia da unidade efetiva da luta. Como trabalhadores precisamos estar em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 divis\u00e3o da classe trabalhadora. A solidariedade oper\u00e1ria precisa ser exercitada. Os esfor\u00e7os de uns, como a luta por moradia, precisam se somar aos esfor\u00e7os dos outros, como a luta pela garantia de emprego, por Educa\u00e7\u00e3o com qualidade, por Sa\u00fade para todos, por condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho, por sal\u00e1rios justos, etc. Essas s\u00e3o necessidades b\u00e1sicas de todos que dependem de sal\u00e1rio para sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, entendemos que os sindicatos, centrais sindicais, entidades, partidos e organiza\u00e7\u00f5es que, na pr\u00e1tica, s\u00e3o parte do governo Dilma e dos governos do PSDB, que impulsionam, defendem ou encobrem essa forma injusta de funcionamento da sociedade \u2013 em que prevalecem a corrup\u00e7\u00e3o para desviar o dinheiro p\u00fablico, o favorecimento de uma camada da sociedade que j\u00e1 \u00e9 possuidora ou que obt\u00e9m vantagens com a explora\u00e7\u00e3o e a repress\u00e3o policial como forma de resolver as insatisfa\u00e7\u00f5es sociais \u2013 n\u00e3o representam os trabalhadores e n\u00e3o podem falar em nosso nome. CUT, For\u00e7a Sindical, CTB, etc. travam e isolam\u00a0essas lutas. Compactuam com os governos, fecham os olhos e calam as bocas diante da viol\u00eancia contra os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A necessidade da unidade na luta sindical e popular<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, n\u00e3o podemos aceitar que nenhuma organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores seja irrespons\u00e1vel com quem luta. Sindicatos, minorias sindicais, organiza\u00e7\u00f5es, Centrais e partidos de esquerda devem estar incorporados ao cotidiano do trabalhador para travar a luta pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e buscar a unidade das lutas dos trabalhadores que est\u00e3o ocorrendo no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A den\u00fancia contundente do governo Dilma e dos governos do PSDB sobre a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, da falta de pol\u00edtica habitacional que favore\u00e7a o trabalhador, a n\u00e3o composi\u00e7\u00e3o com as centrais ligadas ao governo, aos esquemas de corrup\u00e7\u00e3o, e ao empresariado brasileiro, a busca pela unidade e fortalecimento das lutas dos trabalhadores s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para a exist\u00eancia de uma central sindical e popular que privilegie o avan\u00e7o das lutas e das conquistas dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 extremamente necess\u00e1ria a unidade efetiva da luta sindical com a luta popular. Os trabalhadores sem moradia est\u00e3o se levantando contra as injusti\u00e7as. Em muitas ocasi\u00f5es esses trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o sindicalizados porque o pr\u00f3prio funcionamento sindical e o custo da sindicaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o permitem que o tempor\u00e1rio, precarizado ou sem emprego participem da organiza\u00e7\u00e3o, mas integram categorias com forte organiza\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, precisamos reconhecer que se \u00e9 trabalhador em luta, a luta \u00e9 de todos n\u00f3s. Dessa forma, comit\u00eas, campanhas de solidariedade financeira, de alimentos, de brinquedos, de roupas, apoio pol\u00edtico, jur\u00eddico e cultural, busca de aproxima\u00e7\u00e3o entre Ocupa\u00e7\u00e3o e Comunidade e F\u00e1brica e Universidade, luta por vagas nas escolas e nas creches, esclarecimentos junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o (cartas abertas, carro de som, m\u00eddias), den\u00fancia sobre as condi\u00e7\u00f5es e falta de moradia, etc. devem ser imediatamente, com a instala\u00e7\u00e3o da Ocupa\u00e7\u00e3o, impulsionados por todos que lutam. Nesse momento a CSP-Conlutas \u2013 central a qual o MTST, que tem impulsionado a luta por moradia digna, \u00e9 filiado \u2013 tem obriga\u00e7\u00e3o de fortalecer pol\u00edtica e financeiramente essa unidade, essas Ocupa\u00e7\u00f5es e os Novos Pinheirinhos que certamente, com a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, ir\u00e3o nascer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A experi\u00eancia, em Santo Andr\u00e9, da unidade da luta sindical e popular<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo nos primeiros dias em que 1300 fam\u00edlias ocuparam o terreno em Santo Andr\u00e9 alguns professores (filiados ao sindicato, do Espa\u00e7o Socialista, moradores na comunidade) se apresentaram aos Acampados com a proposta de forma\u00e7\u00e3o de um Comit\u00ea de Apoio e Solidariedade. Junto aos professores filiados imediatamente foi aprovado ajuda financeira (para compra de lonas, aluguel de \u00f4nibus para manifesta\u00e7\u00e3o em obra do PAC, carta-aberta, etc.), campanha de alimentos, roupas e brinquedos, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Comit\u00ea de Apoio e Solidariedade, preocupado com o n\u00e3o isolamento da Ocupa\u00e7\u00e3o, semanalmente discute e encaminha tarefas juntamente com o MTST. Tem sido assim para procurar ajuda financeira e mo\u00e7\u00f5es de apoio entre os sindicatos da regi\u00e3o do ABC e entre as correntes de oposi\u00e7\u00e3o, com a confec\u00e7\u00e3o e panfletagem de mais de 30.000 cartas-abertas, na arrecada\u00e7\u00e3o de dezenas de cestas b\u00e1sicas, na doa\u00e7\u00e3o de outros alimentos, roupas, brinquedos, caminh\u00e3o de madeira, papel sulfite, log\u00edstica para c\u00f3pias, carro de som, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que essa luta por moradia no ABC paulista \u00e9 a maior desde a Ocupa\u00e7\u00e3o Santo Dias em 2003 e que representa parte da retomada das lutas, sendo que os Novos Pinheirinhos representam ainda a continuidade da luta do Pinheirinho em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, sentimos a aus\u00eancia efetiva de v\u00e1rias correntes de esquerda, especialmente do PSTU por ser a maior, por dirigir sindicatos e oposi\u00e7\u00f5es e por representar a maioria na CSP-Conlutas. Entendemos que se n\u00e3o h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o de se integrar ao Comit\u00ea cada organiza\u00e7\u00e3o de esquerda tem a obriga\u00e7\u00e3o de impulsionar a luta possibilitando que as quest\u00f5es da Ocupa\u00e7\u00e3o sejam apresentadas nos locais de milit\u00e2ncia a fim de estabelecermos a solidariedade oper\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pode haver um sindicato ou oposi\u00e7\u00e3o de esquerda que se omita diante da luta dos trabalhadores por moradia. Todas as entidades ligadas \u00e0 CSP-Conlutas devem fazer a discuss\u00e3o sobre os Novos Pinheirinhos em suas bases, propor campanhas, ajuda financeira, mo\u00e7\u00e3o de apoio, divulga\u00e7\u00e3o na imprensa oper\u00e1ria, esclarecimento junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a luta incessante dos Acampados, o apoio do Comit\u00ea e o \u00eaxito das campanhas, a Ocupa\u00e7\u00e3o teve algumas conquistas e, dentre elas, a prorroga\u00e7\u00e3o da data de despejo por 120 dias, como tentativa de viabilizar a negocia\u00e7\u00e3o entre CDHU e Minist\u00e9rio das Cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos, pelas experi\u00eancias anteriores, que n\u00e3o podemos confiar. \u00c9 necess\u00e1rio fortalecer ainda mais a mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 contra o prefeito, o governador, o governo federal e a Justi\u00e7a que n\u00e3o est\u00e3o com disposi\u00e7\u00e3o de resolver o problema \u2013 com esclarecimento junto aos trabalhadores, na vida interna e tudo mais. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio que os lutadores se movimentem na regi\u00e3o, no estado e no pa\u00eds em defesa da luta por moradia, em defesa dos Novos Pinheirinhos. N\u00e3o podemos aguardar esse desenrolar de bra\u00e7os cruzados, apenas porque n\u00e3o dirigimos essa luta. A unidade da luta sindical e popular precisa ser efetivada. Os trabalhadores sindicalizados ou n\u00e3o precisam compreender que moradia \u00e9 um direito, que essa \u00e9 uma luta justa e que precisam se juntar. Propagar a luta, al\u00e9m de necessidade, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o do lutador!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a8 Pela desapropria\u00e7\u00e3o imediata do terreno em Santo Andr\u00e9! Pela legaliza\u00e7\u00e3o imediata das moradias no terreno de Embu!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a8 Reagir contra a falta de moradia \u00e9 ocupar! Reagir contra o desemprego e os baixos sal\u00e1rios \u00e9 apoiar! Unirmos as nossas for\u00e7as na luta \u00e9 resistir!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo4\"><\/a><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Contrato tempor\u00e1rio no magist\u00e9rio paulista: imagem do descaso<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tratar da contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria dos novos professores (Categoria \u201cO\u201d) em S\u00e3o Paulo \u00e9 necess\u00e1rio evidenciar que estamos diante de uma tirania psicol\u00f3gica introduzida pela ideologia do toyotismo, predominante na ordem capitalista em crise, que regula e determina as diretrizes para a contrata\u00e7\u00e3o de novos trabalhadores em todos os ramos da economia e tamb\u00e9m na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, sendo a \u00f3tica dos neg\u00f3cios tamb\u00e9m aplicada no sistema escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><b>O Toyotismo e as regras de contrata\u00e7\u00e3o dos novos professores<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro dos preceitos do toyotismo, os trabalhadores de conjunto s\u00e3o uma\u00a0<i>\u201dclasse que vive do trabalho\u201d<\/i>, ou seja, do m\u00e9rito, da produtividade. Isso afeta profundamente a consci\u00eancia e a subjetividade dos trabalhadores. A luta coletiva, nos Sindicatos, passa\u00a0 a ser secundarizada em detrimento da individualiza\u00e7\u00e3o dos problemas e da quest\u00e3o salarial.\u00a0Inclusive h\u00e1 uma campanha ideol\u00f3gica por parte de governos e patr\u00f5es para desacreditar nos Sindicatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, diante da crise capitalista vigente, necessita-se de uma m\u00e3o de obra flex\u00edvel ajustada e regulada \u00e0s temporalidades do mercado que ora seja explorada, ora seja descartada de acordo com o momento econ\u00f4mico desse modo o desemprego \u201cdeixa de ser considerado um fator de crise \u2013 como no per\u00edodo anterior, quando as pol\u00edticas de pleno emprego eram vistas como a solu\u00e7\u00e3o para a crise \u2013 para converter-se agora em um dos elementos do processo de controle das crises\u201d. (Saviani.\u00a0<i>Capitalismo, Trabalho e Educa\u00e7\u00e3o<\/i>, p. 21 e 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, as regras de contrata\u00e7\u00e3o de novos professores em S\u00e3o Paulo est\u00e3o dentro da l\u00f3gica toyotista de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho em que n\u00e3o h\u00e1 garantias e estabilidade de emprego.\u00a0Aqueles que possuem garantias de emprego, os concursados, t\u00eam a estabilidade cada vez mais questionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A responsabiliza\u00e7\u00e3o dos professores pelo fracasso escolar<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 parte da nova solu\u00e7\u00e3o adotada em S\u00e3o Paulo pelo PSDB, mas que o governo federal petista tamb\u00e9m apregoa, \u201cresponsabilizar\u201d os professores pelo fracasso escolar, a fim de dar uma resposta para a popula\u00e7\u00e3o sobre os \u00edndices negativos colhidos pelas avalia\u00e7\u00f5es institucionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso dividem-nos em categorias (\u201cF\u201d, \u201cO\u201d, etc.) como se no dia-a-dia dentro de uma mesma escola os professores enfrentassem problemas diferentes. Junto com isso se paga b\u00f4nus para uns poucos e demite-se ou precariza-se outros. \u00a0Dessa forma, \u201ca transfer\u00eancia de responsabilidade para os profissionais da Educa\u00e7\u00e3o faz com que o Estado passe a ter o papel de premiar ou punir, ficando \u2018bem na cena\u2019 com os pais, pois tomou provid\u00eancias en\u00e9rgicas com os professores incompetentes\u201d. (Freitas,\u00a0<i>Carta Fundamental, mar\/2011<\/i>, p. 60).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Com novas regras de contrata\u00e7\u00e3o sobra dinheiro<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os governos de um modo geral, n\u00e3o importa a legenda partid\u00e1ria, elaboram suas pol\u00edticas educacionais em associa\u00e7\u00e3o com banqueiros e empres\u00e1rios comprometidos com as diretrizes impostas pelo Banco Mundial, FMI e UNESCO e para isso criam leis que prejudicam os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, Ita\u00fa Social, Bradesco, Gerdau, Instituto Airton Senna, Suzano, Santander, Ethos, entre outros comp\u00f5em o Movimento Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o e participam ativamente de projetos na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica. \u00c9 evidente que o interesse \u00e9 lucrar sugando o dinheiro p\u00fablico, que deveria ser utilizado nos servi\u00e7os p\u00fablicos (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte coletivo de qualidade) para os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os professores com contratado tempor\u00e1rio n\u00e3o possuem os mesmos direitos que os concursados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 previd\u00eancia, sa\u00fade, \u00e0s f\u00e9rias e abonadas. Essa situa\u00e7\u00e3o demonstra que a instabilidade e a precariza\u00e7\u00e3o permitem uma consider\u00e1vel economia na folha de pagamentos, mas n\u00e3o \u00e9 h\u00e1 melhoria nas escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A luta pela melhoria da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica precisa de todos os trabalhadores<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho pedag\u00f3gico comprometido com a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica deve ser voltado para os interesses dos trabalhadores e seus filhos e necessita valorizar e estabilizar os professores para garantir a continuidade das a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas com v\u00ednculo maior desses professores \u00e0 rede, \u00e0s comunidades escolares e sem interfer\u00eancia do empresariado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sindicatos precisam ser retomados como espa\u00e7os coletivos de solidariedade na luta por uma Escola P\u00fablica de Qualidade, com a participa\u00e7\u00e3o de professores e demais trabalhadores, para reconstruirmos o senso de coletividade contra a viol\u00eancia, as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho\/ensino\/aprendizagem, a perda de direitos e a falta de perspectiva da juventude frutos da ofensiva do capitalismo em crise estrutural. Somente a luta unit\u00e1ria dos professores e demais trabalhadores poder\u00e1 reverter esse processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso propomos Estabilidade\u00a0 para todos os contratados; Concurso p\u00fablico classificat\u00f3rio para suprir a falta de professores na rede; Fim das leis que legalizam a precariza\u00e7\u00e3o, bonificam e instituem o m\u00e9rito para n\u00e3o termos aumento de sal\u00e1rio; sal\u00e1rio do Dieese; reposi\u00e7\u00e3o salarial de 36,74%. Verbas p\u00fablicas para a escola p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Rio+20: O capital n\u00e3o tem como resolver os problemas ambientais<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A realiza\u00e7\u00e3o da\u00a0Confer\u00eancia Internacional\u00a0<i>Rio + 20<\/i>\u00a0no Rio de Janeiro, no m\u00eas de junho, deve contar com a participa\u00e7\u00e3o de chefes de Estado, empres\u00e1rios, ONGs, ONU e mais tantas outras \u201cautoridades\u201d. E deve tamb\u00e9m alimentar algumas ilus\u00f5es nos movimentos sociais que n\u00e3o t\u00eam o perfil classista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensamos que \u00e9 importante refletirmos sobre a impossibilidade de que esse encontro possa deliberar algo que realmente v\u00e1 salvar o nosso planeta. Ser\u00e3o os mesmos que incentivam ou poluem diretamente que estar\u00e3o discutindo solu\u00e7\u00f5es. Imposs\u00edvel. \u00c9 como se ped\u00edssemos que a raposa tomasse conta do galinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa Confer\u00eancia acontece 20 anos depois da ECO 92, tamb\u00e9m realizada no Rio de Janeiro, e, como era de se esperar, tamb\u00e9m n\u00e3o teve nenhum resultado pr\u00e1tico-concreto de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente. Pelo contr\u00e1rio: o mundo vive em piores condi\u00e7\u00f5es ambientais. Cidades e rios polu\u00eddos (quantos milh\u00f5es de carros foram produzidos desde ent\u00e3o&#8230;), desmatamentos, expuls\u00e3o de povos nativos das florestas, desequil\u00edbrios da temperatura em todas as partes do globo, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Polui\u00e7\u00e3o e capitalismo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira quest\u00e3o importante de ressaltar \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de tratar das quest\u00f5es ambientais sem considerar o car\u00e1ter destrutivo da produ\u00e7\u00e3o capitalista. Produ\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de carros e prioriza\u00e7\u00e3o do transporte individual em detrimento do coletivo, combust\u00edveis f\u00f3sseis como principal matriz energ\u00e9tica, longas dist\u00e2ncias entre o trabalho e a moradia, imposi\u00e7\u00e3o de urbaniza\u00e7\u00e3o, planta\u00e7\u00f5es transg\u00eanicas (destrui\u00e7\u00e3o da \u201cagricultura verde\u201d), desmatamento e ataque as florestas para extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios\u00a0e constru\u00e7\u00e3o de usinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo produtivo nesta sociedade n\u00e3o \u00e9 determinado somente pela t\u00e9cnica, mas principalmente pela ideologia\u00a0de legitimar a explora\u00e7\u00e3o\u00a0e a destrui\u00e7\u00e3o, que fazem parte da cadeia produtiva capitalista, e a mercantiliza\u00e7\u00e3o de tudo que h\u00e1 na natureza. Ou seja, a luta de classe influencia (ainda que haja outras quest\u00f5es que tamb\u00e9m influenciam) diretamente em tudo que ocorre no mundo e n\u00e3o seria diferente com aquilo que diz respeito ao meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao prevalecer a l\u00f3gica\u00a0da estrutura de produ\u00e7\u00e3o\u00a0capitalista, certamente haver\u00e1 o esgotamento dos recursos naturais.\u00a0Isso \u00e9 o que de certa forma\u00a0j\u00e1 est\u00e1 em discuss\u00e3o, pois v\u00e1rios recursos naturais e fundamentais para a vida j\u00e1 est\u00e3o se esgotando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos ide\u00f3logos capitalistas querem jogar sobre as costas do homem a responsabilidade pela destrui\u00e7\u00e3o do planeta, avocando um car\u00e1ter de destruidor natural e que as medidas adotadas somente podem amenizar,\u00a0pois esse \u00edmpeto natural nunca vai acabar. Se \u00e9 verdade que toda a\u00e7\u00e3o precisa de um sujeito\u00a0(afinal n\u00e3o conhecemos nenhum processo de autodestrui\u00e7\u00e3o natural) tamb\u00e9m \u00e9 verdade que esse homem \u00e9 aquele formado pela ideologia capitalista, uma vez que o \u201cmeio determina a consci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem em si n\u00e3o \u00e9 destruidor da natureza, mas o homem que age conforme a l\u00f3gica capitalista passa a n\u00e3o se reconhecer na pr\u00f3pria natureza (da qual \u00e9 parte) e tamb\u00e9m naquilo que produz. \u00c9 esse homem \u2013 alienado \u2013 que, no trabalho e na transforma\u00e7\u00e3o da natureza a destr\u00f3i. Compreender isso \u00e9 importante porque possibilita desmistificar o discurso da burguesia de que homem sempre foi e sempre ser\u00e1 destruidor da natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreender o papel da luta de classe na discuss\u00e3o ambiental \u00e9 tamb\u00e9m entender que a luta pela preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente interessa muito mais aos trabalhadores do que a burguesia, pois esta, pelo seu poder financeiro, tem condi\u00e7\u00f5es de mobilidade. Como diz Leonardo Boff \u201co ser mais amea\u00e7ado da natureza n\u00e3o \u00e9 o urso panda da China e nem a baleia: s\u00e3o os pobres do mundo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Sob o capitalismo n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob uma sociedade governada pelo capital n\u00e3o se pode falar em \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d porque a l\u00f3gica (o que e como se produz) da produ\u00e7\u00e3o\u00a0capitalista j\u00e1 \u00e9 em si\u00a0destrutiva, seja a produ\u00e7\u00e3o industrial ou agr\u00e1ria. Na primeira podemos citar os carros, as bombas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, a utiliza\u00e7\u00e3o de produtos comprovadamente danosos \u00e0 sa\u00fade e na segunda a utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos e defensivos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a burguesia a utiliza\u00e7\u00e3o do termo \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d\u00a0\u00e9 para tentar\u00a0encobrir o quanto \u00e9 destruidora a sua forma de produzir, incorpora a defesa da natureza quando sabemos que\u00a0na pr\u00e1tica destr\u00f3i desordenadamente. E para os que acreditam na ideia, somente podemos dizer que na verdade representa uma utopia reacion\u00e1ria, pois sob o capitalismo \u00e9 imposs\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o racional de qualquer recurso, ainda mais os recursos naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra forma que desmascara esse discurso \u00e9 a compra do direito de poluir. Pa\u00edses ou empresas que poluem mais podem comprar cr\u00e9ditos de carbono (o direito de poluir) que, al\u00e9m de ser in\u00fatil ambientalmente, \u00e9 uma forma de controle sobre os pa\u00edses menos industrializados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por esse mecanismo, aprovado no protocolo de Kyoto, todos est\u00e3o obrigados a reduzirem em 5% a emiss\u00e3o de gases abaixo dos n\u00edveis de 1990 e quem n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de efetivar essa redu\u00e7\u00e3o pode comprar de outro. No Brasil os bancos possuem departamento somente para cuidar dessa transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, portanto, \u00e9 um discurso ideol\u00f3gico para que governos e empresas se apresentem como defensores da natureza\u00a0e demonstrem\u00a0que est\u00e3o preocupados com o mundo. Imposs\u00edvel porque uma forma racional de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma nega\u00e7\u00e3o da forma de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As resolu\u00e7\u00f5es da ECO 92, chamada Agenda 21, j\u00e1, h\u00e1 20 anos,\u00a0tratava de\u00a0desenvolvimento sustent\u00e1vel. Podemos perceber que n\u00e3o se alcan\u00e7ou \u2013 e nem tem como \u2013 nenhum objetivo. A quest\u00e3o\u00a0n\u00e3o \u00e9 somente de m\u00e1 gest\u00e3odos governos, mas, como j\u00e1 dissemos, da\u00a0impossibilidade, sob o capitalismo, de haver alguma prote\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os governos Dilma e Lula tamb\u00e9m adotaram o discurso do \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d\u00a0e, como mais uma prova dessa impossibilidade,\u00a0o que temos visto \u00e9 o total descompromisso com o meio ambiente. As usinas hidrel\u00e9tricas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, as grandes estradas que destroem a fauna e a flora recebem financiamento com dinheiro p\u00fablico, a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o no uso de agrot\u00f3xico e o apoio de v\u00e1rios setores governistas ao novo c\u00f3digo florestal s\u00e3o a prova de que o Estado brasileiro e, claro, o governo brasileiro patrocinam a larga destrui\u00e7\u00e3o ambiental no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Ci\u00eancia e natureza<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ide\u00f3logos burgueses que tratam do tema ecol\u00f3gico procuram apresentar solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para o problema ambiental. Assim afundam-se em pesquisas de reprodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em cativeiro, produtos qu\u00edmicos para decomposi\u00e7\u00e3o, filtros e tantas outras engenhocas. Solu\u00e7\u00f5es que at\u00e9 podem ter algum efeito,\u00a0mas s\u00e3o parciais.\u00a0 Al\u00e9m de n\u00e3o enfrentarem o problema central que \u00e9 o estranhamento do homem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza de fato n\u00e3o acabam com a produ\u00e7\u00e3o destrutiva.\u00a0Diga-se de passagem, que essas \u201cinova\u00e7\u00f5es\u201d s\u00f3 acontecem porque, pelo desastre ambiental,\u00a0apresentam-se\u00a0como mais uma forma de lucratividade, ou seja, s\u00f3 inventam se podem dar lucro. \u00c9 o velho ciclo vicioso do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os marxistas n\u00e3o s\u00e3o contra o progresso, pelo contr\u00e1rio. Mas, o pensamos a partir do dom\u00ednio da natureza n\u00e3o para destru\u00ed-la, mas para satisfazer as necessidades humanas. N\u00e3o temos o lucro como refer\u00eancia, mas o que pode ser \u00fatil e ajudar a humanidade a se livrar do trabalho penoso e de doen\u00e7as que poderiam j\u00e1\u00a0estar\u00a0erradicadas, a ajudar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos sadios, etc. O capital o v\u00ea apenas como t\u00e9cnico-cient\u00edfico e se lhe vai proporcionar o lucro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ci\u00eancia e natureza, sob o dom\u00ednio do capital, perdem o seu car\u00e1ter inovador e revolucion\u00e1rio e, em vez de realizar as potencialidades humanas, passam\u00a0a ser\u00a0utilizadas para a destrui\u00e7\u00e3o.\u00a0Para isso \u00e9\u00a0necess\u00e1rio retirar a ci\u00eancia do buraco em que o capitalismo a enfiou e recoloc\u00e1-la a servi\u00e7o da humanidade. \u00c9 preciso subverter as rela\u00e7\u00f5es entre os homens, a natureza e a t\u00e9cnica que o capital moldou nos \u00faltimos s\u00e9culos, de modo que possamos reformular a rela\u00e7\u00e3o que estabelecida com a natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A Rio + 20 n\u00e3o vai mudar essa situa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solu\u00e7\u00e3o dos problemas ambientais est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 solu\u00e7\u00e3o do sistema social. Sequer podemos falar de um \u201creformismo verde\u201d como creem os verdes europeus e grupos como\u00a0<i>Greenpeace<\/i>\u00a0que alimentam ilus\u00f5es em uma produ\u00e7\u00e3o capitalista n\u00e3o poluidora. Como n\u00e3o negam o capital, suas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o circunscritas nos limites da economia de mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A realiza\u00e7\u00e3o dessas Confer\u00eancias \u00e9 mais uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da ONU e do imperialismo para disputar a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de qualquer movimento que possa surgir a partir dessa demanda, pois muitas vezes nem mesmo os pa\u00edses membros cumprem os tratados, como foi o caso em que os Estados Unidos se\u00a0recusaram\u00a0ao cumprimento do protocolo de Kyoto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido n\u00e3o temos nenhuma ilus\u00e3o de que esse evento possa aprovar alguma coisa que salve o nosso planeta ou melhore a nossa vida. \u00c9 um organismo de gest\u00e3o internacional do capital e os objetivos que ali aprovam somente servem para criar par\u00e2metros para uma regula\u00e7\u00e3o do valor internacional das mercadorias e uma competi\u00e7\u00e3o \u201cjusta\u201d entre os pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Por um programa e uma a\u00e7\u00e3o marxista para a quest\u00e3o ambiental<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos feito um esfor\u00e7o de incorporar a quest\u00e3o ambiental na nossa atua\u00e7\u00e3o e no nosso programa tanto por ser um problema central no mundo atual quanto pelo fato de que militamos por uma concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o que v\u00e1 al\u00e9m da mudan\u00e7a das rela\u00e7\u00f5es de propriedade na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os problemas ambientais est\u00e3o cada vez mais na ordem do dia e \u00e9 poss\u00edvel que surjam mobiliza\u00e7\u00f5es com essa tem\u00e1tica e dar-lhes um car\u00e1ter classista \u00e9 fundamental de maneira que luta ambiental e\u00a0anticapitalista\u00a0possam caminhar juntas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, consideramos muito importante a aprova\u00e7\u00e3o, no Congresso da CSP-Conlutas, de um ato nacional no Rio de Janeiro por ocasi\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o da\u00a0<i>Rio+20,\u00a0<\/i>ao qual nos incorporaremos e procuraremos organizar atividades locais para fortalec\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>As mobiliza\u00e7\u00f5es na Gr\u00e9cia e a crise de alternativa socialista<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\">Dalmo Duarte<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a \u00faltima Confer\u00eancia do Espa\u00e7o Socialista (documentos no site) temos tratado a crise mundial, que se iniciou em 2008, como uma das mais profundas porque n\u00e3o se restringe somente \u00e0 economia, mas se alastra para v\u00e1rias outras dimens\u00f5es da vida \u2013 como a ecol\u00f3gica, energ\u00e9tica, alimentar, desenvolve v\u00e1rios tipos de doen\u00e7as patol\u00f3gicas e ps\u00edquicas \u2013 e cria problemas para os trabalhadores e para o capital.\u00a0Outra \u201cmarca\u201d da crise \u00e9 que se abriu a possibilidade de que ocorram disputas abertas de projetos entre as classes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Crise e disputa de projeto<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o capital n\u00e3o consegue encontrar mecanismos consistentes que lhe\u00a0permitam\u00a0superar de vez essa crise (o\u00a0que exige impor uma\u00a0profunda\u00a0derrota aos trabalhadores) e\u00a0como\u00a0os limites para a lucratividade\u00a0est\u00e3o\u00a0cada vez mais evidentes, come\u00e7am\u00a0reaparecer\u00a0os setores mais reacion\u00e1rios do imperialismo defendendo uma sa\u00edda pela for\u00e7a e a imposi\u00e7\u00e3o de regimes fascistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um processo generalizado. No per\u00edodo eleitoral estadunidense, no j\u00e1 reacion\u00e1rio Partido Republicano, o Tea Party\u00a0 (\u201cfesta do ch\u00e1 de Boston\u201d, que foi uma rebeli\u00e3o anti-impostos e de controle governamental nos anos finais da coloniza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica)\u00a0venceu nas prim\u00e1rias as indica\u00e7\u00f5es de candidatos dos estados para o senado contra os \u201cmoderados\u201d . Em suas defesas apresentam propostas de persegui\u00e7\u00e3o aos imigrantes, contra a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, maior endurecimento do Estado e uma pol\u00edtica externa ainda mais agressiva contra os povos do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Europa, em todas as disputas eleitorais, al\u00e9m da tradicional direita h\u00e1 grupos e partidos fascistas com um importante crescimento eleitoral. Fran\u00e7a, Espanha, \u00c1ustria, Alemanha e agora Gr\u00e9cia.\u00a0 O risco para o capital \u00e9 que, diante de tantos ataques aos trabalhadores, os movimentos que se recolocam na cena pol\u00edtica possam desviar a trajet\u00f3ria e come\u00e7ar a questionar n\u00e3o s\u00f3 a pol\u00edtica econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio sistema social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ataques aos imigrantes africanos, \u00e1rabes, aos ciganos e\u00a0o crescimento\u00a0de movimentos xen\u00f3fobos tamb\u00e9m servem\u00a0para demonstrar como as pol\u00edticas fascistas t\u00eam encontrado espa\u00e7o neste continente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Gr\u00e9cia<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Europa a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complexa e de maior dificuldade para o imperialismo, pois al\u00e9m de encontrar mais dificuldades para solucionar os problemas que surgiram com as pol\u00edticas aplicadas em 2008 e 2009 para responder \u00e0 recess\u00e3o, h\u00e1 ainda uma forte resist\u00eancia e recha\u00e7o aos planos da Troika (o grupo de negociadores internacionais formados pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional &#8211; FMI, Banco Central Europeu &#8211; BCE e Uni\u00e3o Europeia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desemprego alcan\u00e7a os piores n\u00edveis dos \u00faltimos anos em v\u00e1rios pa\u00edses como Portugal, It\u00e1lia, Inglaterra,\u00a0Espanha e Gr\u00e9cia.\u00a0Nestes dois \u00faltimos o desemprego entre a juventude alcan\u00e7a 51%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resist\u00eancia que se expressa nas greves, mobiliza\u00e7\u00f5es e at\u00e9, ainda que de maneira distorcida, nas elei\u00e7\u00f5es\u00a0\u00e9 decisiva\u00a0na atual situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, porque tem impedido que o capital realize a sua lucratividade com liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Cen\u00e1rio das elei\u00e7\u00f5es na Gr\u00e9cia<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte da Zona do Euro \u00e9 o calcanhar de Aquiles do capital europeu. Cinco anos em recess\u00e3o e com a pior situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica desde a II Guerra. Apoiou-se no endividamento p\u00fablico para responder aos efeitos da crise, logo sentiu os limites dessa pol\u00edtica e ficou impossibilitada de pagar as d\u00edvidas, colocando em risco os investimentos capitalistas no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante das dificuldades o imperialismo n\u00e3o teve d\u00favidas: entrou com a velha receita de planos de ajustes (chamado na Gr\u00e9cia de Memorando) com a imposi\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias medidas. A interven\u00e7\u00e3o da Troika, liderada pela Alemanha, consiste em criar condi\u00e7\u00f5es para que se restabele\u00e7am as condi\u00e7\u00f5es para pagamento da d\u00edvida, salvando o capital dos bancos e dos governos europeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E as seguintes medidas contra os trabalhadores foram adotadas: demiss\u00e3o de funcion\u00e1rios p\u00fablicos (at\u00e9 2015 devem ser demitidos 150 mil),\u00a0retirada de direitos atrav\u00e9s de uma contrarreforma trabalhista (redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo em 25%, congelamento de sal\u00e1rios at\u00e9 que o desemprego alcance 10%, fim do 13\u00ba sal\u00e1rio e, em muitas empresas, redu\u00e7\u00e3o da jornada com redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios), redu\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos (com sa\u00fade, servi\u00e7os p\u00fablicos, etc.), mudan\u00e7a do sistema de aposentadoria (aumento da idade e do tempo de contribui\u00e7\u00e3o) e, claro, o velho plano, a privatiza\u00e7\u00e3o de empresas estatais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso para conseguir novos empr\u00e9stimos que nem entram no pa\u00eds, pois v\u00e3o direto para os bancos credores, ou seja, na crise os capitalistas continuam recebendo o seu. At\u00e9 oscapitalistas sabem\u00a0da impossibilidade de resolver o problema porque tudo gira em torno de redu\u00e7\u00e3o d\u00edvida-PIB para 120% (atualmente \u00e9 de 169%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que menos se tem d\u00favida no mundo hoje \u00e9\u00a0da\u00a0disposi\u00e7\u00e3o de luta dos trabalhadores gregos. Foram 15\u00a0greves gerais, manifesta\u00e7\u00f5es, greves oper\u00e1rias com enfrentamentos \u00e0s for\u00e7as policiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>As elei\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro elemento de balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es na Gr\u00e9cia \u00e9 que o ajuste (Memorando) imposto pela Troika, os partidos PASOK (Partido Socialista, que nada tem de socialista) e Nova Democracia (direita) e o sistema de bipartidarismo (os dois se revezavam desde o fim da ditadura em 74) foram para os ares. O segundo \u00e9 que junto foi qualquer d\u00favida se os trabalhadores s\u00e3o contra os planos de ajuste. PASOK e Nova Democracia s\u00e3o os que sustentam a aplica\u00e7\u00e3o dos ajustes e a perman\u00eancia do pa\u00eds na Zona do Euro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O referencial pol\u00edtico dos eleitores foi sem d\u00favida o rep\u00fadio \u00e0s medidas econ\u00f4micas implementadas a mando do imperialismo europeu. Votou-se em oposi\u00e7\u00e3o aos ajustes e \u00e0 Uni\u00e3o Europeia com a Zona do euro. \u00a0Como parte desse rep\u00fadio cinco partidos que se op\u00f5em ao acordo com a Troika conseguiam superar a barreira de 3% e t\u00eam representa\u00e7\u00e3o no parlamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o processo eleitoral teve esse conte\u00fado tamb\u00e9m demonstrou o quanto se torna dram\u00e1tica a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u00a0diante da aus\u00eancia de uma alternativa de esquerda revolucion\u00e1ria. No atual est\u00e1gio da crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica na Gr\u00e9cia esse elemento torna-se ainda mais necess\u00e1rio. De fato, o que j\u00e1 est\u00e1 em jogo \u00e9 o poder pol\u00edtico, pois os resultados eleitorais criaram, pelo menos at\u00e9 o momento, um vazio pol\u00edtico em que nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica tem condi\u00e7\u00f5es de se impor e conduzir o processo pol\u00edtico. O governo n\u00e3o consegue seguir adiante e nenhum dos partidos conseguiu apoio pol\u00edtico para formar um novo governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro elemento que demonstra o descontentamento do povo grego com a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 a absten\u00e7\u00e3o do voto, recorde hist\u00f3rico, alcan\u00e7ou 38%\u00a0e expressa uma profunda desilus\u00e3o no sistema pol\u00edtico atual al\u00e9m de uma descren\u00e7a de que as elei\u00e7\u00f5es possam resolver algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>As dire\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a falta de uma alternativa socialista o papel das dire\u00e7\u00f5es torna-se ainda mais decisivo. As dire\u00e7\u00f5es das maiores centrais sindicais do pa\u00eds\u00a0(a Adedy, dos empregados do setor p\u00fablico e a GSEE, dos trabalhadores do setor privados),\u00a0ainda que mostrem for\u00e7a pol\u00edtica se mant\u00eam afastadas da \u201ccena pol\u00edtica\u201d e no \u00e2mbito sindical impulsionam as lutas a conta-gotas, quando os trabalhadores j\u00e1 demonstraram\u00a0que h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o de lutas mais prolongadas e de constru\u00e7\u00e3o de uma greve geral por tempo indeterminado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O temor dessas dire\u00e7\u00f5es pelegas \u00e9\u00a0real, pois uma greve geral por tempo indeterminado coloca de imediato a possibilidade de adquirir um car\u00e1ter de insurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suas posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o representam uma ruptura com o modelo imposto pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, mas sim de fortalecimento da competitividade da economia, ou seja, buscam apenas negociar uma melhor situa\u00e7\u00e3o para o capital. Tamb\u00e9m se negaram a levar a luta contra o governo PASOK e Nova Democracia, salvando o regime pol\u00edtico, dando-lhe f\u00f4lego para negociar novos planos de entrega de direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No plano pol\u00edtico e \u00e0 esquerda do PASOK, o partido que mais se fortaleceu foi o\u00a0Syriza\u00a0(Coaliz\u00e3o da Esquerda Radical,\u00a0sem que de fato seja da esquerda socialista radical, pois apesar de ser contra as medidas da Troika \u00e9 a favor\u00a0que Gr\u00e9cia continue na Zona do Euro), com um grande peso eleitoral na juventude e liderado por Alexis Tsipras, ex-militante do Partido Comunista da Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como todo programa reformista, o da Coaliz\u00e3o tamb\u00e9m tenta desviar a potencialidade de luta dos trabalhadores gregos\u00a0para uma nova elei\u00e7\u00e3o em que se pressup\u00f5e (e as pesquisas est\u00e3o mostrando isso) que seu peso pol\u00edtico aumente a ponto de liderar um novo governo.\u00a0Dessa forma,\u00a0em nenhum momento houve a preocupa\u00e7\u00e3o organizar e mobilizar os trabalhadores para que de fato fa\u00e7a valer o que foi dito nas urnas e derrube os acordos assinados pelo governo PASOK e Nova Democracia. Caminha para sa\u00edda via institucionalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda nesse campo da \u201cesquerda\u201d h\u00e1 Esquerda Democr\u00e1tica (com muitos deputados que romperam com o PASOK por conta do apoio deste partido ao Memorando) que conseguiu eleger 19 deputados, defendendo uma inexplic\u00e1vel\u00a0pol\u00edtica \u201cdo europe\u00edsmo progressista e do socialismo democr\u00e1tico\u201d, notadamente uma pol\u00edtica que n\u00e3o representa a ruptura de fato nem com os ajustes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A Direita mostra a sua cara<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como express\u00e3o da crise de alternativa e na onda de rejei\u00e7\u00e3o dos acordos assinados com a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia tamb\u00e9m houve o fortalecimento de partidos de direita, inclusive de orienta\u00e7\u00e3o nazifascista.\u00a0 Os partidos de direita (Nova Democracia, Gregos independentes e Aurora Dourada) representam 36% dos votos, mostrando que h\u00e1 um caminho sendo constru\u00eddo pela direita e que, inclusive,\u00a0conta\u00a0com a simpatia de uma parte do povo grego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crescimento dessas for\u00e7as \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica que impera em crises profundas como a grega e \u00e9 preciso que sejam derrotadas. N\u00e3o colocar esse problema na ordem do dia representa um grande perigo, pois o fortalecimento desse setor pode levar a uma derrota do movimento oper\u00e1rio e abrir as portas novamente para um regime fascista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa tend\u00eancia se expressa n\u00e3o somente nesses partidos, mas na pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o do Estado. Em Atenas, no fim do m\u00eas de abril, foi inaugurado um centro de deten\u00e7\u00e3o para imigrantes sem documentos. Pris\u00e3o, semelhante a campos de concentra\u00e7\u00e3o dos regimes nazistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que a xenofobia foi um dos principais temas da campanha eleitoral e como os trabalhadores n\u00e3o compreendem que a crise \u00e9 do sistema, muitas vezes, apoiam essa pol\u00edtica como se o imigrante (que \u00e9 um trabalhador) fosse o culpado. E n\u00e3o se trata de um fen\u00f4meno novo.\u00a0Ketty Kehagioglou, porta-voz do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (Acnur) em Atenas, confirmou existir na Gr\u00e9cia \u201cuma tend\u00eancia alarmante de ataques racistas contra estrangeiros n\u00e3o pertencentes \u00e0 UE\u201d. (Uol Not\u00edcias, 01\/05).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Por uma sa\u00edda socialista<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do conceito de crise de alternativa, opinamos que a maior necessidade dos trabalhadores gregos \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um movimento pol\u00edtico e de organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias que tenham for\u00e7a para apresentar uma sa\u00edda independente e oper\u00e1ria, com um programa que rompa com a Uni\u00e3o Europeia e com os planos de austeridade, que exproprie as empresas e os bancos.\u00a0 E no plano pol\u00edtico que se construa organismos de base controlados pelos trabalhadores para que se executem essas tarefas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pode assegurar uma sa\u00edda que de fato resolva a crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica a favor dos trabalhadores. Qualquer sa\u00edda pela institucionalidade representa um retrocesso e pode criar condi\u00e7\u00f5es para que a burguesia retome o controle da situa\u00e7\u00e3o e consiga impor seu projeto pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo7\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A primavera \u00e1rabe e a S\u00edria<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos elementos centrais da nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial iniciada em 2011 \u00e9 a chamada \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d, o gigantesco levantamento dos povos do Oriente M\u00e9dio e norte da \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ide\u00f3logos e a imprensa burguesa interpretam esses acontecimentos como estando motivados apenas por uma luta pela \u201cdemocracia\u201d, como se fossem uma reedi\u00e7\u00e3o da redemocratiza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses latino-americanos nos anos 1980, ou da queda do bloco sovi\u00e9tico nos anos 1990, como se todos os conflitos poss\u00edveis no mundo fossem determinados pela disjuntiva \u201cdemocracia X ditadura\u201d. Com essa posi\u00e7\u00e3o, o imperialismo estadunidense e europeu quis cinicamente passar a imagem de que estava apoiando a luta dos povos por \u201cdemocracia\u201d, quando na verdade estiveram durante d\u00e9cadas apoiando os mesmos ditadores que agora est\u00e3o sendo derrubados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma posi\u00e7\u00e3o anti-imperialista e de den\u00fancia da farsa da \u201cdemocracia\u201d, posi\u00e7\u00e3o que no geral \u00e9 correta, existem correntes de esquerda que interpretam a Primavera \u00c1rabe de modo negativo ou com bastante ressalvas. Correntes chavistas, castristas ou stalinistas reciclados tendem a tratar esse movimento como se n\u00e3o tivesse nada de aut\u00eantico, como se fosse desde o come\u00e7o uma arma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio imperialismo, ou mesmo como uma imensa conspira\u00e7\u00e3o via \u201cfacebook\u201d para colocar milh\u00f5es de jovens manipulados nas ruas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Contra a crise societal, reconstruir a alternativa socialista<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A organiza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores, a \u00fanica sa\u00edda para os impasses da S\u00edria e de outros pa\u00edses \u00e1rabes em que os anseios da Primavera ficaram pela metade do caminho, \u00e9, infelizmente, a que parece mais fr\u00e1gil e ausente nesse momento. Entretanto, \u00e9 a \u00fanica alternativa em que os revolucion\u00e1rios socialistas podem apostar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso porque a Primavera \u00c1rabe e outros movimentos que a acompanham pelo mundo, ao contr\u00e1rio do discurso burgu\u00eas, n\u00e3o s\u00e3o produtos de lutas pela \u201cdemocracia\u201d. S\u00e3o resultados da crise estrutural do capital em andamento que exp\u00f5e as debilidades do sistema em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es, n\u00e3o apenas econ\u00f4micas, mas pol\u00edticas, sociais, ambientais, energ\u00e9ticas, etc. Longe de ter se encerrado, o movimento lan\u00e7ado pela Primavera \u00c1rabe est\u00e1 apenas em seu in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pa\u00edses \u00e1rabes apresentam uma enorme porcentagem de jovens na sua popula\u00e7\u00e3o. Destes, uma enorme porcentagem est\u00e1 desempregada. A sa\u00edda tradicional para jovens do norte da \u00c1frica, Oriente M\u00e9dio e outras regi\u00f5es antigamente colonizadas era emigrar para a Europa, onde ocupavam os empregos mais subalternos, mal pagos e precarizados. Com a persist\u00eancia da crise e o baixo crescimento na Europa, essa porta se fechou. \u201cAprisionados\u201d em seus pa\u00edses, tiveram que conviver tamb\u00e9m com a alta dos pre\u00e7os dos alimentos, com picos que se sucedem desde 2008. Nesses pa\u00edses, governantes se perpetuavam no poder h\u00e1 d\u00e9cadas, entregando as riquezas ao imperialismo, locupletando-se na corrup\u00e7\u00e3o, reprimindo ferozmente qualquer tipo de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram essas condi\u00e7\u00f5es sociais muito concretas que deram origem \u00e0 Primavera \u00c1rabe, e n\u00e3o algum vago desejo por \u201cdemocracia\u201d. Essas graves condi\u00e7\u00f5es sociais continuam sem solu\u00e7\u00e3o, assim como a crise do capital. A mera troca de governantes, com mais viol\u00eancia, como na L\u00edbia, ou menos, como no Egito e na Tun\u00edsia, n\u00e3o vai melhorar essas condi\u00e7\u00f5es. Esse aprendizado logo ser\u00e1 feito pelos povos \u00e1rabes, que j\u00e1 aprenderam o poder da mobiliza\u00e7\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o direta. Abre-se um campo mais f\u00e9rtil para a a\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es socialistas revolucion\u00e1rias, para a propaganda e agita\u00e7\u00e3o do socialismo. Come\u00e7am a se criar condi\u00e7\u00f5es para que a crise da alternativa socialista que marcou as \u00faltimas d\u00e9cadas possa vir a ser superada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante meses, o povo S\u00edrio se levantou contra o governo de Assad, seguindo o exemplo de seus irm\u00e3os em v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o. Assim como Kadafi, na L\u00edbia, o governo s\u00edrio partiu para a repress\u00e3o militar, abrindo guerra contra setores de seu pr\u00f3prio povo. Tal como na L\u00edbia, o imperialismo passou a procurar formas de capitalizar para si a poss\u00edvel queda do governo Assad, inimigo de Israel, com quem tem conflitos de fronteira (ver o filme \u201cA noiva s\u00edria\u201d), e tido como aliado dos palestinos no L\u00edbano e do Ir\u00e3, o verdadeiro alvo. Por outro lado, Assad tem um apoio mais incisivo da R\u00fassia e da China, o que torna uma interven\u00e7\u00e3o estadunidense clara e direta muito mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s de uma guerra civil que polarize amplos setores da popula\u00e7\u00e3o a favor e contra o governante, surge no horizonte um poss\u00edvel cen\u00e1rio de decomposi\u00e7\u00e3o \u201cao estilo Iraque\u201d, com atentados terroristas que desencadeiam um c\u00edrculo vicioso de viol\u00eancia sect\u00e1ria, num pa\u00eds em que convivem crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos de diferentes denomina\u00e7\u00f5es. Fac\u00e7\u00f5es armadas pelos Estados Unidos (via Ar\u00e1bia Saudita) combateriam um governo que recebe suprimentos militares da R\u00fassia e da China.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse cen\u00e1rio defendemos as seguintes posi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a8 somos contra a interven\u00e7\u00e3o do imperialismo estadunidense e europeu na S\u00edria (e em qualquer pa\u00eds), seja sob o manto da OTAN, ou da ONU, sob qualquer pretexto humanit\u00e1rio ou democr\u00e1tico;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a8 n\u00e3o reconhecemos o governo Assad como um \u201ccombatente anti-imperialista\u201d, nem como um apoiador consequente da causa palestina contra Israel, nem muito menos como um governo favor\u00e1vel aos trabalhadores em seu pa\u00eds;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a8 n\u00e3o reconhecemos a R\u00fassia e a China como um suposto \u201ccampo progressista\u201d contra as pretens\u00f5es estadunidenses e europ\u00e9ias; trata-se de pot\u00eancias que perseguem seus pr\u00f3prios interesses com a mesma viol\u00eancia e pragmatismo que seus rivais ocasionais no ocidente, e que igualmente exploram e oprimem os trabalhadores em seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios e regi\u00f5es sob seu controle;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a8 somos contra a divis\u00e3o do povo s\u00edrio entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, xiitas e sunitas, contra a viol\u00eancia sect\u00e1ria e o terrorismo indiscriminado como m\u00e9todo de luta;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia as mat\u00e9rias online: A 2\u00aa fase de impacto da crise no Brasil Balan\u00e7o do 1\u00ba Congresso da CSP-Conlutas: Construir<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=339"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6446,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339\/revisions\/6446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}