{"id":346,"date":"2012-07-24T17:52:36","date_gmt":"2012-07-24T20:52:36","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/346"},"modified":"2018-06-01T16:02:14","modified_gmt":"2018-06-01T19:02:14","slug":"jornal-51-junho-de-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/07\/jornal-51-junho-de-2012\/","title":{"rendered":"Jornal 51: Junho de 2012"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_675\" aria-describedby=\"caption-attachment-675\" style=\"width: 202px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jornal_ES_51.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-675\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-675\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/miniaturaj51-202x300.jpg\" alt=\"\" width=\"202\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/miniaturaj51-202x300.jpg 202w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/miniaturaj51.jpg 270w\" sizes=\"(max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-675\" class=\"wp-caption-text\">Baixar em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assuntos principais:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"#titulo1\">As medidas do governo e as lutas dos trabalhadores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo2\">Greve nas universidades federais: por um projeto diferente de universidade<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo3\">Crimes da ditadura: Falsidades na Comiss\u00e3o da Verdade<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo4\">Escola de tempo integral: nova manobra do governo na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo5\">Crise de alternativa: O grande ausente, o proletariado<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo6\">Megaeventos: e eu com isso?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo7\">A crise e a decomposi\u00e7\u00e3o da &#8220;Europa Social&#8221;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo8\">A revolta das marretas na Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo1\"><\/a><\/h3>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>AS MEDIDAS DO GOVERNO E AS LUTAS DOS TRABALHADORES<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">As medidas tomadas pelo governo Dilma e aquelas que certamente ainda vir\u00e3o expressam aquilo que tanto o governo e a burguesia tentam esconder: a economia brasileira sentiu pela segunda vez (a primeira em 2009) os efeitos do agravamento da crise mundial, desta vez com epicentro na Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O setor exportador, muito concentrado nas chamadas <i>commodities<\/i> (mat\u00e9rias-primas e alimentos) vem sofrendo dificuldades crescentes com a Europa \u2013 em recess\u00e3o \u2013 diminuindo suas compras do Brasil. Al\u00e9m disso, o crescimento da China vem diminuindo, o que tamb\u00e9m leva \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da demanda por mat\u00e9rias-primas (min\u00e9rios e outras) e alimentos do Brasil. Por sua vez, os EUA vem se recolocando no mercado mundial, seja pela desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar que tornou suas mercadorias mais competitivas, seja pela redu\u00e7\u00e3o real de seus custos, devido ao grande ataque promovido contra os trabalhadores desde que se iniciou a crise em 2008. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a ind\u00fastria brasileira tamb\u00e9m vem passando por grandes dificuldades, pois a competi\u00e7\u00e3o no mercado mundial se torna mais violenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, o mercado interno que responde por cerca de 70% da economia brasileira, e que vem sendo nos \u00faltimos anos o grande impulsionador do crescimento, d\u00e1 mostras vis\u00edveis de esgotamento. Esse esgotamento se expressa muito claramente no aumento do endividamento e da inadimpl\u00eancia. Significa que o motor do consumo partir de 2009 foi em grande medida o cr\u00e9dito e n\u00e3o uma eleva\u00e7\u00e3o real do poder de compra dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os aumentos salariais em setores da economia t\u00eam sido muito mais causa do que consequ\u00eancia desse aumento artificial do mercado consumidor, o que levou ao aumento da procura por m\u00e3o-de-obra e a uma certa eleva\u00e7\u00e3o salarial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa combina\u00e7\u00e3o de fatores tanto internos quanto externos tem por tr\u00e1s uma crise estrutural do capital que coloca em contradi\u00e7\u00e3o a capacidade produtiva e tecnol\u00f3gica crescente do sistema com a estagna\u00e7\u00e3o\/lento crescimento dos mercados consumidores, pois a tend\u00eancia do pr\u00f3prio sistema \u00e9 de corroer os mercados consumidores reais seja pelo desemprego estrutural, pelo rebaixamento de sal\u00e1rios e direitos ou pela queda dos rendimentos da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, o Brasil j\u00e1 est\u00e1 em uma nova realidade. Mesmo em meios burgueses, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o \u201cper\u00edodo da bonan\u00e7a\u201d acabou e que agora vem um per\u00edodo muito mais complicado, com os\u00a0 problemas estruturais cada vez mais se manifestando e com maiores dificuldades para o governo e a burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Qual o sentido das medidas do Governo Dilma? Quem paga o pre\u00e7o?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0\u00a0 As medidas tomadas tanto pelo governo federal como pelos estaduais v\u00e3o no sentido de retomar a competitividade (lucratividade) do empresariado e, ao mesmo tempo, manter aquecido um mercado que revela-se cada vez mais artificialmente sustentado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A redu\u00e7\u00e3o do IPI para autom\u00f3veis, eletrodom\u00e9sticos, m\u00e1quinas de lavar e para a compra de m\u00e1quinas industriais; a redu\u00e7\u00e3o dos juros e da IOF para baratear os empr\u00e9stimos e a diminui\u00e7\u00e3o dos juros da caderneta de poupan\u00e7a para incentivar o consumo; a redu\u00e7\u00e3o do dep\u00f3sito compuls\u00f3rio (de garantia) que os bancos t\u00eam que manter junto ao banco central; o aumento dos prazos de financiamento tanto de ve\u00edculos como de im\u00f3veis, enfim, a redu\u00e7\u00e3o de impostos junto a essas medidas tendem a se tornar permanentes, no sentido de justamente avan\u00e7ar na Reforma Tribut\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9 outro o objetivo da desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento, em que a patronal de 15 setores fica livre de pagar os 20% sobre a folha para o INSS, sendo essa contribui\u00e7\u00e3o substitu\u00edda por 1% do faturamento. O resultado dessa mudan\u00e7a de c\u00e1lculo \u00e9 que as empresas deixam de pagar\u00a0 e o estado deixa de arrecadar R$ 18,7 bilh\u00f5es at\u00e9 2014!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio ministro Fernando Pimentel afirmou \u201cO que estamos fazendo \u00e9 uma mudan\u00e7a estrutural, mas s\u00f3 que ela est\u00e1 sendo feita aos poucos.\u201d Na pr\u00e1tica, essa menor arrecada\u00e7\u00e3o de impostos leva ao corte e maior precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e condi\u00e7\u00f5es de trabalho do funcionalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas no primeiro ano do governo Dilma Rousseff, a ren\u00fancia fiscal chegou a R$ 187 bilh\u00f5es, ultrapassando os gastos com Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia Social. O Tesouro direcionou mais 45 bilh\u00f5es ao BNDES (banco estatal que empresta \u00e0s empresas a juros irris\u00f3rios). Desde 2009, o BNDES j\u00e1 recebeu do Tesouro R$ 285 bilh\u00f5es. (<i>www.economia.estadao.com.br<\/i>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os governos dos estados tamb\u00e9m est\u00e3o aumentando seu endividamento para favorecer a burguesia a eles ligada. Alckmin solicitou junto a Dilma \u2013 e conseguiu \u2013 o aumento do teto de endividamento do estado de S\u00e3o Paulo em mais 10 bilh\u00f5es (al\u00e9m dos 7 bilh\u00f5es no ano passado), mas n\u00e3o para investir em Educa\u00e7\u00e3o ou Sa\u00fade. O objetivo \u00e9 ampliar as obras do metr\u00f4 e do Ferroanel, que deveriam ser bancadas pelos empres\u00e1rios, pois s\u00e3o obras de seu interesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro elemento \u00e9 a infla\u00e7\u00e3o dos meios de subsist\u00eancia do trabalhador, muito maior do que a infla\u00e7\u00e3o oficial \u2013 o Kg do feij\u00e3o a R$ 5,00 \u00e9 apenas um exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, cada empresa em particular busca realizar seus ajustes, com f\u00e9rias coletivas, no sentido de justificar demiss\u00f5es, corte de sal\u00e1rios e direitos, aumento dos ritmos de trabalho, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A GM de S\u00e3o Jos\u00e9 \u00e9 uma das v\u00e1rias empresas em que est\u00e3o abertos PDV&#8217;s, que s\u00e3o formas veladas de pressionar os trabalhadores a aceitarem as demiss\u00f5es. A mesma l\u00f3gica prevalece no interior das reparti\u00e7\u00f5es do estado, que tendem cada vez mais a adotar a l\u00f3gica empresarial como princ\u00edpio de gest\u00e3o, reduzindo os chamados gastos de custeio (leia-se com os trabalhadores) e aumentando as cobran\u00e7as do trabalho e o ass\u00e9dio moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\"><b>Quais as perspectivas?<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 o endividamento pode fazer com que as duas pontas desse novelo \u2013 produ\u00e7\u00e3o cada vez mais tecnologizada e em larga escala versus um mercado consumidor real rumo \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o\/contra\u00e7\u00e3o \u2013 possam se encontrar e se fechar. Por isso, parte importante das medidas do governo v\u00e3o nesse sentido. Mas o recurso ao cr\u00e9dito, por mais que possa ser alargado, tem seus limites, que j\u00e1 est\u00e3o come\u00e7ando a se mostrar e que quando forem definitivamente atingidos levar\u00e3o a uma crise sem precedentes na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, mesmo hoje podemos dizer que j\u00e1 estamos em uma nova realidade, com o aumento vis\u00edvel dos problemas sociais e consequentemente das lutas e da tend\u00eancia \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 2011, temos tido um aumento do n\u00famero de greves, a entrada em cena de setores do proletariado e enfrentamentos nacionais duros, como a greve das universidades federais e de grandes categorias no segundo semestre, como correios, banc\u00e1rios e petroleiros. Temos visto o envolvimento de setores mais precarizados da classe trabalhadora, como os da constru\u00e7\u00e3o civil, das obras do PAC, da Copa, e setores mais amplos dos trabalhadores operacionais dos servi\u00e7os p\u00fablicos como metr\u00f4 de v\u00e1rias capitais. Tamb\u00e9m estamos assistindo ao aumento das lutas populares com ocupa\u00e7\u00f5es urbanas, como os Novos Pinheirinhos e podemos esperar novas ondas de ocupa\u00e7\u00f5es rurais e lutas ind\u00edgenas, \u00e0 medida em que a aprova\u00e7\u00e3o do novo C\u00f3digo Florestal permita ao agroneg\u00f3cio o avan\u00e7o sobre os ecossistemas e os povos que a\u00ed vivem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quadro a partir de 2012 \u00e9 de um maior endurecimento dos patr\u00f5es e do governo. O aumento da repress\u00e3o frente ao aumento das lutas \u00e9 consequ\u00eancia de um sistema que precisa refor\u00e7ar as tend\u00eancias repressoras e restringir cada vez mais os espa\u00e7os democr\u00e1ticos para os trabalhadores e sua lutas, mesmo que permita formalmente alguns direitos individuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #888888;\"><b>No desenvolvimento das lutas, construir uma sa\u00edda dos trabalhadores<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista dos trabalhadores, s\u00f3 pode haver uma sa\u00edda com o desenvolvimento das lutas e das formas de organiza\u00e7\u00e3o de base independentes dos patr\u00f5es, do Estado e das dire\u00e7\u00f5es governistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode aceitar de forma alguma o argumento das centrais e dire\u00e7\u00f5es governistas (CUT, For\u00e7a Sindical, CTB, UGT) de que esse n\u00e3o \u00e9 o momento de fazer greves. Essas dire\u00e7\u00f5es est\u00e3o comprometidas com o governo e com os patr\u00f5es, buscando apenas uma fatia de benef\u00edcios para si, mesmo que sua pol\u00edtica desmobilizadora custe os empregos e direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, \u00e9 preciso ir al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o imediatista, corporativista e acomodada, caracter\u00edstica das correntes como PSTU e PSOL que dirigem, respectivamente, a CSP-Conlutas e a Intersindical. A limita\u00e7\u00e3o \u00e0 luta corporativa e imediatista, bem como a acomoda\u00e7\u00e3o aos m\u00e9todos de luta anteriores, pr\u00f3prios de uma situa\u00e7\u00e3o em que o capital podia fazer concess\u00f5es m\u00ednimas em face das lutas dos trabalhadores, est\u00e3o totalmente ultrapassadas. Hoje \u00e9 preciso ir al\u00e9m!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento \u00e9 de crise estrutural do capital em que at\u00e9 as conquistas m\u00ednimas est\u00e3o em cheque e sendo retomadas rapidamente, com o capital e o estado explorando justamente o car\u00e1ter defensivo e fragment\u00e1rio das lutas dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim \u00e9 preciso realizar todos os esfor\u00e7os, n\u00e3o apenas pela vit\u00f3ria das lutas imediatas, mas tamb\u00e9m pelo avan\u00e7o da consci\u00eancia de classe e socialista dos trabalhadores e jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dever da CSP-Conlutas impulsionar uma pol\u00edtica clara de den\u00fancia e contraposi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica \u00e0s medidas e ao projeto do governo Dilma, pois n\u00e3o est\u00e3o a servi\u00e7o de ajudar os trabalhadores e sim aos patr\u00f5es. Essa tarefa tem sido negligenciada pelo PSTU, a for\u00e7a majorit\u00e1ria da Central. Essa campanha permanente de contraposi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica ao projeto do capital para o pa\u00eds, e n\u00e3o apenas aos seus efeitos, deve se ligar \u00e0 necessidade de que os trabalhadores tamb\u00e9m apontem um projeto alternativo que s\u00f3 pode se dar com a ruptura como a l\u00f3gica capitalista de explora\u00e7\u00e3o e institui\u00e7\u00f5es que a sustentam. \u00c9 necess\u00e1rio um programa m\u00ednimo socialista, o que tamb\u00e9m n\u00e3o tem sido apontado nem pela CSP-Conlutas nem pela Intersindical, apesar de nossa insist\u00eancia e de outros setores nesse sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, \u00e9 preciso apostar na constru\u00e7\u00e3o de blocos de interven\u00e7\u00e3o na base dos movimentos e dentro da pr\u00f3pria CSP-Conlutas, para lutarmos por uma mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o, que realmente fa\u00e7a frente aos desafios colocados, pois essas correntes (PSTU e PSOL), via de regra preocupadas prioritariamente com a conquista de aparatos sejam sindicais ou eleitorais, t\u00eam deixado de lado as preocupa\u00e7\u00f5es dos ativistas pela base e as respostas socialistas, que s\u00e3o necessidades imprescind\u00edveis do movimento na nova realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, al\u00e9m de impulsionarmos uma interven\u00e7\u00e3o diferenciada e qualificada junto aos trabalhadores e estudantes, precisamos tamb\u00e9m apostar na constru\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, socialista e revolucion\u00e1ria, que consiga dialogar com o ativistas, trabalhadores e jovens, ajudando-os em seus movimentos e despertando a vontade de lutar coletivamente por uma outra sociedade, o socialismo. O Espa\u00e7o Socialista se coloca como parte dessa luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo2\"><\/a><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>GREVE NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS: POR UM PROJETO DIFERENTE DE UNIVERSIDADE!<\/b><\/h2>\n<h4 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\">\u00a0<b>Contexto da Greve<\/b><\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe de significar uma melhora no servi\u00e7o p\u00fablico, a reforma universit\u00e1ria desenvolvida desde os anos do governo Lula (tendo o REUNI como seu marco central) representa uma degrada\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico da Educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 por causa de tal situa\u00e7\u00e3o que os professores, t\u00e9cnicos e estudantes entraram em greve na maior parte das universidades federais do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, esse mesmo contexto \u00e9 de um endurecimento progressivo do governo federal. Com um perfil mais \u201ctecnocr\u00e1tico\u201d e inflex\u00edvel, o governo Dilma assume as metas fixadas pelo capital e prop\u00f5e-se a cumpri-las \u00e0 risca com muito menos margens de negocia\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores e aos movimentos sociais. \u00c9 fato que a elei\u00e7\u00e3o de Dilma significou a vit\u00f3ria do modo petista de governar, isto \u00e9, governar em favor da burguesia, tendo controle dos organismos de luta dos movimentos sociais; exemplo disso s\u00e3o as \u00faltimas greves no servi\u00e7o p\u00fablico federal, as quais foram tratadas com um grande endurecimento do governo federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\"><b>A reforma universit\u00e1ria do governo federal e o movimento grevista<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Programa de Apoio a Planos de Reestrutura\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o das Universidades Federais (REUNI), marco central da reforma universit\u00e1ria implementada pelos governos Lula e Dilma, \u00e9 o de expans\u00e3o da universidade federal institu\u00eddo desde 2007. Entre outras medidas, prev\u00ea, por um lado, um pequeno aporte de investimentos nas universidades federais, com novos concursos para professores, por outro, em nome da expans\u00e3o da universidade, prev\u00ea um aumento de vagas para estudantes em at\u00e9 o dobro das existentes (sem que haja um aumento proporcional de professores para atender a demanda). Al\u00e9m disso, o mesmo programa visa: 1) a implanta\u00e7\u00e3o de novos cursos superiores de forma\u00e7\u00e3o mais \u201cr\u00e1pida\u201d e sem habilita\u00e7\u00e3o profissional espec\u00edfica, um profissional de \u201cgeneralidades\u201d; 2) intensificar a rotina de trabalho nas universidades, estabelecendo o cumprimento de metas de \u201cprodutividade\u201d (tais como: eleva\u00e7\u00e3o da propor\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o professor-aluno, passando de 10 alunos para cada 1 professor, para 18 para cada 1, e a eleva\u00e7\u00e3o da propor\u00e7\u00e3o de formandos entre os ingressantes, em que a exig\u00eancia \u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o de 90% dos estudantes ao t\u00e9rmino dos cursos). Isso \u00e9 o que diz a proposta \u201coficial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, o que de fato significa o REUNI \u00e9 uma precariza\u00e7\u00e3o de m\u00e9dio prazo das Universidades federais. Formada por diversas pol\u00edticas, das quais o REUNI \u00e9 uma das maiores express\u00f5es, a abertura de novas vagas na Educa\u00e7\u00e3o superior brasileira \u00e9, ao mesmo tempo, expans\u00e3o da universidade e redu\u00e7\u00e3o da qualidade. Nesses termos, a alardeada busca por efici\u00eancia nas Institui\u00e7\u00f5es P\u00fablicas de Ensino Superior significa encher as salas de aula, sobrecarregar professores e t\u00e9cnicos, e, desse modo, reduzir a qualidade da forma\u00e7\u00e3o oferecida pelas universidades, atacando principalmente as j\u00e1 incipientes pesquisa e extens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, a concep\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o que vem sendo desenvolvida \u00e9 a de uma universidade extremamente prec\u00e1ria que faz prevalecer o ensino (j\u00e1 um tanto degradado) sobre a pesquisa e a extens\u00e3o, ataca aquilo que \u00e9 o trip\u00e9 de uma Educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Por consequ\u00eancia, as universidades transformam-se progressivamente em verdadeiros escol\u00f5es, trazendo consigo uma privatiza\u00e7\u00e3o levemente mascarada das universidades p\u00fablicas e fortalecendo as universidades privadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, pois, como num grito de enfrentamento a esse quadro que entraram em greve professores, estudantes e funcion\u00e1rios t\u00e9cnicos das universidades. Entrar em greve, por\u00e9m (por mais estranho que possa parecer \u00e0 primeira vista), n\u00e3o tem significado, em geral, ser contra o REUNI. Conforme se observa at\u00e9 o momento, a aceita\u00e7\u00e3o desse programa de \u201cexpans\u00e3o\u201d tem se dado de duas maneiras: por um lado, uma aceita\u00e7\u00e3o t\u00e1cita, indireta; por outro, uma defesa clara e direta do pr\u00f3prio REUNI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se tem visto \u00e9 que boa parte do movimento grevista limita-se as suas pautas parciais, corporativistas, em regra, uma luta por sal\u00e1rios, deixando de colocar em quest\u00e3o o pr\u00f3prio projeto de universidade desenvolvido. Ora, bem observando, isso significa apoiar e aceitar o REUNI indiretamente, uma vez que n\u00e3o coloca em xeque as pr\u00f3prias causas da precariza\u00e7\u00e3o da universidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m destes grevistas, h\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que defendem a concep\u00e7\u00e3o de universidade implantada pelo governo federal, mas que, mesmo assim, apoiam a greve como forma de \u201cavan\u00e7ar aos pouquinhos\u201d, &#8220;pacientemente&#8221;, melhorando a implanta\u00e7\u00e3o da reforma universit\u00e1ria do governo federal, como se de fato a expans\u00e3o proporcionada por esta reforma significasse uma expans\u00e3o alicer\u00e7ada no trip\u00e9 que fundamenta a vida acad\u00eamica: ensino-pesquisa-extens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9, em poucas linhas, o quadro geral da greve. O que n\u00e3o nos impede tamb\u00e9m de perceber que tais mobiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram impulsionadas prioritariamente pelos setores governistas no movimento sindical e estudantil; estes, pelo contr\u00e1rio, foram e est\u00e3o sendo for\u00e7ados a, de alguma maneira, dialogar com tal movimento grevista. Em todo esse meio, h\u00e1 certamente as burocracias sindicais e estudantis aliadas ao governo federal, que se utilizam do ascenso das lutas dos setores mais precarizados da universidade federal brasileira para renovar seu \u201cprest\u00edgio\u201d perante sua base, apoiando aqui e ali a greve, mas n\u00e3o pondo o REUNI em quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Que fazer?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que significa n\u00e3o colocar em quest\u00e3o as sucessivas medidas da Reforma Universit\u00e1ria implementadas pelo governo federal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esquerda brasileira foi derrotada nos \u00faltimos anos pelo governo, uma vez que este imp\u00f4s uma reforma universit\u00e1ria que expande a universidade de forma extremamente precarizada. Contra os efeitos dessa precariza\u00e7\u00e3o \u00e9 que se levanta a atual greve. Esta greve \u00e9, pois, um momento de grande desafio para a esquerda, cabendo a esta colocar em xeque o pr\u00f3prio REUNI. Fazer isso significaria levantar-se de uma derrota que j\u00e1 duram anos e, ao mesmo tempo, estabelecer uma rea\u00e7\u00e3o de peso \u00e0 pol\u00edtica de endurecimento do governo federal. N\u00e3o fazer isso e limitar-se a aspectos parciais, coorporativos, por\u00e9m, significa aprofundar a derrota j\u00e1 sofrida nos \u00faltimos anos e contemplar a pol\u00edtica que vem sendo implementada pelo governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, avaliamos que \u00e9 dever daqueles que lutam por uma Educa\u00e7\u00e3o de qualidade, p\u00fablica e gratuita, impulsionar todo o atual movimento grevista, a fim de que seja um movimento unificado de estudantes, t\u00e9cnicos e professores; \u00e9 tamb\u00e9m dever dos que lutam por uma Educa\u00e7\u00e3o de qualidade colocar em quest\u00e3o o pr\u00f3prio projeto de universidade em curso; ao fazer isso, h\u00e1 tamb\u00e9m de se denunciar a burocracia sindical, ligada ao governo federal, por seu oportunismo e por defender, em \u00faltima inst\u00e2ncia, as causas de tal precariza\u00e7\u00e3o. A pauta da greve n\u00e3o pode estar dentro do que o governo aceita negociar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, \u00e9 prioridade reorganizar uma luta de resist\u00eancia contra a concep\u00e7\u00e3o de universidade atualmente em curso, o que s\u00f3 uma luta comprometida e unificada pelo apoio m\u00fatuo de estudantes, t\u00e9cnicos e professores pode conseguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>FALSIDADES NA COMISS\u00c3O DA VERDADE<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\">Pedro Guerra<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Instalada a Comiss\u00e3o da Verdade, por for\u00e7a da Lei 12.528 (novembro de 2011), cabe \u00e0 esquerda revolucion\u00e1ria, novamente, fazer pondera\u00e7\u00f5es bastante espec\u00edficas sobre seus alcances e limites. Numa ocasi\u00e3o anterior, o Espa\u00e7o Socialista, generosamente, j\u00e1 havia nos dado oportunidade de tecer cr\u00edticas ao projeto de lei (dispon\u00edvel na edi\u00e7\u00e3o 46, nov\/dez 2011, pode ser acessado em <a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/\">www.espacosocialista.org<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\"><b>Resumo das cr\u00edticas ao projeto de lei e \u00e0 lei da Comiss\u00e3o da Verdade<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela oportunidade, procuramos apresentar os graves limites da Comiss\u00e3o, no sentido de que suas atribui\u00e7\u00f5es, em \u00faltima inst\u00e2ncia, n\u00e3o buscam a responsabiliza\u00e7\u00e3o penal dos agentes da repress\u00e3o. Quanto muito busca esclarecimento de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, sempre no uso de refer\u00eancias gen\u00e9ricas, inclusive mencionando a apura\u00e7\u00e3o de supostos crimes cometidos pela esquerda. Ainda, a Comiss\u00e3o carecer\u00e1 do apoio humano e log\u00edstico de outros \u00f3rg\u00e3os governamentais, o que comprometer\u00e1 ainda mais sua independ\u00eancia. Por fim, alegando a defesa da intimidade dos envolvidos, existe a possibilidade de amplos sigilos sobre documentos e informa\u00e7\u00f5es obtidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\"><b>Breve perfil dos membros da Comiss\u00e3o.<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eleitos pela presidente Dilma, o perfil dos membros \u00e9 evidentemente t\u00e9cnico e jur\u00eddico, inclusive com alguns nomes estranhos \u00e0s causas da resist\u00eancia. Ora, nossa cr\u00edtica anterior fora justamente no sentido de que, se a ditadura foi um atentado contra todo o povo brasileiro, nada mais justo do que a elei\u00e7\u00e3o popular dos membros. Ainda, os membros n\u00e3o possuem representantes diretos dos familiares dos mortos, desaparecidos, bem como dos ex-combatentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tecendo breves coment\u00e1rios sobre cada um deles,\u00a0<b>Jos\u00e9 Carlos Dias\u00a0<\/b>foi ministro da Justi\u00e7a do neoliberal governo Fernando Henrique, cujo partido, o PSDB, \u00e9 um dos pilares da quatrocentona elite paulista, muito comprometida com seu hist\u00f3rico golpismo e de \u00f3dio contra os pobres.\u00a0<b>Gilson Dipp<\/b>, ministro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, durante o julgamento e condena\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro pela OEA por conta dos crimes cometidos durante a Guerrilha do Araguaia, ficou conhecido pelo posicionamento favor\u00e1vel \u00e0 Lei da Anistia, o institucional perd\u00e3o concedido aos agentes da repress\u00e3o.\u00a0<b>Rosa Maria Cardoso da Cunha<\/b>\u00a0foi advogada de presos pol\u00edticos durante a ditadura, inclusive advogando para a presidente Dilma e seu ex-marido.\u00a0<b>Cl\u00e1udio Fonteles<\/b>\u00a0foi procurador-geral da Rep\u00fablica do igualmente neoliberal (ainda que reformado) governo Lula, \u00e9 tamb\u00e9m conhecido pelo seu conservadorismo na pol\u00eamica em torno do aborto de anenc\u00e9falos, contanto com ampla simpatia da reacion\u00e1ria bancada evang\u00e9lica.\u00a0<b>Paulo S\u00e9rgio Pinheiro<\/b>, soci\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 diplomata e militante em direitos humanos, sendo atualmente presidente da Comiss\u00e3o Internacional Independente de Investiga\u00e7\u00e3o da ONU para a S\u00edria.\u00a0<b>Maria Rita Kehl<\/b>, \u00e9 psicanalista e escritora, editou a se\u00e7\u00e3o de cultura em &#8220;Movimento&#8221; e &#8220;Em Tempo&#8221;, peri\u00f3dicos de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura militar, e atualmente \u00e9 cr\u00edtica da unilateralidade de reconcilia\u00e7\u00e3o promovida pela anistia.\u00a0<b>Jos\u00e9 Cavalcante Filho<\/b>\u00a0foi ministro da justi\u00e7a do governo Sarney e atualmente \u00e9 advogado em Recife.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\"><b>Sobre o apoio \u00e0 Comiss\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que Comiss\u00e3o da Verdade n\u00e3o atende aos interesses populares. Deficit\u00e1ria e tendenciosa, sua fun\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o preenchimento formal de uma lacuna pol\u00edtica na hist\u00f3ria do Brasil. \u00c9 preciso esclarecer pontos propositalmente obscurecidos. Nunca houve &#8220;dois lados&#8221; na viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. S\u00f3 houve um lado criminoso: o regime militar. Imputar, \u00e0 esquerda revolucion\u00e1ria, crimes quando da sua resist\u00eancia armada \u00e0 ditadura \u00e9 como, no contexto da Segunda Guerra Mundial, criminalizar a resist\u00eancia francesa durante a ocupa\u00e7\u00e3o nazista ou levar judeus combatentes ao banco dos r\u00e9us no Tribunal de Nuremberg.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem deu o golpe em 1964 foi uma elite civil e militar. A direita esbanja moralismo quando argui a defesa da legalidade, mas \u00e9 a primeira a dar golpes de Estado quando assim melhor lhe parecer. A grande v\u00edtima em 64 foi o povo brasileiro, cujas parcelas mais audazes reagiram, ainda que numa monstruosa despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. E mais: em sua esmagadora maioria, os combatentes da resist\u00eancia ou foram mortos ou foram, ap\u00f3s torturas, julgados e condenados criminalmente pelo Estado de Exce\u00e7\u00e3o. Assim, nada mais contradit\u00f3rio do que se pretender a apura\u00e7\u00e3o dos &#8220;crimes&#8221; (um termo inapropriado, pois resist\u00eancia contra opress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um erro, mas um ato humanit\u00e1rio) cometidos pela esquerda armada. Trata-se de uma das mais vulgares fal\u00e1cias da direita elitista e golpista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, cabe \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es da esquerda se agruparem em torno de uma alternativa, uma\u00a0<b>Comiss\u00e3o Popular da Verdade<\/b>, dando as costas \u00e0 fraude institucional. Uma exemplar iniciativa nesse sentido fora promovida pelo\u00a0<b>Levante Popular da Juventude<\/b>\u00a0e seu &#8220;escracho popular&#8221; contra conhecidos antigos agentes da repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A justi\u00e7a popular faz-se necess\u00e1ria, colocando abaixo as r\u00e9deas da domesticadora legalidade. \u00c9 preciso um processo de justi\u00e7a do povo que passe por cima da institucionalidade burguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL: NOVA MANOBRA DO GOVERNO NA EDUCA\u00c7\u00c3O P\u00daBLICA<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica no Brasil tem apresentado um quadro de desola\u00e7\u00e3o, e a cada dia a precariza\u00e7\u00e3o das escolas tem sido not\u00edcias nos jornais e na m\u00eddia em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os governos Federal (PT) e Estadual (PSDB) n\u00e3o investem na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, e assim criam paliativos para ludibriar a popula\u00e7\u00e3o, investindo em poucas escolas e usando estas como exemplos em suas campanhas eleitorais. Essa falta de investimento afeta tamb\u00e9m grande parte das universidades federais, que nesse \u00faltimo per\u00edodo permanecem em greve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\"><b>A pol\u00edtica de retirada de direitos dos trabalhadores da Educa\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo do Estado de S\u00e3o Paulo criou um novo modelo de escola, conhecida como Escola de Tempo Integral \u2013 que tamb\u00e9m \u00e9 uma pol\u00edtica do Governo Federal \u2013, onde os diretores, professores e funcion\u00e1rios s\u00e3o contratados por perfil, passando por entrevistas na diretoria de ensino, e desrespeitando a liberdade de trabalho dos profissionais da Educa\u00e7\u00e3o. Esse profissional recebe um acr\u00e9scimo de 50% sobre o sal\u00e1rio base, mas permanece na escola 40 horas semanais e \u00e9 convocado para atividades extras aos s\u00e1bados. Assim, esse professor se torna uma marionete do Estado, n\u00e3o podendo questionar ou denunciar os problemas que ocorrem dentro da escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira escola em que este modelo foi implantado \u2013 Jardim Riviera, Santo Andr\u00e9 \u2013, as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o prec\u00e1rias e, apesar de o pr\u00e9dio ser novo, h\u00e1 falta de materiais como livros, apostilas e xerox, que s\u00e3o tomados emprestados de escolas vizinhas; n\u00e3o h\u00e1 computadores para a sala de inform\u00e1tica; m\u00e1quinas de xerox e laborat\u00f3rio n\u00e3o funcionam; apenas 6 salas funcionam; dentre outros problemas deste grande elefante branco, que \u00e9 mais uma experi\u00eancia do governo para mostrar \u00edndice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\"><b>O Governo cria escolas de tempo integral para conter os problemas sociais<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Escola de Tempo Integral mant\u00e9m os alunos dentro das escolas das 8h00 \u00e0s 17h30 em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, pois n\u00e3o proporciona quase nenhuma atividade diferenciada no segundo per\u00edodo, como cursos profissionalizantes, prepara\u00e7\u00e3o para o ingresso em Universidades P\u00fablicas ou forma\u00e7\u00e3o profissional, tornando-se um dep\u00f3sito de alunos, com o objetivo de conten\u00e7\u00e3o dos problemas sociais. D\u00e1-se alguma prioridade a poucas escolas, geralmente dos centros, e deixa-se a grande maioria das escolas p\u00fablicas em situa\u00e7\u00e3o de total precariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso cobrar dos governos o investimento de 10% do PIB na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica j\u00e1, para que realmente ocorra qualidade no Ensino P\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\"><b>Como ocorre a implanta\u00e7\u00e3o desse novo modelo de Escola de Tempo Integral<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As escolas que est\u00e3o na mira do Estado para transformarem-se em escolas de tempo integral passam por uma transfer\u00eancia dos professores e diretores efetivos da escola, que lecionam h\u00e1 anos e s\u00e3o obrigados a ir para outras unidades escolares. Os alunos, por sua vez, tamb\u00e9m n\u00e3o podem concluir seus estudos na mesma escola, j\u00e1 que ocorre separa\u00e7\u00e3o dos ensinos fundamental II e m\u00e9dio e ent\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio transferir-se para outras escolas, provavelmente mais distantes do local em que se mora, tendo que pagar transporte e correndo o risco de ficar sem vaga \u2013 j\u00e1 h\u00e1 casos assim no Riviera, com alunos que n\u00e3o queriam mais ficar em per\u00edodo integral, ou que n\u00e3o podiam mais porque arranjaram um emprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 a pol\u00edtica do governo: priorizar algumas escolas centrais para mostrar \u00edndices e manter as escolas da periferia apenas como \u201cdep\u00f3sito\u201d, n\u00e3o investindo realmente em educa\u00e7\u00e3o de qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro grande problema enfrentado dentro das escolas, e que vem se agravando a cada dia, s\u00e3o as press\u00f5es sobre os professores e alunos, como se fosse poss\u00edvel conseguir bons resultados nas avalia\u00e7\u00f5es externas, num sistema de ensino defasado, que negligencia as demandas mais urgentes das escolas, n\u00e3o valoriza seus profissionais, \u00e9 pautada na progress\u00e3o continuada, que aprova alunos sem as m\u00ednimas no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de aprendizado, age de forma cada vez mais autorit\u00e1ria com professores e alunos, pressiona e faz com que alunos pe\u00e7am transfer\u00eancia para outras escolas, mas sem encontrar chances de sanar suas dificuldades, que s\u00e3o provocadas pelo pr\u00f3prio sistema educacional do governo PSDB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\"><b>O Estado tem como objetivo privatizar o ensino p\u00fablico<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem aumentado tamb\u00e9m as interfer\u00eancias de empresas privadas na Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, patrocinando e implementando projetos como o Projeto Jovem de Futuro, da Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa Social, parcerias com outros bancos, com empresas como O Botic\u00e1rio, Natura, etc. Estas empresas fazem acordos com os governos, recebendo benef\u00edcios como isen\u00e7\u00e3o de impostos, forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra barata e que atende especificamente os interesses de suas empresas, e al\u00e9m disso, conseguem maior notabilidade social, ganhando certificados de qualidade ISO 9000, apoios pol\u00edticos e uma imagem de impulsionadores de iniciativas que melhoram a vida de todos os brasileiros.\u00a0\u00a0Esse processo de acordos entre empresas privadas e nossos governos leva a uma pol\u00edtica de privatiza\u00e7\u00e3o da escola p\u00fablica, a exemplo do que j\u00e1 ocorre no Chile, onde todo processo educacional \u00e9 privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pol\u00edtica que \u00e9 aplicada pelo governo do Estado de S\u00e3o Paulo (PSDB) \u00e9 a mesma pol\u00edtica do Governo Federal (PT) para Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, por esse motivo a APEOESP Central, representada pela Maria Isabel Noronha (Articula\u00e7\u00e3o), ligada ao Governo Federal, n\u00e3o tem interesse em preparar uma campanha de peso contra as mudan\u00e7as que vem sendo impostas \u00e0s escolas p\u00fablicas, e que prejudicam a toda popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"color: #333333;\"><b>Todos em defesa da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica de qualidade<\/b><\/span><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u00a0 Defendemos educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade para todos, e repudiamos qualquer forma de exclus\u00e3o;<\/li>\n<li>\u00a0 10% do PIB para a Educa\u00e7\u00e3o j\u00e1;<\/li>\n<li>\u00a0 N\u00e3o ao acordo com empresas privadas;<\/li>\n<li>\u00a0 Garantia dos direitos dos professores de escola p\u00fablica;<\/li>\n<li>\u00a0 Concurso p\u00fablico para todos os professores;<\/li>\n<li>\u00a0 Escola de tempo integral, com investimento e com qualidade para todos os estudantes, e garantia dos direitos dos professores;<\/li>\n<li>\u00a0 Atribui\u00e7\u00e3o por classifica\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>\u00a0 50% da jornada para prepara\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o de atividades;<\/li>\n<li>\u00a0 Fim da promo\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica;<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos em defesa da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade, devemos denunciar na m\u00eddia, com cartas abertas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, com carros de som, etc. \u00c9 necess\u00e1ria a uni\u00e3o de professores, alunos, pais e popula\u00e7\u00e3o em geral em defesa de nossos direitos e por uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade pra todos, com a participa\u00e7\u00e3o nos conselhos de escola, e que a comunidade se organize contra esse projeto, lutando por outro projeto de qualidade para a educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos contra a forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra prec\u00e1ria para garantir a manuten\u00e7\u00e3o do Sistema Capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Nota:<\/b> O Espa\u00e7o Socialista \u00e9 um jornal que, al\u00e9m de divulgar as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e te\u00f3ricas da organiza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m se presta ao debate com outros militantes e organiza\u00e7\u00f5es com os quais mantemos rela\u00e7\u00f5es fraternais. \u00c9 nesse esp\u00edrito que publicamos o texto a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>O GRANDE AUSENTE<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"center\">Ivo Tonet<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta pe\u00e7a, que \u00e9 o momento atual da hist\u00f3ria da humanidade, est\u00e1 faltando um personagem. E n\u00e3o \u00e9 um personagem qualquer, mas um dos mais importantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos dois personagens mais importantes desta pe\u00e7a, apenas um est\u00e1 presente. Trata-se da burguesia. Esta continua, com toda for\u00e7a a representar o seu papel. Ela continua a levar adiante, a ferro e fogo, o seu projeto mesmo que isso comprometa o futuro da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lugar do outro personagem, o proletariado, infelizmente est\u00e1 vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizem, at\u00e9, que ele abandonou definitivamente a cena e que o seu papel teria sido assumido por outros personagens. Entendo que isso n\u00e3o \u00e9, de modo nenhum verdade. Tanto do ponto de vista te\u00f3rico, como do ponto de vista emp\u00edrico, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma prova de que o proletariado tenha desaparecido e de que o seu papel de protagonista fundamental da revolu\u00e7\u00e3o tenha sido assumido por outros personagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este lugar, o\u00a0 de personagem fundamental na dire\u00e7\u00e3o do processo revolucion\u00e1rio pertence ao proletariado n\u00e3o por uma defini\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica, mas por sua posi\u00e7\u00e3o no processo concreto de produ\u00e7\u00e3o da riqueza no capitalismo. Por sua posi\u00e7\u00e3o neste processo \u00e9 ele, como j\u00e1 afirmavam Marx e Engels no <i>Manifesto do Partido Comunista, <\/i>a \u00fanica classe efetivamente revolucion\u00e1ria uma vez que somente ela tem uma contradi\u00e7\u00e3o absolutamente antag\u00f4nica com o capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante todas as transforma\u00e7\u00f5es sofridas pelo processo produtivo, especialmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, que resultaram em enormes mudan\u00e7as na classe oper\u00e1ria, esta continua a ocupar o lugar de antagonista radical do capital, pois \u00e9 ela que produz, ao mesmo tempo, a riqueza material, a mais-valia e o capital. Nem sequer do ponto de vista quantitativo existem provas de que a classe oper\u00e1ria tenha diminu\u00eddo de modo muito significativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante ela estar ausente, hoje, como protagonista ativo e consciente, deste lugar, ele lhe pertence por natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o, ent\u00e3o, \u00e9: por que este lugar est\u00e1 vazio? Por que a classe oper\u00e1ria est\u00e1 ausente\u00a0 dessa tarefa de conduzir a luta revolucion\u00e1ria contra o capital?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta a essa pergunta \u00e9 da m\u00e1xima import\u00e2ncia, pois dela depender\u00e1 a identifica\u00e7\u00e3o dos entraves que se op\u00f5em a que o proletariado volte a assumir o seu papel de dirigente do processo revolucion\u00e1rio. Todavia, a resposta a essa quest\u00e3o \u00e9 muito complexa, pois implicaria examinar o processo hist\u00f3rico acontecido desde as primeiras lutas oper\u00e1rias a partir do s\u00e9culo XIX.\u00a0 Dada a brevidade desse texto, n\u00e3o poderei mais do que indicar dois elementos que me parecem fundamentais. Embora apresentados separadamente, eles n\u00e3o podem ser considerados de modo isolado, pois fazem parte de um mesmo processo e se determinam mutuamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas no processo produtivo, com rebatimentos em todas as outras dimens\u00f5es sociais. Estas transforma\u00e7\u00f5es, que resultam sempre das peri\u00f3dicas crises sofridas pelo capital, levaram a mudan\u00e7as no interior da pr\u00f3pria classe trabalhadora. Uma dessas mudan\u00e7as teve relev\u00e2ncia especial. Trata-se da divis\u00e3o que se estabeleceu\u00a0 entre uma camada de trabalhadores que, durante o per\u00edodo de desenvolvimento que medeia entre uma crise e outra do capital, teve acesso a ganhos mais significativos e, portanto, a um padr\u00e3o de vida mais elevado. Esta situa\u00e7\u00e3o colocou esta parcela da classe trabalhadora em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 maioria da mesma classe que n\u00e3o teve acesso aos mesmos ganhos. \u00c9 a famosa \u201caristocracia oper\u00e1ria\u201d de que falava Lenin. Ocupando os postos na maioria das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, esta parcela, mais interessada em manter e melhorar os seus ganhos do que em fazer a revolu\u00e7\u00e3o, imprimiu \u00e0s lutas da classe oper\u00e1ria um car\u00e1ter fortemente reformista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar, e de modo articulado com a primeira quest\u00e3o, a mudan\u00e7a da centralidade do trabalho para a centralidade da pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para evitar mal-entendidos, esclare\u00e7o que, por centralidade do trabalho entendo, de um lado, o fato de que o trabalho, isto \u00e9, a transforma\u00e7\u00e3o da natureza para produzir valores de uso \u00e9 o fundamento do mundo social. De outro lado, o fato de que, no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, a classe oper\u00e1ria \u00e9 o sujeito fundamental \u2013 embora n\u00e3o \u00fanico \u2013 da revolu\u00e7\u00e3o. Por esses dois motivos, uma revolu\u00e7\u00e3o comunista implica, necessariamente, uma transforma\u00e7\u00e3o na forma do trabalho que elimine o trabalho assalariado e o substitua pelo trabalho associado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, por centralidade da pol\u00edtica entendo a atribui\u00e7\u00e3o ao Estado, que \u00e9 o n\u00facleo central do poder pol\u00edtico, a tarefa de conduzir o processo de supera\u00e7\u00e3o do capitalismo e de constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade comunista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto pela via reformista (socialdemocracia) quanto pela via revolucion\u00e1ria (de tipo sovi\u00e9tico) a tarefa de conduzir a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo e de construir o comunismo foi atribu\u00edda ao Estado. Ambas as vias, por caminhos diferentes \u2013 a primeira pela via da reforma e a segunda pela via da coexist\u00eancia pac\u00edfica \u2013 imprimiram \u00e0 luta da classe oper\u00e1ria um car\u00e1ter predominantemente reformista. De um lado, tratava-se de chegar ao comunismo pela via das conquistas parciais e paulatinas, sem, portanto, confrontar direta e radicalmente o capital e o Estado. De outro lado, tratava-se de defender a \u201cp\u00e1tria do socialismo\u201d &#8211; a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u2013 na cren\u00e7a de que o capitalismo seria vencido pela atra\u00e7\u00e3o que esse socialismo em constru\u00e7\u00e3o exerceria nos pr\u00f3prios pa\u00edses capitalistas. Colabora\u00e7\u00e3o de classes e n\u00e3o confronto passou, ent\u00e3o, a ser o tom das lutas da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, a classe oper\u00e1ria foi perdendo o horizonte revolucion\u00e1rio, deixando de assumir o seu protagonismo como inimiga radical do capital e pautando as suas lutas apenas por melhorias pontuais, que n\u00e3o questionavam a ordem social capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhuma outra classe, nenhuma outra categoria, nenhum outro movimento social pode ocupar este lugar que pertence, por natureza, \u00e0 classe oper\u00e1ria. As lutas de todos os outros segmentos sociais s\u00e3o, sem d\u00favida, importantes, mas elas s\u00f3 ganhar\u00e3o um sentido revolucion\u00e1rio na medida em que estiverem norteadas pela luta\u00a0 da classe oper\u00e1ria contra o capital e contra o seu mais importante sustent\u00e1culo que \u00e9 o Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contribuir, hoje, para que a classe oper\u00e1ria volte a ocupar o seu lugar de antagonista radical do capital e lidere o processo revolucion\u00e1rio \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a resolu\u00e7\u00e3o dos grav\u00edssimos problemas com os quais se debate a humanidade. Esta \u00e9, pois, uma important\u00edssima tarefa de todos aqueles que est\u00e3o comprometidos com um futuro digno para a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Macei\u00f3, abril de 2012<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h2>MEGAEVENTOS: E EU COM ISSO?<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\">Coletivo L\u00eanin<\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\"><b>Nota:<\/b> O texto abaixo \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o do Coletivo L\u00eanin (Rio de Janeiro). O Espa\u00e7o Socialista n\u00e3o tem posi\u00e7\u00e3o sobre as iniciativas de luta mencionadas no texto, vez que delas n\u00e3o participou. Esclarecemos tamb\u00e9m que discordamos da caracteriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica realizada pelo Coletivo L\u00eanin no que diz respeito ao PSOL e PSTU.<\/address>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos pr\u00f3ximos anos o Brasil e o Rio de Janeiro sediar\u00e3o os dois maiores eventos esportivos do mundo: a Copa de 2014 e as Olimp\u00edadas de 2016, fatos muito comemorados pela maioria dos brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Rio de Janeiro est\u00e1 recebendo projetos bilion\u00e1rios que visam preparar a cidade para receber esses megaeventos. As obras incluem instala\u00e7\u00f5es esportivas, reconstru\u00e7\u00e3o interna do est\u00e1dio do Maracan\u00e3, infraestrutura no campo dos transportes (moderniza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do metro, constru\u00e7\u00e3o de corredores de \u00f4nibus, v\u00e1rias obras de acesso \u00e0s \u00e1reas urbanas e reforma do Aeroporto Internacional Tom Jobim) e projetos de \u201crevitaliza\u00e7\u00e3o\u201d da zona portu\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses projetos aparecem na m\u00eddia burguesa como grandes empreendimentos que trar\u00e3o melhorias de infraestrutura, crescimento econ\u00f4mico e mais seguran\u00e7a. Mas o que todo trabalhador deve se perguntar \u00e9 o que realmente vamos ganhar com tudo isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso, precisamos recordar as experi\u00eancias recentes como o Pan-americano de 2007. Com o Pan no Rio, os resultados que mais chamaram a aten\u00e7\u00e3o foram a Chacina no Complexo do Alem\u00e3o e a luxuosa Vila Ol\u00edmpica na faixa de expans\u00e3o imobili\u00e1ria, na Barra da Tijuca, com verba da Caixa Econ\u00f4mica Federal e com recursos do FAT (Fundo de Amparo do trabalhador) para ser vendida por ricos especuladores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos estar bem atentos e saber traduzir toda ideologia falseadora da realidade e entender quem s\u00e3o os verdadeiros beneficiados com todo esse investimento.\u00a0 Vivemos numa conjuntura de crise mundial do capitalismo, com isso o capital precisa a todo o custo expandir sua margem de mais valia. Os megaeventos s\u00e3o a desculpa para os empres\u00e1rios, por interm\u00e9dio do Estado, promoverem diversas atrocidades com os trabalhadores, utilizando as falsas promessas de trazerem melhoria de qualidade de vida e aproveitando\u00a0 do \u2018\u2019patriotismo da cidade maravilhosa\u2019\u2019 para conseguir apoio das classes populares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade quem est\u00e1 rindo a toa com todos esses investimentos s\u00e3o os empres\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil, do turismo e especuladores imobili\u00e1rios. Eles sim v\u00e3o ser os verdadeiros beneficiados com seus lucros exorbitantes, mas para os trabalhadores mais pobres, na maioria negros e mulheres, os efeitos desses projetos de interven\u00e7\u00e3o urbana s\u00e3o os despejos de ocupa\u00e7\u00f5es, remo\u00e7\u00f5es de favelas, aumento da repress\u00e3o para o camel\u00f4 com choque de ordem, ocupa\u00e7\u00e3o militar da favela com as UPPS e o aumento do custo de vida em geral. E quanto mais pr\u00f3ximo estivermos da realiza\u00e7\u00e3o dos jogos da Copa e Olimp\u00edadas, mais o Estado de exce\u00e7\u00e3o vai se aprofundar para garantir a tranquilidade necess\u00e1ria para aumentar os lucros dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os principais respons\u00e1veis por construir toda a infraestrutura para realiza\u00e7\u00e3o desses megaeventos, os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil, tamb\u00e9m est\u00e3o sendo massacrados com suas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta situa\u00e7\u00e3o ficou evidente quando foi a publico um dos acidentes que ocorreram nas obras desses projetos, a explos\u00e3o de um barril de produtos qu\u00edmicos no est\u00e1dio do Maracan\u00e3, ferindo oper\u00e1rios, o que serviu para mostrar como est\u00e3o sendo tratados os oper\u00e1rios que est\u00e3o trabalhando sob press\u00e3o e riscos alt\u00edssimos. Esta explos\u00e3o foi o estopim para que os oper\u00e1rios declarassem\u00a0 greve, reivindicando: aumento salarial, aumento do vale alimenta\u00e7\u00e3o e um plano de sa\u00fade. Em junho, oper\u00e1rios que trabalham na reforma do Mineir\u00e3o tamb\u00e9m fizeram greve reenvidando aumento de sal\u00e1rio e melhores condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante disso, temos uma luta longa pela frente. Pelo menos at\u00e9 2016 vamos nos deparar com esses ataques \u00e0 classe trabalhadora. Portanto, precisamos cada vez mais fortalecer a unidade entre os movimentos sociais e sindicatos para resistirmos juntos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram criados pelo Brasil nos Estados sede da Copa Comit\u00eas Populares da Copa, no Rio de Janeiro foi, por sua particularidade, criado o Comit\u00ea Popular da Copa e Olimp\u00edada. No dia 30 de Junho, ocorreu o sorteio das chaves da Copa na Marina da Gl\u00f3ria. Como resposta o Comit\u00ea Popular organizou um grande ato que marchou do Largo do Machado at\u00e9 o evento. Nessa manifesta\u00e7\u00e3o ficou bem claro como n\u00e3o podemos confiar nas dire\u00e7\u00f5es desse comit\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para come\u00e7ar, nas plen\u00e1rias de constru\u00e7\u00e3o do ato, dirigentes do PT e PSOL, com a desculpa de manter a unidade, tentaram frear a todo o custo as cr\u00edticas ao Governo Dilma, como se ela n\u00e3o estivesse envolvida at\u00e9 o pesco\u00e7o com essa Copa, e no pr\u00f3prio ato tiveram um papel ainda mais pelego, que foi o de querer parar o ato a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do local onde estava sendo realizado o sorteio. Mesmo assim a indigna\u00e7\u00e3o dos que est\u00e3o sofrendo com as remo\u00e7\u00f5es e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho fez com que o Ato avan\u00e7asse em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Marina da Gl\u00f3ria indiferente \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do carro de som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegando a frente ao pared\u00e3o policial composto pelo choque e a Policia Federal respons\u00e1vel por manter a \u201cpaz\u201d da festa dos ricos, a esquerda oficial (PT, PSOL e PSTU) recuaram e o Coletivo L\u00eanin, a FIST (Frente Internacionalista dos Sem-tetos), a RECC (Rede de Estudantes Classistas e Combativos), AIR (Acampamento Ind\u00edgena Revolucion\u00e1rio), o Coletivo Alexandra Kollontai, RR (Reagrupamento Revolucion\u00e1rio) e os professores acampados em greve a revelia da dire\u00e7\u00e3o do SEPE foram \u00e0 frente das lutas conseguindo desafiar a amea\u00e7a de repress\u00e3o policial e for\u00e7aram a entrega da carta de reivindica\u00e7\u00e3o por uma Copa do Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa experi\u00eancia foi importante para aprendemos que devemos caminhar nessa longa jornada de luta contra os efeitos dos megaeventos dos empres\u00e1rios, sem nos guiar por essas dire\u00e7\u00f5es institucionalizadoras da luta social, que desviam o foco da luta para a mesa de negocia\u00e7\u00e3o do patr\u00e3o, e seguirmos na luta organizados, confiando nas nossas pr\u00f3prias for\u00e7as pela via da a\u00e7\u00e3o direta das massas, ocupando as ruas e barrando as remo\u00e7\u00f5es, despejos, unindo-se a luta dos oper\u00e1rios\u00a0da constru\u00e7\u00e3o civil, profissionais da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, defendemos: Verba para educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e\u00a0habita\u00e7\u00e3o, N\u00e3o \u00e0 Copa do Patr\u00e3o!<br \/>\nQue todas as Vilas Ol\u00edmpicas constru\u00eddas sejam futuramente destinadas \u00e0 habita\u00e7\u00e3o popular.<br \/>\nO fim das remo\u00e7\u00f5es, despejos e expuls\u00e3o dos trabalhadores das regi\u00f5es centrais. Que o planejamento dos investimentos seja feito por conselhos de trabalhadores.<br \/>\nQue os investimentos em transportes se traduzam em diminui\u00e7\u00e3o das tarifas e no fim da precariza\u00e7\u00e3o, superlota\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia vivenciadas diariamente nos trens, metr\u00f4s e \u00f4nibus da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo7\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A CRISE E A DECOMPOSI\u00c7\u00c3O DA \u201cEUROPA SOCIAL\u201d<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Europa foi durante d\u00e9cadas o continente com o melhor n\u00edvel de vida do planeta. O chamado \u201cEstado do bem estar social\u201d europeu foi fruto da pol\u00edtica adotada ao final da II Guerra Mundial para reconstruir o capitalismo e evitar uma revolu\u00e7\u00e3o socialista no continente. Foram feitas concess\u00f5es aos trabalhadores para evitar que se organizassem para tomar o poder e impor suas reivindica\u00e7\u00f5es por meio da luta. Empregos praticamente vital\u00edcios, altos sal\u00e1rios, jornadas de 8 horas ou menos, seguro-desemprego, aposentadoria, sa\u00fade p\u00fablica de qualidade, educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e universal garantida at\u00e9 a universidade, transporte p\u00fablico, moradia, etc. Durante d\u00e9cadas os trabalhadores europeus tiveram essas condi\u00e7\u00f5es de vida como direitos praticamente naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A eros\u00e3o do \u201cEstado do bem estar social\u201d come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1970, por conta do pr\u00f3prio esgotamento do per\u00edodo de crescimento do p\u00f3s-guerra. O capitalismo entra no per\u00edodo que chamamos de crise estrutural, quando n\u00e3o h\u00e1 mais fronteiras para expans\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel fazer concess\u00f5es. A \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 crescer artificialmente atrav\u00e9s do endividamento e da especula\u00e7\u00e3o financeira desenfreadas e retomar as conquistas sociais concedidas aos trabalhadores no passado. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980 tornam-se hegem\u00f4nicas nos pa\u00edses imperialistas as chamadas pol\u00edticas neoliberais, que preveem um ataque direto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, leis anti-sindicais e anti-greve, retirada de direitos sociais e trabalhistas, privatiza\u00e7\u00e3o de empresas e servi\u00e7os p\u00fablicos, desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira, impulso \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es. O capitalismo d\u00e1 o salto para o seu per\u00edodo de mundializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O neoliberalismo enquanto receitu\u00e1rio de pol\u00edtica econ\u00f4mica n\u00e3o foi o suficiente para relan\u00e7ar o crescimento da economia nos n\u00edveis do p\u00f3s-guerra (o que ali\u00e1s n\u00e3o seria jamais alcan\u00e7ado novamente) nem nos Estados Unidos nem na Europa, mas na d\u00e9cada de 1990 entraram em cena duas ilus\u00f5es ideol\u00f3gicas que tiveram importante resultado pol\u00edtico para a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo europeu. A primeira delas foi a queda do muro de Berlim e dos Estados burocr\u00e1ticos (URSS e seus sat\u00e9lites) entre 1989 e 91, que foi propagandeada como o \u201cfim do socialismo\u201d (ainda que aqueles pa\u00edses n\u00e3o fossem socialistas) e vit\u00f3ria definitiva do capitalismo, sob a forma de \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d, fatos que tiveram impacto mundial contra as id\u00e9ias socialistas e as lutas dos trabalhadores em geral. A segunda foi a transforma\u00e7\u00e3o do Mercado Comum Europeu em Uni\u00e3o Europ\u00e9ia (UE) com o tratado de Maastricht em 1992, que teve como\u00a0 resultado a implanta\u00e7\u00e3o do euro, em 1999 (sob a forma de c\u00e9dulas e moedas a partir de 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A ilus\u00e3o do euro<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrada em vigor da UE e do Euro serviram n\u00e3o s\u00f3 para dar novo f\u00f4lego ao capitalismo europeu, mas funcionaram tamb\u00e9m como sustent\u00e1culo para o discurso pol\u00edtico de uma \u201cEuropa social\u201d como contraposi\u00e7\u00e3o ao capitalismo neoliberal \u201cpuro\u201d e \u00e0 \u201clei da selva\u201d que vigora por exemplo nos Estados Unidos. No in\u00edcio do novo s\u00e9culo a hegemonia pol\u00edtica e econ\u00f4mica dos Estados Unidos estava sendo questionada por eventos como a quebra da bolsa de valores virtual (NASDAQ) em 2000 e os atentados de 11 de setembro de 2001, al\u00e9m do crescimento de pa\u00edses como China, R\u00fassia e \u00cdndia. A Europa aparecia como um modelo alternativo de sociedade, com um capitalismo mais \u201chumanizado\u201d, e o euro aparecia ent\u00e3o como a moeda que se candidatava para substituir o d\u00f3lar como principal moeda mundial, no contexto de um mundo chamado \u201cmultipolar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para utilizar a moeda comum europ\u00e9ia os pa\u00edses teriam que se comprometer com certas taxas de c\u00e2mbio no per\u00edodo de converg\u00eancia entre as moedas, baixos \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o, baixo d\u00e9ficit p\u00fablico (3% do PIB), baixa d\u00edvida p\u00fablica (at\u00e9 60% do PIB), entre outras condi\u00e7\u00f5es. Utilizam hoje o euro gigantes como Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Espanha e pa\u00edses menores como \u00c1ustria, B\u00e9lgica, Chipre, Eslov\u00e1quia, Eslov\u00eania, Est\u00f4nia, Finl\u00e2ndia, Gr\u00e9cia, Irlanda, Luxemburgo, Malta, Pa\u00edses Baixos e Portugal. O euro \u00e9 emitido pelo Banco Central Europeu (BCE), com sede em Frankfurt, na Alemanha. A UE tem sede em Bruxelas, na B\u00e9lgica, e compreende mais 10 pa\u00edses, dos quais alguns, como a Inglaterra, optaram por ficar fora do euro, e outros se candidatam a ingressar e \u201cesperam na fila\u201d at\u00e9 atingirem as condi\u00e7\u00f5es. A UE fiscaliza o cumprimento das condi\u00e7\u00f5es para participa\u00e7\u00e3o no euro, al\u00e9m de impor outras medidas sobre os Estados Nacionais para que adaptem suas legisla\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da implanta\u00e7\u00e3o do euro, a UE criou medidas compensat\u00f3rias que por algum tempo pareceram aliviar a pobreza e diminuir o abismo entre as grandes pot\u00eancias e os pa\u00edses ou regi\u00f5es mais pobres do continente, como Irlanda, Portugal, Gr\u00e9cia e o sul da It\u00e1lia. Isso fez parecer que ingressar no euro era um grande neg\u00f3cio. Mas entre as principais condi\u00e7\u00f5es para ingresso no euro est\u00e3o as mudan\u00e7as nas legisla\u00e7\u00f5es trabalhistas, que devem ser \u201cflexibilizadas\u201d para que os capitalistas europeus encontrem as mesmas condi\u00e7\u00f5es em todos os pa\u00edses. A UE foi vendida aos europeus como um espa\u00e7o de \u201clivre circula\u00e7\u00e3o\u201d de pessoas, mas quem encontra real liberdade de circula\u00e7\u00e3o \u00e9 o capital. As empresas podem migrar dos pa\u00edses onde os sal\u00e1rios s\u00e3o mais altos e os trabalhadores tem mais prote\u00e7\u00e3o para aqueles onde a m\u00e3o de obra \u00e9 mais barata, e ao mesmo tempo podem vender seus produtos em todo o continente. Come\u00e7ou assim uma \u201ccorrida\u201d entre os governos para aprovar medidas anti-trabalhistas, que reduzissem o custo da m\u00e3o de obra nos seus pa\u00edses, para atrair o investimento externo. Na pr\u00e1tica, portanto, a UE n\u00e3o \u00e9 um anteparo ao neoliberalismo, mas a forma da sua consolida\u00e7\u00e3o na Europa. A defesa do euro e da UE \u00e9 na verdade a defesa do neoliberalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe destacar que essas medidas neoliberais foram aplicadas tanto pelos partidos conservadores como pelos partidos trabalhistas, socialistas e social-democratas que se reivindicam como \u201cesquerda\u201d. Esses partidos se revezam com os conservadores nos governos de toda a Europa aplicando as mesmas medidas, contando com a colabora\u00e7\u00e3o das centrais sindicais e entidades \u201coficiais\u201d dos trabalhadores. Controlados direta ou indiretamente por burocratas desses partidos (ou dos antigos partidos comunistas reciclados), os sindicatos n\u00e3o apenas deixaram de encaminhar as lutas como s\u00e3o colaboradores ativos das medidas estatais e patronais. N\u00e3o h\u00e1 controle da base sobre os dirigentes, que podem legitimar acordos lesivos aos trabalhadores e evitar a organiza\u00e7\u00e3o e a luta em defesa dos sal\u00e1rios, direitos e condi\u00e7\u00f5es de vida. Quando a insatisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande, convocam-se greves de 24 horas ou paralisa\u00e7\u00f5es limitadas, que t\u00eam o efeito de \u201cdesabafo\u201d e v\u00e1lvula de escape para aliviar press\u00e3o que vem dos trabalhadores, mas n\u00e3o se transformam em lutas conseq\u00fcentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Os trabalhadores contra a troika<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi justamente durante a gest\u00e3o de Gerard Schroeder, do Partido Social-Democrata (SPD), entre 1998 e 2005, que a Alemanha realizou reformas no seu mercado de trabalho criando formas de contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria e sem prote\u00e7\u00e3o social (que n\u00e3o aparecem nas estat\u00edsticas de desemprego), aumentando a margem de lucro das empresas alem\u00e3s.\u00a0 No espa\u00e7o de \u201clivre concorr\u00eancia\u201d da UE os vencedores foram naturalmente as empresas dos pa\u00edses mais fortes, como Alemanha e Fran\u00e7a, que passaram a ter acesso aos mercados dos pa\u00edses mais fracos. Antes do euro, esses pa\u00edses menores podiam simplesmente desvalorizar suas moedas, para estimular seus consumidores a comprar produtos nacionais e diminuir as importa\u00e7\u00f5es. Com o euro, esses pa\u00edses perderam o controle sobre suas moedas, e os consumidores passaram a ter acesso a produtos de todo o continente, facilitado pelo cr\u00e9dito barato em moeda forte. Podem comprar de outros pa\u00edses e at\u00e9 de outros continentes, o que enfraquece as empresas locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na l\u00f3gica do capital, a concorr\u00eancia significa sempre a incorpora\u00e7\u00e3o dos capitais mais fracos pelos mais fortes, que se tornam ainda maiores. Na pr\u00e1tica, a implanta\u00e7\u00e3o do euro representou a anexa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos pa\u00edses menores da Europa pelo mais forte deles. A Alemanha multiplicou por sete o seu saldo positivo no com\u00e9rcio com parceiros da zona euro desde a implanta\u00e7\u00e3o da moeda \u00fanica (dados do site Economia &amp; Neg\u00f3cios, do portal Estado, 16\/05\/2012). Em momentos de crise, o desn\u00edvel de poder entre os mais fortes e os mais fracos se torna ainda mais aparente. A crise econ\u00f4mica de 2008 encontrou consumidores e empresas da periferia europ\u00e9ia altamente endividados, justamente no momento em que o cr\u00e9dito f\u00e1cil desapareceu. Os governos intervieram assumindo as d\u00edvidas dos bancos e empresas, que por sua vez cortaram seus custos, demitindo em massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os governos desses pa\u00edses (PIGS, ou seja, \u201cporcos\u201d, na sigla pejorativa em ingl\u00eas para Portugal, Irlanda, Gr\u00e9cia e Espanha), na tentativa de salvar bancos e empresas, viram sua d\u00edvida se multiplicar. O aumento explosivo do endividamento torna as d\u00edvidas impag\u00e1veis, num mecanismo que se auto-alimenta. Quanto mais aumenta a d\u00edvida, fica mais dif\u00edcil conseguir novos empr\u00e9stimos para pagar os antigos, e \u00e9 preciso pagar juros mais altos em prazos mais curtos. Quanto mais altos ficam os juros e mais curtos os prazos, maior fica a d\u00edvida, e assim sucessivamente. Para pagar as d\u00edvidas contra\u00eddas para salvar bancos e empresas, os governos lan\u00e7am as chamadas \u201cmedidas de austeridade\u201d, ou seja, cortam gastos sociais, como seguro-desemprego e aposentadorias, congelam os sal\u00e1rios ou simplesmente demitem funcion\u00e1rios p\u00fablicos, sucateiam os servi\u00e7os p\u00fablicos, elevam impostos, al\u00e9m de \u201cflexibilizarem\u201d a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista em geral, diminuindo a prote\u00e7\u00e3o aos trabalhadores para fazer a \u201ceconomia crescer\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado dessas medidas \u00e9 naturalmente a continua\u00e7\u00e3o ou aprofundamento da recess\u00e3o. A resposta da UE, sob lideran\u00e7a da Alemanha, \u00e9 de que esses pa\u00edses devem se comprometer com ainda mais austeridade, ou seja, mais ataques aos trabalhadores para continuar pagando suas d\u00edvidas. O FMI, o BCE e a UE (a chamada \u201ctroika\u201d) lan\u00e7aram um \u201cMemorando\u201d de ajuste para pa\u00edses endividados, em que seus governos t\u00eam que se comprometer com medidas dur\u00edssimas contra seus povos para ter acesso \u00e0s centenas de bilh\u00f5es de que necessitam para pagar suas d\u00edvidas. O detalhe \u00e9 que a maior parte dessas d\u00edvidas foi contra\u00edda junto a bancos alem\u00e3es e franceses, ou seja, dos dois pa\u00edses que controlam o FMI, o BCE e a UE. Isso significa que Alemanha e Fran\u00e7a est\u00e3o impondo sob a m\u00e1scara das institui\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida de milh\u00f5es de pessoas nos demais pa\u00edses do continente para garantir os lucros dos seus bancos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os pa\u00edses europeus, a Gr\u00e9cia tem estado no centro das aten\u00e7\u00f5es devido n\u00e3o apenas ao volume de sua d\u00edvida e \u00e0 dificuldade do seu governo em conseguir a rolagem, mas especialmente devido \u00e0 her\u00f3ica resist\u00eancia dos trabalhadores gregos contra as medidas de austeridade desde o in\u00edcio da crise. O pa\u00eds tem sido palco de colossais mobiliza\u00e7\u00f5es de massa, com greves gerais, ocupa\u00e7\u00f5es de empresas e pr\u00e9dios, manifesta\u00e7\u00f5es de massa, enfrentando uma dur\u00edssima repress\u00e3o. Infelizmente, as principais organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da extrema esquerda grega, como SYRIZA, KKE, Esquerda Democr\u00e1tica, tem canalizado a rejei\u00e7\u00e3o popular ao \u201cMemorando\u201d da troika para as elei\u00e7\u00f5es, que se decidem em meados de junho, e n\u00e3o para a luta organizada contra as institui\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias e o capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo8\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>A REVOLTA DAS MARRETAS NA FUNDA\u00c7\u00c3O SANTO ANDR\u00c9<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O mundo em crise e os trabalhadores em luta<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo vive hoje os reflexos mais perversos da crise estrutural do capital, crise esta determinada pelos limites inerentes a seu pr\u00f3prio sistema metab\u00f3lico, que busca reproduzir-se sempre de forma ampliada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas a n\u00edvel mundial e os trabalhadores t\u00eam resistido, a exemplo das grandes greves gerais na Gr\u00e9cia, Espanha, Fran\u00e7a, etc, formas de resist\u00eancia dos oprimidos contra esta realidade cr\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pa\u00eds \u201cda copa e das olimp\u00edadas\u201d, milh\u00f5es s\u00e3o gastos em constru\u00e7\u00f5es fara\u00f4nicas para os megaevetos, enquanto professores lecionam em pr\u00e9dios deteriorados (quando de fato pr\u00e9dios existem para tal), enquanto milh\u00f5es n\u00e3o possuem moradia, enquanto milh\u00f5es n\u00e3o possuem hospitais, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto contradit\u00f3rio que n\u00e3o apenas vemos ressurgir grandes lutas de trabalhadores, mas tamb\u00e9m podemos ver gradativamente explodir lutas nas universidades do pa\u00eds. O ano passado terminou com uma forte greve na USP contra a pris\u00e3o dos 73 combatentes que ocuparam a reitoria desta institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano de 2012 j\u00e1 come\u00e7ou pegando fogo em diversas universidades do pa\u00eds. Greve e ocupa\u00e7\u00e3o na UNIFESP de Guarulhos, ocupa\u00e7\u00e3o do departamento de comunica\u00e7\u00e3o da Unesp de Mar\u00edlia, mais de 40 universidades federais em greve, sendo que mais da metade destas com greves estudantis tamb\u00e9m, lutas na UFAL, UFRGS e tantas outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9: do muro \u00e0s marretas <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto cheio de novas possibilidades, os estudantes da Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9 tamb\u00e9m v\u00eam buscando reorganizar o movimento estudantil, n\u00e3o apenas para combater os ataques da reitoria desta universidade, mas tamb\u00e9m para lutar por um novo projeto de universidade que atenda de fato \u00e0s necessidades da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta universidade, que possui um hist\u00f3rico de grandes lutas desde a ditadura militar at\u00e9 as greves que derrubaram um reitor em 2007, vive hoje sob constante ataque de uma reitoria autorit\u00e1ria e privatista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que chegou ao poder, em 2008, a reitoria, chefiada por Oduvaldo Cacalano, aumentou mensalidades em 18%, proibiu estudantes de votar em elei\u00e7\u00f5es internas, suspendeu estudantes que lutam, demitiu diversos funcion\u00e1rios, fechou a quadra e, como se n\u00e3o bastasse, fechou o Diret\u00f3rio Acad\u00eamico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No inicio do ano, durante as f\u00e9rias, a reitoria mandou construir um enorme muro na entrada do Diret\u00f3rio Acad\u00eamico de um de seus pr\u00e9dios, a FAFIL. Sem consultar a gest\u00e3o eleita ou qualquer representante estudantil, fechou a sede do D.A. e recusa-se a discutir a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O muro que fecha o D.A. representou um ataque feroz contra o direito de livre organiza\u00e7\u00e3o dos estudantes, que hoje penam para realizar reuni\u00f5es e atividades culturais t\u00e3o comuns em \u00e9pocas passadas. N\u00e3o s\u00f3 retirou-se o espa\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o dos estudantes como tamb\u00e9m o espa\u00e7o onde funcionava a feirinha de artesanatos que revertia verba para a entidade, colocando para o Diret\u00f3rio Acad\u00eamico mais um problema, seu autofinanciamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para se ter uma ideia da import\u00e2ncia do Diret\u00f3rio Acad\u00eamico, basta lembrar de seu papel central na organiza\u00e7\u00e3o das lutas de 2007 que derrubaram o corrupto reitor Odair Bermelho e que reabriram os cursos de licenciatura que haviam sido fechados. Fora estes aspectos mais amplos, o Diret\u00f3rio Acad\u00eamico sempre foi um espa\u00e7o de defesa dos estudantes em diversos momentos, oferecendo representa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e pol\u00edtica aos estudantes que n\u00e3o conseguiam efetuar suas rematr\u00edculas por conta de atrasos nas altas mensalidades cobradas pela institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram comuns cursos livres gratuitos oferecidos a toda comunidade e que funcionavam na sede da entidade. Atividades culturais diversas, como oficinas de pintura, m\u00fasica e filmes tamb\u00e9m ocorriam quase que cotidianamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inconformados com o estado de apatia que se instaurou na faculdade e conscientes da necessidade de dar uma resposta \u00e0 altura, que pudesse recolocar na pauta do dia a luta pela retomada da entidade, cerca de 40 estudantes se mobilizaram para derrubar o muro que bloqueava seu espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 15 de maio, uma ter\u00e7a-feira, estes estudantes surpreenderam a reitoria e seus capangas e numa a\u00e7\u00e3o exemplar em organiza\u00e7\u00e3o abriram \u00e0 marretadas boa parte do muro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vestidos com mascaras representando a face do reitor Cacalano estes combatentes foram aplaudidos por centenas de estudantes que assistiam o despertar do movimento estudantil com muita vivacidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ato de derrubada do muro n\u00e3o foi capaz de retomar de fato o espa\u00e7o da entidade, o que se deve muito ao boicote promovido por organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que atuam na universidade (LER-QI e PSTU). Mas esta a\u00e7\u00e3o conseguiu recolocar o debate de volta nas salas de aula e nos corredores da institui\u00e7\u00e3o, abrindo espa\u00e7o para reordenamentos, rupturas e novas adequa\u00e7\u00f5es que abrem a possibilidade de uma reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento dos estudantes na Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>As tarefas para o movimento estudantil da Funda\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudantes (sobretudo sua vanguarda militante) t\u00eam agora como tarefa voltarem-se de forma unit\u00e1ria em um profundo trabalho de base que busque organizar os estudantes em torno de uma pauta pol\u00edtica que unifique o combate \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o dos diversos cursos da institui\u00e7\u00e3o, \u00e0s altas mensalidades, e em defesa dos lutadores e pela retomada de sua entidade de luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Gest\u00e3o atual do Diret\u00f3rio Acad\u00eamico (composta por independentes, mas majoritariamente formada pelo PSTU) deve assumir seu papel e fomentar assembleias e reuni\u00f5es de base que discutam a atual situa\u00e7\u00e3o do D.A. e preparem as novas lutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de tantos ataques, as universidades federais t\u00eam demonstrado que h\u00e1 uma sa\u00edda para os problemas, e esta deve se encontrar na luta. Assim cabe aos estudantes da Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9 se colocar em luta n\u00e3o s\u00f3 contra o projeto de universidade que atende aos interesses da burguesia nacional, mas por um projeto que atenda aos interesses dos trabalhadores do mundo rumo a uma sociedade socialista.<\/p>\n<ul>\n<li>Pela retomada do Diret\u00f3rio Acad\u00eamico<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e0 arbitrariedade da reitoria! Mais respeito aos estudantes!<\/li>\n<li>N\u00e3o ao projeto privatista de universidade!<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e0s catracas! Por uma universidade livre de muros e acess\u00edvel \u00e0 comunidade!<\/li>\n<li>Em defesa dos lutadores! N\u00e3o \u00e0 puni\u00e7\u00e3o de qualquer estudante que luta!<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assuntos principais: As medidas do governo e as lutas dos trabalhadores Greve nas universidades federais: por um projeto diferente de<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=346"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6473,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346\/revisions\/6473"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}