{"id":3472,"date":"2014-10-17T08:04:56","date_gmt":"2014-10-17T11:04:56","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=3472"},"modified":"2014-10-17T08:04:56","modified_gmt":"2014-10-17T11:04:56","slug":"o-capitalismo-traz-guerras-catastrofes-miserias-socialismo-ou-barbarie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2014\/10\/o-capitalismo-traz-guerras-catastrofes-miserias-socialismo-ou-barbarie\/","title":{"rendered":"O capitalismo traz guerras, cat\u00e1strofes, mis\u00e9rias. Socialismo ou barb\u00e1rie!"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cA escolha continua sendo entre socialismo e barb\u00e1rie. Pode-se n\u00e3o saber mais o que \u00e9 socialismo, mas para saber o que \u00e9 barb\u00e1rie basta abrir os olhos.\u201d Luis Fernando Ver\u00edssimo \u2013 O Globo \u2013 22\/09\/2014<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda est\u00e1 em aberto o debate sobre os motivos que levaram \u00e0 derrota das tentativas de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo no s\u00e9culo XX. O s\u00e9culo passado terminou com a proclama\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria do capitalismo, com uma violenta ofensiva econ\u00f4mica, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica da burguesia contra os trabalhadores, sob os slogans de \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d, \u201cfim do socialismo\u201d, \u201cfim do marxismo\u201d, \u201cfim das ideologias\u201d, \u201cfim das grandes narrativas\u201d, \u201cfim do sujeito\u201d, \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d, etc. Mas independentemente dos motivos que impediram o avan\u00e7o rumo ao socialismo, uma coisa \u00e9 certa: o capitalismo, este sim, \u00e9 um fracasso retumbante. Vejamos adiante alguns exemplos desse fracasso.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">GUERRAS<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O capitalismo \u00e9 um sistema baseado na viol\u00eancia, na apropria\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o pago, a mais valia, que \u00e9 roubada diariamente de todos os trabalhadores. Esse sistema s\u00f3 conseguiu surgir e se erguer com base em atos de viol\u00eancia colossais, como a expropria\u00e7\u00e3o dos camponeses na Europa, o genoc\u00eddio dos povos origin\u00e1rios das Am\u00e9ricas, a destrui\u00e7\u00e3o das sociedades africanas e a escraviza\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de negros, o esfacelamento das antigas sociedades asi\u00e1ticas, etc. No s\u00e9culo XX, duas guerras mundiais foram provocadas pela disputa entre as pot\u00eancias imperialistas pela partilha do mundo.<br \/>\nNo s\u00e9culo XXI, continuamos sob a amea\u00e7a permanente da guerra em diversos formatos. Temos as guerras entre Estados nacionais e as \u201cguerras assim\u00e9tricas\u201d contra for\u00e7as dispersas, como a \u201cguerra ao terror\u201d que nunca termina, a \u201cguerra contra as drogas\u201d, todas pretextos para interven\u00e7\u00f5es militares imperialistas. Temos a guerra civil na S\u00edria, no Iraque, no Afeganist\u00e3o (pa\u00edses de onde os Estados Unidos tiveram que se retirar, mas agora querem voltar), a guerra civil mais ou menos disfar\u00e7ada na Ucr\u00e2nia, guerras civis no Sud\u00e3o, Mali, Rep\u00fablica Centro-Africana, etc. As ideologias do \u00f3dio nacionalista, racial, tribal e religioso movem essas guerras, mas os seus motivos materiais s\u00e3o os interesses imperialistas em controlar riquezas naturais vitais para a sobreviv\u00eancia dos seus neg\u00f3cios.<br \/>\nAl\u00e9m das guerras declaradas entre Estados, vivemos uma guerra social, uma onda mundial de militariza\u00e7\u00e3o, policiamento, vigil\u00e2ncia, autoritarismo nos locais de trabalho, nas fam\u00edlias, nas escolas, repress\u00e3o, judicializa\u00e7\u00e3o, criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas sociais e da pobreza em geral, agress\u00f5es fascistas contra movimentos dos trabalhadores, imigrantes, LGBTs, viol\u00eancia cotidiana contra a mulher, etc. Para contornar sua crise estrutural e continuar explorando os trabalhadores, o capitalismo necessita cada vez mais da viol\u00eancia.<br \/>\nEst\u00e1 em curso uma verdadeira guerra civil n\u00e3o declarada contra os pobres e miser\u00e1veis nas periferias do mundo inteiro. Os negros nas favelas do Brasil ou do Haiti, os negros e latinos nas ruas e pres\u00eddios dos Estados Unidos, os imigrantes na Europa, os palestinos em Gaza, s\u00e3o todos v\u00edtimas de opera\u00e7\u00f5es policiais e militares de exterm\u00ednio. Aqueles que n\u00e3o s\u00e3o parte do ex\u00e9rcito industrial de reserva (porque nunca ser\u00e3o empregados, nem sequer temporariamente) s\u00e3o popula\u00e7\u00e3o excedente que o capital busca descartar antes que engrossem o caldo de poss\u00edveis revoltas.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">CAT\u00c1STROFES<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das perdas de vidas humanas provocadas pela viol\u00eancia em suas v\u00e1rias formas, temos tamb\u00e9m as cat\u00e1strofes ambientais. Os s\u00e9culos de interven\u00e7\u00e3o humana irracional na natureza provocaram diversos desequil\u00edbrios no ecossistema global. A extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios e outros recursos, a exaust\u00e3o das terras f\u00e9rteis pela agricultura e pecu\u00e1ria intensivas, extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies animais e vegetais, o ac\u00famulo de lixo e de polui\u00e7\u00e3o no solo, nas \u00e1guas e na atmosfera; tudo isso ao longo de s\u00e9culos de produ\u00e7\u00e3o capitalista provocaram uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica mundial. Isso se manifesta em ondas de frio e de calor, secas, inunda\u00e7\u00f5es, tempestades, nevascas, derretimento de geleiras e dos p\u00f3los, surtos de v\u00edrus e microorganismos letais (vaca louca, gripe do frango, gripe su\u00edna, ebola, etc.), etc. Mesmo algumas das cat\u00e1strofes naturais que n\u00e3o podem ser evitadas (vulc\u00f5es, terremotos, tsunamis) poderiam ter seus efeitos destrutivos atenuados pelo uso da ci\u00eancia, formas de detec\u00e7\u00e3o, sinaliza\u00e7\u00e3o, etc. H\u00e1 tamb\u00e9m epidemias e pandemias que poderiam ser evitadas e controladas, se a ci\u00eancia e a tecnologia fossem direcionadas para isso.<br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o destrutiva, que n\u00e3o leva em conta as necessidades humanas e sim o imperativo de produzir mais e mais mercadorias (que n\u00e3o servem a necessidades reais e sim artificiais), cujo objetivo \u00e9 realizar o valor de troca e reproduzir o capital de forma ampliada, e que depois se acumulam na forma de lixo, polui\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m s\u00e3o parte do seu processo de produ\u00e7\u00e3o. Esse impulso para o lucro n\u00e3o pode ser controlado por nenhum tipo de regulamenta\u00e7\u00e3o ambiental, sanit\u00e1ria, de sa\u00fade p\u00fablica, etc., por nenhuma inst\u00e2ncia nacional, nem muito menos internacional. O Estado \u00e9 controlado pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es e obedece aos seus interesses, os agentes encarregados da regulamenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o corrompidos, as normas s\u00e3o burladas, o judici\u00e1rio quase nunca age em tempo. Se algum governo nacional hipoteticamente quiser controlar as corpora\u00e7\u00f5es, essas mudam seus neg\u00f3cios para outro pa\u00eds. Os neg\u00f3cios t\u00eam que continuar mesmo com a destrui\u00e7\u00e3o ambiental. A propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o transforma as for\u00e7as produtivas e a tecnologia em for\u00e7as destrutivas que amea\u00e7am a sobreviv\u00eancia da humanidade.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">MIS\u00c9RIAS<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que n\u00e3o morrem nas guerras e cat\u00e1strofes provocadas pelo capitalismo vivem uma vida de mis\u00e9ria. S\u00e3o 805 milh\u00f5es de pessoas que passam fome no mundo em 2014, segundo o \u00f3rg\u00e3o da ONU (http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2014-09\/fao-805-milhoes-de-pessoas-passam-fome-no-mundo). Em 2012, segundo tamb\u00e9m a ONU, 863 milh\u00f5es de pessoas, ou 33% da popula\u00e7\u00e3o urbana do mundo, viviam em favelas (Wikip\u00e9dia). Segundo a ONG UAEM, que se dedica a lutar por pol\u00edticas de sa\u00fade p\u00fablica que enfrentem o monop\u00f3lio das ind\u00fastrias farmac\u00eauticas, das 50 milh\u00f5es de pessoas que morrem anualmente no mundo, 10 milh\u00f5es morrem de doen\u00e7as trat\u00e1veis (http:\/\/uaem-br.org\/brasil\/).<br \/>\nSegundo a ONG OXFAM, as 85 pessoas mais ricas do mundo possuem uma renda equivalente \u00e0 das 3,5 bilh\u00f5es mais pobres (http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/noticias\/2014\/01\/140122_desigualdade_davos_pai). O 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o mundial fica com 46% da riqueza, enquanto que os 50% dos seres humanos mais pobres ficam com apenas 1% da riqueza mundial (http:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/0-7-da-populacao-possui-41-da-riqueza-mundial-6716.html).<br \/>\nSegundo as estat\u00edsticas (tamb\u00e9m oficiais da ONU, o que significa n\u00fameros maquiados pelos governos nacionais), 6% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa mundial est\u00e1 desempregada, o que equivale a 202 milh\u00f5es de pessoas (http:\/\/www.cartacapital.com.br\/economia\/desemprego-global-cresce-e-ja-atinge-mais-de-200-milhoes-de-pessoas-9833.html), dado que evidentemente desconsidera os setores que vivem em situa\u00e7\u00e3o de calamidade e deixaram de procurar emprego, vivem de subempregos, trabalho informal, etc.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">FALTA DE PERSPECTIVAS<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEsses fen\u00f4menos descritos acima n\u00e3o s\u00e3o acidentes de percurso, n\u00e3o s\u00e3o falhas tempor\u00e1rias, n\u00e3o s\u00e3o imperfei\u00e7\u00f5es que se possa corrigir com uma \u201cmelhor administra\u00e7\u00e3o\u201d. S\u00e3o resultados inevit\u00e1veis das tend\u00eancias intr\u00ednsecas do desenvolvimento capitalista. A humanidade j\u00e1 vive sob este sistema h\u00e1 s\u00e9culos e esses problemas n\u00e3o foram resolvidos, porque na verdade, n\u00e3o podem ser resolvidos dentro do capitalismo. Como dissemos acima, a l\u00f3gica da competi\u00e7\u00e3o entre as diversas fra\u00e7\u00f5es do capital torna esse sistema imposs\u00edvel de ser controlado ou \u201chumanizado\u201d.<br \/>\nEsses elementos de barb\u00e1rie tendem a se acumular com o tempo, por mais que momentaneamente, em determinadas \u00e9pocas e em determinados pa\u00edses, eles pare\u00e7am n\u00e3o se manifestar. Cotidianamente, os gestores do sistema capitalista, os pol\u00edticos em cada Estado nacional, renovam as promessas de que a vida vai melhorar, apenas para garantirem a continuidade da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o, como os candidatos em campanha no Brasil fazem hoje. Todos fazem promessas vagas de melhorias, mas nenhum toca nas quest\u00f5es centrais, a l\u00f3gica do lucro.<br \/>\nA continuidade do sistema capitalista significa a continuidade desses elementos de barb\u00e1rie. A humanidade pode caminhar lentamente para a barb\u00e1rie, sem que necessariamente haja uma grande explos\u00e3o destrutiva, uma nova guerra mundial, etc. As cat\u00e1strofes e mis\u00e9rias podem se acumular at\u00e9 que a humanidade esteja reduzida a formas de vida irreconhec\u00edveis. Com isso queremos dizer que o sistema capitalista, por mais que tenha a tend\u00eancia de destruir a humanidade, n\u00e3o destruir\u00e1 a si mesmo nem ser\u00e1 substitu\u00eddo automaticamente por alguma outra forma de vida social. Por mais graves que sejam as suas crises, o capitalismo seguir\u00e1 de p\u00e9 enquanto n\u00e3o for constru\u00edda outra l\u00f3gica de reprodu\u00e7\u00e3o social. O capitalismo somente ser\u00e1 destru\u00eddo e substitu\u00eddo por uma a\u00e7\u00e3o coletiva, consciente e organizada, ou seja, uma revolu\u00e7\u00e3o que tenha o objetivo expl\u00edcito e declarado de acabar com o capitalismo e construir outro sistema social. O mundo precisa de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista!<br \/>\nEnquanto n\u00e3o reconstruirmos uma alternativa socialista, a humanidade seguir\u00e1 decaindo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 barb\u00e1rie. A falta de uma perspectiva de transforma\u00e7\u00e3o social faz com que as formas de pensamento tamb\u00e9m girem em c\u00edrculos em torno de falsas alternativas, desde a apologia direta do capitalismo (o discurso neoliberal), at\u00e9 as formas indiretas e irracionais de apologia (que negam a possibilidade da revolu\u00e7\u00e3o social), tais como o fanatismo religioso, o irracionalismo filos\u00f3fico, o cinismo e o pessimismo cultural, etc.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">RECONSTRUIR A ALTERNATIVA SOCIALISTA!<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como dissemos no in\u00edcio, ainda est\u00e1 em aberto o debate sobre os motivos que levaram \u00e0 derrota das tentativas de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo no s\u00e9culo XX. Quaisquer que sejam esses motivos, por\u00e9m, teremos que encontrar os caminhos para o socialismo no s\u00e9culo XXI. Solucionar esse debate n\u00e3o ser\u00e1 uma quest\u00e3o para acad\u00eamicos, historiadores ou curiosos, mas uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia da humanidade. O m\u00e1ximo que podemos fazer, no ep\u00edlogo deste texto, \u00e9 apresentar algumas indica\u00e7\u00f5es:<br \/>\n\uf0fc O socialismo ser\u00e1 mundial ou n\u00e3o ser\u00e1! O socialismo \u00e9 imposs\u00edvel em um s\u00f3 pa\u00eds. Ainda que a revolu\u00e7\u00e3o seja uma tarefa \u201cnacional\u201d, ou seja, que tem que ser feita em cada pa\u00eds, a transi\u00e7\u00e3o rumo ao socialismo deve ser feita em escala mundial;<br \/>\n\uf0fc Isso porque o socialismo, para ser constru\u00eddo, requer a socializa\u00e7\u00e3o da riqueza, e n\u00e3o da mis\u00e9ria, como aconteceu nas revolu\u00e7\u00f5es que acabaram ficando restritas aos \u201celos fr\u00e1geis da cadeia do capital\u201d no s\u00e9culo XX;<br \/>\n\uf0fc A socializa\u00e7\u00e3o da riqueza n\u00e3o \u00e9 a simples distribui\u00e7\u00e3o dos bens materiais, mas o controle social das for\u00e7as produtivas. A ci\u00eancia e a tecnologia devem ser postos a funcionar a servi\u00e7o das necessidades humanas. Hoje a ci\u00eancia e a tecnologia enfrentam um obst\u00e1culo mortal ao seu desenvolvimento, a propriedade privada das corpora\u00e7\u00f5es e a competi\u00e7\u00e3o entre os Estados, que faz com que os pesquisadores trabalhem em isolamento e concorr\u00eancia uns com os outros, ao inv\u00e9s da partilha de conhecimentos e da coopera\u00e7\u00e3o. A simples ruptura com a l\u00f3gica da competi\u00e7\u00e3o e o estabelecimento da coopera\u00e7\u00e3o levariam a um salto gigantesco da capacidade produtiva, libertando a humanidade da escravid\u00e3o do trabalho necess\u00e1rio e multiplicando as possibilidades de frui\u00e7\u00e3o do tempo livre, de novas rela\u00e7\u00f5es, humanas, etc.;<br \/>\n\uf0fc Alguns setores do movimento socialista falam em \u201csocialismo com democracia\u201d ou \u201csocialismo com liberdade\u201d, para se diferenciar das experi\u00eancias do s\u00e9culo XX. Essas express\u00f5es, na verdade, s\u00e3o redundantes. N\u00e3o existe democracia nem liberdade a n\u00e3o ser no socialismo. A ruptura da ordem capitalista tem que ser feita, como dissemos, com base numa a\u00e7\u00e3o coletiva, consciente e organizada. Isso significa que as formas de decis\u00e3o devem ser partilhadas por todos, de maneira respons\u00e1vel, desde cada localidade, cada bairro, cada cidade, cada regi\u00e3o, cada pa\u00eds, por meio de processos coletivos de decis\u00e3o, de modo que os indiv\u00edduos decidam a todo o momento sobre todas as quest\u00f5es, sobre o que produzir, como produzir, como distribuir, como gerenciar os recursos coletivos, etc.<br \/>\n\uf0fc Esse sistema de decis\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o coletiva de todas as quest\u00f5es envolvem necessariamente a destrui\u00e7\u00e3o do Estado tal como o conhecemos e a sua substitui\u00e7\u00e3o por mecanismos de decis\u00e3o baseados nas quest\u00f5es concretas a serem resolvidas, sem representantes e sem hierarquia, sem separa\u00e7\u00e3o entre pol\u00edtica e economia;<br \/>\n\uf0fc A constru\u00e7\u00e3o desse sistema ser\u00e1 uma obra da classe trabalhadora, ou seja, dos indiv\u00edduos diretamente respons\u00e1veis pelo interc\u00e2mbio do homem com a natureza e as atividades que garantem a sobreviv\u00eancia da humanidade. Nenhuma outra classe social poder\u00e1 cumprir essa tarefa, e as classes que hoje se beneficiam da explora\u00e7\u00e3o capitalista ter\u00e3o que ser destru\u00eddas enquanto classes, ou seja, os indiv\u00edduos que pertenciam as antigas classes dominantes e classes m\u00e9dias (e tamb\u00e9m os l\u00fampens) ter\u00e3o que partilhar os mesmos direitos e deveres dos demais, do contr\u00e1rio, ter\u00e3o que ser reprimidos pela for\u00e7a;<br \/>\n\uf0fc As duas condi\u00e7\u00f5es anteriores implicam que o socialismo s\u00f3 pode ser constru\u00eddo pela via revolucion\u00e1ria, ou seja, por uma ruptura da ordem existente, sem qualquer tipo de concilia\u00e7\u00e3o com o Estado e suas institui\u00e7\u00f5es. Essas indica\u00e7\u00f5es colocam como tarefas imediatas a constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es socialistas revolucion\u00e1rias, que fa\u00e7am avan\u00e7ar a consci\u00eancia dos trabalhadores e a sua organiza\u00e7\u00e3o independente das institui\u00e7\u00f5es e ideologias hoje existentes. A alternativa socialista n\u00e3o \u00e9 uma ideia, mas um processo pr\u00e1tico de a\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o na realidade, a partir dos enfrentamentos concretos da luta de classes em andamento. \u00c9 tarefa das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias intervirem nesses processos para desenvolver a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, sua capacidade de a\u00e7\u00e3o coletiva e consciente. Ou atualizamos a luta pelo socialismo, ou estaremos condenados \u00e0 barb\u00e1rie!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cA escolha continua sendo entre socialismo e barb\u00e1rie. 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