{"id":348,"date":"2012-11-08T13:47:02","date_gmt":"2012-11-08T15:47:02","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/348"},"modified":"2013-06-26T15:22:39","modified_gmt":"2013-06-26T18:22:39","slug":"a-repressao-policial-e-a-democracia-brasileira-andam-juntas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2012\/11\/a-repressao-policial-e-a-democracia-brasileira-andam-juntas\/","title":{"rendered":"A repress\u00e3o policial e a Democracia Brasileira andam juntas!"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" style=\"width: 200px; height: 283px;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Cartaz_CampanhaRepressao_A3_thumb.jpg\" \/><\/h2>\n<p><span style=\"color: #333333; font-size: 13.63636302947998px; text-align: center; background-color: #ffffff;\">Colabore com a campanha, b<\/span><span style=\"font-size: 13.63636302947998px; background-color: #ffffff; color: #333333; text-align: center;\">aixe aqui seu cartaz\u00a0e divulgue<\/span><span style=\"font-size: 13.63636302947998px; background-color: #ffffff; color: #333333; text-align: center;\">\u00a0:<\/span><\/p>\n<p><a style=\"font-size: 13.63636302947998px; background-color: #ffffff; text-align: center;\" href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Cartaz_CampanhaRepressao_A3.jpg\">vers\u00e3o 1\u00a0<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"font-size: 13.63636302947998px;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Cartaz_CampanhaRepressao_A3_thumb.jpg\" width=\"30\" height=\"42\" \/><\/a><span style=\"color: #333333; font-size: 13.63636302947998px; text-align: center; background-color: #ffffff;\">\u00a0 \u00a0\u00a0<\/span><a style=\"font-size: 13.63636302947998px; background-color: #ffffff; text-align: center;\" href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Cartaz_CampanhaRepressaoA3.jpg\">vers\u00e3o 2\u00a0<\/a><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"font-size: 13.63636302947998px; background-color: #ffffff; color: #333333; text-align: center;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Cartaz_CampanhaRepressaoA3_thumb.jpg\" width=\"30\" height=\"42\" \/><\/p>\n<h2>CAMPANHA: Por uma den\u00fancia anti-capitalista da Repress\u00e3o!<\/h2>\n<p>\u201cEles querem \u2018limpar\u2019, sumir com o problema, e n\u00e3o resolver\u201d (Mano Brown)<\/p>\n<p><strong>&#8230;.Contextualizando&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil passa j\u00e1 h\u00e1 algum tempo por uma crescente da viol\u00eancia em todos os n\u00edveis, seja por parte da pol\u00edcia, pelo crime organizado ou mesmo por parte da imprensa.<br \/>\nA explica\u00e7\u00e3o de um processo como esse passa pela elucida\u00e7\u00e3o de variados fatores pol\u00edticos, econ\u00f4micos e culturais. Primeiramente, para que tudo isso venha a ficar minimamente claro, tem-se de ter em vista que a onda de viol\u00eancia pela qual passa a sociedade brasileira tem ra\u00edzes j\u00e1 bastante long\u00ednquas; tanto que, se fiz\u00e9ssemos uma an\u00e1lise extremamente minuciosa, chegar\u00edamos a caracter\u00edsticas comuns entre a atualidade e a sociedade escravista brasileira. Entretanto, \u00e9 suficiente para o objetivo deste <strong>Chamado<\/strong> destacar o contexto hist\u00f3rico pelo qual passa o Brasil neste per\u00edodo de \u201cre-democratiza\u00e7\u00e3o\u201d da sociedade brasileira.<br \/>\nO problema da repress\u00e3o no Brasil tem como causa mais profunda o enfrentamento, pelo Estado capitalista, de efeitos derivados do funcionamento do pr\u00f3prio capitalismo. A t\u00edtulo de exemplo, chamamos a aten\u00e7\u00e3o para alguns problemas: espa\u00e7o urbano ca\u00f3tico, falta de moradia, falta de reforma agr\u00e1ria, insufici\u00eancia da locomo\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o, desemprego, aumento da explora\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho (levando a verdadeiras m\u00e1fias de crime organizado), corrup\u00e7\u00e3o que favorece e cria o crime organizado etc.. Estes problemas, longe de serem algo moment\u00e2neo e casual, s\u00e3o estruturais e representam uma contradi\u00e7\u00e3o criada pelo pr\u00f3prio capitalismo: o capitalismo cria a promessa de todos terem acesso a condi\u00e7\u00f5es dignas de vida por meio do dinheiro; ao mesmo tempo, o mesmo capitalismo impossibilita tal realiza\u00e7\u00e3o, vez que \u00e9 pr\u00f3prio tamb\u00e9m deste sistema social realizar uma permanente exclus\u00e3o daqueles que s\u00e3o &#8220;derrotados&#8221; no mercado.<br \/>\nNo caso do Brasil, o desenvolvimento do modelo neoliberal aqui instalado a partir da d\u00e9cada de 90 trouxe consigo a potencializa\u00e7\u00e3o dos problemas que j\u00e1 vivia a sociedade brasileira na ditadura militar, aprofundando, pois, todos os problemas acima mencionados. Diante desses problemas, o que se fez para enfrent\u00e1-los, at\u00e9 hoje, foi: a) intensificar todo o espet\u00e1culo midi\u00e1tico da viol\u00eancia, o que gera um temor social generalizado ao mesmo tempo em que cria uma naturaliza\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie, apontando para a solu\u00e7\u00e3o de sempre ser necess\u00e1ria uma dose a mais de repress\u00e3o; b) aumentou-se a repress\u00e3o jur\u00eddico-policial, sob a alega\u00e7\u00e3o de proteger as \u201cpessoas de bem\u201d, criminalizando, ao mesmo tempo, os movimentos de contesta\u00e7\u00e3o de tal ordem social. N\u00e3o \u00e9 demais ressaltar: tudo foi feito no mesmo per\u00edodo da dita consolida\u00e7\u00e3o da ordem democr\u00e1tica brasileira!<br \/>\nCom a espetaculariza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e o aumento da repress\u00e3o jur\u00eddico-policial, as arbitrariedades e desmandos das institui\u00e7\u00f5es brasileiras em geral (inclusive as policiais) se intensificaram, obedecendo, obviamente, a uma l\u00f3gica classista (em especial, a uma l\u00f3gica classista de vi\u00e9s racista). Esta ofensiva repressiva atinge os trabalhadores em todos seus aspectos de vida, n\u00e3o somente nos locais de trabalho, mas tamb\u00e9m no dia-a-dia dos bairros perif\u00e9ricos, como podemos ver com clareza na onda de assassinatos que varreu a grande S\u00e3o Paulo em que nos \u00faltimos 15 dias do m\u00eas de junho foram assassinadas 127 pessoas.<br \/>\nNo interior deste processo, a repress\u00e3o jur\u00eddico-policial, utilizada tamb\u00e9m para reprimir todo movimento de contesta\u00e7\u00e3o, s\u00f3 confirma sua fun\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o da ordem: por um lado, aumenta a viol\u00eancia jur\u00eddico-policial sob o manto de uma pretensa \u201cSeguran\u00e7a P\u00fablica\u201d; por outro, intensifica a mesma repress\u00e3o contra aqueles que pretendem atacar as reais causas dos problemas. No final das contas, ao se construir a tal da seguran\u00e7a p\u00fablica por meios quase que exclusivamente policiais, o que se construiu foi um fortalecimento do aparato repressor que lembra muito pouco os sonhos de um Estado Democr\u00e1tico de Direito.<br \/>\nNesse sentido, a democracia brasileira que se instala, no m\u00ednimo desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, \u00e9 um regime que casa autoritarismo com uma fachada democr\u00e1tica. Dado o car\u00e1ter permanentemente inst\u00e1vel das institui\u00e7\u00f5es \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d, a viol\u00eancia estatal encontra solo f\u00e9rtil para crescer, fechando o circuito de um controle social extremamente eficaz, necess\u00e1rio a t\u00e3o aclamada sexta maior economia do mundo! Para que se desenvolva o alardeado crescimento econ\u00f4mico brasileiro, temos a intensifica\u00e7\u00e3o das mais diversas formas de explora\u00e7\u00e3o sobre o trabalho, manifestas cotidianamente de norte a sul do pa\u00eds, de modo que as variadas formas de contesta\u00e7\u00f5es a esta explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o brutalmente reprimidas e enquadradas \u201cnos termos lei\u201d: tudo vai progressivamente se tornando caso de pol\u00edcia!<br \/>\nQuanto ao \u00e2mbito da pol\u00edtica institucional desse per\u00edodo de re-democratiza\u00e7\u00e3o, devemos ter clareza de que, por tr\u00e1s da disputa nacional entre PT e PSDB, h\u00e1 um acordo maior pelo qual n\u00e3o hesitam, cada qual a seu modo, a tomar medidas tais como: a chamada higieniza\u00e7\u00e3o social, a repress\u00e3o aos movimentos sociais, a transfer\u00eancia de comunidades a sua revelia e a cria\u00e7\u00e3o das melhores condi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas ao capital. A diferen\u00e7a entre eles \u00e9 de formas e de ritmos, com o PSDB agindo de forma mais direta e o PT de forma mais disfar\u00e7ada (este \u00faltimo se utilizando tamb\u00e9m do seu peso nas organiza\u00e7\u00f5es para segurar os movimentos).<br \/>\nA estrat\u00e9gia conjunta vai no sentido de difamar, condenar e militarizar a repress\u00e3o aos movimentos, com o uso muito mais pronunciado da viol\u00eancia n\u00e3o apenas contra um ou outro ativista, mas contra os movimentos como um todo. Trata-se de um endurecimento do regime democr\u00e1tico-burgu\u00eas e n\u00e3o apenas da pol\u00edtica deste ou daquele governo.<\/p>\n<p><strong>&#8230;a Esquerda est\u00e1 preparada para enfrentar a repress\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Em meio a esse conjunto de contradi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o deixaram de ser deflagradas lutas e manifesta\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e dos movimentos sociais em geral; seja por meio das lutas nas empresas, perante \u00e0s institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, nos bairros mais pauperizados, entre outros.<br \/>\nNesse contexto, passados mais de 20 anos de democracia burguesa, houve uma adapta\u00e7\u00e3o de amplos setores da esquerda, que renovaram a confian\u00e7a nas ilus\u00f5es institucionais. Isso tudo est\u00e1 mudando rapidamente, revelando os limites dessa atua\u00e7\u00e3o perante os novos desafios.<br \/>\nMais do que nunca, o desafio colocado \u00e9 justamente o de den\u00fancia e preven\u00e7\u00e3o dos trabalhadores a respeito do papel e dos interesses que movem as institui\u00e7\u00f5es e o regime como um todo, chamando os trabalhadores a ficarem em estado de alerta e s\u00f3 confiarem em sua pr\u00f3pria luta e organiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA utiliza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e das liberdades democr\u00e1ticas m\u00ednimas concedidas obrigatoriamente pelo regime deve ser feita com o m\u00e1ximo de cuidado, pois na defesa de seus interesses o sistema n\u00e3o hesita em passar por cima de qualquer norma. Al\u00e9m do massacre do Pinheirinho, outro exemplo disso, dentre muitos outros, s\u00e3o os ataques que diversas comunidades t\u00eam sofrido em decorr\u00eancia dos \u201cmegaeventos\u201d (copa e olimp\u00edadas): as \u201cremo\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias\u201d em curso, al\u00e9m de representarem um dos maiores processos de despejo e remo\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do pa\u00eds, passam bem ao largo do cumprimento dos tr\u00e2mites jur\u00eddicos, o que s\u00f3 atesta os limites da democracia burguesa.<br \/>\nDiante dessa nova situa\u00e7\u00e3o e considerando que as organiza\u00e7\u00f5es de luta dos trabalhadores precisam se colocar para al\u00e9m das demandas imediatas e parciais (organizando-se, inclusive, para al\u00e9m dos locais de trabalho); considerando que \u00e9 necess\u00e1rio assumir o desafio de disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores para outro projeto de pa\u00eds e de sociedade&#8230;<br \/>\n&#8230; <strong>fazemos um Chamado aos que lutam por uma sociedade alternativa ao capitalismo para que realizemos uma\u00a0CAMPANHA de longa dura\u00e7\u00e3o <\/strong>contra a repress\u00e3o estatal, fazendo semin\u00e1rios e plen\u00e1rias em sindicatos, universidades, acampamentos, ocupa\u00e7\u00f5es etc.; colocando como ponto de pauta a ser debatido em todos os f\u00f3runs de luta e a partir da particularidade de cada luta e de cada lugar; elaborando v\u00eddeos e textos; debatendo com a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e oprimida da cidade e do campo; realizando atos; mobilizando-nos e enfrentando todas as formas de injusti\u00e7as que dia a dia \u00e9 submetida a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e oprimida.<\/p>\n<p>\u00c0 luta!<br \/>\nEspa\u00e7o Socialista, Julho de 2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Cartaz_CampanhaRepressao_A3_thumb.jpg\" alt=\"\" style=\"width: 200px; height: 283px;\" \/><\/h2>\n<p><span style=\"color: rgb(51, 51, 51); font-size: 13.63636302947998px; text-align: center; background-color: rgb(255, 255, 255); \">Colabore com a campanha, b<\/span><span style=\"font-size: 13.63636302947998px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); text-align: center; \">aixe aqui seu cartaz&nbsp;e divulgue<\/span><span style=\"font-size: 13.63636302947998px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); text-align: center; \">&nbsp;:<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Cartaz_CampanhaRepressao_A3.jpg\" style=\"font-size: 13.63636302947998px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: center; \">vers&atilde;o 1&nbsp;<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"30\" height=\"42\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Cartaz_CampanhaRepressao_A3_thumb.jpg\" alt=\"\" style=\"font-size: 13.63636302947998px; \" \/><\/a><span style=\"color: rgb(51, 51, 51); font-size: 13.63636302947998px; text-align: center; background-color: rgb(255, 255, 255); \">&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/span><a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Cartaz_CampanhaRepressaoA3.jpg\" style=\"font-size: 13.63636302947998px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: center; \">vers&atilde;o 2&nbsp;<\/a><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"30\" height=\"42\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/Cartaz_CampanhaRepressaoA3_thumb.jpg\" alt=\"\" style=\"font-size: 13.63636302947998px; background-color: rgb(255, 255, 255); color: rgb(51, 51, 51); text-align: center; \" \/><\/p>\n<h2>\nCAMPANHA: Por uma den&uacute;ncia anti-capitalista da Repress&atilde;o!<\/h2>\n<p>\n&ldquo;Eles querem &lsquo;limpar&rsquo;, sumir com o problema, e n&atilde;o resolver&rdquo; (Mano Brown)<\/p>\n<p><strong>&#8230;.Contextualizando&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil passa j&aacute; h&aacute; algum tempo por uma crescente da viol&ecirc;ncia em todos os n&iacute;veis, seja por parte da pol&iacute;cia, pelo crime organizado ou mesmo por parte da imprensa.<br \/>\nA explica&ccedil;&atilde;o de um processo como esse passa pela elucida&ccedil;&atilde;o de variados fatores pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos e culturais. Primeiramente, para que tudo isso venha a ficar minimamente claro, tem-se de ter em vista que a onda de viol&ecirc;ncia pela qual passa a sociedade brasileira tem ra&iacute;zes j&aacute; bastante long&iacute;nquas; tanto que, se fiz&eacute;ssemos uma an&aacute;lise extremamente minuciosa, chegar&iacute;amos a caracter&iacute;sticas comuns entre a atualidade e a sociedade escravista brasileira. Entretanto, &eacute; suficiente para o objetivo deste <strong>Chamado<\/strong> destacar o contexto hist&oacute;rico pelo qual passa o Brasil neste per&iacute;odo de &ldquo;re-democratiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da sociedade brasileira.<br \/>\nO problema da repress&atilde;o no Brasil tem como causa mais profunda o enfrentamento, pelo Estado capitalista, de efeitos derivados do funcionamento do pr&oacute;prio capitalismo. A t&iacute;tulo de exemplo, chamamos a aten&ccedil;&atilde;o para alguns problemas: espa&ccedil;o urbano ca&oacute;tico, falta de moradia, falta de reforma agr&aacute;ria, insufici&ecirc;ncia da locomo&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o, desemprego, aumento da explora&ccedil;&atilde;o e precariza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho (levando a verdadeiras m&aacute;fias de crime organizado), corrup&ccedil;&atilde;o que favorece e cria o crime organizado etc.. Estes problemas, longe de serem algo moment&acirc;neo e casual, s&atilde;o estruturais e representam uma contradi&ccedil;&atilde;o criada pelo pr&oacute;prio capitalismo: o capitalismo cria a promessa de todos terem acesso a condi&ccedil;&otilde;es dignas de vida por meio do dinheiro; ao mesmo tempo, o mesmo capitalismo impossibilita tal realiza&ccedil;&atilde;o, vez que &eacute; pr&oacute;prio tamb&eacute;m deste sistema social realizar uma permanente exclus&atilde;o daqueles que s&atilde;o &quot;derrotados&quot; no mercado. <br \/>\nNo caso do Brasil, o desenvolvimento do modelo neoliberal aqui instalado a partir da d&eacute;cada de 90 trouxe consigo a potencializa&ccedil;&atilde;o dos problemas que j&aacute; vivia a sociedade brasileira na ditadura militar, aprofundando, pois, todos os problemas acima mencionados. Diante desses problemas, o que se fez para enfrent&aacute;-los, at&eacute; hoje, foi: a) intensificar todo o espet&aacute;culo midi&aacute;tico da viol&ecirc;ncia, o que gera um temor social generalizado ao mesmo tempo em que cria uma naturaliza&ccedil;&atilde;o da barb&aacute;rie, apontando para a solu&ccedil;&atilde;o de sempre ser necess&aacute;ria uma dose a mais de repress&atilde;o; b) aumentou-se a repress&atilde;o jur&iacute;dico-policial, sob a alega&ccedil;&atilde;o de proteger as &ldquo;pessoas de bem&rdquo;, criminalizando, ao mesmo tempo, os movimentos de contesta&ccedil;&atilde;o de tal ordem social. N&atilde;o &eacute; demais ressaltar: tudo foi feito no mesmo per&iacute;odo da dita consolida&ccedil;&atilde;o da ordem democr&aacute;tica brasileira!<br \/>\nCom a espetaculariza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia e o aumento da repress&atilde;o jur&iacute;dico-policial, as arbitrariedades e desmandos das institui&ccedil;&otilde;es brasileiras em geral (inclusive as policiais) se intensificaram, obedecendo, obviamente, a uma l&oacute;gica classista (em especial, a uma l&oacute;gica classista de vi&eacute;s racista). Esta ofensiva repressiva atinge os trabalhadores em todos seus aspectos de vida, n&atilde;o somente nos locais de trabalho, mas tamb&eacute;m no dia-a-dia dos bairros perif&eacute;ricos, como podemos ver com clareza na onda de assassinatos que varreu a grande S&atilde;o Paulo em que nos &uacute;ltimos 15 dias do m&ecirc;s de junho foram assassinadas 127 pessoas.<br \/>\nNo interior deste processo, a repress&atilde;o jur&iacute;dico-policial, utilizada tamb&eacute;m para reprimir todo movimento de contesta&ccedil;&atilde;o, s&oacute; confirma sua fun&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o da ordem: por um lado, aumenta a viol&ecirc;ncia jur&iacute;dico-policial sob o manto de uma pretensa &ldquo;Seguran&ccedil;a P&uacute;blica&rdquo;; por outro, intensifica a mesma repress&atilde;o contra aqueles que pretendem atacar as reais causas dos problemas. No final das contas, ao se construir a tal da seguran&ccedil;a p&uacute;blica por meios quase que exclusivamente policiais, o que se construiu foi um fortalecimento do aparato repressor que lembra muito pouco os sonhos de um Estado Democr&aacute;tico de Direito.<br \/>\nNesse sentido, a democracia brasileira que se instala, no m&iacute;nimo desde o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90, &eacute; um regime que casa autoritarismo com uma fachada democr&aacute;tica. Dado o car&aacute;ter permanentemente inst&aacute;vel das institui&ccedil;&otilde;es &ldquo;democr&aacute;ticas&rdquo;, a viol&ecirc;ncia estatal encontra solo f&eacute;rtil para crescer, fechando o circuito de um controle social extremamente eficaz, necess&aacute;rio a t&atilde;o aclamada sexta maior economia do mundo! Para que se desenvolva o alardeado crescimento econ&ocirc;mico brasileiro, temos a intensifica&ccedil;&atilde;o das mais diversas formas de explora&ccedil;&atilde;o sobre o trabalho, manifestas cotidianamente de norte a sul do pa&iacute;s, de modo que as variadas formas de contesta&ccedil;&otilde;es a esta explora&ccedil;&atilde;o s&atilde;o brutalmente reprimidas e enquadradas &ldquo;nos termos lei&rdquo;: tudo vai progressivamente se tornando caso de pol&iacute;cia!<br \/>\nQuanto ao &acirc;mbito da pol&iacute;tica institucional desse per&iacute;odo de re-democratiza&ccedil;&atilde;o, devemos ter clareza de que, por tr&aacute;s da disputa nacional entre PT e PSDB, h&aacute; um acordo maior pelo qual n&atilde;o hesitam, cada qual a seu modo, a tomar medidas tais como: a chamada higieniza&ccedil;&atilde;o social, a repress&atilde;o aos movimentos sociais, a transfer&ecirc;ncia de comunidades a sua revelia e a cria&ccedil;&atilde;o das melhores condi&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas ao capital. A diferen&ccedil;a entre eles &eacute; de formas e de ritmos, com o PSDB agindo de forma mais direta e o PT de forma mais disfar&ccedil;ada (este &uacute;ltimo se utilizando tamb&eacute;m do seu peso nas organiza&ccedil;&otilde;es para segurar os movimentos).<br \/>\nA estrat&eacute;gia conjunta vai no sentido de difamar, condenar e militarizar a repress&atilde;o aos movimentos, com o uso muito mais pronunciado da viol&ecirc;ncia n&atilde;o apenas contra um ou outro ativista, mas contra os movimentos como um todo. Trata-se de um endurecimento do regime democr&aacute;tico-burgu&ecirc;s e n&atilde;o apenas da pol&iacute;tica deste ou daquele governo.<\/p>\n<p><strong>&#8230;a Esquerda est&aacute; preparada para enfrentar a repress&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>Em meio a esse conjunto de contradi&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o deixaram de ser deflagradas lutas e manifesta&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores e dos movimentos sociais em geral; seja por meio das lutas nas empresas, perante &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, nos bairros mais pauperizados, entre outros.<br \/>\nNesse contexto, passados mais de 20 anos de democracia burguesa, houve uma adapta&ccedil;&atilde;o de amplos setores da esquerda, que renovaram a confian&ccedil;a nas ilus&otilde;es institucionais. Isso tudo est&aacute; mudando rapidamente, revelando os limites dessa atua&ccedil;&atilde;o perante os novos desafios.<br \/>\nMais do que nunca, o desafio colocado &eacute; justamente o de den&uacute;ncia e preven&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores a respeito do papel e dos interesses que movem as institui&ccedil;&otilde;es e o regime como um todo, chamando os trabalhadores a ficarem em estado de alerta e s&oacute; confiarem em sua pr&oacute;pria luta e organiza&ccedil;&atilde;o. <br \/>\nA utiliza&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a e das liberdades democr&aacute;ticas m&iacute;nimas concedidas obrigatoriamente pelo regime deve ser feita com o m&aacute;ximo de cuidado, pois na defesa de seus interesses o sistema n&atilde;o hesita em passar por cima de qualquer norma. Al&eacute;m do massacre do Pinheirinho, outro exemplo disso, dentre muitos outros, s&atilde;o os ataques que diversas comunidades t&ecirc;m sofrido em decorr&ecirc;ncia dos &ldquo;megaeventos&rdquo; (copa e olimp&iacute;adas): as &ldquo;remo&ccedil;&otilde;es sum&aacute;rias&rdquo; em curso, al&eacute;m de representarem um dos maiores processos de despejo e remo&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do pa&iacute;s, passam bem ao largo do cumprimento dos tr&acirc;mites jur&iacute;dicos, o que s&oacute; atesta os limites da democracia burguesa. <br \/>\nDiante dessa nova situa&ccedil;&atilde;o e considerando que as organiza&ccedil;&otilde;es de luta dos trabalhadores precisam se colocar para al&eacute;m das demandas imediatas e parciais (organizando-se, inclusive, para al&eacute;m dos locais de trabalho); considerando que &eacute; necess&aacute;rio assumir o desafio de disputar a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores para outro projeto de pa&iacute;s e de sociedade&#8230;<br \/>\n&#8230; <strong>fazemos um Chamado aos que lutam por uma sociedade alternativa ao capitalismo para que realizemos uma&nbsp;CAMPANHA de longa dura&ccedil;&atilde;o <\/strong>contra a repress&atilde;o estatal, fazendo semin&aacute;rios e plen&aacute;rias em sindicatos, universidades, acampamentos, ocupa&ccedil;&otilde;es etc.; colocando como ponto de pauta a ser debatido em todos os f&oacute;runs de luta e a partir da particularidade de cada luta e de cada lugar; elaborando v&iacute;deos e textos; debatendo com a popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora e oprimida da cidade e do campo; realizando atos; mobilizando-nos e enfrentando todas as formas de injusti&ccedil;as que dia a dia &eacute; submetida a popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora e oprimida.<\/p>\n<p>&Agrave; luta!<br \/>\nEspa&ccedil;o Socialista, Julho de 2012<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1003,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=348"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2100,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348\/revisions\/2100"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}