{"id":345,"date":"2012-07-16T11:16:55","date_gmt":"2012-07-16T11:16:55","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/345"},"modified":"2013-01-19T18:14:19","modified_gmt":"2013-01-19T20:14:19","slug":"a-frente-eleitoral-psolpc-do-bpstu-em-belem-e-as-tentacoes-da-democracia-burguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/07\/a-frente-eleitoral-psolpc-do-bpstu-em-belem-e-as-tentacoes-da-democracia-burguesa\/","title":{"rendered":"A Frente eleitoral PSOL\/PC do B\/PSTU em Bel\u00e9m e as tenta\u00e7\u00f5es da democracia burguesa"},"content":{"rendered":"<p>Temos polemizado com algumas posi\u00e7\u00f5es do PSTU h\u00e1 algum tempo, principalmente no que diz respeito ao processo de adapta\u00e7\u00e3o ao aparato sindical (com maioria dos dirigentes sindicais afastados da base, forma\u00e7\u00e3o de chapas com setores da Articula\u00e7\u00e3o e da CTB que leva em conta apenas as \u201cchances de ganhar\u201d, o excesso de confian\u00e7a na Justi\u00e7a burguesa como forma de solu\u00e7\u00e3o de conflitos trabalhistas \u2013 GM, Embraer e em outros conflitos como o Pinheirinho) e \u00e0 pr\u00f3pria institucionalidade burguesa.<br \/>\n\u00c9 com esta an\u00e1lise que explicamos o \u201cdesvio\u201d que levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da coliga\u00e7\u00e3o PSOL\/PC do B\/PSTU em Bel\u00e9m-PA.<br \/>\nComo h\u00e1 certas verdades que n\u00e3o t\u00eam como ser escondidas, o texto da dire\u00e7\u00e3o nacional do PSTU que tenta justificar a coliga\u00e7\u00e3o revela que a mais forte das raz\u00f5es para estar na coliga\u00e7\u00e3o \u00e9 a possibilidade de ter um vereador na cidade. Uma capitula\u00e7\u00e3o a democracia burguesa.<br \/>\nPara justificar a participa\u00e7\u00e3o do partido na coliga\u00e7\u00e3o com o PC do B, a dire\u00e7\u00e3o do PSTU apresenta tr\u00eas raz\u00f5es: \u201cpotencializar ainda mais a agita\u00e7\u00e3o de um programa revolucion\u00e1rio na cidade\u201d, \u201cas chances de eleger um oper\u00e1rio socialista e revolucion\u00e1rio para a C\u00e2mara de Vereadores\u201d e a possibilidade de fortalecer o partido \u201cfiliando muitos novos oper\u00e1rios e trazendo-os para militar\u201d. Essa parte do texto \u00e9 reveladora.<br \/>\nApresenta a possibilidade de eleger um oper\u00e1rio socialista e revolucion\u00e1rio para a C\u00e2mara de Vereadores como parte dos \u201cobjetivos tradicionais dos revolucion\u00e1rios, quando estes participam do processo eleitoral\u201d. Tenta-se passar a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel eleger um candidato de um partido com programa revolucion\u00e1rio nas elei\u00e7\u00f5es em qualquer situa\u00e7\u00e3o, inclusive sem que esteja na coliga\u00e7\u00e3o com setores governista. Mas, eleger um vereador precisa puxar muitos votos e como o candidato a prefeito tem 37% dos votos&#8230; a \u00fanica possibilidade \u00e9 se coligar com o PC do B, aceitando todas as condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3><strong>A CAPITULA\u00c7\u00c3O \u00c0 DEMOCRACIA BURGUESA<\/strong><\/h3>\n<p>O que faria um aluno se fosse ele mesmo que elaborasse a pergunta para suas respostas? N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a resposta seria a que ele pudesse ou soubesse responder. Foi dessa forma que a dire\u00e7\u00e3o nacional do PSTU agiu.<br \/>\n\u201cTeria o PSTU entrado na mesma l\u00f3gica dos partidos que tanto critica? Seria essa uma alian\u00e7a sem princ\u00edpios, como tantas que existem por a\u00ed?\u201d Essas perguntas feitas pela dire\u00e7\u00e3o nacional do PSTU e respondidas sem nenhum problema fogem do que \u00e9 essencial ao debate: a rela\u00e7\u00e3o que o partido vem desenvolvendo com a democracia burguesa.<br \/>\nPartindo da hip\u00f3tese de que o PSTU n\u00e3o entrou na mesmo l\u00f3gica dos partidos e nem a alian\u00e7a \u00e9 sem princ\u00edpios, fazemos as seguintes perguntas: Por que, no campo sindical, o PSTU come\u00e7ou a compor chapas com setores governistas como o PC do B e com setores da Articula\u00e7\u00e3o (PT)? Por que agora faz esta coliga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nas elei\u00e7\u00f5es com o PC do B?<br \/>\nA nossa resposta \u00e9 uma s\u00f3: a progressiva depend\u00eancia ao aparato sindical est\u00e1 se estendendo para o aparato estatal, com uma alian\u00e7a eleitoral que n\u00e3o tem como base o programa, mas a possibilidade de eleger um vereador.<br \/>\nPara isso, ao sair coligado (ou seja, n\u00e3o se trata s\u00f3 de um apoio) com o PC do B, que h\u00e1 muito ultrapassou a barreira de classe, o PSTU adota uma pol\u00edtica que perde a independ\u00eancia de classe, demonstra um forte desvio eleitoreiro, aceita passivamente as regras do jogo burgu\u00eas e abre m\u00e3o de uma pol\u00edtica de esquerda a fim de eleger um vereador.<br \/>\nCom a participa\u00e7\u00e3o nessa frente o PSTU joga por terra todo o seu discurso do papel dos revolucion\u00e1rios no processo eleitoral burgu\u00eas, como se o voto fosse \u201cuma simples t\u00e1tica\u201d. Para n\u00f3s, faz muita diferen\u00e7a o trabalhador votar na esquerda ou no governo.<br \/>\nEm Bel\u00e9m, o voto no candidato da frente PSOL\/PC do B\/PSTU n\u00e3o vai expressar uma oposi\u00e7\u00e3o ao governo Dilma, pois um dos cabe\u00e7as da frente, o candidato a vice-prefeito, \u00e9 do PC do B e defensor entusiasta do governo. N\u00e3o \u00e9 verdade que o PC do B ocupe um papel secund\u00e1rio na frente, como a nota da dire\u00e7\u00e3o nacional quer fazer acreditar.<\/p>\n<h3><strong>DEMOCRACIA BURGUESA E A REA\u00c7\u00c3O DEMOCR\u00c1TICA<\/strong><\/h3>\n<p>A partir de meados da d\u00e9cada de 1980 e por press\u00e3o das lutas da classe trabalhadora, o imperialismo e a burguesia foram obrigados a mudar a forma de domina\u00e7\u00e3o. Os golpes militares e os regimes totalit\u00e1rios j\u00e1 n\u00e3o estavam surtindo o mesmo efeito para garantir a domina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAssim passaram a jogar peso na estabiliza\u00e7\u00e3o de regimes que chamamos de democr\u00e1ticos burgueses, inclusive retiraram o apoio a v\u00e1rios governos militares do continente americano. A democracia burguesa passava ent\u00e3o a ser a forma de domina\u00e7\u00e3o preferencial para a burguesia. Esse processo chamamos de \u201crea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d, isto \u00e9, quando as for\u00e7as burguesas reagem \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o das massas de trabalhadores por \u201cvias democr\u00e1ticas\u201d, buscam deslocar toda a insatisfa\u00e7\u00e3o popular para os \u201cmecanismos normais\u201d do regime, como as elei\u00e7\u00f5es e as a\u00e7\u00f5es judiciais.<br \/>\nNa base dessa forma de domina\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ilus\u00e3o dos trabalhadores nas institui\u00e7\u00f5es burguesas, como o legislativo e o judici\u00e1rio. Assim, express\u00f5es e ideias como \u201cEstado democr\u00e1tico de direito\u201d, \u201co respeito \u00e0s leis e \u00e0s decis\u00f5es judiciais\u201d, \u201ca esperan\u00e7a de que o pr\u00f3ximo governante seja melhor do que o atual\u201d passam a fazer parte do pensamento das pessoas e legitimam a democracia burguesa.<br \/>\nNa ess\u00eancia, esses mecanismos visam dominar a classe trabalhadora para que a burguesia continue nos explorando. Elei\u00e7\u00f5es, parlamento e institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas formas que n\u00e3o alteram o conte\u00fado da domina\u00e7\u00e3o de classes.<br \/>\nUm regime de domina\u00e7\u00e3o de classe, portanto, esse regime e essa democracia n\u00e3o s\u00e3o nossos. Como diz L\u00eanin, em Democracia burguesa e democracia prolet\u00e1ria: \u201cA democracia burguesa, sendo um grande progresso hist\u00f3rico em compara\u00e7\u00e3o com a Idade M\u00e9dia, continua a ser sempre \u2014 e n\u00e3o pode deixar de continuar a ser sob o capitalismo \u2014 estreita, amputada, falsa, hip\u00f3crita, para\u00edso para os ricos, uma armadilha e um engano para os explorados, para os pobres. \u00c9 esta verdade, que constitui uma parte integrante essencial da doutrina marxista&#8230;\u201d<br \/>\nMesmo partindo do pressuposto de que a democracia burguesa \u00e9 uma forma de domina\u00e7\u00e3o de classe, ainda assim os revolucion\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o a favor de regimes ditatoriais e repressivos, pelo contr\u00e1rio, em todo programa revolucion\u00e1rio h\u00e1 a defesa da democracia. No entanto, a defesa de liberdades democr\u00e1ticas em um regime burgu\u00eas se limita a criar as melhores condi\u00e7\u00f5es para lutar pela revolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o defend\u00ea-las como princ\u00edpio universal.<br \/>\nNeste sentido, os revolucion\u00e1rios ao mesmo tempo em que lutam pelo aprofundamento das garantias democr\u00e1ticas (que \u00e9 uma das formas de mostrar os limites da democracia burguesa) tamb\u00e9m lutam contra a democracia burguesa. No lugar dessa forma de democracia os revolucion\u00e1rios lutam pela democracia oper\u00e1ria, a forma de poder do proletariado.<br \/>\nEssa quest\u00e3o \u00e9 importante porque se n\u00e3o se luta pelo aprofundamento das liberdades democr\u00e1ticas pode-se cair no sectarismo, e se n\u00e3o h\u00e1 combate cai-se no oportunismo e na capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa. \u00c9 uma linha t\u00eanue que separa esses dois desvios de uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria correta.<\/p>\n<h3><strong>O ABANDONO DA DISPUTA DA CONSCI\u00caNCIA DA CLASSE TRABALHADORA<\/strong><\/h3>\n<p>O fato de uma candidatura estar \u00e0 frente nas pesquisas e contar com o amplo apoio da classe trabalhadora n\u00e3o s\u00e3o motivos para que uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria se submeta e capitule como fez agora o PSTU em Bel\u00e9m. Havia feito tamb\u00e9m em 2002 quando chamou voto em Lula no segundo turno, mesmo ap\u00f3s este ter feito todos os compromissos com os patr\u00f5es, inclusive assinado a famosa \u201cCarta aos Brasileiros\u201d na qual se comprometia a respeitar todos os contratos com a burguesia e seguir pagando os juros da D\u00edvida Interna e Externa para a Banca Financeira.<br \/>\nO papel de uma organiza\u00e7\u00e3o que se diz revolucion\u00e1ria consiste justamente em alertar os trabalhadores, ajudando-os a superarem suas ilus\u00f5es e atrasos na consci\u00eancia. Mesmo que no momento n\u00e3o consigamos convencer a maioria, uma parte nos dar\u00e1 raz\u00e3o e com isso ganharemos a confian\u00e7a dos demais trabalhadores por termos alertado corretamente.<br \/>\nCaso contr\u00e1rio, se fosse para se adaptar ao n\u00edvel da consci\u00eancia m\u00e9dia em um momento que os trabalhadores n\u00e3o est\u00e3o em luta e expressam uma s\u00e9rie de atrasos, n\u00e3o seria preciso organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<br \/>\nNesses momentos o desafio \u00e9 justamente n\u00e3o capitular e desenvolver uma pol\u00edtica independente, se apoiar nos fatos concretos da realidade, explicar e demonstrar pacientemente que n\u00e3o podemos confiar em candidatos governistas e que defendem os patr\u00f5es. E hoje h\u00e1 exemplos de sobra para utilizarmos quanto ao papel do PC do B tanto em Bel\u00e9m como em sua atua\u00e7\u00e3o no governo federal.<br \/>\nA op\u00e7\u00e3o do PSTU em coligar com o PC do B, base governista, significa na pr\u00e1tica o abandono pela disputa da consci\u00eancia dos trabalhadores e de sua vanguarda em prol de um poss\u00edvel vereador eleito.<\/p>\n<h3><strong>PC DO B, UM PARTIDO OPER\u00c1RIO?<\/strong><\/h3>\n<p>Em seu af\u00e3 de se coligar aos governistas, a dire\u00e7\u00e3o do PSTU quer ver o que n\u00e3o existe.<br \/>\nQualquer ativista sabe que o PC do B, assim como o PT deixaram de ser partidos oper\u00e1rios. Hoje se comportam como organiza\u00e7\u00f5es de parceiros e gerentes diretos do capital, com cargos na gest\u00e3o de fundos de pens\u00f5es, empresas estatais, etc. Recebem milh\u00f5es do fundo partid\u00e1rio e do imposto sindical.<br \/>\nEsses setores defendem interesses do empresariado, totalmente opostos aos trabalhadores. Os trabalhadores n\u00e3o participam mais de qualquer uma de suas decis\u00f5es.<br \/>\nO compromisso com o empresariado demonstrado na elabora\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal, seu envolvimento na corrup\u00e7\u00e3o, tudo demonstra que o PC do B n\u00e3o \u00e9 mais um partido oper\u00e1rio. J\u00e1 cruzou a fronteira de classe faz tempo&#8230;<br \/>\nA caracteriza\u00e7\u00e3o do PC do B como um partido oper\u00e1rio somente se explica por estar a servi\u00e7o de sustentar essa e outras capitula\u00e7\u00f5es, como a forma\u00e7\u00e3o de chapas sindicais com setores desse partido.<\/p>\n<h3><strong>O PSTU ACEITOU POR QUE QUIS&#8230;<\/strong><\/h3>\n<p>Diz a dire\u00e7\u00e3o nacional do PSTU: \u201cApenas participamos dela (da coliga\u00e7\u00e3o) no formato em que ela foi constru\u00edda pelo PSOL\u201d. Claro que \u00e9 imposs\u00edvel acreditar neste argumento, pois o PSTU n\u00e3o estava obrigado a participar da frente. Participar foi uma decis\u00e3o do PSTU e tamb\u00e9m do PSOL. Mas, poderia ter apresentado candidato pr\u00f3prio para a prefeitura e manter a independ\u00eancia de classe. No entanto, essa pol\u00edtica significaria ficar distante do objetivo de eleger um vereador na cidade.<br \/>\nEm elei\u00e7\u00f5es recentes, corretamente, o PSTU n\u00e3o participou de frentes eleitorais com o PSOL porque este defendia a presen\u00e7a do PV, partido t\u00e3o governista quanto o PC do B.<br \/>\nPor que, em v\u00e1rias outras cidades, mesmo com acordo program\u00e1tico, o PSTU bateu o p\u00e9 em torno de pontos secund\u00e1rios (nome do candidato, tempo de TV, candidatos priorit\u00e1rios) e n\u00e3o saiu coligado somente com o PSOL? N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, pois s\u00e3o cidades em que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de elei\u00e7\u00e3o de vereadores.<br \/>\nNuma leitura do texto da dire\u00e7\u00e3o nacional v\u00ea-se que n\u00e3o se consegue \u2013 e nem tem como \u2013 criar outras raz\u00f5es por estar o PSTU coligado com o PC do B. Nesse contexto as diferencia\u00e7\u00f5es com o PSOL s\u00e3o superficiais, pois o PSTU terminou por aceitar uma condi\u00e7\u00e3o \u2013 a participa\u00e7\u00e3o de um setor governista e pr\u00f3-patronal \u2013 que altera qualitativamente o conte\u00fado de classe da coliga\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAinda que conden\u00e1vel, o fato \u00e9 que o PSTU n\u00e3o est\u00e1 apoiando a frente eleitoral, mas participando dela, chamando os trabalhadores a votarem em um candidato que est\u00e1 de m\u00e3os dadas com um partido governista e avalizador de toda a pol\u00edtica do governo Dilma.<br \/>\nPor fim, ao aceitar participar dessa frente o PSTU jogou no lixo as resolu\u00e7\u00f5es do I Congresso da CSP-Conlutas, em que se definiu \u201cque a central deve indicar a rejei\u00e7\u00e3o veemente aos candidatos da oposi\u00e7\u00e3o burguesa (PSDB e seu bloco) e da base aliada do governo Dilma (PT, PMDB e aliados), apresentar um programa de reivindica\u00e7\u00f5es da classe, bem como indicar o voto classista aos trabalhadores, rumo a uma sociedade socialista\u201d. (http:\/\/cspconlutas.org.br\/2012\/04\/resolucoes-nacionais-e-internacionais-sao-aprovadas-no-1-congresso-da-csp-conlutas\/). Isso significa que, em Bel\u00e9m, a CSP-Conlutas deve ser contra essa frente eleitoral, que inclui o PC do B, partido da base aliada.<\/p>\n<h3><strong>FLEXIBILIDADE DA T\u00c1TICA E CAPITULA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o somos contra a participa\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios no processo eleitoral. Mas, essa participa\u00e7\u00e3o tem limites e condi\u00e7\u00f5es, como n\u00e3o se coligar com candidatos e partidos burgueses e governistas, n\u00e3o aceitar dinheiro da patronal, ter um programa socialista e tamb\u00e9m denunciar a pr\u00f3pria democracia burguesa.<br \/>\nA nota da dire\u00e7\u00e3o do PSTU diz que \u201ca t\u00e1tica revolucion\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 apenas flex\u00edvel: \u00e9 extremamente flex\u00edvel\u201d. Da forma como a dire\u00e7\u00e3o nacional coloca as coisas, algum desavisado pode acreditar que quando se trata de t\u00e1tica pode-se fazer tudo. A flexibilidade da t\u00e1tica tem limites muito bem definidos: manter-se no campo da classe trabalhadora e da revolu\u00e7\u00e3o. Quem faz um esfor\u00e7o para utilizar a dial\u00e9tica sabe que a t\u00e1tica (mesmo na flexibilidade) n\u00e3o pode levar \u00e0 nega\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria.<br \/>\nE a pol\u00edtica que tentam justificar \u00e9 um desses casos. Ao participar de uma frente eleitoral com um partido governista (e estamos falando de um governo burgu\u00eas), a estrat\u00e9gia de independ\u00eancia de classe foi para os ares. A n\u00e3o ser que a independ\u00eancia de classe para os companheiros seja t\u00e1tica e n\u00e3o um princ\u00edpio.<br \/>\nO fato de tentar (dando uma interpreta\u00e7\u00e3o complicada para a pol\u00edtica de L\u00eanin) se amparar em L\u00eanin e em Moreno demonstra que somente autoridade da dire\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o foi suficiente para justificar essa pol\u00edtica absurda.<br \/>\nO mais absurdo \u00e9 buscar amparo em L\u00eanin para justificar tamanha envergadura da \u201cflexibilidade da t\u00e1tica\u201d. Ora, nos casos citados, L\u00eanin nem chamou os trabalhadores alem\u00e3es a apoiarem o governo alem\u00e3o e muito menos cedeu aos latifundi\u00e1rios russos, pelo contr\u00e1rio, manteve at\u00e9 o fim a independ\u00eancia de classe tanto em rela\u00e7\u00e3o ao Estado alem\u00e3o quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o agr\u00e1ria.<br \/>\nMas, o absurdo e o desrespeito para com L\u00eanin a fim de justificar uma pol\u00edtica equivocada n\u00e3o p\u00e1ra por a\u00ed. Procura-se amparo no revolucion\u00e1rio russo e cita o texto Sobre os compromissos. O primeiro erro est\u00e1 na data, pois esse texto foi escrito em 16 de setembro de 1917 e n\u00e3o em 1920 (o erro da data n\u00e3o \u00e9 menor porque s\u00e3o conjunturas muito diferentes), como diz a nota. O segundo est\u00e1 em que compara situa\u00e7\u00f5es e sujeitos completamente diferentes. O que L\u00eanin tem em mente \u00e9 a Revolu\u00e7\u00e3o Russa (e de fato ela ocorreria meses depois) e n\u00e3o um esfor\u00e7o para ter representa\u00e7\u00e3o no parlamento.<br \/>\nPoder\u00edamos at\u00e9 imaginar que a dire\u00e7\u00e3o nacional do PSTU n\u00e3o leu o texto por completo, pois L\u00eanin (como sempre fez) logo estabelece como condi\u00e7\u00e3o que o compromisso n\u00e3o poderia ser estabelecido com a burguesia, mas com a maioria dos soviets \u00e0quela altura: os mencheviques e social-revolucion\u00e1rios. Ele mesmo define o que entende por esse compromisso: \u201cCompromisso \u00e9, da nossa parte, o nosso regresso \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o de antes de Julho: todo o poder aos Soviets, governo de socialistas-revolucion\u00e1rios e mencheviques, respons\u00e1vel perante os Soviets\u201d (Sobre os compromissos. In: Obras Escolhidas, tomo 2, p. 155).<br \/>\nOu seja, pelo fato desses partidos serem maioria nos soviets, os bolcheviques se comprometiam a abrir m\u00e3o de mudar a forma da palavra de ordem de todo o poder aos soviets e n\u00e3o o conte\u00fado. N\u00e3o era para fazer acordo com o governo, mas para fazer avan\u00e7ar a revolu\u00e7\u00e3o e, conforme acreditava L\u00eanin com esse compromisso (caso ele se realizasse), que ela pudesse ser pac\u00edfica. Como parte do acordo \u201cOs mencheviques e os socialistas-revolucion\u00e1rios, como bloco governamental, concordariam (supondo que o compromisso se realizava) em formar um governo inteira e exclusivamente respons\u00e1vel perante os Soviets, com a transmiss\u00e3o para as m\u00e3os dos Soviets de todo o poder, incluindo o local\u201d. (Sobre os compromissos. In: Obras Escolhidas, tomo 2, p.155).<br \/>\nAcreditando que leram o texto at\u00e9 o final, podemos afirmar que n\u00e3o interpretaram que esse \u201ccompromisso\u201d se dava em condi\u00e7\u00f5es excepcionais e segundo o mesmo L\u00eanin, entre escrever o texto \u2013 uma sexta-feira \u2013 e a chegada do mesmo \u00e0 reda\u00e7\u00e3o \u2013 uma segunda-feira \u2013 j\u00e1 n\u00e3o era mais poss\u00edvel manter o compromisso. Tanto \u00e9 assim que, ap\u00f3s as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mudarem, L\u00eanin intitula esse mesmo texto de \u201cPensamentos tardios\u201d.<br \/>\nAinda interpretando os te\u00f3ricos \u00e0 sua maneira e visando justificar essa pol\u00edtica, a dire\u00e7\u00e3o do PSTU alega que \u201cpara Trotsky e para L\u00eanin o decisivo n\u00e3o \u00e9 se o partido faz ou n\u00e3o faz acordos, e com quem s\u00e3o esses acordos\u201d. N\u00e3o \u00e9 verdade que para os revolucion\u00e1rios citados seja secund\u00e1rio fazer ou n\u00e3o acordo e ainda mais com quem s\u00e3o acordos.<br \/>\nCita\u00e7\u00f5es isoladas e fora de contexto, como fez a dire\u00e7\u00e3o nacional do PSTU, podem levar a interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas do que realmente os autores querem dizer. Apresentamos com tranquilidade outra cita\u00e7\u00e3o de Trotsky que afasta completamente a interpreta\u00e7\u00e3o de que ele estava a favor de qualquer tipo de acordo: \u201cH\u00e1 \u00e9pocas em que a tend\u00eancia revolucion\u00e1ria se v\u00ea reduzida a uma pequena minoria dentro do movimento oper\u00e1rio. Mas, o que essas \u00e9pocas exigem n\u00e3o \u00e9 fazer acordos entre pequenos grupos, tapando-se mutuamente os pecados, mas, ao contr\u00e1rio, uma luta duplamente impec\u00e1vel por uma perspectiva correta e uma educa\u00e7\u00e3o dos quadros no esp\u00edrito do aut\u00eantico marxismo. Somente assim \u00e9 poss\u00edvel a vit\u00f3ria\u201d. (Comunismo e sindicalismo. In: Escritos sobre Sindicatos).<\/p>\n<h3><strong>N\u00c3O TEM COMO COMPARAR<\/strong><\/h3>\n<p>Comparar esse acordo eleitoral com o PC do B, em Bel\u00e9m-PA, com o apoio dado a Lula em 1989 \u00e9 mais uma tentativa de comparar coisas completamente diferentes. Pode-se sim fazer a compara\u00e7\u00e3o com o apoio que o PSTU deu a Lula no segundo turno de 2002 que, \u00e0quela altura, j\u00e1 revelava o seu car\u00e1ter de classe.<br \/>\nE agora, qual o programa do PC do B? Hoje o PC do B faz parte e defende com unhas e dentes um governo burgu\u00eas que governa para a burguesia e para o imperialismo.<br \/>\nEm 1989, apesar de todos os limites da candidatura, Lula n\u00e3o tinha apoio da burguesia e o programa pol\u00edtico tinha pontos importantes como a suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida externa que representava a ruptura com o imperialismo. O PT ainda n\u00e3o tinha passado para a administra\u00e7\u00e3o do capital. E agora o PC do B \u00e9 parte da gest\u00e3o do Estado capitalista.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00e3o se pode comparar essa pol\u00edtica com a participa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o no parlamento e nas negocia\u00e7\u00f5es sindicais. Uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria pode \u2013 e deve \u2013 fazer as duas coisas com uma pol\u00edtica que mantenha a independ\u00eancia de classe. No caso de Bel\u00e9m, o PSTU perdeu a refer\u00eancia de classe.<br \/>\nA possibilidade da participa\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios no parlamento burgu\u00eas ou nos sindicatos dirigidos pela burocracia ou mesmo por setores burgueses n\u00e3o pode ser confundida com a capitula\u00e7\u00e3o ou adapta\u00e7\u00e3o aos aparatos e \u00e0s dire\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMesmo que o PSTU consiga eleger um vereador em Bel\u00e9m estar\u00e1 abrindo m\u00e3o da independ\u00eancia de classe.<\/p>\n<h3><strong>AS DISCUSS\u00d5ES NA E PELA C\u00daPULA<\/strong><\/h3>\n<p>Todo ano eleitoral \u00e9 a mesma coisa. Os ativistas e militantes do movimento social n\u00e3o encontram nenhum espa\u00e7o para participarem da elabora\u00e7\u00e3o de um programa que possa responder aos principais problemas que a classe trabalhadora enfrenta.<br \/>\nQuando h\u00e1 algum \u201csemin\u00e1rio\u201d n\u00e3o \u00e9 para participar da elabora\u00e7\u00e3o de um programa, mas apenas para conhecer algo que j\u00e1 foi definido pelo partido. A discuss\u00e3o \u00e9 somente aparente.<br \/>\nIsso acontece porque todas as discuss\u00f5es s\u00e3o feitas entre as dire\u00e7\u00f5es das correntes pol\u00edticas e, em regra, ocorrem em base aos objetivos de cada partido.<br \/>\nN\u00f3s temos discutido a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores que organize trabalhadores da cidade e do campo, juventude, mulheres, negros e outros setores explorados e oprimidos. Organizar-nos para as lutas imediatas e para a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<br \/>\nSomente em um amplo processo de discuss\u00e3o entre os trabalhadores se discute um programa que sirva para organizar as lutas da classe. Nos processos eleitorais um movimento como esse poderia indicar os candidatos que defenderiam a plataforma de interesse do movimento de trabalhadores.<br \/>\nEssa seria uma maneira de envolver o conjunto da milit\u00e2ncia e do ativismo nas decis\u00f5es e tamb\u00e9m envolv\u00ea-los em uma campanha pol\u00edtica. E por fim, transformaria a discuss\u00e3o das candidaturas um assunto p\u00fablico e n\u00e3o privado das c\u00fapulas partid\u00e1rias, o que poderia contribuir para a participa\u00e7\u00e3o consciente dos trabalhadores em processos como esse.<\/p>\n<p class=\"rteright\"><strong>Espa\u00e7o Socialista, Julho\/2012<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temos polemizado com algumas posi&ccedil;&otilde;es do PSTU h&aacute; algum tempo, principalmente no que diz respeito ao processo de adapta&ccedil;&atilde;o ao aparato sindical (com maioria dos dirigentes sindicais afastados da base, forma&ccedil;&atilde;o de chapas com setores da Articula&ccedil;&atilde;o e da CTB que leva em conta apenas as &ldquo;chances de ganhar&rdquo;, o excesso de confian&ccedil;a na Justi&ccedil;a burguesa como forma de solu&ccedil;&atilde;o de conflitos trabalhistas &ndash; GM, Embraer e em outros conflitos como o Pinheirinho) e &agrave; pr&oacute;pria institucionalidade burguesa.<br \/>\n&Eacute; com esta an&aacute;lise que explicamos o &ldquo;desvio&rdquo; que levou &agrave; forma&ccedil;&atilde;o da coliga&ccedil;&atilde;o PSOL\/PC do B\/PSTU em Bel&eacute;m-PA.<br \/>\nComo h&aacute; certas verdades que n&atilde;o t&ecirc;m como ser escondidas, o texto da dire&ccedil;&atilde;o nacional do PSTU que tenta justificar a coliga&ccedil;&atilde;o revela que a mais forte das raz&otilde;es para estar na coliga&ccedil;&atilde;o &eacute; a possibilidade de ter um vereador na cidade. Uma capitula&ccedil;&atilde;o a democracia burguesa.<br \/>\nPara justificar a participa&ccedil;&atilde;o do partido na coliga&ccedil;&atilde;o com o PC do B, a dire&ccedil;&atilde;o do PSTU apresenta tr&ecirc;s raz&otilde;es: &ldquo;potencializar ainda mais a agita&ccedil;&atilde;o de um programa revolucion&aacute;rio na cidade&rdquo;, &ldquo;as chances de eleger um oper&aacute;rio socialista e revolucion&aacute;rio para a C&acirc;mara de Vereadores&rdquo; e a possibilidade de fortalecer o partido &ldquo;filiando muitos novos oper&aacute;rios e trazendo-os para militar&rdquo;. Essa parte do texto &eacute; reveladora.<br \/>\nApresenta a possibilidade de eleger um oper&aacute;rio socialista e revolucion&aacute;rio para a C&acirc;mara de Vereadores como parte dos &ldquo;objetivos tradicionais dos revolucion&aacute;rios, quando estes participam do processo eleitoral&rdquo;. Tenta-se passar a ideia de que &eacute; poss&iacute;vel eleger um candidato de um partido com programa revolucion&aacute;rio nas elei&ccedil;&otilde;es em qualquer situa&ccedil;&atilde;o, inclusive sem que esteja na coliga&ccedil;&atilde;o com setores governista. Mas, eleger um vereador precisa puxar muitos votos e como o candidato a prefeito tem 37% dos votos&#8230; a &uacute;nica possibilidade &eacute; se coligar com o PC do B, aceitando todas as condi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<h3><strong>A CAPITULA&Ccedil;&Atilde;O &Agrave; DEMOCRACIA BURGUESA<\/strong><\/h3>\n<p>\nO que faria um aluno se fosse ele mesmo que elaborasse a pergunta para suas respostas? N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que a resposta seria a que ele pudesse ou soubesse responder. Foi dessa forma que a dire&ccedil;&atilde;o nacional do PSTU agiu. <br \/>\n&ldquo;Teria o PSTU entrado na mesma l&oacute;gica dos partidos que tanto critica? Seria essa uma alian&ccedil;a sem princ&iacute;pios, como tantas que existem por a&iacute;?&rdquo; Essas perguntas feitas pela dire&ccedil;&atilde;o nacional do PSTU e respondidas sem nenhum problema fogem do que &eacute; essencial ao debate: a rela&ccedil;&atilde;o que o partido vem desenvolvendo com a democracia burguesa.<br \/>\nPartindo da hip&oacute;tese de que o PSTU n&atilde;o entrou na mesmo l&oacute;gica dos partidos e nem a alian&ccedil;a &eacute; sem princ&iacute;pios, fazemos as seguintes perguntas: Por que, no campo sindical, o PSTU come&ccedil;ou a compor chapas com setores governistas como o PC do B e com setores da Articula&ccedil;&atilde;o (PT)? Por que agora faz esta coliga&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m nas elei&ccedil;&otilde;es com o PC do B?<br \/>\nA nossa resposta &eacute; uma s&oacute;: a progressiva depend&ecirc;ncia ao aparato sindical est&aacute; se estendendo para o aparato estatal, com uma alian&ccedil;a eleitoral que n&atilde;o tem como base o programa, mas a possibilidade de eleger um vereador.<br \/>\nPara isso, ao sair coligado (ou seja, n&atilde;o se trata s&oacute; de um apoio) com o PC do B, que h&aacute; muito ultrapassou a barreira de classe, o PSTU adota uma pol&iacute;tica que perde a independ&ecirc;ncia de classe, demonstra um forte desvio eleitoreiro, aceita passivamente as regras do jogo burgu&ecirc;s e abre m&atilde;o de uma pol&iacute;tica de esquerda a fim de eleger um vereador.<br \/>\nCom a participa&ccedil;&atilde;o nessa frente o PSTU joga por terra todo o seu discurso do papel dos revolucion&aacute;rios no processo eleitoral burgu&ecirc;s, como se o voto fosse &ldquo;uma simples t&aacute;tica&rdquo;. Para n&oacute;s, faz muita diferen&ccedil;a o trabalhador votar na esquerda ou no governo.<br \/>\nEm Bel&eacute;m, o voto no candidato da frente PSOL\/PC do B\/PSTU n&atilde;o vai expressar uma oposi&ccedil;&atilde;o ao governo Dilma, pois um dos cabe&ccedil;as da frente, o candidato a vice-prefeito, &eacute; do PC do B e defensor entusiasta do governo. N&atilde;o &eacute; verdade que o PC do B ocupe um papel secund&aacute;rio na frente, como a nota da dire&ccedil;&atilde;o nacional quer fazer acreditar.<\/p>\n<h3><strong>DEMOCRACIA BURGUESA E A REA&Ccedil;&Atilde;O DEMOCR&Aacute;TICA<\/strong><\/h3>\n<p>\nA partir de meados da d&eacute;cada de 1980 e por press&atilde;o das lutas da classe trabalhadora, o imperialismo e a burguesia foram obrigados a mudar a forma de domina&ccedil;&atilde;o. Os golpes militares e os regimes totalit&aacute;rios j&aacute; n&atilde;o estavam surtindo o mesmo efeito para garantir a domina&ccedil;&atilde;o. <br \/>\nAssim passaram a jogar peso na estabiliza&ccedil;&atilde;o de regimes que chamamos de democr&aacute;ticos burgueses, inclusive retiraram o apoio a v&aacute;rios governos militares do continente americano. A democracia burguesa passava ent&atilde;o a ser a forma de domina&ccedil;&atilde;o preferencial para a burguesia. Esse processo chamamos de &ldquo;rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica&rdquo;, isto &eacute;, quando as for&ccedil;as burguesas reagem &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o das massas de trabalhadores por &ldquo;vias democr&aacute;ticas&rdquo;, buscam deslocar toda a insatisfa&ccedil;&atilde;o popular para os &ldquo;mecanismos normais&rdquo; do regime, como as elei&ccedil;&otilde;es e as a&ccedil;&otilde;es judiciais.<br \/>\nNa base dessa forma de domina&ccedil;&atilde;o est&aacute; a ilus&atilde;o dos trabalhadores nas institui&ccedil;&otilde;es burguesas, como o legislativo e o judici&aacute;rio. Assim, express&otilde;es e ideias como &ldquo;Estado democr&aacute;tico de direito&rdquo;, &ldquo;o respeito &agrave;s leis e &agrave;s decis&otilde;es judiciais&rdquo;, &ldquo;a esperan&ccedil;a de que o pr&oacute;ximo governante seja melhor do que o atual&rdquo; passam a fazer parte do pensamento das pessoas e legitimam a democracia burguesa.<br \/>\nNa ess&ecirc;ncia, esses mecanismos visam dominar a classe trabalhadora para que a burguesia continue nos explorando. Elei&ccedil;&otilde;es, parlamento e institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o apenas formas que n&atilde;o alteram o conte&uacute;do da domina&ccedil;&atilde;o de classes.<br \/>\nUm regime de domina&ccedil;&atilde;o de classe, portanto, esse regime e essa democracia n&atilde;o s&atilde;o nossos. Como diz L&ecirc;nin, em Democracia burguesa e democracia prolet&aacute;ria: &ldquo;A democracia burguesa, sendo um grande progresso hist&oacute;rico em compara&ccedil;&atilde;o com a Idade M&eacute;dia, continua a ser sempre &mdash; e n&atilde;o pode deixar de continuar a ser sob o capitalismo &mdash; estreita, amputada, falsa, hip&oacute;crita, para&iacute;so para os ricos, uma armadilha e um engano para os explorados, para os pobres. &Eacute; esta verdade, que constitui uma parte integrante essencial da doutrina marxista&#8230;&rdquo;<br \/>\nMesmo partindo do pressuposto de que a democracia burguesa &eacute; uma forma de domina&ccedil;&atilde;o de classe, ainda assim os revolucion&aacute;rios n&atilde;o s&atilde;o a favor de regimes ditatoriais e repressivos, pelo contr&aacute;rio, em todo programa revolucion&aacute;rio h&aacute; a defesa da democracia. No entanto, a defesa de liberdades democr&aacute;ticas em um regime burgu&ecirc;s se limita a criar as melhores condi&ccedil;&otilde;es para lutar pela revolu&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o defend&ecirc;-las como princ&iacute;pio universal.<br \/>\nNeste sentido, os revolucion&aacute;rios ao mesmo tempo em que lutam pelo aprofundamento das garantias democr&aacute;ticas (que &eacute; uma das formas de mostrar os limites da democracia burguesa) tamb&eacute;m lutam contra a democracia burguesa. No lugar dessa forma de democracia os revolucion&aacute;rios lutam pela democracia oper&aacute;ria, a forma de poder do proletariado.<br \/>\nEssa quest&atilde;o &eacute; importante porque se n&atilde;o se luta pelo aprofundamento das liberdades democr&aacute;ticas pode-se cair no sectarismo, e se n&atilde;o h&aacute; combate cai-se no oportunismo e na capitula&ccedil;&atilde;o &agrave; democracia burguesa. &Eacute; uma linha t&ecirc;nue que separa esses dois desvios de uma pol&iacute;tica revolucion&aacute;ria correta.<\/p>\n<h3><strong>O ABANDONO DA DISPUTA DA CONSCI&Ecirc;NCIA DA CLASSE TRABALHADORA<\/strong><\/h3>\n<p>\nO fato de uma candidatura estar &agrave; frente nas pesquisas e contar com o amplo apoio da classe trabalhadora n&atilde;o s&atilde;o motivos para que uma organiza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria se submeta e capitule como fez agora o PSTU em Bel&eacute;m. Havia feito tamb&eacute;m em 2002 quando chamou voto em Lula no segundo turno, mesmo ap&oacute;s este ter feito todos os compromissos com os patr&otilde;es, inclusive assinado a famosa &ldquo;Carta aos Brasileiros&rdquo; na qual se comprometia a respeitar todos os contratos com a burguesia e seguir pagando os juros da D&iacute;vida Interna e Externa para a Banca Financeira. <br \/>\nO papel de uma organiza&ccedil;&atilde;o que se diz revolucion&aacute;ria consiste justamente em alertar os trabalhadores, ajudando-os a superarem suas ilus&otilde;es e atrasos na consci&ecirc;ncia. Mesmo que no momento n&atilde;o consigamos convencer a maioria, uma parte nos dar&aacute; raz&atilde;o e com isso ganharemos a confian&ccedil;a dos demais trabalhadores por termos alertado corretamente. <br \/>\nCaso contr&aacute;rio, se fosse para se adaptar ao n&iacute;vel da consci&ecirc;ncia m&eacute;dia em um momento que os trabalhadores n&atilde;o est&atilde;o em luta e expressam uma s&eacute;rie de atrasos, n&atilde;o seria preciso organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias. <br \/>\nNesses momentos o desafio &eacute; justamente n&atilde;o capitular e desenvolver uma pol&iacute;tica independente, se apoiar nos fatos concretos da realidade, explicar e demonstrar pacientemente que n&atilde;o podemos confiar em candidatos governistas e que defendem os patr&otilde;es. E hoje h&aacute; exemplos de sobra para utilizarmos quanto ao papel do PC do B tanto em Bel&eacute;m como em sua atua&ccedil;&atilde;o no governo federal. <br \/>\nA op&ccedil;&atilde;o do PSTU em coligar com o PC do B, base governista, significa na pr&aacute;tica o abandono pela disputa da consci&ecirc;ncia dos trabalhadores e de sua vanguarda em prol de um poss&iacute;vel vereador eleito.<\/p>\n<h3><strong>PC DO B, UM PARTIDO OPER&Aacute;RIO?<\/strong><\/h3>\n<p>\nEm seu af&atilde; de se coligar aos governistas, a dire&ccedil;&atilde;o do PSTU quer ver o que n&atilde;o existe.           <br \/>\nQualquer ativista sabe que o PC do B, assim como o PT deixaram de ser partidos oper&aacute;rios. Hoje se comportam como organiza&ccedil;&otilde;es de parceiros e gerentes diretos do capital, com cargos na gest&atilde;o de fundos de pens&otilde;es, empresas estatais, etc. Recebem milh&otilde;es do fundo partid&aacute;rio e do imposto sindical. <br \/>\nEsses setores defendem interesses do empresariado, totalmente opostos aos trabalhadores. Os trabalhadores n&atilde;o participam mais de qualquer uma de suas decis&otilde;es.  <br \/>\nO compromisso com o empresariado demonstrado na elabora&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo Florestal, seu envolvimento na corrup&ccedil;&atilde;o, tudo demonstra que o PC do B n&atilde;o &eacute; mais um partido oper&aacute;rio. J&aacute; cruzou a fronteira de classe faz tempo&#8230; <br \/>\nA caracteriza&ccedil;&atilde;o do PC do B como um partido oper&aacute;rio somente se explica por estar a servi&ccedil;o de sustentar essa e outras capitula&ccedil;&otilde;es, como a forma&ccedil;&atilde;o de chapas sindicais com setores desse partido.<\/p>\n<h3><strong>O PSTU ACEITOU POR QUE QUIS&#8230;<\/strong><\/h3>\n<p>\nDiz a dire&ccedil;&atilde;o nacional do PSTU: &ldquo;Apenas participamos dela (da coliga&ccedil;&atilde;o) no formato em que ela foi constru&iacute;da pelo PSOL&rdquo;. Claro que &eacute; imposs&iacute;vel acreditar neste argumento, pois o PSTU n&atilde;o estava obrigado a participar da frente. Participar foi uma decis&atilde;o do PSTU e tamb&eacute;m do PSOL. Mas, poderia ter apresentado candidato pr&oacute;prio para a prefeitura e manter a independ&ecirc;ncia de classe. No entanto, essa pol&iacute;tica significaria ficar distante do objetivo de eleger um vereador na cidade.<br \/>\nEm elei&ccedil;&otilde;es recentes, corretamente, o PSTU n&atilde;o participou de frentes eleitorais com o PSOL porque este defendia a presen&ccedil;a do PV, partido t&atilde;o governista quanto o PC do B.<br \/>\nPor que, em v&aacute;rias outras cidades, mesmo com acordo program&aacute;tico, o PSTU bateu o p&eacute; em torno de pontos secund&aacute;rios (nome do candidato, tempo de TV, candidatos priorit&aacute;rios) e n&atilde;o saiu coligado somente com o PSOL? N&atilde;o &eacute; coincid&ecirc;ncia, pois s&atilde;o cidades em que n&atilde;o h&aacute; possibilidade de elei&ccedil;&atilde;o de vereadores.<br \/>\nNuma leitura do texto da dire&ccedil;&atilde;o nacional v&ecirc;-se que n&atilde;o se consegue &ndash; e nem tem como &ndash; criar outras raz&otilde;es por estar o PSTU coligado com o PC do B. Nesse contexto as diferencia&ccedil;&otilde;es com o PSOL s&atilde;o superficiais, pois o PSTU terminou por aceitar uma condi&ccedil;&atilde;o &ndash; a participa&ccedil;&atilde;o de um setor governista e pr&oacute;-patronal &ndash; que altera qualitativamente o conte&uacute;do de classe da coliga&ccedil;&atilde;o.<br \/>\nAinda que conden&aacute;vel, o fato &eacute; que o PSTU n&atilde;o est&aacute; apoiando a frente eleitoral, mas participando dela, chamando os trabalhadores a votarem em um candidato que est&aacute; de m&atilde;os dadas com um partido governista e avalizador de toda a pol&iacute;tica do governo Dilma.<br \/>\nPor fim, ao aceitar participar dessa frente o PSTU jogou no lixo as resolu&ccedil;&otilde;es do I Congresso da CSP-Conlutas, em que se definiu &ldquo;que a central deve indicar a rejei&ccedil;&atilde;o veemente aos candidatos da oposi&ccedil;&atilde;o burguesa (PSDB e seu bloco) e da base aliada do governo Dilma (PT, PMDB e aliados), apresentar um programa de reivindica&ccedil;&otilde;es da classe, bem como indicar o voto classista aos trabalhadores, rumo a uma sociedade socialista&rdquo;. (http:\/\/cspconlutas.org.br\/2012\/04\/resolucoes-nacionais-e-internacionais-sao-aprovadas-no-1-congresso-da-csp-conlutas\/). Isso significa que, em Bel&eacute;m, a CSP-Conlutas deve ser contra essa frente eleitoral, que inclui o PC do B, partido da base aliada.<\/p>\n<h3><strong>FLEXIBILIDADE DA T&Aacute;TICA E CAPITULA&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/h3>\n<p>\nN&atilde;o somos contra a participa&ccedil;&atilde;o dos revolucion&aacute;rios no processo eleitoral. Mas, essa participa&ccedil;&atilde;o tem limites e condi&ccedil;&otilde;es, como n&atilde;o se coligar com candidatos e partidos burgueses e governistas, n&atilde;o aceitar dinheiro da patronal, ter um programa socialista e tamb&eacute;m denunciar a pr&oacute;pria democracia burguesa.<br \/>\nA nota da dire&ccedil;&atilde;o do PSTU diz que &ldquo;a t&aacute;tica revolucion&aacute;ria n&atilde;o &eacute; apenas flex&iacute;vel: &eacute; extremamente flex&iacute;vel&rdquo;. Da forma como a dire&ccedil;&atilde;o nacional coloca as coisas, algum desavisado pode acreditar que quando se trata de t&aacute;tica pode-se fazer tudo. A flexibilidade da t&aacute;tica tem limites muito bem definidos: manter-se no campo da classe trabalhadora e da revolu&ccedil;&atilde;o. Quem faz um esfor&ccedil;o para utilizar a dial&eacute;tica sabe que a t&aacute;tica (mesmo na flexibilidade) n&atilde;o pode levar &agrave; nega&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia revolucion&aacute;ria.<br \/>\nE a pol&iacute;tica que tentam justificar &eacute; um desses casos. Ao participar de uma frente eleitoral com um partido governista (e estamos falando de um governo burgu&ecirc;s), a estrat&eacute;gia de independ&ecirc;ncia de classe foi para os ares. A n&atilde;o ser que a independ&ecirc;ncia de classe para os companheiros seja t&aacute;tica e n&atilde;o um princ&iacute;pio.<br \/>\nO fato de tentar (dando uma interpreta&ccedil;&atilde;o complicada para a pol&iacute;tica de L&ecirc;nin) se amparar em L&ecirc;nin e em Moreno demonstra que somente autoridade da dire&ccedil;&atilde;o nacional n&atilde;o foi suficiente para justificar essa pol&iacute;tica absurda.<br \/>\nO mais absurdo &eacute; buscar amparo em L&ecirc;nin para justificar tamanha envergadura da &ldquo;flexibilidade da t&aacute;tica&rdquo;. Ora, nos casos citados, L&ecirc;nin nem chamou os trabalhadores alem&atilde;es a apoiarem o governo alem&atilde;o e muito menos cedeu aos latifundi&aacute;rios russos, pelo contr&aacute;rio, manteve at&eacute; o fim a independ&ecirc;ncia de classe tanto em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado alem&atilde;o quanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o agr&aacute;ria. <br \/>\nMas, o absurdo e o desrespeito para com L&ecirc;nin a fim de justificar uma pol&iacute;tica equivocada n&atilde;o p&aacute;ra por a&iacute;. Procura-se amparo no revolucion&aacute;rio russo e cita o texto Sobre os compromissos. O primeiro erro est&aacute; na data, pois esse texto foi escrito em 16 de setembro de 1917 e n&atilde;o em 1920 (o erro da data n&atilde;o &eacute; menor porque s&atilde;o conjunturas muito diferentes), como diz a nota. O segundo est&aacute; em que compara situa&ccedil;&otilde;es e sujeitos completamente diferentes. O que L&ecirc;nin tem em mente &eacute; a Revolu&ccedil;&atilde;o Russa (e de fato ela ocorreria meses depois) e n&atilde;o um esfor&ccedil;o para ter representa&ccedil;&atilde;o no parlamento.<br \/>\nPoder&iacute;amos at&eacute; imaginar que a dire&ccedil;&atilde;o nacional do PSTU n&atilde;o leu o texto por completo, pois L&ecirc;nin (como sempre fez) logo estabelece como condi&ccedil;&atilde;o que o compromisso n&atilde;o poderia ser estabelecido com a burguesia, mas com a maioria dos soviets &agrave;quela altura: os mencheviques e social-revolucion&aacute;rios. Ele mesmo define o que entende por esse compromisso: &ldquo;Compromisso &eacute;, da nossa parte, o nosso regresso &agrave; reivindica&ccedil;&atilde;o de antes de Julho: todo o poder aos Soviets, governo de socialistas-revolucion&aacute;rios e mencheviques, respons&aacute;vel perante os Soviets&rdquo; (Sobre os compromissos. In: Obras Escolhidas, tomo 2, p. 155). <br \/>\nOu seja, pelo fato desses partidos serem maioria nos soviets, os bolcheviques se comprometiam a abrir m&atilde;o de mudar a forma da palavra de ordem de todo o poder aos soviets e n&atilde;o o conte&uacute;do. N&atilde;o era para fazer acordo com o governo, mas para fazer avan&ccedil;ar a revolu&ccedil;&atilde;o e, conforme acreditava L&ecirc;nin com esse compromisso (caso ele se realizasse), que ela pudesse ser pac&iacute;fica. Como parte do acordo &ldquo;Os mencheviques e os socialistas-revolucion&aacute;rios, como bloco governamental, concordariam (supondo que o compromisso se realizava) em formar um governo inteira e exclusivamente respons&aacute;vel perante os Soviets, com a transmiss&atilde;o para as m&atilde;os dos Soviets de todo o poder, incluindo o local&rdquo;. (Sobre os compromissos. In: Obras Escolhidas, tomo 2, p.155).<br \/>\nAcreditando que leram o texto at&eacute; o final, podemos afirmar que n&atilde;o interpretaram que esse &ldquo;compromisso&rdquo; se dava em condi&ccedil;&otilde;es excepcionais e segundo o mesmo L&ecirc;nin, entre escrever o texto &ndash; uma sexta-feira &ndash; e a chegada do mesmo &agrave; reda&ccedil;&atilde;o &ndash; uma segunda-feira &ndash; j&aacute; n&atilde;o era mais poss&iacute;vel manter o compromisso. Tanto &eacute; assim que, ap&oacute;s as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas mudarem, L&ecirc;nin intitula esse mesmo texto de &ldquo;Pensamentos tardios&rdquo;.<br \/>\nAinda interpretando os te&oacute;ricos &agrave; sua maneira e visando justificar essa pol&iacute;tica, a dire&ccedil;&atilde;o do PSTU alega que &ldquo;para Trotsky e para L&ecirc;nin o decisivo n&atilde;o &eacute; se o partido faz ou n&atilde;o faz acordos, e com quem s&atilde;o esses acordos&rdquo;. N&atilde;o &eacute; verdade que para os revolucion&aacute;rios citados seja secund&aacute;rio fazer ou n&atilde;o acordo e ainda mais com quem s&atilde;o acordos.<br \/>\nCita&ccedil;&otilde;es isoladas e fora de contexto, como fez a dire&ccedil;&atilde;o nacional do PSTU, podem levar a interpreta&ccedil;&otilde;es equivocadas do que realmente os autores querem dizer. Apresentamos com tranquilidade outra cita&ccedil;&atilde;o de Trotsky que afasta completamente a interpreta&ccedil;&atilde;o de que ele estava a favor de qualquer tipo de acordo: &ldquo;H&aacute; &eacute;pocas em que a tend&ecirc;ncia revolucion&aacute;ria se v&ecirc; reduzida a uma pequena minoria dentro do movimento oper&aacute;rio. Mas, o que essas &eacute;pocas exigem n&atilde;o &eacute; fazer acordos entre pequenos grupos, tapando-se mutuamente os pecados, mas, ao contr&aacute;rio, uma luta duplamente impec&aacute;vel por uma perspectiva correta e uma educa&ccedil;&atilde;o dos quadros no esp&iacute;rito do aut&ecirc;ntico marxismo. Somente assim &eacute; poss&iacute;vel a vit&oacute;ria&rdquo;. (Comunismo e sindicalismo. In: Escritos sobre Sindicatos).<\/p>\n<h3><strong>N&Atilde;O TEM COMO COMPARAR<\/strong><\/h3>\n<p>\nComparar esse acordo eleitoral com o PC do B, em Bel&eacute;m-PA, com o apoio dado a Lula em 1989 &eacute; mais uma tentativa de comparar coisas completamente diferentes. Pode-se sim fazer a compara&ccedil;&atilde;o com o apoio que o PSTU deu a Lula no segundo turno de 2002 que, &agrave;quela altura, j&aacute; revelava o seu car&aacute;ter de classe.<br \/>\nE agora, qual o programa do PC do B? Hoje o PC do B faz parte e defende com unhas e dentes um governo burgu&ecirc;s que governa para a burguesia e para o imperialismo.<br \/>\nEm 1989, apesar de todos os limites da candidatura, Lula n&atilde;o tinha apoio da burguesia e o programa pol&iacute;tico tinha pontos importantes como a suspens&atilde;o do pagamento da d&iacute;vida externa que representava a ruptura com o imperialismo. O PT ainda n&atilde;o tinha passado para a administra&ccedil;&atilde;o do capital. E agora o PC do B &eacute; parte da gest&atilde;o do Estado capitalista.<br \/>\nTamb&eacute;m n&atilde;o se pode comparar essa pol&iacute;tica com a participa&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o no parlamento e nas negocia&ccedil;&otilde;es sindicais. Uma organiza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria pode &ndash; e deve &ndash; fazer as duas coisas com uma pol&iacute;tica que mantenha a independ&ecirc;ncia de classe. No caso de Bel&eacute;m, o PSTU perdeu a refer&ecirc;ncia de classe.<br \/>\nA possibilidade da participa&ccedil;&atilde;o dos revolucion&aacute;rios no parlamento burgu&ecirc;s ou nos sindicatos dirigidos pela burocracia ou mesmo por setores burgueses n&atilde;o pode ser confundida com a capitula&ccedil;&atilde;o ou adapta&ccedil;&atilde;o aos aparatos e &agrave;s dire&ccedil;&otilde;es.<br \/>\nMesmo que o PSTU consiga eleger um vereador em Bel&eacute;m estar&aacute; abrindo m&atilde;o da independ&ecirc;ncia de classe.<\/p>\n<h3><strong>AS DISCUSS&Otilde;ES NA E PELA C&Uacute;PULA<\/strong><\/h3>\n<p>\nTodo ano eleitoral &eacute; a mesma coisa. Os ativistas e militantes do movimento social n&atilde;o encontram nenhum espa&ccedil;o para participarem da elabora&ccedil;&atilde;o de um programa que possa responder aos principais problemas que a classe trabalhadora enfrenta. <br \/>\nQuando h&aacute; algum &ldquo;semin&aacute;rio&rdquo; n&atilde;o &eacute; para participar da elabora&ccedil;&atilde;o de um programa, mas apenas para conhecer algo que j&aacute; foi definido pelo partido. A discuss&atilde;o &eacute; somente aparente.<br \/>\nIsso acontece porque todas as discuss&otilde;es s&atilde;o feitas entre as dire&ccedil;&otilde;es das correntes pol&iacute;ticas e, em regra, ocorrem em base aos objetivos de cada partido. <br \/>\nN&oacute;s temos discutido a necessidade da constru&ccedil;&atilde;o de um Movimento Pol&iacute;tico dos Trabalhadores que organize trabalhadores da cidade e do campo, juventude, mulheres, negros e outros setores explorados e oprimidos.  Organizar-nos para as lutas imediatas e para a revolu&ccedil;&atilde;o socialista.<br \/>\nSomente em um amplo processo de discuss&atilde;o entre os trabalhadores se discute um programa que sirva para organizar as lutas da classe. Nos processos eleitorais um movimento como esse poderia indicar os candidatos que defenderiam a plataforma de interesse do movimento de trabalhadores.<br \/>\nEssa seria uma maneira de envolver o conjunto da milit&acirc;ncia e do ativismo nas decis&otilde;es e tamb&eacute;m envolv&ecirc;-los em uma campanha pol&iacute;tica. E por fim, transformaria a discuss&atilde;o das candidaturas um assunto p&uacute;blico e n&atilde;o privado das c&uacute;pulas partid&aacute;rias, o que poderia contribuir para a participa&ccedil;&atilde;o consciente dos trabalhadores em processos como esse.<\/p>\n<p class=\"rteright\">\n<strong>Espa&ccedil;o Socialista, Julho\/2012<\/strong><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=345"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":655,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345\/revisions\/655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}